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A graça de Deus e Mefibosete

A GRAÇA DE DEUS E MEFIBOSETE

A graça de Deus e MefiboseteA GRAÇA DE DEUS E MEFIBOSETE

“Disse Davi: Resta ainda, porventura, alguém da casa de Saul, para que use eu de bondade para com ele, por amor de Jônatas? Havia um servo na casa de Saul cujo nome era Ziba; chamaram-no que viesse a Davi. Perguntou-lhe o rei: És tu Ziba? Respondeu: Eu mesmo, teu servo. Disse-lhe o rei: Não há ainda alguém da casa de Saul para que use eu da bondade de Deus para com ele? Então, Ziba respondeu ao rei: Ainda há um filho de Jônatas, aleijado de ambos os pés.” II Sm 9:1-3

 Alguém já disse que graça de Deus é presente dado sem que mereçamos.

A graça portuguesa vem do latim Gratus, agradável, amável.
Dentro da teologia cristã, a “graça” vem indicar o favor divino; gratuitamente oferecido, com base na missão de Cristo, recebida através da confiança humana na palavra de Cristo.
O vocábulo: No grego é ‘charis’. A palavra traduzida por “graça” envolve muitos sentidos. Significa:Graciosidade, atrativos, favor, cuidados ou ajuda graciosa, boa vontade, dom gracioso.
Esse texto é um relato de graça e favor imerecido, do Rei Davi para com Mefibosete, filho de Jônatas, homem mui amado de Davi, que tempos atrás havia feito uma aliança com Jônatas de fidelidade e bênção.
É uma história semelhante a que Deus o Rei dos reis (Davi), por causa de seu amor ao filho (Jônatas), abençoa os homens (Mefibosete), apesar de seus pecados.
UM CORAÇÃO TRANSBORDANTE DE GRAÇA
Davi, um vencedor, todas as batalhas foram por ele ganhas, ficou muito rico e abastado.
Uma pergunta graciosa. “ Resta ainda, porventura, alguém da casa de Saul., para que use eu de bondade para com ele, por amor de Jônatas” II Samuel 9:1
Davi havia feito uma aliança de amor e fidelidade perpétua com Jônatas e sua posteridade. I Sm 20:13-17
O termo amor, usado por Davi, vem do hebraico “hesed”, que significa: Misericórdia, bondade, amor permanente, firme, imutável.
Um servo depreciador: Ziba. “ Disse-lhe o rei: Não há ainda alguém da casa de Saul para que use eu de bondade de Deus para com ele? Então Ziba respondeu ao rei: Ainda há um filho de Jônatas, aleijado de ambos os pés.” (II Samuel 9:3)
Davi não estava perguntando as propriedades físicas do indivíduo; se perneta, aleijado, bom, se era rico, pobre, ou merecedor da graça; o que ele queria era oferecer, presentear Mefibosete.
Um aleijado em Lo-debar. Em hebraico significa: um lugar árido; em português, o nome pode significar:terra onde não há pasto. É como se o servo de dissesse que o filho de Jônatas estava vivendo no sítio de completa aridez; aonde não havia colheitas, despovoado, um deserto.
Buscando o aleijado. (II Samuel 9:5) “… mandou o rei Davi trazê-lo de Lo-debar…”
Mefibosete recebeu o convite e aceitou ir a até o Rei. ( Mt 22:1-14)
Palavras consoladoras de Davi para com Mefibosete, um servo desconfiado. “Não temas, porque usarei de bondade para contigo por amor de Jônatas, teu pai…” II Samuel 9:7
Auto-depreciação. “ … Quem é teu servo, para teres olhado para um cão morto tal como eu? II Samuel 9:8
- ‘ Eu, um zé mané; eu vivo na miséria, ninguém liga pra mim; eu não sirvo pra nada, eu sou pobre. Quem sou eu?!? Pobre só serve para sofrer.
Uma dádiva imerecida. De fato, Mefibosete não tinha feito nada que ganhasse este presente. Mas, houve uma promessa entre Davi e Jônatas. Aquele dia era dia de graça, e Mefibosete por ser filho de Jônatas, era o receptor da graça de Davi. “… Por amor de Jônatas..”
O que ele ganhou: Terrenos, casas, servos, riquezas, e o direito de comer na mesa do rei, junto com seus filhos. II Samuel 9:10,11 ( Sl 113:7-9)
AS COMPARAÇÕES DA GRAÇA DE DEUS EM NOSSAS VIDAS
Mefibosete, antes tinha a companhia do Pai. Mefibosete lembra Adão e sua descendência, um dia ele era perfeito, porém caiu em pecado e ficou marcado para toda a vida. Rm. 5:12
Deus  (Davi) por amor de Jesus  (Jônatas), estendeu a sua graça aos homens ( Mefibosete) através da cruz; seu amor foi manifesto. ( Jo 3:16)
Mefibosete, aleijado, nada fez e nada merecia. “ Pela graça sois salvo, mediante a fé e isso não vem de vós, é dom de Deus, não de obras, para que ninguém se glorie.” Ef 2:8
Devemos humildemente receber a graça de Deus através de Jesus Cristo, nosso Salvador.
O rei removeu o aleijado de sua miserável existência, de um lugar árido e desolado para um lugar de comunhão, riqueza e honra.
O Deus nosso pai, faz o mesmo por nós, Ele nos liberta de nosso ‘Lo-debar’ pessoal de miséria e depravação e nos leva para um lugar de bênção, de honra e riqueza; a comunhão com Ele, comendo as iguarias  do rei, e sentando ao lado de seus filhos: os príncipes de Deus.
O ato de coxear, era a marca, a lembrança constante de que Mefibosete, nada valia, e que a graça de Deus, é que foi abundante na sua vida.
“ Porque onde abundou o pecado, superabundou a graça.” Rm 5:15-17
Mefibosete sentou-se à mesa, junto com outros filhos do rei: Salomão, Absalão…;
Somos convidados a sentarmos juntamente com  os filhos de Deus, os heróis: Paulo, Pedro, Tiago, Barnabé, Priscila, Febe, Maria, Lucas, Mártires, reformadores, evangelistas…”.
A vida de Mefibosete, é semelhante a nossa, Deus tem oferecido a humanidade a sua graça, o seu amor e sua misericórdia.
Mefibosete, foi convidado para receber essa graça, aceitou e sentou-se  ao lado de príncipes, filhos do rei.
Jônatas um tipo de Jesus, e Mefibosete, somos nós, com nossas marcas e imperfeições, mas, Deus tem tido misericórdias de nós. Ele nos salvou pela sua infinita graça. “… Pela graça sois salvo…”
Alguns têm rejeitado a graça de Deus. “ Então disse Davi: usarei de bondade para com Hanum, filho de Naas. Como seu Pai usou de misericórdia para comigo…” II Sm 10:2
Os servos enviados como consoladores, saíram envergonhados daquela cidade, por que, o rei e seus súditos, não aceitaram a graça de Davi. Por causa dessa rejeição, sofreram as conseqüências de sua ingratidão.
A graça de Deus tem sido oferecida a todos os homens sem distinção de raça, cor ou nível social, como disse Jesus: “Quem tiver sede venha a mim e beba, quem crer em mim como diz as Escrituras do seu interior fluirão rios de águas vivas”. João 7:37,38
Hoje, é um bom dia para receber a graça de Deus sobre tua vida. Receba e passe a comer a comida de príncipe na mesa do Rei da Glória.
Pr Francisco Nascimento

Fonte: http://pregacoesfn.wordpress.com/

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unção

Unção com Óleo – uma reflexão bíblica e histórica

apologética unçãoUnção com Óleo – uma reflexão bíblica e histórica

 

“E vós tendes a unção do Santo, e sabeis tudo” (1Jo 2.20)

“E a unção que vós recebestes dele, fica em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a sua unção vos ensina todas as coisas, e é verdadeira, e não é mentira, como ela vos ensinou, assim nele permanecereis” (1Jo 2.27)

Introdução

Este é um assunto controverso e difícil. E, cabe aqui uma análise teológica sobre as práticas da Igreja quanto a este assunto, levando em conta primeiro e especialmente o que nos informam as Escrituras Sagradas, depois olhando para a história da Igreja, de modo a que possamos ver de que forma este assunto foi tratado no decorrer do tempo, de modo a que possamos avaliar com maior propriedade o que hoje é praticado, e com conhecimento de causa, possamos estabelecer o que deve ser feito quanto à esta importante questão.

A unção nas Escrituras Sagradas

Em vários locais das Escrituras Sagradas encontramos o ato de ungir. Não há como ignorá-lo. Mas, é importante notarmos que invariavelmente o ato de ungir, quando se referindo à área espiritual, sempre teve o objetivo de separar e consagrar.

Há também outros usos para a unção, os quais iremos analisar mais à frente em nosso estudo. Um importante detalhe que pode ser observado nas Escrituras Sagradas é que em momento algum, nenhuma mulher foi ungida para uma tarefa na área espiritual. Não há nenhuma referência a mulheres sendo ungidas seja para o serviço sacerdotal ou para reinar.

Unção de Objetos

Muitos objetos foram separados para serem utilizados no tabernáculo, e como o próprio tabernáculo, eram também ungidos de modo a consagrá-los ao Senhor. A ritualística da unção era usada para se separar e consagrar estes objetos ao uso no culto a Deus.

“E disto farás o azeite da santa unção, o perfume composto segundo a obra do perfumista: este será o azeite da santa unção. (26) E com ele ungirás a tenda da congregação, e a arca do testemunho, (27) E a mesa com todos os seus utensílios, e o candelabro com os seus utensílios, e o altar do incenso. (28) E o altar do holocausto com todos os seus utensílios, e a pia com a sua base. (29) Assim santificarás estas coisas, para que sejam santíssimas; tudo o que tocar nelas será santo.” (Êxodo 30.25-29 ACF)

“Também cada dia prepararás um novilho por sacrifício pelo pecado para as expiações, e purificarás o altar, fazendo expiação sobre ele; e o ungirás para santificá-lo. (37) Sete dias farás expiação pelo altar, e o santificarás; e o altar será santíssimo; tudo o que tocar o altar será santo.” (Êxodo 29.36-37 ACF)

O claro entendimento dos textos acima é que os objetos ungidos se tornavam santos, ou santificados, e também santificadores, pois, tudo o que neles tocasse se tornaria também santo. Hoje temos vários objetos separados para uso específico, durante os cultos a Deus em nossas Igrejas , como púlpitos, mesas, cadeiras, genuflexórios, cálices para a ceia, etc., contudo, não os ungimos para torná-los santos, ou santificadores. Isto se deve à teologia do Novo Testamento, que afirma categoricamente que desde a vinda do Senhor Jesus Cristo, santos são aqueles que são salvos através da redenção pelo Seu sangue derramado na cruz, e pela Sua ressurreição dos mortos:

“Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? (17) Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá; porque o templo de Deus, que sois vós, é santo.” (I Coríntios 3.16-17 ACF)

“Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? (20) Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus.” (I Coríntios 6.19-20 ACF)

O Templo de adoração passou a ser o coração do salvo, não mais um local de tijolos e pedras. O véu do antigo Templo se rasgou no momento em que Jesus Cristo cumpriu sua missão na cruz:

“E eis que o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo; e tremeu a terra, e fenderam-se as pedras;” (Mt 27.51)

Neste momento se estabeleceu uma Nova Aliança: Através de Jesus Cristo passamos a ter acesso direto ao Pai, sem a necessidade de qualquer outra intermediação, sem a necessidade de qualquer sacrifício físico, sem a necessidade de quaisquer obras humanas:

“Porque por ele ambos temos acesso ao Pai em um mesmo Espírito. (19) Assim que já não sois estrangeiros, nem forasteiros, mas concidadãos dos santos, e da família de Deus; (20) Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina; (21) No qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para templo santo no Senhor. (22) No qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus em Espírito.” (Efésios 2.18-22 ACF)

Nenhuma carne é justificada pelas obras da lei. Não cabe, portanto, qualquer ação humana, como a unção de objetos de modo a nos tornarmos santos ou santificados:

“Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo , temos também crido em Jesus Cristo , para sermos justificados pela fé em Cristo, e não pelas obras da lei; porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada.” (Gálatas 2.16 ACF)

Partindo deste princípio, claramente estabelecido pelas Escrituras Sagradas, qualquer objeto que tenha sido feito“santo” através de um processo de unção, ou através de qualquer outro meio ou ação humana, passa a ser objeto de idolatria, e abominação ao Senhor, pois, vilipendia o sacrifício de Jesus Cristo. Sacrifício este feito, de uma vez por todas, na cruz. Ato completo e perfeito na Sua ressurreição, não restando qualquer outra obra a ser feita, não necessitando de qualquer ação adicional.

Deste modo, atribuir-se poder a qualquer objeto inanimado, a qualquer produto ou alimento, é ato de misticismo, sendo deliberado desrespeito para com a divindade do Senhor Jesus, ao qual foi dado todo o poder no céu e na terra:

“E, chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: É-me dado todo o poder no céu e na terra.” (Mateus 28.18 ACF)

Tudo o que desejamos ou precisamos, devemos levar diretamente a Deus, em oração:

“Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças.” (Filipenses 4.6 ACF)

Pedindo sempre em nome de Jesus Cristo, e nunca utilizando fetichismos ou superstições, nada de águas, ou óleos “santos” ou mágicos, ou pedras, ou madeiras, ou qualquer outra coisa criada. Nada deve ser colocado como meio de obtenção de graça, pois o nosso único meio de graça é o Senhor Jesus Cristo:

“Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto em meu nome pedirdes ao Pai ele vo-lo conceda.” (João 15.16 ACF)

Unção de Pessoas

A unção de pessoas era feita, quando com propósitos espirituais, com o objetivo de separar-se esta pessoa para uma tarefa específica, seja enquanto rei, sacerdote ou profeta. É importante também notar que todas estas tarefas eram realizadas em conjunto com o objetivo de guiar o povo de Deus tanto espiritualmente quanto secularmente. Também é importante ver que estas tarefas foram todas assumidas por Jesus Cristo, o ungido de Deus. Assim, Cristo é Sacerdote, Profeta e Rei. Já no Novo Testamento esta ação, a unção de pessoas, foi substituída pela imposição de mãos, a qual outorga autoridade para ministrar, educar e servir, como até hoje é feito na ordenação de pastores e diáconos. Há que se entender, entretanto, que este processo não tem exatamente a mesma significação da unção com óleo de outrora, não há qualquer santificação sendo conferida através deste ato, pois, a santificação ocorre no momento da conversão quando o salvo é selado pelo Espírito de Deus, e não há também qualquer transferência de poder, pois, todo o poder está nas mãos de Jesus Cristo(Mateus 28.18), mas, este ato indica com firmeza que aquele que está sendo ordenado, é reconhecido pela Igreja como tendo sido separado por Deus para esta obra.

Unção de Reis

Os reis eram ungidos como libertadores para o povo de Israel e para governar sobre o povo como seu pastor:

“Amanhã a estas horas te enviarei um homem da terra de Benjamim, o qual ungirás por capitão sobre o meu povo de Israel, e ele livrará o meu povo da mão dos filisteus; porque tenho olhado para o meu povo; porque o seu clamor chegou a mim.” (I Samuel 9.16 ACF)

Unção de Sacerdotes

Deus instruiu Moisés a ungir sacerdotes, de modo a consagrá-los e reconhecê-los como pessoas separadas para servir a Deus através do sacerdócio. Os sacerdotes julgavam sobre as diferenças entre as pessoas do povo, faziam expiação, santificavam o povo perante Deus, ouviam confissões de pecados, faziam sacrifícios de ação de graças e supervisionava os trabalhos no tabernáculo, entre outras tarefas.

“E vestirás a Arão as vestes santas, e o ungirás, e o santificarás, para que me administre o sacerdócio. (14) Também farás chegar a seus filhos, e lhes vestirás as túnicas, (15) E os ungirás como ungiste a seu pai, para que me administrem o sacerdócio, e a sua unção lhes será por sacerdócio perpétuo nas suas gerações.” (Êxodo 40.13-15 ACF)

Unção de profetas

O ofício profético era estabelecido pelo ato da unção:

“O espírito do Senhor DEUS está sobre mim; porque o SENHOR me ungiu, para pregar boas novas aos mansos; enviou-me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos; (2) A apregoar o ano aceitável do SENHOR e o dia da vingança do nosso Deus; a consolar todos os tristes; (3) A ordenar acerca dos tristes de Sião que se lhes dê glória em vez de cinza, óleo de gozo em vez de tristeza, vestes de louvor em vez de espírito angustiado; a fim de que se chamem árvores de justiça, plantações do SENHOR, para que ele seja glorificado.” (Isaías 61.1-3 ACF)

Não há uma descrição clara nas Sagradas Escrituras sobre como, ou qual, seria o ritual para a unção de profetas, mas, este fato está razoavelmente estabelecido através do texto de Isaías acima citado.

Produtos utilizados

Azeite

O azeite de oliva simboliza uma vida útil e vibrante, sendo símbolo de regozijo, saúde e de qualificações de uma pessoa para o serviço do Senhor:

“Porém tu exaltarás o meu poder, como o do boi selvagem. Serei ungido com óleo fresco.” (Salmo 92.10 ACF)

Ungüento

Gordura misturada com perfumes especiais que lhe davam características muito desejáveis.

Era utilizado para ungir os pés dos hóspedes, simbolizando a alegria pela chegada daquele hóspede, e desejando-lhe boas vindas:

“E Maria era aquela que tinha ungido o Senhor com ungüento, e lhe tinha enxugado os pés com os seus cabelos, cujo irmão Lázaro estava enfermo.” (João 11.2 ACF)

Também como era utilizado no cuidado pessoal com o corpo, pois, é um excelente hidratante:

“Naqueles dias eu, Daniel, estive triste por três semanas. (3) Alimento desejável não comi, nem carne nem vinho entraram na minha boca, nem me ungi com ungüento, até que se cumpriram as três semanas.” (Daniel 10:2-3 ACF)

“Lava-te, pois, e unge-te, e veste os teus vestidos, e desce à eira; porém não te dês a conhecer ao homem, até que tenha acabado de comer e beber.” (Rute 3.3 ACF)

Óleos curativos

O óleo tem poderes curativos, permitindo amolecer feridas e purificá-las. O óleo quando misturado a certas ervas, pode proporcionar medicamentos poderosos para vários males. Não é de surpreender que os médicos em Israel tivessem desde tempos antigos conhecimento destas ervas e da forma de utilizá-las no processo curativo de doentes.

“Desde a planta do pé até a cabeça não há nele coisa sã, senão feridas, e inchaços, e chagas podres não espremidas, nem ligadas, nem amolecidas com óleo.” (Isaías 1.6 ACF)

“E, aproximando-se, atou-lhe as feridas, deitando-lhes azeite e vinho; e, pondo-o sobre a sua cavalgadura, levou-o para uma estalagem, e cuidou dele;” (Lucas 10.34 ACF)

Unguento fúnebre

Este ungüento era utilizado na preparação do corpo para o sepultamento, como parte de um processo de embalsamamento:

“Ora, derramando ela este unguento sobre o meu corpo, fê-lo preparando-me para o meu sepultamento.” (Mt 26.12)

“E as mulheres, que tinham vindo com ele da Galiléia, seguiram também e viram o sepulcro, e como foi posto o seu corpo. (56) E, voltando elas, prepararam especiarias e ungüentos; e no sábado repousaram, conforme o mandamento.” (Lucas 23.55-56 ACF)

Modos de aplicação

Na cabeça

O derramamento de óleo sobre a cabeça de um homem indicava que este homem havia sido separado para uma determinada tarefa a serviço do Senhor.

“Então tomou Samuel um vaso de azeite, e lho derramou sobre a cabeça, e beijou-o, e disse: Porventura não te ungiu o SENHOR por capitão sobre a sua herança?” (I Samuel 10:1 ACF)

“Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos, unges a minha cabeça com óleo, o meu cálice transborda.” (Salmo 23.5 ACF)

“Em todo o tempo sejam alvas as tuas roupas, e nunca falte o óleo sobre a tua cabeça.” (Eclesiastes 9:8 ACF)

Também era usado sobre a cabeça com efeitos cosméticos:

“Em todo o tempo sejam alvas as tuas roupas, e nunca falte o óleo sobre a tua cabeça.” (Eclesiastes 9:8 ACF)

No rosto

A unção do óleo no rosto tinha como objetivo a hidratação, e a proteção contra as forças da natureza:

“E o vinho que alegra o coração do homem, e o azeite que faz reluzir o seu rosto, e o pão que fortalece o coração do homem.” (Salmo 104.15 ACF)

Nos pés

Como já foi dito, este ato estava normalmente relacionado com uma recepção digna e alegre de um hóspede bem-vindo:

“E, estando por detrás, aos seus pés, chorando, começou a regar-lhe os pés com lágrimas, e enxugava-lhos com os cabelos da sua cabeça; e beijava-lhe os pés, e ungia-lhos com o unguento.” (Lucas 7.38 ACF)

Sobre as feridas

Neste caso o óleo é utilizado como medicamento, sendo que através de suas propriedades curativas próprias, ou em combinação com ervas ou outros produtos era deitado sobre as feridas. Há muitos relatos deste tipo de procedimento na literatura talmúdica1, e alguns na própria Bíblia Sagrada, os quais já foram anteriormente citados.

“Volta, e dize a Ezequias, capitão do meu povo: Assim diz o SENHOR, o Deus de Davi, teu pai: Ouvi a tua oração, e vi as tuas lágrimas; eis que eu te sararei; ao terceiro dia subirás à casa do SENHOR. (6) E acrescentarei aos teus dias quinze anos, e das mãos do rei da Assíria te livrarei, a ti e a esta cidade; e ampararei esta cidade por amor de mim, e por amor de Davi, meu servo. (7) Disse mais Isaías: Tomai uma pasta de figos. E a tomaram, e a puseram sobre a chaga; e ele sarou.” (II Reis 20.5-7 ACF)

Uso atual

Como vimos, fica, em nossos dias, descartado o uso da unção com óleo para objetos, de modo a torná-los sagrados ou santificados, já que nada mais pode ser considerado objeto sagrado, uma vez que o templo de Deus na Nova Aliança é o corpo daquele que teve seu coração transformado pelo sangue do Cordeiro de Deus. Também não há mais qualquer necessidade de unção para sacerdotes, reis ou profetas. Ocorrendo no caso daqueles que se dispõem a servir como oficiais da Igreja, o ato da imposição de mãos, figura substituta da unção, mas, com significação distinta. Resta então apenas um tipo de unção a ser analisado em termos de uso nos dias atuais: a unção de enfermos com fins medicamentosos. Não restou nenhum tipo de unção, com finalidades espirituais, a ser utilizada pelos crentes em Jesus Cristo após o estabelecimento da Nova Aliança.

Análise Histórica

É interessante que venhamos a analisar a prática da Igreja, desde os seus primórdios até os dias atuais, para que possamos formar também nosso pensamento através do testemunho daqueles que no decorrer do tempo estudaram e buscaram o conhecimento bíblico, bem como daqueles que deturpando o verdadeiro significado dos ensinos bíblicos torcem seu entendimento de acordo com suas conveniências momentâneas.

Os pais apostólicos

Não há praticamente nenhuma referência à unção com óleo de enfermos, entre os escritos de Tiago (± 46-49 d.C), e de Hipólito de Roma (± 200 d.C.). Isto provavelmente se deve ao fato de estarem os Cristãos deste período lutando com tantas e tão variadas formas de heresias, como o gnosticismo, o arianismo, o sebastianismo, o monarquismo, os judaizantes, entre outros tantos, que não deve ter havido tempo para dedicarem-se a este assunto em seus escritos.

Justino de Roma (± 140 d.C.)

Há, contudo a exceção de Justino de Roma, que por volta de 140 d.C. defendia a posição de que todo e qualquer tipo de unção praticada ou ministrada no Velho Testamento aponta para Cristo. E que assim em Cristo todas as unções cessaram, conforme podemos ver pelo trecho de seu trabalho a seguir:

“Tendo Jacó derramado óleo no mesmo lugar, o próprio Deus que lhe aparecera dá testemunho de Ter sido para ele que ungiu ali a pedra. Também já demonstramos, com várias passagens das Escrituras, que Cristo é chamado simbolicamente “pedra” e que também a ele se refere toda unção, seja de azeite, seja de mirra ou qualquer outro composto de bálsamo, pois assim diz a palavra: “Por isso, o teu Deus te ungiu, o teu Deus, com óleo de alegria, de preferência aos teus companheiros”. É assim que dele participaram os reis e ungidos, todos os que são chamados reis e ungidos, da mesma maneira como ele próprio recebeu de seu Pai o fato de ser Rei, Cristo, Sacerdote.”

Hipólito de Roma (± 200 d.C.)

A mais importante obra teológica de Hipólito de Roma é intitulada a “Tradição Apostólica”. É um dos mais antigos documentos com instrução litúrgica que podemos encontrar, tendo sido usado como base, pela igreja católica romana, para consubstanciar sua herética doutrina sacramental da “extrema-unção” e é também a base utilizada pelos neopentecostais para confirmar que a Igreja Cristã pós-apostólica era praticante da “unção de enfermos”. Vamos ao texto de Hipólito:

Se alguém oferecer azeite, consagre-o como se consagrou o pão e o vinho, não com as mesmas palavras, mas com o mesmo Espírito. Dê graças, dizendo: “Assim como por este óleo santificado ungiste reis, sacerdotes e profetas, concede também, ó Deus, a santidade àqueles que com ele são ungidos e aos que o recebem, proporcionando consolo aos que o experimentam e saúde aos que dele necessitam.”

Por estas palavras podemos claramente entender que este ensinamento está muito distante da verdade bíblica. Não há nenhuma instrução na Palavra de Deus no sentido de se consagrar pão e vinho. A Bíblia inclusive não trata o líquido da ceia do Senhor como sendo vinho. Há uma única referência, feita pelo Senhor Jesus registrada em Mateus, referindo-se ao conteúdo do cálice como “fruto da vide”, ou seja “uva”, ou seu suco:

“E digo-vos que, desde agora, não beberei deste fruto da vide, até aquele dia em que o beba novo convosco no reino de meu Pai.” (Mateus 26.29 ACF)

E em nenhum momento há qualquer ritual de consagração. Há sim oração em ação de graças a ser proferida durante o cerimonial da ceia do Senhor, conforme instruções encontradas em Mateus 26.26-30 e em I Coríntios 11.23-30. Se não se consagra o pão e o vinho, também não se consagra azeite. Se não se consagra azeite toda a teologia e toda a instrução litúrgica derivada desta linha de raciocínio é biblicamente inválida e deve ser considerada espúria e anátema. Aprofundando-nos no estudo dos ensinos de Hipólito de Roma podemos encontrar vários tipos de óleos, como o óleo consagrado, o óleo de exorcismo, o óleo de ações de graças, o óleo santo ou santificado, entre outros, como o queijo da caridade e a azeitona consagrada. (Será que as semelhanças com a IURD são meras coincidências?) Assim, quaisquer ensinos provenientes desta fonte, ou de qualquer outra que nela se baseie devem ser considerados espúrios e anátemas.

Orígenes (± 210 d.C.)

Orígenes, apesar de todas as suas tendências alegoristas e metafóricas, de suas heresias e descalabros, ao tratar da questão da unção com óleo, afirma, corretamente, que alguns Cristãos (neste caso Celso) teriam querido curar suas feridas através da ação divina, mas manter sua alma inflamada em seus vícios e pecados, rejeitando os remédios espirituais dessa mesma palavra, a confissão de pecados e o perdão. Querendo usar o azeite, o vinho e outros emolientes, e demais ajudas médicas que aliviam a enfermidade, como alívio para sua alma corrompida, ou ainda usar de supostos poderes mágico-espirituais conferidos aos medicamentos na cura das feridas, sem se apresentarem diante de Deus, para a cura da alma. Hoje em dia a medicina nos apresenta vários novos recursos curativos, além do azeite e do vinho, aos quais podemos recorrer, contudo não podemos em momento algum, nos esquecer da dependência de Deus, através de uma vida de oração. Este é o ensinamento deOrígenes: que muitos querem ser curados, querem ser aliviados, mas não querem deixar seus pecados. Portanto,na teologia de Orígenes não existe espaço para uma unção de enfermos com fins curativos mágicos. O azeite e outros emolientes são importantes do ponto de vista medicamentoso, mas sempre associados à dependência de Deus pela oração, e se for para a Sua glória, Deus restabelecerá o enfermo.

Idade Média

Durante a Idade Média houve grande luta entre o poder secular e o poder da Igreja, trazendo como conseqüência direta uma deturpação ainda mais exacerbada da já caquética e corrompida teologia da igreja de Roma. As interpretações das Escrituras visavam apenas dar respaldo a um misticismo mágico-religioso que dominava as ações da igreja de Roma, e lhe conferia poder sobre as massas ignorantes e crédulas, além de controle sobre seus governantes, rendendo à igreja de Roma grandes frutos financeiros e políticos. Neste período há muito pouca discussão sobre a unção com óleo, pois esta já se havia instituído em sacramento, o sacramento da extrema-unção, para limpar de pecado aquele que estava à beira da morte.

Cesário de Arles (± 503~504)

Ele faz várias referências à unção de enfermos nos seus sermões. No sermão 13 ele escreve:

“Toda vez que sobrevier uma doença, o que a sofre receba o corpo e o sangue de Cristo; peça humildemente e com fé ao sacerdote a unção com o óleo bento a fim de que se cumpra nele o que está escrito”.

No Sermão 184, suplica às mães que não levem seus filhos aos “medicamentos diabólicos”, argumentando:

“Quanto mais justo e razoável seria recorrer à igreja, receber o corpo e o sangue de Cristo, ungir com fé, seja o próprio corpo ou o dos seus, com o óleo bento.”

Aqui vemos já uma completa deturpação do significado da ceia do Senhor, pois é esta um memorial, não conferindo qualquer tipo de bênção, graça ou cura. Pois, não há qualquer suporte nas Sagradas Escrituras para que assim pensemos. E assim da mesma forma também não há um “óleo bento pelos sacerdotes”. Pois, primeiramente, não há na Nova Aliança a figura do sacerdote, não há mais a necessidade de intermediação entre o povo e seu Deus. Cada um que tenha em si o selo da salvação, tem acesso direto ao Pai através de Jesus Cristo, nosso Mediador e Advogado para com o Deus. Não há também, como já vimos, sob a Nova Aliança,nenhum objeto ou material consagrado ou santificado, tornando, deste modo, a existência de um “óleo bento”simplesmente impossível. E se não há bênção nem na ceia, nem no óleo, não há razão para uma unção de enfermos, exceto quando ocorrer com caráter puramente medicamentoso, sem qualquer conotação mística ou espiritual.

Quanto à afirmação no sermão 184, não há qualquer fundamento ou razão para afirmar que medicamentos sejam“diabólicos”, ou de qualquer outra forma “impuros” ou “malévolos”. Há contudo, clara proibição bíblica, quanto a se buscar o auxílio de curandeiros e feiticeiros, mas, em nenhum ponto encontramos recomendação contra a busca por médicos ou por medicamentos em caso de doenças. Ao contrário, quando a mulher que sofria com fluxo de sangue procurou por Jesus, é-nos informado que ela já havia procurado por médicos, pratica esta que não foi recriminada por Jesus, apesar de no caso desta mulher não ter sido de eficácia. (Marcos 5.25-34)

Beda (± 720 d.C.)

Segundo o disposto através da teologia de Beda, podemos ver o andamento da deturpação do significado da unção de enfermos, conforme segue:

1°. Naquela época se pensava que a virtude da Unção estava no óleo consagrado pelo bispo, o óleo bento;

1. 2°. A Unção de Enfermos pertencia à categoria dos sacramentos permanentes, assim como a ceia do Senhor e o batismo;

2. 3°. A igreja de Roma cria que assim como na ceia do Senhor é o próprio ministro, o sacerdote, quem consagra o pão, e como também é o sacerdote quem batiza, é este mesmo quem também consagra o óleo para a unção de enfermos, e estes elementos depois de consagrados pelo ministro são repassados aos presbíteros para ministrá-los. Assim, toda a força da bênção do óleo está no pastor, isto é, no sacerdote;

3. 4°. Assim como o pão consagrado para a ceia do Senhor já tem em si a força do sacramento, também o óleo bento consagrado pelo bispo tem a mesma força e o mesmo poder.

Bonifácio (± 900 d.C.)

A partir da reforma carolíngia, a administração do óleo consagrado, ou bento, ficou reservada exclusivamente aos sacerdotes (bispos e presbíteros). Segundo os Statuta Bonifacii, do começo do século IX, os sacerdotes devem, em suas viagens, levar sempre consigo a eucaristia e o “santo óleo”; e lhes é proibido sob pena de deposição confiar aos leigos o “santo óleo”.

Neste ponto muda a igreja de Roma sua concepção do sacramento:

1°. De unção de enfermos passou a ser unção de moribundos (extrema-unção);

2°. Da consagração do óleo passou a ser a administração da unção;

3°. De sacramento com efeitos corporais passou a ser sacramento com efeitos espirituais;

4°. De sacramento autônomo passou a estar unido à penitência;

5°. A teologia escolástica do século XIII já herdara uma situação de fato: o ministro da unção é o sacerdote, o mesmo da penitência.

Deste panorama, tem-se o que hoje é entendido por unção dos enfermos. Uma ação de transferência de poder do sacerdote para o óleo e deste para o enfermo, “trazendo a cura”. Nada mais que uma ação de misticismo e feitiçaria, completamente destacada do contexto e do entendimento bíblicos, ação esta criada por séries de heresias e deturpações históricas, tanto no que se refere ao papel da igreja, quando no que se refere ao papel do ministro da igreja, o seu pastor.

Os reformadores protestantes

No decorrer da Idade Média, a igreja católica separou esse rito da unção de enfermos e o elevou à categoria de sacramento da extrema-unção, mediante o qual, segundo ensinavam seus teólogos, deveria ser ministrado aos fiéis da igreja que estavam moribundos, ou seja, à espera da morte.

Houve consenso entre os reformadores protestantes que assim apresentada, a unção com óleo, era uma falsa interpretação de Tiago 5.14 e de Marcos 6.13.

Segundo Lutero, em sua exposição do texto de Tiago 5.14, o uso da unção com óleo, já cessou:

“Por isso sou de opinião que essa unção é a mesma da qual se escreve, em Mc 6.13, a respeito dos apóstolos: ‘E ungiam muitos enfermos com óleo, e os curavam.’ Trata-se, pois, de um certo rito da Igreja primitiva, pelo qual faziam milagres entre os enfermos. Já desapareceu há muito.

Calvino de igual modo não aceita a contemporaneidade da prática da unção de enfermos, assegurando que esta prática já cessou na igreja, como também, todas as virtudes e os demais milagres que foram operados pelas mãos dos apóstolos, a razão é que este dom (unção de enfermos) era temporal.

Calvino e Lutero são unânimes em afirmar que o azeite era um ungüento utilizado na Igreja Primitiva com fins medicamentosos que associados à oração dos presbíteros, teria muito efeito.

Porque os reformadores não faziam unção de enfermos?

1. Por que o princípio gerador da cura em Tg 5.14 é a fé do doente e as orações dos líderes da igreja;

2. Por que longe de sustentar a extrema-unção ou o crisma (confirmação), a passagem de Tiago 5.14 trata de presbíteros (e não de sacerdotes) orando pela cura do enfermo; O azeite é então um óleo medicinal, e não um preparado mágico para a morte.

3. Por que a unção Veterotestamentária apontava para o Messias, o Ungido de Deus, cumprindo em Cristo a unção final de sacerdote, profeta e rei;

4. Por que no processo evolutivo da revelação de Deus, o óleo da unção aponta para o ministério do Espírito Santo, Aquele que unge, isto é, separa, capacita, credencia o cristão a fazer a obra de Deus. Os que são ungidos com o Espírito Santo não necessitam de nenhum outro tipo de unção;

“E vós tendes a unção do Santo, e sabeis tudo” (1Jo 2.20)

“E a unção que vós recebestes dele, fica em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a sua unção vos ensina todas as coisas, e é verdadeira, e não é mentira, como ela vos ensinou, assim nele permanecereis” (1Jo 2.27)

Analisando o pensamento de Calvino sobre a unção dos enfermos, especialmente em sua exposição do verso em Tiago 5.14, podemos entender o seguinte:

1. Para Calvino esta prática já cessou na Igreja;

2. A unção aponta para a obra e os dons do Espírito Santo; e se nós vivemos hoje no desenvolvimento ministerial do Espírito Santo, com certeza, não há qualquer sentido na prática da unção de Enfermos ou qualquer outro tipo de unção;

3. A unção não tem o efeito das virtudes espirituais apostólicas;

4. A unção não é canal de bênçãos para o crente; canal de bênção é a doutrina Bíblica, as orações (intercessão dos Santos) e a comunhão;

5. A unção não é privativa do pastor da igreja;

6. A unção não tem qualquer efeito de sacramento;

7. A unção não perdoa pecados;

8. A unção não é sinal de cura;

9. A unção não tem poderes mágico-religiosos;

Considerações atuais sobre a unção com óleo

Como conseqüência da situação pela qual vem passando o povo brasileiro, devido às conjunturas políticas, sociais e econômicas, muitos têm encontrado grande dificuldade de acesso à medicina pública, ou nela não têm confiança, recorrendo a uma medicina popular, principalmente através de curandeiros, benzedeiras, e/ou concepções mágico-religiosas. Alguns líderes carismáticos são muitas vezes solicitados a realizar curas divinas através de rituais, e afirmam estar em contato com o Espírito Santo, com anjos, demônios e com o espírito da própria enfermidade. E através de seus “poderes”, tentam realizar a “cura”, e quando esta não vem, alistam variadas razões, entre elas, e principalmente, o fato de o enfermo, ou seus familiares, terem falta de fé. Assim, todo o procedimento de unção assumiu um papel fundamental dentro do simbolismo religioso que se formou nestes dias, sendo este procedimento utilizado para combater doenças tanto do corpo quanto da alma. E só obtêm a “graça” aqueles que são ungidos com óleo consagrado; para estes haverá saúde, emprego, riqueza, e a cura de diversas moléstias e males demoníacos.

Logo tudo passa a ser ungido, a rosa, o barbante, o sal, as fotos, as roupas, a água, o manto, a madeira, e finalmente a própria pessoa é ungida, e caso esteja possuída por demônios estes se manifestam e podem então ser expulsos, através do óleo do exorcismo e da “oração forte”.

Saindo da confusão

Como pudemos perceber perfeitamente através da exposição da história deste procedimento vale aqui de modo especial o que nos é dito pelo texto do salmo 42: “Um abismo chama outro abismo…”.

E é desta confusão teológica que precisamos sair. E a única forma de fazê-lo é através de uma análise exegética da palavra de Deus, à luz de todo o ensino apresentado pela própria palavra de Deus, conforme já vimos anteriormente neste estudo. Vamos seguir então analisando o verso que é usado por base de toda esta“teologia”.

Mas, tenhamos em mente tudo o que já estudamos, e em especial a conclusão a que chegamos através da análise sincera e dedicada da palavra de Deus:

“Resta então apenas um tipo de unção a ser analisado em termos de uso nos dias atuais: a unção de enfermos com fins medicamentosos. Não restou nenhum tipo de unção, com finalidades espirituais, a ser utilizada pelos crentes em Jesus Cristo após o estabelecimento da Nova Aliança.”

Exposição de Tiago 5.14

Analisemos o texto em si, dentro do seu contexto:

“Está alguém entre vós aflito? Ore. Está alguém contente? Cante louvores. (14) Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e orem sobre ele, ungindo-o com azeite em nome do Senhor; (15) E a oração da fé salvará o doente, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados. (16) Confessai as vossas culpas uns aos outros, e orai uns pelos outros, para que sareis. A oração feita por um justo pode muito em seus efeitos.” (Tiago 5.13-16 ACF – destaque acrescentado)

É fundamental entendermos que o texto nos fala de oração. Tiago está tratando, por praticamente toda a sua carta, deste tema. Não podemos entender que ele tenha criado um novo ritual místico-mágico, ou que tenha sido criada uma nova teologia, o que invalidaria esta carta como texto bíblico. Como exemplo, analisemos o que houve recentemente em uma pequena cidade americana próxima de Los Angeles: - Lá ocorreu uma enorme tragédia, quando um pai, jogou fora a insulina que seu pequeno filho diabético necessitava tomar, após pedir ao pastor que realizasse em seu filho a “unção com óleo” e a “oração forte de poder”. Como resultado desta ação irresponsável, seu filhinho morreu. Devemos entender que nem todos os crentes que ficam doentes, recebem cura! Muitas vezes Deus os quer assim, doentes mesmo, de modo que testemunhem de Sua graça mesmo em meio ao sofrimento, ou então para que seja aprendida alguma lição que Deus queira ensinar. O fato é que se todos os crentes recebessem cura, nenhum morreria, pois, a cada doença se seguiria a cura divina! E a história testemunha que não é assim.

Bom, com isto em mente sigamos analisando o texto. A palavra “ungir” em português significa:

1. untar(-se) ou friccionar(-se) com óleo, ungüento ou qualquer substância gorda; fomentar

2. untar ou friccionar com perfumes ou substâncias aromáticas

3. investir de autoridade por meio de unção ou sagração; sagrar

Em grego os dois primeiros sentidos apresentados da palavra “ungir” são entendidos da palavra “aleifw” (aleipho). Já o terceiro sentido, é entendido pela palavra “xriw” (chrio) da qual se deriva a palavra “xristov” (christos), cristo, de onde temos a designação de Jesus como “O Ungido de Deus”, “O Cristo”.

Neste sentido, a primeira (aleipho) é uma palavra que denota uma ação corriqueira e desprovida de qualquer conotação religiosa ou espiritual. Enquanto a segunda (chrio) indica uma ação espiritual, uma consagração divina. E neste verso encontramos a palavra [aleipho] e não a palavra [chrio]!

Considerando, portanto, o significado da palavra e do texto em seu contexto, entendemos que somente o que pode operar qualquer cura é o poder do Senhor, muitas vezes em resposta à oração de um justo.O uso do azeite neste texto se refere então à sua aplicação com vistas a uma ação medicamentosa. Dando-nos instrução que não devemos, como fez aquele infeliz pai americano, deixar de aplicar o medicamento pelo fato de estarmos em oração pela cura, mas, inversamente, devemos aplicar o medicamento e orar confiantemente ao Senhor, clamando pela cura, tanto física, quanto espiritual, em caso de haver pecado envolvido. E o Senhor dentro dos Seus propósitos, irá agir. O poder é do Senhor, e não de uma mandinga qualquer ou de qualquer objeto que supostamente tenha quaisquer poderes curativos.

Conclusão

Diante de tudo o que foi exposto, podemos então afirmar:

1°. A unção de enfermos não é um sacramento, já que não há nenhum sacramento, pois para tal exigir-se-ia um sacerdote para intermediar sua aplicação. E na Nova Aliança, cada crente em Jesus Cristo tem acesso direto ao Pai através Dele, sendo portanto, seu próprio sacerdote, dispensando qualquer tipo de intermediação humana. Além deste fato, não há como se complementar a obra do Senhor Jesus Cristo, ou tomar-se qualquer ação que resulte em graça. A obra de Cristo é completa e perfeita, e a obtenção de graça se dá através do poder do Senhor mediante oração e fé.

2°. Os pais da Igreja não praticaram a unção com fins espirituais na Igreja, entendendo que esta ação não deveria ocorrer no cerne da Nova Aliança.

3°. A instituição da unção dos enfermos durante a Idade Média, (que veio posteriormente a se tornar a extrema-unção católica, e que após o concílio Vaticano II voltou a ser, para os católicos romanos, a unção de enfermos) foi obra de “cristãos” que não tinham uma teologia séria, embasada na Palavra de Deus, mas, ao contrário, desejavam apenas mais um meio de controle sobre as massas.

4°. Conforme pudemos ver da exposição de Tiago 5.14, o óleo não tem em si nenhum poder curativo sobrenatural, além de seu próprio poder como medicamento. O verdadeiro poder está no Senhor, e pode vir a ser derramado sobre o enfermo, em atendimento às orações de verdadeiros crentes no Senhor Jesus Cristo, aqueles que foram justificados pelo Seu sangue.

5°. O azeite em Tiago 5.14, não é expressão do Espírito Santo, nem de Sua ação, pois, este fato viria de encontro a todas as doutrinas apostólicas. A unção que se relaciona com o Espírito Santo é obtida na conversão, quando o crente é Nele batizado e selado para o dia da redenção.

6°. Qualquer pensamento quanto a um valor semimágico da unção com óleo, fere os princípios do Novo Testamento, especialmente no que diz respeito ao objeto da fé, que não pode em nenhuma hipótese ser algo material sob pena de idolatria e paganismo:

“E, chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: É-me dado todo o poder no céu e na terra.” (Mateus 28.18)

Em nada devemos por a nossa fé, a não ser naquele que verdadeiramente nos pode salvar!

7°. No processo evolutivo da revelação de Deus, o óleo da unção apontava para o vindouro ministério do Espírito Santo, que é Aquele que unge, ou seja, Aquele que separa, capacita, credencia o Cristão a fazer a obra de Deus. Os que são ungidos com o Espírito Santo não necessitam de nenhum outro tipo de unção espiritual, em nenhum outro momento de suas vidas!

E que Deus nos abençoe e nos permita permanecer sendo fiéis à Sua palavra e à Sua vontade em cada momento de nossas vidas, deixando e abandonando tudo quanto não provém de Deus! Amém!

Bibliografia Consultada

A BÍBLIA SAGRADA, Versão Revista e Corrigida Fiel ao Texto Original, Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil, São Paulo, 1995.

ARLES, Cesário de – Sermones Sancti Caesarii Arelatensis – Pars Prima, studio D. Germani Morin O.S.B., ed. altera, Turnholti, Brepols, 1953.

CNBB, Observações sobre o Ministro da Unção dos Enfermos. 35ª Assembléia Geral da CNBB.

COELHO FILHO, Isaltino Gomes – Tiago Nosso Contemporâneo: Um Estudo Contextualizado da Epístola de Tiago, 2ª edição, Rio de Janeiro, JUERP, 1990.

ECCLESIA, Patrística e Fontes Cristãs Primitivas: Tradição Apostólica de Hipólito de Roma.

FALCÃO Sobrinho, João – A Túnica Inconsútil: Um estudo sobre a doutrina da igreja, 2a edição revisada, Rio de Janeiro, JUERP, 2002.

HOUAISS, Antonio – Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, versão eletrônica.

LAUAND, Jean – Um Sermão de S. Cesário de Arles.

RÉDUA, Ashbell Simonton – Unção com óleo *com especial gratidão por tão excelente trabalho!

Autor: Walter Andrade Campelo

Fonte: http://www.cacp.org.br/uncao-com-oleo-uma-reflexao-biblica-e-historica/

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HOMOSSEXUALISMO – Refutação ao “pastor” da igreja ministerial

apologética casamento-gay-1HOMOSSEXUALISMO

Refutação ao “pastor” da igreja ministerial

Autor: Robson T. Fernandes

            Há alguns dias, recebi de um pastor amigo meu, via e-mail, uma correspondência de alguém que se autodenomina “Pastor Evangélico” e que realiza uma verdadeira apostasia em defesa de um suposto homossexualismo bíblico e tentativa de demolição da doutrina bíblica.

            Tal amigo me pediu que respondesse aos questionamentos feitos nesse e-mail, pois os mesmos  estão sendo enviados para os pastores de nossa cidade.

Aceitei o pedido e essa é a proposta desse artigo.

            Em primeiro lugar, precisamos relembrar a frase citada pelo denominado “Pastor Evangélico”:

        “resta ao homossexual o dilema de ter que optar por viver a culpa imposta pelas religiões (principalmente as muçulmanas, judaicas e cristãs) ou matar o “deus” que lhe oprime.”

 Precisamos entender que o homossexualismo e sua culpa existencial, comportamental, ou como deseje denominar, não está alicerçado em imposição religiosa, mas está alicerçado no fato de que deliberadamente o ser humano escolheu distanciar-se de Deus, seu Criador, pela aceitação do pecado.

            Quando se afirma que a culpa está sendo imposta por uma religião, isto é, um sistema, tenta-se isentar a culpa que o indivíduo sente por seus atos pecaminosos.

Todo ser humano possui o que chamamos de “tribunal interno”, muito embora muitos estejam com esse tribunal cauterizado, como é o caso do suposto “Pastor Evangélico”.

            Vemos em Romanos 1: 20-28:

“Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder como também sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são por isso indesculpáveis, porquanto, tendo conhecimento de Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração insensato.

Inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos, e mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, bem como de aves, quadrúpedes, e répteis.

Por isso Deus entregou tais homens à imundícia, pelas concupiscências de seus próprios corações, para desonrarem os seus corpos entre si, pois eles mudaram a verdade de Deus em mentira, adorando e servindo a criatura, em lugar do Criador, o qual é bendito eternamente. Amém.

Por causa disso os entregou Deus a paixões infames, porque até as suas mulheres mudaram o modo natural de suas relações íntimas, por outro contrário à natureza; semelhantemente, os homens também, deixando o contato natural da mulher, se inflamaram mutuamente em sua sensualidade, cometendo torpeza, homens com homens, e recebendo em si mesmos a merecida punição do seu erro.

E, por haverem desprezado o conhecimento de Deus, o próprio Deus os entregou a uma disposição mental reprovável, para praticarem cousas inconvenientes…”

            Preciso destacar alguns pontos relevantes do texto com relação ao assunto aqui tratado:

  1. Algumas pessoas “tendo conhecimento de Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças”;
  2. Tais pessoas se “tornaram nulos em seus próprios raciocínios”;
  3. Tais pessoas tiveram o seu coração obscurecido e acometido de falta de senso e razão;
  4. Tais pessoas se apresentam como sendo sábias, cultas, abertas, mas na verdade são loucas;
  5. Tais pessoas se tornaram loucas por tentarem adaptar Deus a suposta verdade do homem;
  6. Tais pessoas encontram-se afogadas naquilo que o próprio Deus chama de “imundícia”;
  7. Tais pessoas estão sendo guiadas, não por Deus ou por sabedoria, mas pelo desejo materialista e sexual intenso;
  8. Tais pessoas não possuem nem conhecem o sentido da palavra honra;
  9. Tais pessoas procuram mudar a verdade de Deus, transformando-a em mentira;
  10. Tais pessoas vivem praticando atos vis e indignos;
  11. Tais pessoas vivem de um modo que é “contrário à natureza”;
  12. Tais pessoas vivem de forma obscena e infame;
  13. Tais pessoas possuem um pensamento reprovável diante de Deus.

            É importante observarmos que a culpa sentida por aqueles que tais coisas praticam, e por aqueles que defendem quem tais coisas praticam, não é oriunda de uma imposição religiosa, mas sim da própria consciência que as acusa, pois esse não é o plano Divino para a vida do ser humano. Esse tipo de situação é fruto da rebeldia direta contra o Criador, e o próprio Criador deixa isso claro.

            Outro fato importante a ser observado é que Deus não apenas reprova quem pratica tal ato, mas quem não pratica  mas, todavia, aprova. Seja ele(a) quem for.

“Ora, conhecendo eles a sentença de Deus, de que são passíveis de morte os que tais coisas praticam, não somente as fazem, mas também aprovam os que assim procedem” (Romanos 1:32).

            O suposto “Pastor Evangélico”, continua sua argumentação afirmando o seguinte acerca do sentimento de culpa que alguns homossexuais sentem:

“culpa que pode manifestar-se desde crises esporádicas de choro ou raiva até o desenvolvimento de neuroses patológicas capazes de tornar a vida um peso insuportável.”

            É preciso entendermos primariamente o que é a culpa.

            Segundo o Dicionário Aurélio a culpa é:

- Conduta negligente ou imprudente, sem propósito de lesar, mas da qual proveio dano ou ofensa a outrem;

- Falta voluntária a uma obrigação, ou a um princípio ético;

- Delito, crime, falta;

- Transgressão de preceito religioso; pecado;

- Responsabilidade por ação ou por omissão prejudicial, reprovável ou criminosa;

- Violação ou inobservância duma regra de conduta, de que resulta lesão do direito alheio.

            Assim sendo, a culpa é uma conduta imprudente, que traz consequências a si mesmo ou a outra pessoa, sendo denominado como pecado pela Bíblia.

            De acordo com a Wikipédia, a culpa é:

Culpa se refere à responsabilidade dada à pessoa por um ato que provocou prejuízo material, moral ou espiritual a si mesma ou a outrem. O processo de identificação e atribuição de culpa pode se dar no plano subjetivo, intersubjetivo e objetivo.

No sentido subjetivo, a culpa é um sentimento que se apresenta à consciência quando o sujeito avalia seus atos de forma negativa, sentindo-se responsável por falhas, erros e imperfeições. O processo pelo qual se dá essa avaliação é estudado pela Ética e pela Psicologia.

No sentido objetivo, ou intersubjetivo, a culpa é um atributo que um grupo aplica a um indivíduo, ao avaliar os seus atos, quando esses atos resultaram em prejuízo a outros ou a todos. O processo pelo qual se atribui a culpa a um indivíduo é discutido pela Ética, pela Sociologia e pelo Direito.

            O fato do homossexual sentir culpa é uma comprovação de que sua atitude está provocando algum tipo de prejuízo, seja material, moral ou espiritual. Seja a ele mesmo ou a outra pessoa.

            A grande realidade é que nesse aspecto ele não é a pessoa prejudicada, mas a sua atitude é o fator que está causando prejuízos.

            Observe que a culpa é algo que se manifesta na “consciência”.

            Muitos podem afirmar que isto é algo que foi colocado no seu consciente por imposição da sociedade ou da religião, todavia, para Freud (pai da psicanálise [1856-1939]) a culpa é algo que se manifesta no período em que a criança tem cerca de três anos de idade. Bem, com cerca de três anos de idade a criança já demonstra possuir sentimento de culpa, e, com essa idade, ela ainda não começou a sofrer as influências diretas e psicológicas das “religiões arcaicas”, como sugeriu o suposto “Pastor Evangélico”.

            Se com três anos de idade um ser humano já é capaz de demonstrar sentimento de culpa, é de se esperar que ela já tenha nascido com essa “programação”, e, com certeza, não foram os pastores, nem as igrejas que tiveram a capacidade de nos fazer assim. É o tribunal interno que todo ser humano possui e que ali foi posto por nosso Criador!

            Quando fazemos algo errado sabemos e sentimos, muito embora possamos não saber o porquê. Podemos não saber explicar o que está errado, mas pressentimos.

            Esse suposto “Pastor Evangélico” atribui a responsabilidade pela culpa que os homossexuais sentem à igreja e a uma suposta má interpretação bíblica, por parte dos pastores.

            A verdade a esse respeito é que esse tipo de raciocínio é o mesmo que pedir para ser livre da culpa do pecado e não do pecado que causa a culpa. É necessário compreender que esse tipo de raciocínio é o mesmo que se pedir autorização para pecar sem sofrer as conseqüências por isso.

            Segundo a Wikipédia, o “sentimento de culpa é o sofrimento obtido após reavaliação de um comportamento passado tido como reprovável por si mesmo”.

            Dessa maneira, entendemos que, antes que a sociedade, ou quem quer que seja, diga que alguém está errado, ele já possui o sentimento de culpa no seu interior lhe dizendo a mesma coisa. Isto é, no seu interior o ser humano sabe o que é errado.

            Deve-se entender que o sentimento de culpa é apenas a manifestação psicológica, e, às vezes física, do pecado cometido. Se o pecado não é afastado, conseqüentemente, a culpa não será.

            Mesmo que não existissem igrejas e pastores comprometidos com a verdade bíblica para alertar as pessoas que tais coisas praticam, ainda assim elas possuiriam sentimento de culpa, pois elas têm consciências, assim como o suposto “Pastor Evangélico” também a tem, apesar de demonstrar que a sua está cauterizada e insensível. Talvez isso tenha ocorrido devido ao grau de insensatez que o mesmo possui.

            O suposto “Pastor Evangélico” muito provavelmente é adepto da Psicologia Humanista-existencial, e, provavelmente, segue a linha rogeriana, pois afirma:

“Depois de 10 anos conversando com homossexuais que buscam harmonizar o que são com sua fé, sei o quanto é delicado o trabalho de desconstrução das estruturas religiosas arcaicas.”

Muito provavelmente, o suposto “Pastor Evangélico” trabalha a culpa, que os homossexuais que o procuram sentem, como apenas um sentimento que precisa ser trabalhado através de terapias. Deve dizer aos seus aconselhados que o sentimento de culpa que o preenche é fruto de um mal crescimento psicológico, devido a uma sociedade antiquada e pressões de uma religião ultrapassada. Esse discurso é típico dos rogerianos, que afirmam que todas as pessoas tendem a se atualizar na busca da auto-realização. Daí, esse sentimento de culpa nada mais é que um simples incômodo temporário e nada tem haver com pecado ou psicopatologia.

O pensamento rogeriano é tão antibíblico quanto o seu suposto “Pastor Evangélico”, já que o lema do rogerianismo é “a pessoa como o centro”.

            O lema Bíblico é “Deus como o centro”.

            Com relação à afirmação de “harmonizar o que são com sua fé”, é preciso entender que não temos que harmonizar o que somos com a fé. Na verdade, esse tipo de pensamento deveria ser expresso da seguinte maneira: “encaixar o seu comportamento com uma distorção deliberada da fé”.

            O ensino bíblico nos conduz à verdade de que aquele que está oprimido deverá vir a Cristo e Ele irá aliviar seu fardo. Não temos que adaptar os ensinos bíblicos aos pecados inerentes ao ser humano. Temos, sim, que conduzir os pecadores até a Cruz do Calvário, para que ali estes pecados sejam perdoados e possa nascer um filho de Deus. O pecado não tem que ser adaptado, moldado ou encaixado. Ele tem que ser perdoado e esquecido. O pecador não tem que sentir remorso, tristeza ou simples culpa. Ele tem que sentir um profundo sentimento de arrependimento, tendo noção de sua afronta direta ao Deus Criador, para que possa, através da Graça de Deus em Cristo Jesus, mediante a ação do Espírito Santo, ser feito uma nova Criatura, para que então todas essas mazelas venham a fazer parte do passado esquecido e perdido. Para que surja uma nova vida dentro dos planos e propósitos de Deus.

            Esse tipo de transformação tem o seu início a partir do momento que alguém passa a ter o sentimento de culpa pelo pecado cometido. Sentimento esse que pode gerar um arrependimento.

            O que o suposto “Pastor Evangélico” está fazendo é tentar bloquear o arrependimento que um indivíduo poderia sentir. Na verdade, está trabalhando para que muitas pessoas sigam o curso natural que é o Inferno, começando por ele próprio.

            Ao afirmar que está cooperando para a “desconstrução das estruturas religiosas arcaicas”, o suposto “Pastor Evangélico” tem se colocado em uma posição de autoexaltação tão exacerbada que se apresenta como alguém divinamente capacitado para mostrar os supostos erros de uma Bíblia que não foi Inspirada Divinamente.

            Ora, esse discurso não é, em nada, novo, pois muitos séculos atrás outros falsos profetas surgiram com suas heresias apregoando basicamente o mesmo princípio. Tais líderes originaram seus grupos, fazendo crescer seitas presentes na atualidade.

            Apesar do suposto “Pastor Evangélico” não crer na Inerrância Bíblica, ainda não se deu conta de que sua atitude, ao invés de afrontar a Bíblia, apenas está cooperando para apresentá-La como Verdadeira e Inerrante, já que a Sagrada Escritura fala acerca de apóstatas que surgiriam (1 Tm 4:1), de pessoas que sairiam de nosso meio porque não eram dos nossos (1 Jo 2:19), de pessoas que iriam se cercar de mestres particulares que ensinassem aquilo que lhes conviesse (2 Tm 4: 3-4), de pessoas com a mente cauterizada (1 Tm 4:2), de pessoas que tentariam mudar o ensino bíblico (Gl 1:8)…

Seria muito bom se o suposto “Pastor Evangélico” pensasse um pouco na afirmação sobre “religiões arcaicas”, pois nos dá a entender, de forma bastante clara, que a sua afirmação está repleta de frustração pessoal e ministerial. E daí, nos arremete à realidade que este é mais um daqueles que relutaram em se submeter a Yahweh, tentando dar um pontapé inicial na busca insana de criar sua própria religião, com seus dogmas particulares. Se estudasse um pouco de história, veria o resultado de outros, que no passado, pensando, da mesma forma, tiveram o mesmo sentimento e atitude, e então veria os seus resultados desastrosos.

Por mais que o suposto “Pastor Evangélico” relute em aceitar, continua a verdade bíblica de que as portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja.

            Maria Luiza Curti (Psicóloga clínica) afirmou algo interessante acerca do assunto:

“A culpa é essencial para o ser humano viver em sociedade.” (http://www.dominiofeminino.com.br/curtiluiza/culpa.htm, extraído em 08 de agosto de 2007)

            O sentimento de culpa é importante para se viver em sociedade, pois ele irá ajudar o ser humano a perceber que infringiu regras sociais e morais. Sociais porque esse não foi o plano que Deus estabeleceu para se viver em grupo. Afinal, Deus não criou Adão e Ivo, mas Adão e Eva. De outra forma, não existiria sociedade e estaríamos fadados a extinção.

            Morais porque esse tipo de atitude distorce completamente o padrão de moralidade estabelecido por Deus desde a Criação, e que é claramente demonstrado pela Sagrada Escritura.

            Segundo Maria Luiza Curti, a “Organização Mundial de Saúde afirma que 1% da população mundial sofre de psicopatia que é um distúrbio de caráter onde há uma ausência de culpa. Essas pessoas não sentem arrependimento por nada, e esse distúrbio é resistente a qualquer tratamento”.

            Com isso, podemos concluir que o desejo de se pecar sem que haja o sentimento de culpa é considerado pela Organização Mundial de Saúde como uma psicopatia. Veja bem, não estou afirmando que o homossexualismo é uma doença. Não! Mas estou afirmando que seja qual for o pecado, se o indivíduo que o comete passa a não sentir culpa isso, tal sentimento pode ser caracterizado como uma psicopatia, isto é, uma doença mental. Não a prática do pecado, mas a ausência de culpa por essa prática.

            O texto Bíblico de Romanos, citado anteriormente, deixa claro que algumas pessoas atingiriam esse nível, e a Organização Mundial de Saúde, segundo Maria Luiza Curti, afirma que 1% da população já o atingiu.

            O suposto “Pastor Evangélico” continua ao afirmar que “as igrejas estão repletas de homossexuais não assumidos nem para si mesmos e que, quase sempre, atribuem seus desejos a possessões demoníacas ou doenças”.

            Na verdade, a Bíblia trata desse tipo de pecado de forma bastante clara e sem deixar nenhuma sombra de dúvida, ao afirmar que essa prática nada tem haver com possessão demoníaca ou doença, mas está diretamente ligada a carne. É obra da carne! Vejamos:

“Ora, as obras da carne são conhecidas, e são: prostituição, impureza, lascívia…” (Gálatas 5:19).

            A falta de temor de Deus, aliada a insubmissão, irá produzir uma gama de atitudes que trarão conseqüências terríveis para o ser humano, e isso é obra da carne. Não é obra demoníaca, não é feitiçaria que foi feita nem é doença.

            Pode-se definir a prostituição como uma troca consciente de favores sexuais por interesses não sentimentais ou afetivos.

            Pode-se definir impureza como a alteração do estado original de alguma coisa, ou alguém.

            Pode-se definir lascívia como cabritismo, que é corrupção sexual.

            O que o suposto “Pastor Evangélico” nunca observou, e se o fez preferiu esquecer, é o fato de que tais atitudes por ele defendidas são reprovadas pela Bíblia, e, não importa a tradução que se use, ou a versão que se utilize. Todas dizem a mesma coisa:

“Ora, as obras da carne são conhecidas, e são: prostituição, impureza, lascívia…” (Gálatas 5:19 – Revista e Atualizada)

“Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: prostituição, impureza, lascívia…” (Gálatas 5:19 – Revista e Corrigida)

“Ora, as obras da carne são manifestas: imoralidade sexual, impureza e libertinagem…” (Gálatas 5:19 – Nova Versão Internacional)

“As coisas que a natureza humana produz são bem conhecidas. Elas são: a imoralidade sexual, a impureza, as ações indecentes…” (Gálatas 5:19 – Linguagem de Hoje)

            Qualquer estudante que se preze saberá que para se realizar a boa interpretação de um texto, seja bíblico ou não, deverá seguir-se às regras básicas da hermenêutica, que deverá seguir o método de interpretação histórico-gramatical.

            Esse método de interpretação, utilizado também por estudantes de direito, juristas, pesquisadores, historiadores, etc., se baseia no fato de que se deve, a princípio, compreender o sentido das palavras utilizadas, coisa essa que o suposto “Pastor Evangélico” não se deu o trabalho de fazer.

            Tal “Pastor Evangélico” afirma que são propostas “novas interpretações para os textos polêmicos”. O fato é que o surgimento de novas interpretações não adultera o sentido original do texto. A interpretação pode mudar, mas o texto não muda. Então, o problema não é com o texto bíblico, mas com a pessoa que o lê. Deus comunicou sua mensagem para a humanidade, todavia, se alguém deseja mudá-la ou, deliberadamente, resolve não aceitar o seu conteúdo e mensagem deve estar pronto para sofrer as conseqüências. A mensagem foi entregue, portanto o suposto “Pastor Evangélico” deveria se dar ao trabalho de utilizar, no mínimo, um dicionário da língua portuguesa para entender o sentido das palavras, se não quisesse se dar ao trabalho de pesquisar no idioma original.

            O mesmo ainda afirma que: 

“não se ataca a raiz do problema quando se insiste em manter o esdrúxulo dogma da “INSPIRAÇÃO DIVINA DAS ESCRITURAS”. Apenas substitui-se uma interpretação por outra, evitando dessa forma tocar nas estruturas que permitem à hierarquia religiosa manter o domínio coercivo sobre os fiéis através da autoridade eclesial.

             A Doutrina Bíblica da Inspiração Divina não é algo que depende da interpretação do leitor, ao contrário, a própria Bíblia ensina tal doutrina.

            De uma forma muito sutil, o suposto “Pastor Evangélico” em seu discurso pós-moderno, alicerçado na Psicologia Humanista-Existencial, recheada de rogerianismo, tem se apresentado como o messias que traz a salvação para a suposta má interpretação bíblica e para derrotar o denominado exdrúxulo dogma da inspiração divna da escrituras.

            Em outras palavras, o referido apresenta-se dando testemunho de si próprio, todavia tem negado o direito da Bíblia testemunhar acerca de si mesma. Sim, tem negado esse direito já que diversas passagens por si só deixam claro o fato da inspiração divina. Passagens como 2 Timóteo 3:16; 2 Pedro 1:21; 1 Coríntios 2:13, entre outras.

            Ainda, em Mateus 4:1-11, Cristo expõe a visão que Ele tem acerca da Escritura. Cristo a mencionou e tratou como sendo Divinamente Inspirada.

            Em Mateus 5:17,18, Cristo garante que as promessas Escriturísticas seriam cumpridas.

            Em outras passagens, Cristo dá credibilidade ao relato Escriturístico, não só no sentido histórico, mas também inspiracional e inerrante, como em: Mt 8:4; Mt 8:11; Mt 10:15; Mt 12:17; Mt 12:40; Mt 17:11-12; Mt 19:3-5; Mt 22:45;Mt 23:35; Mt 24:15; Mt 24:38-39; Mc 2:26; Mc 10:6-8; Lc 17: 26-27; Lc 17:28-29; Jo 5:46; Jo 8:39; Jo 10:35.

            Charles C. Ryrie comenta acerca do assunto, ao dizer:

 “Até poucos anos atrás, tudo o que se precisava dizer para expressar convicção de que a Bíblia é plenamente inspirada era: “Acredito que a Bíblia é a Palavra de Deus”. Para contrariar o ensino de que nem todas as partes da Bíblia eram inspiradas, era preciso dizer: “Acredito que a Bíblia é a Palavra verbalmente inspirada por Deus”. Posteriormente, porque algumas pessoas não queriam reconhecer a inspiração total da Bíblia, era necessário dizer: “Acredito que a Bíblia é Palavra de Deus infalível, inerrante, verbal e plenamente inspirada”, Mas, então, os termos “infalível” e “inerrante” começaram a ser limitados apenas a questões de fé, em vez de englobar também os registros bíblicos (inclusive os fatos históricos, genealogias, relatos da criação, etc.), por isso tornou-se necessário acrescentar o conceito de “inerrância ilimitada”. Toda adição às declarações básicas surgiu por causa de um ensino errôneo.” (Charles C. Ryrie. Teologia Básica ao Alcance de Todos. Mundo Cristão. 2000, pág. 75)

            Alexander Schick afirmou que:

 “Nenhum livro de toda a literatura universal pode ser documentado de maneira tão impressionante no que diz respeito ao seu texto original. E nenhum outro livro apresenta uma tão farta profusão de provas de sua autenticidade. Achados de antigos escritos nos dão a certeza de que temos em mãos a Bíblia com a mesma mensagem que os cristãos da igreja primitiva.”

             Wayne Grudem também comenta, afirmando:

“Assim, todas as palavras nas Escrituras são declaradas completamente verdadeiras e destituídas de erros, qualquer que seja o trecho (Nm 23.19; SI 12.6; 119.89, 96; Pv 30.5; Mt 24.35). As palavras de Deus são, de fato, o padrão máximo da verdade (Jo 1717).

Especialmente importantes neste ponto são os textos das Escrituras que indicam a plena veracidade e credibilidade das palavras de Deus. “As palavras do SENHOR são palavras puras, prata refinada em cadinho de barro, depurada sete vezes” (SI 12.6), e isso aponta para a perfeição ou fidedignidade e pureza absoluta das Escrituras. Assim também “Toda palavra de Deus é pura; ele é escudo para os que nele confiam” (Pv 30.5) indica a veracidade de cada palavra dita por Deus. Apesar de o erro e a falsidade, pelo menos em parte, poderem caracterizar a expressão verbal de todos os seres humanos, uma característica, do discurso divino, mesmo quando proferido por meio de seres humanos pecadores, é jamais ser falso e nunca aprovar o erro: “Deus não é homem, para que minta; nem filho de homem, para que se arrependa” (Nm 23.19), disse Balaão especificamente acerca das palavras proféticas que Deus havia proferido pelos lábios dele mesmo.

Com indicações desse tipo, temos agora condições de definir inerrância bíblica: Por inerrância das Escrituras entende-se que as Escrituras nos manuscritos originais não afirmam nada contrário aos fatos.” (Wayne Grudem. Teologia Sistemática. Vida Nova. 1999, págs. 58, 59)

            O suposto “Pastor Evangélico” comenta acerca da sua descrença quanto a inerrância bíblica, por causa de linhas teológicas variadas e conclui seu pensamento afirmando que:

“Fica estabelecido então um terreno pantanoso onde ninguém sabe bem o que está dizendo e todo mundo grita para ter razão. Da minha parte abandonei tudo isso faz algum tempo.”

            Na verdade, pelo que se pode saber a partir do que o mesmo escreveu é que a sua adesão às práticas religiosas estranhas, como a defesa do homossexualismo é falta não do estudo teológico, antropológico ou sociológico, mas é fruto de uma profunda falta de conhecimento bíblico.

            Para o suposto “Pastor Evangélico”, não existe hermenêutica, mas apenas a imaginação do leitor de lhe serve como fronteiras.

            Bem disse Fritsch acerca desse tipo de leitor e de sua interpretação bíblica:

         “cada palavra e acontecimento é transformado em alegoria de algum tipo, já para escapar de dificuldades teológicas, já para sustentar certas crenças religiosas estranhas…” (Charles T. Fritsch. Biblical Typology. Bibliotheca Sacra. 104:216)

             O suposto “Pastor Evangélico” continua sua especulação fantasiosa ao afirmar: 

“Negar a diversidade contida nesse amalgama cultural é compactuar com abordagens reducionistas absurdas que beiram a fronteira da desonestidade intelectual. Quando em minha igreja perguntam o que o autor de Levítico quis dizer quando escreveu “maldito todo homem que se deita com outro homem como se fosse mulher” sabem o que respondo? Muito simples: respondo que ele quis dizer exatamente o que escreveu. Infelizmente ele fazia parte da horda de homofóbicos pretensiosos que se julgavam donos da verdade divina, assim como hoje.”

             Em primeiro lugar, é preciso lembrar ao suposto “Pastor Evangélico” de que o autor do livro de Levítico, Moisés, foi inspirado por Deus. Inspiração essa que o mesmo desconhece e se conhece rejeita. Todavia, Neemias nos diz que a Lei de Deus (observe bem – Lei de DEUS) foi-nos entregue pelo ministério de Moisés:

 “Firmemente aderiram a seus irmãos os mais nobres dentre eles, e convieram num anátema e num juramento, de que andariam na lei de Deus, que foi dada pelo ministério de Moisés, servo de Deus; e de que guardariam e cumpririam todos os mandamentos do Senhor nosso Senhor, e os seus juízos e os seus estatutos” (Neemias 10:29).

 Assim sendo, ao escrever tal mensagem em Levítico 18:22, 20:13, Moisés apenas

estava transmitindo aquilo que o SENHOR estava comunicando. Seja isto agradável ou não.

            Outro ponto importante a ser destacado é o fato de que a expressão tão na moda – homofobia – significa: aversão a homossexuais.

            Na verdade, ao apresentarmos a doutrina bíblica não estamos lutando contra os homossexuais, muito pelo contrário, estamos lutando para estes venham a conhecer o Salvador e a Salvação. Estamos preocupados com a existência eterna deles.

            Se nós tivéssemos aversão ao homossexual não estaríamos lutando para apresentar-lhes a salvação através de Cristo.

            Na verdade, nós não somos homofóbicos! Não! Diferentemente do que é apresentado, nós não apoiamos as suas práticas, que a Bíblia denomina como pecaminosas. A questão aqui levantada não se dá contra as pessoas, muito pelo contrário, a questão se dá com relação as suas práticas, e se falamos é porque nos preocupamos com elas.

            Uma prática muito comum que tenta se fazer utilizar de má intenção para pregar heresias, é o ato de se distorcer o texto bíblico. Outro belo exemplo é apresentado pelo suposto “Pastor Evangélico” ao afirmar: 

“Por outro lado temos o caso de Davi que declarou ser Jonathas, o filho de Saul, mais gostoso que as mulheres. Davi transou com o amigo (provavelmente por isso Saul por diversas vezes tentou matá-lo)”

Vejamos o texto bíblico original:

 “Angustiado estou por ti, meu irmão Jônatas; tu eras amabilíssimo para comigo! Excepcional era o teu amor, ultrapassando o amor de mulheres.” (2 Samuel 1:26)

             Em primeiro lugar, é preciso atentar para o fato de que em nenhum lugar está escrito que Davi disse que Jônatas era “mais gostoso que as mulheres”. Isso é típico de alguém que está mal intencionado e possui o hábito de se fazer utilizar de mentiras.

            O que o texto nos diz é que o amor de Jônatas “ultrapassava o amor de mulheres”.

           Quando Davi falou que seu amor por Jônatas ultrapassava o amor de mulheres, a expressão hebraica utilizada não é utilizada com o sentido erótico.

O rabino Henry I. Sobel cedeu uma entrevista à revista Ultimato (setembro/outubro 1998) na qual referiu-se ao assunto comentando: “… a palavra hebraica ahavá não significa apenas amor no sentido conjugal/sexual, mas também no sentido paternal (‘Isaque gostava de Esaú’, Gn 25.28), no sentido de amizade (‘Saul afeiçoou-se a Davi’, em 1 Sm 16.21), no sentido de amor a Deus (‘Amarás o Senhor, teu Deus’, em Dt 6.5) e no sentido de amor ao próximo (‘Amarás o próximo como a ti mesmo’, Lv 19.18). Em todos estes exemplos, o verbo usado na Torá (a Bíblia hebraica) é ahavá. É por razão lingüística – e não por falso pudor – que a maioria das traduções bíblicas cita 1 Samuel 1.26 assim: ‘Tua amizade me era mais preciosa que o amor das mulheres’”.

A afirmação contrária repousa na confissão pública de que tal pessoa desconhece totalmente o texto no idioma original.

O próprio suposto “Pastor Evangélico” confessa, sem se dar conta, que Davi tinha atração, sim, por mulheres e não por homens:

 “com as mulheres do pai do amigo (herdadas que foram do Rei falecido), com suas próprias mulheres e com a mulher do vizinho (que mandou matar para encobrir o erro). Isso, sem falarmos que quando já estava bem velhinho determinou que procurassem a donzela mais bonita de todo reino para “aquecê-lo”. Desses, o único momento que lhe valeu uma dura repreensão foi no caso em que ele “pulou a cerca”

Essa atração por mulheres, mais tarde se tornou-se um problema para Davi, por causa de Bate-Seba (1 Sm 18.27; 25.42-43; 2 Sm 3.2-5; 11.1-27).

            O suposto “Pastor Evangélico” ainda afirma o seguinte:

“Contrariando o gosto dos moralistas religiosos, a Bíblia registra que Davi foi “O homem segundo o coração de Deus” e afirma que Deus promete que seria de sua descendência que viria o Messias (que para os Cristãos foi Jesus e que o judeus aguardam ainda)”.

             Henrietta C. Mears, em seu livro Estudo Panorâmico da Bíblia, na página 110 nos diz o seguinte:

 “Seria interessante comparar Saul com Davi. Ambos foram reis de Israel. Ambos reinaram o mesmo período de tempo, quarenta anos. Ambos tiveram o apoio leal do povo e a promessa do poder de Deus para sustentá-los. Entretanto, Saul foi um fracasso e Davi alcançou êxito. O nome de Saul é uma macha na história de Israel e o de Davi é honrado até hoje, tanto por judeus como por gentios.”

             Podemos perceber alguns fatores na vida de Davi que o fizeram ser chamado por Deus como o homem segundo o seu coração. Vejamos:

  1. Fidelidade
  2. Modéstia
  3. Paciência
  4. Coragem
  5. Magnanimidade
  6. Confiança
  7. Sensibilidade

             Ao tentar distorcer o sentido bíblico do que Deus disse, o suposto “Pastor Evangélico” demonstra nunca ter estudado a Bíblia, mas apenas ter realizado uma tentativa de manipulá-la.

            As expressões utilizadas para se referir a Davi foram:

“Porém agora não subsistirá o teu reino; já tem buscado o Senhor para si um homem segundo o seu coração, e já lhe tem ordenado o Senhor, que seja capitão sobre o seu povo, porquanto não guardaste o que o Senhor te ordenou.” (1 Samuel 13:14)

“Achei a Davi, meu servo; com santo óleo o ungi” (Salmo 89:20)

“E, quando este foi retirado, levantou-lhes como rei a Davi, ao qual também deu testemunho, e disse: Achei a Davi, filho de Jessé, homem conforme o meu coração, que executará toda a minha vontade.” (Atos 13:22)

            Bem disse Paul Gardner no livro Quem é Quem na Bíblia Sagrada, página 128, acerca de Davi, explicando o porque dele ser o homem segundo o coração de Deus:

                 “Davi era notável, tanto por seu amor a Deus como por sua aparência física (1 Sm 16.12). Depois que Saul foi rejeitado por seus atos de desobediência (1 Sm 15.26), o Senhor incumbiu Samuel da tarefa de ungir um dos filhos de Jessé. Os mancebos passaram um por vez diante do profeta, mas nenhum deles foi aprovado por Deus. Depois que os sete mais velhos foram apresentados a Samuel, ele não entendeu por que o Senhor o enviara a ungir um rei naquela casa. O profeta procurava um candidato que se qualificasse por sua estatura física. Afinal, anteriormente tinha dito ao povo que Saul preenchia os requisitos, devido à sua bela aparência: “Vedes o homem que o Senhor escolheu? Não há entre o povo nenhum semelhante a ele” (1 Sm 10.24).

Jessé disse a Samuel que seu filho mais novo, chamado Davi, ainda cuidava dos rebanhos. Depois que foi trazido diante do profeta, ele teve certeza que aquele jovem atendia aos padrões de Deus, pois “o Senhor não vê como vê o homem. O homem olha para o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração” (1 Sm 16.7). Davi recebeu duas confirmações de sua eleição: Samuel o ungiu numa cerimônia familiar e o Espírito do Senhor veio sobre ele de maneira poderosa (v.13).”

            O suposto “Pastor Evangélico” continua sua carta, afirmando:

“Tanto os profetas, como o próprio Cristo por diversas vezes desautorizaram a aplicabilidade de conceitos tidos como sagrados (alias por isso o mataram)”.

            A verdade é que os profetas e também Cristo não desautorizaram as práticas bíblicas, mas sim o seu mau uso e distorção. O que foi desaprovado foram as práticas distorcidas do ensino Bíblico. Práticas tão distorcidas quanto o próprio ensino do suposto “Pastor Evangélico”.

            Vejamos alguns exemplos bíblicos:

  1. Apenas os sacerdotes precisavam fazer uma lavagem cerimonial antes das refeições, para se purificarem (Lv 22:1-16), porém os rabinos “expandiram” a lei:

“Por que transgridem os teus discípulos a tradição dos anciãos? pois não lavam as mãos quando comem pão.” (Mateus 15:2)

  1. Os rabinos “expandiram” o mandamento que exigia que se obedecesse e honrassem os pais:

“Porque Deus ordenou, dizendo: Honra a teu pai e a tua mãe; e: Quem maldisser ao pai ou à mãe, certamente morrerá.Mas vós dizeis: Qualquer que disser ao pai ou à mãe: É oferta ao Senhor o que poderias aproveitar de mim; esse não precisa honrar nem a seu pai nem a sua mãe,E assim invalidastes, pela vossa tradição, o mandamento de Deus.” (Mateus 15:4-6) 

  1. Os rabinos “modificaram” a prática da lei transformando-a em algo mecânico:
  2. “Este povo se aproxima de mim com a sua boca e me honra com os seus lábios, mas o seu coração está longe de mim. Mas, em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos dos homens.”

             Em sua falta de entendimento o suposto “Pastor Evangélico” continua, ao afirmar:

           “Portanto, percorrer a Bíblia a busca de mandamentos e leis acrescentando-lhes a chancela de VONTADE IMUTÁVEL DE DEUS é de um cinismo absoluto uma vez que essa busca se faz de forma intencionalmente seletiva, desprezando ou ignorando trechos que podem produzir constrangimento ou despertar dúvidas”.

             Em primeiro lugar, deve-se entender que a busca bíblica pela vontade Divina na Sagrada Escritura sempre foi ensinada por Deus:

“Jesus, porém, respondendo, disse-lhes: Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus.” (Mt 22:29)

“E Jesus, respondendo, disse-lhes: Porventura não errais vós em razão de não saberdes as Escrituras nem o poder de Deus?” (Mc 12:24)

“Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam” (Jo 5:39)

“Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim.” (At 17:11)

“Porque tudo o que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito, para que pela paciência e consolação das Escrituras tenhamos esperança.” (Rm 15:4)

“E que desde a tua meninice sabes as sagradas Escrituras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus.” (2Tm 3:15)

“Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça” (2Tm 3:16)

“Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação.” (2Pe 1:20)

             Em segundo lugar, deve-se entender que a manipulação do texto bíblico é condenado pelo próprio Deus:

                “Não acrescentareis à palavra que vos mando, nem diminuireis dela, para que guardeis os mandamentos do Senhor vosso Deus, que eu vos mando.” (Dt 4:2)

“Tudo o que eu te ordeno, observarás para fazer; nada lhe acrescentarás nem diminuirás” (Dt 12:32)

“Nada acrescentes às suas palavras, para que não te repreenda e sejas achado mentiroso.” (Pv 30:6)

“Porque eu testifico a todo aquele que ouvir as palavras da profecia deste livro que, se alguém lhes acrescentar alguma coisa, Deus fará vir sobre ele as pragas que estão escritas neste livro; E, se alguém tirar quaisquer palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte do livro da vida, e da cidade santa, e das coisas que estão escritas neste livro.” (Ap 22:18-19)

            Em terceiro lugar, deve-se entender que existem passagens bíblicas que são de difícil interpretação, todavia, isso não é motivo para se interpretar o texto de acordo com a irresponsabilidade de um leitor descomprometido com a verdade:

“Falando disto, como em todas as suas epístolas, entre as quais há pontos difíceis de entender, que os indoutos e inconstantes torcem, e igualmente as outras Escrituras, para sua própria perdição.” (2Pe 3:16)

“Do qual muito temos que dizer, de difícil interpretação; porquanto vos fizestes negligentes para ouvir.” (Hb 5:11)

            Dessa maneira, podemos afirmar que o cinismo absoluto é a marca de alguém, que diante de tantas passagens e ensinos, tem a audácia de se apresentar como o detentor de uma nova verdade na tentativa de sobrepujar a verdade bíblica tão claramente apresentada.

            O suposto “Pastor Evangélico” continua seu e-mail em uma tentativa frustrada de continuar atacando a doutrina da inspiração bíblica e inerrância ao afirmar:

             “E os pastores, padres, sacerdotes sem esse dogma igualam-se aos demais e perdem o argumento que legitima a autoridade e domínio que exercem sobre os fieis (e ninguém gosta disso). Como então viver a fé sem o norte seguro do grande manual divino? Sem ter claramente delimitado o que é certo e o que é errado? Seria possível redescobrir a face de Deus para além da Bíblia, das leis e dogmas nela contidos? Obviamente que sim”.

             A Bíblia claramente apresenta a figura do líder como sendo o pastor (Jr 3:15; Ef 4:11; Hb 13:7; Hb 13:17). Todavia, a função de liderança pastoral não pode transformar-se em uma função de manipulação de vidas. O líder ensina, orienta e, quando necessário, repreende e disciplina, porém deve entender que a “ovelha” deve ter uma vida íntima com Deus e precisa estar atenta para a voz do Senhor e de Sua instrução através da Sagrada Escritura.

            O fato da Bíblia atribuir na escala hierárquica funções a alguns não dá respaldo para torná-los proprietários da vida dos outros. A autoridade pastoral é sim legitimada pela Sagrada Escritura. Por outro lado, os líderes são humanos e passíveis de erros, como quaisquer outros. Assim sendo, a função de líder atribuída por Deus não transforma o pastor em um super-crente.

            É necessário entender que o princípio bíblico estabelece que as coisas partem das mais simples para as mais complexas. A Bíblia ensina que se não houver submissão às autoridades constituídas também não haverá submissão a Deus. Se não houver amor por aqueles a quem vemos, não haverá a Deus. Como obedeceremos a Deus, que não vemos, se somos desobedientes aos líderes que vemos? Como amaremos a Deus, que não vemos, se não amamos a quem vemos?

            Esse é o princípio bíblico!

            Entretanto, esse tipo de pensamento é muito comum nos dias atuais, pois tais pessoas, como a Sagrada Escritura que é desprezada pelos mesmos afirma:

“Mas principalmente aqueles que segundo a carne andam em concupiscências de imundícia, e desprezam as autoridades; atrevidos, obstinados, não receando blasfemar das dignidades” (2Pe 2:10)

“Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos. Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te.” (2 Timóteo 3:1-5)

            É preciso entender que temos um Norte sim. Este Norte é a Bíblia – Sagrada Escritura Divinamente inspirada, e como disse Charles Ryrie: “a Bíblia é Palavra de Deus infalível, inerrante, verbal e plenamente inspirada” 

“Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça” (2 Tm 3:16)

“Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade.” (2 Tm 2:15)

            O bom manuseio deve ser feito na Palavra de Deus e não nos pensamentos obstinados, pervertidos e malévolos da mente humana afastada de Deus e de Sua Palavra.

            Sem o “norte seguro do grande manual divino”, passa-se a ter como norte a mente e imaginação de falsos mestres.

            Entendemos que muitos atacam a inspiração bíblica porque afirmam que a Sagrada Escritura é usada para manipular as pessoas, todavia, são estes que passam a manipular as suas massas sob a alegação de que não podemos ser manipulados pela Bíblia. São manipuladores que acusam os outros de manipulação. São indoutos que acusam os outros de incapacidade. São hereges que acusam os outros de heresia. São perdidos que acusam os outros de não terem uma direção.

            Não importa em que lugar se tenha estudado. Se foi aluno no Instituto Bíblico de Maringá, ou na Faculdade de Teologia da Igreja Metodista. Não importa se foi presidente fundador da ASA (Associação de Seminaristas e Aspirantes ao Ministério). Não importa se foi pastor da Igreja Metodista. É necessário entender que Judas Iscariotes foi apóstolo, Demas foi cooperador de Paulo, Saul foi rei de Israel, Caim foi filho de Adão…

            Não importa o que ou o quanto se diga, a Bíblia foi inspirada por Deus, e uma prova bastante consistente dessa inspiração é o fato de que a própria Bíblia já afirmava que no futuro alguns iriam surgir com a intenção de aniquilá-la, de desacreditá-la.

            O surgimento de obreiros fraudulentos na atualidade nada mais é que a demonstração pública da inspiração bíblica.

robsontfernandesRobson Tavares Fernandes é bacharel em Teologia pelo STEC (Seminário Teológico Evangélico Congregacional). Tem se dedicado desde 1998 ao ensino e pesquisa bíblica na área de Apologética, sendo autor de vários artigos já publicados. Atuação como professor: Curso de Teologia da Igreja Batista da Palmeira, CBA (Curso Básico de Apologética) e ITESMI (Instituto Teológico Superior de Missões). Atuação como pesquisador: VINACC (Visão Nacional para a Consciência Cristã). Atuação como palestrante: Encontro para a Consciência Cristã, Simpósio Criacionista da Paraíba, Seminário Criacionista da Alagoas. Tem ministrado, ainda, palestras em igrejas, escolas e universidades.

Contato:  cristovira@bol.com.br  rtf75@bol.com.br

Atenção:
O conteúdo desta página tem objetivo formativo e educacional.OS ARTIGOS AQUI PUBLICADOS SÃO DE INTEIRA RESPONSABILIDADE DE SEUS AUTORES, CITADOS NO FINAL DE CADA ARTIGO. NÃO NECESSARIAMENTE ESTA PRODUÇÃO CONCORDA INTEIRAMENTE COM O ENTENDIMENTO TEOLÓGICO DE CADA AUTOR. TODAVIA, OS PUBLICAMOS COMO FONTE DE CONHECIMENTO E COMO FORMA DE CONTRIBUIR PARA O ALARGAMENTO DO ENTENDIMENTO E A POSSIBILIDADE DE CONHECERMOS VÁRIAS FORMAS DE PENSAR. CABE A CADA LEITOR REFLETIR, À LUZ DA BÍBLIA, SE CONCORDA OU NÃO COM OS POSICIONAMENTOS AQUI EXPRESSADOS. 

        

G12_TRANSP1024

G-12 – O FRUTO DO ENGANO NO CORPO DE CRISTO


apologética
G12_TRANSP1024G-12 – O FRUTO DO ENGANO NO CORPO DE CRISTO

Autor: Márcio Argachof
Revisores Teológicos: Pr. Alexandros D. Meimaridis e Pr. Magno Paganelli

Fonte: www.jesussite.com.br

Versículos chave:

Surgirão ventos de doutrinas (Ef. 4.14, Hb. 13.9, 2 Tm. 4.3-4);

Surgirão falsos cristos e falsos profetas (Mt. 24.24);

Devemos ter cuidado com os falsos profetas (Mt. 7.15);

Haverá apostasia (2 Ts. 2.3);

Alguns apostatarão da fé (1Tm. 4.1-2);

Não devemos mudar nosso entendimento (2 Ts. 2.2);

Devemos ficar firmes e guardar as tradições (2 Ts. 2.15);

Devemos permanecer naquilo que aprendemos (2 Tm. 3.14);

Devemos reter a Palavra, que é igual à doutrina (Tt 1.9);

Quem não permanecer na doutrina não é de Deus (2 Jo 9).

 Sobre as versões da Bíblia usadas, em geral, utilizei a ARA – Almeida Revista e Atualizada. Para efeito prático, sempre que não for a ARA, haverá uma indicação de qual versão foi usada, dentre as seguintes versões:

ARC – Almeida Revista e Corrigida
ECA – Edição Contemporânea de Almeida
ACF – Almeida Corrigida Fiel
NVI – Nova Versão Internacional
NTLH – Nova Tradução na Linguagem de Hoje

   Índice:

Introdução 3
Uma palavra sobre a fé 4
A necessidade de se examinar algumas teorias 4
Objetivo 5
Expressões, “visões” e doutrinas precisam ser examinadas 6
O crente espiritual é exortado a “julgar todas as coisas” 6
“Espíritos” não são testados 7
Aos Pastores 8
O engano na vida do crente 9
Um Corpo esquartejado 9
Os frutos identificando a árvore 11
As pressões da liderança 11
O “treinamento” dos líderes 14
Todos devem ser líderes de células 14
Cobertura espiritual 15
Inversão de valores 16
O perigo da mistura 17
A Colheita será feita por Jesus e seus anjos, e não pelos homens e seus “métodos” 18
As Origens do Movimento 20
1º Ingrediente: O Governo de 12 20
2º Ingrediente: Células e visões 22
Paul (David) Yonggi Cho 24
Word-Faith Movement 24
3º Ingrediente: Pragmatismo com propósitos 25
Igreja dirigida por propósitos 28
Igreja do novo paradigma 28
Quem financia a igreja do novo paradigma 29
Conclusão sobre os ingredientes 30
Sobre o livro “Sonha e ganharás o mundo” 31
Alterando ou distorcendo a Palavra 31
Heresia: Abraão era pagão e adorava outros deuses 31
Heresia: Deus foi pai e mãe ao de Abraão 32
Castellanos divulga doutrina do Gnosticismo 32
Distorção: Raposinhas põem a perder colheitas 33
Heresia: Jeremias diz que a palavra de Deus é uma afronta 33
Heresia: Salomão disse “Sem visão meu povo perece” ? 34
Alteração: Mateus 22:37 34
Líderes enganados 35
A expressão “obedecer ao espírito” é realmente bíblica? 35
Dialogando com demônios 36
Experiências de falta de controle sobre o “espírito” 36
Castellanos relata ter saído do corpo 37
A exaltação dos sonhos 38
Técnicas de regressão usadas no “Encontro com Deus” 39
O Encontro é necessário para o verdadeiro arrependimento 40
Claudia Castellanos, a política e o Brasil 40
O rebatismo de Cláudia Castellanos 41
Uma voz estranha 42
Profecias sem base bíblica 42
Prosperidade para a igreja de Castellanos 42
Castellanos libera misericórdia de Deus aos EUA 43
Índia sem idolatria ?! 46
Pontos Positivos do Movimento 47
1) Reuniões nas casas dos crentes, ou células 47
2) A busca de santidade 47
3) Oração intensa por um propósito 47
4) Trabalho sistemático de evangelização 48
Doutrinas estranhas à Palavra de Deus 49
A inclusão do Encontro em Marcos 16:16 49
A exigência da participação no Encontro e de santificação para o Batismo 49
O crente deve perdoar a Deus 51
Aqueles que se autodenominam profetas e apóstolos 51
O Espírito Santo é um hóspede para Castellanos 52
É proibido discordar 53
Discípulos de Jesus ou de homens? 54
A Diminuição da cruz diante da valorização do Encontro 57
Confissão de pecados a líderes 58
Teologia da Prosperidade 59
Logos e Rhema 60
Práticas judaizantes 61
Diminuindo o valor do pastor 62
O que importa é quantidade e não a qualidade dos crentes 62
Jejuns criativos 63
A administração da igreja no G12 63
Foco somente em evangelismo: Uma igreja em desequilíbrio 65
Caráter de Cristo 65
Não há investimento em missões 66
A justificativa dos “12” 66
O modelo celular será único no futuro (= IGREJA VERDADEIRA) 66
O pseudo-avivamento gedozista 67
Atos Proféticos, Pedras, “Unção” de Sal e Bíblias enterradas 68
A busca ostensiva pelo “falar em línguas” 70
Qualquer tradição é taxada como algo velho e ruim 71
Mudam o sentido da parábola do Vinho Novo em odres velhos 72
Parábola do vestido velho e dos odres velhos 72
Células homogêneas (separadas por sexo e faixa etária) 73
Dízimos e ofertas na célula 74
Alguns conceitos errados 74
Progressão geométrica na “cobertura espiritual” e aparentemente na arrecadação 75
Conclusão 77

Introdução:

Aos amados irmãos,
Que a Graça e a Paz que somente Jesus pode dar, estejam convosco agora e sempre!

Em primeiro lugar, gostaria de registrar aqui que amo aos irmãos da minha igreja. E se tomei a iniciativa de escrever este trabalho, foi movido por uma grande preocupação com os rumos que a Igreja como um todo tem tomado. Tenho visto nos últimos meses, irmãos valiosos e queridos se afastando da igreja. Alguns foram para outras igrejas Cristãs, mas alguns, simplesmente sumiram. Não é possível permanecer calado vendo a Palavra de Deus sendo ignorada, deturpada ou simplesmente deixada de lado. Vamos, em nome de Jesus, e da preservação de nossa fé na sã doutrina, buscar confirmação de tudo pela Palavra, como bons bereanos:

“Ora, estes de Beréia eram mais nobres que os de Tessalônica; pois receberam a palavra com toda a avidez, examinando as Escrituras todos os dias para ver se as coisas eram, de fato, assim” Atos 17:11

Antes eu conhecia o G12 de ouvir falar, mas após quase dois anos conhecendo-o pessoalmente, e também após ter lido o livro de Castellanos “Sonha e ganharás o mundo”, espécie de cartilha do movimento, aceita como verdade de Deus pelos gedozistas, senti aumentar a urgência em elaborar um estudo mais profundo sobre o que vem acontecendo nas igrejas que abraçaram a “visão”.

MOVIMENTOS CLONE:
A “visão” em questão assumiu várias formas e nomenclaturas, principalmente desde o final de março de 2005, quando Castellanos revelou aos seus seguidores, que a partir daquele momento ia querer receber um determinado valor das igrejas que usassem a marca G12. Por isto é comum hoje encontrarmos igrejas que não mais usam o termo “G12”, mas continuam aplicando os mesmos ensinamentos, ou melhor, distorções doutrinárias aprendidas enquanto seguiam Castellanos. Portanto, caso ouçam falar em “Movimento dos 12”, “M-12”, “Visão Celular”, “Igreja em Células”, ou algo parecido, certamente estarão diante dos mesmos ensinamentos originais do G12 com uma nova roupagem para que não seja necessário pagar nenhum royaltie ao “profeta” original César Castellanos.

É bem verdade que nem todas as igrejas adotaram a visão do G12 na íntegra, e por isto podem não apresentar todas as características aqui abordadas, mas como os métodos do G12 seguem muitas vezes caminhos perigosos, procurei mostrar os pontos críticos do movimento à luz da Palavra. Ressalto que não pretendo esgotar o assunto, mas sim lançar luz sobre um tema que tem sido motivo de muita dúvida no meio Cristão. Também ressalto que não possuo formação teológica, e por isto me preocupei em fazer uma ampla pesquisa na Bíblia em suas várias versões, diversos livros, sites, dicionários e enciclopédia teológica, além de pedir a irmãos valorosos, formados em teologia que analisassem este trabalho.

Por isto, caso algum irmão, perceba algum erro neste estudo, afinal estamos todos sujeitos a errar, entre em contato para que eu providencie a devida correção pelo e-mail marcio_argachof@hotmail.com.

Quero deixar claro que todos os irmãos envolvidos em igrejas que adotaram a “visão G12”, ou uma de suas variações, são irmãos valorosos, tanto para mim como para Deus. Portanto, não é meu intuito menosprezar nenhum destes irmãos, pois sei que se Deus permitiu que eu mesmo frequentasse uma igreja dentro da “visão”, Ele tinha um propósito perfeito, como certamente tem para os irmãos gedozistas, e Glória a Deus por isto. Entendo que Deus tem trabalhado na vida destes irmãos, e que no tempo Dele as verdades aparecerão, para que no final desta “ventania”, certamente muitos tenham crescido na Palavra, lutando um bom combate, e guardando a fé, conforme Paulo nos ensinou.

Mesmo discordando destes irmãos, registro aqui meu profundo respeito por suas opiniões, e pelo seu livre arbítrio. Tal diversidade de opiniões é um importante exercício para todo o povo de Deus, pois certamente o Senhor alegrar-se-á em nos ver unidos diante das tribulações e principalmente conservando nossa fé nas Escrituras.

É importante destacar que este material não foi escrito com a pretensão de fomentar nenhum tipo de discórdia ou divisão no Corpo de Cristo. Pelo contrário, o fortalecimento do Corpo de Cristo é o real objetivo, e para tanto a busca das verdades bíblicas e da sã doutrina são, em primeira e última análise, o melhor caminho.

Um agradecimento especial a minha esposa Miriam, que tanto contribuiu neste trabalho, com suas orações e abençoadas reflexões sobre cada tópico aqui abordado, e também agradeço ao meu grande amigo Pr. Alex, por sua imensa paciência em analisar este trabalho e me ensinar os mais profundos caminhos da Palavra.

Enfim, toda a honra e glória sejam dadas a Deus!

Boa leitura, e que Deus seja convosco!
Márcio Argachof

Uma palavra sobre a fé

A fé na são doutrina é o que procuramos preservar com este trabalho, mas antes de começar, gostaria de citar George Muller, um verdadeiro homem de fé:

“Ora, a fé é a certeza das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se vêem. Foi por ela que os antigos alcançaram bom testemunho. Pela fé entendemos que os mundos foram criados pela palavra de Deus, de maneira que o visível não foi feito do que se vê.” Hb. 11:1-3

“Que é fé? Na maneira mais simples de que eu sou capaz de expressar, respondo: Fé a segurança de que as coisas que Deus tem dito em sua Palavra são verdade e que Ele age de acordo com sua Palavra. Esta segurança, esta confiança na Palavra de Deus, é fé.

Podemos dizer que fé não é questão de impressões, nem de probabilidades, nem de aparências. As impressões vêm da razão humana, que, na melhor das hipóteses, não é digna de confiança. A fé, por outro lado, baseia-se na invencível Palavra de Deus; não são as impressões, fortes ou fracas, que farão qualquer diferença. Temos de agir com base na Palavra escrita. Temos de confiar na Palavra escrita, e não em nós mesmos ou em nossas impressões.

As probabilidades não devem ser levadas em consideração. Muitas pessoas estão dispostas a crer, relativamente, nas coisas que lhes parecem prováveis. Fé não tem nada a ver com probabilidade. A fé começa onde cessas as probabilidades, e a visão e o senso falham.

Muitos filhos de Deus estão desanimados e lamentam sua falta de fé. Muitos têm-me escrito e dito que não têm impressões nem percepções, que não vêem nenhuma probabilidade de que aquilo que desejam se realize (Lc 18:27). As aparências não devem confundir nossa fé. A questão, certamente, é esta: Deus falou deste assunto em sua Palavra? Se falou, essa é a base da fé. Por causa de tantas impressões, probabilidades, aparências e problemas sem importância relacionados à fé é que temos tão poucas bênçãos entre nós.”

(George Muller, Homem de Fé, Edições Vida Nova, pgs.28 e 29)

A necessidade de se examinar algumas teorias

À luz das obras dos espíritos enganadores e seus métodos de engano, fica claro que devemos analisar minuciosamente as teorias, conceitos e expressões do século XX a respeito das coisas de Deus e de Sua obra no homem, pois somente a verdade de Deus, e não as “visões” da verdade, terá alguma utilidade na proteção ou nesse conflito com os espíritos malignos nos lugares celestiais.

Tudo o que é, em qualquer grau, resultado da mente do homem natural (1Co 2.14) se mostrará apenas como “armas de palha” nessa grande batalha. Se nos apoiarmos nas “visões da verdade” de outros ou em nossas próprias idéias humanas sobre a verdade, Satanás usará exatamente essas coisas para nos enganar e, até, nos fará crescer e aprofundar-nos nessas teorias e visões a fim de que, encoberto por elas, possa atingir seus objetivos.

Não podemos, portanto, nesse tempo, superestimar a importância de os crentes terem mente aberta para “examinar todas as coisas” que já pensaram ou ensinaram em relação às coisas de Deus e ao mundo espiritual: todas as “verdades” que eles têm sustentado, todas as frases e expressões que usaram em seus “ensinamentos sobre santidade” e todos os “ensinamentos” que absorveram por meio de outros. Pois qualquer interpretação errônea da verdade, quaisquer teorias e frases que são concebidas pelo homem e podem se aprofundar cada vez mais em direção ao erro terão conseqüências perigosas para nós mesmos e para outros no conflito que a Igreja e o crente individual estão agora enfrentando. Já que nos “últimos dias” os espíritos malignos virão a eles com enganos de forma doutrinária, os crentes têm de examinar com cuidado o que aceitam como “doutrina”, para provar se, na verdade, elas não são dos emissários do enganador.

(Jessie Penn Lewis, GUERRA CONTRA OS SANTOS, Tomo 1, Editora dos Clássicos)

Objetivo:

As igrejas que adotaram a “visão” do modelo de governo dos 12, ou G12, apresentam diversos posicionamentos não bíblicos. São irmãos que amo, mas que tomados por uma espécie de “paixão cega” por uma “visão” que pensam ser de um pastor colombiano chamado César Castellanos Domínguez, fundador da MCI – Missão Carismática Internacional em Bogotá na Colômbia, nem sequer se puseram a investigar as reais origens deste movimento, bem como adotam uma postura pragmática, ou seja, uma postura pela qual não importam os meios para se chegar ao objetivo de evangelizar, multiplicar membros, e formar mega-igrejas.

A MCI de Castellanos, tem planos bem pouco modestos de expansão, haja visto que sua doutrina tem alcançado muitos países das Américas do Sul e do Norte, e Europa onde atualmente existem igrejas que adotaram a “visão”, aliás foi nesta “visão” que Castellanos teve a “revelação” que iria conquistar as nações (estudaremos isto adiante). Mas, amados irmãos, lembremos que tudo o que é de Deus, está em harmonia com as leis de operação de Deus descritas nas Escrituras; por exemplo, “movimentos de alcance mundial” pelos quais multidões serão ganhas não estão de acordo com as leis de crescimento da Igreja de Cristo mostradas na parábola do grão de trigo (Jo 12.24), na lei da cruz de Cristo (Is 53:10), na experiência pela qual Cristo passou, na experiência de Paulo (1Co 4:9-13), no “pequenino rebanho” de Lucas 12:32 e no fim da dispensação profetizado em 1Tm 4:1-3 e 6:20.

Esses movimentos, dentre eles o G12, rejeitam as formas bíblicas de evangelismo através dos testemunhos pessoais dos crentes que tendo suas vidas renovadas por Cristo, manifestam a “olhos vistos”, a presença dos frutos do Espírito Santo. Para o G12 a quantidade de pessoas na igreja é o objetivo maior, não investindo em amadurecimento através de ensino teológico sólido. Na prática isto tem gerado centenas de “adesões” e não conversões verdadeiras, levando as igrejas gedozistas por um caminho perigoso e auto destrutivo.

Sinto-me bem à vontade para analisar este movimento, pois quis o Senhor Deus que eu e minha família estivéssemos numa igreja, a princípio Batista, mas que abraçou a “visão” e com isto acabaram por romper com a Convenção Batista, e mais ainda, tem se empenhado sistematicamente em repudiar qualquer ato ou pessoas que lembrem o modo de agir das igrejas tradicionais. Neste caso, uma peculiaridade é que os gedozistas rotulam de tradicional, toda e qualquer igreja Cristã que não seja em células e sob o “governo dos 12”.

Portanto, o objetivo deste estudo é apresentar aos irmãos que porventura estejam tendo contato com o G12, os pontos desta doutrina que são contrários a Palavra de Deus. Logicamente existem várias posições assumidas pelos gedozistas que são positivas, no entanto, tais atitudes positivas em meio a doutrinas e atividades heréticas, acabam por ter o efeito contrário, provocando em muitos casos divisões nas igrejas, com a saída de muitos membros por não concordarem com os métodos adotados. Tais divisões nem sempre são nítidas, pois à primeira vista vemos uma igreja repleta de pessoas, mas aos olhos atentos é difícil deixar de constatar que tais pessoas são novas na fé, ou ainda estão somente de passagem para conhecer, tornando a ilustração da “porta dos fundos maior que a da frente” mais real do que nunca.

E após a análise cuidadosa de cada ponto aqui apresentado sob a luz da Palavra, conclamo aos irmãos, que entrem em jejum e oração, pedindo nada mais do que seja feita a vontade do Pai, que é verdadeira por definição e também pedindo que os espíritos enganadores em ação hoje na igreja gedozista, sejam expulsos em nome do poderoso nome de Jesus. A ação de tais espíritos das trevas foi prevista por Paulo em sua Segunda Carta aos Tessalonicenses (2Ts 2:4), onde ele fala da manifestação daquele que enganará a tal ponto os cristãos que conseguirá entrar no santuário de Deus, ostentando-se como se fosse o próprio Deus”, sendo sua presença parecida com a de Deus; no entanto, isso é:

segundo a eficácia de Satanás, com todo poder, e sinais de prodígios da mentira, e com todo engano” (2Ts 2:9-10).

Expressões, “visões” e doutrinas precisam ser examinadas

De acordo com essas direções da Palavra de Deus e em vista do tempo crítico pelo qual a Igreja de Cristo está passando, toda expressão, “visão”, ou teoria que temos em relação às coisas em geral deve ser examinada cuidadosamente e levada à prova, com um desejo aberto e honesto de conhecer a pura verdade de Deus, bem como toda declaração que ouvimos da experiência de outros que possa trazer luz ao nosso próprio caminho. Cada crítica, justa ou injusta, deve ser recebida com humildade e examinada para se descobrir sua base legal, se é aparente ou real. Da mesma forma, fatos a respeito de verdades espirituais de todas as partes da Igreja de Deus devem ser analisados, independente do prazer ou da dor que nos tragam pessoalmente, tanto para nosso próprio esclarecimento como para nos preparar para o serviço de Deus. Pois o conhecimento da verdade é a primeira coisa essencial na guerra contra os espíritos mentirosos de Satanás, e a verdade deve ser ardentemente buscada e encarada com desejo sincero de conhecê-la e de a ela obedecer à luz de Deus: verdade sobre nós mesmos, discernida por investigação imparcial; verdade das Escrituras, sem colorido extra, distorções, mutilações, diluições; verdade ao encarar os fatos da experiência de todos os membros do Corpo de Cristo e não de uma parte do Corpo apenas.

(Gerra contra os Santos, Tomo1, por Jesse Pen Lewis – Irlandesa que participou do Avivamento no país de Gales no Século XIX)

O crente espiritual é exortado a “julgar todas as coisas”

O dever de examinar as coisas espirituais é fortemente recomendado pelo apóstolo Paulo repetidas vezes. “O homem espiritual julga (examina, ou como está no grego, investiga e decide) todas as coisas” (1Co  2.15). O crente espiritual deve usar seu julgamento, que é uma faculdade renovada se ele é um homem espiritual. Esse exame ou julgamento espiritual é mencionado em relação às “coisas do Espírito de Deus” (v. 14), o que nos mostra como o próprio Deus honra a personalidade inteligente do homem que Ele recriou em Cristo, convidando-o a julgar e a examinar as obras de Seu próprio Espírito, de modo que até mesmo as “coisas do Espírito” não devem ser recebidas como provenientes Dele sem serem examinadas e espiritualmente discernidas como sendo de Deus.

Quando, no entanto, se diz, a respeito das manifestações sobrenaturais e anormais que vemos hoje em dia, que não é necessário nem mesmo da vontade de Deus que os crentes entendam ou expliquem todas as obras de Deus, isso não está de acordo com a declaração do apóstolo de que “o homem espiritual julga todas as coisas” e, conseqüentemente, deve rejeitar tudo o que o seu julgamento espiritual for incapaz de aceitar, até que venha um tempo em que seja capaz de discernir com clareza o que é realmente de Deus e o que não é.

Além disso, o crente não deve apenas discernir ou julgar as coisas do espírito – ou seja, todas as coisas no mundo espiritual -, mas deve também julgar a si mesmo. Pois “se nos julgássemos a nós mesmos” (a palavra grega traduzida como julgar significa uma investigação completa), não deveríamos necessitar da disciplina do Senhor para trazer à luz as coisas em nós mesmos que não fizemos passar por essa investigação completa (1Co 11.31).

“Irmãos, não sejais meninos no juízo; na malícia, sim, sede crianças; quanto ao juízo, sede homens amadurecidos” (1Co 14.20), escreveu o apóstolo novamente aos coríntios, quando lhes explicava sobre a obra do Espírito entre eles. O crente deve ser amadurecido no juízo, isto é, ser capaz de examinar, “de trazer à prova” (grego: provar, demonstrar, examinar (2Tm 4.2)), e “provar todas as coisas” (1Ts 5.21). O crente deve ter conhecimento abundante e “todo discernimento” para “aprovar as coisas excelentes”, para que possa ser “sincero e inculpável” até o dia de Cristo (Fp 1.10).
(Gerra contra os Santos, Tomo1, por Jesse Pen Lewis – Irlandesa que participou do Avivamento no país de Gales no Século XIX)

“Espíritos” não são testados

Infelizmente, Castellanos não tem como hábito testar os espíritos, conforme 1Jo 4:1: “Amados, não creiais em todo espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo.”. Veja as palavras de Castellanos em seu livro Sonha e ganharás o mundo:

“Quando Deus fala a seu coração, não pense duas vezes, dê o passo! Dando o passo, vem o revestimento do Senhor, e algo acontece no mundo espiritual” [pg.141]

Bem, de fato algo acontece no mundo espiritual sim, e certamente não é nada tão bom como acredita o fundador da MCI e do G12.

Em 1 Tessalonicenses 5.21 a Bíblia ordena que todas as coisas precisam ser analisadas criticamente, por isto, o objetivo deste estudo é falar sobre a Verdade, não verdades humanas, mas sim aquela que liberta e provém do Reino do Senhor. Alertar aos irmãos sobre algo que é errado é também uma obrigação do membro do Corpo de Cristo, pois o objetivo é o fortalecimento deste Corpo. Veja Ezequiel 33:3 – “e, vendo ele que a espada vem sobre a terra, tocar a trombeta e avisar o povo;” E como fortalecemos o Corpo? Justamente não cedendo aos objetivos demoníacos e rejeitando qualquer espécie de divisão ou ainda de rebelião. Falar em rebelião sugere que devamos ser obedientes aos nossos pastores, e isto é verdade, mas somente até o ponto que não nos faça pecar, pois nossa total e plena obediência deve ser com Deus, e Suas verdades Bíblicas reveladas por Deus Pai e seu filho Jesus.

Purificando a vossa alma na obediência à verdade, para caridade fraternal, não fingida, amai-vos ardentemente uns aos outros, com um coração puro;” 1Pe 1:22

Aliás, o versículo acima resume o propósito deste estudo que é de manter-se fiel e obediente à verdade Bíblica, mas com amor sincero pelos irmãos que ainda encontram-se enganados, de modo a fazer com que cada um ouça o que o Espírito Santo tem a dizer sobre o G12, e que possam ver com os olhos do Espírito Santo de Deus e não mais com olhos obcecados por uma “visão” humana, que nem sequer passa pelo teste bíblico da “confirmação pela Palavra”.

Veremos mais adiante alguns trechos dos relatos acerca da “visão” de Castellanos e provaremos o quanto tais pensamentos estão distantes da Bíblia. Tudo isto para honra e glória do nosso Deus, que em sua infinita misericórdia deixou-nos um tesouro para servir-nos de bússola em meio às tempestades presentes e futuras.

Aos Pastores:

A todos os pastores que pela graça de Deus, lerem este material, o façam com amor e tendo a certeza de que quando elaborei este trabalho, o fiz única e exclusivamente movido por um sentimento de profunda  preocupação com o Corpo de Cristo. Peço-lhes com todo amor, que leiam atentamente cada parágrafo deste texto e que confiram em sua Bíblia todas as citações.

Digo isto, pois o meu único compromisso é com a verdade Bíblica, e não tenho o propósito de defender nenhuma denominação, bem como não almejo ser detentor de toda a verdade. As linhas que agora chegam a suas mãos foram redigidas, com o propósito de fortalecer o Corpo de Cristo do qual fazemos parte, cujo cabeça é o Senhor Jesus.

Certamente algumas pessoas num primeiro momento pensarão que este material é uma afronta e que Deus jamais permitiria que você fosse enganado, pois em sua misericórdia não permitiria a um Pastor ou um Cristão atuante estar enganado, mas na verdade a Palavra de Deus nos alerta que o engano pode ocorrer sim, e os Cristãos não estão livres disto. Veja:

”Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos;”

2Tm 4:3

 

“Ora, o aparecimento do iníquo é segundo a eficácia de Satanás, com todo poder, e sinais, e prodígios da mentira, e com todo engano de injustiça aos que perecem, porque não acolheram o amor da verdade para serem salvos. É por este motivo, pois, que Deus lhes manda a operação do erro, para darem crédito à mentira, a fim de serem julgados todos quantos não deram crédito à verdade; antes, pelo contrário, deleitaram-se com a injustiça. Entretanto, devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados pelo Senhor, porque Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação, pela santificação do Espírito e fé na verdade, para o que também vos chamou mediante o nosso evangelho, para alcançardes a glória de nosso Senhor Jesus Cristo. Assim, pois, irmãos, permanecei firmes e guardai as tradições que vos foram ensinadas, seja por palavra, seja por epístola nossa. Ora, nosso Senhor Jesus Cristo mesmo e Deus, o nosso Pai, que nos amou e nos deu eterna consolação e boa esperança, pela graça, consolem o vosso coração e vos confirmem em toda boa obra e boa palavra.”

2Ts 2:9-17

O engano na vida do crente

Gostaria de colocar aqui algumas palavras sobre o engano que tão sutilmente tem se infiltrado em nossas igrejas com conseqüências trágicas para o Corpo de Cristo. Antes um comentário sobre a dura realidade que o Corpo de Cristo tem assistido nestes dias:

Um Corpo esquartejado

Pode parecer exagero o uso da palavra “esquartejado”, mas infelizmente isto tem ocorrido com assustadora freqüência no meio Cristão. Divisões têm sido uma constante desde muito tempo, mas o que quero enfocar não são as divisões de igrejas, onde um pastor descontente resolve abrir outra igreja levando consigo um bloco de pessoas simpatizantes. O foco da questão neste estudo é o G12, e por isto gostaria de analisar algumas brechas pelas qual o movimento tem plantado mais joio do que trigo.

Tenho notado nestes últimos quatro anos, com tristeza no coração, que o Corpo de Cristo tem sido sistematicamente atacado. Pessoas movidas pelos seus próprios egos e ambições têm levado uma quantidade incrível de cristãos a enfrentarem verdadeiras tormentas em suas vidas na igreja e em suas casas.

A pastora Valnice Milhomens, influente líder do movimento no Brasil, além de outros líderes do G12, tem declarado que a igreja em células será a única a sobreviver no final dos tempos, e que todas as outras, que no linguajar deles, são tradicionais, irão acabar, restando apenas as igrejas em células do G12. (Valnice Milhomens, Plano Estratégico para a Redenção da Nação)

Isto é uma afronta a Palavra de Deus, onde Jesus diz a Pedro que o inferno não prevalecerá sobre Sua igreja:

“Pois também eu te digo que tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.” Mt 16:18

Este “clima de guerra” embutido no pensamento gedozista de ser a “única igreja que sobreviverá” é em última análise o mesmo tipo de pensamento sectário do mormonismo e de várias outras seitas que se consideram as “únicas igrejas verdadeiras”. Afinal se somente sobrarem as igrejas em células, somente elas poderiam se intitular “verdadeiras”. Isto tem provocado um verdadeiro “clima de guerra” em meio às denominações cristãs, pois as igrejas gedozistas tem declarado que somente elas existirão no futuro. Além disto julgar um método como o único perfeito, é claramente um ataque ao Corpo de Cristo, pois nunca o crente deve perder de vista que fazemos parte de um Corpo cujo cabeça é Cristo. Portanto, não é lógico, um membro deste Corpo, julgar-se melhor que os outros membros, visto que cada um, por mais humilde que seja, tem sua função no perfeito CORPO DE CRISTO. Aqui uma observação importante: Não confunda “posição” com “função”, pois nossa posição deve ser EM CRISTO, que é a única posição que Deus espera de nós, já nossas funções são variadas.

Infelizmente César Castellanos, em seu livro “Sonha e ganharás o mundo”, confirma esse mesmo pensamento a respeito do fim das igrejas convencionais, ou seja, que não sejam em células em G12:

“A frutificação neste milênio será tão incalculável, que a colheita só poderá ser alcançada por aquelas igrejas que tenham entrado na visão celular. Não há alternativa: a igreja celular é a igreja do Século XXI” (Castellanos Domínguez, Sonha e Ganharás o Mundo, pg.143.)

Esta linha de pensamento doutrinaria de Castellanos e seus discípulos, têm provocado uma situação de contenda entre as denominações evangélicas, pois é nitidamente arrogante e prepotente, além de ser contrária ao que diz a Bíblia. Outro comportamento dos seguidores do G12 que agrava ainda mais esse clima de contenda é o hábito antiético da liderança gedozista de pescar em aquário alheio, que com argumentos duvidosos, convidam crentes para suas reuniões de células, dizendo que é apenas uma “reunião sem compromisso”.

Além disto, os pastores e líderes têm se empenhado em “conquistar a cidade para a visão” e faz parte dessa estratégia buscar outros “templos do Espírito Santo” que estão por aí, ou seja, em outras palavras a liderança incentiva a pescar em aquários alheios.

Isto tem provocado o afastamento destes irmãos de suas igrejas de origem, para aventurar-se na doutrina gedozista. A Bíblia nos alerta em vários versículos a respeito de perigo de provocar contendas:

“O que ama a contenda ama a transgressão; o que alça a sua porta busca a ruína.” Pv 17:1

“Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo.” Fp 2:3

“E disse Abrão a Ló: Ora, não haja contenda entre mim e ti e entre os meus pastores e os teus pastores, porque irmãos somos.” Gn 13:8

“O profeta que profetizar paz, somente quando se cumprir a palavra desse profeta é que será conhecido como aquele a quem o SENHOR, na verdade, enviou.” Jr 28:9

Na igreja que frequentei, e que começou a implantar o G12 em 2001, fui testemunha ocular do afastamento de irmãos queridos, cuja vida Cristã sempre foi exemplar. Famílias inteiras, com sua fé firmada na rocha, com conhecimento da Palavra, se afastaram por não agüentarem as pressões da liderança e nem os métodos adotados. Tenho conhecimento de vários deles que saíram com dor no coração, mas o compromisso firme com a verdade e com a saúde espiritual de suas famílias os levaram a procurar pastos mais seguros e bíblicos. Não consigo criticar estes irmãos, pois não saíram sem antes lutar pela manutenção das verdades bíblicas, mas o fato é que alguns soldados devem ficar no campo de batalha enquanto outros recuam estrategicamente, visando o fortalecimento do exército de Deus e a vitória. As trincheiras são duras, mas o fato é que esta “guerra” tem resultado no amadurecimento ainda maior de todos os envolvidos que conseguiram em meio à tempestade agarrar-se a bóia salvadora que é Jesus.

Com isto temos atualmente um quadro onde o Corpo de Cristo está esquartejado por vários motivos:

1.      Pelo “clima de guerra” declarado pela liderança ao dizer que as igrejas sem células irão acabar

2.      A indignação de vários irmãos com os desvios doutrinários do G12

3.      Pela falta de interesse dos pastores em cuidar das ovelhas diretamente, deixando isto a cargo dos respectivos líderes de células.

4.      Ou ainda com as pressões da liderança por multiplicação de suas células, o que nem sempre ocorre com facilidade, fazendo com que a pessoa seja tachada como infrutífera e problemática.

Tudo isto tem feito com que muitos irmãos, cristãos verdadeiros, e fiéis ao Senhor, deixem seus respectivos apriscos em busca de outros mais seguros. O Cristão firmado na rocha é afeito ao alimento sólido, pois sem este alimento o crente não amadurece, o que é fundamental, pois somente crentes amadurecidos, através de seu testemunho de vida, conseguem alcançar mais e mais pessoas para Cristo de forma duradoura. É fato comprovado que os grandes evangelistas, firmados na palavra de Deus, com forte base familiar, conseguiram levar a conversão verdadeira a Jesus, um enorme volume de pessoas.

O amadurecimento na fé, tem como conseqüência o presente divino dos dons espirituais, mas sempre conforme a vontade do Pai e a necessidade do Corpo de Cristo. O cristão maduro sabe que o Pai somente concederá os dons que Ele julgar necessários ao Corpo. Na verdade após a conversão o crente transforma-se em HABITAÇÃO do Espírito Santo, e então começam a ocorrer mudanças:

  • A abertura do entendimento: Jo 14:26 e 16:8-15
  • O aperfeiçoamento do caráter pelo fruto do Espírito: Gl 5:22-23
  • O aperfeiçoamento do caráter pelo amor: 1Co 12:27 e 13:13
  • A vontade e o desejo intenso de manutenção da Paz de Cristo, e do poder e da alegria no Espírito.

 

Os frutos identificando a árvore

Uma árvore boa produz frutos bons, e uma árvore má produz frutos ruins. Esta é a verdade de Deus revelada pelas Escrituras:

“Assim, toda árvore boa produz bons frutos, porém a árvore má produz frutos maus.” Mt 7:17

A Palavra de Deus nos ensina no versículo acima que através dos frutos conheceremos a árvore. E no G12, que tipo de fruto temos? Frutos ruins provenientes da divisão e do afastamento dos irmãos para outros pastos ou até para longe de qualquer igreja, e alguns frutos relativamente “bons” devido ao forte empenho evangelístico, ainda que com objetivos multiplicativos e empresariais.

Este fato merece uma grande reflexão. Será que esses frutos “bons” são bons de verdade? Será que essas pessoas que aceitaram a Cristo no G12 vão permanecer no aprisco e amadurecer na fé? Ou vão titubear em sua fé ao menor sinal de tribulação? Entendo que quem nos escolheu foi Deus e, portanto a obra é Dele, e a ele compete determinar as direções a seguir.

“Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo conceda.” Jo 15:16

Tenho ouvido uma justificativa gedozista alegando que a árvore do conhecimento do livro de Gênesis possuía dois frutos, um bom e outro ruim, razão pela qual temos algumas igrejas que se dividiram devido ao G12. Foi o preço a pagar em prol do sucesso da “visão”. Eles lamentam que tais pessoas não tenham aceitado a visão, ou melhor, as julgam como influenciadas por demônios. Essa atitude é conhecida na psicologia como projeção, onde a pessoa problemática enxerga nos outros, o que de pior existe em si mesmo. E assim, com atitudes sectárias, autoritárias e prepotentes, a divisão vem sendo semeada no Corpo de Cristo.

Na verdade, a árvore do conhecimento do bem e do mal, tinha apenas um tipo de fruto, que era o CONHECIMENTO, que por ser amplo, engloba o bem e o mal. Desfazendo com isto a defesa gedozista em favor da árvore com dois tipos de frutos.

“E ordenou o SENHOR Deus ao homem, dizendo: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore da ciência do bem e do mal, dela não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás.” Gn 2:16-17

Portanto o G12 é uma árvore enganosa, que produz frutos doces e amargos ao mesmo tempo, sendo que a médio e longo prazo, mesmo os frutos doces tendem a “azedar”, mediante a ação de espíritos enganadores contra o Corpo de Cristo.

As pressões da liderança

Antes de analisar tais pressões da liderança gedozista em busca dos resultados quantitativos na igreja, gostaria de lembrar uma passagem do livro de 1Pedro que reflete exemplarmente o modo como um pastor deve tratar suas ovelhas:

“Aos anciãos, pois, que há entre vós, rogo eu, que sou ancião com eles e testemunha dos sofrimentos de Cristo, e participante da glória que se há de revelar: Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, não por força, mas espontaneamente segundo a vontade de Deus; nem por torpe ganância, mas de boa vontade; nem como dominadores sobre os que vos foram confiados, mas servindo de exemplo ao rebanho. E, quando se manifestar o sumo Pastor, recebereis a imarcescível (que não murcha ou imperecível) coroa da glória. Semelhantemente vós, os mais moços, sede sujeitos aos mais velhos. E cingi-vos todos de humildade uns para com os outros, porque Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes.” 1Pe 5:1-5

Recebemos através do JesusSite (www.jesussite.com.br) muitas mensagens e pedidos de oração do Brasil e de muitos países do mundo. Tais mensagens são redigidas por pessoas das mais variadas denominações, sendo um grande número delas de não cristãos, que graças ao Senhor tem encontrado mensagens edificantes e muitas delas se converteram ao Senhor devido a isto. Bem, mas nem tudo são flores, pois recebemos numa proporção muito maior, reclamações e pedidos desesperados de orações, de crentes que tem se sentido totalmente incomodados em suas igrejas desde que elas aderiram a “visão” gedozista de Castellanos.

São muitas as reclamações, e praticamente todas refletem um comportamento muito semelhante da liderança destas igrejas. Ao que parece os gedozistas tem seguido a risca sua cartilha, e pode-se notar nas muitas igrejas que de fato abraçaram a “visão” colombiana, um clima de competição entre os líderes, cada qual querendo galgar o posto mais alto na pirâmide do G12. A vaidade continua sendo um dos pecados que mais facilmente derruba os cristãos, e no G12 não é diferente. Todo líder sente-se cobrado, querendo ou não, amando a “visão” ou não, o fato é que a cobrança existe para todos, mas aqueles que conseguem o maior número de membros em suas células são exaltados diante dos outros líderes e diante de toda a igreja.

Tentam dizer que os métodos foram adaptados a cada igreja, mas é fácil comprovar, visitando-se os sites destas igrejas a inquestionável semelhança tanto no linguajar como nas apostilas usadas.

Um fato triste na relação entre líder e discípulo no gedozismo, tem sido a intromissão dos líderes na vida do seu discípulo, usando informações pessoais como forma de pressão na busca pela santificação forçada, e para isto têm feito com que as pessoas confessem seus pecados aos líderes de forma verbal ou ainda usando pequenos cadernos ou devocionais como eles gostam de chamar, onde na verdade as pessoas acabam por revelar seus pecados a líderes de células que sem nenhum conhecimento ou formação teológica se põem a aconselhar ou melhor a pressionar seus liderados usando conhecimentos íntimos a ele confiados.

O aconselhamento cristão é uma prática onde se pressupõe a figura de um aconselhador preparado e conhecedor da Palavra para que oriente de forma bíblica seu aconselhado. Veja o que Gary R Collins comenta a respeito do aconselhamento:

Assim como os profissionais leigos, os cristãos (aconselhadores) procuram ajudar os aconselhandos a alterarem seus comportamentos, atitudes, valores e/ou percepções. Tentamos ensinar habilidades (inclusive habilidades sociais), encorajar o reconhecimento e a expressão das emoções, dar apoio em momentos de necessidade, incutir senso de responsabilidade, orientar a tomada de decisão, ajudar a mobilizar recursos internos e externos em períodos de crise, ensinar técnicas de resolução de problemas e aumentar a competência e o senso de “auto-realização” do aconselhando.

Entretanto, o conselheiro cristão vai mais longe. Ele procura estimular o crescimento espiritual do aconselhando e encorajar a confissão dos pecados para recebimento do perdão divino. Além disso, ajuda a moldar padrões, atitudes, valores e estilo de vida cristãos, apresenta a mensagem do evangelho, encoraja o aconselhando a entregar sua vida a Jesus Cristo e estimula-­o a desenvolver valores e padrões de conduta baseados nos ensinos da Bíblia, em vez de viver de acordo com as regras relativistas do humanismo.

Alguns criticam essa atitude, dizendo que isso é “misturar religião com aconselhamento”. Entretanto, ignorar questões teológicas é adotar as bases da religião do naturalismo humanista, sufocar nossa própria fé e dividir nossa vida em dois segmentos: um santo e outro profano. Nenhum conselheiro que se preze, seja ele cristão ou não, tenta impor suas crenças aos aconselhandos. Temos a obrigação de tratar as pessoas com respeito, dando-lhes total liberdade de tomar suas próprias decisões. Porém, um conselheiro honesto e autêntico não sufoca suas crenças, nem finge ser algo que não é.

(Gary R. Collins, ACONSELHAMENTO CRISTÃO Ed. Século 21, pg. 18, Ed. Vida Nova)

Os crentes que tem ouvido o Espírito Santo, tem se sentido incomodados com atitudes da liderança das igrejas gedozistas, onde tem sido sistematicamente forçados a participarem dos tais “Encontros” e de se tornarem lideres de células, pois todos devem ser lideres na doutrina gedozista. E o objetivo obsessivo de multiplicação das células tem feito com que “células” que não conseguem se multiplicar a ter seus líderes afastados para a nomeação de outra pessoa mais produtiva como líder. Não importa se os freqüentadores da célula e seu líder estejam sendo edificados paulatinamente, pois importa apenas multiplicar e multiplicar, e para tanto o foco quase que completo do movimento é no evangelismo.

Não um evangelismo onde o Espírito Santo toca a pessoa para que ela se converta, mas um evangelismo “por atacado” onde um não-cristão é levado à frente do pastor durante o apelo, que ocorre a todo culto, reunião ou evento, num momento em que a emoção é maior que a razão, e de convencimento, a pessoa é levada a aceitar Jesus. Esse ímpeto evangelístico é produtivo desde que haja um investimento no amadurecimento do recém convertido.

Uma igreja centrada em somente evangelismo ou somente em estudo da palavra, ou somente em oração, ou somente em curas, na verdade é uma igreja sem equilíbrio. Tal equilíbrio é demonstrado na Bíblia pela igreja primitiva, onde a igreja se REUNIA para aprender e amadurecer na Palavra, e se ESPALHAVA para evangelizar, orando pelos oprimidos e curando pelo nome de Jesus. Portanto, concluímos que uma igreja reunida deve ansiar por alimento sólido como Paulo demonstrou amplamente em suas cartas. (Hb 5:12-14)

Já no G12 esse processo de amadurecimento resume-se a freqüentar uma célula e logo em seguida fazer o curso de líderes. Este sistema tem feito com que pessoas se tornem líderes de células muito prematuramente, agindo como conselheiros da Palavra de Deus sem um amadurecimento na fé, o qual convenhamos, é praticamente impossível de ocorrer a curto prazo.

Vejamos o exemplo de Timóteo, que passou por um período longo de aprendizado até se tornar um pregador da Palavra de Deus:

“Paulo conheceu Timóteo no começo de sua segunda viagem missionária, conforme narrado em Atos 16.1: “Chegou também a Derbe e a Listra. Havia a ali um discípulo chamado Timóteo, filho de uma judia crente, mas de pai grego”. Naquela época (por volta de 50 AD) Timóteo já era um discípulo e uniu-se a Paulo e Silas na viagem. É de se presumir, portanto que ele já era um jovem. A primeira epístola a Timóteo foi escrita, pelo menos 13 anos mais tarde, por volta de 63 AD, assim, nessa época Timóteo já teria pelo menos 33 anos. Não era tão jovem assim.”
(Igreja Metodista, www.metodistavalinhos.com.br em 16/10/2004)

O “treinamento” dos líderes

O líder tem como principal objetivo identificar, treinar e discipular outro líder de modo a atingir as metas em progressão geométrica da doutrina gedozista, que determina que uma célula quando atingir 12 pessoas, já deve ter identificado um outro líder em potencial, para que se dividindo num processo sem fim, alcance o total de 12 liderados. Aí então esses 12 liderados repetem o processo, buscando seus próprios 12 líderes, para então o primeiro da pirâmide atingir seus 144 lideres e assim sucessivamente, até alcançar seus 1728, 20736, etc.

Mas como são preparados estes líderes? Recebendo um treinamento em cursos de seis meses onde aprendem métodos para conseguirem se tornar líderes de sucesso. Neste caso, sucesso é um líder que multiplica sua célula no menor espaço de tempo. Para isto o trabalho é árduo e a agenda torna-se cada vez mais carregada, relegando a planos inferiores o trabalho e principalmente a família. Expressões comuns neste meio, as “células infrutíferas” são sistematicamente devassadas de modo a identificar o motivo de não estar atingindo as metas multiplicativas.

O próprio Castellanos assume em seu livro na página 84, que após sua experiência em manter um Instituto Bíblico na MCI, chegou a conclusão que este processo era muito lento, e que teve a revelação de criar a escola de lideres onde o discípulo aprende o essencial: doutrina básica (salvação) e sobre a “visão G12”.

É muito triste vermos o que irmãos têm passado em suas congregações transformadas em empresas, e como tais, buscando obsessivamente melhores resultados traduzidos em quantidade de membros. Aliás, não podem ser chamados de membros, pois o G12 não tem membros, somente discípulos. Mudam-se nomes e rótulos, mas o fato é que doutrinas não bíblicas tem sido mescladas com ensinamentos bíblicos, transformando os cursos e cultos em verdadeiros campos minados, aonde a verdade vem entremeada de engano.

Vemos então que o líder de “sucesso” dentro do G12 é aquele que consegue fazer crescer sua célula, mas na verdade o sucesso na vida Cristã é medido de outra forma, sendo diretamente proporcional a nossa fidelidade a Deus, sendo que o maior posto a ser atingido é o de servo.

“Que os homens nos considerem como ministros de Cristo e despenseiros dos mistérios de Deus. Além disso, requer-se nos despenseiros que cada um se ache fiel.” 1Co 4:1-2

“Mas Jesus, chamando-os a si, disse-lhes: Sabeis que os que julgam ser príncipes das gentes delas se assenhoreiam, e os seus grandes usam de autoridade sobre elas; mas aentre vós não será assim; antes, qualquer que, entre vós, quiser ser grande será vosso serviçal. E qualquer que, dentre vós, quiser ser o primeiro será servo de todos. Porque o Filho do Homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos.” Mc 10:43-45

Todos devem ser líderes de células

O Corpo de Cristo é formado por uma grande diversidade de dons, e um conceito como este, onde todos são líderes é o mesmo que dizer que todos são “cabeças”, e aí então teríamos um monstro e não uma igreja. Por líder de célula, entende-se a pessoa que tem várias funções normalmente atribuídas a um pastor, ou seja, podemos dizer que o líder de célula é o pastor de seu mini-rebanho, visto que é o responsável pelo aconselhamento e até pela cobertura espiritual – conceito este estranho à Bíblia.

É fato sabido, que uns nasceram para ser líderes e outros para serem liderados, mesmo porque se numa guerra todos forem generais, quem irá lutar de fato? Numa empresa alguns têm cargos de chefia, pois são capazes disto, ou seja, tem em maior ou menor grau facilidade em liderar grupos de pessoas. Já diversas pessoas desempenham funções brilhantes numa empresa e são de certa forma, insubstituíveis, mas não são chefes de ninguém, fato que não diminui seu valor em hipótese alguma. Aliás, pessoas assim são fundamentais numa empresa qualquer.

A Bíblia fala a respeito dos dons em diversos livros, vejamos então o exemplo de 1Co 12, onde o capítulo inteiro deixa bem nítido que os dons são diversos e dados a nós para que desempenhemos funções diferentes na igreja para que o corpo de Cristo possa crescer. Cada função tem sua importância, no entanto o que vemos no G12 é a supervalorização dos líderes, constituindo uma espécie de nata da cristandade. Passa-se a impressão de que se você não é líder é um crente inferior e até inútil. Isto tudo é totalmente anti-bíblico.

Cobertura espiritual

Como disse acima o termo cobertura espiritual, não encontra respaldo na Bíblia. Na verdade a palavra cobertura aparece somente 4 vezes na Bíblia:

·         Gn 8:13 – Cobertura da arca

·         Nm 16:38 – Cobertura do altar

·         Nm 16:39 – Cobertura do altar

·         1Re 7:3 – Cobertura da casa

Portanto, onde a Bíblia se cala, ensina a boa teologia, não devemos inventar, pois o risco de desvios doutrinários é imenso quando baseado em teorias humanas.

O que vemos é um abuso espiritual praticado pela liderança do G12 e seus movimentos clones, pois usam esse conceito de cobertura espiritual, para manter as pessoas cativas debaixo de seus ministérios, ensinando teorias que beiram a metafísica, onde as bênçãos ou a unção de líderes que ocupam posições superiores na pirâmide da visão fluem numa corrente que não pode ser interrompida desde o alto até o pé da pirâmide que são as pessoas que frequentam alguma célula.

Para os seguidores deste movimento a unção de um líder importante pode ser transferida em forma de proteção para os que se encontram debaixo dessa cobertura. E este raciocínio não-bíblico tem servido de trunfo aos gedozistas, que não tem escrúpulos em usar este argumento para evitar que alguém ouse se afastar da tal cobertura espiritual, usando ilustrações de pessoas que se afastaram e que passaram a ter problemas de saúde ou qualquer outro problema, para amedrontar qualquer um que esteja descontente ou que pretenda questionar a estrutura do movimento celular.

A Palavra de Deus em Jo 16:33 nos ensina que neste mundo teríamos aflições, mas para termos ânimo em superá-las, pois Cristo venceu o mundo. Nós como cristãos também teremos problemas, pois o mundo jaz no maligno (1Jo 5:19), mas a forma como encaramos e superamos estes problemas mudou radicalmente desde o momento de nossa conversão onde tomamos posse da vitória de Cristo na cruz.

Também não devemos esquecer que o Senhor é nosso Pastor, ou seja, todo aquele que crê em Jesus e sua obra na cruz, tem como pastor o próprio Senhor. Vemos na Palavra:

Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem, assim como o Pai me conhece e eu conheço o Pai; e dou a minha vida pelas ovelhas. Tenho ainda outras ovelhas que não são deste aprisco; a essas também me importa conduzir, e elas ouvirão a minha voz; e haverá um rebanho e um pastor.” João 10:14-16

Ainda sobre a cobertura espiritual, os pastores gedozistas, argumentam que no G12 a cobertura espiritual é uma necessidade crucial para o crente que é plenamente atendida somente no G12 (ver Movimentos Clones no início deste estudo), visto que a ovelha está “coberta” pelo seu líder de célula, que por sua vez está “coberto” pelo seu líder imediatamente acima, até chegar na cobertura do pastor da igreja, que por sua vez está “coberto” pelos seus líderes superiores (ligados a Castellanos, como René Terranova*, Valnice Milhomens, e outros), e estes estão também cobertos num sistema piramidal de cobertura espiritual que tem no topo de sua pirâmide o pastor César Castellanos.

* René Terranova se desligou do G12 em final de março de 2005, quando rompeu com Castellanos adotando para si uma nova nomenclatura chamada Visão Celular (Movimento Celular, M12), que infelizmente apresenta a mesma metodologia do G12 de Castellanos, sendo na prática apenas outra pirâmide com ele no topo ao invés de Castellanos.

Portanto, o criador do G12 colombiano, mantém ligação espiritual com os pastores e líderes do movimento em todos os países que têm atuado. Essa ligação, movida a royalties e ofertas aos líderes superiores, tem tornado a igreja de Castellanos e algumas outras que adotaram o modelo G12 ou seus respectivos clones, muito ricas. Nota-se, tanto pelos congressos organizados, como pelos sites e pelos investimentos em revistas e marketing nas Américas e no continente Europeu.

Caso queira conhecer um pouco mais, visite os sites abaixo:

http://www.g12harvest.org (G12 na Europa)

http://www.visiong12.com/ (A Visão do G12)

http://www.mci12.com (MCI de Castellanos)

http://www.mir.org.br (MIR de René Terranova)

Inversão de valores

Castellanos em seu livro, diz ter ouvido do “espírito”:

“Isto e mais te darei se andares na Minha perfeita vontade. De agora em diante, tuas prioridades serão assim: (1º) Eu devo ser o número um em tua vida, (2º) tua vida é importante, (3º) tua família, (4º) o trabalho em Minha obra e, por último, (5º) o trabalho secular” [pg. 128] (os números entre parênteses foram acrescentados)

A Bíblia não ensina uma ordem exata para estes valores, mas particularmente considero a inversão dos valores nítida, pois Deus ama a ordem e a justiça, e quer que seus filhos obedeçam às leis dos homens assim como a Lei de Deus. Ainda segundo os ensinamentos da Palavra, o homem deve cuidar dos seus – de sua família, e também nos exorta a zelarmos pelos nossos filhos. Ora, por este raciocínio, vemos que o Sr. Castellanos teve uma “revelação” falsa, pois nela vemos uma raiz egoísta no fato de a importância da própria pessoa ficar acima de sua família, e uma raiz de irresponsabilidade, pois coloca o trabalho do homem (e da mulher) em último na escala de importância!

Ora, qualquer cristão lúcido sabe que é através de seu trabalho que pode manter a dignidade de sua família, assim como poderá dizimar e ofertar em suas igrejas, podendo assim desfrutar das bênçãos reservadas aqueles que contribuem para o crescimento da igreja de Cristo. Exceção aos pastores que devem se sustentar do pastorado, não há razão para essa inversão de valores dada em forma de “revelação” pelos espíritos enganadores presentes no G12.

Vale lembrar que Paulo no capítulo 7 de Coríntios descreve os deveres do marido e da mulher no casamento, e também no livro de Efésios lemos que Paulo tinha uma grande preocupação em expressar ao povo como deve agir um homem perante sua família: Sendo o cabeça.

“MARIDO… CABEÇA. Deus estabeleceu a família como a unidade básica da sociedade. Toda família necessita de um dirigente. Por isso, Deus atribuiu ao marido a responsabilidade de ser cabeça da esposa e família (Ef. 5:23-33; 6:4). Sua chefia deve ser exercida com amor, mansidão e consideração pela esposa e família (Ef. 5:25-30; e 6:4). A responsabilidade do marido, divinamente ordenada, de ser “cabeça da mulher” (Ef. 5:23) inclui:

1) provisão para as necessidades espirituais e domésticas da família (Ef. 23,24; Gn 3.16-19; 1Tm 5.8);

2) o amor, a proteção, a segurança e o interesse pelo bem-estar dela, da mesma maneira que Cristo ama a Igreja (vv. 25-33);

3) honra, compreensão, apreço e consideração pela esposa (Cl 3.19; 1Pe 3.7);

4) lealdade e fidelidade totais na vivência conjugal (Ef. 5:31; Mt 5.27,28).”

(BEP Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD)

As prioridades que uma chefe de família devem ter são descritas com muita sabedoria por Paulo nos quatro itens acima. Na minha opinião a ordem correta de prioridades na vida do crente deve ser:

1º Deus, pois: “Mas buscai primeiro o Reino de Deus, e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas.” Mt 6:33

2º Família, pois: “Mas, se alguém não tem cuidado dos seus e principalmente dos da sua família, negou a fé e é pior do que o infiel.” 1Tm 5:8

3º Trabalho secular, pois dependemos dele para a dignidade de nossa família, provendo toda e qualquer necessidade doméstica e de sustento: “Pois comerás do trabalho das tuas mãos, feliz serás, e te irá bem.” Sl 128:2

4º Atividades na Igreja e entre os irmãos, pois: “porque, se alguém não sabe governar a sua própria casa, terá cuidado da igreja de Deus?” 1Tm 3:5 – Por “governar sua própria casa”, subentende-se claramente o sustento através do trabalho secular.

Ainda com relação 1Tm 5:8, Paulo diz que quem não cuida da sua família negou sua fé, veja este comentário:

“Todo crente deve cuidar das necessidades dos seus parentes, e sobretudo dos membros de sua família. Se não faz isto, nega praticamente a fé que professa com a boca. E procede pior que os pagãos incrédulos, visto como estes reconhecem seu dever em tais circunstâncias”
(Novo Comentário Bíblico, Edições Vida Nova)

Inverter estes valores pode ser muito perigoso, mas a doutrina de Castellanos deixa seus seguidores confusos, principalmente se levarmos em conta as pressões que a liderança acaba por fazer naqueles que não concordam com estes conceitos. No livro que inspirou o movimento, logo no prólogo vemos uma frase que semeia esse tipo inversão de valores:

“… se os seus sonhos não vão mais além do que terminar os estudos, pagar suas contas ou criar seus filhos, então sua visão não provém de Deus,…”
(Castellanos, Sonha e ganharás o mundo, prólogo, pg. vii)

O perigo da mistura

A mistura de doutrinas bíblicas com ensinamentos não-bíblicos é de fato perigosíssima. Tal mistura tem por objetivo o enfraquecimento da Igreja como Corpo. Veja o que diz Watchman Nee em seu livro “O Corpo de Cristo” da Editora dos Clássicos: (meu grifo)

De fato, Satanás em seus intentos de desintegrar-nos como Corpo, não necessita incitar opiniões e dissensões entre nós; basta-lhe conseguir implantar alguma impureza em nós ou outra coisa que ocupe o lugar de Deus. Vamos ilustrar isso. Você já viu como se mistura o cimento? Se existe barro mesclado com a areia, o cimento não solidificará totalmente. Do mesmo modo, para que Satanás destrua nossa unidade no Corpo, ele necessita apenas derramar um pouco de lodo – isto é, algo que seja incompatível com a vida de Deus em nós – e nós, como Corpo, iremos nos desintegrar. Nem as opiniões nem as dissensões são necessárias, pois basta o espalhar de um pouco de lodo entre nós. Continuamos partindo o pão e bebendo do cálice, porém, ainda assim, podemos estar divididos.

O Corpo de Cristo não é basicamente uma doutrina, tampouco uma espécie de arranjo de coisas e pessoas, mas é essencialmente a vida. O que é a Igreja? A Igreja não é somente uma doutrina de acordo com as Escrituras, tampouco é somente um método segundo a Bíblia, mas é basicamente uma vida, a saber, a manifestação da vida de Cristo.

A unidade não se baseia em nada mais do que a vida. Satanás só necessita misturar algumas impurezas em nós e nos outros secretamente, de modo que, ainda que entre nós não exista a mínima discordância de opiniões nem a menor indicação de dissensão, entretanto, sem saber, o Corpo está no processo de desintegração. Que o Senhor tenha misericórdia de nós e filtre (santifique) de nós toda impureza! “Ó Senhor, pela cruz e pelo Espírito Santo, filtra-nos! (santifica-nos!)”

Quanto todos necessitamos investigar o lugar que nossos próprios desejos e inclinações têm em nós. Que lugar nosso próprio objetivo tem em nós? Que lugar nossa própria obra tem em nós? Ou será que deixamos que a vida de Cristo ocupe o lugar absoluto em nós? Quanto necessitamos voltar a Deus! Não necessitamos de um avivamento exterior. Temos apenas uma necessidade: voltar-nos interiormente a Deus e deixar que Ele nos limpe e purifique com a cruz e o Espírito Santo. Por sermos filtrados pela cruz e pelo Espírito Santo, oramos e esperamos por ser limpos de todas as impurezas que Satanás tem misturado entre nós. Que o Senhor tenha misericórdia de nós para que não coloquemos nossa confiança em nós mesmos, porque até mesmo o sentimento de termos razão pode ser utilizado por Satanás para realizar sua obra de desintegração! Necessitamos aprender a ir a Deus para obter iluminação, necessitamos aprender a ir aos irmãos e irmãs para correção. Precisamos estar dispostos a pagar qualquer preço e aceitar o tratamento da cruz a fim de poder manifestar verdadeiramente nossas funções como membros da Igreja.

Não dizemos continuamente que amamos o Senhor? Não dizemos que nos consagramos a Ele? Então não temos de nos preservar, tampouco temer pagar o preço, mas temos de permitir ao Senhor que nos limpe de todas as impurezas, que são incompatíveis com a expressão da vida de Cristo por meio de nós e como manifestarmos em nossa vida nossas variadas funções como membros do Corpo, bem como viver o testemunho do Corpo de Cristo.

Portanto, o engano, proveniente da mistura entre o santo e o profano, ou seja, da mistura entre o bíblico e o não-bíblico, provoca mais cedo ou mais tarde a divisão, que pode ocorrer dentro da igreja, ou na vida do crente em sua família ou em seu trabalho.

Deus abençoa pessoa e não métodos. Deus não precisa de métodos, sistemas ou estratégias humanas para gerir a humanidade. Ele é Deus absoluto, onisciente, onipresente e onipotente. Por isto podemos afirmar que se “métodos” fossem essenciais para a Salvação dos homens, ele certamente teria revelado isto a tempo de constar na Bíblia, tal e qual a conhecemos hoje. Afinal não seria justo (e Ele é justo), deixar de informar aos seus filhos algo tão vital.

 

A Colheita será feita por Jesus e seus anjos, e não pelos homens e seus “métodos”

A Palavra declara que a colheita ocorrerá no fim dos tempos e será feita pelos anjos do Senhor. Ou seja os anjos serão os ceifeiros designados pelo próprio Jesus para a tarefa de colher todo o trigo, deixando o joio para trás. Devemos sim, buscar a santificação pessoal, pois somente assim conseguiremos nos concentrar em fazer a vontade do Senhor nestes tempos. Veja o que a Palavra decreta a respeito da colheita:

Explicação da parábola do joio: “Então, tendo despedido a multidão, foi Jesus para casa. E chegaram ao pé dele os seus discípulos, dizendo: Explica-nos a parábola do joio do campo. E ele, respondendo, disse-lhes: O que semeia a boa semente é o Filho do Homem, o campo é o mundo, a boa semente são os filhos do Reino, e o joio são os filhos do Maligno. O inimigo que o semeou é o diabo; e a ceifa é o fim do mundo; e os ceifeiros são os anjos. Assim como o joio é colhido e queimado no fogo, assim será na consumação deste mundo. Mandará o Filho do Homem os seus anjos, e eles colherão do seu Reino tudo o que causa escândalo e os que cometem iniqüidade. E lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali, haverá pranto e ranger de dentes. Então, os justos resplandecerão como o sol, no Reino de seu Pai. Quem tem ouvidos para ouvir, que ouça.”
Mt 13:36-43

Vejamos com atenção: A ceifa, ou colheita, será no fim dos tempos, ou seja, o fim do mundo; e os ceifeiros, ou seja, os que irão colher, serão os anjos enviados por Jesus. A Bíblia é clara e conclusiva neste ponto: A COLHEITA NÃO SERÁ FEITA POR HOMENS.

Já o Pr. Castellanos pensa muito diferente, pois acredita que seu método empresarial será a salvação da colheita. Veja nesta primeira passagem onde ele declara suas convicções e na segunda passagem onde ele alega ter ouvido Deus lhe falar:

“A frutificação neste milênio será tão incalculável, que a colheita só poderá ser alcançada por aquelas igrejas que tenham entrado na visão celular. Não há alternativa: a igreja celular é a igreja do Século XXI (…) Deus me falou claro: Preocupa-te em servir-Me que Eu Me ocuparei de tuas necessidades. Acaso haverá um Senhor melhor do que Eu e uma empresa melhor do a Minha? Tudo o que necessitas Eu te darei!” (Castellanos, Sonha e ganharás o mundo, pg.143)

No livro de Apocalipse temos uma confirmação a respeito de quem de fato fará a colheita:

“E olhei, e eis uma nuvem branca, e assentado sobre a nuvem um semelhante a filho de homem, que tinha sobre a cabeça uma coroa de ouro, e na mão uma foice afiada. E outro anjo saiu do santuário, clamando com grande voz ao que estava assentado sobre a nuvem: Lança a tua foice e ceifa, porque é chegada a hora de ceifar, porque já a seara da terra está madura. Então aquele que estava assentado sobre a nuvem meteu a sua foice à terra, e a terra foi ceifada. Ainda outro anjo saiu do santuário que está no céu, o qual também tinha uma foice afiada. E saiu do altar outro anjo, que tinha poder sobre o fogo, e clamou com grande voz ao que tinha a foice afiada, dizendo: Lança a tua foice afiada, e vindima os cachos da vinha da terra, porque já as suas uvas estão maduras. E o anjo meteu a sua foice à terra, e vindimou as uvas da vinha da terra, e lançou-as no grande lagar da ira de Deus.” Ap.14:14-19

O Novo Comentário da Edições Vida Nova diz a respeito do versículo acima:

O QUARTO ANJO (Ap 14.14-16) – É comum considerar estes versículos como descrevendo o arrebatamento da Igreja por Cristo na sua vinda, e os vers. 18-20 como o ajuntamento do mundo incrédulo para o juízo; é possível que seja esta a verdadeira interpretação da passagem, especialmente em vista do uso da frase um semelhante ao Filho do homem no vers. 14 (cfr. Ap 1.13). Contudo, parece estranho que Cristo fosse orientado por um anjo para levar a efeito a sua obra salvadora. À sua descrição, também, falta o resplendor das visões do Senhor em Ap 1.12 e Ap 19.11. Parece melhor, por conseguinte, considerar a forma parecida a homem como um anjo, compartilhando algo da glória de Cristo como o “anjo forte” de Ap 10.1. A colheita do trigo e das uvas então representa um ato todo-inclusivo de juízo, como em Jl 3.13, em que se baseiam estas duas visões, Para a colheita da terra por instrumentalidade angélica, comparar Mt 13.41-42.

As Origens do Movimento

Todos os gedozistas acreditam que o G12 começou com a “visão” de Castellanos, no entanto iremos mostrar aqui alguns acontecimentos históricos, que comprovam a verdadeira origem do movimento. O que de fato Castellanos fez foi construir sua igreja, ou ainda usando as próprias palavras de Castellanos, sua “santa doutrina” usando três ingredientes:

1º Ingrediente: O Governo de 12 – Os Cursilhos da Cristandade foi um sistema criado em 1928, pelo padre espanhol Josemaria Escrivá (beatificado em 1992 e canonizado em 2002), eram uma espécie de retiro espiritual muito semelhante ao “Encontro com Deus” do G12. Estes Cursilhos alcançaram tanto sucesso, que chamaram a atenção do movimento católico “Opus Dei” (Obra de Deus) que passou a controlar os Cursilhos, os quais no Brasil ficaram conhecidos entre os católicos como “O Caminho”. Uma notícia atual sobre a Opus Dei e sua influência:

A congregação católica ultraconservadora Opus Dei expressou nesta terça-feira satisfação pela eleição do cardeal Joseph Ratzinger como papa Bento XVI. “Em meu nome, e certo de expressar os sentimentos dos homens e mulheres que compõem a prelazia do Opus Dei, asseguro a Bento XVI a plena adesão à sua pessoa e profunda comunhão às suas doutrinas”, afirmou o responsável pela instituição, Javier Echevarría.
(http://www11.estadao.com.br/internacional/noticias/2005/abr/19/172.htm)

Joseph Ratzinger, agora papa Bento XVI, não é apenas o principal representante das alas mais conservadoras do catolicismo. Esteve no comando durante 24 anos da Congregação para a Doutrina da Fé (versão moderna do Tribunal do Santo Ofício, ou seja, da Inquisição). Ratzinger foi responsável direto pela crescente “linha dura” nas questões doutrinárias da Igreja Católica e pelo modo como silenciou todo e qualquer que questionasse suas posições.

Sabemos que Satanás quer a destruição da igreja de Cristo, e ao usarmos modelos eclesiásticos criados pelo nosso maior inimigo, estamos na verdade nos expondo a um risco enorme de destruição. Vale destacar que o OPUS DEI “desembarcou” nas Américas por volta de 1940, justamente na Colômbia, fato pelo qual Castellanos deve ter tido muita facilidade em implantar a “visão”, visto que todo o povo colombiano, quase que inteiramente idólatra, já estava acostumado desde o tempo de seus avós com os métodos gedozistas de encontros e administrativos.

A origem modelo de governo com doze líderes e a utilização dos Cursilhos (extremamente parecidos com os “Encontros com Deus” do G12) é em parte do catolicismo romano, encabeçado pelo padre Josemaria Escrivá. Foi por volta de 1940 que a Opus Dei decidiu vir para a América Latina, escolhendo justamente a Colômbia, país totalmente fragilizado pela idolatria de sua população de maioria católica. Veja a seguir como era o modo de atuar dos Cursilhos na Opus Dei:

O G12 romano trata o pesquisador dos fatos emergentes, o indagador das realidades sociais e o garimpeiro das verdades doutrinárias de mexeriqueiro, bisbilhoteiro, intriguista, metediço, enxerido e linguarudo. Nada de indagação, nada de curiosidade. O cursilhista é condicionado à passividade, a tornar-se como um cadáver nas mãos dos superiores eclesiásticos. Assim, fecham-se as bocas e abrem-se os ouvidos; anula-se a mente e dilata-se a memória; esvazia-se a cabeça de todas as interrogações e enche-a de afirmações dogmáticas “indiscutíveis” e “inquestionáveis”; e então o “gedozista” sai do “tríduo” remodelado, verdadeira “caricatura” de crente, imagem e semelhança de seus modelos, mas fanaticamente convicto de ter tido real “encontro com Cristo”.

Sigilo, arma da Opus Dei e alma do Cursilho. Todo o empenho de eliminar o “espírito crítico” do cursilhando visa criar nele as condições mentais e psíquicas à submissão “consciente” aos seus “guias espirituais” e predispô-lo à aceitação dos ensinos e ordenanças constantes do esquema programático do tríduo de Escrivá. Atentem bem para o Artigo 58(Conforme o Livro de Anselmo Chaves: “Os Cursilhistas”, de onde extraímos os artigos de “Caminho” de Escrivá): “Olha, meu filho. Sê um pouco menos ingênuo (ainda que sejas muito criança, e mesmo por o seres diante de Deus) e não “ponhas na berlinda, diante de estranhos, os teus irmãos.” Pegar os negativos dos cursilhantes e dos cursilhados, revela-los e expô-los ao juízo público, colocá-los na “berlinda” para que não atuem na clandestinidade ou sob disfarce é, na opinião do pai da Opus Dei, “ingenuidade”, “meninice”. Para ele, maturidade é a capacidade de ocultar-se e ocultar intenções e propósitos, ou seja, ser hipócrita. Quanto mais secreto o Cursilho, mais livremente atuante, menos oposição dos contrários. Não se opõe ao que se desconhece.”
(O G12 Evangélico – de Escrivá a Castellanos, Rev. Onezio Figueiredo)

A metodologia dos pré-encontros, encontros e pós-encontros, adotadas pelo G12, foi inspirada no Movimento de Cursilhos de Cristandade da Igreja Católica. Pode-se constatar este fato ao ler o livro “A Mensagem do Movimento de Cursilhos de Cristandade do Brasil” escrito pelo Pe. José Gilberto Beraldo e “Os Cursilhos de Cristandade por Dentro” escrito pelo ex-padre Dr. Aníbal Pereira dos Reis. Transcrevemos alguns trechos dos referidos livros para se verificar as semelhanças:

O Movimento de Cursilhos ou a “obra dos cursilhos” teve seu início na década de 40 (Janeiro de 1949), na Ilha de Mallorca – Espanha (p.15) O método característico do movimento surgiu do seu cunho vivencial, testemunhal, simples, honesto e transparente, ainda que o entusiasmo daí resultante pudesse tocar, de preferência, na emotividade das pessoas(…) Em Mallorca , os Cursilhos, postos sob suspeita, foram praticamente suspensos até fins de 1957, quando voltaram a ser reorganizados (p.16). Tratava-se de uma tentativa de fazer com que o mundo, “de costas para Deus” se transformasse em “cristão, pela ação de uma “cristandade” nos moldes das pequenas comunidades primitivas(p.17). A primeira parte tratará da preparação para a semeadura. É tempo do Pré-Cursilho. (…) A Segunda parte será dedicada ao tempo da semeadura. É o tempo do Cursilho (…) A terceira parte tratará da continuidade, da manutenção e do desenvolvimento da semeadura, preparando a colheita do Reino de Deus. É o tempo do Pós-Cursilho (p.22). 

Depois são indicadas algumas qualidades para o candidato: devem ser líderes reais ou potenciais, capazes de influenciar seus ambientes com suas decisões, suas posturas, seu testemunho de vida; insatisfeitos com as circunstâncias em cujo contexto estão vivendo(p.63). No contexto da grande MENSAGEM, esta é uma mensagem de calor humano, de recepção fraterna e de acolhida caridosa. Feita a recepção fraterna e as saudações iniciais, o coordenador faz as comunicações de praxe. E já procura colocar os candidatos num clima de reflexão anunciando que “o Reino de Deus está próximo”, que é preciso abrir os olhos e apurar os ouvidos para poder percebê-lo(p.102). Apresentação dos que ali estão para auxiliar no bom andamento do encontro: pessoal da cozinha, proclamadores da mensagem ou “mensageiros, encarregados de zelar pelo bem estar de todos,etc. (p.103).

Falando sobre atitudes que favorecem ou dificultam a participação nos encontros, o autor menciona : Atitudes Prejudiciais: falta de personalidade, de capacidade para decisões; imaturidade ou incapacidade de levar as coisas a sério; covardia e medo de conhecer-se em profundidade e enfrentar a realidade e de assumir compromissos. Pessimismo, derrotismo, auto-suficiência, ser dono da verdade. Atitudes Positivas: não opinar antes do tempo, confiar nos amigos que os acompanham; respeito pela liberdade de cada um; afastar preconceitos; evitar comparações com outros movimentos de Igreja dos quais eventualmente alguns dos aqui presentes, participam; atitude sadia de aprendizado, de sermos todos discípulos, aprendizes de cristãos. Importante não é o que as pessoas falam, mas o que Deus quer falar, através delas, à vida, ao coração, à consciência de cada um, ao mundo de hoje, através dos discípulos. Motivação do retiro e convite ao silêncio: O silêncio que se sugere facilita a reflexão inicial destes dias. É um “clima” que se busca criar para que se possa ouvir, mais claramente, a voz de Deus. (p104, 105). (Citações do Livro “A Mensagem do Movimento de Cursilhos de Cristandade do Brasil” do Pe José Gilberto Beraldo; São Paulo: 1994).

2º Ingrediente: Células e Visões – O místico pastor coreano Paul (David) Yonggi Cho, autor do livro “A Quarta Dimensão”, livro com forte influência da Confissão Positiva, Teologia da Prosperidade, e Gnosticismo, contribuiu com o modelo de reuniões nas casas dos crentes nas chamadas “células”, e também com toda uma teoria a respeito da importância da palavra falada e dos sonhos e visões como caminho para conhecer a Deus. Para tanto Castellanos esteve por duas vezes pessoalmente na Coréia, sendo a primeira em 1992, (coincidentemente o ano da beatificação de Escrivá pelo Papa João Paulo 2º), para aprender como o pastor coreano havia conseguido um igreja tão grande.

Vale destacar que as reuniões nas casas dos crentes, as chamadas células ou grupos familiares, têm origem bíblica, visto que naqueles tempos os apóstolos não tinham liberdade junto à liderança judaica da época para poderem falar de Jesus, e por força da necessidade o faziam de casa em casa. Veja:

“E, perseverando unânimes todos os dias no templo e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e caindo na graça de todo o povo. E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar.” At. 2:46-47

Tal origem bíblica para as “células” é aproveitada por várias denominações atualmente sem, no entanto aderirem ao G12. O próprio Castellanos copiou esse modelo de reuniões e o nome “células” do Pr. Cho, homem que lidera hoje uma igreja imensa com cerca de um milhão de membros, segundo informações (aparentemente exageradas) do próprio Pr.Cho.

Esse pastor coreano acredita tanto no poder da “palavra falada” assim como em sonhos e visões, que suas pregações e orações são recheadas de esquisitices e termos como incubação, quarta dimensão, e outras falacias. Numa ocasião no início de sua igreja, quando estava numa situação financeira ruim, Castellanos relata com admiração a atitude mentirosa do Pr. Paul (David) Yonggi Cho da Coréia, quando testemunhou em sua igreja a respeito de uma benção alcançada, sem de fato nada ter ocorrido – pura mentira.

“‘- Irmãos, pela benção de Deus já tenho uma escrivaninha de mogno das Filipinas, uma linda cadeira de aço com rodinhas, e uma bicicleta com marchas de fabricação norte-americana. Louvado seja o Senhor! Já recebi todas estas coisas!” Em seguida sua confissão:

“- Pastor, queremos ver suas coisas. (disseram alguns jovens da igreja) Fiquei aterrado porque não tinha contado com a possibilidade de ter de mostrar minhas coisas. Todos os membros da igreja moravam em um dos bairros mais pobres e se percebessem que seu pastor lhes havia mentido, meu ministério ali estaria terminado.”

(Paul Yonggi Cho, A QUARTA DIMENSÃO, Editora Vida, pgs. 18 a 24)

Esse tipo de doutrina, do sonhar ou falar e acontecer, é bem a linha de atuação dos “Atos proféticos” (leia mais adiante sobre isto) realizados pelos gedozistas, com diversos propósitos, sendo alguns bem estranhos.

Veja o que o Pr. Augustus Nicodemus Gomes Lopes comenta a respeito da Confissão Positiva:

“Outra coisa que tem nos preocupado é a influência doutrinária da “Confissão Positiva”, nas práticas  do movimento. O movimento de  “Confissão Positiva” começou com o pastor Essek William Kenyon, dos Estados Unidos. Ele pegou a idéia de filósofos sobre o poder da palavra; – “a palavra cria” – e  trouxe isso para dentro da Igreja, criando a idéia de que pela palavra o crente consegue criar realidades ao seu redor. Um dos discípulos de Kenyon é Paul Young Cho, com aquele famoso livro, que fez muito mal ao Brasil, chamado “A Quarta Dimensão”, onde se lê que você visualiza, mentaliza e pela palavra você cria resposta à sua oração, exatamente do jeito que você queria. Outro discípulo é Benny Hinn, cuja literatura está espalhada pelo Brasil. Sua  idéia é basicamente esta: Assim como Deus no começo criou todas as coisas pela palavra do seu poder, nós, porque somos deuses, podemos igualmente criar, podemos criar circunstâncias através da palavra.”
(http://geocities.yahoo.com.br/momentoscomjesuscifras/textos/batalha.htm em 20/10/2004.)

O Pastor Eronides DaSilva da ABU – Aliança Bíblica Universitária, comenta a respeito do pastor coreano:

“… Quantos não têm lido o best seller do pastor Paul Yonggi Cho (que mudou seu nome para David, dizendo que assim o Espírito Santo o orientara), A Quarta Dimensão? Fantástico, não? Eu, fui um dos que o leu! Lendo-o, como outro livro de igual conteúdo, o leitor se atém, em primeira estância, na venda do produto: “o segredo da vida de êxito mediante a fé”! E o conhecidíssimo doutor Schuller acrescenta o último ingrediente para prender o leitor: “Não tente compreendê-lo. Simplesmente comece a desfrutá-lo! É verdadeiro; funciona; testei-o.” Sim, não tente compreendê-lo, como que os crentes pentecostais não fossem dirigidos pelo Espírito Santo; que as Escrituras Sagradas não fossem sua regra de fé e prática; e que ele mesmo inspirou a Paulo a escrever: “Não extingais o Espírito. Não desprezeis as profecias.

Examinai tudo. Retende o bem…” I Ts 5.18-19

Infelizmente, e à guiza de uma pretensa desculpa eclesial, alguns têm afirmado: “os sinais não são para ser teologicamente explicados, mas piamente aceitos. ‘O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabe de onde vem nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito‘, justificando assim, que certos escritos ou manifestações devem ser inibidos de verificação à luz das Escrituras ou da teologia! O pastor Paul abordou, de forma infeliz e comprometedora, este assunto de muito brilho científico, reduzindo a Divindade à dimensão da matéria – Deus é imanente*, e nós, transcendentes! O Hinduísmo ensina esta heresia! Penso, logo existo, foi a semente diabólica lançada no campo para germinar certos ensinos e práticas extra-bíblicos!

Ora, todo estudante de ciência sabe que tanto a massa, como o tempo, o espaço e aceleração, são físicos na sua própria dimensão transiente. A prova inequívoca e científica é que não podemos pensar em duas coisas ao mesmo tempo; e se jogarmos um relógio atômico de uma altura de 100 metros ele vai adiantar um décimo em catorze avos de segundos. Afirma Cho e os promotores da confissão positiva, na defesa da materialização das coisas divinas, que basta assumir a cor da bicicleta que deseja, a quantia do dinheiro que o projeto necessita, o tipo do noivo que sonha, e tudo Deus porá à sua porta! Mas o que dizer da afirmação de Jesus: “porque em verdade vos digo que, se tiverdes fé como uma grão de mostarda, direis a este monte…”! Sim, se tivermos fé! A fé “é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêm”, e não apenas uma afirmação platônica ou mental! Por favor, a Divindade está acima de tudo e de todos! Ele é eterno: “Porque assim diz o alto e o sublime que habita na eternidade, e cujo nome é santo” (Is 57.15)! Criar uma metonímia de um assunto tão relevante seria tentar reduzir um Deus transcendente a um invólucro imanente*! Deus tenha misericórdia de todos nós!

* IMANENTE: diz-se do conhecimento de Deus que resulta mais de vivência religiosa do que de assimilação de doutrina que é constante, permanente, perdurável (Dic. Houaiss)

Já o site Apologeticsindex.org, conhecido site em língua inglesa especialista no estudo de seitas e heresias, classifica o movimento “Fé Mundial” de Paul (David) Yong Cho como heresia. Veja:

Paul (David) Yonggi Cho

Pastor of the world’s largest church (South Korea). Word-Faith teacher. Teaches “Christianized” versions of occult principles.

In the February 1995 edition of Alpha, in an article entitled, “God as servant, Man as God,” Charles Strohmer criticised David Yonggi Cho’s “faith incubation” process, along with similar techniques of other “Faith Movement”proponents such as Kenneth Hagin, Agnes Sanford, Kenneth Copeland and Maurice Cerullo, as a clear departure from the true gospel.

Michael Horton, writing in Power Religion, castigates Robert Schuller’s forward to Yonggi Cho’s Fourth Dimension arguing that it is a blend of “psychology, magic and religion” (p.327). John MacArthur, is equally forthright. In Charismatic Chaos, he asserts that Cho’s ideas are “rooted in Buddhist and occult teachings”(p.149).

From Chapter 6 of “The Toronto Blessing” – an examination of its theological roots

Said to have prophesied that the “last great move of the Spirit” will originate in Canada. Also said to have prophesied that there would be revival in Pensacola, Florida The latter is called into question by a former member of the Brownsville Assembly of God:

“It is interesting how a claim regarding a prophecy attributed to Korean Pastor Cho changed three times, each time becoming more specific until it identified Pensacola as the city where a “great end-time revival” would break out and spread throughout the world. Actually, I had heard of that prophecy years before when we lived in Kentucky, and there was speculation that Evangel Tabernacle would be the church where it was to start. The prophecy didn’t change… the telling of it did.”
Dr. Herb Babcock,
“That’s How They Do It In Toronto!”

(http://www.apologeticsindex.org/c17.html em 21/10/2004)

Word-Faith Movement

Also known as “Name-in-Claim-it,” “Health and Wealth Gospel,” “Positive Confession,” “Word of Faith,” etc.

Word-Faith teachers owe their ancestry to groups like Christian Science, Swedenborgianism, Theosophy, Science of Mind, and New Thought–not to classical Pentecostalism. It reveals that at their very core, Word-Faith teachings are corrupt. Their undeniable derivation is cultish, not Christian. The sad truth is that the gospel proclaimed by the Word-Faith movement is not the gospel of the New Testament. Word-Faith doctrine is a mongrel system, a blend of mysticism, dualism, and gnosticism that borrows generously from the teachings of the metaphysical cults. The Word-Faith movement may be the most dangerous false system that has grown out of the charismatic movement so far, because so many charismatics are unsure of the finality of Scripture
John MacArthur, Charismatic Chaos, p. 290

There are many perculiar ideas and practices in the Faith theology, but what merits it the label of heresy are the following: 1) its deistic view of God, who must dance to men’s attempts to manipulate the spiritual laws of the universe; 2) its demonic view of Christ, who was filled with “the Satanic nature” and must be “born again in hell; 3) its gnostic view of revelation, which demands denial of the physical senses and classifies Christians by their willingness to do so; and 4) its metaphysical view of salvation, which deifies man and spiritualizes the atonement, locating it in hell rather than on the cross, thereby subverting the crucial biblical belief that it is Christ’s physical death and shed blood, which alone atone for sin. All four of these heresies may be accounted for by Kenyon‘s syncretism of methaphysical thought with traditional biblical doctrine
D.R. McConnell,
A Different Gospel

(http://www.apologeticsindex.org/w00.html#wordf em 21/10/2004)

3º Ingrediente: Pragmatismo com propósitos – O pragmatismo no Cristianismo moderno tem como defensores, os autores americanos Rick Warren, Robert Schüller, Kenneth Hagin, Kenneth Copeland, Benny Hinn, Bill Hybels dentre outros, que nos últimos tempos cunharam a expressão “igreja do novo paradigma”, que nada mais é do que um modo empresarial de dirigir, onde o que mais importa é obter resultados (no caso membros), não importando se os métodos usados para atingir este objetivo são ensinados pela Bíblia ou pelo homem.

Esses autores sofreram influência de Edward Demming e Peter Drucker e da TGS – Teoria Geral dos Sistemas. Mac Dominick (The Cutting Edge Ministries) elaborou um trabalho sobre pragmatismo na igreja muito esclarecedor. Segue um trecho:

Como a Educação Progressiva e a Religião Orientada Para Resultados compartilham aquilo que parece ser um número desproporcional de similaridades, é preciso questionar a origem desses princípios e buscar uma fonte comum para essas similaridades, ou então consigná-las à mera coincidência. Entretanto, não existem coincidências, porque a fonte desses pontos em comum pode ser prontamente descoberta e a busca inicia olhando-se para as vidas de dois homens, Edward Demming e Peter Drucker. Demming (já falecido) e Drucker (com aproximadamente 95 anos) estão entronizados como especialistas renomados internacionalmente na administração empresarial e como gurus da metodologia da administração. Esses dois indivíduos estavam entre os membros principais de um grupo seleto de americanos (embora Drucker seja um cidadão americano, ele na verdade nasceu na Áustria) que são louvados como parte do esforço quase sobre-humano que desenvolveu filosofias de administração baseada em sistemas que começaram a ganhar reconhecimento público no Japão após a Segunda Guerra Mundial. A história popular é que americanos desenvolveram uma metodologia empresarial avançada que foi rejeitada pelas empresas ocidentais mas que foi avidamente adotada pelos japoneses. Quando essas filosofias foram postas em prática no Japão, o país derrotado se ergueu como a mitológica fênix de sua morte, devastação, desmoralização e destruição para se tornar um gigante industrial em pouco mais de uma década.

Embora essa história seja parcialmente verdadeira, a realidade é que a abordagem de Demming está baseada principalmente em “processo” e “melhoria contínua do processo”, e a “Administração Por Objetivos”, de Peter Drucker, é inteiramente baseada em resultados. Entretanto, embora a abordagem dessas metodologias originem-se de um ponto-fonte diferente, as filosofias orientadas para resultados de Drucker podem se mapeadas com os mesmos princípios de processos incorporados por Demming. Por exemplo, o tema de Drucker de “construir comunidades” com “trabalhadores do conhecimento” é precisamente equivalente à busca de Demming para implementar um “espírito de equipe” de modo a “cultivar a lealdade corporativa e uma identidade compartilhada”. (5) Essencialmente, Demming é menos baseado em resultados, mas Drucker incorpora processos que imitam ou são idênticos àqueles propostos por Demming para alcançar o resultado predeterminado. Portanto, a busca precisa continuar para uma origem comum desses métodos, pois os pontos filosóficos em comum são óbvios demais para serem apenas uma coincidência. Essa busca, entretanto, levará a pessoa para o lado mais tenebroso da administração empresarial.

A “Administração por Objetivos” de Peter Drucker não foi uma idéia original, mas emanou de dentro das fileiras da filosofia esotérica alemã do século XIX. Os conceitos sistêmicos e orientados para resultados podem ser rastreados diretamente aos ensinos de Hegel, Marx, Nietzsche, Wellhausen, Blavatsky, e outros que foram fortemente influenciados pelo paganismo alemão. Por sua vez, esses mesmos princípios foram depois adotados pelos socialistas fabianos no início do século XX e facilmente comunicados a tipos como John Dewey, o “Pai da Educação Progressiva” (daí a origem do termo Educação Baseada em Resultados). (6) De forma muito preocupante, um exame mais profundo dos dogmas básicos desse sistema revela influências esotéricas e muito tenebrosas. Isto não é segredo nem mesmo para as fontes seculares da administração, que têm a coragem de fazer uma avaliação honesta do sistema. Por exemplo, em um artigo publicado pelo The Journal of Organizational Change Management, David M. Boje e Robert D. Winsor tratam do Gerenciamento da Qualidade Total (TQM, do acrônimo em inglês) – o ímã da metodologia de Demming / Drucker:

“A tese deste artigo é que como um fenômeno econômico, a Administração da Qualidade Total tem sido posicionada como um conjunto cuidadosamente criado de modificações dos processos tecnológicos que objetivam levar a níveis avançados de qualidade do produto ou a custos menores e, dessa forma, fornecem a capacidade de alcançar e sustentar uma vantagem competitiva global. Entretanto, para alcançar esses objetivos, TQM direta e encobertamente altera os valores, a cultura e as mentalidades dentro de uma organização. Como resultado, e em paralelo com essas modificações tecnológicas, TQM estabelece um programa cuidadosamente integrado de engenharia social e psicológica que é crítico para sua implementação “bem-sucedida” e que tem um impacto significativo no comportamento e na consciência dos gerentes e dos funcionários.” (7)

Observe a frase que inicia no meio da citação, “… TQM direta e encobertamente altera os valores, a cultura e a mentalidade … um programa integrado de engenharia social e psicológica…”. Esse mesmo artigo diz, “TQM busca aperfeiçoar os sistemas de controle que produzem e impõem a uniformidade dentro dos produtos, componentes, trabalhadores, fornecedores e todo o sistema geral de produção. O problema é que uma maioria desse controle, em linha com os princípios de Taylor (1911), está direcionado aos corpos, almas e espíritos dos trabalhadores.” (8) Compare essa observação de mudança sistêmica com o diagrama mostrado no início deste capítulo e que retrata a Educação Progressiva Tranformacional. Esse aspecto da metodologia de Drucker / Demming busca os mesmos resultados – uma mudança de paradigma – uma mudança da mente do velho para o novo, do passado para o futuro, do individualismo para a dinâmica de grupo, e do nacionalismo para o globalismo. Em seu livro de 1959, Landmarks of Tomorrow, Drucker estende-se longamente para descrever o que ele via com uma “mudança do sistema cartesiano linear de causa e efeito”. (9) Ele não chama isso de “mudança de paradigma”, pois Kuhn somente cunhou essa expressão em 1962. Entretanto, o dogma básico desse mesmo conceito é engenhosa e deliberadamente expresso nas filosofias de Drucker pré-1962. Por outro lado, o aspecto esotérico desta questão vem à frente quando começa-se a dirigir os princípios da administração para o corpo, alma e espírito. Essa metodologia cruza o limiar do secular para o religioso; e uma vez que a pessoa mergulhe em arenas religiosas com metodologias humanistas, a situação transiciona-se rapidamente do mundano para os níveis esotéricos.

(Nos anos 50, o público americano não estava exatamente entusiasmado em adotar o “druckerismo” ou o “demmingismo”. Na verdade, as bases esotéricas mencionadas anteriormente foram componentes críticos para a rejeição dos métodos de Drucker pelos magnatas da indústria americana. Entretanto, os mistérios esotéricos estavam no centro das religiões orientais, de modo que esses aspectos foram mais um incentivo do que um obstáculo para a mentalidade japonesa. Portanto, Demming tornou-se o pai de um novo paradigma empresarial que floresceu no Japão vinte anos antes de dar grandes passos no ocidente, mas a sorte estava lançada para trazer o ocidente a bordo também. Com o sucesso de TQM e da “Administração Por Objetivos” no oriente, a General Motors abriu suas portas para Peter Drucker e a implementação de seu plano. Uma vez que as primeiras portas se abriram, as comportas foram abertas em seguida. Hoje, a pouca base industrial que resta nos EUA luta sob a maldição das filosofias de Drucker / Demming, e essas mesmas filosofias contribuíram grandemente para o êxodo maciço dos empregos industriais americanos para os polos de mão de obra barata nos países do Terceiro Mundo e do sudeste asiático.)

Na realidade, existe uma explicação muito lógica para a natureza esotérica da metodologia de Drucker / Demming. Esses indivíduos basearam suas metodologia na “Teoria Geral dos Sistemas” (TGS). A TGS foi originalmente proposta pelo biólogo húngaro Ludwig von Bertalanffy, em 1928. Ele propôs que “um sistema é caracterizado pelas interações de seus componentes e a não-linearidade dessas interações.” (10) Kuhn, o criador da expressão “mudança de paradigma” aplicou a TGS à cultura e à sociedade, e via as culturas como sub-sistemas de interligação de uma sociedade planetária mais ampla. (11) Em 1980, o cosmólogo Stephen Hawking então expandiu o pensamento sistêmico para a plataforma global introduzindo a “Teoria do Caos” (12), que afirma a “interconectividade de todas as coisas” – (isto é, a batida das asas de uma borboleta na Ásia pode afetar o curso dos furacões no Atlântico). Como resultado, a Teoria Geral dos Sistemas tornou-se muito esotérica quando levada às suas conclusões lógicas:

·         TGS é sintomática de uma mudança na nossa cosmovisão. Não vemos mais o mundo em um jogo cego de átomos, mas ao invés disso, como uma grande organização.” (13)

·         De acordo com a TGS, nada pode ser compreendido em isolamento, mas precisa ser visto como parte de um sistema.” (14)

·         Se a pessoa aceitar a teoria que o mundo é um sistema holístico interconectado e interdependente (e dentro desse sistema há uma infraestrutura que é análoga de um sistema para outro), deverá logicamente concluir que a Hipótese de Gaia é verdadeira.

·         “A Hipótese de Gaia, de James Lovelock, apareceu em 1979 e evoluiu para se tornar um livro – Gaia: A New Look at Life on Earth, publicado pela Oxford Press em 1982. A Hipótese de Gaia defende a posição que a própria Terra é um organismo vivo, a fonte de toda a vida, que tem a capacidade de regular-se, ou curar a si mesma sob condições “naturais”. A posição de Lovelock é que a espécie humana desenvolveu a tecnologia para sobrepujar a capacidade de Gaia de “curar” a si mesma, e está, portanto, condenada à destruição, a não ser que a espécie humana interrompa esse assalto tecnológico.” (15)

·         Essencialmente, a Hipótese de Gaia não é nada mais do que a antiga adoração da deusa Mãe-Terra do paganismo antigo e da feitiçaria moderna.

Com base em tudo o que foi dito acima, pode-se concluir que a Teoria Geral dos Sistemas é um sistema de crenças esotérico baseado em uma fusão de darwinismo e do misticismo oriental – muito similar ao que agora é chamado de “Nova Era”. A TGS afirma que o homem está se movendo para o próximo nível de evolução, mas para alcançar esse patamar mais elevado, a humanidade precisa adotar uma consciência universal e comum, ou sistema de crenças (“as velhas crenças” precisam fazer a transição para “novas crenças”). Peter Drucker confirmou sua adesão a esse conceito por meio do desenvolvimento do modelo do “banquinho de três pernas”. As pernas representam o sistema empresarial, o estado e o “setor privado”. O assento do banquinho representa o alcance daquilo que ele chama de “comunidade”, ou consenso, desses três setores separados (ou sub-sistemas) da sociedade. Drucker gastou a última metade de sua vida concentrando-se nesse “setor privado” (igrejas e organizações não-lucrativas) porque esse segmento oferece a plataforma para o consenso dialético para unir toda a humanidade para produzir o “fenômeno do salto” (16) para o próximo nível de “evolução social”. De acordo com a Teoria Geral dos Sistemas e a Hipótese de Gaia, o “antigo sistema” precisa ser quebrado para que o “novo sistema” possa irromper.

Referências:

5. Boje, David M. &Windsor, Robert D. “The Resurrection of Taylorism: Total Quality Management’s Hidden Agenda”, The Journal of Organizational Change Management, Vol 6, 1993, pg 62.

6. Blumenfeld, Samuel L., NEA,Trojan Horse in American Education, The Paradigm Company, Boise, Idaho, 1984, pg 44-47.

7. Boje, pg 57.

8. Ibidem, pg 59.

9. Drucker, Peter. Landmarks of Tomorrow, Dimensions Publishing, 1959.

10. Walonick, pg 1.

11. Ibidem.

12. Ibidem, pg 6.

13. Ferguson, pg 157.

14. Ibidem, pg 52.

15. Lamb, Henry, “Rise of the Global Green Religion”, Eco-Logic magazine, 2/12/98.

16. Houston, Jean, “Whole System Transition and the Rise of the Planetary Society”, audio tape, Association of Curriculum Management and Development, 1989.

 

Mas o que seria pragmatismo ou ainda o que seria a igreja do novo paradigma? Veja a seguir a explicação de Mac Dominick (The Cutting Edge Ministries) em seu livro “Pragmatismo na Igreja: Uma Religião Orientada Para Resultados e Que Abre a Porta Para o Anticristo”:

Igreja dirigida por propósitos – Este termo foi inventado pelo pastor Rick Warren, da Igreja da Comunidade de Saddleback, no sul de Los Angeles. A idéia é que uma igreja deve colocar sua visão nos seus propósitos finais e estruturar sua metodologia de modo a alcançar esses propósitos. O termo “dirigida por propósito” é sinônimo de “orientada para resultados”. Em seu livro “Uma Igreja com Propósitos”, Rick Warren relaciona o processo de se tornar “dirigida por propósitos“. Para os objetivos desta análise, a palavra “resultado” foi substituída por “propósitos“. O significado é o mesmo. O plano dele é como segue:

o   Defina o resultado

o   Exija o resultado

o   Baseie as atividades de modo a alcançar o resultado

o   Inicie o programa para alcançar o resultado

O resultado nesse caso é o crescimento exponencial da igreja.

 

Igreja do novo paradigma – Novamente, o pastor Rick Warren, em seu livro inovador, “Uma Igreja com Propósitos“, diz que o escreveu para oferecer um “novo paradigma”.  A definição básica do novo paradigma relaciona-se com um “novo modo de pensar”. Nesse caso, um novo modo de pensar sobre como “fazer igreja”. A razão determina que se esse é um novo modo de pensar no ministério, o modo antigo deve estar seriamente errado. Isso precisa então levar a pessoa a avaliar o “modo antigo” conforme criticado pelo pastor Warren em seu livro. O “velho modo de pensar”, de acordo com Warren, é caracterizado em sua maior parte, por aqueles que continuam a tentar comunicar o evangelho para a cultura moderna em um “estilo fora de moda”. A filosofia de Warren exibe a superioridade do estilo sobre o conteúdo, o que é contrário ao ensino bíblico. A Bíblia diz que o homem deve “procurar apresentar-se aprovado… que maneja bem a Palavra da Verdade…”  (…)

Entretanto, quando alguém defende o estilo sobre a substância no caso de uma igreja, está basicamente dizendo que o processo usado para fazer a igreja crescer é mais importante que o ensino doutrinário da igreja. O pastor Warren rejeita qualquer problema com essa metodologia perigosa declarando, “… o estilo de adorar que você tem diz mais sobre sua origem cultural do que sobre sua teologia.” Se isso fosse verdade e se a cultura determinasse um estilo de adoração utilizando música Rock Acid, drogas e orgias – isso não implicaria em uma teologia furada? Essa ilustração pode ser absolutamente risível, mas claramente exibe os extremos que podem ser derivados da assim chamada abordagem “do novo paradigma” para o ministério.

Em segundo lugar, a igreja do novo paradigma está intencionalmente projetada para rápido crescimento, pois o crescimento da igreja é o resultado desejado da Religião Orientada Para Resultados. Para alcançar esse objetivo, o projeto desse tipo de igreja baseia-se nos princípios da Administração de Empresas e nas pesquisas de mercado do Marketing. O problema que surge com essa metodologia é visto na revelação bíblica, “A palavra da cruz é loucura para os que perecem.” [1Co ríntios 1:18] A Bíblia também ensina que o próprio Jesus Cristo é “uma pedra de tropeço e rocha de escândalo” [1Pedro 2:8] Com base nessa aparente contradição, a pergunta precisa então ser feita, “Como então você coloca no mercado um produto que é tão ofensivo e louco?” A resposta é simples. Você precisa modificar o “apelo” do produto para distrair a percepção das pessoas de sua ofensa e loucura, de modo a atrair o público-alvo. Essas mudanças necessárias inevitavelmente resultam em um afastamento da Palavra de Deus e uma apostasia sorrateira que no final apagará o último traço de verdade em um período muito curto de tempo.

Um aspecto final e muito preocupante do rótulo “novo paradigma” é o fato que o termo “paradigma” foi popularizado no fim dos anos 70 e início dos anos 80 por Marilyn Ferguson em seu livro “A Conspiração de Aquário”. Esse livro foi outra obra de referência que caracterizou o trabalho interno do Movimento de Nova Era com o termo “Mudança de Paradigmas”. A autora Ferguson afirmava que a nova espiritualidade produzida pelas filosofias de Nova Era eventualmente levaria a uma “massa crítica” na consciência humana para provocar uma grande Mudança de Paradigmas que iniciaria um novo nível de evolução do homo sapiens para o homo noeticus, o homem-deus. Equiparar Rick Warren com Marilyn Ferguson pode não parecer justo, mas algumas perguntas simples devem ser feitas: Por que um pastor batista utilizaria terminologia de Nova Era para descrever sua nova metodologia de crescimento de igreja? Deve qualquer cristão que crê na Bíblia utilizar qualquer tipo de terminologia que o equipare (justa ou injustamente) com aqueles que estão envolvidos com as práticas ocultistas? O senso comum não diria que tais comparações seriam feitas com a utilização dessa terminologia? Aqueles que estão envolvidos nas práticas ocultistas não veriam essa terminologia como um sinal que as coisas não são como realmente parecem no Movimento de Crescimento de Igrejas? Embora todas essas perguntas possam ser respondidas de uma maneira positiva, o simples uso dessa terminologia é no mínimo, desconcertante.”

(Mac Dominick – The Cutting Edge Ministries, “Pragmatismo na Igreja: Uma Religião Orientada Para Resultados e Que Abre a Porta Para o Anticristo”)

Quem financia a igreja do novo paradigma

O Dr. Warren tem doutorado em Ministério pelo Seminário Teológico Fuller, que está ligado em rede à linha de financiamento de Fuller, que inclui a Fundação Rockefeller e a Luce Fundation. (Henry Luce foi um maçom de grau muito elevado), o Lilly Endowment (a Lilly é um grande laboratório fabricante de medicamentos para doenças mentais e fabricante do Prozac). Essas fundações patrocinam a Associação das Escolas Teológicas dos Estados Unidos. E essa associação está diretamente envolvida com a formação de milhares de pastores atualmente nos Estados Unidos.

A questão crucial é: O que uma fundação profundamente ligada à maçonaria, e outra de um fabricante de remédios para depressão e doenças mentais, os quais causam forte dependência, pretendem ao financiar a formação de pastores? Será que o objetivo é levar pessoas para Cristo? Ou será que satanás está usando estas pessoas com seus métodos para minar a Palavra de Deus atacando a igreja na sua raiz? Militares sabem que quando tem que destruir um inimigo, devem primeiramente enfraquecê-lo. O G12 e quaisquer doutrinas que preguem um Novo Paradigma, Nova Dimensão, Nova Unção, Novo Mover, Fé Mundial, etc., na verdade têm enfraquecido a igreja como um todo, levando muitos a se apostatarem da fé. A Bíblia diz que muitos apostatariam sim, mas não diz para ficarmos calados e impassíveis diante disto.

Precisamos mais do que nunca, perseverar na fé e na sã doutrina. É urgente que abandonemos os métodos mundanos e nos fizemos apenas em Deus e em seus ensinamentos. É vital que doutrinas, sonhos, revelações, profecias, etc., sejam analisados sob a luz da Palavra de Deus.

Conclusão sobre os ingredientes

Portanto a “visão” de governo dos 12, ou G12, iniciada pelo Pr. Castellanos é apenas uma estratégia montada para gerir as igrejas baseando em suas ambições vaidosas de crescimento, usando para isto os modernos métodos do pragmatismo americano, a secular Opus Dei católica com seus Cursilhos da Cristandade, e as células da igreja coreana, numa receita de aparente sucesso e abrangência mundial. O problema é que suas doutrinas fogem da Bíblia em diversos pontos, e por este motivo é de importância crucial, permanecermos alertas e bem atentos, como a própria Palavra de Deus nos exorta nos versículos e contextos abaixo:

Gálatas 1:8 “Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos pregasse outro evangelho além do que já vos pregamos, seja anátema.

Mateus 24:24 “porque hão de surgir falsos cristos e falsos profetas, e farão grandes sinais e prodígios; de modo que, se possível fora, enganariam até os escolhidos.

2Tessalonicenses 2:9 “a esse iníquo cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás com todo o poder e sinais e prodígios de mentira,

1 João 4:1 “Amados, não creiais a todo espírito, mas provai se os espíritos vêm de Deus; porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo.

1 Tessalonicenses 5:21 “mas ponde tudo à prova…

1Coríntios 2:13 “…comparando coisas espirituais com espirituais.

Atos 17:11 “Ora, estes eram mais nobres do que os de Tessalônica, porque receberam a palavra com toda avidez, examinando diariamente as Escrituras para ver se estas coisas eram assim.” (Bereanos)

Tito 1:9 “retendo firme a palavra fiel, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para exortar na sã doutrina como para convencer os contradizentes.”

Provérbios 19:2 “Não é bom agir sem refletir; e o que se apressa com seus pés erra o caminho

Paulo nos adverte em 2Tm 4:1-5 “Conjuro-te diante de Deus e de Cristo Jesus, que há de julgar os vivos e os mortos, pela sua vinda e pelo seu reino. Prega a palavra, insta a tempo e fora de tempo, admoesta, repreende, exorta, com toda longanimidade e ensino. Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo grande desejo de ouvir coisas agradáveis, ajuntarão para si mestres segundo os seus próprios desejos, e não só desviarão os ouvidos da verdade, mas se voltarão às fábulas. Tu, porém, sê sóbrio em tudo, sofre as aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre o teu ministério.”

Sobre o livro “Sonha e ganharás o mundo”

“Tenho ouvido o que dizem aqueles profetas, profetizando mentiras em meu nome, dizendo: Sonhei, sonhei.” Jr 23:25

Após um exame detalhado do livro chave do movimento G12 “Sonha e ganharás o mundo” escrito em 1997 e publicado no Brasil pela editora Palavra da Fé Produções, (impresso na Centrais Impressoras Brasileiras Ltda. em São Paulo) chegamos a conclusão que o modelo de igreja idealizado pelo Sr. Castellanos, é repleto de heresias, onde a mistura do santo com o profano é evidente em muitos trechos de sua obra, que serve de base para todo o movimento G12, principalmente daqueles que adotaram a “visão” na integra. Muitos pastores, infelizmente têm acreditado nos sonhos de Castellanos, pois de modo geral nenhuma das pseudo-revelações do “espírito” recebidas por ele, possuem confirmação na Palavra de Deus, o que transforma tais visões e ou revelações em falsas profecias.

É digno de nota o fato de este livro de Castellanos não ser facilmente encontrado nas livrarias tradicionais e muito menos nas livrarias Cristãs. Um busca pela internet pelo Google – www.google.com não revelou nenhuma livraria que oferecesse o livro. Foi numa livraria ligada a uma igreja gedozista que encontramos o livro, que tem servido como uma espécie de cartilha aos que abraçaram a doutrina criada por Castellanos, e dita como “santa doutrina” por ele mesmo. Impossível deixar de lembrar que o livro de mórmon, assim como o de Castellanos, somente é encontrado dentro da seita mórmon.

Alterando ou distorcendo a Palavra

Uma das faltas graves contra a Palavra de Deus, que Castellanos comete, é a citação de trechos da Bíblia, sem dar a referência, e quase que invariavelmente, nestes casos, o trecho citado foi alterado ou distorcido de modo a atender os malabarismos eis-exegéticos do autor. Também há ocorrências de citação de passagens que simplesmente não existem. Em Apocalipse, lemos o alerta a todos que se julgarem autorizados a editar ou acrescentar algo à palavra de Deus, no entanto tal advertência é ignorada solenemente.

“Eu alguma coisa, Deus lhe acrescentará as pragas que estão escritas neste livro; e se alguém tirar qualquer coisa das palavras do livro desta profecia, Deus lhe tirará a sua parte da árvore da vida, e da cidade santa, que estão descritas neste livro.testifico a todo aquele que ouvir as palavras da profecia deste livro: Se alguém lhes acrescentar” Ap. 22:18-19

Veja alguns exemplos de desvio da Palavra:

- – – – – – – > Heresia:
Abraão era pagão e adorava outros deuses

No livro de Castellanos lemos:
“A Bíblia diz que Jeová apareceu a Abrasão e lhe disse: “Eu sou o Deus Todo Poderoso, anda em Minha presença e sê perfeito. E porei a Minha aliança entre Mim e ti, e te multiplicarei grandissimamente. Então caiu Abrão sobre o seu rosto, e falou Deus com ele, dizendo: Quanto a Mim, eis a minha aliança contigo: serás o pai de muitas nações” (Gênesis 17:1-4). Aqui Deus se revelou a um homem pagão, que adorava ídolos e reverenciava imagens, de um modo que nunca se havia revelado a nenhum outro.” [pg.88]

Refutação: Abraão nunca foi pagão e nunca adorou ídolos. Isto é uma heresia, e uma afronta ao homem que é tido no meio Cristão como o “Pai na Fé”. Não há na Bíblia nenhuma menção sobre Abraão ter sido pagão. Somente seus pais haviam sido, mas Abraão não.

“Disse mais Deus a Abraão: Tu, porém, guardarás o meu concerto, tu e a tua semente depois de ti, nas suas gerações.” Gn 17:9

A Lei do Silêncio das Escrituras declara que não se deve argüir nada nem contra nem a favor, e com relação à passagem acima Abraão não era pagão.

- – – – – – – > Heresia:
Deus foi pai e mãe ao mesmo tempo de Abraão

No livro de Castellanos lemos:
O original em hebraico destaca que o Senhor lhe disse: “Eu sou o El Shadai”, palavra que significa “mama”, ou seja, Deus lhe estava dizendo: “Eu sou o que dá a mama, o que amamenta, o que nutre, o que sustenta.” Ainda que Abraão contasse com 99 anos de idade neste ocasião, tinha feridas que não haviam sido tratadas nem confrontadas; o Senhor viu que dessa maneira não Lhe podia servir e Se apresentou, não só como pai, mas também como mãe. Só depois de entrar no processo de cura de suas feridas, Abraão estava pronto para ser “pai de multidão de nações” [pg.88]

Refutação: Lendo este trecho do livro de Castellanos, não temos alternativa a não ser tachá-lo como FALSO PROFETA. Muito astuto, tenta alterar a Palavra de Deus alterando o significado de “El Shadai” que sabidamente significa DEUS TODO PODEROSO, por “mama” ou “seio de mulher”. Castellanos não é somente um falso profeta, é também um herege. De onde ele tirou a idéia que Abraão tinha feridas interiores? Da Bíblia é que não foi.

IMPORTANTE: Dizer que Deus é homem e mulher ao mesmo tempo reflete o pensamento antigo e atual do GNOSTICISMO. Castellanos, portanto revela grande simpatia pelas doutrinas gnósticas.

Castellanos divulga doutrina do Gnosticismo
Sobre o Gnosticismo veja este comentário esclarecedor: (Onde sublinhamos nota-se extrema semelhança com o G12)

A palavra gnóstico origina-se do grego gnosis, que significa “conhecimento”. A palavra é utilizada, mais exatamente com o sentido de conhecimentos ocultos acessíveis somente aos iluminados. Os gnósticos acreditavam compartilhar de experiências espirituais secretas que lhes punham em posição privilegiada para interpretar a religiosidade do mundo. Sua versão do cristianismo era, dentre outras coisas, feminista. Deus é às vezes descrito como um ser andrógino, ou seja, com características tanto masculinas quanto femininas. Alguns desses textos descrevem ritos sexuais, outros fazem referências confusas a ensinamentos sobre Jesus e seus discípulos. Naturalmente, esses textos são usados na literatura feminista na tentativa de redefinir o cristianismo, revelando a “verdadeira história” por trás de suas origens.

“Dezenas de textos cristãos já foram considerados sagrados, depois, heréticos e, por fim, esquecidos. Por que estamos voltando a procurá-los?” Essa dúvida foi apresentada na revista Time, cuja matéria de capa tratava desses evangelhos. Lemos ali que esses evangelhos “preenchem uma necessidade evidente de visões alternativas da história cristã, tanto por parte de prosélitos da Nova Era como por parte de fiéis heterodoxos incomodados com algumas restrições teológicas em sua fé”. O artigo afirma que alguns grupos de estudo de igrejas estão lendo esses evangelhos alternativos e descobrindo que estão em harmonia com o atual espírito de tolerância, endossando a religião do tipo “faça você mesmo.”

(Pr. Erwin Lutzer, A FRAUDE DO CÓDIGO DA VINCI, Editora Vida, 2004.)

O G12 faz questão de bater sempre na mesma tecla: Todos devem renovar suas mentes deixando para trás o que é velho, ou melhor desprezando a revelação que faz do Cristianismo a melhor doutrina deste mundo.

“Há um poder tremendo na inovação, na renovação da mente,…”
(Castellanos, Sonha e ganharás o mundo, pg.50)

“Tudo quanto temos alcançado até o momento, tem sua origem num propósito divino, associado a renovação de nossas mentes, uma mente decidida sempre a sonhar, inovando no atuar.” (Castellanos, Sonha e ganharás o mundo, pg.52)

Os cultos e reuniões do G12 são marcados por pregações que colocam a renovação da mente como uma obrigação ao crente. Ter uma mente aberta às doutrinas gedozistas e visionárias de Castellanos e seus discípulos é aparentemente mais valioso do que ter os frutos do Espírito Santo manifestos na vida do crente. Tais frutos são desprezados sistematicamente pela liderança que usando de técnicas de marketing, e manipulações da Palavra, pretende encalacrar a “visão” em todos, a qualquer custo, doa a quem doer.

 

- – – – – – – > Distorção:
Raposinhas põem a perder colheitas

“A Bíblia diz: as pequenas raposinhas colocam a perder as grandes colheitas” [pg.71]

Refutação: A Bíblia NÃO DIZ ISTO! Na verdade lemos:

“Apanhai-me as raposas, as raposinhas, que fazem mal às vinhas, porque as nossas vinhas estão em flor.” Ct 2:15

Infelizmente é muito comum no movimento de Castellanos, o uso da Palavra de modo distorcido de modo a cobrir suas falhas doutrinárias. No caso acima, o autor tenta argumentar que nada pode atrapalhar a multiplicação das células, e exorta aos gedozistas para que tomem cuidado com aqueles que são contra o movimento ou aqueles que não “multiplicam”.

Veja o que a Bíblia de Estudo Shedd diz a respeito de Ct 2:15:

Raposas… raposinhas. Os filhos de Deus também pedem que Cristo proteja a sua vinha contra devastadores, isso é, falsos profetas a serviço do diabo (At 20:29-30 e 1Pe 5:8).

- – – – – – – > Heresia:
Jeremias diz que a palavra de Deus é uma afronta

“Jeremias foi posto no cárcere e seus pés no cepo, depois que Deus o enviou com uma palavra específica ao rei: inclusive, Jeremias esteve em angústia e aflição, dizendo a Deus: “Senhor, Tua palavra me tem sido por afronta, a tal ponto que disse: calarei e não voltarei a profetizar” porque todos estavam contra ele.” [pg.134]

Refutação: A Bíblia não diz isto! Jeremias nunca disse a Deus que Ele o estava afrontando com suas palavras, e nunca Jeremias disse a Deus que não profetizaria mais! Pelo contrário, Jeremias sempre se mostrou fiel a Deus e a suas ordens, e mesmo sofrendo afrontas, sempre levou as mensagens de Deus. Vale destacar que quem afrontava Jeremias eram os reis ou governantes e não Deus. Veja:

“Tu, ó SENHOR, o sabes; lembra-te de mim, e visita-me, e vinga-me dos meus perseguidores; não me arrebates, por tua longanimidade; sabe que, por amor de ti, tenho sofrido afronta.” Jr 15:15

Castellanos tenta com esta distorção, ou acréscimo à Palavra de Deus, confirmar a sua tese na importância das profecias, pois algumas páginas adiante ele escreve sobre a profecia que alega ter recebido do Senhor, sobre Ele ter escolhido um colombiano para curar os Estados Unidos.

- – – – – – – > Heresia:
Salomão disse: “Sem visão meu povo perece” ?

“Quantas igrejas mantém a mesma membresia de várias décadas, sem se preocupar em multiplicar os talentos que Deus lhes tem dado? As perguntas com relação a falta de metas definidas transbordam. O sábio Salomão disse: “Sem visão, o povo perece” ”
(Castellanos, Sonha e ganharás o mundo, pg.149)

De fato a influência do pastor coreano Paul Yonggi Cho sobre Castellanos é enorme, tanto que percebemos exatamente as mesmas distorções do texto bíblico. Veja esta passagem do livro de Cho:

“É por esse motivo que o Espírito Santo vem a fim de cooperar conosco:; para criar, ajudando os jovens a ter visões e os velhos a sonhar sonhos (sic). Por meio de sonhos e visões saltamos rapidamente as barreiras de nossas limitações e nos esticamos até alcançar o universo. É por isso que a Palavra de Deus diz: Onde não há visão o povo perece.”
(Paul Yonggi Cho, A QUARTA DIMENSÃO, Editora Vida, pg. 45)

Refutação: Não existe essa frase na Bíblia, nem nenhuma outra que possua este sentido. Castellanos (e Cho) mais uma vez acrescentou algo a Palavra de modo a atender sua linha de raciocínio, que nesta parte de seu livro, tenta de modo confuso, explicar o porque uma igreja deve aceitar “visões”, pois caso não aceite, ficará sempre com poucos membros, fria e morta espiritualmente, conforme os manuais do G12 gostam de definir as igrejas que não abraçaram a “visão do G12”.

Jesus deixou claro que sem compreensão (ou conhecimento) das Escrituras, seu povo erra:

“-Respondeu-lhes Jesus: Porventura não errais vós em razão de não compreenderdes as Escrituras nem o poder de Deus?” Mc 12:24

Não há na Palavra, nenhuma menção a necessidade da igreja ter uma visão além daquelas contidas na Palavra de Deus, que em sua perfeita sabedoria e benignidade, não teria deixado de nos informar sobre algo tão importante. Ainda que Salomão tivesse dito isto (o que não disse), é obvio que Jesus Cristo veio para Ser Aquele no qual devemos manter nossos olhos e nossa visão. Olhemos para Jesus, pois Ele é o único caminho pelo qual devemos seguir.

“Portanto, nós também, pois estamos rodeados de tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com perseverança a carreira que nos está proposta, fitando os olhos em Jesus, autor e consumador da nossa fé, o qual, pelo gozo que lhe está proposto, suportou a cruz, desprezando a ignomínia, e está assentado à direita do trono de Deus. Considerai, pois aquele que suportou tal contradição dos pecadores contra si mesmo, para que não vos canseis, desfalecendo em vossas almas. Ainda não resististes até o sangue, combatendo contra o pecado;” Hb 12:1-4

“Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” 2Co 5:17

- – – – – – – > Alteração:
Mateus 22:37

“Amarás ao Senhor teu Deus com toda a tua mente, com toda a tua alma, e com todas tuas forças, com todo teu ser” [Castellanos, Sonha e ganharás o mundo, pg.129]

Refutação: O correto é: (grifos acrescentados)

ARA: “Respondeu-lhe Jesus: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento.”

ARC: “E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento.”

NTLH: “Jesus respondeu: – Ame o Senhor, seu Deus, com todo o coração, com toda a alma e com toda a mente.”

NVI: “Respondeu Jesus: ” ‘Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento’”

Reina Y Valera (Espanhol): “Y Jesús le dijo: Amarás al Señor tu Dios de todo tu corazón, y de toda tu alma, y de toda tu mente.”

Portanto, podemos perceber que há uma sutil tentativa de adequar a Palavra de Deus a filosofia do G12 de renovação da mente, pois a palavra “coração” foi substituída por “mente”.

Líderes enganados

O próprio Castellanos na contra capa do livro e em diversos pontos do texto, diz que jamais duvidou do que o “espírito” lhe disse, às vezes claramente em seu ouvido. Jamais ele teve o cuidado e zelo que a Bíblia nos cobra. Veja abaixo uma lista dos comportamentos que Deus espera que tenhamos e os versículos referentes:

·         Prove os espíritos: 1João 4:1

·         Julgue as profecias: 1Co 14:29

·         Coloque a prova os que a si mesmo se dizem apóstolos: Ap 2:2

·         Examine tudo a luz da Palavra como um bom bereano: At 17:11

·         Livre-se dos sutis enganos espirituais: 2Co 2:11

Já Castellanos disse:

“Quando Deus fala a seu coração, não pense duas vezes, dê o passo! Dando o passo, vem o revestimento do Senhor, e algo acontece no mundo espiritual” [pg.141]

Nesta frase vemos uma extrema ingenuidade, ou algo pior, no entanto, este mau conselho, somente pode ser proveniente de um líder cego. Jesus no seu tempo, também enfrentou lideres cegos, na época eram os fariseus, veja:

“Este povo honra-me com os seus lábios, mas o seu coração está longe de mim. Mas em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos dos homens.” Mt 15:8-9

“Deixai-os; são condutores cegos; ora, se um cego guiar outro cego, ambos cairão na cova.” Mt 15:14

Ainda sobre obediência cega a espíritos:

A expressão “obedecer ao espírito” é realmente bíblica?

“O Espírito Santo, que Deus outorgou aos que Lhe obedecem” (At 5.32) é a principal frase que fez surgir a expressão “obedecer ao Espírito”. Ela foi usada por Pedro diante do Concílio de Jerusalém, mas não aparece em qualquer outro lugar nas Escrituras. A passagem completa precisa ser lida com cuidado para se chegar a uma conclusão clara: “Importa obedecer a Deus” (vs. 29), Pedro disse ao Sinédrio, pois “somos testemunhas (…) e bem assim o Espírito Santo, que Deus outorgou aos que Lhe obedecem”. Será que o apóstolo quis dizer “obedecer ao Espírito” ou “obedecer a Deus”, de acordo com as primeiras palavras da passagem? A distinção é importante e a colocação das palavras somente pode ser corretamente entendida pelo ensino de outras partes das Escrituras: o Deus Triúno nos céus deve ser obedecido por meio do poder do Espírito de Deus que habita nos que crêem. Pois colocar o Espírito Santo como o objeto da obediência, em vez de o ser Deus, o Pai, por meio do Filho, pelo Espírito Santo, cria o perigo de levar o crente a confiar em um “Espírito” dentro ou a redor dele e a Ele obedecer em lugar de confiar no Deus (Pai, Filho e Espírito Santo) no trono dos céus e a Ele obedecer, Àquele que deve ser obedecido pelo filho de Deus que foi unido ao Seu Filho; ou seja, o Espírito Santo é o meio pelo qual Deus é adorado e obedecido.

(Jessie Penn Lewis, Guerra contra os Santos – Tomo1)

Dialogando com demônios

Na página 113 de seu livro, Castellanos demonstra plena ignorância a respeito do mundo das trevas:

“A mulher caiu ao chão e os demônios começaram a falar-me. Lembrei a passagem na qual o Senhor perguntou ao demônio como se chamava, assim que procedi de igual modo: ‘Em nome de Jesus, diz-me como te chamas!’ Para minha surpresa, começou a responder: ‘Chamo-me Marta, Maria, Nídia’. Digo que, para minha surpresa, pois até esse momento imaginava que todos os demônios se chamavam Belzebu ou Satanás.” (Castellanos, Sonha e ganharás o mundo, pg.113)

Texto base: Gn 3.1-5
O inimigo não tinha permissão para destruir o homem, mas tentou fazê-lo destruir a si mesmo. Como não havia ser humano em pecado para ser usado, Satanás usou a serpente. Seu assunto inicial foi a própria Palavra de Deus: “Foi assim que Deus disse?”

1- O Diabo usa a Palavra de Deus, alterando seu conteúdo ou seu objetivo (Mt. 4.5-6). Assim, surgem as heresias e falsas religiões (1Tm. 4.1-5). Muitos usam a Bíblia com propósitos malignos, inclusive em defesa do pecado.

2- Não converse com o Diabo. Não dialogue com pessoas endemoninhadas. Apenas expulse o demônio. Não peça informações aos espíritos malignos. Não busque água em fontes sujas. Cuidado com o conselho dos ímpios (Sl. 1; 1Co. 15.33).

3- Precisamos conhecer muito bem a Palavra de Deus para resistirmos à heresia e à tentação. Precisamos saber exatamente “o que Deus disse”.

Adão e Eva pecaram dentre outras coisas, por seguirem uma palavra distorcida, ou uma sugestão do inimigo. A verdadeira Palavra de Deus é aquela que nos conduz à santificação, aquela que nos alerta e ensina contra o pecado.

Experiências de falta de controle sobre o “espírito”

Nos dois trechos abaixo, vemos a descrição de Castellanos e de sua esposa de experiências estranhíssimas, onde os fatos por ele descritos assemelham-se muito mais a experiências onde o demônio agiu em suas vidas de modo a mantê-los endemoniados. No caso da primeira descrição o fato de Castellanos alegar ter perdido o controle de sua alma, é um indício de possessão conforme farta literatura a respeito. (Guerra Contra os Santos de Jessie Pen Lewis, O poder latente da Alma de Watchman Nee, e Enciclopédia de História e Teologia Cristã). Já os relatos que ele faz de ter visto um túnel de luz, numa experiência de “saída de seu corpo” são muito mais característicos do gnosticismo, da Nova Era, ou do espiritismo.

Castellanos relata ter saído do corpo

“Compartilhava numa tarde com um amigo de infância, em uma cafeteria, acerca da morte de Katherine Kulhman, algo realmente incrível em meu conceito, atrevendo-me a comentar: irmão, não creio que ela tenha morrido; é neste tempo tão difícil que Deus mais necessita de Seus servos; talvez os que morrem são os que não podem resistir as provas que virão antes da grande tribulação. Quando terminei de falar, senti um forte golpe em minha cabeça, e vi que cairia daquele terceiro andar da cafeteria, sem que ninguém pudesse impedi-lo. Ladrilhos, telhas e janelas vinham abaixo estrepitosamente, sepultando-nos debaixo de fim mar de escombros. Experimentei meu espírito se desprendendo do corpo. Lutei, porém uma força invisível controlava minha alma. De repente, veio à minha mente a prova do mês anterior e recordei-me das palavras: “Não é hora!” Apropriei-me delas e disse: “Senhor, não é possível que Tu permitas esta morte, não é hora, Tu precisas de mim na terra: dá-me forças apara regressar ao corpo e poder levantá-lo em Teu nome. Ao terminar esta oração, entrei no corpo como quem põe um vestido inteiriço, tratei de movê-lo, mas o corpo não respondeu, pelo que disse: “Senhor Jesus Cristo, em Teu nome… !” Bastou pronunciar, o nome de Jesus, para que a parte espiritual se ligasse com a física e pude remover os escombros.”
(Castellanos, Sonha e ganharás o mundo, pg.24 e 25)

Neste relato, os trechos em negrito saltam aos olhos, tanto devido ao tipo de experiência pelas quais passou Castellanos, como pela oração egocêntrica que ele foi capaz de fazer num momento, supostamente tão difícil. É impressionante alguém ter a audácia de dizer a Deus, que Ele precisa de um mortal qualquer.

Em diversos trechos, o autor demonstra se entregar de forma completa ao “espírito”. Ora, sabemos que o Espírito Santo de Deus jamais passaria por cima de nossa vontade, o que de fato nunca faz, pois qualquer pessoa, mesmo nos momentos de completo envolvimento com o Espírito Santo, nem por um momento sequer perde o controle sobre sua vontade, seu corpo ou sua mente. O Espírito Santo opera em nós, de modo amoroso e respeitando nosso querer e nossa vontade. Alguns podem até “cair no Espírito”, mas sempre por vontade própria e com absoluto controle de suas faculdades mentais.

Cláudia Castellanos (sua esposa) relata ter caído durante a oração de outro pastor e ter visto demônios:

“Deus havia desejado, desde o princípio, abençoar nossa família, trazendo-nos a Seus pés e dar-nos muita prosperidade, mas havia gigantes que primeiro tinham que ser destruídos. Em uma ocasião uma irmã, que era usada em libertação, convidou minha esposa à sua casa e ali lhe manifestou o seu desejo de orar por ela. Ao impor suas mãos sobre Cláudia, esta caiu ao chão e se iniciou um processo de libertação de sua família, especialmente e seu pai; Cláudia recorda que, com suas próprias palavras, pronunciava os nomes dos espíritos que estavam governando seus familiares. Nunca havíamos experimentado algo assim ao longo da vida cristã, pelo que, minha esposa não entendia com clareza o que se passava, mas a libertação começava a concretizar-se.” (Castellanos, Sonha e ganharás o mundo, pg.95)

A exaltação dos sonhos

César Castellanos ensina (na verdade plagia o coreano Paul Yonggi Cho) que, pela utilização de sonhos, todos nós podemos provocar transformações no mundo real, trazendo à realidade aquilo que incubamos em nossas mentes. Ao afirmar que o “mundo é dos sonhadores”, ele  coloca como condição para que recebamos tudo de Deus:  atrever-nos a sonhar. (César Castellanos, Sonha e Ganharás o Mundo, 22)

Esta afirmação contrasta com a Bíblia que diz:

 “E esta é a confiança que temos nele, que, se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve” 1Jo 5:14

“E qualquer coisa que lhe pedirmos, dele a receberemos, porque guardamos os seus mandamentos, e fazemos o que é agradável à sua vista” 1Jo 3:22

Esta tentativa de sugerir que Deus cria, utilizando-se de sonhos ou visualizações, ou qualquer outra técnica, ao mesmo tempo que tenta limitar o poder de Deus, endeusa o homem. Leiamos alguns trechos do capítulo 37 do livro de Jó:

Com sua voz troveja Deus maravilhosamente; faz grandes coisas, que nós não podemos compreender. “, “A isto, ó Jó, inclina os teus ouvidos; para, e considera as maravilhas de Deus. Porventura sabes tu como Deus as opera, e faz resplandecer a luz da sua nuvem?”, “Ao Todo-Poderoso não podemos alcançar; grande é em poder; “  Jó 37:5,14-15,23

Na visão do trono de Deus em Apocalipse 4, o apóstolo João nos relata que os vinte e quatro anciãos adoravam o Senhor dizendo:

“Digno és, Senhor, de receber glória, e honra, e poder; porque tu criaste todas as coisas, e por tua vontade são e foram criadas” (Ap 4:11).

É importante não perder de vista que apesar desta idéia de produzir a realidade através de sonhos incubados (ou visualizados) na mente, estar ausente nas Escrituras, ela está presente em toda a literatura ocultista, sendo um dos seus recursos fundamentais.

Este engano sutil tem levado muitos cristãos sinceros a substituir a verdade por sonhos e imagens. Não são os nossos sonhos, nem a formação de imagens mentais, que irão produzir ou determinar isso ou aquilo, mas a Soberana Vontade de Deus, a qual, a despeito de nossa vontade, irá produzir a gloriosa manifestação de Deus na vida do crente.  

Castellanos procura avalizar esta crença citando trechos da Bíblia onde torce sua interpretação. Conta, por exemplo, que Neemias “agasalhou” dentro de si um sonho: restaurar Jerusalém, deixando-se “engravidar”  por isso, “visualizando” assim, Jerusalém reconstruída. Escreve o autor:

Neemias era um profeta que estava cativo na Babilônia, quando recebeu a notícia de que seu povo se encontrava em dificuldades e os muros de sua cidade destruídos. Quando ouviu isto, sentiu uma dor profunda em seu coração, porém ao mesmo tempo começou a agasalhar dentro de si mesmo um sonho (…) porém o profeta teve a visão de restaurá-la e se deixou engravidar por isto (…) (César Castellanos, Sonha e Ganharás o Mundo, 19)

Mais adiante ele relata um suposto diálogo com Deus, onde o Senhor lhe ordena:

“Sonha, sonha com uma Igreja muito grande, porque os Sonhos são a linguagem de meu Espírito. Porque a igreja que hás de pastorear será tão numerosa como as estrelas do céu e como a areia do mar, que de multidão não se poderá contar.” (César Castellanos, Sonha e Ganharás o Mundo, 20 e 21)

Essa linha de pensamento é muito mais ligada ao Positivismo do que com a Palavra de Deus, e faz parte da filosofia da Nova Era, e como tal não têm fundamento bíblico. Dave Hunt escreve em “A Sedução do Cristianismo”, o seguinte:

Os crentes estão caindo involuntariamente numa velha prática ocultista ao tentarem criar a realidade e até mesmo manipular a Deus por meio da formação de imagens mentais vívidas. (Dave Hunt, A Sedução do Cristianismo, 153)

Sendo assim, vejamos o que diz a Bíblia:

“E sucedeu que, ouvindo eu estas palavras, assentei-me e chorei, e lamentei por alguns dias; e estive jejuando e orando perante o Deus dos céus”, “E o rei me disse: Que me pedes agora? Então orei ao Deus dos céus,” Ne 1:4 e 2:4

Ficou claro, então, que a atitude de Neemias foi CHORAR, LAMENTAR, JEJUAR, e ORAR à Deus. Esta é a verdadeira linguagem que encontramos na Bíblia.

Nada indica que Neemias tenha sonhado, ou feito projeções imaginativas, ou tenha incubado, ou até mesmo ficado “grávido” de algo. Neemias era um servo de Deus e, como todo servo temente a Deus, O buscava em oração, na expectativa de ouvir a Sua voz, e obedecer a Sua palavra. Por isso, Deus colocou em seu coração o desejo de ir a Jerusalém para reedificá-la. Leiamos o texto bíblico:

“…e não declarei a ninguém o que meu Deus me pôs no coração para fazer em Jerusalém”
 Ne 2:12

Não existe absolutamente passagem alguma na Bíblia que se possa usar para endossar a afirmação de que os sonhos são a linguagem do Espírito de Deus. Há uma gritante diferença entre receber visões e sonhos de Deus e desenvolver os seus próprios, pois como diz a Palavra:

“Porque, como na multidão dos sonhos há vaidades, assim também nas muitas palavras; mas tu teme a Deus.” Ec 5:7

Técnicas de regressão usadas no “Encontro com Deus”

Infelizmente, durante o Encontro, na hora em que está sendo aplicada a “cura interior”, os encontristas são levados a repetir uma oração, onde o pastor diz que Deus nos escolheu desde o ventre da nossa mãe, e então pede a todos que se imaginem desde o instante da concepção, passando pela vida uterina, como Deus o tratou com amor, até o seu nascimento, etc., etc.. Tais técnicas de regressão são usadas pela psiquiatria, sob supervisão médica e somente em casos específicos, pois existem riscos no processo devido à pessoa ter que reviver traumas passados.

No entanto, o G12 usa desta técnica durante o Encontro, acreditando que isto não tem maiores conseqüências, e que agindo desta forma estarão levando a pessoa a uma cura interior. Infelizmente isto não é sempre uma verdade, pois temos relatos de pessoas que precisaram ser até internadas em clínicas de recuperação psicológica após terem participado do encontro, e outras que entraram em depressão profunda após o “Encontro com Deus”, chegando a fazer uso de medicação antidepressiva.

Vejamos este comentário do irmão Manoel Basílio:

É incrível o relato que o Pastor César faz na página 113, onde ele afirma que para libertar uma mulher possuída pelo espírito de lesbianismo, teve que orar por ela desde que se encontrava no ventre de sua mãe. Fez uma regressão em toda a vida passada, a partir da concepção. Isto baseado, segundo ele, em Efésios 1.4

Ora! Ficamos abismados com essa narrativa! E nos perguntamos: o que tem a ver a libertação da endemoniada com a passagem bíblica citada? Senão vejamos o que a Bíblia nos diz no versículo citado: “como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele em amor;”

Onde o Pastor César Castellanos aprendeu essa prática? Baseada na Bíblia, certamente, não! Não há um só versículo que nos dê margem para “regressão”. Essa prática faz parte de sua visão pessoal, fundamentada em técnicas psicoterápicas e espíritas. A palavra de Deus nos mostra bem claro como o crente deve proceder nesses casos: Mateus 17.21 (oração e jejum) e Marcos 16.17 (em nome de Jesus). Esta, sim, é a maneira correta e bíblica de expulsarmos os demônios, e não fazendo levantamento da vida passada da pessoa endemoniada. Simplesmente ele distorce a Palavra de Deus. (www.conscienciacrista.org.br)

Não é necessário voltarmos para trás, ou regredir, para resolvermos traumas passados, pois somos de Cristo!!! Ele nos resgatou e nos salvou, naquele momento em que foi crucificado por nossos pecados. Jesus quer que abandonemos o passado e olhemos para frente, ou seja, para Ele.

“Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam e avançando para as que estão diante de mim, prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.” Fp 3:13-14

“E Jesus lhe disse: Ninguém que lança mão do arado e olha para trás é apto para o Reino de Deus.” Lc 9:62

O Encontro é necessário para o verdadeiro arrependimento

No G12 explicam que o “verdadeiro arrependimento”, é quando o crente declara detalhadamente os seus pecados, chora, sente dor por ter ofendido a Deus (Pág. 118 do Plano Estratégico). Dizem que o verdadeiro arrependimento só acontece quando o novo convertido participa do Encontro.

Refutação – Quanta aberração existe! Quer dizer que o crente não foi perdoado por Deus no dia em que aceitou a Cristo? Jesus nos disse que quem ouve a Sua Palavra e crê naquEle (Deus) que O enviou tem a vida eterna (Jo 5.24). Assim, cremos que a salvação é instantânea, não há a necessidade de marcar um “Encontro” para termos que nos arrepender de novo.

Se o genuíno arrependimento só se dá nesse “Encontro”, conforme a “Visão” do G-12, como ficaria a situação da pessoa que morresse antes de participar desse “ritual”? Não, não cremos assim! O ladrão na cruz, o mordomo da Etiópia, Zaqueu, Cornélio, dentre muitos outros exemplos bíblicos, todos foram salvos na hora em que se encontraram com Cristo. Compare Cl 2.14, Hb 8.12 e 10.17-18, Tt 3.4-7, etc.

Em Atos 2.38-43 vemos quase 3.000 pessoas sendo salvas por Cristo e o foram quando o Espírito Santo as convenceu através do pronunciamento do Apóstolo Pedro. Foi um arrependimento verdadeiro e sincero. Nada de ‘encontro’ nos moldes promovidos pelo Grupo dos Doze. O mesmo aconteceu comigo e com os crentes em geral, salvos pela graça de Deus. Fomos salvos no momento em que ouvimos a Palavra de Deus, nos convencemos de que éramos pecadores e por isso nos arrependemos e passamos a ser novas criaturas. Não precisamos participar de “Encontros” para nos tornarmos salvos, graças a Deus. (www.conscienciacrista.org.br)

Claudia Castellanos, a política e o Brasil

É público o interesse pela política por parte do casal Castellanos. Cláudia Castellanos, já foi candidata a vereadora e até a presidente da Colômbia, mas foi como senadora que foi eleita. Em seu livro, vemos na pg. 46 uma descrição dos motivos pelos quais Claudia decidiu entrar na política:

“Em 1989, a Colômbia estava vivendo uma de suas etapas mais difíceis e o Espírito Santo me guiou a tomar outra das decisões transcendentais: ingressar na política. (…) Experimentei uma profunda dor pelo que ocorria e, no espírito, pude ver a violência, o dano causado pelo narcotráfico e os milhares de famílias em desolação e separadas de Deus. Senti compaixão, um dos frutos do Espírito que tinha que ser desenvolvido pela Colômbia: O amor.”

No entanto em um congresso recente, a própria Cláudia Castellanos aparentemente decidiu deixar seu amado país para trás:

“Este ano numa visita a Bogotá encontrei-me com o presidente da Colômbia. A conversa estava num tom um tanto quanto informal. Para “quebrar o gelo” fiz uma brincadeirinha. “Já nos conhecemos há tanto tempo, presidente, e o senhor nunca me ofereceu uma embaixada…”. O presidente então me respondeu: escolha a embaixada que você quer e eu lhe darei. Senti que naquele momento não estava ouvindo a voz daquela autoridade e sim a do Espírito Santo. Falei, então, sem ao menos consultar meu marido, Ap. César Castellanos, o Brasil. Pois aquela é a nação do avivamento! Assim, no dia 1 de agosto/04 voltarei à Brasília para a minha cerimônia de posse como Embaixadora da Colômbia no Brasil. Esse episódio da minha vida me trouxe importantes reflexões. Uma delas diz respeito ao sobrenatural de Deus e que Seus pensamentos são infinitamente maiores que os nossos. O futuro do Brasil é de bênçãos. Aleluia! O povo brasileiro paga um valioso preço pela redenção do seu país. São expectadores do Espírito Santo. O que se seguirá daqui para frente é uma herança de prosperidade e de construção de uma nação para Deus. O Brasil será conhecido por ser uma potência, não só no mundo cristão como também no mundo político. Em breve todos andarão em torno do Brasil. Tornar-me Embaixadora no Brasil foi o maior presente que Deus me deu. E creio que a conquista desse posto foi uma forma de Deus ampliar o meu ministério.” (http://www.mir.org.br/acontec/ac36/abert2.htm)

O rebatismo de Cláudia Castellanos

É impressionante saber que uma pastora, ouvindo uma voz de um espírito, tomou a decisão de desprezar seu batismo original feito 21 anos antes, batizando-se novamente pelas mãos de um estranho e suspeito missionário mexicano, que fez questão de declarar a ela que possuía o ministério de João Batista (palavras entregues por uma profetiza não identificada). Vemos aqui, claramente a ação de espíritos enganadores:

“Foi numa viagem a Israel, à qual quase me neguei a ir, quando, caminhando pelas ruas de Jerusalém, escutei pela primeira vez a voz do Espírito Santo, dizendo-me: “Filha, tenho te trazido a esta terra porque desde agora escutarás Minha voz. Tudo o que tens vivido até hoje tem sido simples preparação. Daqui em diante começa teu ministério!” Creio que não entendi no primeiro momento. Já tinha vinte e um anos de vida cristã, era pastora, havia desenvolvido uma liderança e feito muitas coisas que poderiam considerar-se características de uma pessoa que tinha tudo definido, mas ó Senhor me indicava que tudo isso era parte do processo no qual, quem vai ser usado por Ele tem que entrar. Um processo doloroso, que não é fácil suportar humanamente, no qual se tem que morrer, auto negar-se, pois, do contrário, não se dá fruto. Nessa ocasião fui sensível à voz de Deus, quando me disse que fosse ao Jordão para ser batizada novamente e, inclusive, me mostrou quem havia de fazê-lo, um missionário mexicano que logo me compartilhou que, quando sua mãe estava grávida dele, um profeta orou mostrando: “Este menino que vai nascer, terá o ministério de João o Batista!.

O batismo no rio Jordão de fato está na moda, tanto que o padre Marcelo (conhecido padre católico) e o apresentador de televisão Gugu Liberato fizeram questão de cumprir esse ritual, que para eles nada mais é do que uma cerimônia mística onde almejam alcançar alguma espécie de proteção pessoal mais elevada, afinal é o rio Jordão! Fico tentando imaginar o que Deus pensa destas pessoas…

Uma voz estranha

Quando saí das águas do Jordão, senti literalmente no espírito que os céus se abriram e que Deus enviava Seu Espírito Santo. Foi quando minha vida mudou. Orei profundamente, sentindo o verdadeiro quebrantamento. Terminado o evento que nos havia conduzido até Israel, o pastor que dirigia me pediu que pregasse no lugar onde Jesus compartilhou o Sermão da Montanha. Eu não estava incluída no programa, mas sabia que esta proposta vinha do Senhor e, quando abri meus lábios, fui mudada em outra mulher. Recordo-me que falava com uma voz tão potente que me assombrava a mim mesma; sem dúvidas o Espírito Santo estava atuando através de minha vida. Daí em diante tenho seguido escutando a voz de Deus, dirigindo todos os meus passos. Meu tempo devocional foi transformado, dando-me intercessão profética e interpretação de línguas, além da capacidade de observar os corações de nosso povo para conhecer suas necessidades espirituais.” (Castellanos, Sonha e ganharás o mundo, pg.56)

Mais um detalhe preocupante revelado por Claudia, foi o fato de ela falar com uma voz tão potente que assombrava a ela mesma! Isto é no mínimo algo bem estranho.

Profecias sem base bíblica

Numa das várias mensagens de espíritos enganadores recebidas por Castellanos, temos na página 137 de seu livro, uma de suas mais tenebrosas “profecias”, onde os Estados Unidos, envoltos num imenso conflito dependerão do modelo gedozista para livrarem-se dos terríveis acontecimentos que os esperam. Veja a seguir o trecho em questão (e alguns outros) e as refutações em seguida:

Prosperidade para a igreja de Castellanos
Em 1989, como o próprio Castellanos afirma, Deus iria confirmar mais uma vez seu propósito para com ele, através de uma profecia entregue por Randy McMillan, ministro radicado na Colômbia:

“Esta igreja tem encontrado graça diante dos Meus olhos. Tenho uma grande visão para vocês. Quanto à área financeira, lenvatá-los-ei com sinais da Minha glória. (…) Vou abençoá-los sobrenatural e economicamente como igreja para que alcancem coisas que os outros não tem alcançado…Sou um Deus de bênção e prosperidade total em teu espírito, tua alma e teu corpo; em todas as coisas materiais…Por fé em Deus e em Cristo Jesus, vocês tem direito a ser abençoados em todas as coisas, ainda que materiais, disse o Senhor. Os ministérios dessa igreja vão prosperar… Busquem-Me, diz o Senhor, entrem em aliança Comigo e verão suas finanças prósperas, Minha igreja próspera e Minha obra expandida (…) Ao pastor, o Espírito diz: Tenho muitos projetos para ti, estás entrando na primeira etapa, não descanses, não desmaies pelo caminho, porque tudo tem seu tempo (…) Meu Espírito tem gozo pela liberdade e liderança desta igreja, e assim quero prosperar-vos grandemente…Verão Minha glória e os levarei de glória em glória, diz o Senhor.” (Castellanos, Sonha e ganharás o mundo, pg.38)

Refutação Bíblica:
A profecia apresentada como sendo de Deus traz um conteúdo que não encontra precedentes nem respaldo nas Escrituras. Não encontramos em nenhum lugar das Escrituras Deus fazendo alianças financeiras com pessoa alguma. Pelo contrário, a Bíblia nos apresenta uma Aliança Eterna, inaugurada pelo sangue do Cordeiro: A Nova Aliança. Ela satisfaz plenamente as nossas necessidades. Não é preciso adicionar-lhe coisa alguma, nem existe a possibilidade de subtrair dela alguma coisa. O que Deus fez é de todo perfeito. É-nos dito pela Palavra :

“Porque esta é a aliança que depois daqueles dias farei com a casa de Israel, diz o Senhor; porei as minhas leis no seu entendimento, e em seu coração as escreverei; eu lhes serei por Deus, e eles me serão por povo; e não ensinará cada um a seu próximo, nem cada um ao seu irmão, dizendo: Conhece o Senhor; porque todos me conhecerão, desde o menor deles até ao maior.Porque serei misericordioso para com suas iniquidades, e de seus pecados e de suas prevaricações não me lembrarei mais.” Hb 8:10-12

A Bíblia também fala das riquezas inescrutáveis da Graça de Deus, “que é Cristo em vós, esperança da glória;” (Cl 1:27). Conhecer a Cristo é a verdadeira riqueza que devemos buscar ansiosamente. Profecias como esta supra mencionada, mais do que qualquer outra coisa, fazem alusão ao Evangelho da Prosperidade, com suas malfadadas promessas de riqueza e prosperidade material, baseadas em entendimentos distorcidos do texto bíblico. Além de prometer prosperidade financeira, ainda ensina, erroneamente, que temos direitos a serem observados e satisfeitos, obrigatoriamente, por Deus, não levando em conta Sua Soberana vontade.

Deus promete prosperidade àqueles que o servem, mas essa prosperidade significa única e exclusivamente NÃO TER FALTA DE NADA, ou seja, ser próspero biblicamente falando, é ter todas as suas necessidades supridas por Deus. Erwin Lutzer comenta:

“Esse evangelho não poderia ter sido pregado na Roma antiga, assim como não funcionaria nos dias de hoje em lugares como o Haiti, a Bielo-Rúsia ou Angola. Seria realmente difícil convencer os mártires da igreja de que eles tinham um direito dado por Deus de serem ricos e prósperos, pois se contentariam com a pobreza, caso fossem libertos da boca dos leões e da espada dos assassinos.

Não o “Deus da minha saúde e da minha riqueza” é o deus do ocidente, o deus do capitalismo, o deus do consumismo. Quando corretamente interpretada, a Bíblia pode ser proclamada em todas as culturas. O que dizemos sobre Deus deve ser a mais pura verdade nos tempos de guerra ou de paz, na pobreza e na riqueza, na via e na morte. Pode até parecer que o “Deus da minha saúde e da minha riqueza” foi retirado da Bíblia, mas essa é uma interpretação distorcida que deixa milhares de pessoas desiludidas em seu rastro.

Como podemos acreditar nesse deus sendo que Jesus disse: “As raposas têm suas tocas e as aves do céu têm seus ninhos, mas o Filho do homem não tem onde repousar sua cabeça” Mt 8:20? Ou então, olhando para Paulo que, da prisão, escreveu: “… aprendi a adaptar-me a toda e qualquer circunstância” Fp 4:11”

(Erwin Lutzer, 10 Mentiras sobre Deus, Ed.Vida)

Essa profecia é exclusivista ao afirmar de maneira presunçosa que Deus tem tratado o MCI (Ministério Carismático Internacional) de maneira especialmente diferenciada, o que vem de encontro à palavra de Deus, que diz: “Porque, para com Deus não há acepção de pessoas” (Romanos 2:11). Será que existe algum motivo especial para isso? Deus chama Sua Igreja de Corpo de Cristo. A Bíblia diz: “e sujeitou todas as coisas a seus pés, e sobre todas as coisas o constituiu como cabeça da igreja, que é o seu corpo, a plenitude daquele que cumpre tudo em todos.” (Ef 1:22-23). No contexto bíblico, esta Igreja não é uma denominação particular, mas um grupo de pessoas redimidas pelo precioso sangue de Cristo, regeneradas pelo Espírito Santo, as quais se colocaram nas mãos de Deus, alegremente aceitando a Sua vontade, alegremente fazendo a Sua vontade, e alegremente permanecendo na terra do lado dEle, para manter o Seu testemunho. E as promessas de Deus são para esta Igreja, não sendo, portanto, exclusividade do MCI, ou de quem abraçou a “visão dos doze”.

Castellanos libera misericórdia de Deus aos Estados Unidos – página 137
Finalmente, em 1997, através dos lábios de Bill Hammond e Cindy Jacobs, Deus fala novamente com ele:

“…Vou usar a Colômbia para ensinar a igreja americana, a igreja dos Estados Unidos, como guerrear nos lugares celestiais..E o Senhor diz a seu filho César: Haveis sido chamado em um tempo como este para os Estados Unidos da América, e ensinarás a mensagem que Eu te tenho ensinado a ti (…)…Abrirei as portas dos mais gigantescos estádios e estarão cheios de gente faminta…O Senhor diz: Vou trocar a maldição e usarei um colombiano para curar os perseguidores; utilizarei um colombiano para liberar a misericórdia de Deus (…)…E o Senhor te diz: Filho, Eu te tenho enviado para cura dos Estados Unidos. Filho Meu, poderia haver falado a outra pessoa para fazer isto, mas te peço a ti, te peço a ti, amarás as minhas ovelhas?…Porque há muitos crentes nos Estados Unidos que amam a Deus, e as trevas que virão contra esta nação causarão terror e fogo, incêndios, e cidades arderão em fogo: mas há tempo, diz o Senhor, e para isso Eu te unjo como José, para ir ao Egito e sarar a nação…O Senhor diz: Filho Meu, não temas porque o diabo já tem jogado o que ele tem de pior, tem tratado de destruir-te, mas Eu tenho declarado nos céus: diabo, já não poderás tocar neste homem, porque ele está no curso do Meu destino, Eu o tenho levantado para Meus próprios propósitos e estou nomeando anjos guerreiros à frente e detrás dele (…) Nenhuma arma forjada contra ti prosperará, e toda língua acusadora que se levante contra em ti em juízo, Eu a condenarei, diz o Senhor…Meus olhos tem estado buscando em toda a terra um homem como tu (…)…Desde este dia em diante falarás com autoridade apostólica, com unção fresca…Nações se levantarão e cairão com a palavra profética que saíra de teus lábios; estou levantando a Meus profetas e a Meus apóstolos para que sejam Minha voz em toda a terra…Libero uma dupla porção sobre ti e sobre tua esposa e os demais, disse o Senhor…”(Castellanos, Sonha e ganharás o mundo, pg.137)

Refutação Bíblica:

É de fato uma ousadia insana, achar que Deus precisa de alguém para “liberar” sua misericórdia. Deus é soberano, e Sua misericórdia nos alcança sempre que Ele assim desejar. Se precisássemos de alguém deste mundo para alcançarmos a misericórdia divina, jamais alcançaríamos. Deus é soberano, misericordioso e justo, e jamais passaria sua responsabilidade para o homem. A Palavra nos mostra em Lm 3, que a misericórdia de Deus se manifesta sem instrumentalidade humana.

Esta profecia faz preocupantes afirmações quanto ao futuro dos Estados Unidos, ao falar sobre “fogo, incêndios, e cidades que arderão em fogo”. Vale ressaltar que esta predição não se encontra presente na Bíblia.

Ela afirma, ainda, categoricamente que Castellanos é o canal escolhido para que a misericórdia de Deus possa ser liberada. Estranho e sem fundamento, pois a Bíblia nos ensina que somos alcançados pela misericórdia de Deus através de Cristo Jesus. Diz ainda em Hebreus 4:16 que basta que “Cheguemo-nos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno.”. Sabendo ainda que Jesus disse dEle mesmo: “Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim” (João 14:6).

Quando a profecia se refere alegoricamente a José, na verdade está buscando respaldo para a linguagem de sonhos. Embora esqueça que os sonhos de José (leiam Gênesis 37) nada têm a ver com imaginação criativa, poder mental, visualização, ou qualquer outra falácia oriunda do ocultismo e da feitiçaria.

A profecia comunica ordens dadas por Deus nas regiões celestiais, para que o diabo não mais toque em Castellanos,  e ainda nomeia anjos guerreiros para guardá-lo. Não têm a mesma sorte os demais cristãos, assim como também não a teve o Apóstolo Paulo, segundo o relato bíblico, em II Coríntios 12:7 que diz: “E, para que me não exaltasse pela excelência das revelações, foi-me dado um espinho na carne, a saber, um mensageiro de Satanás para me esbofetear, a fim de não me exaltar.”.  Apesar de orar  a Deus três vezes para que isso se desviasse dele, o Senhor disse a ele: “A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza.” (II Coríntios 12:9a). Então o Apóstolo Paulo responde de tal maneira que evidencia o profundo amor e temor que tem pelo Senhor: “De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo” (II Coríntios 12:9b).

A despeito da afirmativa de Castellanos, e se fosse realmente verdadeira essa profecia, restar-nos-ia apenas clamar pela misericórdia de Deus, consolando-nos com a sua Palavra Fiel, que diz em I João 5:18: “Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não peca; mas o que de Deus é gerado conserva-se a si mesmo, e o maligno não lhe toca”, e também em João 10:27-29: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem; E dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão. Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos; e ninguém pode arrebatá-las da mão de meu Pai”.

Contudo, Deus não nos isenta de batalhar contra as forças espirituais do mal: “No demais, irmãos meus, fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder.Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo.” (Efésios 6:10-11), pois de outro modo, como disse o Apóstolo Paulo, poderíamos nos exaltar. Tenhamos pois plena confiança em Deus, “porque mais são os que estão conosco do que os que estão com eles” (II Reis 6:16).

Por último, a profecia coloca Castellanos como o “escolhido” por Deus para esta hora, o que lhe outorga o título de Apóstolo, com poderes inclusive para sobrepujar nações através de suas palavras. Fala dele e para ele como o único encontrado digno na face da terra, enquanto a Bíblia diz: “Não há um justo, nem um sequer” (Romanos 3:10). Procura com isso dar a Castellanos uma exclusividade que não encontra respaldo na Bíblia. A Palavra diz que Deus procura os seus fiéis: “Os meus olhos estarão sobre os fiéis da terra, para que se assentem comigo; o que anda num caminho reto, esse me servirá.” (Salmos 101:6)

A Bíblia nos diz, também, que o único que possui autoridade para subjugar reinos e nações é Jesus Cristo:

“Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz. Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome; para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai” (Filipenses 2:9-11).

Nada, nem ninguém, pode igualar-se a Cristo, o qual está sentado à direita de Deus Pai, O Todo-Poderoso. Cristo é o Sumo Pastor, “Rei dos reis e Senhor dos senhores” (Apocalipse 19:16). A sua grandeza é exclusiva. Em Colossenses 2,  o Apóstolo Paulo mostra que todos os tesouros de sabedoria e de conhecimento estão em Cristo (Colossenses 2:3). Não há nenhuma verdade ou entendimento fora dele. A plenitude da divindade está em Cristo (Colossenses 2:9). Não existe parte alguma da natureza e da Pessoa de Deus que não esteja expressamente revelada em Jesus. Achamos nossa perfeição em Cristo (Colossenses 2:10). Nele está a circuncisão espiritual, o perdão e a nova vida (Colossenses 2:11-13). Quando morreu, Jesus tirou o poder das forças satânicas, ganhando sobre elas uma decisiva vitória (Colossenses 2:14-15). Jesus é a realidade para a qual todas as leis, festas e símbolos do Velho Testamento apontavam (Colossenses 2:16-17). Todo o crescimento do corpo depende de Cristo, que é a cabeça (Colossenses 2:19). Qualquer busca da verdade, do entendimento, ou do crescimento espiritual, fora de Cristo, com certeza vai falhar.
(
www.solascriptura-tt.org)

  Índia sem idolatria ?!

Confuso, extremamente mal informado ou mal intencionado, são algumas das conclusões a que podemos chegar a respeito de uma pessoa que tem coragem de escrever em seu livro, na página 65, onde comenta a respeito do missionário Guilherme Carey, quando de sua visita a Índia, havia conseguido abolir as práticas pagãs daquela nação.

Castellanos argumenta que a Índia teve suas práticas pagãs abolidas para apoiar suas teorias, pois escreve em seguida que este “homem era um visionário que desde o principio soube o que queria, e isto o levou a projetar-se para o êxito.”

Infelizmente, a Índia continua mergulhada profundamente na idolatria…

 Pontos Positivos do Movimento

Demonstrar os pontos positivos aqui, tem o objetivo de mostrar porque este modelo passa uma aparente sensação de sucesso e de comunhão com Deus. São diversas atitudes que deveriam fazer parte de todas as igrejas Cristãs, e em alguns casos de fato ocorrem em muitas igrejas não gedozistas.

No entanto, tais pontos não podem servir de justificativa para a aprovação deste movimento, visto que há uma grave mistura do sagrado com o profano, atendendo certamente aos objetivos do reino das trevas, pois Deus é a antítese do engano e da divisão, mas sim a Verdade, o Amor, a Justiça, etc. etc.

Todos os movimentos sectários (Mormonismo, Catolicismo, Testemunhas de Jeová, etc.), também apresentam comportamentos louváveis em alguns pontos, no entanto, um olhar mais atento, revelará sérias distorções das verdades Bíblicas, muitas vezes apresentadas aos membros da igreja de forma tão sutil e singela que praticamente todos as aceitam como uma verdade de Deus.

Algumas práticas do G12 são bíblicas e devem ser incentivadas em todas as igrejas. São elas:

1) Reuniões nas casas dos crentes, ou células

Facilitam o atendimento personalizado das necessidades de cada participante, a evangelização mesmo dos que se recusam a ir às igrejas, bem como a comunhão e a edificação mútua entre os cristãos. As células quando utilizadas segundo princípios bíblicos são valorosas.

No entanto não é bíblica a estratégia de separar homens de mulheres, mesmo os casados. As tais “células homogêneas” conforme a doutrina gedozista ensina não deveriam nunca ser aplicadas aos casais e outros, pois o único caso compreensível deste tipo de atitude seria no caso dos jovens não casados.  Vale lembrar que na igreja primitiva as reuniões nas casas dos crentes aconteciam devido a repressão dos judeus e dos governantes ao trabalho dos Apóstolos, e nenhuma passagem da Bíblia diz que tais reuniões, ou as “células primitivas”, eram formadas por pessoas do mesmo sexo ou faixa etária. Pelo contrário a Bíblia mostra que as reuniões eram feitas na presença de famílias inteiras.

Isto é na prática uma divisão da família, que tem valores e experiências profundas para passar aos freqüentadores das reuniões. Tais exemplos práticos de vida cristã jamais deveriam ser desperdiçados, visto que o homem e a mulher após o casamento são uma só carne (Gn 2:24). Além disto, em virtude da agenda extensa da igreja o marido acaba por se afastar demais da esposa durante a semana inteira, diminuindo a comunhão a cada dia que passa. Isto na prática é uma divisão dentro dos lares e atinge em cheio a união do casamento.

2) A busca de santidade (1Pe 1.14-16; Hb 12.14)

A permanência na Palavra e manifestação do fruto do Espírito Santo, que reproduz o caráter de Cristo na vida de cada crente (Jo 17.17; Gl 5.16-26), é uma atitude que todo cristão deveria ter. Contudo, devemos estar atentos ao fato de que materiais e métodos do G12 estão permeados de doutrinas estranhas à Palavra de Deus, de modo que é necessário sempre avaliá-los à luz da Palavra antes de aplicá-los.

Atitudes de autopunição como o uso de roupas rasgadas ou do avesso, cabelos raspados, jejuns declarados em público, mudança para pior em hábitos de higiene, etc., são atitudes às vezes provindas de espíritos enganadores, visto que prestam apenas para ridicularizar o cristão e não possuem respaldo na Palavra.

3) Oração intensa por um propósito

Tanto no dia-a-dia como em preparação a eventos especiais (1Ts 5.18; Cl 4.2). Precisamos resgatar em nossa vida o ensino bíblico sobre práticas espirituais como oração, jejum e vigília, lembrando, contudo, que recebemos não só a salvação como também a santificação e todas as bênçãos de Deus pela graça, mediante a fé (Mt 17.19-20; Mc 11.19-23; Gl 3.3, 5; Cl 2.6-7).

4) Trabalho sistemático de evangelização

Nos incentiva a também realizar a obra do Senhor de modo mais planejado. Devemos por todos os meios lutar para que, no menor espaço de tempo, todas as pessoas tenham a oportunidade de ouvir, compreender e receber o evangelho genuíno. Lembramos, porém, que as estruturas da igreja, tanto as novas como as tradicionais, existem por causa das pessoas, e não as pessoas por causa das estruturas, e não cabe a nós determinar quando uma pessoa deve se converter.

Desenvolver um estilo de vida marcado pelo ardor evangelístico, desde que com equilíbrio, que se manifesta em atitudes concretas como a de até mudar a rotina diária a fim de ganhar as pessoas para Cristo (1Co 9.19-23), ou ainda realizar eventos com este propósito. Mas aqui cabe uma observação importante: Nem todos os cristãos têm a mesma facilidade para evangelizar, pois cada membro do corpo de Cristo recebe do Senhor dons diferentes para diferentes ministérios (1Co 12.4-11, 27-31); todos, porém, devem ser testemunhas de Jesus Cristo, vivendo o evangelho do Reino no poder do Espírito Santo, em qualquer lugar em que estiver (At 1.8; Mt 5.13-16).

Doutrinas estranhas à Palavra de Deus

Seguem abaixo diversos pontos que pude analisar e por experiência própria acompanhar como de fato aconteceram e quais as repercussões para o Corpo de Cristo. Não pretendo ser o dono da palavra final nestes tópicos, no entanto, é nítida a influência de espíritos enganadores no G12, pois a conseqüência destas práticas a médio e longo prazo tem resultado em muitas divisões e em muitos casos membros antigos, com sólida base bíblica, e exemplos de vida Cristã, tem se afastado das igrejas gedozistas.

Não recomendo e nem acho que seja uma solução abandonarmos uma igreja por estes motivos, pois entendo que devemos servir como atalaias (Ezequiel 33), pois quem sai perdendo é o Corpo de Cristo.

Entendo que o mais adequado é reunir os pastores e lhe mostrar biblicamente, porque discorda e caso não haja um retorno às Escrituras, o crente teria até o direito de exercer sua liberdade em Cristo, indo congregar em outra parte do Corpo de Cristo. Mas isto somente em casos extremos, e não deixando de demonstrar que possui os frutos do Espírito, agindo com mansidão e ordem, ao comunicar seu pastor de sua decisão.

O crente nessa situação pode ainda permanecer na igreja, orando e clamando pela misericórdia de Deus. Mas neste caso sempre haverá o perigo da mistura de ensinamentos a que terá contato, como temos demonstrado neste estudo. Também não podemos deixar de considerar que Deus talvez queira que determinada igreja permaneça no erro e no engano, pois pode estar sendo testada por Deus, de tal modo que sejam identificados aqueles que preferiram acreditar em falácias humanas às verdades bíblicas.

Paulo falando aos crentes de Tessalônica, nos mostra que Deus às vezes nos testa:

“E por isso Deus lhes envia a operação do erro, para que creiam na mentira; para que sejam julgados todos os que não creram na verdade, antes tiveram prazer na injustiça.” 2Ts 2:11

A inclusão do Encontro em Marcos 16:16

Marcos, 16:16 – “Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado.”

A Bíblia nos ensina que quem crer e for batizado será salvo. Já no G12, todos têm que primeiramente crer, e em segundo lugar participar do Encontro com Deus para somente depois disto ser batizado. É claro que tal procedimento não é bíblico.

Os gedozistas acreditam que somente após o Encontro a pessoa está verdadeiramente arrependida, pois durante os três dias do retiro, todos são renovados, e aí então estão aptos para o batismo. Só não é explicado porque algumas pessoas participam do Encontro várias vezes. Será porque não se arrependeram o suficiente? Mas quanto é o suficiente? Acredito que o “suficiente” seja exatamente o ponto onde haja concordância com os métodos gedozistas.

Ainda sobre o batismo é notório o uso do Batismo como uma estratégia de marketing para divulgação do G12, pois durante o culto, são colocadas músicas triunfantes para a entrada daqueles que vão se batizar em suas túnicas brancas. Dentro da piscina de batismo entram além do pastor e do batizando, seu líder de célula, que não é pastor, mas que participa no ato do batismo.

A exigência da participação no Encontro e de santificação para o Batismo

Em nenhum ponto a Bíblia diz que deveríamos passar por um retiro espiritual de alguns dias, ou qualquer coisa semelhante. Na prática o que ocorre é que no G12 o fato da pessoa ter aceitado Jesus como seu Salvador, e o fato dos frutos do Espírito serem presentes na vida do novo crente não são suficientes para que este novo Cristão cumpra o mandamento de Jesus e se batize.

Quanto a santificação exigida por alguns líderes gedozistas para o batismo também não encontra respaldo bíblico visto que o batismo é um mandamento de Jesus. Logicamente a busca da santificação é algo permanente na vida do crente, mas exigir isto para o batismo é impedir o acesso ao batismo, visto que na prática todos somos e continuaremos sendo pecadores.

Além disto, vale destacar que o novo convertido, deverá participar do “Encontro” e para isto terá que pagar uma taxa referente às despesas de alimentação e acomodação. O valor não é excessivo, mas o problema é o fato de ser obrigatório, o que faz com que a pessoa sinta-se compelida a pagar ou em muitos casos, a pedir um empréstimo, ou ainda depender da caridade de seu líder que poderá “semear na vida dele” pagando as despesas do Encontro. O que torna tudo bem mais humilhante ao novo convertido.

As pessoas que eventualmente tenham vindo de outra denominação e desejem se tornar membros da igreja gedozista, será obrigado também a passar pelo Encontro e a freqüentar uma célula, pois somente assim poderá participar dos cursos oferecidos para os líderes.

Tais cursos visam basicamente ensinar os métodos de evangelismo e de multiplicação celular da doutrina gedozista sem um aprofundamento teológico. Esta forma de curso faz parte da doutrina de Castellanos como ele mesmo diz em seu livro:

“Deus seguiu sendo fiel e nos revelou a capacitação rápida com um programa piloto que chamamos de Escola de Líderes, dando um treinamento ágil no qual se combina a preparação bíblica com a prática, sem tomar temas muito profundos, compartilhando o fundamental: doutrina básica e a visão da igreja” (Sonha e ganharás o mundo, de César Castellanos, pg.84)

E após este curso de 6 meses, o líder está preparado para liderar sua célula, sempre buscando a multiplicação procurando identificar um líder em potencial dentre os freqüentadores de sua célula. Também se torna apto a aconselhar seus liderados.

O aconselhamento cristão deve ou deveria ser feito apenas por quem de fato estará firmado na Palavra antes, durante e após o aconselhamento. Existe de fato um risco e uma responsabilidade muito grande em aconselhar alguém. Dependendo do que for dito pelo aconselhador, o aconselhado poderá tomar atitudes que o conduzirão por águas tranqüilas ou por verdadeiros maremotos.

Ainda sobre aconselhamento cristão, vale citar Gary R. Collins, quando comenta sobre os objetivos singulares do aconselhamento:

Assim como os profissionais leigos, os cristãos procuram ajudar os aconselhandos a alterarem seus comportamentos, atitudes, valores e/ou percepções. Tentamos ensinar habilidades (inclusive habilidades sociais), encorajar o reconhecimento e a expressão das emoções, dar apoio em momentos de necessidade, incutir senso de responsabilidade, orientar a tomada de decisão, ajudar a mobilizar recursos internos e externos em períodos de crise, ensinar técnicas de resolução de problemas e aumentar a competência e o senso de “auto-realização” do aconselhando.

Entretanto, o conselheiro cristão vai mais longe. Ele procura estimular o crescimento espiritual do aconselhando e encorajar a confissão dos pecados para recebimento do perdão divino. Além disso, ajuda a moldar padrões, atitudes, valores e estilo de vida cristãos, apresenta a mensagem do evangelho, encoraja o aconselhando a entregar sua vida a Jesus Cristo e estimula-­o a desenvolver valores e padrões de conduta baseados nos ensinos da Bíblia, em vez de viver de acordo com as regras relativistas do humanismo.

Alguns criticam essa atitude, dizendo que isso é “misturar religião com aconselhamento”. Entretanto, ignorar questões teológicas é adotar as bases da religião do naturalismo humanista, sufocar nossa própria fé e dividir nossa vida em dois segmentos: um santo e outro profano. Nenhum conselheiro que se preze, seja ele cristão ou não, tenta impor suas crenças aos aconselhandos. Temos a obrigação de tratar as pessoas com respeito, dando-lhes total liberdade de tomar suas próprias decisões. Porém, um conselheiro honesto e autêntico não sufoca suas crenças, nem finge ser algo que não é.
(Gary R. Collins, Aconselhamento Cristão – Edição Século XXI, Edições Vida Nova)

No aconselhamento mal feito, há um perigo enorme, ou tremendo, como eles gostam de dizer: Como uma pessoa recém convertida, que aprendeu apenas os princípios básicos da Bíblia, poderá aconselhar qualquer pessoa? É fato sabido que aconselhamento é uma das atividades pastorais de mais responsabilidade, e que exige amplo conhecimento da palavra e discernimento.

O crente deve perdoar a Deus

Heresia!!! Não há como classificar de forma diferente este ato praticado durante os “Encontros com Deus”, em meio a uma oração realizada pelos líderes, onde o encontrista é exortado a liberar o perdão a todos que possam ter lhe provocado alguma mal em sua vida, inclusive a Deus, caso a pessoa tenha alguma mágoa na qual tenha culpado Deus. Isto chega às raias da insanidade.

Deus é, sempre foi e será eternamente perfeito. Não é possível que Deus cometesse qualquer erro que tornasse possível a nós, simples mortais, perdoá-Lo. Tal procedimento não existiu em nenhum ritual pagão antigo ou moderno, nem nas civilizações antigas, nem no Egito, nem na Babilônia, e muito menos na Bíblia, pois tal comportamento é uma aberração! Como pode o homem julgar-se na posição de perdoar a Deus de algo? Isto revela um completo afastamento das Escrituras por parte dos gedozistas, e por si só já seria motivo suficiente para condenar todo o movimento gedozista.

“As técnicas psicológicas ensinadas no “Manual de Realização do Encontro”, por sua vez, são de arrepiar qualquer cristão: pelas regras do G12, para que um indivíduo alcance a devida libertação dos traumas do passado (técnica de cura interior), é necessário que este tente visualizar o “encontro do espermatozóide do seu pai com o óvulo de sua mãe”. Depois da visualização de cada etapa de vida – no útero, durante a gestação, na infância até a idade adulta –, a pessoa deve perdoar àqueles que eventualmente tenham lhe causado sofrimento, sem esquecer ninguém – nem mesmo Deus. “Eles precisam liberar perdão às pessoas envolvidas em cada fase e até mesmo a Deus”, diz um trecho do manual.” (http://www.geocities.com/Athens/Marathon/5256/g12.html)

Aqueles que se autodenominam profetas e apóstolos

Recomendo ao leitor que medite neste versículo:

“Escreve ao anjo da igreja que está em Éfeso: Isto diz aquele que tem na sua destra as sete estrelas, que anda no meio dos sete castiçais de ouro: Eu sei as tuas obras, e o teu trabalho, e a tua paciência, e que não podes sofrer os maus; e puseste à prova os que dizem ser apóstolos e o não são e tu os achaste mentirosos;” Ap 2:1-2

Também me solidarizo com as opiniões de Wander de Lara Proença e do CACP Centro Apologético Cristão de Pesquisas.

“…Nele devem estar colocados os nossos olhos e a Ele, exclusivamente, devem ser direcionadas toda a glória e adoração!

Mas, hoje, infelizmente, muitos ainda continuam insistindo na construção de altares (tendas) para homenagear as “celebridades” que costumam se denominar “profetas” e “apóstolos” e acabam, muitas vezes, atribuindo-lhes a glória que é devida somente a Cristo. Há uma atração estética e um grande fascínio que é exercido pelos líderes religiosos no atual contexto evangélico brasileiro. Assim como no cristianismo medieval, em que o misticismo da espiritualidade popular fez com que apóstolos e mártires passassem a ser vistos como media­dores, com especial acesso à presença de Deus, hoje, também, a fasci­nação e o misticismo que envolvem determinados líderes evangélicos comprometem o chamado sacerdócio universal de todos os cristãos, pois se passa a acreditar que a oração de tais “celebridades” evangélicas, com dia e hora marcados, é que tem o poder de operar os milagres ou intermediar as bênçãos aos fiéis, como se o Espírito Santo se lhes estivesse sob controle ou monopólio.

Cria-se, com isso, uma dimensão de culto ao personalismo envol­vendo tais líderes, que passam a atrair para si mesmos os holofotes que deveriam estar apontados para Cristo. A projeção de sua imagem pessoal, que se dá, por exemplo, através dos títulos que procuram ostentar, como o de profetas e apóstolos, torna-se um eficiente mecanismo semiótico de iconização, conferindo-lhes um status em relação ao público para o qual dirigem sua mensagem, aproximando-os mais eficazmente do sagrado, pois tais termos carregam um apelo de intimidade com o divino que o termo pastor normalmente não consegue alcançar.

Desta forma, estabelece-se uma distinção representacional do líder em relação aos demais membros da igreja, fazendo com que se crie uma dependência dos fiéis em relação à sua pessoa. Tal aspecto acaba comprometendo o sacerdócio universal de todos os cristãos, pois, sutilmente, nega o livre acesso de todos à presença de Deus por intermédio de Jesus Cristo, além de não promover o exercício dos diferentes dons e ministérios concedidos pelo Espírito Santo, indistin­tamente e como lhe apraz, a todos os membros do corpo de Cristo.”

(Wander de Lara Proença , Respostas evangélicas a religiosidade brasileira, Edições Vida Nova, pg.176)

“Há mais de 180 anos o mormonismo vem pregando uma “restauração” da igreja primitiva composta por Profetas, Apóstolos, etc. Nesses últimos tempos uma doutrina parecida tem sido divulgada no Brasil por igrejas evangélicas em especial as adeptas do G12. Vale lembrar, que há séculos a Igreja Romana prega a doutrina da sucessão apostólica, tendo o Papa como sucessor de Pedro. O texto base de tais igrejas, normalmente é Ef. 4:11, tirado de seu contexto. Jesus escolheu doze apóstolos, dos quais Judas Iscariotes se suicidou, ficando 11. Depois Matias foi acolhido apóstolo para ser junto com os onze testemunha da ressurreição do Senhor (At 1:21-26), posteriormente Paulo, foi chamado pelo próprio Senhor para ser apóstolo e mesmo assim se considerava um abortivo, como nascido fora de tempo por ter sido o ultimo a ver o Senhor (1Co 15:7-9).

Se a instituição de apóstolos na igreja fosse algo necessário até a vinda do Senhor, Paulo não teria razão para fazer tal afirmação. Depois que morreu o ultimo apóstolo, nunca mais ninguém na igreja primitiva foi reconhecido ou ordenado Apóstolo. O dom de profecia é para a exortação edificação  e consolação, não para dirigir a vida de ninguém ou para transmitir ordenanças a igreja, e muito menos para dar “autoridade” sobre quem quer que seja (cf.1Co14.3).”
(CACP – www.cacp.org.br)

O Espírito Santo é um hóspede para Castellanos

“Ele é o mesmo Deus e sente, quando alguém peca; entristece-se quando um crente sofre; sofre com ele; quando alguém se aparta de Deus, Ele se retira dessa pessoa.”

(Castellanos, Sonha e ganharás o mundo, pg.110)

Vemos aqui mais um ensinamento contrário às Escrituras, que são claras quanto ao Espírito Santo fazer morada em nós a partir do momento em que aceitamos verdadeiramente Jesus como nosso único e suficiente Salvador, vindo após isto a manifestação dos frutos do Espírito e conforme a vontade do Pai a concessão de dons. A Bíblia declara:

“no qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus no Espírito.” Efésios 2:22

“Jesus respondeu e disse-lhe: Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada.” João 14:23

É proibido discordar

Quem for contra a “visão” está sob influência da Rainha dos Céus (ou endemoniado).

Sempre que alguém se levanta contra, ou critica o movimento do G12 e seus idealizadores, está endemoniado. Ou seja, qualquer discordância, é imediatamente apontada como fruto de obra maligna, sem importar de fato os pontos que estão sendo questionados. Ou seja, não é feita uma contestação puramente bíblica para apoiar o G12. Em diversos momentos é impossível ao gedozista argumentar sem usar a tal visão.

A atribuição de todos os males na vida do crente a ação do Diabo, é diminuir a responsabilidade que o cristão tem de se santificar a cada dia, ou seja, sempre que pecamos, geramos conseqüências, e iremos colher tais conseqüências. Portanto devemos assumir nossos erros e não creditar tudo a ação do inimigo de modo a nos absolver da responsabilidade que nos cabe.

Outra heresia apregoada pela liderança gedozista. Não existe nenhum versículo na Bíblia dizendo que para sermos abençoados ou salvos devemos crer em visões. Pelo contrário a Palavra nos alerta para ficarmos atentos e não crermos em visões e profecias que não encontrarem respaldo bíblico.

Crentes firmados na rocha, que conheçam a Palavra de Deus, não aceitarão nenhuma “visão” sem antes testá-la a exaustão. Como pode uma visão de Deus provocar tanta divisão e afastamento de membros das igrejas que se converteram ao G12? A resposta é: Se fosse de Deus não provocaria divisão de nenhuma espécie, pois pelo fruto conhecemos a arvore, e neste caso o fruto tem sido amargo e maligno. Temos conhecido centenas de pessoas que saíram de suas igrejas devido ao G12 e sua tradicional intolerância aos que discordam.

Vejamos o que o próprio Castellanos diz a respeito em seu livro nas pgs. 60-61, quando comenta a respeito de um pastor da liderança de sua igreja (MCI), logo no início:

“Mas o Senhor nos foi dando sabedoria para manejar a situação, mostrando-nos exatamente o que havia em seu coração e, pouco a pouco, fui-lhe tirando a autoridade até que, um ano depois, o enviei a dirigir uma sede que nunca avançou, enquanto estava sob sua responsabilidade. Chegou o momento preparado por Deus para que este homem saísse definitivamente da igreja e, junto com ele, se foram outros que, aparentemente eram nossos amigos”

É impressionante como Castellanos agiu neste caso. Ele planejou uma forma de afastar aquele homem que foi contra a “visão”, mas de uma forma desleal, pelas costas, enfim, não foi uma atitude de um Cristão. Este procedimento revela o verdadeiro caráter deste líder, que não mediu esforços para se livrar do que ele chama de “Pedras” de seu caminho. Ou seja, todo aquele que se manifestar contra é uma “pedra” enviada por satanás com o objetivo de destruir a “visão”.

Alguns versículos pertinentes:

“E disse Abrão a Ló: Ora, não haja contenda entre mim e ti e entre os meus pastores e os teus pastores, porque irmãos somos.” Gn 13:8

“Da soberba só provém a contenda, mas com os que se aconselham se acha a sabedoria”
Pv 13:10

“O homem perverso levanta a contenda, e o difamador separa os maiores amigos.” Pv 16:28

“Ai dos pastores que destroem e dispersam as ovelhas do meu pasto, diz o SENHOR.” Jr 23:1

Castellanos ensina seus discípulos a serem isolacionistas e a verem o G12 como vítima de satanás que usa as pessoas fazendo com que fiquem contra a “visão” e suas doutrinas.

Castellanos segue a mesma receita sectária do mormonismo, ao dizer que “quando há ataques, é sinal de que avançamos.” (Castellanos, Sonha e ganharás o mundo, pg.102)

Pensamento exatamente igual a maioria das seitas, como o mormonismo que vê José Smith, seu fundador, como um dos maiores perseguidos, e todos os mórmons da mesma forma. E sabe como o mormonismo supera essas “perseguições”? Simplesmente as ignoram, afastando-se e repudiando todas as pessoas que forem contra a “visão de José Smith” e sua conversa com Deus, Jesus, João Batista, que “apareceram” a José Smith, há quase dois séculos atrás. Alegam que são perseguidos por serem a única igreja verdadeira deixada pelo próprio Jesus numa “visão” complexa e anti-bíblica, onde por acaso também fazia parte um governo de 12 “profetas”, os quais existem até hoje. E esses “profetas” têm poder absoluto sobre seus fiéis, sendo que o que falam imediatamente é registrado em livros ou comunicados, pois os tais falam em nome de Deus… Quanta heresia, e quanta semelhança com o G12!

 

Discípulos de Jesus ou de homens?

O G12 tem como objetivo fazer discípulos para que posteriormente se transformem em líderes de células e que obrigatoriamente terão que se multiplicar, afinal a “visão gedozista” não sobrevive sem a multiplicação em progressões geométricas.

Ocorre que em meio ao frenesi da “Escola de líderes” e dos “Encontros com Deus”, o que percebemos é que determinados líderes acabam por acreditar que devem fazer discípulos para si próprios. Fui testemunha disto, quando vi líderes no retorno do “Encontro”, dizerem em pleno altar: “Estou muito feliz com MEUS discípulos!”.

A Bíblia fala que devemos fazer discípulos sim, mas não impõe nenhum método empresarial para isto, nem para os discipulados, nem para os discipuladores. Tal desvio da Palavra de Deus é compreensível visto que a liderança do G12 no Brasil (Igreja MIR do “Apóstolo” Renê Terranova) tem pregado justamente isto, e pior, tenta convencer-nos disto usando a Bíblia. Veja o que Terranova diz em seu site:

 “De quem são os discípulos que estou gerando?
Texto: Mt 9:14 “Então vieram ter com ele os discípulos de João…”

João continuava à beira do rio Jordão esperando pessoas para batizar. Se Jesus ainda não havia morrido, por que João estava batizando e fazendo discípulos? No dia em que João revelou o caráter messiânico de Jesus, restava-lhe apenas algo a fazer: cumpre-se hoje o meu ministério, tornar-me-ei discípulo de Jesus; e todos os outros discípulos de João viriam até Jesus. Mas, João nunca foi discípulo de Jesus. Ninguém mais que João sabia que Jesus era o Messias. Ele recebeu a revelação. Sua missão específica era proclamar este testemunho. Mas, esse homem continuou fazendo discípulos para si e não para Jesus. Assim também, podemos fazer discípulos à parte. Todo o homem de Deus que sai do propósito, que se insurge contra a liderança, perde o pescoço. Judas e João perderam o pescoço.” (http://www.mir.org.br/g12/eg050404.htm em 08/10/2004)

René Terranova rompeu de forma tempestiva com Castellanos em final de março de 2005, numa situação muito mal explicada até hoje. Tal rompimento infelizmente não significou um retorno às escrituras, pois Terranova continuou e continua até hoje usando os mesmos métodos do G12, tomando o cuidado apenas de não usar a expressão G12 pois esta sigla foi registrada pelo Castellanos, e hoje quem usá-la deverá de alguma forma pagar os devidos royalties à igreja de César Castellanos.

Terranova então, movido pelo espírito, segundo ele, rebatizou o método como Visão Celular, mas também faz uso de expressões como Movimento dos Doze ou M12.

Refutação bíblica:

João Batista foi um exemplo de cristão e não alguém que tenha se insurgido contra Deus, como Terranova insinua em seu texto. Veja o que Jesus disse:

“Em verdade vos digo que, entre os nascidos de mulher, não surgiu outro maior do que João, o Batista; mas aquele que é o menor no reino dos céus é maior do que ele.” Mt 11:11

E mais:

“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez. A vida estava nele e a vida era a luz dos homens. A luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela. Este veio como testemunha para que testificasse a respeito da luz, a fim de todos virem a crer por intermédio dele. Ele não era a luz, mas veio para que testificasse da luz, a saber, a verdadeira luz, que, vinda ao mundo, ilumina a todo homem.” Jo 1:1-9

Em Mateus 9:14, Jesus ensina a respeito do jejum: “Os discípulos de João Batista jejuavam como um sinal de pesar pelo pecado e para prepararem-se para a vinda do Messias. Os discípulos de Jesus não precisavam jejuar porque estavam com o Messias! Jesus não condenou o jejum; Ele mesmo jejuou (Mt 4:2). O Senhor Jesus Cristo enfatizou que o jejum deve ser feito pelas razões corretas.” [BEAP]

Sobre Judas e João terem “perdido o pescoço”, vemos uma manipulação da Palavra, pois de fato Judas se enforcou após ter delatado Jesus, mas João Batista nunca se “insurgiu” contra Jesus. Na verdade João Batista alertou ao rei Herodes que ele estava em pecado ao querer possuir Herodias, esposa de seu irmão Filipe. E então Herodias também se irou contra João e aproveitou a primeira oportunidade para pedir sua cabeça ao rei Herodes. E assim João de fato perdeu sua cabeça, mas em nenhum momento João Batista ficou contra Deus ou Jesus, e sim contra o rei Herodes porque ele estava pecando.

Vejamos a questão dos discípulos de João Batista com mais atenção:

“Depois disto foi Jesus com seus discípulos para a terra da Judéia, onde se demorou com eles e batizava. Ora, João também estava batizando em Enom, perto de Salim, porque havia ali muitas águas; e o povo ia e se batizava. Pois João ainda não fora lançado no cárcere. Surgiu então uma contenda entre os discípulos de João e um judeu acerca da purificação. E foram ter com João e disseram-lhe: Rabi, aquele que estava contigo além do Jordão, do qual tens dado testemunho, eis que está batizando, e todos vão ter com ele. Respondeu João: O homem não pode receber coisa alguma, se não lhe for dada do céu. Vós mesmos me sois testemunhas de que eu disse: Não sou o Cristo, mas sou enviado adiante dele. Aquele que tem a noiva é o noivo; mas o amigo do noivo, que está presente e o ouve, regozija-se muito com a voz do noivo. Assim, pois, este meu gozo está completo. É necessário que ele cresça e que eu diminua. Aquele que vem de cima é sobre todos; aquele que vem da terra é da terra, e fala da terra. Aquele que vem do céu é sobre todos. Aquilo que ele tem visto e ouvido, isso testifica; e ninguém aceita o seu testemunho. Mas o que aceitar o seu testemunho, esse confirma que Deus é verdadeiro.” Jo 3:22-33 (grifos acrescentados)

O testemunho final de João Batista (3.22-4.3)

Estes versos apresentam a realização de certos batismos que, aparentemente, não se entrosam com a tradição, nem a apresentação nos Evangelhos sinóticos das respectivas missões de Jesus e João Batista. Uma solução deste problema é aquela que considera a narrativa como interpolação apologética, acrescentada por um redator que queria demonstrar a superioridade do batismo cristão ao rito legalista de purificação. Entretanto, não há razão para duvidar da historicidade da narrativa. «Acreditamos que neste ponto a obra de Jesus e de seu precursor se entrosam perfeitamente» (Westcott). Os discípulos batizavam na Judéia, enquanto João batizava em Enom (23).

João ainda não tinha sido lançado na prisão (24). A oportunidade para o testemunho final do Batista a respeito de Jesus surge da disputa entre os discípulos de João e outro judeu (25). A disputa girava em torno de purificação. Os discípulos de João estavam enciumados, devido à popularidade de Jesus (26). João atribui, magnanimamente, tais sucessos aos favores de Deus (27), e relembra aos seus seguidores a natureza preparatória da sua própria missão, e sua subordinação a Jesus (28). João ilustra sua relação com Jesus, tirando uma Ilustração do Velho Testamento, que fala da relação de Deus com o «sua noiva Israel» (Is 54.2-10). João é apenas o amigo do noivo, a quem compete procurar a noiva para o noivo, e preparar todas as coisas necessárias para o casamento.

A responsabilidade inclui a preparação do contrato de casamento e, mais ainda, obriga-o a permanecer diante da câmara nupcial até ouvir a voz do noivo. Foi motivo de alegria para João que o povo se uniu em torno de Jesus, pois isto constituiu o selo do seu próprio ministério (29). «A alegria do precursor na cena evangélica não é diminuída pelo fato de a obra de Jesus ser culminada num ato de sacrifício» (Jo 1:29). (Hoskyns, The Fourth Gospel). Convém que ele cresça e que eu diminua (30). A estrela da manhã entra em ocaso quando nasce o sol na sua glória. E assim que o porta-voz João cede lugar para o Cristo. Nos vers. 31-36, o pensamento torna-se mais abstrato. Com toda probabilidade, estes versos representam as meditações do escritor. O Messias é de origem divina, portanto, único e supremo. O evangelista compara o caráter da obra messiânica com a do Batista, «quem vem da terra» (31). Os ensinos de Cristo dão relevo à Sua origem celestial. Jesus Cristo testificava o que havia visto e ouvido do Pai, e nenhum homem destituído da iluminação divina pode receber este testemunho (32). O homem nascido do Espírito põe à prova a Palavra de Deus, autenticando-a na sua própria experiência (33). Cristo é embaixador de Deus aos homens; portanto, confiar nEle é certificar-se da verdade de Deus.

(Novo Comentário Bíblico, Edições Vida Nova, 2003)

João não manteve discípulos para si após ter batizado Jesus, pelo contrário, os exortou a seguirem Jesus, o que fica claro neste versículo de João:

“Este é aquele que vem após mim, que foi antes de mim, do qual eu não sou digno de desatar as correias das sandálias.” João 1:27

“É necessário que ele cresça e que eu diminua.” Jo 3:30

“Aquele que crê no Filho tem a vida eterna, mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece.” Jo 3:36

Tornar-se discípulo de Jesus deve ser o objetivo do crente, no entanto nunca foi tarefa simples:

“Se alguém vier a mim e não aborrecer a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs, e ainda também a sua própria vida, não pode ser meu discípulo.” Lc 14:2

“E qualquer que não levar a sua cruz e não vier após mim não pode ser meu discípulo.” Lc 14:2

Mas, Isaías descreve com perfeição de quem devemos ser discípulos:

“E todos os teus filhos serão discípulos do SENHOR; e a paz de teus filhos será abundante.”  Is 54:13

A diminuição da cruz diante da valorização do Encontro

A salvação do crente ocorre quando ele aceita Jesus e o milagre da cruz, pois Jesus se fez maldito por nós, nos salvando do pecado e nos dando a vida eterna. Logicamente a vida do crente deve ser uma luta diária pela santificação, visto que vivemos no mundo governado pelo inimigo que fará de tudo para nos desviar de um caminho de vitória. No entanto a salvação é conquistada quando cremos na cruz e seu significado. A mensagem que o G12 passa é que somente após o Encontro o Cristão estará preparado para o batismo, ou para a vida cristã, visto que no Encontro é feita uma limpeza espiritual onde os pecados antigos são queimados em uma “fogueira santa”, num ritual muito semelhante aqueles encontrados no paganismo.

Na verdade o Encontro é desnecessário para a Salvação e em nenhum momento deveria ser obrigatório para o batismo, pois não faz parte dos ensinamentos da sã doutrina. Qualquer cristão tem acesso ao Pai, que é fiel e justo para nos perdoar, e isto sem necessidade de ir a nenhum encontro realizado por homens, pois o único a quem devemos encontrar é Deus, que e manifesta através de sua Palavra.

“Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.” 1Jo 1: 9

A salvação transforma o caráter em definitivo sem necessidade de “Encontros”. Para obtermos o perdão de Deus, basta pedir perdão a Ele, munido de um arrependimento sincero e verdadeiro, e sempre olhando para a cruz onde Deus através de Seu filho em sua infinita graça e misericórdia, decidiu salvar a todos aqueles que crerem em Jesus.

“Pelo que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.” 2Co 5:17

“Mas todas as coisas provêm de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Cristo, e nos confiou o ministério da reconciliação;  pois que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões; e nos encarregou da palavra da reconciliação.” 2Co 5:18-19

“Justificados, pois, pela fé, tenhamos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo, por quem obtivemos também nosso acesso pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e gloriemo-nos na esperança da glória de Deus. E não somente isso, mas também gloriemo-nos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a perseverança, e a perseverança a experiência, e a experiência a esperança; e a esperança não desaponta, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.” Rm 5:1-5

“Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus. Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte. Porquanto o que era impossível à lei, visto que se achava fraca pela carne, Deus enviando o seu próprio Filho em semelhança da carne do pecado, e por causa do pecado, na carne condenou o pecado. para que a justa exigência da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito. Pois os que são segundo a carne inclinam-se para as coisas da carne; mas os que são segundo o Espírito para as coisas do Espírito. Porque a inclinação da carne é morte; mas a inclinação do Espírito é vida e paz. Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem em verdade o pode ser; e os que estão na carne não podem agradar a Deus. Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele. Ora, se Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o espírito vive por causa da justiça. E, se o Espírito daquele que dos mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele que dos mortos ressuscitou a Cristo Jesus há de vivificar também os vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que em vós habita. Portanto, irmãos, somos devedores, não à carne para vivermos segundo a carne; porque se viverdes segundo a carne, haveis de morrer; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis. Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus. Porque não recebestes o espírito de escravidão, para outra vez estardes com temor, mas recebestes o espírito de adoção, pelo qual clamamos: Aba, Pai! O Espírito mesmo testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus; e, se filhos, também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo; se é certo que com ele padecemos, para que também com ele sejamos glorificados.” Rm 8:1-17

“Eis que foi para minha paz que eu estive em grande amargura; tu, porém, amando a minha alma, a livraste da cova da corrupção; porque lançaste para trás das tuas costas todos os meus pecados.” Is 38:17

“E não ensinarão mais cada um a seu próximo, nem cada um a seu irmão, dizendo: Conhecei ao Senhor; porque todos me conhecerão, desde o menor deles até o maior, diz o Senhor; pois lhes perdoarei a sua iniqüidade, e não me lembrarei mais dos seus pecados.” Jr 31:34

“Porque serei misericordioso para com suas iniquidades, e de seus pecados não me lembrarei mais.” Hb 8:12

“Quem é Deus semelhante a ti, que perdoas a iniqüidade, e que te esqueces da transgressão do resto da tua herança? O Senhor não retém a sua ira para sempre, porque ele se deleita na benignidade. Tornará a apiedar-se de nós; pisará aos pés as nossas iniqüidades. Tu lançarás todos os nossos pecados nas profundezas do mar.” Mq 7:18-19

Confissão de pecados a líderes

Nem sempre é uma prática ostensiva, pois a implantação tende a ocorrer na medida do “amadurecimento” do liderado. Para tanto pedem que os liderados escrevam em um caderninho uma espécie de devocional, ou suas orações, e após isto entreguem os caderninhos aos seus líderes.

“Confessai, pois, os vossos pecados uns aos outros e orai uns pelos outros, para serdes curados. Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo.” Tg 5:16

Esse texto tem sido usado para tentar provar que, temos que confessar nossos pecados para sermos de alguma forma, libertos. Certa vez ouvi um dos integrantes de uma banda gospel, vinculada a uma comunidade que pratica o G12, dizer que quem não confessar seus pecados aos seus pastores ou lideres, para que eles liberassem a “benção do perdão”, sofreriam ações diabólicas. Isso parece a  doutrina católico romana da confissão auricular. O Texto Bíblico acima se refere ao ensino de Jesus, sobre perdoar o irmão que pecar contra nós. Tiago está exortando a igreja à reconciliação e ao perdão mutuo. Veja, que antes dele falar em cura, ele fala em oração: “orai uns pelos outros para serem curados” é a ação divina em resposta a oração que cura e restaura, física e espiritualmente e não a confissão auricular. Somente a Deus devemos confessar nossos pecados. (CACP)

Talvez por acreditar na necessidade de confessar pecados a homens e não a Deus, Castellanos diga em seu livro que a oração do pecador não tem eficácia:

“A oração é como um projétil teledirigido que sempre atinge o alvo. Mas este projétil espiritual é efetivo na medida em que não está viciado pelo pecado, nem por nenhuma contaminação pessoal.” (Castellanos, Sonha e ganharás o mundo, pg.114)

Afora a linguagem de guerrilha, vemos aqui um sinal claro de que os gedozistas acreditam que são santos, pois se a oração do pecador não é eficaz, mas a deles é, nada mais lógico do que supor que são santos. (impressionante!) Mais uma vez vemos aqui um sinal típico da arrogância sectária de se acharem os únicos corretos.

Dizer que nossa oração está contaminada pelo pecado e por isto não seria eficaz, é uma MENTIRA. Se isto fosse verdade ninguém neste mundo estaria capacitado para orar, pois não há um justo sequer (Rm 3:10). A oração do crente é eficaz SIM. Graças a Deus temos o Espírito Santo que intercede por nós, pois somos fracos e muitas vezes nem sabemos orar:

“Do mesmo modo também o Espírito nos ajuda na fraqueza; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o Espírito mesmo intercede por nós com gemidos inexprimíveis.” Rm 8:26

Teologia da Prosperidade

Durante os cultos são pregadas mensagens enfocando a prosperidade financeira, quando a verdadeira prosperidade resume-se a ser feliz sem passar nenhum tipo de necessidade. Mensagens do tipo: Dízimo é para abençoar o que chega em suas mãos e oferta é para sua prosperidade, são típicas da “teologia da prosperidade”. Tais ensinamentos não são bíblicos e não encontram respaldo na Palavra de Deus.

A ênfase nas pregações sobre dízimos e ofertas, bem como sobre mordomia Cristã, é uma característica das igrejas do novo paradigma, pois grande parte destas igrejas estão envolvidas em obras de ampliação da igreja, nem sempre por necessidade, mas sim para atender ao “comando do espírito santo” que diz que devem primeiro construir e depois encher. Se por um lado a “visão” é empresarial, peca por não agir como um empresário responsável, que jamais gasta além do que pode. Vejamos o que diz o Pr. João Flávio do CENTRO APOLOGÉTICO CRISTÃO DE PESQUISAS:

Trata-se de uma substituição do Evangelho da Graça, pelo  “evangelho” da ganância. Oral Roberts, um dos principais pregadores dessa heresia, chegou a escrever um livro intitulado “How I learned Jesus Was Not Poor” (Como aprendi que Jesus Não foi Pobre) É comum ouvimos da boca  dos pregadores da prosperidade coisas do tipo: “ Você é filho do Rei, não tem por que levar uma vida derrotada.” A principio uma frase dessas pode até pode parecer ortodoxa. Mas, o que muitos talvez não saibam, é que para esses pregadores, “vida derrotada”=ser pobre, ter dificuldades financeiras, ficar doente etc.. T.L Osborn, ensina em seu livro Curai Enfermos e Expulsai Demônios , que Paulo jamais esteve doente contradizendo o seguinte texto:

“E vós sabeis que vos preguei o evangelho a primeira vez por causa de uma enfermidade física. E, posto que a minha enfermidade na carne vos foi uma tentação, contudo, não me revelastes desprezo nem desgosto; antes, me recebestes como anjo de Deus, como o próprio Cristo Jesus”.(Gal.4.13,14). É interessante saber que Osborn no começo de seu ministério se apoiou em líderes heréticos como William Marrion Branham.

T. L. Osborn, no folheto intitulado Um Homem Chamado William Branham, escreveu o seguinte: “Esta geração está incumbida: uma geração na qual Deus tem caminhado em carne humana na forma de um Profeta. Deus tem visitado seu povo. Porque Um grande Profeta Tem-se Levantado entre Nós” Osborn trata a pessoa de Branham como se fosse o próprio Deus. Em outro lugar no mesmo folheto, diz: “Deus tem enviado o irmão Branham no século 20 e tem feito a mesma coisa. Deus em carne, novamente passando por nossos caminhos, e muitos não o conheceram. Eles tampouco o teriam conhecido se tivessem vivido no tempo em que Deus cruzou seus caminhos no corpo chamado Jesus, o Cristo.”

A teologia da prosperidade une o fútil ao desagradável, ou seja, é uma mistura de ganância e comodismo. Os adeptos da teologia da prosperidade acham que nós temos direito de reivindicarmos o que quisermos de Deus, esquecendo da soberania divina. Cito abaixo alguns textos bíblicos, que refutam esse evangelho falso, que promete ao homem uma vida de prosperidade material, atiçando-lhe a ganância:

“Não ajunteis para vós tesouros na terra; onde a traça e a ferrugem os consomem, e onde os ladrões minam e roubam; mas ajuntai para vós tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem os consumem, e onde os ladrões não minam nem roubam.” Mt 6:19-20

“Se alguém ensina alguma doutrina diversa, e não se conforma com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo, e com a doutrina que é segundo a piedade, é soberbo, e nada sabe, mas delira acerca de questões e contendas de palavras, das quais nascem invejas, porfias, injúrias, suspeitas maliciosas, disputas de homens corruptos de entendimento, e privados da verdade, cuidando que a piedade é fonte de lucro; e, de fato, é grande fonte de lucro a piedade com o contentamento. Porque nada trouxe para este mundo, e nada podemos daqui levar; tendo, porém, alimento e vestuário, estaremos com isso contentes. Mas os que querem tornar-se ricos caem em tentação e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, as quais submergem os homens na ruína e na perdição. Porque o amor ao dinheiro é raiz de todos os males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores. Mas tu, ó homem de Deus, foge destas coisas, e segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a constância, a mansidão.,” 1Tm 6:3-11

Logos e Rhema

Todos que frequentam alguma igreja gedozista ou qualquer um dos movimentos clones do G12, já deve ter ouvido seu pastor fazer uma enorme diferenciação entre logos e rhema, para justificar o porque de alguns não aceitarem a visão ou do motivo de haverem tantos que discordam deste movimento.

Na verdade essa doutrina que diferencia tão enfaticamente a palavra logos da rhema não é bíblica. Fico com as palavras do pastor Eronildes DaSilva, quando comenta a sobre esse tema:

Os apologistas da confissão positiva fazem um “cavalo de batalha” sobre os termos gregos logos e rhema que significam palavra, dizendo que há uma distinção entre eles no sentido de que logos é a Palavra escrita, revelada de Deus, e que rhema é a palavra dita, expressa de Deus, que faz com que as coisas sejam realizadas. Desta forma, eles afirmam que podemos usar a palavra rhema para realizarmos no mundo espiritual e físico aquilo que desejamos.

Entretanto, na Palavra de Deus não há sequer uma distinção teológica entre estes dois termos. Todo estudante da teologia sabe que os nomes sempre aparecem na Bíblia para designar uma função ou estado de um ser ou objeto. Por exemplo: o nome Jeová é o designativo da Divindade quando foi manifestada no tempo para a redenção de Israel; e El-Shadai para suprir a necessidade do povo a fim de que a promessa feita a Abraão fosse cumprida na sua totalidade (Êxodo 6.3). E quanto à ênfase dada por Jesus, “em meu nome expulsarão os demônios”, nunca quis ele dizer que seria no poder do nome em si, mas na autoridade da pessoa que o nome se refere ­ Jesus Cristo! A ênfase de Pedro (refiro-me à defesa feita por mim quanto à fórmula do batismo nas águas na Teologia dos Três Batismos), no capítulo dois, e versículo 38 de Atos dos Apóstolos:“e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo”, não contradiz o mandamento do Senhor,“batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”. Na Bíblia Sagrada, nome é o símbolo de autoridade. A sentença grega epi to onomati Iesou Christou “em nome de Jesus Cristo”, explicita que o batismo deve ser feito na autoridade do nome de Jesus. A preposição grega epi – em nome, de Atos 8.38; a en – no nome, de Atos 10.48 e eis – pelo nome, implica autoridade proprietária e direta legada à uma pessoa! Portanto, acrescentar valores superbos aos nomes mais do que às pessoas que eles representam, seria fabricar uma doutrina panteísta!

O Dr. Russel Shedd afirmou que Pedro não fez distinção sobre estes termos em sua primeira carta, capítulo 1.23-25: “Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra (logos) de Deus, viva que permanece para sempre. Porque toda a carne é como a erva, e toda a glória do homem como a flor da erva. Secou-se a erva, e caiu a sua flor; Mas a palavra (rhema) do Senhor permanece para sempre; e esta é a palavra (rhema) que entre vós foi evangelizada”. Como podemos ver, na mente do apóstolo não havia distinção entre estas palavras. Sendo assim fica desfeita a pretensão daqueles que querem forçar uma interpretação e aplicação errônea destes termos.  

(Rev. Eronides DaSilva, ABU – Aliança Bíblica Universitária, Sepoangol World Ministries)

Práticas judaizantes

No G12 existe uma forte simpatia pelo judaísmo. Nas igrejas que usam os métodos da igreja em células ou movimento celular ou G12, é muito comum verem-se bandeiras de Israel, pessoas tocando shofares para “chamar” o Espírito Santo, como se isto fosse preciso, ou como se o Espírito não habitasse em nós.

Devemos amar o povo judeu, mas isto não significa que devamos imitá-lo, pois como todos sabemos os judeus não reconhecem Jesus Cristo como Messias (exceto os judeus cristianizados). Além disto práticas como a guarda do sábado, realização de festas judaicas tradicionais, utilização de várias músicas judaicas, etc., não encontram respaldo na Nova Aliança revelada no Novo Testamento por Jesus.

Veja o que o Pr. João Flávio diz sobre isto:

Valnice Milhomens, em entrevista à revista Vinde (atual Eclésia) declarou:
“Meu contato com Israel me mostrou várias coisas, como os dias proféticos, as alianças: seis dias trabalharás e ao sétimo descansarás. Êxodo 31 declara que o sábado é o sinal de uma aliança perpétua e da volta de Cristo.”

A Sra.Milhomens, contradiz frontalmente o ensino neotestamentario do fim da Lei mosaica em Cristo Jesus ( Rom.14.5, Col 2.16, Ef.2.15, Gal.3.23-25). Da mesma forma a circuncisão era uma aliança perpétua e nem por isso ela a instituiu em sua igreja (Gn 17:10-14). Esta Sra, já chegou declarar que Jesus vai vir em um Sábado de 2007, sendo que o próprio Senhor Jesus, declarou que o dia e a hora de sua vinda ninguém sabe. (Mt 24:36,43,50, Mt 25:13)

MIR:
As festas bíblicas são ordens sagradas do Senhor. Elas não são apenas judaicas; são, antes de mais nada, do Senhor, declaradas como estatuto eterno (Lv. 23:1-44). (www.mir.org.br)   

O Encontro de Levitas é um Encontro voltado para o resgate do Ministério Levítico dentro da Visão Celular no Governo dos 12. Esse encontro traz princípios e conceitos  sobre os levitas, todo o histórico desde o seus surgimento até os nossos dias. (www.mir.org.br)

Com respeito a celebrar a festa dos tabernáculos veremos como era observada:

“Fala aos filhos de Israel, dizendo: Aos quinze dias deste mês sétimo, será a Festa dos Tabernáculos ao SENHOR, por sete dias. Ao primeiro dia, haverá santa convocação; nenhuma obra servil fareis. Sete dias oferecereis ofertas queimadas ao SENHOR; ao dia oitavo, tereis santa convocação e oferecereis ofertas queimadas ao SENHOR; é reunião solene, nenhuma obra servil fareis. São estas as festas fixas do SENHOR, que proclamareis para santas convocações, para oferecer ao SENHOR oferta queimada, holocausto e oferta de manjares, sacrifício e libações, cada qual em seu dia próprio,” Lv 23:34-37

Resta saber se  eles  realmente observam a Festa dos Tabernáculos como está prescrito na Lei. Se eles não observam dessa forma, não estão observando o preceito. Se observam, estão anulando o sacrifício de Cristo, oferecendo holocaustos e sacrifícios. Isso mostra o grau de apostasia em que a MIR está envolvida. O Apóstolo Paulo deixa bem claro que não precisamos observar os dias santos e cerimônias judaicas (Cl 2:16, Gl 4:9-11).

Levitas? Que absurdo! Não existe mais ministério levítico nos dias atuais. O ministério levítico como o próprio nome já diz se refere aos integrantes da tribo de Levi. Portanto é heresia grosseira querer instituir esse ministério na igreja. O Novo Testamento ensina que o ministério  levítico cumpriu sua função e foi substituído pelo ministério de Cristo. Hb 7:5-28

(do CACP – www.cacp.org.br)

Diminuindo o valor do pastor

Para ele o “Pastor da Igreja é o Espírito Santo”, enquanto que ele (o Pastor Castellanos) “é apenas o colaborador” (Sonha e ganharás o mundo, pg. 107-108).

Mas que inversão de valores! A Bíblia Sagrada nos afirma que o Pastor é o “apascentador do rebanho de Deus” (At 20:28) e responsável pela “pregação e doutrina da Igreja” (2 Tm 4:1-4), enquanto que o Espírito Santo é o que habita em todo crente salvo (Jo 14:16-17 e 1Co 3:16) e adverte a Igreja contra a apostasia (1Tm 4:1-2), além de outros atributos.

Em lugar algum das sagradas escrituras, encontramos Jesus, os apóstolos, ou o próprio Deus dizendo que quem pastoreia a Sua igreja seja o Espírito Santo. São homens, sim, escolhidos por Ele (Deus) para tomar conta do rebanho dEle, apascentar os salvos por seu Filho Jesus (Ef 4:11-12). Esse pastor gosta de inverter as coisas. E como gosta! [www.conscienciacrista.org.br]

O que importa é quantidade e não a qualidade dos crentes

O apóstolo Paulo deixou bem claro a importância de amadurecermos na fé, e isto significa nos aprofundarmos no conhecimento da Palavra, de tal modo que deixemos de ser crianças na fé, que se alimentam de leite espiritual, e sim que passemos aos alimentos sólidos do conhecimento do reino de Deus. Por outro lado a qualidade do crente, ou sua maturidade, é a mola que impulsionará essa pessoa a semear a Palavra na vida de outras pessoas de tal modo a leva-las a uma conversão verdadeira e eterna.

“Mas o mantimento sólido é para os perfeitos, os quais, em razão do costume, têm os sentidos exercitados para discernir tanto o bem como o mal.” Hebreus 5:14

Já o fundador da MCI, pensa bem diferente:

“Todo aquele que quer avaliar o êxito de um ministério, necessariamente terá que se remeter ao seu crescimento na área espiritual e a sua multiplicação numérica. Só aqueles que se movem guiados por um espírito de conformismo argumentarão que é mais importante a qualidade do crente que a sua quantidade em uma igreja”. (Castellanos, Sonha e ganharás o mundo, pg.68)

Infelizmente, a baixa qualidade das pregações e ensinamentos, é um fato no meio gedozista, pois se o foco central é a multiplicação das células e para isto o evangelismo assume um caráter vital, os ensinamentos não passam do leite espiritual perigosamente envenenado por doutrinas estranhas à sã doutrina.

Jejuns criativos

O ato de jejuar e de orar de fato devem fazer parte da vida do crente, no entanto, alguns jejuns chamam a atenção pela originalidade, como por exemplo o jejum de fermento (baseado em Ex.12:15), onde não se pode comer nada que contenha fermento, de forma muito semelhante ao jejum dos pães asmos do judaísmo.

Outro jejum que chama a atenção é o “Jejum das Delícias”, onde a pessoa deve escolher alguns alimentos deliciosos de sua preferência e abdicar deles por um período de tempo. Este jejum, particularmente me chama a atenção em função da passagem abaixo do livro de Timóteo, que nos fala sobre a apostasia nos últimos tempos:

“Mas o Espírito expressamente diz que, nos últimos tempos, apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios, pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência, proibindo o casamento e ordenando a abstinência dos manjares que Deus criou para os fiéis e para os que conhecem a verdade, a fim de usarem deles com ações de graças; porque toda criatura de Deus é boa, e não há nada que rejeitar, sendo recebido com ações de graças, porque, pela palavra de Deus e pela oração, é santificada.” 1Tm 4:1-5

A administração da igreja no G12

A igreja segue as ordens de um pastor, que possui um grupo de 12 líderes de células, os quais têm por trás de si uma rede de células sempre baseadas preferencialmente no formato de 12 pessoas, pois quando uma célula atinge número maior de membros torna-se madura e divide-se de modo a atender as metas de multiplicação. Todo líder tem por objetivo multiplicar evangelizando pessoas novas, e é cobrado nesse sentido visto que se sua célula não multiplicar num determinado tempo pode perder a liderança da célula. Surge então um sistema empresarial onde há uma hierarquia a ser obedecida e cobranças quanto a produtividade. A vida do líder passa então a uma constante busca de um outro líder dentre os freqüentadores de sua célula, e os textos pregados dentro da célula fazem parte de uma apostila, não devendo de um modo geral, fugir do roteiro pré-fixado. Tal roteiro foca a evangelização, o que é louvável, mas sem o amadurecimento na palavra, fica impossível o cristão se firmar na rocha, e ficar vacinado contra seitas e heresias.

Todos os líderes são submetidos a cursos onde aprendem as técnicas para gerir sua célula e como identificar seus futuros líderes, pois a evangelização terá fim num certo ponto, onde esse líder passará a liderar seu grupo de sub-líderes e assim por diante numa progressão geométrica.

A multiplicação é fundamental, e em torno disto gira todo o esquema do G12. Esquecendo-se que é Deus quem nos escolhe, e querendo fazer a obra do Espírito Santo, o movimento passa sua mensagem de modo a deixar o crente com a consciência pesada, caso não consiga multiplicar.

“Quem não se reproduz, está afetando a possibilidade de conversão de milhares de vidas.” (Castellanos, Sonha e ganharás o mundo, pg.80)

Esse modelo administrativo eclesiástico da igreja é uma formula que mantém os membros da igreja afastados dos pastores titulares da igreja, pois os fiéis terão que se aconselhar quando precisarem com seus respectivos líderes de células que por sua vez se aconselharão com seus próprios líderes imediatamente acima. Resumindo a figura do pastor de igreja é pulverizada, aumentando sobremaneira o risco de falsos pastores dentro do corpo de Cristo. Além disto, os pastores titulares passam seu tempo cuidando basicamente do material dos cursos e dos 12 líderes principais participando apenas dos processos administrativos e da pregação dominical. Tais pregações invariavelmente são evangelísticas, entretanto a falta de alimento sólido tornará a igreja imatura a médio e longo prazo.

A liderança de célula tem como pré-requisito, possuir o caráter de Cristo, que embora seja inatingível, deveria ser a busca de qualquer Cristão. Já o pastor de ovelhas supõe-se que tenha dom para isto, e um chamado para tal.. Nunca é demais lembrar:

“Aos anciãos, pois, que há entre vós, rogo eu, que sou ancião com eles e testemunha dos sofrimentos de Cristo, e participante da glória que se há de revelar: Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, não por força, mas espontaneamente segundo a vontade de Deus; nem por torpe ganância, mas de boa vontade; nem como dominadores sobre os que vos foram confiados, mas servindo de exemplo ao rebanho. E, quando se manifestar o sumo Pastor, recebereis a imarcescível (incorruptível) coroa da glória. Semelhantemente vós, os mais moços, sede sujeitos aos mais velhos. E cingi-vos todos de humildade uns para com os outros, porque Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes.” 1Pedro 5:1-5

Tal unção não pode ser dividida ou repassada para outros. O pastor deve cumprir suas funções pastorais cuidando amorosamente de cada ovelha do rebanho. O argumento de que quando a igreja fica grande demais não dá para o pastor cuidar não se justifica, pois neste caso deve-se acrescentar mais pastores, formando assim um corpo de pastores. Mas a medida desse crescimento deve ser dada pelo Espírito Santo e não por metas humanas e nem por regras matemáticas de multiplicações e progressões geométricas.

O Treinamento é realizado pela escola de líderes de cada igreja. Aqui são preparados os discipuladores que irão dirigir as células e executar o programa de discipulado. A tendência é de cursos breves de baixa qualidade, visto que não se aprende teologia em 2 ou 3 meses. O objetivo é que cada participante ou seguidor do G12 alcance os seus 144 discípulos. Por fim, ocorre o Envio, quando os líderes treinados assumem a liderança de grupos em células, sempre de 12 pessoas, as quais estarão em treinamento para assumirem a liderança de outros 12 e assim progressivamente.

O autor é de fato ousado, ou melhor, prepotente, pois comenta:

“Não vejo outro modelo que possa ser mais efetivo que este para uma multiplicação em todas as áreas da igreja. Funcionou com Jesus. Vem funcionando com a Missão Carismática Internacional desde 1994,…” (Castellanos, Sonha e ganharás o mundo, pg.81)

Foco somente em evangelismo: Uma igreja em desequilíbrio

No modelo neotestamentário a igreja se reunia para o crescimento espiritual, edificação, adoração e consolação, onde todos buscavam o amadurecimento na Palavra através de estudos profundos (alimento sólido). Terminadas as reuniões a igreja se espalhava para evangelização, quer seja pelo contato direto boca a boca ou pelo testemunho de vida pessoal, sendo tudo feito em amor.

Já no G12 percebemos um grande desequilíbrio, pois as pregações são basicamente evangelísticas em função da preocupação exagerada com a multiplicação dos membros, e conseqüente crescimento da igreja, que ocorre em alguns casos, mas as conversões que acontecem nos apelos constantes são questionáveis, pois na prática se percebe que muitos não tiveram uma real consciência do ato que fizeram, ou seja, querem Jesus como Salvador mas não como Senhor de suas vidas.

Por isto o mais saudável numa igreja são reuniões e cultos onde todos sejam edificados com alimento sólido, crescendo em amor e no conhecimento das coisas de Deus e da Palavra, pois agindo desta forma as conversões ocorrerão naturalmente (quando a igreja se espalhar), de forma muito mais sólida e permanente.

Nos versículos a seguir vemos como Paulo valorizava o conhecimento da Palavra:

“Leite vos dei a beber, não vos dei alimento sólido; porque ainda não podíeis suportá-lo. Nem ainda agora podeis, porque ainda sois carnais.” 1Co 3:2

“Pois, com efeito, quando devíeis ser mestres, atendendo ao tempo decorrido, tendes, novamente, necessidade de alguém que vos ensine, de novo, quais são os princípios elementares dos oráculos de Deus; assim, vos tornastes como necessitados de leite e não de alimento sólido.” Hb 5:12 

“Mas o alimento sólido é para os adultos, para aqueles que, pela prática, têm as suas faculdades exercitadas para discernir não somente o bem, mas também o mal.” Hb 5:14 

Caráter de Cristo

Através da “Escola de Líderes”, o G12 acredita que transformará o caráter dos participantes, e que todos ao final do cursinho terão o caráter de Cristo, e estarão preparados para serem líderes de células. Na prática, o orgulho e a vaidade, são visíveis em alguns líderes de células que vão compondo uma espécie de elite na igreja.

Sobre o caráter de Cristo que o gedozista busca possuir e coloca como característica inerente aos líderes, vale destacar que todos os doze escolhidos por Jesus tiveram um caráter diferente do Senhor Jesus, que foi e sempre será Santo ao passo que no mundo não há um justo sequer. Veja: Judas era um dos doze, mas traiu a Cristo; o apóstolo João era bastante ciumento; Pedro, um homem de pouca fé. Além disso, de acordo com Malaquias 3.6 “Pois eu, o Senhor, não mudo; por isso vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos.”, Hebreus 13.8 “Jesus Cristo é o mesmo, ontem, e hoje, e eternamente.” e Tiago 1.17 “Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação.”, se o Espírito Santo quisesse para os dias de hoje qualquer modelo, Ele teria deixado escrito, porém não o fez.

Na verdade Paulo em 1Co 11:1 nos ensina que devemos ser imitadores de Cristo, mas daí a dizer que possuímos o caráter dEle há uma distancia enorme, afinal Ele é Deus, e nós meros mortais.

A posse do caráter de Cristo é reivindicada por alguns que acreditam ter alcançado uma santificação tamanha, que têm a pretensão de já ter de fato conseguido. Ora, sabemos que a santificação é algo que o cristão deve buscar por toda a vida, mas não é tarefa fácil e principalmente não ocorre da forma como o G12 apregoa.

Mas pense comigo sobre este paradoxo: Quanto mais buscamos a santificação mais nos sentimos pecadores e indignos de merecer seja lá o que for de Deus. O apóstolo Paulo por três vezes faz uma autocrítica, que vai progressivamente ficando mais severa, conforme o tempo passa e ele crescia em santificação. No livro de 1Coríntios (54 a.D.) ele se diz o menor dentre todos os apóstolos, em Efésios (61 a.D.), o menor de todos os santos, e em 1Timóteo (65 a.D.) ele se descreve como o pior dos pecadores.

Imagino que se alguém na época lhe dissesse a Paulo que ele tinha o caráter de Cristo, muito provavelmente ele rasgaria novamente suas roupas gritando: Nós somos humanos! (At 14:8-18)

Portanto, quanto mais nos santificarmos, mais convictos estaremos de nossa real condição de pecadores e consequentemente mais entenderemos o quanto estamos longe de possuir o caráter de Cristo.

Não há investimento em missões

Outro ponto negativo do G12 é a ausência de investimento em missões. Acredito ser desnecessário relatar aqui a importância de alcançarmos todas as criaturas com o evangelho da sã doutrina, pois todos os crentes verdadeiros têm esse sentimento em seu coração. Mesmo que não possam investir em missões reconhecem a importância e tem como objetivo contribuir para isto.

Já Castellanos pensa completamente diferente, pois acredita que ensinando sua “visão” a outros pastores está cumprindo sua missão: Veja o que ele diz:

“O conceito que temos de missões é muito diferente do tradicional. O Senhor nos tem mostrado que devemos permitir a entrada de nativos de outros paises na Colômbia para que estando em nosso país, se lhes faça luz a visão que desenvolvemos” e mais adiante na mesma página: “… Quando estes grupos nos visitam, sua mente é transformada e suas respectivas visões se ampliam, começando a sonhar já não com igrejas de 120 ou 150 pessoas, mas com congregações de milhares e milhares”. (Castellanos, Sonha e ganharás o mundo, pg.171)

A justificativa dos “12”

Alegam os gedozistas que a prova da necessidade do governo de 12 líderes é o fato dos apóstolos terem escolhido um substituto para Judas que havia se enforcado, pois tinham que manter um grupo de 12 apóstolos, não podendo ser 11 nem 13. E na ocasião eles optaram pelo Matias quando havia outro que também se encaixava no perfil desejado.

Mas a grande pergunta é: Qual era o perfil? Qual era exigência para ser apóstolo? A resposta é que o candidato deveria ter sido uma testemunha OCULAR da ressurreição em carne de Jesus (que por dedução e lógica exclui os apóstolos modernos). Além disto, provavelmente havia uma determinada área em aberto, devido à morte de Judas, a qual deveria continuar a ser coberta pelo novo apóstolo.

Em nenhum momento as escrituras dizem que todo apóstolo deveria formar um grupo de 12 pessoas e identificar mais 12 novos líderes que se tornariam apóstolos e assim por diante. Isto definitivamente não é bíblico.

O modelo celular será único no futuro (= IGREJA VERDADEIRA)

“A frutificação neste milênio será tão incalculável, que a colheita só poderá ser alcançada por aquelas igrejas que tenham entrado na visão celular. Não há alternativa: a igreja celular é a igreja do Século XXI” (Castellanos Domínguez, Sonha e Ganharás o Mundo, pg.143.)

Esta afirmação arrogante feita por Castellanos em seu livro, e disseminada pelos gedozistas, demonstra falta de amor pelo corpo de Cristo, além do que funciona como uma profecia negativa às demais igrejas que pregam a sã doutrina e que portanto encaixam-se perfeitamente no que Jesus disse:

“Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela;” Mateus, 16:18

Considerar-se como única forma correta de igreja é característica típica de seitas como os mórmons, testemunhas de Jeová, Igreja da Unificação, etc. Vejamos a prepotência de Castellanos e seus discípulos:

Temos recebido a palavra no sentido de que nos anos vindouros haverá gente faminta por conhecer a mensagem da salvação; milhões e milhões correrão pelas ruas demonstrando seu desejo de saber de Cristo, e a única estrutura que permitirá estar preparados para isto é a igreja em células. (Castellanos Domínguez, Sonha e Ganharás o Mundo, pg.146.)

As congregações do tipo paroquial, nas quais não há mais que 200 pessoas, não estarão no modelo, porque cada igreja será de no mínimo cem mil pessoas. (Castellanos Domínguez, Sonha e Ganharás o Mundo, pg.146.)

Além de Castellanos, outros líderes do movimento e seus discípulos têm a mesma visão profética, a mesma expectativa triunfalista para o próximo século:

Tendo a convicção de que o modelo de Bogotá era a base para o modelo que Deus tem para nós, temos retornado às convenções para beber da fonte. Cremos que Deus deu ao Pr. César Castellanos o modelo dos doze que há de revolucionar a igreja do próximo milênio. (Valnice Milhomens, Plano Estratégico, 12.)

Como filhos que somos de Deus Todo-Poderoso, seremos conhecidos nos céus como a geração das maiores conquistas e das maiores colheitas para o Reino de Deus. (Lisboa, Convergência 2000)

Hoje estamos reformando a eclesiologia… Por isso creio que esse movimento é a complementação da primeira reforma. Creio que ele está varrendo os quatro cantos da terra hoje, numa proporção e numa velocidade muito maior que a reforma protestante do século XVI. (Entrevista de Robert Lay à revista Videira, da Igreja Videira, Ano I, Nº 4)

Fica claro que o movimento se vê como um cumprimento profético, contudo, não das Escrituras, e sim das projeções e previsões feitas por Castellanos e sua equipe, que consideram-se os únicos certos e dentro da visão de Deus.

O peudo-avivamento gedozista

Há uma grande controvérsia sobre este tema não só dentro do G12, como de um modo geral na igreja cristã. Na verdade a palavra “avivamento” nem sequer é encontrada na Bíblia. Mas um avivamento bíblico poderá ocorre no futuro, quando e se for da vontade de Deus.

Os avivamentos ocorridos na história da igreja cristã, foram na maioria dos casos bem controversos, pois em muitos casos, como o do país de Gales por exemplo, transformou-se no centro de várias práticas que não bíblicas, e por fim serviram mais para confundir do que para edificar.

Particularmente acredito que o avivamento maior ainda não ocorreu de fato, mas se for da vontade de Deus irá ocorrer um dia, e quando isto ocorrer, será algo tão fantástico, que milhares de pessoas se converterão ao mesmo tempo e em progressão inacreditável muitos serão curados instantaneamente pelo poder do Espírito Santo de forma incontestável e surpreenderá até os mais céticos e ateus.

Considero este comentário de John Armstrong muito adequado:

A pergunta que fazemos aqui é simples: onde se encontra a promessa de que Deus vai produzir o avivamento se nós fizermos a coisa certa? Onde achamos as garantias de que a pregação sincera, ungida pelo Espírito, dará resultados memoráveis em termos de um grande número de convertidos ao despertar espiritual? Em lugar algum a palavra de Deus ensina que o trabalho de Deus, feito de forma adequada, em fé e obediência, sempre dará frutos em igual proporção. Considere estes fatos: Pedro pregou em Pentecostes e 3000 se converteram imediatamente. Paulo, pregando em Filipos, viu uma mulher se converter. E mais adiante, o que diremos a respeito da missão de Paulo em Atenas? Aqui, apenas um pequeno número de pessoas correspondeu a um testemunho apostólico convincente. A questão é esta: sempre que Cristo for pregado haverá frutos, mas nem sempre na medida e proporção que esperamos ou mesmo que desejamos.

A evidência da história da igreja, que tem sido interpretada de diversas formas, é totalmente clara nessa questão. Precisamos trabalhar, precisamos plantar e precisamos irrigar, mas somente Deus dá o crescimento (v. 1Co 3.5-8). Não devemos jamais “ditar os resultados” de acordo com a maneira que falamos, oramos e principalmente planejamos. A colheita pertence de fato ao Senhor. Precisamos nos prostrar diante dessa realidade. A nossa função é de sermos fiéis à tarefa e também esperar que o Senhor conceda o que ele ordenar. Os seus caminhos não são os nossos.

(John Armstrong, O Verdadeiro Avivamento, Editora Vida, 2001, pg. 63)

Atos Proféticos, Pedras, “Unção” de Sal e Bíblias enterradas

Baseados na crença de  que o cristão faz ou diz, tem repercussão no mundo espiritual, alguns chegam a blasfemar ensinado que assim como Deus, pela sua palavra falada, trouxe todas a coisas a existência, da mesma maneira, nós como sua imagem, podemos trazer coisas a existência pelo poder da palavra falada.

Esse ensino é uma blasfêmia que procura assemelhar o homem a Deus. Esses “atos proféticos” normalmente têm como objetivo, “conquistar” cidades ou nações para o Reino de Deus, ou ainda alcançar objetivos esquisitos. A palavra de Deus nos ensina a ganhar almas para o Reino de Deus através da pregação do evangelho de Jesus Cristo, e não através de “declarações de posse” ou “orações reivindicatórias”  ou ainda de “atos proféticos”.

No Novo Testamento, vemos que o óleo serve apenas para ungir os doentes (Mc 6.3 e Tg 5.14). Mas os gedozistas utilizam o óleo até para impedir que um navio não navegue por caminhos já traçados, como aconteceu por ocasião das comemorações dos quinhentos anos de descobrimento do Brasil. Os adeptos do G12 foram para o alto mar, em Salvador, e derramaram várias latas de “óleo ungido”, a fim de que o navio que o governo brasileiro havia construído, para fazer o percurso da capital baiana até Porto Seguro, não chegasse ao seu destino. Sabemos que realmente a embarcação “quebrou” duas vezes, não tendo feito a viagem programada, mas temos a informação – e a imprensa divulgou para todo o país – que o fracasso deveu-se a falhas ocorridas na construção do barco, e imperícia técnica de seus construtores. Não foi, portanto, pelo ato praticado por eles que a embarcação não chegou ao seu destino. (http://www.assembleiadedeuslondrina.com.br/estudos/SintesedoMovimentoConhecidoPorG-12.htm  21/10/2004)

Infelizmente esses “atos proféticos” têm levado pessoas boas, e até conhecedores da Palavra a cometerem atos que em nada são parecidos ao que Deus sempre ensinou aos seus profetas na Bíblia. A sede pelo sobrenatural chega às raias do absurdo e da cegueira espiritual, pois na prática ninguém tem a preocupação em saber a procedência desse “sobrenatural”, aceitando como de procedência Divina, algo que bem pode ser maligno.

Em uma igreja que conheci, quando por ocasião de mudança para um outro templo maior, devido à vontade da liderança em crescer, realizou-se no novo local um “ato profético”, que mais se assemelha a um ritual pagão. Como o local ainda não pertencia à igreja, um pequeno grupo de 12 pessoas, se reuniu naquele local, antes de começar a ser usado para os cultos e realizaram o tal “ato profético” orando e declarando que aquele local já era da igreja e que lá nasceria uma grande igreja como a cidade nunca tinha conhecido antes, e possivelmente com o intuito de “consagrar” aquele altar, e atendendo ao “novo comando de Deus” (expressão comum no G12), fizeram o seguinte:

·         Enterraram 12 pedras simbolizando o G12 e seus líderes,

·         Aspergiram vinho pelo altar,

·         Jogaram sal por todo o altar numa inovadora, ou seria melhor dizer aterradora “unção de sal”,

·         E pasmem! Enterraram uma Bíblia.

Sobre a palavra “unção” é importante destacar que é uma palavra ligada a óleo. Veja o que diz o dicionário Houaiss: “UNÇÃO: ato ou efeito de ungir, de aplicar óleo consagrado numa pessoa”. Portanto, falar em “unção de sal” é algo sem nenhum sentido, o correto é “salgar”, ou como diz na Palavra: “semear sal”.

Bem, tudo isto aconteceu antes da nova igreja abrir suas portas para os cultos, e a esmagadora maioria dos membros, não souberam do ocorrido. Atos como esse, onde Bíblias são enterradas, acontecem em algumas denominações quando do lançamento da pedra fundamental da igreja, juntando-se às vezes um jornal do dia. Embora isto não seja uma exclusividade do G12, é um engano condenável, visto que a Palavra é viva, eficaz e penetrante, chegando até juntas e medulas, no ponto de dividir alma e espírito. (Hb 4:12). Para que enterrar uma Bíblia? O que Deus pensa a respeito disto? Em que isto edifica?

É impossível encontrar qualquer versículo que dê sustentação a um ato destes. Nem o maior malabarista exegético poderia justificar biblicamente este desatino. Mesmo que tal prática não seja exatamente uma novidade, é um ato deplorável, pois o crente deve amar a Bíblia, defendendo a Palavra a cada momento de sua vida. É definitivamente impossível aceitar o “enterro” da Palavra.

“NOTA: Aconselha-se não por na cavidade também uma Bíblia como alguns têm feito, pois entendemos que a Bíblia, Palavra de Deus, não é para ser enterrada, mas anunciada.  Além disso, é um ato simbólico no início da construção, e quem enterra a Palavra, comete um equívoco, pois a Palavra é viva, e eterna. Enterro significa fim.”
(Manual de Cerimônias e Solenidades, SEMADI Secretaria de Missões da Assembléia de Deus)

Ora, enterra-se algo que está morto, ou que se pretende matar, e infelizmente é o que tem sido feito sistematicamente nas igrejas gedozistas com a Palavra de Deus, onde o alimento sólido tem sido substituído por leite envenenado por uma mistura de doutrinas humanas e pagãs com a doutrina do Senhor de modo a enganar até os escolhidos.

“porque surgirão falsos cristos e falsos profetas e farão tão grandes sinais e prodígios, que, se possível fora, enganariam até os escolhidos.” Mt 24:24

Além disto, causa arrepios saber que essa liderança gedozista semeou sal pelo altar, ignorando a Bíblia Sagrada, onde está escrito que semear sal provoca desolação perpétua, e no caso citado no livro de Juízes, causou a completa desolação do local. Talvez os gedozistas argumentem dizendo que em Levítico as ofertas eram salgadas antes do holocausto (Lv 2:13 e Nm 18:19), no entanto tratava-se de salgar os manjares ofertados em sacrifício, e obviamente qualquer tipo de sacrifício tornou-se desnecessário para todos que aceitam o fato de Jesus ter sido o último cordeiro imolado.

O sal no AT tinha significado ambíguo. Em Lv 2:13 e em Nm 18:19 simbolizava um pacto (ou aliança) com Deus:

“Todas as suas ofertas de cereais temperarás com sal; não deixarás faltar a elas o sal do pacto do teu Deus; em todas as tuas ofertas oferecerás sal.” Lv 2:13

“Todas as ofertas alçadas das coisas sagradas, que os filhos de Israel oferecerem ao Senhor, eu as tenho dado a ti, a teus filhos e a tuas filhas contigo, como porção, para sempre; é um pacto perpétuo de sal perante o Senhor, para ti e para a tua descendência contigo.” Nm 18:19 

Mas em Juízes:

“E Abimeleque pelejou contra a cidade todo aquele dia e tomou a cidade; e matou o povo que nela havia, e assolou a cidade, e a semeou de sal.” Juízes 9:45

A Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal da CPAD, comenta a respeito desta passagem:

“Semear sal sobre uma cidade conquistada era um ritual que simbolizava a perpétua desolação daquela localidade. Ela não seria reconstruída durante 150 anos.”

A Bíblia de Estudo Shedd, comenta a respeito desta passagem:

“Semeou de Sal. Era prática, na antiguidade, que assegurava a desocupação da área por muito tempo, sendo, por este rito, amaldiçoada e tornada improdutiva. Siquém só veio a ser edificada de novo, durante o reinado de Jeroboão, um século e meio mais tarde.”

Mais importante do que tudo isto é que não precisamos recorrer aos pactos e/ou alia nças do AT, pois estaríamos rejeitando a Nova Aliança em JESUS CRISTO. Não precisamos mais de sacrifícios de nenhuma espécie, pois o último sacrifício ocorreu no calvário.

 

A busca ostensiva pelo “falar em línguas”

Antes de examinar essa busca ostensiva, lembremos que falar em línguas é um dos DONS dados por Deus. Portanto Deus concede àqueles que julgar melhor receberem, desde que isto vá contribuir para o Corpo de Cristo. O homem em sua pequenez jamais conseguirá dom algum se não for vontade do Pai.

Os Dons do Espírito são capacidades extraordinárias que Deus dá aos membros do corpo de Cristo:

QUEM CONCEDE OS DONS ESPIRITUAIS? (1Co.12:4-6)
– o Deus Triúno, Pai, Filho, Espírito Santo.
– o critério é a graça, Rm 12:6, Ef 4:7, 1Pe 4:10, não o mérito da pessoa.
– a administração da distribuição é motivada pelo prazer de Deus, 1Co 12:11
– a distribuição individual e diversificada preserva a unidade do corpo (1Co 12:25)
– e evita a arrogância e subserviência, (1Co 12:14-18)

QUEM PODE RECEBER OS DONS DO ESPÍRITO?
– “cada um” que nasce de novo: Rm 12:3,6; 1Co. 12:11; Ef 4:7; 1Pe 4:10;
– não há exceção – nenhum membro de Cristo foi deixado sem dom.

QUAL O PROPÓSITO DOS DONS DO ESPÍRITO?

Paulo fala de:
a) fim proveitoso, 1Co 12:7
b) aperfeiçoamento, Ef 4:12
Pedro fala de “servir uns aos outros”, 1Pe 4:10

Conclui-se que todo e qualquer dom tem por finalidade contribuir para fortalecer os discípulos de Cristo de modo a cumprirem a Grande Comissão e amadurecerem como enquanto Corpo de Cristo. A utilização de um dom espiritual em proveito próprio foge à natureza e ao propósito dos dons espirituais. Veja que a Bíblia ensina a procurar com zelo os dons, principalmente o de profecia:

“Segui o amor; e procurai com zelo os dons espirituais, mas principalmente o de profetizar.” 1Co 14:1

A doutrina gedozista busca a todo o momento fazer com que todos os freqüentadores falem em línguas. No “Encontro com Deus” há momentos cuidadosamente preparados para tanto. Mas, não existe a menor preocupação por parte da liderança em obter dom de interpretação de línguas ou o de discernimento de espíritos. Na verdade aceitam tudo o que é sobrenatural como proveniente de Deus ou do Espírito Santo, ignorando as advertências da Palavra:

Surgirão ventos de doutrinas (Ef. 4.14, Hb. 13.9, 2 Tm. 4.3-4);

Surgirão falsos cristos e falsos profetas (Mt. 24.24);

Devemos ter cuidado com os falsos profetas (Mt. 7.15);

Haverá apostasia (2 Ts. 2.3);

Alguns apostatarão da fé (1Tm. 4.1-2);

Não devemos mudar nosso entendimento (2 Ts. 2.2);

Devemos ficar firmes e guardar as tradições (2 Ts. 2.15);

Devemos permanecer naquilo que aprendemos (2 Tm. 3.14);

Devemos reter a Palavra, que é igual à doutrina (Tt 1.9);

Quem não permanecer na doutrina não é de Deus (2 Jo 9).

Qualquer tradição é taxada como algo velho e ruim

A simples menção de fatos ocorridos no passado, quando a igreja não era em células, desperta na liderança do G12 um sentimento de rejeição. É normal dizerem que devemos nos livrar do que é velho e nos transformar em algo novo sem qualquer tradicionalismo e com a mente renovada. A justificativa da pastora Valnice Milhomens e outros líderes gedozistas é que não devemos colocar vinho novo em odres velhos.

Castellanos também afirma em seu livro na pg. 161, que a inovação deve ser uma característica da igreja de hoje, largando todas as técnicas passadas de como conduzir uma igreja. Contrastando com isto a Bíblia declara:

Assim, pois, irmãos, estai firmes e conservai as tradições que vos foram ensinadas, seja por palavra, seja por epístola nossa.” 2Ts 2:15

Existem muitas tradições religiosas que são heresias, notadamente as do Catolicismo, Budismo, e Hinduísmo. No entanto quando a Bíblia fala em tradições no versículo acima nos ensina que as tradições bíblicas devem ser mantidas, principalmente as do Novo Testamento. Afinal é praticamente impossível não falarmos em tradições quando o Novo Testamento que temos como regra de fé tem praticamente 2000 anos de idade! A Bíblia condena tradições somente quando não forem bíblicas, ou que porventura tenham sido anuladas pela vinda de Cristo, como é ocaso dos sacrifícios no AT.

De modo a reforçar o valor de seus métodos inovadores, Castellanos comenta:

“… o Espírito Santo se encarrega de esclarecer-lhes a importância de romper os moldes do tradicionalismo e pô-los no caminho da igreja do presente e do futuro.”
(Castellanos, Sonha e ganharás o mundo, pg.172)

Se jogarmos fora tudo que é velho, de que valeu a experiência dos pastores antigos que levaram milhares de pessoas a Salvação? Será que isto também deve ser desprezado em troca de visões e revelações de origem duvidosa? Voltemos a Palavra e vejamos como Deus não precisa de mudanças ou novos métodos:

“Jesus Cristo é o mesmo ontem, e hoje, e eternamente.” Hb 13:8

Mudam o sentido da parábola do Vinho Novo em odres velhos

Com o objetivo de dizer que todos precisam ter a “mente renovada” os gedozistas usam essa parábola de Jesus. Qualquer tentativa de mostrar pela Palavra algo errado na doutrina do G12, os remete a dizer que precisamos nos transformar em odres novos.

Na verdade Jesus, nessa parábola, estava se referindo ao povo judeu que não conseguia assimilar Jesus como sendo o Messias e em função disto não davam crédito as Boas Novas. Ou seja, o odre velho representa o judaísmo e todos aqueles que não aceitam Jesus como o Messias, e o vinho novo é o Evangelho de Cristo.

Portanto, dizer a um crente em Jesus, que ele é um odre velho é uma ofensa, pois acreditamos plenamente em Jesus, tanto que não aceitamos nenhum ensino permeado de doutrinas humanas não contidas na Bíblia.

Veja este esclarecedor comentário de Herbert Lockyer:

Parábola do vestido velho e dos odres velhos (Mt 9:16,17)        

Falando com as mesmas pessoas, referindo-se aos mesmos religiosos, com cuja política não simpatizava, Jesus usou as figuras do vestido e dos odres remendados para realçar seu ensino sobre a natureza do reino. “Aos contrários à alegria dos seus discípulos, Jesus respondeu que a verdadeira alegria era inevitável enquanto estivesse com eles; e que todo o sistema que ele estava criando não era algo saturado de coisas velhas, mas totalmente novo.” Ellicott acredita que há íntima relação entre essa parábola ilustrativa e a anterior: “A festa nupcial sugere a idéia das vestes nupciais e do vinho, que pertenciam ao seu regozijo. Podemos ainda ir um passo além e acreditar que mesmo os vestidos dos que se sentaram para comer na casa de Mateus, originários das classes humildes e menos favorecidas, tornam a ilustração mais palpável e vívida. Como poderiam aquelas vestes desgastadas ser adequadas aos convidados do casamento. Seria suficiente costurar pedaços de tecido novo onde o velho vestido estava rasgado? Não é assim, ele responde; não é assim, ele responde de novo, quando implicitamente representa o rei que deu a festa e forneceu a roupa adequada” (Mt 22:2).

Os odres de que Jesus falou eram de pele ou couro de animais, feitos em diversos moldes e utilizados como garrafas. Ninguém pensaria em pôr vinho novo num odre velho que já perdeu a elasticidade. “Esse vinho certamente se fermentaria e arrebentaria qualquer odre, quer novo, quer velho. O vinho não fermentado deve ser posto em odres novos. Quando se completa a fermentação, o vinho pode ser colocado em qualquer odre, novo ou velho, sem danificar o odre ou o conteúdo.” Ressecados pelo tempo e propensos a rupturas, os odres velhos não suportariam a pressão da fermentação do vinho. Desse modo, exigia odres novos.

Não é difícil buscar a interpretação dessa parte da parábola. Cristo praticamente anula a antiga lei levítica e oferece o decreto da nova liberdade. Forçar os seus novos ensinos sobre fórmulas antigas traria decomposição e ruína. Tomar as suas verdades e procurar colocá-las em qualquer outro formato diferente dos seus, seria como estragá-las como um vinho não fermentado. A nova energia e dons do Espírito, dados no dia de Pentecostes, são comparados ao vinho novo (At 2:13). Os antigos fariseus, contudo, persistiam, pois achavam que o velho vinho da lei era melhor (Lc 5:39).

O mesmo princípio se aplica ao costurar tecido novo em vestidos velhos e desgastados. Remendar é algo comum, como toda mãe sabe. Mas aqui não se aplica ao modo normal de consertar uma vestimenta. A velha roupa da nossa vida, pecadora e egoísta, não pode ser remendada. Cristo exclui qualquer obra reparadora. Precisa haver regeneração, ou a produção de uma nova roupa ou criatura. Por “pano novo” devemos entender um pedaço de tecido não encolhido, que não passou por inúmeras lavagens. Refere-se a uma roupa nova, limpa e não amarrotada. Esse pedaço de pano não serve de remendo ao vestido usado, pois, no primeiro esforço, rasgaria o tecido ao redor e resultaria em ruptura ainda pior.

Cristo não ensina que a vida jamais pode ser uma mistura, resultante do seguir a dois princípios opostos? Não ilustrou a singeleza de princípios e motivos que Paulo enfatizou mais tarde quando disse: “Para mim o viver é Cristo”? Devemos ser simples e singelos em todos os nossos motivos. Não podemos servir a dois senhores (ter duas cordas em nosso arco; confiar [para a salvação] em Jesus e em nossas próprias obras; misturar lei e graça; seguir ao mundo e a Cristo ao mesmo tempo). Se o “vinho novo” representa o aspecto interno da vida cristã, então o “pano novo” ilustra a sua vida externa e as conversações. A fé se evidencia pelo comportamento. O vestido velho é a vida comum dos pecadores – o vestido novo é a vida de santidade, usada pelo novo homem em Cristo. Nessa narrativa, o jejum, que os fariseus tanto praticavam, era um vestido velho, para o qual seria inútil um pedaço de pano novo. Todo o sistema que Jesus veio criar não era algo impregnado numa velha ordem, mas algo novo. Ele não poderia, então, colocar numa fórmula desgastada as novas verdades que veio ensinar. Não é uma bênção saber que seu ministério transformador continuará até que passem as coisas velhas, e que tudo se faça novo?

(Herbert Lockyer, Todas as parábolas da Bíblia, Editora Vida)

Células homogêneas (separadas por sexo e faixa etária)

A valorização da família como grupo unido em Cristo deve ser exaltada em qualquer igreja que se intitule Cristã. E como se valoriza a família? Valorizando a união do casal com seus filhos, se houverem, a todo o momento em quaisquer situações. Na Bíblia, em Atos dos Apóstolos, quando se fala das reuniões nas casas para divulgação das boas novas e o partir do pão, não existe nenhuma referência a uma separação entre os homens e as mulheres. Portanto não é bíblico falar em reuniões homogêneas.

Embora seja necessário no caso de pré-adolescentes e de jovens solteiros, não existe razão bíblica para separar os casais, legalmente casados, do convívio em reuniões. As experiências do casal, enquanto casal tem enorme valor, principalmente para o aconselhamento de outros casais que porventura estejam enfrentando problemas de relacionamento, ou quaisquer outros problemas. Além disto, as igrejas do G12 têm a tendência de serem muito ativas, ou seja, possuem uma extensa agenda de cursos, reuniões, etc., que vão aumentando em quantidade conforme a pessoa vai aderindo a “visão”. Na prática, o casal acaba se separando praticamente a semana toda e até nos finais de semana, caso um dos dois tenha que dar aulas na escola de líderes.

Nosso trabalho nos toma a maior parte da semana e nos únicos momentos que temos para desfrutar da vida em família com nossos filhos são tomados pela agenda do G12. Momentos estes de importância crucial na vida de um Cristão e na vida das crianças e adolescentes, pois está provado que a ausência dos pais, é a causa de quase todos os problemas entre os jovens, tais como alcoolismo, drogas, homossexualismo, etc.

Dízimos e ofertas na célula

Na MCI de Castellanos, e em muitas outras igrejas que estão seguindo o modelo do G12, temos uma prática contrária ao ensinamento das Escrituras, pois todos os dízimos e ofertas devem ser levados a casa do tesouro, ou casa de oração, ou IGREJA.

“Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim, diz o SENHOR dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu e não derramar sobre vós uma bênção tal, que dela vos advenha a maior abastança.” Ml 3:10

Tenho notado que uma igreja ao implantar a “visão G12” o faz de forma gradativa, pois se jogarmos uma bacia de milho em meio aos pombos, todos fugirão rapidamente, mas se jogarmos de grão em grão eles ficarão e comerão. É de importância vital para a liderança agir desta forma, pois de outro modo, os crentes mais antigos, que conheçam com alguma profundidade a Palavra, perceberiam que algo está errado e rejeitariam a “visão”.

Tal regra se aplica nesta questão dos dízimos e ofertas, pois em determinado momento durante a implantação da “Visão G12” ou “Visão Celular” ou ainda “Movimento dos Doze”, será pedido aos líderes que cobrem os dízimos e/ou ofertas na célula. Tal prática além de não constar na Bíblia, provocará uma série de problemas administrativos, visto que nem todos os líderes estão preparados para lidar com o dinheiro da igreja, e infelizmente em alguns casos, não seriam merecedores de tal confiança.

Alguns conceitos errados

Outros conceitos errôneos sobre a verdade espiritual centram-se em frases como estas:

1. “Deus pode fazer tudo. Se eu confiar Nele, Ele me guardará”, a qual revela que quem a declara não entende que Deus age de acordo com leis e condições próprias e que aqueles que confiam Nele devem procurar conhecer essas condições sob as quais Ele pode agir em resposta à confiança deles;

2. “Se eu estivesse errado, Deus não me usaria”. Quem diz isso não compreende que se um homem estiver bem no centro de Sua vontade, Deus irá usá-lo na medida mais completa possível, mas ser “usado” por Deus não garante que um homem esteja completamente correto em tudo o que fala ou faz.

3. “Eu não tenho pecado” ou “o pecado foi inteiramente removido de mim”. A pessoa que faz tais afirmações não sabe quão profundamente a vida pecaminosa de Adão está arraigada na criação caída e como a ideia de que o “pecado” foi eliminado de todo o ser permite ao inimigo impedir que a vida natural seja tratada pelo contínuo poder da cruz.

4. Dizer: “Deus, que é amor, não permitirá que eu seja enganado” já é, por si mesmo, um engano, baseado na ignorância em relação às profundezas da queda e no conceito errôneo de que Deus age independente de leis espirituais.

5. Dizer: “Eu não acredito que é possível um cristão ser enganado” é um fechar de olhos a todos os fatos que estão ao nosso redor.

6. “Eu já tenho bastante experiência; não preciso de ensino” ou “Devo ser ensinado diretamente por Deus apenas, pois está escrito: ‘Não é preciso que ninguém vos ensine'”. Quem diz isso usa de forma errada essa passagem das Escrituras, que alguns crentes interpretam como significando que eles devem recusar todo ensino espiritual proveniente de outros crentes. Mas devemos notar que a palavra do apóstolo: “Não tendes necessidade de que alguém vos ensine” (1 Jo 2.27) não exclui o ensinamento de Deus por meio de mestres ungidos, pois “mestre” está incluído na lista de crentes com dons para a Igreja para a “edificação do Corpo de Cristo” pelo “auxílio de toda junta” (Ef 4.11-16). Deus, às vezes, ensina Seus filhos mais rapidamente por meios indiretos – ou seja, por meio de outros – do que diretamente, porque os homens são tão lentos em compreender o ensino direto do Espírito de Deus.

(Jessie Penn Lewis, GUERRA CONTRA OS SANTOS, Tomo 1, Editora dos Clássicos)

Progressão geométrica na “cobertura espiritual” e aparentemente na arrecadação

Creio que o leitor neste ponto já entendeu em grande parte como é o funcionamento das igrejas G12, mas para facilitar o entendimento, fiz um desenho representando a “cobertura espiritual” progressiva apregoada pelos gedozistas, que na prática está intimamente e monetariamente ligada. Primeiramente vejamos a igreja local, com suas “n” células:

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Agora vejamos a igreja local de um ponto de vista mais alto, imaginando os estados, países e continentes ligados a MCI de Castellanos:

celulas1

Na verdade o modelo do G12 é muito interessante do ponto de vista financeiro. Desde que comecei a pesquisar sobre o assunto, tive a impressão que havia algo mais em toda essa “visão”, pois tantos pastores sendo arrastados para esse modelo leva-nos a pensar como de fato funciona a administração dos dízimos e ofertas em relação às igrejas regionais do G12.

Não possuo prova conclusiva para afirmar que todas as igrejas gedozistas tem enviado dinheiro direta ou indiretamente a MCI de Castellanos, pois essas informações não são divulgadas nem na internet e nem pelos pastores. Não seria totalmente estranho isto, pois a grande maioria das igrejas evangélicas funciona desta forma, enviando uma parte da arrecadação a matriz de sua denominação. No entanto, de um modo geral, as igrejas Cristãs possuem um conselho diretor, e um presidente nomeado para um determinado período, seguindo assim as normas exigidas pela lei. Já na igreja de Castellanos, não temos conhecimento de nenhuma possibilidade de sucessão, ou seja, aparentemente Castellanos governará sua igreja enquanto viver.

Mas a verdade não permanece oculta por muito tempo. Veja que esclarecedora esta frase tirada de um site de uma importante igreja em células, quando comentava sobre suas projeções de expansão:

“…E de onde virão estes recursos? – Objetivamente falando, da oferta da primícias, do sustento pessoal levantado por cada casal “preparador do caminho” e dos dízimos dos dízimos de cada igreja local, basicamente. Mas, subjetivamente falando – para sermos bem mais específicos -, os recursos virão do bolso daqueles que amam a obra de Deus mais do que a si próprios; daqueles que vão optar por deixar de realizar sonhos ou prazeres pessoais para investir nos sonhos e prazeres de Deus;”
(Igreja Videira, http://www.videira.org.br/noticias/chamadas.php?id=05.53.02.58.00, em 02/11/2004)

Como já vimos neste estudo as igrejas do G12 não investem dinheiro em missões. Aparentemente o valor que seria para missões tem sido destinado ao dízimo da igreja para a igreja líder imediatamente acima na pirâmide do G12, e assim sucessivamente até chegar na MCI de Castellanos.

 Conclusão

Nestes anos de vida Cristã, aprendi que as prioridades de um pai de família devem ser nesta ordem: Em primeiro DEUS, em segundo a FAMÍLIA, em terceiro o TRABALHO e em quarto a IGREJA e os irmãos em Cristo. Portanto, é nesta escala de prioridades em que organizo minha vida Cristã, e é justamente por ter em tão alta conta estes pilares, que orei e pedi a Deus que me orientasse em cada linha deste estudo.

Gostaria de dizer, mais uma vez, que amo a todos os irmãos da minha igreja, inclusive os que abraçaram o G12. São irmãos que aprendi a amar, independentemente de nossas diferenças. A união na diversidade é um princípio Cristão que todo crente deveria ter como regra. Digo que os amo, pois todo crente deve zelar pelo Corpo de Cristo, que somos todos nós, crentes no Senhor Jesus, pois no dia que Ele vier buscar sua noiva, certamente quererá vê-la inteira, completa, plena, saudável, e acima de tudo amando a cada membro de seu Corpo, pois somente assim atenderemos as expectativas de Deus Pai, e de Seu Filho Jesus.

Mas, devido a todas as heresias do G12 que relatei acima, tenho que ser firme neste momento dizendo: NÃO quero a “visão do G12” (ou qualquer movimento semelhante) em minha vida e muito menos na minha família, pois a maioria de suas doutrinas não tem embasamento bíblico, sendo assim mero engano, e não uma visão dada por Deus, visto que contraria sua própria Palavra. Causa-me arrepios a maioria das práticas do G12 que fartamente expus neste material.

Portanto, como um homem que teme a Deus e sua Palavra, confiro ao Senhor a primeira posição em minha vida, e de minha família. Sinto-me, portanto, na obrigação bíblica, de ser atalaia (Ezequiel 33) e avisar a todos quantos forem possíveis sobre os perigos da doutrina de Castellanos. De fato, tal doutrina enfraquece o Corpo de Cristo de forma brutal, mas ao mesmo tempo sutil, ficando nítido que tal movimento atende a um dos maiores objetivos de nosso inimigo, que é justamente a destruição da igreja.

Conclamo aos irmãos a voltarem a sã doutrina, tendo como regra de fé somente a santa Palavra de Deus, contida na Bíblia Sagrada, sendo sempre como bons bereanos, examinando toda e qualquer visão ou revelação, pois no final dos tempos haverá engano enviado pelo inimigo. Mantenhamos-nos fiéis a Palavra, para Honra e Glória do Senhor Jesus! Amém!

Márcio Argachof
Servo do Rei dos reis
e Senhor dos senhores

 

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O conteúdo desta página tem objetivo formativo e educacional.OS ARTIGOS AQUI PUBLICADOS SÃO DE INTEIRA RESPONSABILIDADE DE SEUS AUTORES, CITADOS NO FINAL DE CADA ARTIGO. NÃO NECESSARIAMENTE ESTA PRODUÇÃO CONCORDA INTEIRAMENTE COM O ENTENDIMENTO TEOLÓGICO DE CADA AUTOR. TODAVIA, OS PUBLICAMOS COMO FONTE DE CONHECIMENTO E COMO FORMA DE CONTRIBUIR PARA O ALARGAMENTO DO ENTENDIMENTO E A POSSIBILIDADE DE CONHECERMOS VÁRIAS FORMAS DE PENSAR. CABE A CADA LEITOR REFLETIR, À LUZ DA BÍBLIA, SE CONCORDA OU NÃO COM OS POSICIONAMENTOS AQUI EXPRESSADOS. 

Ao Cometer Suicídio o Cristão Perde a Salvação?

suicidioAo Cometer Suicídio o Cristão Perde a Salvação?

Miguel Núñez

Esse tem sido um dos temas mais controversos ao longo dos anos, e que lamentavelmente muitos têm respondido de uma maneira emocional e não através da análise bíblica. Aqueles de nós que crescemos no catolicismo sempre ouvimos que o suicídio é um pecado mortal que irremediavelmente envia a pessoa para o inferno. Para muitos que têm crescido com essa posição, é impossível despojar-se dessa ideia.

Outros têm estudado o tema e, depois de fazê-lo, concluem que nenhum cristão seria capaz de acabar com sua própria vida. Há outros que afirmam que um cristão poderia cometer suicídio, mas perderia a salvação. E ainda outros pensam que um cristão poderia cometer suicídio em situações extremas, sem que isso o conduza à condenação.

Em essência temos, então, quatro posições:

  1. Todo aquele que comete suicídio, sob qualquer circunstância, vai para o inferno (posição Católica Tradicional).
  2. Um cristão nunca chega a cometer suicídio, porque Deus impediria.
  3. Um cristão pode cometer suicídio, mas perderá sua salvação.
  4. Um cristão pode cometer suicídio, sem que necessariamente perca sua salvação.

A primeira dessas quatro posições foi basicamente a única crença até a época da Reforma, quando a doutrina da salvação (Soteriologia) começou a ser melhor estudada e entendida. Nesse momento, tanto Lutero como Calvino concluíram que eles não podiam afirmar categoricamente que um cristão não poderia cometer suicídio e/ou o que se suicidava iria ser condenado. Na medida em que a salvação das almas foi sendo analisada em detalhes, muitos dos reformadores começaram a fazer conclusões, de maneira distinta, sobre a posição que a Igreja de Roma tinha até então.

No fim das contas, a pergunta é: O Que a Bíblia diz?

Começamos mencionando aquelas coisas que sabemos de maneira definitiva a partir da revelação de Deus:

  • O ser humano é totalmente depravado (primeiro ponto do TULIP calvinista). Com isso, não queremos dizer que o ser humano é tão mal quanto poderia ser, mas que todas as suas capacidades estão manchadas pelo pecado: sua mente ou intelecto, seu coração ou emoções, e sua vontade.
  • O cristão foi regenerado, mas mesmo depois de ter nascido de novo, devido à permanência da natureza carnal, continua com a capacidade de cometer qualquer pecado, com a exceção do pecado imperdoável.
  • O pecado imperdoável é mencionado em Marcos 3:25-32 e outras passagens, e a partir desse contexto podemos concluir que esse pecado se refere à rejeição contínua da ação do Espírito Santo na conversão do homem. Outros, a partir dessa passagem citada, atribuem a Satanás as obras do Espírito de Deus. Obviamente, em ambos os casos está se fazendo referência a uma pessoa incrédula.
  • De maneira particular, queremos destacar que o cristão é capaz de tirar a vida de outra pessoa, como fez o Rei Davi, sem que isso afete a sua salvação.
  • O sacrifício de Cristo na cruz perdoou todos os nossos pecados: passados, presentes e futuros (Colossenses 2:13-14, Hebreus 10:11-18)
  • O anterior implica que o pecado que um cristão cometerá amanhã foi perdoado na cruz, onde Cristo nos justificou, e fomos declarados justos sem de fato sermos, e o fez como uma só ação que não necessita ser repetida no futuro. Na cruz, Cristo não nos tornou justificáveis, mas justificados (Romanos 3:23-26, Romanos 8:29-30)

A salvação e o ato do suicídio

Dentro do movimento evangélico existe um grupo de crentes, a quem já aludimos, denominados Arminianos, que diferem dos Calvinistas em relação à doutrina da salvação. Uma dessas diferenças, que não é a única, gira em torno da possibilidade de um cristão poder perder a salvação. Uma grande maioria nesse grupo crê que o suicídio é um dos pecados capazes de tirar a salvação do crente. Nós, que afirmamos a segurança eterna do crente (Perseverança dos Santos), não somos daqueles que acreditam que o suicídio ou qualquer outro pecado eliminaria a salvação que Cristo comprou na cruz.

Tanto na posição Calvinista como na Arminiana, alguns afirmam que um cristão jamais cometerá suicídio. No entanto, não existe nenhum versículo ou passagem bíblica que possa ser usado para categoricamente afirmar essa posição. Alguns, sabendo disso, defendem sua posição indicando que na Bíblia não há nenhum suicídio cometido pelos crentes, enquanto aparecem vários casos de personagens não crentes que acabaram com suas vidas. Com relação a essa observação, gostaria de dizer que usar isso para estabelecer que um cristão não pode cometer suicido não é uma conclusão sábia, porque estamos fazendo uso de um argumento de silêncio, que na lógica é o mais débil de todos. Há várias coisas não mencionadas na Bíblia (centenas ou talvez milhares) e se fizermos uso de argumentos de silêncio, estamos correndo o risco de estabelecer possíveis verdades nunca reveladas na Bíblia. Exemplo: não aparece um só relato de Jesus rindo; a partir disso eu poderia concluir que Jesus nunca riu ou não tinha capacidade para rir. Seria esse um argumento sólido? Obviamente não.

Gostaríamos de enfatizar que, se alguém que vive uma vida consistente com a fé cristã comete suicídio, teríamos que nos perguntar antes de ir mais além, se realmente essa pessoa evidenciava frutos de salvação, ou se sua vida era mais uma religiosidade do que qualquer outra coisa. Eu acho que, provavelmente, esse seria o caso da maioria dos suicídios dos chamados cristãos.

Apesar disso, cremos que, como Jó, Moisés, Elias e Jeremias, os cristãos podem se deprimir tanto a ponto de quererem morrer. E se esse cristão não tem um chamado e um caráter tão forte como o desses homens, pensamos que pode ir além do mero desejo e acabar tirando a própria vida. Nesse caso, o que Deus permitir acontecer pode representar parte da disciplina de Deus, por esse cristão não ter feito uso dos meios da graça dentro do corpo de Cristo, proporcionados por Deus para a ajuda de seus filhos.

Muitos acreditam, como já mencionamos, que esse pecado cometido no último momento não proveu oportunidade para o arrependimento, e é isso o que termina roubando-lhe a salvação ao suicidar-se. Eu quero que o leitor faça uma pausa nesse momento e questione o que aconteceria se ele morresse nesse exato momento, se ele pensa que morreria livre de pecado. A resposta para essa pergunta é evidente: Não! Ninguém morre sem pecado, porque não há nenhum instante em nossas vidas em que o ser humano está completamente livre do pecado. Em cada momento de nossa existência há pecados em nossas vidas dos quais não estamos nem sequer apercebidos, e outros que nem conhecemos, mas que nesse momento não temos nos dirigido ao Pai para buscar seu perdão, simplesmente porque o consideramos um pecado menos grave, ou porque estamos esperando pelo momento apropriado para ir orar e pedir tal perdão.

A realidade sobre isso é que, quando Cristo morreu na cruz, ele pagou por nossos pecados passados, presentes e futuros, como já dissemos. Portanto, o mesmo sacrifício que cobre os pecados que permanecerão conosco até o momento de nossa morte é o que cobrirá um pecado como o suicídio. A Palavra de Deus é clara em Romanos 8:38 e 39: “Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor”. Note que o texto diz que “nenhuma outra coisa criada”. Esta frase inclui o próprio crente. Notemos também que essa passagem fala que “nem as coisas do presente, nem do porvir”, fazendo referência às situações futuras que ainda não vivemos. Por outro lado, João 10:27-29 nos fala que ninguém pode nos arrebatar da mão de nosso Pai, e Filipenses 1:6 diz que “aquele que começou a boa obra em vós, há de completá-la até o dia de Cristo Jesus”. Concluindo:

  • Se estabelecemos que o cristão é capaz de cometer qualquer pecado, por que não conceber que potencialmente ele poderá cometer o pecado do suicídio?
  • Se estabelecemos que o sangue de Cristo é capaz de perdoar todo pecado, ele não cobriria esse outro pecado?
  • Se o sacrifício na cruz nos tornou perfeitos para sempre, como diz o autor de Hebreus (7:28, 10:14), não seria isso suficiente para afirmarmos que nenhum pecado rouba a nossa salvação?
  • Se até Moisés chegou a desejar que Deus lhe tirasse a vida, devido à pressão que o povo exerceu sobre ele, não poderia um paciente esquizofrênico ou na condição de depressão extrema, que não tenha a força de caráter de um Moisés, atentar contra a sua própria vida de maneira definitiva?
  • Se não somos Deus e não temos nenhuma maneira de medir a conversão interior do ser humano, poderíamos afirmar categoricamente que alguém que deu testemunho de cristão durante sua vida, ao cometer suicídio, realmente não era um cristão?
  • Baseados na história bíblica e na experiência do povo de Deus, poderíamos concluir que o suicídio entre crentes provavelmente é uma ocorrência extraordinariamente rara, devido à ação do Espírito Santo e aos meios de graça presentes no corpo de Cristo.
  • Pensamos que o suicídio é um pecado grave, porque atenta contra a vida humana. Mas já estabelecemos que um crente é capaz de eliminar a vida humana, como o fez Davi. Se eu posso fazer algo contra alguém, como não conceber que posso fazê-lo contra mim mesmo? Essa é a nossa posição.

 

Como você pode ver, não é tão fácil estabelecer uma posição categórica sobre o suicídio e a salvação. Tudo o que podemos fazer é raciocinar através de verdades teológicas claramente estabelecidas, a fim de chegar a uma provável conclusão sobre um fato não estabelecido de forma definitiva. Portanto, quanto mais coerentemente teológico for meu argumento, mais provável será a conclusão que eu chegar. Agostinho tinha razão ao dizer: “Naquilo que é essencial, unidade; naquilo que é duvidoso, liberdade; e em todas as coisas, caridade”. Minha recomendação é que você possa fazer um estudo exaustivo, outra vez ou pela primeira vez, acerca de tudo o que Deus disse sobre a salvação, que é muito mais importante que o suicídio, que é quase nada.

Autor:

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Miguel Núñez

Miguel Núñez é pastor da International Baptist Church e presidente do Ministério Wisdom and Integrity em São Domingos, República Dominicana. Ele é membro do Conselho do Ministério Gospel Coalition (EUA).

Fonte: http://www.ministeriofiel.com.br/

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A VERDADE SOBRE MARIA

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Pr.Airton Evangelista de Sousa

HONREMOS A MARIA

O fanatismo pode levar muitos a não prestarem honras aos que honras merecem. Honrar significa considerar a virtude, o talento, a coragem, a santidade ou as boas qualidades de alguém. A mulher escolhida por Deus para dar à luz a Luz do mundo – a santa Maria – nos deixou exemplos de fé, obediência, coragem, humildade, de amor e temor a Deus. Então, honremos a Maria porque Deus a honrou primeiro.

Maria foi escolhida para tão nobre missão porque era justa e reta aos olhos do Senhor. “EIS AQUI A SERVA DO SENHOR. CUMPRA-SE EM MIM SEGUNDO A TUA PALAVRA.” (Lucas 1.38). Este foi um exemplo de fé, obediência e humildade que nos deixou Maria. Com estas palavras ela acatou a missão que lhe acabara de ser anunciada pelo anjo Gabriel, ou seja, a missão de ser a mãe de Jesus, de servir de veículo para que o Verbo se fizesse carne e habitasse entre nós. Foi exemplo também de coragem: ela não ficou a meditar se o seu casamento com José seria desfeito ou se José gostaria ou não; se iria compreender ou não a sua gravidez. Ela confiou no Senhor e na Sua Palavra. Seguindo seu exemplo, sejamos submissos à Palavra de Deus e à Sua vontade, ainda que isso nos cause algumas dificuldades no meio em que vivemos. Que bom seria se todos dissessem: “Cumpra-se em mim, Senhor, segundo a tua palavra”.
Também Maria não se envaideceu diante das declarações de sua prima Isabel, que lhe disse: “Bendita és tu entre as mulheres, e é bendito o fruto do seu ventre”. Tão logo ouviu estas palavras, dirigiu-se ao Senhor em oração: “A MINHA ALMA ENGRANDECE AO SENHOR E O MEU ESPÍRITO SE ALEGRA EM DEUS, MEU SALVADOR, PORQUE ATENTOU NA HUMILDADE DE SUA SERVA, POIS EIS QUE, DESDE AGORA, TODAS AS GERAÇÕES ME CHAMARÃO BEM-AVENTURADA” (Lucas 1.39-55). Maria também não se abalou quando um certo homem chamado Simeão, cheio do Espírito Santo, profetizou a respeito do Menino: “Eis que é posto para queda e elevação de muitos… e uma espada traspassará também a tua própria alma” (Lucas 2.34-35). A missão seria difícil tanto para Maria quanto para Jesus. Maria foi uma mãe sofredora. Sofredora, porém resignada. Sofreu na apressada fuga para o Egito, livrando Jesus das mãos de Herodes; sofreu diante das perseguições e das ameaças com vistas a tirar a vida de seu filho; e, finalmente, sofreu muitíssimo ao ver seu filho traído, condenado sem justa causa e morto numa cruz.
Muitos outros santos bíblicos são merecedores, também, de nossa admiração e honra por haverem cumprido fielmente, com fé, obediência e humildade, os encargos que Deus lhes confiou. Exemplo do santo Noé, homem reto e justo, que recebeu de Deus a incumbência de anunciar o Dilúvio a uma geração depravada, e de construir uma enorme barca. Exemplo do santo Abraão, que deixou sua cidade natal e seus parentes, e seguiu em busca de uma terra desconhecida. Exemplo de Moisés, ao qual Deus confiou a espinhosa missão de livrar seu povo da escravidão do Egito. Exemplo de Josué que, atendendo ao Senhor, passou o Jordão e conquistou a Canaã prometida. Exemplos de tantos profetas que não vacilaram em transmitir as mensagens do Altíssimo, ainda que colocando em risco a própria vida. Exemplos como os do santo João Batista, que pagou com sua vida por haver falado a verdade. Exemplos dos discípulos de Jesus, que não recuaram diante das dificuldades e das perseguições no cumprimento da elevada missão de “pregar o Evangelho a toda criatura”. E muitos foram perseguidos, torturados e mortos.
Maria faz parte, portanto, dessa galeria de santos que souberam cumprir com firmeza, determinação, coragem e fé os encargos que Deus lhes confiou. Que nós, os santos vivos, nós os santos de nossa geração, saibamos cumprir a nossa missão como filhos de Deus, tendo como exemplo os santos do passado, tudo para honra e glória do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

ADOREMOS O FILHO

Como vimos, honrar a Maria significa reconhecer que a sua missão aqui na Terra foi uma das mais nobres e importantes, qual seja, a missão de carregar em seu ventre, alimentar com seu sangue, amamentar e criar o nosso Redentor.
Todavia, não se deve dispensar a Maria honrarias superiores às que ela merece. Nada podemos fazer para aumentar a sua posição diante de Deus. Como justo juiz, Deus não dará a Maria nada mais nada menos do que ela merece, do que ela conquistou com sua fé, humildade e obediência. E o que ela mais desejou foi a sua salvação, ou seja, viver com Cristo na eternidade. Maria dedicou toda a sua vida ao cumprimento da sua honrosa missão. Ela nunca teve a intenção de ofuscar o ministério de Jesus. E não poderia fazê-lo. Ela sabia que a missão de Jesus era incomparavelmente superior à sua. A missão de Jesus era a do Verbo que se fez carne para trazer aos homens, na linguagem dos homens, a mensagem redentora do Pai.
Em momento algum Maria avocou a qualidade de mãe de Jesus para usufruir regalias. Ela nunca demonstrou qualquer intenção de ser alvo das atenções, de roubar a cena, de ofuscar o Filho de Deus. Ademais, as atenções dos discípulos estavam voltadas para o Mestre, porque dEle emanava a verdade, e nEle se via o resplendor da glória do Pai. Não há registro na Bíblia de qualquer adoração a Maria – ou recomendações nesse sentido – enquanto viva ou após a sua morte. Maria manteve uma posição discreta com relação ao trabalho de Jesus. Uma única vez interferiu no ministério de Jesus, nas bodas em Caná da Galiléia, com uma discreta participação. Vejamos o diálogo:
“E, no terceiro dia, fizeram-se uma bodas em Caná da Galiléia; e estava ali a mãe de Jesus. E foram também convidados Jesus e os seus discípulos para as bodas. E, faltando o vinho, a mãe de Jesus lhe disse: Não têm vinho. Disse-lhe Jesus: Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora. Sua mãe disse aos empregados: “Fazei tudo quanto ele vos disser” (João 2.1-5).
Ao informar a Jesus que acabara o vinho, Maria deixa implícito que seu filho teria condições de resolver aquele problema. A resposta de Jesus – “que tenho eu contigo, mulher”- não desrespeita sua mãe, não significando uma repreensão, mas é uma recusa. Não era dos planos de Jesus iniciar a manifestação da sua glória naquela oportunidade. Ele disse que a hora dele não havia chegado.
Porém, tudo indica que Maria continuou esperançosa de que algo poderia acontecer.
Certamente, ela voltou a falar a Jesus sobre os vexames por que passariam os anfitriões em não havendo mais vinho para servir. Percebeu no seu coração que Jesus estava inclinado a reavaliar sua posição. Então, segura de si, chamou os empregados e disse: “FAZEI TUDO QUANTO ELE VOS DISSER”. E o milagre aconteceu.
Embora a mensagem de Maria tenha sido específica para aquela ocasião, quando ela orienta os empregados para obedecerem a Jesus, nada impede de estendermos esse apelo aos dias atuais, ou seja, fazermos tudo de acordo com os mandamentos e ensinos de Jesus: “Se me amarem guardarão os meus mandamentos, e eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre” (João 14.15-16).
Então, para que tenhamos o Espírito Santo, ou seja, o outro Consolador, é necessário que guardemos os mandamentos de Jesus. E o grande mandamento de Jesus foi este: “AMARÁS O SENHOR TEU DEUS DE TODO O TEU CORAÇÃO, DE TODA A TUA ALMA, E DE TODO O TEU ENTENDIMENTO. ESTE É O PRIMEIRO E GRANDE MANDAMENTO. O SEGUNDO, SEMELHANTE A ESTE É: AMARÁS O TEU PRÓXIMO COM A TI MESMO” (Mateus 22.37-39).
Se de alguma forma quisermos, nos dias de hoje, atendermos aos apelos de Maria – “fazei tudo quanto Ele vos disser”- estaremos na obrigação de adorar somente a Deus e só a Ele servir.
Assim, Maria está excluída de nossa adoração. Ela própria se excluiu. Nenhum santo vivo ou falecido aceita adoração. Nem os anjos aceitam-na. Maria ficou excluída, também, quando Jesus revelou que “ninguém vem ao Pai se não for através de Mim” (João 14.6). Portanto, através da mãe de Jesus ninguém chegará a Deus. Os santos falecidos ficaram de fora quando Jesus disse que todos deveriam buscar nEle a solução para seus problemas: “VINDE A MIM TODOS VÓS QUE ESTAIS CANSADOS E OPRIMIDOS E EU VOS ALIVIAREI” (Mateus 11.28). Aqui, Ele não dá oportunidade para irmos a outra pessoa viva ou falecida, a outro espírito, a outro santo que não seja Ele, o Santo dos santos. Leia também Atos 4.12.

Conclui-se, portanto, que a santa Maria deve ser honrada, e o seu exemplo – exemplo de fé, obediência, amor e humildade – deve ser seguido. Ela cumpriu sua missão aqui na Terra com bastante zelo, dedicação e confiança no Senhor. Deve ser adorada por isso? Não. As Escrituras Sagradas não apontam nessa direção. Jesus nos ensinou a orar ao Pai (“Pai nosso que estás nos céus”), e a adorar ao Pai (“Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a Ele servirás”). Convidou todos os homens a irem a Ele, diretamente a Ele: “VINDE A MIM TODOS VÓS…” Aqui Ele não deixa qualquer dúvida de que somente Ele pode resolver nossos problemas, porque somente Ele, e não Maria, recebeu autoridade e poder. Vejamos:
“Tudo me foi entregue por meu Pai” (Lucas 10.22-A). “Ora, para que saibas que o Filho do homem tem na terra autoridade para perdoar pecados, levanta-te, toma o teu leito e vai para tua casa” (Mateus 9.6). “É-me dado todo o poder no céu e na terra” (Mateus 28.18).
A santa Maria, quando viva, recebeu os mesmos poderes outorgados por Jesus aos seus discípulos:
“Tendo convocado os doze discípulos, Jesus deu-lhes poder e autoridade sobre todos os demônios, e para curarem enfermos” (Lucas 9.1); “Estes sinais hão de seguir os que crerem: em meu nome expulsarão demônios… imporão as mãos sobre enfermos, e os curarão” (Marcos 16.17-18). Observem que esses poderes foram outorgados AOS QUE CREREM. Logo, Maria estava incluída. Ela era, obviamente, crente em Jesus. Ela poderia ter exercido o ministério de pregação do Evangelho, ou de libertação. O Espírito Santo estava sobre ela. Se não o fez é porque já cumprira sua missão. A dura batalha de divulgar as boas novas ficaria para os homens, fisicamente mais fortes. Os afazeres domésticos, a criação dos filhos, o desgaste decorrente da crucificação de Jesus não lhe permitiriam correr mundo, viajar, enfrentar tribulações. É óbvio que ela passou o resto de sua vida atenta aos acontecimentos; acompanhando à distância o movimento e sofrendo com as más notícias de prisões, perseguições e torturas por que passaram os discípulos; e alegrando-se com as boas notícias de muitas conversões, e com o crescimento do cristianismo.
Como vimos, só Jesus salva, perdoa pecados, cura e liberta. Jesus veio salvar a humanidade; colocou-se em nosso lugar na cruz; pagou o preço da remissão de nossos pecados com Seu sangue.
Foi Ele quem morreu em nosso lugar. Quem derramou sangue foi Ele. Somente Jesus e mais ninguém. Não foi José, Benedito, Paulo, João ou Maria. A Ele toda a honra e glória. Portanto, HONREMOS A MARIA, MAS ADOREMOS O NOSSO SALVADOR; HONREMOS A MARIA, MAS ADOREMOS A JESUS; HONREMOS A MÃE, ADOREMOS O FILHO DE DEUS.

ORIGEM DA ADORAÇÃO A MARIA

A falsa adoração a uma deusa-mãe, rainha dos céus, senhora, madona etc. teve início na antiga Babilônia e se espalhou pelas nações até chegar a Roma. Os gregos adoravam Afrodite; em Éfeso, a deusa era Diana; Isis era o nome da deusa no Egito. Muitos desse tipo de adoradores “aderiram” ao catolicismo em Roma para ficarem mais próximos do poder, haja vista que o Império Romano no século III adotou o cristianismo como religião oficial. Então, esses “cristãos” nominais levaram suas práticas idólatras e pagãs para a Igreja de Roma. Em vez de coibir o abuso e conduzir os fiéis pelos caminhos da fé exclusiva em Deus, os líderes do catolicismo romanos contemporizaram a situação: aos poucos as imagens pagãs foram substituídas por imagens cristãs; os deuses pagãos, substituídos pelos deuses cristãos (os santos bíblicos) e, na esteira desse sincretismo religioso, a santa Maria surgiu como “Mãe de Deus”, “Senhora”, “Sempre Virgem”, “Concebida sem Pecado”, “Assunta aos céus”, “Mediadora e Advogada”, Co-Redentora.

A seguir, algumas inovações dogmatizadas pela Igreja Católica Romana, aprovadas em concílios a partir do terceiro século depois de Cristo:
Ano 270 – Origem da vida monástica no Egito, por Santo Antonio.
Ano 320 – Uso de velas.
Ano 370 – Culto dos santos, professado por Basílio de Cesaréia e Gregório Nazianzo.
Ano 400 – Iniciadas as orações pelos mortos e sinal da cruz.
Ano 431 – Maria é proclamada “Mãe de Deus”.
Ano 500 – Origem do Purgatório,por Gregório,o Grande.
Ano 609 – Culto da Virgem Maria, por Bonifácio IV. Invocação da Virgem Maria, dos santos e dos anjos, estabelecida por lei na Igreja pelo Concílio de Constantinopla.
Ano 670 – Celebração da missa em latim, língua desconhecida do povo, pelo Papa Gregório I.
Ano 758 – Confissão auricular, e absolvição, estabelecida como doutrina pelo IV Concílio de Latrão, em Roma.
Ano 787 – Culto das imagens ordenado pela Igreja no II Concílio de Nicéia. Ano 880 – Canonização dos santos, por Adriano II.
Ano 965 – O Batismo de Sinos.
Ano 998 – Dia de Finados, Quaresma,jejum às sextas-feiras e na Páscoa.
Ano 1000 – Sacrifício da missa.
Ano 1074 – Instituição do celibato do Clero, por Gregório VII.
Ano 1095 – Venda de indulgências plenárias,por Urbano II.
Ano 1125 – As primeiras idéias sobre a Imaculada Conceição de Maria, combatidas por São Bernardo.
Ano 1164 – Os Sete sacramentos, por Pedro Lombardo, no Concílio de Trento.
Ano 1184 – A diabólica INQUISIÇÃO, chamada santa, pelo Concílio de Verona.
Ano 1200 – O rosário, por São Domingos.
Ano 1215 – Transubstanciação, pelo Concílio de Latrão.
Ano 1220 – A Hóstia e respectiva adoração, por Inocêncio III.
Ano 1229 – Proibição da leitura das Bíblia aos leigos, pelo Concílio deTolosa.
Ano 1264 – Festa do Sagrado Coração, papa Urbano IV.
Ano 1311 – Procissão do SS. Sacramento, papa João XXII.
Ano 1317 – Oração da Ave-Maria, papa João XXII.
Ano 1414 – Proibição de vinho aos fiéis, na Santa Comunhão, pelo Concílio de Basiléia, determinando o uso do CÁLICE somente pelos sacerdotes.
Ano 1546 – Aceitação dos livros apócrifos, pelo Concílio de Trento.
Ano 1563 – Igualdade entre a Tradição e a Palavra de Deus, Concílio de Trento.
Ano 1854 – A Imaculada Conceição da Virgem, papa Pio IX.
Ano 1870 – A infalibilidade do papa, Concílio do Vaticano.
Ano 1950 – Assunção de Maria transformado em artigo de fé.
Além desses atos, as rezas da Ave-Maria chamam-na de “Sempre Virgem”, “Rainha”, “Advogada”, ”Mãe de Deus”, Concebida Sem Pecado. Então, iremos examinar um por um esses títulos à luz da verdade contida na Palavra de Deus, lembrando que a Bíblia é a única regra de fé e prática do cristão.

A TRADIÇÃO CATÓLICA

“E assim invalidastes, por vossa tradição, o mandamento de Deus. Hipócritas, bem profetizou Isaías, a vosso respeito, dizendo: Este povo honra-me com os seus lábios, mas o seu coração está longe de mim. Mas em vão me adoram, ensinando doutrinas que são mandamentos dos homens” (Mateus 15.6-9).
Segundo o entendimento do Vaticano, a Tradição tem valor igual à Palavra de Deus. Vejamos o que diz essa Igreja no “Catecismo da Igreja Católica” (C.I.C.):
“Fica, portanto, claro que segundo o sapientíssimo plano divino, a Sagrada Tradição, a Sagrada Escritura e o Magistério da Igreja estão de tal modo entrelaçados e unidos que um não tem consistência sem os outros, e que juntos, cada qual a seu modo, sob a ação do mesmo Espírito Santo, contribuem eficazmente para a salvação das almas” (C.I.C. p. 38, # 95).
“O que Cristo confiou aos apóstolos, estes o transmitiram por sua pregação e por escrito, sob a inspiração do Espírito Santo, a todas as gerações, até a volta gloriosa de Cristo. A Sagrada Tradição e a Sagrada Escritura constituem um só sagrado depósito da Palavra de Deus.” (C.I.C. p.38, # 96 e 97).
Como a Tradição é sagrada e tem autoridade igual à Palavra de Deus, ela dá-se ao luxo de criar dogmas, inventar coisas e até ir contra a Bíblia Sagrada. Exemplo: A Tradição diz que Maria é nossa advogada, auxiliadora, protetora e medianeira (C.I.C. p. 274, # 969). A Bíblia diz que “só há um Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem” (1 Timóteo 2.5). A Tradição diz que Maria é a Mãe de Deus. A Bíblia diz que Deus é eterno, imutável, onipotente, onisciente, onipresente, sendo, como tal, um ser incriado, não gerado; não podendo ter mãe, nem pai. Temos de admitir que é um absurdo a declaração de que a Palavra de Deus só pode contribuir eficazmente para a salvação das almas se atuar junto com a Sagrada Tradição (C.I.C. p.38, # 95). Vejamos mais:
“O encargo de interpretar autenticamente a Palavra de Deus foi confiado exclusivamente ao Magistério da Igreja, ao Papa e aos bispos em comunhão com ele” (C.I.C. p. 38, # 100).
Seria o caso de se perguntar quem foi que confiou à Igreja Católica a exclusiva missão de bem interpretar as Escrituras? Eis aí a razão por que essa denominação não incentiva a leitura da Bíblia entre seus fiéis. Se os católicos não sabem, não podem e não devem interpretar a Palavra de Deus – ainda que formados em Teologia – para que usariam a Bíblia? Vejamos o que diz a Palavra:
“Toda Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça, para que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente instruído para toda boa obra” (1 Timóteo 3.16).
“Sabendo primeiramente, isto, que nenhuma profecia da Escritura provém de particular interpretação” (2 Pedro 1.20).
Paulo recomenda o estudo da Bíblia: “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem do que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade” (2 Timóteo 2.15).
Jesus recomendou: “Examinai as Escrituras…” (João 5.39).
Como vimos, a Bíblia Sagrada deve ser lida, analisada, interpretada por todos, principalmente pelos filhos de Deus, ou seja, os que se convertem ao Senhor Jesus e são “feitos filhos de Deus” (João 1.12). Cabe às denominações cristãs orientar os irmãos na leitura, mas nunca lhes tirar o direito ao livre exame das Escrituras.
Analisemos os vários títulos atribuídos a Maria, não à luz da Tradição, mas da santa e verdadeira Palavra de Deus.

ASSUNÇÃO DE MARIA

O que diz a Tradição:
“Finalmente, a Imaculada Virgem, preservada imune de toda mancha da culpa original, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celeste. E para que mais plenamente estivesse conforme a seu Filho, Senhor dos senhores e vencedor do pecado e da morte, foi exaltada pelo Senhor como Rainha do universo. A Assunção da Virgem Maria é uma participação singular na Ressurreição de seu Filho e uma antecipação da ressurreição dos outros cristãos” (C.I.C. p. 273, # 966).
Contestação – “Assunção de Maria” significa que Maria subiu ao céu em corpo e alma, levada por seu Filho. Tal ensino não encontra amparo nas Sagradas Escrituras. É claro que a santa Maria está no céu, lugar para onde vão todos os que morrem em Cristo. Diz o ex-padre José Barbosa de Sena Neto, em suas “confissões”: “A coisa mais espantosa dessa doutrina é que não tem nenhuma prova bíblica”. E o ex-padre conclui: “O Papa Pio XII (que promulgou essa doutrina) disse que “qualquer um que doravante duvide ou negue esta doutrina apostatou totalmente da divina fé católica; isto – continua o ex-padre – significa que é pecado mortal para qualquer católico romano recusar-se a crer nessa fantasiosa doutrina!” A Tradição diz que Maria foi assunta ao céu de corpo e alma, e o Senhor a elegeu Rainha do Universo. É o caso de se perguntar: Quem viu? Quem escreveu? Onde está escrito?
Que Maria está na glória não há dúvida, mas não que tenha ressuscitado. São incontáveis os santos que se encontram no Paraíso, aguardando a plenitude dos tempos para ressuscitarem num corpo espiritual (1 Tessalonicenses 4.16-17).

CONCEBIDA SEM PECADO

O que diz a Tradição:
“Desde o primeiro instante de sua concepção, foi totalmente preservada da mancha do pecado original e permaneceu pura de todo pecado pessoal ao longo de toda a sua vida” (C.I.C. p. 143, # 508). “Pela graça de Deus, Maria permaneceu pura de todo pecado pessoal ao longo de toda a sua vida” (C.I.C. p. 139, # 493).
Contestação – As expressões “concebida sem pecado” e “imaculada” são comuns nas rezas e escritos romanos. O dogma da Imaculada Conceição de Maria foi definido no ano de 1854.
A única forma de Maria ter sido gerada sem pecado seria mediante a intervenção direta do Espírito Santo no ventre de sua mãe, tal como aconteceu com Jesus. E essa exceção teria registro prioritário na Bíblia.
Contrariando a Tradição, a Palavra de Deus declara de modo enfático, sem rodeios: “POIS TODOS PECARAM E DESTITUÍDOS ESTÃO DA GLÓRIA DE DEUS, E SÃO JUSTIFICADOS GRATUITAMENTE PELA SUA GRAÇA, PELA REDENÇÃO QUE HÁ EM CRISTO JESUS” (Romanos 3.23). Como resultado da desobediência de Adão e Eva, TODOS somos pecadores; todos herdamos a natureza pecaminosa do primeiro casal; todos fomos atingidos pelo “pecado original”. A Bíblia fala em TODOS. Todos, sem exceção. Dos santos do Antigo Testamento (Noé, Abraão, Moisés, Josué, Davi, Elias, Isaías, dentre outros) aos do Novo Testamento (Mateus, João, João Batista, Paulo, Pedro, José, Maria e outros), todos pecaram e necessitaram da graça de Deus para serem justificados. No Salmo 51.5, Davi reconhece a sua propensão natural para o pecado: “Eis que em iniqüidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe”. Maria venceu essa natureza pecaminosa porque confiava e cria em Deus, seu Salvador (Lucas 1.46-47).
E ainda: “PELO QUE, COMO POR UM HOMEM ENTROU O PECADO NO MUNDO, E PELO PECADO A MORTE, ASSIM TAMBÉM A MORTE PASSOU A TODOS OS HOMENS, PORQUE TODOS PECARAM” (Rm 5.12). Ora, “semente gera semente da mesma espécie”. Uma semente de manga vai gerar manga. Assim acontece com a laranja, com o abacate e com as demais frutas. Assim aconteceu com os homens. Somos da semente de Adão. Jesus foi o único que não herdou a maldição do pecado porque Ele foi gerado pelo Espírito Santo. “Todos estão debaixo do pecado. Não há um justo. Nem um sequer” (Rm 3.9c, 10). Em lugar nenhum da Bíblia está escrito que a santa Maria foi uma exceção. Maria está incluída no “TODOS PECARAM”. A própria Maria, mãe de Jesus, reconheceu ser pecadora, quando disse: “A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador” (Lc 1.46-47). Ora, uma pessoa sem mácula, sem mancha, sem pecado não precisa de Salvador. Ela declarou que sua alma necessitava ser salva. Ela clamou pela graça salvadora de Deus, pois “pela graça somos salvos, mediante a nossa fé” (Efésios 2.8).

De Jesus, porém, a Bíblia diz que “Ele não cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano” (1 Pedro 2.22). Jesus era humano, contudo sem pecado (2 Co 5.21; Hb 4.15; 1 Pe 3.18; 1 Jo 3.3). A Bíblia não faz semelhante afirmação com respeito a Maria, porquanto ela está inclusa no “Todos pecaram”. Assim diz a Palavra de Deus.
Em oposição a essa verdade, dizem os romanistas que para gerar um ser puro – Jesus – Maria teria que ser de igual modo pura, porque um ser impuro não poderia acolher um ser puro. Ora, se admitido como verdadeiro e correto tal raciocínio, teríamos de admitir que a mãe de Maria deveria ser também pura para carregar no seu ventre uma pessoa imaculada. A avó de Maria, por sua vez, teria que ser pura. E, nesse passo, chegaríamos ao primeiro casal Adão e Eva. E estaríamos dizendo que a Palavra de Deus é mentirosa, quando afirma: Todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Romanos 3.23; 5.12).
Vejamos mais alguns versículos que confirmam a extensão do pecado de Adão e Eva a todos: “Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus” (2 Coríntios 5.21). “Não há justo, nem sequer um” (Romanos 3.10). “Mas a Escritura encerrou tudo sob o pecado.” (Gálatas 3.22). “Não há homem justo sobre a terra que faça o bem e que não peque” (Eclesiastes 7.20).

A SEMPRE VIRGEM MARIA

A Igreja de Roma assegura que a santa Maria, mãe de Jesus, conservou-se virgem até a sua morte:
“Maria permaneceu Virgem concebendo seu Filho, Virgem ao dá-lo à luz, Virgem ao carregá-lo, Virgem ao alimentá-lo de seu seio, Virgem sempre” (C.I.C. p. 143, # 510).
Contestação – Antes do nascimento de Jesus, Maria e José não mantiveram relações íntimas. Nascido Jesus, e passado o período pós-parto, o casal passou a ter uma vida normal de marido e mulher e teve os seguintes filhos: Tiago, José, Simão, Judas e, no mínimo, duas filhas. Esta opinião está alicerçada nos textos abaixo:
“Não é este o filho do carpinteiro? E não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas? Não estão entre nós todas as suas irmãs?” (Mateus 13.55-56; Marcos 6.3).
Corroborando essa afirmação, lemos no mesmo livro de São Mateus:
“Estando Maria, sua mãe (mãe de Jesus), desposada com José, antes que coabitassem, achou-se grávida pelo Espírito Santo. José, seu marido, sendo justo e não querendo difamá-la, resolveu deixá-la secretamente. Projetando ele isso, em sonho lhe apareceu um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber a Maria tua mulher, porque o que nela foi gerado é do Espírito Santo. José, despertando do sonho, fez como o anjo do Senhor lhe ordenara, e recebeu a sua mulher. Mas não a conheceu até que ela deu à luz um filho. E ele lhe pôs o nome de Jesus” (Mt 1.18-20, 24-25).

A expressão “ATÉ QUE” – “não a conheceu até que ela deu à luz um filho” – indica um limite de tempo. Poderíamos traduzir assim: José não manteve relações íntimas com Maria enquanto ela estava grávida de Jesus, aliás, em cumprimento à profecia: “a virgem conceberá e dará à luz um filho …” (Isaías 7.14). Isto é, até o nascimento de Jesus ela manteve-se virgem. Os romanistas interpretam o texto de forma diferente. Dizem que a abstinência de José manteve-se depois do parto de Maria. Para mim, a expressão é clara. Veja o exemplo de uma ordem de uma mãe ao filho: “Você deve ficar em casa até que eu volte”. Então, enquanto a mãe não voltar, o filho ficará em casa. A proibição alcança o tempo em que aquela mãe estiver fora de casa. Depois do seu retorno, o filho poderá sair de casa. Comparativamente, enquanto não nasceu Jesus, José respeitou a virgindade de sua mulher. Jesus realmente nasceu de uma virgem, conforme a Escritura, mas nada prova que Maria tenha continuado virgem.
Lembremo-nos, finalmente, de que Maria “deu à luz a seu filho primogênito…” (Lucas 2.7a).
Primogênito, segundo o Dicionário Aurélio, diz-se “daquele que foi gerado antes dos outros, que é o filho mais velho”. Jesus foi, portanto, o filho mais velho de José e Maria, conforme Mateus 13.55-56. Já na relação Deus Pai e Deus Filho, Jesus é chamado de unigênito, único, tal como definido em João 3.16. São Mateus não iria usar uma expressão que causasse alguma dúvida. Se Jesus fosse o único filho, Mateus usaria certamente a expressão UNIGÊNITO, que significa filho único, conforme diz o Dicionário Aurélio.

Mais adiante, sob o título “Os Irmãos de Jesus”, apresentamos uma análise mais detalhada sobre essa questão.

MEDIANEIRA, INTERCESSORA, ADVOGADA

Como diz Raimundo F. de Oliveira, “a essência da adoração na Igreja Católica Romana não gira em torno do Pai, do Filho e do Espírito Santo, mas da pessoa da Virgem Maria”. A esse respeito vejamos o que diz a Tradição no Catecismo da Igreja Católica:
“Por isso, a bem-aventurada Virgem Maria é invocada na Igreja sob os títulos de advogada, auxiliadora, protetora, medianeira” (C.I.C. p. 274, # 969).
Contestação – Nosso raciocínio deve ser norteado não pelo que os homens afirmam, declaram, proclamam ou decidem. Em assuntos tais, a Bíblia é a nossa bússola, nosso guia, nossa regra
. “Toda Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente preparado para toda boa obra” (2 Timóteo 3.16-17).
A Bíblia declara que só Jesus é Mediador, Intercessor e Advogado nosso junto ao Pai . Vejamos: “PORQUE HÁ UM SÓ DEUS, E UM SÓ MEDIADOR ENTRE DEUS E OS HOMENS, CRISTO JESUS, HOMEM” (1 Timóteo 2.5).

“SE, PORÉM, ALGUÉM PECAR, TEMOS UM ADVOGADO PARA COM O PAI, JESUS CRISTO, O JUSTO” (1 João 2.1). “PORTANTO, PODE TAMBÉM SALVAR PERFEITAMENTE OS QUE POR ELE SE CHEGAM A DEUS, VIVENDO SEMPRE PARA INTERCEDER POR ELES” (Hebreus 7.25).
Além dessas afirmações inequívocas, o próprio Jesus disse: “EU SOU O CAMINHO, A VERDADE E A VIDA. NINGUÉM VEM AO PAI, SENÃO POR MIM” (João 14.6).
Não podemos passar por cima da Escritura. Devemos ser submissos à vontade soberana de Deus. Se Ele declara na Sua Palavra que Jesus é o único Advogado, Intercessor e Mediador, não há razão para acreditarmos que exista outro exercendo as mesmas funções. E se o fizermos, estaremos chamando Deus de mentiroso, dizendo que a Sua Palavra não é a expressão da verdade, e que o próprio Jesus mentiu quando revelou que ninguém iria a Deus Pai se não fosse através dEle, isto é, por Seu intermédio. Logo, não há outros intermediários entre Deus e os homens.
Jesus declarou que somente através dEle os homens teriam comunhão com Deus Pai. Logo, não chegaremos a Deus através da Santa Maria, nem por meio de qualquer outro santo. Em Hebreus 7.25, vimos que Jesus salva os que por Ele se chegam a Deus, confirmando que Cristo é verdadeiramente o caminho. Não há outro caminho. A Santa Maria não é o caminho, nem um dos caminhos. Jesus declara que Ele é O CAMINHO. Note-se o artigo definido – “o” – definindo a existência de um único caminho.
Jesus convidou todos a irem a Ele, sem intermediários:
“Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei” (Mateus 11.28). Aqui, Jesus faz um convite e uma promessa. Ele não deixa chance para irmos a outros intercessores ou mediadores, ainda que seja a Santa Maria. Jesus é categórico: venham a mim, me procurem, peçam-me, busquem-me e eu resolverei seus problemas. Não há na Bíblia qualquer indicação para procurarmos os santos para o atendimento de nossas necessidades.
Ademais, Maria não ouve os pedidos a ela dirigidos. Por que ela é surda? Não. Porque ela não possui o atributo na ONIPRESENÇA. Não só ela. Os santos falecidos não são dotados da capacidade de estarem em todos os lugares ao mesmo tempo. O atributo da onipresença pertence a Deus Pai, Deus Filho, Deus Espírito Santo. É atributo intransferível, exclusivo da Trindade. Em meu estudo “Jesus Cristo, o Santo dos Santos”, apresento dez razões para não adorarmos os santos e não dirigirmos a eles nossas súplicas. Logo, se a Santa Maria não se encontra em todos os lugares, inútil é falarmos a ela. Se porventura ela ouvisse nossas súplicas, não as poderia levar a Deus. E qual a razão? Ela estaria contrariando a palavra de Deus, que diz claramente:
“Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem” (1 Timóteo 2.5).
De maneira nenhuma a santa Maria iria tomar a posição de Jesus. Contrariar a palavra de Deus é contrariar o próprio Deus. Vejamos: “Eu velo sobre a minha palavra, para a cumprir” (Jeremias 1.12).
Nossas ações devem ser dirigidas pelo que diz a palavra de Deus, e não pelo que os homens afirmam ou a Tradição nos ensina. Vejamos:
“Assim invalidastes, pela vossa tradição, o mandamento de Deus” (Mateus 15.6).
“Deixando o mandamento de Deus, guardais a tradição dos homens…” (Marcos 7.8).
“Tende cuidado para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo” (Colossenses 2.8). Sei o quanto é difícil de

etar de nossa mente anos e anos de ensino contrário à palavra do Senhor. Mas não existe outra saída para o cristão que deseja realmente reconciliar-se com o Pai, arrepender-se de seus pecados e deixá-los, e permanecer firme na fé em Cristo Jesus. Convém que apaguemos de nossa memória todos os ensinos, dogmas e doutrinas contrários ao que ensina e recomenda a Bíblia. Reflita:
“Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar e buscar a minha face, e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra” (2 Crônicas 7.14).
Vejam bem que Deus estabelece uma condição para atender aos pedidos. Ele requer humildade. Humildade significa reconhecermos que somos pó, somos pecadores e precisamos da Sua GRAÇA para sermos salvos. Ele requer oração. Orar significa falar com Deus, não apenas na hora do aperto, da aflição, da angústia, do sufoco. Falar com Ele, também, quando tudo vai bem: “Em tudo daí graças. Ele requer que busquemos a Sua face, ou seja, devemos clamar somente a Ele. Ele requer conversão dos maus caminhos. Impõe que deixemos os pecados, a idolatria, os intermediários. Conversão implica arrependimento. Sem arrependimento não há perdão; sem perdão não há salvação. Jesus, e não Maria, é o nosso advogado, intercessor, auxiliador, ajudador:
“Assim, com confiança, ousemos dizer: O Senhor é o meu auxílio; não temerei” (Hebreus 13.6).
“Certamente Deus é o meu ajudador” (Salmos 54.4). “O Senhor é o meu auxílio…” (Hebreus 13.6).
“Jesus, o Mediador de uma nova aliança…” (Hebreus 12.24). “Meus Filhinhos, estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, porém, alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo” (1 João 2.1). Aqui a confirmação de que dentre os homens só existiu um justo, Jesus.
Nada devemos pedir à santa Maria, nem a qualquer outro santo. Os santos falecidos nada podem fazer por nós. As suas imagens, as imagens de escultura que os representam, também nada podem fazer em nosso benefício. Não podemos esquecer de que somente JESUS pode mediar no céu em nosso favor. Não há outro. Se houvesse, Deus revelaria. O primeiro mandamento de Deus é direto, taxativo, claro, objetivo, sem circunlóquio:
“NÃO TERÁS OUTROS DEUSES DIANTE DE MIM” (Êxodo 20.3) E o segundo mandamento ainda é mais preciso, categórico, cristalino, direto, sem rodeio ou meias palavras:
“Não farás para ti imagens de escultura, nem semelhança nenhuma do que há em cima nos céus… não te encurvarás a elas nem as servirás…”(Êxodo 20.4).
Deus proíbe o uso de imagens com semelhança do que há nos céus. Quem está nos céus? Está Deus (Pai, Filho e Espírito Santo), os anjos e os santos. Logo, não se deve usar imagens de Jesus, nem de qualquer pessoa falecida que, por sua fé em Deus, esteja na glória.

A Tradição pensa diferente:

“Na trilha da doutrina divinamente inspirada de nossos santos Padres e da tradição da Igreja católica, que sabemos ser a tradição do Espírito Santo que habita nela, definimos com toda certeza e acerto que as veneráveis e santas imagens, bem como as representações da cruz preciosa e vivificante, sejam elas pintadas, de mosaico ou de qualquer outra matéria apropriada, devem ser colocadas nas paredes e em quadros, nas casas e nos caminhos, tanto a imagem de Nosso Senhor, Deus e Salvador, Jesus Cristo, como a de Nossa Senhora, a puríssima e santíssima mãe de Deus, dos santos anjos, de todos os santos e dos justos.” (C.I.C. p.326/327, # 1161). “A beleza e a cor das imagens estimulam minha oração. É uma festa para os meus olhos, tanto quanto o espetáculo do campo estimula meu coração a dar glória a Deus” (C.I.C. p.327, # 1162).
Como se vê, o catolicismo incentiva o uso de ícones e diz que são necessários à verdadeira adoração a Deus. Tudo contra a Palavra. Ainda bem que reconhecem que essas coisas são decorrentes da Tradição. Mas falam de doutrina divinamente inspirada, soprada pelo Espírito Santo. Por que o mesmo Espírito que em nós habita, nos evangélicos, também não nos conduz ao uso de imagens? Jesus disse que “Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade” (João 4.24). Outra proibição é para não nos encurvarmos diante das imagens.
Isto compreende: baixar a cabeça, inclinar o corpo, tirar o chapéu, ajoelhar-se, ou qualquer outro gesto de submissão, reverência ou respeito. A proibição “não as servirás” compreende: não servir as imagens com lágrimas, com toques, com beijos, com pedidos, com velas, procissão, flores, cânticos, saudações, ofertas em dinheiro ou em alimentos; com promessas e sacrifícios; com cuidados especiais, com jejuns e rezas. É bom não esquecermos que Jesus, na qualidade do Verbo que se fez carne e habitou entre nós, estava presente no Monte Sinai, e escreveu o Segundo Mandamento em tábuas de pedra, e as entregou a Moisés. “Fazei tudo o que Ele vos disser”, disse Maria aos serventes nas bodas de Caná da Galiléia (João 2.1-5) Devemos, portanto, atender ao pedido de Maria, de satisfazermos a Sua vontade, que é a vontade de Deus.

MÃE DE DEUS

Imaginei de início que o titulo “Mãe de Deus” atribuído à humilde mãe de Jesus fosse apenas uma demonstração de carinho. Com o passar dos anos, notei que se tratava de algo mais sério. Muitas crianças, jovens e adultos estão convictos de que Maria é a Mãe de Deus. Sei que estas palavras escritas não alcançarão a massa de 30 milhões de analfabetos, 30 milhões de alfabetizados, mais 30 milhões que não desejam confrontar suas tradições e crenças com a verdade. Apresentaremos alguns argumentos com vistas a deixar bem claro que Deus não tem mãe, e que por haver sido mãe de Jesus, homem, Maria não é mãe de Deus.

A palavra da Tradição:
“Maria é verdadeiramente a “Mãe de Deus”, visto ser a mãe do Filho Eterno de Deus feito homem, que é ele mesmo Deus” (C.I.C. p.143, # 509).
“Por isso o Concílio de Éfeso proclamou, em 431, que Maria se tornou de verdade Mãe de Deus pela concepção humana do Filho de Deus em seu seio” (C.I.C. p.131, # 466).
“Denominada nos Evangelhos “a Mãe de Jesus” (Jo 2.1; 19.25). Maria é aclamada, sob o impulso do Espírito, desde antes do nascimento de seu Filho, como “a Mãe de meu Senhor” (Lc 1.43). Com efeito, Aquele que ela concebeu do Espírito Santo como homem e que se tornou verdadeiramente seu Filho segundo a carne não é outro que o Filho eterno do Pai, a segunda Pessoa da Santíssima Trindade. A Igreja confessa que Maria é verdadeiramente Mãe de Deus” (C.I.C. p. 140. # 495).
Contestação – A Bíblia causa uma certa inquietação e até temor. O temor do confronto. A Palavra, como um espelho, coloca às claras nossas imperfeições, rugas, pecados. E, em face disso, somos movidos a tomar uma decisão. Desprogramar de nossa mente o que foi armazenado durante cinco séculos é tarefa árdua. Bom para muitos é deixar rolar, na onda do “me engana que eu gosto”.
A Bíblia nos revela, de Gênesis a Apocalipse, que Deus é o nosso Pai, o Criador de todas as coisas. A oração-modelo ensinada por Jesus começa assim: “PAI NOSSO QUE ESTÁS NOS CÉUS”.
Todos os que aceitam a Jesus como Senhor e Salvador passam a ser filhos de Deus: “PORQUE TODOS SOIS FILHOS DE DEUS PELA FÉ EM CRISTO JESUS” (Gálatas 3.26). “Vós sois filhos do Deus vivo” (Oséias 1.10c).
Maria sempre foi temente a Deus; era justa aos olhos de Deus; creu em Jesus, nas suas palavras, na Sua morte e ressurreição. E, assim, ela foi constituída filha de Deus.
Quando Jesus disse a Nicodemos que era necessário nascer de novo para ver o reino de Deus, Ele não excluiu sua mãe do processo (Jo 3.3). Também, a declaração de Jesus, a seguir, confirma que sua família – mãe, pai e irmãos – necessitava de submissão a Deus e obediência à Sua Palavra para ser salva:
“Chegaram então seus irmãos e sua mãe e, estando de fora, mandaram-no chamar”. A multidão estava assentada ao redor dele, e lhe disseram: “Tua mãe e teus irmãos te procuram, e estão lá fora”. Jesus lhes perguntou: “Quem é minha mãe e quem são meus irmãos?” Então, olhando em redor para os que estavam assentados junto dele, disse: “Aqui estão minha mãe e meus irmãos. Portanto, “QUALQUER QUE FIZER A VONTADE DE DEUS, ESTE É MEU IRMÃO, IRMÃ E MÃE (Marcos 3.31-35). Jesus nivelou sua mãe e seus irmãos a todos os que obedecem a Deus.
Em certa ocasião Jesus não permitiu que tivesse prosseguimento a tentativa de exaltar sua mãe. Vejamos:
“Dizendo Ele estas coisas, uma mulher dentre a multidão levantou a voz, e lhe disse: Bem-aventurado o ventre que te trouxe e os peitos em que mamaste! Mas Jesus respondeu: Antes bem-aventurados são os que ouvem a palavra de Deus e a guardam.” (Lucas 11.27-28).
Muito mais bem-aventurados são os que obedecem a Deus, disse Jesus. Para defender sua Tradição, os líderes romanistas agarram-se à seguinte fala de Isabel a Maria: “De onde me provém que me venha visitar a mãe do meu Senhor?” (Lucas 1.43). Ora, está claro e evidente que a parenta de Maria não estava se referindo ao Deus de Abraão, Isaque e Jacó; ao Deus de Israel, ao nosso Deus, nosso Pai celestial, nosso Senhor. Seria até hilariante, se não fosse assunto tão sério, imaginar que Isabel estivesse ali saudando Maria como mãe de Deus. Isabel reconheceu Maria como a mãe do Messias tão esperado. As palavras de Simeão e de Ana, no templo, também tiveram este mesmo significado (Lucas 2.25-38). O Deus Filho que se fez carne sempre existiu.
A Bíblia diz que os que morreram em Cristo ressuscitarão na Sua volta, num corpo celestial e incorruptível (1 Tessalonicenses 4.16-17). Logo, de acordo com esta Palavra, a santa Maria aguarda, como todos, esse dia glorioso. Como, nesse estágio, poderia ser mãe de Deus? Por outro lado, para ser mãe de Deus a santa Maria, por óbvias razões, deveria possuir os mesmos atributos da Trindade, ou seja, ser onipresente, onisciente e onipotente, eterna e imutável. Sabemos que estes atributos são exclusivos de Deus, absolutos e incomunicáveis. Em resumo, para ser mãe de Deus ela teria que ser igual a Deus. Se admitirmos a hipótese da existência de uma mãe para Deus, seria válido esquecermos a doutrina da Santíssima Trindade e, em seu lugar, instituirmos a do Santíssimo Quarteto, assim compreendido: Deus Pai, Deus Mãe, Deus Filho e Deus Espírito Santo, o que seria uma extravagância teológica.
Deus é eterno, não teve começo, não foi gerado, e não terá fim. Deus não tem mãe, nem pai. Maria não pode ser mãe do seu Criador e Salvador. Maria não pode ser mãe do seu próprio Pai. A criatura não pode ser mãe do Criador. A santa Maria foi escolhida foi por Deus para que em seu ventre o Verbo se fizesse carne. Mas o Verbo, o Deus Filho, este sempre existiu porque eterno. O Verbo não foi gerado por Maria. Leia-se:
“No princípio, era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por Ele… e o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vemos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (João 1.1-3, 14).
Esta é uma afirmação da eternidade de Jesus: Ele estava no princípio, esteve presente na Criação, estava com Deus, é Deus. Logo, um ser humano finito e limitado (Maria) não poderia gerar um ser eterno, divino, infinito e ilimitado. A Tradição confirma a eternidade de Jesus, quando diz que Maria é a Mãe do Filho Eterno de Deus. Ora, o eterno não é gerado e não cabe na vida finita de um ser que precisou ser gerado.
Vejamos as palavras de Maria:
“EU SOU A SERVA DO SENHOR. CUMPRA-SE EM MIM SEGUNDO A TUA PALAVRA” (Lucas 1.38). Jesus disse que “o servo não é mais do que o seu senhor” (Mt 10.24). Maria não desejava outra coisa senão ser serva de Deus. Jamais passou por sua cabeça ser mãe do Altíssimo. Seria completamente impossível uma mulher ser mãe, ou um homem ser pai de Deus. Mais adiante ela declara, dando ênfase à sua condição de serva:
“A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador, pois olhou para a humildade da sua serva. Desde agora todas as gerações me chamarão bem-aventurada” (Lucas 1.46-48). Vê-se que Maria não almejou nada mais nada menos do que se colocar na posição de serva do Senhor. E assim ela fez por toda a sua vida.
Por qual razão Jesus não exaltou as qualidades espirituais de sua mãe, sabendo Ele de antemão que ela seria aclamada por “sua” Igreja Católica Romana como Mãe do Universo, Mãe de Deus, Rainha do Céu, a Mãe dos Vivos, Intercessora, Advogada, Medianeira, Co-Redentora? Por que Jesus não dividiu Sua glória com sua mãe? Por que Jesus, durante todo o seu ministério, não nos deixou uma única revelação, uma única palavra conduzindo-nos a exaltar a sua mãe? Por que a “Mãe de Deus” não foi exaltada ou glorificada nas cartas paulinas, nas mensagens inspiradas do apóstolo Paulo? Por que a Bíblia só registra o nome de Maria no que é estritamente necessário? A existência da Mãe de Deus não deveria constituir uma das doutrinas básicas do cristianismo? SENHORA, PADROEIRA E CO-REDENTORA

A santa e humilde Maria nunca desejou tomar o lugar do Salvador, do Filho de Deus. A sua posição foi de serva ciente de sua missão, a missão de trazer à luz a Luz do mundo, o Pão da vida, o Verbo de Deus. Até nas suas palavras a mãe de Jesus foi discreta. 0 registro mais extenso das palavras por ela pronunciadas está em Lucas 1.46-55, sob o título “O cântico de Maria.” Nessa oração, como já vimos atrás, Maria se mostra muito feliz e agradecida a Deus por haver sido agraciada com tão nobre missão: “Pois olhou para a humildade da sua serva. Desde agora todas as gerações me chamarão bem-aventurada”. Nos versículos 46 e 47, Maria se declara necessitada de salvação: “A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador”.
Não se encontra nas Escrituras qualquer tipo de adoração a Maria, ou qualquer ensino nesse sentido. Muitas pessoas interpretam mal o título “Bem-aventurada”. Uma pessoa bem-aventurada quer dizer uma pessoa feliz, ditosa e bendita. É o estado “daqueles que, por seu relacionamento com Cristo e com a sua Palavra, receberam de Deus o amor, o cuidado, a salvação e sua presença diária. O arcanjo Gabriel disse: “Bendita és tu ENTRE as mulheres”, e não bendita ACIMA das mulheres. A mesma declaração foi feita por Isabel a Maria acrescentando: “… e bendito o fruto do teu ventre” (Lucas 1.42). E a própria Maria afirmou que “desde agora todas as gerações me chamarão bem-aventurada” (Lucas 1.48b).
Jesus, no “Sermão da Montanha”, chamou de “BEM- AVENTURADOS” os pobres de espírito, os que choram, os mansos, os que têm fome e sede de justiça, os misericordiosos, os puros de coração, os pacificadores, os que sofrem perseguição por causa da justiça e os perseguidos por causa dele (Mateus 5.3-11). E bem-aventurada é Maria em razão da missão a ela confiada. Então, os salvos somos bem-aventurados, isto é, somos felizes porque agraciados com bênçãos de Deus. Não há a menor possibilidade de, após a nossa morte – a morte dos bem-aventurados – chegarmos à condição elevada de Senhor ou Senhora, Pai ou Mãe de todos. Vejamos o que diz a Bíblia:
“Ouve, ó Israel: o Senhor nosso Deus é o único Senhor”; “Amarás o Senhor teu Seus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de toda a tua força. Estas palavras que hoje te ordeno estarão no teu coração.” (Deuteronômio 6.4-5-6). Este mandamento foi confirmado por Jesus, quando afirmou que não existia outro mandamento maior do que este (Marcos 12.30-31), porque quem ama cumpre a Lei Moral. Ora, um coração completamente cheio do amor a Deus não possui espaço para adorar outros deuses, seja “senhor” ou “senhora”, ou qualquer pessoa falecida. Ademais, fazer pedidos aos mortos e acreditar que eles sejam mensageiros de Deus, faz parte da doutrina espírita.
“Eu e a minha casa serviremos ao Senhor… nunca nos aconteça que deixemos ao Senhor para servirmos a outros deuses” (Josué 24.14-16). Devemos confiar no Senhor e somente a Ele dirigir nossas súplicas. Em nenhuma parte da Bíblia a santa Maria é elevada à posição de Senhora, Padroeira, Protetora ou Co-Redentora. Nenhum homem ou mulher pode, depois da morte física, receber tal sublimação. Quem morreu em nosso lugar foi Jesus, e Ele não divide sua obra redentora com mais ninguém:
“E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos” (Atos 4.12). “Eu sou o Senhor; este é o meu nome! A minha glória a outrem não a darei, nem o meu louvor às imagens de escultura” (Isaías 42.8).
Mas, pela palavra da Tradição, Maria cooperou na obra do Salvador e hoje, no céu, é instrumento de salvação:
“Mas seu papel em relação à Igreja e a toda a humanidade vai mais longe. De modo inteiramente singular, pela obediência, fé, esperança e ardente caridade, ela cooperou na obra do Salvador para restauração da vida sobrenatural das almas” (C.I.C. p. 273, # 968). “Assunta aos céus, não abandonou este múnus salvífico, mas, por sua múltipla intercessão, continua a alcançar-nos os dons da salvação eterna” (C.I.C. p. 274, # 969).
Entenda-se como “múnus salvífico” a função de salvar, de Co-Redentora.
“Bem-aventurada é a nação cujo Deus é o Senhor, e o povo que ele escolheu para sua herança” (Salmos 33.12). Daí porque não foi feliz a idéia de, por decreto, eleger Maria à posição de “Padroeira do Brasil”, isto é, defensora e protetora de nosso País. Mais coerente com a nossa fé cristã, seria declararmos o que está na Bíblia, ou seja, que Deus é o nosso Senhor, Salvador, Protetor e Pai:
“Adorarás ao Senhor teu Deus, e só a ele servirás” (Lucas 4.8).
Vamos repetir. Jesus, respondendo a Satanás, citou o versículo 13 de Deuteronômio 6. Jesus foi categórico, direto, claro, objetivo. Ele disse que a nossa adoração deve ser dirigida exclusivamente a Deus, e só a Ele devemos servir, servir com o nosso louvor, com o nosso exemplo, com a nossa fé, com nossas orações, nossas lágrimas, nossos jejuns, e obediência à Sua Palavra. Se as nossas lágrimas, súplicas e louvores forem dirigidos à santa Maria, logo estaremos em oposição à palavra do Senhor Jesus. Oposição significa desobediência; desobediência significa rebeldia; rebeldia significa pecado, e “o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus, nosso Senhor” (Romanos 6.23).

“Há um só Deus e pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos e em todos” (Hebreus 4.6). Se até aqui o leitor ainda estava em dúvida, creio que este versículo colocou as coisas no devido lugar. Como já disse, a Bíblia não fala na existência de uma “Senhora” ou de um outro “Senhor”. O Deus da Bíblia é o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó; o Deus que tirou seu povo da escravidão do Egito; que abriu o Mar Vermelho e o seu povo fez passar; que lhe entregou a Terra da promessa; que não está de braços cruzados, impassível, assistindo à rebeldia da humanidade. Ele é por todos.
Como vimos, a eleição da humilde serva Maria, mãe de Jesus, à posição de Senhora ou de Padroeira não encontra respaldo nas Escrituras. A nossa adoração não pode ficar dividida entre o Senhor Deus e a Senhora Maria. Não se pode “coxear entre dois pensamentos”, seguir dois caminhos, ter dois senhores. Devemos aprender com Maria e declararmos que a “nossa alma exalta e engrandece ao Senhor, e que o nosso espírito se alegra porque estamos em comunhão com Jesus nosso Salvador”. A Tradição fica longe da Bíblia quando diz que em Maria há salvação. Vimos que em nenhum outro nome há salvação. (Atos 4.12). E mais: “Eu, eu Sou o Senhor, e fora de mim não há salvação” (Isaías 43.11). Leiam:
“Eu sou o caminho e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” (João 14.6). “Ela dará à luz um filho e lhe porás o nome de JESUS, porque ele salvará o povo dos seus pecados” (Mateus 1.21).
“…E sabemos que este é verdadeiramente o Salvador do mundo” (João 4.42). Tradição insiste em afirmar:
“…Maria, por um vínculo indissolúvel está unida à obra salvífica de seu Filho: em Maria a Igreja admira e exalta o mais excelente fruto de redenção…” (C.I.C. p. 300, # 1172).

MÃE DOS VIVOS

A palavra da Tradição:

“A Virgem Maria cooperou para a salvação humana com livre fé e obediência. Pronunciou seu “fiat” (faça-se) em representação de toda a natureza humana. Por sua obediência, tornou-se a nova Eva, Mãe dos viventes” (C.I.C. p. 143, # 511).
Contestação – Somente Jesus recebeu o título de “o último Adão” na Palavra de Deus: “O primeiro homem, Adão, foi eleito alma vivente; o último Adão, espírito vivificante” (1 Coríntios 15.45).
Nenhum registro há concedendo a Maria o título de segunda Eva e mãe da humanidade, até porque Eva foi a mulher de Adão, e Maria não foi a mulher de Jesus. Se Maria fosse realmente a mãe de Deus, poderíamos dizer que ela é a nossa mãe, assim como Deus é o nosso Pai.

DEPOSITÁRIA DE PRECES

A palavra da Tradição:

“Porque nos dá Jesus, seu Filho, Maria e Mãe de Deus e nossa Mãe; podemos lhe confiar todos os nossos cuidados e pedidos: ela reza por nós como rezou por si mesma: “Faça-se em mim segundo a tua palavra”(Lucas 1.38). Confiando-nos à sua oração, abandonamo-nos com ela à vontade de Deus: “Seja feita a vossa vontade” (C.I.C. p.687,# 2677).
Contestação – Maria orou na sua existência humana e terrena, e sua oração não foi diferente das orações dos santos de ontem e de hoje, ou seja, dando graças a Deus pela vida, pela salvação, pelos dons, pela missão. No céu as coisas são diferentes. Ela não pode ser intermediária ou mediadora de nossas preces porque a Palavra diz claramente que o único Mediador é Jesus (1 Timóteo 2.5). Maria, a “humilde serva”, desejaria ser igual a Jesus em poder e glória e com Ele sentar-se à destra do Pai? A orientação para lhe confiarmos “nossos cuidados e pedidos” – o que sugere uma entrega total – está totalmente em desacordo com o padrão da Palavra de Deus
. Vejamos:
“Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei” (Mateus 11.28). “Lança o teu cuidado sobre o Senhor, e ele te susterá; jamais permitirá que o justo seja abalado” (Salmo 55.22). “Invoca-me no dia da angústia; eu te livrarei, e tu me glorificarás” (Salmo 50.15). “Orareis assim: Pai nosso que estás nos céus…” (Mateus 6.9). “Confia no Senhor e faze o bem…deleita-te no Senhor, e ele te concederá o que deseja o teu coração. Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nele, e ele tudo fará; descansa no Senhor e espera nele” (Salmo 37.3-7).

Se houvesse uma única oração na Bíblia dirigida a Maria, poderíamos até acreditar nesse ensino. Mas não há. Atos dos Apóstolos foi escrito por volta do ano 63 depois de Cristo; e o apóstolo Paulo escreveu suas cartas (aos romanos, aos coríntios, aos tessalonicenses, etc) mais ou menos no mesmo período. Todavia, não há nesses escritos qualquer referência a Maria, na qualidade de “depositária de preces”, ou qualquer indicação, por menor que seja, no sentido de confiarmos a ela nossos cuidados.
A Bíblia nos ensina a quem devemos confiar nossas súplicas.. Vejam:
“Não andeis ansiosos de coisa alguma, em tudo, porém, sejam conhecidas diante de Deus as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graça” (Filipenses 4.6). “Invoca-me no dia da angústia; eu te livrarei, e tu me glorificarás” (Salmo 50.15).

Portanto, devemos confiar no que diz a Palavra de Deus. As pessoas falecidas, ainda que estejam na glória, não são detentoras de poderes para livrar-nos do mal, para nos socorrer na angústia, para perdoar pecados.

TRONO DE SABEDORIA

A palavra da Tradição:

“É neste sentido que a Tradição da Igreja muitas vezes leu, com relação a Maria, os mais belos textos sobre Sabedoria. Maria é decantada e representada na Liturgia como o “trono da Sabedoria” (C.I.C. p. 209, # 721).
Contestação – A Bíblia diz que a sede da Sabedoria é Deus. Vejamos: “Ora, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça a Deus, que a todos dá liberalmente, e não censura, e ser-lhe-á dada” (Tiago 1.5). “A sabedoria que vem do alto é, primeiramente pura, depois pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade,e sem hipocrisia” (Tiago 3.17). “Com Deus está a sabedoria e a força” (Jó 12.13). “Os mais belos textos sobre Sabedoria relacionada a Maria” não se encontram na Bíblia Sagrada.
Nenhum espírito humano pode se igualar a Deus em sabedoria, poder, graça e amor. A Tradição fala que Maria é o “trono da Sabedoria”, talvez desejando afirmar que ela, sendo “Rainha do Céu”, deva também possuir esse título. Tiago não sabia disso, pois nos orientou a pedirmos sabedoria a Deus. Como se vê, as intenções da Tradição não encontram amparo nas Sagradas Escrituras.

RAINHA DO UNIVERSO

A palavra da Tradição:

“Finalmente, a Imaculada Virgem, preservada imune de toda mancha da culpa original, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta de corpo e alma à glória celeste. E para que mais plenamente estivesse conforme a seu Filho, Senhor dos senhores e vencedor do pecado e da morte, foi exaltada pelo Senhor como Rainha do Universo”. (C.C. p. 273, # 966).
Contestação- Nada do que foi dito acima bate, como já analisado, com a Bíblia. Ao afirmar que Maria detém a posição de Rainha do Universo, a Tradição admite que ela é Rainha de Todas as Coisas. Lamentavelmente, o Catecismo Católico não cita uma só passagem bíblica que confirme essa declaração. Deus não divide a sua glória com ninguém. Vejam o que está escrito na Bíblia a respeito da adoração a uma falsa deusa, chamada de “Rainha dos Céus”:
“Os filhos apanham a lenha, os pais acendem o fogo, e as mulheres amassam a farinha, para fazerem bolos à rainha dos Céus; e oferecem libações a outros deuses, para me provocarem à ira” (Jeremias 7.18).
Ora, eles faziam isso em nome da Tradição. Vejam:
“… Queimaremos incenso à deusa chamada Rainha dos Céus e lhe ofereceremos libações, como nós e nossos pais, nossos reis e nossos príncipes temos feito…”(Jeremias 44.17).
A Bíblia ensina que honra e glória pertencem ao Senhor: “Digno é o Cordeiro que foi morto, de receber poder, e riqueza, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e ações de graças” (Apocalipse 5.12). O nome que está exaltado é o de Jesus, não é o da “Rainha do Universo”
. Vejam: “Pelo que também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus, na terra, e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai” (Filipenses 2.9-10). Portanto, só devemos dobrar nossos joelhos para adorar ao Rei dos reis e Senhor dos senhores.

MODELO DE SANTIDADE

A palavra da Tradição:
“Da Igreja [o cristão] recebe a graça dos sacramentos, que o sustenta “no caminho”. Da Igreja aprende o exemplo de santidade; reconhece a figura e a fonte (da Igreja) em Maria, a Virgem Santíssima” (C.I.C. p.534, # 2030).
Contestação – O nosso maior modelo de santidade é Jesus. Vejamos: “Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para a vossa alma” (Mateus 11.29). “Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu fiz, façais vós também”(João 13.15). “Porque para isto sois chamados, pois também Cristo padeceu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigais as suas pisadas” (1 Pedro 2.21). “Aquele que diz que está nele [em Jesus] também deve andar como ele andou” (1 João 2.6). Devemos ser santos porque Deus é santo, e não porque Maria é santa: “Eu sou o Senhor, vosso Deus; portanto vós vos consagrareis e sereis santos, porque eu sou santo…” (Levíticos 11.44). Leia também 1 Pedro 1.15-16. Maria clamou por salvação e se declarou pecadora quando fez a seguinte oração: “A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus MEU SALVADOR” (Lucas 1.46-47, realce do autor). O apóstolo Paulo confirmou a necessidade de salvação de Maria, quando registrou: “Pois TODOS pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Romanos 3.23). Logo, uma pecadora não pode ser modelo de santidade, como não o foram Pedro, João, Mateus, Lucas, Elias, e tantos outros.

ORANDO DE ACORDO COM A PALAVRA

As orações mentirosas não são agradáveis a Deus. Mentirosas são as orações que não estão em consonância com a Sua Palavra. Vejamos alguns exemplos:
1) Se nossos pedidos são dirigidos a Maria, ou a qualquer santo, estamos dizendo que a oração do “PAI NOSSO”, ensinada por Jesus, não é correta ou está incompleta. Então, a nossa posição é de rebeldia, de desobediência. Todas as orações registradas na Bíblia, de Gênesis a Apocalipse, são dirigidas a Deus. Não há um só pedido feito ao santo Noé, santo Moisés, santo Isaías, são Pedro, ou a qualquer outro. Deus quer que busquemos a Ele. Vejam: “Clama a mim, e responder-te-ei, e anunciar-te-ei coisas grandes e ocultas, que não sabes” (Jeremias 33.3); “Vinde a mim todos os que estás cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei” (Mateus 11.28). “Deus é galardoador dos que O buscam” (Hebreus 11.6).
2) Quando chamamos a santa Maria de Advogada, Intercessora ou Mediadora, estamos declarando que a palavra de Deus é mentirosa. A Bíblia declara que só Jesus é Advogado, Mediador e Intercessor entre Deus e os homens (1 Timóteo 2.5; 1 João 2.1; Hebreus 7.25). Além disso, temos a declaração do próprio Jesus, em João 14.6: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim”. Somente Jesus morreu numa cruz pela redenção da Humanidade .Por isso a posição de Medidor é dele e não pode ser dividida com mais ninguém.
3) Se em nossas orações dissermos que Maria foi “concebida sem pecado”, também estaremos duvidando da Palavra. Em Romanos 3.23 está dito que “Todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus”. A única pessoa não gerada em pecado, porque gerada pelo Espírito Santo, foi Jesus Cristo. As demais – Pedro, Paulo, José, Maria e todos nós – herdaram a natureza pecaminosa da semente de Adão e Eva. A Palavra é cristalina, objetiva e direta. E seguindo esse raciocínio, podemos detectar onde estamos pecando por discordar da Bíblia Sagrada. 4) Se fizermos repetidamente a mesma oração, dezenas de vezes, estaremos desobedecendo ao Senhor, que disse para não usarmos de “vãs repetições”, como fazem os pagãos, “que pensam que, por muito falarem, serão ouvidos” (Mateus 6.7-13). Quando estamos falando com Deus, isto é, quando estamos orando, não devemos ficar preocupados em contar quantas vezes a mesma oração foi repetida. A oração deve ser espontânea, livre de fórmulas, de forma a expressar o que sentimos em nossos corações.

A ADORAÇÃO DA MÃE E DO FILHO

Extraímos do livro “Babilônia: A Religião dos Mistérios”, de Ralph Woodrow, o seguinte a respeito desse assunto:
“Um dos exemplos mais destacados de como o paganismo babilônico tem continuado até nossos dias pode ser visto na maneira como a igreja romanista inventou a adoração a Maria para substituir a antiga adoração à deusa-mãe”.
“A história da mãe e do filho foi largamente conhecida na antiga BABILÔNIA e desenvolveu-se até ser uma adoração estabelecida. Numerosos monumentos da Babilônia mostram a deusa-mãe Semíramis com seu filho Tamuz nos braços. Quando o povo da Babilônia foi espalhado para as várias partes da terra, levaram consigo a adoração da mãe divina e de seu filho. Isto explica porque muitas nações adoravam uma mãe e um filho – de uma forma ou de outra – séculos antes do verdadeiro Salvador, Jesus Cristo, ter nascido neste mundo. Nos vários países onde este culto se espalhou, a mãe e o filho foram chamados por diferentes nomes pois, relembramos, a linguagem foi confundida em Babel”.
“Os chineses tinham uma deusa-mãe chamada Shingmoo ou “Santa Mãe. Ela é representada com um filho nos braços e raios de glória ao redor da cabeça. Os antigos germanos adoravam a virgem Hertha com o filho nos braços. Os escandinavos a chamavam de Disa, que também era representada com um filho. Os etruscos chamavam-na de Nutria, e entre os druidas a Virgo-Patitura era adorada como a “Mãe de Deus”. Na Índia, era conhecida como Indrani, que também era representada como o filho nos braços”.
“A deusa-mãe era conhecida como Afrodite ou Ceres pelos gregos; Nana, pelos sumérios; e como Vênus ou Fortuna, pelos seus devotos nos velhos dias de Roma, e seu filho como Júpiter. Por várias eras, Ísis, a “Grande Deusa”e seu filho Iswara, tem sido adorados na Índia, onde templos foram erigidos para sua adoração. Na Ásia, a mãe era conhecida como Cibele e o filho como Deoius. “Mas, a despeito de seu nome ou lugar”, diz um escritor, “ela foi a esposa de Baal, a virgem rainha dos céus, que ficou grávida, sem jamais ter conhecido varão”.
“Quando os filhos de Israel caíram em apostasia, eles também foram enganados por esta adoração da deusa-mãe. Como lemos em Juízes 2.13: “Eles deixaram ao Senhor e serviram a Baal e a Astarote”. Astarote ou Astarte era o nome pelo qual a deusa era conhecida pelos filhos de Israel. É penoso pensar que aqueles que haviam conhecido o verdadeiro Deus, o abandonassem e adorassem a mãe pagã. Ainda assim era exatamente o que faziam repetidamente (Juízes 10.6; 1 Samuel 7.3-4; 12.10; 1 Reis 11.5; 11 Reis 23.13). Um dos títulos pelos quais a deusa era conhecida entre eles era o de “rainha dos céus”(Jeremias 44.17-19). O profeta Jeremias repreendeu-os por adorarem, mas eles se rebelaram contra sua advertência”.
“Em Éfeso, a grande mãe era conhecida como Diana. O templo dedicado a ela, naquela cidade, era uma das sete maravilhas do mundo antigo. Não somente em Éfeso, mas em toda a Ásia e em todo o mundo a deusa era adorada (Atos 19.27). No Egito, a mãe era conhecida como Ísis e seu filho como Horus. É muito comum os monumentos religiosos do Egito mostrarem o infante Horus sentado no colo de sua mãe”.
“Esta falsa adoração, tendo se espalhado da Babilônia para diversas nações, com diferentes nomes e formas, finalmente estabeleceu-se em Roma e em todo o Império Romano. Diz um notável escritor com relação a este período: á adoração da grande mãe foi muito popular sob o Império Romano. Inscrições provam que os dois (a mãe e o filho) recebiam honras divinas, não somente e especialmente em Roma, mas também nas províncias, especialmente na África, Espanha, Portugal, França, Alemanha, e Bulgária”.
“Foi durante esse período quando o culto da mãe divina foi muito destacado, que o Salvador, Jesus Cristo, fundou a verdadeira Igreja do Novo Testamento. Que gloriosa Igreja ela foi naqueles dias primitivos! Pelo terceiro e quarto século, contudo, o que era conhecido como a “igreja” havia, em muitas maneiras abandonado a fé original, caindo em apostasia a respeito do que os apóstolos haviam avisado. Quando essa “queda” veio, muito paganismo foi misturado com o cristianismo. Pagãos n~!ao convertidos eram tomados como professos na igreja e em numerosas ocasiões tinham a permissão de continuar muitos doas seus rituais e costumes pagãos – usualmente com umas poucas reservas ou mudanças, para fazer suas crenças parecerem mais semelhantes à doutrina cristã”.

“Um dos melhores exemplos de tal transferência do paganismo pode ser visto na maneira como a igreja professa permitiu que o culto da grande mãe continuasse – somente um pouquinho diferente na forma – com um novo nome! Veja você, muitos pagãos tinham sido trazidos para o cristianismo, mas tão forte era sua adoração pela deusa-mãe, que não a queriam esquecer. Líderes da igreja comprometidos viram que, se pudessem encontrar alguma semelhança no cristianismo com a adoração da deusa-mãe, poderiam aumentar consideravelmente o seu número. Mas, quem poderia substituir a grande mãe do paganismo? É claro que Maria, a mãe de Jesus, pois era a pessoa mais lógica para eles escolherem. Ora, não podiam eles permitir que as pessoas continuassem suas orações e devoções a uma deusa-mãe, apenas chamando-a pelo nome de Maria, em lugar dos nomes anteriores pelos quais era conhecida? Aparentemente foi esse o raciocínio empregado, pois foi exatamente o que aconteceu! Pouco a pouco, a adoração que tinha sido associada com a mãe pagã foi transferida para Maria”.
“Mas a adoração a Maria não fazia parte da fé cristã original. É evidente que Maria, a mãe de Jesus, foi uma mulher excelente, dedicada e piedosa – especialmente escolhida para levar em seu ventre o corpo de nosso Salvador – mesmo assim nenhum dos apóstolos nem mesmo o próprio Jesus jamais insinuou a idéia da adoração a Maria. Como afirma a Enciclopédia Britânica, durante os primeiros séculos da igreja, nenhuma ênfase, fosse qual fosse, era colocada sobre Maria. Este ponto é admitido pela The Catholic Encyclopedia também: ‘A devoção a Nossa Bendita Senhora, em última análise, deve ser olhada como uma aplicação prática da doutrina da Comunhão dos Santos. Vendo que esta doutrina não está contida, pelo menos explicitamente,nas formas primitivas do Credo dos Apóstolos, não há talvez qualquer campo para surpresa de não descobrirmos quaisquer traços claros do culto da Bendita Virgem nos primeiros séculos cristãos, sendo o culto de Maria um desenvolvimento posterior”.
“Não foi até o tempo de Constantino – a primeira parte do quarto século – que qualquer um começou a olhar para Maria como uma deusa. Mesmo neste período, tal adoração foi combatida pela igreja, como é evidente pelas palavras de Epifânio (403 d.C.) que denunciou alguns da Trácia, Arábia, e qualquer outro lugar, por adorarem a Maria como uma deusa e oferecerem bolos em seu santuário. Ainda assim, dentro de apenas uns poucos anos mais, o culto a Maria foi apenas ratificado pela que conhecemos hoje como a Igreja Católica, mas tornou-se uma doutrina oficial no Concílio de Éfeso em 431″. “Em Éfeso? Foi nessa cidade que Diana tinha saído adorada como a deusa da virgindade e da fertilidade desde os tempos primitivos! Dizia-se que ela representava os primitivos poderes da natureza e foi assim esculpida com muitos seios. Uma coroa em forma de torre, símbolo da torre de Babel, adornava sua cabeça”.
“Quando as crenças são por séculos conservadas por um povo, elas não são facilmente esquecidas. Assim sendo, os líderes da igreja em Éfeso – quando veio a apostasia – também raciocinaram que se fosse permitido às pessoas conservarem suas idéias a respeito de uma deusa-mãe, se isto fosse misturado com o cristianismo e o nome de Maria fosse colocado no lugar, eles poderiam ganhar mais convertidos. Mas este não era o método de Deus. Quando Paulo veio para Éfeso nos dias primitivos, nenhum compromisso foi feito com o paganismo. As pessoas eram realmente convertidas e destruíram seus ídolos da deusa (atos 19.24-27). Quão trágico que a igreja em Éfeso, em séculos posteriores, se comprometesse e adotasse uma forma de adoração à deusa-mãe, tendo o Concílio de Éfeso finalmente transformado isto em uma doutrina oficial”.
“Uma posterior indicação que o culto a Maria passou a existir partindo do antigo culto à deusa-mãe, pode ser visto nos títulos que são atribuídos a ela. Maria é freqüentemente chamada de “A Madona”. De acordo com Hislop, esta expressão é a tradução de um dos títulos pelos quais a deusa babilônica era conhecida. Em forma deificada, Nimrode veio a ser conhecido como Baal. O título de sua esposa, a divindade feminina, seria o equivalente a Baalti. Em português, esta palavra significa “minha Senhora”; em Latim, “Meã Domina”, e em Italiano, foi corrompida para a bem conhecida “Madona”. Entre os fenícios, a deusa-mãe era conhecida como “A Senhora do Mar”, e até mesmo este título é aplicado a Maria – embora não exista qualquer conexão entre Maria e o mar!”
“As escrituras tornam claro que existe apenas um mediador entre Deus w os homens, Jesus Cristo homem (1 Tm 2.5). Ainda assim o catolicismo romano ensina que Maria também é uma “mediadora”. As orações para ela formam uma parte muito importante no culto católico. Não existe base escriturística para esta idéia,embora este conceito não fosse estranho às idéias ligadas à deusa-mãe. Ela trazia como um dos seus títulos “Milita”, que é a “Mediatrix”, “Medianeira”, ou “Mediadora”.
“Maria é freqüentemente chamada “rainha dos céus”. Mas Maria, a mãe de Jesus, não é a rainha dos céus. “A rainha dos céus” foi um título da deusa-mãe que foi adorada séculos antes de Maria ter ao menos nascido. Bem antes, nos dias de Jeremias, o povo estava adorando a “rainha dos céus” e praticando rituais que eram sagrados para ela. Como lemos em Jeremias 7.18-20: “Os filhos apanham a lenha, os pais acendem o fogo, e as mulheres amassam a farinha, para se fazerem bolos à rainha dos céus”.
“Um dos títulos pelos quais Ísis era conhecida era a “mãe de Deus”. Mais tarde este mesmo título foi aplicado a Maria pelos teólogos de Alexandria.Maria era, é claro, a mãe de Jesus, mas somente no sentido de sua natureza humana, sua humanidade. O significado original de “mãe de Deus” ia além disto; acrescentava uma posição glorificada à MÃE e a igreja católica da mesma maneira foi muito ensinada a pensar assim a respeito de Maria”.
“A imagem da deusa-mãe com o filho nos braços estava tão firmemente gravada na mente pagã quando vieram os dias da apostasia que, de acordo com um escritor, a antiga imagem de Ísis e do filho Horus foi finalmente aceita, não somente na opinião popular, mas, por sanção episcopal formal, foi aceita como a imagem da Virgem e do seu filho. Representações de Ísis e do seu filho foram freqüentemente colocadas em uma moldura de flores. Esta prática também foi aplicada a Maria, como aqueles que tem estudado arte medieval bem o sabem”.
“Astarte, a deusa fenícia da fertilidade, era associada com a lua crescente. A deusa egípcia da fertilidade, Ísis, era representada como estando de pé sobre a lua crescente com estrelas rodeando sua cabeça. Nas igrejas católicas romanas por toda a Europa podem ser vistas pinturas de Maria exatamente da mesma maneira!”
“De numerosas maneiras,líderes da apostasia tentaram fazer Maria parecer semelhante às deusas do paganismo e exalta-la a um plano divino. Uma vez que os pagãos tinham estátuas da deusa, assim também estátuas eram feitas de “Maria”. Diz-se que em alguns casos as mesmas estátuas que tinham sido adoradas como Ísis (com seu filho) simplesmente ganharam outro nome, como de Maria e Cristo menino. “Quando o cristianismo triunfou”,diz um escritor, “estas pinturas e figuras tornaram-se as figuras da madona e do filho sem qualquer quebra de continuidade: nenhum arqueólogo, de fato, pode agora dizer se alguns desses objetos representam uma ou outra”.

‘Muitas dessas figuras renomeadas foram coroadas e adornadas com jóias – exatamente da mesma maneira das imagens das virgens hindus e egípcias. Mas Maria, a mãe de Jesus,não era rica (Lucas 2.24;Levíticos 12.87). De onde, então, vieram essas jóias e coroas que são vistas nestas estátuas que supostamente são dela?”
“Através de compromissos – alguns muito óbvios, outros mais ocultos – a adoração da antiga mãe continuou dentro da “igreja” da apostasia, misturada, com o nome de Maria sendo substituto dos antigos nomes”.
Continuamos destacando alguns pontos contidos no livro “Babilônia: a Religião dos Mistérios”, de Ralph Woodrow.

ADORAÇÃO A MARIA

“Talvez a prova mais destacada que a adoração a Maria foi decorrente do velho culto da deusa-mãe pagã, possa ser vista no fato que na religião pagã a mãe era tão (ou mais) adorada do que seu filho. Isto fornece uma chave importante para ajudar-nos a resolver o mistério da Babilônia hoje. O verdadeiro cristianismo ensina que o Senhor Jesus – e somente ELE – é o caminho, a verdade, e a vida; que somente ELE pode perdoar pecados; que somente ELE de todas as criaturas da terra, viveu uma vida sem qualquer mancha de pecado; e ELE é que tem que ser adorado – nunca sua mãe. Mas, o catolicismo romano – mostrando a influência que o paganismo tem tido em seu desenvolvimento – de muitas maneiras também exalta a MÃE”.
“Alguém pode viajar o mundo inteiro, e seja numa imponente catedral seja na capela de um vilarejo, a estátua de Maria sempre ocupará posição de destaque. Recitando-se o Rosário, a “Ave-Maria” é repetida nove vezes mais do que a “Oração do Senhor”. Os católicos são ensinados que a razão para rezarem para Maria é que ela pode levar a petição para seu filho, Jesus; e desde que ela é sua mãe, ele responderá ao pedido por causa dela. A inferência é que Maria é mais compassiva, compreensiva e misericordiosa do que seu filho Jesus. Certamente isto é contrário às Escrituras. Ainda assim, esta idéia tem sido freqüentemente repetida nos escritos católicos”.
“Um notável escritor, Alfonso de Liguori, católico, escreveu extensamente, dizendo quão mais eficiente são as orações dirigidas a Maria do que as que são dirigidas a Jesus Cristo. Liguori, incidentalmente, foi canonizado como um “santo” pelo papa Gregório XIV em 1839 e foi declarado “doutor” da igreja católica pelo papa Pio IV. Em uma porção dos seus escritos, ele descreveu uma cena imaginária na qual um homem pecador viu duas escadas suspensas do céu. Maria estava no topo de uma;Jesus no topo da outra. Quando o pecador tentou subir por uma das escadas, viu o rosto irado de Cristo e caiu vencido.. Mas, quando subiu a escada de Maria, subiu com facilidade e foi abertamente recebido por Maria que o levou ao céu e apresentou-o a Cristo. Daí em diante tudo estava bem. A história tinha a intenção de mostrar quão mais fácil e mais eficiente é ir a Cristo através de Maria”.
Interrompo aqui a transcrição referida para lembrar que ainda hoje é ensinado que através de Maria as coisas são mais fáceis. Tenho lido e ouvido, inclusive em programas televisivos, a frase: “TUDO COM JESUS. NADA SEM MARIA”. Esse extravagante ditado declara que Maria é tudo, e que sem ela não teremos Jesus. Isto confirma que o catolicismo na sua essência não mudou em nada. Os terços continuam sendo rezados da mesma forma, dando maior destaque à figura de Maria e deixando em segundo plano o Filho, aquele que derramou seu sangue para remissão de pecados. Entretanto, e graças a Deus, as pessoas estão despertando para as verdades bíblicas. Todos os dias neste Brasil um grande número de religiosos dá um passo à frente, aceita Jesus como único Senhor, Salvador, e Mediador, e passa a declarar: “Tudo posso naquele que me fortalece”.
Continuemos:
“O mesmo escritor disse que o pecador que se aventurar a ir diretamente a Cristo poderá enfrentar o terror de sua ira. Mas, se ele rezar para a Virgem, ela terá apenas de “mostrar” ao filho “os peitos que o amamentaram” e sua ira será imediatamente amenizada. Tal raciocínio está em conflito direto com um exemplo escriturístico.”Bem-aventurado o ventre que te trouxe”, disse uma mulher a Jesus, “e os peitos em que mamaste!” Mas Jesus respondeu, “Antes bem-aventurados os que ouvem a palavra de Deus e a guardam” (Lucas 11.27-28).
“Tentativas posteriores de exaltar Maria a uma posição glorificada dentro do catolicismo podem ser observadas na doutrina da “imaculada conceição”. Esta doutrina foi pronunciada e definida por Pio IX em 1854 – que a Bendita Virgem Maria “no primeiro instante de sua concepção…foi preservada isenta de toda mancha do pecado original”. Este ensinamento pode parecer que é apenas um esforço posterior de fazer Maria parecer ainda mais com a deusa do paganismo, pois nos antigos mitos, a deusa foi criada como tendo uma concepção sobrenatural. As histórias variam, mas todas falam de acontecimentos sobrenaturais em conexão com sua entrada no mundo, que ela era superior aos demais mortais, que era divina Pouco a pouco, de modo que os ensinamentos a respeito de Maria não parecessem inferiores aos da deusa-mãe, foi necessário ensinar que a entrada de Maria neste mundo envolveu também um elemento sobrenatural”.
“A doutrina de que Maria nasceu sem a mancha do pecado original é escriturística? Respondemos isto nas palavras da própria The Catholic Encyclopedia: “Nenhuma prova direta, ou categórica e estrita do dogma pode ser encontrada nas Escrituras”. É indicado, antes, que estas idéias foram um desenvolvimento gradual dentro da igreja”.
“Bem aqui deveria ser explicado que esta é uma talvez a única diferença básica entre o entendimento que a Igreja Católica tem do cristianismo e o que revela a posição geral do protestantismo. A Igreja Católica Romana, como ela mesma afirma, tem há muito crescido e se desenvolvido ao redor de um grande número de tradições e idéias manipuladas por padres da igreja através dos séculos, até mesmo crenças trazidas do paganismo, se elas pudessem ser “cristianizadas” e também das Escrituras. Conceitos de todas estas fontes tem sido misturados e desenvolvidos, para finalmente tornarem-se dogmas em vários concílios da igreja. Por outro lado, o ponto de vista que a Reforma Protestante procurou reviver, foi um retorno às verdadeiras escrituras como uma base mais sólida para a doutrina, com pouca ou nenhuma ênfase sobre as idéias que se desenvolveram nos séculos seguintes”.
“Indo diretamente às Escrituras, não somente não existe qualquer prova para a idéia da imaculada conceição de Maria, como existe evidência do contrário. Apesar de ter sido um vaso escolhido do Senhor, uma mulher virtuosa e piedosa – uma virgem – ela foi tão humana como qualquer outro membro da família de Adão. “Todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm 3.23), sendo a única exceção o próprio Jesus Cristo. Como qualquer outra pessoa, Maria precisou de um salvador e admitiu isto plenamente quando disse: Ë o meu espírito se alegra em Deus meu SALVADOR” (Lc 1.47)”.
“Se Maria necessitou de um salvador, ela não era em si mesma uma salvadora. Se necessitou de um salvador, então precisou ser salva, perdoada, e redimida – assim como os outros. O fato é que a divindade de nosso Senhor não dependia de sua mãe ser algum tipo de pessoa exaltada ou divina. Em lugar disto, Ele foi divino porque foi o unigênito filho de Deus. Sua divindade veio de Seu Pai celestial”.
“A idéia que Maria era superior aos outros seres humanos não foi o ensinamento de Jesus. Certa vez alguém mencionou sua mãe e seus irmãos. Jesus perguntou: “Quem é minha mãe? E quem são meus irmãos?”Em seguida, estendendo sua mão na direção dos seus discípulos, disse: “Eis minha mãe e meus irmãos! Pois QUALQUER UM que fizer a vontade do meu Pai que está nos céus, o mesmo é meu irmão, e irmã, e MÃE” (Mt 12.46-50). Plenamente o bastante, qualquer um que fizer a vontade de Deus está, em um sentido definido, no mesmo nível de Maria”.
“Cada dia católicos no mundo inteiro recitam a Ave Maria, o Rosário, o Ângelus, as Litanias da Bendita Virgem, e outras rezas semelhantes. Multiplicando o número dessas orações, vezes o número de católicos que as recitam a cada dia, alguém tem calculado que Maria teria que escutar 46.296 petições por segundo! Obviamente ninguém a não ser Deus mesmo poderia fazer isto. Não obstante, os católicos acreditam que Maria escuta todas essas orações; e assim sendo, por uma questão de necessidade, tiveram que exaltá-la ao nível divino – seja escriturístico ou não!” “Tentando justificar a maneira pela qual Maria tem sido exaltada, alguns tem citado as palavras de Gabriel a Maria, “Bendita sois entre as mulheres” (Lucas 1.28). Porém Maria sendo “bendita entre as mulheres” não podem fazer dela uma pessoa divina, pois muitos séculos antes disto, uma bênção semelhante foi pronunciada sobre Jael, de quem foi dito: “Bendita acima das mulheres será Jael, esposa de Heber, o Quenita…” (Juízes 5.24)”.
“Antes do Pentecostes, Maria reuniu-se com os outros discípulos esperando pela promessa do Espírito Santo.Lemos que os apóstolos “todos continuaram de um só acordo em oração e súplicas, com mulheres, e Maria, a mãe de Jesus, e seus irmãos” (Atos 1.14). Os discípulos não estavam olhando para Maria naquela ocasião. Eles estavam olhando para seu CRISTO ressuscitado e elevado aos céus, esperando que ele derramasse sobre eles o dom do Espírito Santo”.
“Tentativas posteriores para glorificar Maria podem ser vistas na doutrina católica romana da virgindade perpétua. Este é o ensinamento que Maria permaneceu virgem por toda a sua vida. Mas, como o explica a The Encyclopedia Britannica, a doutrina da virgindade perpétua de Maria não foi ensinada até uns trezentos anos após a ascensão de Cristo. Não foi antes do Concílio de Calcedônia em 451 que esta fabulosa qualidade ganhou o reconhecimento oficial de Roma”.
“De acordo com as Escrituras, o nascimento de Jesus foi o resultado de concepção sobrenatural (Mt 1.23), sem um pai terrenal. Mas, após Jesus ter nascido, Maria deu à luz a outros filhos – os rebentos naturais de sua união com José, seu marido.Jesus foi o “primogênito” filho de Maria (Mt 1.25); não diz que ele foi seu único filho. Jesus sendo seu filho primogênito pode inferir que mais tarde ela teve um segundo filho, possivelmente um terceiro, etc. Que tal foi o caso parece aparente, pois os nomes dos quatro irmãos são mencionados: Tiago, José, Simão e Judas (Mt 13.55). Irmãs também são mencionadas. As pessoas de Nazaré disseram: “…e suas irmãs, não estão todas entre nós?”(versículo 56). A palavra “irmãs” é plural,pelo que ficamos sabendo que Jesus teve pelo menos duas irmãs e provavelmente mais, pois este versículo fala de “todas” as suas irmãs. Usualmente se estamos nos referindo a somente duas pessoas, diríamos “ambas”, não todas elas”
“As Escrituras dizem: “José não a conheceu até que ela deu a luz ao seu filho primogênito: e ele chamou seu nome JESUS (Mt 1.25). José “não a conheceu” até que Jesus nasceu, mas depois disto,Maria e José uniram-se como marido e mulher e filhos foram, nascidos deles. A idéia de que José conservou Maria como uma virgem toda a sua vida é claramente não escriturística”. “Durante os tempos da apostasia, como se para mais intimamente identificar Maria com a deusa-mãe, alguns ensinaram que o corpo de Maria jamais viu corrupção, que ela ascendeu corporalmente aos céus, e é agora a “rainha dos céus”. Não foi até este presente século,contudo, que a doutrina da “assunção de Maria foi oficialmente proclamada como doutrina romana. Foi em 1951 que o papa Pio XII proclamou que o corpo der Maria não viu corrupção, mas foi tomado para os céus”. “As palavras de São Bernardo resumem a posição católica romana: “Ao terceiro dia após a morte de Maria, quando os apóstolos se reuniram ao redor da sua tumba, eles a encontraram vazia. O corpo sagrado tinha sido levado para o Paraíso Celestial… o túmulo não teve qualquer poder sobre aquela que fora imaculada…Mas não foi o bastante que Maria fosse recebida nos céus. Ela não era para ser qualquer cidadã comum… ela teve uma dignidade além da alcançada até pelo mais alto dos arcanjos. Maria teve que ser coroada Rainha dos Céus pelo Pai eterno: ela teve que ter um trono à mão direita do seu Filho… Agora, dia a dia, hora a hora, ela está rogando por nós, obtendo graças por nós, preservando-nos do perigo, escudando-nos contra a tentação, derramando bênçãos sobre nós”.
“Todas estas idéias a respeito de Maria estão ligadas à crença que ela ascendeu corporalmente aos céus. Mas, a Bíblia não diz absolutamente nada a respeito da assunção de Maria. Ao contrário, João 3.13 diz: “Ninguém subiu aos céus, a não ser aquele que desceu dos céus, o Filho do homem que está nos céus” – o próprio Jesus Cristo. ELE é aquele que está à mão direita de Deus; ELE é único que é nosso Mediador; ELE é único que derrama bênçãos sobre nós – não sua mãe!”.
“Intimamente ligado à ideia de rezar para Maria, está um instrumento chamado rosário. Ele consiste de uma cadeia com quinze conjuntos de pequenas contas, cada conjunto marcado por uma conta maior, nas extremidades da qual está um crucifixo. As contas no rosário são para contar as rezas – rezas que são repetidas sempre e sempre. Embora este instrumento seja largamente utilizado dentro da igreja católica romana, está claro que ele não é de origem cristã. Ele tem sido conhecido em muitos países”.
“A The Catholic Encyclopedia diz: “Em quase todos os países, então, encontramo-nos com algo na natureza de contas de oração ou contas de rosário”. Continua até citar um número de exemplos,incluindo uma escultura da antiga Nínive,mencionada por Layard, de duas mulheres com asas, rezando diante de uma árvore sagrada, cada uma segurando um rosário. Por séculos, entre os maometanos, uma corrente de contas consistindo de 33, 66, ou 99 contas tem sido usada para contar os nomes de Alá. Marco Pólo, no século treze, ficou surpreso de encontrar o rei de Malabar usando um rosário de pedras preciosas para contar suas orações. São Francisco Xavier e seus companheiros ficaram igualmente atônitos em ver que os rosários eram universalmente familiares aos budistas do Japão”.
“Entre os fenícios um círculo de contas parecendo um rosário era usado no culto a Astarte, a deusa-mãe, em torno de 800 a.C. este rosário é visto em algumas moedas fenícias mais recentes.
Os brâmanes desde tempos primitivos têm usado rosários com dezenas e centenas de contas Os adoradores de Vishnu dão aos seus filhos rosários de 108 contas. Um rosário semelhante é usado por milhões de budistas na Índia e no Tibete. O adorador de Shiva usa um rosário sobre o qual repete, se possível, todos os 1.008 nomes do seu deus”.
“Contas para contagem de orações eram conhecidas na Grécia Asiática. Tal era o propósito,de acordo com Hislop, do colar visto na estátua de Diana. Ele também indica que em Roma certos colares usados por mulheres eram para contagem de orações memorizadas, a monila, significando “recordação”. A oração mais freqüentemente repetida, que é a principal do rosário, é a “Ave Maria”, que é assim: “Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco. Bendita sois vós entre todas as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre,Jesus. Santa Maria, mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora der nossa morte, Amém”. A The Catholic Encyclopedia diz: “Não existe qualquer traço da Ave Maria como uma fórmula devocional aceita antes de em torno de 1050″. O rosário completo envolve a repetição da Ave Maria 53 vezes, a oração do Senhor 6 vezes, 5 mistérios, 5 meditações sobre os mistérios, 5 glórias ao Pai,e o Credo Apostólico”. “Observe que a oração para Maria, a Ave Maria, é repetida quase NOVE vezes mais do que a oração do Senhor. É uma oração composta pelos homens e dirigida a Maria, nove vezes mais importante ou eficiente do que a oração ensinada por Jesus e dirigida a Deus? Aqueles que adoram a deusa Diana repetem uma frase religiosa várias vezes – “…todos unanimemente levantaram a voz, clamando por espaço de quase duas horas: Grande é a Diana dos efésios” (Atos 19.34). Jesus falou a respeito de orações repetidas como sendo uma práticas dos pagãos. “Quando orares” disse Ele, “não useis de vãs repetições como o fazemos gentios (ou pagãos); pois eles pensam que por muito falar serão ouvidos. Não vos assemelheis pois a eles; porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes de vós lho pedirdes” (Mt 6.7-13). Nesta passagem Jesus claramente disse aos seus seguidores para NÃO ficar repetindo várias vezes uma pequenina oração. É significativo observar que foi logo após dar esta advertência, no próprio próximo versículo, que Ele disse:
“Vós orareis assim: Pai nosso que estás nos céus…”e deu aos discípulos a que nos referimos como ä Oração do Senhor”. Jesus deu esta oração como um oposto ao tipo de oração dos pagãos. Ainda assim os católicos romanos são ensinados a repetir várias vezes esta oração. Se esta oração não era para ser repetida várias vezes, quão menos uma pequenina oração feita por homens para Maria! Parece-nos que memorizar orações, em seguida repeti-las várias vezes enquanto conta as contas de um rosário, poderia facilmente tornar-se mais um “teste de memória” do que uma espontânea expressão de oração vinda do coração”.

Comentários

Como a verdade é uma só, o que vimos acima ratifica com riqueza de detalhes os termos do presente trabalho, relativamente à refutação aos vários títulos atribuídos pela Igreja Católica à humilde mãe de Jesus; esclarece a origem da adoração à “deusa-mãe” e abre-nos o entendimento para compreendermos o porquê de tantos descaminhos; enfim, oferece subsídios a quantos desejem examinar os dois lados – a palavra da Bíblia e a palavra da Tradição – para tirar suas próprias conclusões.

AS IMAGENS DE MARIA E O SEGUNDO MANDAMENTO

“Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não re encurvarás a elas nem as servirás” (Êxodo 20.4-5).
“Não farás para ti” – Entende-se a posse do objeto quando destinado ao culto, à homenagem, à prece, à veneração. Deus não condena as obras de arte, escultura ou pintura de valor histórico e cultural.
“Nem alguma semelhança do que há em cima nos céus” – Não encontramos diferenças relevantes de tradução nas versões consultadas. A proibição não alcança apenas as imagens dos deuses, mas diz respeito, também, ao que existe nos céus: A Trindade (Deus Pai, Deus Filho, Deus Espírito Santo), os anjos e os salvos em Cristo. Logo, estátuas de Jesus, dos santos apóstolos, de Maria, e de quantos, pelo nosso julgamento, estejam no céu, não devem ser objeto de culto.
“Não te encurvarás a elas” – Deus proíbe qualquer atitude de reverência ou respeito, tais como inclinar respeitosamente o corpo ou ajoelhar-se diante das imagens; prostrar-se com o rosto no chão; tocá-las; beijá-las; levantar os braços em atitude de adoração; tirar o chapéu; ficar em pé diante delas em estado contemplativo. Enfim, Deus proíbe fazer qualquer gesto com o corpo que expresse admiração, contemplação, fé, devoção, homenagem, reverência.
“Não as servirás” – Não servi-las com flores, velas, cânticos, coroas, festas, procissões, lágrimas, alegria, rezas, vigílias, doações, homenagens, devoção, sacrifícios, incenso. Não lhes devotar fé, confiança, zelo, amor, cuidados. Não alimentar expectativas de receber delas amparo, curas e proteção. Não colocá-las em lugar de destaque, em redoma ou em lugares altos.
A Igreja de Roma reconhece a proibição, mas decide por não acatá-la, como adiante: “O mandamento divino incluía a proibição de toda representação de Deus por mão do homem. O Deuteronômio explica: “Uma vez que nenhuma forma vistes no dia em que o Senhor vos falou no Horebe, do meio do fogo, não vos pervertais, fazendo para vós uma imagem esculpida em forma de ídolo…”(Dt 4.15-16)… No entanto, desde o Antigo Testamento, Deus ordenou ou permitiu a instituição de imagens que conduziriam simbolicamente à salvação por meio do Verbo encarnado, como são a serpente de bronze, a Arca da Aliança e os querubins. Foi fundamentando-se no mistério do Verbo encarnado que o sétimo Concílio ecumênico, em Nicéia (em 787), justificou, contra os iconoclastas, o culto dos ícones : os de Cristo, mas também os da Mãe de Deus, dos anjos e de todos os santos. Ao se encarnar, o Filho de Deus inaugurou uma nova “economia “das imagens. O culto cristão das imagens não é contrário ao primeiro mandamento, que proíbe os ídolos. De fato, “a honra prestada a uma imagem se dirige ao modelo original, e quem venera uma imagem venera a pessoa que nela está pintada. A honra prestada às santas imagens é uma ” veneração respeitosa”, e não uma adoração, que só compete a Deus. O culto às imagens sagradas está fundamentado no mistério da encarnação do Verbo de Deus. Não contraria o primeiro mandamento” (C.I.C. p. 560-562, # 2129-2132, 2141).
Analisando as explicações acima

a) “O mandamento divino INCLUÍA a representação de toda representação de Deus por mãos do homem”.
O mandamento divino incluía? Não, o mandamento inclui, está vigente. A cruz não aboliu as Dez Palavras. As leis cerimoniais sim, foram abolidas. O Decálogo é, no varejo, o que Jesus disse no atacado: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento”, e “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mateus 22.35-40; Deuteronômio 6.5; 10.12; 30.6; Levítico 19.18). Num coração cheio do amor de Deus e do amor a Deus não há espaço para a adoração de pessoas ou de coisas. Em Mateus 5.17, Jesus afirma: “Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim ab-rogar, mas cumprir” (ARC) ou: “Não pensem que eu vim acabar com a Lei de Moisés e os ensinamentos dos profetas. Não vim acabar com eles, mas para dar o seu sentido completo.” (BLH). A seguir Jesus exemplifica o novo sentido à lei: se pensar em matar, já pecou e descumpriu a lei; se pensar em adulterar, já pecou.

b) “No entanto, Deus ordenou… a serpente de bronze, a Arca da Aliança, os querubins”…

A Arca da Aliança e os querubins passaram. Eles faziam parte de cerimônias e símbolos instituídos por Deus, de acordo com sua infinita sabedoria e soberana vontade, para melhor conduzir o povo em sua fé. Agora, vindo Cristo, temos “um maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos, isto é, não desta criação, nem por sangue de bodes e bezerros, mas por seu próprio sangue…” (Hebreus 9.11).
A serpente de bronze – Este símbolo tão zelosamente defendido pela Igreja de Roma foi um remédio específico para um mal específico numa situação especial (Números 21.7-9). Agora, já não precisamos de figuras para nossos males físicos e espirituais. Como disse João Ferreira de Almeida, “o poder vivificante da serpente de metal prefigura a morte sacrificial de Jesus Cristo, levantado que foi na cruz para dar vida a todos que para Ele olharem com fé”. O próprio Jesus assim se manifestou: “E, como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do Homem seja levantado, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3.14-15). Deus não recomendou o culto, a homenagem ou a veneração à serpente. Por isso, o rei Ezequias, temente e reto aos olhos do Senhor, destruiu-a ao perceber que o povo lhe prestava culto (2 Reis 18.4). Ademais, não se vê em Atos dos Apóstolos qualquer indício de uso de figuras, ícones ou imagens destinados a facilitar a compreensão e conduzir os fiéis à salvação.
Com relação a símbolos e cerimônias do Antigo Testamento, devemos considerar que em Cristo estamos sob a égide de uma Nova Aliança ou Novo Testamento firmada em Seu sangue (1 Coríntios 11.25). Logo, “dizendo novo concerto, envelheceu o primeiro. Ora, o que foi tornado velho e se envelhece perto está de acabar” (Hebreus 8.13). Devemos observar que a idéia de fazer imagens e querubins foi de Deus, e não de Moisés. Com relação a nós, Deus proíbe terminantemente o uso de imagens. É Deus que nos proíbe, que nos condena. Os querubins estavam no propiciatório – espécie de lâmina retangular de ouro – sobre a Arca da Aliança que era guardada no lugar santíssimo do Tabernáculo (Êxodo 25.17-22).O acesso a esse lugar, só uma vez por ano, era restrito ao Sumo Sacerdote (Êxodo 25.17-22; 40.13; Hebreus 9.7). Ao povo não era permitido ver os querubins ou adorá-los. Aos fiéis não foi permitido reproduzir as imagens da serpente e dos querubins para serem veneradas.

c) “… o sétimo Concílio ecumênico, em Nicéia (em 787), justificou… o culto dos ícones : os de Cristo, mas também os da Mãe de Deus, dos anjos e de todos os santos. O culto cristão das imagens não é contrário ao primeiro mandamento, que proíbe os ídolos. De fato, “a honra prestada a uma imagem se dirige ao modelo original, e quem venera uma imagem venera a pessoa que nela está pintada. A honra prestada às santas imagens é uma “veneração respeitosa”, e não uma adoração, que só Não contraria o primeiro mandamento”.
Ora, se o mandamento proíbe o culto aos ídolos, então o culto aos ídolos é proibido. Desculpem-me os leitores pelo óbvio. Portanto, o culto às imagens contraria o mandamento. Se contraria, é pecado cultuá-las. O Concílio de Nicéia justificou, mas são justificativas de homens. A Palavra é o padrão. A tradição deverá ajustar-se à Palavra. A honra ao modelo original via imagem parte de uma premissa falsa, porque as imagens não são em sua grande maioria cópias fiéis dos originais, exemplos de Jesus, Maria, José e dos santos apóstolos. Seus traços físicos não foram revelados nem por fotografias nem por pinturas. Jeremias foi direto: “Suas imagens são mentira” (Jr 10.14).

d) “A honra prestada às santas imagens é uma ” veneração respeitosa”, e não uma adoração, que só compete a Deus”.

Venerar: “Tributar grande respeito a; render culto a, reverenciar”; Culto: “Adoração ou homenagem à divindade em qualquer de suas formas, e em qualquer religião”. Adorar: “Render culto a (divindade); reverenciar, venerar, idolatrar” (Dicionário Aurélio). Como se vê, é muito tênue a linha entre honrar, venerar, adorar e prestar culto. Vejamos o que Deus afirma: “Eu sou o Senhor. Este é o meu nome. A minha glória a outrem não a darei, nem a minha honra às imagens de escultura” (Isaías 42.8). Na Bíblia Linguagem de Hoje: Eu sou o Deus Eterno: este é o meu nome, e não permito que as imagens recebam o louvor que somente eu mereço.” Na Bíblia Ecumênica, católica: “Eu sou o Senhor, este é o meu nome: eu não darei a outrem a minha glória, nem consentirei que se tribute aos ídolos o louvor que só a mim pertence”.
Dizer que o culto a Maria e à sua imagem esculpida é apenas uma veneração, não condiz com a realidade. Há um descompasso enorme entre o discurso e a prática. Não pode ser negado o que é público e notório. Maria é realmente adorada como Rainha dos Céus, Senhora, Padroeira, Protetora, Mãe dos Vivos, Mãe da Igreja, Mãe de Deus, etc. E isso constitui pecado. Jesus disse e está escrito em Mateus 4.10: “Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás”. E o primeiro mandamento diz: “Não terás outros deuses diante de mim” (Êxodo 20.3). Maria foi constituída a PROTETORA do Brasil e, especificamente, de muitas cidades brasileiras (Nossa Senhora de Aparecida, Nossa Senhora de Santana, Nossa Senhora do Ó, etc). Parece até que, para os romanistas, a evangelização via Maria se torna mais fácil do que pregando Cristo ressuscitado. Não foi essa a via utilizada pelos apóstolos nas primeiras pregações. Eles não endeusavam os santos, mas apresentavam Jesus, o Santo dos santos, como o único caminho.
Façamos de conta que o culto a Maria e à sua imagem esculpida é apenas uma respeitosa admiração. Ora, essa veneração se manifesta de vários modos, por exemplo: as imagens de Maria são tocadas, beijadas, coroadas; levadas em procissão; diante delas os fiéis se ajoelham, choram e fazem pedidos; imagens da santa, cópias ou originais, percorrem os estados brasileiros para serem homenageadas; são levantadas pelos sacerdotes no altar e os fiéis acenam para elas; são colocadas em redomas nas praças ou em grutas; em muitas casas as imagens são iluminadas continuamente; muitos carregam a imagem em pulseiras, colares, fitas, ou guardam-nas no ambiente de trabalho; ao passar pela imagem, muitos inclinam o corpo ou tiram o chapéu, etc.
Pergunta-se o seguinte: se essas práticas não constituem adoração e idolatria, o que mais deveria ser feito, qual prática deveria ser adicionada às já existentes, o que os fiéis romanistas deveriam fazer além de tudo que fazem para então se configurar uma adoração e uma idolatria? O que mais deveriam fazer?

Outras referências (Os destaques são meus)

“Não fareis para vós ídolos, nem para vós levantareis imagem de escultura nem estátua, nem poreis figura de pedra na vossa terra para inclinar-vos diante dela. Eu sou o Senhor vosso Deus” (Levítico 26.1).
“No dia em que o Senhor vosso Deus falou convosco em Horebe, do meio do fogo, não vistes figura nenhuma. Portanto, guardai com diligência as vossas almas, para que não vos corrompais, fazendo um ídolo, UMA IMAGEM DE QUALQUER TIPO, FIGURA DE HOMEM OU DE MULHER…” (Deuteronômio 4.15-16). “As imagens de escultura de seus deuses queimarás no fogo. Não cobiçarás a prata nem o ouro que haja nelas, nem os tomarás para ti, para que não sejas iludido, pois É ABOMINAÇÃO AO SENHOR, TEU DEUS” (Deuteronômio 7.25).
“As suas imagens de fundição são vento e nada” (Isaías 41.29b)
“Eu sou o SENHOR; este é o meu nome! A minha glória a outrem não a darei, nem o meu louvor às imagens de escultura” (Isaías 42.8)
“Todo homem se embruteceu e não tem ciência; envergonha-se todo fundidor da sua imagem de escultura, porque sua imagem fundida é mentira, e não há espírito nela” (Jeremias 10.14). “Arrancarei do meio de ti as tuas imagens de escultura e as tuas estátuas; e tu não te inclinarás mais diante da OBRA DAS TUAS MÃOS” (Miquéias 5.13).
“Também está cheia de ídolos a sua terra; inclinaram-se perante a OBRA DAS SUAS MÃOS, diante daquilo que fabricaram os seus dedos” (Isaías 2.8).
“Nada sabem os que conduzem em procissão as suas imagens de escultura, feitas de madeira, e rogam a um deus que não pode salvar” (Isaías 45.20). “Mas o nosso Deus está nos céus e faz tudo o que lhe apraz. Os ídolos deles são prata e ouro, OBRA DAS MÃOS DOS HOMENS. Têm boca, mas não falam; têm olhos, mas não vêem; têm ouvidos, mas não ouvem; nariz têm, mas não cheiram. Têm mãos, mas não apalpam; têm pés, mas não andam; nem som algum sai da sua garganta. Tornem-se semelhantes a eles os que os fazem e todos os que neles confiam” (Salmos 115.3-8).
“Eles trocam a verdade de Deus pela mentira e ADORAM E SERVEM O QUE DEUS CRIOU, em vez de adorarem e servirem o próprio Criador, que deve ser louvado para sempre. Amém” (Romanos 1.25). Anjos e espíritos humanos são criaturas de Deus.
“Filhinhos, guardai-vos dos ídolos” (1 João 5.21).
A proibição divina abrange:

a) Qualquer coisa (estátua, imagem, ídolo, presépio) produzida por mãos humanas para ser objeto de veneração, adoração, culto ou louvor.

b) Imagens de toda a criação de Deus (anjos, pessoas, espíritos humanos, corpos celestes, animais) com o mesmo objetivo.

c) Imagens de qualquer uma das três Pessoas da Trindade.

Estão, portanto, em desacordo com o Segundo Mandamento cultos de louvor, adoração, homenagem ou veneração prestados às imagens representativas de pessoas falecidas, qualquer que tenha sido o grau de santidade que tenham alcançado na vida terrena.

OS ARGUMENTOS CONTRÁRIOS

A seguir, analisemos alguns dos argumentos dos que defendem o culto a Maria e os títulos a ela atribuídos.
1) “Todas as gerações me chamarão bem-aventuradas” (Lucas 1.48). Esta declaração é apresentada como justificativa ao culto a ela prestado. Contestação – Segundo o Dicionário Aurélio, “bem-aventurado” quer dizer muito feliz. É também a situação “daquele que, depois da morte, desfruta da felicidade celestial e eterna”. É sinônimo de santo. Jesus chamou de bem-aventurados os pobres de espírito, os que choram, os mansos, os que têm fome e sede de justiça, os misericordiosos, os puros de coração, os pacificadores, e os que sofrem perseguição por causa da justiça (Mateus 5.3-10). Em Salmos 112.1, lemos: “Bem-aventurado o homem que tema ao Senhor, em seus mandamentos tem grande prazer”. Em Apocalipse 20.6: “Bem-aventurado e santo aquele que tem parte na primeira ressurreição”. Jesus disse: “bem-aventurado és tu, Simão Barjonas [Pedro], pois não foi carne e sangue quem to revelou, mas meu Pai que está nos céus” (Mateus 16.17). Outras referências: Salmos 1.1; 2.12; 32.1; 106.3; 119.1; 146.5; Mateus 24.46; Apocalipse 22.7. Como se vê, bem-aventurados somos todos nós que seguimos a Jesus. Todavia, tal felicidade não nos confere o direito de sermos adorados ou cultuados, quer em vida, quer na morte. A bem-aventurança que asseguramos em vida, pela aceitação do senhorio de Jesus, se estende por toda a eternidade. O fato de a santa Maria haver sido chamada de bem-aventurada não significa uma doutrina, mandamento ou ensino para lhe prestarmos culto. Note-se que Isabel, sua prima, declarou que Maria era “bendita entre as mulheres” (Lucas 1.48), e não “bendita acima das mulheres”.

2) “Fazei tudo o que ele vos disser” (João 2.5). Esta palavra de Maria tem sido muito usada pelos romanistas para justificar a crença da intermediação entre Maria e Jesus. A partir daí, ensinam que o Filho jamais negará um pedido de sua mãe.
Contestação – Não vejo aí nenhum motivo para colocar Maria na posição de mediadora a quem Jesus atenderá sempre. Se a declaração fosse de Jesus, ordenando que os serviçais obedecessem à sua mãe, até que poderíamos refletir melhor. Mas não foi assim. Maria, vendo que Jesus estava disposto a operar o milagre da transformação da água em vinho, disse aos empregados que seguissem à risca suas instruções. Só isso e nada mais do que isso. Se o desejo é espiritualizar a fala de Maria e trazê-la para os dias atuais, nada melhor do que obedecermos a vontade de Jesus, que disse: “Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás”. (Mateus 4.10). Logo, por este mandamento, Maria está excluída de qualquer espécie de adoração e culto.

Portanto, atendendo a Maria, façamos o que Jesus ordenou.
Observemos também que a santa Maria, ao transferir o problema para Jesus, mostrou-se incapacitada de operar qualquer milagre. A “Mãe de Deus” não teria poderes para transformar água em vinho? Naquela época ela ainda não era mãe de Deus? Só passou a sê-lo após sua morte?

3) Maria é a nossa mãe espiritual, porque Jesus a entregou aos cuidados de João.
Contestação – Jesus, já prestes a falecer, disse à sua mãe: Mulher, eis aí o teu filho”. E ao discípulo a quem amava, disse: “Eis aí tua mãe”. “E desde aquela hora o discípulo a recebeu em sua casa” (João 19.26-27). Em resumo, Jesus entregou sua mãe aos cuidados do querido discípulo João. Jesus deu exemplo de amor filial, lembrando-se de sua mãe num momento de grande agonia. A intenção dele não foi elevar sua mãe à posição de mãe espiritual da humanidade. Desejou apenas que ela não ficasse desamparada na sua velhice. Se agiu assim, havia motivos para que o amparo de sua mãe não ficasse confiado apenas aos seus irmãos mais jovens (Mateus 13.55-56).

4) Maria é mãe de Deus porque Jesus é Deus e ela é mãe de Jesus Contestação – Se válido esse raciocínio, poderíamos afirmar que Deus é filho de criação ou filho adotivo de José. Ou José seria padrasto de Deus? Maria foi um instrumento usado por Deus, na consecução do Seu plano de salvação para o homem. Nessa concepção, ela foi mãe do Jesus homem, mas nunca o foi do Verbo Eterno, do Deus Filho. Como Pessoa da Trindade, Jesus sempre existiu.
Veja. “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós” (João 1.1,14). “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que enviou o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3.16). “Porque Deus ENVIOU seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele” (João 3.17). Esses versículos falam da divindade de Jesus e, claro, da Sua eternidade. O Verbo que é Deus não se originou em Maria, mas em Maria se fez carne. A criatura não pode ser mãe do Criador, do Senhor e Juiz dos vivos e dos mortos. O finito não pode gerar o infinito. Aquela que foi criada não pode gerar o incriado.

5) Maria, na qualidade de mãe de Jesus, é co-redentora
Contestação – A palavra de Deus não eleva Maria à condição de igualdade com o nosso Salvador. O Redentor é Jesus,e como tal Ele foi esperado: E virá um redentor a Sião e aos que se desviarem da transgressão em Jacó, diz o Senhor” (Isaías 59.20).Não se lê que paralelamente viria uma Redentora ou uma ajudante-do-Redentor ou uma co-Redentora. A santa Maria não recebeu a mesma missão de Jesus, tal como definido em Lucas 4.18 e Isaías 61.1-2. Ademais, Maria não poderia ser salvadora e ao mesmo tempo precisar de salvação. Leiam mais uma vez: “Disse, então, Maria: A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus, MEU SALVADOR, porque atentou na humildade de sua SERVA…” (Lucas 1.46-48, com realce de minha parte). Já o nosso Salvador Jesus Cristo nunca se dirigiu ao Pai declarando-se necessitado de salvação. Quando a santa Maria fez esta oração, com plena convicção e segurança, ela igualou-se a todos os homens e mulheres herdeiros da natureza pecaminosa originada na desobediência de Adão e Eva. Nivelou-se a todos os mortais. Jesus não pensava diferente. Quando alguém lhe disse que sua mãe e seus irmãos “estão lá fora e querem falar-te”, Ele respondeu: “Quem é minha mãe e quem são meus irmãos? E, estendendo a mão para os discípulos, disse: Aqui estão minha mãe e meus irmãos. Pois todo aquele que fizer a vontade de meu Pai que está nos céus, esse é meu irmão, irmã e mãe” (Mateus 12.47-50). Em Lucas 8.21, a resposta de Jesus está assim: “Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a executam” (veja também Marcos 3.35). Somente são membros da família de Deus os que ouvem e obedecem a Palavra de Deus. Jesus ressaltou aqui a necessidade de fé obediente, necessidade esta a que estavam sujeitos, também, sua mãe e seus irmãos. “Quando recebeu o recado do lado de fora, Jesus respondeu de uma maneira que não desprestigia, nem por um momento, a santidade das relações familiares. Ele asseverou que os laços que unem espiritualmente a família de Deus são mais seguros e mais preciosos,pois se baseiam na obediência à vontade divina” (O Novo Comentário da Bíblia, 1990, Edições Vida Nova). A Trindade é soberana, auto-suficiente, onipresente, onisciente, onipotente, imutável e eterna Não precisa, portanto, do auxílio de santos falecidos para executar seu plano de redenção. Na história contada por Jesus, conforme Lucas 16.19-31, os santos Lázaro e Abraão não se sentiram em condições de prestarem qualquer assistência aos irmãos do rico, que estava em tormentos. Abraão não acenou nem com a hipótese interceder por eles, mas indicou o caminho mais seguro: ouvir a Palavra de Deus. Ouvir e obedecer. Obedecer e permanecer.

6) Veneramos a imagem de Maria como alguém que venera os retratos de familiares falecidos.
Contestação – Esse argumento é um dos mais ingênuos. Ninguém em sã consciência adota os seguintes procedimentos com relação às fotografias de seus familiares falecidos: não as carrega em procissão; não canta louvores diante delas; não se ajoelha aos seus pés,nem na sua presença faz inclinação com o corpo em sinal de reverência; não faz qualquer pedido a esses mortos, salvo se numa sessão espírita; não usa essas fotos como amuletos, para alcançar algum benefício espiritual ou material. Por isso, o uso que fazemos dos retratos de entes queridos é completamente diferente do uso que os católicos fazem das imagens dos santos.

7) “Entrando o anjo disse-lhe: ‘Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo” (Lucas 1.28).
Diz a Tradição: “Eis aqui, proclamado pelo próprio anjo Gabriel o privilégio extraordinário da Imaculada Conceição de Maria e sua santidade perene. Quando a Igreja chama Maria de “Imaculada Conceição” quer dizer que a mesma, desde o momento de sua concepção foi isenta – por graça divina – do pecado original. Se Maria Santíssima tivesse sido gerada com o pecado herdado de Adão ou tivesse qualquer pecado pessoal, o Arcanjo Gabriel teria mentido chamando-a de “cheia de graça”. Pois, onde existe esta “graça transbordante” não pode coexistir o pecado” (Extraído de um site de apologética católica).

Contestação – Somente nas traduções católicas romanas lê-se “Salve, cheia de graça”, para Lucas 1.28. A interpretação mais correta é “Salve, muito favorecida” ou “Salve agraciada”.
Maria “achou graça diante de Deus” (Lucas 1.30). É bom lembrar que a graça de Deus se derrama sobre todos os santos – os salvos em Cristo – de forma abundante: “Deus é poderoso para tornar abundante em vós toda graça…” (2 Coríntios 9.8), porque “a graça foi dada a cada um de nós segundo a medida do dom de Cristo” (Efésios 4.7). “Porém, onde abundou o pecado, a graça transbordou” (Romanos 5.20).
A santa Maria não possui graça em si mesma. A graça foi trazida por Jesus (Jo 1.17; Rm 3.24; Tt 2.11). Ela é digna do nosso respeito, sim, mas somente o Filho é digno da nossa adoração.
Maria não entendeu que a saudação do anjo a colocaria na situação de IMACULADA, como pensam os romanistas. Por isso, na sua humildade ela clamou por salvação, assim: “A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus, MEU SALVADOR, porque atentou na humildade de sua serva; pois eis que, desde agora, todas as gerações me chamarão bem-aventurada” [feliz] (Lucas 1.46-48).

8 – Por que os católicos cultuam Maria e os Santos, quando está escrito que Jesus é o único Mediador?
Diz a Tradição: “Realmente, São Paulo afirma em sua primeira epístola a Timóteo (2.5), que “há um só Deus e há um só mediador entre Deus e os homens que é Jesus Cristo”. Essa afirmação não exclui que possa haver outros mediadores secundários, pois o próprio Apóstolo dos Gentios é o primeiro a pedir a intercessão de outros junto a Deus. Assim, diz aos romanos: “Rogo-vos, pois, irmãos, por Nosso Senhor Jesus Cristo, e pelo amor do Espírito Santo, que me ajudeis com as vossas orações por mim a Deus” (Rm 15.30).

Contestação – Se a Palavra diz que só há um Mediador é porque só há um Mediador. A afirmação exclui a possibilidade de haver outros mediadores. Os exemplos citados se referem a vivos intercedendo por vivos, e não vivos pedindo a intercessão de pessoas falecidas. Este procedimento mais se apropria ao espiritismo.

9 – “Com relação à expressão “Filho primogênito”, cumpre ressaltar, diz a Tradição, que entre os orientais (até mesmo hoje em dia em vários países) o primeiro filho nascido de um matrimônio tinha uma ascendência moral sobre todos os outros irmãos e irmãs que viessem a nascer. Assim se ressaltava que era o primogênito, ainda que ele viesse a ser o filho único. Por isso vê-se aparecer freqüentemente nas Sagradas Escrituras a expressão “primogênito”: “todo o primogênito do sexo masculino será meu” (Ex 34, 19-20); “Resgatarás o primogênito dos teus filhos: e não aparecerás na minha presença com as mãos vazias” (Num 18, 15). A expressão “filho primogênito” em São Lucas é entendida assim, e o foi pela Tradição oral durante quase um milênio e meio, até surgir Lutero, que “descobriu” esse detalhe para tentar “provar” que Maria não permaneceu virgem”.
Contestação – A questão do filho primogênito. O dicionário Aurélio diz. “Primogênito: Que ou aquele que foi gerado antes dos outros. Que ou o que é o filho mais velho”. Vejamos os exemplos bíblicos: (a) Gn 27.19: “Jacó disse: eu sou Esaú, teu primogênito”. A palavra aqui está no sentido próprio, como aquele que nasceu em primeiro lugar, o primeiro dentre outros. (b) Êx 22.29: “O primogênito de teus filhos me darás”. Ou seja: o primeiro dos filhos (veja Ex 34.20); (c) Nm 3.40: “Conta todo primogênito varão dos filhos de Israel”; (d) 1 Rs 16.34: “Em seus dias, Hiel, o betelita, edificou a Jericó; morrendo Abirão, seu primogênito, a fundou: e, morrendo Segupe, seu último, pôs as suas portas”. Segupe foi o filho mais novo de Hiel, e Abirão, o primogênito, ou seja, o primeiro. (e) Rm 8.29: … “o primogênito entre muitos irmãos”. Não se pode aludir, então, que a Bíblia quando fala em PRIMOGÊNITO está falando de filho único. O primogênito pode ser o único, se não vierem outros, mas no caso de Maria, não foi assim. A Bíblia registra que Jesus teve outros irmãos. Logo, acertadamente o evangelista Lucas registrou: “E deu à luz o seu filho PRIMOGÊNITO…”. Quando este evangelho foi escrito (60-63 d.C.) Maria já havia dado à luz outros filhos (Mt 13.55-56).

10 – “Apareceu em seguida um grande sinal no céu: uma Mulher revestida de sol, a lua debaixo dos seus pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas” (Ap 12.1) Extraímos os seguintes comentários de uma página de apologética católica:
“No Apocalipse, João contempla nesta visão três verdades: a Assunção de Nossa Senhora, sua glorificação, sua maternidade espiritual. O Apocalipse descreve que esta mulher “estava grávida e (…) deu à luz um Filho, um menino, aquele que deve reger todas as nações…” (Ap 12.2,5).

Qual mulher, que de fato, esteve grávida de Jesus senão a Santíssima Virgem? (cf. Is 7.14 ). Outros contestam, dizendo que esta mulher é símbolo da Igreja nascente. Mas, a Igreja nunca esteve “grávida” de Jesus Cristo! Antes, foi Cristo que gerou a Igreja, foi ele que a estabeleceu e a sustenta. E para provar que esta mulher é exclusivamente Nossa Senhora, em outro lugar está escrito: “O Dragão vendo que fora precipitado na terra, perseguiu a Mulher que dera à luz o Menino” (Ap 12.13 ). A Igreja teria dado à luz a um Menino? Evidente que não! Portanto esta mulher refulgente é unicamente, Nossa Senhora, pois foi ela unicamente que gerou “o menino” prometido (cf. Is 9.5). Diz ainda a Sagrada Escritura que: “(o Dragão) deteve-se diante da Mulher que estava para dar à luz (…) para lhe devorar o Filho (…) A Mulher fugiu para o deserto, onde (…) foi sustentada por mil duzentos e sessenta dias” (AP 12.4, 6). De fato, o demônio maquinou contra a vida de Jesus desde seu nascimento, na pessoa do perseguidor Herodes. Maria fugiu então com o filho para o deserto (Egito). Lá ficou por aproximadamente mil e duzentos e sessenta dias (três anos e meio). Ou seja, do ano 7 AC, ano do nascimento de Jesus, conforme atualmente se acredita, até março-abril do ano 4 AC, ano da morte de Herodes. Perfazendo os três anos e meio de exílio, nos quais foi sustentada pela Providência…” Contestação – Vejamos o que diz a palavra oficial da Igreja Católica, contrapondo-se ao que acima foi dito:

1) “A cena corresponde a Gn 3.15-16. A mulher dá a luz na dor (v.2) aquele que será o Messias (v.5). Ela é tentada por Satanás (v.9; cf. 20.2) que a persegue, bem como a sua descendência (vv. 6,13,17). ELA REPRESENTA O POVO SANTO dos tempos messiânicos (Is 54;60;66.7; Mq 4.9-10) e portanto a Igreja em luta. É possível que João pense também em Maria, a nova Eva, a filha de Sião, que deu nascimento ao Messias (cf.Jo 19.25+)”. (Realce acrescentado. Comentários de A Bíblia [católica] de Jerusalém, Soc. Bíblica Católica Internacional e Paulus).

2) “Uma mulher: NÃO É O SÍMBOLO DA SS. VIRGEM, mas sim o do Povo de Deus, primeiro Israel, que deu ao mundo Jesus Cristo segundo a carne e depois o “Israel de Deus”, i.e. a Igreja que enfrentaria as perseguições do Dragão. O sol, a lua e as estrelas são apenas figuras para expressar seu esplendor. POR ACOMODAÇÃO A IGREJA APLICA ESTE V. À SS. VIRGEM” (Realce acrescentado. Comentários da Bíblia [católica] Sagrada, tradução do padre Antonio Pereira de Figueiredo, com notas do Monsenhor José Alberto L. de Castro Pinto, Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro, 1964).

Comentários – 1) A contestação aos argumentos iniciais é dada pela própria Igreja Católica. Ou o Vaticano mudou de idéia e agora admite que Maria é a “mulher revestida de sol”, ou está havendo um descompasso entre o que essa Igreja ensina e o que seus fiéis aprendem. Ao final dos comentários 1 e 2 acima, nota-se uma tentativa de forçar uma interpretação que reforce a justificativa do culto a Maria. As expressões “é possível que João pense” e “por acomodação a Igreja” estão fora de sintonia com o restante do enunciado, onde lemos a afirmação categórica de que a “mulher” de Apocalipse 12 nada tem a ver com a santa Maria.

2) Em linhas gerais, a palavra oficial da Igreja Católica não difere da dos evangélicos. Vejam: “Esta mulher [de Ap 12.1] simboliza os fiéis de Israel, através dos quais o Messias (i.e., o menino Jesus, vv.2,4,5) veio ao mundo (cf. Rm 9.5). Isso é indicado não somente pelo nascimento do menino, mas também pela referência ao sol e à lua (ver Gn 37.9-11) e às doze estrelas, que naturalmente se referem às doze tribos de Israel”. “Ap 12.6 A mulher fugiu – Aqui, a mulher simboliza os fiéis de Israel na última parte da tribulação (cf.os 1260 dias, metade exata do período da tribulação). Durante a tribulação, esses fiéis de Israel, judeus tementes a Deus, opor-se-ão à religião do Anticristo. Examinando com sinceridade as Escrituras, eles aceitam a verdade de que Jesus Cristo é o Messias (Dt 4.30,31; Zc 13.8,9). São socorridos por Deus durante os últimos três anos e meio da tribulação, e Satanás não poderá vencê-los (ver vv.13-16, de Ap 12). Quem de Israel aceitar a religião do Anticristo e rejeitar a verdade bíblica do Messias será julgado e destruído nos dias da grande tribulação (ver Is 10.21-23;Ez 11.17-21; 20.34-38; Zc 13.8,9)” (Bíblia de Estudo Pentecostal, João Ferreira de Almeida, Revista e Corrigida, 1995).

OS IRMÃOS DE JESUS

Os “irmãos de Jesus”, de que fala a Bíblia, seriam apenas seus primos? José continuou sem conhecer sua esposa mesmo depois do nascimento de Jesus? O que dizem os comentaristas nas bíblias aprovadas pela Igreja Católica? É admissível supor que os irmãos de Jesus, que não criam nele, fossem seus apóstolos? Tentaremos encontrar respostas para essas indagações. Usaremos as seguintes versões bíblicas:

(a) A BÍBLIA DE JERUSALÉM, Paulus Editora, 1973, 8a impressão em janeiro/2000, rubricada em 1.11.1980 por Paulo Evaristo Arns, Arcebispo Metropolitano de São Paulo. O trabalho de tradução foi “realizado por uma equipe de exegetas católicos e protestantes e por um grupo de revisores literários”. Nas referências, será assim mencionada: Bíblia de Jerusalém.

(b) BÍBLIA SAGRADA, Edição Ecumênica, tradução do padre Antônio Pereira de Figueiredo; notas e dicionário prático pelo Monsenhor José Alberto L. de Castro Pinto, Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro; edição aprovada pelo cardeal D. Jaime de Barros Câmara, Arcebispo do Rio de Janeiro; BARSA, 1964. Nas referências, será designada assim: Bíblia [católica] Sagrada.

(c) BÍBLIA APOLOGÉTICA, João Ferreira de Almeida, Corrigida e Revisada, ICP Editora, 2000, notas do Instituto Cristão de Pesquisas. Será assim indicada: Bíblia Apologética.

(d) BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL, Almeida, revista e corrigida, Casa Publicadora das Assembléias de Deus (CPAD), 1995. será referida: Bíblia de Estudo Pentecostal.

Inicialmente, veremos os versículos que falam dos “irmãos de Jesus”, extraídos da Bíblia [católica] de Jerusalém:

“Não é ele o filho do carpinteiro? E não se chama a mãe dele Maria e seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas? E as suas irmãs não vivem todas entre nós? Donde então lhe vêm todas essas coisas? E se escandalizavam dele. Mas Jesus lhes disse: “Não há profeta sem honra, exceto em sua pátria e em sua casa” (Mateus 13.55-58; Marcos 6.3-6).

“Estando ainda a falar às multidões, sua mãe e seus irmãos estavam fora, procurando falar-lhe. Jesus respondeu àquele que o avisou: “Quem é minha mãe e quem são meus irmãos?” E apontando para os discípulos com a mão, disse: “Aqui estão a minha mãe e os meus irmãos, porque aquele que fizer a vontade de meu Pai que está nos Céus, esse é meu irmão, irmã e mãe”. (Mateus 12.46-50; Marcos 3.32-35; Lucas 8.19-21).

“Depois disso, desceu a Cafarnaum, ele, sua mãe, seus irmãos e seus discípulos, e ali ficaram apenas alguns dias”. (João 2.12).

“Aproximava-se a festa judaica das Tendas. Disseram-lhe, então, os seus irmãos: ‘Parte daqui e vai para a Judéia, para que teus discípulos vejam as obras que fazes, pois ninguém age às ocultas, quando quer ser publicamente conhecido. Já que fazes tais coisas, manifesta-te ao mundo!’ Pois nem mesmo os seus irmãos criam nele”(João 7.2-5).

“Tendo entrado na cidade, subiram à sala superior, onde costumavam ficar. Eram Pedro e João, Tiago e André, Filipe e Tomé, Bartolomeu e Mateus;Tiago, filho de Alfeu, e Simão, o Zelota; e Judas, filho de Tiago.Todos estes, unânimes, perseveravam na oração com algumas mulheres, entre as quais Maria, a mãe de Jesus, e com os irmãos dele” (Atos 1.13-14). Comentários da Bíblia de Jerusalém: “O apóstolo Judas é distinto de Judas, irmão de Jesus (cf. Mt 13.55; Mc 6.3) e irmão de Tiago (Judas 1). Não se deve também, parece, identificar o apóstolo Tiago, filho de Alfeu, com Tiago, irmão do Senhor (At 12.17; 15.13, etc)”.

“Não temos o direito de levar conosco, nas viagens, uma mulher cristã, como os outros apóstolos e os irmãos do Senhor e Cefas?” (1 Coríntios 9.5).

“Em seguida, após três anos, subi a Jerusalém para avistar-me com Cefas e fiquei com ele quinze dias.Não vi nenhum apóstolo, mas somente Tiago, o irmão do Senhor. Isto vos escrevo e vos asseguro diante de Deus que não minto” (Gálatas 1.18-20). Comentários da Bíblia de Jerusalém: “Outros traduzem: “a não ser Tiago”, supondo que Tiago faça parte dos Doze e se identifique com o filho de Alfeu (Mt 10.3p), ou tomando “apóstolo” em sentido lato (cf.Rm 1.1+)”.

A Igreja Católica assim se manifestou em seu Catecismo:

“A isto objeta-se por vezes que a Escritura menciona irmãos e irmãs de Jesus. A Igreja sempre entendeu que essas passagens não designam outros filhos da Virgem Maria: Com efeito, Tiago e José, “irmãos de Jesus” (Mateus 13.55), são os filhos de uma Maria discípula de Cristo (Mateus 27.56), que significativamente é designada como “a outra Maria” (Mateus 28.1). Trata-se de parentes próximos de Jesus, consoante uma expressão conhecida do Antigo Testamento (Gênesis 13.8; 14.16; 29.15, etc.)” (Catecismo da Igreja Católica, p. 141. # 500).

De uma página de apologética católica na Internet colhemos a seguinte explicação extra-oficial: “São Lucas esclarece que Tiago e Judas eram filhos de Alfeu ou Cléofas (Lucas 6.15-16). Portanto o eram também José e Simão. Mas não Jesus, que sabemos era filho de “José, o carpinteiro”.
Portanto, não poderiam ser irmãos carnais. Por outro lado, São Mateus dá o nome da mãe deles: “Entre as quais estava… Maria, mãe de Tiago e de José” (Mateus 27.56). Não se pode confundir esta Maria com sua homônima, esposa de José, o carpinteiro. São João deixa bem clara essa distinção: “Junto à cruz de Jesus estava sua mãe e a irmã (prima) de sua Mãe, Maria, mulher de Cléofas” (João 19.25), cuja filha se chamava Maria Salomé. São as bem conhecidas “três Marias”. Aliás, atualmente os protestantes mais cultos já nem levantam mais essa objeção”.

Vejamos agora quais as “Marias” citadas nos evangelhos (Bíblia [católica] de Jerusalém):

Na crucificação

“Estavam ali muitas mulheres, olhando de longe. Haviam acompanhado Jesus desde a Galileia, a servi-lo. Entre elas, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu” (Mt 27.56).
“E também ali estavam ali algumas mulheres, olhando de longe. Entre elas, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, o Menor, e de José, e Salomé” (Mc 15.40). Comentário da referida Bíblia:
“Provavelmente, [Salomé] é a mesma que Mt 27.56 denomina a mãe dos filhos de Zebedeu”.

“Perto da cruz de Jesus, permaneciam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Clopas, e Maria Madalena” (Jo 19.25). Comentários da referida Bíblia, referindo-se “a irmã de sua mãe”: “Ou se trata de Salomé, mãe dos filhos de Zebedeu (cf. Mt 27.56p) ou, ligando essa denominação ao que se segue, “Maria, mulher de Clopas”.

Na ressurreição

“Após o sábado, ao raiar do primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria vieram ver o sepulcro” (Mt 28.1). Comentário da referida Bíblia sobre a “outra Maria”: “Isto é, “Maria [mãe] de Tiago” (Mc 16.1; Lc 24.10; cf. Mt 27.56)”.

“Passado o sábado, Maria Madalena e Maria, mãe de Tiago, e Salomé compraram aromas para ir ungi-lo” (Mc 16.1-2).

“Eram Maria Madalena, Joana e Maria, mãe de Tiago” (Lc 24.10),

Vejamos agora quais os “Tiagos” citados nos evangelhos, conforme consta do Dicionário na parte final da Bíblia [católica] Sagrada, item “b” retro:
1. Tiago – “O Maior (mais velho), filho de Zebedeu e Salomé e irmão de São João Evangelista (Mt 4.21). era de Betsaida na Galiléia, pescador (Mc 1.19) e companheiro de São Pedro como seus irmãos (Lc 5.10).”

2. Tiago – “O Menor (mais moço), filho de Alfeu ou Cléofas (Mt 10.3; Mc 3.18; Lc 6.15; At 1.13) e de Maria (Jo 19.25). Foi chamado “irmão do Senhor” (Gl 1.19), no sentido semita [relativo aos judeus] que tem essa palavra que pode se aplicar aos primos e outros consanguíneos em linha colateral mais afastados, e até mesmo aos simples conacionais. Tiago Menor era primo de Jesus por ser sobrinho de S. José. N. Senhor apareceu-lhe uma semana depois da Ressurreição (1 Co 15.7). Foi o primeiro bispo de Jerusalém depois da dispersão dos Apóstolos.O fato de Paulo o ter procurado (Gl 1.19) e de ter ele feito o discurso final no Concílio de Jerusalém parece provar isto (At 15.13) Foi morto no Templo por instigação do sumo Sacerdote Anás II, tendo sido lançado de uma galeria e espancado até à morte (62 depois de Cristo)”.

3. Epístola de S. Tiago – “Uma das epístolas católicas atribuída a São Tiago, o menor…”

Vejamos agora quais os “Judas” citados nos evangelhos, segundo Dicionário da Bíblia [católica] Sagrada, item “b” retro:

1. Judas – “Habitante de Damasco que hospedou S.Paulo (At 9.11)”.
2. Judas Iscariotes – “O Apóstolo que traiu N. Senhor (Mt 10.4; Mc 3.19; Lc 6.16). Iscariot quer dizer “homem de Cariot”, aldeia de Judá”.
3. Judas Tadeu – “Um dos doze apóstolos (Mt 10.3; Mc 3.18; Lc 6.16; Jo 14.22). É o irmão de Tiago o Menor e “irmão”, isto é, primo do Senhor (At 1.13); Mt 13.55; Mc 6.3)”.
4. Epístola de S. Judas Tadeu – Um dos livros canônicos do Novo Testamento, classificado entre as chamadas “Epístolas Católicas”.
A partir dessas informações surgem algumas indagações:
Primeiro – Os apóstolos Tiago (o Menor) e Judas (Tadeu) são os mesmos chamados de “irmãos de Jesus” em Mateus 13.55 e Marcos 6.3? Que dizem as bíblias católicas retrocitadas?
O que vimos foram interpretações discordantes. A Bíblia de Jerusalém diz nos comentários sobre Atos 1.13 que “o apóstolo Judas é distinto de Judas, irmão de Jesus”, isto é, não são a mesma pessoa, ou seja, o apóstolo Judas é uma pessoa e o irmão de Jesus, com idêntico nome, é outra pessoa. No mesmo passo, diz que o apóstolo Tiago, filho de Alfeu, não é o mesmo Tiago, irmão do Senhor. Reiterando a sua posição, referida Bíblia afirma nos comentários sobre Gálatas 1-18-20: “Outros traduzem: “a não ser Tiago”, supondo que Tiago faça parte dos Doze e se identifique com o filho de Alfeu (Mt 10.3p), ou tomando “apóstolo” em sentido lato (cf. Rm 1.1+)”.

Por outro lado, a Bíblia Sagrada, católica, como discriminada no início deste trabalho, assume posição diferente. O dicionário que compõe essa Bíblia diz que “Tiago, o Menor, filho de Alfeu ou Cléofas (Mt 19.3; Mc 3.18; Lc 6.15; At 1.13) e de Maria (Jo 19.25), foi chamado “irmão do Senhor”. Diz mais que “Tiago Menor era primo de Jesus por ser sobrinho de S.José”.
Confirmando, diz que “Judas Tadeu, um dos apóstolos (Mt 10.3; Mc 3.18…) é o irmão de Tiago, o Menor, e “irmão”, isto é, primo do Senhor (At 1.13; Mt 13.55; Mc 6.3)”. O descompasso é lamentável, a menos que se configure aí o “livre-exame” – situação em que comentaristas ou exegetas católicos interpretam livremente os textos bíblicos sem guardar coerência com a cúpula do Vaticano.
No particular, concordo plenamente com a Bíblia [católica] de Jerusalém. Os irmãos de Jesus (Mt 13.55 e Mc 6.3, etc.), não foram apóstolos ou mesmo discípulos, pelo seguinte:
a) Os irmãos de Jesus não criam nEle. No registro de João 7.2-5 nota-se claramente essa incredulidade. Entende-se, também, que Jesus evitou a companhia deles nesse episódio (Jo 7.8-10). Ao dizerem “para que teus discípulos vejam as obras que fazes” seus irmãos se excluíram do rol dos seguidores de Jesus. Ademais, Jesus não iria escolher para apóstolo alguém que não cria nEle.

b) A Bíblia estabelece distinção entre ser discípulo e ser irmão de Jesus (Jo 2.12; At 1.13-14; 1 Co 9.5; Gl 1.18-20). Por exemplo, em certa ocasião Jesus estava com seus discípulos em determinado local, e lá fora estavam sua mãe e seus irmãos (Mt 12.46-50; Mc 3.32-35; Lc 8.19-21).

Segundo – A tia de Jesus – irmã de sua mãe Maria – era Salomé, mãe dos filhos de Zebedeu, ou era Maria, mulher de Cléofas?
Vejamos mais uma vez o que relata João 19.25: “Perto da cruz de Jesus, permaneciam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena”.
A frase como está admite duas interpretações. A primeira é a de que “a irmã de sua mãe” é uma pessoa, e Maria, mulher de Cléofas, outra. A segunda hipótese é a de que o nome da tia de Jesus é Maria, a mulher de Cléofas. A Bíblia [católica] de Jerusalém concorda comigo quando diz: “Ou se trata de Salomé, mãe dos filhos de Zebedeu (Mt 27.56) ou, ligando essa denominação ao que se segue, “Maria, mulher de Clopas”.
A Bíblia Sagrada, edição católica, afirma no seu “dicionário” que:
“Maria de Cléofas” é irmã da SS. Virgem Maria, i.e. sua prima, pois em hebraico a palavra tem um sentido mais lato. Segundo uns seria a mãe de Tiago (o menor), José, Simão e Judas Tadeu e esposa de Cléofas também chamado Alfeu (Mt 27.56; Mc 3.18; 6;3; 15.40). Segundo outros são duas pessoas com o mesmo nome, uma, irmã de S. José, seria a esposa de Alfeu e mãe de Tiago Menor e José; e a outra seria cunhada de S. José por ser casada com Cléofas, irmão de S. José, e seria a mãe de Simão e Judas Tadeu. Como quer que seja, uma Maria de Cléofas e uma Maria, mãe de Tiago, aparecem nos Evangelhos como tendo acompanhado o Senhor até o Gólgota e preparado os aromas… (Jo 19.25; Lc 24.10; Mt 28.9)”.

Terceiro – De quem seriam filhos os irmãos de Jesus?

Não eram filhos de Zebedeu e de sua provável mulher Salomé, porque os filhos destes eram João e Tiago (Mt 4.21). Ora, os irmãos de Jesus foram Tiago, José, Simão e Judas, afora algumas irmãs (Mt 13.55-56, Mc 6.3). João está excluído dessa relação. Além disso, os irmãos de Jesus não criam nEle (Jo 7.5). Logo, João, apóstolo, não foi seu irmão. Não eram filhos de Maria, mulher de Alfeu ou Cléofas, cujo filho Tiago, o menor, foi apóstolo (Mt 10.3; Mc 15.40), e como tal não poderia ser irmão de Jesus, porque estes não criam nEle (Jo 7.5). Ademais, não consta que Tiago, José, Simão e Judas, irmãos do Senhor, fossem filhos do referido casal.

A Bíblia [católica] de Jerusalém é de parecer semelhante quando diz: “O apóstolo Judas é DISTINTO de Judas, irmão de Jesus (cf. Mt 13.55; Mc 6.3) e irmão de Tiago (Judas 1). Não se deve também, parece, IDENTIFICAR o apóstolo Tiago, filho de Alfeu, com Tiago, irmão do Senhor (At 12.17; 15.13, etc)”. Realce acrescentado. Contrapondo-se, a outra Bíblia, católica, diz que Judas, apóstolo, é o irmão de Tiago o menor e “irmão”, isto é, primo do Senhor (Mt 13.55; Mc 6.3). Ou seja, Tiago e Judas, eram ao mesmo tempo irmãos (ou primos) e apóstolos.
Se os irmãos de Jesus não eram filhos de Zebedeu, nem o eram de Alfeu, seria da tia de Jesus, não devidamente identificada em João 19.25? Não pode ser porque essa tia de Jesus já foi devidamente identificada pelo catolicismo, ao dizer que ou se chamava Salomé,mãe dos filhos de Zebedeu, ou era Maria, mulher de Cléofas.
Vamos agora ler o que dizem outros comentaristas a respeito dos irmãos de Jesus.
IRMÃOS DO SENHOR – “Aqueles de quem se fala em Mateus 12.46 e 13.55, e outros lugares,como irmãos de Jesus, seriam filhos de José e Maria? Segundo uma opinião que já vem do segundo século pelo menos, esses “irmãos de Jesus” eram filhos de um primeiro matrimônio de José. Mais tarde foram, por alguns críticos considerados primos do nosso Salvador. Podem, contudo, ter sido filhos de José e Maria. Em todas as passagens, menos uma, em que esses irmãos de Jesus são mencionados nos Evangelhos, acham-se associados com Maria. Se eram eles filhos mais velhos de José, não seria então Jesus o herdeiro do trono de Davi, segundo as nossas noções de primogenitura. Eles não acreditavam em Jesus no princípio da Sua missão, e até, segundo parece (Jo 7.5), depois que os apóstolos foram escolhidos; e por essa razão eles não puderam ser do número dos Doze, dos quais, na verdade, eles particularmente se distinguem, quando num período posterior são vistos na companhia deles (At 1.14). Não devem, portanto, ser confundidos com os filhos de Alfeu, embora tenham os mesmos nomes. Além disso, as palavras “filho” e “mãe”, sendo empregadas nesta passagem (Mt 13.55) no seu natural e principal sentido, semelhantemente devem ser tomados os nomes “irmão” e “irmã” , pelo menos, até ao ponto de excluir o termo “primo”.
O fato de terem os filhos de Alfeu, bem como os irmãos do Senhor, os nomes de Tiago, José e Judas, nada prova, visto que esses nomes eram muito vulgares nas famílias judaicas. Estranha-se que não fossem lembrados estes irmãos, quando Jesus confiou a sua mãe aos cuidados de João; mas isso explica-se pela razão de que a esse tempo ainda eles não criam Nele. A conversão deles parece ter sido quando se realizou a aparição de Jesus a Tiago, depois da Sua ressurreição (1 Co 15.7).” (Dicionário Bíblico Universal, pelo Rev Buckland, Editora Vida, 1993).

IRMÃOS DO SENHOR – “Relação de parentesco atribuída a Tiago, José, Simão e Judas, Mt 13.55;Mc 6.3, que aparecem em companhia de Maria, Mt 12.47-50; Mc 3.31-35; Lc 8.19-21, foram juntos para Cafarnaum no princípio da vida pública de Jesus, Jo 2.12, mas não creram nele senão no fim de sua carreira. Jo 7.4,5. Depois da ressurreição, eles se acham em companhia dos discípulos, At 1.14, e mais tarde os seus nomes aparecem na lista dos obreiros cristãos, 1 Co 9.5. Tiago, um deles, salientou-se como líder na Igreja de Jerusalém, At 12.7; 15.13; Gl 1.19; 2.9, e foi autor da epístola que traz o seu nome. Em que sentido eram eles irmãos de Jesus? Tem sido assunto de muitas discussões. Nos tempos antigos, julgava-se que eram filhos de José, do primeiro matrimônio. O seu nome não aparece mais na história do evangelho. Sendo José mais velho que Maria é provável que tivesse morrido logo e que tivesse casado antes. Esta opinião é razoável, mas em face das narrativas de Mt 1.25 e Lc 2.7, não é provável. No quarto século, S. Jerônimo deu outra explicação, dizendo que eram primos de Cristo, pelo lado materno, filhos de Alfeu ou Cléofas com Maria, irmã da mãe de Jesus. Esta explicação se infere, comparando Mc 15.40 com Jo 19.25, e a identidade dos nomes Alfeu e Cléofas. Segundo esta idéia, Tiago, filho de Alfeu, e talvez Simão e Judas, contados entre os apóstolos, fossem irmãos de Jesus. Porém, os apóstolos se distinguiam dos irmãos, estes nem ao menos criam nele, e não é provável que duas irmãs tivessem o mesmo nome. Outra ideia muito antiga é que eles eram primos de Jesus pelo lado paterno e outros ainda supõem que eram os filhos da viúva do irmão de José, Dt 25.5-10. Todas estas opiniões ou teorias parecem ter por fim sustentar a perpétua virgindade de Maria.
O que parece mais razoável e mais natural é que eles eram filhos de Maria depois de nascido Jesus.Que esta teve mais filhos é claramente deduzido de Mt 1.25 e Lc 2.7 que explica a constante associação dos irmãos do Senhor com Maria” (Dicionário da Bíblia, John D. Davis, 21a Edição/2000, Confederação Evangélica do Brasil).
SEUS IRMÃOS – “Não há razão para supor que estes irmãos, tanto como as irmãs mencionadas (Mt 13.55-56), não eram filhos de José e Maria” (O Novo Comentário da Bíblia, vol. II, Nova Vida, 1990, 9a Edição).
IRMÃOS DO SENHOR (Mateus 12.46-50) – “Por insistir na teoria da virgindade perpétua de Maria, o Catolicismo Romano os levou a explicar erroneamente o sentido da expressão irmãos. Assim, eles acreditam que Jesus não tinha irmãos no verdadeiro sentido dessa palavra e o grau de parentesco que ela exprime. No entanto, esse raciocínio não desfruta de nenhum apoio escriturístico. A Bíblia é clara ao afirmar que Jesus tinha quatro irmãos, além de várias irmãs (Mt 13.55,56; Mc 3.31-35; 6.3; Lc 8.19-21; Jo 2.12; 7.2-10; At 1.14; 1 Co 9.5; Gl 1.19). A teoria desenvolvida pelos católicos romanos e por alguns protestantes, que visa defender que Maria permaneceu virgem, é totalmente fútil. Esse conceito só passou a fazer parte da teologia muitos séculos depois de Jesus. Seu objetivo, é claro, era exaltar Maria, criando, assim, a mariolaria” (Bíblia Apologética, João F. Almeida, ICP Editora, 1a Edição, 2000).

Quarto – José e Maria se “conheceram” após o nascimento de Jesus?

A nossa análise terá como base o seguinte registro: “José, ao despertar do sono, agiu conforme o Anjo do Senhor lhe ordenara e recebeu em casa sua mulher.Mas não a conheceu até o dia em que ela deu à luz um filho. E ele o chamou com o nome de Jesus” (Mateus 1.24-25, Bíblia [católica] de Jerusalém).
A passagem acima diz claramente que José, atendendo ao anjo, recebeu em sua casa a sua esposa Maria, e foram viver como marido e mulher. Está dito que Maria foi a mulher de José; que José não conheceu a sua esposa enquanto ela estava grávida de Jesus; que Jesus nasceu de uma virgem, porque José somente conheceu sua mulher – ou seja, teve relações com ela – depois do nascimento de Jesus.
Católicos há que contestam o que está escrito na Bíblia, e dizem que “nas Sagradas Escrituras a expressão “até que” é empregada muitas vezes para indicar um tempo indeterminado, e não para marcar algo que ainda não aconteceu”. Não iremos nos estender na refutação dessa tese porque as duas bíblias de início citadas, aprovadas pelo catolicismo, interpretam corretamente referido versículo, como a seguir:
“Mas [José] não a conheceu até o dia em que ela deu à luz um filho, e ele o chamou com o nome de Jesus”: “O texto não considera o período ulterior [depois do parto] e por si não afirma a virgindade perpétua de Maria, mas o resto do Evangelho, bem como a tradição da Igreja, a supõem” (Comentário da Bíblia [católica] de Jerusalém).
Em outras palavras, os exegetas católicos, que trabalharam na edição da referida Bíblia, reconheceram o óbvio, ou seja, que até o nascimento de Jesus, José e Maria não se “conheceram”. Todavia, dizem bem quando entendem que a Tradição “supõe”, isto é, o dogma da perpétua virgindade de Maria é uma suposição, não uma realidade bíblica. O comentário acima coloca por terra argumentos outros não oficiais, segundo os quais José não conheceu sua esposa nem antes nem depois do nascimento de Jesus.

Outro comentário: “Enquanto (ou até que): esta palavra portuguesa traduz o latim donec e o grego heos ou, que por sua vez estão calcados sobre a expressão hebraica ad ki que se refere ao tempo anterior a esse limite sem nada dizer do tempo posterior, cf. Gn 8.7;Sl 109.1; Mt 12.20; 1 Tm 4.13. A tradução exata seria: “sem que ele a tivesse conhecido, deu à luz…”, pois a nossa expressão “sem que” tem o mesmo valor” (Bíblia [católica] Sagrada).
O que a Bíblia acima está dizendo em seus comentários é que o “ATÉ” não foi ALÉM do nascimento de Jesus, ou seja, enquanto grávida e até dar à luz não houve “conhecimento” mútuo do casal.
Concordando com as Bíblias Católicas, a Bíblia Apologética, usada pelos evangélicos, assim esclarece: “Veja a preposição “até” em qualquer concordância bíblica e ficará surpreso a respeito do seu significado. Observe alguns exemplos: Levíticos 11.24-25: “E por estes sereis imundos: qualquer que tocar os seus cadáveres, imundo será ATÉ à tarde”. E depois da tarde, eles permaneceriam imundos? Vejamos agora Apocalipse 20.3: “E lançou-o no abismo, e ali o encerrou, e pôs selo sobre ele, para que não mais engane as nações, ATÉ que os mil anos se acabem. E depois importa que seja solto por um pouco tempo”. Assim, a relação existente antes do nascimento de Jesus se modificou [como se modificou a situação de Satanás após os mil anos de prisão], não a conheceu até que ela deu à luz. Essa passagem declara que, depois do nascimento de Jesus, José Maria tiveram uma vida conjugal normal, como qualquer outro casal. Nenhum autor do Novo Testamento ensina a doutrina da virgindade perpétua de Maria. Se se tratasse de uma doutrina ou ensinamento vital ou essencial como requer o catolicismo romano, certamente Paulo e os outros discípulos teriam mencionado a respeito. Assim resta ao catolicismo romano apegar-se à tradição, porque a Bíblia não aceita essa teoria (Colossenses 2.8)”.

A expressão “não coabitou com Maria ATÉ QUE nascesse Jesus” está muito clara. Ligada à fala do anjo que disse a José que RECEBESSE Maria, sua mulher, ficou entendido que passado o período da gravidez e do descanso depois do parto, José e Maria, marido e mulher, continuariam uma vida a dois como todos os casais do mundo. Assim aconteceu, pois tiveram muitos filhos, conforme está em Mateus 13.55-56. José e Maria constituíram um casal muito feliz e foram abençoados por Deus. E por ter filhos, por amar o seu esposo, por ter sido mãe, Maria não pecou nem perdeu a sua santidade. Maternidade e santidade podem caminhar juntas, sem que uma prejudique a outra.

Sexo no casamento não é pecado.

Quinto – Houve ordem divina para que José não “conhecesse” sua mulher?

Se não havia a intenção formal nem de José nem de Maria de viverem sem relações íntimas, embora residissem sob o mesmo teto, teria havido alguma ordem divina nesse sentido? O leitor deverá ler cuidadosamente Mateus 1.18-25 e Lucas 1.26-38 para verificar a inexistência de qualquer tipo de impedimento. A resposta de Maria ao anjo – “Como é que vai ser isso, se eu não conheço homem algum?” (Lc 1.34) – pode ser interpretada como um voto de virgindade? A Bíblia [católica] de Jerusalém, em seus comentários, responde: “A “virgem” Maria é apenas noiva (v.27) e não tem relações conjugais (sentido semítico de “conhecer”, cf. Gn 4.1; etc.). Esse fato, que parece opor-se ao anúncio dos vv. 31-33, induz à explicação do v. 35. NADA NO TEXTO IMPÕE A IDEIA DE UM VOTO DE VIRGINDADE” (realce acrescentado).

Sexto – O que diz a Igreja Católica sobre o Matrimônio?

a) “Os atos com os quais os cônjuges se unem íntima e castamente são honestos e dignos e a sexualidade é fonte de alegria e prazer”? (Catecismo da Igreja Católica, p. 612, # 2362). Por que com Maria seria diferente?

b) “Pela união dos esposos realiza-se o duplo fim do matrimônio: o bem dos cônjuges e a transmissão da vida”, pois que “esses dois significados ou valores do casamento não podem ser separados sem alterar a vida espiritual do casal” (C.I.C. p. 612, # 2363). Por que com o casal José e Maria seria diferente? Esses “valores” não diziam respeito também a eles?

c) “A sagrada Escritura e a prática tradicional da Igreja vêem nas famílias numerosas um sinal da bênção divina e da generosidade dos pais”? (C.I.C., p. 615, # 2373). Por que Maria não podia ter muitos filhos?

d) “Exige a indissolubilidade e a fidelidade da doação recíproca e abre-se à fecundidade”? (C.I.C. p. 449 #1643). Por que doação recíproca e fecundidade deveriam ficar fora do casamento de José e Maria?

e) “O instinto do Matrimônio e o amor dos esposos estão, por sua índole natural, ordenados à procriação e à educação dos filhos… e por causa dessas coisas são como que coroados de sua maior glória”? Se “os filhos são o dom mais excelente do Matrimônio e contribuem grandemente para o bem dos próprios pais… pois “Deus mesmo disse: “Crescei e Multiplicai” (Gn 2.18)” (C.I.C. p.452 #1652). José e Maria não deveriam crescer e multiplicar? Eles não tinham essa índole natural à procriação?

f) “A sexualidade está ordenada para o amor conjugal entre o homem e a mulher,e no casamento a intimidade corporal dos esposos se torna um sinal de um penhor de comunhão espiritual”? (C.I.C., p.611 #2360). Por que eles não podiam?

Além das considerações sobre o matrimônio, acima registradas, expendidas pela Igreja Católica, o apóstolo Paulo adverte que “Por causa da prostituição cada um tenha a sua própria mulher, e cada uma tenha o seu próprio marido”; “a mulher não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no o marido”; e que “não vos defraudeis [negar relação íntima] um ao outro, senão por consentimento mútuo por algum tempo, para vos aplicardes à oração; mas que “depois ajuntai-vos outra vez para que Satanás não vos tente por causa da incontinência [ausência de relações sexuais]”, (1 Coríntios 7.2-5). A abstinência do casal José e Maria não estaria fora dos propósitos de Deus?

OUTRAS CONSIDERAÇÕES

1) Lemos em João 2.12: “Desceu [Jesus] a Cafarnaum, com sua mãe, seus irmãos e seus discípulos. E ficaram ali muitos dias”. Não pode ser outro o entendimento: Jesus com sua família, a mãe com seus filhos ficaram muitos dias naquela cidade. Não há como forçarmos uma interpretação que nos levaria a pensar que Maria, não tendo filhos com José, resolvera criar seis ou mais parentes. Vejam também a distinção entre “discípulos” e “irmãos”.

2) Quando o termo “irmãos e irmãs” é empregado em conjunto com “pai” ou “mãe”, o sentido não pode ser o de primos e primas, mas de irmãos biológicos, filhos de um mesmo pai ou mãe. Exemplo: “Se alguém vier a mim, e não aborrecer a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs, e até mesmo a sua própria vida, não pode ser meu discípulo” (Lucas 14.26).

3) Vejamos quais as palavras usadas no grego – a língua original do Novo Testamento – para designar IRMÃOS, IRMÃS, PARENTES, PRIMOS e SOBRINHOS, conforme a Concordância Fiel do Novo testamento, dois volumes, Editora Fiel, 1a Edição, 1994:

Adelphos – Usada 343 vezes para designar pessoas que têm em comum pai e mãe, ou apenas pai ou mãe; indicar duas pessoas que têm um ancestral comum ou que faz parte do mesmo povo, ou membros da mesma religião. Com essa palavra são nomeados os irmãos de Jesus (Mt 12.46-4813.55; Mc 6.3; Jo 2.12; 7.3,5,10; At 1.14; 1 Co 9.5; Gl 1.19; Jd 1).

Adelphe – O termo é traduzido 26 vezes como irmã, indicando (poucas vezes) a participante de uma mesma fé, e (a maioria dos casos) a filha de um mesmo pai ou mãe. Foi usado, por exemplo, para designar as irmãs de Jesus (Mt 13.56; Mc 3.32; 6.3), a irmã da mãe de Jesus (Jo 19.25), as irmãs de Lázaro, Marta e Maria (Jo 11.1,3,5,28,39).

Syngenis – Usado como o feminino de “parente” para indicar o parentesco de Maria, mãe de Jesus, com Isabel: “Também Isabel, tua parenta…” (Lucas 1.36).

Syngenes – Termo usado para designar pessoa consangüínea, da mesma família, ou da mesma pátria (compatriota). Vejamos alguns dos 11 casos em que o termo foi usado:
“Um profeta só é desprezado em sua pátria, em sua parentela e em sua casa” (Marcos 6.4).
Nota: Quando se trata dos “irmãos de Jesus”, o termo usado é “adelphos” ou “aldephe”. “Isabel tua parenta [ou prima] concebeu um filho em sua velhice…” (Lucas 1.36). Nota: Se Isabel fosse irmã de Maria (filhas de pais comuns) o termo teria sido “adelphe”, de igual modo como foi usado em João 19.25 para designar a irmã da santa Maria.
“… e começaram a procurá-lo entre os parentes e conhecidos” (Lucas 2.44).
“Sereis traídos até por vosso pai e mãe, irmãos, parentes, amigos, e farão morrer pessoas do vosso meio…” (Lucas 21.16). Nota: Muito importante registrar que nesse versículo são usadas as palavras “adelphos”, para irmãos, e “syngenes”, para parentes. Entende-se que o termo “adelphos”, quando associado às palavras pai ou mãe tem o natural significado de filhos carnais.

Anepsios – Usada somente uma vez para identificar o termo “primo”, na seguinte passagem: “Saúdam-vos Aristarco, meu companheiro de prisão, e Marcos, PRIMO de Barnabé…” (Colossenses 4.10, Bíblia [católica] de Jerusalém). Nota: Havia portanto na linguagem grega palavras para identificar irmãos, primos e parentes. Logo, se Tiago, José, Simão, Judas e mais algumas mulheres (Mt 13.55-56; Mc 6.3) fossem parentes de Jesus, e não filhos de Maria, a palavra grega mais correta seria “anepsios” ou “syngenes”.

4) Gostaria de chamar a atenção dos leitores para o que está em Atos 1.13-14: “Tendo chegado, subiram ao cenáculo, onde permaneciam. Os presentes eram Pedro e Tiago, João e André, Filipe e Tomé, Bartolomeu e Mateus; Tiago, filho de Alfeu, Simão, o Zelote, e Judas, filho de Tiago. Todos estes perseveravam unanimemente em oração e súplicas, com as mulheres, e Maria, mãe de Jesus, e com seus irmãos”.
Maria, as outras mulheres e os irmãos de Jesus eram pessoas distintas dos apóstolos acima citados. Tiago e Judas, irmãos de Jesus, não estavam incluídos naquela relação. Juntaram-se aos apóstolos naquela ocasião.
Não me parece justo procurarmos outra mãe para os irmãos de Jesus. A outra Maria, que pode ser a de Alfeu ou Cléofas, era mãe de Tiago e de José. Vejam: “Maria, mãe de Tiago e de José” (Mt 27.56); “Maria, mãe de Tiago, o menor, e de José” (Mc 15.40); “Maria, mãe de Tiago” (Lc 24.10); “Tiago, filho de Alfeu” (Mt 10.3; Lc 6.15; At 1.13). Ora, os irmãos de Jesus se chamavam Tiago, José, Simão e Judas. O mesmo cuidado com o que os evangelistas Mateus e Marcos citaram os nomes de todos os irmãos de Jesus, um por um, teria usado para descrever os filhos dessa Maria. Entretanto, só foram citados Tiago e José. E Simão, com quem fica? A Bíblia descreve a existência das seguintes pessoas com esse nome: Simão, irmão de Jesus (Mt 13.55; Mc 6.3); Simão, chamado Pedro, apóstolo (Mt 4.18; 10.3); Simão, o Zelote, apóstolo (Mt 10.4; Mc 3.18; Lc 6.15; At 1.13). Ainda há outros com o nome Simão, como por exemplo Simão Iscariotes, pai de Judas, o traidor (Jo 6.71). A Bíblia com muita propriedade identifica cada um com o detalhe do apelido ou do parentesco. E Judas? A Bíblia diz que Judas, apóstolo, era filho deTiago (Lc 6.16). Não há nenhum registro afirmando que a outra Maria ou Maria, de Cléofas, tenha um filho com o nome de Judas. É quase certo que o autor da Epístola de Judas seja o irmão do Senhor, como descrito em Mateus 13.55 e Marcos 6.3, pelos seguintes motivos: 1) Ele não se apresenta como apóstolo de Cristo, mas como “servo” e irmão de Tiago (Jd 1.1); 2) A sua exortação no v. 17 sugere que ele não fazia parte dos Doze.
Os dados levantados apontam para o entendimento de que Tiago, Simão, José Judas, e mais algumas mulheres, eram realmente irmãos carnais de Jesus, filhos de Maria e de José.

Pr. Airton Evangelista da Costa
E-Mail: aicosta@secrel.com.br

 

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MARIA

mariaMARIA

(Lucas 1.26-28)

Desejamos saudar as mães cristãs ao meditar sobre a mãe de Jesus, nosso Salvador, modelo de mulher cristã, modelo de mãe, modelo de mãe cristã. Falamos tanto em Pedro, Paulo, João, Barnabé, ou nas santas mulheres da Bíblia como Sara, Maria, Débora, Ester, Maria Madalena, Marta e Maria, Priscila, mesmo a anônima samaritana, mas esquecemos de voltar os olhos, a mente e o coração para a mulher de coragem, submissa, dedicada, agraciada, serva de Deus que foi Maria de Nazaré! Por outro lado, tentaremos desfazer a idéia errônea de não-evangélicos a respeito do relacionamento entre os cristãos evangélicos e Maria, nossa irmã na fé, e mãe do Redentor.

SUA PESSOA – O Novo Testamento tem pouco a dizer sobre Maria. É, na verdade, extremamente lacônico ao falar de sua vida. Não tem ela lugar de proeminência nos Evangelhos. Como diz uma autora católica “Parece até ausente do ministério de Jesus, seu filho” Dois dos evangelistas até deixam de colocá-la no início do relato (Marcos e João), pois a história da infância de Jesus, o chamado “Evangelho da Infância”, somente é relatada em Mateus e Lucas.

Suas últimas palavras registradas foram as do casamento em Caná da Galiléia (João 2.3). Fora esse episódio, quantas anotações temos do que falou? Em Mateus e em Marcos nada foi registrado. Em Lucas, (1) na cena da anunciação (1.34,38), (2) no Magnificat (1.46-55), e (3) em 2.48 quando Jesus já está com doze anos e fora levado para se tornar um bar mitzvá . E apesar de todo esse silêncio, o romanismo procura construir um elaborado sistema de obras de Maria e de devoção à sua pessoa?!

Lucas descreve a cena do anúncio de haver sido escolhida para mãe do Messias (1.26ss). O mensageiro de Deus a chama de “agraciada”, ou seja, que ela era alvo de um favor especial de Deus, e não que fosse fonte de graça. Esse favor, essa graça especial era ser mãe do “Filho do Altíssimo”, mãe do filho do El Elyon (cf. 1.32)! Ora, senhoras e moças judias ansiavam pelo privilégio de ser a mãe do Ungido de Deus, porém Ele não buscou essa moça no palácio de Herodes nem nas camadas altas da sociedade entre os saduceus; fê-lo entre o povo, e agraciou uma jovem simples, pobre, surpreendendo, deste modo, a expectativa e a mente de todos (cf. 1Coríntios 1.27). Maria era tão humilde, simples e pobre que ao levar Jesus bebê a Jerusalém para o consagrar, e fazer o sacrifício ordenado pela Lei de Moisés (Êxodo 13 .2; Levítico 12.1-3, 6-8), ofereceu dois pombinhos em vez de um cordeiro (Lucas 2. 24). Aliás, poderia ter dito “não” quando do anúncio, mas não o fez; poderia ter evitado todo o futuro sofrimento, aceitou-o, porém, com resignação e entrega absoluta. Suas Palavras o atestam: “Disse então Maria: Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra”. (Lucas 1.38a).

Concebeu do Espírito Santo como o diz Mateus 1.18 (cf. Lucas 1.35) tornando-se entre as mulheres a única que pode ser chamada, como o foi por Isabel, “bendita” por trazer no ventre o “bendito fruto” do Eterno (cf. Lucas 1.42).

IDÉIAS SOBRE MARIA

Dói-nos ter que abordar o que segue; preferiríamos não precisar mencionar certas questões de teologia popular e, lamentavelmente, também de teologia oficial a respeito da mãe de Jesus. Nosso objetivo não é atacar ou hostilizar a crença de ninguém. Mas, sim, examinar o que diz a Bíblia sobre certas atitudes, doutrinas, dogmas que desvirtuaram o lugar dessa extraordinária mulher cristã, bendita entre as demais. As idéias não encontradas na Bíblia são: a imaculada conceição, a sua virgindade perpétua, a co-redenção, a sua assunção corporal aos céus, o título “Mãe de Deus”, o culto a Maria. Tudo nasce da pergunta se Maria é salva ou salvadora. Diz a Bíblia que precisou ser salva, pois a própria Maria o afirma: “o meu espírito exulta em Deus meu salvador” (Lucas 1.47). Pensar diferentemente leva aos dogmas que a Igreja de Roma tem formulado. Todavia, uma coisa é o que diz a Bíblia e outra é o que os dogmas criados pelos homens dizem!

Maria sem pecados?  É a idéia desenvolvida pelos teólogos do romanismo de que, para ser mãe do Salvador – que não tinha pecado – ela mesma teria que ser isenta de pecado. Portanto, segundo tais teólogos romanos, Deus a teria preservado, já na sua fecundação, da mancha do pecado original. Pense comigo: essa é uma idéia que não combina com a doutrina da Bíblia, que ensina “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; sendo justificados gratuitamente pela sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus” (Romanos 3.23, 24).

Ter sido escolhida para gerar o Messias significa que sua concepção, por obra do Espírito Santo, foi sem pecado, todavia isso não significa ter sido nascida sem pecado, nem ter sido a mais perfeita mulher que já viveu, tendo vivido sem pecados… Amados, esse dogma do romanismo foi promulgado em 1854 pelo Papa Pio IX.

A virgindade perpétua promulgada pelo romanismo ensina que a mãe de Jesus foi virgem antes, durante, depois do parto, e continuou a sê-lo durante sua vida de casada, de esposa e mãe. Todavia, tal doutrina foi definida não pela Bíblia, mas sim pelo Concílio Constantinopla II em 553d.C. e nasceu, sobretudo, do apreço à vida monástica e do menosprezo ao casamento considerado como estado inferior ao celibato. A insistência católico-romana na virgindade perpétua de Maria objetiva justificar o celibato dos seus padres e freiras. A Bíblia, no entanto, fala diferentemente: chama a Jesus de seu filho “primogênito” e não de “unigênito” .

O que define uma virgindade? Se for a membrana hímem, ao dar a luz de forma natural, a membrana se rompe, caracterizando a perda da virgindade. Porém, se for do ponto de vista de ter ou não ter tido relações sexuais, no caso da gestação de Jesus, então Maria era virgem e efetivamente deu à luz estando ainda sem ter tido contato sexual com José. Porém, Mateus 1.25 nos ensina que após o nascimento (e a purificação subseqüente), passou a ter vida matrimonial perfeita e absolutamente normal: “… e não a conheceu enquanto ela não deu à luz um filho; e pôs-lhe o nome de Jesus”. (Mateus 1.25). E porque não é desdouro ser a mãe do Messias e mãe de outros filhos com seu marido, o Novo Testamento apresenta os nomes de seus filhos: Tiago, José, Simão e Judas, além das irmãs não nomeadas (cf. Marcos 6. 3). Que divina sabedoria, o Espírito Santo ter permitido registrar o nome de seus irmãos! Há quem queira dizer que (1) seriam filhos de José de um casamento anterior, não há, porém, registro disso; ou primos de Jesus, no entanto, a palavra usada foi adelphos, pois existe outra, anepsiós que quer dizer “primo, sobrinho”, não usada aqui pelos evangelistas.

Co-redenção de Maria junto à cruz do Calvário, ou seja, “sócia na obra da salvação”. Uma coisa é dizer que Maria teve um papel único, exclusivamente seu na realização do plano de Deus para a salvação da pessoa humana; é dizer que os fatos da encarnação e do nascimento virginal são de tremendo significado para a Cristologia. Mas outra coisa é atribuir-lhe função salvífica, papel de salvadora e obra co-redentora.

Muita lenda tem surgido por falta de informação e estudo da Bíblia. Jesus ensinou que “errais, não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus” (Mateus 22.29), e por falta de conhecimento da Palavra Santa, há quem participe da Ceia (Eucaristia) nos cinco primeiros sábados (pois sábado é o dia do calendário que lhe é dedicado), esperando escapar do inferno sem que se preocupe com uma conduta digna do nome de cristão. E há quem dedique o dia de Sábado ao louvor de Maria que, segundo ensinam, visita o purgatório de onde leva muitas almas para o céu com ela. Quantos erros?! O purgatório?! a salvação após a morte?! Maria salvadora?!

Diz, no entanto o Novo Testamento: “Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem” (1Timóteo 2.5).

“Seja conhecido de vós, e de todo o povo de Israel, que em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, aquele a quem vós crucificastes e a quem Deus ressuscitou dentre os mortos, nesse nome está este aqui, são diante de vós. Ele é a pedra que foi rejeitada por vós, os edificadores, a qual foi posta como pedra angular. E em nenhum outro há salvação; porque debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, em quem devamos ser salvos” (Atos 4. 10-12).

Assunção ao céu. A doutrina é que Maria após a morte teria sido levada corporalmente para o céu, mas isso é um dogma que foi promulgado em 1950 pelo Papa Pio XII. Irmãos, nenhum ensino bíblico há sobre isso!

Maria, “Mãe de Deus”. Esse é outro dogma, definido no Concílio de Éfeso em 431, e baseado na idéia de que a sua maternidade diz respeito à pessoa inteira de Jesus. Portanto, se Jesus é homem e é Deus, Maria é mãe do homem Jesus e Mãe de Deus (?!) Fiquemos alerta que em lugar algum, o Novo Testamento a chama “Mãe de Deus”. É mãe, sim, do filho de Deus. Nem “Mãe da Igreja”. São ensinos estranhos ao evangelho. Mas foi “agraciada”, bendita entre as mulheres, e exemplo corretíssimo de aceitação, obediência, dependência, submissão, subordinação e serviço a Deus.

O culto a Maria. Diz a doutrina do romanismo que há três tipos de culto: latria (adoração exclusiva a Deus); hiperdulia (alta veneração só prestada a Maria); dulia (veneração aos santos, a lugares e objetos considerados santos). Todavia, amados, a Bíblia não se pronuncia sobre nada disso nisso! Muito ao contrário, ouça:

“Não terás outros deuses diante de mim. Não farás para ti imagem esculpida, nem figura alguma do que há em cima no céu, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não te encurvarás diante delas, nem as servirás; porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam” (Êxodo 20.3-5).

Amados, a Bíblia não admite adoração a astros, estrelas, seres animais, pessoas humanas (Atos 10.25, 26), anjos (Apocalipse 22. 8,9). E cada vez que isso acontecia, Deus exercia Seu julgamento: é só ler o Livro de Juízes, os sermões dos profetas, ou casos, como a morte de Herodes (Atos 12.21-23).

Queridos ouvintes da palavra de Deus: preciso lhes dizer, com todo o respeito à Palavra de Deus, que o culto a Maria é uma desonra a Deus por causa da proibição do uso de imagens. É o problema de se acrescentar algo mais à verdade da Bíblia. Pois não há sinais de veneração, culto, ou hiperdulia a Maria no Novo Testamento. Os magos do Oriente não prestaram adoração à estrela, nem a José ou a Maria, mas a Cristo (Mateus 2.11); seus presentes foram dados não a Maria ou a José, mas a Jesus; os apóstolos nunca oraram à mãe de Jesus nem lhe prestaram honras especiais; Pedro, chamado indevidamente pelo romanismo de “o primeiro papa” (Pedro jamais foi papa!), Paulo e Tiago não a mencionam em suas cartas; mesmo João, que dela cuidou até sua morte, não a menciona (João 19.27).

Instalada a Igreja no Pentecostes, o nome “dado entre os homens, em que devamos ser salvos” é o de Jesus (Atos 4.12). Um caso que poderia ter sido o primeiro de veneração a Maria foi rechaçado e corrigido na hora por Jesus:

“Ora, enquanto ele dizia estas coisas , certa mulher dentre a multidão levantou a voz e lhe disse: Bem-aventurado o ventre que te trouxe e os peitos em que te amamentaste. Mas ele respondeu: Antes bem-aventurados os que ouvem a palavra de Deus, e a observam” (Lucas 11.27, 28).

É chamada “Rainha dos Céus” título monstruoso porque era dado à deusa da fertilidade de Canaã, Astarte: “Os filhos apanham a lenha, e os pais acendem o fogo, e as mulheres amassam a farinha para fazerem bolos à rainha do céu, e oferecem libações a outros deuses, a fim de me provocarem à ira” (Jeremias 7.18; cf. 44.17-19, 25).

O culto de Maria iniciou-se após o quarto século.

COMO OS EVANGÉLICOS A VÊEM

Honramos a Maria, mãe de Jesus, com a mesma homenagem que a Bíblia lhe presta: “bendita entre as mulheres” (Lc 1.42), e reconhecemos que ela foi o vaso que trouxe a água da vida, Ela não é a água da vida, o pão da vida, o caminho, a verdade, ou a ressurreição e a vida. Com todas as gerações nós a chamamos “bem-aventurada” porque cria na palavra de Deus (Lucas 1.48), mas não a deificamos, cultuamos ou oramos a ela. Ao contrário, com ela cultuamos o Filho de Deus; não cultuamos através dela como se medianeira fosse. Essa é a ilusão do movimento “Peça à mãe que o filho atende”, que não tem base na Bíblia, que, contrariamente, ensina que Jesus foi quem disse: “… tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo concederá” (João 15.16; cf. 14.13, 14). Ou seja, “Peça ao Pai em nome do Filho, que Ele atende”. Nós a reconhecemos como “bem-aventurada”, ainda, porque na sua dedicação à vontade de Deus, na sua fé, na sua obediência, é exemplo para nós. É exemplo e modelo a ser imitado não mais, porém, que outros do Antigo ou do Novo Testamento.

Nós a vemos como mulher de louvor, oração e piedade. Seu cântico em Lucas 1.46-55, e que se assemelha em forma e conteúdo ao de Ana (1Samuel 2. 1-10), é uma linda página de sensibilidade e profunda espiritualidade.

Atos 1.14 apresenta Maria em oração com outros crentes, sem ter, porém, autoridade e prioridade sobre o grupo. Piedosa, realizou todos os ritos fixados pela Lei: a circuncisão, a purificação, a apresentação no Templo, e ano a ano realizava uma peregrinação a Jerusalém na Páscoa. Após o nascimento de Jesus, trouxe duas ofertas. Uma era queimada (simbolizava completa rendição à vontade de Deus); a outra era oferta pelo pecado (cf. Levítico 2.22-24; 12.6-8).

Queremos, ainda, insistir no fato que Maria foi mulher de profunda sensibilidade espiritual. Sua fé e sua disposição de servir a Deus nos chamam a atenção, por isso deu uma atenção cuidadosa, à educação de seu filho nas tradições religiosas do seu povo, o povo judeu.

Mas ela sabia que precisava de um Salvador (Lucas 1. 47). Tinha absoluta consciência de que Jesus era, não só humano, mas também divino e enviado por Deus (Gálatas 4.4) . Lucas 2.18 e 51 nos mostram que ela meditava cuidadosa, profunda e assiduamente sobre seus deveres. É o protótipo da mulher de reflexão; é o modelo, exemplo da esposa cristã ideal. Todavia, Maria nos deixou um mandamento, o qual nos compete cumpri-lo: : “Fazei tudo quanto Ele [Cristo] vos disser” (João 2.5). Confessa ter confiança plena no poder divino do seu filho. “FAZEI TUDO QUANTO ELE VOS DISSER” Que é o que Ele diz? Entre outros ensinos: “Quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, porém, desobedece ao Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus” (João 3. 36).

“Quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna e não entra em juízo mas já passou da morte para a vida” (João 5.24).

“Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas quem perder a sua vida por amor de mim e do evangelho, salva-la-á” (Marcos 8. 34,35).

Amados, isso significa que: 1) é preciso um Salvador pessoal, 2) ter fé nesse Salvador e  3) obedecer-Lhe.

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Sábado ou Domingo – A Opção Cristã

sabadoSábado ou Domingo – A Opção Cristã

Pr. Airton Evangelista da Costa

Milhares de estudos já foram realizados sobre esse tema de certa forma polêmico. As opiniões se dividem: de um lado, os que defendem a sacralidade do sábado, exemplo dos Adventistas do Sétimo Dia; do outro, os demais cristãos, que consideram o domingo como o dia do Senhor, tendo como principal razão a ressurreição de Jesus, nesse dia.

Vejamos quais os principais argumentos apresentados pelos dois grupos (sábado, do hebraico shabbath, dia de cessação do trabalho, de descanso). Em primeiro lugar vamos conhecer o que dizem os pró-sabáticos:

O sétimo dia foi abençoado e santificado por Deus e marcou o término de toda a Sua obra criadora (Gn 2.2-3).

O Quarto Mandamento declara que “o sétimo dia é sábado do Senhor teu Deus. Não farás nenhum trabalho…pois em seis dias fez o Senhor o céu e a terra, o mar e tudo o que neles há, mas no sétimo dia descansou” (Êx 20.8-11).

Jesus não aboliu a Lei Moral, os Dez Mandamentos, escrita por Deus (Êx 31.18). A que foi cravada na cruz (Ef 2.15) foi a lei cerimonial composta de ordenanças e ritualismo, escrita por Moisés num livro (Dt 31.24-26; 2 Cr 35.12; Lc 2.22-23). Os mandamentos morais são irrevogáveis porque perpétuos. Os mandamentos cerimoniais, para observância de certos ritos, foram ab-rogados (holocaustos, incenso, circuncisão).

O fato de estarmos sob a graça não nos desobriga da observância da Lei de Deus. Não é correto dizermos que a graça existiu apenas a partir de Jesus: “… e a graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos eternos” (2 Tm 1.9). Não existisse a graça no Antigo testamento, teriam sido salvos pelas obras Adão, Noé, Moisés, Abraão, Enoque, Isaías, Daniel e outros?

O novo mandamento dado por Jesus (Jo 13.34) não ocupa o lugar do Decálogo, mas provê os crentes com um exemplo do que é o amor altruísta. Jesus, na qualidade do grande EU SOU, proclamou Ele próprio a Lei Moral do Pai, no Monte Sinai (Jo 8.58). Ao jovem curioso, Ele disse: “Se queres, porém, entrar na vida, guarda os mandamentos” (Mt 19.17).

Os que defendem a sacralização do primeiro dia da semana – o domingo – como um dia santo, de descanso, dedicado ao Senhor, apresentam os seguintes argumentos:

Com a Sua morte Jesus inaugurou uma Nova Aliança. Durante Sua vida terrena, Ele, judeu nascido sob a lei (Gl 4.4), foi circuncidado e apresentado ao Senhor (Lc 2.21-22)) cumpriu a Páscoa (Mt 26.18-19), e assim por diante. Todavia, a partir da cruz, a lei não mais tem domínio sobre nós.

A lei serviu para nos conduzir a Cristo: “Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber ou por causa dos dias de festas, ou de lua nova, ou de sábados. Estas coisas são sombras das coisas futuras; a realidade, porém, encontra-se em Cristo” (Cl 2.16-17). “Mas, antes de chegar o tempo da fé, a Lei nos guardou como prisioneiros, até ser revelada a fé que devia vir. Portanto, a lei tomou conta de nós até que Cristo viesse para podermos ser aceitos por Deus por meio da fé. Agora chegou o tempo da fé, e não precisamos mais da Lei para tomar conta de nós” (Gl 3.23-25, Bíblia Linguagem de Hoje).

Diversas passagens bíblicas são citadas pelos defensores da adoração dominical, para reforçar sua tese de que vivemos sob uma Nova Aliança. A antiga Aliança cumpriu sua finalidade. Exemplo: “O mandamento anterior é ab-rogado por causa da sua fraqueza e inutilidade (pois a lei nunca aperfeiçoou coisa alguma), e desta sorte é introduzida uma melhor esperança, pela qual chegamos a Deus” (Hb 7.18-19).

E mais: “Pois se aquela primeira aliança tivesse sido sem defeito, nunca se teria buscado lugar para a Segunda… ela não será segundo a aliança que fiz com seus pais no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito, porque não permaneceram naquela minha aliança, e eu para eles não atentei, diz o Senhor. Dizendo nova aliança, ele tomou antiquada a primeira. Ora, aquilo que se torna antiquado e envelhecido, perto está de desaparecer” (Hb 8.7-13).

Prestem atenção no seguinte: “Pois Ele [Cristo Jesus] é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um, e destruiu a parede de separação, a barreira de inimizade que estava no meio, desfazendo na sua carne a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem…” (Ef 2.14-15). Os pró-sabáticos vêem aí uma distinção entre as leis cerimoniais de Moisés, e os Dez Mandamentos. Estes não teriam sido revogados.

Os anti-sabáticos, regra geral, não fazem diferença, mas consideram que os princípios morais dos Dez Mandamentos continuam sendo pertinentes aos crentes de hoje, porém em outro contexto. Dizem, ainda, que em diversas ocasiões “mandamentos cerimoniais” eram chamados de lei do Senhor. São exemplos: holocaustos dos sábados e das Festas da Lua Nova (2 Cr 31.3-4); Festa dos Tabernáculos (Nm 8.13-18); consagração do primogênito (Lc 2.23-24).

Não prevalece o argumento da perpetuidade da guarda do sábado (“Os filhos de Israel guardarão o sábado, celebrando-o nas suas gerações por aliança perpétua” – Êxodo 31.16-17). Outras leis foram classificadas de “perpétuas” e nem por isso se perpetuaram, como exemplo: a páscoa (Êx 12.24), a queima de incenso (Êx 30.21), o sacerdócio Levítico (Êx 40.15), ofertas de paz (Lv 3.17), sacrifício anual de animais (Lv 16.29,31,34), e outros.

Os anti-sabáticos levantam ainda os seguintes argumentos a seu favor: a) os primeiros cristãos se reuniam e adoravam no domingo (At 20.7; 1 Co 16.1-2); b) Cristo ressuscitou no primeiro dia da semana (Mc 16.9); c) as aparições de Jesus pós-ressurreição ocorreram seis vezes no primeira dia da semana (Mt 28.1-8, Mc 16.9-11, 16.12-13, Lc 24.34, Mc 16.14, Jo 20.26-31); d) a visão apocalíptica de João se deu no dia do Senhor, assim considerado o primeiro dia da semana (Ap 1.10); o Espírito Santo desceu sobre a Igreja no domingo (At 2.1-4).

Nove dos Dez Mandamentos foram ratificados no Novo Testamento, mas a guarda do sábado foi excluída. Vejamos:
1) “Não terás outros deuses diante de mim”(Êx 20.3) = “Convertei-vos ao Deus vivo”(At 14.15);
2) “Não farás para ti imagem de escultura”(Êx 20.4) = “Filhinhos, guardai-vos dos ídolos”(1 Jo 5.21);
3) “Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão”(Êx 20.7) = “Não jureis nem pelo Céu, nem pela terra”(Tg 5.12);

4) “Lembra-te do dia do sábado, para o santificar”(Êx 20.8) = Sem ratificação no NT;
5) “Honra teu pai e a tua mãe”(Êx 20.12) = “Filhos, obedecei vossos pais”(Ef 6.1);
6) “Não matarás”(Êx 20.13) = “Não matarás”(Rm 13.9);

7) “Não adulterarás”(Êx 20.14) = “Não adulterarás”(Rm 13.9);
8) “Não furtarás”(Êx 20.15) = “Não furtarás”(Rm 13.9);
9) “Não dirás falso testemunho”(Êx 20.16) = “Não mintais uns aos outros”(Cl 3.9));
10) “Não cobiçarás”(Êx 20.17) = “Não cobiçarás”(Rm 13.9). Diante disso, os anti-sabáticos afirmam que a Nova Aliança não indica um dia especial da semana para o descanso.

Há quem divide o Decálogo em duas partes: 1) Leis cerimoniais ou religiosas, as que tratam dos deveres dos homens para com Deus (não ter outros deuses; não fazer imagens, nem adorá-las; não blasfemar, e lembrar do sábado. 2) Leis morais ou sociais, as que tratam da relação dos homens entre si (honrar os pais; não matar; não adulterar; não furtar; não proferir falso testemunho, e não cobiçar os bens e mulher do próximo. A guarda do sábado, como cerimônia, fora anulada na cruz (Ef 2.14-15; Cl 2.14).

As leis do Antigo testamento, de um modo geral, foram feitas para os judeus, especialmente para eles. São exemplos: a) “Tu, pois, fala aos filhos de Israel, dizendo: Certamente guardareis meus sábados, porquanto isso é um sinal entre mim e vós nas vossas gerações”(Êx 31.12-18); b) “O Senhor, nosso Deus, fez conosco concerto, em Horebe…com todos os que hoje aqui estamos vivos” (Dt 5.2-3).

Conclusão

Na sua Carta Apostólica DIES DOMINI, João Paulo II adota uma postura conciliadora. Ele não toma partido na discussão dos aspectos moral e cerimonial dos mandamentos; não alimenta a tese da revogação do sábado na cruz, e sintetiza: “Mais que uma substituição do sábado, portanto, o domingo é seu cumprimento, em certo sentido sua extensão e expressão completa no encomendado desenvolvimento da história da salvação, que alcança real culminância em Cristo”.

Samuele Bacchiocchi, Ph.D., professor de História da Igreja e de Teologia, na Universidade Andrews, Estados Unidos, questionou a posição do papa, com o seguinte comentário: “Nenhuma das alocuções do Salvador ressurreto revela alguma intenção de instituir o domingo como o novo dia cristão de repouso e culto. Instituições bíblicas tais como sábado, batismo e ceia têm origem em um ato divino que as estabeleceu. Mas não existe ato semelhante para sancionar um domingo semanal como memorial da ressurreição”.

O mandamento do sábado está associado à obra da criação, à saída do povo de Israel do Egito, e à necessidade de descanso do homem. Vejam: “Pois em seis dias fez o Senhor o céu e a terra…mas no sétimo dia descansou”(Êx 20.11); “Seis dias trabalharás…mas no sétimo dia não farás nenhuma obra”(Êx 20.9-10); “Lembra-te de que foste servo na terra do Egito e que o Senhor, teu Deus, te tirou dali…e te ordenou que guardasses o dia de sábado”(Dt 5.15).

Sabemos que Deus manifestou sua vontade e promulgou suas leis de forma gradual, escrevendo-as na consciência (Rm 2.15), em tábuas de pedra (Ex 24.12), mediante Cristo, a Palavra vivente (Jo 1.14), nas Escrituras (Rm 15.4; 2 Tm 3.16-17), e em nós, como cartas vivas (2 Co 3.2-3). Tudo dentro do seu tempo e dentro do contexto do Seu superior plano de salvação. Era imperioso que a saída daquele povo do Egito e os grandiosos feitos de Deus fossem lembrados de geração em geração. De igual modo a instituição da páscoa serviu para idêntica recordação.

Em nenhum momento o Novo Testamento ordena o descanso sabático, apesar de ratificar os demais mandamentos. Aliás, não nomeia diretamente qualquer dia da semana para adoração e culto. Jesus em várias ocasiões passou por cima da lei sabática, curando enfermos e permitindo que seus discípulos colhessem espigas para comer, no dia santo (Lc 13.14; 14.1-6; Mt 12.1,10). Interrogado por isso, Ele disse: “O sábado foi feito para o homem, e não o homem por causa do sábado” (Mc 2.27). Também disse: “Porque o Filho do homem até do sábado é Senhor” (Mt 12.8).

Os primeiros cristãos adotaram o domingo para descanso, recolhimento espiritual e adoração a Deus, e chamaram-no de “o dia do Senhor” (At 20.7; 1 Co 16.1-2; Ap 1.10), clara referência ao dia em que o “Senhor do sábado” ressuscitou. Nada melhor do que seguirmos o exemplo dos apóstolos, guiados como foram pelo Espírito Santo.

Se judeus ainda não convertidos recolhem-se no sábado para recordarem a libertação do Egito, motivos bem maiores temos nós para nos recolhermos em Cristo, no dia de Sua vitória sobre a morte, para darmos graças pela remissão de nossos pecados e libertação de nossas almas do domínio do diabo.

Sopesados os prós e os contras, entendemos que o dia de descanso e culto pode recair no sábado ou no domingo, observado o princípio de trabalhar seis dias e descansar um. Não vemos pecado na consagração do sábado ou do domingo, desde que o dia escolhido não seja apenas um formalismo.

Sábado ou domingo, sem propósito, não passam de mais um dia de lazer. Da mesma forma, jejum sem propósito é dieta. Julgamos que a opção pela escolha do dia ficou manifesta nas seguintes palavras de Paulo:

“Mas agora, conhecendo a Deus, ou antes, sendo conhecidos por Deus, como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir? Guardais dias, e meses, e tempos, e anos”(Gl 4.9-10).

“Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber ou por causa dos dias de festa, ou de lua nova, ou de sábados. Estas são sombras das coisas futuras; a realidade, porém, está em Cristo” (Colossenses 2.16-17).

Pr Airton Evangelista da Costa – Assembléia de Deus
Palavra da Verdade – Aquiraz – CE – em 6.4.2000

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Qual é o problema em gostar um pouco de pornografia?

qual o problemaQual é o problema em gostar um pouco de pornografia?

Augustus Nicodemus Lopes

Afinal, o que é pornografia mesmo?
Alguém já disse que é mais fácil reconhecer a pornografia do que defini-la. Os dicionários nos dizem que pornografia é o caráter imoral ou obsceno de uma publicação. Material pornográfico é aquele que descreve ou retrata atos ou episódios obscenos ou imorais. Essas definições não ajudam muito pois conceitos como “obscenos” e “imorais” são bastante subjetivos no mundo de hoje. Classificar material pornográfico em “soft” (nudez e sexo implícito) e “hardcore” (sexo explícito contendo cenas de degradação, violência e aberrações) só ajuda didaticamente. Para muitos, Playboy é uma revista pornográfica. Para outros, não. Entretanto, da perspectiva da ética bíblica, definição acima é mais que suficiente.

A popularidade da pornografia
É exatamente pela complexidade do assunto, agravado pela omissão de boa parte das igrejas no Brasil, que muitos evangélicos estão confusos quanto ao mesmo, e não poucos são viciados em alguma forma de pornografia. Aqui estão as minhas razões para essa constatação:

1) A tremenda popularidade da pornografia no mundo de hoje. Uma estatística de 1995 revelou que os americanos gastam mais em pornografia do que em Coca-Cola. Não é difícil de imaginar que a situação no Brasil não seria muito diferente. Até países antigamente fechados, como a China, em 1993 assistiu a uma enxurrada de material pornográfico em seus limites, após ter aberto, mesmo que um pouco, as suas fronteiras para receber ajuda estrangeira. Mensalmente, cerca de 8 milhões de cópias de revistas pornográficas circulam no Brasil. Em 1994 a venda de vídeos pornôs chegou perto de 500 milhões de dólares. Não é de se admirar que as locadoras reservam cada vez mais espaço nas prateleiras para vídeos pornôs. Segundo uma pesquisa, em 1992, 1 a cada 4 brasileiros assistiu a um filme de sexo explícito. O mesmo fizeram 13% das mulheres entrevistadas. Em 1995 esse número dobrou para os homens e aumentou um pouco em relação às mulheres.

2) A imensa facilidade para se conseguir material pornográfico no mundo de hoje. Como na maioria dos demais países “civilizados” (uma conhecida exceção é o Irã) material pornográfico pode ser encontrado e consumido facilmente no Brasil em diversas formas: cinema, canais abertos de televisão, televisão a cabo e no sistema “pay-per-view”, Internet, fitas de vídeo, CD-ROMs com material pornográfico, gravuras, exposições de arte erótica, livros, revistas e videogames, entre outros. Parece não haver fim à criatividade do homem em utilizar-se dos avanços tecnológicos para a difusão da pornografia. Como disse o escritor francês Restif de la Bretone no século 18, “La dépravation suit le progrès des lumières” (“A depravação segue o progresso das luzes”).

O que tem de mais em ver pornografia?
Muito embora os evangélicos em geral sejam contra a pornografia (alguns apenas instintivamente) nem todos estão conscientes do perigo que ela representa. Menciono alguns deles em seguida:

1) Consumir deliberadamente material pornográfico é violar todos os princípios bíblicos estabelecidos por Deus para proteger a família, a pureza e os valores morais. A própria palavra “pornografia” nos aponta esse realidade. Ela vem da palavra grega pornéia, que juntamente com mais outras 3 palavras (pornos, pornê e pornéuo) são usadas no Novo Testamento para a prática de relações sexuais ilícitas, imoralidade ou impureza sexual em geral. Freqüentemente essas palavras de raiz porn- aparecem em contextos ou associadas com outras palavras que especificam mais exatamente o tipo de impureza a que se referem: adultério, incesto, prostituição, fornicação, homossexualismo e lesbianismo. O Novo Testamento claramente condena a pornéia: ela é fruto da carne, procede do coração corrupto do homem, é uma ameaça à pureza sexual e devemos fugir dela, pois os que a praticam não herdarão o reino de Deus. A pornografia explora exatamente essas coisas — adultério, prostituição, homossexualismo, sadomasoquismo, masturbação, sexo oral, penetrações com objetos e — pior de tudo — pornografia infantil, envolvendo crianças de até 4 anos de idade.

2) Consumir deliberadamente material pornográfico é contribuir para uma das indústrias mais florescentes do mundo e que, não poucas vezes, é controlada pelo crime organizado. Segundo um relatório oficial em 1986, a indústria pornográfica nos Estados Unidos é a terceira maior fonte de renda para o crime organizado, depois do jogo e das drogas, movimentando de 8 a 10 bilhões de dólares por ano. Acredito que o quadro é ainda pior hoje. A indústria da pornografia apoia e promove a indústria da prostituição e da exploração infantil. O dinheiro que pais de família gastam com pornografia deveria ir para o sustento de sua família. Alguns podem alegar que consomem apenas material soft contendo somente cenas de nudez — esquecendo que esse material é produzido pela mesma indústria ilegal que produz e distribui a pornografia infantil.

Pornografia e a escalada da violência
Não são poucos os relatórios feitos por comissões de pesquisadores que denunciam a estreita relação entre a pornografia e a crescente onda de estupros, assédio sexual e exploração infantil nos países “civilizados”. Vários dos temas mais comuns em pornografia do tipo hardcore incluem cenas de sequestro e estupro de mulheres, geralmente com espancamento e tortura, além de outras formas obscenas de degradação. A mensagem que a pornografia passa aos consumidores é que quando a mulher diz “não” na verdade está dizendo “sim”, e que se o estuprador insistir, ela não somente aceitará como também passará a gostar. Assim, a violência contra a mulher é exposta como algo válido e normal. A mulher é vista como objeto sexual a ser usado ao bel-prazer dos homens.

Uma outra forma de hardcore é a pornografia infantil. Esse material exibe cenas de sexo envolvendo crianças e adolescentes. Em alguns casos, crianças aparecem assistindo a cenas de sexo oral por adultos, Noutras, são violentadas e estupradas por adultos. Noutras, fazem sexo entre si. Esse material ilegal, mórbido, desumano e obsceno está disponível pela Internet até mesmo em servidores estacionados em universidades federais, conforme denúncias de jornais em dias recentes. Grandes provedores têm seções onde usuários podem bater papo sobre sexo e trocar imagens de sexo explícito com crianças, algumas delas tão degradantes, segundo uma denúncia feito pelo Instituto Gutemberg em Julho de 1997, que faz da revista “Penetrações Profundas” uma publicação para freiras.

Associado com a pornografia hardcore está o surto de violência sexual contra as mulheres e crianças nas sociedades modernas onde esse material pode ser obtido facilmente. Estudos por especialistas americanos mostram que existe uma estreita relação entre pornografia e a prática de crimes sexuais. Eles afirmam que 82% dos encarcerados por crimes sexuais contra crianças e adolescentes admitiram que eram consumidores regulares de material pornográfico. O relatório oficial do chefe de polícia americano em 1991 diz: “Claramente a pornografia, quer com adultos ou crianças, é uma ferramenta insidiosa nas mãos dos pedofílicos [viciados em sexo com crianças]”. A pornografia está estreitamente associada ao crescente número de estupros nos países civilizados. Só nos Estados Unidos, o número conhecido pela polícia cresceu 500% em menos de 30 anos, que corresponde ao aumento da popularidade e facilidade em se encontrar material pornográfico. Cerca de 86% dos condenados por estupro admitiram imitação direta das cenas pornográficas que assistiam regularmente.

Crentes “voyeurs”?
Há boas razões para acreditarmos que o número de evangélicos no Brasil que são viciados em pornografia é preocupante. Pesquisadores estimam que nos Estados Unidos cerca de 10% dos evangélicos estão afetados. Considerando que no Brasil a facilidade de se obter material pornográfico é a mesma — ou até maior — que nos Estados Unidos, considerando que a igreja evangélica brasileira não tem a mesma formação protestante histórica da sua irmã americana, considerando a falta de posição aberta e ativa das igrejas evangélicas brasileiras contra a pornografia, como acontece nos Estados Unidos, não é exagerado dizer que provavelmente mais que 10% dos evangélicos no Brasil são consumidores de pornografia. Talvez esse número seja ainda conservador diante do fato conhecido que os evangélicos no Brasil assistem mais horas de televisão por dia que muitos países de primeiro mundo, enchendo suas mentes com programas que promovem a violência e o erotismo, e assim abrindo brechas por onde a pornografia penetre e se enraize.

Mais preocupante ainda é a probabilidade de que grande parte desse percentual é de jovens evangélicos adolescentes. Uma pesquisa feita por Josh McDowell em 22 mil igrejas americanas revelou que 10% dos adolescentes havia aprendido o que sabiam sobre sexo em revistas pornográficas. 42% deles disse que nunca aprendeu qualquer coisa sobre o assunto da parte de seus pais. E outros 10% confessaram ter assistido a um filme de sexo explícito nos últimos 6 meses. Uma extrapolação, ainda que conservadora, para a realidade das igrejas brasileiras é de deixar pastores e pais em estado de alarma.

O escândalo envolvendo o pastor Jimmy Swaggart em 1988 revelou abertamente uma outra face do problema, que há pastores evangélicos que também são viciados em pornografia. Uma pesquisa feita em 1994 entre pastores evangélicos americanos revelou uma relação estreita entre o consumo de pornografia e a infidelidade conjugal. Por causa do receio de serem apanhados e de estragarem seus ministérios, muitos pastores optam por consumir pornografia como voyeurs a praticar o adultério de fato, embora alguns acabem eventualmente caindo na infidelidade prática. Quando eu me preparava para escrever esse ensaio, li diversos artigos sobre pornografia publicados em revistas americanas e europeias de aconselhamento pastoral. Muitos deles são abertamente dirigidos para ajudar pastores viciados em pornografia.

Falta de decência
Infelizmente parece que estamos nos acostumando à falta de decência. Tornamo-nos como os pagãos. Temos a mesma atitude que eles têm para com a nudez e a exposição dos órgãos sexuais. A arqueologia revelou que em muitas das paredes dos templos pagãos canaanitas, que foram destruídos pelos israelitas quando conquistaram a terra (Lv 26.1; Nm 33.52), havia desenhos de órgãos sexuais masculinos e femininos. Essas são as formas mais antigas de pornografia que conhecemos. Os canaanitas aparentemente representavam os órgãos genitais nas paredes para excitar os adoradores e estimulá-los à prática da prostituição sagrada. Os israelitas, em contraste, tinham uma atitude totalmente diferente quanto à exposição dos órgãos sexuais. Em suas Escrituras Sagradas estava escrito que Deus cuidou em cobrir a nudez do primeiro casal após a queda (Gn 2:25; 3:7-10). Havia uma preocupação em que as vestimentas cobrissem os órgãos genitais, ao ponto de que havia uma determinação na lei de Moisés de que o sacerdote deveria ter cuidado para não subir as escadas do altar de forma a deixar que seus órgãos genitais ficassem expostos (Dt 20:26). Cão, o filho de Noé, foi condenado por ter visto a nudez de seu pai. A própria Bíblia se refere à genitália de forma reservada, usando às vezes eufemismos como “nudez” (Lv 18), “pele nua” (Ex 28.42), “membro viril” (Dt 23.1), “entre os pés” (Dt 28.57) e “parte indecorosa” (1 Co 12.23), só para citar alguns exemplos.

Podemos fazer alguma coisa, sim!
Acredito que os pastores e as igrejas evangélicas no Brasil podem fazer algumas coisas: ler os estudos e relatórios sobre os efeitos da pornografia feitos por comissões especializadas; pregar sobre o assunto e especialmente dar estudos para grupos de homens; desenvolver uma estratégia pastoral para ajudar os membros das igrejas que são adictos à pornografia; não esquecer que muitos pastores podem precisar de ajuda eles mesmos; criar comissões que se mobilizem ativamente contra a pornografia, utilizando-se dos dispositivos legais que o permitam (uma possibilidade é encorajar os políticos evangélicos a tomar posições bem definidas contra a pornografia); desenvolver uma abordagem que trate da sexualidade de forma bíblica, positiva e criativa; tratar desses temas desde cedo com os adolescentes da Igreja expondo o ensino bíblico de forma positiva; orar especificamente pelo problema.

Não estou pregando uma cruzada de moralização, embora evidentemente a igreja evangélica brasileira poderia tirar bastante proveito de uma. A pornografia é um mal de graves conseqüências espirituais e sociais embora não acredite que devamos fazer dela o inimigo público número 1, como algumas organizações moralistas e fundamentalistas dos Estados Unidos. Afinal das contas, a raiz desse problema — e de outros — é o coração depravado e corrompido do homem, que só pode ser mudado pelo Evangelho de Cristo. Hitler conseguiu em 4 anos banir da Alemanha todas as formas de pornografia e perversão e incutir na geração jovem de sua época a aspiração por altos valores morais e pela pureza da raça ariana. Os motivos eram errados e o projeto de Hitler acabou no desastre que conhecemos. Não acabaremos com a depravação moral somente com leis e discursos políticos. Jack Eckerd, um empresário milionário dono de um negócio que rendia mais de 2,5 milhões de dólares por ano, ao se converter a Cristo em 1986, determinou que todas as publicações pornográficas vendidas em suas 1.700 lojas fossem retiradas, mesmo que isso significasse a perda de alguns milhões de dólares anuais. Quando o coração é mudado as mudanças morais seguem atreladas.

Fonte: Revista Fides Reformata


Augustus Nicodemus Lopes, doutor em Novo Testamento, é professor de Exegese do Sem. Presbit. José Manoel da Conceição, em São Paulo e Diretor do Centro Presbit. de Pós-Graduação Andrew Jumper, São Paulo.
E-Mail: anlopes@mackenzie.br

 

O NICOLAISMO

nicolaitasO NICOLAISMO

AP.2.6 “Tens, contudo, a teu favor que odeias as obras dos nicolaítas, as quais eu também odeio”.  Ap.2:15 “Outrossim, também tu tens os que da mesma forma sustentam a doutrina dos nicolaítas”.

O nome nicolaítas tem sua origem no grego em duas palavras que, traduzidas, significam: ”vitória” (no sentido de dominar) e “o povo (de Israel ou Cristãos); gente, multidão; ou leigo, no sentido de povo comum.

Portanto, o nome nicolaítas, composto destas duas palavras, tem o sentido de “vitória sobre o povo” ou “os que dominam o povo”.

Esta era uma heresia que se formava já no fim da era apostólica, com os falsos mestres deturpando a Pureza da Doutrina de Cristo e seus Apóstolos. A doutrina nicolaíta concebeu a idéia de uma casta especial e superior na Igreja, ou seja, o chamado Clero. Indo além, formou-se a idéia de uma hierarquia eclesiástica dentro deste mesmo clero. Há uma grande probabilidade, lógica e historicamente, de que estes nicolaítas, dos quais muito pouco se sabe, sejam os formadores do pensamento Católico Romano e, portanto, seus antecessores. Eles estavam, no final do séc. I, infiltrados nas igrejas de Cristo como podemos ver no texto base.

Evidentemente, este desejo de exercer poder sobre o povo, disseminou entre muitos homens de liderança nas igrejas, movidos pelo instinto carnal de domínio, pela soberba e pela torpe ganância de posição e riquezas. Especialmente entre os pastores das grandes igrejas, nos grandes centros, com congregações numerosas, tornava-se uma tentação estabelecer uma ostentação de poder sobre o rebanho e outros pastores de rebanhos menores. Eis o porque de estabelecer-se o “centro da igreja” e o “trono do Papa”, como o maioral e chefe máximo do Catolicismo em Roma. Sendo ela a capital e maior centro urbano de sua época, Roma permitia a que seus pastores nutrissem uma imagem de mais poderosos e importantes que os demais. É claro que, com o apoio de Constantino (no começo do séc. IV) definitivamente o Bispo de Roma conquistou esta supremacia.

Assim, não fosse o Nicolaísmo, não existiria hoje o erro de uma IGREJA UNIVERSAL, com sede em algum lugar. Nem mesmo a primeira Igreja, formada por Jesus pessoalmente, em Jerusalém, tinha autoridade sobre as demais. Veja, se assim o desejar, posteriormente, (anote aí) em Atos 15, a postura da Igreja de Jerusalém com relação a Antioquia, como mãe que exorta a seu filho independente num momento de necessidade, mas não considera justo lhe impor nada. Observe-se, ainda, o próprio falar dos Apóstolos Pedro e Tiago (que estavam em Jerusalém e não em Roma), como não exercem eles domínio sobre a Igreja, mas servem como conselheiros junto a Ela e com o Espírito Santo (At.15:.23,25 e 28)

O PROBLEMA HOJE (Nicolaísmo x Cristianismo):

Nicolaítas, não são portanto, como muitos pensaram, seguidores de um “tal Nicolau”, nem do tal do “papai” Noel (São Nicolau), mas os partidários da idéia de uma hierarquia dominante dentro da Igreja.

Esta heresia tem influenciado o pensamento de muitos religiosos que pensam galgar degraus na escada da Fama, Fortuna e Força. Por isto, alguns pobres infelizes “querem ser pastores”, sem a chamada Divina; pastores buscam popularidade e posição em organizações; trocam de igreja em busca simplesmente de uma MAIOR ou que pague mais, sem convicção da vontade de Deus; pastores disputam posições e até brigam por isto. Mas não deve ser assim nas Igrejas de Cristo! Em Marcos 10.42-44 podemos ver claramente o Seu ensino de que o Grande é o que serve e não o que manda: “Mas Jesus, chamando-os para junto de si, disse-lhes: Sabeis que os que são considerados governadores dos povos têm-nos sob seu domínio, e sobre eles os seus maiorais exercem autoridade. Mas entre vós não é assim; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva; e quem quiser ser o primeiro entre vós será servo de todos”.

Honestamente, e aqui vai outra polêmica (preparem as pedras…) não consigo encontrar base bíblica que respalde que só os Pastores podem realizar o Batismo ou ministrar a Santa Ceia. Onde o respaldo bíblico para tal prática?  Até que me provem o contrário, sustento que, efetivamente, não tem base bíblica, podendo-se supor que tal pensamento provém do pensamento nicolaíta de que estes são uma categoria com poderes especiais. Se uma Igreja tem Pastor local, é evidente que, sendo este seu líder espiritual deverá exercer tais funções mas, caso a Igreja não o tenha, deve entender que a autoridade para estes serviços foi dada à Igreja e Ela pode escolher um irmão local que tenha boas condições espirituais e esteja assim apto a liderar a Igreja em tão solenes atos. É claro que ,se assim entender, a Igreja poderá também convidar o Pastor de uma Igreja irmã para lhe prestar estes serviços, embora não o seja absolutamente necessário. Jesus concedeu à Igreja esta autoridade e não ao pastor. Ele o faz, como servo (que é o verdadeiro significado da palavra MINISTRO) da Igreja.

Cristo estabeleceu irmãos com condições diferenciadas na Igreja sim, mas isto foi feito apenas visando o melhor desenvolvimento dos crentes e organização da Igreja e não para estabelecer uma hierarquia dominante.

Ef. 4.11-12 – “E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres,  com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo”.

1Co.12.12-31 – “Porque, assim como o corpo é um e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, constituem um só corpo, assim também com respeito a Cristo.13  Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um só Espírito.14  Porque também o corpo não é um só membro, mas muitos.15  Se disser o pé: Porque não sou mão, não sou do corpo; nem por isso deixa de ser do corpo.16  Se o ouvido disser: Porque não sou olho, não sou do corpo; nem por isso deixa de o ser.17  Se todo o corpo fosse olho, onde estaria o ouvido? Se todo fosse ouvido, onde, o olfato?18  Mas Deus dispôs os membros, colocando cada um deles no corpo, como lhe aprouve.19  Se todos, porém, fossem um só membro, onde estaria o corpo?20  O certo é que há muitos membros, mas um só corpo.21  Não podem os olhos dizer à mão: Não precisamos de ti; nem ainda a cabeça, aos pés: Não preciso de vós.22  Pelo contrário, os membros do corpo que parecem ser mais fracos são necessários;23  e os que nos parecem menos dignos no corpo, a estes damos muito maior honra; também os que em nós não são decorosos revestimos de especial honra.24  Mas os nossos membros nobres não têm necessidade disso. Contudo, Deus coordenou o corpo, concedendo muito mais honra àquilo que menos tinha,25  para que não haja divisão no corpo; pelo contrário, cooperem os membros, com igual cuidado, em favor uns dos outros.26  De maneira que, se um membro sofre, todos sofrem com ele; e, se um deles é honrado, com ele todos se regozijam.27 Ora, vós sois corpo de Cristo; e, individualmente, membros desse corpo. 28  A uns estabeleceu Deus na igreja, primeiramente, apóstolos; em segundo lugar, profetas; em terceiro lugar, mestres; depois, operadores de milagres; depois, dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas.29  Porventura, são todos apóstolos? Ou, todos profetas? São todos mestres? Ou, operadores de milagres?30  Têm todos dons de curar? Falam todos em outras línguas? Interpretam-nas todos?31  Entretanto, procurai, com zelo, os melhores dons”.

Assim, era necessário que houvesse Apóstolos, pastores, mestres, pregadores e evangelistas, mas não dispostos em uma corrente hierárquica onde um manda no outro. Cada um deles tem autoridade, mas só aquela concedida, não pelo título que ostenta, mas pela igreja, de acordo com o que o Espírito Santo lhe concede pela Palavra. Todo Ministro de Deus deve ser respeitado por causa da sua função como líder e condutor espiritual da Igreja e como um irmão que seja um bom exemplo ao rebanho.

Hebreus 13.7 – “Lembrai-vos dos vossos pastores, que vos falaram a palavra de Deus, a fé dos quais imitai, atentando para a sua maneira de viver”.

Hb.13:17 – “Obedecei a vossos pastores, e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossas almas, como aqueles que hão de dar conta delas; para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil”.

Todavia, isto não os faz “donos da igreja” e todo pastor têm que tomar o cuidado de ser zeloso sem, no entanto, exercer domínio por força sobre o rebanho.

I Pedro 5.1-4 – “Rogo, pois, aos presbíteros que há entre vós, eu, presbítero como eles, e testemunha dos sofrimentos de Cristo, e ainda co-participante da glória que há de ser revelada: pastoreai o rebanho de Deus que há entre vós, não por constrangimento, mas espontaneamente, como Deus quer; nem por sórdida ganância, mas de boa vontade; nem como dominadores dos que vos foram confiados, antes, tornando-vos modelos do rebanho. Ora, logo que o Supremo Pastor se manifestar, recebereis a imarcescível coroa da glória”.

Na Bíblia Vida Nova encontramos um bom estudo a respeito, no item 2.085 – “Características dos verdadeiros ministros” do que destacaríamos: Humildade, abnegação, gentileza, dedicação e afeto para com o rebanho.

Amados, a atitude de poder sobre a Igreja é diabólica e maligna e, portanto, precisa ser totalmente rechaçada.

OS CUIDADOS:

Sendo assim, nosso papel como Ministros de Deus, seja Missionário, Evangelista, Professor (mestre), Pregador, Diácono ou Pastor, é o de SERVIR e não permitir que a síndrome de Lúcifer se aposse de nós, fazendo com que presumamos de nós, mais do que realmente somos. Liderança é necessária para que haja organização, ordem, decência e, principalmente edificação, seja na Igreja ou em encontros de várias igrejas, jovens, e mesmo de pastores e obreiros. Mas nunca deve haver o pensamento de buscar o primado ou a superioridade entre os demais.

Lucas 22.26  – “Mas não sereis vós assim; antes o maior entre vós seja como o menor; e quem governa como quem serve”.

Isto estraga a comunhão, prejudica o aprendizado e a edificação dos participantes. Não sejamos como Diótrefes, um exemplo bíblico de nicolaíta que, buscando o primado, tantos males causou.

III João 9-10 – “Escrevi alguma coisa à igreja; mas Diótrefes, que gosta de exercer a primazia entre eles, não nos dá acolhida.10  Por isso, se eu for aí, far-lhe-ei lembradas as obras que ele pratica, proferindo contra nós palavras maliciosas. E, não satisfeito com estas coisas, nem ele mesmo acolhe os irmãos, como impede os que querem recebê-los e os expulsa da igreja”.

Queridos irmãos que tanto me alegram com sua audiência: que em tudo tenha Cristo a primazia, conforme Colossenses 1.18 – “Ele é a cabeça do corpo, da igreja. Ele é o princípio, o primogênito de entre os mortos, para em todas as coisas ter a primazia”;  e que nós todos tenhamos nossos irmãos em consideração como superiores a nós mesmos. Filipenses 2.3 – “Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo”.

GALARDÃO

galardaoGALARDÃO 

INTRODUÇÃO

O título “Graça e Galardão” soa um tanto estranho aos nossos ouvidos, pois parece um contra-senso que ambos apareçam juntos, uma vez que a graça é um favor imerecido concedido gratuitamente, enquanto que o galardão é uma recompensa resultante das obras realizadas.

Graça se origina no amor de Deus, de sua generosidade, e tem como base a justiça de Cristo. O galardão tem origem na justiça do cristão, tendo como base a justiça retributiva de Deus.

Entretanto nos propomos a demonstrar que essas diferenças, existente na lógica teológica, se extinguem na prática, porque ambos, a graça e o galardão, têm como causa primeva a própria graça de Deus e Sua Pessoa.

Tanto a graça da salvação quanto os galardões são decorrentes do atributo de justiça de Deus, pois lhe é próprio e inerente à sua natureza recompensar a humanidade cada um de conformidade com suas obras.

A justiça de Deus é retributiva e remunerativa. A justiça retributiva por sua vez pode ser punitiva ou corretiva. Já a segunda, a justiça remunerativa, tem a ver com as recompensas que Deus dá aos homens pela obediência a Sua palavra. Mas até a obediência a palavra de Deus depende de sua graça.

Neste sentido pretendemos demonstrar que os galardões, muito embora sejam eles recompensas das obras, são também frutos da graça de Deus, assim como o é a salvação. Por esta razão dividimos este trabalho em duas partes. O primeiro capítulo trata da graça de Deus e suas características. O segundo capítulo trata dos galardões. Esta ordem não é ocasional, pois cremos que só podemos aceitar, sem preconceitos teológicos, a afirmativa de que os galardões são frutos da graça de Deus, se realmente compreendermos o verdadeiro sentido da graça.

A graça de Deus tem se manifestado abundantemente (At.4:33; IICo.9:8; Tt.2:11), mas não somente no tempo do Novo Testamento, e sim desde o começo do mundo. Já no livro de Gênesis podemos encontrar a atuação da graça de Deus. Em Gênesis 2:17 ela se manifesta no fato de Deus ter adiado a condenação de Adão. Em Gênesis 3:15 Deus, por misericórdia, promete a vinda de alguém que esmagaria a cabeça da serpente. Em Gênesis 3:16, Deus confirma a posição de Adão como pai da humanidade e cabeça da família, apesar de este haver pecado. Este foi um ato da graça divina. Em Gênesis 3:19, Deus providenciou trabalho para Adão, e isto também se constitui em um ato da graça divina. Deus manteve a terra aproveitável e útil, apesar de ter sido amaldiçoada pelo pecado de Adão, e esta é, também, outra manifestação da Sua graça. Em Gênesis 3:21, Deus providenciou uma cobertura para o pecado de Adão: um ato da graça de Deus. Podemos também notar que Abel recebeu a graça de Deus, pois Deus teve consideração por ele e se agradou da sua oferta, como registrado em Gênesis 4:4. Deus não tinha obrigação alguma de receber o sacrifício de Abel, mas graciosamente o fez. Novamente, em Gênesis 5:24, vemos a graça de Deus para com Enoque, pois Ele andava com Enoque e Enoque com ele, e não mais foi achado, pois Deus o tomou. Este foi um ato da graça. Indo a Gênesis 6:8, lemos que Noé achou graça aos olhos do Senhor. Esta é a primeira menção específica da graça de Deus derramada sobre o homem, embora ela tenha se manifestado antes dos dias de Noé.

Poderíamos continuar por toda a bíblia, partindo do livro da Lei, passando pelos livros históricos, pelos Profetas, pelos livros poéticos, evangelhos, epístolas, até o Apocalipse, e encontraríamos abundamentemente a manifestação da graça de Deus. Se fizéssemos um estudo deste tipo talvez entenderíamos, de fato, o que é a graça de Deus.

CAPÍTULO I – Graça 

I) Significado Etmológico da Palavra Graça:

A palavra grega para graça é Vcháris). Este termo grego é encontrado cerca de 190 vezes no Antigo Testamento (na LXX) e 155 vezes no Novo Testamento. Os equivalente hebraicos para cháris são (1) chen, (2) rason, (3) chesed, (4) raham, (5) tôb, (6) gedûlâh, (7) biglal e (8) halaq, cada qual com seu significado próprio conforme o contexto.

Segue abaixo uma tabela de alguns dos equivalente hebraicos, usados no Antigo Testamento, mais próximos do significado teológico de cháris utilizado por Paulo no Novo Testamento.

EQUIVALENTES GREGO E HEBRAICO

REFERÊNCIAS

GREGO

HEBRAICO

TRADUÇÃO (VERSÃO)

BÍBLICAS

TRANSLITERADO

TRANSLITERADO

ARC

ARA

Pv.1:9

cháris

chen

graça

graça

Pv.4:9

cháris

chen

graça

graça

Pv.5:19

cháris

chen

graciosa

graciosa

Pv.10:32

cháris

rason

agrada

agrada

Pv.11:27

cháris

rason

favor

favor

Pv.12:2

cháris

rason

favor

favor

Et.2:9,17

cháris

chesed

graça

favor

 

O termo hebraico mais importante é chen, pois ele tem dois significados básicos relacionados à graça de Deus:

1) Graça: Favor dos Homens: Chen “denota o mais forte que vem em socorro do mais fraco que precisa de socorro por causa das suas circunstâncias ou da sua fraqueza natural.” (Colin Brown. Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, v. II, p. 317).  Como exemplo citamos: (a) Jacó diante de Esaú (Gn.32:5); (b) José diante de Potifar (Gn.3:4; 50:4); (c) Os egípcios diante de José (Gn.47:25); (d) Rute diante de Boaz (Rt.2:2,10,13); (e) Ana diante de Eli (ISm.1:18); (f) Davi diante de Saul (ISm.16:22; 20:3); (g) Ester diante do Rei (Et.8:5) e (h) Os homens diante de Deus (Gn.6:8; 39:21; Ex.3:21; 11:3; 12:36; 33:12,13,17; IISm.15:25).

2) Graça: Favor de Deus: Chendenota a dádiva não merecida da eleição. (Colin Brown. Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, v. II, p. 318). (Gn.6:8; cp. Rm.11:5). Charles Ryrie comentando sobre a palavra graça esclarece: “graça,  no hebraico chen, substantivo derivado de uma raiz que significa ‘curvar-se, abaixar-se’; indica favor imerecido ou condescendência de um superior por alguém inferior em posição ou valor. Às vezes é usado redentivamente (Jr.31:2; Zc.12:10).” (Charles Caldwell Ryrie. A Bíblia Anotada, p. 15 (Nota de rodapé sobre Gn.6:8) O Dr. Packer também esclarece esse termo: “…chen ( também traduzido por ‘graça’ na Versão Revista e Corrigida) que significa o ‘favor’ que um suplicante ‘acha’ aos olhos de um superior, de quem não pode reivindicar tratamento favorável, como se lhe fosse um direito. (Como exemplo disso, a nivel humano, ver Gn. 33:8,15; 34:11; 47:25; Rt.2:2,10,13). Escreveu o Dr. Norman Snaith: ‘Chen significa bondade e graciosidade em geral – ou seja, não há qualquer relação ou ligação particular entre as partes envolvidas’ …também ‘não há o mais leve sussurro de censura possível se esse favor não for concedido’. Portanto, a graça – chen – é gratuita, no sentido que a pessoa que a demonstra não está, de modo algum, obrigada a demonstrá-la.” (J. I. Packer. Vocábulos de Deus, p. 87).

II) Significado Teológico da Palavra Graça:

1) Poder de Deus: Em termos simples podemos definir graça como “favor imerecido”. Contudo, teologicamente, graça é muito mais do que favor imerecido. De acordo com a teologia de Paulo, podemos definir graça como sendo “o poder dinâmico de Deus que nos leva a desejar e a fazer a sua vontade”. Tomemos como exemplo a graça da salvação. É fato indiscutível, e nisto todos os teólogos de bom senso concordam, que a salvação é outorgada ao pecador, não com base em suas obras de justiça, mas como um presente ou favor imerecido de Deus, com base na justiça de Cristo (Rm.4:2-6; 11:6; Ef.2:8,9). Se graça fosse tão somente favor imerecido, tal favor poderia ser recusado, mas sendo o poder dinâmico de Deus, ela nos leva a desejar a salvação tanto quanto buscá-la (Ez. 36:25-27; Lc.14:23; Fp.2:13; Hb.13:20,21). A graça de Deus pode e é recusada muitas vezes pelos homens (At.7:51; IICo.6:1; Gl.2:21) mas isso não ocorre sempre. Ocorreria se ela fosse apenas um favor imerecido, porque a inclinação natural do ser humano é o de rejeitar a graça de Deus  (Ec.8:11; Rm.3:10-18; 8:7). Não somos cooperadores  de Deus na obra da salvação, mas sim na obra da reconciliação, na qualidade de embaixadores em nome de Cristo (IICo.5:18-6:3). Não somos cooperadores de Deus na nossa própria salvação, mas sim cooperadores na salvação de outras almas na medida em que nos dispomos para ser usados por Deus na proclamação do evangelho (ICo.3:5-9). Repudiamos a idéia da cooperação humana no processo da salvação, mas não negamos a responsabilidade humana quando esta é rejeitada.

2) Amor de Deus: Mas graça não é apenas o poder de Deus, pois então seria apenas uma força impessoal, uma energia divina. Conforme esclarece o Dr. J. I. Packer a graça de Deus “…inclui o significado de duas outras palavras-chaves do Antigo Testamento. A primeira delas é a ’ahabah de Deus, que vem do verbo  ’aheb, cujo significado é amor, amor eletivo, conforme o Dr. Snaith o chama. Esse é o amor mediante o qual o Senhor escolheu Israel para ser o seu povo, um amor espontâneo, seletivo, incondicional, não-solicitado e imerecido (Cf.Dt.7:7,8; 9:4,5; Os.11;1-11). (J. I. Packer. Vocábulos de Deus, p.87).  Packer continua a demonstrar o real sentido desta palavra – graça – em relação ao texto hebraico: “Outro termo hebraico envolvido é chesed de Deus. Esse termo é usualmente traduzido por ‘misericórdia’ e “compaixão’ Na Septuaginta (eleos e eleêmosunê), e como ‘bondade amável’, em algumas versões. Porém, melhor ainda é a tradução ‘amor constante’, porque a idéia básica por trás dessa palavra é a resoluta lealdade de Deus ao povo com quem Ele se comprometeu. Snaith intitulou-o de ‘amor pactuante’ de Deus, por tratar-se, essencialmente, de uma questão de fidelidade à promessa do pacto pelo qual Deus comprometeu-se a ser o Deus de Israel e a usar todos os recursos da deidade a fim de abençoá-los.” Portanto a idéia é sempre a da graça como um dom pessoal de Deus. “No Novo Testamento, pois ‘graça,  não é uma energia impessoal ligada automaticamente pela oração e pelas ordenanças. Antes, é o coração e a mão do Deus Vivo e Todo-Poderoso… as orações dos crentes a invocam; mas só Deus pode usar da graça e levar os homens a se beneficiarem dela.” (J. I. Packer. Vocábulos de Deus, p.89).

III) TERMOS TEOLÓGICOS PARA GRAÇA:

Os teólogos cunharam alguns termos teológicos para definir a graça de Deus em seus mais diversos aspectos. Algumas pessoas rejeitam esses termos somente porque eles não aparecem na Bíblia. Esta reação de algumas pessoas é bastante negativa e precipitada, pois há muitos termos que usamos frequentemente para descrever uma doutrina ou uma faceta dela, muito embora tais termos não se encontrem nas Sagradas Escrituras. É o caso, por exemplo, da palavra trindade ou triunidade. Esta palavra não se encontra nem mesmo nas línguas originais, mas expressa com muita propriedade os ensinos escriturísticos do Deus Triuno. Este argumento é apresentado pelos russelitas (testemunhas de Jeová) para rejeitarem a doutrina da triunidade. A Teologia é uma ciência, e como tal possui seus próprios termos e palavras, dentro de seu próprio universo. Vamos examinar a seguir alguns desses termos usados ao longo da história da Igreja e da construção da teologia sistemática.

1) Graça Comum: É a graça geral ou universal a qual é concedida a todos os homens. (O termo graça geral é usado na Teologia Holandesa). Ela é comum a toda a humanidade e por esta razão recebe este nome. Toda a raça humana usufrui de seus benefícios, independentemente de suas condições morais, pois a graça comum não discrimina entre uma pessoa e outra. Por meio da graça comum Deus “…faz nascer o seu sol sobre maus e bons, e vir chuvas sobre justos e injustos.” (Mt.5:45). Louis Berkhof define a graça comum como sendo “(a) as operações gerais do Espírito Santo pelas quais Ele, sem renovar o coração, exerce tal influência sobre o homem por meio da sua revelação geral ou especial, que o pecado sofre restrição, a ordem é mantida na vida social, e a justiça civil é promovida; ou (b) as bençãos gerais, como a chuva e o sol, água e alimento, roupa e abrigo, que Deus dá a todos os homens indiscriminadamente, onde e quanto lhe parece bom fazê-lo.” (Louis Berkhof. Teologia Sistemática, p.437). Concordamos com Berkhof, pois encontramos apoio escriturístico para sua definição de graça comum. Vemos o pecado sendo restringido por Deus, através de sua graça, em muitas passagens das Escrituras (Gn. 20:6; 31:7; Jó 1:12; Ec.3:11). Igualmente a justiça é mantida pela graça de Deus (Lc.6:33; 11:13; Rm.2:14,15). P. E. Hughes diz que “é devido a graça comum que o homem retém dentro de si uma consciência da diferença entre o certo e o errado, entre a verdade e a falsidade, entre a justiça e a injustiça, e a consciência de que ele é responsável e passível de prestar contas não meramente ao seu próximo, como também, em última análise, a Deus, seu Criador.” (P. E. HUGHES in Enciclopédia Histórico Teológica da Igreja Cristã, v. II, p.217). E as bençãos gerais do Espírito Santo também são encontradas em grande variedade (Sl.145:15,16; Jó 1:9; 12:17,18; Rm.5:18; Tt.2:11; Mt.5:45; Lc.6;35; At.14:17; Rm.13:1-4).

2) Graça Especial: É a graça pela qual Deus redime, santifica e glorifica seu povo. Ela é concedida somente àqueles que Deus elegeu para a salvação, mediante a fé em Jesus Cristo. Por isso ela é chamada, às vezes, de graça salvadora ou graça regeneradora, porque leva à cabo o propósito para o qual foi concedida, ou seja a salvação do pecador. A graça especial é limitada não em sua suficiência ou extensão, mas somente no que se refere à sua aplicação. Por isso mesmo ela é limitada aos eleitos de Deus, ao contrário da graça comum que é outorgada indiscriminadamente a todos os homens. Portanto não é apropriado falar na graça especial em termos de quantidade, como se fosse suficiente somente para os eleitos, ou como se, no caso da sua suficiência ultrapassar estes limites, isto importasse num desperdício da graça, e, neste aspecto, numa invalidação da oferta de Cristo, pois a graça de Deus é ilimitada. A distinção mais bíblica é a que sugere ser a graça de Deus suficiente para todos, mas eficiente somente para os eleitos. (Eficiente não deve ser entendido em termos de intensidade, isto é, que haja mais graça para os eleitos do que para os não eleitos; ou em termos de quantidade, no sentido de que ela seja limitada ou pequena demais para suprir somente os eleitos. Deve ser entendida em termos de eficácia ou aplicação, o que significa que a graça será sempre eficiente para os eleitos, sobre os quais ela é aplicada, pois terá sempre o propósito salvífico. IPedro1:2 usa o termo aspergido ou derramado, referindo-se ao sangue de Cristo.  Já a palavra suficiente deve ser entendida em termos de extensão ou de possibilidades para a salvação, e nunca no sentido de realidade absoluta).

Deste conceito surgiu o termo graça suficiente.

De tanta discussão sobre a graça de Deus, e na tentativa de melhor defini-la, os teólogos cunharam alguns termos procurando enfatizar outras facetas da graça de Deus. Porém há um vínculo muito estreito e de dependência entre as diversas facetas da graça, o que torna estes termos quase sinônimos. O termo graça eficaz, por exemplo, é sinônimo de graça especial, porque, tal como aquela, ela não pode falhar nem dar em nada, mas é dada para cumprir o seu propósito (Is.55:11). Na graça eficaz está implícita também a totalidade da redenção (justificação, santificação e glorificação), pois não há poder no universo que possa desfazer ou frustrar a obra da graça eficaz de Deus (Jo.6:37,39; 10:27-28; Rm.8:29-30,38,39). Outro termo, a graça irresistível, sempre causa o efeito desejado e não é possível que seja resistida por quem quer que seja, mesmo pelo livre-arbítrio do homem, se é que ele existe de fato. Diz a Bíblia que o homem é escravo do pecado (Jo.8:34); se o homem é escravo, como poderá ser livre a não ser pela atuação da graça de Cristo? (Jo.8:36; Lc.4;18; Rm.8:21; IICo.3:17; Gl.2:4; 5:1; Cl.1:13; Ap.1:5; Jó 23:13; 42:1,2; Is.46:10; 14:24; Pv.21:1; Sl.86:11; 110:3).

3) Graça Preveniente: É a graça que vem em primeiro lugar e antecede toda a decisão humana. é Deus quem toma a iniciativa em favor dos pecadores. ela não começa conosco, começa com Deus e por isso mesmo é totalmente livre (IJo.4:10,19).

4) Graça Barata: Este termo é aplicado para se referir a uma “salvação” desvinculada de um compromisso com a obra de Cristo, descartando toda e qualquer vida piedosa que o evangelho requer. É a graça que premia sem exigir. Tudo pode ser feito, porque não se está debaixo da lei mas da graça; portanto não há nenhuma condenação para aqueles que recebem a graça de Deus, e por isso mesmo tudo lhes é permitido fazer. A graça barata oferece salvação sem exigir santificação. É a salvação sem o senhorio de Cristo. Aceita-se o Cristo como Salvador, mas não o reconhece como Senhor. A graça barata despreza tudo que há na lei e defende com rigor a antinomia. Antinomia é a doutrina baseada na suposição de que Paulo, por enfatizar demais a graça de Deus, era contra a sua lei. A antinomia é o oposto do legalismo defendido pelos judaizantes, que enfatizavam a lei, desprezando a graça de Deus. A antinomia tão combatida por Paulo e por outros apóstolos, teve seus pressupostos no gnosticismo judaico-helenístico difundido pelos falsos mestres no seio da Igreja Primitiva (IPe.5:12; Jd.4).

CAPÍTULO II – GALARDÃO 

I) Definição Etmológica de Galardão:

 

A palavra grega para galardão é Vmisthós), que significa salário (Rm.4:4) ou recompensa (Mt.5:46). Galardão, portanto, são as recompensas que os salvos receberão na glória porvirde acordo com suas obras (IICo.5:10). A doutrina do galardão não é nenhum absurdo; ela encontra apoio escriturístico suficiente, tanto no Antigo Testamento (IICr.15:7; Is.40;10; 62:11) quanto no Novo Testamento (Mt.16:27; ICo.3:8,14; Ef.6:8; Ap.2:23; Ap.11:18; Ap.22:12). É bom lembrar que alguns recebem sua recompensa aqui mesmo nesta terra (Lc.18:29,30; IICo.9:6; Gl.6:7,9).

Há ainda uma outra palavra grega usada no Novo Testamento para apoiar este ensinamento. É Vantapódosis). Ela tem o sentido de retribuição e pode ser usada tanto no sentido positivo de recompensa (Cl.3:24; Lc.14:12), como no sentido negativo de punição (Rm.11:9).

Veja no quadro abaixo as palavras gregas e hebraicas conforme usadas na Sagradas Escrituras, nas versões de Almeida Revista e Corrigida (ARC) e Almeida Revista e Atualizada (ARA).

 

EQUIVALENTES GREGO E HEBRAICO

REFERÊNCIAS

GREGO

HEBRAICO

TRADUÇÃO

BÍBLICAS

TRANSLITERADO

TRANSLITERADO

ARC

ARA

Mt.5:12; 10:41,42

Mc.9:41; Lc.6:23

ICo.3:8,14

Ap.11:18; 22:12

misthós

galardão

galardão

Rm.4:4

misthós

galardão

salário

Cl.3:24

antapódosis

galardão

recompensa

Lc.14:12

antapódosis

recompensa

recompensa

Rm.11:9

antapódosis

retribuição

punição

IICr.15:7

misthós

recompensa

recompensa

Is.40:10

misthós

Is.62:11

misthós

 

 

II) A Base dos Galardões:

 

Assim como a salvação é concedida pela graça de Deus, os galardões, de um certo modo, também o são. Disto não podemos duvidar. A base ou causa dos galardões é a graça de Deus; o meio são as obras. Como pode ser isso se a Bíblia afirma que os galardões serão retribuidos de acordo com as obras de cada um? Ora, é preciso entender o que a Bíblia quer dizer. Não diz a Bíblia, em João 5:29, que aqueles que tiverem feito o bem ressuscitarão para a vida, enquanto que aqueles que tiverem praticado o mal ressuscitarão para o juízo? Não diz também em Tiago 2:21 que Abraão foi justificado pelas obras?  Não diz em Romanos 2:6-10 que Deus retribuirá com angústia e tribulação aos maus, e com vida eterna, honra e paz aos que fizerem o bem? Não disse Jesus em Mateus 25:34-36 que só entrarão no reino de Deus aqueles que praticarem obras de caridade para com o próximo? Não está escrito, nos Salmos 24:4, que somente o limpo de mãos e puro de coração permanecerá na presença do Senhor? Não diz o Salmo 15:2 que somente aquele que praticar a justiça habitará nos céus? Será que esses versículos dão margem a doutrina romanista da justificação pelas obras? Certamente que não! São versículos como estes que os indoutos torcem para formular uma teologia antibíblica, dando apoio ao surgimento de seitas heréticas que pregam a salvação pelas obras. E como estes há muitos outros semelhantes, e é claro que nenhum deles ensinam a justificação pelas obras, mas apontam, todos sem excessão, para o resultado da salvação, pois “somos salvos pela graça… para as boas obras.” (Ef.2:8 e 10). Não se diz que somos salvos pela graça e pelas obras, mas pela graça e para as obras. E como é que se pratica a justiça? A Bíblia esclarece: “…os quais por meio da fé… praticaram a justiça…”(Hb.11:33). Se a fé sem obras é uma fé    morta (Tg.2:17), igualmente obras sem fé é obra morta (Hb.9:14). Vemos, pois, que a graça de Deus permeia todo o processo da salvação, do início ao fim (Fp.1:6), e funde seus dois elementos em um só: a fé e as obras, depois da fé. Nesse sentido as obras as quais a Bíblia se refere, necessárias para demonstrar a salvação, é a “obra de fé”(ITs.1:3) ou  “obediência de fé”(Rm.1:5; 16:26), “obras de Deus”(Jo.6:28,29), “feitas em Deus”(Jo.3:21).

A Bíblia não deixa margem para dúvidas. Ela é clara e categórica quando afirma, inúmeras vezes, que nossas melhores obras são o resultado da ação graciosa do Espírito Santo de Deus em nossas vidas: “Seja sobre nós a graça do Senhor nosso Deus; confirma sobre nós as obras de nossas mãos…”(Sl.90:17). Até mesmo no Antigo Testamento encontramos apoio para esta verdade bíblica: “…todas as nossas obras tu as fazes por nós.”(Is.26:12). É claro que não poderíamos praticar obras de justiça se Jesus Cristo, por meio do Espírito Santo não atuasse em nós (Jo.15:5). Se assim não fosse, nossas melhores obras de justiça seriam como o trapo da imundície (Is.64:6). Paulo diz que trabalhou muito mais do que todos os apóstolos, mas enfatiza com clareza: “…todavia não eu, mas a graça de Deus comigo.” (ICo.15:10). É certo que no porvir receberemos vestes resplandecentes conforme nossos atos de justiça (Ap.19:8), mas não devemos nos esquecer jamais, que Cristo é a nossa justiça (ICo.1:30; Jr.23:6).

Se as obras de justiça são resultantes da graça de Deus, segue-se que os galardões também o serão. “A graça é necessária para toda ação. a graça inicia e completa até as ações dos eleitos. O galardão divino é um galardão da graça.” (Colin BROWN. Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, v.II, p.319). Deus não é obrigado a nos recompensar pelas nossas obras: “Porventura terá de agradecer (agraciar, galardoar) ao servo por ter este feito o que lhe havia ordenado?”(Lc.17:9). No entanto Ele o faz por sua livre graça. A salvação é uma graça e o galardão também porque “…Deus é galardoador daqueles que o buscam (Hb.6:11).

A graça de Deus é a causa eficiente da salvação tanto quanto dos galardões. A é o meio da salvação como a obra é o meio para se obter os galardões. A salvação é a recompensa da fé; o galardão é a recompensa das obras; e ambos provém da graça.

Às vezes a Bíblia não faz diferença entre salvação e galardão. Como exemplo podemos ler no livro de Hebreus os cristãos judeus sendo advertidos a perseverarem na fé a fim de receberem a recompensa: “Não abandoneis, portanto, a vossa confiança; ela tem grande galardão.”(Hb.10;35).

 

III) Quando serão concedidos os galardões?

 

Esta é uma questão bastante importante, pois muitos há que confundem o tempo do recebimento dos galardões com o mesmo período do juízo final. A Bíblia é clara quando afirma que o crente não entrará em juízo (Jo.5:24), donde se conclui que o julgamento do crente há de acontecer em período distinto do julgamento dos incrédulos. Este ponto é muito mais claro ainda quando lemos os capítulos finais de Apocalipse (Ap.20:4-7,11-15). Parece evidente que haverá duas ressurreições. Na primeira ressuscitarão os salvos, os quais serão julgados, não para serem condenados, mas sim para receberem os seus galardões (Ap.20:4). Na segunda ressurreição serão julgados os perdidos, os quais receberão a justa punição, conforme suas obras (Ap.20:12). A Igreja de Cristo será julgada primeiro (IPe.4:17), separada dos gentios, cujo julgamento, será no dia do juízo. É interessante notar que a Bíblia fala de dois livros (Ap.20:12), o livro da vida e o livro das obras. Na primeira ressurreição não é mencionado a abertura de nenhum livro, nem mesmo o livro da vida. Já na segunda ressurreição se diz que abriram-se os dois livros. O livro das obras para julgar conforme o que se achava escrito (Ap.20:12), e o livro da vida para confirmar que os nomes dos condenados não se encontrava nele escrito (Ap.20:15). Não podemos afirmar que o livro da vida não será aberto no momento do julgamento dos crentes, mas com certeza o livro das obras não será, pois as obras dos salvos não serão objeto de julgamento, uma vez que todos os pecados do crente já foram julgados e pregados na cruz (Cl.2:14). Os crentes da Igreja serão julgados perante o tribunal de Cristo (IICo.5:10), onde receberão suas recompensas, e não diante do trono branco (Ap.20:11). A palavra tribunal, no grego bema (Bema), mencionada em II Coríntios 5:10, era usada para se referir à tribuna de honra onde se postavam as autoridades para assistirem os jogos olímpicos. Os vencedores aproximavam-se desta tribuna para receberem os louros da vitória. Portanto os pecados dos crentes não serão lembrados diante de Deus (Hb.10:17), nem tampouco serão mencionadas as obras de “madeira, feno, palha” (ICo.3:12); estas serão queimadas (IICo.3:15) e somente as boas obras, isto é “ouro, prata, pedras preciosas” (ICo.3:12) que estão fundamentadas em Jesus Cristo (ICo.15:11) hão de permanecer, e são elas que serão julgadas para o recebimento de galardões.

Devemos entender que o julgamento do cristão ocorre em três fases:  (1) Na primeira fase Deus se apresenta como Juiz para julgar o crente na qualidade de pecador. Seus pecados, isto é, as más obras, é que são julgadas. Esta fase ocorre no passado, no momento em que o pecador aceita a Cristo como seu Salvador (Rm.8:1; Jo.5:24). (2) Na segunda fase Deus se apresenta como Pai para julgar o crente na qualidade filho. Suas más obras, resquício do velho homem, são julgadas durante sua vida presente nesta terra (Hb.12:10; ICo.11:32). (3) Na terceira fase Deus se apresenta como Senhor para julgar as boas obras do crente, e este na qualidade de servo. Esta fase é futura e se dará no tribunal de Cristo, para que os servos do Senhor recebam suas recompensas conforme a fidelidade da cada um (IICo.5:10).

 

 

Veja na tabela a seguir as três fases do julgamento do crente.

 

O JULGAMENTO DO CRENTE

DEUS JULGA NA QUALIDADE DE

JUIZ

PAI

SENHOR

O CRENTE

É JULGADO

PECADOR

FILHO

SERVO

COMO

LOCAL DA AÇÃO

NA CRUZ

Rm.8:1

Jo.5:24

Nesta Vida

Hb.12:10

ICo.11:32

TRIBUNAL

IICo.5:10

(BEMA)

TEMPO DA AÇÃO

PASSADO

PRESENTE

FUTURO

 

IV) Tipos de Galardões:

 

Embora haja vários tipos de galardões, tais como galardão de profeta e galardão de justo (Mt.10:41), a Bíblia só especifica os nomes da coroas. Ela não explica o que vem a ser esses galardões de profeta e de justo. As coroas são as seguintes:

 

1) Coroa da Alegria (ITs.2:19; Fp.4:1): Esta coroa será concedida aos ganhadores de almas. Às vezes a coroa é símbolo de alegria (Is.28:1; Ct.3:11; Ez.23:42), e a Bíblia declara que há alegria no céu quando uma alma é ganha para Cristo (Lc.15:7).

 

2) Coroa da Vida (Tg.1:12; Ap.2:10): Não é a vida eterna como pensam muitos cristãos, pois o galardão é dado com base nas obras enquanto que a salvação é dada com base na graça de Deus. De maneira nenhuma a vida eterna poderia ser obtida pela fidelidade e aprovação dos crentes nos momentos de tribulação. Muitos são reprovados pelo Senhor (Hb.12:5), e no entanto continuam sendo salvos pela graça de Deus. Esta coroa, portanto, será concedida àqueles que, ao suportarem provações e sofrimentos nesta vida, permanecem fiéis no seu amor a Deus.

 

3) Coroa da Incorruptibilidade (IICo.9:25,27): Esta coroa é ganha pela domínio de si mesmo, de suas paixões e desejos; é a auto negação (Lc.9:23), que só pode ser conseguida pelo auxílio do Espírito Santo, pois se trata do domínio próprio que é um fruto do Espírito (Gl.5:22,23).

 

4) Coroa da Glória (IPe.5:2-4): Esta coroa será dada àqueles que nutrem o rebanho de Deus, não apenas aos pastores, mas a todos aqueles que cuidarem dos filhos de Deus ajudando-os a crescerem.

 

5) Coroa da Justiça (IITm.4:8): Será ganha por aqueles cujas vidas são vividas inteiramente em pról do reino de Deus (Mt.6:33), aguardando com muita intensidade a segunda vinda de Jesus (Ap.22:17,20).

 

GRÁFICO DAS COROAS

COROAS

COMO SÃO GANHAS

REFERÊNCIAS BÍBLICAS

Coroa da Alegria

Ganhando Almas

ITs.2;19; Fp.4:1

Coroa da Vida

Suportando Provações

Tg.1:12; Ap.2;10

Coroa da

Incorruptibilidade

Tendo Domínio Próprio

e Auto-Negação

ICo.9:25

Lc.9:23

Coroa da Glória

Cuidando do Rebanho

IPe.5:4

Coroa da Justiça

Ansiando a Volta de Cristo

IITm.4:8

 

V) Para que servirão os galardões?

 

Muitos crentes se satisfazem apenas com o dom da salvação. eles desprezam as recompensas alegando que trabalham na obra de Deus apenas movidos pelo amor, e não visam prêmios nem interesse pessoal. Mas este raciocínio não é correto, pois nenhum cristão deve imaginar que a vida cristã é uma competição para que os melhores ostentem lá no céu os seus galardões. Os galardões serão dados aos crentes para que estes sejam consagrados ao Senhor (Ap.4:10,11; Rm.11:35,36), porque as boas obras através das quais os crentes receberão galardões são também realizadas pela graça de Deus (Is.26:12; Fp.2:13; Hb.13:20,21) e, portanto, Deus é merecedor de toda honra e glória. No entanto as boas obras foram de antemão preparadas por Deus para que andássemos nelas (Ef.2:10). Andemos, pois nas boas obras para que não percamos a nossa coroa (IIJo.8; Ap.3:11) e não aconteça de aparecermos diante do Senhor de mãos vazias (Dt.16:16). Alguns reis perderam suas coroas (Ez.21:25,26); o povo de Israel também (Lm.5:16; Sl.89:39). Devemos cuidar para não incorrer no mesmo exemplo deles!

 

 

 

BIBLIOGRAFIA

 

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berkhof, Louis. Teologia Sistemática. São Paulo, Luz para o Caminho, 1990; 791 p.

BROWN, Colin (ed). Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento. São Paulo, Vida Nova, 1989; v.2, 560 p.

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RAHLFS, Alfred. Septuaginta. 2 ed. Germany, Deutsche Bibelgesellschaft Stuttgart, 1979; 2125 p.

RYRIE, Charles Caldwell. A Bíblia Anotada. São Paulo, Mundo Cristão, 1991; 1825 p.

O FRUTO DO ESPÍRITO

frutoO FRUTO DO ESPÍRITO

ALEGRIA

Filipenses 4:1-7

 

Textos: Ne.12:27-31,43; Sl.16; 92; 97; Mt.5:1-12;

Fp.4;Ap.19:1-10

INTRODUÇÃO

Blaise Pascal, famoso matemático e cientista francês que viveu no século XVII, converteu-se ao Senhor Jesus Cristo e tornou-se ardoroso defensor da fé cristã. Na noite de 23 de novembro de 1654 ele teve uma profunda experiência  com Deus, quando passou a sentir profunda alegria espiritual; tão marcante foi esta experiência na vida do sábio que ele a escreveu e guardou o registro no forro de seu casaco, onde foi encontrado depois de sua morte. Pascal verdadeiramente experimentou a “alegria indizível e cheia de glória” de que nos fala o Apóstolo Pedro (I Pd.1:8).

VISÃO BÍBLICA

1- Qual é o maior motivo da alegria cristã? (Lc.10:20)

2- Em que situações o cristão deve revelar alegria? (Fp.4:4; 1ª Ts.5:16).

3- De que forma o cristão deve expressar a sua alegria? (Sl.100).

DEFINIÇÃO DO TERMO

A palavra alegria era muito importante no mundo antigo; prova disso é que era usada como saudação (Lc.1:28). A palavra que em nossas versões da Bíblia é traduzida como “saudações em At.15:23 e Tg.1:1 e como “saúde” em At.23:26, significa literalmente “alegria”. O termo transmite a idéia de prazer, contentamento, satisfação, gozo, bem-estar, felicidade e exultação, proveniente de algo bom e agradável que se recebe ou se vive. Também o A .T . é  rico em citações deste termo, seja em relação á alegria experimentada pelos filhos de Israel (1º Cr.29:9), seja pela alegria do próprio Javé em Seu povo Sf.3:17). A alegria é importante para se falar do EVANGELHO e para isto é necessário a saúde. Daí a necessidade da cura pela Palavra pois o prazer de viver com saúde nos faz falar de Deus com prazer. É necessário que o cristão tenha saúde em todos os sentidos, isto é, saúde física, social, financeira, psicológica e espiritual. Quando ouço ou vejo as pessoas pedirem oração para a sua saúde pergunto se esta pessoa está querendo saúde para ter alegria. Vejo muita gente com saúde física porém triste, fabricando doenças psíquicas que se tornarão físicas futuramente.

APLICAÇÕES

I – A ALEGRIA É PROVENIENTE DE DEUS

A Bíblia nos ensina claramente que Deus é fonte, a origem da alegria cristã. Vejamos um pouco do que a ESCRITURA SAGRADA nos fala a este respeito:

1-  A alegria é proveniente da graça divina

Deus a dá sem qualquer merecimento da parte daqueles que a recebem. No A .T., o Senhor promete derramar alegria sobre o seu povo (Is.61:1,3; Jr. 33:10-11). Louvado seja o nome de Deus que nos enche de alegria mesmo que não mereçamos recebê-la!

2-  A alegria é proveniente da obra salvadora de Cristo

A maior e mais excelente de todas as manifestações da graça soberana de Deus sem dúvida é nossa salvação em Cristo. É simplesmente impossível dar graças ao Pai pela salvação que Ele nos deu em Cristo sem experimentar a santa alegria cristã (Cl.1:11-14)

3-  A alegria é proveniente da ação do Espírito Santo

Lucas 110:21 nos diz que “exultou Jesus no Espírito Santo…”, isto é, foi tomada de alegria que o Espírito de Deus nos concede. O Senhor nos enviou Seu Espírito (Jo.16:7) que faz nascer em nós a alegria cristã (Gl.5:22). Crentes cheios da lei do espírito são cheios de alegria produzida pelo Espírito.

4-  A alegria é proveniente do recebimento da palavra

Quando a Palavra de Deus é recebida com fé, humildade e obediência deve haver alegria, mesmo que este recebimento da Palavra se de em meio a problemas e sofrimentos (1ª Ts.1:6-7). Quando os cristãos são fiéis á Palavra do Evangelho que é recebida, também há alegria (2ª Jo.4; 3ª Jo3-4). Pois quem se encontra com Cristo e Sua Palavra, encontra o maior e mais valioso tesouro, por amor do qual qualquer sacrifício pode ser feito com a maior alegria (Mt.13:44).

A alegria que é proveniente de Deus tem enchido nossa vida?

II – A ALEGRIA É POSSÍVEL, APESAR DAS CIRCUNSTÂNCIAS

O ser humano tem necessidade de experimentar alegria. Esta é uma realidade inegável da vida de qualquer pessoa. Não se pode tentar abafar esta necessidade, como se não existisse. Entretanto, muitas pessoas tentam satisfazer a este legítimo anseio humano de maneira errada, através de uma dependência excessiva de circunstâncias e fatores exteriores. Este procedimento, embora muito comum, não tem base na Palavra de Deus. Para muitos, a alegria depende de boa saúde física, bom saldo na conta bancária e absoluto sucesso em todas as realizações. Estes fatores externos, conquanto não são suficientes para garantir a alegria de quem quer que seja. E há também os que procedem de modo ainda pior, fazendo sua felicidade depender de elementos totalmente nocivos e prejudiciais á saúde física, mental e emocional do ser humano, como álcool e drogas.

Os cristãos podem viver uma alegria que, contrariamente os padrões da sociedade não cristã, não depende de circunstâncias externas. Nos tempos do V.T., o Profeta Habacuque cantava que mesmo que tudo fosse de mal a pior, ele se alegraria no Senhor (Hc.3:17-19). O Apóstolo Paulo declarou que aprendeu a viver contente em toda e qualquer situação, de fartura ou de pobreza (Fp. 4:11-13); o mesmo apóstolo, em companhia de seu amigo Silas, após terem sido injustamente presos e açoitados, cantavam louvores ao Senhor (At.16:19-25). Esta alegria que existe e subsiste independentemente das circunstâncias exteriores não é masoquismo, isto é, prazer no sofrimento. Pelo contrário, é alegria de saber que “… a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação, não atentando nós nas cousas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais e as que se não vêem são eternas” (2ª Co.4:17-18). Os cristãos são chamados por Deus a viver esta alegria superior aos problemas do dia-a-dia. O próprio Senhor deseja que assim seja. T em sido assim em sua vida?

III – A ALEGRIA É FORÇA PARA O VIVER DIÁRIO

Finalmente, além de ser proveniente de Deus e por isso mesmo, desfrutável apesar das circunstâncias, a alegria cristã é força para nosso viver diário. Nada como a santa alegria que os filhos e filhas de Deus têm para incentivar e estimular na caminhada cristã rumo ao novo céu e  nova terra, somos dia e noite fortalecidos no Senhor! A este respeito, o A .T. diz que “… a alegria do Senhor é a vossa força” (Ne.8:10). Notem que a felicidade e uma questão de alma mas a alegria e questão de espírito. Tem muita gente confundindo felicidade com alegria. Uma depende de condições esteriores a outra somente de dentro do espírito.

Muitos falsos mestres têm ensinado heresias que dizem que as pessoas podem, encontrar apenas no seu interior força para viver; para estes ensinadores do engano, todos são dotados de f orça interior, e precisam apenas descobri-la  e canalizá-la. Mas, á luz do verdadeiro ensino bíblico, esta mensagem é errada. A força pela qual vivemos e enfrentamos os dessafios e problemas do dia-a-dia não vem de nós mesmos, mas vem do Senhor, que nos concede alegria! Esta alegria é a fortaleza que temos á nossa disposição, pela fé, no Senhor Jesus. Assim, podemos tranqüla e alegremente trabalhar, estudar, cuidar da família, enfrentar problemas como falta de saúde e/ou dinheiro, usufruir momentos der lazer, enfim, qualquer atividade em qualquer época da vida, com alegria cristã. Assim, podemos afirmar que a alegria é o mator que impulsiona o crente em sua vida como como seguidor de Jesus.

A alegria cristã tem nos fortificado em nosso viver diário?

“Aquele que ouviu a mensagem da RESSURREIÇÃO não pode viver uma vida triste nem levar uma existência mal humorada, pois somos chamados a nos alegrar com a vitória de DEUS”

(Karl Barth)

AMOR

I Coríntios 13

Textos: Mt.5:43-48; Lc.7:36-50; 10:25-37; Rm.12:9-21; Tg.2:1-13; 1ªJo.2:7-11; 3:11-24; 1ª Jo.4:7-21

INTRODUÇÃO

O que é amor? Parece que todo mundo sabe o que é amar, mas não é tarefa nada fácil descrever o maior de todos os dons. De fato, o mais importante é o amor. Mas, entendê-lo, e, sobretudo, praticá-lo, é algo ainda mais desafiante.

Um poeta escreveu:

“Se os mares fossem tintas;

E o céu sem fim fosse papel;

Se as hastes todas fossem penas

E os homens todos escrivães,

Nem mesmo assim o a mor seria

Descrito em seu fulgor”.

Mas, é possível, pelo menos, tecer alguns comentários que poderão nos ajudar a viver em amor; afinal, não é sem razão que na descrição do  fruto do espírito, o amor se apresenta em primeiro lugar.

VISÃO BÍBLICA

1-   Que tipo de amor é condenado por Jesus? (Mt.10:37)

Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim;

2-   Qual é uma das características marcantes do final dos tempos? (Mt.24:12)

E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor se esfriará de quase todos.

3-   Como expressar o amor? (1ª Pd. 3:8-12).

Finalmente, sede todos de igual ânimo, compadecidos, fraternalmente amigos, misericordiosos, humildes, 3:9  não pagando mal por mal ou injúria por injúria; antes, pelo contrário, bendizendo, pois para isto mesmo fostes chamados, a fim de receberdes bênção por herança. 3:10  Pois quem quer amar a vida e ver dias felizes refreie a língua do mal e evite que os seus lábios falem dolosamente; 3:11  aparte-se do mal, pratique o que é bom, busque a paz e empenhe-se por alcançá-la. 3:12  Porque os olhos do Senhor repousam sobre os justos, e os seus ouvidos estão abertos às suas súplicas, mas o rosto do Senhor está contra aqueles que praticam males.

DEFINIÇÃO DO TERMO

A palavra amor é usada para traduzir vários sentimentos diferentes. Os gregos faziam distinção de 4 palavras que em português traduzimos por amor: amor caridoso, amigável, amigo; amor sexual e erótico; amor familiar, aplicado aos relacionamentos domésticos; e o verdadeiro e puro amor, como citado na lista de Gálatas 5:22. O amor ágape, na expressão de R.C. Trench, “é uma palavra que nasce no seio da religião revelada”. Isso significa dizer que o amor (ágape) é o amor que Deus nos tem dado e  nos ensinado a cultivar. É o maior de todos os dons. É o maior virtude.

APLICAÇÃO

A partir do mais lindo e completo poema já escrito sobre o amor – 1ª Co.13 – é possível considerar o maior de todos os dons, observando:

I – A SUPERIORIDADE DO AMOR

Discorrendo sobre os dons espirituais – um complexo problema para a igreja dos coríntios – o apóstolo faz uma transição para falar sobre o “santo remédio” para todos os problemas. No texto verifica-se a superioridade do amor nos seguintes aspectos:

1-  A palavra/línguas

Mesmo, que alguém consiga falar em línguas angelicais ou especiais, sem amor não têm qualquer significado e nem carecem de interpretação, assemelhando-se aos frios sons de um aparelho sonoro;

2-  Pregação/profecias

Na lista dos dons espirituais, a profecia ocupa os primeiros lugares (1ª Co.12:28; 14:1-4). Mas, sem amor, a pregação se faz mecânica, vazia e sem valor;

3-  Conhecimento/ciência

Na vida há muitos mistérios. Se alguém for capaz de decifrar todos os ministérios e conhecer toda a ciência, só terá algum significado se for movido pelo amor.

4-  Fé/milagres

Jesus ensinou que a fé remove montanhas e “nada vos será impossível” (Mt.17:20). Mas, sem amor; sinais, milagres ou realizações várias não terão nenhum valor;

5-  Caridade/Boas Obras

As obras devem ser conseqüências da fé; mas tem que ser também do amor. Qualquer ação (mesmo a distribuição dos bens aos pobres) sem amor não terá nenhum proveito;

6-  Dedicação/entrega

Alguém pode entregar a uma causa e doar a sua própria vida, mas sem amor, nada disso terá algum valor.

Quantas atitudes em nossa vida são tomadas sem a verdadeira e indispensável motivação! “Todos os vossos atos sejam feitos com amor” (1ª Co.16:14).

II – A NATUREZA DO AMOR

É interessante notar que o apóstolo Paulo resume o amor, para depois analisá-lo. Nos vs.4-7, o amor é relacionando a:

1-  Aspectos negativos, positivos e ativos

Inicialmente, o apóstolo fala de coisas que o amor não é:

o amor não é invejoso;

não é orgulhoso;

não é indecente;

não é melindroso;

não é desconfiado;

não é egoísta.

 

Coisas que o amor faz:

O amor é longânimo;

O amor é benigno;

O amor ama a verdade;

O amor tem tolerância,

O amor confia,

O amor tem paciência.

2-  Aspecto divino – “nós amamos porque Ele nos amou primeiro” (1ª Jo.4:19)

O verdadeiro amor procede de Deus, pois Ele é amor. William Barclay comenta o amor de Deus dizendo que:

a-   O amor de Deus é universal (Jo.3:16)

b-   O amor de Deus é sacrificial(1ªJo.4:9-10)

c-   O amor de Deus é misericordioso (Ef.2:4)

d-   O amor de Deus salva e santifica (2ªTs.2:13)

e-   O amor de Deus fortalece (Rm.8:37)

f-    O amor de Deus disciplina (Hb.12:6).

Esta rápida amostragem confirma a origem de todo amo de Deus.

3-  Aspecto eterno

Segundo o apóstolo, o amor permanecerá para sempre! Um dia cessarão os dons, a ciência cessará e, em alguns sentidos, até a fé e a esperança poderão acabar, mas o amor jamais acaba. O verdadeiro amor suporta todas as situações, se impõe em qualquer época e idade, e dura para sempre.

III – A PRÁTICA DO AMOR

Amar não é verbo para se conjugar; mas para se praticar. Não existe amor teórico. Só através de atos concretos poderá se comprovar e atestar a existência de amor. Portanto, “não amemos de palavras, mas de fato e de verdade”, pois “o amor é o vínculo da perfeição” (1ª Jo.3:18; Cl.3:14). Não foi assim também na parábola do samaritano? Quem mostrou amor: o sacerdote, o levita ou o samaritano?

De que maneira é possível mostrar amor?

1-  Amor universal

É fácil dizer que se ama a todo mundo; mas é preciso dedicar amor a cada um, independente da cor da pele, da posição social da diferença religiosa, da divergência de opiniões, etc. Infelizmente, ouve-se falar de divisões e partidarismo nas igrejas, pois muitos não tem sido capazes de dedicar um amor que ultrapasse as diferenças e barreiras entre as pessoas. É muito fácil amar quem nos ama (isto os publicanos do tempo de Jesus também faziam – (Mt.5:46,47). Mas só isso não basta. É preciso aplicar o amor a cada um daqueles que nos cercam.

2-  Amor serviçal

Quantos e importantes serviços podemos prestar aos nossos semelhantes como expressão e demonstração de nosso amor? Um sorriso, uma palavra de ânimo, uma visita cordial, uma aperto de mão, um abraço fraterno, etc., podem significar amor para com o nosso próximo. Vestir o nu, alimentar o faminto ou saciar o sedento não é custoso para ninguém; e quanto objetos e utensílios desperdiçados em nossas casas e que fariam alegria de muita gente!

Crianças carentes, idosos, deficientes, presos, pobres, etc., merecem um carinho todo especial de nossa parte dentre os muitos outros que carecem de expressão objetiva de nosso amor.

3-  Amor comunicativo

A igreja é a comunidade do amor. Nela, o desafio de exercitar o amor se reveste de especialidade, pois a convivência amorosa dos cristãos concede autoridade para o exercício dos ministérios e da missão da igreja – aliás, este é o mal necessário e urgente sermão da atualidade: “amai-vos uns aos outros”. A maior responsabilidade da igreja não é se entregar a construções, aperfeiçoar a liturgia ou criar novos pontos de trabalho; mas sim, aperfeiçoar e praticar o amor. Quando cada cristão se fizer um instrumento do amor, praticando a tolerância, a verdade, a confiança mútua, respeito, etc., o mundo estará disposto a ouvir a voz dos cristãos. “Ó cristão, ao teu vizinho mostre amor”. A grande síntese é que “Deus pede de todos mais amor”!

“Deus só vive para o homem mas este perdeu a independência e a dignidade para entendê-lo.

O mundo sempre precisou da IGREJA, esta, porém, preocupou-se mais consigo mesma do que com as necessidades do mundo, ao qual deve servir.

O incrédulo sente um desejo ardente de ser crente também, mas o fanatismo, o orgulho e a falta de alegria observados nos crentes impeliram-no para outros rumos os quais se adaptou muito bem.

Contudo é esta a época do homem, a oportunidade da IGREJA, o momento do “CRENTE”.

(Dietrich Bonheffer)

BONDADE

Lucas 10:25-37

Textos: Gn.48:11-22; Sl.32; Sl.34; Lc.18:18-23; At.4:36-37; 11:19-26;Rm.12:9-21; Fp.4:10-20

 INTRODUÇÃO

A bondade é uma das virtudes esquecidas no mundo de hoje. A busca frenética pela veracidade das coisas, das leis, quase sempre descaracteriza uma atitude de bondade.

Em todos os setores da vida, no trabalho, na escola, nas ruas, nas Igrejas, no lazer, há uma enorme carência de bondade. Qual a razão disto? Será que ser bondoso hoje em dia é algo que envergonha? O amor realmente está esfriando? A maldade está triunfando? São inquietações que nos vêm á mente nesses dias conturbados em que nós estamos vivendo.

VISÃO BÍBLICA

1-   O que alguém deve Ter em mente ao exercer a bondade? (Mt.5:16)

2-   O que está reservado aquele que é bondoso? (Pv.21:21)

3-   Diante da bondade do Senhor qual deve ser a atitude do cristão? (Sl. 107:21).

DEFINIÇÃO DO TERMO

“BONDADE” significa basicamente “retidão”, ou “gentileza”. É aquela qualidade de generosidade e de ação gentil para com outras pessoas. Bondade é a realização do amor. Lutero dizia que “uma pessoa é bondosa quando se dispõe a ajudar aqueles que estão em necessidade”. A vida de Jesus é o maior exemplo do que seja bondade. Ele só fez o bem, só pensou em auxiliar. Nunca olhava para si mesmo, pois, sempre se preocupou com os seus semelhantes.

APLICAÇÕES

Quando olhamos para a nossa realidade percebemos uma ausência de bondade. Observamos que o tema precisa ser estudado e praticado. Vejamos porque:

I – A BONDADE É UM ATRIBUTO DE DEUS

A bondade, antes de mais nada, é fruto do espírito (Gl.5:22). Isto implica em dizer que ela se origina unicamente da ação de Deus, (Tg.1:17) para dentro de nosso espírito, daí o texto que diz: “O Espírito de Deus testifica com nosso espírito”, testifica através destes dons. Deus é amor etc. e em nos brotam estes dons que estão em nosso espírito humano. As Escrituras desperta estes dons adormecidos em nosso espírito, espírito este que esta em vaso de barro (1ª Co.4:7). Nada neste mundo pode promover a bondade se não for pela atuação de Espírito Santo. Somente Deus é bom (Lc.18:19). Bondade é um atributo de Deus. Deus é bom. Deus é amor. Deus não tem bondade ou amor, Ele é tudo isto, nos é quem devemos despertar isto dentro de nosso ser.

No texto de Lc.10:25-37 a primeira resposta do doutor da lei á pergunta de Jesus refere-se a Deus: “Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração…” Diz o salmista: “Oh! Provai, e vede que o Senhor é bom” (Sl.34:8).

Entretanto, o mundo vai de mal a pior. Por que? Qual a razão de anta ausência de bondade? A resposta é que o homem não quer ser bom. O homem no decorrer da história tem rejeitado o projeto de Deus para a vida. (Rm.3:10-18). Está faltando o amor de Deus. Os homens são bons, e as coisas são boas, somente até o ponto em que se conformam com a vontade de Deus, que está em seu corpo, a IGREJA, havendo dois ou três em nome de Deus ali estará Ele dizendo sim ao que ligamos ou desligamos na terra. Portanto, coitado daqueles que invertem a divina escala de valores, chamando de bom aquilo que Deus chama de mau e vice-versa (Is.5:20).

A bondade, pois, é uma característica inconfundível e essencial do amor a Deus. Será que realmente nós temos amado a Deus: Até que ponto você tem demonstrado que ama ao Senhor? A bondade está presente nos seus atos.

II – A BONDADE É PORTADORA DE VIDA

Na história do bom samaritano vemos a prática do egoísmo criminoso, assassino, efetuado pelos ladrões, que assaltaram e além de roubarem, procuram tirar a vida da vítima. A maldade é assim: portadora da morte. Isso é muito comum e se pratica de muitos modos em nossos dias, quando os recursos são canalizados para o bolso de alguns que se favorecem á custa do sofrimento e da morte de outros. Há também a maldade de um egoísmo comodista e covarde que também promove a morte. É o caso do sacerdote e do levita que viram a vítima mas nada fizeram a seu favor. É interessante lembrar as palavras de Tiago: “Portanto, aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz, nisso está pecando” (Tg.4:17).

A bondade, personificada na atitude do samaritano promove a vida do assaltado. Ele revela a prática da caridade, do amor sacrificial, arriscando sua própria vida, sacrificando sua comodidade, tempo e dinheiro. Ele faz questão que o seu protegido receba um tratamento completo e com toda segurança. Essa é uma história bem nossa, no cenário do nosso mundo. Nas estradas da vida encontramos os doutores da lie, os ladrões, as vítimas, os desinteressados pelo bem dos outros e aqueles que vivem com um coração “possuído de bondade” (Rm.15:14) e trabalham assim pelo bem da humanidade, promovendo e restaurando a vida. Nossas igrejas hoje precisam estar repletas de bons samaritanos, pois, esta é a razão de ser da IGREJA de CRISTO;: promover a vida do ser humano.

Jesus Cristo foi em sua vida terrena uma pessoa extremamente bondosa. Todos os seus atos foram promotores da vida. Esta era a sua missão (Jo.10:10). E nós? Temos promovido a vida através de um coração possuído de bondade? Temos permitido o Espírito Santo despertar, através da Palavra de Deus, esse fruto em nós? Com qual destes grupos (doutores da lei; sacerdotes, levitas; ladrões; samaritanos), você se identifica mais?

III – É UMA VIRTUDE QUE PROMOVE A GLÓRIA DE DEUS

Depois de contar a história ao doutor da lei, Jesus pergunta: “Qual te parece ter sido o próximo do homem que caiu na mão dos salteadores?” E a resposta é: “O que usou de misericórdia para com ele.”

Agora o doutor da lei já sabe. O ato do samaritano foi um ato proclamador. Um ato de bondade sempre é esclarecedor. Jesus Cristo nos diz: “Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus” (Mt.5:16).

Não adianta simplesmente falar que Deus é bom. Não adianta saber que bondade é um atributo de Deus. Não adianta somente as palavras. Bondade é algo  que precisa ser definido na prática e não apenas nos dicionários. Assim iremos proclamar de forma persuasiva o amor e a bondade de Deus.

As pessoas de hoje sempre associam a idéia de existência de Deus a partir das coisas más que acontecem no mundo. Sempre ouvimos alguém falr: “Se Deus existe por que existe fome, guerras, terremotos, ódio, etc…” Sempre questionam a existência a partir de uma visão das coisas más. Pos isso, essas pessoas precisam ver nossas “boas obras” para perceber a presença de Deus no mundo, assim irão “glorificar o Pai que está nos cèus”. A bondade é o melhor método de proclamação das boas-novas de Deus ao homem. Jesus de Nazaré sempre esteve cercado de multidões que desejavam ouví-lo porque, antes de tudo, ele praticava a bondade para com aquelas pessoas (Mc.8:1-2).

De que maneira temos proclamado as verdades de Deus hoje? Só com palavras? Aquilo que você faz tem sido uma ação proclamadora do EVANGELHO? O samaritano é exemplo para nós. A palavra de Jesus é: “Vai e faze da mesma maneira”. Que na estrada da vida, onde iremos encontrar os oprimidos, os fracos, as vítimas dos ladrões dos séculos XX, sejamos bons samaritanos, tendo como padrão de nossa conduta Jesus, a expressão máxima da bondade de Deus para conosco (Ef.2:4-7).

“Não existe homem bom que, ainda que submetesse, em todos os seus pensamentos e ações, às leis, não merecesse ser enforcado por dez  vezes durante a sua vida”

(Michel de Monaigne).

DOMÍNIO PRÓPRIO

Daniel 1

 

Textos: Gn.39; Pv.23; Lc.4:1-13; At.24:22-27;Iª Co.9;

Gl.5:23-26; II Pd.1:1-11.

INTRODUÇÃO

Ficamos impressionados com a exibição dos atletas, especialmente nas olimpíadas. Durante poucos dias eles se apresentam nas várias modalidades de competições. Porém, meses e meses se passam até que chega a época das suas apresentações. Nesse período eles treinam, se esforçam, suam a camisa; mas do que isto: se  auto-controlam. Em que eles estão pensando? No êxito, isto é, na medalha (de bronze, de prata e de ouro).

O segredo da conquista está na manifestação do domínio próprio, quando cada atleta precisa se dominar, deixando de assumir determinadas atitudes – até certo ponto prazerosas – para se dedicar exclusivamente aos treinamentos. Os períodos de concentração são longos e necessários os quais precisam ser enfrentados de modo disciplinado.

Os cristãos correm a carreira cristã a cada dia. A temperança é requerida de cada um.

VISÃO BÍBLICA

1-   O que acontece ás pessoas que não demonstram domínio próprio? (Sl.78:29-32; Pv.25:28).

2-   Que princípio deve nortear a conduta cristã? (I Co.6:12).

3-   Que recompensa há para aqueles que praticam o domínio próprio? (I Co.9:25).

DEFINIÇÃO DO TERMO

A expressão domínio próprio possui em sua origens os seguintes significados:

Autodomínio,

Continência,

Controle,

Prudência,

Temperança.

Essa expressão tem a idéia de “refrear-se de fazer alguma coisa”.

Existem aqueles que tem controle próprio, e aqueles que não se controlam. Daí a expressão possuir a ligação com a idéia de “agarrar, controlar, segurar firme, sustentar”. Literalmente a expressão significa: “Conservar o espírito dentro de limites”. Daí vem a idéia de abster-se, não somente de vícios físicos, mas também de emoções e pensamentos vis. Para a filósofo Aristóteles essa expressão está relacionada com o próprio caráter da pessoa, pois aquele que tem domínio próprio é alguém prudente, controlado, perseverante e bem sucedido.

APLICAÇÕES

Quando Nabucodonosor tomou Jerusalém, em 606 a. C., ele conduziu uma leva de judeus para Babilônia, ele desejava utilizar alguns jovens nos diversos ofícios do Palácio e desejava conhecer a ciência dos judeus e ensinar aos judeus as ciências dos caldeus. Mandou Aspenaz escolher alguns jovens qualificados física e intelectualmente, e que os preparasse para o serviço real. Assim, Daniel e seus companheiros revelaram uma forte domínio próprio diante das exigências reais. Vejamos algumas lições, extraídas deste momento vivido por Daniel e seus companheiros.

I – É ATITUDE QUE REQUER CORAGEM E DETERMINAÇÃO

Daniel e seus companheiros estiveram diante de um grande dilema: dizer sim, ou não aos convites e desafios da vida babilônica.  O v.8 declara: “Resolveu Daniel firmemente não se contaminar” (homem). Esta demonstração de autocontrole revela coragem, determinação e principalmente conhecimento. O motivo da decisão corajosa de Daniel tem a ver com as comidas e bebidas fortes e que não o deixaria entender a ciência dos caldeus v.4 e as comidas leves que escolheu lhe serviria como jejum para que entendesse toda a ciência deles e ensinasse a ciência dos judeus. Ele aproveitou a oportunidade para tudo entender e posteriormente ajudar o  seu povo. Deve ter sido difícil para eles deixarem de comer o banquete do rei e se dedicarem a uma comida aparentemente fraca. Não é bom entendermos este texto como se a comida do rei fosse sacrificada a ídolos pois também os frutos , legumes e água pertenciam também ao mesmo rei, portanto não vamos comparar com o texto de Lv.17:10-14). Daniel e seus companheiros estavam dispostos a servir á Babilônia, a homenagear Nabucodonosor, a cooperar para o progresso daquela região. Todavia, de modo corajoso estavam dispostos a sacrificar suas vidas aprendendo a cultura do povo, ensinando sua cultura pois havia interesse no poderio babilônico para libertar Israel. O jejum de Daniel precisa ser ensinado pois foi um jejum em benefício geral, sacerdotal e não de sacerdote. Jejum em função de dois povos. Jejum que também levou Daniel ao conhecimento do futuro dos impérios, da IGREJA e das coisa relacionadas ao JUÍZO FINAL.

A natureza humana é fraca e propensa para o mal que está no homem. Os atrativos para as práticas carnais (e nocivas) são incontáveis e constantes. Só com muita coragem, amor, conhecimento e confiança em Deus é possível alguém vencer desafios. A recomendação bíblica é que exista autocontrole para seu benefício para beneficiar outras. O autocontrole não é somente para nos beneficiar e sim para ajudar grandemente o REINO de DEUS. Aprender a ciência de Deus, revelada por Jesus para que não haja a contínua prática do pecado (Gn.4:7; Fp.45).

II – É ATITUDE QUE IMPLICA EM RESTRIÇÃO DOS IMPULSOS NATURAIS

 

Daniel e seus companheiros, sendo pessoas normais, possuíam impulsos naturais bem fortes. Estava na hora da demonstração do domínio próprio que é a virtude que leva a pessoa a se governar com auxílio do Espírito Santo (Jo.15:5).O Senhor requer que os ministros e demais cristãos tenham domínio de si mesmos (Tt.1:7-9) e que seus corpos sejam oferecidos a Deus tal qual oferta viva (Rm.12:1-2).

Há muitos exemplos bíblicos de pessoas que falharam quanto ao domínio próprio, pois não reprimiram seus impulsos naturais. O rei Davi, por exemplo adulterou, pois cedeu ao desejo impuro de seu coração, com referência á mulher de Urias (II Sm.11). É oportuno recordar Pv.16:32).

Quando os impulsos naturais não são dominados, facilmente os vícios surgem para derrotar os usuários. São diversos os vícios que estão por aí escravizando tragicamente a vida daqueles que deveriam demonstrar mais amor pela vida. É fácil verificar as pessoas portadoras de vícios que causam prejuízos ao Reino de Deus. Por exemplo, há aqueles que usam a palavra para difamar seu semelhante, para falar mal das instituições, e a té do país (Tg.1:26; 3:8; I Pd.3:10). A Palavra de Deus nos ensina a revelar temperança ate nos pensamentos (Rm.12:3)! É necessária muita busca do poder do Alto e uma forte dose de resignação, ou seja, de força de vontade no exercício do domínio próprio, para que a libertação se estabeleça e, acima de tudo, para que se receba a aprovação de Deus em sua Palavra – BÍBLIA.

III – É ATITUDE QUE CAPACITA A PESSOA A VIVER INCONTAMINADA

No v.8 vemos que a firme resolução de Daniel era de “não se contaminar com finas iguarias do rei”. Era necessário não contaminar seu corpo, isto é, contaminar  neste caso seria encher seu corpo de alimentos que demoraria a digerir, de difícil digestão e que traria cansaço ou preguiça a mente e desta maneira dificultaria o raciocinar. Que traria banha ao corpo pois sabemos que o comer muito ou carne ou outros pesados alimentos não significa saúde. Ele necessitava de saúde e mente bem lúcida para ser o melhor dos escolhidos. Não gordo, sem forma pois ele necessitava de graça do rei que pudesse favorecer o seu povo. Precisava de uma boa dieta e dieta sempre foi sacrifício.

Daniel precisava de domínio próprio para beneficiar  a outros. Ele necessitava viver de modo digno diante de Deus para ajudar os homens. Vejamos o exemplo de Paulo em At.24:16.

O desejo de Deus é que todos vivam de modo que não se contaminem, procurando Ter um coração mais puro e santo. Mas, são tantos os meios que causam contaminação! Quando não há domínio próprio nos pensamentos, nas palavras e ações, logo aparecerá o mau testemunho. Veja as recomendações da Palavra de Deus em Pv.15:1; I Co.10:31; Fp.4:8). É bom lembrar que a falta de domínio próprio quanto á alimentação é mais comum. (Pv.21:17; 23:1,2; 25:16).

O domínio próprio é a qualidade que capacita as pessoas a viver e andar no mundo sem se contaminar. Escrevendo a respeito da religião verdadeira, Tiago declara: “… e a si mesmo guarda-se incontaminada do mundo” (Tg.1:27).

Paulo recomenda aqueles que não possuem o verdadeiro autocontrole na vida sexual, que se casem, pois nada pode justificar a contaminação que é reprovada por Deus (Iª.Co.7:9);

Porém, para se viver de modo incontaminado, é preciso crucificar as paixões que brotam na carne e as concupiscência, e ter a certeza de que Deus sempre nos dá o êxito (Iª.C.15:57; Gl.5:24). É necessário deixar que Jesus domine sobre nós, estando submissos a Ele, dizendo-lhe: – Que o rumo, o  Caminho sabemos que é Ele e que os sinais deste Caminho estão em Sua Palavra.

É triste observar aqueles que estão escravizados aos seus “vícios de estimação”, não permitindo Cristo ser o centro ou o Senhor de sua vida. Alguns querem viver com Cristo, mas, ao mesmo tempo, desejam viver nas práticas mundanas, que tanto contaminam. Em compensação, por meio do domínio próprio é possível se reverter este quadro, tendo sempre o coração purificado pelo sangue do Cordeiro, o que nos confere o privilégio de ver a glória de Deus (Mt.5:8). Procure viver de modo incontaminado em benefício do próximo sabendo que o primeiro próximo de você e você mesmo, depois os demais.

IV – O DOMÍNIO PRÓPRIO É ATITUDE QUE PROPORCIONA ÊXITO

Após o exercício do domínio próprio na Babilônia, Daniel e seus companheiros foram considerados aprovados por Deus sendo que após 10 dias as suas aparências eram melhores, estavam mais robustos, e Deus lhes concedeu o conhecimento e a inteligência (vv.15-17) Daniel conhecia de ciência e o caminho escolhido por Adão foi a Árvore da Ciência do bem e mal, precisamos conhecer O Pão e a Água da vida – Jesus.

O rei os achou dez vezes mais doutos do que os magos que havia em todo o reino (v20). Essa decisão determinada contribui para o alcance de vitórias posteriores.

Porém, sem o domínio próprio a pessoa cai em insensatez e vergonha. Aqueles que não se  auto-controlam estão destina dos ao fracasso. A Bíblia faz referência á mulher de Ló, ao moço rico, a Ananias e Safira, a Demas, e a tantos outros que falharam vergonhosamente porque não se dominaram. (Gn.19:26; Mc.10:17; At.:5:1-11; IIª.Tm.4:10).

O sábio Salomão afirma que a falta de domínio próprio ocasiona momentos de fracassos (Pv.25:28). Será que hoje não existem tantos sem o necessário domínio próprio? A Bíblia esclarece que nos últimos dias os homens serão “sem domínio de si” (II Tm.3:1-3).

Por conseguinte, como alcançar êxito sem domínio próprio? Quantos estão, os dias atuais, caídos, fracassados, frustrados, por causa da falta de temperança! Deus quer sempre conduzir o Seu povo em triunfo (Iª.Co.2:14). O êxito na carreira cristã é algo o que precisa ser buscado por todo cristão.

 

 

 

“Não é livre aquele que não obteve domínio de si mesmo” (Matemático Pitágoras).

A FIDELIDADE

Mateus 25:14-30

 

Textos: Gn.22:1-19; 2ºRs.12:1-19; 2º.Cr.34:8-13; Lc.16:1-13;

 At.4:1-22; 1ªCo.4:1-5;Tt.2:1-10

INTRODUÇÃO

Em quase todos os relacionamentos interpessoais, a fidelidade é indispensável.

Você já pensou quando há infidelidade no relacionamento conjugal? Você já pensou quando há infidelidade nas transações comerciais? Você já pensou quando o fiel de uma balança se encontra “infiel”? Você já pensou nas graves e tristes conseqüências da falta de fidelidade, de justiça e de lealdade na administração pública, seja no âmbito federal, estadual e municipal?

Muitos são conhecidos pelo seu caráter íntegro, repleto de fidelidade, que até mesmo não existe necessidade de comprovação de suas atitudes, pois somente a sua palavra basta. Entretanto, existem aqueles que não merecem confiança, que agem falsamente, que compram e não pagam, que prometem e não cumprem que dizem como sendo verdade aquilo que é mentira, sou seja, aquilo que não viram, não ouviram e nem podem comprovar.

Vale a pena agir de modo digno fiel. Mais do que nunca, as Igrejas e a sociedade estão carecendo de pessoas repletas de fidelidade. É sobre esta virtude que o presente estudo fará referência.

VISÃO BÍBLICA

1-   Que resultado experimentou Daniel em conseqüência da sua fidelidade? (Dn.6:4)

2-   O que a Bíblia diz sobre a fidelidade nos negócios? (Pv.28:20).

3-   Que triste realidade pode ser constatada hoje: (Sl.12:1).

DEFINIÇÃO DO TERMO

A palavra grega para fidelidade é “pistis”, que é traduzida por fé. Na grande maioria dos casos ela significa fé que é confiança, entrega e obediência totais a Cristo. Mas, aqui na listagem do fruto do espírito, ela possui uma conotação ética, ou seja, tem mais a ver com o relacionamento das pessoas entre si. A idéia é de integridade, lealdade, dignidade e honestidade. É a atitude que torna uma pessoa totalmente confiável e cuja palavra se pode aceitar completamente. É o FRUTO DO ESPÍRITO que se revela a uma virtude moralizadora, fazendo emergir o modele de responsabilidade: homem de palavra, cumpridor de votos, fiel ás obrigações professadas, leal a companheiros, e íntegros na moral.

Fidelidade – fé. Só é possível exercermos fé para agirmos com fidelidade se conhecermos o modelo único dado por nós – Jesus. Como homem mostrou-nos como se fiel, daí estarmos certos quantos as promessas que nos fez e que se cumprirá através de sua palavra. Ele disse que o que ensinava-nos era do Pai e o escritor aos Hebreus fala que fé é fundamento, base. Portanto não haverá fidelidade se não houver fé e f é conhecimento das Escrituras pois nelas encontramos vida eterna. É bom não esquecermos de entendermos bem Hb.11:1.

APLICAÇÃO
I – A FIDELIDADE É UMA VIRTUDE QUE IMPLICA ESFORÇO

                                                                                                                                                             

Nesta parábola dos talentos, o senhor confiou os seus bens aos seus servos, denso que cada um teria que se esforçar para conseguir outros, demonstrando assim fidelidade aos eu senhor. Era um verdadeiro teste para provar a fidelidade e a capacidade dos servos. Ganhar outros talentos era uma atitude que exigia um esforço concentrado e muita determinação. Eles teriam, ainda, de prestar contas de seus negócios. Só com muito esforço eles seriam encontrados fiéis.

O Senhor requer de seus filhos fidelidade (1ª Co.4:2). A natureza humana é pecaminosa e propensa ás práticas carnais. A infidelidade torna-se uma atitude mais fácil, mas cômoda, como exemplifica aquele servo que ganhou apenas 1 talento, vindo a enterrá-lo. É preciso renunciar a própria carne, os desejos e prazeres deste mundo, a vontade própria, negando-se a si mesmo, para que exista fidelidade ao Senhor Deus e ao próximo. (Mc.8:34). Ser fiel em uma sociedade infiel é o grande desafio que exige esforço.

José do Egito venceu a tentação sexual quando a mulher de Potifar tentou seduzi-lo, permanecendo fiel a Deus. Daniel e seus companheiros demonstram domínio próprio, e resolveram firmemente não se contaminar com as práticas religiosas destes países, num gesto de profunda fidelidade ao  Senhor.

O Apóstolo Paulo, para cumprir fielmente o seu ministério, se esforçava o mais possível (Cl.1:26-29). Ele certa vez declarou que o bem que ele queria fazer, este ele não fazia, mas o mal que detestava, este ele praticava (Rm.7:19-21). Mas, quando escreveu aos Romanos recomendou o “esforço para se fazer o bem perante todos os homens” (Rm.12:17).

A falta de esforço é sinal de infidelidade, que restringe a capacidade e leva a pessoa ao terrível comodismo. Ser fiel a Deus e ao próximo é tarefa dasafiadora, a qual será alcançada com a dependência de Deus. Esta fidelidade conduzirá á eternidade, sendo que Jesus disse ser necessária se esforçar para entrar pela porta estreita (Lc.13:23).

Muitos hoje estão optando pela lei do menor esforço. Querem apenas “sombra e água fresca”. Não estão levando a vida religiosa a sério. Estão cedendo ou se entregando ás práticas pecaminosas, numa atitude de infidelidade a Deus e ao seu semelhante. É preciso esforço e determinação para que o Senhor nos encontre fiéis no dia a dia.

 

II – É UMA VIRTUDE QUE EXIGE ATITUDE IRRESTRITA

Na parábola é possível perceber aqueles dois primeiros servos foram fiéis até mesmo no pouco. Isto revela uma fidelidade total ao seu senhor. O senhor não ficou fiscalizando o serviço deles, mas quando voltou os encontrou fiéis até mesmo nas pequenas coisas. Apenas o que recebeu um talento revelou infidelidade. Esta infidelidade irrestrita tem a ver com uma fidelidade contínua, ou seja, até o fim. Não só em todas as circunstâncias, mas durante toda a vida, a fidelidade deve estar presente. Jesus, certa vez, acusou os escribas e fariseus por agirem de modo aparentemente fiel, fazendo determinadas ações elogiáveis e omitindo outras (Mt.23:23). Jesus requer uma fidelidade ou lealdade a Ele e ao próximo irrestritamente.

Vários cristãos no início do século, revelaram esta fidelidade total e constante. Diante do Sinédrio, os apóstolos não se retrataram (At.4:20 e 5:29). Estevão, o primeiro mártir do Cristianismo, foi fiel até o fim (At.7:54-60). Esta é, portanto, a recomendação do Apóstolo Tiago (Tg.2:10).

Até mesmo na guarda dos segredos é preciso agir com lealdade (Pv.11:13). Até as mulheres devem ser sóbrias e fiéis em tudo (1ªTm.3:11). Até os votos que fazemos precisam ser cumpridos fielmente, custe o que custar (Ec.5:4-5).

“Se fiel e exata nas pequenas coisas e o serás também nas grandes”, disse Johannes P. Schmitt.

III – A FIDELIDADE É UMA VIRTUDE QUE CONFERE RECOMPENSAS

 

Na parábola, aquele senhor percebendo a fidelidade de seus servos, não só os elogiou, mas declarou: “… sobre o muito te colocarei, entra no gozo do teu senhor” (vv.21-23). Mas, percebe-se que aquele que não foi fiel sofreu as desastrosas conseqüências (vv.26-30). Isto aponta para o fato de que recompensa é algo inevitável e determinante na vida religiosa.

A carta endereçada á Igreja de Esmirna contém esta declaração: “Se fiel até a morte, e dar-te-ei a coroa da vida” (Ap.2:10). No dia final, cada um “receberá a recompensa segundo o bem ou o mal que tiver feito” (II. Co.5:10).

A prática da fidelidade é determinante para a vida eterna com Cristo. Daí a recomendação apostólica para se andar no espírito, demonstrando sempre o seu fruto que é FIDELIDADE (Gl.5:16 e 22). Correm sérios riscos aqueles que desprezam esta virtude. Deus não inocentará os infiéis, mas derramará a Sua graça salvadora sobre todos os fiéis. É questão de vida , ou morte o ser ou não ser fiel.

Esta recompensa boa, ou má pode ser recebida t é mesmo aqui nesta vida. Quando somos infiéis como o nosso próximo, deixando de fazer aquilo que prometemos ou votamos, uma indiferença nos relacionamentos será percebida. Quando agimos de modo infiel, de modo traiçoeiro, de modo desleal, ou de modo imoral, logicamente, os resultados serão desagradáveis. Há casos de inimizades e até motes por causa das infidelidades praticadas. Mas, Deus requer de seus filhos que sejam fiéis em tudo a Ele e ao próximo. Para isso nos esforcemos mais e mais.

“Nos dias atuais, importa, antes de tudo o mais, que

demonstremos fidelidade diária e firme”.

(Dietrich Bonhoeffer).

LONGAMINIDADE E BENIGNIDADE

Efésios 4:1-6, 25-32; 5:1

 

Textos: Sl.36; 90; Pv.3:1-8; Rm.2:1-16; 2ª Co.6:4-10;

Cl.1:3-12; 1ª Ts.5:12-22.

INTRODUÇÃO

A vida cristã deve ser uma constante preocupação em assimilar e viver os ensinos de Jesus. O encontro com Cristo provoca transformações radicais na vida, levando a pessoa a uma atitude de relacionamento saudável com Deus. E com o próximo. Um relacionamento saudável se manifesta através de um comportamento que estabelece a paz e a harmonia entre as pessoas.

As pressões e preocupações do dia a dia muitas vezes provocam em nós desgastes físicos e mentais que nos levam a perda da paciência e da gentileza no trato com os nossos semelhantes. Por isso, é necessário observar o que a Palavra de Deus tem a nos dizer sobre essa questão.

DEFINIÇÃO DO TERMO

LONGANIMIDADE – A palavra é usada par indicar tolerância para com o nosso semelhante, paciência, isto é, conhecer a pessoa, saber de seu problema para então aplicar a tolerância e assim não ofender ou provocar a ira deste. “significa ser clemente com as fraquezas dos outros, não deixando de amor o próximo devido aquelas suas faltas ainda que, talvez, nos ofendam ou desagradem” (Abbout). É não apressar-se em exercer juízo ou retribuiu o dano quando ferido por alguém.

BENIGNIDADE – Refere-se á gentileza e bondade no trato com os nossos semelhantes. É aquela atitude afável e cortês para com todas as pessoas. O termo também indica excelência de caráter e honestidade.

VISÃO BÍBLICA

1-   Com que objetivo Deus exerce a sua longanimidade para com todos os homens? Is.48:9; 2ª Pd.3:9)

2-   Segundo o exemplo de Jesus, com quem devemos ser benignos? (Lc.6:35)

3-   Como é caracterizada a pessoa longânima? Pv.14:29)

APLICAÇÕES

I – SÃO VIRTUDES QUE FAZEM PARTE DO CARÁTER DE DEUS

 

Após fazer uma exposição das qualidades que deve possuir aquele que foi chamado para pertencer ao corpo de Cristo, o apóstolo faz uma imporante colocação: “… um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos” (v.6). Ainda, em 5:1, ele declara: “Sêde, pois, imitadores de Deus como filhos amados”. Assim, Paulo revela que essas qualidades mencionadas são possíveis de serem observadas na vida dos cristãos, pois eles fazem parte das qualidades morais de Deus.

Quando a “longanimidade”, significa que Deus tolera com paciência todas as iniqüidades do ser humano (Êx.34:6 e Sl.103:8). Os homens cometem pecados, falhas, provocam desordens, mas Deus se mostra longânimo ante tais coisas, aplicando sua misericôrdia e exercendo Sua paciência. Em Rm.9:22-23, o apóstolo Paulo declara que Deus  “suportou com muita longanimidade os vaos de ira, preparados para a perdição, a fim de que também desse a conhecer as riquezas de sua glória em vasos de misericórdia…” A paciência ou longanimidade de Deus são exercidas com objetivo de manifestar a Sua misericôrdia e salvação para com os homens (1ª Tm.1:16; 1ª Pd.3:20 e 2ª Pd.3:15).

No entanto, a longanimidade de Deus não pode ser confundida com a aceitação do pecado. Apenas tolera e supora oferecendo a todos a oportunidade de arrependimento. A longanimidade de Deus tem limites. Chega o dia quando o Seu Juízo é manifestado. A destruição da terra através do dilúvio e a destruição de Sodomo e Gomorra são exemplos claros de que a paciência de Deus tem o limite da ciência.

No que se refere á “benignidade”, as Escrituras estão repletas de textos que revelam o quanto Deus é benigno (Sl.36:5; 86:6; 94:18; Tt.3:4). Ele é a fonte originária de toda benignidade e nosso Salvador, Jesus O Cristo, foi quem melhor exemplificou essa qualidade. Conforme os biográficos nos mostram, Jesus demonstrou ser uma pessoa extremamente gentil, afável e cortês. Assim, aqueles que estão verdadeiramente em Cristo agirão da mesma  maneira.

Sendo o fruto do espírito (Gl.5:22), a longanimidade e a benignidade, vêm de Deus, de cima. Ele é quem transmitiu essas qualidades ao nosso espírito humano e que são usados em Sua Igreja.

II – SÃO VIRTUDES QUE REVELAM A DIGNIDADE DO CARÁTER CRISTÃO

No 1º versículo de Efésos 4, Paulo inicia a exposição das virtudes que fazem parte do caráter cristão, cm esta palavras: “Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno da vocação, a que fostes chamados”. É importante destacar a expressão “mode digno”. Afinal, que modo digno é este? É a partir daí que ele descreve a nova atitude do cristão que se caracteriza, entre outras coisas, pela longanimidade (v.2) e benignidade (v.22). Essa atitude é o que  revela a dignidade da vida cristã. Espera-se de todos os cristãos que suas relações com outras pessoas se caracterizem pela longanimidade e benignidade observadas em Deus. Se não somos capazes de manifestar essas qualidades para com os outros, não estamos andando de modo digno da vocação para a qual fomos chamados.

Nas palavras do Dr. Russel Shedd, “discipulado que nos capacita a ser células vitais que dão vida a outros, que nos capacita a crescer em tudo para Cristo, precisa de um andar digno”. O nosso caráter precisa ser medido com essas virtudes. É necessário ter paciência e ser gentil com aqueles que nos ofendem e provocam.

A Igreja precisa ser longânima e benigna para com os seus membros. Precisa ser mais paciente e tolerante, evitando agir precipitadamente no sentido de excluir os membros que erram. Trabalhar com eles,ora  por eles e ajudá-los a se levantar é a atitude que Cristo requer de sua Igreja. Ser paciente, gentil e tolerante não signfica concordar ou aceitar os erraos e pecados na vida dos membros. Muita gente diz: “A Igreja tal aceita muita  coisa errada”! Seria melhor dizer: “A Igreja é longânima e benigna para com os que erram”. Agindo dessa maneira a Igreja estará caminhando de modo digno. Se Deus não tivesse agido assim conosco, teríamos sido imediatamente consumidos. (Lm.3:22-23).

Se essas virtudes não são observadas em nós, então estamos apresentando deformidades na vida cristã.

III – SÃO VIRTUDES QUE PRESERVAM A UNIDADE CRISTÃ

O apóstolo Paulo declara que andando de modo digno da vocação para a qual Deus nos chamou, estamos nos esforçando por preservar a unidade do Espírito (v.4). Tudo que o apóstolo diz nos versículos anteriores é para chegar ao apelo que ele faz no v.4, com o objetivo de salientar a unidade dos cristãos. Embora essa unidade não seja algo que possa ser criado pelo cristão, no entanto, ele tem a responsabilidade de preservá-la e de resguardá-la, pois são muitas as tentativas feitas no sentido de destruí-la. Quando os cristãos vivem no seu dia-a-dia as qualidades mencionadas, então algo está sendo feito para a preservação desta unidade.

Embora a unidade cristã seja de caráter espiritual ou metafísico, é preciso lembrar que na igreja local é necessário manifestar uma unidade visível, através da prática da longanimidade e benignidade associadas ás outras virtudes que estão sendo estudadas nesta série. Muitas vezes na igreja local essa unidade tem sido perturbada e até mesmo destruída por parte de irmãos que estão negligenciando as recomendações bíblicas. É da maior importância que cada membro do corpo de Cristo aplique e demonstre essa unidade entre si. Em Jesus, o Cristo, Deus realiza essa unidade entre Seu povo; cabe a nós um esforço diligente  para preservá-la.

Jesus foi longânimo e benigno para com Judas, Pedro e Tomé no colégio apostólico. É preciso seguir o Seu exemplo, pis o fruto do espírito é “…longanimidade, benignidade…”.

“Os seguidores do EVANGELHO não devem ser inflexíveis e amargos, mas antes, gentis, suaves, corteses e de fala mansa, o que deveria encorajar outros a buscar sua companhia”

(Martinho Lutero).

MANSIDÃO

 Mateus 5:5 

Textos: Gn.26:1-25; Sl.37:1-11; Is.29:17-24; Mt.11:28-30;

Mt.5:5;Gl.5:22-23; Ef.4:1-6; Cl.3:12-17. 

INTRODUÇÃO

Uma das virtudes que a humanidade mais perdeu e de que necessita para resolver e apaziguar os seus conflitos pessoais e relacionais, que são tão intensos – é a virtude da mansidão.

Esta virtude se manifesta de forma mais notória quando existem problemas. Quer sejam simples ou complexos, quer profundos ou superficiais, eles acabam servindo como aferidores desta virtude tão necessária e rara em nossos dias tão violentos. Muitos lares seriam mais “suportáveis” se a mansidão estivesse presente no relacionamento “marido-mulher, pais-filhos e irmão-irmãos. Ou, por outro lado, sem dúvida alguma, a mansidão transformaria os relacionamento patrão-empregado, em algo menos tirano e frio, em algo mais caloroso e humano

Porém, esta virtude não é adquirida por negociações, nem tampouco aprendida em bancos escolares. Esta virtude tão “desconhecida” e tão essencial para cada  um de nós – no nosso crescimento espiritual – é a ação do Espírito Santo no nosso espírito, na vida diária do cristão.

VISÃO BÍBLICA

1-   Que atitude devemos assumir na busca da mansidão: (Mt.11:29-30)

2-   Que elemento não pode faltar em qualquer ação disciplinar? (II Tm.2:25).

3-   Que sinais comprovam a existência de mansidão na vida de uma pessoa? (Lc.6:29).

DEFINIÇÃO BÍBLICA

Um dos grandes fatores que atrapalha a mansidão hoje em dia é a falta de compreensão real do que é a mansidão. No pensamento e na linguagem moderna, a mansidão não é uma qualidade admirável. Atualmente, o termo está associado a uma idéia de falta de dinamismo, falta de ânimo, ou ausência de força e virilidade.

Porém, mansidão não é apatia ante as dificuldades, nem tampouco covardia em face aos desafios. Mansidão não é uma característica dos fracos, tímidos, medrosos e covardes. Pelo contrário, ao analisarmos tal palavra no N. Testamento, notamos que não há na língua portuguesa um vocábulo que encerra toda idéia desta virtude do Espírito Santo em nosso espírito. O Dr. Barcaly designa em seus estudos dois termos oportunos para caracterizar tal fruto do espírito – força e suavidade. Nem só força, nem só suavidade. A força somente tende a transformar o homem em um ser embrutecido. A suavidade somente, o tornaria extremamente delicado. A mansidão, por sua vez, é a fusão desta FORÇA e SUAVIDADE, em uma só realidade. Ou seja, a mansidão é a força destemida em prol da suavidade, promovendo atitudes doces, em face ás situações apelativas e provocadoras. No A .Testamento é usada em contraste á soberba. Em o N. Testamento está associada á modéstia e á humanidade. (Mt.11:29; Ef.4:2; Cl.3:12).

APLICAÇÕES

I – A MANSIDÃO É UM DESAFIO A SER BUSCADO INTIMAMENTE

O que mais a nossa sociedade embrutecida precisa é de gente mansa. O de que mais as comunidades necessitam é liderança forte e suave. A mansidão é, na verdade, um grande desafio na vida do cristão, a ser buscado de forma íntima, em consagração, devoção, oração e intimidade com Deus.

1- A Mansidão não é uma Qualidade Natural

A mansidão é um desafio, pois ela não é uma questão de herança de berço, nem questão de educação familiar; nada disso fará com que uma pessoa seja mansa ou não. A pessoa não nasce mansa pela sua disposição natural de temperamento ou gênio. De maneira nenhuma podemos pensar desta forma. A mansidão é obra exclusiva do  Espírito Santo de Deus na vida do nosso espírito. Ser cristão é ser tocado pelo Espírito no espírito: “O Espírito de Deus testifica com o nosso espírito…”, isto é, nosso espírito despertado pela Palavra que divide espírito e alma desperta em nosso espírito a mansidão que é de Deus como herança nossa, em nosso espírito. (G l.5:22-23). Há pessoas que naturalmente parecem mansas, que naturalmente inspiram mansidão, porém, não são mansas. Não podemos confundir indolência com mansidão. Sendo que a mansidão não é algo natural do homem, passa a ser então um desafio a ser buscado de maneira pessoal, pela convivência íntima com o Espírito de Deus, Espírito de Deus com o espírito humano.

2- A Mansidão é uma qualidade do Ser – não do ter

Como já dissemos, ninguém adquire a mansidão pelo que tem. Ninguém é manso porque tem uma boa renda financeira, ou uma situação econômica e familiar estável, nem por um bom emprego. Nada do que se tem pode produzir a mansidão, pois ela é um desafio do SER antes a supervalorização do TER (I Pd.3:4). Mansidão é para quem é cristão cheio do Espírito revelador e não para quem tem freqüentado uma igreja. O ser manso é para quem é temente a Deus, quem é fiel ao Senhor quem é íntimo de Deus (Sl.25:14), não para quem acha que por apenas ter cargos, ou ofício, ou posição, ou função, e pensa só pelo fato de ter, há de ser. Tem muita gente que tem (cargos…) mas não é; e tem muita gente que é, mas não tem. A mansidão  é um desafio a ser buscado como qualidade do ser, não do Ter (Fp.4:11-13).

II – MANIFESTA-SE DE FORMA EXTERNA NO RELACIONAMENTO

Se no primeiro item nós destacamos a necessidade e a importância de se buscar e alcançar a mansidão de maneira particular, pessoal e íntima, queremos agora destacar a obrigatoriedade de se manifestar externamente, de forma palpável e explícita, aquilo que o Espírito moldou em nosso interior – a mansidão. Se estamos plenos de mansidão, ainda que intimamente, manifestamos alquilo do qual estamos cheios. O Senhor Jesus disse: “A boca fala do que está cheio o coração” (Lc.6:45); Aquele que ainda não é um ser manso, não poderá Ter mansidão para repartir. Porém, se a pessoa tem esta virtude em sua vida, ela há de se manifestar no trato com as pessoa, diante das circunstâncias adversas (I Pd.2:23), ou favoráveis. A pessoa que tem sido trabalhada pelo Espírito Santo em seu ser, tem condições de manifesta a mansidão para com os outros. “Pelos seus frutos os conhecereis. Não pode a árvore má produzir frutos bons” (Mt.7:16-18). Assim sendo, a mansidão pode revelar-se:

1– Pela Humildade

A mansidão não é humilde, mas revela-se sem orgulho, sem arrogância e vaidade. Não é á toa que no Novo Testamento a mansidão tem uma grande associação com humildade.

2- Pelo Suportar

 

Paulo, referindo-se a esta realidade, diz em Ef.4:2 – “suportando-vos uns aos outros”. Suportar tem um primeiro significado no sentido de tolerar. Tolerar provocações, tolerar situações inesperadas e adversas, etc. Porém, suportar significa também, servir de suporte, de ponto de apoio, de base a alguém ou a alguma coisa. A mansidão é esta base, o manso é este ponto de apoio e suporte para aqueles que são fracos na fé.

III – A MANSIDÃO REDUNDA EM BENÇÃO

Além de já ser bênçãos na vida da pessoa, a mansidão traz consigo mais bênçãos advindas das promessas de Deus aqueles que são mansos. Quem cultiva a mansidão nos seu relacionamento familiar, profissional, ou em qualquer outra esfera da vida, vai Ter de Deus bênçãos sem medida; notemos:

1-  Bênção da Felicidade (Sl.37:11; Mt.5;5)

 

A expressão bem-aventurados quer significara – felizes, alegres,  jubilosos, exultantes. Estes são felizes 0 os manos. Ao contrário da convicção atual de que o manos é um covarde, impotente diante das situações e por isso, infelizes, ao contrário disso, o manso é, na verdade, o forte, para resistir e manter a suavidade das suas ações e, por isso, é feliz. Aquele que vive mansamente recebe a bênção da felicidade no seu viver (Is.29:19)

2-  A Bênção da Herança da Terra (Sl.37:11; Mt.5:5)

 

Os mansos são aqueles que terão a posse da terra, que desfrutarão do direito de usufruírem os frutos da terra e do que nela se contém. Aqueles que são mansos, não cultivam inimizades, são sempre queridos e, desta forma, acabam tendo acesso a pessoas, a situações, a oportunidades que a outras pessoas não é permitido. Exemplo claro desta realidade é o texto de Gn.26:1-25, quando Isaque habitava entre os filisteus, e por ser riquíssimo provocou ciúmes e inveja nos seus vizinhos. Estes procuravam motivos para contenda com  Isaque – entulharam por diversas vezes seus poços d’água (a água essencial para a vida, e os poços eram o meio de obtê-la). Mas Isaque, pela mansidão no trato com seus aparentes inimigos, foi abençoado por Deus na terra: “vimos claramente que o Senhor e contigo; … façamos alguma aliança contigo”.

Que em nossas vidas possamos buscar este desafio que vem pela comunhão com o Espírito de Deus, e assim abençoarmos nosso próximo e sermos abençoados por Deus. Você é uma pessoa mansa?

PAZ

Isaías 57:14-2

 

Texto:  Nm.6:22-26; Is.23; Lc.2:8-14; Jo.14:16-31;

Rm.5:1-11; Ef. 2:11-22; Cl.3:13-23.

 

INTRODUÇÃO

“SHALOM!” Esta é a palavra hebraica que no A .T. é traduzida por paz.

Paz é algo tão importante e necessário que, sem ela a vida perde o seu sentido. É um desejo comum a todas as pessoas, especialmente nesses dias tão agitados e turbulentos que temos enfrentado. Paz não é um dom de Deus pois se assim fosse o mundo não estaria em guerra, a paz é dom do espírito humano, daí o texto: “…se possível tendes paz uns com os outros”  se possível – este “se possível” diz respeito a nos pois em relação a Deus sabemos que Ele é Deus dos impossíveis.

O ensinamento bíblico a respeito da paz é riquíssimo. Tanto no Antigo como no Novo Testamento, a palavra é verificada dezenas de vezes.

No estudo de hoje buscaremos uma compreensão mais ampla e bíblica desse fruto do espírito.

VISÃO BÍBLICA

1-   O que Jesus falou acerca dos pacificadores? (Mt.5:9)

2-   Como Paulo descreve a paz de Deus? (Fp.4:7)

3-   De que forma o cristão deve aguardar a vinda do Senhor? (2ª Pd.3:14)

DEFINIÇÃO DO TERMO

Paz é mais do simplesmente ausência de guerra. É a palavra correta para caracterizar o relacionamento harmonioso do homem para com Deus, para consigo mesmo e para com o seu semelhante. Na análise de William Barclay, paz “descreve a saúde do corpo, o bem-estar e a segurança, a prefeita serenidade e tranqüilidade, uma vida e um estado em que o homem tem um relacionamento perfeito com o seu próximo e com Deus”. O referido teólogo resume tudo isto, dizendo: “A paz é o relacionamento certo em todas as esferas da vida”. No N.T., a palavra traduzida por paz é “EIRENE”, a equivalente em grego á hebraica “SHALOM”. Notem: a palavra “eirene” não faz lembrar PERENE?

APLICAÇÕES

I – A PAZ É UMA NECESSIDADE DO SER HUMANO

A procura de paz é algo comum a todas as pessoas em todas as épocas e em todos os lugares. É uma necessidade inerente ao ser humano.

Vários são os fatores que se somam para perturbar e roubar a paz. Mas, com certeza, a rebelião do homem contra Deus pela desobediência – desde o Éden – é o fator causal da falta de paz, pois “o pendor da carne é inimizade contra Deus” (Rm.6:6-7). As circunstâncias apenas aumentam a necessidade de paz.

O texto de Isaías fala de um povo sem paz. Uma liderança apegada ás coisas vãs e opressoras (56:9-12), onde a morte significava para o justo a libertação desta calamidade (57:1-2). Também a ilusão da idolatria estava tirando as possibilidade de paz.

O mondo de hoje é também um mundo sem paz. No anseio de paz, muitos se entregam a busca vãs: na idolatria, na astrologia, no ocultismo, no esoterismo, na jogatina e em tantas outras práticas que retratam a vida aflita e agitada das pessoas sem Deus. Tais pessoas são comparadas pelo profeta ao “mar agitado, que não s pode aquietar” (v.20).

“Este ano quero paz no meu coração…” diz a canção popular, que traduz muito bem essa necessidade humana.

II – A PAZ É UMA EXPERIÊNCIA POSSÍVEL SOMENTE NO SENHOR

De acordo com o texto, o Senhor é o autor da paz (57:18-19).

Nas profecias vétero-testamentárias acerca de Cristo, Ele é apresentado como aquele que traz a paz. Notem que Jesus diz que veio trazer-nos espada, membros de famílias uns contra outros. Jesus deu-nos os ensinamentos que faria guerra entre as duas naturezas que há entre nós, bem e o mal. Cristo trouxe-nos paz após a consolidação do ensino de Jesus. O Evangelho só traz mensagens contra o nosso velho homem. A este velho senhor o Evangelho traz o antídoto para mata-lo. Cristo ressuscitado vem exatamente trazer vida naquele que o Evangelho matou ressuscitando-o com uma nova vida, com o NOVO NASCIMENTO.

O Evangelho não agrada ao velho homem pois o homem não conhece nada de Deus e só serve de escândalo para Jesus. Satanás, opositor, só entende de homens e não de Deus (Mt.16:23).

O profeta Isaías, em relação a Cristo, o chama de “Príncipe da Paz” (Is.9:6-7).

O profeta Miquéias, por sua vez, se refere a Ele, dizendo: “E este será a nossa paz” (Mq.5:2-5ª).

Quando do nascimento de Jesus uma multidão da milícia celestial proclamou glória a Deus e paz na terra (Lc.2:13-14).

E o próprio Senhor Jesus ao despedir-se dos discípulos lhes fez a promessa da paz (Jo.14:27)

A paz verdadeira é uma experiência possível somente no Senhor. É por isso que Ele salienta que a paz por Ele oferecida é dada não como a dá o mundo. A instável paz dada pelo mundo é circunstancial, tem uma conotação profundamente materialista e complexa. Compreendendo isto, o poeta declara em sua canção: “Você pode Ter a casa repleta de amigos, paredes e pisos cobertos de bens: ter um carro do último tipo e andar conforme der na cabeça; mas nunca terá a paz que existe lá dentro, que não se encontra pra poder comprar, porque esta paz só tem a pessoa que se encontra com Cristo”.

Nas cartas do N. Testamento, por diversas vezes o Senhor é chamado de “O Deus da paz” (Rm.15:33; Fp.4:9; Hb.13:20-21).

III – É UMA BENÇÃO DECORRENTE DO ACERTO DA VIDA COM DEUS

É preciso compreender que paz é muito mais que simplesmente estabilidade econômica e financeira, segurança, falta de contas para pagar ou ausência de conflitos. Paz é um estado de espírito decorrente do acerto da vida com Deus. Não basta apenas desejar e pedir esta paz. É preciso acertar a vida com Deus para recebê-la, porque “Para os perversos, diz o meu Deus, não há paz” (57:21). A paz é, portanto, um estado de espírito que toma conta daquele que acerta sua com Deus (Rm.5:1).

O salmista apresenta o seguinte conselho: “Procura a paz, e empenha-te por alcançá-la” (Sl.34:14). Esse empenho implica no acerto da vida diante do Senhor, pois, no mesmo versículo o salmista antes recomenda: “Aparta-te do mal e pratica o que é bom”.

A paz não é uma conquista humana, ou que esteja em qualquer parte de sua alma: mente, vontade e emoção, é um fruto do espírito. É algo experimentado em sua amplitude pois a paz é de Deus, portanto é um dos tesouro escondido no vaso de barro, dentro de nosso espírito (2ª Co.4:7). A paz é uma conquista e somente por aqueles que confiam no Senhor e nos quais  o Espírito de Deus age livremente (Is.26:3; 48:28-22).

IV- É UMA CONDIÇÃO DE VIDA QUE PRECISA SER PROMOVIDA

Ensina-nos a Bíblia que “Deus não é de confusão; e, sim, de paz” (1ª Co.14:33). A partir disso, somos chamados a viver em paz e a promover a paz (2ª Co.13:11; Rm.12:18; Jr.29:7).

Conforme o ensino de Jesus no SERMÃO da MONTANHA, todo cristão é chamado a ser um pacificador (Mt.5:9,39-41)  Na carta aos Romanos aprendemos que o Reino de Deus é justiça e alegria no Espírito Santo (Rm.14:17-19). No mesmo texto somos exortados a promover a paz.

Muitas vezes, o lar e a igreja se tornam cenários de confusão e inimizade. Evidentemente, não podemos de forma alguma conviver com esta incoerência na vida cristã, pois conforme o ensino bíblico de Tiago em sua carta, “é em paz que s semeia o fruto da justiça, para os que promovem a paz” (Tg.3:18)

Assumindo esta conduta, podemos então cumprir a missão proposta pelo compositor sacro: “Num mundo que sufoca, evoca, canta, toca e sai, vai e anuncia a paz. Aos homens que carentes, descrentes do amor maior, vai e anuncia a paz”.

O compromisso tem a experiência da paz. Unindo ao Senhor Jesus, o Príncipe da paz, através de uma vida de consagração e fidelidade, o cristão é envolvido pela paz. E esta experiência o impulsiona a promover esta condição de vida que é uma das marcas principais do REINO de DEUS.

“A paz que consiste em relacionamento certos não detém de modo fácil ou automático, mas quando a desejamos de todo o coração e buscamos com toda a nossa mente, usando todas as nossas faculdades para achá-la, Deus abre a sua mão e dá abundantemente”.

(William Barcaly)

O Pecado Imperdoável

pecado imperdoavelO Pecado Imperdoável

Mateus 12.15-32; Marcos 3.20-30

No relacionamento do crente com o Espírito Santo, há um ponto que não é muito trabalhado, pouco atraente, nem um pouco contagiante e escassamente emocionante – A Blasfêmia contra o Espírito Santo.

A expressão “Blasfêmia” contra o Espírito Santo foi proferida pelo Sr. Jesus para qualificar o pecado dos fariseus, Mateus 12.22-33.

Acredita-se que I João 5.16 também se refere a esse tipo de pecado: “Se alguém vir a seu irmão cometer pecado não para a morte, pedirá, e Deus lhe dará vida, aos que não pecam para a morte. Há pecado para morte, e por esse não digo que rogue.”

ANALISANDO O TEXTO

1. Blasfêmia (Marcos 12.29) – no grego, esta palavra significa dizer “coisas abusivas” e é usada para indicar esse tipo de declaração contra os homens (Apocalipse 2.9); contra o Diabo (Judas 9) e contra Deus (Ezequiel 32.12).

2. Palavra contra o filho do homem (Mateus 11.32) – o perigo maior não era a blasfêmia contra o nome de Cristo, pois tal pecado embora sério, pode ser perdoado.

3. Blasfemar contra o Espírito Santo (Marcos 12.29) – O texto indica que aqueles homens deveriam ter reconhecido o fato de que as obras operadas por Jesus, eram realizadas pelo Espírito Santo; mas, em seu ódio, consciente ou inconsciente preferiram atribuía-las a Satanás, resultando em um processo de rebeldia contra Deus.

4. Não tem perdão para sempre (Marcos 12.29) – Fica claro esta expressão indicando a impossibilidade do perdão tanto nesta vida, como a vida depois da morte. A interpretação verdadeira, por conseguinte é que o pecado imperdoável não pode ser perdoado durante a vida física, na terra, e nem na vida de além túmulo. O Novo Testamento Interpretado, Vol. I

Russell Normam Champlin

 

O QUE É A BLASFÊMIA CONTRA O ESPÍRITO SANTO?

Há muita confusão sobre o que é na verdade a blasfêmia contra o Espírito Santo. Isto se deve ao fato das diversas correntes de interpretação do assunto.

Uns dizem que a blasfêmia contra o Espírito santo é o cair da graça, ou seja, perder a salvação (teologia pentecostal).

Na história da Igreja Primitiva, muitos estudiosos emitiram seus pareceres neste assunto:

Irineu – era a rejeição do evangelho;

Atanásio – era a negação da divindade de Cristo, a qual foi evidenciada ao homem pela concepção do Espírito Santo;

Orígenes – era toda a quebra da lei após o batismo.

Agostinho – era a dureza do coração humano rejeitando a obra de Cristo.

Burge – era atribuir as coisas boas de Deus a um ato de Satanás;

Davis – atribuir os milagres de Cristo a influência de Satanás.

Nos textos bases, o Sr. Jesus está dizendo a seus antagonistas que atribuir a Satanás tudo que tem sido operado pelo poder do Espírito Santo, é demonstrar uma visão moral tão distorcida que já não existe mais nenhuma esperança de recuperação.

Os milagres eram claras demonstração de que o Reino de Deus (o poder e a soberania) estavam atuante no mundo. A negação deste fato não tinha origem na ignorância, mas na recusa voluntária em crer.

“Portanto a descrença é imperdoável. O único pecado que Deus não pode perdoar é a recusa do perdão. Então, o “pecado imperdoável é o estado de insensibilidade moral causada pela contínua recusa em crer no poder de Deus” (Robert H. Mounce, Novo Comentário Bíblico Contemporâneo, pag. 129).

QUANDO ACONTECE A BLASFÊMIA CONTRA O ESPÍRITO SANTO?

O que torna diferente dos outros o “pecado imperdoável” é a sua relação com o Espírito Santo.

A obra do Espírito Santo é:

1. Iluminar a mente dos pecadores, Efésios 1.17-18;

2. Revelar e ensinar o evangelho, João 14.26;

3. Persuadir as almas a arrepender-se e a crer na verdade, cf. Atos 7.51.

4. Abre a mente de modo que a Palavra de Deus possa ser entendida.

Quando a influência do Espírito Santo é deliberada e conscientemente recusada, em oposição à luz, então o pecado irreversível pode ser cometido como um ato voluntário e deliberado de malícia.

Em resposta a essa atitude, há endurecimento do coração, vindo da parte de Deus, que impede o arrependimento e a fé (Romanos 9.17; Hebreus 3.12-13). Neste caso, Deus permite que a decisão da vontade humana seja permanente.

Deus não faz isso levianamente e sem causa, mas em resposta a um ultraje cometido contra o seu amor.

Louis Berkhof afirma que: “O homem de forma voluntária, maliciosa e intencionalmente atribui o que com clareza se reconhece como obra de Deus à influencia e operação de Satanás” (Louis Berkhof, Teologia Sistemática, pag. 255).

A BLASFÊMIA CONTRA O ESPÍRITO SANTO RESULTA EM CONDENAÇÃO ETERNA

O texto que nos serve de base faz alusão aos resultados imediatos e vindouros de tal pecado. Tal pecado, disse Jesus, nunca seria perdoado, nem neste mundo nem no porvir. Quem o comete é réu de pecado eterno (Marcos 3.29; cf. Mateus 12.22-32).

Este pecado leva o homem a estado incorrigível de embotamento moral e espiritual, porque pecou voluntariamente contra a sua própria consciência.

Na linguagem de João, este pecado é para a morte, ou seja, separação final da alma e Deus (I João 5.16), que é segunda morte, reservada para aqueles cujos nomes não estão inscritos “no livro da vida” (Apocalipse 20.15; 21.8).

Para concluir este estudo é necessário algumas informações que trará tranqüilidade.

Freqüentemente pessoas sinceras expressam o temor de haverem cometido o pecado imperdoável. Lembramos que:

1. Enquanto alguém crê de todo o coração que Jesus é filho de Deus e o salvador do mundo, enquanto anela a salvação, pode estar certo de que não cometeu o pecado imperdoável.

2. “Qualquer que esteja preocupado com sua rejeição de Cristo, obviamente não cometeu este “pecado imperdoável”. Porque este pecado elimina uma consciência preocupada com qualquer tipo de pecado” (Bíblia de Estudo Scofield, pag. 964).

3. Uma pessoa que quer se arrepender, isto é, quer se desfazer dos seus pecados que tenha cometido, não sofreu o endurecimento e não cometeu o profundo ato que Deus determinou que não será perdoado.

Qualquer pessoa que nasceu de novo não cometerá esse pecado, porque o Espírito Santo que vive nele é Deus, e Deus não está dividido contra si mesmo: “Aquele que é nascido de Deus não peca habitualmente; porque a semente de Deus permanece nele, e não pode continuar no pecado, porque é nascido de Deus. I João 3.9

SEMINÁRIO SOBRE ESCATOLOGIA

escatologiaSEMINÁRIO SOBRE ESCATOLOGIA
Pr. Ézio Pereira da Silva
  

Introdução

Estamos no limiar do terceiro milênio. Nestes dias que antecedem os últimos momentos deste sistema dos reinos do mundo, muitas doutrinas e filosofias têm surgido e o esoterismo, misturado com os ensinamentos profusos da chamada Nova Era, tendem a confundir os mais desavisados e os desconhecedores da Bíblia.

É de suma importância que tenhamos um conhecimento mais aprofundado do que a Bíblia ensina a respeito dos acontecimentos mundiais mais importantes, e daquilo que está à nossa espera em breves dias futuros.

Inúmeras pessoas se filiam, a cada dia, às diversas igrejas espalhadas em todo mundo. Entretanto, sabemos, também, que um número razoável dessas pessoas se afastam em razão de interpretações errôneas e falsas das Escrituras Sagradas. Nessas oportunidades, surgem as seitas e religiões fanáticas (Exs. Jim Jones, na Guiana Inglesa e o líder espiritual David Koresh, de uma seita em Waco – Texas, EUA), marcando datas da volta de Jesus, do fim do mundo e outras heresias.

Para essa finalidade, o estudo sério e bíblico da Escatologia, é essencial para dirimir dúvidas e esclarecer muitas questões relacionadas com os eventos presentes e futuros e trazer uma compreensão de importantes temas bíblicos.

Importância do assunto

A Escatologia é um dos temas mais tratados na Bíblia. Sua importância despertava agudo interesse na igreja primitiva. Em toda a Bíblia, tanto no Antigo como no Novo Testamento, o assunto é retratado de forma relevante e intensa.

O foco central, o âmago, o coração da Escatologia é A Segunda Vinda de Cristo. Como o próprio termo denota, a Escatologia não trata de toda a história do homem, mas focaliza e direciona o estudo para os acontecimentos finais da história humana e o estado eterno.

Segundo Henry C. Thiessen, a importância do retorno de Jesus é demonstrado por cinco motivos:

  1. sua proeminência nas Escrituras – profusão de textos referindo-se ao assunto. Só no Novo Testamento encontramos mais de 300 referências à vinda de Jesus – Dn 7.13,14; Zc 14.4; Mt 24 e 25; Mc 13; Lc 21; 1 Co 15; 1 Ts; 2 Ts; Ap;
  2. é uma chave para as Escrituras. Muitos temas, ordenanças, promessas e simbolismo na Bíblia ficam plenamente claros quando compreendemos bem a doutrina do retorno de Jesus à terra – Sl 2; 22; 24; 45; At 3.19-24; Tg 5.8; Hb 10.37; Ap 1.7; 22.12,20;
  3. é a esperança da igreja – Tt 2.13 “… a bendita esperança…”;
  4. é incentivo para o cristianismo bíblico – induz a auto-purificacao; inspira vigilância e perseverança; 1 Jo 3.3; 2 Pe 3.11; Mt 24.44; Rm 13.11; 2 Ts 1.7-10;
  5. tem efeito marcante sobre nosso serviço – Há maior incentivo ao testemunho cristão de vida e verbal do evangelho. Rm 13.11-12.

Por envolver um período futuro e uma série considerável de acontecimentos, vários pontos da Escatologia são controversos. Alguns estudiosos até têm se esquivado de discutir esses temas que geram muitos debates pela dificuldade das questões. Millard J. Erickson, no entanto, diz que “quer concordemos que estas questões são importante, quer não, devemos examiná-las, pois aqueles que as discutem as consideram importantes”. “Opções Contemporâneas na Escatologia” – pg. 10.

Etimologia da Palavra

O termo Escatologia tem origem em duas palavras gregas (éschatos = “último”, e logos =”estudo”). Portanto, a tradução da palavra seria algo como: “A Doutrina (ou estudo) das Últimas Coisas”.

Premissas

1) Houve um início e haverá um fim do atual sistema mundial

2) desfecho da evangelização mundial

3) a justiça divina deve ser implantada

4) o Milênio de paz será estabelecido

5) é necessário iniciar-se o tempo eterno

6) a morte e o mal serão destruídos

7) o bem triunfará

8) o envelhecimento (murchação-deterioração das células) do ser humano cessará

9) o Reino eterno de Jesus será estabelecido

10) o pecado e suas conseqüências terão fim

Esboço Simplificado

A Escatologia pode ser dividida em cinco grandes blocos:

  1. fim do mundo;
  2. a segunda vinda de Cristo;
  3. a ressurreição dos mortos;
  4. juízo final;
  5. a criação dos novos céus e da nova terra.

Esses cinco blocos envolvem, principalmente, os seguintes tópicos, com relação aos indivíduos e ao mundo, contemplando aspectos redentivos, de julgamentos e uma intervenção pessoal de Deus no mundo humano e físico:

a) acontecimentos importantes na história mundial;

b) o testemunho da igreja a todas as nações – Mt 24;

c) Israel: história, rejeição e salvação do remanescente

d) as duas ressurreições

e) os julgamentos intermediário e final

f) a Parousia de Jesus Cristo

g) o milênio de paz

h) o arrebatamento da igreja

i) a transformação dos salvos

j) morte física e eterna

Aspectos Históricos

Vários aspectos da doutrina cristã têm sido tratados no decorrer dos séculos passados. Desde o estabelecimento da igreja, no século I da Era Cristã, os grandes temas têm recebido atenção e desenvolvidos em períodos diferentes da história da igreja, conforme abaixo:

  • século II – a igreja lidava especialmente com a Apologética e os fundamentos do Cristianismo;
  • séculos III e IV – com a Doutrina de Deus;
  • século V (início) – o homem e o pecado;
  • séculos V até o VII – com a pessoa de Cristo;
  • séculos XI até XVI – com a Expiação;
  • século XVI – aplicação da redenção (fé, justificação, etc);
  • século XIX – na metade deste século a Escatologia foi estudada precariamente. Vários erros foram introduzidos na igreja. Houve frustrações das expectativas, até então cridas, quando livros da Bíblia foram desconsiderados, inclusive o Apocalipse. Alguns teólogos chegaram ao absurdo de questionarem a autoridade de Jesus com relação aos eventos futuros, julgando-o, até mesmo, que havia se equivocado, e decidiram que, as predições bíblicas sobre o futuro do mundo eram meras invenções da igreja primitiva;
  • século XX – bem no início deste século, entretanto, Albert Schweitzer fez uma revolução com o seu livro A Questão do Jesus Histórico, no qual demonstrou que a erudição crítica estava errada, e que a Escatologia devia ocupar posição central, e não periférica, nos ensinos de Jesus. Nos últimos tempos o assunto tem sido discutido até no governo da maior potência mundial, os EUA, inclusive, em debates presidenciais e televisionado para todos os países do mundo (ex. Reagan). Russell N. Champlin acha que o mundo tem de conhecer o tema e debatê-lo antes que os eventos finais sejam desencadeados em todo mundo (conforme veremos nas últimas lições). Por isso é que surgem místicos, dizendo as maiores heresias, das quais precisamos nos precaver para não sermos ludibriados por nenhuma delas.

A Escatologia no Antigo Testamento

Praticamente, quase todas as passagens do Antigo Testamento sobre a Escatologia está relacionada com a pessoa do Messias (Jesus Cristo) como Profeta, Sacerdote e Rei, em conexão com os diversos eventos.

As profecias referentes a Jesus e a tudo que ele realizaria, em boa parte, foram preditos na sua totalidade, sem fazer clara distinção entre os fatos referentes ao primeiro e segundo advento, por estarem intimamente ligados, parecendo, às vezes, tratar-se de apenas um, o que só se tornou mais compreensível mais tarde, com a concretização de alguns acontecimentos – Sl 2; Is 7.14;9.1-6; 53; Jl 3.9-17; Jó 19.25,26.

Esta foi uma das por que os judeus rejeitaram Jesus. Eles esperavam um Messias político, um rei que livrasse Israel do domínio do império romano pela força e estabelecesse um reino de paz. Quando se depararam com Jesus e seus ensinamentos de amor, ficaram decepcionados e o rejeitaram como o Messias.

As expressões: “tempo do fim” (Dn 11.1-4), “naquele dia” (Is 24.21; 25.9; 27.1), “últimos dias” (Is 2.2; Os 3.5), “dia do Senhor” (Jl 2.28-32; Am 5.18-20; Ml 4.5), “dia da sua vinda” (Ml 3.1,2), são expressões escatológicas para indicar o tempo da segunda vinda de Cristo, com todos os eventos a ela relacionados.

No capítulo 9.24 do livro de Daniel, temos o resumo de alguns acontecimentos escatológicos relacionados com a nação de Israel e à cidade de Jerusalém, dentro da profecia das Setenta Semanas, reveladas a Daniel. São eles:

a) cessar a transgressão;

b) dar fim aos pecados;

c) expiar a iniquidade;

d) trazer a justiça eterna;

e) selar a visão e a profecia;

f) ungir o santo dos santos.

Charles Caldwell Ryrie faz, segundo seu entendimento, um esboço interessante do significado de cada um desses acontecimentos profetizados pelo anjo Gabriel ao profeta Daniel. Mesmo que não haja concordância com toda a interpretação de Ryrie, pelo menos merecem ser cuidadosamente estudados pela importância daqueles eventos.

  1. cessar a transgressão – pôr fim à apostasia dos judeus;
  2. dar fim aos pecados – expiar os pecados ou selar os pecados, no sentido de julgá-los de modo definitivo;
  3. expiar a iniquidade – uma referência à morte de Cristo na cruz, que é uma base para o futuro perdão de Israel;
  4. trazer a justiça eterna – no reino milenar do Messias;
  5. selar a visão e a profecia – colocar o selo divino de confirmação em todas as profecias concernentes ao povo judeu e Jerusalém;
  6. ungir o santo dos santos – consagração do Santo dos Santos no templo, no Milênio.

Desde que tornou-se nação até o tempo dos Macabeus no relato histórico do período intertestamental, Israel inúmeras vezes se viu dominado por outros reinos que o subjugavam. Por isso, então, a idéia e esperança sempre viva na mente dos judeus era a do estabelecimento de um reino definitivo e a libertação do domínio romano.

A Escatologia no Novo Testamento

Mencionamos um pouco atrás, na segunda lição, a posição de alguns intérpretes, que chegaram até a dizer que Jesus teria se enganado a respeito de alguns fatos e acontecimentos aos quais teria se referido.

 

Escatologia Consistente, ou Radical

Pois bem, no meio de toda uma discussão da Escatologia e a vinda do Reino de Deus, se esse Reino seria literal ou não, onde prevalecia a posição de que o Reino de Deus não era literal na sua natureza mas ético, foi que surgiu Schweitzer com um posicionamento, iniciado por Johannes Weiss, de que o Reino do qual Jesus falou não era ético mas escatológico, isto é, que viria no fim, seria apocalíptico.

Com isso, ele então afunilou o ensino de todo o Novo Testamento para uma visão totalmente futurística. Na sua concepção, a chegada do Reino de Deus seria um clímax dramático, com distúrbios cósmicos, refutando, assim, os conceitos anteriores e não-escatológicos dos teólogos liberais, tendo esta sua posição sido chamada de Escatologia Consistente, ou Radical.

Para melhor compreensão, cabe dizer neste ponto que a Escatologia no sentido mais amplo e com tudo que a envolve, trata da implantação dos Reino de Deus aqui na terra, a começar dos corações humanos, e envolve uma série enorme de ações e acontecimentos previstos para ocorrerem na terra, o sobrenatural, vindo dos céus, entrando no natural e se estabelecendo no planeta.

Na verdade, o Reino de Deus deveria vir a ser estabelecido na terra com todas as características (já que é de Deus e de caráter justo) próprias de sua implantação: é claro, para os inimigos do Reino, o desfazimento do mal e seus agentes, com a aplicação da justiça e do juízo; mas, para os que o buscam e anseiam por ele, o estabelecimento da paz tão almejada e todas os benefícios que ela traz. Por que isso? É a destruição do reino atual, perverso, mal e corrupto, que é o de Satanás, e a implantação do justo e perfeito Reino de Deus.

Por isso, é que F. F. Bruce afirma que a pregação de Jesus, resumida em Mc 1.15 (“O tempo está cumprido e o Reino de Deus está próximo; arrependei e crede no evangelho”), declara o cumprimento da visão de Daniel: “E veio o tempo em que os santos possuíram o Reino” (Dn 7.22).

Diz Bruce que, em certo sentido, o Reino já estava presente no ministério de Jesus: “se, porém, eu expulso os demônios pelo dedo de Deus, certamente é chegado o Reino de Deus sobre vós” (Lc 11.20; cf Mt 12.28). Mas, em outro sentido, o Reino ainda estava no futuro. Jesus ensinou seus discípulos a orar: “Venha o teu Reino” (Lc 11.2).

Escatologia Realizada

Logo após Schweitzer, veio C. H. Dodd com o que ele chamou de Escatologia Realizada, afirmando que o Reino de Deus não seria escatológico futurístico mas que já havia chegado com a primeira vinda de Jesus, ao contrário da posição de Schweitzer. Ou seja, na época do ministério de Jesus na terra foram cumpridas todas as promessas sobre o fim.

Hoje, sabemos que essas posições não expressam toda a verdade, mas parte dela. Os judeus, na época de Jesus, tinham uma compreensão mais ou menos nessa linha de raciocínio (Lc 19.11). Erickson diz que, segundo Dodd, o conceito do dia do Senhor foi transferido a um evento histórico específico já ocorrido ou a uma série de eventos – o ministério, a morte e a ressurreição de Jesus. Ou seja, a escatologia foi cumprida, ou “realizada”. Esse entendimento de Dodd é falho, visto ser incompleto e desconsiderar todo o quadro futuro.

O Reino de Deus, na verdade, já começou a ser implantado entre os homens, como disse Jesus (Mt. 11.12; 12.28; 13.24,31,33; Mc 10.15; Lc 17.20,21), mas esse enfoque é apenas sob um ponto de vista porque, como parte da Escatologia, era tão somente o início da implantação do Reino de Deus entre os homens, o qual deveria começar dentro de cada pessoa, de maneira individual, para mais tarde ser implantado de forma literal e visível no meio de todos os homens, na terra (Mt. 6.10; 7.21; 8.11; 13.43; 16.28; 25.31-34; Mc 14.25; Lc 13.23, 27-29; 22.16,18,30,42).

Escatologia Inaugurada

George E. Ladd chama a percepção distinta de textos, como os acima, de Escatologia Inaugurada, que guardam coerência com as palavras e ensinos de Jesus e com todo o Novo Testamento. O período da encarnação de Cristo, sua vida, paixão, exaltação, o derramamento do Espírito Santo e o chamado dos gentios para se integrarem ao Novo Israel (o povo de Deus) e o cumprimento das predições proféticas a respeito do fim é, de fato, a Escatologia Bíblica.

O resumo de tudo é que, o “tempo do fim”, “os últimos dias” começou com a encarnação de Jesus e vai até o início do estado eterno futuro, e disso falaram todos os profetas. De acordo com Shedd, o Reino de Deus veio na pessoa de Jesus Cristo e seu ministério, de forma legítima, mas não na sua totalidade.

Concluímos finalmente que a questão do estabelecimento do Reino de Deus na terra, no qual existe uma tensão até que tudo se cumpra, é o que alguns chamam de “já”, mas “ainda não” da esperança cristã, isto é, iniciou-se a sua implantação mas ainda não de forma completa.

Tudo que estudaremos a seguir é a exegese, a interpretação pormenorizada desse tema maior que é a Escatologia.

Correntes Teológicas de Interpretação:

  1. CONCEITOS MILENISTAS – Estudos acerca do Milênio bíblico:
  1. Pós-milenismo – essa linha de raciocínio não especifica uma data para o início do Milênio. Tem a concepção de algo parecido com um milênio já inaugurado e a chegada do Reino de Deus de forma gradual, lentamente;
  1. Amilenismo – essa outra corrente nega um milênio terrestre propriamente dito, em que Cristo reinará;
  2. Pré-milenismo – aquele que crê em um reino literal de Cristo na face da terra por um período de mil anos, que se iniciará com a sua vinda, inaugurando-o. Ele se entende também como o ponto de vista que situa o arrebatamento e a vinda de Cristo antecedendo o Milênio.
  1. CONCEITOS TRIBULACIONAIS – Estudos sobre a natureza, duração e época da grande tribulação:
  2. Pré-tribulacionismo – o que defende o arrebatamento da igreja para antes da Grande tribulação, colocando-a fora de cena no período tribulacional;
  3. Pós-tribulacionismo – o que mostra a igreja passando necessariamente pela Grande Tribulação e Jesus livrando-a quando de sua vinda para inaugurar o Milênio e o seu Reino eterno;
  4. Intermediários – vários pontos de vista, como abaixo:
  • Mid-tribulacionismo – o que diz que Cristo virá no meio da Grande Tribulação;
  • Arrebatamento parcial – o que afirma que Cristo arrebatará partes da igreja isoladamente, isto é, em grupos;

Pós-tribulacionismo iminente – o que diz que Cristo virá após a Grande Tribulação, porém, nossa espera é iminente.

 

A PAROUSIA ou SEGUNDA VINDA DE JESUS (O Retorno de Cristo)

Na língua grega, temos três termos técnicos para indicar a vinda de Jesus: Apocalipse, Epifania e Parousia sendo que, destes três, o mais freqüentemente utilizado é Parousia.

Apocalipse: o significado literal dessa palavra é “revelação”, como em “a revelação de nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Co 1.7). “Revelação de Jesus Cristo” (Ap 1.1). De acordo com 2 Ts 1.6-7 e 1 Pe 4.13, essa revelação parece ser um tempo de alívio das grandes provações que produzirá alegria e regozijo nos salvos.

Epifania: este termo significa “manifestação”. Expressa a vinda de Cristo no fim da tribulação e envolve o julgamento do mundo e do Anticristo. A esperança dos crentes é colocada nessa manifestação, quando esperam a recompensa e sem recebidos por Cristo (1 Tm 6.14; 2 Tm 4.8).

Parousia: é um termo grego que significa “Presença”, “Aparecimento”, “Advento”, “Chegada”. É a “vinda” de alguém, a fim de “estar presente”. Mt 24.3,27,37,39; 1 Co 15.23, 16.17; 2 Co 7.6-7; 10.10; Fp 1.26; 2.12; 1 Ts 2.19; 3.13; 4.15; 5.23; 2 Ts 2.1,8-9; Tg 5.7-8; 2 Pe 1.16; 3.4,12; 1 Jo 2.28.

A Natureza da Parousia

H. C. Thiessen diz que no Novo Testamento temos o testemunho de Jesus, dos “varões vestidos de branco” e dos apóstolos. Jesus declarou que voltaria pessoalmente (Jo 14.3; 21.20-23), inesperadamente (Mt 24.32-51; 25.1-13; Mc 13.33-36), repentinamente (Mt 24.25-28), na glória de seu Pai e seus anjos (Mt 16.27 19.28; 25.31-46), e triunfantemente (Lc 19.11-27). Os “varões de branco” testificaram quando da ascensão de Cristo de que ele viria em pessoa, corporal e visivelmente, e repentinamente (At 1.11).

O testemunho dos apóstolos é bastante intenso. Citaremos apenas parte dele. Pedro testifica que ele virá em pessoa (At 3.19-21; 2 Pe 3.3,4), e inesperadamente (2 Pe 3.8-10). Paulo testifica que ele virá em pessoa (1 Ts 4.16,17; Fp 3.10,21) e repentinamente (1 Co 15.51,52), em glória e acompanhado pelos anjos (Tt 2.13; 2 Ts 1.7-10). A epístola aos Hebreus testifica que ele virá pessoalmente (9.28) e com presteza (10.37). Tiago testifica que ele virá em pessoa (5.7,8). João testifica que ele virá em pessoa (1 Jo 2.28; 3.2,3), repentinamente (Ap 22.12), e publicamente (Ap 1.7). E Judas cita Enoque para demonstrar que ele virá publicamente (v. 14,15).

Alguns entendem a vinda do Senhor como sendo: a vinda do Espírito Santo no Pentecostes, a conversão da alma, a destruição de Jerusalém, a morte física, a conversão do mundo, a ressurreição de Jesus, etc. Tais posições são errôneas. A vinda de Jesus é literal e inconfundível. Ap 1.7 diz que “todo olho O verá”.

O Propósito da Parousia

A vida do crente não teria nenhum significado do ponto de vista de sua esperança, se não fosse a promessa e a espera certa e confiante na vinda de Cristo. Por que este assunto é tão enfatizado? Haveria motivos para a tão grande ênfase que o próprio Senhor dá a este assunto e como os apóstolos o trataram? Atentemos para alguns motivos que destacamos como sendo reveladores desse intenso tratamento.

  • Trazer a justiça eterna. Dn 9.24; diferença entre justos e injustos. Ml 3.18;
  • Vingar dos que não se importaram de conhecer a Deus. 2 Ts 1.8; Rm 1.21;
  • Estabelecer, no sentido mais pleno, o Reino de Deus. 1 Co 15.24-28; Fp 2.10-11.
  • Destruir a morte que está sobre todos os homens. Hb 2.14; 1 Co 15.26;
  • Dar posse no Reino de Deus a todos os salvos. Mt 25.34.

A GRANDE TRIBULAÇÃO

“Porque nesse tempo haverá grande tribulação, como desde o princípio do mundo até agora não tem havido, e nem haverá jamais” (Mt 24.12).

Com essas palavras, Jesus esclarece os discípulos e enfatiza o tempo em que será intensificada a tribulação já sofrida pela igreja durante toda sua história, mencionando vários acontecimentos que estão ocorrendo nos últimos séculos tais como, guerras, rumores de guerra, fomes, perseguições e terremotos, revelados como sinais indicativos do período que ele chamou de “o princípio das dores”. Com isso em mente, não podemos nos esquecer que estamos vivendo no “tempo do fim”, um período claramente pré-tribulação.

Duração e Natureza da Grande Tribulação

W. H. Baker diz, com muita propriedade, que a Grande tribulação é um período de aflição sem precedentes, de alcance mundial, que introduzirá a Parousia, a volta de Cristo à terra em grande glória. (Paralelos: Mc 13.19; Lc 21.23; Ap 3.10). Acrescento, ainda, que afetará até mesmo os poderes dos céus com eventos catastróficos. No Antigo Testamento é o “tempo de angústia para Jacó” (Jr 30.5-7; ver Dn 12.1).

Há quem atribua uma duração de quarenta (40) anos para esse período, com base em que este número sempre simbolizou provação: o dilúvio; os dois jejuns de Moisés; desafio de Golias a Israel; anúncio de Jonas a Nínive e a tentação de Jesus. Outros, como os pré-tribulacionistas, pensam que a tribulação durará sete (7) anos. De fato, tomando como referência a profecia das setenta semanas de Daniel 9.24-27, resta, ainda, uma semana profética (7 anos) para completar os acontecimentos descritos pelo profeta Daniel.

O Anticristo

“O anticristo, com olhar vazio, tão sem misericórdia quanto o sol, já nasceu, o necessário precursor da Segunda Vinda”. (Champlin)

A personagem principal desse tempo será, de fato, o Anticristo, comumente conhecido como A Besta do Apocalipse. Esse personagem, que será a própria personificação do mal, foi descrito pelo apóstolo Paulo como o Homem da Iniquidade, o Filho da Perdição, o Iníquo, o opositor de Deus, o qual o Senhor Jesus matará pelo assopro de sua boca e o aniquilará pelo esplendor de sua vinda (2 Ts 2.3-10).

Eu penso que essa última semana profética começará quando o Homem da Iniquidade (o Anticristo) iniciará ser reinado trazendo soluções fantásticas para os problemas políticos, econômicos e religiosos e, pouco a pouco, ganhando a simpatia do mundo e dos poderosos, adquirindo autoridade e poder, implantará o seu domínio, a ponto de exclamarem: “…quem é semelhante à besta?” (Ap 13.1-8). Já faz algum tempo que as nações poderosas do mundo buscam um líder mundial, que traga soluções para os seus graves problemas. Daniel 9.25-27, fala que o Anticristo (“…um príncipe que há de vir…ele…”) fará firme aliança com muitos (provavelmente líderes da nação de Israel) por uma semana, mas na metade da semana fará cessar o sacrifício.

Com a quebra desse pacto na metade da semana, tirará sua máscara e estabelecerá o domínio de terror e perseguição, tanto de Israel quanto da igreja, no restante da semana, e que o sofrimento da igreja, causado pela perseguição satânica, durará um tempo definido de três (3) anos e meio ou quarenta e dois meses, ou um tempo, tempos e metade de um tempo ou 1.260 dias, com essas expressões significando o mesmo lapso de tempo que será, no meu entender, a Grande Tribulação propriamente dita ou o período mais intenso dela.

O período da Grande Tribulação terá como personagem principal o Anticristo e será um dos tempos mais terríveis da história do homem. Cenas indescritíveis na linguagem humana se desenrolarão em todo o planeta. Aquele será o tempo em que Satanás, na pessoa do Anticristo, agirá com maior liberdade e grande ferocidade contra o povo de Deus e tomará as rédeas políticas, religiosas e econômicas, com as quais deverá comandar uma espécie de Império Romano que, provavelmente, ressurgirá naqueles dias, composto de dez nações confederadas (Dn 7.7, 23-26; Ap 17.8-18. Besta de Ap 13 e 19; o Homem da iniquidade de 2 Ts 2).

Naquele tempo, a crueldade de Satanás somente não exterminará a igreja pela intervenção divina e pelo testemunho que ela terá de dar. Foi dado a ele, entronizado na besta, fazer guerra contra os santos e vencê-los (Dn 7.21e Ap 13.7). As duas testemunhas serão martirizadas (Ap 11.3-14). Será um tempo de martírio dos fiéis, até onde for permitido pelo Senhor, justificando plenamente o julgamento de Deus e a ira divina sobre o reino das trevas. Jesus disse que, se o tempo não fosse abreviado nenhuma carne se salvaria, tão grande e apertado será aquele tempo.

Nessa época, quando o Anticristo detiver todo o poder mundial nas suas mãos, deverá controlar todo o sistema mundial do comércio e comunicações. Ninguém poderá comprar ou vender sem a sua marca, nome ou número do seu nome – através do computador?

Após essa tribulação sofrida pela igreja, Jesus, vindo em defesa dos seus escolhidos, descerá dos céus com grande poder e glória (a Parousia, de que falamos), colocando fim na Grande Tribulação, executará o seu juízo na terra, com todos fatos dele decorrentes, tais como os descritos em Zacarias (4.1-7, 12-15, 2 Pe 3.7, 10-13; Ap 19.11-21). Esse dia apanhará muitos de surpresa, porquanto, os ímpios inimigos de Deus se acharão seguros e donos da situação, supondo terem dominado a igreja, quando lhes sobrevirá repentina destruição à qual não haverão de escapar (1 Ts 5.3), de forma semelhante aos dias de Noé, anteriores ao dilúvio (Mt 24.37-39).

 

Armagedom e Gogue e Magogue

Os acontecimentos, mencionados nessas passagens, que terão lugar naquele tempo, são inenarráveis. Porquanto, serão derramados sobre a terra os ais e as pragas e todos os acontecimentos previstos no livro de Apocalipse, descritos nas narrativas dos seis primeiros selos, das sete trombetas, das sete taças da ira de Deus. Jesus se referiu a essa ocasião como um tempo de catástrofes mundiais, tumultos de toda ordem, sinais nos céus, no sol, nos oceanos, na lua e nas estrelas, grandes terremotos e o abalo as potências dos céus.

A nação de Israel será invadida por Gogue, que alguns estudiosos acham que pode ser a Rússia, nessa época se dará a grande Batalha do Armagedom (Ar Megido) (Ap 16.16; 19.17-21), com a destruição dos exércitos dos inimigos de Israel e do povo de Deus, que o profeta Ezequiel (38.2-39.20) e o apóstolo João (Ap 20.8) chamaram de Gogue e Magogue, nos montes da Palestina.

A Conversão de Israel

Depois do rompimento da aliança com o Anticristo, Israel reconhecerá o Jesus, a quem rejeitaram, como o seu esperado Messias (Zc 12.10,11). Então se cumprirá a palavra de Jesus a respeito de sua aceitação por parte dos filhos de Israel (Mt 23.37-39). De Sião virá o libertador (Rm 11.26) Jesus, e .

Com a conversão de Israel (Ez 39.21-29), entendo que os israelitas, juntamente com a igreja, desencadearão um testemunho poderoso e eficaz, empreendendo uma ação missionária, provavelmente nunca havida até aquele tempo.

As Ações na Grande Tribulação

Os principais fatos, que ocorrerão na Grande Tribulação, podem ser assim resumidos:

  1. domínio e revelação de Satanás, através da Besta e do falso profeta;
  2. a grande apostasia (rebelião) contra Deus e Jesus;
  3. ira da Besta e perseguição contra Israel e os cristãos que testemunharão enfrentando a própria morte (Ap 12.11);
  4. juízos de Deus contra a Besta, o falso profeta e os ímpios (nações). Influência na atmosfera: escurecimento do sol e lua, queda das estrelas, estrepitoso estrondo, grande cataclisma no globo terrestre (2 Pe 3.7-13).

AS RESSURREIÇÕES E O ARREBATAMENTO

Esses dois acontecimentos terão lugar quando Jesus descer dos céus para colocar fim à Grande Tribulação e estabelecer seu Reino na terra. Além das referências no Antigo Testamento, acham-se registrados, no Novo, em quatro textos principais, destacados, a seguir: Mt 24.31;1 Co 15.1-55; 1 Ts 4.13-18; Ap 20.4-6.

As Ressurreições

Exemplos de ressurreições na Bíblia:

Antigo Testamento > O filho da viúva de Sarepta (1 Re 17.17-24); O filho da Sunamita (2 Re 4.18-37); um morto tocado pelo corpo de Eliseu (2 Re 13.20-21).

Novo Testamento > O filho da viúva de Naim (Lc 7.12-15); a filha de Jairo (Mt 9.23-25); Lázaro (Jo 11.1-44); mortos no dia da morte/ressurreição de Jesus (Mt 27.51-53); Dorcas (At 9.36-41); Êutico (At 20.9,10) e a de Jesus (Mt 28.1-10; Mc 16; Lc 24; Jo 20), diferente e mais poderosa que as demais (Ef 1.18-20).

Primeira ressurreição:

A primeira ressurreição compreende duas fases e uma ordem: a de Jesus, como as primícias (1 Co 15.20-24); a de todos os salvos, mortos em Cristo, tanto os do Antigo Testamento, como os de toda a história da igreja e os que forem mortos durante da Grande Tribulação. Ela é chamada de ressurreição dos justos (Lc 14.14).

Com exceção da de Jesus, que já aconteceu, a primeira ressurreição ocorrerá no momento exato da Parousia (vinda) de Cristo, antes do Milênio de paz (por isso, pré-milenista) Mt 24.29-31; Jo 5,28; Ap 20.4-6.

O caráter da ressurreição: não será simbólica nem espiritual, como alguns afirmam mas, literal e física, ou corpórea. Is 60.8; Dn 12.2; 1 Co 15.; 1 Ts 4.13-18. Ela será uma ressurreição “dentre (ek) os mortos”.

Segunda ressurreição:

Essa é denominada de ressurreição do juízo e envolve os ímpios perdidos de todos os séculos. A sua ocasião será após o período de mil anos de paz na terra, o milênio. Dn 12.2; Ap 20.5,11-13.

O Arrebatamento

Alguns exemplos na Bíblia: Enoque (Gn 5.24); Elias (2 Re 2.11); Filipe (At 8.39-40), além de outros.

A palavra “Arrebatamento” não se encontra na Bíblia. A idéia e a certeza desse evento futuro, sim!

O texto principal encontra-se em 1 Ts 4.13-18. Na verdade, esse acontecimento se confunde muito com o evento da ressurreição, porque os fatos são intimamente ligados entre si.

Com efeito, o termo “ressurreição” significa “surgir novamente”; ressurreição é o fato de alguém, ou algo, voltar à vida que já havia sido perdida; o arrebatamento é a ação de algo ou alguém ser transportado de um lugar para outro. Esses dois acontecimento se misturam porque ocorrerão simultaneamente. Até mesmo porque, transformados em corpos incorruptíveis e arrebatados até às nuvens, ao encontro do Senhor nos ares, serão todos os salvos (1 Co 15.51; 1 Ts 4.17) mas, ressuscitados serão apenas “os que já dormem”.

Muitos cristãos, com base nos ensinamentos pré-tribulacionistas, estão aguardando o arrebatamento como o primeiro acontecimento a ter lugar na história a qualquer momento. No entanto, segundo ensina a Bíblia (Mt 24.29-31 e 2 Ts 2.1-3), o que precisamos esperar com vigilância, perseverantes e firmes na fé, como os próximos eventos a ocorrerem em todo o mundo, são: o aparecimento do anticristo e a Grande Tribulação. O arrebatamento será um evento literal, visível, de dimensões mundiais, catastrófico e, juntamente com o retorno de Jesus e todos os fatos que o acompanharão, marcará o fim desta era tenebrosa (2 Pe 3.10-13).

 

O MILÊNIO DE PAZ E O ESTADO ETERNO

Definição do Milênio

Alguns estudiosos não vêem na Bíblia um milênio (mil anos) literal na terra depois da volta de Jesus. De fato, as Escrituras são escassas com respeito ao tempo de duração desse período. Apesar disso, no curto trecho de Apocalipse 20.1-7 vemos os mil anos sendo mencionados nada menos que 6 (seis) vezes. Entendo que essa quantidade de referências é suficiente como base para a doutrina. A própria didática mostra que a repetição é uma das técnicas utilizadas no ensino. Além disso, um número enorme de textos se identificam com esse período. Eis alguns deles: Is 2.4; 4.2-6; 11.1-10; 65.20; Jl 2.21-27: 3.8-20; Mq 4.1-4; 5.7-8; Zc 14.9; 16-21.

O Caráter do Milênio

Esse período terá um governo teocrático (de Deus) na terra; será caracterizado pela prosperidade, paz, eqüidade, justiça e glória (Is 11.2-5) e sua sede é a Nova Jerusalém que descerá dos céus (Ap 21.1-22.15) e, segundo entendo, se estabelecerá no local da atual Jerusalém, em Israel, na Palestina (Zc 12.6, 8-10).

O Contexto do Milênio

A sucessão de acontecimentos, tão cronológico quanto possível, por ocasião da implantação literal do Reino de Deus aqui na terra, podem ser considerados em três fases: antes, durante e depois do Milênio.

Antes >> acontecimentos finais da Grande Tribulação com todos os seus desdobramentos; invasão de Israel por Gogue; ressurreição e arrebatamento dos mortos em Cristo; transformação e arrebatamento dos salvos vivos; a grande batalha do Armagedom; Juízo intermediário e morte dos ímpios; escurecimento do sol, lua e estrelas caindo; destruição do reino da Besta (o Anticristo); Aprisionamento de Satanás e dos todos os demônios; lançamento da Besta e do falso profeta no lago de fogo; purificação e transformação do globo terrestre – vales aterrados e montes nivelados; a Nova Jerusalém desce dos céus; alguns preservados do juízo entram no Milênio;

Durante >> Governo de paz na terra, os fiéis reinam com Cristo na Nova Jerusalém; Satanás e os demônios presos; afastamento do mal da terra, resultando na redução de pecados, afastamento de enfermidades e males; prolongamento da vida; mansidão dos animais; banimento das trevas; Bodas do Cordeiro; dádivas trazidas à Nova Jerusalém;

Depois >> no fim do Milênio, soltura de Satanás por breve período de tempo, que sairá a enganar as nações; revolta das nações contra o Reino de Jesus e a Nova Jerusalém; manifestação da ira de Deus sobre os homens na terra; lançamento de Satanás no lago de fogo eternamente; destruição do pecado e da morte; segunda ressurreição dos restantes dos mortos para o juízo final; entrada no estado eterno; novos céus e nova terra.

O Estado Eterno

Este estado de eterna glória, em que Deus já terá enxugado as lágrimas de todos os salvos, jamais findará. Jesus Cristo entregará o Reino ao Pai. Haverá um novo céu e uma nova terra onde habitará a justiça. Não haverá mais tristeza, nem ódio nem dor, nem lembranças amargas do passado. Não haverá mais noite e o tempo cronológico provavelmente deixará de existir. Todos os salvos de todas as épocas se reconhecerão e estarão juntos eternamente. O puro e perfeito amor será desfrutado na sua inteireza. Acredito que não haverá mais a possibilidade de pecar. Os salvos serão unidos ao Senhor de maneira perfeita, física (corpo ressurreto e incorruptível) e espiritualmente, nas suas frontes estará gravado o Seu nome.

IMPLICAÇÕES DA ESCATOLOGIA NA OBRA MISSIONÁRIA

No eterno propósito de Deus, os relatos da Bíblia com respeito aos acontecimentos nestes últimos tempos do fim, como não poderia deixar de ser, estão intimamente relacionados com a salvação do ser humano.

O Problema da Interpretação

Segundo aquilo que cremos ou entendemos da Escatologia (segunda vinda de Jesus, existência ou não do milênio, tempo da grande tribulação, perdição dos ímpios, ressurreição dos mortos, vida eterna e castigo eterno, julgamento, arrebatamento, restauração de Israel, etc), é que agiremos com relação a tarefa missionária da evangelização do mundo, ordenada por Jesus, de maneira enfática antes de sua ascensão Mt 28.18-20.

O entendimento da possibilidade de não existir um milênio literal na terra, embute a idéia errônea da conversão gradual de todas as nações, e leva os cristãos à estagnação, desobediência, desmotivação e descompromisso com a tarefa de evangelizar o mundo pois, essa forma, não vê a necessidade das missões, visto que é esperada a conversão em escala mundial, invalidando, assim, a Palavra de Deus. Essa visão torna a igreja apenas expectadora dos acontecimentos, em que tudo ocorreria automaticamente, à parte da atuação da igreja.

A crença em um arrebatamento iminente (a qualquer momento) e secreto antes da Grande Tribulação, a fim de retirar a igreja da terra antes que ela ocorra, dá margem ao que Champlin chamou de “a igreja da fé fácil”, ou seja, aquela que não pode sofrer os efeitos da perseguição. Isso resulta numa igreja desinteressada, fraca e sem poder para testemunhar, em meio aos sofrimentos impostos pela oposição ao evangelho de Jesus.

A Esperança

Com relação a Escatologia, temos duas importantíssimas instruções de Jesus a serem por nós observadas, de grande relevância na nossa esperança cristã e padrão de vida.

A primeira é a esperança. É a necessidade de conhecermos o assunto de forma mais aprofundada, de termos consciência da certeza irrefutável da vinda de Jesus e da implantação do Reino de Deus aqui na terra, com todos os seus desdobramentos, e esperarmos o cumprimento dessas promessas, mostradas através dos textos de Mt 24.3-13, 21-22, 29-35, 42-44 e Lc 21.20-28, 34-36. O resumo da promessa é que Ele virá (Ap 22.7,20) e que venceremos com Ele (Ap 12.11; 17.14).

O Compromisso

A segunda, é acerca do nosso compromisso e preocupação com o anúncio do evangelho e não com especulações. O que precisamos Jesus já nos informou na sua Palavra Mt 24.14, 36-39; 25.14-30; Lc 21.6-8, 12-18, 24.46-49; At 1.6-8. O Dr. Russell Shedd diz que a Escatologia não tem a missão principal de responder às perguntas suscitadas pela nossa curiosidade, mas sim de incentivar nossa responsabilidade (Ap 22.7). Quando os discípulos quiseram saber pormenores acerca da Vinda (sobre dia e hora), Jesus concentrou sua atenção sobre a evangelização mundial (At 1.6-8).

De fato, assim como agora nos cabe a tarefa da evangelização, viveremos eternamente para o servir (Ap 22.3), enquanto com Ele reinamos. Por isso, aguardemos os acontecimentos de forma correta, anunciando o evangelho do Reino, conforme ensinou em uma de suas parábolas: “Negociai até que eu volte ” (Lc 19.13).

Ézio Pereira da Silva é pastor colaborador do eucreio.com,
Professor de Teologia e autor dos livros
“A Segunda Vinda” e “Dignos de Honra”

Bibliografia sugerida: - Opções Contemporâneas na Escatologia – Millard Erickson
- A Escatologia do Novo Testamento – Russell Shedd
- A Segunda Vinda – Ézio Pereira da Silva
- Palestras em Teologia Sistemática – H. Thiessen
- Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia, Volume 2 – N. R. Champlin

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Ecumenismo – Devo participar disso?

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Devo participar disso?

Missionário Calvin Gardner

O Ecumenismo pode parecer um acontecimento de outra parte do mundo e com o qual ninguém, no Brasil, deve preocupar-se. Algo com tal nome não deve referir-se ao brasileiro, é um pensamento de muitos. Mas a verdade é que ecumenismo é uma realidade no país, há um bom tempo, e está crescendo a cada dia e influenciando as igrejas. Convém saber o que é esse ensinamento e como nos defender dele.

O que Significa a Palavra ‘Ecumenismo’?

Podemos, primeiramente, entender uma crença se olharmos o que significa a palavra que é usada para descrever tal crença. Se entendemos bem o significado da palavra, podemos formar uma melhor opinião diante dela. Em português, no Dicionário Aurélio Eletrônico a palavra “Ecumenismo” vem da palavra ecúmeno do grego ‘oikoumêne’, que significa ‘habitada (a Terra)’, com mudança de gênero. Essa base da palavra significa: 1. A área habitável ou habitada da Terra. 2. O universal, o geral. Dessa primeira palavra se originou a palavra ‘ecumenismo’. A definição da palavra ‘Ecumenismo’ é: 1. Nos primórdios do cristianismo, todos os povos a quem se deveria dirigir a pregação do Evangelho. 2. Religião; Movimento surgido nas igrejas protestantes e, posteriormente na Igreja Católica, originado da crença de terem uma identidade substancial a doutrina e a mensagem de Cristo. A pessoa que pratica o ecumenismo é um ecumênico. Um ecumênico, pelo dicionário, é: 1. Relativo a toda a Terra habitada; universal. 2. Relativo ao ecumenismo. 3. Diz-se do crente que manifesta disposição à convivência e diálogo com outras confissões religiosas (Dicionário Aurélio Eletrônico, itálicos são meus).

Examinando o significado da palavra ‘ecumenismo’, em primeira instância, ela parece inócua ou inofensiva. A palavra original significa somente universo e, nos primórdios dos tempos, foi usada apenas para relatar a todos os povos a que se deveria dirigir a pregação do Evangelho. Se ecumenismo refere-se a quem devemos pregar a Palavra de Deus, temos simpatia por ele. Devemos pregar o Evangelho a toda a criatura (Mar 16:15). Se um ecumênico é apenas uma pessoa que é habitante de um lugar do mundo, eu sou e você é um ecumênico.

Mas, se a palavra ‘ecumenismo’ é entendida religiosamente como sendo uma identificação doutrinária igual para todas as igrejas, nenhum batista verdadeiro quer ser identificado com essa posição. Se um ecumênico é uma pessoa disposta à convivência e diálogo com outras confissões religiosas, como é que um batista verdadeiro pode ser um ecumênico? Na verdade, todas as outras igrejas têm tanto direito constitucional de existir quanto a nossa, mas relações íntimas (pois a palavra ‘convivência’ significa: 1. Ato ou efeito de conviver; relações íntimas; familiaridade, convívio. 2. Trato diário, Dicionário Aurélio Eletrônico) são impossíveis. Se a palavra ‘dialogar’ significa ‘travar ou manter entendimento’ (Dicionário Aurélio Eletrônico), os batistas verdadeiros, em relação à doutrina, não têm boa razão para manter entendimento com os que não obedecem a verdade. Podemos pregar aos que não concordam conosco e ensiná-los, mas sentar junto e dar a aparência que nossa igreja tem muito em comum com a doutrina de igrejas de outra fé seria um ato gritante de hipocrisia.

Aspectos do Ecumenismo

Existem vários aspectos de ecumenismo. Existe o aspecto MODERNÍSTICO. Esse aspecto é representado pelos níveis diferentes da sociedade. O Conselho Mundial das Igrejas representa os interesses de ecumenismo a nível global. Há organizações nacionais e, no nível local, a classe clerical é representada pelas associações. Existe o aspecto EVANGÉLICO. Esse aspecto é visto nas organizações interdenominais que operam como representantes das igrejas, no trabalho de atingir o mundo com o Evangelho. Alguns exemplos desse aspecto seriam a Cruzada Cristã nos Campus, Jovens com uma Missão, e outras. Também existe o aspecto CARISMÁTICO/ RENOVADO/ PENTECOSTAL. Esse aspecto focaliza mais as experiências que a doutrina para interpretar a verdade e tem como alvo unir todas as fés e movimentos religiosos em uma prática única (D. W. Cloud, Enciclopédia Way of Life, Ecumenical Movement, com adição pelo autor das palavras ‘renovação/pentecostal’ – realidade brasileira).

Em vez de darmos as mãos com os de outra fé, devemos redargüir, repreender e exortar com toda longanimidade de doutrina (II Tim 4:2). Devemos suportar a sã doutrina (II Tim 4:3), em vez de desviar os ouvidos da verdade em prol da unidade de outra fé. Temos a responsabilidade de batalhar pela fé, que uma vez foi dada aos santos (Judas 3), em vez de rejeita-la e a boa consciência. A rejeição da fé e de uma boa consciência seria necessário para ter relações íntimas com os de outra fé. Rejeitar a fé seria fazei-la naufragar (I Tim 1:19), em vez de adorná-la.

Os batistas não estão procurando uma briga. Não querem infamar ou parecer contenciosos (Tito 3:2), mas apenas querem ser ousados para falar claramente sobre o Evangelho de Deus com pureza de doutrina, mesmo em grande combate (I Tess 2:2).

Ter poder com Deus não é por minimizar a doutrina verdadeira ou em não repreender os que pregam um outro evangelho com toda a longanimidade. Para ser poderoso com Deus é necessário reter firme a fiel Palavra, que é conforme a doutrina tanto em crença (internamente) quanto em prática (exteriormente) (Tito 1:9).

Como São os Ecumênicos?
Os ecumênicos dão muito valor às diferenças que existem entre as igrejas. Acham válidas as maiores diferenças de fé e prática entre elas. Acham que as diferenças das doutrinas são tão aceitáveis quanto o número variado de sabores numa sorveteria. Pensam que as diferenças são uma intenção de Deus de prover variedade no “corpo de Cristo” (citação do Pastor Ted Haggard na Charisma Magazine (Revista de Carisma) – Baskin-Robbins Christianity por Cloud, D.W.). É difícil achar, entre os ecumênicos, aqueles que tomam a Bíblia como a única e suficiente regra de fé e ordem. Muitos deles colocam tradição, cerimônia, comentários, visões, sonhos, experiências ou circunstâncias ao mesmo nível da Palavra de Deus. Quando dizem que crêem em Cristo como o único Salvador, o dizem com várias reservas. Adicionam experiências religiosas, como complementos, sacrifícios financeiros, obras físicas ou religiosas, a um nível igual ao da obra redentora de Cristo. Participar dos cultos de quaisquer dessas igrejas, mesmo que pareçam dar crédito à verdade de salvação somente por Jesus, seria o mesmo que visitar uma sorveteria e provar as suas delícias sabendo que há veneno em proporções perigosas nos sabores atrativos. Como pode conviver o erro com a verdade (II Cor 6:14-18; Amós 3:3, “Andarão dois juntos, se não estivessem de acordo?”)? A bíblia diz que a pessoa que prevarica (falhar com o dever) não tem a Deus e diante desses, os que mantêm firme a doutrina não devem recebê-los em casa e nem saudá-los (II João 9,10).

Também, mesmo aceitando as diferenças que existem entre as igrejas, os ecumênicos acham saudável remover as doutrinas que causam as diferenças maiores que existem entre as crenças e apoiam a idéia de que ninguém deve pensar mal de alguém que promove uma doutrina ou prática diferente da que Cristo ou os apóstolos praticaram (Ted Haggard – Baskin-Robbins Christianity). Acham que a união e a paz nos erros são um melhor testemunho diante do mundo que manter firme as doutrinas que uma vez foi dada aos santos (Judas 1:3), uma prática que provoca as diferenças. Mas é justamente a firmeza na crença e na prática da doutrina que identifica uma igreja verdadeira. Não há como saber quem de bom grado recebeu a Palavra de Deus, senão através das suas práticas com a doutrina dos apóstolos (Atos 2:40-42; Mat. 7:15-20). O propósito, pelo qual o apóstolo Paulo deixou Timóteo em Éfeso, não era o de aconselhar afrouxamento nas doutrinas e desfazer as diferenças que existiam entre elas. Era “para advertires a alguns, que não ensinem outra doutrina” (I Tim 1:3; II Tim 3:1-5; II Tess 3:6). Não é conselho Bíblico dar as mãos com os que aprenderam de modo diferente dos apóstolos, mas sim de notá-los e desviar-nos deles (Rom 16:17; Tito 3:8-11). O ministrante da Verdade ensinará com firmeza tudo o que Cristo mandou, e essa prática, ao contrário dos desígnios dos ecumênicos de tirar as diferenças, fará com que os que os ouvem não sejam levados em roda por todo vento de doutrina (Efés 4:11-14). Cristo e os apóstolos não tinham receio de dizer a verdade aos que não praticavam como eles (Mat. 23:27-33; Gal 1:8). É pelas verdades distintivas de Cristo que o cristão será edificado em amor (Efés 4:16), e não pelo erro. A unidade, que Cristo pediu ao Pai para que os seus conhecessem (João 17:21), não era uma união religiosa sem identificação, mas aquela santificação que resulta da submissão à prática da Palavra de Deus (João 17:6, 14, 17-19,22). A igreja não é um ‘playground’ de diversas verdades, alegremente dançando com as mãos dadas, mas é a coluna e firmeza da verdade (I Tim 3:15). Desfazer a verdade em prol da unidade é derrubar a proteção que leva à pureza que Deus tanto deseja entre os seus (II Cor 11:1-4; Efés 5:11; Col 2:8).

Os ecumênicos pensam que a igreja local tem um papel inferior à massa do cristianismo. Pensam que a identidade universal e a participação com os órgãos religiosos internacionais, nacionais e da comunidade é melhor que a lealdade à igreja onde alguém é membro (Cloud, Way of Life Encyclopedia – Ecumenical Movement). O pensamento dos ecumênicos diz: quanto maior a participação com grupos religiosos, mais madura a sua espiritualidade. A verdade é que a igreja local é a única organização feita por Cristo durante o Seu ministério terreno; somente ela tem a Sua autoridade de fazer a Sua obra no mundo (Mat. 16:18-20). A igreja que Cristo organizou é “a plenitude daquele que cumpre tudo em todos” (Efés 1:23). Se ela tem “a plenitude”, então, não necessita de organizações humanas e religiosas para melhorar o seu desempenho no mundo. É no contexto da igreja local que um deve ter união com a outro e não no contexto de uma organização religiosa criada pelos bem intencionados (Rom 12:16; 15:5-6; I Cor 1:10; 12:25-27; II Cor 13:11; Fil. 1:27).

Os ecumênicos priorizam obras sociais e políticas como se fossem uma grande parte da comissão de Cristo para a sua igreja. Parece que precisam humanizar a mensagem de Cristo para que o homem dê crédito à Palavra de Deus, como se um cuidado emocional ou social faltasse por parte comissão divina. Pela ênfase na parte social da mensagem de Cristo parece que eles pensam que há possibilidade de melhorar a obra divina com obras humanas. Ao mesmo tempo que ninguém quer ignorar as necessidades sociais e políticas do mundo, nunca alguém deve ser conduzido a substituir o melhor pelo que é meramente bom. Diminuir os esforços de cumprir a missão dada por Cristo à igreja (Mat. 28:18-20; Marcos 16:15; Lucas 224:47; João 20:21; Atos 1:8), para incluir nela obras sociais ou políticas, seria trocar o melhor pelo bom. Arroz e feijão são necessários para viver, mas a salvação é necessária para a vida eterna. Boa escolaridade é necessária para um país progredir, mas o conhecimento de Cristo conduz ao País Celestial. Boas maneiras são convenientes para se ter paz no mundo, mas o fruto do Espírito traz paz com Deus. Obras sociais podem colocar roupa nova no homem, mas o Evangelho coloca um homem novo nas roupas.

Os discípulos conviveram com doenças sociais, reis injustos e separações das classes sociais, mas na Palavra de Deus não há nenhum caso dos discípulos substituindo a responsabilidade de pregar e ministrar a Palavra de Deus para resolver tais doenças sociais. Os milagres que foram praticados não foram para amparar o aflito, mas para verificar que a mensagem pregada veio de Deus. O Espírito Santo testifica, hoje, de Cristo e as Escrituras Sagradas verificam se a nossa mensagem pregada é de Deus ou não. A Bíblia lembra os pobres no mundo e instrui misericórdia para com eles, mas não era a missão da igreja. Era participação pessoal, de um a um (Gal 2:10). A pregação do Evangelho aos perdidos e a instrução dos crentes sobre tudo o que Cristo ensinou é a incumbência exclusiva da igreja e entendemos pelo Novo Testamento que os discípulos se dedicaram somente à essa missão em caráter de mensageiros da mesma. A religião pura é o amparo às viúvas e aos órfãos, mas é mais no contexto espiritual que material. A ajuda material vista no Novo Testamento era para os membros da igreja (Tiago 2:15, “irmão ou irmã”; Rom. 15:26, “dentro os santos”). A santidade traz mudanças sociais, mas a santidade não vem pela pregação de um Evangelho ‘social’. Vem pela pregação de Cristo. Se diminuímos ou aumentamos além do que Cristo pregou, paramos de cumprir o nosso propósito bíblico.

Os ecumênicos promovem idéias não bíblicas sobre as mulheres. Os ecumênicos geralmente não entendem as posições distintas que a Bíblia ensina entre os homens e as mulheres. “Direitos iguais” são clamados na igreja e fora dela. Os ecumênicos interpretam os casos em que a Bíblia fala dessas posições distintas como são para àquela época e que, hoje, há liberdade para todos. É verdade que as épocas da Bíblia foram diferentes. Mas devemos saber que as verdades ensinadas pela inspiração do Espírito Santo para corrigir os problemas naquela época são úteis para que não repitamos os mesmos erros que foram feitos naquelas épocas (Rom 15:4; I Cor 10:11, “estão escritas para aviso nosso”). A igreja em Corinto tinha o erro das mulheres falarem na igreja. Por isso, temos a verdade necessária para corrigir o problema. Foi escrita para sermos sábios e para não cairmos no mesmo erro. A Bíblia ensina posições diferentes entre os homens e as mulheres (Gên. 2:18; I Tim 2:9-14; I Cor 14:34-35; Tito 2:3-5). Em Isaías 3:12, a liderança pelas mulheres não foi um ponto positivo.

Para poder agradar uma grande concentração de crenças e práticas, os ecumênicos sofrem baixos níveis de moralidade e de doutrina. Nos lares, nas reuniões e nas confraternizações dos ecumênicos é comum achar o fumo, bebida, álcool, palavrões, roupa indecente, homossexualidade, etc., sendo praticados por eles. Há um clamor para “liberdade” ao ponto de chamar de “legalistas” os que têm moral ou entendimentos mais conservadores. Existe liberdade na esfera cristã, mas não é para ser usada para malícia (I Ped 2:16). Somos libertos das regras da lei e também somos libertos para a santidade, não para a impiedade (I Ped 2:9-12). Deus é santo e deseja que os Seus O agradem se purificando pela Sua Palavra, assim como Ele é puro (I João 3:1-3). Não existe a possibilidade de servir dois senhores, apesar do que os religiosos dizem (Mat. 6:24; 12:30). Os verdadeiros são da luz e devem andar na luz (I João 1:7). Como podem dois andar juntos se não estiverem de acordo (Amós 3:3). Como podem existir juntos a luz e as trevas, carnalidade e a espiritualidade (II Cor 6:14-18)? O ensinamento correto de que “qualquer que profere o nome de Cristo aparte-se da iniqüidade” (II Tim 2:19) ainda é para os dias de hoje.

Um exemplo local dessa falta de nível de moralidade é exemplificada por uma propaganda que foi incluída no jornal local de Catanduva, São Paulo O JORNAL, Sexta-feira, 18 de Setembro de 1.998.

Gospel Night Club

“Inaugura hoje à noite em Rio Preto, a Gospel Night Club, uma boate direcionada aos evangélicos e não-evangélicos que queiram se divertir e gostem de cantar ou dançar. Não será servido bebida alcoólica e cigarros, somente coquetéis sem álcool, sucos, refrigerantes e porções. Gospel Night Club conta com um sistema de iluminação apropriado, o som, apensas música “gospel”. Haverá a também Karaokê. É a primeira casa noturna no Brasil dirigida aos evangélicos e àqueles que gostam de uma diversão sadia. Gospel Night Club fica na Av. Murchid Homsi, 1155. Confira!”

A pregação dos ecumênicos imana tolerância através de uma pregação demasiadamente positiva. É comum que os seus cultos prestigiem o valor pessoal dos que os ouvem. Pregar que o homem é ímpio aos olhos de Deus (Sal 14:2-4; Hab 1:13), corrupto em pecado (Isa 1:6; Rom. 3:10-18), inimigo de Deus (Rom. 8:6-8) e incapaz de entender as coisas espirituais (I Cor 2:14) é, para muitos ecumênicos, antiético.

Em vez de pregar certas verdades da Bíblia, a opção deles é de atrair o povo com uma mensagem positiva. Raciocinam dizendo: “Não é proveitoso ofender os ouvintes pela Palavra de Deus. Ofendendo-os com a verdade plena, os impedimos de prestar atenção à mensagem de Jesus.” Crêem que os sorrisos abertos, os abraços calorosos e aquela aceitação universal são mais eficazes que uma mensagem que inclui a ira de Deus e a condenação justa ao inferno dos pecadores não arrependidos.

Mesmo que tenhamos amor pelos pecadores e nunca queiramos ofendê-los, devemos entender que somente os doentes necessitam de médico. Cristo não veio “chamar os justos, mas sim, os pecadores, ao arrependimento” (Mar 2:17). O evangelho que prega a vida santa e sofredora de Cristo, a Sua angustia e o sofrimento pelo pecado no lugar do pecador junto com a Sua vitória gloriosa sobre a morte e sobre o Satanás não tem muito sentido para aquele pecador imundo que já achou plena aceitação entre o povo de Deus e que tem livre acesso a todos os direitos de uma vida eclesiástica saudável e sente-se bem com a pregação positiva da Palavra de Deus.

Por que deve o pecador preocupar-se dos seus pecados se o povo de Deus não está dando muita importância a eles? A verdade é que o Espírito Santo opera primeiramente com o espírito de escravidão (Rom. 8:15), mostrando a impureza da condição do pecador (Isa 6:5; Sal 40:2), fazendo-o cansado e oprimido do seu pecado (Mat. 11:28), antes de ministrar o Espírito de adoção graciosa, purificação completa, o descanso divino e a salvação eterna por Jesus.

O erro dos ecumênicos não é o de pregar um lado positivo da verdade, mas o de não anunciar todo o conselho de Deus (Atos 20:27). Pela Bíblia, o apóstolo Paulo identificou pelo nome os que não conservaram a fé (I Tim 1:20; II Tim 1:15; 2:17), os que resistiram à verdade (II Tim 3:8) e os que amaram o mundo mais que a Cristo (II Tim 4:10, 14), mesmo em espírito de amor. Cristo também deu ênfase para a regeneração sem ofender (João 3) e Ele se mostrou Salvador dos pecadores (Luc 19:10; Mar 2:17). É importante a pregação contra a concupiscência da carne, pois ela apenas produz a corrupção (Rom. 8:21; I Cor 15:50; Gal 6:8; II Pedro 1:4).

Temos uma mensagem de luz para os que estão em trevas, salvação para os pecadores, santificação para os ímpios, justificação para os condenados, vida para os mortos e perdão para os arrependidos, mas não devemos esquecer que essas bênçãos são somente para os que se vêem separados de Deus, rebeldes e inimigos de Deus e condenados pelos seus pecados.

Não seria justo com os pecadores que nós pregássemos uma mensagem desequilibrada para o lado positivo. Não devemos nunca deixar de anunciar todo o conselho de Deus (Atos 20:27). A condição do pecador diante de Deus pede uma mensagem correta, direita e clara.

Um Perigo Importante e a Sua Solução

Interpretem o negativismo como falta de amor fraternal. Amor, para o ecumênico, é liberalismo e generosidade moral para com qualquer pessoa que se diz crente. Mas Cristo ensinou claramente que os que O amam guardam os Seus mandamentos (João 14:15, 23; I João 5:3). O apóstolo Paulo desejou que o amor dos Filipenses crescesse, não em tolerância, mas “em ciência e em todo o conhecimento, para que aproveis as coisas excelentes, para que sejais sinceros, e sem escândalo algum até ao dia de Cristo; cheios dos frutos de justiça, que são por Jesus Cristo, para glória e louvor de Deus.” (Fil. 1:9-11).

Cristo, de nenhuma maneira, pecou quando reprimiu duramente os escribas e fariseus de Mateus 23:13-33 por terem somente uma aparência piedosa, quando verdadeiramente praticavam doutrinas contra a verdade. Os ecumênicos julgariam Cristo falho e menos que sábio. O apóstolo Paulo não foi reprimido por Deus por usar os nomes de Himeneu e Alexandre várias vezes como exemplos de não conservar a fé nem a boa consciência (I Tim 1:19,20).

Aos Tessalonicenses, o apóstolo Paulo, pela inspiração do Espírito Santo, entrega os irmãos ao Senhor esperando que os corações deles fossem encaminhados ao amor de Deus e à paciência de Cristo, mas mesmo assim ele alerta “que aparteis de todo o irmão que anda desordenadamente, e não segundo a tradição” dos apóstolos (II Tess 3:5,6).

“Foi Deus quem primeiro criou uma controvérsia, pois disse, ‘Odiai o mal, e amai o bem, e estabelecei na porta o juízo.’ (Amós 5:15). Batalhar pela fé (Judas 1:3) envolve mais que uma resposta branda e inócua. Pede uma repreensão severa (Tito 1:13) que repudia o erro e enuncia claramente a verdade” (Dr. Ernest Pickering, citado por Rick Purdue). Veja também Rom. 16:17,18.

Aqueles que querem as bênçãos do Senhor nas suas vidas e ministérios não vão procurar a Sua maldição. Débora, pela presença do Espírito Santo, pronunciou uma maldição repetida a Meroz por essa cidade (Gill, comentário de Juízes 5:23) não vir “ao socorro do SENHOR, ao socorro do SENHOR com os valorosos” (Juízes 5:23) quando tinha oportunidade de vir e ajudar.

Pode ser que os de Meroz acharam que a tolerância era melhor para a sua segurança naquela hora, mas depois foi a sua tolerância que trouxe a maldição (Veja também Jer 48:10). Pregar outro evangelho traz também maldição (Gal 1:8,9), pois a tolerância do erro é vista pelo Senhor como falta de amor (João 14:15, 21) que, verdadeiramente, no fim, traz maldição (I Cor 16:22).

“Como filhos obedientes, não vos conformando com as concupiscências
que antes havia em vossa ignorância;
Mas, como é santo Aquele que vos chamou,
sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver;
Porquanto está escrita: Sede santos, porque Eu sou santo.”
I Ped 1:14-16

Breve História do Ecumenismo

Não há como determinar exatamente quando o Ecumenismo teve sua origem nos formatos de hoje. Como o termo “Fundamentalismo”, no ano 1919, foi usado pelos batistas para evitar uma associação com o Modernismo ou Liberalismo que começou na Europa no século XVIII, a palavra “Evangelicalismo” foi usada, em 1940, pelos Protestantes, para evitar uma associação com os Católicos.

Em 1948, o termo “Neo-Evangelicalismo” foi criado por Harold Ockenga, pois o separatismo dos erros de doutrina que os Evangélicos praticaram chegou a ser ofensivo a ele. Junto com o termo “Neo-Evangelicalismo” veio a prática de um evangelho social e o afrouxamento na postura de uma Bíblia inerrante. Com o tempo, os “Neo-Evangélicos” cessaram qualquer espírito de negativismo a ponto de não pregarem abertamente contra o pecado e nem identificarem aqueles que pregavam heresia. Foi um movimento de tolerância (Cloud, Fundamentalism, Modernism and New Evangelicalism).

Essa insistência de não separar do erro foi chamada o “Neutralismo Novo” por alguns, em vez de “Neo-Evangelismo”, (John Ashbrook, citado por D. W. Cloud, The Heart of New Evangelicalism), porque ensina que a sua atitude deve ser suave, cautelosa, tolerante, pragmática, flexível, inofensiva e, acima de tudo, nunca dogmática (niilismo). O que se tem hoje entre os “Evangélicos” é uma tolerância do erro que tem se degenerado à imoralidade.

O “Neo-Evangelicalismo” é o ecumenismo de hoje. Pode-se ver que é uma aceitação eclesiástica de todas essas idéias de Modernismo, Liberalismo, Neo-Evangelicalismo como válidas e que Deus não faz aceitação de pessoas, quando as intenções delas são honestas.

O Alvo do Ecumenismo

O criador do termo “Neo-Eangelicalismo”, Harold Ockenga, estipulou como o alvo do seu movimento três áreas (Palestra dada na Associação de Evangelismo, 1942):
Rejeitar Separatismo Bíblico

Achar Aceitação Mundial

Adicionar uma mensagem social à mensagem Evangélica.

Essas três áreas se acham com plena expressão no movimento do ecumenismo. Podemos entender que o ecumenismo, como é visto hoje, é relativamente de origem recente. Mas devemos lembrar-nos de que a instituição que Cristo organizou e estabeleceu sobre Ele mesmo não foi faltosa. Qualquer doutrina ou prática alheia à ela é espúria ou falsa. Os que se mantêm firmes na fé que uma vez foi dada aos santos (Judas 3), não devem ter diálogo ou convivência eclesiástica com esses que somente têm uma aparência de piedade (II Tim 3:1-5). O espírito militante não é alheio à doutrina bíblica (I Tess 2:2; II Tim 4:2, 3; Judas 3).

Ter poder com Deus não é em diminuir a doutrina verdadeira para não ser diferente de outro ou para ser aceito pelos outros de outras fés. Para sermos poderosos é necessário reter firme a fiel palavra que é conforme a doutrina (Tito 1:9).

Defesas para não Cair no Ecumenismo

Saiba que a verdade divide. A natureza da verdade é única, exclusiva e eliminatória. A verdade proclama: “À lei e ao testemunho! Se eles não falarem segundo essa palavra, é porque não há luz neles.” (Isa 8:20). A doutrina repreende, exorta, corrige e reprova com o intuito de que haja perfeição e “boa” obediência (II Tim 3:16,17; 4:2,16). O ensinamento da Palavra de Deus pode dividir (Heb 4:12, “mais penetrante que espada alguma de dois gumes”; Mat. 10:34).

A perseguição não é errada se vem por amor da verdade. “A qual dos profetas não perseguiram vossos pais?” foi uma pergunta de Estêvão aos religiosos do seu tempo (Atos 7:52). Podemos perguntar também: “A qual dos apóstolos não perseguiram os religiosos desde o tempo de Cristo?”, pois foram afligidos por pregar a verdade.

“A qual dos nossos antepassados não precisavam perseverar perseguição?”, podemos perguntar sobre a história dos batistas. Se vivermos piedosamente, sofreremos perseguição (II Tim 3:12). Por quê? Por causa da natureza da verdade e a natureza das trevas. Deus pergunta ao Seu povo: “Porventura andarão dois juntos, se não estiverem de acordo?” (Amós 3:3). A resposta é clara, pois a verdade é única, exclusiva e eliminatória. “Meus irmãos, não vos maravilheis, se o mundo” e os que usam o manto do evangelho para encobrir o erro de ecumenismo “vos odeia.” (I João 3:13).

Conheça bem o seu Deus. Todo servo sincero quer agradar Quem o chamou, separou e vocacionou. Para agradar ao Senhor não é necessário grandes números, prédios maravilhosos, shows encantadores, sorrisos espontâneos, emoções profundas ou um ignorante desrespeito de normas, leis e doutrinas. Para agradar o Senhor é necessário conhecer a natureza soberana de Deus que faz beneficência, juízo e justiça na terra (Jer 9:23,24).

Esse conhecimento somente é conseguido pela firmeza no livro da lei de Deus, na boca e no coração. Somente pela meditação sobre esse livro, dia e noite, é que podemos ter cuidado de fazer tudo conforme nele está escrito (Josué 1:8; Sal 1:2; Dan. 11:32; II Tim 2:15; 3:16, 17).

Ame a verdade. A verdade é ministrada pelo Espírito da verdade (João 14:17; 15:26; 16:13). Quem ama a verdade tem um relacionamento especial com Deus. A verdade vencerá no fim, pois Cristo é a verdade (João 14:6; Apoc 1:8) e somente os que são fiéis à verdade vencerão com Ele (Apoc 17:14). É a verdade que testifica Cristo (João 16:13) e aperfeiçoa o homem de Deus (II Tim 3:17), à medida da estatura completa de Cristo (Efés. 4:13). É pela verdade que o corpo é edificado a ponto de que os irmãos não sejam mais como meninos inconsistentes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente.” (Efés. 4:11-16).

Amar a verdade quer dizer ter tanto amor por ela, que a prática é radicalmente transformada. Não adianta nada falar da verdade e não praticá-la. Isso é o que os ecumênicos fazem (Mat. 23). O homem que ama a verdade e a pratica fará que tanto ele quanto o povo que o ouve sejam salvos de serem envergonhados (I Tim 4:16). Todos que têm uma dieta consistente da verdade pura serão fortes e farão proezas (Dan 11:32). Qualquer ação menos de obediência é uma persuasão que não vem dAquele que nos chamou (Gal 5:7,8).

Saia do erro. Não é uma graça ou sabedoria intelectual procurar esconder a luz que somos debaixo do alqueire. A verdade é luz e é impossível escondê-la (Mat. 5:14-16). Os que têm o entendimento bíblico serão como o Salmista que odiou “todo falso caminho” (Sal 119:104,128).

O amor pelo Senhor Jesus Cristo faz com que deixemos “toda a impureza” (Efés. 5:1-6; I Tim 6:20). Os únicos que prevaricam e não perseveram na doutrina de Cristo são os que não têm a Deus (II João 9-11). Com tais não devemos nos identificar, manifestar disposição à convivência e diálogo, todavia, a esses devemos repreender (Rom. 16:17,1) e nos separar ao ponto de nem nos misturar (II Tess 3:6, 14), pois são soberbos e nada sabem (I Tim 6:3,4), apesar das suas aparências boas e ares de amor pela Palavra de Deus.

Reprove os que estão no erro. Parte da obra da palavra é de redargüir e repreender (Luc 17:3; II Tim 4:2). A repreensão é uma manifestação de amor (Apoc 3:19). A repreensão não deve partir da nossa emoção ou sentimento de superioridade, mas com autoridade e doutrina, e isso, com toda a longanimidade (II Tim 4:2; Tito 2:15). A repreensão pode fazer com que esses sejam sãos na fé (Tito 1:13), pode criar um temor nos que ainda não experimentaram com ele (I Tim 5:20) e estancar maior impiedade (I Cor 5:6,7; II Tim 2:15,16).

Sempre gostamos de ser aceitos pelos nossos semelhantes, mas não podemos servir a dois senhores (Mat. 6:24; 12:30). O espírito militante não é alheio à doutrina bíblica (I Tess 2:2; II Tim 4:2, 3; Judas 3).

Praticando essas defesas, seremos dignos de ser identificados com nosso Salvador na Sua vitória (Apoc 17:14) e receber a coroa de justiça que está guardada para todos que amarem a sua vinda (II Tim 4:7,8).
Bibliografia

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HAVNER, Vance, Truth for Each Day, s. d.

PICKERING, Ernest Dr., Frontlines, Vol. 5, No. 1, 1995.

STRONG, James LL.D., S.T.D. Exhaustive Concordance of the Bible, Nashville, Abingdon, 1981.

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