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AS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ REFUTADAS VERSÍCULO POR VERSÍCULO

apologética tf_refutadosAS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ REFUTADAS

VERSÍCULO POR VERSÍCULO

Este livro foi escrito por um ex ancião (equivalente a pastor ou padre) das Testemunhas de Jeová. O autor verificou nas Escrituras a inconsistência das doutrinas da Torre de Vigia e resolveu publicar este livro de respostas rápidas as Testemunhas de Jeová, usando seus versículos favoritos. As próprias Testemunhas de Jeová farão bem em analisar o seu conteúdo junto as escrituras.

Sobre o Livro:

Mais de 700.000 testemunhas de jeová dedicam atualmente mais de 130 milhões de horas de trabalho por ano para espalhar seu falso evangelho, apenas nos Estados Unidos. As Testemunhas de Jeová Refutadas Versículo por Versículo é o único guia rápido de referência para responder ao uso indevido que elas fazem dos versos da Bíblia.

Nenhum outro livro contesta de modo tão imediato a distorção que as testemunhas de Jeová fazem da Escritura, nem mostra como usar a mesma Escritura para conduzir as testemunhas de Jeová a Cristo. Enquanto outros tipos de livros sobre esta seita — exposições, testemunhos ou estudos doutrinários — são úteis para estudos aprofundados, tais livros não se destinam ao uso rápido de referência quando se precisa refutar as testemunhas de Jeová. A seção de versículo por versículo nesta chave de referência rápida apresenta os textos que as testemunhas de Jeová citam com mais frequência para sustentar suas doutrinas, bem como os textos que os cristãos acharão mais úteis para refutá-las. Outros capítulos abordam as crenças das testemunhas de Jeová, uma história resumida do movimento, alterações na versão da Bíblia produzida pela Sociedade Torre de Vigia e técnicas práticas para transmitir-lhes o evangelho. Pastores, conselheiros e cristãos em geral encontrarão neste novo livro uma valiosa fonte de referência. Aqueles cujos parentes ou vizinhos são testemunhas de Jeová irão consultar este livro com frequência.

David A. Reed é editor de Comments from the Fri-ends (Comentários dos Amigos), um periódico tri­mestral sobre as testemunhas de Jeová. Anterior­mente ele foi ancião e ministro presidente entre as testemunhas de Jeová, e agora é diácono na Primeira Igreja Batista de N. Abington, Massachusetts.

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Testemunhas de AdonaiIntrodução

 Elas sempre batem à nossa porta nas piores horas possíveis ‑ quando você ainda está deitado numa manhã de sábado, quando a família acabou de assentar‑se para o almoço de domingo, quando você está dando banho no bebê ‑ e continuam voltando com uma persistência comparável apenas à de uma mosca faminta em um dia quente de verão. Se você as recebe, elas o deixam frustrado e confuso. Manipulam suas Bíblias com surpreendente velocidade citando capítulo e versículo para “provar” que Jesus Cristo é apenas um anjo, que morreu em uma estaca e não numa cruz, que a aceitação de uma transfusão de sangue é um ato tão pecaminoso quanto o adultério, e que a Sociedade Torre de Vigia no Brooklyn, em Nova York, é o “profeta de Deus dos tempos modernos”, seu, “canal de comunicação”.

E tão fácil pensar nas Testemunhas de Jeová como a encarnação do mal e expulsá‑las de nossa porta com uma áspera repreensão. Ocasionalmente, é exatamente isto o que acontece. Minha esposa Penni, que foi criada como Testemunha de Jeová, certa vez bateu à porta de um senhor que se identificou como cristão (ela estava acompanhada de um jovem estudante das Testemunhas de Jeová). Tão logo este senhor descobriu quem eles eram, os expulsou de sua propriedade gritando: “enganadores”, “mentirosos”, o mais alto que podia, condenando‑os  ao  inferno  no  seu mais alto  volume.

(Penni  usou  este  episódio para demonstrar ao seu jovem acompanhante como realmente são os membros de igrejas cristãs.)

No entanto, é a apatia e não a raiva o que mais freqüentemente recebe as Testemunhas de Jeová à porta. “Sinto muito. Não estou interessado”, é a resposta que mais ouvem. 0utra evasiva comum é: “sinto muito, estou ocupado”. Talvez com menos freqüência, ouçam: “Sinto muito. Sou metodista” (ou outra designação denominacional qualquer). A este último a testemunha‑de‑Jeová responderá ocasionalmente: “eu também sinto muito que você seja metodista”. Mas geralmente ele ou ela dirá simplesmente: “tenha um bom‑dia” e prosseguirá em sua visitação domiciliar.

Por que continuam insistindo? Por uma razão, acreditam que você será destruído na iminente batalha do Armagedom, a menos que “venha para a organização de Jeová, para a salvação” (A Sentinela, edição norte‑americana, 15/11/81, p. 21). Eles estão tentando salvar sua vida. Além disso, a motivação que os impele é a convicção de que não sobreviverão ao Armagedom a menos que se empenhem nesse trabalho de pregação de porta em porta sob a direção da “organização de Deus”.

A maior parte das Testemunhas de Jeová está, com toda a sinceridade, fazendo o melhor que pode para servir a Deus. São como os judeus incrédulos a respeito de quem Paulo escreveu: “… de que têm zelo por Deus, mas não com entendimento. Porquanto, não conhecendo a justiça de Deus, e procurando estabelecer a sua própria, não se sujeitaram à justiça de Deus” (Rom.10:2,3).

A vasta maioria das Testemunhas de Jeová são vítimas de vítimas ‑ seguidores cegos de líderes cegos. Elas precisam escapar da doutrina de salvação por obras que as transforma em servos obedientes de um império religioso multibilionário. Precisam ser libertas do jugo opressivo que lhes pesa sobre os ombros; ainda que sejam levadas a crer que o suportar este jugo as salvará ‑ e que qualquer um que procura dissuadi‑las é um enganador enviado por Satanás.

Se você já tentou alguma vez, sabe o quanto é difícil conversar com as testemunhas de Jeová. Elas vão testar a sua paciência, seus conhecimentos bíblicos. Não perder o “fio da meada” numa  dessas  discussões  pode  sertão difícil quanto acompanhar a bolinha em um jogo de conchas de um camelô,  pois elas pulam rapidamente de um versículo para outro. Mas o esforço é válido. Essas pessoas precisam ouvir o evangelho através de você.

A maioria das testemunhas de Jeová tem um passado desprovido de espiritualidade. Um grande número delas já foi católico romano que quase nunca frequentava a igreja. Alguns foram educados em igrejas protestantes, mas nunca receberam a mensagem. Muitos não tiveram nenhuma base religiosa e estavam vivendo uma vida de materialismo ou pecado ‑ ou simplesmente sentiram‑se presos a uma rotina enfadonha que não os levava a lugar algum ‑ e então as testemunhas de Jeová bateram à porta. O convite ao “estudo da Bíblia” pareceu atraente: Deus era o que estavam precisando em suas vidas. Mas, rapidamente, as testemunhas de Jeová trocam o estudo da Bíblia pelo estudo do livro Torre de Vigia e levam seus novos discípulos a uma idolatrada organização, e não a Deus.

Quem ajudará as testemunhas de Jeová a ouvir o verdadeiro evangelho de Cristo? A cada semana elas batem a muitas portas e encontram muitas pessoas, inclusive muitos cristãos. Mas raramente encontram alguém que domina a “espada do Espírito” (Ef. 6:17) de forma a poder penetrar sua fortaleza mental ‑ aquelas paredes quase impenetráveis de raciocínios torcidos, que a Sociedade Torre de Vigia erigiu em seus cérebros. Nós cristãos enviamos missionários às mais distantes partes da terra e os treinamos nos mais difíceis idiomas, para alcançar o perdido para Cristo. Não deveríamos fazer, no mínimo, algum esforço para falar eficientemente a estas almas perdidas que vêm bater às nossas próprias portas?

Mas um cristão que tenta conversar com uma testemunha de Jeová precisará de ajuda. As testemunhas de Jeová estudam e praticam várias horas por semana para tais encontros. Portanto, mesmo um leitor da Bíblia que tenha um conhecimento geral das Escrituras pode ser pego de surpresa por algum de seus estranhos argumentos. Se isso acontecer, onde você poderá procurar ajuda? É com este fim que o presente volume foi preparado.

Eu procurei examinar profundamente os versículos bíblicos favoritos das testemunhas de Jeová ‑ os textos que usam como pretexto para ensinar as doutrinas da Torre de Vigia. Cada versículo é considerado sob vários ângulos. Como as testemunhas de Jeová interpretam o versículo? Como se encaixa na sua estrutura doutrinária? O versículo é mal traduzido em sua versão bíblica? Elas o tiram do contexto? O que o versículo realmente diz? Qual a melhor forma de argumentar com uma testemunha de Jeová a respeito daquela passagem bíblica?

Outros versículos selecionados para discussão incluem aqueles que são ignorados pelas testemunhas de Jeová – os textos que os seus líderes cuidadosamente evitam quando dirigem seus seguidores em um exame orientado da Bíblia. (Embora eu tenha sido um ancião das testemunhas de Jeová por oito anos, responsável por ensinar a minha própria congregação e freqüentemente servindo como orador em outras, existiam inúmeras passagens bíblicas que eu desconhecia – até que me foram tiradas as vendas dos olhos.) Este volume discute os mais significativos destes versículos e mostra a maneira pela qual você pode usá-los efetivamente ao compartilhar o evangelho de Cristo com uma testemunha- de Jeová.

Para facilitar a sua referência, os textos aparecem em sua ordem bíblica. Este livro lhe será mais proveitoso se o ler em sua totalidade antes de usá-lo durante um encontro real com uma testemunha  de Jeová.

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Em Que Creem as Testemunhas de Jeová

É claro que, em algumas áreas, as testemunhas de Jeová acreditam no mesmo que os cristãos ortodoxos. Por exemplo, rejeitam corno pecado o sexo fora do casamento; aceitam o criacionismo bíblico que se opõe à teoria da evolução; e acreditam que a Bíblia é a palavra inspirada de Deus. Mas, em muitas outras áreas, suas doutrinas as colocam à parte e as marcam como praticantes de um culto pseudocristão ‑ particularmente os ensinamentos da seita sobre as seguintes questões (para mais detalhes e textos bíblicos relacionados consulte o Índice de Assuntos):

Armagedom: Deus vai em breve travar guerra contra a humanidade, destruindo todos sobre a terra, exceto as testemunhas de Jeová. As igrejas cristãs, dizem, serão as primeiras a sofrer destruição.

Aniversários: Celebrar o dia do nascimento, de qualquer forma, é expressamente proibido. Até mesmo enviar um cartão de aniversário pode provocar uma ação imediata contra o ofensor determinada por um “Comitê Judicial” oficial. A punição é a “desassociação” (veja abaixo).

Transfusão de sangue: Na prática, do ponto de vista das testemunhas de Jeová, aceitar transfusão de sangue é um pecado mais sério do que o roubo ou o adultério. Ladrões e adúlteros são mais rapidamente perdoados pelos comitês judiciais  da Torre de Vigia  do que  aqueles culpados  de  aceitar  sangue.  Uma  testemunha de Jeová deve recusar sangue em toda e qualquer circunstância, mesmo quando esteja certa de que esta recusa resultará na morte. A organização também requer que os adultos recusem transfusões para seus filhos menores.

Cristianismo: Exceto por poucos e esparsos indivíduos que mantiveram a fé, o verdadeiro cristianismo desapareceu da terra logo após a morte dos doze apóstolos ‑ de acordo com as testemunhas de Jeová. E não foi restaurado até que Charles Taze Russell fundou a sociedade Torre de Vigia no final da década de 1870. Quando Cristo voltou invisivelmente em 1914, encontrou o grupo de Russell fazendo o trabalho dos “servos sábios e fiéis” (Mat. 24:45) e os nomeou sobre todas as suas posses. Todas as outras igrejas e cristãos professos são, na verdade, instrumentos do diabo.

A Volta de Cristo: 0 Senhor voltou invisivelmente no ano de 1914 e tem estado presente desde então, governando como Rei através da Sociedade Torre de Vigia. Referências à segunda “volta” são traduzidas como “presença” na Bíblia das Testemunhas de Jeová. A geração daqueles que testemunharam a volta invisível de Cristo em 1914 não vai morrer antes que venha o Armagedom (veja Mat. 24:34).

Cronologia: As testemunhas de Jeová acreditam que Deus tem um preciso cronograma para todos os acontecimentos passados e futuros, que estão unidos por simples fórmula matemática e são revelados à humanidade através da Sociedade Torre de Vigia. Os sete “dias” da criação em Gênesis tiveram a extensão de sete mil anos cada um, totalizando uma semana de quarenta e nove mil anos. Deus criou Adão no ano 4026 a.C. A criação de Eva pouco tempo depois marcou o fim do sexto dia da criação e o início do sétimo. Dessa forma, nós estamos agora aproximadamente no ano seis mil de um período de sete mil anos ‑ o que significa que o Armagedom logo colocará um fim no governo humano que durou seis mil anos, abrindo o caminho para uma espécie de sábado – um período de mil anos de reinado de Cristo. Baseados nessa cronologia a organização das Testemunhas de Jeová promulgou um número de profecias específicas do final dos tempos.

Cruz: Segundo as testemunhas de Jeová, a cruz é um símbolo religioso pagão adotado pela  igreja  quando Satanás, o demônio, assumiu o controle da autoridade eclesiástica. A cruz não teve nada a ver com a morte de Jesus, já que as testemunhas de Jeová sustentam que ele foi pregado em um poste ereto e sem trave horizontal. As testemunhas de Jeová abominam a cruz e espera‑se que os novos convertidos destruam quaisquer cruzes que possam ter, ao invés de simplesmente se disporem delas.

Deidade: Somente o Pai é Deus, e seus verdadeiros adoradores devem chamá‑lo pelo nome de Jeová. As testemunhas de Jeová aprendem que Jesus Cristo foi meramente a manifestação do arcanjo Miguel em forma humana ‑ não Deus, mas um mero ser criado. O Espírito Santo é apresentado não como Deus nem como uma pessoa, mas como uma “força ativa”.

Desassociação: Esta é a punição para qualquer infração aos regulamentos da Sociedade Torre de Vigia. Ela consiste num decreto público, anunciado em audiência em um Salão do Reino e proibindo toda associação ou comunhão com o ofensor. As outras testemunhas de Jeová são proibidas até mesmo de cumprimentá‑lo caso se encontrem com o ofensor na rua. As únicas exceções dizem respeito aos membros da família do ofensor. Eles podem conduzir “negócios necessários” com a pessoa desassociada, e aos anciãos que podem falar com ela, caso esta os aborde penitentemente em busca de reconciliação.

Céu: Apenas 144 mil indivíduos vão para o céu. Esse “pequeno rebanho” começou com os doze apóstolos, o número foi completado no ano de 1935. Aproximadamente nove mil anciãos das Testemunhas de Jeová são o remanescente na terra hoje, dos que irão para o céu. O restante das testemunhas de Jeová espera viver na terra para sempre.

Inferno: Segundo a diretriz de seu fundador, Charles T. Russell, a Sociedade Torre de Vigia ainda ensina que o hades é meramente a sepultura, que o fogo do Geena desintegra instantaneamente suas vítimas, transformando‑as em nada, e que não há existência consciente para os mortos até o tempo de sua ressurreição corpórea.

Dias Santos: A celebração de qualquer “dia santo mundano” é expressamente proibida para as testemunhas de Jeová. Essa proibição se aplica aos dias patrióticos, Dia dos Namorados,  Dia dos Mortos,  Natal, Páscoa,  Ano‑Novo, Dia de Ação de Graças, Sexta Feira Santa e assim por diante ‑ até mesmo o Dia das Mães e o Dia dos Pais são proibidos! Mesmo que uma “origem pagã” não possa ser descoberta como base para banir a observância de certa data comemorativa, o simples fato de que as “pessoas do mundo” celebram essas datas é razão suficiente para que as testemunhas de Jeová não as celebrem.

Espírito Santo: O Espírito Santo não é nem Deus nem uma pessoa, segundo os ensinamentos da Torre de Vigia. É simplesmente uma “força atuante” impessoal que Deus usa para fazer a sua vontade.

Esperança: As testemunhas de Jeová acreditam que Deus parou de chamar cristãos para a esperança celestial em 1935. Desde então, ele tem oferecido às pessoas a oportunidade de viver eternamente na terra. (“Milhões que agora vivem jamais morrerão” ‑ é um slogan familiar das testemunhas de Jeová.) Deus vai destruir todas as outras pessoas no planeta, deixando apenas as testemunhas de Jeová, e ele vai restaurar o paraíso do Jardim do Éden em todo o mundo.

Jesus Cristo: Na teologia da Torre de Vigia, Jesus Cristo é um mero anjo ‑ o primeiro criado por Deus, quando começou a criar os anjos. As testemunhas de Jeová identificam Cristo como Miguel, o arcanjo, embora elas chamem Jesus “o Filho do Homem” – “porque a primeira pessoa espiritual criada por Deus era para ele como um filho primogênito”. (Livrete da Torre de Vigia, Enjoy Life on Earth Forever! [Goze a Vida na Terra Para Sempre!], p. 14, 1982). Elas também o chamam de “o deus”, e traduzem João 1:1 de acordo com essa ideia em suas Bíblias.

A Organização: As testemunhas de Jeová acreditam que Deus estabeleceu a sociedade Torre de Vigia como seu canal de comunicação para reunir aqueles, dentre toda a humanidade, que serão salvos. Como agência visível do reino de Deus na terra, essa organização exerce plena autoridade governamental sobre seus seguidores ‑ ela promulga leis, julga os violadores, dirige as escolas do reino e assim por diante ‑ paralelamente ao governo secular. Se existir qualquer conflito entre a organização e o   governo  secular,  é   a  organização  que  deve  ser  obedecida.  (Na  mente  das testemunhas de Jeová, “Importa antes obedecer a Deus que aos homens” At.5:29.)

Ressurreição: A respeito de Cristo, as testemunhas de Jeová acreditam que ele se tornou não existente quando morreu, e que foi levantado três dias depois como um “espírito” ‑ um anjo. Elas negam a sua ressurreição carnal. Segundo seus ensinamentos de que Cristo retornou invisivelmente em 1914, as testemunhas de Jeová acreditam que ele levantou os cristãos já mortos para a vida espiritual logo após, e que o resto dos mortos vai ressuscitar corporeamente durante o milênio ‑ período de mil anos de reinado de Deus.

Salvação: Embora da boca para fora elas preguem a salvação pela fé em Cristo, as testemunhas de Jeová, na verdade, acreditam que a salvação é impossível de ser conseguida sem a completa obediência à Sociedade Torre de Vigia e a participação vigorosa em seus programas de trabalho. Cada testemunha de Jeová que não é suficientemente zelosa pela organização pode não sobreviver ao Armagedom, e aqueles que não abrem seu próprio caminho para o paraíso terrestre devem manter as boas obras durante todo o reinado milenar de Cristo antes que sejam selados para a vida.

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A Bíblia Que as Testemunhas de Jeová Usam

Os cristãos que se envolvem em discussões com as testemunhas de Jeová devem estar cientes de que a assim chamada “Bíblia” que as testemunhas de Jeová usam contém uma série de modificações introduzidas ao texto com o único propósito de sustentar as doutrinas da Torre de Vigia.

O apóstolo Pedro disse a respeito das cartas inspiradas de Paulo que “nas quais há pontos difíceis de entender, que os indoutos e inconstantes torcem, como o fazem também com as outras Escrituras…” (II Ped. 3:16). Frequentemente, tal torcer das Escrituras é limitado à sua interpretação e isso foi feito pela Sociedade Torre de Vigia por três quartos de século. Ela publicou cópias das versões da Bíblia, que mencionam o nome “Jeová” no Antigo Testamento, junto com instruções detalhadas sobre como fazer com que as Escrituras parecessem ensinar que Deus condenou a vacinação, que Abraão e os profetas fiéis seriam ressuscitados para a terra em 1925, que Deus inspirou a Grande Pirâmide do Egito, e assim por diante. Mas havia doutrinas que eram muito difíceis de ser fundamentadas nas versões clássicas da Bíblia, não importando quanta distorção pudesse ser aplicada ao texto.

Assim, durante os anos da década de 50, os líderes da Torre de Vigia foram além da   interpretação,  produzindo  sua   própria  versão  da  Bíblia,  com  centenas  de versos modificados para se ajustarem às doutrinas da Torre de Vigia. E a sua Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas continua a ser modificada com o passar dos anos, com as mudanças feitas para trazer a palavra de Deus a uma conformidade maior com o que a organização ensina.

Por exemplo, ao invés de “cruz”, a Tradução do Novo Mundo usa a expressão “estaca de tortura” ‑ para apoiar o ensinamento das testemunhas de Jeová de que Jesus foi pregado em um poste ereto sem trave horizontal. Ao invés de “Espírito Santo”, nós achamos referências ao “espírito santo” ou “força ativa”, reforçando a negação da deidade e personalidade do Espírito Santo feita pelas testemunhas de Jeová. Cristo fala não da sua segunda volta, mas de sua “presença” (que as testemunhas de Jeová acreditam ser invisível).

A Tradução do Novo Mundo sistematicamente se dispõe a eliminar a evidência da divindade de Cristo. Ao invés de “cair aos pés de Jesus para o adorar” as pessoas faziam “reverência” a ele. João 1:1 não mais afirma que “o Verbo era Deus”, mas que “o verbo era deus”. Jesus não disse: “Antes que Abraão existisse, eu sou”. Mas, para evitar a associação com “EU SOU” de Êxodo 3:14, a declaração de Jesus se torna: “Antes de Abraão vir à existência, eu tenho sido”.

Mas a mudança mais difundida na Bíblia da Torre de Vigia é a inserção do nome Jeová 237 vezes no Novo Testamento. É claro que é apropriado um tradutor escolher o nome Jeová ou Yahweh no Antigo Testamento onde o tetragrama YHWH realmente aparece no texto hebraico. Mas a Torre de Vigia foi além inserindo o nome Jeová no Novo Testamento, onde ele não consta nos manuscritos gregos. Basta verificar uma tradução do original dos textos gregos da Bíblia para notar que o nome Jeová não aparece ali.

Para achar exemplos específicos das distorções mencionadas acima, consulte o Índice de Assuntos. Dois casos que se destacam na demonstração da linha doutrinária das Testemunhas de Jeová estão em Romanos 14:8,9 (onde a inserção do nome “Jeová” produz um lógico non sequitur no texto inglês) e Hebreus 1:6 (onde as edições anteriores diziam “E todos os anjos de Deus o adorem”, mas em edições mais recentes ‑ especialmente em língua inglesa a palavra “adorem” foi substituída por “reverenciem”). 

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(Para considerações mais detalhadas, veja O Novo Testamento das Testemunhas de Jeová, Robert H. Countess [1982, Presbyterian and Reformed Publishing Co., 136 páginas, editado em inglês]).

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As Testemunhas de Jeová Refutadas Versículo Por Versículo ‑ Antigo Testamento

Gênesis

Gênesis 1:1,2

No princípio criou Deus os céus e a terra. Ora, a terra mostrava ser sem forma e vazia; e havia escuridão sobre a superfície da água de profundeza; e a força ativa de Deus movia‑se por cima da superfície das águas. (Tradução do Novo Mundo, grifo acrescentado.)

As testemunhas de Jeová usam este versículo para atacar a fé cristã na questão da personalidade do Espírito Santo. A maioria das traduções do versículo 2 dizem que “o Espírito de Deus pairava sobre as águas”. Mas a sociedade Torre de Vigia tem ensinado a seus seguidores que o Espírito Santo é meramente uma força impessoal a serviço de Deus. Para provar isto a seus ouvintes as testemunhas de Jeová citam este versículo segundo a Tradução do Novo Mundo. Esta é uma situação na qual uma testemunha de Jeová não precisa distorcer as Escrituras para encaixar as doutrinas que aprendeu. O versículo vem pré‑distorcido em sua própria Tradução do Novo Mundo. (Veja o capítulo 2.) Em outros textos, a tradução da Torre de Vigia fala do “espírito santo”, escrito em minúsculas.

Para responder à alegação da testemunha de Jeová de que o Espírito Santo é uma mera  força  impessoal, enfatize  que a  Bíblia  repetidamente  se  refere  ao Espírito Santo como tendo atributos pessoais. Por exemplo, mesmo a Tradução do Novo Mundo revela que o Espírito Santo fala (At. 13:2), dá testemunho (João 15:26), fala as coisas que ouve (João 16:13), sente‑se magoado (Is. 63:10) e assim por diante.

Para mais considerações sobre o Espírito, veja: João 16:13; Atos 5:3,4; Romanos 8:26,27; 1 Coríntios 6:19; e o Índice de Assuntos.

 Gênesis 9:4

 Carne, porém, com sua vida, isto é, com seu sangue, não comereis (Imprensa Bíblica Braseira).

 Este versículo é o primeiro de muitos versículos das Escrituras que as testemunhas de Jeová usam para advogar a proibição feita a transfusões de sangue. A organização ensina que a transfusão de sangue é o mesmo que comer sangue, porque assemelha‑se à alimentação intravenosa. De acordo com isso a sociedade Torre de Vigia proíbe transfusões de sangue para os seus seguidores. Uma testemunha de Jeová que aceite transfusão de sangue pode aguardar uma intimação para comparecer perante um Comitê Judicial para ser julgada, a portas fechadas, pela violação “da lei de Deus”. A punição, se a pessoa for considerada culpada, é a “desassociação”, por meio da qual o indivíduo é evitado pela própria família e amigos, que são proibidos até mesmo de cumprimentar o ofensor.

As testemunhas de Jeová são muito radicais neste assunto. Elas preferem morrer a aceitar uma transfusão para repor o sangue perdido em uma operação ou acidente. E fazem o mesmo com respeito a seus filhos menores. A maioria das testemunhas de Jeová carrega uma plaqueta em suas bolsas ou no pulso, afirmando a sua recusa em receber sangue e instruindo o pessoal médico de emergência a não administrar uma transfusão de sangue se a testemunha de Jeová estiver inconsciente. Esta plaqueta é um documento legal, assinado pela testemunha de Jeová que a carrega e por duas outras pessoas.

As testemunhas de Jeová reconhecem que a sua é a única religião que se posiciona contra a transfusão de sangue, embora não ocorra a elas que este fato é, em si mesmo, a demonstração que a sua doutrina não se baseia realmente na Bíblia. Ninguém mais, que tenta seguir a Bíblia como um guia para sua vida, proíbe a transfusão de sangue ‑ e mesmo a sociedade Torre de Vigia não havia promulgado esta doutrina até 1944.

A maioria das testemunhas de Jeová ignora que a sua liderança, no passado, introduziu outras proibições médicas, mudando de idéia mais tarde. Em 1967, por exemplo, eles proibiram o transplante de órgãos. Os seguidores deveriam preferir a cegueira a aceitar um transplante de córnea, ou morrer a se submeter a um transplante de rim. Mas, depois, em 1980, os líderes reverteram este ensinamento permitindo os transplantes novamente (A Sentinela 15/11/67, p. 702‑704; Despertai! 08/06/68, p. 21; e A Sentinela 15/03/80, p.31, edições norte‑americanas). Além disso, entre os anos 1931 e 1952 as testemunhas de Jeová recusaram aceitar a vacinação para si mesmas e para seus filhos porque a organização ensinava que: “A vacinação é uma violação direta da aliança eterna estabelecida por Deus…” (The Golden Age, 04/ 02/31, p.293).

Embora as testemunhas de Jeová tentem citar as Escrituras para apoiar a sua posição contra a transfusão de sangue, a razão real desta posição é a obediência cega à Sociedade Torre de Vigia. Se a organização suspender esta proibição amanhã, as testemunhas de Jeová aceitarão livremente as transfusões, da mesma forma que fizeram vista grossa quando foi liberada a vacinação em 1952 e permitido o transplante de órgão em 1980. 

(Veja também os comentários sobre Levítico 7: 26,27 e Atos 12:28,29.)

 Gênesis 18:1,2

 Yahweh lhe apareceu . …Tendo levantado os olhos, eis que viu três homens de pé… (A Bíblia de Jerusalém).

As testemunhas de Jeová acreditam que é impossível para o único Deus verdadeiro existir como três pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo. Mas a Bíblia, em Gênesis 18 e 19, mostra Deus aparecendo a Abraão como três homens. Esta narração pode ser usada para ajudar  as  testemunhas  de  Jeová a ver  que mesmo o impossível (do ponto de vista humano) é possível para Deus. Discuta isto com elas como sugerimos aqui:

Na Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas da Sociedade Torre de Vigia, em Gênesis 18:1,2, Deus aparece a Abraão como três homens (os anjos). Abraão se dirige a eles como “Jeová” (v. 3). Quando os três homens respondem, o episódio é descrito alternativamente como “eles” falando (v. 9) e “Jeová” falando (v.13). Quando dois dos três homens se despedem para visitar Ló em Sodoma, Abraão continua a chamar aquele que permaneceu de “Jeová”, mas Ló se dirige aos outros dois como “Jeová” (Gên. 18:22‑28, 19:1‑18).

Por si mesma, esta consideração não prova a doutrina da Trindade. Mas, pelo menos, demonstra que é possível para Deus se manifestar como três‑em‑um. O fato de que este conceito está além do alcance total do intelecto humano não deve fazer com que as testemunhas de Jeová o anulem. Como escreveu o apóstolo Paulo “… agora só podemos ver e compreender um pouquinho a respeito de Deus, como se estivéssemos observando seu reflexo num espelho muito ruim; mas o dia chegará quando o veremos integralmente, face a face. Tudo quanto sei agora é obscuro e confuso, mas depois verei tudo com clareza, tão claramente como Deus está vendo agora mesmo o interior do meu coração” (I Cor. 13:12, Novo Testamento Vivo).

A argumentação acima pode ajudar a testemunha de Jeová a reconsiderar o conceito de um único Deus em três pessoas. (Veja também Isaías 9:6; João 1:1, 16:13; 1 Coríntios 6:19, 8:6; Colossenses 2:9;e Apocalipse 1:7,8.)

 Gênesis 40:20‑22

 Ao terceiro dia, o dia natalício de Faraó, que este deu um banquete a todos os seus servos.   …Mas ao padeiro mor enforcou…

A Sociedade Torre de Vigia proibiu a celebração de aniversários entre seus membros, usando Gênesis 40:20‑22 como um ponto -chave de sua “base bíblica” para esta determinação. Sua  ideia  é  que  a palavra  aniversário aparece  na  Bíblia apenas em referência a Faraó do Egito (como mencionado acima) e ao rei Herodes da Galileia (Mat. 14:6 e Mar. 6:21). Ambos eram pagãos e decretaram a morte de alguém em conexão com as celebrações. Já que nenhum homem de fé foi mencionado na Bíblia como tendo celebrado seu aniversário, mas apenas homens iníquos, as testemunhas de Jeová dos nossos dias não devem ter permissão para celebrar aniversários ‑ esta é a argumentação usada pela Torre de Vigia.

Vale a pena notar que, como em outros ensinamentos, não se deixa que uma testemunha de Jeová leia individualmente a Bíblia e chegue a esta conclusão. Ao invés disso, a liderança da seita promulga esta interpretação oficial e usa procedimentos discipli-nares para impor essa política a todas as testemunhas de Jeová. Por exemplo, um ancião das testemunhas de Jeová de nosso relacionamento em Massachusetts, Estados Unidos, decidiu enviar um cartão de aniversário ao seu filho (que não era testemunha de Jeová), mas a sua esposa relatou o fato aos anciãos locais. Eles, então, o intimaram a comparecer perante um Comitê Judicial a portas fechadas e o submeteram a julgamento por sua ofensa. Este senhor, de 70 anos de idade, os desafiou a mostrarem‑lhe um versículo bíblico que proibisse o envio de cartões de aniversário. Mas o Comitê prosseguiu com o julgamento e o desassociou baseando‑se nas leis da Sociedade Torre de Vigia. Agora, os seus parentes que são testemunhas de Jeová se recusam a recebê-lo em suas casas e as testemunhas de Jeová que o encontram na rua se desviam dele, sem nem mesmo cumprimentá-lo.

Ao refutar a assim chamada base bíblica das Testemunhas de Jeová para proibir a celebração de aniversários, você pode destacar que Faraó e o rei Herodes eram juízes arbitrários e homens violentos; tais monarcas eram acostumados a executar as pessoas em qualquer ocasião e não apenas durante a celebração de seus aniversários. Além disso, uma pessoa que envia um cartão de aniversário, ou pais que fazem um bolo com velas para uma festa infantil dificilmente podem ser acusados de seguir o exemplo daqueles homens assassinos.

Embora  a  expressão aniversário natalício,  propriamente dita, apareça  apenas  em conexão com Faraó e Herodes na maioria das traduções, a Bíblia contém referência a tais celebrações em famílias devotas a Deus:

Em Jó 1:4, se diz do patriarca da família: “E seus filhos foram e realizaram um banquete na casa de cada um deles no seu próprio dia; e mandavam convidar as suas três irmãs para comerem e beberem com eles” (Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, grifo acrescentado). Este “seu próprio dia” refere‑se ao aniversário de cada um, o que se torna claro quando lemos mais adiante: “Foi depois disso que Jó abriu a boca e começou a invocar o mal sobre o seu dia. Jó respondeu então e disse: pereça o dia em que vim a nascer…” (Jó 3:1‑3, Tradução do Novo Mundo, grifo acrescentado). A paráfrase feita pela Bíblia Viva de Jó 1:4,5, expressa esta idéia: “A cada ano, quando os filhos de Jó faziam aniversário, eles convidavam seus irmãos e irmãs para a celebração em suas casas. Nestas ocasiões, eles comiam e bebiam com grande alegria. Quando essas festas de aniversário terminaram…” (Tradução livre).

Até mesmo a tradução da Torre de Vigia revela que o nascimento de João Batista foi celebrado, quando registra sua anunciação feita por um anjo: “E terás alegria e grande regozijo, e muitos se alegrarão com o seu nascimento” (Luc. 1:14, Tradução do Novo Mundo).

Se o nascimento de João Batista foi uma ocasião de regozijo e se os filhos do fiel Jó celebravam seus aniversários, o fato de que Faraó e Herodes também celebraram seus aniversários não pode ser logicamente usado como base para proibir festas de aniversário entre aqueles que creem na Bíblia hoje.

 Êxodo

 Êxodo 3:14 

Respondeu Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós.

 Os cristãos universalmente reconhecem que Jesus Cristo estava afirmando ser a Divindade quando ele refere‑se a si mesmo com EU SOU: “Disseram‑lhe, pois, os judeus: Ainda  não  tens cinquenta anos, e viste Abraão? Respondeu‑lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que antes que Abraão existisse, eu sou” (João 8:57,58).

Mesmo os inimigos de Jesus compreendiam o que ele estava dizendo. O versículo seguinte nos diz que quando eles ouviram isto, “então pegaram em pedras para lhe atirarem…” (v. 59). Os judeus incrédulos viam esta declaração de Jesus (de ser o EU SOU) como uma blasfêmia, um crime pelo qual eles queriam apedrejá-lo até, a morte.

No entanto, as Testemunhas de Jeová ensinam que Jesus Cristo é, realmente, apenas o arcanjo Miguel e que Cristo nunca declarou ser Deus. Assim, para fazer com que as Escrituras estejam de acordo com sua doutrina, elas mudaram o texto de ambos os versículos em sua Bíblia. A Tradução da Torre de Vigia diz: “Isto é o que deve dizer aos filhos de Israel: MOSTRAREI SER enviou- me a vós” (Êx.3:14), Tradução do Novo Mundo, e “Digo‑vos em toda a verdade: Antes de Abraão vir à existência, eu tenho sido” (João 8:58, Tradução do Novo Mundo). Assim, na Bíblia das Testemunhas de Jeová, as palavras de Jesus aparecem sem nenhuma conexão com Êxodo 3:14.

Mas você não precisa ser um erudito em grego ou hebraico para provar que a Sociedade Torre de Vigia distorceu estes versículos. A própria Bíblia de estudo das Testemunhas de Jeová prova que Jesus estava declarando ser o EU SOU. Sua grande edição da Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas com Referências, de 1984, tem uma nota de rodapé em Êxodo 3:14, admitindo que o hebraico seria traduzido em grego como “Ego eimi” ‑ “EU SOU”. E a sua Tradução Interlinear do Reino das Escrituras Gregas de 1985 (Kingdom Interlinear Translation of the Greek Scriptures) revela que as palavras de Jesus em João 8:58 são as mesmas: “égo eimi” (nota de rodapé), “eu sou” (texto inter-linear).

Êxodo 3:15

Deus disse então mais uma vez a Moisés: Isto é o que deves dizer aos filhos de Israel: Jeová,o Deus de vossos antepassados, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó enviou‑me a vós. Este é o meu nome por tempo indefinido e este é o meu memorial por geração após geração (Tradução do Novo Mundo).

    As testemunhas de Jeová usam este versículo para argumentar que eles são os únicos adoradores verdadeiros de Deus, porque são os únicos que ainda chamam a Deus pelo seu nome ‑ Jeová. O versículo acima, eles insistem, é o mandamento de Deus para chamá-lo pelo nome sagrado “por tempo indefinido”, ou para sempre. Aos olhos das testemunhas de Jeová, os cristãos que oram a “Deus” ou ao “Senhor” estão na verdade orando a um falso deus, Satanás; o verdadeiro Deus, Jeová, não ouve as orações a menos que elas sejam dirigidas a ele pelo seu nome. Dessa forma, as testemunhas de Jeová sempre usam o nome Jeová em suas orações. De fato, elas freqüentemente repetem o nome Jeová muitas vezes durante a oração, como se Deus pudesse se esquecer de que ele é aquele a quem as orações estão sendo dirigidas, ou como se as testemunhas de Jeová pudessem se esquecer a que Deus estão orando.

Embora suas próprias publicações admitam que “Jeová” é um anglicismo e um erro de tradução e não a correta pronúncia do tetragrama hebraico YHWH, elas insistem em usar a pronúncia “Jeová”, ao invés do nome que seria mais correto Yahweh. As testemunhas de Jeová nunca oram a “Yahweh”.

A comparação de Êxodo 3:15 com o versículo 14 mostra que o nome Yahweh, ou Jeová, significa: Deus é auto‑existente e eterno. Ele é muito mais que um nome, e conhecê‑lo envolve muito mais do que usar este nome. Jesus mostrou que mais do que um simples nome está envolvido quando disse: “Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então lhes direi claramente: Nunca vos conheci; apartai–vos de mim, vós que praticais a iniquidade (Mat. 7:22,23, [grifo acrescentado]).

Convide uma testemunha de Jeová a examinar com você as orações de Jesus Cristo. Enfatize que Jesus nunca começou suas orações dizendo “Deus Jeová” como fazem as testemunhas de Jeová. Antes, Jesus começava suas orações dizendo, “Pai…” (Ver Mat. 11:25, 26:39‑42; Mar. 14:36; Luc. 10:21, 22:42, 23:34‑46; João 11:41, 12:27,28, 17:1‑26.) E quando ensinava seus discípulos a orar, Jesus os instruiu a orar dizendo: “Pai nosso…” (Mat. 6:9; Luc. 11:2). Os cristãos, então, devem ter um relacionamento íntimo com Deus na qualidade de seus filhos que clamam a ele “Aba, Pai!” (Rom. 8:15; Gál. 4:6).

A respeito da importância de nomes, o Espírito Santo instruiu Pedro a enfatizar “…em nome de Jesus… porque debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, em que devamos ser salvos” (At. 4:10‑12). Além disso, Jesus é “…o nome que é sobre todo nome; para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai” (Fil. 2:9‑11).

(Veja também as considerações sobre o Salmo 83:18 e Isaías 43:10 neste capítulo.)

 Levítico 7:26,27

 E não deveis comer nenhum sangue em qualquer dos lugares em que morardes, quer seja de ave, quer de animal. Toda alma que comer qualquer sangue, esta alma terá de ser decepada do seu povo (Tradução do Novo Mundo).

 Este texto é freqüentemente citado para apoiar a proibição da Sociedade Torre de Vigia a transfusões de sangue. Embora o versículo proíba especificamente os israelitas de comer sangue de ave ou de animal, as Testemunhas de Jeová ampliam o seu significado para incluir a ministração médica de sangue humano para salvar a vida ‑ um sentido, obviamente, não imaginado por Moisés quando registrou as palavras de Deus. Levítico discorre por muito tempo sobre as ordenanças divinas quanto ao sacrifício de animais pelos sacerdotes judeus, e o sangue era parte importante nestes sacrifícios como um prenúncio do precioso sangue do nosso Salvador, o Cordeiro de Deus, Jesus Cristo. Qualquer tentativa de ler estes versos como uma legislação profética sobre os prós e contras dos procedimentos médicos modernos ignora totalmente o contexto da passagem.

Quando discutir Levítico 7:26,27 com uma testemunha de Jeová, você pode abordar o fato de que os judeus ortodoxos de hoje, que ainda observam com muito escrúpulo as regras sobre a preparação de alimentos de acordo com as leis judaicas e sobre carne com sangue e como matar os animais que servirão de alimento, não têm nenhuma objeção à transfusão de sangue. Portanto, o texto hebraico original não dá o menor indício da interpretação que a Torre de Vigia lhe atribui.

Se a testemunha de Jeová ainda insistir que deve recusar a trans-fusão de sangue com base em Levítico 7:26,27, o próximo passo seria mostrar‑lhe Levítico 3:17 que diz “… não deveis comer nenhuma gordura nem sangue algum ” (Tradução do Novo Mundo). Peça à testemunha de Jeová para lhe explicar por que os líderes da Torre de Vigia ordenam que ela recuse transfusão de sangue, mas permitem que coma gordura. Não estariam simplesmente tirando as palavras do contexto das leis sobre a dieta dos judeus? (Veja também as considerações sobre Gênesis 9:4 e Atos 15:28, 29.)

 Deuteronômio 18:20‑22

 No entanto, o profeta que presumir de falar em meu nome alguma palavra que não lhe mandei falar ou que falar em nome de outros deuses, tal profeta terá de morrer. E caso digas no teu coração: ‘Como saberemos qual a palavra que Jeová não falou?’ quando o profeta falarem nome de Jeová e a palavra não suceder nem se cumprir, esta é a palavra que Jeová não falou. O profeta proferiu‑a presunçosamente. Não deves ficar amedrontado por causa dele (Tradução do Novo Mundo).

 A Sociedade Torre de Vigia se auto‑identifica como “O Profeta”, dizendo: “Este ‘profeta’ não era um homem, mas um grupo de homens e mulheres. Era o pequeno grupo de seguidores dos passos de Jesus Cristo, conhecidos naquele tempo como Estudantes Internacionais da Bíblia. Hoje são conhecidos como Testemunhas de Jeová. Eles ainda estão proclamando um aviso…” (A Sentinela 01/04/72, p. 197, edição norte‑americana). E acrescentam: “A menos que nós estejamos em contato com este canal de comunicação que Deus está usando, não vamos progredir através da estrada para a vida, não importa o quanto leiamos a Bíblia” (A Sentinela 01/12/81, p.27, edição norte‑americana).

Estas declarações pretensiosas são verdadeiras? A Sociedade Torre de Vigia é realmente o Profeta, o canal de comunicação de Deus? Ou é um falso profeta, que se encaixa na descrição de Deuteronômio 18:20‑22? O teste é simples: 1° passo ‑ sabemos que a organização “falou em nome de Jeová”; 2° passo ‑ precisamos determinar se as profecias realmente ocorreram ou se cumpriram. Vamos examinar os fatos:

Durante a metade de seus cem anos de história, a Sociedade Torre de Vigia ensinou a convicção de seu fundador e primeiro- presidente, Charles Taze Russell, de que a Grande Pirâmide do Egito foi “inspirada” por Deus ‑ tal como a Bíblia (consulte o livro da Torre de Vigia Thy Kingdom Come [Venha o Teu Reino], edição 1903, p. 362). As publicações da Sociedade traduziram polegadas das medidas das pirâmides em anos de calendário, numa tentativa de prever acontecimentos futuros. Dessa forma, predisseram que a Batalha do Armagedom “vai terminar no ano 1914 com a completa destruição do atual governo da terra” (The Time Is at Hand [É Chegada a Hora], edição 1904, p. 101). Obviamente, isto não aconteceu ou se cumpriu.

Ainda determinada a agir como profeta, a Sociedade Torre de Vigia prosseguiu predizendo uma ressurreição terrena no ano de 1925: “Eles serão ressuscitados como homens perfeitos e constituirão os príncipes e governadores da terra segundo a sua promessa… Assim nós podemos confiantemente esperar que 1925 vai marcar o retorno de Abraão, Isaque e Jacó e os fiéis profetas do passado” (Livro da Torre de Vigia Millions Now Living Will Never Die [Mi-Ihões que Agora Vivem Jamais Morrerão], edição 1920, p. 89‑90). Isso aconteceu ou se cumpriu? Não! Mais recentemente a organização levou milhões a acreditarem que “o fim” chegaria em 1975. Ela perguntava: “Por Que Espera Ansioso 1975? [“Why Are You Looking Forward to 1975?”] (título do artigo publicado por A Sentinela, 15/08/68,p.494):

 Devemos presumir com base neste estudo que a batalha do Armagedom terminaria completamente no outono de 1975, e o tão esperado reinado milenar de Cristo começaria então? Possivelmente, mas nós esperamos  para  ver o quanto  o sétimo período  de mil  anos da  existência  do homem  coincide  com  o milênio, que será como um sábado. Se estes dois períodos ocorrerem paralelamente um ao outro quanto ao calendário, não será por mera chance ou acidente, mas segundo os propósitos amorosos e cronológicos de Jeová… Pode ser que ocorra alguma diferença de semanas ou meses, mas não de anos (p. 499).

Certamente agora, semanas, meses e anos suficientes já se passaram para provar que esta profecia a respeito do ano de 1975 não aconteceu ou se confirmou.

As testemunhas de Jeová podem tentar defender a Sociedade Torre de Vigia dizendo que essas profecias eram todas “erros” e que a organização aprendeu com esses erros e não faz mais declarações proféticas sobre quando o fim do mundo vai chegar. Neste caso, peça à testemunha de Jeová que tome nas mãos uma cópia de sua revista Despertai! mais recente. Na parte interior da capa, onde o índice de assuntos é listado, há uma declaração de propósito explicando porque Despertai! É publicada. Peça à testemunha de Jeová para que leia isso. Na data da publicação deste livro (1986), cada edição dizia que: “Mais importante, esta revista edifica a fé na promessa do Criador de uma Nova Ordem pacífica e serena antes que a geração que viu os eventos de 1914 pereça”. (Tradução livre.) Outra profecia! (Veja nossas considerações sobre Mat. 24:34 no próximo capítulo).

Os fatos são irrefutáveis: A Sociedade Torre de Vigia falou como um profeta, em nome de Deus, e o que foi profetizado não se cumpriu. O que isso significa para uma testemunha de Jeová individualmente? Convide uma delas a ler o que a Palavra de Deus fala sobre os falsos profetas ‑ e então pergunte o que Deus quer que ele ou ela faça. A Bíblia contém estas advertências feitas por Jesus Cristo: “Guardai‑vos dos falsos profetas, que vêm a vós disfarçados em ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores”. “Porque hão de surgir falsos cristos e falsos profetas…” (Mat. 7:15, 24:24). E as severas palavras citadas de Deuteronômio 18:20‑22, além de expressar o juízo de Deus de que o falso profeta “deve morrer” também diz aos ouvintes “não temerás”. Ao invés de permanecer fielmente obediente aos líderes da Torre de Vigia, a testemunha de Jeová que reconhece a organização como um falso profeta deveria deixar de segui-la e começar a seguir o verdadeiro Profeta, Jesus Cristo.

Salmos

Salmo 37:9,11,29

Pois os próprios malfeitores serão decepados, mas os que esperam em Jeová são os que possuirão a terra. …Mas os próprios mansos possuirão a terra… Os próprios justos possuirão a terra (Tradução do Novo Mundo).

 Comumente as testemunhas de Jeová usam estes versículos em sua pregação de porta em porta para apresentar aos ouvintes a esperança de uma vida no paraíso terrestre, ao invés de ir para o céu.

De acordo com a Sociedade Torre de Vigia, a oportunidade de ir para o céu terminou no ano de 1935. Ao invés de ir para os céus, as testemunhas de Jeová esperam sobreviver à destruição do resto da humanidade no Armagedom e viver para sempre na terra.

No entanto, quando os versículos citados são lidos dentro do seu próprio contexto, o Salmo 37 apresenta um quadro diferente. O salmo não está predizendo um tempo futuro quando Deus removerá o iníquo e passará o controle da terra para as pessoas boas. O salmista foi, antes, inspirado a contar a seus semelhantes israelitas o que eles poderiam esperar ver durante o seu tempo de vida na terra ‑ os homens prosperariam sob a bênção de Deus, enquanto o iníquo pagaria um alto preço. Por exemplo, no versículo 25, Davi escreve “Eu fui moço, também fiquei velho, e, no entanto, não vi nenhum justo completamente abandonado, nem a sua descendência procurando pão” (Tradução do Novo Mundo). Ele está falando aqui de eventos que aconteceram durante a sua vida. E no versículo 37, acrescenta: “Vigia o inculpe e mantém a vista no reto, porque o futuro (deste) homem será pacífico” (Tradução do Novo Mundo). Mais uma vez o contexto diz respeito aos benefícios imediatos da boa conduta. O salmo não contém nenhuma indicação de que ele deveria ser tomado como uma declaração profética sobre o fim do mundo.

Outros versículos usados pelas testemunhas de Jeová para ensinar sobre uma esperança terrena,  em oposição à  esperança do céu,  incluem o Salmo 115:16; João 10:16; e Apocalipse 7:9. (Veja as considerações em outras partes deste livro.)

 Salmo 83:18

 Para que saibam que só tu, cujo nome é o Senhor, és o Altíssimo sobre toda a terra (Imprensa Bíblica Braseira).

 Este é um dos poucos versículos que as testemunhas de Jeová gostam de citar de outras Bíblias que não a sua própria Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas. Em particular elas gostam de citar o Salmo 83:18 da tradução mais tradicional,  porque o nome de JEOVÁ aparece em letras maiúsculas.

Muitas testemunhas de Jeová têm anotado no final de suas Bíblias a lista dos quatro lugares onde a palavra JEOVÁ pode ser encontrada nas Bíblias de tradução mais tradicional como as da Imprensa Bíblica Brasileira, por exemplo. São eles: Êxodo 6:3; Salmo 83:18; Isaías 12:2, 26:4. E m sua pregação elas perguntarão de forma insuspeita aos donos da casa: “Você tem uma Bíblia à mão?” Então, dirigirão sua atenção a um destes versículos. Apanhados desprevenidos e achando a palavra JEOVÁ escrita em sua própria Bíblia, onde as testemunhas de Jeová disseram que estaria, algumas pessoas se impressionam com o conhecimento que elas têm da Bíblia e permitem que entrem em suas casas e lhes ensinem mais.

É claro que o uso que as Testemunhas de Jeová fazem da Bíblia ‑ para demonstrar o seu conhecimento superior e sua pretensão de “conhecer a Deus pelo seu nome” ‑ é apenas um truque esperto. Existem muitos outros grupos religiosos ou místicos que usam transliterações de nomes hebraicos de Deus com efeitos similares naqueles que ainda não conhecem sua doutrina. Mas o fato importante aqui é que usar um certo nome para Deus não garante que as pessoas que usam este nome conhecem a Deus e são aprovadas por ele.

Por exemplo, quando a pecadora Eva deu à luz o seu primeiro filho depois de ter sido expulsa do Jardim do Éden exclamou: “Adquiri um homem com o auxílio de Jeová” (Tradução do Novo Mundo). Ouso que ela fez do nome de Deus não prova, de maneira alguma, que ela tinha sua aprovação. 

Para demonstrar às testemunhas de Jeová que o uso que elas fazem do nome Jeová não garante que pertençam a ele, você pode citar as palavras de Jesus em Mateus 7: 22,23: “Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome ? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitos milagres ? Então lhes direi claramente: Nunca vos conheci; apartai‑vos de mim, vós que praticais a iniqüidade.”

(Veja também as considerações sobre Êxodo 3:15 e Isaías 43:10).

 Salmo 110:1

 Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta‑te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos por escabelo dos teus pés.

 As testemunhas de Jeová que chamam à porta podem convidar o dono da casa a pegar a sua Bíblia e abri-la no Salmo 110:1. Então elas podem pedir a ele que leia o versículo. O dono da casa lê que: “Disse o Senhor ao meu Senhor…” e fica confuso imediatamente. Então a testemunha de Jeová abre a sua Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas e lê o mesmo versículo “A pronunciação de Jeová meu Senhor é…”. Neste ponto, elas argumentam que (1) A Tradução do Novo Mundo é uma Bíblia superior à que ele usa porque nela não consta o Senhor falando consigo mesmo; e (2) que o Senhor Jesus Cristo é apenas um ser criado, uma vez que Deus Jeová se dirige a uma pessoa distinta de si mesmo.

 Para responder ao primeiro argumento é necessário olhar apenas o mesmo texto mais atentamente. O texto não diz que “o Senhor” estava falando com “o Senhor”. A maioria das versões traduzem o tetragrama hebraico YHWH como “o  SENHOR” (escrito em maiúsculas) que está conversando com o “Senhor” do salmista (em maiúscula e minúscula), o Messias. Se alguma confusão surgir, o problema não é mais com a versão, mas com uma falta de instrução bíblica por parte do leitor. Cristãos bem‑informados que leem estes versículos compreendem que Deus, o Pai, está falando com o Filho.

 O segundo argumento das testemunhas de Jeová ‑ que Jesus não pode ser Deus porque “O Senhor falou com ele” ‑ é também falso. O Novo Testamento registra muitas conversas entre Jesus e o Pai, mas isto não desabona a divindade de Cristo. A Bíblia revela que o Pai é Deus (João 6:27, etc.) e que o Filho é Deus (Is. 9:6; João 20:28, etc.), e ainda que existe apenas um Deus (I Cor. 8:4). Embora isto pareça contradizer toda lógica humana, estaríamos certos em presumir que Deus precisa se encaixar nos padrões lógicos com os quais estamos familiarizados no mundo a nossa volta? Ele pertence a instâncias superiores; nós a instâncias inferiores. Os seus caminhos estão além de nossa completa compreensão.

Ao explicar às testemunhas de Jeová o fato de que o Salmo 110 apresenta Deus, o Pai no céu, conversando com o Filho (também no céu) sobre a terra, talvez possa ajudar você a convidá-lo a dirigir-se a Gênesis 18 e 19 em sua própria Tradução do Novo Mundo onde lemos: “Jeová apareceu‑lhe” (Abraão) como “três homens” ou anjos (18:1‑2). Abraão se dirigiu aos três como “Jeová” (18:3). Dois deles deixaram Abraão e se dirigiram à cidade de Sodoma, mas Abraão continuou a se dirigir ao homem que permaneceu como “Jeová” (18:22). E quando a cidade de Sodoma foi destruída, segundo a Tradução do Novo Mundo em Gênesis 19:24: “Jeová então fez chover enxofre e fogo sobre Sodoma e Gomorra da parte de Jeová, desde os céus…” Assim, a menos que as testemunhas de Jeová desejem argumentar que existe mais que um Jeová, elas terão que admitir que Deus pode estar em mais de um lugar ao mesmo tempo, e que ele pode manter conversas simultâneas com pessoas diferentes em lugares diferentes. Talvez isso contribua para tornar‑lhes mais fácil a compreensão de que o Pai pode conversar com o Filho, sem que isto questione a divindade de Cristo.

 Salmo 115.‑16

 Os céus são os céus do Senhor, mas a terra, deu‑a ele aos filhos dos homens.

 As testemunhas de Jeová citam, com freqüência, este versículo para “provar” que o destino do homem é a vida na terra, e não no céu. A Sociedade Torre de Vigia ensina que apenas um número limitado de 144 mil são aptos para a vida celestial e que este número foi completado em 1935. Desde então, a seita tem ensinado que os novos convertidos devem esperar a vida eterna  na  terra restaurada às condições de paraíso. (Veja os comentários sobre Apoc. 7:9, para considerações sobre o ano de 1935.)

Esta é uma das muitas áreas nas quais a Sociedade Torre de Vigia se dirige principalmente ao Antigo Testamento e leva seus membros a uma forma distorcida de judaísmo, negando os aspectos fundamentais da Nova Aliança mediada por Jesus Cristo. (Outros exemplos de judaísmo incluem a ênfase no nome hebraico de Jeová; a negação da divindade de Cristo; a inculcação da salvação por meio de obras; legalismo estrito; e assim por diante.) A melhor maneira de se responder a uma testemunha de Jeová sobre esses pontos é levá-la ao Novo Testamento e mostrar a ela a “chamada celestial” (Heb. 3:1) dada pelo Salvador a todos aqueles que o seguissem.

 Por exemplo, Jesus nos diz: “Na casa de meu pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito; vou preparar‑vos lugar. E, se eu for e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos tomarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejas vós também” (João 14: 2,3). Quando Jesus orou ao Pai “…que onde eu estou, estejam comigo também aqueles que me tens dado, para verem a minha glória…” ele estava orando não apenas por seus discípulos originais, “…mas também por aqueles que pela sua palavra hão de crer em mim” (João 17:20,24). Pergunte às testemunhas de Jeová se vieram a crer em Jesus através das palavras dos apóstolos. Se elas, sinceramente, puderem dizer “sim”, então estarão incluídas na oração de Jesus para que todos aqueles que viessem a crer nele terminassem com ele no céu.

(Veja também as considerações sobre Salmo 37:9,11,29; João 10:16; Apocalipse 7:9.)

 Salmo 146:3,4

 Não confieis em príncipes, nem em filho de homem, em quem não há auxílio. Sai‑lhe o espírito, e ele volta para a terra; naquele mesmo dia perecem os seus pensamentos.

 Em algumas versões, o versículo 4 termina com a expressão “naquele mesmo dia perecem os seus pensamentos”. De forma semelhante a Tradução do Novo Mundo diz: “…neste dia perecem deveras seus pensamentos”.  As  testemunhas  de  Jeová  lêem esta passagem de uma destas traduções e usam-na para argumentar que não há existência consciente depois da morte ‑ os “pensamentos” perecem, elas afirmam.

 No entanto, será que esta é a mensagem que o autor do salmo quis nos transmitir? Foram estes versos escritos para instruir os leitores sobre a condição dos mortos? Ou será que as testemunhas- de Jeová extraem destas palavras uma idéia que ultrapassa o que o escritor (e divino Autor) tinham em mente?

 A lição do Salmo 146 é que nós devemos colocar nossa confiança em Deus e não nos líderes humanos. Peça à testemunha de Jeová que leia os outros versículos com você para que juntos possam estabelecer o contexto real. Deus deve ser louvado (v. 1,2). Em contraste ao homem, Deus é um ajudador que dá esperança segura (v. 5), que criou o céu e a terra (v. 6), que traz justiça para o oprimido (v.7), que cura o doente (v.8), que ampara os oprimidos (v. 10). Por outro lado, o homem não oferece salvação real (v. 3), porque ele próprio morre e tudo quanto intentou fazer morre com ele (v. 4).

 Um exemplo real da lição do Salmo 146 é encontrada na morte do presidente americano John F. Kennedy. Ele era um “príncipe” em quem muitos confiavam para ajudá-los a melhorar suas vidas. Mas quando ele morreu, “todos os seus pensamentos deveras pereceram ” ‑ com sua partida, os seus planos e seus pensamentos logo entraram em colapso. Aqueles que colocaram nele toda a sua confiança logo se decepcionaram. Sua confiança deveria estar primeiramente em Deus, que oferece esperança real, justiça, cura e salvação ‑ e que permanece Rei para sempre.

 Quando todo o Salmo 146 for lido em seu contexto, se torna óbvio que o versículo 4 não nega a vida consciente depois da morte. As testemunhas de Jeová distorcem este versículo ao tirá-lo de seu contexto.

 (Para maiores considerações sobre a condição dos mortos, veja Eclesiastes 9:5; Ezequiel 118:4; e Lucas 16:22‑28.)

 Eclesiastes 9:5

 Pois os vivos sabem que morrerão, mas os mortos não sabem coisa nenhuma, nem tampouco têm eles daí em diante recompensa; porque a memória ficou entregue ao esquecimento.

 Este versículo é freqüentemente usado pelas testemunhas de Jeová para argumentar que a morte traz aniquilação total da existência. Para apoiar essa ideia de forma ainda mais conclusiva, a Tradução da Torre de Vigia diz: “Pois os viventes estão cônscios de que morrerão, os mortos porém não estão cônscios de absolutamente nada…” Se este versículo for simplesmente tirado de seu contexto e citado como prova, tem‑se a impressão de que as testemunhas de Jeová estão certas. Mas tirar esta passagem de seu contexto pode ser muito perigoso.

Uma ilustração perfeita é o caso de certo cirurgião de transplantes que, falando a repórteres sobre um procedimento cirúrgico que estava advogando, citou as Escrituras: “Pele por pele! Tudo quanto o homem tem dará pela sua vida”. Quando eu li a narrativa no jornal, fiquei perturbado pelo uso que fazia do versículo, e, conferindo, descobri que as minhas suspeitas estavam corretas ‑ ele citava o demônio! No contexto, o versículo diz: “Então Satanás respondeu ao Senhor: Pele por pele! Tudo quanto o homem tem dará pela sua vida” (Jó 2:4).

Além de apresentar o ponto de vista de Deus, a Bíblia também relata muitas coisas ditas e feitas por outras pessoas, algumas boas e outras não tão boas. Ela apresenta os pontos de vista humanos e até mesmo os pontos de vista do demônio, como mencionado acima.

Se estudarmos atentamente Cantares de Salomão, encontrado na maior parte das Bíblias logo depois de Eclesiastes, vamos descobrir que este livro é na verdade uma conversa que envolve, pelo menos, três diferentes pessoas, embora elas não estejam claramente identificadas no texto. Seria possível dizer coisa semelhante sobre Eclesiastes?

Os eruditos reconhecem que este é um livro muito difícil de ser entendido. Mas, aparentemente, o escritor inspirado de Eclesiastes está apresentando um contraste entre pontos de vista: o secular, o ponto de vista materialista, versus o celestial e espiritual. O livro se desenvolve como um debate em andamento que acontece na mente do escritor. O ponto de vista divino triunfa no final, com  a  admoestação de Eclesiastes 12: “Lembra-te também do teu Criador nos dias da tua mocidade… Tudo já foi ouvido: Teme a Deus, e guarda os seus mandamentos; porque isto é todo o dever do homem” (Ecl.12:1,13).

Mas e as partes que antecedem este capítulo? Os primeiros versículos de Eclesiastes 9 parecem refletir o lado secular da batalha. Não apenas o escritor diz no versículo 5 que os mortos não sabem nada, mas também acrescenta “para sempre em coisa alguma do que se faz debaixo do sol” (v. 6). (Pergunte à testemunha de Jeová se ela acredita que os mortos se foram para sempre. Ela irá responder não, porque acredita em uma futura ressurreição para esta terra debaixo do sol.). O versículo 2 expressa o seguinte pensamento: “Tudo sucede igualmente a todos: o mesmo sucede ao justo e ao ímpio, ao bom e ao mau, ao puro e ao impuro…”, uma idéia contraditória ao resto das Escrituras. (Pergunte à testemunha de Jeová se ela acredita que irá receber o mesmo destino, se for justa ou ímpia. Sua resposta terá que ser não.)

Nós podemos concluir que o versículo 5 está localizado no meio de uma seção que expressa o ponto de vista secular, descrente – não o ponto de vista de Deus.

Qual é o ponto de vista de Deus? Obviamente, Deus sabe se os mortos são ou não cônscios. E ele colocou nas Escrituras um número de referências indicando a resposta. Leia estes versículos com a testemunha de Jeová, perguntando a ela o que cada um deles revela sobre a condição dos mortos:

 E quando abriu o quinto selo, vi por baixo do altar as almas dos que tinham sido mortos por causa da palavra de Deus e por causa da obra de testemunho que costumavam ter. E gritaram com voz alta dizendo: Até quando, Soberano Senhor, santo e verdadeiro, abster‑se‑á de julgar e vingar o nosso sangue dos que moram na terra? E a cada um deles foi dada uma comprida veste branca; e foi‑lhes dito que descansassem mais um pouco, até que completasse o número dos seus co‑escravos e dos seus irmãos, que estavam para ser mortos assim como eles também tinham dito (Rev. 6:9‑11 [Apocalipse] Tradução do Novo Mundo).

Mas de ambos os lados estou em aperto, tendo desejo de partir e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor; todavia, por causa de vós, julgo mais necessário permanecer na carne (Fil. 1:23,24).

Jesus disse: Veio a morrer o mendigo, e foi levado pelos anjos para o seio, de Abraão; morreu também o rico, e foi sepultado. No hades, ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu ao longe a Abraão, e a Lázaro no seu seio (Luc. 16:22,23).

(Veja também as considerações sobre Salmo 37:9,11,29, 146:3,4; Ezequiel18:4;e Lucas 16:22‑28.)

Isaías

Isaías 9:6

Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o governo estará sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte Pai Eterno, Príncipe da Paz (Imprensa Bíblica Brasileira).

As testemunhas de Jeová não questionam que este versículo fale profeticamente de Jesus Cristo, identificando‑o como “Deus Poderoso” (Tradução do Novo Mundo). Mas elas acreditam que o    Filho é meramente “um deus” ‑ um dos “muitos deuses e muitos senhores” (1 Cor. 8:5, Tradução do Novo Mundo) ‑ assim como Satanás, o demônio, é chamado de “o deus deste sistema de coisas” (II Cor. 4:4, Tradução do Novo Mundo). Elas vêem Jesus Cristo como um ser criado, um anjo. Segundo a teologia da Torre de Vigia, ele, definitivamente, não é o Poderoso Deus Jeová.

”  As Testemunhas de Jeová na realidade têm dois deuses, um “Todo‑Poderoso Deus”, Jeová ‑ e um “poderoso deus”, Jesus Cristo. Na prática, no entanto, Jeová recebe toda adoração, e Jesus é apenas chamado de “um deus”, por concessão.

Você pode começar perguntando à testemunha de Jeová se ela acredita que há apenas um Deus verdadeiro. Ela irá responder “sim”. Pergunte‑lhe quem é ele, e lhe irá responder “Jeová”. Então peça‑lhe que leia Isaías 9:6, e pergunte quem é o Deus Poderoso mencionado ali ‑ “o menino que nos nasceu… um filho que se nos deu” (Tradução do Novo Mundo). Ela irá admitir que Jesus é o Deus Poderoso. Então pergunte‑lhe se Jesus é o Deus verdadeiro. Ela responderá: “não!” ‑ que Jesus é meramente “um deus”. Neste momento, pondere com a testemunha que sua teologia leva  a uma  de duas conclusões:  (1)  não sendo  o Deus verdadeiro,  Jesus teria que ser um falso deus, ou (2) as testemunhas de Jeová tem dois Deuses verdadeiros.

Agora volte‑se para a Bíblia para mostrar às testemunhas de Jeová que o Deus Poderoso e o Deus Todo‑Poderoso são o mesmo. Primeiro, mostre que o Cristo ressurreto não é apenas poderoso, mas é Todo‑Poderoso; segundo, mostre que Jeová, o Deus Todo -Poderoso, é também chamado de Deus Poderoso.

Primeiro: Peça à testemunha que leia em Hebreus 1:3 que Jesus Cristo está “sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder”. Como poderia alguém ser mais todo‑poderoso? Então volte‑se para Mateus 28:18 e mostre que Jesus Cristo “tem toda autoridade” (Tradução do Novo Mundo) ou”todo poder… no céu e na terra”. Por definição, isto é o que a expressão todo poderoso significa. Desta maneira, Jesus é todo‑poderoso.

Segundo: Pergunte à testemunha: “já que Isaías era um judeu e por isso acreditava em um único Deus ‑ Jeová ‑ quem Isaías acreditava ser o Deus Todo‑Poderoso?” Certamente, Isaías entendia que o Deus Todo‑Poderoso era Jeová. Em seguida, convide a testemunha a ler Isaías 10:20, 21 em sua própria Tradução do Novo Mundo: “…os restantes de Israel… certamente se apoiarão em Jeová, o Santo de Israel, em veracidade. Um mero restante retornará, o restante de Jacó, ao Deus Poderoso”. Sim, a palavra inspirada escrita através de Isaías chama Jeová de “o Deus Poderoso”.

Finalmente, para reforçar este ponto, peça à testemunha que abra sua Bíblia em sua própria Tradução do Novo Mundo. Mas antes que ela leia, lembre‑lhe que a Torre de Vigia ensina que o Deus Poderoso e o Deus Todo‑Poderoso são diferentes ‑ Jesus sendo o Deus Poderoso e Jeová o Todo‑Poderoso. Então peça‑lhe que leia o que Jeremias escreveu sobre “o verdadeiro Deus, o Grande, o Poderoso, cujo nome é Jeová dos exércitos…” (Jer. 32:18, Tradução do Novo Mundo). Então, uma vez que Jesus é o Deus Poderoso, e Jeová é o Deus Poderoso, quem é Jesus? (Deixe as testemunhas de Jeová chegarem à inescapável conclusão em suas próprias mentes que Jesus é Jeová).

(Veja também as nossas considerações sobre João 1:1, 20:28 e Apocalipse 1:7,8.)

Isaías 43:10

Vós sois minhas testemunhas, é a pronunciação de Jeová… (Tradução do Novo Mundo).

 As Testemunhas de Jeová acreditam que apenas elas, entre todos os grupos religiosos da terra, são o povo de Deus e chamadas de suas testemunhas. Elas adoram erguer o seu dedo acusando luteranos, menonitas e outras denominações de seguidores dos homens segundo os quais foram denominadas ‑ Lutero, Menno, e assim por diante ‑ enquanto apenas as Testemunhas de Jeová são seguidoras do Deus Jeová.

Realmente, no entanto, as Testemunhas de Jeová eram ampla-mente conhecidas como “russelitas” (segundo o nome de seu fundador, Charles Taze Russell), desde o início do movimento na década de 1870, até o ano de 1931. O nome, testemunhas de Jeová, foi oficialmente adotado através de uma resolução outorgada em sua convenção de 1931 na cidade de Columbus, no Estado norte‑americano de Ohio ‑ primeiramente para distingui-los de outros grupos que também seguiam Russell.

Mas a ideia simplista de que Deus isola as testemunhas de Jeová entre todos os cristãos professos, e considera somente a elas seu povo porque usam o nome de testemunhas de Jeová, é tão absurda quanto dizer que qualquer grupo que se nomeie “Igreja de Cristo” ou a “Igreja de Deus” tem necessariamente que ser o que este nome quer dizer, excluindo todos os outros.

Jesus demonstra que mais que um nome está envolvido quando disse:

 Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor! não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então lhes direi claramente: Nunca vos conheci; apartai‑vos de mim, vós que praticais a iniquidade. (Mat. 7:21‑23, grifos acrescentados).

Procurando se identificar com o antigo nome hebraico de Deus, ao invés do nome de Jesus Cristo, as testemunhas de Jeová estão inconscientemente revelando-se modernos judaizantes. Jesus disse:

“…ser-me-eis testemunhas” (At. 1:8). E a história registra que “os discípulos pela primeira vez foram chamados cristãos” (At. 11:26).

Ezequiel

Ezequiel 18:4

 Eis que todas as almas são minhas; como o é a alma do pai, assim também a alma do filho é minha: a alma que pecar, essa morrerá.

 “Assim”, diz a testemunha de Jeová”, a alma morre. Este versículo prova que não há vida consciente depois da morte”. Prova mesmo? Absolutamente não! Primeiro, olhe o contexto. Sobre o que o escritor está falando? Os israelitas estavam murmurando contra Deus, citando o provérbio que dizia: “Os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos se embotaram” (v.2) ‑ eles estavam argumentando que a punição pelo erro dos pais caía sobre a sua descendência. No versículo 4 esta é a resposta de Deus: “a alma que pecar, essa morrerá”. A Bíblia em linguagem moderna parafraseia adequadamente: “Porque todas as almas são minhas para julgar ‑ pais e filhos de igual maneira ‑ e a minha lei é esta: é pelo seu próprio pecado que um homem morrerá”. Assim, o contexto revela que a palavra inspirada não está falando aqui sobre a condição dos mortos.

A palavra alma é usada em muitos sentidos diferentes através das Escrituras Sagradas. Às vezes se refere à vida de uma pessoa, às vezes à própria pessoa (como faz aqui em Ez. 18:4). E às vezes se refere à parte interior do homem que vive após a morte. As testemunhas de Jeová dizem que o homem cessa completamente de existir com a morte, que quando o corpo morre, nada é deixado. Mas existem muitos versos das Escrituras Sagradas que provam que elas estão erradas:

Por exemplo, peça‑lhes que procurem Lucas 12:4,5. Sua Tradução do Novo Mundo diz: “… não temais os que matam o corpo e depois disso não podem fazer mais nada. Mas eu vos indicarei quem é para temer: Temei aquele que depois da morte tem autoridade para lançar na Geena. Sim, eu vos digo: temei a este. Portanto o corpo de um homem pode ser morto. E ele está morto. Mas alguma coisa pode ser feita a ele depois da morte.  Ele  pode  ser  lançado na Geena”. Se as testemunhas de Jeová dizem que o homem cessou de existir quando o seu corpo foi morto, o que restaria para ser lançado na Geena?

Da mesma forma, em II Coríntios 5, o apóstolo Paulo escreveu sobre o corpo como “uma casa terrestre onde vivemos”, acrescentando que “desejamos antes estar ausentes deste corpo, para estarmos presentes com o Senhor”, e advertindo que “porque é necessário que todos nós sejamos manifestos diante do tribunal de Cristo, para que cada um receba o que fez por meio do corpo…” (v. 1,8‑10). Se as testemunhas de Jeová estivessem corretas, que parte de Paulo poderia deixar o corpo para estar com o Senhor?

Você também pode sugerir à testemunha de Jeová que leia Apocalipse 6:9-11 em sua própria Bíblia. Ali fala‑se da “alma dos que tinham sido mortos”, perguntando a Deus quando o seu sangue seria vingado. E acrescenta que “a cada um deles foi dada uma comprida veste branca e foi‑lhes dito que descansassem mais um pouco, até que se completasse também o número dos seus co‑escravos e irmãos, que estavam para ser mortos assim como eles também tinham sido”. Sim, estas almas haviam sido mortas, mas elas são descritas como estando na presença de Deus e estando engajadas em uma conversa com ele.

(Veja também as considerações sobre Salmo 146:3,4; Eclesiastes 9:5; Lucas16:22‑28,23:43.)

 Daniel 10‑13‑21, 12:1

 “…e eis que veio ajudar‑me Miguel, um dos mais destacados príncipes . …Miguel, vosso príncipe… E durante esse tempo pôr‑se‑á de pé Miguel, o grande príncipe que está de pé a favor de teu povo.” (Tradução do Novo Mundo)

A Sociedade Torre de Vigia ensina às testemunhas de Jeová que Jesus era meramente um anjo, que nasceu como um ser humano, morreu como um sacrifício pelo pecado, e ressurgiu como um anjo uma vez mais. Elas se referem a ele como “Jesus Cristo, que nós entendemos das Escrituras Sagradas ser o arcanjo Miguel” (A Sentinela, 15/02/79, p.31, edição norte‑americana). Mas é realmente isto  o que a Bíblia ensina? Ou, antes, é isto um ensinamento que os líderes da Torre de Vigia sobrepõem às Escrituras?

A Palavra inspirada de Deus menciona Miguel cinco vezes ‑como (1) “um dos mais destacados príncipes” (Dan. 10:13, Tradução do Novo Mundo); (2) “vosso príncipe”[do povo de Daniel]; (3) “o grande príncipe que está de pé a favor dos filhos de teu povo”[povo de Daniel] (Dan. 12:1, Tradução do Novo Mundo); (4) “o arcanjo” que “teve uma controvérsia com o Diabo e disputava o corpo de Moisés, não se atreveu a lançar um julgamento contra ele em termos ultrajantes” (Jud. 9, Tradução do Novo Mundo); e (5) um participante do conflito celestial quando “Miguel e seus anjos batalhavam contra o dragão” (Rev.[Apocalipse] 12:7, Tradução do Novo Mundo). Qual destes versículos afirma que Miguel é Jesus Cristo? Nenhum deles! É necessário ler as Escrituras e mais um complicado argumento das testemunhas de Jeová para se chegar a esta conclusão.

A Sociedade Torre de Vigia também procura sustentação em outro versículo que não usa o nome de Miguel, mas diz: “porque o próprio Senhor descerá do céu com uma chamada dominante, com voz de arcanjo e com a trombeta de Deus” (1 Tess. 4:16, Tradução do Novo Mundo). Mas, se usar a voz do arcanjo faz de Deus um arcanjo, então ter a trombeta de Deus faz do arcanjo Deus ‑embora os líderes da Torre de Vigia mencionem apenas a primeira parte do versículo.

A Bíblia ensina em algum lugar que Jesus Cristo é um mero anjo? Ao contrário, o primeiro capítulo de Hebreus foi escrito, em sua totalidade, para demonstrar a superioridade do Filho de Deus comparado aos anjos. Versículo após versículo contrasta os anjos com:

 …pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, e por quem fez também o mundo; sendo ele o resplendor da sua glória e a expressa imagem do seu Ser, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo ele mesmo feito a purificação dos pecados, assentou‑se à direita da Majestade nas alturas, feito tanto mais excelente do que os anjos, quanto herdou mais excelente nome do que eles. Pois a qual dos anjos disse jamais: Tu és meu Filho, hoje te gerei? E outra vez: Eu lhe serei Pai, e ele me será Filho? E outra vez, ao introduzir no mundo o primogênito, diz E todos os anjos de Deus O adorem. Ora, quanto aos anjos, diz: Quem de seus anjos faz ventos, e de seus ministros labaredas de fogo. Mas do Filho diz: O teu trono, ó Deus, subsiste pelos séculos dos séculos, e cetro de equidade é o cetro do teu reino. E: tu, Senhor, no princípio fundaste a terra… (Heb. 1:2‑8,10).

 O Filho é o “reflexo” da glória do pai e a “exata” representação de seu próprio ser, e sustentando todas as coisas pela palavra de seu poder ‑ algo que nenhum anjo poderia fazer no mesmo segundo ‑ a tradução da Torre de Vigia de Hebreus 1:3(Tradução do Novo Mundo).

Além disso, os anjos bons se recusam veementemente a aceitar adoração. Quando o apóstolo João se prostrou aos pés do anjo para o adorar, o anjo o repreendeu dizendo: “Toma cuidado! Não faças isso! Adora a Deus” (Rev. [Apocalipse] 22:8,9, Tradução do Novo Mundo). Mas o mandamento do Pai aos anjos a respeito do Filho é: “e todos os anjos de Deus o adorem” (Heb. 1:6, Tradução do Novo Mundo, 1961).

Em edições mais recentes, a Sociedade Torre de Vigia mudou a palavra “adorem” para “reverenciem” em Hebreus 1:6. Ainda assim, a despeito de como a palavra é traduzida, a mesma palavra grega proskuneo é usada tanto em Apocalipse 22:8,9 e Hebreus 1:6. A proskuneo (adoração ou obediência) que os anjos se recusam a aceitar, mas dizem que é devida apenas a Deus, é a mesma proskuneo (adoração ou obediência) que o Pai ordena aos anjos que seja prestada ao Filho em Hebreus 1:6. Assim, o Filho não pode ser um anjo, ele é Deus. (Veja as considerações sobre Hebreus 1:6.)

As pessoas que deixam de seguir a Sociedade Torre de Vigia, e começam a seguir a Jesus Cristo, logo percebem que ele não é meramente um anjo. Esta compreensão é importante para que elas “honrem o Filho, assim como honram o Pai” (João 5:23, Tradução ,do Novo Mundo).

(Veja também os comentários sobre Isaías 9:6; João 1:1, 20:28; Colossenses 1:15; Apocalipse 1:7,8, 3:14.) 

4

As Testemunhas de Jeová Refutadas Versículo por Versículo – Novo Testamento

Mateus

 Mateus 3:11

 [João Batista disse:] “Ele vos batizará no Espírito Santo, e em fogo”.

 Segundo o livro da Sociedade Torre de Vigia de 1982, You Can Live Forever in Paradise on Earth, (Poderá Viver Para Sempre no Paraíso na Terra), (p.40), “João, o Batista, disse que Jesus iria batizar no espírito santo, assim como João havia batizado em água. Assim, da mesma maneira que a água não é uma pessoa, o espírito santo também não é uma pessoa” (Mat. 3:11).

 Qual a validade do arrazoado das testemunhas de Jeová contra a personalidade do Espírito Santo? Não é válido de forma alguma! ‑ porque o mesmo “argumento do batismo” poderia ser usado contra a personalidade de Jesus Cristo, que obviamente andou na terra como uma pessoa. Por exemplo, Romanos 6:3 diz: ” Ou, porventura, ignorais que todos quantos fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte? (grifo acrescentado). “Da mesma forma que a morte não é uma pessoa, Jesus Cristo também não é uma pessoa” ‑ este argumento poderia também ser usado. Gálatas 3:27 diz que:”Porque todos quantos fostes batizados em  Cristo vos revestistes de Cristo”. Aqui, o raciocínio poderia ser: “Já que as pessoas podem ser batizadas em Cristo e revestidas de Cristo, ele não pode ser uma pessoa”. Estas comparações contestam a personalidade de Cristo? Não! Então o “argumento do batismo” também não contesta a personalidade do Espírito Santo.

(Veja também as considerações sobre o “derramamento” e o “enchimento” com o Espírito Santo em Atos 2:4. Para mais evidências da personalidade e divindade do Espírito Santo, veja também João 16:13; Atos 5:3, 4; Romanos 8.26,27; e I Coríntios 6:19.)

Mateus 6:9

Portanto, orai vós deste modo: Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome.

 As testemunhas de Jeová argumentam que o nome de Deus deve ser santificado, assim elas “provam” que nós devemos usar o nome Jeová, para que as nossas orações sejam ouvidas por Deus. Mas foi isto o que Jesus nos ensinou? Ele começou suas próprias orações com a expressão “Deus Jeová”, como fazem as testemunhas de Jeová?

 Absolutamente não! Ao mesmo tempo que se mostrava zeloso na oração para que o nome de Deus fosse santificado ou consagrado (reverenciado como sagrado ou santo), Jesus ensinou os seus discípulos a orar ao “nosso Pai” não a “Deus Jeová”. Ele disse: “Portanto, orai vós deste modo: Pai nosso…”

 Muitas das orações pessoais de Jesus são registradas na Bíblia, e nestas orações ele deu o mesmo exemplo:

Pai, eu te agradeço… (João 11:41, Tradução do Novo Mundo).
Aba, Pai, todas as coisas são possíveis… (Mar. 14:36, Tradução do Novo Mundo).
Pai, veio a bom… (João 17:1, Tradução do Novo Mundo).

 As testemunhas de Jeová podem objetar dizendo, “Jesus tinha uma relação íntima e especial com o Pai. É por isso que ele não se dirigia a Deus como ‘Jeová'”. Nós podemos reconhecer que  há  alguma verdade nisto,  mas o propósito de Jesus era levar todos os seus discípulos a uma relação íntima e especial com Deus. “Ninguém vem ao Pai senão por mim”, Jesus ensinou (João 14:6, Tradução do Novo Mundo). A respeito dos cristãos que chegaram ao Pai através de Cristo, a Bíblia diz “…mas recebestes o espírito de adoção, como filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai! O próprio espírito dá testemunho com o nosso espírito de que somos filhos de Deus” (Rom.8:15,16,Tradução do Novo Mundo).

É óbvio que as palavras de Jesus em Mateus 6:9 definitivamente não ensinam que haja necessidade de se usar o nome Jeová na oração.

 Mateus 14:6‑10

 Festejando‑se, porém, o dia natalício de Herodes… e mandou degolar a João no cárcere.

 Este versículo é freqüentemente citado pelas testemunhas de Jeová em conexão com a proibição de sua organização à celebração de aniversários de nascimento. (Veja as considerações sobre Gênesis 40:20‑22).

 Mateus 24:3,4

 E estando ele sentado no Monte das Oliveiras, chegaram‑se a ele os seus discípulos em particular, dizendo: Declara‑nos quando serão essas coisas, e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo. Respondeu‑lhes Jesus: Acautelai‑vos, que ninguém vos engane.

Infelizmente, as testemunhas de Jeová já foram enganadas por alguém, e nós devemos cuidar para que elas não nos enganem. A Sociedade Torre de Vigia também usa a palavra “vinda” em sua Tradução do Novo Mundo, usando esta passagem como base para ensinar seus seguidores que Jesus retornou invisivelmente no ano de 1914, e que ele tem estado presente desde então. Fazendo o quê? Dirigindo a Sociedade Torre de Vigia, naturalmente!

No mesmo contexto, Jesus advertiu contra tal engano: “…hão de surgir muitos falsos profetas, e enganarão a muitos; …Se, pois, alguém vos disser: Eis aqui o Cristo! ou: Ei-lo aí! não acrediteis; porque hão de surgir falsos cristos e falsos profetas,  e  farão  grandes  sinais  e  prodígios;  de  modo que,  se   possível   fora, enganariam até os  escolhidos. Eis que de antemão vo-lo tenho dito. Portanto, se vos disserem: Eis que ele está no deserto; não saiais; ou: Eis que ele está no interior da casa; não acrediteis” (v. 11, 23-26).

Na verdade, os líderes da Sociedade Torre de Vigia afirmam que Cristo está nas “dependências internas” de sua organização. Você deve vir às Testemunhas de Jeová para receber instruções dele. Felizmente, no entanto, há um número de evidências que ajudam uma testemunha de Jeová a perceber que isto não passa de um grande engano.

Primeiramente, há a questão da profecia. A Sociedade Torre de Vigia tem tamanha história de profecias fracassadas que se qualifica para o rótulo de “falso profeta” muitas vezes. (Veja nossas considerações sobre Deut. 18:20-22 para exemplos específicos do que a organização profetizou para os anos de 1914, 1925 e 1975.)

 Há também o fato de que a história delas continua se modificando. Uma coisa é alegar que Cristo retornou invisivelmente em 1914, mas outra é fazer esta alegação depois de passar cinqüenta anos dizendo às pessoas que ele retornou invisivelmente em 1874 – e então mudar de ideia. Ainda assim, a Sociedade Torre de Vigia fez exatamente isso. Quando a revista A Sentinela começou a ser publicada em 1879, seu título original era Zion’s Watch Tower and Herald of Christ’s Presence (A Sentinela de Sião e Arauto da Presença de Cristo). E, 50 anos depois, no livro Prophecy (A Profecia) de J. F. Rutherford, esta “presença” de Cristo desde 1874 estava sendo proclamada: “A prova escritural [bíblica] é que a segunda presença do Senhor começou em 1874″. (p. 65). Agora a Sociedade Torre de Vigia diz que ele retornou em 1914. Assim, elas próprias admitem que agiram como falsos profetas, anunciando a presença de Cristo que não estava aqui, desde 1874 até 1914.

Alegando que Jesus está invisivelmente presente e governando a terra através dos líderes da Sociedade Torre de Vigia, as testemunhas ensinam a seus seguidores que: “No primeiro século, Jerusalém foi lugar de onde foi dada instrução à organização cristã (At. 15:1,2). Mas hoje a orientação vem de Brooklyn, Nova York” (A Sentinela, 01/12/82, p. 23, edição norte-americana). Em vista de tal evidência, no entanto, uma  testemunha  de  Jeová  deveria,  individualmente,  continuar  com  a obediência a esses homens que lhe é imposta pelo medo? Ouçamos a resposta das Escrituras: “Quando o profeta falar em nome do Senhor e tal palavra não se cumprir, nem suceder assim, esta é a palavra que o Senhor não falou; com presunção a falou o profeta; não o temerás” (Deut.18:22).

(Veja também as considerações sobre Êxodo 3:15; Deuteronômio 18:20‑22; Isaías 43:10; Mateus 24:14, 24:45.)

 Mateus 24:14

 E estas boas novas do reino serão pregadas em toda a terra habitada, e m testemunho a todas as nações; e então virá o fim (Tradução do Novo Mundo).

Este versículo é um dos favoritos das testemunhas de Jeová em qualquer situação. Mas elas leem nele um número de ideias que vão além daquilo que realmente diz. Acreditam que Jesus voltou invisivelmente no ano 1914 e “estabeleceu” o reino de Deus no céu naquela época, com a Sociedade Torre de Vigia como sua organização visível na terra. Assim, para que recebam vida eterna, as pessoas precisam “vir à organização de Jeová para salvação” (A Sentinela, 15/11/81, p.21, edição norte‑americana).

Quando as testemunhas de Jeová pregam seu “evangelho” ou “boas‑novas” do reino, estão, na verdade, pregando a doutrina do retorno invisível de Cristo em 1914. Reconhecem livremente que “as boas‑novas” que pregam não são o mesmo que o evangelho ou boas‑novas, pregadas pelos cristãos através dos séculos. Mas pensam que é maravilhoso que tenham boas‑novas diferentes.

 … o testemunho do reino das testemunhas de Jeová desde 1914 tem sido algo muito diferente daquilo que os missionários da cristandade têm publicado tanto antes quanto desde 1914. “Diferente” ‑ como assim? … O que as testemunhas de Jeová têm pregado ao mundo desde 1918 é algo único… a pregação dessas boas‑novas do reino messiânico como tendo sido estabelecido nos céus em 1914… (A Sentinela, 01/10/80, p. 28‑29, edição norte‑americana).

Mas a Bíblia adverte claramente sobre a pregação de outro evangelho:

 No entanto, mesmo que nós ou um anjo do céu vos declarássemos como boas‑novas algo além daquilo que vos declaramos como boas‑novas, seja amaldiçoado. Como já dissemos, também digo agora novamente: Quem quer que vos esteja declarando conto boas‑novas algo além daquilo que aceitastes, seja amaldiçoado (Gál.1:8,9, Tradução do Novo Mundo).

 Pergunte à testemunha de Jeová, “o apóstolo Paulo ensinou a seus discípulos na Galácia que Cristo retornaria em 1914 e que estabeleceria uma organização visível com sede em Brooklyn, Nova York?” Se não, então, as boas‑novas dos líderes da Torre de Vigia são “algo além” daquilo que os gálatas aceitaram ‑ o que os coloca debaixo da maldição de Deus por ensinar outro evangelho.

(Veja também as considerações sobre Deuteronômio 18:20-22; Mateus 24:3,24:34.)

 Mateus 24:34

 Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que todas essas coisas se cumpram.

 Que geração? Este assunto é um ponto de debate entre os leitores cristãos da Bíblia ‑ mas não entre as testemunhas de Jeová, porque sua organização disse especificamente que “a evidência aponta para a geração de 1914 como a geração sobre a qual Jesus falou. Assim, `esta geração não passará, de forma alguma, até que estas coisas (incluindo o Apocalipse) ocorram’ ” (A Sentinela, 15/02/86,p.5,edição norte‑americana).

Por muitos anos, cada edição da revista Despertai! tem apresentado sua declaração de intenções na página 2: “Mais importante, esta revista edifica a fé na promessa do Criador de uma nova ordem pacífica e serena antes que a geração que viu os eventos de 1914 pereça.” A edição de Despertai!, de 8 de outubro de 1968, definiu essa geração ainda mais precisamente dizendo: “Jesus estava obviamente falando sobre aqueles que eram velhos o bastante para testemunhar com entendimento sobre o que aconteceu “,sugerindo que esses seriam “jovens de 15 anos de idade” (p. 13). Eles disseram com toda segurança que “a `geração’ logicamente não se aplicaria a bebês nascidos durante a I Guerra Mundial” (A Sentinela,01/10/78,p.31,edição norte‑americana).

É preciso apenas calcular que alguém que tivesse 15 anos em 1914 estaria com 25 anos em 1924,35 em 1934 ‑ e 85 em 1984 ‑  para perceber que a geração da Torre de Vigia “que não passará” estaria quase extinta em meados dos anos 80. A profecia estava quase fracassando. Mas eles não mudaram a profecia, antes os lideres das Testemunhas de Jeová simplesmente estenderam a geração. Ao invés de 15 anos de idade, de quem poderia testemunhar “com entendimento” o que aconteceu em 1914, eles começaram a indicar que a geração seria formada daqueles que “nasceram por aquele tempo” (os mesmos bebês que haviam excluído anteriormente!), dizendo: “Se Jesus usou ‘geração’ neste sentido e nós a aplicarmos para 1914, então os bebês daquela geração têm hoje 70 anos de idade ou mais” (A Sentinela, 15/05/84, p.5, edição norte‑americana).

OBS do Irmão Brasileiro: Atualmente eles estenderam mais ainda “esta geração” (já é a 2 esticada) dizendo que pode ser qualquer pessoa desta época que esteja vivendo “durante a presença de Cristo” – Eu chamo isso de “saída pela tangente” – uma tirada de corpo da STV – afinal, a “geração” de 1914 – e até os bebês – já estão todos morrendo, e isto seria mais uma profecia falhada (e na verdade É MAIS UMA  PROFECIA FALHADA).

 Cristãos genuínos oram ansiosamente pelo retorno do Senhor. E nós esperamos e espreitamos a sua vinda. Mas aqueles que fazem falsas profecias se encaixam na categoria daqueles acerca dos quais o Senhor nos preveniu dizendo: “porque hão de surgir falsos cristos e falsos profetas, e farão grandes sinais e prodígios; de modo que, se possível fora, enganariam até os escolhidos” (Mat. 24:24).

(Para obter maiores informações sobre a história centenária da Sociedade Torre de Vigia como falso profeta, veja nossas considerações sobre Deuteronômio 18:20‑22.)

 Mateus 24:45‑4 7

 Quem é realmente o escravo fiel e discreto a quem eu, o seu anjo, designou sobre os seus domésticos para dar‑lhes o alimento no tempo apropriado? Feliz aquele escravo, se o seu amo, ao chegar, o achar fazendo assim. Deveras eu vos digo: Ele o designará sobre todos os seus bens (Tradução do Novo Mundo).

 Este é um texto‑chave para as testemunhas de Jeová. Elas aplicam uma única interpretação a esta parábola. Ao invés de a entenderem como uma exortação a cada cristão, desafiando‑o a ser um “escravo” fiel e diligente para Cristo, acreditam que a sua organização representa o escravo fiel e discreto, ungido por Deus para prover “alimento espiritual” para os domésticos da fé. Esta interpretação dá à sede da Torre de Vigia uma tremenda autoridade e poder aos olhos das testemunhas de Jeová. 

Por exemplo, note como A Sentinela, de l° de dezembro de 1981, eleva a organização acima da Bíblia e cria um contingente daqueles que ganham a vida eterna seguindo a Sociedade Torre de Vigia:

O Deus Jeová também nos deu sua organização visível, seu “escravo fiel e discreto”, formado por aqueles que são ungidos pelo espírito para ajudar cristãos em todas as nações a compreender e aplicar a Bíblia de maneira apropriada em suas vidas. A menos que estejamos em contato com este canal de comunicação que Deus está usando, nós não alcançaremos progresso na estra-da para a vida, não importa o quanto leiamos a Bíblia (p.27).

 Bem‑aventurados, na verdade, são aqueles que servem lealmente ao lado desta organização que é o “Escravo fiel e discreto”, o agente visível de comunicação usado por Deus! Sua escolha é sábia, porque o seu caminho leva ao objetivo precioso da vida eterna… (p. 31).

Talvez eu deva mencionar aqui, como um comentário pessoal, que a declaração acima, especialmente a da página 27, que eleva a organização acima da Biblia, se tornou a “última gota” ‑ a gota que fez transbordar o copo ‑ no meu relacionamento com a Sociedade Torre de Vigia. Foi depois de ler esta declaração que eu levantei a minha voz, questionando os argumentos da organização, publicamente, em encontros nos Salões do Reino e secretamente publicando meu boletim, Comments from the Friends (Comentários dos Amigos), cuja primeira edição trata do texto mencionado acima. (Veja o capitulo 7, “O Testemunho do Autor”, para mais detalhes.) Infelizmente, a vasta maioria das testemunhas de Jeová continua condicionada a tal ponto que aplaude este tipo de declaração e, cegamente, segue a Sociedade para onde quer que a conduza.

Originalmente, foi Charles Russell, o fundador e primeiro presidente da Sociedade Torre de Vigia, quem foi visto pessoal e individualmente como “o servo sábio e fiel” de Mateus 24:45. Depois de sua morte houve uma grande divisão dentro da organização, com adeptos do novo presidente, Joseph F. Rutherford, assumindo controle completo, e os membros fiéis ao Pastor Russell saindo para formar outras seitas,  algumas  das  quais  existem  até  hoje. Esses grupos russelitas modernos continuam a imprimir os livros do pastor, respeitando‑o como o mensageiro especial de Deus para a igreja. Os seguidores de Rutherford insistem que Russell nunca alegou ser o “servo sábio e fiel”, mas que a Sociedade Torre de Vigia como um todo era o instrumento escolhido de Deus.

É muito difícil dissuadir as testemunhas de Jeová de sua crença. Aceitam qualquer coisa que a Sociedade diga porque a Sociedade é o canal de comunicação de Deus, que, por sua vez, elas acreditam ser a única organização religiosa em toda a terra que ensina a verdade ‑ uma conclusão que defendem porque acreditam em qualquer coisa dita pela Sociedade. Embora este seja um argumento circular, ele descreve a maneira de pensar das testemunhas -de Jeová. Em algum momento depois do chamado “estudo da Bíblia”, ou programa doutrinário, que originalmente traz o indivíduo para a organização, seus argumentos são torcidos e conectados de ponta a ponta, de modo que a testemunha de Jeová pensa em círculos, não numa seqüência linear. Esta é a razão pela qual você pode ir e vir com uma testemunha de Jeová e não chegar a lugar algum. Também poderíamos chamar este processo de lavagem cerebral.

A chave para se quebrar este circulo vicioso é dar ao individuo alguma informação que abale seus pensamentos o suficiente para tirar da sua cabeça as marcas que o fazem andar e pensar desta maneira. Este processo pode ser lento e demorado. Mas pode ser feito.

(Para auxiliá‑lo, veja também o capitulo 6 sobre as técnicas para compartilhar o evangelho).

 Mateus 26:27

 E tornando um cálice, rendeu graças e deu‑lho, dizendo: Bebei dele todos.

 A Sociedade Torre de Vigia tem ensinado aos seus seguidores a não cumprir esta instrução claramente dada por Jesus Cristo. Quando as testemunhas de Jeová promovem a sua celebração de comunhão, que é feita anualmente, o pão e o cálice passam de mão em mão e muito poucos tomam parte deles. (Estatísticas relatadas em A Sentinela, 01/10/86, revelaram que de 7.792.109 pessoas presentes à celebração em 1985, apenas 9.051 participaram. Desta forma, da maior parte das 49.716 congregações das testemunhas de Jeová espalhadas pelo mundo, não houve um único participante.)

Ao não cumprirem as instruções de Jesus “Bebei dele todos”, as testemunhas de Jeová estão obedecendo a instruções dadas por seus líderes, que os têm ensinado que os novos crentes desde o ano de 1935 não podem compartilhar da Nova Aliança mediada por Jesus Cristo (Heb. 12:24); “Aqueles que pertencem à classe das ‘outras ovelhas’ não pertencem à nova aliança e dela não tomam parte” (A Sentinela, 15/02/86, p.15, edição norte‑americana).

 Mas, falando a respeito da aliança redentora representada na comunhão, Jesus disse: “A menos que comais a carne do Filho do homem e bebais o seu sangue, não tendes vida em vós mesmos” (João 6:53, Tradução do Novo Mundo). Se as testemunhas se excluem da Nova Aliança, elas se excluem da vida eterna.

Peça à testemunha de Jeová para lhe mostrar um verso bíblico no qual Jesus estabelece o ano de 1935 como a data na qual deveria se inspirar suas instruções a respeito da comunhão. Não existe tal verso. Ao invés disso, Jesus disse: “Persisti em fazer isto em memória de mim” (Luc. 22:19, Tradução do Novo Mundo).

 (Veja também as considerações sobre Apocalipse 7:9 para mais informação sobre “a doutrina de 1935″, e João 10:16 a respeito das “outras ovelhas”).

 Marcos

 Marcos 1:8

 Eu vos batizei em água; ele, porém, vos batizará no Espírito Santo.

 (Veja as considerações sobre esta mesma citação em Mateus 3:11.)

 Marcos 6:21,25

 …Herodes no seu aniversário natalício ofereceu um banquete… E tornando logo com pressa à presença do rei, pediu, dizendo: Quero que imediatamente me dês num prato a cabeça de João, o Batista.

Esta é uma das passagens usadas pelas testemunhas de Jeová para argumentar contra a celebração de aniversários de nascimento. Veja as nossas considerações sobre Gênesis 40:20‑22.

Marcos 12:29

Respondeu Jesus: O primeiro é: Ouve, Israel o Senhor nosso Deus é o único Senhor.

 Este é um texto usado pelas testemunhas de Jeová quando apresentam seus argumentos contra a doutrina da Trindade. Enfatizam a declaração que Deus é um. Mas o que não compreendem é que o Novo Testamento revela uma unidade composta por Deus, Jesus e o Espírito Santo.

 Existe uma boa razão pela qual os judeus pré‑cristãos não compreendiam a unidade composta de Deus: porque ela ainda não havia sido revelada. Mas, no caso das testemunhas de Jeová, a verdade revelada nas Escrituras tem sido escondida de seus olhos por seus líderes.

 Faça com que a testemunha saiba que você concorda com ela no fato de que Deus é um. Diga à testemunha de Jeová que você não acredita em três Deuses. Então faça algumas perguntas para estimular a argumentação da testemunha de Jeová sobre este assunto: Pode o único Deus verdadeiro ouvir a diferentes pessoas, que oram ao mesmo tempo? Ele pode falar a mais de uma pessoa ao mesmo tempo, se ele quiser? Ele pode realizar coisas em mais de um lugar ao mesmo tempo?

 Diga à testemunha que você gostaria que ela considerasse uma pergunta hipotética: “Suponha que Deus resolva visitar a terra pessoalmente. Ele teria que deixar os céus para fazer isto? Ou será que ele poderia visitar a terra, permanecendo ainda nos céus para governar o universo?” (A testemunha não desejará responder.) Prossiga dizendo: “Eu não estou pedindo a você que concorde que Deus fez tal coisa. Mas você acredita que ele poderia fazer isto, se ele quisesse?” Sem tentar fazer uma descrição ou definição precisa da Trindade, ajude a testemunha a abrir a sua mente para a possibilidade de que a unidade de Deus pode ser composta. 

   Então prossiga, procurando e lendo as seguintes passagens com a testemunha‑de‑Jeová: Gênesis 18:1,2; 1 Coríntios 6:19; Colossenses 2:9; e Apocalipse 1:7,8. (Veja as considerações sobre estes versículos.)

 Lucas

 Lucas 3:1 6

 Respondeu João a todos dizendo: Eu, na verdade, vos batizo em água… ele vos batizará no Espírito Santo e em fogo.

(Veja as considerações a respeito desta mesma declaração em Mateus 3:11.)

 Lucas 16:22‑24, 27 e 28

 Ora, no decorrer do tempo, morreu o mendigo e foi carregado pelos anjos para [a posição] junto ao seio de Abraão. Também, o rico morreu e foi enterrado. E no hades ele ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu Abraão de longe, e Lázaro com ele (na posição junto). Por isso clamou e disse: “Pai Abraão, tem misericórdia de mim e manda que Lázaro mergulhe a ponta do seu dedo em água e refresque a minha língua, porque estou em angústia neste fogo intenso… peço‑te, pai, que o envies à casa de meu pai, pois, tenho cinco irmãos, a fim de que lhes dê um testemunho cabal, para que não cheguem a entrar neste lugar de tormento (Tradução do Novo Mundo).

As testemunhas de Jeová acreditam no ensinamento de sua organização de que o hades é simplesmente a sepultura e que não há existência consciente depois da morte até a futura ressurreição. Mas, já que as palavras de Jesus nos versículos acima real-mente falam de tal existência consciente, a Sociedade Torre de Vigia tem que fazer alguma coisa para negar tais palavras. Assim, elas ponderam que esta narrativa é uma parábola, ou ilustração, e aplicam um significado simbólico para tudo o que acontece nesta história.

Segundo a Torre de Vigia, Lázaro representa os discípulos de Jesus, e o homem rico os líderes religiosos judeus, a morte de cada um representa uma mudança nas condições de cada um destes grupos aqui na terra, e os tormentos do homem rico representam a maneira pela qual os líderes religiosos judeus ficaram expostos devido aos ensinamentos dos apóstolos. Assim, Jesus não estava falando sobre a condição dos mortos em Lucas 16, segundo a Sociedade Torre de Vigia.

Os cristãos, de maneira geral também, concordaram que a história de Lázaro e o homem rico é mais uma das muitas parábolas de Jesus. Mas se examinarmos as outras parábolas de Jesus concluiremos que todas eram ilustrações baseadas em situações da vida real. Por exemplo, o filho pródigo retornou ao lar depois de esbanjar o seu dinheiro; um homem encontrou um tesouro enterrado num campo, o escondeu, e vendeu tudo o que possuía para comprar aquele campo; o rei que deu uma festa de casamento para seu filho; um senhor de escravos que viajou para o exterior e então voltou para sua casa e seus escravos; o homem que plantou uma vinha, arrendou‑a, mas depois teve dificuldades em receber o que lhe era devido; e assim por diante.

Aquele jovem realmente deixou a sua casa e esbanjou o dinheiro de sua herança, e Jesus usou a familiaridade que sua audiência tinha com tais circunstâncias para fazer ilustrações relacionadas ao reino. As pessoas realmente encontravam tesouros perdidos, davam festas de casamento, deixavam seus escravos encarregados de suas posses, enquanto viajavam, arrendavam vinhas, e assim por diante, e Jesus usou a familiaridade de seus ouvintes com estas coisas para ilustrar coisas espirituais. Assim, se a parábola de Lázaro e o homem rico é como as outras parábolas de Jesus, ele também deve ter usado uma circunstância real para ilustrar coisas espirituais. As pessoas devem realmente ter uma existência consciente depois da morte e algumas delas devem realmente estar “em tormentos”, profundamente arrependidas de sua vida pregressa. A despeito do que a parábola ilustra, a história básica, como as outras histórias que Jesus contou, deve ter sido tirada da vida real.

Lembrando o que a Bíblia nos revela a respeito da misericórdia, do amor e da compaixão de Jesus, nós sabemos que Deus não é nenhum monstro cruel e sem sentimentos que tem prazer em atormentar as pessoas. Se nós realmente o conhecemos, compreendemos que ele é mais bondoso e amoroso que nós mesmos. Assim, se nós somos incapazes de conciliar a bondade de Deus com os ensinamentos de Jesus a respeito da condição dos mortos, o problema deve estarem nós mesmos, e na nossa compreensão limitada de Deus. Abraão enfrentou um problema similar quando soube que Deus ia fazer chover fogo e enxofre sobre Sodoma e Gomorra. Ele questionou até mesmo perguntando: “Não fará justiça o juiz de toda a terra?” (Gên. 18:25). Assim, uma pessoa que se irrita com os ensinamentos de Jesus deveria seguir o exemplo de Abraão levando a questão a Deus em oração e pedindo sua ajuda para confiar nele completamente, mesmo em questões que estão além do entendimento humano.

Mas a solução não está em negar o que a Bíblia diz. Embora Jesus Cristo tenha sido a pessoa mais bondosa e amorosa que já andou na terra, ele também era quem mais tinha a dizer a respeito das coisas desagradáveis que as pessoas poderiam encontrar depois da morte. Disse, por exemplo:

 Mandará o Filho do homem os seus anjos, e eles ajuntarão do seu reino todos os que servem de tropeço, e os que praticam a iniquidade, e lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali haverá choro e ranger de dentes (Mat. 13:41,42).

 E ele vos responderá: Não sei donde sois; apartai‑vos de mim, vós todos os que praticais a iniquidade. Ali haverá choro e ranger de dentes quando virdes Abraão, Isaque, Jacó e todos os profetas no reino de Deus, e vós lançados fora (Luc. 13:27,28).

 Assim será no fim do mundo: sairão os anjos, e separarão os maus dentre os justos, e lançá‑los‑ão na fornalha de fogo; ali haverá choro e ranger de dentes (Mat. 13:49,50).

 Ordenou então o rei aos servos: Amarrai‑o de pés e mãos, e lançai‑o nas trevas exteriores; ali haverá choro e ranger de dentes (Mat. 22:13).

 Virá o senhor daquele servo, num dia em que não o espera, e numa hora de que não sabe, e cortá‑lo‑á pelo meio, e lhe dará a sua parte com os hipócritas; ali haverá choro e ranger de dentes (Mat. 24:50,51).

 Virá o senhor desse servo num dia em que não o espera, e numa hora de que não sabe, e cortá-lo-á pelo meio, e lhe dará a sua parte com os infiéis. O servo que soube a vontade do seu senhor, e não se aprontou, nem fez conforme a sua vontade, será castigado com muitos açoites; mas o que não a soube, e fez coisas que mereciam castigo, com poucos açoites… (Luc. 12:46‑48).

E lançai o escravo imprestável na escuridão lá fora. Ali é onde haverá [seu] choro e ranger de [seus] dentes (Mat. 25:30, Tradução do Novo Mundo) .

… mas ai daquele por quem o Filho do homem é traído! bom seria para esse homem se não houvera nascido. [Nota do autor: Se ele não tivesse nascido, o traidor não existiria. Mas a não‑existência era melhor que a punição que agora está reservada para ele. Desta forma, a Torre de Vigia deve estar errada no seu ensinamento de que a morte de Judas o precipitou na não existência eterna.] (Mat. 26:24).

…melhor te é entrares com um olho no reino de Deus, do que seres com os dois olhos lançado no Geena, onde o seu gusano não morre e o fogo não se extingue (Mar.9:47,48, Tradução do Novo Mundo).

Alegrai‑vos naquele dia e pulai, pois eis que a vossa recompensa é grande nos céus… Mas ai de vós ricos, porque já tendes plenamente a vossa consola-ção. Ai de vós os que agora estais saciados, porque passareis fome. Ai de vós os que agora rides, porque pranteareis e chorareis (Luc.6:23‑25, Tradução do Novo Mundo).

Além disso, eu vos digo, meus amigos: Não temais os que matam o corpo e depois disso não podem fazer mais nada. Mas eu vos indicarei quem é para temer, temei aquele que, depois de matar, tem autoridade para lançar no Geena. Sim, eu vos digo, temei a Este (Luc. 12:4,5, Tradução do Novo Mundo).

 E na revelação que Jesus fez ao apóstolo João na sua velhice, a mensagem angélica do Senhor diz:

 Se alguém adorar a fera e a sua imagem e receber uma marca na sua testa ou na sua mão, beberá também do vinho da ira de Deus, derramado, não diluído, no copo do seu furor, e será atormentado com fogo e enxofre, à vista dos santos anjos e à vista do cordeiro. E a fumaça do tormento deles acende para todo o sempre, e não tem descanso, dia e noite… (Apoc. [ Revelação] 14:9‑11, Tradução do Novo Mundo).

 Conclua perguntando à testemunha de Jeová: “Se alguém nunca ler uma publicação da Torre de Vigia, mas ler apenas as palavras de Jesus, no que ela acreditaria com respeito a este assunto? Em que os leitores da Bíblia acreditaram por muitos séculos antes que o fundador da Torre de Vigia, ‘Pastor’ Russell, apresentasse no final dos anos 1800 a sua doutrina da não‑existência do inferno”?

O Senhor usou linguagem figurativa ‑ escuridão, fogo, tormento, exclusão ‑ mas transmitiu  claramente  a  ideia  de  que   aqueles que são desobedientes vão encarar algum tipo de desprazer depois da morte, e que Jesus veio como Salvador para resgatar‑nos de tal destino.

 Lucas 22:19

 Tomou também o pão, deu graças, partiu‑o e deu‑lho, dizendo: Isto significa meu corpo que há de ser dado em vosso beneficio. Persiste em fazer isso em memória de mim (Tradução do Novo Mundo).

A Sociedade Torre de Vigia ensina que os novos convertidos desde 1935 não se tornam parte da congregação cristã, o corpo de Cristo, e portanto esses indivíduos “não compartilham dos símbolos” da comunhão (The Truth that Leads to Eternal Life [A Verdade Que Conduz à Vida Eterna], Sociedade Torre de Vigia, 1968, p. 80). Desta forma, mesmo que sua própria Bíblia diga: “persiste em fazer isto”, a vasta maioria das testemunhas de Jeová não o faz.

(Para maiores detalhes, veja as considerações sobre Mateus 26:27 e Apocalipse 7:9.)

 Lucas 23:43

 Respondeu‑lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso.

 Compare o versículo acima com o mesmo versículo na Tradução do Novo Mundo das Testemunhas de Jeová: “E Ele disse: ‘Deveras te digo hoje: Estarás comigo no paraíso'”.

Você percebe a diferença? Foi uma pequena mudança, mas muito significativa. Os tradutores da Torre de Vigia colocaram dois pontos logo após a palavra “hoje”. O que faz com que o advérbio “hoje” passe da segunda parte da sentença para a primeira. Assim, ao invés do advérbio “hoje” identificar o tempo quando o malfeitor arrependido estaria com o Senhor “no paraíso”, o texto é simples-mente o tempo quando Jesus estava falando.

Este é mais um caso onde os líderes da Torre de Vigia alteram a Bíblia para que ela se encaixe em suas doutrinas. Ensinam que o homem que se voltou para Jesus na cruz e disse:  “Lembra‑te de mim,  quando entrares  no teu reino” (v. 42), não foi estar com o Senhor no paraíso naquele dia. Ao invés disso, afirmam que ele foi aniquilado na morte, e não tem existido em lugar algum pelos últimos dois mil anos, e irá finalmente estar com o Senhor no paraíso durante o milênio. Era muito difícil para as testemunhas -de Jeová ensinar tal doutrina em vista das palavras de Jesus àquele homem agonizante. Assim, quando produziram sua própria Bíblia, elas mudaram estas palavras ‑ ou pelo menos a pontuação, que muda o sentido das palavras.

Se você desafiar uma testemunha a este respeito, ela provavelmente defenderá a mudança lendo a nota de rodapé correspondente ao versículo 43, na edição de 1984 de sua Tradução do Novo Mundo: “Embora o texto grego de Westcott e Hort coloque a vírgula no texto grego antes da palavra hoje, as vírgulas não eram usadas no original grego. Mas para manter a ideia do contexto, nós omitimos a vírgula antes da palavra ‘hoje'”. No entanto, o que os tradutores da Torre de Vigia deveriam dizer realmente é que “para manter a ideia de sua doutrina” eles alteraram a pontuação.

   No entanto, já que mencionaram o contexto, pode nos ser útil olharmos o que as demais passagens do livro de Lucas e dos outros três Evangelhos dizem. Jesus usou a expressão “Em verdade vos digo” e “Em verdade te digo”, em muitas ocasiões diferentes. De que forma a Comissão de Tradução da Bíblia Novo Mundo traduz esta mesma expressão nos outros lugares em que ela aparece? Para onde foram as vírgulas? 

Existe uma maneira muito simples de descobrir isto. Peça à testemunha de Jeová com quem você está conversando para lhe mostrar um exemplar da Concordância Compreensiva que a Sociedade Torre de Vigia publicou em 1973 para a Tradução do Novo Mundo. Já que a concordância é editada em ordem alfabética, peça à testemunha que procure a expressão “em verdade”. Ali você encontrará uma conveniente relação de seis versículos onde o Senhor usou esta mesma expressão no Evangelho de Lucas, assim como uma relação das 71 passagens nas quais ele usa esta expressão nos quatro Evangelhos. Além de citar as referências de capítulo e versículo, a concordância também mostra as palavras  que aparecem imediatamente antes e depois da expressão “em verdade” em cada texto. Dê uma olhada na relação: todas as vírgulas estão alinhadas, com exceção de Lucas 23:43. Este é o único versículo que eles pontuaram de maneira diferente, para que possam assim incluir o elemento tempo na primeira metade do versículo ‑ uma prova óbvia de que os tradutores da Torre de Vigia alteraram este versículo para que se encaixe nas doutrinas de sua seita.

(Para mais considerações sobre o que acontece com as pessoas quando morrem, veja o Salmo 146:3,4 e Lucas 16:22‑28. Para exemplos adicionais das distorções na Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, veja o nosso capítulo 2, “A Bíblia Que as testemunhas de Jeová Usam”, e também as considerações sobre Romanos 14:7‑9;e Hebreus 1:6.)

 Lucas 24:36‑39

 Enquanto ainda falavam destas coisas, ele mesmo estava de pé no meio deles… Mas visto que estavam apavorados, e tinham ficado amedrontados, imaginavam ver um espírito. De modo que lhes disse: Por que estais aflitos, e por que é que se levantam dúvidas nos vossos corações? Vede minhas mãos e meus pés, que sou eu mesmo, apalpai‑me e vede porque um espírito não tem carne e osso assim como observais que eu tenho (Tradução do Novo Mundo).

Em contraste com as palavras acima, extraídas de sua própria Bíblia, os líderes das Testemunhas de Jeová ensinam que o Cristo ressurreto é um espírito e que: “O corpo humano, ao qual Jesus renunciou para sempre como um sacrifício redentor, foi despojado pelo poder de Deus, mas não pelo fogo do altar do templo de Jerusalém. A carne de um sacrifício é sempre despojada e tirada da existência, e assim não se corrompe” (Livro da Torre de Vigia Things in Which It Is Impossible for God to Lie [Coisas em Que É Impossível Que Deus Minta,], 1965, p. 354). Também dizem que: “Logo após a sua ressurreição, Jesus nem sempre apareceu no mesmo corpo [talvez para reforçar em suas mentes a ideia de que ele era um espírito]” (Livro da Torre de Vigia Reasoning from the Scriptures [Raciocínios a Base das Escrituras] ,1985, p. 335). 

   Obviamente, a organização das testemunhas de Jeová usando estes argumentos poderia fazer com que acreditássemos o contrário do que dizem as Escrituras a esse respeito. Insiste que o corpo de Cristo não foi ressuscitado, mas destituído, e que ele se tornou um espírito. Se isto fosse verdade, então suas declarações em Lucas 24:36-39 teriam sido mentirosas; e quando ele mostrou aos discípulos as marcas dos pregos em suas mãos e pés, convidando–os a sentir a carne e ossos, teria sido um truque esperto para os enganar.

Além de discutir os pontos acima, você pode também pedir à testemunha de Jeová que leia os versículos onde Jesus tinha predito o que aconteceria com seu corpo: “Em resposta, Jesus disse‑lhes: ‘Demoli este templo e em três dias o levantarei’. Os judeus disseram portanto: ‘Este templo foi construído em quarenta e seis anos, e tu o levantarás em três dias?’ Mas ele estava falando do templo do seu corpo” (João 2:19‑21, Tradução do Novo Mundo).

A testemunha tem uma escolha a fazer ‑ acreditar no que Jesus disse a respeito de sua ressurreição corpórea, ou acreditar no que a Torre de Vigia diz.

João

 João 1:1

No principio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.

 Até por volta de 1950, as testemunhas de Jeová levavam consigo uma cópia da versão mais tradicional da Bíblia (porque ela enfatiza o nome Jeová por todo o Antigo Testamento). Mas enfrentavam o embaraçoso problema de tentar negar a divindade de Cristo, enquanto a Bíblia que tinham em mãos dizia claramente que “o Verbo era Deus”. Este problema foi resolvido quando a Sociedade Torre de Vigia publicou sua própria Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas.

 Agora, quando os cristãos mencionam João 1:1 para as testemunhas de Jeová, elas podem responder, “isto não está na minha Bíblia!” Pois podem se dirigir a João 1:1, na sua própria tradução, e ler “…A Palavra era [um] deus”. 

Reduzindo Jesus Cristo a “um deus”, as testemunhas o colocam entre os “muitos deuses” e muitos “senhores” de 1 Coríntios 8:5 ‑ no mesmo nível de Satanás, “o deus deste sistema de coisas” (II Cor.4:4, Tradução do Novo Mundo).

   A Sociedade Torre de Vigia apresenta a Tradução do Novo Mundo como o trabalho anônimo da Comissão de Tradução da Bíblia Novo Mundo ‑ e resiste a todos os esforços para identificar os membros da comissão. Dizem que fazem isto para que todo o crédito do trabalho vá para Deus. Mas um observador imparcial logo notará que tal anonimato também protege o tradutor de qualquer culpa pelos erros ou distorções em suas traduções. E evita que os eruditos verifiquem suas credenciais. De fato, aqueles que deixaram a sede administrativa da Sociedade Torre de Vigia nos últimos anos identificaram os supostos membros da comissão, revelando que nenhum deles era perito em hebraico, grego ou aramaico ‑ os idiomas originais dos quais a Bíblia deve ser traduzida.

   Por muitos anos, as Testemunhas de Jeová se basearam na tra-dução de O Novo Testamento (1937) de Johannes Greber, uma vez que Greber também traduziu “…a Palavra era um deus”. As publicações da Sociedade Torre de Vigia mencionavam ou citavam Greber para apoiar estas e outras traduções, como se segue: 

Aid to Bible Understanding (Ajuda Para a Compreensão da Bíblia) (1969), p. 1.134 e 1.669. 

Mke Sure of All Things ‑ Hold Fast to What Is Fine (Certi-ficai‑vos de Todas as Coisas ‑ Apegai‑vos ao Bem) (1965), p.489, edição norte‑americana. 

A Sentinela, 15/09/62, página 554 (edição norte‑americana) 

A Sentinela, 15/10/75, página 640 (edição norte‑americana) 

A Sentinela, 15/04/76, página 231 (edição norte‑americana) 

“The Word” ‑ Who Is He? According To John (1962) (O Verbo ‑ Quem É Ele? Segundo João (1962) página 5. 

Entretanto, depois que as ex testemunhas deram considerável publicidade ao fato de que Greber era espírita e que declarava que os espíritos lhe mostravam que palavras usar em suas traduções, A Sentinela (01/04/83) ‑ edição norte‑americana ‑ declarou na página 31: 

Esta tradução foi usada ocasionalmente em apoio à interpretação de Mateus 27: 52,53 e João 1:1, como apresentada na Tradução do Novo Mundo e outras versões bem fundamentadas da Bíblia. Mas como indicado em um prefácio da edição de 1980 de O Novo Testamento por Johannes Greber, este tradutor recorria ao “Mundo Espiritual de Deus” para o esclarecer sobre como deveria traduzir as passagens difíceis. É enunciado que: “Sua esposa, uma médium do Mundo Espiritual de Deus, era freqüentemente o instrumento usado para trazer as respostas corretas dos mensageiros de Deus ao Pastor Greber”. A Sentinela considerou impróprio fazer uso de uma tradução que tenha uma descrição tão similar ao espiritismo (Deut.18:10‑22). A sabedoria que forma a base para a explicação do texto acima mencionado na Tradução do Novo Mundo é sólida e por esta razão não depende absolutamente da tradução de Greber para sua consolidação. Nada se perde, portanto, ao parar de usar seu Novo Testamento. 

Desta forma, parecia que a Sociedade só então havia descoberto as conexões espíritas de Greber e imediatamente se arrependia de tê-lo usado como base. Entretanto, isto também foi um engodo ‑ porque a Sociedade Torre de Vigia já sabia das práticas espíritas de Greber desde 1956. A Sentinela, (edição norte‑americana) de 15/02/1956, contém quase uma página inteira escrita para alertar os leitores contra Johannes Greber e sua tradução. Esta se refere ao seu livro intitulado Communication with the Spirit – World: Its Laws and Its Purpose (Comunicação com o Mundo Espiritual: Suas Leis e Seus Propósitos) e declara: “Obviamente os espíritos nos quais o ex‑pastor Greber acredita o ajudaram em suas traduções” (A Sentinela, edição norte‑americana, 15/02/56, p.111). Com exceção do Novo Testamento de Greber e a tradução distorcida da Sociedade Torre de Vigia, outras traduções da Bíblia são quase unânimes em traduzir João 1:1 como “…a Palavra era Deus”. E isto condiz com a declaração feita pelo apóstolo Tomé, também encontrada no Evangelho de João, chamando Jesus de “Senhor meu, e Deus meu!” (João 20:28). A Tradução do Novo Mundo das Testemunhas de Jeová ainda chama Jesus de “Deus” em João 20:28 e Isaías9:6.

De fato, sua Tradução Interlinear do Reino revela que no original grego é dito literalmente que Jesus é “o Deus” (HO THEOS) em João 20:28.

Qualquer um que acredita que o Pai é Deus, enquanto o Filho é “um deus” deveria ler Isaías 43 e 44, onde a palavra inspirada rejeita tal noção: “…antes de mim Deus nenhum se formou, e depois de mim nenhum haverá. Eu, eu sou o SENHOR, e fora de mim não há salvador … …Acaso há outro Deus além de mim? Não, não há Rocha; não conheço nenhuma” (Is. 43:10,11, 44:8, destaques acrescentados)

 (Para informações adicionais sobre a divindade de Cristo e os esforços dos tradutores da Torre de Vigia em esconder isto em sua Bíblia, veja as considerações sobre Gênesis 18‑1,2; Êxodo 3:14; Salmo 110‑1; Isaías 9:6; Daniel 10:13‑21; João 8:57,58; 20:28; e Hebreus 1:6.)

 João 3:3‑7

 Em resposta Jesus disse‑lhe: Digo‑te em toda a verdade: A menos que alguém nasça de novo, não pode ver o reino de Deus. …Vós tendes de nascer de novo (Tradução do Novo Mundo).

Mesmo que estas palavras apareçam em sua própria Bíblia, as testemunhas de Jeová não acreditam que devam nascer de novo. “Isto não se aplica a mim. Diz respeito aos 144 mil ungidos. Eu pertenço à ‘grande multidão’ que viverá na terra sob o domínio do Reino”. Esta é a resposta típica que uma testemunha de- Jeová dará quando alguém lhe perguntar se é nascida de novo. (Veja as considerações sobre João 10:16 e Apocalipse 7:4 e 7:9, para informações a respeito de suas opiniões sobre os 144 mil e a “grande multidão” de “outras ovelhas”.) A organização lhes tem especificamente ensinado que “as ‘outras ovelhas’ não necessitam de tal renascimento, porque sua meta é a vida eterna no paraíso terrestre restaurado, como súditos do Reino” (A Sentinela, edição norte‑americana, 15/02/86, p.14). 

O primeiro passo é pedir à testemunha para ler com você na própria versão da Torre de Vigia o que a Bíblia realmente diz a respeito de nascer de novo em João 3:3‑15. Destaque que Jesus não permitiu exceções quando diz: “a menos que alguém nasça de novo, não pode ver o reino de Deus” (v.3).

Então focalize 1 João 5: 1, onde a Tradução do Novo Mundo diz: “Todo o que crê que Jesus é o Cristo nasceu de Deus”. Pergunte à testemunha de Jeová se a expressão “todo o que crê” deixa alguém de fora. 

A seguir, conduza a testemunha para Gálatas 4:5,6, onde a Bíblia explica que “Cristo veio para que nós, em nossa parte, recebêssemos a adoção como filhos. Ora, visto que sois filhos, Deus enviou o espírito de Seu filho aos nossos corações e ele clama: ‘Aba, Pai!”‘ (Tradução do Novo Mundo). Pergunte‑lhe se foi adotada como um filho de Deus, recebendo pessoalmente o Espírito do Filho de Deus, Jesus Cristo, em seu coração, como é descrito aqui. Em harmonia com a doutrina da Torre de Vigia, ela responderá: “não!”.

Finalmente, volte‑se para Romanos 8. Primeiro, dirija a testemunha aos versículos 14‑16, mostrando‑lhe que o capítulo está discutindo o mesmo assunto: receber o “espírito de adoção” e clamar: “Aba, Pai!” ‑ que a testemunha diz não se aplicar a ela. Em seguida recorra a Romanos, início do capítulo 8, e leia com ela os versículos 1‑7, comentando o contraste entre andar na carne e “andar no espírito”. Assim você está preparado para chegar ao ponto crucial nos versículos 8‑9: 

De modo que os que estão em harmonia com a carne não podem agradar a Deus. No entanto, vós estais em harmonia, não com a carne, mas com o espírito. Se o espírito de Deus verdadeiramente morar em vós. Mas se alguém não tiver o espírito de Cristo, este não pertence a ele (Tradução do Novo Mundo, grifo acrescentado).

Lembre à testemunha que ela admitiu que não recebeu o espírito de Cristo para habitar em seu coração nascendo de novo pela adoção como filho  de Deus.  À luz dos versículos 8 e 9, portanto, poderá chegara qualquer conclusão a não ser a de que não pode agradara Deus, e que não pertence a Cristo? 

Neste ponto você provavelmente deverá reler com ela Romanos 8. Uma vez que a passagem é raramente discutida nos estudos bíblicos em classes no Salão do Reino, a maioria das testemunhas- de Jeová não tem consciência do que a passagem diz. Mas, quando uma testemunha finalmente compreende o seu significado, isso pode ter um efeito devastador. Eu sei muito bem disto ‑ porque, quando finalmente encontrei tais versículos, depois de treze anos na organização Torre de Vigia, eles me abalaram muito. Em pouco tempo eu estava confessando minha necessidade ao Salvador e orando para receber o Espírito de Cristo em meu coração. E ‑ glória a Deus! ‑ ele respondeu à minha oração. 

Não fique, porém, desapontado se a testemunha de Jeová com a qual você está conversando responder com um argumento ao invés de uma oração. No meu próprio caso, eu li Romanos 8 em um período em que várias semanas de exame de alma e intensa leitura da Bíblia já tinham me levado a deixar a organização. Normalmente isso leva um período considerável de tempo ‑ talvez mesmo meses ou anos ‑ para que a informação necessária penetre e produza mudanças na testemunha de Jeová. Plante cuidadosa-mente e regue pacientemente ‑ dessa forma Deus fará crescer! (I Cor. 3:6). 

João 4:23 

Não obstante, vem a hora, e agora é, quando os verdadeiros adoradores adorarão o Pai com espírito e verdade, pois, deveras, o Pai está procurando a tais para o adorarem (Tradução do Novo Mundo).

As testemunhas de Jeová geralmente usam este versículo em seu trabalho de pregação de porta em porta. Após cumprimentar o chefe da família, elas perguntam: “Quem você adora como Deus? Qual é o nome dele?” Se a resposta dada é “o Senhor”, ou “Deus”, as testemunhas respondem: “isto é um título. Qual é o nome de Deus?” Muitas pessoas, então, responderão: “Jesus!” Depois do que as testemunhas lerão João 4:23 e então comentarão:

“Vocês não são adoradores reais, porque vocês estão adorando o Filho. A Bíblia diz aqui que os verdadeiros adoradores adoram o Pai. Você sabe o nome do Pai?” Dessa forma as testemunhas de Jeová procedem à apresentação de seus argumentos padronizados sobre o nome Jeová.

Muitas das atividades de pregação das testemunhas seguem este mesmo tema: negação à divindade de Cristo, enquanto ensinam que apenas o Pai (Jeová) deve ser adorado. Para estabelecer esta doutrina, elas conduzem seus novos estudantes em um estudo dirigido pela Bíblia, cautelosamente evitando passagens como: Isaías 9:6; Mateus 28:9; João 1:1, 8:58,59, 20:28; Colossenses 2:9; Hebreus 1:6;e assim por diante ‑ tudo o que revele a divindade de Cristo e o acerto de prestar adoração a ele.

De fato, os tradutores da Torre de Vigia, ao prepararem A Tradução do Novo Mundo, foram cautelosos em traduzirem proskuneo (adoração, obediência, reverência) de uma maneira muito seletiva. Onde quer que a palavra seja usada como referência ao Pai, elas traduzem como “adoração”, mas onde quer que se refira ao Filho, traduzem como “reverência”. (Veja as considerações sobre Hebreus 1:6 para maiores detalhes.)

Após concordarem que o Pai deve ser adorado, pergunte à testemunha de Jeová se ela respeita os desejos do Pai em outras questões também. Naturalmente, sua resposta será “Sim!”. Então, dirija‑a em sua própria Bíblia para João 5:23, onde é dito que o Pai pede “que todos honrem o Filho, assim como honram o Pai…” Se a testemunha não dá venerável honra ao Filho, então sua adoração do Pai é vã, porque o mesmo versículo continua dizendo: “Quem não honra o Filho, não honra o Pai que o enviou.”

(Veja também Gênesis 18:1,2; Êxodo 3:14; Salmo 110:1; Isaías 9:6 Daniel 10:13‑21;e Hebreus 1:6.) 

João 6:53 

Da mesma forma, Jesus declarou: Digo‑vos em toda a verdade: a menos que comais a carne do Filho do homem e bebais o seu sangue, não tendes vida em vós mesmos (Tradução do Novo Mundo).

Este é um versículo importante para trazer à tona uma discussão com as testemunhas de Jeová. Elas foram instruídas a recusar não apenas a comunhão mas também rejeitar a vida nova que vem para todos os que creem no sangue derramado e no corpo crucificado de nosso Senhor. Se excluem da nova aliança ratificada pelo sangue de Cristo.

(Para sugestões de como discutir com elas esta questão, veja Mateus 26:27 e Apocalipse 7:9.) 

João 8:58 

Respondeu-lhes Jesus: E m verdade, em verdade vos digo que antes que Abraão existisse, eu sou.

Para evitar a implicação óbvia referente à divindade de Cristo, os tradutores da Torre de Vigia mudaram as palavras de Jesus em sua tradução onde se lê: “antes de Abraão vir à existência, eu tenho sido”.

(Veja as considerações sobre Êxodo 3:14, onde Deus revelou-se para Moisés como o “EU SOU”.) 

João 10:16 

Tenho ainda outras ovelhas que não são deste aprisco; a essas também me  importa conduzir, e elas ouvirão a minha voz; e haverá um rebanho e um pastor.

Se Jesus estava aqui chamando os crentes gentios do futuro de suas “outras ovelhas”, como é comumente compreendido, então ele estava sugerindo para seus discípulos judeus que haveria um tempo quando seu rebanho abrangeria um corpo mundial de crentes de todas as nacionalidades. Mas a Sociedade Torre de Vigia atribui um significado diferente a este texto. Ela contrasta as “outras ovelhas” com o “pequeno rebanho” mencionado em Lucas 12:32, onde o Senhor diz: “Não temas, ó pequeno rebanho! porque a vosso Pai agradou dar-vos o reino”; o “pequeno rebanho”, dizem as testemunhas de Jeová, são 144 mil crentes ungidos com o espírito que compõem o corpo de Cristo e irão para o céu, enquanto as “outras ovelhas” incluem todos os outros crentes – aqueles que receberam vida eterna na terra. A oportunidade de se tornar parte do “pequeno rebanho” terminou no ano de 1935, como conta sua história; desta forma, hoje mais de 99% das testemunhas de Jeová se consideram parte da classe das “outras ovelhas”.

Este problema poderia parecer quase acadêmico, exceto pelo fato de que aqueles que se vêem como as “outras ovelhas” se excluem assim não apenas do paraíso, mas também da nova aliança mediada por Cristo e de tudo o que a Bíblia promete aos membros do corpo de Cristo.

(Para refutar a doutrina de que os cristãos estão divididos nas classes celeste e terrestre, veja as considerações sobre Apocalipse 7:4 [a respeito do “pequeno rebanho” de 144 mil] e Apocalipse 7:9 [a respeito da “grande multidão” das “outras ovelhas”]).

Além da vasta maioria de testemunhas de Jeová, a Sociedade Torre de Vigia também lança todos os crentes pré‑cristãos na classe das “outras ovelhas” com uma esperança terrestre. Desse modo, as testemunhas acreditam que Abraão, Isaque, Jacó, os profetas, e assim por diante, não vão para o paraíso. A melhor resposta a isto é ler o capítulo 11 de Hebreus, o qual se refere a vários crentes pré‑cristãos, homens e mulheres (incluindo os patriarcas e os profetas), e então diz deles que: “eram estrangeiros e peregrinos na terra… Mas agora desejam uma pátria melhor, isto é, a celestial. Pelo que também Deus… lhes preparou uma cidade” (Heb. 11:13‑16). Que cidade na pátria celestial? Evidentemente, a “cidade do Deus vivo, a Jerusalém celestial” (Heb. 12:22).

(Veja também as considerações sobre Salmos 37:9,11,29,115:16; Mateus 23:43; e Apocalipse 7:9). 

João 14:28 

Se me amásseis, alegrar‑vos‑íeis de que eu vá para o Pai; porque o Pai é maior do que eu.

Este é o versículo favorito das testemunhas de Jeová ao argumentarem contra a divindade de Cristo. Elas começam citando “o credo atanasiano” : “Nesta trindade ninguém está antes, ou depois do outro; ninguém é maior ou menor que o outro. Mas todas as três pessoas são co‑eternas e co‑iguais.” Então elas lerão as palavras de Jesus que dizem que o Pai é maior do que o Filho, ao contrário de “igual”, como diz aquele credo. 

Não deixe que as testemunhas de Jeová o atraiam para esta armadilha. Lembre‑lhes que Jesus estava falando em uma época em que tinha feito como é mencionado em Filipenses 2:6,7: “O qual, subsistindo em forma de Deus, não considerou o ser igual a Deus coisa a que se devia aferrar, mas esvaziou‑se a si mesmo, tomando a forma de servo, tornando‑se em semelhante aos homens.” Naturalmente, então, Cristo poderia falar do Pai como sendo “maior que eu”. O Filho tinha até mesmo se tornado “menor que os anjos”, em função de agir como Salvador dos homens (Heb. 2:9).

(Veja também as considerações sobre Isaías 9:6; João 1:1, 20:28; e Apocalipse 1:7,8.) 

João 16:13 

Quando vier, porém, aquele, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá o que tiver ouvido, e vos anunciará as coisas vindouras.

A série completa dos versículos de João 16:7‑15 é uma excelente passagem à qual se pode recorrer quando estivermos discutindo sobre o Espírito Santo com as testemunhas de Jeová. As testemunhas de Jeová negam tanto a divindade quanto a personalidade do Espírito Santo, afirmando ao invés disso que “ele” é simplesmente uma “força ativa” impessoal. Mas aqui, Jesus claramente referiu‑se ao Espírito Santo como “Ele” (um pronome pessoal) e descreveu o Espírito como conversando, ouvindo, falando, e assim por diante ‑ atividades de natureza pessoal.

(Veja também Gênesis 1:1,2; Mateus 3:11; Atos 2:4, 5:3,4 e I Coríntios 6:19.) 

João 17:3 

Isto significa vida eterna, que absorvam conhecimento de ti, o único Deus verdadeiro, e daquele que enviaste, Jesus Cristo (Tradução do Novo Mundo).

Um dos versículos citados mais freqüentemente pelas testemunhas de Jeová que batem à porta é João 17:3. Elas o usam de duas maneiras diferentes: 

Primeira, apesar da maioria das traduções apresentarem o grego como “conhecer” a Deus, a versão da Torre de Vigia diz “tomando conhecimento”. Isto habilita as testemunhas a usarem este versículo ao oferecerem aos ouvintes “um estudo grátis da Bíblia” para receberem “o conhecimento de Deus”. Aqueles que aceitam a oferta são rapidamente desviados da Bíblia para um dos muitos livros publicados pela Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados.

Depois disso, as pessoas que estudam com as testemunhas estão “sempre aprendendo, mas nunca podendo chegar ao pleno conhecimento da verdade” (II Tim.3:7). O próprio Jesus Cristo revelou que ele é: “o caminho, e a verdade, e a vida”, e que “ninguém vem ao Pai, senão por mim (João 14:6). Os “fatos” que continuam enchendo as mentes das testemunhas nunca suprem a falta de um verdadeiro conhecimento de Jesus, a verdade viva. 

Isto se assemelha à situação de um jovem admirador de um famoso astro do cinema que tenha visto todos os seus filmes, lido todos os volumes de seu material biográfico, e decorado suas paredes com retratos de seu astro. Todavia, todo esse conhecimento nunca poderá chegar ao tipo de relacionamento desfrutado pelo filho adotivo desse astro, que vive em relação íntima com ele. O cristianismo real envolve a adoção por Deus como seu filho, e realmente o vir a conhecê‑lo (veja Gál. 4:5‑9; Rom. 8:14‑39). O “conhecimento” fornecido pela Torre de Vigia nunca pode se igualar a este.

A segunda forma em que as testemunhas de Jeová usam João 17:3 é para negar a divindade de Cristo. Elas mostram que Jesus chamou o Pai de “o único Deus verdadeiro” e fazem distinção entre “tu, o único Deus verdadeiro” e”aquele que enviaste, Jesus Cristo”. É claro, a relação do Pai, Filho e Espírito Santo dentro da trindade é uma questão que até mesmo os cristãos mais ortodoxos podem ver no máximo “como através de um espelho, obscura-mente”, enquanto nós desejamos ansiosamente estar com Deus e, só então, vê‑lo “face a face” (I Cor. 13:12).

Mas agora podemos ver claro o suficiente para saber que a Sociedade Torre de Vigia está distorcendo João 17:3.

Se a referência ao Pai como “o único verdadeiro Deus” significasse a exclusão do Filho da divindade, então o mesmo princípio de interpretação se aplicaria a Judas 4, onde Cristo é chamado “nosso único dono e senhor” (Tradução do Novo Mundo, grifo acrescentado). Isto excluiria o Pai do senhorio e da propriedade. As testemunhas falam ainda do Pai como “o Senhor Jeová”, contudo Judas 4 chama Jesus de nosso “único” Senhor. E o Espírito Santo é chamado “Senhor” em II Coríntios 3:17. Obviamente, o uso da palavra único não é exclusiva com referência ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Jesus sendo chamado nosso “único” Senhor não exclui o senhorio do Pai e do Espírito Santo, e o Pai sendo chamado “o único” Deus verdadeiro não exclui o Filho e o Espírito Santo da divindade.

(Veja também as considerações sobre Gênesis 18:1,2; Êxodo 3:14; Salmo 110:1;Isaías 9:6; João 1:1, 20:28; e Apocalipse 1:7,8.) 

João 20:25 

Conseqüentemente, os outros discípulos diziam‑lhe: Temos visto o Senhor! Mas, ele lhes disse: A menos que eu veja nas suas mãos o sinal dos pregos e ponha o meu dedo no sinal dos pregos, e ponha minha mão no seu lado, certamente não acreditarei (Tradução do Novo Mundo).

Os cristãos fazem bem em discutir esta passagem com as testemunhas de Jeová que negam que Jesus morreu em uma cruz.

Negar que Jesus morreu na cruz é uma doutrina básica das testemunhas de Jeová. De fato, as testemunhas consideram qualquer um que acredita na cruz um “falso beato pagão”. Ao invés disto, a Sociedade Torre de Vigia ensina que Jesus foi pregado em uma “estaca de tortura” ‑ um poste vertical, como um mastro de bandeira, sem nenhuma trave horizontal. Em qualquer lugar onde a palavra cruz é mencionada, em outras Bíblias, a Tradução do Novo Mundo usa a expressão estaca de tortura.

A ilustração da morte do Senhor em seus livros mostram Jesus com seus braços colocados juntos, logo acima da cabeça, com um único cravo pregando ambas as mãos na estaca. Durante anos, todas as publicações da Sociedade Torre de Vigia descreveram a morte de Jesus desta forma ‑ com um único cravo pregando suas mãos a uma “estaca de tortura”. Mas, o que dizem as Escrituras? Era um cravo que pregava as mãos de Jesus acima de sua cabeça,  ou  eram dois cravos  que pregavam suas mãos nos finais opostos do travessão da cruz? Em João 20:25, a Bíblia nos diz que o após-tolo Tomé disse o que é relatado no versículo acima. Mesmo na Bíblia da Torre de Vigia, Tomé falou dos “pregos” (plural) nas mãos de Jesus ‑ não um único prego, como nas ilustrações da Torre de Vigia.

Portanto, apesar de os líderes das Testemunhas de Jeová terem retirado a palavra cruz de suas Bíblias, eles se descuidaram em não retirar o segundo cravo das mãos de Jesus ‑ retendo, portanto, a evidência de que ele morreu por crucificação, ao invés de por fixação em estaca de tortura como ensinam. 

João 20:28 

Em resposta Tomé disse‑lhe: Meu Senhor e meu Deus! (Tradução do Novo Mundo).

Sim, este versículo realmente aparece na Bíblia das Testemunhas de Jeová! Talvez mude nas edições futuras, mas, enquanto ainda estiver lá, nós podemos indicá-lo para as testemunhas de Jeová, em nossas conversas a respeito da divindade de Cristo. Tomé, apesar deter duvidado por mais tempo que os outros apóstolos, finalmente veio a aceitar Cristo como Senhor e Deus ‑ não “um deus” como os líderes da Torre de Vigia têm traduzido de forma errônea em João 1:1, mas “Deus”, como as palavras de Tomé demonstram.

As testemunhas de Jeová acham este versículo muito difícil de se discutir porque não admitem o simples fato de que ele declara a divindade de Cristo. Tipicamente, elas tentam discuti‑lo de duas maneiras:

Primeiro, a testemunha de Jeová menos instruída pode tentar refutar o versículo dizendo: “Tomé estava apenas exclamando sua surpresa. Se víssemos um amigo retornar da morte, nós, também, diríamos: ‘oh! Meu Deus!’ em total surpresa. Tomé não quis dizer nada com isso!”

Se uma testemunha usar esta abordagem, nós devemos perguntar-lhe: “Você está dizendo que Tomé estava usando o nome de Deus em vão? Isto seria blasfêmia! Tomé certamente não faria isso!”  Então,  mostre‑lhe  que  no  próximo  versículo Jesus comentou o que Tomé havia dito. Se Tomé tivesse dito “Deus” em vão, Jesus certamente o teria repreendido por isso, mas, ao invés, ele reconheceu que Tomé tinha finalmente “acreditado”. Acreditado em quê? Que Jesus Cristo é Senhor e Deus! 

Segundo, uma testemunha mais sofisticada seguirá a abordagem sugerida na página 213 do livro da Sociedade Torre de Vigia de 1985, Reasoning from the Scriptures [Raciocínios à Base das Escrituras]. Ela mencionará que o capítulo 20 de João termina dizendo: “estes, porém, estão escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus…” (v. 31). Para a testemunha de Jeová, o fato de que o Pai é Deus, e que Jesus é o Filho do Pai, automaticamente nega a divindade do Filho. Mas isto não é o que as Escrituras ensinam. (Veja os versículos relacionados abaixo.) A testemunha pode também citar João 20:17, onde Jesus refere‑se ao Pai como “meu Deus”, como a tão falada prova de que Jesus não é Deus. Contudo, em Hebreus 1:10, o Pai chama o Filho “Senhor” ‑ obviamente sem colocar em dúvida o fato de que o Pai, também , é “Senhor”. 

Visto que as testemunhas de Jeová referem‑se a Jesus como “um deus” em contraste com o Pai, o qual eles chamam “o Deus”, você pode levar a testemunha de Jeová a procurar João 20:28 em sua própria Tradução Interlinear do Reino (1985). Palavra por palavra nos textos gregos mostram que Tomé literalmente chamou Jesus “o meu Senhor e o meu Deus!” 

(Veja também Gênesis 18:1,2; Isaías 9:6; Daniel 10:13‑21, 12:1; João 1:1; Apocalipse 1:7,8; e outros versículos pertinentes relacionados no Índice de Assuntos.)

 Atos

 Atos 1:5 

Porque, na verdade, João batizou em água, mas vós sereis batizados no Espírito Santo, dentro de poucos dias.

(Veja as considerações sobre Mateus 3:11, que tratam do mesmo assunto.)

Atos 2:4 

Todos eles ficaram cheios do espírito santo (Tradução do Novo Mundo).

O livro da Torre de Vigia de 1982, You Can Live Forever in Paradise on Earth (Poderá Viver Para Sempre no Paraíso na Terra), diz: “‘Todos eles ficaram cheios do espírito santo’. (At.2:4). Eles ficaram ‘cheios’ de uma pessoa? Não, mas ficaram cheios da força ativa de Deus. Portanto, os fatos tornam claro que a trindade não é um ensinamento bíblico… Como o espírito santo poderia ser uma pessoa, sendo que encheu cerca de 120 discípulos ao mesmo tempo?” (p.40‑41). E a nota de rodapé da página 41 pergunta: “Como o derramamento do espírito santo nos seguidores de Jesus prova que ele não é uma pessoa?” 

Estes argumentos das testemunhas não provam nada disso. Se o derramamento do Espírito Santo (At. 2:33, 10:45; e assim por diante) fosse evidência contra sua personalidade, então o apóstolo Paulo também não seria uma pessoa, porque Paulo escreveu acerca de si mesmo: “eu esteja sendo derramado…” (Fil. 2:17, Tradução do Novo Mundo) e: “…já estou sendo derramado…” (11 Tim. 4:6, Tradução do Novo Mundo). Uma vez que o apóstolo Paulo, obvia-mente uma pessoa real, poderia ser mencionado na Bíblia como sendo “derramado”, então a mesma expressão dizendo respeito ao Espírito Santo dificilmente poderia ser usada como uma prova contra a personalidade do Espírito.

Da mesma forma, a profecia do Antigo Testamento diz de Jesus Cristo, “fui derramado como água” (Sal. 22:14, Tradução do Novo Mundo). Por esta razão, aplicar os argumentos da Torre de Vigia fariam também dele uma simples força impessoal. Obvia-mente, este argumento é uma ilusão.

Mas, e a respeito do problema dos discípulos serem “cheios” com o Espírito Santo? Ao invés de sustentar o que as testemunhas -de Jeová acreditam, este versículo realmente prova o oposto: a saber, que o Espírito Santo é o próprio Senhor Deus.  Ele é  quem “a    tudo  enche  em  todas  as  coisas”  (Ef. 1:23),  “que cumpre tudo em todas as coisas” (Imprensa Bíblica Brasileira). Mesmo a Tradução do Novo Mundo das Testemunhas de Jeová se refere a ele “que em tudo preenche em todas as coisas” em Efésios 1:23. Pergunte à testemunha de Jeová se este “ele” que preenche todos os discípulos não é uma pessoa divina.

A seguir, mostre‑lhe que o Espírito Santo pode falar (At. 13:2), testemunhar (João 15:26), “dizer o que ele ouve” (João 16:13) e “sentir‑se magoado” (Is.63:10, Tradução do Novo Mundo).

Finalmente, peça‑lhe para ler II Coríntios 3:17. A maior parte das traduções deste versículo diz: “o Senhor é o Espírito.” A Bíblia da Torre de Vigia diz: “Jeová é o Espírito.” Obviamente as Escrituras ensinam que o Espírito Santo é uma pessoa divina ‑ ninguém além do próprio Deus.

(Veja também as considerações sobre Mateus 3:11; João 16:3; Atos 5:3,4; e I Coríntios 6:19.)

Atos 5:3,4

 Disse então Pedro: Ananias, por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo e retivesses parte do preço do terreno? …Não mentiste aos homens, mas a Deus.

  Convide uma testemunha de Jeová a ler esta passagem; então pergunte‑lhe para quem Ananias mentiu. Pedro menciona isto duas vezes: ele mentiu para o Espírito Santo; ele mentiu para Deus. Isto revela que o Espírito Santo é uma pessoa ‑ (Como alguém poderia mentir para uma “força”?) ‑ e que esta pessoa é Deus.

Você pode ter que ler esta passagem várias vezes com a testemunha antes que ela comece a compreender estes versículos. As testemunhas de Jeová estão tão acostumadas a pensar no Espírito Santo como “isto” ‑ “força ativa de Jeová” ‑ que suas mentes têm dificuldade até mesmo de cogitar o pensamento do Espírito Santo como uma pessoa.

Uma passagem não será suficiente para convencer a testemunha da personalidade e divindade do Espírito Santo. Veja também nossas considerações sobre João 16:13; Romanos 8:26,27; e I Coríntios 6:19. A testemunha pode ainda fazer objeção à personalidade do Espírito, dizendo que o Espírito Santo pode ser ” derramado”, e que as pessoas podem ser “cheias” e “batizadas” no Espírito Santo. Se tais argumentos forem usados, veja nossas considerações sobre Mateus 3:11 e Atos 2:4.

 Atos 7.59,60

 Apedrejavam, pois, a Estêvão que orando, dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito! E pondo‑se de joelhos, clamou com grande voz: Senhor, não lhes imputes este pecado. Tendo dito isto, adormeceu…

As testemunhas de Jeová nunca se dirigem a Jesus em oração. Elas foram instruídas que suas orações devem ser dirigidas apenas ao Pai e que devem chamá-lo “Jeová”. Se uma testemunha fosse ouvida orando a Jesus, seria julgada por um Comitê Judicial e desassociada, a menos que se arrependesse de seu “pecado”.

Mas a passagem das Escrituras mencionada acima mostra claramente Estêvão orando a Jesus Cristo, o Senhor ressurreto. (A Bíblia das Testemunhas de Jeová trocou a palavra “Senhor” no v.60 para “Jeová”, mas o v.59 ainda diz “Jesus”.)

Uma testemunha pode alegar que Estêvão não estava orando a Jesus; estava simplesmente falando com ele face a face, porque teve uma visão. Neste caso, peça à testemunha de Jeová para ler o contexto. A visão mencionada no versículo 56 tomou lugar quando Estêvão estava em Jerusalém, sendo julgado perante a corte do Sinédrio. Quando disse aos judeus que tivera uma visão de Cristo no céu à direita do Pai, eles se enfureceram. Terminado o julga-mento, arrastaram Estêvão para fora do recinto, conduziram-no pelas ruas da cidade, escoltaram-no por todo o caminho para fora da cidade (v. 57), e então o apedrejaram. Esses acontecimentos, naturalmente, tomaram um considerável espaço de tempo. Não existe indicação de que esta visão se repetiu novamente fora da cidade. No momento de seu apedrejamento, certamente como as Escrituras declaram, estava orando a Jesus. 

Atos 15:28,29

 Porque pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor maior encargo alem destas coisas necessárias:  Que  vos  abstenhais  das  coisas  sacrificadas  aos  ídolos,  e do sangue, e da carne sufocada, e da prostituição; e destas coisas fareis bem de vos guardar. Bem vos vá.

As testemunhas de Jeová usam este versículo, juntamente com regulamentos dietéticos do Antigo Testamento, para sustentar a proibição de sua organização contra transfusão de sangue.

Elas vêem a passagem acima como uma lei de Deus, estendendo a proibição dietética judaica sobre as congregações cristãs futuras. Mas a igreja primitiva tratava esta carta apostólica como uma determinação permanente? Obviamente, a idolatria é permanentemente proibida, mas e a respeito dos outros preceitos mencionados na carta? E a respeito de se oferecer carne aos ídolos? Paulo discutiu este assunto demoradamente em sua Primeira Carta aos Coríntios, indicando que “um ídolo nada é” e que “não somos piores se não comermos, nem melhores se comermos”. Ele argumenta contra comer tal carne, quando isto se torne um obstáculo para os novos crentes que apenas recentemente abandonaram a adoração idólatra. (Veja 1 Cor. 8:1‑13.) Mas, geralmente, os cristãos são livres para comer “de tudo quanto se vende no mercado, nada perguntando por causa da consciência” e para comer “de tudo o que puser diante de vós” na casa de incrédulos (I Cor. 10:25‑27).

Desse modo, a parte da carta de Atos 15 que se refere a carnes oferecidas aos ídolos não deve ter sido vista como uma determinação permanente para a igreja. Não existem fundamentos, então, para se afirmar que a declaração acerca do sangue tem força hoje também.

Mas, mesmo que tenha, as Escrituras estão referindo-se a dieta alimentar, e não a transfusão de sangue. Tomar uma regulamentação dietética e estendê-la ao ponto de negar um processo médico para se salvar a vida de um homem à morte é fazer como os judeus fariseus que ficaram furiosos quando Jesus curou um homem no sábado (Luc.6:6‑11).A carta publicada em 8 de dezembro de 1984 na edição do The Concord Monitor (New Hampshire) fala de anciãos das Testemunhas de Jeová interrogando um paciente terminal de câncer em um hospital e desassociando-o em seu leito de morte porque aceitara uma transfusão de sangue. Nós facilmente poderíamos imaginar os fariseus fazendo a mesma coisa ‑ mas agiria Jesus dessa forma? 

(Veja também as considerações sobre Gênesis 9:4 e Levítico 7:26, 27.) 

Romanos 

Romanos 8:8,9 

… os que estão na carne não podem agradar a Deus. Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele.

Esta passagem é muito útil para demonstrar às testemunhas de Jeová sua necessidade de nascer de novo como filhos de Deus. Elas esperam agradar a Deus com o trabalho do qual se ocupam. Mas ainda estão na carne, e, portanto, “não podem agradar a Deus”, não importando o quanto trabalhem.

(Iniciando com o versículo 1, leia com a testemunha de Jeová todo o capítulo de Romanos 8, especialmente e inclusive o versículo 17. Veja também nossas considerações sobre João 3:3.). 

Romanos 8:26,27 

Do mesmo modo também o Espírito nos ajuda na fraqueza; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o Espírito mesmo inter-cede por nós com gemidos inexprimíveis. E aquele que esquadrinha os corações sabe qual é a intenção do Espírito: que ele, segundo a vontade de Deus, intercede pelos santos.

As testemunhas de Jeová raramente encontram esta passagem em seus “estudos bíblicos” pré‑organizados porque seus líderes preferem saltá-la ou ignorá-la. Ela simplesmente não se encaixa em suas concepções do Espírito Santo como uma “coisa” ‑ uma “força ativa” impessoal.

Convide a testemunha de Jeová a ler estes versículos com você, e então faça algumas perguntas: Uma “força” pode fazer inter-cessão por nós? Uma “força” tem mente? A própria Tradução do Novo Mundo das Testemunhas diz que o Espírito “implora” por nós (v.26). Pode uma força impessoal implorar por pessoas?

(Para ajudar a testemunha a meditar mais profundamente sobre a personalidade e divindade do Espírito Santo, convide-a a considerar também João 16:13; Atos 5:3,4; e I Coríntios 6:19. [Veja os comentários sobre estes versículos.]) 

Romanos 14:7‑9 

Porque nenhum de nós vive para si, e nenhum morre para si. Pois se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. De sorte que, quer vivamos quer morramos, somos do Senhor. Porque já foi para isto mesmo que Cristo morreu e tornou a viver, para ser Senhor tanto de mortos como de vivos.

Este é um excelente exemplo para se demonstrar que a Bíblia das Testemunhas de Jeová é uma tradução distorcida, contendo vários versículos que foram alterados para se encaixarem nas doutrinas da Torre de Vigia.

Como se lê na versão acima, e virtualmente em todas as outras traduções, esta passagem mostra nossa relação com Cristo tanto na vida quanto na morte. O versículo 9 é logicamente ligado ao que o precede nos versículos 7 e 8. Mas, agora, note o quanto os tradutores da Torre de Vigia mudaram o versículo em suas Bíblias: 

Nenhum de nós, de fato, vive somente para si mesmo, e ninguém morre somente para si mesmo; quer vivamos, vivemos para Jeová, quer morramos, morremos para Jeová. Portanto, quer vivamos, quer morramos, pertencemos a Jeová. Pois, para este fim morreu Cristo e passou a viver novamente, para que fosse Senhor tanto sobre os mortos como [sobre] viventes (Rom. 14:7‑9, Tradução do Novo Mundo).

Traduzindo a mesma raiz grega Kyrios como “Jeová” nos versículos 7 e 8,e como “Senhor” no 9, a Torre de Vigia faz com que o versículo 9 não dê seqüência lógica aos anteriores. Lembrando que os líderes das Testemunhas de Jeová ensinam que “Jeová” é o nome de Deus Pai apenas, e que Jesus Cristo é um mero ser criado (um anjo), podemos perceber que eles mudaram totalmente o sentido desta passagem. Em sua tradução, o objeto da discussão, no caso Deus, passa a ser uma de suas criaturas como se lê nos versículos 8 e 9, e portanto o versículo 9 não é mais ligado, logicamente, com o versículo anterior. Você não precisa ser um erudito em grego para ver que alguma coisa está errada com a tradução da Sociedade Torre de Vigia. 

Na Bíblia das Testemunhas de Jeová, em Romanos 14:7‑9, tem‑se a impressão de que se está falando de duas pessoas diferentes. Ainda, uma rápida consulta na própria Tradução Inter-linear do Reino demonstra que a mesma palavra raiz, Kyrios (“Senhor”), aparece em três versículos. Com o objetivo de ser consistente, a tradução deveria usar “Senhor” por toda a passagem.

Mas por que os tradutores da Sociedade Torre de Vigia não traduziram Kyrios como “Jeová” em todos os três versículos? Porque desta forma se leria: “Nenhum de nós, de fato, vive somente para si mesmo, e ninguém morre somente para si mesmo; quer vivamos, vivemos para Jeová, quer morramos, morremos para Jeová. Portanto, quer vivamos, quer morramos, pertencemos a Jeová. Pois para este fim morreu Cristo e passou a viver novamente, para que fosse Jeová tanto sobre os mortos como sobre os viventes” ‑ um pensamento totalmente inaceitável na teologia da Torre de Vigia!

De muitas outras maneiras, a Tradução do Novo Mundo distorce versículos para se encaixarem na doutrina da organização. Ao invés de ser chamada a versão da Bíblia da Torre de Vigia, ela deveria ser chamada sua perversão da Bíblia.

(Veja também nosso capítulo 2, “A Bíblia Que as Testemunhas de Jeová Usam”.) 

1 Coríntios 

1 Coríntios 1:10 

Rogo‑vos, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que sejais concordes no falar, e que não haja dissensões entre vós; antes unidos no mesmo pensamento e no mesmo parecer. 

A Sociedade Torre de Vigia usa este versículo para impor sobre seus seguidores um grau de conformidade quase inacreditável para nós. Mas, ao invés de se irritar com isso, as testemunhas orgulham-se de sua total obediência à Sociedade, como evidência de que são os únicos cristãos verdadeiros, porque só entre elas “todos falam de acordo” e são “unidas na mesma mente e na mesma maneira de pensar” (I Cor. 1:10, Tradução do Novo Mundo).

São especialmente instruídas a “não aceitar ou ler a literatura religiosa das pessoas que encontram” (A Sentinela, edição norte–americana, 01/05/84, p.31), não dar ouvidos a “críticas contra a organização de Jeová” (A Sentinela, edição norte‑americana, 15/05/84, p. 17) e não proferir palavras “expressando críticas à maneira pela qual os anciãos designados estão lidando com os problemas” (A Sentinela, edição norte‑americana, 15/01/84, p. 16). As testemunhas devem até mesmo “evitar pensamentos independentes… questionando o conselho que é fornecido pela visível organização de Deus”, e “lutar contra pensamentos independentes” (A Sentinela, edição norte‑americana, 15/01/83, p. 22, 27).

Mas, quis o apóstolo Paulo, ao escrever aos coríntios, dizer que deveriam não apenas terminar com suas divisões cismáticas, mas também submeter‑se totalmente a alguns líderes humanos, em inquestionável obediência ‑ como robôs sem mente? Dificilmente! Outra carta de Paulo aos romanos revela que existia espaço suficiente para liberdade individual na igreja primitiva: 

Um acha que pode comer de tudo, ao passo que o fraco só come verdura. Quem come não despreze aquele que não come; e aquele que não come não condene aquele que come; porque Deus o acolheu… H á quem faça diferença entre dia e dia e há quem ache todos os dias iguais: cada um siga sua própria convicção (Rom. 14:2‑5, A Bíblia de Jerusalém). 

Como cristãos, nós devemos certamente estar unidos no fundamento de nossa fé, todos unidos em seguir a Cristo como Senhor e tendo-o como nosso Salvador, mas existindo também espaço para diversidade. Poderíamos até mesmo discordar em questões a ponto de exigir uma reunião, sem a presença dos que têm opinião diferente. Por exemplo, seria difícil para aqueles que comem carne e para os vegetarianos compartilhar de um banquete, e aqueles que não observam um “dia santo”, em particular, normalmente não participariam do culto com outros que o celebram. Mas tais discordâncias não deveriam permitir que se quebre o elo de amor que nos une como irmãos e irmãs em Cristo. Mesmo que nosso irmão pense de maneira diferente sobre certos assuntos, nós deveríamos acolher “o fraco sem discutir suas opiniões” (Rom. 14:1,  A Bíblia de Jerusalém).  Mostre à  testemunha  de Jeová que isso não é conformidade, mas amor, que é “o perfeito vínculo de união” (Col. 3:14, Tradução do Novo Mundo).

Ao discutir sobre este problema com a testemunha, você deve admitir livremente que os cristãos lamentam as divisões que infestam a igreja. Algumas dessas divisões são devidas a tradições que se desenvolveram através dos séculos em diferentes localidades devido à separação geográfica e barreiras idiomáticas. Outras são o resultado de diferenças sinceras de opinião entre homens que igual-mente respeitam a Bíblia e aceitam o senhorio de Cristo, mas que chegaram a diferentes conclusões nas áreas sobre o que a Escritura fala ambiguamente ou nada-fala. A solução, entretanto, não repousa sobre alguns líderes de organizações que se levantam e anunciam ao mundo: “Todos devem concordar conosco! Assim nós teremos todos ‘uma mente’ como verdadeiros cristãos.” Esta abordagem foi tentada muitas vezes, e isto leva, apenas, a divisões ainda mais profundas. De fato, existem vários grupos religiosos exclusivistas que se declaram “os únicos cristãos verdadeiros”; a Sociedade Torre de Vigia é apenas uma entre muitas. Encontrar aqueles que concordam com você, e então excluir o resto do mundo, não é a fórmula para a verdadeira unidade cristã.

Sugira também à testemunha que observe uma área na qual a Sociedade Torre de Vigia viola especificamente a admoestação bíblica. A questão dos feriados ou dias santos. Como nós notamos acima, Romanos 14:5,6 dá margem para cristãos individualmente observarem dias especiais que outros cristãos talvez não observem. Ainda assim, as testemunhas de Jeová que ousarem celebrar Natal ou Páscoa ou Dia de Ação de Graças (ou mesmo Dia das Mães!) são imediatamente colocadas em julgamento perante um Comitê Judicial e desassociadas ‑ totalmente separadas dos amigos e da família.

(Para maiores considerações sobre a conformidade das testemunhas de Jeová nas instruções da Sociedade Torre de Vigia, veja Mateus 24:45; e Apocalipse 19:1.) 

1 Coríntios 6:19 

Ou não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que habita em vós, o qual possuis da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos?

Use a seguinte argumentação quando discutir com uma testemunha de Jeová, a respeito da divindade do Espírito Santo:

Ao lado do templo do verdadeiro Deus na antiga Jerusalém, as Escrituras mencionam muitos outros templos ‑ por exemplo: o templo de Dagom (I Sam. 5:2), o templo de Júpiter (At. 14:13), o templo de Diana (At. 19:35), e assim por diante. Cada um era o templo de alguém, ou do Deus verdadeiro ou de um deus falso. Mas a Bíblia também mostra que o corpo físico de cada cristão individualmente se torna um templo. Templo de quem? Um “templo do Espírito Santo” (I Cor. 6:19).

Não reconhecendo o Espírito Santo como uma pessoa, a saber, o próprio Deus, os seguidores da Torre de Vigia acham impossível de se compreender estes ensinamentos das Escrituras: que Deus se torna personalidade presente dentro de cada crente. Ainda assim, sua própria Tradução Interlinear do Reino, traduzida do grego palavra por palavra, diz: “… o seu corpo habitação divina do espírito santo que está em vós em…” Obviamente, estas palavras indicam que o Espírito Santo é divino e que ele habita nos cristãos.

A promessa deste relacionamento íntimo com Deus foi dada por Jesus quando ele disse: “… Eu pedirei ao Pai e ele dará a vocês outro Consolador, e Este nunca deixará vocês. É o Espírito Santo, o Espírito que conduz a toda verdade” (João 14:16,17, O Novo Testamento Vivo). Ore para que as testemunhas de Jeová venham a conhecer a Deus desta forma íntima.

(Veja também as considerações sobre João 16:13; e Atos 5:3,4.) 

1 Coríntios 8:6 

Todavia para nós há um só Deus, o Pai, de quem são todas as coisas e para quem nós vivemos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual existem todas as coisas, e por ele nós também.

“Existe somente um Deus”, diz a testemunha de Jeová usando este versículo, “e quem é ele? O Pai! Portanto, Jesus não é Deus”. Entretanto, existe uma brecha em sua linha de pensamento. Não a deixe para lá; faça‑a aplicar a mesma linha de raciocínio ao resto do versículo. Desta forma ela terá que dizer “existe somente um Senhor, e quem é ele? Jesus Cristo! Então o Pai não é Senhor”. É claro, a testemunha de Jeová não quer chegar a esta conclusão, porque sempre fala de Jeová como “Senhor”. Mostre‑lhe que não pode haver um sem o outro. Ela não pode fazer com que a primeira metade do versículo exclua Jesus como Deus, sem fazer com que a segunda metade exclua o Pai de ser Senhor.

O fato é que as Escrituras usam os termos Deus e Senhor virtual-mente de modo intercambiável. Os vários falsos deuses são chamados de “deus” e “senhor”. O Pai é chamado de “Deus e Senhor” e ao Filho também se aplicam ambos os termos. O apóstolo Tomé se dirigiu a Jesus como “meu Senhor e meu Deus” (João 20:28). Os líderes da Torre de Vigia têm ensinado seus discípulos a verem em 1 Coríntios 8:6 um contraste que não existe.

(Veja também as considerações sobre Isaías 9:6; João 1:1, 17:3, 20:28; e Apocalipse 1:7,8.) 

1 Coríntios 11:3 

Quero, porém, que saibais que Cristo é a cabeça de todo homem, o homem a cabeça da mulher, e Deus a cabeça de Cristo.

As testemunhas de Jeová também usam estes versículos em suas tentativas de negar a divindade de Jesus Cristo. Mas esta passagem não sustenta a doutrina da Torre de Vigia de que Cristo era um anjo criado por Deus. Ela simplesmente mostra a aplicação do princípio da liderança.

Dentro da família humana, a cabeça da mulher é o homem. Isto significa que as mulheres são uma forma de vida inferior ao homem? As mulheres são de alguma forma inferiores aos homens? De maneira alguma! Este é apenas um arranjo de Deus ‑ que alguém aja como cabeça, e ele designou este papel ao homem. Desta forma, dentro da divindade o Pai age como cabeça sem diminuir a total divindade do Filho.

(Veja também nossas considerações sobre Isaías 9:6; João 1:1, 20:28; Colossenses 2:9; e Apocalipse 1:7,8.) 

Colossenses 

Colossenses 1:15 

O qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação.

 As testemunhas de Jeová citam também este versículo para “provar” que Jesus Cristo não é Deus, mas sim o primeiro anjo que  

Deus criou. Entretanto, a palavra primogênito na Bíblia quer dizer necessariamente o primeiro que nasceu ou que foi criado? Absolutamente não! O termo é freqüentemente usado nas Escrituras para significar prioridade em importância ou posição, mais que uma ordem de nascimento.

Por exemplo, peça à testemunha para se dirigir ao Salmo 89:27. Este versículo fala a respeito do rei Davi, que era o mais novo, ou o último nascido de Jessé ‑ tão distante quanto poderia estar de ser literalmente primogênito. Mas note o que Deus diz sobre ele no Salmo: “Também, eu mesmo o colocarei como primogénito” (Tradução do Novo Mundo). Claramente, Deus não reverteu a ordem do nascimento de Davi; ele não estava falando a respeito de ordem de nascimento. O que o Salmo quis dizer era que o rei Davi seria elevado em posição, acima dos outros, à posição preeminente.

Para demonstrar que o termo é usado neste sentido quando falando sobre Cristo em Colossenses 1:15, peça à testemunha para olhar o contexto. Indique, particularmente, o versículo 18, o qual identifica Cristo como a “cabeça” e “o primogênito” para que ele tenha “primazia em todas as coisas”.

Ainda em Colossenses, você pode comentar a respeito da divindade de Cristo lendo o capítulo 2, versículo 9: “Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade.”

(Veja as considerações sobre Isaías 9:6; Daniel 10:13‑21, 12:1; João 1:1, 20:28; Apocalipse 1:7,8; e outros versículos relacionados no Índice de Assuntos.) 

Colossenses 2:9 

Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade.

Este é um texto que deveria definitivamente ser usado quando compartilhar com uma testemunha de Jeová a respeito das evidências (na forma das Escrituras Sagradas) de que Jesus Cristo é Deus. Ler este versículo em várias traduções pode ser proveitoso: “Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade” (Imprensa Bíblica Brasileira). “Porque em Cristo reside tudo de Deus em um corpo humano” (Bíblia Viva).  “Nele toda  a  plenitude da  divindade é residente em forma corpórea” (The Bible in  Living English [ A Bíblia em Inglês Vivo], traduzida por Steven T.Byington, publicada pela Sociedade Torre de Vigia, 1972).

A Tradução do Novo Mundo da Torre de Vigia tenta diluir a mensagem deste versículo traduzindo da seguinte forma: “Porque é nele que mora corporalmente toda a plenitude da qualidade divina”. Mas a edição de referência (nota de rodapé) e a versão interlinear de sua Bíblia admitem que a palavra grega que traduziram como “qualidade divina” literalmente significa “divindade”.

(Veja também as considerações sobre Isaías 9:6;João 1:1;20:28; Apocalipse 1:7,8; e outras referências relacionadas no Índice de Assuntos.) 

II Timóteo 3:16,17 

Toda Escritura é inspirada por Deus e proveitosa para ensinar, para repreender, para endireitar as coisas, para disciplinar em justiça. A fim de que o homem de Deus seja plenamente competente, completamente equipado para toda boa obra (Tradução do Novo Mundo).

As testemunhas de Jeová concordam enfaticamente com esta passagem. De fato, a citam muito freqüentemente. Mas, na prática, não acreditam realmente no segundo versículo porque não creem que um homem de Deus seja plenamente competente e completamente equipado, a menos que tenha livros e revistas da organização. A Bíblia sozinha não é o bastante. Nós cristãos também temos revistas cristãs, livros, concordâncias, dicionários bíblicos, e assim por diante. Vemos esta literatura como proveitosa e instrutiva, mas não sentimos necessidade desses suplementos para entender a mensagem do evangelho, receber a graça de Deus, e ganhar a vida eterna. De fato, muitos têm testemunhado que apenas através da leitura da Bíblia encontraram uma relação salvadora com Jesus Cristo.

Por outro lado, as testemunhas acreditam que uma pessoa deve ter a literatura de sua organização para que possa ser salva. Comentando sobre os próprios livros de estudos das Escrituras, A Sentinela, edição norte‑americana (15/09/10, p.298), dizia: 

Ademais, nós não apenas achamos que as pessoas não podem ver o plano divino estudando a Bíblia por si só,  mas  também  que  se alguém  coloca  os  Estudos  das  Escrituras  à parte… e se concentra apenas na Bíblia, ainda que tenha se inteirado da Bíblia por 10 anos, nossa experiência mostra que dentro de dois anos ela andará em trevas. Por outro lado, se tivesse lido simples-mente os Estudos das Escrituras com suas referências, e não tivesse lido nenhuma página da Bíblia, estaria na luz ao final dos dois anos.

As testemunhas de Jeová de hoje abandonaram essa opinião, traduzida das palavras do seu fundador Charles Taze Russell, em 1910? Compare aquela citação com este enunciado mais recente publicado por A Sentinela, edição norte‑americana, (01/12/81, p. 27): 

O Deus Jeová também nos deu sua organização visível, seu “escravo fiel e discreto”, formada por aqueles que são ungidos pelo espírito para ajudar cristãos em todas as nações a compreender e aplicar a Bíblia da maneira apropriada em suas vidas. A menos que estejamos em contato com este canal de comunicação que Deus está usando, nós não alcançaremos progresso na estrada para a vida, não importa o quanto leiamos a Bíblia.

A ideia é a mesma! As Escrituras inspiradas sozinhas não fazem uma pessoa “plenamente competente e completamente equipada” (II Tim. 3:17) aos olhos das testemunhas de Jeová.

   O que acontece se uma testemunha de Jeová lê somente a Bíblia, sem os livros e revistas da Sociedade Torre de Vigia? A organização fez uma surpreendente revelação acerca disto, quando declarou o seguinte sobre seus ex‑membros: 

Eles dizem que é suficiente ler a Bíblia exclusivamente, sozinhos ou em pequenos grupos no lar. Mas estranhamente, através de tal “leitura bíblica”, têm‑se voltado para doutrinas apóstatas que eram ensinadas nos comentários do clero cristão cem anos atrás… [A Sentinela, 15/08/81, p. 28‑29, edição norte‑americana].

Então, a Sociedade Torre de Vigia, por si mesma, admite que as testemunhas de Jeová que começam a ler só a Bíblia param de acreditar nas doutrinas da Torre de Vigia e retornam às doutrinas ensinadas nas igrejas cristãs. Quem então ensina as doutrinas verdadeiramente fundamentadas na Bíblia? A resposta é óbvia, pela própria declaração da Sociedade. 

Hebreus 1:6 

Mas ao trazer novamente o seu primogênito à terra habitada, ele diz: E todos os anjos de Deus o adorem (Tradução do Novo Mundo, edições de 1953, 1960, 1961 e 1970).

Quando as edições da Bíblia da Sociedade Torre de Vigia citadas acima foram impressas, de algum modo esta referência a Jesus Cristo conseguiu escapar ao corte do censor. Toda outra menção de adorá-lo foi removida da Tradução do Novo Mundo, exceto esta que permaneceu ‑ mas não por muito! Começando com a revisão de 1971, todas as edições futuras foram mudadas para que se leia: “E todos os anjos de Deus o reverenciem”. 

O contexto deste versículo é muito significativo. E o capítulo inteiro de Hebreus é devotado a contrastar Jesus Cristo com os anjos ‑ mostrando a superioridade do Filho de Deus sobre a criação angélica. Mas a Sociedade Torre de Vigia ensina que Jesus Cristo é um anjo. Não é de se admirar que eles mudassem o versículo 6 para eliminar a idéia de adorá-lo. 

A raiz grega aqui é proskuneo, a qual pode propriamente ser traduzida por “adoração” ou “reverência”, dependendo do contexto e, neste caso, da tendência do tradutor. Convide a testemunha de Jeová a ler em Apocalipse 22:8,9 na sua própria Tradução Interlinear do Reino, onde a mesma palavra proskuneo é usada no grego original. Lá o apóstolo João diz: “Prostrei‑me para adorar [raiz: proskuneo]diante dos pés do anjo… Mas ele me diz: Toma cuidado! Não faças isso! Adora [raiz:proskuneo] a Deus”. Pondere com a testemunha de Jeová que a adoração que o anjo recusou, mas disse a João para dar a Deus, é a mesma proskuneo que o Pai ordena que seja dada ao seu Filho Jesus Cristo em Hebreus 1:6. Então, o Filho certamente não é um anjo.

Seria apropriado dar ao Filho a mesma honorável adoração que é dada ao Pai? Deixe João 5:23 responder a esta pergunta ‑ “a fim de que todos honrem ao Filho assim como honram ao Pai.  Quem  não honrar  ao Filho,  não  honra  ao Pai que o enviou” (Tradução do Novo Mundo).

(Para maiores informações sobre a divindade de Cristo e a legitimidade de adorá-lo, veja as considerações sobre Isaías 9:6; Daniel 10:13‑21, 12:1; João 1:1; 20:28; e outros versículos catalogados no Índice de Assuntos.) 

Apocalipse 

Apocalipse 1:7,8 

Eis que ele vem com as nuvens e todo olho o verá, e aqueles que o traspassaram; e todas as tribos da terra baterão em si mesmas de pesar por causa dele. Sim, amém. “Eu sou o Alfa e o Ômega”, diz Jeová Deus, “aquele que é, e que era, e que vem, o Todo-poderoso” (Tradução do Novo Mundo).

Se Jesus Cristo é apresentado como “o Alfa e o Ômega” e “o primeiro e o último”, enquanto a Tradução do Novo Mundo também diz que Deus Jeová é “o alfa e o ômega” e “o primeiro e o último”, as testemunhas de Jeová devem admitir também que Jesus Cristo é o Todo‑Poderoso Deus ‑ ou então ignorar as Escrituras. 

Você pode discutir esses versículos com uma testemunha da seguinte maneira: usando sua própria Tradução do Novo Mundo:

O texto de Apocalipse 1:7,8 citado acima diz que alguém “está vindo”. Quem? O versículo 7 diz que alguém que foi “traspassado”. Quem foi traspassado quando foi pregado para morrer? Jesus! Mas o versículo 8 diz que o Deus Jeová é quem “está vindo”. É possível que existam dois que estão vindo? Não! O versículo 8 refere‑se a “aquele que está vindo”. Apocalipse 1:8 diz claramente que o Deus Jeová é o Alfa e o Ômega. Agora note o que ele diz em Apocalipse 22:12,13: “Eis que venho depressa… Eu sou o Alfa e o Ômega, o primeiro e o último…” Então, o Deus Jeová está vindo depressa. Mas note a resposta dada a ele quando diz isto novamente: “Sim, venho depressa”. “Amém! Vem, Senhor Jesus” (22:20 Tradução do Novo Mundo).

Neste ponto você pode mencionar que Alfa é a primeira letra do alfabeto grego, enquanto ômega é a última. Por esta razão, “o Alfa e o Ômega” significam o mesmo que “o primeiro e o último”. 

Então, novamente referindo‑se à Tradução do Novo Mundo, continue desta forma:

Quem está falando em Apocalipse 2:8? “Estas coisas diz aquele, o primeiro e o último que estava morto e passou a viver [nova-mente]…” Obviamente, é Jesus. Quem Jesus declarou ser quando chamou a si mesmo “o primeiro e o último?” Foi desta maneira que o Deus Todo‑Poderoso se identificou no Antigo Testamento. Jesus sabia que o apóstolo João, autor de Apocalipse, e mais tarde todos os leitores da Bíblia se lembrariam destes versículos: “…eu sou o mesmo, eu o primeiro, eu também o último. Também a minha mão fundou a terra, e a minha destra estendeu os céus…” (Is.48:12,13). E “…eu sou o mesmo; antes de mim Deus nenhum se formou, e depois de mim nenhum haverá. Eu, eu sou o Senhor, e fora de mim não há salvador” (Is.43:10,11)

Note também que a expressão o primeiro e o último é usada em referência a Deus Jeová em Apocalipse 22:13: “Eu sou o Alfa e o Ômega,o primeiro e o derradeiro, o princípio e o fim.” Ainda João também recorda: “… e ele pôs sobre mim a sua destra, dizendo: Não temas; eu sou o primeiro e o último, e o que vive; fui morto, mas eis que estou vivo pelos séculos…” (Apoc. 1:17,18).

Lembre à testemunha de Jeová que ela leu em sua própria Bíblia que o Deus Jeová é aquele que está vindo, aquele que está vindo depressa, o Alfa e o Ômega, o primeiro e o último, e o único salvador. Ela também leu que nosso Salvador Jesus Cristo é aquele que está vindo, aquele que está vindo depressa, o Alfa e o Ômega, o primeiro e o último, e o único Salvador.

Se a testemunha tiver dificuldade em chegar à conclusão certa, a saber, que Jesus Cristo é o Deus Todo‑Poderoso, peça que leia Colossenses 2:9: “Porque é nele que mora corporalmente toda a plenitude da qualidade divina”, ou, de acordo com a Imprensa Bíblica Brasileira, “porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade”.

(Veja também as considerações sobre Gênesis 18:1,2; Êxodo 3:14;Isaías 9:6; e João 1:1.) 

Apocalipse 3:14 

Ao anjo da igreja em Laodiceia escreve: Isto diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus.

Este versículo é um dos favoritos das testemunhas de Jeová, em suas tentativas de “provar” que Jesus Cristo é um simples ser criado, o primeiro anjo que Deus fez. “Veja!”, elas dizem. “Jesus é o princípio da criação”. Mas deveriam ser cautelosas. Dirão que Deus, o Pai, é quem fala em Apocalipse 21:6 e 22:13, ainda que em ambos os versículos ele chame a si mesmo de “o principio”. Portanto, “o princípio” deve significar algo mais que não seja a primeira coisa criada.

Realmente, em cada um destes casos, o texto grego diz arché, uma palavra catalogada no Expository Dictionary of New Testament Words [Dicionário Expositivo das Palavras do Novo Testa-mento] como tendo significados variados, tais como “o princípio”, “poder”, “magistrado” e “governador”. A Bíblia das Testemunhas de Jeová traduz o plural da mesma palavra como “oficiais do governo” em Lucas 12:11. Esta é a raiz das nossas palavras arcebispo e arquiteto, e outras palavras referindo‑se a alguém que é chefe sobre outros. Assim, a Nova Versão Interlinear em Apocalipse 3:14 diz que Cristo é “governante da criação de Deus”. Portanto, não existe fundamento algum para que se possa declarar que Apocalipse 3:14 faz de Jesus Cristo um ser criado.

(Veja também Isaías 9:6; João 1:1, 20:28; e outros versículos citados no Índice de Assuntos sobre Jesus Cristo.) 

Apocalipse 7:4 

E ouvi o número dos selados: cento e quarenta e quatro mil, selados de toda tribo dos filhos de Israel (Tradução do Novo Mundo).

A Sociedade Torre de Vigia ensina que a igreja cristã, ou Corpo de Cristo, está limitada ao número literal de 144 mil indivíduos. A reunião dos 144 mil começou em Pentecostes no primeiro século e continuou até o ano de 1935 ‑ quando o número foi completado e a porta foi fechada. Os novos crentes desde 1935 não são parte da congregação dos 144 mil, mas formam uma classe secundária, chamada a “grande multidão” de “outras ovelhas”. (Veja as considerações sobre Apoc. 7:9 para maiores informações sobre a “grande multidão” e a data de 1935.) Desde 1935, a maior parte dos restantes dos 144 mil morreu, havendo apenas cerca de nove mil vivos na terra hoje ‑ todos os quais são testemunhas de Jeová. 

Entre os milhões de testemunhas de Jeová, apenas o remanescente dos 144 mil tem a esperança do céu, e apenas eles podem partilhar da comunhão do pão e do cálice.

Como as muitas ilustrações simbólicas no livro de Apocalipse, existe algum debate, mesmo entre os cristãos verdadeiros, sobre quem os 144 mil podem ser. Nós podemos admitir livremente isto enquanto mostramos à testemunha que a interpretação da Sociedade Torre de Vigia é obviamente errada.

Apocalipse 7:4 diz que os 144 mil são “dos filhos de Israel”, mas a Sociedade Torre de Vigia ensina que a congregação cristã está aqui simbolicamente retratada como “Israel espiritual”, e que os 144 mil são, portanto, tirados dentre todas as nações. Nós necessitamos apenas de alguns versículos do texto para desacreditar a sua interpretação: “da tribo de Judá, doze mil selados; da tribo de Rúben, doze mil; da tribo de Gade, doze mil; da tribo de Aser, doze mil; da tribo de Naftali, doze mil; da tribo de Manassés, doze mil; da tribo de Simeão, doze mil; da tribo de Levi, doze mil; da tribo de Issacar, doze mil; da tribo de Zebulom, doze mil; da tribo de José, doze mil; da tribo de Benjamim, doze mil selados” (Rev.[Apocalipse] 7:5‑8, Tradução do Novo Mundo). Poderia Israel ser nomeado mais especificamente do que através da enumeração das 12 tribos que formam aquela nação?

As testemunhas podem responder insistindo que a referência aos 12 mil de cada tribo é puramente simbólica. Mas, se isto é verdade, então os doze números simbólicos (12.000 + 12.000 + 12.000 + 12.000 + 12.000 + 12.000 + 12.000 + 12.000 + 12.000 + 12.000 + 12.000 + 12.000 = 144.000) devem perfazer um total que também é simbólico. Todavia, as testemunhas acreditam que 144 mil seja um número literal. Desta forma, a interpretação delas é mais uma vez contraditória. 

Apocalipse 7:9 

Depois destas coisas eu vi, e, eis uma grande multidão, que nenhum homem podia contar, de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas, em pé diante de trono e diante do cordeiro, trajados de compridas vestes brancas; e havia palmas nas suas mãos (Tradução do Novo Mundo).

A Sociedade Torre de Vigia ensina que no ano de 1935 Deus parou de chamar as pessoas para uma esperança celestial em união  com Cristo. Dizem que naquele ano ele começou a reunir a segunda classe de crentes, fora do corpo de Cristo, aqueles cuja esperança seria viver para sempre sobre a terra, na carne. Essa classe de pessoas, afirmam, é a “grande multidão” de Apocalipse 7:9‑17.

Esta é uma das doutrinas mais significativas ensinadas pela Sociedade Torre de Vigia. Ela forma a base da convicção de milhões de testemunhas de Jeová segundo a qual: 

1. Não podem se tornar membros do corpo de Cristo (I Cor. 12:27).

2. Não podem “nascer de novo” (João 3:3).

3. Não podem compartilhar do reino celestial de Cristo (II Tim. 4:18).

4. Não podem receber o batismo do Espírito Santo (I Cor. 12:13).

5. Não são autorizadas a compartilhar da comunhão do pão e do cálice (1 Cor. 1 0:1 6,1 7).

6. Não fazem parte da Nova Aliança mediada por Cristo (Heb. 12:24).

7. Não podem ser completamente justificadas através da fé em Jesus Cristo (Rom. 3:26). 

Desta forma, a Sociedade Torre de Vigia usa esta “doutrina de 1935″ para privar seus seguidores da relação com Deus descrita no Novo Testamento para todos os crentes.

Onde a Bíblia ensina que a entrada para a congregação cristã seria fechada no ano de 1935, com uma “grande multidão” secundária sendo reunida depois disto? Em nenhum lugar! Os líderes da Torre de Vigia declaram que “esta luz brilhou” ‑ que o presidente da Torre de Vigia, J. F. Rutherford, recebeu uma especial “revelação da verdade divina” ‑ para introduzir esta mudança em 1935. Não podem produzir absolutamente nenhum suporte bíblico para a data de 1935. Ao invés de se voltarem para a Bíblia, eles dizem: 

Estes lampejos da luz profética preparam o terreno para o discurso histórico sobre “A Grande Multidão”, pronunciado em 31/05/1935 pelo presidente da Sociedade Torre de Vigia, J. F. Rutherford, na convenção das Testemunhas de Jeová realizada em Washington, Estados Unidos. Que revelação da graça divina foi esta! (A Sentinela, 01/03/85, p. 14, parágrafo 12, edição norte‑americana).

…a esperança celestial foi mantida, realçada e enfatizada até perto do ano de 1935. Então, “uma luz brilhou” para revelar claramente a identidade da “grande multidão” de Apocalipse 7:9, a ênfase então começou a ser dada na esperança terrena (A Sentinela, 01/02/82, p.28, parágrafo 16, edição norte–americana).

Não existem quaisquer bases bíblicas para este ensinamento. As Escrituras discutem em detalhes a velha promessa divina para os judeus e a nova promessa divina para os cristãos. Mas não faz menção de nenhum terceiro arranjo para reunir uma “grande multidão” com uma esperança terrena depois de 1935.

Além disso, os versículos citados pelas testemunhas em Apocalipse realmente colocam a “grande multidão” como “diante do trono e diante do cordeiro” (7:9, Tradução do Novo Mundo), e “em seu templo” (7:15, Tradução do Novo Mundo) ‑ todos lugares celestiais, e não na terra, como a Sociedade Torre de Vigia ensina.

De fato, a referência a “uma grande multidão”… clamando em voz alta: devemos a salvação ao nosso Deus…” (7:9,10) é muito semelhante ao teor da outra única menção à “grande multidão” na Tradução do Novo Mundo do livro de Apocalipse. Está no capítulo 19, onde o convite para “dar louvores ao nosso Deus, todos vós os seus escravos, os que o temeis, os pequenos e os grandes” é respondido por “a voz de uma grande multidão” (19:5,6). Ainda as Escrituras dizem especificamente que “uma voz alta de uma grande multidão no céu (v. 1, Tradução do Novo Mundo).

Uma vez que foi provado que a interpretação da Torre de Vigia estava errada, não é necessário (ou aconselhável) entrar em discussão com as testemunhas de Jeová sobre a verdadeira identidade da “grande multidão”. Ao contrário, o fato que a Sociedade os tem ensinado erradamente neste importante ponto deveria ser usado para abrir seus ouvidos para uma apresentação do evangelho real de Cristo.

Comece lendo a oração de Jesus ao Pai em João 17:20‑24 – “Faço solicitação não somente a respeito destes, mas também a respeito daqueles que depositam fé em mim, por intermédio da palavra deles… Pai, quanto ao que me tens dado, quero que onde eu estiver, elas também estejam comigo a fim de que observem minha glória…” (Tradução do Novo Mundo). A oração de Jesus é que todos os seus discípulos presentes e futuros terminem com ele, onde ele está, para contemplarem sua glória. Mostre à testemunha que a oração se aplica a todos os discípulos futuros que viriam a crer em Cristo através das Escrituras deixadas pelos antigos discípulos (v. 20). Diga a elas que, se crerem nele, Jesus desejará que terminem com ele no reino celestial ‑ não importando se se tornaram crentes antes ou depois do ano de 1935.

(Veja também as considerações sobre céu versus terra nos Salmos 37:9, 115:16; e João 10:16; as considerações sobre Mateus 26:27; e um encontro real com as testemunhas de Jeová sobre este assunto em Apocalipse 19:1.) 

Apocalipse 19:1 

Depois destas coisas ouvi o que era como a voz alta de uma grande multidão no céu. (Tradução do Novo Mundo).

A lavagem cerebral da Torre de Vigia é tão poderosa que aqueles que estão sob as palavras dela podem olhar para preto e ver branco ‑ se a Sociedade diz que é branco. Isto não é exagero; foi demonstrado em um encontro que tive com uma senhora, testemunha de Jeová, que bateu à minha porta no verão de 1983. (Ela não fazia ideia de que eu já havia sido membro, senão não teria dito nem uma palavra comigo.) A discussão ocorreu desta, forma:  

David Reed: “Ouvi dizer que vocês acreditam que são parte de uma ‘grande  multidão’ que receberá vida eterna na terra, ao invés de irem para o céu. Isto é verdade ? Você pode me mostrar a ‘grande multidão’ na Bíblia” ?

Testemunha de Jeová: “Sim, isto é o que a Bíblia diz. Veja aqui em Apocalipse 7:9 [ Ela leu o versículo discutido acima, em Apocalipse 7:9]. Espero ser parte desta grande multidão que viverá na terra para sempre”.                                                                       

David Reed: “Mas Apocalipse 7:15 coloca a ‘grande multidão’ diante do trono de Deus no céu, não coloca?”

Testemunha de Jeová: “Bem, o trono de Deus está no céu, mas a grande multidão está na terra. Todas as criaturas estão diante do trono de Deus”.

David Reed: “Eu não creio que o versículo mencionaria a localização dela diante de Cristo se quisesse dizer isto em um sentido tão geral. Mas existe um outro local onde Apocalipse fala a respeito da ‘grande multidão’. Você poderia ler Apocalipse 19:1 em sua própria Bíblia onde ele posiciona a ‘grande multidão’?”

Testemunha de Jeová: Certamente! Ela diz: “Depois destas coisas ouvi o que era como a voz alta de uma grande multidão no céu.

David Reed: “Uma ‘grande multidão’ onde?”

Testemunha‑de Jeová: “A ‘grande multidão’ está na terra!”

David Reed: “É isto que o versículo diz? Leia‑o de novo.”

Testemunha de Jeová: “Ele diz céu, mas a ‘grande multidão’ está sobre a terra.”

David Reed: “Como você pode dizer que a ‘grande multidão’ está na terra quando a Bíblia diz claramente uma ‘grande multidão’ no céu?”

Testemunha de Jeová: “Você não compreende. Nós temos homens em nosso escritório central no Brooklyn, Nova York, que explicam a Bíblia para nós. E podem provar que a ‘grande multidão’ está sobre a terra; e só posso explicar isto assim. Espere apenas um momento”.

Nesse ponto ela correu à rua e gritou a outra senhora das testemunhas que estava a poucas casas de distância, para vir ajudá‑la. Essa testemunha me reconheceu como sendo uma ex‑testemunha, e isso pôs fim à conversação. Mas o ponto já tinha sido ilustrado: uma testemunha de Jeová pode olhar a palavra céu na Bíblia mas vê terra em seu lugar, se a organização assim o diz.

À medida que as senhoras se afastavam de minha casa, minha mente relembrou a novela de George Orwell, Mil Novecentos e Oitenta e Quatro. Eu recordei a assustadora descrição de totalitarismo estabelecido onde todos sabem que “o Grande Irmão (Big Brother) está te  observando!” ‑  e  então,  “qualquer coisa que o partido considerar verdade, é verdade”, e “dois mais dois é igual a cinco, ao invés de quatro, se o Partido assim o diz”. Verdadeiramente, a Sociedade Torre de Vigia impõe a mesma sorte de “duplo pensamento” às testemunhas de Jeová.

Um número de outros paralelos entre as Testemunhas de Jeová e a sociedade imaginária de Mil Novecentos e Oitenta e Quatro são enfatizados no livro de Gary e Heather Botting, The Orwellian World of Jehovah’s Witnesses.(O Mundo Orwelliano das Testemunhas de Jeová), 1984, Imprensa da Universidade de Toronto.

(Para informações adicionais sobre a questão do céu versus terra, veja as considerações sobre João 10:16; e Apocalipse 7:9. Para outros exemplos de lavagem cerebral, veja as considerações sobre Mateus 24:45; 1 Coríntios 1:10; e “O Testemunho do Autor”.) 

5

História Condensada das  Testemunhas de Jeová 

1879 ‑ Charles Taze Russell começa a publicar a sua revista A Sentinela de Sião e Arauto da Presença de Cristo;

1881 ‑ A Sociedade Torre de Vigia de Sião é formada;

1885 ‑ A Sociedade declara ter 300 colportores distribuindo literatura;

1886 ‑ Russell publica seu livro The Divine Plan ofthe Ages (OPlano Divino das Eras);

1914 ‑ O Armagedom não ocorreu como havia sido profetizado;

1916 ‑ Morre Charles Russell;

1917 ‑ O “Juiz” J. F. Rutherford assume o controle da organização;

1920 ‑ A Sociedade proclama “Milhões dos Que Agora Vivem Jamais Morrerão”! e profetiza que a ressurreição terrena ocorreria em 1925;

1920 ‑ A Sociedade revela que 8.402 voluntários distribuem a literatura da Torre de Vigia;

1925 ‑ A ressurreição terrena de Abraão, Isaque, Jacó, etc., não ocorre como havia sido profetizada;

1927 ‑ A fábrica da Torre de Vigia é construída no Brooklyn, Nova York;

.. 106 ..

1930 ‑ É construída em San Diego “Beth Sarim”, para acomodar os profetas que logo ressuscitariam; O “Juiz” Rutherford passa a residir ali;

1931 ‑ O nome “Testemunhas de Jeová” é oficialmente adotado;

1935 ‑ A Torre de Vigia começa a reunir a “grande multidão”; e ensina‑lhe a esperança terrena, e a não participar da comunhão;

1938 ‑ As congregações locais das Testemunhas de Jeová põem fim ao governo democrático da igreja; e se submetem à indicação “teocrática” de oficiais para as congregações locais feita pela sede do Brooklyn;

1938 ‑ A organização revela que 59.047 voluntários distribuem literatura; 69.345 estiveram presentes à comunhão anual; 36.732 participaram;

1942 ‑ Morre J. F. Rutherford; N. H. Knorr se torna presidente;

1943 ‑ N.H. Knorr institui programas de treinamento para mis-sionários estrangeiros e trabalhadores voluntários locais;

1948 ‑ A organização revela que 260.756 distribuem literatura; 376.393 comparecem à comunhão anual; 25.395 participam;

1950 ‑ A Tradução do Novo Mundo é publicada chamando Jesus de “deus”, inserindo “Jeová” no Novo Testamento;

1958 ‑ A organização revela que 798.326 distribuem literatura; 1.171.789 comparecem à comunhão anual; 15.037 participam;

1968 ‑ 0 artigo de A Sentinela “Por Que Esperas Ansioso 1975?” profetiza a probabilidade do Armagedom para aquele ano;

1975 ‑ A organização revela que 2.179.256 distribuem literatura; 4.925.643 comparecem à comunhão anual; 10.550 parti-cipam;

1975 ‑ O Armagedom não acontece como havia sido profetizado;

1985 ‑ A organização revela que 3.024.131 distribuem literatura; 7.792.109 comparecem à comunhão anual; 9.051 participam; 

6

 Técnicas Para Compartilhar o Evangelho com as  Testemunhas de Jeová 

“Eu estava esperando que a próxima testemunha de Jeová aparecesse à minha porta. Tão logo ela veio, atirei‑lhe um versículo bíblico após outro. Você deveria tê‑la visto dançar! Então lhe disparei João 1:1 bem no meio dos olhos e a derrubei!” Você conhece alguém que teve um desses encontros com uma testemunha? Se conhece, saiba que ele deve ter vencido a batalha mas perdeu a guerra.

Depois de uma rajada das Escrituras como a descrita acima, a testemunha ferida e sangrando correu de volta ao seu “ancião”, para receber dele proteção e conforto. Ele a remendou explicando-lhe os versículos danosos e advertindo‑a a não escutar pessoas “argumentativas” novamente quando estiver pregando de casa em casa. “Não se preocupe”, responderá a testemunha de Jeová ferida. “Eu não quero nunca passar por isso novamente”.

Este volume contém bastante munição para incrementar o combate espiritual contra a fortaleza da Sociedade Torre de Vigia. Mas se um guerreiro cristão encontrar uma testemunha de Jeová e atacá-la com toda a sua artilharia em uma rápida sucessão de fogo, o resultado provavelmente será desapontador. Uma vez que  mesmo  os  líderes  da  Torre  de  Vigia  sabem  que  a  mente humana pode absorver apenas uma certa quantidade de informação de cada vez, eles instruem as testemunhas a planejarem um “estudo” de, no mínimo, seis meses com as pessoas que estão tentando converter. Apenas uma testemunha sem experiência bombardearia um ouvinte com um sermão de Adão ao Armagedom na primeira visita. As testemunhas de Jeová estão corretas em sua técnica, e esta é uma razão para o surpreendente crescimento da organização. Assim, nós fazemos bem em aprender com elas – não suas falsas doutrinas, é claro, mas seus métodos eficazes. 

Entretanto, o melhor exemplo para o qual podemos nos voltar para aprendermos técnicas é o nosso Senhor Jesus Cristo. Como Instrutor Mestre, ele usava palavras selecionadas, bem como milagres, para atrair os homens para si próprio. Sendo que ele teve de ensinar alguns novos conceitos impressionantes aos judeus que se tornaram seus discípulos, podemos aprender muito com o seu exemplo em nossos esforços para compartilhar o verdadeiro evangelho com as testemunhas de Jeová.

Jesus sabia o quanto seus discípulos seriam capazes de absorver a cada vez, e ele não tentava superalimentá-los. Mesmo depois de ter ficado muitos meses com os apóstolos, ele lhes disse: “Ainda tenho muito que vos dizer; mas vós não o podeis suportar agora” (João 16:12). 0 evangelho consiste tanto de alimento “sólido” como de “leite” (Heb. 5:12-14). Se você dá alimento sólido para um bebê muito cedo, ele se sufocará com o alimento e o cuspirá fora. Compreendendo que deve levar muito tempo para que uma testemunha de Jeová desaprenda as falsas doutrinas da Torre de Vigia e re-aprenda a verdade da Bíblia, nós não devemos dar-lhe muito para digerir de cada vez. 

Jesus podia deixar para mais tarde muito do que tinha para dizer, porque sabia que o Espírito Santo continuaria ensinando os discípulos – “Quando vier, porém, aquele, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda verdade” (João 16:13). Nós também deveríamos crer que o Espírito Santo ensinará os novos crentes de hoje, tal como fez no primeiro século. Não precisamos nos responsabilizar em corrigir todas as noções erradas que uma testemunha tem em sua mente. 0 Espírito Santo prosseguirá do ponto onde paramos.

Além disso, Jesus era um pastor ‑ não um vaqueiro! Ele não conduzia o rebanho atirando e estralando o chicote como fazem os vaqueiros na condução do gado. Ele gentilmente conduzia o rebanho. Jesus chamava e suas ovelhas ouviam sua voz e o seguiam. Nós podemos fazer o mesmo apresentando amavelmente o evangelho da palavra de Deus, confiantes de que as ovelhas irão ouvir e seguir sem que tenhamos que intimidá-las a fazer isso. As testemunhas de Jeová estão habituadas a ouvirem as ameaças de seus anciãos. Nós devemos fazer o contrário.

Note também os métodos e ensinamentos que Jesus usou. Observando rapidamente os quatro Evangelhos você observará que muitas de suas sentenças têm ponto de interrogação no final. Pontos de interrogação têm o formato de anzóis ‑ “?” ‑ e funcionam da mesma forma para fisgar respostas e as colocar para fora da boca das pessoas. Jesus era muito hábil em usar esses anzóis de pescaria. Ao invés de passar informações aos seus ouvintes, ele usava perguntas para extrair respostas deles. Uma pessoa pode fechar seus ouvidos para os fatos que não quer escutar, mas se uma pergunta aguçada a leva a formular uma resposta em sua própria mente, ela não pode escapar da conclusão ‑ porque é a conclusão à qual chegou por si só. 

Por outro lado, se nós fornecemos as respostas, os efeitos podem ser bem diferentes. Por exemplo, nós podemos dizer a uma testemunha de Jeová: “Você tem estado iludida! A organização Torre de Vigia é um falso profeta! Você precisa de salvação!” Mas, se ela não chegou a estas conclusões em sua própria mente, provavelmente ficará ofendida e rejeitará qualquer outra coisa que você tenha a dizer. Portanto, se nós queremos que ela chegue a estas conclusões devemos guiar seus pensamentos nesta direção. Melhor do que comentar: “Olhe o que este versículo diz! Diz que Jesus é Deus!” é pedir a testemunha que leia o versículo em voz alta e então perguntar: “A quem o escritor estava se referindo neste versículo?… O que ele diz a respeito dele?” e assim por diante. A testemunha -de Jeová talvez não dê a resposta correta em voz alta, mas você verá sua expressão facial mudando quando compreender o que você quis dizer.

Empatia é muito importante para que alcancemos esses indivíduos desencaminhados. Tente imaginar o quanto você gostaria que os outros lhe falassem, se fosse um dos que estivessem desencaminhados. Portanto lembre‑se que “tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei‑lho também vós a eles…” (Mat. 7:12). O apóstolo Paulo demonstrou este tipo de empatia no sermão que apresentou aos atenienses (At. 17:16‑34). As Escrituras nos dizem que: “…revoltava‑se nele o seu espírito, vendo a cidade cheia de ídolos” (v. 16). Mas, ao invés de deixar que esta revolta se tornasse uma fonte de repreensão contra aqueles idólatras, Paulo se conteve e procurou um ponto de identificação para lhes falar. E disse: “Varões atenienses, em tudo vejo que sois excepcional-mente religiosos; porque, passando eu e observando os objetos do vosso culto, encontrei também um altar em que estava escrito: AO DEUS DESCONHECIDO. Esse, pois, que vós honrais sem o conhecer, é o que vos anuncio” (v.22‑23).

Nós podemos fazer o mesmo admitindo para as testemunhas de Jeová que apreciamos o, seu zelo e o seu desejo de servir a Deus.

Alguns anos atrás dois jovens missionários mórmons contataram a minha esposa Penni, e marcaram uma entrevista. No decorrer da discussão naquela tarde eu “coloquei todas as cartas na mesa” e os desafiei fortemente a respeito da autenticidade do Livro de Mórmon. Eles estavam visivelmente abalados quando saíram, mas nunca mais voltaram à nossa casa, e nós nunca mais os vimos. Recentemente, dois mórmons diferentes nos contataram, e nós marcamos outra entrevista. Mas desta vez apliquei alguns dos princípios delineados neste capítulo, dando‑lhes informações de uma maneira gentil e paulatina. Como resultado, tivemos uma série de entrevistas com eles, o que nos deu oportunidade de plantar muito mais sementes, pelas quais oramos para que sejam aguadas e cresçam em direção a Deus (1 Cor. 16,7).

A nossa segunda tentativa alcançou mais sucesso, e isso me faz lembrar a história de um garoto que era considerado retardado pelos outros garotos da vizinhança. Sabendo que ele, na verdade, era muito inteligente, um vizinho mais velho perguntou aos garotos que zombavam dele por que o perturbavam. “Nós nos divertimos com ele porque é muito bobo”, respondeu um deles. “Se você toma duas moedas em sua mão, uma grande de pequeno valor e uma pequena de grande valor, e lhe oferece essas moedas, ele sempre escolherá a moeda de menor valor”. Mais tarde, quando aquele senhor procurou o garoto “retardado” e lhe perguntou por que fazia isso, ele respondeu: “No final da semana eu tenho o bolso cheio de moedas. Mas se escolhera moeda de maior valor a brincadeira terminará”.

Portanto, se for o caso, colete as moedas vagarosamente ou encontre pontos de identificação, ou use questões indutivas, ou deixe um pouco do que você gostaria de falar para depois ‑ ou use a combinação de todas as técnicas quando julgar apropriado ‑ mas devemos orar e estudar as nossas abordagens, facilitando o caminho para que a nossa mensagem alcance os corações e as mentes de nossos ouvintes.

Mas, acima de tudo, a nossa esperança de sucesso deve residir no Senhor mais do que em nós mesmos, não importa o quanto estejamos preparados.

Uso poderosas armas de Deus ‑ e não as que são feitas por homens ‑para derrubar as fortalezas do diabo. Essas armas podem derrubar todo argumento arrogante contra Deus e toda muralha que possa ser erguida para impedir os homens de encontrá‑lo (II Cor. 10:4,5, O Novo Testamento Vivo).

 7

O Testemunho do Autor 

A minha educação religiosa foi numa grande igreja unitária rural, na Nova Inglaterra, ao sul de Boston, Estados Unidos. Ainda me lembro da vez em que, em minha inocência infantil, expressei ao pastor minha convicção de que Deus tinha realmente partido o Mar Vermelho para permitir que Moisés e os israelitas atravessassem. Ele voltou‑se para o pastor assistente e disse com um sorriso: “Este garoto tem muito o que aprender”. À medida que crescia, realmente aprendi o que aquela igreja ensinava. Encontrando seu panfleto, Em Que os Unitários Acreditam, li que “alguns unitários acreditam em Deus, e outros não” ‑ e rapidamente compreendi que os ministros deveriam ter estado entre aqueles que não acreditavam.

Por volta dos meus 14 anos, cheguei à minha própria conclusão que religião era “o ópio do povo”, um pensamento conveniente para um adolescente que preferia não ter Deus o observando todo o tempo. E quando fui para a Universidade de Harvard, descobri que ateísmo e agnosticismo floresciam lá, também. Portanto, entre a Igreja Unitária e minha liga Ivy da escola, quase nunca encontrava qualquer incentivo para acreditar em Deus.

Mas por volta dos meus 20 anos, cheguei ao âmago do ateísmo: uma existência sem graça, seguida da morte. Apesar de tudo, se os humanos não são nada mais do que os últimos em uma série de acidentes químicos e biológicos, portanto qualquer significado  ou  propósito  que  pudéssemos  encontrar  na vida seria simplesmente uma ficção auto‑ilusória produzida em nossas próprias mentes. Não teria nenhuma conexão real com a desagradável e fria realidade do universo onde nada realmente importa. Desta forma, me vi entre duas escolhas: Deus ou suicídio. Uma vez que o suicídio seria uma solução fácil para mim (acreditava que não existia nada depois da morte) mas deixaria àqueles que se importavam comigo a dor que causaria, comecei a pensar em Deus.

Coincidentemente (talvez?), uma testemunha de Jeová foi designada para trabalhar ao meu lado no meu emprego. Uma vez que Deus estava na minha mente, comecei a lhe fazer perguntas acerca de sua convicção. Suas respostas me interessaram. Era a primeira vez que ouvia pensamentos religiosos apresentados em sólidas estruturas lógicas. Tudo que ela dizia se encaixava. Visto que tinha tido uma resposta para cada pergunta, continuei introduzindo mais perguntas. Dentro em pouco ela estava conduzindo um estudo comigo duas vezes por semana com um novo livro (1968) da Sociedade Torre de Vigia, The Truth That Leads to Eternal Life (A Verdade Que Conduz à Vida Eterna).

Em pouco tempo me tornei uma testemunha de Jeová muito zelosa. Depois de ter recebido minha instrução inicial e ter sido batizado, servi como um “ministro pioneiro” de tempo integral. Isto requeria que passasse pelo menos 100 horas por mês pregando de casa em casa e conduzindo estudos bíblicos nos lares ‑ real-mente era um compromisso de muito mais de 100 horas mensais, uma vez que o tempo de viagem não poderia ser incluído no meu relatório mensal de trabalho no campo. Mantive‑me “pioneiro” até 1971, quando casei com Penni, que tinha crescido dentro da organização e também era “pioneira”. 

Meu zelo por Jeová e minha competência na pregação foram recompensados depois de alguns anos com uma nomeação como ancião. Nesta habilitação ensinei 150 pessoas na minha congregação no lar em bases regulares e fiz visitas freqüentes a outras congregações como orador nas manhãs de domingo. Ocasionalmente, também era designado para falar em audiência com milhares nas assembleias das Testemunhas de Jeová.

Entre outras responsabilidades que tinha se incluíam presidir os outros anciãos locais, manipular a correspondência entre a congregação local e o escritório central da Sociedade no Brooklyn e servir na organização de Comitês Judiciais para lidar com casos de delitos nas congregações. (Lembro‑me de ter excluído pessoas das congregações por ofensas variadas, tais como vender drogas no Salão do Reino, fumar cigarros, troca de esposas, e por ter decoração de Natal em casa.)

Apesar de nós não podermos continuar “pioneiros” depois do casamento, Penni e eu permanecemos zelosos no trabalho de pregação. Nós dois fazíamos estudos bíblicos com dúzias de pessoas e trouxemos bem mais que vinte delas para a organização como testemunhas de Jeová batizadas. Também colocamos “o Reino” em primeiro lugar em nossas vidas pessoais mantendo nosso emprego secular ao mínimo e vivendo em um apartamento barato de três cômodos para que pudéssemos devotar mais tempo a atividades de pregação de casa em casa. 

O que interrompeu esta vida de total devoção à Sociedade Torre de Vigia e guiou‑nos ao caminho que nos levaria para fora? Em uma palavra, foi Jesus. Deixe‑me explicar:

Quando Penni e eu estávamos em uma grande convenção, nós vimos um punhado de opositores fazendo piquete do lado de fora. Um deles carregava um cartaz que dizia: “LEIA A BÍBLIA, NÃO A SENTINELA”. Nós não tínhamos simpatia pelos piqueteiros, mas nos sentimos convictos a respeito deste cartaz, porque sabíamos que tínhamos estado lendo as publicações da Torre de Vigia excluindo a leitura da Bíblia. (Mais tarde, nós realmente contamos todo o material que a organização esperava que as testemunhas lessem. Os livros, revistas, lições, etc., somavam mais de três mil páginas cada ano, comparadas com menos de 200 páginas fixas da Bíblia ‑ e a maioria delas do Antigo Testamento. A maior parte das testemunhas estava tão saturada com as três mil páginas de leitura da organização, que nunca tinha tempo para a leitura da Bíblia.)

Depois deter visto o cartaz do piquete, Penni se voltou para mim e disse: “Nós deveríamos estar lendo a Bíblia e o material da Torre de Vigia”. Eu concordei e começamos a fazer leituras pessoais regulares da Bíblia. 

Foi quando começamos a pensar em Jesus. Não que nós começássemos a questionar os ensinamentos da Torre de Vigia de que Cristo era apenas o arcanjo Miguel na forma humana ‑ questionar tal fato nem mesmo nos ocorreu. Mas realmente estávamos impressionados com Jesus como pessoa: o que ele disse e fez, como ele tratou as pessoas. Nós queríamos ser seus seguidores. Estávamos tocados, especialmente, pela forma com que Jesus respondia a líderes religiosos hipócritas da época, os escribas e fariseus. Lembro‑me de ter lido, repetidamente, o relato de como os fariseus faziam objeção às curas de Jesus no sábado, seus discípulos comendo sem lavar as mãos e outros detalhes de seu comportamento que violavam suas tradições. Como gostava da resposta de Jesus: “Hipócritas! Isaías profetizou aptamente a vosso respeito, quando disse: ‘Este povo honra‑me com os lábios, mas o seu coração está muito longe de mim. É em vão que persistem em adorar‑me, porque ensinam por doutrinas os mandados dos homens’”. (Mat. 15:7‑9, Tradução do Novo Mundo).

Por doutrinas os mandados dos homens! Este pensamento se fixou em minha mente. Comecei a entender que, desempenhando minha função como um ancião, estava agindo mais como um fariseu do que como um seguidor de Jesus. Por exemplo, os anciãos eram os que impunham todos os tipos de regras insignificantes a respeito de vestuário e modo de se arrumar. Nós dizíamos às “irmãs” o comprimento de seus vestidos e dizíamos aos “irmãos” como pentear o cabelo, como aparar as costeletas e que alargamento poderiam usar em suas calças. Nós realmente dizíamos às pessoas que não poderiam agradar a Deus a menos que obedecessem. Isto me lembra os fariseus que condenaram os discípulos de Jesus por comerem sem lavar as mãos. 

Meu próprio vestuário e modo de me arrumar obedeciam à risca às instruções da Torre de Vigia. Mas tive problemas com alguns jovens que recentemente se mostravam interessados, os quais eu trouxe ao Salão do Reino. Ao invés de dizer‑lhes para comprar uma camisa branca e um paletó esporte e cortar seus cabelos curto, disse‑lhes: “Não se incomodem se as pessoas no Salão do Reino vestem‑se e arrumam‑se antiquadamente. Vocês podem continuar como são. Deus não julga as pessoas  pelo seu  corte  de cabelo  ou  seu vestuário”.  Mas  isso  não funcionou. Alguém teria dito a eles para cortarem o cabelo ou se oferecido para dar‑lhes uma camisa branca ‑ ou, simplesmente, se sentiram tão desambientados que saíram, sem nunca retornar.

Este fato me aborreceu, porque eu cria que a vida deles dependia de se juntarem à “organização de Deus”. Se nós, testemunhas, agíamos como fariseus ao ponto de afastar jovens do único caminho da salvação, o sangue inocente deles estaria sobre nossas mãos. Conversar com os outros anciãos a respeito, não adiantou. Achavam que o estilo antiquado era inerentemente correto. Mas então o exemplo de Jesus me veio à mente: 

Partindo dali, entrou Jesus na sinagoga deles. E eis que estava ali um homem que tinha uma das mãos atrofiada; e eles, para poderem acusar a Jesus, o interrogaram dizendo: É lícito curar nos sábados? E ele lhes disse: Qual dentre vós será o homem que, tendo uma só ovelha, se num sábado ela cair numa cova, não há de lançar mão dela, e tirá‑la? Ora, quanto mais vale um homem do que uma ovelha! Portanto, é lícito fazer bem nos sábados. Então disse àquele homem: Estende atua mão… (Mat. 12:9‑13).

Se eu fosse realmente seguir a Jesus e não aos homens, via apenas um caminho aberto para mim. Pessoalmente violei a tradição dos anciãos deixando meu cabelo crescer dois centímetros sobre as orelhas. Meu argumento era: como podem pressionar um recém‑chegado a cortar o cabelo, agora que um dos anciãos está usando o mesmo estilo?

Bem, os outros anciãos reagiram da mesma forma que os fariseus reagiram quando Jesus disse ao homem para estender a mão. A Escritura diz: “Os fariseus, porém, saindo dali, tomaram conselho contra ele, para o matarem” (Mat. 12:14). Levou algum tempo para que reagissem, mas os anciãos realmente me colocaram em julgamento, convocando testemunhas para comprovar, e gastaram muitas horas discutindo dois centímetros de cabelo.

A maneira de se arrumar não era realmente o que importava. Para mim a questão era de quem seria eu discípulo. Era um seguidor de Jesus ou um servo obediente de uma hierarquia humana? O ancião que me levou a julgamento também sabia que esta era  a  causa  real.  Continuavam  perguntando: “Você acredita   que  a Torre de Vigia é a organização de Deus?” “Você acredita que a Sociedade fala como porta‑voz de Jeová?” Naquele momento, respondi sim porque ainda acreditava que a Sociedade era uma organização de Deus ‑ mas que tinha se tornado corrupta, como o sistema religioso judeu no tempo em que os fariseus faziam oposição a Jesus.

Contudo, foi o que eu disse nos encontros da congregação que me colocou realmente em dificuldades. Ainda era um ancião, assim ‑ quando fui convocado para pregar por quinze minutos sobre o Livro de Zacarias no encontro de quinta‑feira à noite da Escola Ministerial Teocrática ‑ aproveitei a oportunidade para encorajar o público a ler a Bíblia. De fato, disse‑lhes que se o tempo deles era limitado, e tinham que escolher entre ler a Bíblia e ler a revista A Sentinela, deveriam escolher a Bíblia, porque esta era inspirada por Deus, enquanto A Sentinela não era inspirada e freqüentemente induzia a erros que tinham de ser corrigidos mais tarde.

Não admira que esta foi a última vez que me permitiram pregar. Mas, eu ainda podia falar do meu lugar durante os períodos de perguntas e respostas nos encontros. Era esperado que respondêssemos em nossas próprias palavras, mas não com nossos próprios pensamentos. Você daria o conselho encontrado no parágrafo da lição que estava sendo discutida. Mas, depois que disse algumas coisas que eles não gostaram, pararam de me dar o microfone. Com as novas perspectivas que estava adquirindo com a leitura da Bíblia, me aborreceu ver a organização elevar‑se acima das Escrituras, como fez quando A Sentinela, edição norte‑americana, 01/12/1981, declarou: “O Deus Jeová também nos deu sua organização visível… A menos que nós estejamos em contato com este canal de comunicação que Deus está usando, nós não alcançaremos progresso na estrada para a vida, não importa o quanto leiamos a Bíblia” (p. 27, parágrafo 4). Realmente me perturbou ver aqueles homens se elevando acima da Palavra de Deus. Uma vez que não podia falar nos encontros, decidi tentar escrever.

Foi quando comecei a publicar o boletim Comments from the Friends (Comentários dos Amigos). Escrevi artigos questionando o que a organização estava ensinando e os assinei com o pseudônimo de “Bill Tyndale, Jr.” ‑ uma referência ao tradutor da Bíblia  inglesa do século XVI, William Tyndale, que foi queimado em uma estaca pelo que escreveu. Para evitar ser apanhado, Penni e eu dirigíamos através dos limites da estrada à noite para uma agência dos correios fora do estado, e enviávamos os artigos em envelopes sem marcas. Enviávamos para as testemunhas locais e também centenas de Salões do Reino por todo o país, dos quais tínhamos obtido os endereços de catálogos telefônicos na biblioteca da cidade.

Penni e eu sabíamos que tínhamos que deixar as Testemunhas de Jeová. Para nós, porém, isso era semelhante à questão do que fazer em um prédio de apartamentos se incendiando. Você escapa através da saída mais próxima? Ou bate às portas primeiro, acordando os vizinhos e os ajuda a escapar também? Nós nos sentimos na obrigação de ajudar os outros a saírem – especialmente nossas famílias e nossos “estudantes” que trouxemos para a organização. Se tivéssemos apenas saído, nossas famílias deixadas para trás seriam proibidas de se associarem conosco. Mas depois de algumas semanas, um amigo descobriu o que estava fazendo e me delatou. 

Então, uma noite, quando Penni e eu estávamos voltando para casa depois de ter conduzido um estudo bíblico, dois anciãos saíram de um carro estacionado, nos abordaram na rua, e nos questionaram a respeito do boletim. Queriam nos colocar em julgamento por publicá-lo, mas simplesmente paramos de ir ao Salão do Reino. Nessa época quase todos os nossos antigos amigos tinham se tornado bem hostis em relação a nós. Um jovem ligou para nossa casa certa vez e ameaçou de “aparecer e dar um jeito em mim” se recebesse outro de nossos boletins. E uma outra testemunha realmente deixou algumas ameaças de morte registradas na secretária eletrônica. Os anciãos prosseguiram e nos julgaram à revelia e nos desassociaram.

Embora fosse um grande alívio estar fora do jugo opressivo daquela organização, agora teríamos que enfrentar uma mudança imediata a respeito de para onde ir e em que acreditar. Leva algum tempo para você repensar a percepção religiosa que teve durante toda a sua vida. Antes de deixar a Torre de Vigia, nós tínhamos rejeitado a alegação de que a organização era “o canal de comunicação” de Deus, que Cristo retornou  invisivelmente  em  1914,  e  de    que  a  “grande multidão” de crentes desde 1935 não deveria participar da comunhão do pão e do cálice. Mas estávamos apenas começando a reexaminar outras doutrinas. E ainda não estávamos em comunhão com outros cristãos fora da Sociedade das Testemunhas de Jeová.

Tudo que Penni e eu sabíamos é que desejávamos seguir a Jesus, e que a Bíblia continha toda a informação de que precisávamos. Assim, realmente nos dedicamos à leitura da Bíblia e à oração. Também convidamos nossas famílias e os amigos que restavam para se reunirem no nosso apartamento aos domingos pela manhã. Enquanto as testemunhas se encontravam no Salão do Reino para ouvir uma palestra e estudo da revista A Sentinela, nós nos encontrávamos para ler a Bíblia. Quinze pessoas participaram desses encontros ‑ a maior parte delas eram familiares, mas também havia alguns amigos. 

Estávamos maravilhados a respeito do que encontramos em nossas muitas leituras do Novo Testamento ‑ coisas a que nunca tínhamos dado valor antes, como a intimidade que os primeiros discípulos tinham com o Senhor ressurreto, a atuação do Espírito Santo na igreja primitiva, e as palavras de Jesus sobre o “nascer de novo”.

Em todos aqueles anos como “testemunha de Jeová”, a Sociedade Torre de Vigia sempre nos apresentou um estudo dirigido da Bíblia. Aprendemos muito sobre o Antigo Testamento, e podíamos citar muitos versículos bíblicos, mas nunca aprendemos sobre o evangelho da salvação em Cristo. Nunca aprendemos a depender de Jesus para nossa salvação e encará-lo pessoalmente como nosso Senhor. Tudo girava em torno dos programas de trabalho da Torre de Vigia e esperava‑se que as pessoas viessem a Deus Jeová através da organização. 

Quando compreendi ao ler Romanos 8 e João 3 que precisava “nascer do Espírito”, a minha primeira reação foi de temor. As Testemunhas de Jeová afirmam que aquelas pessoas nascidas de novo, que alegam ter o Espírito Santo, são, na verdade, possuídas por demônios. Por isso temia que se clamasse entregando minha vida para Jesus Cristo algum demônio pudesse estar ouvindo e então saltar e me possuir fingindo ser o Espírito Santo. (Muitas testemunhas de Jeová vivem em constante medo dos demônios. Alguns de nossos amigos chegavam até mesmo a jogar fora roupas e móveis, temendo que demônios pudessem entrar em suas casas através desses objetos). Mas então li as palavras de Jesus em Lucas 11:9‑13. No contexto no qual de estava ensinando sobre a oração e a expulsão de demônios imundos, Jesus disse: 

Pelo que eu vos digo: Pedi, e dar‑se‑vos‑á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se‑vos‑á; pois todo o que pede, recebe; e quem busca, acha; e ao que bate, abrir‑se‑lhe‑á. E qual o pai dentre vós que, se o filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, se lhe pedir peixe, te dará por peixe uma serpente? Ou, se pedir um ovo, lhe dará um escorpião? Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais dará o Pai Celestial o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?

Eu sabia, depois de ler estas palavras, que poderia seguramente clamar pelo Espírito de Cristo (Rom. 8:9), sem temer que pudesse receber um demônio. Assim, bem de manhã, na privacidade da nossa cozinha, confessei a minha necessidade de salvação e dediquei minha vida a Cristo.

Cerca de meia hora mais tarde, ao sair para trabalhar, comecei a orar de novo. Tinha sido meu costume por muitos anos iniciar minhas orações dizendo: “Deus Jeová…” Mas, dessa vez, ao abrir a boca para orar, comecei assim: “Pai…” Não que eu tivesse raciocinado sobre o assunto e chegado à conclusão de que deveria me dirigir a Deus de outra forma; a palavra Pai, simplesmente, surgiu, sem que ao menos pensasse nela. Imediatamente, entendi por quê: “E, porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai” (Gál. 4:6). Chorei de alegria ante a confirmação de Deus desta nova e mais íntima relação com ele.

Penni e eu logo desenvolvemos o desejo de adorar e louvar o Senhor em uma congregação de crentes e de nos beneficiarmos da sabedoria de cristãos maduros. Uma vez que o pequeno grupo de ex‑testemunhas ainda estava se encontrando em nosso apartamento nas manhãs de domingo para a leitura da Bíblia, e a maior parte delas ainda não estava pronta para se juntar a uma igreja, começamos a visitar igrejas que  tinham  serviços  vespertinos.  Uma   igreja  que  nós  visitamos  era  tão legalista que quase nos sentimos como se estivéssemos de volta ao Salão do Reino. Outra era tão liberal que o sermão sempre parecia ser nobre filosofia ou política ‑ em lugar de ser sobre Jesus. Finalmente, contudo, o Senhor nos colocou em uma congregação onde nos sentíamos confortáveis, e onde a ênfase era sobre Jesus Cristo e o seu evangelho, e não sobre assuntos paralelos.

Penni hoje é professora da sexta série em uma escola cristã que tem estudantes de cerca de onze igrejas diferentes. Realmente gosta do que faz, porque pode ligar as Escrituras a todos os tipos de assuntos. E, além do meu trabalho secular, continuo publicando Comments from the Friends como um boletim trimestral, objetivando alcançar as testemunhas de Jeová com o evangelho e ajudar cristãos que se encontram com testemunhas de Jeová. O boletim também contém artigos de interesse pessoal para ex‑testemunhas de Jeová. Temos assinantes de vários países, bem como dos Estados Unidos e Canadá. Além de escrever sobre o assunto, ocasional-mente falo a grupos de igrejas interessados em aprender como responder às testemunhas de Jeová de maneira a levá-las para Cristo. 

Nós também fornecemos semanalmente, pelo telefone, uma mensagem gravada para as testemunhas de Jeová. Vinte e quatro horas por dia, as testemunhas de Jeová podem ligar para nossa casa para ouvirem uma breve mensagem dirigindo‑as para a Bíblia e ajudando‑as a contestar os ensinamentos da Torre de Vigia. Algumas testemunhas ligam até mesmo de madrugada. Desta forma, os membros de sua família não as observarão e não as denunciarão para os anciãos. Até agora já recebemos mais de 6 mil chamadas. Ao final de cada chamada, as pessoas que ligaram são convidadas a deixar seu nome e endereço para que possam receber literatura grátis pelo correio ‑ e muitas deixam!

O que impulsiona o nosso ministério é ajudar as testemunhas de Jeová a se libertarem do engano e colocar sua fé no evangelho original de Cristo como é apresentado na Bíblia. A mais importante lição que Penni e eu aprendemos desde que deixamos as Testemunhas de Jeová é que Jesus não é apenas uma figura histórica do qual nós lemos a respeito. Está vivo e está ativamente envolvido  com os cristãos hoje, da mesma forma que estava no primeiro século. Pessoalmente nos salva, nos ensina e nos guia. Esta relação pessoal com Deus, através de seu Filho, Jesus Cristo, é maravilhosa! O indivíduo que conhece Jesus e o segue nem mesmo pensará em seguir outro qualquer. 

Mas de modo algum seguirão o estranho, antes fugirão dele, porque não conhecem a voz dos estranhos… As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu as conheço, e elas me seguem; eu lhes dou a vida eterna, e jamais perecerão; e ninguém as arrebatará da minha mão (João 10:5: 27,28).

O autor está interessado em suas perguntas e observações sobre o material encontrado neste livro. Você pode lhe escrever (em inglês) no seguinte endereço: Comments from the Friends, P. O. Box 840 Stoughton ‑ MA 020 72 ‑ USA

Ou, pode mandar-lhe um e-mail em:  editor@cftf.com

 Bibliografia

  LITERATURA DA SOCIEDADE TORRE DE VIGIA 

Zion’s Watch Tower and Herald of Christ’s Presence (reimpressa), 1879

The Divine Plan of the Ages, C. T. Russell,1886

Milhões dos Que Agora Vivem Jamais Morrerão; J. F. Rutherford,1920

As Testemunhas de Jeová no Propósito Divino, 1959

A Verdade Que Conduz à Vida Eterna, 1965

Poderá Tiver Para Sempre no Paraíso na Terra, 1982

Enjoy Life on Earth Forever! 1982

Raciocínios à Base das Escrituras, 1985

Anuário das Testemunhas de Jeová, 1949, 1959, 1976

A Sentinela (vários números) 

TRABALHOS DE CRÍTICA SOBRE O MOVIMENTO DA TORRE DE VIGIA 

Apocalipse Delayed: The Story of Jehovah’s Witnesses, M. James Penton   (Univ. of Toronto Press,1985)

Crisis of Conscience, Raymond Franz (Commentary Press, 1983)

Dialogue with Jehovah’s Witnesses, Duane Magnani and Arthur Barrett   (Witness,Inc,1983)

I Was Raised a Jehovah’s Witnesses, Joe Hewitt (Accent Books,1979)

Jehovah’s Witnesses: Watch Out for the Watchtower! Gordon E. Duggar   (Baker Book House,1985)

Out of Darkness Into Light: A Jehovah’s Witness Finds the Truth in Christ,  Peter Barnes (Equippers, 1984)

Questions for Jehovah’s Witnesses Who Love The Truth, William I. Cetnar   (Self‑published,1983)

Scripture Twisting: 20 Ways Me Cults Misread Me Bible, James W. Sire (Inter Varsity Press, 1980)

The Jehovah’s Witnesses’ New Testament, Robert H. Countess (Presbyterian and Reformed Pub. Co., 1982)

The Kingdom of The Cults, Walter Martin (Bethany House,1986)

The Orwellian World of Jehovah’s Witnesses, Heather and Gary Botting   (Univ.of Toronto Press, 1984)

Thus Saith… Me Governing Body of Jehovah’s Witnesses, Randall Watters (Bethel Ministries, 1984)

Unholy Devotion: Why Cults Lure Christians, Harold Bussell (Zondervan, 1983)

Who’s That Knocking At My Door? Alex Nova (self‑published, 1978)


FITAS CASSETES

Jehovah’s Witnesses and The Deity of Christ, Peter Barnes (Equippers,1983).

 

Fonte:http://desafioscristao.blogspot.com.br/2011/04/as-testemunhas-de-jeova-refutadas.html

               

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