história dos egípcios

História dos Egípcios

egipciosHISTÓRIA DOS EGÍPCIOS

 

Egito, uma dádiva do Nilo.

Eis a frase clássica usada pelo historiador grego Heródoto para definir a civilização egípcia. Afinal, nessa árida região, onde a agricultura de chuva era impossível, o rio Nilo representava a fonte indispensável da vida. Apesar de a civilização egípcia ter seu início no 4º milênio a.C., foi somente no século passado que os estudiosos tiveram acesso às fontes escritas do Egito, com a decifração dos hieróglifos por Jean François Champolion. A partir daí os conhecimentos sobre o Egito se multiplicaram.

Estabilidade e Isolamento do Egito

A construção de canais de irrigação e de outras grandes obras coletivas exigia uma administração forte e centralizada, capaz de vencer as resistências dos grupos locais e de impor uma unidade política ao país. Essa administração forte e centralizada contribuiu para que o Egito fosse uma civilização estável e contínua, nos seus mais de três mil anos de história.

A estabilidade e a continuidade da civilização egípcia também podem ser justificadas pelo seu isolamento geográfico. O país é cercado por fronteiras que lhes asseguram uma verdadeira defesa natural contra invasões ou influências estrangeiras: ao sul encontramos as cataratas do Nilo; ao norte, o litoral pequeno; a leste e a oeste, a vastidão do deserto.

Entretanto, a estabilidade e a continuidade da civilização egípcia não implicaram a ausência de mudanças. No decorrer de sua longa história, o Egito passou por diversas transformações em termos sociais, econômicos, e culturais. Essas transformações, contudo, não destruíram a estrutura que caracterizava a civilização egípcia.

Etapas da Evolução Política

Desde 5000 a.C., o Egito era habitado por povos que viviam em tribos, os nomos. Com o tempo, os nomos da região norte (próxima ao mar Mediterrâneo) formaram o reino do Baixo Egito. Os nomos da região sul, por sua vez, formaram o reino do Alto Egito.

Assim, havia no Egito dois reinos independentes e rivais:

Reino do Baixo Egito – Nomos do Norte.
Reino do Alto Egito – Nomos do Sul.

Menés, fundador da primeira dinastia dos faraós, unificou os reinos do norte e do sul por volta de 3200 a.C. Assim terminou o período Pré-Dinástico no Egito.

Após a unificação, o faraó tornou-se o governante absoluto de todo o Egito. Usava uma coroa dupla para demonstrar que era o rei do Alto e do Baixo Egito.

Antigo Império

Durante o Antigo Império, os faraós conquistaram enormes poderes. Para comandar o Estado, tinha a seu lado uma numerosa equipe de funcionários. Nos postos mais alto, estavam os administradores locais das províncias (nomos), os supervisores dos canais de irrigação, os planejadores das grandes construções etc.

Nesse período destacaram-se os faraós da IV dinastia, Quéops, Quéfren e Miquerinos, responsáveis pela construção das mais famosas pirâmides do Egito.

A capital do Antigo Império foi primeiramente à cidade de Tínis, e depois se transferiu para Mênfis.

Por volta de 2400 a.C., ocorreram umas séries de revoltas, lideradas pelos administradores das províncias, que tinham como objetivo enfraquecer a autoridade central do faraó.

Com o abalo da autoridade central do faraó, o Egito viveu um período de distúrbios e guerra civil, que levaram à desorganização da sociedade egípcia.

Médio Império

Depois de um período marcado por lutas e por divisões políticas, representantes da nobreza de Tebas conseguiram chegar ao poder e reunificar as forças do império. Tebas tornou-se a capital do Egito.

Os faraós tebanos organizaram uma sólida estrutura centralizadora de poder. O Médio Império conheceu, então, um período de prosperidade econômica (diminuiu-se os impostos que esmagavam os camponeses), de expansão territorial (conquista militar da Núbia, onde existiam minas de ouro) e de florescimento literário.

Por volta de 1750 a.C., o Egito enfrentava crises políticas internas. Valendo-se disso, os hicsos, povo nômade vindo da Ásia, invadiram o Egito. Aparelhados com carros de combate puxados a cavalo e com armas de metal, os exércitos hicsos dominaram a região norte do Egito (delta do Nilo), fixando capital em Ávaris. Aí permaneceram por cerca de 170 anos.

Novo Império

Mais de uma vez, a nobreza tebana conseguiu restaurar a unidade política do Egito, expulsando os hicsos. Teve início o Novo Império, caracterizado pela expansão militar do Egito.

Utilizando táticas militares aprendidas com hicsos (carros de combate puxados a cavalo), os faraós organizaram poderosos exércitos e invadiram a Ásia, conquistando a Síria e a Palestina. O território do Império Egípcio passou a ocupar uma grande área que abrangia desde o rio Eufrates até a 4º cataratas do rio Nilo.

A partir do faraó Ramsés III (1198 a 1167 a.C.), o Novo Império entrou num período de decadências. Os sacerdotes passaram a aumentar seus poderes, controlando uma enorme riqueza, que estava isenta dos tributos do Estado. Por sua vez, a maioria da população era sobrecarregada com parcelas cada vez maiores de tributos.

A Decadência do Egito

Depois do século XII a.C., o Egito sofreu a invasão de diversos povos: gregos, fenícios, núbios e líbios.

Em 670 a.C., os assírios conquistaram o Egito, dominando-o por oito anos.

No período entre 635 e 525 a.C. houve um revigoramento da civilização egípcia, conhecido como renascença saíta, promovida pelos soberanos da cidade de Sais. Entretanto, em 252 a.C. os persas conquistaram o Egito, pondo fim ao renascimento saíta. Os persas mantiveram-se na região até 332 a.C., quando foram vencidos pelos macedônios liderados por Alexandre Magno. Após a morte de Alexandre Magno (323 a.C.), o Egito ainda preservava diversas características de sua milenar civilização, seus deuses e suas escritas. Finalmente, em 30 a.C., o Egito foi dominado pelos romanos.

O Renascimento Saíta (de 670 a.C. a 525 a.C.)

Expulsos os assírios (662 a.C.), a cidade de Sais, no delta do Nilo, tornou-se a capital do império. Iniciou-se então um período de prosperidade econômica, graças ao comércio no Mediterrâneo, em virtude do qual a cultura alcançou grande desenvolvimento. Por isso chama-se a essa fase de Renascimento Saíta.

No entanto, as lutas continuaram e enfraquecer o poder central, permitindo, a partir de 525 a.C., o Egito fosse dominado pelos persas. Seguiram-se os gregos, macedônios, romanos, e finalmente os árabes, povo que constitui hoje a maioria absoluta da população.

Características Gerais do Egito 

1.Estrutura Econômica

Uma das principais atividades da economia egípcia era a agricultura, destacando-se o cultivo da cevada, trigo, legumes, algodão, frutos e papiro (plante que servia, entre outras coisas, para fabricar um tipo de papel). O desenvolvimento da agricultura tinha por base o aproveitamento das inundações do Nilo, através de obras como os canis de irrigação.

O comércio no Egito Antigo desenvolveu-se a partir do II milênio a.C., tendo como principais pontos de intercâmbio Creta, Palestina, Síria e Fenícia. Trigo, tecido de linho e cerâmica figuravam entre as exportações, enquanto o marfim, madeira, perfumes, peles de animais, prata, ouro e cobre eram os principais produtos importados.

O estado egípcio exercia grande interferência nas atividades econômicas. Era o dono das terras que comandavam a força de trabalho nelas empregadas. Através de seus inúmeros funcionários, administrava as grandes pedreiras, as minas, as construções de canais, os diques, os templos, as pirâmides e as estradas e, além disso, controlavam o comércio exterior. Assim, não havia no Egito pessoas ou empresas atuando independentes do controle unificador do Estado.

2.Organização Social

A maioria do povo egípcio vivia em condições precárias, em contraste com o luxo e a riqueza das classes elevadas, compostas pela família do faraó, pelos sacerdotes e pelos altos funcionários do Estado. Apoiadas no poder de força da maquina estatal, as classes dirigentes sustentavam sua riqueza, apropriando-se com freqüência de grande parcela da produção dos membros da comunidade. Em outras palavras, as classes dirigentes viviam da exploração do excedente gerado pelas classes produtoras, fosse em forma de trabalho ou em forma de produtos.

As diversas camadas sociais do Egito Antigo estavam organizadas em castas hereditárias, isto é, a sociedade hierarquizada, e as camadas sociais se mantinham quase imutáveis através dos tempos.

Abaixo do faraó, a sociedade dividia-se em dois grandes grupos: dominante e dominado.

Grupo Dominante

O grupo dos dominantes era constituído pelos:

Nobres – eram administradores das províncias ou comandantes dos principais postos do exército. Seus cargos eram hereditários.

Sacerdotes – eram os senhores da cultura egípcia. Presidiam as cerimônias religiosas e administravam os bens materiais dos templos. Desfrutavam de enorme riqueza proveniente das oferendas feitas pelo povo.

Escribas – eram os funcionários da administração. Desempenhavam várias funções, como cobrança de impostos, fiscalização da vida econômica, organização das leis etc. Todo escriba sabia ler, escrever e contar.

 

Grupo Dominado

A maioria da população egípcia pertencia ao grupo dominado, formado de:

Artesãos – eram os trabalhadores urbanos que exerciam profissões como barbeiro, ferreiro, carpinteiro, tecelão, ourives, ceramista etc. Muitos desses artesãos trabalhavam na construção dos templos e pirâmides. Quase sempre viviam na pobreza.

Felás – eram principalmente camponeses, mas trabalhavam também na construção de obras públicas, no transporte etc. Constituíam a maioria do povo egípcio. Viviam na miséria.

Escravos – eram os estrangeiros capturados em guerra. Trabalhavam nos serviços mais pesados, como nos das pedreiras do Estado. Desfrutavam de alguns direitos, como casar pessoas livres, possuir bens pessoais, testemunhar nos tribunais etc. Viviam em condições penosas.

3.Aspectos Culturais

O historiador grego Heródoto considerava os egípcios os mais religiosos de todos os homens. De fato, a religião, de caráter politeísta, influenciavam os mais diversos setores da sociedade egípcia, desde a política até as ciências, passando pelas artes.

No culto oficial, destacavam-se a crença no Deus Amon-Rá, originário da fusão de Rá (deus do Sol e criador do mundo) e de Amom (protetor de Tebas). No culto popular, predominava a devoção a Osíris (deus da vegetação e dos mortos) a Ísis (esposa e também irmã de Osíris), e a Hórus (filho de Ísis e de Osíris, tendo corpo humano e cabeça de falcão).

A crença na ressurreição da alma, ligada às periódicas inundações do Nilo, que revigorava o solo e permitia a continuidade da vida, levada os egípcios a cuidar da preservação do corpo dos mortos, por meio da mumificação. Além de alimentos e de objetos de valor, os egípcios costumavam deixar junto das múmias um exemplar do Livro dos Mortos, que era uma coleção de textos religiosos para serem recitados quando a alma comparecesse ao tribunal de Osíris.

Durante o Novo Império, o faraó Amenófis IV tentou reformar a religião oficial egípcia, substituindo o deus Amon-Rá pelo deus Aton, simbolizando pelo disco solar. Amenófis desejava assumir a função de sacerdote supremo do deus Aton e, assim, diminuir o poder dos antigos sacerdotes de Amon-Rá. Entretanto, a reforma teve curta duração. O sucessor de Amenófis foi pressionado pelos sacerdotes a restabelecer o culto a Amon-Rá.

4.Contribuições Para a Ciência

É gigantesco o legado científico do Egito Antigo às futuras civilizações, destacando-se nos campos da química, da matemática, da astronomia e da medicina. O conhecimento científico era praticamente monopolizado pela classe sacerdotal.

Química – foi no Egito Antigo que surgiu a manipulação de substâncias químicas, como o arsênio, o cobre, o petróleo, o alabastro, o sal, o sílex moído etc., que deram origem à fabricação de diversos remédios e composições. A própria palavra química vem do egípcio kemi, que significa terra negra.

Astronomia – o céu sempre foi observado no Egito, pois as estrelas eram os guias dos navegadores e serviam também para determinar as épocas das atividades agrícolas. Os egípcios fizeram mapas do céu, enumerando e agrupando as estrelas em constelações. Ao lado da Astronomia desenvolveu-se a Astrologia, que observava o movimento dos astros com a finalidade de prever e entender o destino dos homens.

Medicina – a prática da mumificação colaborou para o estudo do corpo humano, embora houvesse um respeito religioso pelo morto que proibia a dissecação do cadáver com finalidades de pesquisa. Os médicos egípcios se especializavam em diferentes partes do corpo, como olhos, cabeça, dentes e ventre. A Medicina estava ligada à magia e às tradições do passado. Conforme a doença, eram indicados remédios que variam desde sangue de lagarto até livro velho fervido em azeite. Ou, ainda, leite de mulher que tinha dado à luz, excremento de crocodilo etc.

Pintura e Escultura

A escultura e a pintura eram diretamente influenciadas por motivos religiosas. A maior parte das estatuetas egípcias e das cenas pintadas servia para decorar túmulos e templos.

Tento na pintura como na escultura, as figuras humanas eram apresentadas em posição rígida e majestática (postura hierática), geralmente com a cabeça e as pernas de perfil, e os ombros e o tronco de frente. Esse tipo de representação da figura humana é denominada frontalidade e constitui uma característica geralmente da arte egípcia, embora haja exceções a essa forma de figuração frontal.

Arquitetura

Os egípcios construíram grandes obras arquitetônicas, destacando-se as pirâmides, cujo aspecto monumental empolga-nos até hoje. Destacam-se também, entre as construções funerárias, as mastabas e os hipogeus.

As pirâmides eram os túmulos dos faraós. No seu interior existiam verdadeiros labirintos para confundir possíveis profanadores de túmulos. No lugar mais seguro ficava uma câmara secreta, que guardava o sarcófago do faraó.

A pirâmide de Quéops possui 150 m de altura. Exigindo avançados conhecimentos de engenharia e matemática, em sua construção foram empregados mais de 2 milhões de blocos de pedra calcária.

As Crenças dos Antigos Egípcios

As primeiras manifestações religiosas dos egípcios são comuns às sociedades primitivas: o temor aos elementos ou forças da natureza que escaparam ao seu controle, levou os egípcios a respeitá-los e cultuá-los.

Percebendo que a continuidade da vida estava ligada à existência do Sol, os egípcios passaram a identificá-lo com Rá, divindade a quem atribuíam a criação dos homens. Igualmente temidos e admirados, alguns animais eram criados em remplos, cercados de atenção e luxo, e serviam de modelo para a criação de seus deuses: Tote, por exemplo, representado por uma ave pernalta chamada Íbis, era a divindade da sabedoria; Sobeque, simbolizado por um crocodilo, guardava as cidades que dependiam da água.

Entretanto, à medida que o povo egípcio evoluiu e adquiriu maior domínio sobre os animais e a natureza, passou a valorizar mais sua condição humana. Assim, seus deuses foram, pouco a pouco, assumindo a forma humana. Anúbis, deus dos mortos, antes representado por um chacal, transformou-se, conservando apenas a cabeça do animal presa a um corpo humano.

Logo surgiram outras divindades, como Osíris, já totalmente antropomórficas, cuja lenda nos permite compreender melhor os ritos mortuários dos antigos egípcios.

Osíris governava o Egito e, sendo o deus do lodo fértil existente no leito do Rio Nilo, trazia abundância e benefícios ao seu povo. Seti, deus do árido e despovoado deserto, com ciúmes do irmão, convida-o para um banquete, no qual lhe mostra uma grande arca ricamente enfeitada. Diz-lhe que se dispões a presenteá-la quem nela couber. Na verdade, a arca possuía as dimensões de Osíris, que, sem demora, fecha a arca, lançando-a ao Nilo.

Ísis, esposa de Osíris, procura incessantemente por ele e, ao encontrar seu cadáver em pedaços, é ajudada por Anúbis a envolvê-lo com delicadas ataduras de linho, implorando aos deuses que lhe restituam a vida. É atendida, mas sob a condição de Osíris ganhar vida eterna, reinando sobre os mortos. Ele promete aos egípcios a ressurreição e a vida eterna, após a morte, em seu reino subterrâneo, iluminado e aquecido todas as noites por Amon-Rá.

Generalizou-se, a partir de então, a crença de que os mortos, colocados em seus túmulos, partiram juntamente com as estrelas num barco iluminado, em direção aos domínios de Osíris. Fascinados com a possibilidade de ressurreição, os faraós passaram a ordenar a construção de pirâmides, dentro das quais seriam postos de mortos, juntamente com todos os seus pertences, e até mesmo seus escravos e sua mulher. Deste modo, estavam certos de assegurar o mesmo nível de conforto que possuíam nesta vida.

No entanto, era preciso que alguém construísse essas pirâmides. Assim divulgou-se a crença de que a segunda vida seria mais importante, porque seria eterna. Á espera de uma vida melhor, os escravos se conformariam com o árduo trabalho em benefícios dos privilegiados.

Copyright © 2003 – PORTAL HISTORY
Todos os direitos reservados.

Deixe uma resposta