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A BÍBLIA E OS DIAS DA CRIAÇÃO

apologética a_bibl4A BÍBLIA E OS DIAS DA CRIAÇÃO

Autor: Robson T. Fernandes

 Em primeiro lugar, antes de esclarecermos o que vem a ser a Teoria do Intervalo, Gap Theory, precisamos esclarecer algo sobre a necessidade de se aceitar e entender a Palavra de Deus de forma literal.

            Primeiramente, precisamos recorrer ao Jardim do Éden, onde a serpente, que é Satanás (Gn 3:1; Ap 12:9) sempre recorreu à Palavra de Deus de forma distorcida. Ou seja, ele usa a Palavra de Deus com uma pequena, sutil, mínima alteração, e, nesse caso, a Palavra de Deus modificada deixa de ser Palavra de Deus e passa a ser palavra de Satanás.

No Éden, ele distorceu a Palavra de Deus:

Deus disse: “De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás” (Gn 2:16-17);

Satanás disse: “É assim que Deus disse: Não comerás de toda árvore do jardim?” (Gn 3:1)

Deus disse: “porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gn 2:17)

Satanás disse: “É certo que não morrereis” (Gn 3:4)

No deserto, ele distorceu a Palavra de Deus:

Deus disse: “Porque aos seus anjos dará ordens a teu respeito, para que te guardem em todos os teus caminhos.” (Sl 91:11)

Satanás disse: “Aos seus anjos ordenará a teu respeito; e: Eles te susterão nas suas mãos, para não tropeçares nalguma pedra.” (Mt 4:6)

             Dessa forma, podemos observar de maneira bastante clara que o uso das Escrituras, indevidamente, para dar respaldo a ensinos estranhos à Palavra, deve ser entendido como uma deturpação e, portanto, como uma artimanha gerada, defendida e querida pela serpente, o Diabo, Satanás.

             No seio evangélico, a Teoria do Intervalo tem como expoentes os senhores:

Dr. Thomas Chalmers (1780-1847), fundador da Free Church of Scotland;

Scofield, na Scofield Reference Bible (1917). Que defendeu, em suas notas, a Teoria do Intervalo (Teoria da Brecha), devido ao crescimento de tal ensino por volta do século XIX.

            A defesa da Teoria da Brecha está alicerçada em alguns textos bíblicos, situados de forma clara, fora de seu contexto, como:

“Pois mil anos, aos teus olhos, são como o dia de ontem que se foi, e como vigília da noite.”(Sl 90:4)

             Nesse texto, a Palavra não fala absolutamente nada sobre criação, mas o contexto explica que, aqui, o assunto tratado é que Deus não é dependente do tempo. Ele é Eterno. Para Ele o tempo não existe.

 2 Pe 3:8 – “Há, todavia, uma coisa, amados, que não deveis esquecer: que, para com o Senhor um dia é como mil anos, e mil anos como um dia.”

            Aqui o texto reforça, mais uma vez, a idéia de que o Senhor não é dependente do tempo (Kronos), pois se para nós algo demora a acontecer, para Ele não. Tudo virá no seu tempo determinado. Se achamos que algo está demorando a acontecer é porque Ele está sendo longânimo e misericordioso, para que mais alguns possam usufruir de Suas bênçãos e da Bênção maior – a Salvação.

             Nenhum desses textos trata de Criação!

“Texto fora de contexto é pretexto para se criar heresia”

             Os defensores da Teoria da Brecha afirmam que Gn 1:1 relata a criação do Universo e Gn 1:2 relata a recriação do mesmo, outros “acham” o intervalo entre Gn 1 e Gn 2, sendo que entre os dois textos existiriam alguns milhões de anos de intervalo. Mas, não só isso, afirmam que os dias da criação – Gn 1:5, 8, 13, 19, 23, 31, 2:2 – não foram dias literais, mas períodos de tempo. Na verdade, afirmam, milhões de anos.

            Esses são os Evolucionistas–Teístas.

            Na verdade, alguns pontos cruciais são esquecidos e relegados a segundo plano, por isso, a origem do erro brutal.

            Ao estudarmos o significado da palavra dia em hebraico (Yom), veremos alguns detalhes contundentes:

A palavra yom (dia) pode significar, realmente, um período de tempo, ou um dia literal. A palavra por si só não define o sentido específico;

Contudo, se tal palavra vier acompanhada de um numeral ordinal – essa é uma regra da língua hebraica (Charles Caldwell Ryrie, ThD, PhD) – como: dia segundo, terceiro…, deve ser, obrigatoriamente, identificada como se referindo a um dia literal (24 h);

Outro detalhe importante, no idioma hebraico, que é ‘esquecido’ por tais pessoas, é que as expressões “tarde e manhã” só são utilizadas para se referirem a dias literais, nunca – atente bem, NUNCA – o são empregados para se referirem a períodos de tempo.

            As expressões encontradas no texto original obedecem tais regras gramaticais, portanto, estão sujeitas às normas que regem o idioma. Não podemos burlar um idioma em defesa de pensamentos particulares, ou porque não nos sentimos qualificados a combater o evolucionismo com suas falácias. Não podemos adaptar a Palavra de Deus à nossa vida, mas sim, adaptar nossa vida à Palavra de Deus.

             Devemos estar atentos para certas alterações, pois advertências nos foram feitas:Jr 14:14-15, 23:21, 25, 31, 27:15, 29:9; Gl 1:8-9; I Tm 4:1-7, 6:3-5; II Tm 4:1-4; II Pe 3:16 e Ap 22:18-19.

            A Bíblia afirma de forma categórica que “viu Deus tudo quanto havia feito e eis que era muito bom.” (Gn1:31).

            De acordo com os Evolucionistas–Teístas, depois da criação houve a queda de Lúcifer, o pecado no Éden, a expulsão, mortes … e depois a Recriação. Agora, analisando a afirmação de tais pessoas, veremos que estão afirmando que após a Recriação, ou seja, após toda a infiltração do pecado na humanidade, disse Deus que era tudo muito bom.

Esse tipo de afirmação é absolutamente incoerente com o ensino bíblico.

A Teoria da Brecha, também chamada de Teoria do Caos, ainda afirma que houve Caos antes da recriação,  ou seja, morte, desordem, pecado… isso aconteceu antes de Adão pecar? De forma alguma (Rm 5:12,14; I Co 15:22, 45).

            Êxodo 20:11 ainda declara: “Porque em seis dias fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo quanto neles há, e ao sétimo dia descansou; por isso o Senhor abençoou o dia de Sábado, e o santificou”.

            Se tais dias não são literais, então a guarda do sábado no Antigo Testamento seria um longo período de tempo, pois o sábado é considerado um dia assim como os outros. Porém, o sábado é considerado como um dia literal de 24 horas, assim como todos os outros.

            Quando desejamos afirmar aquilo que a Bíblia não diz, na tentativa de demonstrar certa intelectualidade, estamos tentando ultrapassar o ensino bíblico em nome de defesas interesseiras e pessoais, que só Deus sabe quais são.

 robsontfernandesRobson Tavares Fernandes é bacharel em Teologia pelo STEC (Seminário Teológico Evangélico Congregacional). Tem se dedicado desde 1998 ao ensino e pesquisa bíblica na área de Apologética, sendo autor de vários artigos já publicados. Atuação como professor: Curso de Teologia da Igreja Batista da Palmeira, CBA (Curso Básico de Apologética) e ITESMI (Instituto Teológico Superior de Missões). Atuação como pesquisador: VINACC (Visão Nacional para a Consciência Cristã). Atuação como palestrante: Encontro para a Consciência Cristã, Simpósio Criacionista da Paraíba, Seminário Criacionista da Alagoas. Tem ministrado, ainda, palestras em igrejas, escolas e universidades.

Contato:  cristovira@bol.com.br  rtf75@bol.com.br

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