fariseus (1)

OS NOVOS FARISEUS

apologética fariseus (1)OS NOVOS FARISEUS

“Estai, pois, firmes na liberdade com que Cristo nos libertou, e não torneis a colocar-vos debaixo do jugo da servidão” (Gálatas 5:1).

Na vida cristã, a perda da liberdade não acontece momentaneamente. Como a proverbial história da rã na chaleira de água quente, ela acontece aos poucos, em seu desempenho letal, sob a clandestinidade, sendo de dificílima recuperação, depois que o controle começa. O pior sobre a liberdade cristã é que, uma vez perdida, alguns cristãos já não mais a desejam, preferindo que alguns líderes tomem decisões por eles e, mesmo aqueles que admitem aborrecer a escravidão, têm medo de voltar a ser livres [Isso tem acontecido invariavelmente na maioria das congregações neopentecostais (carismáticas) , onde os líderes conseguem aprisionar os membros às leis do Velho Testamento, impedindo-os de ser livres conforme o Evangelho que Jesus Cristo entregou a Paulo, o Apóstolo dos gentios].

Minha entrada no mundo carismático foi motivo de grande regozijo pessoal. Numa Igreja de Montana, há 17 anos, fui à frente do santuário improvisado (num prédio alugado na Main Street) e recebi alegremente Jesus Cristo como meu Salvador e Senhor. Primeiro me atirei ao reino da exuberante adoração, do louvor e da atividade dançante, com gritos de aleluia. Sob muitos aspectos, essa foi uma bela fase de minha vida. Mesmo tendo entrado em estresse por causa de uma enfermidade debilitante e tendo me casado com problemas financeiros, essa foi uma fase de grande paz interior, durante a qual eu fui crescendo no conhecimento de Deus, tendo comunhão com os santos e me enriquecendo no estudo das Escrituras. Até hoje, não conheci maior alegria na vida do que receber o completo perdão dos meus pecados, podendo usufruir do amor do Pai, ao qual fui apresentado por um pequeno grupo cheio de entusiasmo.

O fato de que a Igreja à qual me filiei estivesse fortemente envolvida com o ministério de libertação, explosiva glossolalia, quedas no espírito e profecia pessoal, em nada atrapalhou minha genuína experiência de salvação. Contudo, essas coisas naturalmente tendiam a preparar o palco para a aceitação de crenças posteriores, as quais tive de encarar, quando me mudei para uma pequena comunidade no Alaska, uns 3 anos depois, tendo verificado que minha experiência anterior havia apontado apenas a ponta de um iceberg. Meu futuro envolvimento com uma congregação localizada na fronteira de uma terra, nos confins geográficos, conduziu-me a doutrinas que fizeram aquelas de minha primeira conexão parecer insípidas, quando se fizesse uma comparação.

Os doze anos passados nessa congregação no Alaska, inclusive dois anos como líder da adoração e cinco anos como presbítero, ensinaram-me algumas lições valiosas, sendo uma das principais a exigência divina de justiça. As centenas de itens da Lei do Velho Testamento entregues por Moisés aos fariseus acrescentaram rituais que haviam se desenvolvido com o passar dos anos, até que o fardo sobre o homem comum se tornou quase intolerável. Esses guardiões das Escrituras haviam realmente pervertido a Lei. Eles acrescentaram novas ordenanças aos Dez Mandamentos do Senhor, anulando, assim, a Palavra de Deus. Jesus condenou diretamente essa prática abominável, conforme Mateus 15:3-6: “Por que transgredis vós, também, o mandamento de Deus pela vossa tradição? Porque Deus ordenou, dizendo: Honra a teu pai e a tua mãe; e: Quem maldisser ao pai ou à mãe, certamente morrerá. Mas vós dizeis: Qualquer que disser ao pai ou à mãe: É oferta ao Senhor o que poderias aproveitar de mim; esse não precisa honrar nem a seu pai nem a sua mãe, e assim invalidastes, pela vossa tradição, o mandamento de Deus”.

A lavagem ritual dos jarros e dos copos (Marcos 7:8), as restrições às viagens nos sábados, e, inacreditavelmente, até as curas milagrosas nos sábados (Marcos 3:1-6) demonstravam as práticas de certos fariseus. Os princípios humanos haviam de fato anulado a Lei que Deus havia entregue ao Seu povo escolhido.

Embora, pessoalmente, os fariseus fossem homens justos diante de Deus, buscando-O de todo o coração, seus grupos, como um todo, haviam degenerado em uma empoeirada força política, moral e social, a qual, aparentemente se desviara do caminho, a fim de impor fardos espirituais sobre o povo judeu. Esses estatutos criados por homens haviam se tornado de tal modo onerosos, a ponto de esmagar a vida espiritual daqueles que originalmente pretendiam suportá-los, proibindo a sua entrada no reino de Deus, o qual os fariseus pretendiam pregar (Mateus 23:4,13). Infelizmente, eles haviam esquecido o exemplo do grande patriarca Abraão, o qual foi chamado “amigo de Deus” e cuja vida foi marcada por um relacionamento com o Deus vivo. Fazer da religião o “caminho certo” havia se tornado o fator predominante no ofício dos fariseus.

Conquanto muitos da liderança eclesiástica não possam ser exatamente alcunhados de fariseus no estrito significado do termo, muitas práticas e crenças atuais têm roubado dos sinceros cristãos congregados a liberdade que antes haviam conhecido, quando foram a Cristo. Especialmente nos grupos eclesiásticos da “Terceira Onda”, um movimento do qual minha ex congregação é uma ativa participante, um novo sistema de leis estabelecidas foi instituído, o qual, aos poucos, tem acrescentado cadeias invisíveis no relacionamento de uma pessoa com Cristo. Limites, cegueira e mordaças têm substituído as mãos levantadas, os olhos espirituais abertos e os lábios que, antes, sem medo, faziam orações e questionamentos.

O Espírito de religião – Uma coisa que nós, no movimento carismático, fomos ensinados a aborrecer, como um grupo, foi o chamado “espírito religioso”. Explicaram-nos que se tratava de um item de origem demoníaca, criado por homens, o qual suplantava o legítimo conhecimento de Deus. Conquanto superficialmente isso possa soar como algo bom, em certo ponto pode ser traduzido como estar atento a qualquer coisa que resista fortemente ao ponto de vista da liderança eclesiástica. Em nosso grupo, as pessoas que estavam “sob livramento”, um estado no qual, supostamente, os demônios são expulsos da pessoa, era invariavelmente dito que tal pessoa estava sob um “espírito religioso”, de uma ou de outra forma, o qual impedia que essa pessoa entrasse na completa provisão de Cristo.

Como presbítero, eu tinha a responsabilidade de fazer passeios ocasionais pelos corredores do prédio, a fim de localizar as crianças extraviadas e conduzi-las às suas áreas apropriadas – a EBD, os pais, etc. Certa vez, quando regressava de uma dessas inspeções, encontrei um dos membros de nossa congregação esparramado no chão e minha esposa quase apavorada. Parece que esse membro havia saído por um dos corredores, após ter orado e havia “caído no espírito”, após uma espécie de manifestação. Falando sobre isso, nosso pastor olhou diretamente para a congregação e falou com voz firme: “Se alguém tem algum problema com o que acaba de acontecer é porque tem um espírito religioso e precisa se libertar do mesmo!”

Nenhum questionamento, nenhuma opinião diferente seriam permitidos. Acreditem exatamente no que está acontecendo aqui, por mais estranho que seja, e se isso os incomoda, então é um demônio ou uma escravidão do coração e da mente e o problema é de vocês. Que vocês mesmos cuidem dele. Minha esposa não concordou de modo algum. Anos de participação em nossa congregação haviam lhe proporcionado uma certa medida de discernimento e ela conhecia bastante as obras da carne disfarçadas de roupagem “espiritual”, para conhecer a fonte da qual provinha o que ela acabara de testemunhar. Ela foi afetada pela proclamação do nosso pastor: “Ele acabou de dizer que eu tenho um espírito religioso!”. Ao tempo desse incidente, eu já havia entrado numa considerável soma de refutação, fazendo certos tipos errados de perguntas, por isso fiquei de boca fechada dessa vez. Contudo, não mais sucumbimos a esse rótulo particular da liderança que nos era muitas vezes imposto.

O mesmo tipo de raciocínio foi usado pelo Pr. John Kilpatrick, do Reavivamento de Brownsville, o qual observou que um membro de sua congregação começou a “manifestar demônios”, quando se recusou a reconhecer a suposta validade do reavivamento. É inegável que as igrejas da “Terceira Onda”, inclusive aquelas envolvidas na “Bênção de Toronto” e no Reavivamento de Brownsville, são notórias em endemoninhar os cristãos piedosos que não podem concordar com o comportamento ímpio em suas igrejas. A mensagem da liderança dessas igrejas é clara: – fique calado, sentado e sem perguntas. A liderança é que sabe das coisas.

Para o crente em Cristo, o problema é se existe algo errado em assumir uma honesta responsabilidade de crença e prática. Se alguém cai no chão do santuário, ri descontroladamente sem uma razão aparente, cai em transe, tem uma visão ou seja o que for, o dever dos que estão na igreja é discernir, julgar e refutar uma ou todas as doutrinas ou manifestações que não combinem com a Palavra de Deus escrita (1 Tessalonicenses 5:21). Quaisquer restrições impostas sobre uma sincera avaliação dessas coisas é uma regra de contravenção humana, a qual se torna um fardo difícil demais de carregar. Nesse ponto é colocada uma opção diante do crente… Ou se calar diante do fato ou ousar contestá-lo e receber o castigo subsequente. Isso certamente inclui uma exclusão da liderança e futuras restrições no que lhe é permitido ensinar e na liderança dos grupos de estudo da Bíblia nos lares, passando a ser considerado espiritualmente imaturo. Até mesmo ser obrigado a sair do grupo da Igreja, ao qual tem servido e amado.

Esteja ali, faça isso – Adoração, adoração e adoração.

Ninguém vai negar que o verdadeiro crente em Cristo é convocado a adorar, e a manter um saudável e satisfatório relacionamento com nosso Senhor, e que uma expressiva adoração é um dever. Existe em cada um de nós um desejo que não pode ser completamente abafado, um grito do coração que deve alcançar Deus e reconhecê-Lo como o Senhor da glória, traduzindo os sentimentos que se erguem dentro de nós, ao contemplar a Sua bondade e poder, para corresponder com o nosso espírito aos gemidos do Seu Espírito.

Contudo, para os que estão nas igrejas carismáticas, toda a adoração toma uma significação diferente. Conquanto, ostensivamente o propósito de uma parte da adoração no culto da Igreja é focalizar Cristo e glorificá-Lo, o que de fato acontece e é promovido é que o louvor e adoração se tornam um catalisador, no sentido de induzir o crente a chegar à “presença de Deus”. Calcula-se que seja necessário um tempo indefinido para “entrar” no lugar onde possamos derramar nossos cuidados mundanos e encontrar Deus, e invariavelmente esse tempo é amplamente adotado. Não é incomum escutar que os cultos nas igrejas perduram muitas horas, com dois ou três daqueles grupos devotados especialmente aos cânticos de louvor e adoração. Esse modo pressupõe ser uma luta entrar na presença do Senhor, manipulando as variadas Escrituras ao contrário. Uma das passagens mais facilmente lembradas nesse caso está na promessa de Jesus, em Mateus 11:28: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei”. Tudo que Jesus disse foi “vinde”. E Ele ali estará.

Também se admite que, depois que a congregação tenha finalmente “entrado”, é bom ali permanecer. E assim, as canções ou interlúdios musicais continuam intermináveis, muitas vezes.

Durante o meu tempo de líder da adoração, muitas vezes eu prolongava o tempo, escutando a voz do Senhor, e muitas vezes “sentindo” o momento apropriado para o ministério da imposição de mãos, enquanto a música tocava. Muitos caíam sob minhas mãos, caíam no espírito, enquanto a música tocava. Eu amava essa parte do ministério e achava ser a parte principal de todo o culto. A pregação da Palavra ocupava o segundo lugar em meu coração e eu não me aborrecia quando o restante do culto era tomado por manifestações, sem que nossas Bíblias fossem abertas. Demonstrações de poder não apenas espantavam a congregação, como também surtiam o efeito para que me sentisse aprovado por Deus. De fato, e isso é extremamente comum, quando as demonstrações de poder pareciam ter cessado, nós nos questionávamos e ficávamos desejando saber se teríamos feito alguma cosia que pudesse desagradar a Deus. Conquanto a salvação das almas fosse de importância primordial, nós a considerávamos apenas uma parte do evangelho, se os sinais e maravilhas também não ocupassem nossas reuniões.

Outra faceta da extensa adoração corporativa é a expressão dos dons espirituais da congregação, os quais seriam bíblicos e necessários, se é que o que se entendia por dons espirituais o fosse realmente… É triste e temeroso o fato de que, muitas vezes, seja exatamente o oposto que aconteça nesses cultos. Não posso dizer quantas vezes, durante o interlúdio da adoração, alguém começava a gritar em línguas, sempre questionavelmente interpretadas pela própria pessoa que as falava. Como é possível discernir, quando a mesma pessoa fala e interpreta as línguas que ela mesma falou? Isso tendo em vista que, na maioria das vezes, o que se entende por línguas não passa de uma canalização com um espírito do mal. [Irmãos, estas são declarações de um irmão pentecostal e não de uma batista fundamentalista como eu!].

Ao contrário do que acontecia normalmente na Escritura, nós éramos “treinados” na experiência inicial de falar em línguas, ensinados para “falar exatamente o que nos viesse à mente”, ou simplesmente falar sílabas indiscerníveis e o Espírito Santo tomaria o controle. Isso é totalmente o oposto do registro bíblico sobre os que falaram em línguas, um fato que aconteceu espontânea e inesperadamente aos que as receberam. Aqui se trata de outro caso. Outros irmãos, durante uma parte da adoração no culto profetizavam espontaneamente ou citavam algum verso da Escritura com uma interpretação intricada, com pouco ou nenhum julgamento bíblico da liderança.

A maior parte do tempo, em minha ex congregação, as palavras que supostamente procedessem de Deus deveriam ser enxugadas ou manipuladas, sem levar em conta as circunstâncias na vida da pessoa a quem fossem dirigidas, embora algumas até mesmo contivessem um registro bíblico em vários pontos.

As visões são também muito focalizadas nas horas de intensa e prolongada adoração nos cultos carismáticos. Anjos, demônios e o próprio Senhor Jesus viviam aparecendo aos crentes, nos cultos de minha ex igreja. Embora o Livro de Atos registre apenas umas trinta visões e aparições num período de umas três décadas, e assim mesmo a uma pequena parcela das mesmas pessoas, as quais provavelmente foram os pilares da Igreja Primitiva, hoje em dia nós superamos de longe, numericamente, os nossos antecessores. E de um modo especial. Enquanto no Novo e no Velho Testamento as visitas angelicais eram sempre marcadas com mensagens dirigidas a pessoas, ou por intervenção nas vidas humanas para resgate ou julgamento, em nossos dias atuais os anjos sempre aparecem apenas de pé, deleitando-se com o culto de adoração, sem preocupação alguma, a não ser a de ali estarem. Como sempre acontece que os mais espiritualmente imaturos tenham as mais impressionantes e frequentes visões, é o caso de se indagar por que tantos se aborrecem à ideia de progredir em sua maturidade no Senhor.

Interessante é que algumas dessas mesmas pessoas agraciadas com múltiplas visões ou com “palavras do Senhor”, sempre cheguem atrasadas à Igreja, como se o tempo ali não fosse importante. Cerca de 1/3 ou 1/4 das pessoas que vinham a um dos nossos cultos dominicais aparecia tarde, inclusive alguns dos nossos “profetas residentes”. Uma mulher, em particular, uma bela senhora, a qual devido às frequentes visões foi convencida pela nossa liderança de que possuía uma chamada profética, costumava muitas vezes aparecer após o início do culto, entrando no santuário com uma xícara de café na mão. Sentando-se na frente, ela adorava por um momento, sentava-se, sorvia um pouco do líquido escuro e depois adorava mais um pouco. Essa maneira de se aproximar de Deus era inteiramente encorajada pela liderança da congregação. [O slogan aqui deveria ser: quanto mais esquisito, mais espiritual!]

Claro que um prolongado tempo de adoração seria por demais cansativo sem as manifestações. Conquanto seja raramente declarado, este é um dos objetivos principais, no sentido de prolongar a adoração. Fazíamos isso o tempo inteiro, visando as manifestações. Quanto mais poder presente, melhor, sendo isso interpretado como Deus agindo entre o Seu povo. Espasmos, quedas no espírito, gritos “sob a unção”, contorções violentas, risos ou gritos incontroláveis e “embriaguez no espírito”… tudo isso eu testemunhava pessoalmente, participando e tendo, durante anos, promovido como ocorrências normais durante o seguimento da adoração no culto.

Finalmente, existe a quase universal característica entre os carismáticos da repetição dos corinhos. Isso se prolonga sempre e sempre, como um mantra. Algumas pessoas até gostam disso e é bonito, quando todos na reunião estão de acordo. Mas para outras, a cujo número eu eventualmente me ajuntava, depois de deixar a liderança na adoração, tratava-se de uma experiência de prolongada frustração. Havia horas em que se chegava a tal ápice de repetição de alguns versos que eu simplesmente precisava sair dali para não enlouquecer. Usando minha posição de presbítero, eu procurava outra alternativa de ação, como procurar crianças extraviadas nos corredores, conquanto o real motivo fosse escapar do santuário e de suas intermináveis canções. É vergonhoso dizer isso, eu suponho, mas a repetição de um verso ou coro, sempre e sempre, funciona espiritualmente como dreno e não serve para outro propósito senão o de promover o líder da adoração ou o conjunto musical. Conheci uma porção de visitantes que vinham aos nossos cultos e não mais voltavam porque não suportavam (ou entendiam) esse método.

Conquanto algum esforço tenha sido feito em meu ex grupo para cortar algum tempo na adoração, logo se desistiu. A razão apresentada foi: “Não queremos atrapalhar o Espírito Santo”. Isso foi observado, jocosamente, em uma das reuniões de nossa liderança, que poderíamos gastar uma ou quatro horas nos corinhos. Uma hora! Embora fosse dito em tom de brincadeira, era o que realmente acontecia. Tínhamos medo de “controlar a ação de Deus” e de forçá-Lo a entrar em um próprio esquema por nós estabelecido. Se diminuíssemos o tempo de adoração que havia sido estabelecido, Deus poderia nos castigar por não termos dado a Ele bastante do nosso tempo.

Se lêssemos nossas Bíblias, teríamos aprendido que não haveria razão alguma para estender indefinidamente nossa adoração, pois, segundo Cristo, “onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles”. (Mateus 18:20).

Quando nos reunimos simplesmente em o nome de Jesus, com um coração desejoso de encontrá-Lo e de escutar a Sua voz, isso é suficiente para que Ele se reúna a nós. Não é preciso uma hora ou duas para chamar a Sua atenção. Nós já somos o objeto dos Seus olhos e Ele tem prazer em estar conosco, quando nos reunimos em assembléia.

Isso não quer dizer que deveríamos apressar o culto na Igreja ou tratar Deus como quem está sempre com disposição de nos obedecer. E certamente existem ocasiões em que a Igreja é movida pelo Espírito de Deus a fazer uma pausa em arrependimento, admiração e temor do Senhor. Mas que haja um pouco de reflexão e piedosa humildade pessoal, antes de se tomar a decisão de abreviar um culto, embora a duração rotineira e repetição de alguns trechos sejam cansativos demais e até mesmo insuportáveis para muitos, tornando-se um genuíno obstáculo para uma adoração sincera.

Uma forte cobertura – A idéia de “cobertura” tem criado uma das mais notáveis distinções na vida do crente. A premissa é que deveríamos todos estar sob a autoridade da estrutura eclesiástica. Para o nosso benefício e proteção. É de fato um mandamento e exortação encontrados nas Escrituras. Lemos em Hebreus 13:7: “Lembrai-vos dos vossos pastores, que vos falaram a palavra de Deus, a fé dos quais imitai, atentando para a sua maneira de viver”

Se considerado biblicamente, isto de fato protege o rebanho de Deus e apascenta os que estão sob os seus cuidados. A liderança é colocada na Igreja com o propósito de educar os que Cristo salvou do mundo e separou para Ele mesmo. Mas isso deve ser realizado conforme a Sua maneira, com mansidão, porque Ele é manso (Mateus 11:29; 1 Pedro 5:1-3), com os olhos voltados para um mútuo bem estar.

Mas o que tem acontecido em muitos grupos, inclusive no meu ex grupo, é uma desnecessária intrusão nas vidas e nas consciências da média dos cristãos. Mesmo com a sinceridade da maior parte dos líderes da Igreja, a ideia de “cobertura” tem sido uma das áreas de abuso e manipulação, colocando um fardo sobre a vida do crente em Cristo. Esta é mais uma das nossas “leis não escritas”, que deve ser obedecida, por quem deseja receber o favor dos que estão no comando. E um dos métodos mais eficientes de doutrinar o seu povo com a validade desta regra é fazê-lo assistir a várias reuniões.

Este sempre foi um dos pontos de atrito entre o meu ex pastor e eu. Conquanto a congregação agendasse constantes anúncios de uma variedade de encontros domésticos, acompanhados pela admoestação feita no púlpito de “você precisa estar lá”, minha esposa e eu preferíamos um programa bem diferente, que era comparecer fielmente à Igreja nos domingos; e nos últimos anos, raramente íamos às reuniões no meio da semana. Nós acreditávamos firmemente que ficar mais tempo com a família seria mais importante do que levar os garotos para mais um culto, onde eles ficavam separados dos pais, após o término da adoração, entregues ao berçário, por toda a duração do mesmo. Depois de ficar o dia inteiro trabalhando e tendo de encarar a chegada do próximo dia de trabalho, a perspectiva de mais uma reunião, mais parecia um tédio do que uma edificação espiritual. Muitas dessas reuniões eram no mínimo questionáveis e muitas vezes apresentavam superastros carismáticos, com fama de grande discernimento espiritual, os quais eram escandalosamente antibíblicos. Dentre outras coisas, esses encontros englobavam o “riso santo” e todos os tipos de manifestações não bíblicas; mestres profétidos [Meu computador é tão bíblico que criou o termo “profétidos”, em vez de “proféticos”, o qual seria bem apropriado aos “gurus” do engodo carismático], como Rick Joyner (cujos livros “The Final Quest” e “The Call” apresentam uma visão impressa tão falsa como eu jamais vi antes); ministros da herética Palavra da fé, como Kenneth Copeland e Kenneth Hagin, e de estranhos movimentos religiosos como os de Toronto e do Reavivamento de Brownsville, com as suas manifestações animalescas de “nascimentos” e de gemidos. Seria de esperar que nossa relutância em nos expormos – minha esposa e eu – nos tornasse o objeto de balanços de cabeça e da proibição de falar.

Cheguei até o ponto em que a esposa do nosso pastor, uma senhora muito meiga e amorosa, preveniu-nos contra o nosso íntimo envolvimento com a escola cristã local (onde nossas duas filhas estavam matriculadas) . Ela aparentemente achava que passávamos muito tempo ali, visto como colaborávamos com os professores e passávamos meio dia por semana com nossas filhas em seu processo de aprendizagem. Ela deixou claro que nosso compromisso com a Igreja estava sendo substituído por um compromisso com uma organização “para-eclesiástica” , embora em nossa escola as crianças ouvissem o evangelho diariamente e fossem sistematicamente doutrinadas por devotados cristãos bíblicos.

James Dagger, em sua excelente crítica ao Movimento do Domínio, chamada “Vengeance Is Ours” (A Vingança é Nossa), observou astutamente que os pastores ficam meio cegos, quando deixam de notar a hesitação da congregação em aceitar cada reunião anunciada no púlpito. Enquanto os membros do seu rebanho em geral trabalham o dia inteiro para viver, o trabalho do pastor se resume à Igreja. Certamente ele pode dedicar ao rebanho um bocado de tempo, mas suas despesas são cobertas pelos dízimos e ofertas da congregação ou por uma missão que lhe envie os fundos necessários. Com uma semana de cinco dias de trabalho, ele pode devotar-se completamente à estrutura da Igreja. Visto como os programas instituídos foram por ele sancionados, ele os considera necessários para edificar o seu povo conduzindo-o à maturidade e, por isso, fica zangado e ofendido quando ele [o povo] não pode nem deseja adequar-se ao programa que ele criou.

Quando as pessoas são constantemente censuradas ou coagidas a frequentar uma conferência, aquela reunião especial ou o grupo doméstico, onde “tudo que é bom” supostamente vai acontecer, e não estão dispostas nem desejam fazer aquele sacrifício obrigatório, a culpa que as domina acaba tornando-as tímidas e ao mesmo tempo desejosas de abandonar a Igreja. O que presumivelmente poderia ser uma bênção ou método de turnos de disciplina, pode se transformar num rochedo destruidor de navios. [Aqui caberia perfeitamente a admoestação de Paulo feita em Gálatas 5:1].

Reuniões no meio da semana até podem ser boas, quando embasadas apenas nas Escrituras e não em experiências esotéricas, pois múltiplos ajuntamentos obrigatórios podem esmagar facilmente a vida dos cristãos que são forçados a assisti-los. É mais um tijolo que eles são obrigados a carregar em sua carga já tão pesada.

A verdade é que a liderança deve governar com amor.

“Mas Jesus, chamando-os a si, disse-lhes: Sabeis que os que julgam ser príncipes dos gentios, deles se assenhoreiam, e os seus grandes usam de autoridade sobre elas; mas entre vós não será assim; antes, qualquer que entre vós quiser ser grande, será vosso serviçal; e qualquer que dentre vós quiser ser o primeiro, será servo de todos. Porque o Filho do homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos” (Marcos 10:42-45).

A “Cobertura” englobava também a leitura escolhida de material recebido e aprovado pela nossa liderança. As obras de John Arnott, da Bênção de Toronto; de John Kilpatrick, do Reavivamento de Brownsville; de David, de Mike Brickle, líder do Tabernáculo; do apóstolo líder da “batalha espiritual”, C. Peter Wagner, todas elas ocupavam lugar de destaque em nossa biblioteca. Entrementes, homens como Dave Hunt, T. A. McMahon e o D. R. McCornell eram aviltados como “divisores” ou “rachadores de igrejas” e suas obras bem pesquisadas (por exemplo, “Sedução do Cristianismo” e “Um Evangelho Diferente”, respectivamente) eram colocadas numa versão papal do Index dos Livros Proibidos. A melhor maneira de conseguir a fúria do pastor era aparecer numa reunião doméstica com esses livros e algumas respostas impertinentes. Nunca esqueçam que as técnicas da Nova Era se instalaram confortavelmente dentro da Igreja, nem que os ensinos da Palavra da Fé são um amontoado de heresias que têm destruído a verdadeira fé cristã de muitos. Evitem falar contra irmãos como Wimber, Hagin, Copeland ou contra a irmã Meyers.

Profecias Infrutíferas – Talvez nenhum item afete mais a Igreja carismática de hoje do que os seus profetas e profecias. E o meu ex-grupo não era uma exceção. “Flutuando no Rio”, éramos uma Igreja com forte sabor “profético” e muitas personalidades proféticas; e seria natural que muitas pessoas estivessem sempre em busca de uma “palavra” daqueles que pareciam escutar mais intimamente a voz do Senhor.

É absolutamente imperativo entender o tremendo efeito que uma suposta declaração profética exerce sobre a fé de um cristão. Especialmente quando ele está desesperado para ouvir algo de Deus, qualquer profecia, genuína ou falsa, pode mudar o curso da vida da pessoa, a partir daquele ponto. E a assustadora evidência é que a maior parte do que passa como profecia em nossas igrejas não merece comentário… De tão patética.

Eu estava lá, quando um bom amigo meu recebeu uma profecia. A atmosfera em nossa congregação ficou carregada, quando o ministro visitante começou orando sobre uma pessoa após a outra. Quando chegou a vez do meu amigo, foi-lhe dito que ele iria exercer um grande ministério de cura, o que o deixou entusiasmado. Dois anos depois, ele faleceu repentinamente de ataque cardíaco, sem qualquer cumprimento da tal profecia. Sua esposa, também cristã, veio à Igreja uma ou duas vezes, após sua morte, depois parou de vez. Embora nosso o pastor mencionasse a possibilidade de falhas na profecia, ele jamais lhe deu o verdadeiro nome – falsa. Que eu saiba muito bem, jamais usamos esta palavra em meus 12 anos de congregação, mesmo com os contínuos fracassos de uma profecia depois da outra, que ali no santuário nunca se cumpriam.

Algumas boas desculpas inventadas têm sido dadas pela chamada “comunidade profética” a fim de encobrir o fracasso de suas inspirações “divinamente recebidas”. O famoso Bob Jones, Profeta de Kansas City, e do seu discípulo Rick Joyner, concordam ambos que a palavra profética contém apenas 30-60% de verdade em seu conjunto narrativo, significando ser possível profetizar até 70% do tempo erroneamente e ainda ser considerado um verdadeiro profeta de Deus! Existe ainda o caso da profecia ser condicional, embasada no cumprimento de certas condições. Engraçado é que eles jamais mencionam à pessoa que está recebendo a profecia as condições exatas exigidas por Deus para o cumprimento da profecia. Eles sempre deixam a pessoa tropeçando no escuro, na esperança de não atrapalhar a “palavra” que lhe foi dada. E é claro que existe a hora favorita de “comer a carne e chupar os ossos”, uma referência ao contentamento carnal de uma profecia misturada com a genuína palavra do Espírito. Meu ex-pastor costumava sempre nos apressar a aceitar esse critério, observando que “sempre existe uma mistura e as coisas funcionam exatamente assim”.

Será verdade? Parece que Deus tem um modelo um tanto diferente.

“E, se disseres no teu coração: Como conhecerei a palavra que o SENHOR não falou? Quando o profeta falar em nome do SENHOR, e essa palavra não se cumprir, nem suceder assim; esta é palavra que o SENHOR não falou; com soberba a falou aquele profeta; não tenhas temor dele” (Deuteronômio 18:21-22).

É totalmente constrangedor que os auto-professos líderes do Cristianismo Carismático, que afirmam falar face a face com Cristo e escutar sua Palavra imutável, não consigam reconhecer a validade da exata Escritura que admoesta sobre suas práticas!

As desculpas acima são apenas tolice; uma dança verbal exibida de forma coreográfica, a fim de desviar a atenção do assunto em pauta. O final a respeito da profecia é o seguinte: ela é verdadeira ou falsa? A pessoa que está falando se limita ao Cristianismo Bíblico ou adaptou convenientemente as Escrituras, a fim de autenticar suas posições doutrinárias? Isso, normalmente, é a pedra fundamental da liderança sectária dos grupos mundiais, como os Mórmons, as TJs, indo até as seitas menores como a Two-By-Twos. A maior parte da comunidade profética atual se enquadra perfeitamente nesta categoria. Vi pessoalmente isso acontecer muito mais vezes do que eu possa me lembrar e também compartilhei na idolatria de homens, cujas auto-proclamadas palavras inspiradas” se dissolviam em embaraçosa nulidade, com monótona regularidade.

Uma vez que a falsa profecia é falada sobre um crente sem discernimento, essa suposta “palavra divina” funciona como uma corrente ao redor do seu pescoço. Pois quando ela não acontece, a depressão vai rebaixá-lo, levando-o a questionar a sua relação com Deus ou até mesmo a sua salvação; ou pode torná-lo amargo contra o Senhor, O qual ele acreditava, antes de tudo, ter feito a promessa. Aonde quer que ele vá, irá escutar o barulho e peso das fortes correntes, sempre lembrando-o que deve ter feito algo errado ou que Deus realmente não se importa com ele.

Podemos apenas supor quantos cristãos abatidos pela culpa e desespero caíram na apostasia, por causa da falsa profecia. Ezequiel 34 fala de um tremendo julgamento para aqueles pastores que deixaram suas ovelhas desgarradas por todos os montes, e por todo o alto outeiro, tendo-se apascentado a si mesmos (versos 6 e 8).

Posso mencionar que a profecia mais fantástica e absolutamente imutável pode ser encontrada somente na Bíblia. Ali se encontra tudo que é necessário saber sobre os problemas, alegrias, decepções e temores do crente. Ela é a exata Palavra de Deus e o seu poder de transformar, curar e suprir de fé o crente mais fraco jamais diminuiu em milhares de anos, desde que a sua primeira sentença foi escrita.

“A lei do SENHOR é perfeita, e refrigera a alma; o testemunho do SENHOR é fiel, e dá sabedoria aos símplices” (Salmos 19:7).

Com todas as palavras proféticas “inseguras” voando por aí nos dias de hoje, e destruindo a vida de tantos crentes, é bom e gratificante saber que a legítima Palavra de Deus jamais muda. Numa Igreja devorada pelas falsas profecias, a garantia das Escrituras funciona como uma âncora que nos sustém, até que passe a tempestade e Cristo volte para os Seus.

Sobre o Dízimo – É de se indagar por que a mais prevalecente doutrina na Igreja é tão bem recebida, até mesmo por aqueles que ardentemente repelem qualquer tipo de ministério abusivo, os quais costumam defendê-la ardentemente? Leiamos Malaquias 3:8-11:

“Roubará o homem a Deus? Todavia vós me roubais, e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas. Com maldição sois amaldiçoados, porque a mim me roubais, sim, toda esta nação. Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim nisto, diz o SENHOR dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós uma bênção tal até que não haja lugar suficiente para a recolherdes. E por causa de vós repreenderei o devorador, e ele não destruirá os frutos da vossa terra; e a vossa vide no campo não será estéril, diz o SENHOR dos Exércitos”.

Esta passagem, muito familiar a todos os que frequentam uma igreja, por um certo período de tempo, tem se transformado num fardo mais pesado do que todos os outros, mesmo nada tendo a ver com o crente do Novo Testamento. Usada para manipular os crentes por uma enorme gangue profética do Domínio, da Palavra da fé e outros ministros tele-evangelistas, a mistura das leis do Velho Testamento dos dízimos e ofertas caiu sobre bilhões de cristãos somente no século passado. Ela tem sido usada para locupletar os bolsos dos ministros super-astros, cujo vergonhoso comércio do Evangelho tem manchado o Nome de Cristo, desviando o verdadeiro sentido da mensagem da cruz.

Mesmo sem entrar em muitos detalhes, as comparações entre as leis do Velho Testamento sobre os dízimos e ofertas e dos princípios do Novo Testamento de dadivar, contrastam de modo tão rompante que é virtualmente impossível ignorar essas diferenças.

O certo é que os dízimos do Velho Testamento eram exclusivos da nação de Israel. Os versos acima indicam isso muito claramente. Era uma demonstração física do povo judeu do seu relacionamento em Aliança com o Senhor. Era um dever pessoal do judeu e de toda a nação de Israel dar o dízimo, a fim de cumprir a lei. Se não o entregassem, seriam amaldiçoados.

Não existe uma nação de Cristãos. Nossa aliança é a do coração. Cristo já cumpriu toda a Lei em nosso lugar (Romanos 8:3-4). A obrigação da observância externa de estatutos religiosos (como a circuncisão e os dízimos) já foi anulada. Quando Paulo soube que os judaizantes tentavam impor a circuncisão à comunidade cristã, ele amaldiçoou todos eles por estarem subvertendo a Lei da Graça (Gálatas 1:6-9). O objetivo principal do livro de Gálatas foi mostrar que já não estamos sob a Lei nem a Lei pode nos justificar (Gálatas 3:10-11). Ele até diz no verso 10 que “Todos aqueles, pois, que são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las”. E está claro que a circuncisão está aqui incluída, exatamente como as práticas do templo, o sacerdócio, etc. Visto como essas coisas já não são praticadas pelos cristãos, o dízimo está incluído na mesma área. Do mesmo modo como Malaquias amaldiçoa os que não dizimam [em Gálatas 3:10 são amaldiçoados os que dizimam], em Gálatas 3:13 somos redimidos da maldição da Lei. Portanto, não podemos ser amaldiçoados por qualquer falta de cumprimento da Lei de Moisés.

Também é óbvio que o dízimo do Velho Testamento era uma exigência, sem exceção. Contudo, somos ensinados na 2 Coríntios 9:7 que não devemos dar compulsoriamente, mas o que o nosso coração propõe.

Os dízimos eram usados para manter o sacerdócio levítico nos cultos do Templo (Números 18:21-30). No Novo Testamento, todos os cristãos compõem o sacerdócio (Apocalipse 1:6) e os próprios crentes são o templo do Espírito Santo (1 Coríntios 6:19), o único templo onde Deus habita.

Embora pudéssemos continuar sempre e sempre, apenas mais um ponto importante deveria ser mencionado sobre o assunto. Os dízimos eram calculados somente sobre o aumento das colheitas e dos rebanhos dos judeus, sendo pago em grãos e gado (Deuteronômio 14:22-23). Somente quando o dizimista morava longe demais do Templo, para fazer a viagem anual com uma caravana de sua mercadoria, o dízimo poderia ser transformado em dinheiro, com 1/5 acrescentado ao preço (Levítico 27:30-33, Deuteronômio 14:24-25).

Ora, é necessário dançar um twist, para dizer que o edifício da igreja local representa o Templo, onde os dízimos eram armazenados; e, visto como é muito complicado trazer nosso rebanho, produto, vinho novo, etc. à igreja, então é-nos permitido trazer o nosso dízimo em lugar disso. Mas, lembrem-se que devemos acrescentar 1/5 ao preço, dando, desse modo, mais do que o dízimo tradicional, que é 10%. E tudo isso devemos fazer para manter o sacerdócio levítico, o qual, simbolicamente, é o nosso pastor… [Não é um absurdo?]

Pode-se imaginar até onde vai esse absurdo! Todo o argumento cai, quando o assunto é tomado no contexto. [A especialidade dos pastores carismáticos é usar o Velho Testamento e pior do que isso, usar textos fora do contexto, a fim de engodar os iletrados bíblicos]. No contexto atual, devemos dadivar generosamente, mas nada devemos entregar em forma de dízimo. Somos apenas mordomos do que pertence ao Senhor. (1*)Mas, torcer o braço financeiro do membro da igreja ou colocar um pesado fardo de culpa sobre os seus ombros, quando ele deixa de cumprir exigências, é farisaísmo. Acessem a TBN e vejam quem é quem no tele-evangelismo; escutem a incessante petição de dinheiro – ao mesmo tempo em que Paul e Jean Crouch vivem em luxo milionário; Benny Hinn vivendo numa mansão luxuosa e usando ternos de centenas de dólares; cada um deles zombando do seguidor de Cristo; sem falar na abundância da casa e na enorme riqueza de Morris Cerullo; uma geração [de apóstolos/profetas] que leva o Evangelho de Cristo ao ridículo perante o mundo, bem como à avareza e inveja dos muitos aderentes da Teologia da Fé.

Quando um desses religiosos aparecer pedindo sua ajuda para manter o seu opulento estilo de vida e você se privar do seu último centavo, tentando enviar-lho, veja qual vai ser a resposta que vai receber. Quem sabe, você pode até começar a fazer parte de sua lista do correio?… [Se a oferta for generosa! Aqui no Brasil, temos um desses televisivos famintos de ouro, cujo apelido que lhe demos foi “MALACHEIA”, pois ele costuma usar 90% do seu programa de TV pedindo dinheiro e 10% pregando um “evangelho penteca”.]

(*) Obs.da produção do site: não partilhamos desta interpretação, por considerá-la contrária ao entendimento sobre o dízimo no Novo Testamento)

Conclusão

Claro que ainda tem mais. A prática de atirar maus espíritos sobre os cristãos, o que causa indesejável temor de opressão e possessão demoníaca, ou, pelo contrário, provê um bode expiatório para os que secretamente amam os seus pecados, tem se tornado outro tijolo na carga do crente, o qual já está quase desmaiando, esmagado pela opressão da tradição carismática. Cair no espírito, uma prática na qual o cristão é encorajado e cair ao chão e mergulhar na “unção”, cria uma atmosfera de ansiedade, no sentido em que a pessoa não deseja ficar fora dessa experiência ou pensa que é “difícil recebê-la”. A pressão sobre os membros para concordar com tudo isso é tremenda. Vi pessoas em meu grupo achando que cair no chão significaria ter visões da presença do Senhor.

Conquanto a reunião dos santos devesse ser um local de liberdade em Cristo, de cura, de restauração e renovação de compromisso, ela tem sido reestruturada pela mão do homem, transformando- se numa arena de descontentes, sobrecarregados de exigências pesadas ou de exibições de selvagem falta de controle. A verdadeira liberdade do Espírito de Deus foi adquirida à custa do precioso sangue de Cristo. Essa maravilhosa porção de nossa herança jamais deveria ser trocada por um prato de lentilhas.

Existe uma fuga bíblica de todas essas regras rituais. Mas ela exige a determinação de viver somente para Cristo, sem jamais esperar o favor ou aprovação dos homens. É importante lembrar que a porta de cada edifício eclesiástico apresenta as duas mãos. A frequência não é exigida. Se, após um certo período de tempo, no qual você escolheu publicamente aceitar esses itens (e você não pode calar, depois de conhecer a verdade), a liderança da Igreja não demonstrar qualquer inclinação no sentido de mudar a sua agenda, então chegou a hora de você sair da Igreja. É uma boa ideia escrever uma carta formal ao pastor e aos presbíteros, explicando sua posição. Eles já a conhecem, de qualquer maneira, mas para o registro da Igreja seus pontos de vista devem ser claramente declarados. Guarde uma cópia para você mesmo, para o caso da liderança negar que foi informada de suas preocupações (o que acontece muitas vezes). Também cópias dessa carta deveriam ser enviadas a vários membros da congregação, para evitar qualquer disse me disse inventado pelo pastor ou pelos presbíteros contra você, passando-o para o grupo. Ninguém na frequência ou no arquivo de minha ex congregação, pelo que eu saiba, foi corretamente informado sobre os motivos de minha saída. A liderança simplesmente comunicou a partida de minha família devido a algumas ligeiras diferenças de doutrina, sem jamais ter mencionado o dilúvio de aberrações e heresias do Latter Rain, Toronto, Brownsville ou Palavra da Fé, as quais foram impostas ao nosso grupo durante os 12 anos em que minha família ali esteve. Uma carta subsequente escrita para uma dúzia de membros logo esclareceu o assunto, pelo menos quanto às razões de nossa partida. Ninguém no grupo se deu ao trabalho de fazer uma pesquisa bíblica por sua conta e a maioria passou a nos evitar, depois disso, mas pelo menos esses irmãos ficaram conhecendo a nossa posição.

Depois de ter sido agrilhoado a regras humanas, por um longo tempo, a liberdade é jubilosa. Mas ela pode também causar medo, no princípio. É comum pessoas lhe dizerem o que fazer, mesmo que você não goste de ser comandado. Mas seguir a Cristo de todo o nosso coração é uma experiência que, pós ter sido saboreada, jamais poderá ser cambiada por um cartão de membresia. Encontre-se com pessoas que tenham o mesmo modo de pensar, encontre uma Igreja que pregue a Palavra de Deus sem adulteração e conserve o seu discernimento bem aguçado. E sempre dê glória a Deus por estar livre, a fim de adorá-Lo em Espírito e em verdade.

“Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (João 8:36).

Artigo – “The New Pharisees”, de Kevin Reeves – kreeves@aptalaska. net

Traduzido por Mary Schultze, 31/07/2007 – http://www.cpr. org.br/Mary. htm

Revisão feita por Humberto Fontes.

Fonte: http://www.fimdosdias.com.br/?q=node/186

 

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