a doutrina trindade

A Doutrina da Trindade

a doutrina trindadeA Doutrina da Trindade (A Unidade Composta da Divindade)

Por Rafael Gabas Thomé de Souza

Introdução

O presente estudo foi elaborado a partir de vários artigos. Ele tem por objetivo analisar os fundamentos bíblicos do ensino da Trindade, bem como expor os argumentos explicativos sobre esta doutrina, a qual é um dos pilares da fé cristã. O entendimento deste tema brota com mais facilidade quando é regado com oração, estudo da Palavra de Deus e meditação nas Escrituras.

Deus é muito grande e diferente de nós para que O possamos compreender completamente, o que só ocorrerá após a ressurreição (1Co 13:12). No entanto, devemos crer no que Ele diz acerca de Si mesmo. Alguns argumentam que o vocábulo “Trindade” não é bíblico. A Bíblia também não registra as palavras “onisciência” e “onipresença”. Apesar disso, nenhum cristão irá negar estes atributos de Deus, pois as Escrituras ensinam que Ele conhece todas as coisas (Sl 147:5) e também que Sua presença enche os céus e a terra (Jr 23:23,24).

Da mesma forma, o conceito da tri-unidade de Deus é incontestável em ambos os testamentos, conforme veremos neste estudo: o Antigo Testamento ensina a Unidade na Trindade; o Novo Testamento ensina a Trindade na Unidade.

I. A Unidade Composta de Deus

A) A Palavra de Deus ensina que existe um só Deus verdadeiro, e que Ele é um Ser único, a Quem não há ninguém igual ou semelhante (Dt 4:35,39; Is 45:5,21). Mas esta unidade é composta, e não simples. O nome “Deus” é uma polissemia (nome com mais de um significado) na Bíblia. Ele se refere ao Pai sozinho, como Deus único e verdadeiro (Jo 17:3; 1Co 8:6; Ef 4:6), da mesma forma ao Filho (Is 9:6; Rm 9:5; Hb 1:8) e ao Espírito Santo (2Sm 23:2,3; At 5:3,4). Muitas vezes, refere-se à Trindade (Mc 12:29,32).

O mesmo ocorre com o Tetragrama (IHVH) – “Jeová”, “Javé”, ou “SENHOR” em nossas versões. Aplica-se ao Pai (Sl 110:1; Is 63:16; 64:8), ao Filho (Is 40:3 c.c. Mt 3:3; Jl 2:32 c.c. Rm 10:13; Zc 14:5 c.c. Mt 25:31) e ao Espírito Santo (Êx 34:33, 34 c.c. 2Co 3:16, 17; Jz 15:14 c.c. 16:20; 1Sm 16:14 c.c. 18:12; Ez 8:1-3). Aplica-se também à Trindade (Dt 4:35,39; 6:4). Assim, a mesma Bíblia que ensina que só existe um Deus e que Ele é um só, ensina também que cada uma dessas Pessoas é Deus absoluto em toda a Sua plenitude.

As Escrituras ensinam que o Deus verdadeiro é uma Pessoa, mas em momento algum afirmam ser Ele uma só Pessoa. Falam de um só Deus, mas de três Pessoas. Isso não é triteísmo (a crença em três deuses), porque a Bíblia ensina o monoteísmo, nem tampouco o unicismo (a crença em uma só Pessoa manifestada em três formas): a Palavra de Deus mostra claramente o Pai, o Filho e o Espírito Santo como Pessoas co-existentes e inconfundíveis, e não meros aspectos ou manifestações de Deus:

- Cristo está sentado ao lado direito de Deus-Pai (Cl 3:1; Hb 1:3);
– O Espírito Santo desceu sobre Jesus no rio Jordão (Mt 3:16,17);
– O Espírito intercede ao Pai (Rm 8:26,27);
– O Pai cria tudo por meio do Filho (Hb 1:2);
– Cristo comparece diante do Pai para interceder a Ele (Rm 8:34; Hb 9:24; 1 Jo 2:1);
– O Espírito Santo não fala por si mesmo, mas ouve as palavras do Pai para depois anunciar aos discípulos (Jo 16:13);
– Jesus confessa o nome do vencedor, diante do Pai e diante dos anjos (Ap 3:5);
– O diácono Estêvão e o apóstolo João viram o Senhor Jesus no céu, como Pessoa distinta do Pai (At 7:55,56; Ap 5:7,12,13).

O seguinte gráfico há de explicar melhor a doutrina da Trindade:

Dizemos então, que existe um único Deus que se desdobra em três Pessoas, distintas em funções mas unidas em Sua divindade, compartilhando da mesma natureza e essência, e tendo os mesmos atributos. Apesar de distinguíveis, as Pessoas da divindade são inseparáveis. Uma não existe sem a outra; se qualquer uma fosse retirada, não haveria Deus. Deus é um Ser triúno em Sua forma de existir: são três Pessoas próprias e individuais, porém a união é tão completa e harmoniosa, que existe um único Deus, e não três.

B) A Bíblia ainda atribui ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo atributos divinos que ela mesma ensina serem exclusivos a Deus. Confira:

  • Onipotência. É ser Todo-Poderoso, possuir todo o poder do universo. A Bíblia ensina que somente Deus é onipotente (Dt 3:24; 4:39; Sl 89:6-9), mas declara também que o Pai (Mt 11:25), o Filho (Mt 28:18; Hb 1.3; Fp 3.21) e o Espírito Santo (Lc 1:34,35; Rm 15:16,19) têm a onipotência.
  • Onisciência. Apenas Deus conhece tudo (1Rs 8:39), no entanto lemos nas Escrituras que cada uma dessas Pessoas conhece todas as coisas: o Pai (Mt 10:29,30; 1Jo 3:20), o Filho (Jo 2:24,25; 16:30; 21:17; Cl 2:3; Ap 2:23) e o Espírito Santo (1Co 2:10,11).
  • Autoria da Criação. As Sagradas Escrituras ensinam claramente que só Deus é o Autor da Criação, que fez tudo sozinho (Jó 9:8; Is 44:24), e com essa mesma clareza elas apresentam o Pai (At 17:24,25; Rm 11:36; Hb 2:10), o Filho (Jo 1:3,10; 1Co 8:6; Cl 1:16,17; Hb 1:2,10) e o Espírito Santo (Jó 33:4) como possuindo a autoria da criação.
  • Autoria da Salvação. Ao mesmo tempo que Deus é revelado como o único Salvador nas Santas Escrituras (Is 43:11; Os 13:4), elas também revelam que cada uma dessas Pessoas realizam a obra da salvação: o Pai (1Tm 1:1; 2:3; 4:10), o Filho (Lc 2:11; At 4:12; 2Tm 1:10) e o Espírito Santo (Jo 3:5; 1Co 6:11; Tt 3:5).

I.II Outros Atributos das Pessoas da Trindade

  • Onipresente
    Pai – Ef 4:6
    Filho – Ef 1:23; 4:10
    Espírito Santo – Sl 139:7
  • Ressuscita os Mortos
    Pai – 1Ts 1:10
    Filho – Jo 6:54
    Espírito Santo – Rm 8:11
  • Doa a Vida Eterna
    Pai – Rm 6:23
    Filho – Jo 10:28
    Espírito Santo – Gl 6:8
  • Supre Ministros à Igreja
    Pai – Rm 15:15,16; 2Co 3:5,6
    Filho – Jo 21:15; Ef 4:11
    Espírito Santo – At 20:28
  • Inspira Os Profetas
    Pai – Hb 1:1
    Filho – 2Co 13:3
    Espírito Santo – Mc 13:11
  • Santifica
    Pai – Jo 17:17
    Filho – Ef 5:26
    Espírito Santo – 1Pe 1:2
  • Habita o Corpo dos Cristãos
    Pai – Jo 14:23; 2Co 6:16-18
    Filho – Jo 14:23; Rm 8:10; Cl 1:27
    Espírito Santo – Rm 8:9,11; 1Co 3:16; 6:19

II. A Trindade na Bíblia

A) No Velho Testamento Deus ainda não havia revelado Sua pluri-pessoalidade de forma explícita, assim como a doutrina do tormento eterno só estava implícita, oculta, em textos como Is 1:31; 50:11; 66:24. Mas lá já se notam evidências da Trindade. No Velho Testamento lemos com freqüência que só existe um Deus e que Ele é um Ser único (Is 40:18,25; 44.6-8). Trata-se, porém, de uma unidade formada por Pessoas distintas.

a) Em Is 44:24 Deus declara: “Assim diz o Senhor, teu redentor, e que te formou desde o ventre: ‘Eu sou o Senhor que faço tudo, que sozinho estendo os céus, e espraio a terra por mim mesmo’.”

E em Jó 9:8 encontramos o seguinte: “O que sozinho estende os céus, e anda sobre os altos do mar.”

Assim, entendemos que Deus é o único Autor da criação, Ele não pôde ter usado alguém como sócio para trazer tudo à existência, o que tiraria Sua exclusividade na autoria de Sua obra. Os anjos estavam com Ele quando o universo foi criado, mas eles não participaram das obras de Deus, apenas mantendo-se assistindo, louvando ao Criador: “Quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e todos os filhos de Deus jubilavam?” (Jó 38:7).

Contudo, o livro de Gênesis nos traz o seguinte relato:

“E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra.
E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.”
(Gn 1:26,27)

Se ninguém cooperou com Deus no ato da criação, com quem Ele falou antes de criar o homem? O mesmo ocorre na decisão divina de tirar o homem do Jardim do Éden:

“Então disse o Senhor Deus: Eis que o homem é como um de nós, sabendo o bem e o mal; ora, para que não estenda a sua mão, e tome também da árvore da vida, e coma e viva eternamente,” (Gn 3:22)

Notamos Deus usando o modo plural, ainda, em Gn 11:7: “Eia, desçamos e confundamos ali a sua língua, para que não entenda um a língua do outro.”

Entendemos que estas passagens revelam a pluralidade de Pessoas na natureza divina. Na criação do homem, o Pai falou com o Verbo (Jo 1:1-3) e com o Espírito Santo (Jó 33:4). Estas três Pessoas são um só Deus absoluto em obras, atributos e essência.

b) “No princípio criou Deus [Elohim] os céus e a terra.” (Gn 1:1)

O nome “Elohim” é um termo plural na língua hebraica. Ele ocorre 2.948 vezes na Bíblia, sendo derivado do nome “Eloha” (Deus), que ocorre 57 vezes. Sua tradução bruta, ao pé da letra, é “deuses”. Logo no 1o versículo da Bíblia, Elohim (deuses) é empregado como nome próprio para o Deus verdadeiro. Em toda a Escritura, ele é empregado também para os falsos deuses pagãos. Contudo, esse uso derivou-se da aplicação primitiva do vocábulo “Elohim” ao Deus de Israel.

Mais adiante, o Deus plural (Elohim) diz: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança…” (Gn 1:26)

A forma plural da frase, juntamente com o nome pluralizado de Deus, revela que, chamando o Deus único de “deuses”, Moisés quis transmitir o conceito de pluralidade de Pessoas na unidade indivisível do Deus verdadeiro.

c) “Ouve, Israel, o SENHOR nosso Deus é o único SENHOR.” (Dt 6:4)

A palavra “único”, neste versículo, é echad (pronuncia-se “errád”). Ela revela uma unidade composta, não uma unidade absoluta. É a mesma palavra usada em Gn 2:24: “Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma [echad] carne.”

Quando duas pessoas se relacionam sexualmente (1Co 6:15,16), ambas tornam-se uma só carne, sem contudo deixar de serem duas pessoas distintas. Outro caso de unidade composta ocorre em Nm 13:23: “Depois foram até ao vale de Escol, e dali cortaram um ramo de vide com um [echad] cacho de uvas, o qual trouxeram dois homens, sobre uma vara; como também das romãs e dos figos.”

O cacho é um só, porém nele existem várias uvas. Assim, até mesmo no texto áureo do monoteísmo judaico-cristão encontramos a unidade composta de Deus.

d) Na bênção sacerdotal o nome de Deus era invocado três vezes seguidas:

“O Senhor te abençoe e te guarde; O Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre ti, e tenha misericórdia de ti; O Senhor sobre ti levante o seu rosto e te dê a paz.” (Nm 6:22-27)

Compare esta passagem com o seguinte trecho do Novo Testamento: “A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo seja com todos vós. Amém.” (2Co 13:13[14])

Note que as expressões nas três cláusulas da bênção sacerdotal correspondem às funções da Trindade: o Pai, de abençoar-nos e guardar-nos; o Filho, de mostrar-nos a graça; e o Espírito Santo, de dar-nos paz. Assim, vemos as três Pessoas divinas atuando escondidas no Antigo Testamento.

e) Em sua chamada ministerial, o profeta Isaías contemplou uma visão, na qual viu o trono de Deus com vários serafins ao redor, que adoravam ao Senhor com altos brados, da seguinte maneira:

“E clamavam uns aos outros, dizendo: Santo, Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória.” (Is 6:3)

E nesta visão Deus fala novamente na forma plural: “Depois disto ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Então disse eu: Eis-me aqui, envia-me a mim.” (vs. 8)

Mas não estaria Ele falando com os serafins que O rodeavam? Não, não estava, pois os homens não são servidores dos anjos, ao contrário, a Bíblia afirma: “Não são porventura todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação?” (Hb 1:14)

Foi isso o que Isaías viu: os serafins, anjos adoradores, servindo a Deus. O texto deixa claro que eles são enviados por Deus em “a favor daqueles que hão de herdar a salvação”, e não que os homens sejam enviados como mensageiros dos anjos. Nos vs. 6 e 7 de Is 6, vemos um deles agindo em favor do profeta. É impossível harmonizar o texto de Hebreus com a idéia de que Isaías tenha sido enviado pelos serafins que estavam adorando a Deus, até porque não consta que ele tenha recebido suas mensagens por meio de anjos, como Daniel (Dn 8:15-17; 9:20-22; 10:4-11), ainda mais tratando-se de serafins, que parecem ser uma classe especial, cuja função não é a de enviar mensagens. O apóstolo João escreveu que Isaías viu a glória de Jesus (Jo 12:39-42) e Paulo afirmou que Quem falou ao profeta foi o Espírito Santo (At 28:24-27).

Assim, a forma plural utilizada no versículo 8 é mais um indicador da tri-unidade de Deus, acrescido da invocação do título “Santo” três vezes seguidas, uma para cada Pessoa da Trindade.

f) Outro fator indicador da pluralidade de Pessoas no Deus único, no Velho Testamento, são as manifestações de Deus (chamadas de “teofanias”) como Anjo e também como homem. Em várias passagens nos é revelado Deus se apresentando como “o Anjo do SENHOR” (Êx 3:1-6). Nestes casos, Deus estava em uma forma angelical, semelhante aos anjos, a fim de transmitir pessoalmente Suas mensagens. Um caso notável disso foi o que ocorreu com Josué. Em Js 5:13-15 lemos:

“E sucedeu que, estando Josué perto de Jericó, levantou os seus olhos e olhou; e eis que se pôs em pé diante dele um homem que tinha na mão uma espada nua; e chegou-se Josué a ele, e disse-lhe: És tu dos nossos, ou dos nossos inimigos?
E disse ele: Não, mas venho agora como príncipe do exército do Senhor. Então Josué se prostrou com o seu rosto em terra e o adorou, e disse-lhe: Que diz meu senhor ao seu servo? Então disse o príncipe do exército do Senhor a Josué: Descalça os sapatos de teus pés, porque o lugar em que estás é santo. E fez Josué assim.”

Temos as seguintes coisas a considerar deste relato: o “homem” que Josué viu se apresentou como chefe dos séquitos celestiais. No entanto, quando ouve isso, Josué se prostra e o adora. Como esse “príncipe do exército do SENHOR” pôde aceitar tal tratamento, cabível exclusivamente ao verdadeiro Deus (Dt 6:13-15)? Se a Palavra de Deus afirma que os próprios anjos sabem que não podem ser adorados e que eles se recusam a receber tal honra (Ap 19:10; 22:8,9), como o comandante destes pôde portar-se diferente, usurpando o lugar do Criador? Isso já mostra que se tratava de uma teofania, uma manifestação de Deus em uma forma pré-encarnada, semelhante aos homens, a fim de transmitir Suas mensagens pessoalmente.

Após isso, o homem que apareceu a Josué deu-lhe a ordem de tirar as sandálias, pois aquela terra que ele pisava era santa (vs. 15). Mas como aquele lugar podia ser santo, se Josué estava às portas de Jericó, uma cidade ímpia, condenada pelo SENHOR Deus à destruição total? É simples: o fato de Josué ter descalçado os pés era uma evidência de que Deus estava presente ali. Moisés recebeu a mesma ordem quando o SENHOR lhe apareceu na sarça ardente, falando com ele do meio do fogo (Êx 3:1-6). O mesmo “Anjo do SENHOR” que surgiu a Moisés, comissionando-o para a missão de resgatar o povo de Israel, estava agora manifestando-Se a Josué, o sucessor de Moisés.

Prosseguindo o relato, nos capítulo 6 lemos que o “príncipe do exército do SENHOR” começou a instruir Josué sobre a conquista da cidade de Jericó. Atente bem para a maneira como isto é relatado:

“Então disse o Senhor a Josué: Olha, tenho dado na tua mão a Jericó, ao seu rei e aos seus homens valorosos.” (6:2)

Quem falava era “príncipe do exército do SENHOR”, e Ele é identificado como Deus falando. Temos outros exemplos de manifestações assim em Gn 16:7-14; 18:1-33; Jz 6:11-23; 13:3-23. O “Anjo do SENHOR” apresentava-se como Pessoa própria individual, distinta do Deus verdadeiro, ao mesmo tempo em que identificava-Se como o próprio Deus (IHVH). Isso ratifica o que o Novo Testamento ensina sobre Cristo em sua pré-existência: “…e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.” (Jo1:1).

Desta forma, no Antigo Testamento, o Deus trino e uno já se revelava de várias formas ao povo de Israel, e em várias passagens observamos as pessoas da Trindade manifestas: Deus, o Pai, como o Todo-poderoso, o Deus de milagres, que arrebatou Israel com mão poderosa; Deus, o Filho, como o Anjo dos exércitos do SENHOR e como o Messias prometido; e Deus, o Espírito Santo, de diversas formas, ora apoderando-se de Sansão, ora guiando Moisés, ora capacitando Bezelael, ou vindo sobre Gideão.

Desse modo, o Velho Testamento permite uma visão pluri-pessoal da Divindade sem ferir o conceito monoteísta, ou seja, um Deus existente como várias Pessoas ao mesmo tempo, sem que sejam três deuses, e sim três consciências individuais unidas pela natureza divina. Pluralidade em unidade; pluralidade de Pessoas em unidade de natureza; três Pessoas, um só Deus.

B) No Novo Testamento encontramos várias passagens trinitárias, onde as Pessoas da Deidade são distinguidas e associadas conjuntamente:

a) A Grande Comissão
“Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo;” (Mt 28:19)

b) O Batismo de Cristo
“E aconteceu que, como todo o povo se batizava, sendo batizado também Jesus, orando ele, o céu se abriu; E o Espírito Santo desceu sobre ele em forma corpórea, como pomba; e ouviu-se uma voz do céu, que dizia: Tu és o meu Filho amado, em ti me comprazo.” (Lc 3:21,22)

c) A Organização na Igreja
“Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos.” (1Co 12:4-6)

d) A Bênção Apostólica
“A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo seja com todos vós. Amém.” (2Co 13:13[14])

e) A Unidade na Igreja
“Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação; Um só Senhor, uma só fé, um só batismo; Um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos e em todos vós.” (Ef 4:4-6)

f) A Saudação de Pedro
“Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo: Graça e paz vos sejam multiplicadas.” (1Pe 1:2)

g) A Exortação de Judas
“Mas vós, amados, edificando-vos a vós mesmos sobre a vossa santíssima fé, orando no Espírito Santo, conservai-vos a vós mesmos no amor de Deus, esperando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo para a vida eterna.” (Jd 20,21)

h) A Cláusula Joanina
“Porque três são os que testificam no céu: o Pai, a Palavra, e o Espírito Santo; e estes três são um.” (1Jo 5:7)

i) A Saudação do João
“João, às sete igrejas que estão na Ásia: Graça e paz seja convosco da parte daquele que é, e que era, e que há de vir, e da dos sete espíritos que estão diante do seu trono; E da parte de Jesus Cristo, que é a fiel testemunha, o primogênito dentre os mortos e o príncipe dos reis da terra. Àquele que nos amou, e em seu sangue nos lavou dos nossos pecados,” (Ap 1:4,5)

Embora estas passagens não provem a tri-unidade de Deus em si mesmas, elas apresentam os membros da Deidade cooperando unidos. A Bíblia fala de Pedro, Tiago e João. O que estes três homens possuíam em comum? O apostolado. A Bíblia fala de Abraão, Isaque e Jacó. O que eles tinham em igual? O patriarcado. Da mesma maneira, o Novo Testamento cita freqüentemente o Pai, o Filho e o Espírito Santo, que têm em comum a natureza divina, conforme vimos nas páginas anteriores. A Trindade está em toda a Bíblia, e não apenas em uma passagem. Se quisermos ter uma visão adequada de Deus e apoiada no contexto geral das Escrituras, temos de pesquisá-las com seriedade sem nos apegarmos a textos isolados, de onde podem surgir sérios erros.

III. A Trindade e a Fé

Algumas pessoas dizem que a visão de um Deus único em essência e subsistente em três Pessoas distintas é fruto da mente carnal, a qual não consegue compreender a pura Palavra de Deus, precisando dividir o Deus único para “enquadrá-lo” em seu entendimento humano. Segundo elas, aqueles que aceitam a doutrina da Trindade estão abandonando a visão espiritual de Deus, dada por revelação, para crer na teologia do homem.

Ora, a Trindade é um ensino que só pode ser aceito através da fé, gerada em nós pela Palavra de Deus. Como dizer que este ensinamento é carnal, se ele vai justamente contra a pequenez da mentalidade humana? Se a Trindade fosse algo inventado, o homem poderia tê-la simplificado. Mas como ela é um dogma estabelecido na Palavra de Deus, nós não temos escolha, a não ser crer e aceitá-la pela fé.

O homem não consegue aceitar um Deus grande, singular, maior que sua forma de pensar. Não conseguindo compreender a natureza tri-una de Deus com sua mente irregenerada, ele cria um “Deus” cabível dentro de sua forma de pensamento, fácil de entender, seja mutilando a distinção entre as Pessoas da Deidade, seja pinçando as passagens que apontam a subordinação de Cristo a Seu Pai, atrofiando os versículos para subtrair a divindade do Filho de Deus. Diante dessas fascinantes novidades de doutrina, enfeitadas com alguns textos bíblicos mal interpretados, não analisados a fundo, ele incorre então em heresia, aceitando outro “Jesus” além Daquele que já foi pregado pelos apóstolos, e recebendo outro espírito além do verdadeiro Espírito de Cristo (2Co 11:4).

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