O FRUTO DO ESPÍRITO

frutoO FRUTO DO ESPÍRITO

ALEGRIA

Filipenses 4:1-7

 

Textos: Ne.12:27-31,43; Sl.16; 92; 97; Mt.5:1-12;

Fp.4;Ap.19:1-10

INTRODUÇÃO

Blaise Pascal, famoso matemático e cientista francês que viveu no século XVII, converteu-se ao Senhor Jesus Cristo e tornou-se ardoroso defensor da fé cristã. Na noite de 23 de novembro de 1654 ele teve uma profunda experiência  com Deus, quando passou a sentir profunda alegria espiritual; tão marcante foi esta experiência na vida do sábio que ele a escreveu e guardou o registro no forro de seu casaco, onde foi encontrado depois de sua morte. Pascal verdadeiramente experimentou a “alegria indizível e cheia de glória” de que nos fala o Apóstolo Pedro (I Pd.1:8).

VISÃO BÍBLICA

1- Qual é o maior motivo da alegria cristã? (Lc.10:20)

2- Em que situações o cristão deve revelar alegria? (Fp.4:4; 1ª Ts.5:16).

3- De que forma o cristão deve expressar a sua alegria? (Sl.100).

DEFINIÇÃO DO TERMO

A palavra alegria era muito importante no mundo antigo; prova disso é que era usada como saudação (Lc.1:28). A palavra que em nossas versões da Bíblia é traduzida como “saudações em At.15:23 e Tg.1:1 e como “saúde” em At.23:26, significa literalmente “alegria”. O termo transmite a idéia de prazer, contentamento, satisfação, gozo, bem-estar, felicidade e exultação, proveniente de algo bom e agradável que se recebe ou se vive. Também o A .T . é  rico em citações deste termo, seja em relação á alegria experimentada pelos filhos de Israel (1º Cr.29:9), seja pela alegria do próprio Javé em Seu povo Sf.3:17). A alegria é importante para se falar do EVANGELHO e para isto é necessário a saúde. Daí a necessidade da cura pela Palavra pois o prazer de viver com saúde nos faz falar de Deus com prazer. É necessário que o cristão tenha saúde em todos os sentidos, isto é, saúde física, social, financeira, psicológica e espiritual. Quando ouço ou vejo as pessoas pedirem oração para a sua saúde pergunto se esta pessoa está querendo saúde para ter alegria. Vejo muita gente com saúde física porém triste, fabricando doenças psíquicas que se tornarão físicas futuramente.

APLICAÇÕES

I – A ALEGRIA É PROVENIENTE DE DEUS

A Bíblia nos ensina claramente que Deus é fonte, a origem da alegria cristã. Vejamos um pouco do que a ESCRITURA SAGRADA nos fala a este respeito:

1-  A alegria é proveniente da graça divina

Deus a dá sem qualquer merecimento da parte daqueles que a recebem. No A .T., o Senhor promete derramar alegria sobre o seu povo (Is.61:1,3; Jr. 33:10-11). Louvado seja o nome de Deus que nos enche de alegria mesmo que não mereçamos recebê-la!

2-  A alegria é proveniente da obra salvadora de Cristo

A maior e mais excelente de todas as manifestações da graça soberana de Deus sem dúvida é nossa salvação em Cristo. É simplesmente impossível dar graças ao Pai pela salvação que Ele nos deu em Cristo sem experimentar a santa alegria cristã (Cl.1:11-14)

3-  A alegria é proveniente da ação do Espírito Santo

Lucas 110:21 nos diz que “exultou Jesus no Espírito Santo…”, isto é, foi tomada de alegria que o Espírito de Deus nos concede. O Senhor nos enviou Seu Espírito (Jo.16:7) que faz nascer em nós a alegria cristã (Gl.5:22). Crentes cheios da lei do espírito são cheios de alegria produzida pelo Espírito.

4-  A alegria é proveniente do recebimento da palavra

Quando a Palavra de Deus é recebida com fé, humildade e obediência deve haver alegria, mesmo que este recebimento da Palavra se de em meio a problemas e sofrimentos (1ª Ts.1:6-7). Quando os cristãos são fiéis á Palavra do Evangelho que é recebida, também há alegria (2ª Jo.4; 3ª Jo3-4). Pois quem se encontra com Cristo e Sua Palavra, encontra o maior e mais valioso tesouro, por amor do qual qualquer sacrifício pode ser feito com a maior alegria (Mt.13:44).

A alegria que é proveniente de Deus tem enchido nossa vida?

II – A ALEGRIA É POSSÍVEL, APESAR DAS CIRCUNSTÂNCIAS

O ser humano tem necessidade de experimentar alegria. Esta é uma realidade inegável da vida de qualquer pessoa. Não se pode tentar abafar esta necessidade, como se não existisse. Entretanto, muitas pessoas tentam satisfazer a este legítimo anseio humano de maneira errada, através de uma dependência excessiva de circunstâncias e fatores exteriores. Este procedimento, embora muito comum, não tem base na Palavra de Deus. Para muitos, a alegria depende de boa saúde física, bom saldo na conta bancária e absoluto sucesso em todas as realizações. Estes fatores externos, conquanto não são suficientes para garantir a alegria de quem quer que seja. E há também os que procedem de modo ainda pior, fazendo sua felicidade depender de elementos totalmente nocivos e prejudiciais á saúde física, mental e emocional do ser humano, como álcool e drogas.

Os cristãos podem viver uma alegria que, contrariamente os padrões da sociedade não cristã, não depende de circunstâncias externas. Nos tempos do V.T., o Profeta Habacuque cantava que mesmo que tudo fosse de mal a pior, ele se alegraria no Senhor (Hc.3:17-19). O Apóstolo Paulo declarou que aprendeu a viver contente em toda e qualquer situação, de fartura ou de pobreza (Fp. 4:11-13); o mesmo apóstolo, em companhia de seu amigo Silas, após terem sido injustamente presos e açoitados, cantavam louvores ao Senhor (At.16:19-25). Esta alegria que existe e subsiste independentemente das circunstâncias exteriores não é masoquismo, isto é, prazer no sofrimento. Pelo contrário, é alegria de saber que “… a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação, não atentando nós nas cousas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais e as que se não vêem são eternas” (2ª Co.4:17-18). Os cristãos são chamados por Deus a viver esta alegria superior aos problemas do dia-a-dia. O próprio Senhor deseja que assim seja. T em sido assim em sua vida?

III – A ALEGRIA É FORÇA PARA O VIVER DIÁRIO

Finalmente, além de ser proveniente de Deus e por isso mesmo, desfrutável apesar das circunstâncias, a alegria cristã é força para nosso viver diário. Nada como a santa alegria que os filhos e filhas de Deus têm para incentivar e estimular na caminhada cristã rumo ao novo céu e  nova terra, somos dia e noite fortalecidos no Senhor! A este respeito, o A .T. diz que “… a alegria do Senhor é a vossa força” (Ne.8:10). Notem que a felicidade e uma questão de alma mas a alegria e questão de espírito. Tem muita gente confundindo felicidade com alegria. Uma depende de condições esteriores a outra somente de dentro do espírito.

Muitos falsos mestres têm ensinado heresias que dizem que as pessoas podem, encontrar apenas no seu interior força para viver; para estes ensinadores do engano, todos são dotados de f orça interior, e precisam apenas descobri-la  e canalizá-la. Mas, á luz do verdadeiro ensino bíblico, esta mensagem é errada. A força pela qual vivemos e enfrentamos os dessafios e problemas do dia-a-dia não vem de nós mesmos, mas vem do Senhor, que nos concede alegria! Esta alegria é a fortaleza que temos á nossa disposição, pela fé, no Senhor Jesus. Assim, podemos tranqüla e alegremente trabalhar, estudar, cuidar da família, enfrentar problemas como falta de saúde e/ou dinheiro, usufruir momentos der lazer, enfim, qualquer atividade em qualquer época da vida, com alegria cristã. Assim, podemos afirmar que a alegria é o mator que impulsiona o crente em sua vida como como seguidor de Jesus.

A alegria cristã tem nos fortificado em nosso viver diário?

“Aquele que ouviu a mensagem da RESSURREIÇÃO não pode viver uma vida triste nem levar uma existência mal humorada, pois somos chamados a nos alegrar com a vitória de DEUS”

(Karl Barth)

AMOR

I Coríntios 13

Textos: Mt.5:43-48; Lc.7:36-50; 10:25-37; Rm.12:9-21; Tg.2:1-13; 1ªJo.2:7-11; 3:11-24; 1ª Jo.4:7-21

INTRODUÇÃO

O que é amor? Parece que todo mundo sabe o que é amar, mas não é tarefa nada fácil descrever o maior de todos os dons. De fato, o mais importante é o amor. Mas, entendê-lo, e, sobretudo, praticá-lo, é algo ainda mais desafiante.

Um poeta escreveu:

“Se os mares fossem tintas;

E o céu sem fim fosse papel;

Se as hastes todas fossem penas

E os homens todos escrivães,

Nem mesmo assim o a mor seria

Descrito em seu fulgor”.

Mas, é possível, pelo menos, tecer alguns comentários que poderão nos ajudar a viver em amor; afinal, não é sem razão que na descrição do  fruto do espírito, o amor se apresenta em primeiro lugar.

VISÃO BÍBLICA

1-   Que tipo de amor é condenado por Jesus? (Mt.10:37)

Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim;

2-   Qual é uma das características marcantes do final dos tempos? (Mt.24:12)

E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor se esfriará de quase todos.

3-   Como expressar o amor? (1ª Pd. 3:8-12).

Finalmente, sede todos de igual ânimo, compadecidos, fraternalmente amigos, misericordiosos, humildes, 3:9  não pagando mal por mal ou injúria por injúria; antes, pelo contrário, bendizendo, pois para isto mesmo fostes chamados, a fim de receberdes bênção por herança. 3:10  Pois quem quer amar a vida e ver dias felizes refreie a língua do mal e evite que os seus lábios falem dolosamente; 3:11  aparte-se do mal, pratique o que é bom, busque a paz e empenhe-se por alcançá-la. 3:12  Porque os olhos do Senhor repousam sobre os justos, e os seus ouvidos estão abertos às suas súplicas, mas o rosto do Senhor está contra aqueles que praticam males.

DEFINIÇÃO DO TERMO

A palavra amor é usada para traduzir vários sentimentos diferentes. Os gregos faziam distinção de 4 palavras que em português traduzimos por amor: amor caridoso, amigável, amigo; amor sexual e erótico; amor familiar, aplicado aos relacionamentos domésticos; e o verdadeiro e puro amor, como citado na lista de Gálatas 5:22. O amor ágape, na expressão de R.C. Trench, “é uma palavra que nasce no seio da religião revelada”. Isso significa dizer que o amor (ágape) é o amor que Deus nos tem dado e  nos ensinado a cultivar. É o maior de todos os dons. É o maior virtude.

APLICAÇÃO

A partir do mais lindo e completo poema já escrito sobre o amor – 1ª Co.13 – é possível considerar o maior de todos os dons, observando:

I – A SUPERIORIDADE DO AMOR

Discorrendo sobre os dons espirituais – um complexo problema para a igreja dos coríntios – o apóstolo faz uma transição para falar sobre o “santo remédio” para todos os problemas. No texto verifica-se a superioridade do amor nos seguintes aspectos:

1-  A palavra/línguas

Mesmo, que alguém consiga falar em línguas angelicais ou especiais, sem amor não têm qualquer significado e nem carecem de interpretação, assemelhando-se aos frios sons de um aparelho sonoro;

2-  Pregação/profecias

Na lista dos dons espirituais, a profecia ocupa os primeiros lugares (1ª Co.12:28; 14:1-4). Mas, sem amor, a pregação se faz mecânica, vazia e sem valor;

3-  Conhecimento/ciência

Na vida há muitos mistérios. Se alguém for capaz de decifrar todos os ministérios e conhecer toda a ciência, só terá algum significado se for movido pelo amor.

4-  Fé/milagres

Jesus ensinou que a fé remove montanhas e “nada vos será impossível” (Mt.17:20). Mas, sem amor; sinais, milagres ou realizações várias não terão nenhum valor;

5-  Caridade/Boas Obras

As obras devem ser conseqüências da fé; mas tem que ser também do amor. Qualquer ação (mesmo a distribuição dos bens aos pobres) sem amor não terá nenhum proveito;

6-  Dedicação/entrega

Alguém pode entregar a uma causa e doar a sua própria vida, mas sem amor, nada disso terá algum valor.

Quantas atitudes em nossa vida são tomadas sem a verdadeira e indispensável motivação! “Todos os vossos atos sejam feitos com amor” (1ª Co.16:14).

II – A NATUREZA DO AMOR

É interessante notar que o apóstolo Paulo resume o amor, para depois analisá-lo. Nos vs.4-7, o amor é relacionando a:

1-  Aspectos negativos, positivos e ativos

Inicialmente, o apóstolo fala de coisas que o amor não é:

o amor não é invejoso;

não é orgulhoso;

não é indecente;

não é melindroso;

não é desconfiado;

não é egoísta.

 

Coisas que o amor faz:

O amor é longânimo;

O amor é benigno;

O amor ama a verdade;

O amor tem tolerância,

O amor confia,

O amor tem paciência.

2-  Aspecto divino – “nós amamos porque Ele nos amou primeiro” (1ª Jo.4:19)

O verdadeiro amor procede de Deus, pois Ele é amor. William Barclay comenta o amor de Deus dizendo que:

a-   O amor de Deus é universal (Jo.3:16)

b-   O amor de Deus é sacrificial(1ªJo.4:9-10)

c-   O amor de Deus é misericordioso (Ef.2:4)

d-   O amor de Deus salva e santifica (2ªTs.2:13)

e-   O amor de Deus fortalece (Rm.8:37)

f-    O amor de Deus disciplina (Hb.12:6).

Esta rápida amostragem confirma a origem de todo amo de Deus.

3-  Aspecto eterno

Segundo o apóstolo, o amor permanecerá para sempre! Um dia cessarão os dons, a ciência cessará e, em alguns sentidos, até a fé e a esperança poderão acabar, mas o amor jamais acaba. O verdadeiro amor suporta todas as situações, se impõe em qualquer época e idade, e dura para sempre.

III – A PRÁTICA DO AMOR

Amar não é verbo para se conjugar; mas para se praticar. Não existe amor teórico. Só através de atos concretos poderá se comprovar e atestar a existência de amor. Portanto, “não amemos de palavras, mas de fato e de verdade”, pois “o amor é o vínculo da perfeição” (1ª Jo.3:18; Cl.3:14). Não foi assim também na parábola do samaritano? Quem mostrou amor: o sacerdote, o levita ou o samaritano?

De que maneira é possível mostrar amor?

1-  Amor universal

É fácil dizer que se ama a todo mundo; mas é preciso dedicar amor a cada um, independente da cor da pele, da posição social da diferença religiosa, da divergência de opiniões, etc. Infelizmente, ouve-se falar de divisões e partidarismo nas igrejas, pois muitos não tem sido capazes de dedicar um amor que ultrapasse as diferenças e barreiras entre as pessoas. É muito fácil amar quem nos ama (isto os publicanos do tempo de Jesus também faziam – (Mt.5:46,47). Mas só isso não basta. É preciso aplicar o amor a cada um daqueles que nos cercam.

2-  Amor serviçal

Quantos e importantes serviços podemos prestar aos nossos semelhantes como expressão e demonstração de nosso amor? Um sorriso, uma palavra de ânimo, uma visita cordial, uma aperto de mão, um abraço fraterno, etc., podem significar amor para com o nosso próximo. Vestir o nu, alimentar o faminto ou saciar o sedento não é custoso para ninguém; e quanto objetos e utensílios desperdiçados em nossas casas e que fariam alegria de muita gente!

Crianças carentes, idosos, deficientes, presos, pobres, etc., merecem um carinho todo especial de nossa parte dentre os muitos outros que carecem de expressão objetiva de nosso amor.

3-  Amor comunicativo

A igreja é a comunidade do amor. Nela, o desafio de exercitar o amor se reveste de especialidade, pois a convivência amorosa dos cristãos concede autoridade para o exercício dos ministérios e da missão da igreja – aliás, este é o mal necessário e urgente sermão da atualidade: “amai-vos uns aos outros”. A maior responsabilidade da igreja não é se entregar a construções, aperfeiçoar a liturgia ou criar novos pontos de trabalho; mas sim, aperfeiçoar e praticar o amor. Quando cada cristão se fizer um instrumento do amor, praticando a tolerância, a verdade, a confiança mútua, respeito, etc., o mundo estará disposto a ouvir a voz dos cristãos. “Ó cristão, ao teu vizinho mostre amor”. A grande síntese é que “Deus pede de todos mais amor”!

“Deus só vive para o homem mas este perdeu a independência e a dignidade para entendê-lo.

O mundo sempre precisou da IGREJA, esta, porém, preocupou-se mais consigo mesma do que com as necessidades do mundo, ao qual deve servir.

O incrédulo sente um desejo ardente de ser crente também, mas o fanatismo, o orgulho e a falta de alegria observados nos crentes impeliram-no para outros rumos os quais se adaptou muito bem.

Contudo é esta a época do homem, a oportunidade da IGREJA, o momento do “CRENTE”.

(Dietrich Bonheffer)

BONDADE

Lucas 10:25-37

Textos: Gn.48:11-22; Sl.32; Sl.34; Lc.18:18-23; At.4:36-37; 11:19-26;Rm.12:9-21; Fp.4:10-20

 INTRODUÇÃO

A bondade é uma das virtudes esquecidas no mundo de hoje. A busca frenética pela veracidade das coisas, das leis, quase sempre descaracteriza uma atitude de bondade.

Em todos os setores da vida, no trabalho, na escola, nas ruas, nas Igrejas, no lazer, há uma enorme carência de bondade. Qual a razão disto? Será que ser bondoso hoje em dia é algo que envergonha? O amor realmente está esfriando? A maldade está triunfando? São inquietações que nos vêm á mente nesses dias conturbados em que nós estamos vivendo.

VISÃO BÍBLICA

1-   O que alguém deve Ter em mente ao exercer a bondade? (Mt.5:16)

2-   O que está reservado aquele que é bondoso? (Pv.21:21)

3-   Diante da bondade do Senhor qual deve ser a atitude do cristão? (Sl. 107:21).

DEFINIÇÃO DO TERMO

“BONDADE” significa basicamente “retidão”, ou “gentileza”. É aquela qualidade de generosidade e de ação gentil para com outras pessoas. Bondade é a realização do amor. Lutero dizia que “uma pessoa é bondosa quando se dispõe a ajudar aqueles que estão em necessidade”. A vida de Jesus é o maior exemplo do que seja bondade. Ele só fez o bem, só pensou em auxiliar. Nunca olhava para si mesmo, pois, sempre se preocupou com os seus semelhantes.

APLICAÇÕES

Quando olhamos para a nossa realidade percebemos uma ausência de bondade. Observamos que o tema precisa ser estudado e praticado. Vejamos porque:

I – A BONDADE É UM ATRIBUTO DE DEUS

A bondade, antes de mais nada, é fruto do espírito (Gl.5:22). Isto implica em dizer que ela se origina unicamente da ação de Deus, (Tg.1:17) para dentro de nosso espírito, daí o texto que diz: “O Espírito de Deus testifica com nosso espírito”, testifica através destes dons. Deus é amor etc. e em nos brotam estes dons que estão em nosso espírito humano. As Escrituras desperta estes dons adormecidos em nosso espírito, espírito este que esta em vaso de barro (1ª Co.4:7). Nada neste mundo pode promover a bondade se não for pela atuação de Espírito Santo. Somente Deus é bom (Lc.18:19). Bondade é um atributo de Deus. Deus é bom. Deus é amor. Deus não tem bondade ou amor, Ele é tudo isto, nos é quem devemos despertar isto dentro de nosso ser.

No texto de Lc.10:25-37 a primeira resposta do doutor da lei á pergunta de Jesus refere-se a Deus: “Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração…” Diz o salmista: “Oh! Provai, e vede que o Senhor é bom” (Sl.34:8).

Entretanto, o mundo vai de mal a pior. Por que? Qual a razão de anta ausência de bondade? A resposta é que o homem não quer ser bom. O homem no decorrer da história tem rejeitado o projeto de Deus para a vida. (Rm.3:10-18). Está faltando o amor de Deus. Os homens são bons, e as coisas são boas, somente até o ponto em que se conformam com a vontade de Deus, que está em seu corpo, a IGREJA, havendo dois ou três em nome de Deus ali estará Ele dizendo sim ao que ligamos ou desligamos na terra. Portanto, coitado daqueles que invertem a divina escala de valores, chamando de bom aquilo que Deus chama de mau e vice-versa (Is.5:20).

A bondade, pois, é uma característica inconfundível e essencial do amor a Deus. Será que realmente nós temos amado a Deus: Até que ponto você tem demonstrado que ama ao Senhor? A bondade está presente nos seus atos.

II – A BONDADE É PORTADORA DE VIDA

Na história do bom samaritano vemos a prática do egoísmo criminoso, assassino, efetuado pelos ladrões, que assaltaram e além de roubarem, procuram tirar a vida da vítima. A maldade é assim: portadora da morte. Isso é muito comum e se pratica de muitos modos em nossos dias, quando os recursos são canalizados para o bolso de alguns que se favorecem á custa do sofrimento e da morte de outros. Há também a maldade de um egoísmo comodista e covarde que também promove a morte. É o caso do sacerdote e do levita que viram a vítima mas nada fizeram a seu favor. É interessante lembrar as palavras de Tiago: “Portanto, aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz, nisso está pecando” (Tg.4:17).

A bondade, personificada na atitude do samaritano promove a vida do assaltado. Ele revela a prática da caridade, do amor sacrificial, arriscando sua própria vida, sacrificando sua comodidade, tempo e dinheiro. Ele faz questão que o seu protegido receba um tratamento completo e com toda segurança. Essa é uma história bem nossa, no cenário do nosso mundo. Nas estradas da vida encontramos os doutores da lie, os ladrões, as vítimas, os desinteressados pelo bem dos outros e aqueles que vivem com um coração “possuído de bondade” (Rm.15:14) e trabalham assim pelo bem da humanidade, promovendo e restaurando a vida. Nossas igrejas hoje precisam estar repletas de bons samaritanos, pois, esta é a razão de ser da IGREJA de CRISTO;: promover a vida do ser humano.

Jesus Cristo foi em sua vida terrena uma pessoa extremamente bondosa. Todos os seus atos foram promotores da vida. Esta era a sua missão (Jo.10:10). E nós? Temos promovido a vida através de um coração possuído de bondade? Temos permitido o Espírito Santo despertar, através da Palavra de Deus, esse fruto em nós? Com qual destes grupos (doutores da lei; sacerdotes, levitas; ladrões; samaritanos), você se identifica mais?

III – É UMA VIRTUDE QUE PROMOVE A GLÓRIA DE DEUS

Depois de contar a história ao doutor da lei, Jesus pergunta: “Qual te parece ter sido o próximo do homem que caiu na mão dos salteadores?” E a resposta é: “O que usou de misericórdia para com ele.”

Agora o doutor da lei já sabe. O ato do samaritano foi um ato proclamador. Um ato de bondade sempre é esclarecedor. Jesus Cristo nos diz: “Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus” (Mt.5:16).

Não adianta simplesmente falar que Deus é bom. Não adianta saber que bondade é um atributo de Deus. Não adianta somente as palavras. Bondade é algo  que precisa ser definido na prática e não apenas nos dicionários. Assim iremos proclamar de forma persuasiva o amor e a bondade de Deus.

As pessoas de hoje sempre associam a idéia de existência de Deus a partir das coisas más que acontecem no mundo. Sempre ouvimos alguém falr: “Se Deus existe por que existe fome, guerras, terremotos, ódio, etc…” Sempre questionam a existência a partir de uma visão das coisas más. Pos isso, essas pessoas precisam ver nossas “boas obras” para perceber a presença de Deus no mundo, assim irão “glorificar o Pai que está nos cèus”. A bondade é o melhor método de proclamação das boas-novas de Deus ao homem. Jesus de Nazaré sempre esteve cercado de multidões que desejavam ouví-lo porque, antes de tudo, ele praticava a bondade para com aquelas pessoas (Mc.8:1-2).

De que maneira temos proclamado as verdades de Deus hoje? Só com palavras? Aquilo que você faz tem sido uma ação proclamadora do EVANGELHO? O samaritano é exemplo para nós. A palavra de Jesus é: “Vai e faze da mesma maneira”. Que na estrada da vida, onde iremos encontrar os oprimidos, os fracos, as vítimas dos ladrões dos séculos XX, sejamos bons samaritanos, tendo como padrão de nossa conduta Jesus, a expressão máxima da bondade de Deus para conosco (Ef.2:4-7).

“Não existe homem bom que, ainda que submetesse, em todos os seus pensamentos e ações, às leis, não merecesse ser enforcado por dez  vezes durante a sua vida”

(Michel de Monaigne).

DOMÍNIO PRÓPRIO

Daniel 1

 

Textos: Gn.39; Pv.23; Lc.4:1-13; At.24:22-27;Iª Co.9;

Gl.5:23-26; II Pd.1:1-11.

INTRODUÇÃO

Ficamos impressionados com a exibição dos atletas, especialmente nas olimpíadas. Durante poucos dias eles se apresentam nas várias modalidades de competições. Porém, meses e meses se passam até que chega a época das suas apresentações. Nesse período eles treinam, se esforçam, suam a camisa; mas do que isto: se  auto-controlam. Em que eles estão pensando? No êxito, isto é, na medalha (de bronze, de prata e de ouro).

O segredo da conquista está na manifestação do domínio próprio, quando cada atleta precisa se dominar, deixando de assumir determinadas atitudes – até certo ponto prazerosas – para se dedicar exclusivamente aos treinamentos. Os períodos de concentração são longos e necessários os quais precisam ser enfrentados de modo disciplinado.

Os cristãos correm a carreira cristã a cada dia. A temperança é requerida de cada um.

VISÃO BÍBLICA

1-   O que acontece ás pessoas que não demonstram domínio próprio? (Sl.78:29-32; Pv.25:28).

2-   Que princípio deve nortear a conduta cristã? (I Co.6:12).

3-   Que recompensa há para aqueles que praticam o domínio próprio? (I Co.9:25).

DEFINIÇÃO DO TERMO

A expressão domínio próprio possui em sua origens os seguintes significados:

Autodomínio,

Continência,

Controle,

Prudência,

Temperança.

Essa expressão tem a idéia de “refrear-se de fazer alguma coisa”.

Existem aqueles que tem controle próprio, e aqueles que não se controlam. Daí a expressão possuir a ligação com a idéia de “agarrar, controlar, segurar firme, sustentar”. Literalmente a expressão significa: “Conservar o espírito dentro de limites”. Daí vem a idéia de abster-se, não somente de vícios físicos, mas também de emoções e pensamentos vis. Para a filósofo Aristóteles essa expressão está relacionada com o próprio caráter da pessoa, pois aquele que tem domínio próprio é alguém prudente, controlado, perseverante e bem sucedido.

APLICAÇÕES

Quando Nabucodonosor tomou Jerusalém, em 606 a. C., ele conduziu uma leva de judeus para Babilônia, ele desejava utilizar alguns jovens nos diversos ofícios do Palácio e desejava conhecer a ciência dos judeus e ensinar aos judeus as ciências dos caldeus. Mandou Aspenaz escolher alguns jovens qualificados física e intelectualmente, e que os preparasse para o serviço real. Assim, Daniel e seus companheiros revelaram uma forte domínio próprio diante das exigências reais. Vejamos algumas lições, extraídas deste momento vivido por Daniel e seus companheiros.

I – É ATITUDE QUE REQUER CORAGEM E DETERMINAÇÃO

Daniel e seus companheiros estiveram diante de um grande dilema: dizer sim, ou não aos convites e desafios da vida babilônica.  O v.8 declara: “Resolveu Daniel firmemente não se contaminar” (homem). Esta demonstração de autocontrole revela coragem, determinação e principalmente conhecimento. O motivo da decisão corajosa de Daniel tem a ver com as comidas e bebidas fortes e que não o deixaria entender a ciência dos caldeus v.4 e as comidas leves que escolheu lhe serviria como jejum para que entendesse toda a ciência deles e ensinasse a ciência dos judeus. Ele aproveitou a oportunidade para tudo entender e posteriormente ajudar o  seu povo. Deve ter sido difícil para eles deixarem de comer o banquete do rei e se dedicarem a uma comida aparentemente fraca. Não é bom entendermos este texto como se a comida do rei fosse sacrificada a ídolos pois também os frutos , legumes e água pertenciam também ao mesmo rei, portanto não vamos comparar com o texto de Lv.17:10-14). Daniel e seus companheiros estavam dispostos a servir á Babilônia, a homenagear Nabucodonosor, a cooperar para o progresso daquela região. Todavia, de modo corajoso estavam dispostos a sacrificar suas vidas aprendendo a cultura do povo, ensinando sua cultura pois havia interesse no poderio babilônico para libertar Israel. O jejum de Daniel precisa ser ensinado pois foi um jejum em benefício geral, sacerdotal e não de sacerdote. Jejum em função de dois povos. Jejum que também levou Daniel ao conhecimento do futuro dos impérios, da IGREJA e das coisa relacionadas ao JUÍZO FINAL.

A natureza humana é fraca e propensa para o mal que está no homem. Os atrativos para as práticas carnais (e nocivas) são incontáveis e constantes. Só com muita coragem, amor, conhecimento e confiança em Deus é possível alguém vencer desafios. A recomendação bíblica é que exista autocontrole para seu benefício para beneficiar outras. O autocontrole não é somente para nos beneficiar e sim para ajudar grandemente o REINO de DEUS. Aprender a ciência de Deus, revelada por Jesus para que não haja a contínua prática do pecado (Gn.4:7; Fp.45).

II – É ATITUDE QUE IMPLICA EM RESTRIÇÃO DOS IMPULSOS NATURAIS

 

Daniel e seus companheiros, sendo pessoas normais, possuíam impulsos naturais bem fortes. Estava na hora da demonstração do domínio próprio que é a virtude que leva a pessoa a se governar com auxílio do Espírito Santo (Jo.15:5).O Senhor requer que os ministros e demais cristãos tenham domínio de si mesmos (Tt.1:7-9) e que seus corpos sejam oferecidos a Deus tal qual oferta viva (Rm.12:1-2).

Há muitos exemplos bíblicos de pessoas que falharam quanto ao domínio próprio, pois não reprimiram seus impulsos naturais. O rei Davi, por exemplo adulterou, pois cedeu ao desejo impuro de seu coração, com referência á mulher de Urias (II Sm.11). É oportuno recordar Pv.16:32).

Quando os impulsos naturais não são dominados, facilmente os vícios surgem para derrotar os usuários. São diversos os vícios que estão por aí escravizando tragicamente a vida daqueles que deveriam demonstrar mais amor pela vida. É fácil verificar as pessoas portadoras de vícios que causam prejuízos ao Reino de Deus. Por exemplo, há aqueles que usam a palavra para difamar seu semelhante, para falar mal das instituições, e a té do país (Tg.1:26; 3:8; I Pd.3:10). A Palavra de Deus nos ensina a revelar temperança ate nos pensamentos (Rm.12:3)! É necessária muita busca do poder do Alto e uma forte dose de resignação, ou seja, de força de vontade no exercício do domínio próprio, para que a libertação se estabeleça e, acima de tudo, para que se receba a aprovação de Deus em sua Palavra – BÍBLIA.

III – É ATITUDE QUE CAPACITA A PESSOA A VIVER INCONTAMINADA

No v.8 vemos que a firme resolução de Daniel era de “não se contaminar com finas iguarias do rei”. Era necessário não contaminar seu corpo, isto é, contaminar  neste caso seria encher seu corpo de alimentos que demoraria a digerir, de difícil digestão e que traria cansaço ou preguiça a mente e desta maneira dificultaria o raciocinar. Que traria banha ao corpo pois sabemos que o comer muito ou carne ou outros pesados alimentos não significa saúde. Ele necessitava de saúde e mente bem lúcida para ser o melhor dos escolhidos. Não gordo, sem forma pois ele necessitava de graça do rei que pudesse favorecer o seu povo. Precisava de uma boa dieta e dieta sempre foi sacrifício.

Daniel precisava de domínio próprio para beneficiar  a outros. Ele necessitava viver de modo digno diante de Deus para ajudar os homens. Vejamos o exemplo de Paulo em At.24:16.

O desejo de Deus é que todos vivam de modo que não se contaminem, procurando Ter um coração mais puro e santo. Mas, são tantos os meios que causam contaminação! Quando não há domínio próprio nos pensamentos, nas palavras e ações, logo aparecerá o mau testemunho. Veja as recomendações da Palavra de Deus em Pv.15:1; I Co.10:31; Fp.4:8). É bom lembrar que a falta de domínio próprio quanto á alimentação é mais comum. (Pv.21:17; 23:1,2; 25:16).

O domínio próprio é a qualidade que capacita as pessoas a viver e andar no mundo sem se contaminar. Escrevendo a respeito da religião verdadeira, Tiago declara: “… e a si mesmo guarda-se incontaminada do mundo” (Tg.1:27).

Paulo recomenda aqueles que não possuem o verdadeiro autocontrole na vida sexual, que se casem, pois nada pode justificar a contaminação que é reprovada por Deus (Iª.Co.7:9);

Porém, para se viver de modo incontaminado, é preciso crucificar as paixões que brotam na carne e as concupiscência, e ter a certeza de que Deus sempre nos dá o êxito (Iª.C.15:57; Gl.5:24). É necessário deixar que Jesus domine sobre nós, estando submissos a Ele, dizendo-lhe: – Que o rumo, o  Caminho sabemos que é Ele e que os sinais deste Caminho estão em Sua Palavra.

É triste observar aqueles que estão escravizados aos seus “vícios de estimação”, não permitindo Cristo ser o centro ou o Senhor de sua vida. Alguns querem viver com Cristo, mas, ao mesmo tempo, desejam viver nas práticas mundanas, que tanto contaminam. Em compensação, por meio do domínio próprio é possível se reverter este quadro, tendo sempre o coração purificado pelo sangue do Cordeiro, o que nos confere o privilégio de ver a glória de Deus (Mt.5:8). Procure viver de modo incontaminado em benefício do próximo sabendo que o primeiro próximo de você e você mesmo, depois os demais.

IV – O DOMÍNIO PRÓPRIO É ATITUDE QUE PROPORCIONA ÊXITO

Após o exercício do domínio próprio na Babilônia, Daniel e seus companheiros foram considerados aprovados por Deus sendo que após 10 dias as suas aparências eram melhores, estavam mais robustos, e Deus lhes concedeu o conhecimento e a inteligência (vv.15-17) Daniel conhecia de ciência e o caminho escolhido por Adão foi a Árvore da Ciência do bem e mal, precisamos conhecer O Pão e a Água da vida – Jesus.

O rei os achou dez vezes mais doutos do que os magos que havia em todo o reino (v20). Essa decisão determinada contribui para o alcance de vitórias posteriores.

Porém, sem o domínio próprio a pessoa cai em insensatez e vergonha. Aqueles que não se  auto-controlam estão destina dos ao fracasso. A Bíblia faz referência á mulher de Ló, ao moço rico, a Ananias e Safira, a Demas, e a tantos outros que falharam vergonhosamente porque não se dominaram. (Gn.19:26; Mc.10:17; At.:5:1-11; IIª.Tm.4:10).

O sábio Salomão afirma que a falta de domínio próprio ocasiona momentos de fracassos (Pv.25:28). Será que hoje não existem tantos sem o necessário domínio próprio? A Bíblia esclarece que nos últimos dias os homens serão “sem domínio de si” (II Tm.3:1-3).

Por conseguinte, como alcançar êxito sem domínio próprio? Quantos estão, os dias atuais, caídos, fracassados, frustrados, por causa da falta de temperança! Deus quer sempre conduzir o Seu povo em triunfo (Iª.Co.2:14). O êxito na carreira cristã é algo o que precisa ser buscado por todo cristão.

 

 

 

“Não é livre aquele que não obteve domínio de si mesmo” (Matemático Pitágoras).

A FIDELIDADE

Mateus 25:14-30

 

Textos: Gn.22:1-19; 2ºRs.12:1-19; 2º.Cr.34:8-13; Lc.16:1-13;

 At.4:1-22; 1ªCo.4:1-5;Tt.2:1-10

INTRODUÇÃO

Em quase todos os relacionamentos interpessoais, a fidelidade é indispensável.

Você já pensou quando há infidelidade no relacionamento conjugal? Você já pensou quando há infidelidade nas transações comerciais? Você já pensou quando o fiel de uma balança se encontra “infiel”? Você já pensou nas graves e tristes conseqüências da falta de fidelidade, de justiça e de lealdade na administração pública, seja no âmbito federal, estadual e municipal?

Muitos são conhecidos pelo seu caráter íntegro, repleto de fidelidade, que até mesmo não existe necessidade de comprovação de suas atitudes, pois somente a sua palavra basta. Entretanto, existem aqueles que não merecem confiança, que agem falsamente, que compram e não pagam, que prometem e não cumprem que dizem como sendo verdade aquilo que é mentira, sou seja, aquilo que não viram, não ouviram e nem podem comprovar.

Vale a pena agir de modo digno fiel. Mais do que nunca, as Igrejas e a sociedade estão carecendo de pessoas repletas de fidelidade. É sobre esta virtude que o presente estudo fará referência.

VISÃO BÍBLICA

1-   Que resultado experimentou Daniel em conseqüência da sua fidelidade? (Dn.6:4)

2-   O que a Bíblia diz sobre a fidelidade nos negócios? (Pv.28:20).

3-   Que triste realidade pode ser constatada hoje: (Sl.12:1).

DEFINIÇÃO DO TERMO

A palavra grega para fidelidade é “pistis”, que é traduzida por fé. Na grande maioria dos casos ela significa fé que é confiança, entrega e obediência totais a Cristo. Mas, aqui na listagem do fruto do espírito, ela possui uma conotação ética, ou seja, tem mais a ver com o relacionamento das pessoas entre si. A idéia é de integridade, lealdade, dignidade e honestidade. É a atitude que torna uma pessoa totalmente confiável e cuja palavra se pode aceitar completamente. É o FRUTO DO ESPÍRITO que se revela a uma virtude moralizadora, fazendo emergir o modele de responsabilidade: homem de palavra, cumpridor de votos, fiel ás obrigações professadas, leal a companheiros, e íntegros na moral.

Fidelidade – fé. Só é possível exercermos fé para agirmos com fidelidade se conhecermos o modelo único dado por nós – Jesus. Como homem mostrou-nos como se fiel, daí estarmos certos quantos as promessas que nos fez e que se cumprirá através de sua palavra. Ele disse que o que ensinava-nos era do Pai e o escritor aos Hebreus fala que fé é fundamento, base. Portanto não haverá fidelidade se não houver fé e f é conhecimento das Escrituras pois nelas encontramos vida eterna. É bom não esquecermos de entendermos bem Hb.11:1.

APLICAÇÃO
I – A FIDELIDADE É UMA VIRTUDE QUE IMPLICA ESFORÇO

                                                                                                                                                             

Nesta parábola dos talentos, o senhor confiou os seus bens aos seus servos, denso que cada um teria que se esforçar para conseguir outros, demonstrando assim fidelidade aos eu senhor. Era um verdadeiro teste para provar a fidelidade e a capacidade dos servos. Ganhar outros talentos era uma atitude que exigia um esforço concentrado e muita determinação. Eles teriam, ainda, de prestar contas de seus negócios. Só com muito esforço eles seriam encontrados fiéis.

O Senhor requer de seus filhos fidelidade (1ª Co.4:2). A natureza humana é pecaminosa e propensa ás práticas carnais. A infidelidade torna-se uma atitude mais fácil, mas cômoda, como exemplifica aquele servo que ganhou apenas 1 talento, vindo a enterrá-lo. É preciso renunciar a própria carne, os desejos e prazeres deste mundo, a vontade própria, negando-se a si mesmo, para que exista fidelidade ao Senhor Deus e ao próximo. (Mc.8:34). Ser fiel em uma sociedade infiel é o grande desafio que exige esforço.

José do Egito venceu a tentação sexual quando a mulher de Potifar tentou seduzi-lo, permanecendo fiel a Deus. Daniel e seus companheiros demonstram domínio próprio, e resolveram firmemente não se contaminar com as práticas religiosas destes países, num gesto de profunda fidelidade ao  Senhor.

O Apóstolo Paulo, para cumprir fielmente o seu ministério, se esforçava o mais possível (Cl.1:26-29). Ele certa vez declarou que o bem que ele queria fazer, este ele não fazia, mas o mal que detestava, este ele praticava (Rm.7:19-21). Mas, quando escreveu aos Romanos recomendou o “esforço para se fazer o bem perante todos os homens” (Rm.12:17).

A falta de esforço é sinal de infidelidade, que restringe a capacidade e leva a pessoa ao terrível comodismo. Ser fiel a Deus e ao próximo é tarefa dasafiadora, a qual será alcançada com a dependência de Deus. Esta fidelidade conduzirá á eternidade, sendo que Jesus disse ser necessária se esforçar para entrar pela porta estreita (Lc.13:23).

Muitos hoje estão optando pela lei do menor esforço. Querem apenas “sombra e água fresca”. Não estão levando a vida religiosa a sério. Estão cedendo ou se entregando ás práticas pecaminosas, numa atitude de infidelidade a Deus e ao seu semelhante. É preciso esforço e determinação para que o Senhor nos encontre fiéis no dia a dia.

 

II – É UMA VIRTUDE QUE EXIGE ATITUDE IRRESTRITA

Na parábola é possível perceber aqueles dois primeiros servos foram fiéis até mesmo no pouco. Isto revela uma fidelidade total ao seu senhor. O senhor não ficou fiscalizando o serviço deles, mas quando voltou os encontrou fiéis até mesmo nas pequenas coisas. Apenas o que recebeu um talento revelou infidelidade. Esta infidelidade irrestrita tem a ver com uma fidelidade contínua, ou seja, até o fim. Não só em todas as circunstâncias, mas durante toda a vida, a fidelidade deve estar presente. Jesus, certa vez, acusou os escribas e fariseus por agirem de modo aparentemente fiel, fazendo determinadas ações elogiáveis e omitindo outras (Mt.23:23). Jesus requer uma fidelidade ou lealdade a Ele e ao próximo irrestritamente.

Vários cristãos no início do século, revelaram esta fidelidade total e constante. Diante do Sinédrio, os apóstolos não se retrataram (At.4:20 e 5:29). Estevão, o primeiro mártir do Cristianismo, foi fiel até o fim (At.7:54-60). Esta é, portanto, a recomendação do Apóstolo Tiago (Tg.2:10).

Até mesmo na guarda dos segredos é preciso agir com lealdade (Pv.11:13). Até as mulheres devem ser sóbrias e fiéis em tudo (1ªTm.3:11). Até os votos que fazemos precisam ser cumpridos fielmente, custe o que custar (Ec.5:4-5).

“Se fiel e exata nas pequenas coisas e o serás também nas grandes”, disse Johannes P. Schmitt.

III – A FIDELIDADE É UMA VIRTUDE QUE CONFERE RECOMPENSAS

 

Na parábola, aquele senhor percebendo a fidelidade de seus servos, não só os elogiou, mas declarou: “… sobre o muito te colocarei, entra no gozo do teu senhor” (vv.21-23). Mas, percebe-se que aquele que não foi fiel sofreu as desastrosas conseqüências (vv.26-30). Isto aponta para o fato de que recompensa é algo inevitável e determinante na vida religiosa.

A carta endereçada á Igreja de Esmirna contém esta declaração: “Se fiel até a morte, e dar-te-ei a coroa da vida” (Ap.2:10). No dia final, cada um “receberá a recompensa segundo o bem ou o mal que tiver feito” (II. Co.5:10).

A prática da fidelidade é determinante para a vida eterna com Cristo. Daí a recomendação apostólica para se andar no espírito, demonstrando sempre o seu fruto que é FIDELIDADE (Gl.5:16 e 22). Correm sérios riscos aqueles que desprezam esta virtude. Deus não inocentará os infiéis, mas derramará a Sua graça salvadora sobre todos os fiéis. É questão de vida , ou morte o ser ou não ser fiel.

Esta recompensa boa, ou má pode ser recebida t é mesmo aqui nesta vida. Quando somos infiéis como o nosso próximo, deixando de fazer aquilo que prometemos ou votamos, uma indiferença nos relacionamentos será percebida. Quando agimos de modo infiel, de modo traiçoeiro, de modo desleal, ou de modo imoral, logicamente, os resultados serão desagradáveis. Há casos de inimizades e até motes por causa das infidelidades praticadas. Mas, Deus requer de seus filhos que sejam fiéis em tudo a Ele e ao próximo. Para isso nos esforcemos mais e mais.

“Nos dias atuais, importa, antes de tudo o mais, que

demonstremos fidelidade diária e firme”.

(Dietrich Bonhoeffer).

LONGAMINIDADE E BENIGNIDADE

Efésios 4:1-6, 25-32; 5:1

 

Textos: Sl.36; 90; Pv.3:1-8; Rm.2:1-16; 2ª Co.6:4-10;

Cl.1:3-12; 1ª Ts.5:12-22.

INTRODUÇÃO

A vida cristã deve ser uma constante preocupação em assimilar e viver os ensinos de Jesus. O encontro com Cristo provoca transformações radicais na vida, levando a pessoa a uma atitude de relacionamento saudável com Deus. E com o próximo. Um relacionamento saudável se manifesta através de um comportamento que estabelece a paz e a harmonia entre as pessoas.

As pressões e preocupações do dia a dia muitas vezes provocam em nós desgastes físicos e mentais que nos levam a perda da paciência e da gentileza no trato com os nossos semelhantes. Por isso, é necessário observar o que a Palavra de Deus tem a nos dizer sobre essa questão.

DEFINIÇÃO DO TERMO

LONGANIMIDADE – A palavra é usada par indicar tolerância para com o nosso semelhante, paciência, isto é, conhecer a pessoa, saber de seu problema para então aplicar a tolerância e assim não ofender ou provocar a ira deste. “significa ser clemente com as fraquezas dos outros, não deixando de amor o próximo devido aquelas suas faltas ainda que, talvez, nos ofendam ou desagradem” (Abbout). É não apressar-se em exercer juízo ou retribuiu o dano quando ferido por alguém.

BENIGNIDADE – Refere-se á gentileza e bondade no trato com os nossos semelhantes. É aquela atitude afável e cortês para com todas as pessoas. O termo também indica excelência de caráter e honestidade.

VISÃO BÍBLICA

1-   Com que objetivo Deus exerce a sua longanimidade para com todos os homens? Is.48:9; 2ª Pd.3:9)

2-   Segundo o exemplo de Jesus, com quem devemos ser benignos? (Lc.6:35)

3-   Como é caracterizada a pessoa longânima? Pv.14:29)

APLICAÇÕES

I – SÃO VIRTUDES QUE FAZEM PARTE DO CARÁTER DE DEUS

 

Após fazer uma exposição das qualidades que deve possuir aquele que foi chamado para pertencer ao corpo de Cristo, o apóstolo faz uma imporante colocação: “… um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos” (v.6). Ainda, em 5:1, ele declara: “Sêde, pois, imitadores de Deus como filhos amados”. Assim, Paulo revela que essas qualidades mencionadas são possíveis de serem observadas na vida dos cristãos, pois eles fazem parte das qualidades morais de Deus.

Quando a “longanimidade”, significa que Deus tolera com paciência todas as iniqüidades do ser humano (Êx.34:6 e Sl.103:8). Os homens cometem pecados, falhas, provocam desordens, mas Deus se mostra longânimo ante tais coisas, aplicando sua misericôrdia e exercendo Sua paciência. Em Rm.9:22-23, o apóstolo Paulo declara que Deus  “suportou com muita longanimidade os vaos de ira, preparados para a perdição, a fim de que também desse a conhecer as riquezas de sua glória em vasos de misericórdia…” A paciência ou longanimidade de Deus são exercidas com objetivo de manifestar a Sua misericôrdia e salvação para com os homens (1ª Tm.1:16; 1ª Pd.3:20 e 2ª Pd.3:15).

No entanto, a longanimidade de Deus não pode ser confundida com a aceitação do pecado. Apenas tolera e supora oferecendo a todos a oportunidade de arrependimento. A longanimidade de Deus tem limites. Chega o dia quando o Seu Juízo é manifestado. A destruição da terra através do dilúvio e a destruição de Sodomo e Gomorra são exemplos claros de que a paciência de Deus tem o limite da ciência.

No que se refere á “benignidade”, as Escrituras estão repletas de textos que revelam o quanto Deus é benigno (Sl.36:5; 86:6; 94:18; Tt.3:4). Ele é a fonte originária de toda benignidade e nosso Salvador, Jesus O Cristo, foi quem melhor exemplificou essa qualidade. Conforme os biográficos nos mostram, Jesus demonstrou ser uma pessoa extremamente gentil, afável e cortês. Assim, aqueles que estão verdadeiramente em Cristo agirão da mesma  maneira.

Sendo o fruto do espírito (Gl.5:22), a longanimidade e a benignidade, vêm de Deus, de cima. Ele é quem transmitiu essas qualidades ao nosso espírito humano e que são usados em Sua Igreja.

II – SÃO VIRTUDES QUE REVELAM A DIGNIDADE DO CARÁTER CRISTÃO

No 1º versículo de Efésos 4, Paulo inicia a exposição das virtudes que fazem parte do caráter cristão, cm esta palavras: “Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno da vocação, a que fostes chamados”. É importante destacar a expressão “mode digno”. Afinal, que modo digno é este? É a partir daí que ele descreve a nova atitude do cristão que se caracteriza, entre outras coisas, pela longanimidade (v.2) e benignidade (v.22). Essa atitude é o que  revela a dignidade da vida cristã. Espera-se de todos os cristãos que suas relações com outras pessoas se caracterizem pela longanimidade e benignidade observadas em Deus. Se não somos capazes de manifestar essas qualidades para com os outros, não estamos andando de modo digno da vocação para a qual fomos chamados.

Nas palavras do Dr. Russel Shedd, “discipulado que nos capacita a ser células vitais que dão vida a outros, que nos capacita a crescer em tudo para Cristo, precisa de um andar digno”. O nosso caráter precisa ser medido com essas virtudes. É necessário ter paciência e ser gentil com aqueles que nos ofendem e provocam.

A Igreja precisa ser longânima e benigna para com os seus membros. Precisa ser mais paciente e tolerante, evitando agir precipitadamente no sentido de excluir os membros que erram. Trabalhar com eles,ora  por eles e ajudá-los a se levantar é a atitude que Cristo requer de sua Igreja. Ser paciente, gentil e tolerante não signfica concordar ou aceitar os erraos e pecados na vida dos membros. Muita gente diz: “A Igreja tal aceita muita  coisa errada”! Seria melhor dizer: “A Igreja é longânima e benigna para com os que erram”. Agindo dessa maneira a Igreja estará caminhando de modo digno. Se Deus não tivesse agido assim conosco, teríamos sido imediatamente consumidos. (Lm.3:22-23).

Se essas virtudes não são observadas em nós, então estamos apresentando deformidades na vida cristã.

III – SÃO VIRTUDES QUE PRESERVAM A UNIDADE CRISTÃ

O apóstolo Paulo declara que andando de modo digno da vocação para a qual Deus nos chamou, estamos nos esforçando por preservar a unidade do Espírito (v.4). Tudo que o apóstolo diz nos versículos anteriores é para chegar ao apelo que ele faz no v.4, com o objetivo de salientar a unidade dos cristãos. Embora essa unidade não seja algo que possa ser criado pelo cristão, no entanto, ele tem a responsabilidade de preservá-la e de resguardá-la, pois são muitas as tentativas feitas no sentido de destruí-la. Quando os cristãos vivem no seu dia-a-dia as qualidades mencionadas, então algo está sendo feito para a preservação desta unidade.

Embora a unidade cristã seja de caráter espiritual ou metafísico, é preciso lembrar que na igreja local é necessário manifestar uma unidade visível, através da prática da longanimidade e benignidade associadas ás outras virtudes que estão sendo estudadas nesta série. Muitas vezes na igreja local essa unidade tem sido perturbada e até mesmo destruída por parte de irmãos que estão negligenciando as recomendações bíblicas. É da maior importância que cada membro do corpo de Cristo aplique e demonstre essa unidade entre si. Em Jesus, o Cristo, Deus realiza essa unidade entre Seu povo; cabe a nós um esforço diligente  para preservá-la.

Jesus foi longânimo e benigno para com Judas, Pedro e Tomé no colégio apostólico. É preciso seguir o Seu exemplo, pis o fruto do espírito é “…longanimidade, benignidade…”.

“Os seguidores do EVANGELHO não devem ser inflexíveis e amargos, mas antes, gentis, suaves, corteses e de fala mansa, o que deveria encorajar outros a buscar sua companhia”

(Martinho Lutero).

MANSIDÃO

 Mateus 5:5 

Textos: Gn.26:1-25; Sl.37:1-11; Is.29:17-24; Mt.11:28-30;

Mt.5:5;Gl.5:22-23; Ef.4:1-6; Cl.3:12-17. 

INTRODUÇÃO

Uma das virtudes que a humanidade mais perdeu e de que necessita para resolver e apaziguar os seus conflitos pessoais e relacionais, que são tão intensos – é a virtude da mansidão.

Esta virtude se manifesta de forma mais notória quando existem problemas. Quer sejam simples ou complexos, quer profundos ou superficiais, eles acabam servindo como aferidores desta virtude tão necessária e rara em nossos dias tão violentos. Muitos lares seriam mais “suportáveis” se a mansidão estivesse presente no relacionamento “marido-mulher, pais-filhos e irmão-irmãos. Ou, por outro lado, sem dúvida alguma, a mansidão transformaria os relacionamento patrão-empregado, em algo menos tirano e frio, em algo mais caloroso e humano

Porém, esta virtude não é adquirida por negociações, nem tampouco aprendida em bancos escolares. Esta virtude tão “desconhecida” e tão essencial para cada  um de nós – no nosso crescimento espiritual – é a ação do Espírito Santo no nosso espírito, na vida diária do cristão.

VISÃO BÍBLICA

1-   Que atitude devemos assumir na busca da mansidão: (Mt.11:29-30)

2-   Que elemento não pode faltar em qualquer ação disciplinar? (II Tm.2:25).

3-   Que sinais comprovam a existência de mansidão na vida de uma pessoa? (Lc.6:29).

DEFINIÇÃO BÍBLICA

Um dos grandes fatores que atrapalha a mansidão hoje em dia é a falta de compreensão real do que é a mansidão. No pensamento e na linguagem moderna, a mansidão não é uma qualidade admirável. Atualmente, o termo está associado a uma idéia de falta de dinamismo, falta de ânimo, ou ausência de força e virilidade.

Porém, mansidão não é apatia ante as dificuldades, nem tampouco covardia em face aos desafios. Mansidão não é uma característica dos fracos, tímidos, medrosos e covardes. Pelo contrário, ao analisarmos tal palavra no N. Testamento, notamos que não há na língua portuguesa um vocábulo que encerra toda idéia desta virtude do Espírito Santo em nosso espírito. O Dr. Barcaly designa em seus estudos dois termos oportunos para caracterizar tal fruto do espírito – força e suavidade. Nem só força, nem só suavidade. A força somente tende a transformar o homem em um ser embrutecido. A suavidade somente, o tornaria extremamente delicado. A mansidão, por sua vez, é a fusão desta FORÇA e SUAVIDADE, em uma só realidade. Ou seja, a mansidão é a força destemida em prol da suavidade, promovendo atitudes doces, em face ás situações apelativas e provocadoras. No A .Testamento é usada em contraste á soberba. Em o N. Testamento está associada á modéstia e á humanidade. (Mt.11:29; Ef.4:2; Cl.3:12).

APLICAÇÕES

I – A MANSIDÃO É UM DESAFIO A SER BUSCADO INTIMAMENTE

O que mais a nossa sociedade embrutecida precisa é de gente mansa. O de que mais as comunidades necessitam é liderança forte e suave. A mansidão é, na verdade, um grande desafio na vida do cristão, a ser buscado de forma íntima, em consagração, devoção, oração e intimidade com Deus.

1- A Mansidão não é uma Qualidade Natural

A mansidão é um desafio, pois ela não é uma questão de herança de berço, nem questão de educação familiar; nada disso fará com que uma pessoa seja mansa ou não. A pessoa não nasce mansa pela sua disposição natural de temperamento ou gênio. De maneira nenhuma podemos pensar desta forma. A mansidão é obra exclusiva do  Espírito Santo de Deus na vida do nosso espírito. Ser cristão é ser tocado pelo Espírito no espírito: “O Espírito de Deus testifica com o nosso espírito…”, isto é, nosso espírito despertado pela Palavra que divide espírito e alma desperta em nosso espírito a mansidão que é de Deus como herança nossa, em nosso espírito. (G l.5:22-23). Há pessoas que naturalmente parecem mansas, que naturalmente inspiram mansidão, porém, não são mansas. Não podemos confundir indolência com mansidão. Sendo que a mansidão não é algo natural do homem, passa a ser então um desafio a ser buscado de maneira pessoal, pela convivência íntima com o Espírito de Deus, Espírito de Deus com o espírito humano.

2- A Mansidão é uma qualidade do Ser – não do ter

Como já dissemos, ninguém adquire a mansidão pelo que tem. Ninguém é manso porque tem uma boa renda financeira, ou uma situação econômica e familiar estável, nem por um bom emprego. Nada do que se tem pode produzir a mansidão, pois ela é um desafio do SER antes a supervalorização do TER (I Pd.3:4). Mansidão é para quem é cristão cheio do Espírito revelador e não para quem tem freqüentado uma igreja. O ser manso é para quem é temente a Deus, quem é fiel ao Senhor quem é íntimo de Deus (Sl.25:14), não para quem acha que por apenas ter cargos, ou ofício, ou posição, ou função, e pensa só pelo fato de ter, há de ser. Tem muita gente que tem (cargos…) mas não é; e tem muita gente que é, mas não tem. A mansidão  é um desafio a ser buscado como qualidade do ser, não do Ter (Fp.4:11-13).

II – MANIFESTA-SE DE FORMA EXTERNA NO RELACIONAMENTO

Se no primeiro item nós destacamos a necessidade e a importância de se buscar e alcançar a mansidão de maneira particular, pessoal e íntima, queremos agora destacar a obrigatoriedade de se manifestar externamente, de forma palpável e explícita, aquilo que o Espírito moldou em nosso interior – a mansidão. Se estamos plenos de mansidão, ainda que intimamente, manifestamos alquilo do qual estamos cheios. O Senhor Jesus disse: “A boca fala do que está cheio o coração” (Lc.6:45); Aquele que ainda não é um ser manso, não poderá Ter mansidão para repartir. Porém, se a pessoa tem esta virtude em sua vida, ela há de se manifestar no trato com as pessoa, diante das circunstâncias adversas (I Pd.2:23), ou favoráveis. A pessoa que tem sido trabalhada pelo Espírito Santo em seu ser, tem condições de manifesta a mansidão para com os outros. “Pelos seus frutos os conhecereis. Não pode a árvore má produzir frutos bons” (Mt.7:16-18). Assim sendo, a mansidão pode revelar-se:

1– Pela Humildade

A mansidão não é humilde, mas revela-se sem orgulho, sem arrogância e vaidade. Não é á toa que no Novo Testamento a mansidão tem uma grande associação com humildade.

2- Pelo Suportar

 

Paulo, referindo-se a esta realidade, diz em Ef.4:2 – “suportando-vos uns aos outros”. Suportar tem um primeiro significado no sentido de tolerar. Tolerar provocações, tolerar situações inesperadas e adversas, etc. Porém, suportar significa também, servir de suporte, de ponto de apoio, de base a alguém ou a alguma coisa. A mansidão é esta base, o manso é este ponto de apoio e suporte para aqueles que são fracos na fé.

III – A MANSIDÃO REDUNDA EM BENÇÃO

Além de já ser bênçãos na vida da pessoa, a mansidão traz consigo mais bênçãos advindas das promessas de Deus aqueles que são mansos. Quem cultiva a mansidão nos seu relacionamento familiar, profissional, ou em qualquer outra esfera da vida, vai Ter de Deus bênçãos sem medida; notemos:

1-  Bênção da Felicidade (Sl.37:11; Mt.5;5)

 

A expressão bem-aventurados quer significara – felizes, alegres,  jubilosos, exultantes. Estes são felizes 0 os manos. Ao contrário da convicção atual de que o manos é um covarde, impotente diante das situações e por isso, infelizes, ao contrário disso, o manso é, na verdade, o forte, para resistir e manter a suavidade das suas ações e, por isso, é feliz. Aquele que vive mansamente recebe a bênção da felicidade no seu viver (Is.29:19)

2-  A Bênção da Herança da Terra (Sl.37:11; Mt.5:5)

 

Os mansos são aqueles que terão a posse da terra, que desfrutarão do direito de usufruírem os frutos da terra e do que nela se contém. Aqueles que são mansos, não cultivam inimizades, são sempre queridos e, desta forma, acabam tendo acesso a pessoas, a situações, a oportunidades que a outras pessoas não é permitido. Exemplo claro desta realidade é o texto de Gn.26:1-25, quando Isaque habitava entre os filisteus, e por ser riquíssimo provocou ciúmes e inveja nos seus vizinhos. Estes procuravam motivos para contenda com  Isaque – entulharam por diversas vezes seus poços d’água (a água essencial para a vida, e os poços eram o meio de obtê-la). Mas Isaque, pela mansidão no trato com seus aparentes inimigos, foi abençoado por Deus na terra: “vimos claramente que o Senhor e contigo; … façamos alguma aliança contigo”.

Que em nossas vidas possamos buscar este desafio que vem pela comunhão com o Espírito de Deus, e assim abençoarmos nosso próximo e sermos abençoados por Deus. Você é uma pessoa mansa?

PAZ

Isaías 57:14-2

 

Texto:  Nm.6:22-26; Is.23; Lc.2:8-14; Jo.14:16-31;

Rm.5:1-11; Ef. 2:11-22; Cl.3:13-23.

 

INTRODUÇÃO

“SHALOM!” Esta é a palavra hebraica que no A .T. é traduzida por paz.

Paz é algo tão importante e necessário que, sem ela a vida perde o seu sentido. É um desejo comum a todas as pessoas, especialmente nesses dias tão agitados e turbulentos que temos enfrentado. Paz não é um dom de Deus pois se assim fosse o mundo não estaria em guerra, a paz é dom do espírito humano, daí o texto: “…se possível tendes paz uns com os outros”  se possível – este “se possível” diz respeito a nos pois em relação a Deus sabemos que Ele é Deus dos impossíveis.

O ensinamento bíblico a respeito da paz é riquíssimo. Tanto no Antigo como no Novo Testamento, a palavra é verificada dezenas de vezes.

No estudo de hoje buscaremos uma compreensão mais ampla e bíblica desse fruto do espírito.

VISÃO BÍBLICA

1-   O que Jesus falou acerca dos pacificadores? (Mt.5:9)

2-   Como Paulo descreve a paz de Deus? (Fp.4:7)

3-   De que forma o cristão deve aguardar a vinda do Senhor? (2ª Pd.3:14)

DEFINIÇÃO DO TERMO

Paz é mais do simplesmente ausência de guerra. É a palavra correta para caracterizar o relacionamento harmonioso do homem para com Deus, para consigo mesmo e para com o seu semelhante. Na análise de William Barclay, paz “descreve a saúde do corpo, o bem-estar e a segurança, a prefeita serenidade e tranqüilidade, uma vida e um estado em que o homem tem um relacionamento perfeito com o seu próximo e com Deus”. O referido teólogo resume tudo isto, dizendo: “A paz é o relacionamento certo em todas as esferas da vida”. No N.T., a palavra traduzida por paz é “EIRENE”, a equivalente em grego á hebraica “SHALOM”. Notem: a palavra “eirene” não faz lembrar PERENE?

APLICAÇÕES

I – A PAZ É UMA NECESSIDADE DO SER HUMANO

A procura de paz é algo comum a todas as pessoas em todas as épocas e em todos os lugares. É uma necessidade inerente ao ser humano.

Vários são os fatores que se somam para perturbar e roubar a paz. Mas, com certeza, a rebelião do homem contra Deus pela desobediência – desde o Éden – é o fator causal da falta de paz, pois “o pendor da carne é inimizade contra Deus” (Rm.6:6-7). As circunstâncias apenas aumentam a necessidade de paz.

O texto de Isaías fala de um povo sem paz. Uma liderança apegada ás coisas vãs e opressoras (56:9-12), onde a morte significava para o justo a libertação desta calamidade (57:1-2). Também a ilusão da idolatria estava tirando as possibilidade de paz.

O mondo de hoje é também um mundo sem paz. No anseio de paz, muitos se entregam a busca vãs: na idolatria, na astrologia, no ocultismo, no esoterismo, na jogatina e em tantas outras práticas que retratam a vida aflita e agitada das pessoas sem Deus. Tais pessoas são comparadas pelo profeta ao “mar agitado, que não s pode aquietar” (v.20).

“Este ano quero paz no meu coração…” diz a canção popular, que traduz muito bem essa necessidade humana.

II – A PAZ É UMA EXPERIÊNCIA POSSÍVEL SOMENTE NO SENHOR

De acordo com o texto, o Senhor é o autor da paz (57:18-19).

Nas profecias vétero-testamentárias acerca de Cristo, Ele é apresentado como aquele que traz a paz. Notem que Jesus diz que veio trazer-nos espada, membros de famílias uns contra outros. Jesus deu-nos os ensinamentos que faria guerra entre as duas naturezas que há entre nós, bem e o mal. Cristo trouxe-nos paz após a consolidação do ensino de Jesus. O Evangelho só traz mensagens contra o nosso velho homem. A este velho senhor o Evangelho traz o antídoto para mata-lo. Cristo ressuscitado vem exatamente trazer vida naquele que o Evangelho matou ressuscitando-o com uma nova vida, com o NOVO NASCIMENTO.

O Evangelho não agrada ao velho homem pois o homem não conhece nada de Deus e só serve de escândalo para Jesus. Satanás, opositor, só entende de homens e não de Deus (Mt.16:23).

O profeta Isaías, em relação a Cristo, o chama de “Príncipe da Paz” (Is.9:6-7).

O profeta Miquéias, por sua vez, se refere a Ele, dizendo: “E este será a nossa paz” (Mq.5:2-5ª).

Quando do nascimento de Jesus uma multidão da milícia celestial proclamou glória a Deus e paz na terra (Lc.2:13-14).

E o próprio Senhor Jesus ao despedir-se dos discípulos lhes fez a promessa da paz (Jo.14:27)

A paz verdadeira é uma experiência possível somente no Senhor. É por isso que Ele salienta que a paz por Ele oferecida é dada não como a dá o mundo. A instável paz dada pelo mundo é circunstancial, tem uma conotação profundamente materialista e complexa. Compreendendo isto, o poeta declara em sua canção: “Você pode Ter a casa repleta de amigos, paredes e pisos cobertos de bens: ter um carro do último tipo e andar conforme der na cabeça; mas nunca terá a paz que existe lá dentro, que não se encontra pra poder comprar, porque esta paz só tem a pessoa que se encontra com Cristo”.

Nas cartas do N. Testamento, por diversas vezes o Senhor é chamado de “O Deus da paz” (Rm.15:33; Fp.4:9; Hb.13:20-21).

III – É UMA BENÇÃO DECORRENTE DO ACERTO DA VIDA COM DEUS

É preciso compreender que paz é muito mais que simplesmente estabilidade econômica e financeira, segurança, falta de contas para pagar ou ausência de conflitos. Paz é um estado de espírito decorrente do acerto da vida com Deus. Não basta apenas desejar e pedir esta paz. É preciso acertar a vida com Deus para recebê-la, porque “Para os perversos, diz o meu Deus, não há paz” (57:21). A paz é, portanto, um estado de espírito que toma conta daquele que acerta sua com Deus (Rm.5:1).

O salmista apresenta o seguinte conselho: “Procura a paz, e empenha-te por alcançá-la” (Sl.34:14). Esse empenho implica no acerto da vida diante do Senhor, pois, no mesmo versículo o salmista antes recomenda: “Aparta-te do mal e pratica o que é bom”.

A paz não é uma conquista humana, ou que esteja em qualquer parte de sua alma: mente, vontade e emoção, é um fruto do espírito. É algo experimentado em sua amplitude pois a paz é de Deus, portanto é um dos tesouro escondido no vaso de barro, dentro de nosso espírito (2ª Co.4:7). A paz é uma conquista e somente por aqueles que confiam no Senhor e nos quais  o Espírito de Deus age livremente (Is.26:3; 48:28-22).

IV- É UMA CONDIÇÃO DE VIDA QUE PRECISA SER PROMOVIDA

Ensina-nos a Bíblia que “Deus não é de confusão; e, sim, de paz” (1ª Co.14:33). A partir disso, somos chamados a viver em paz e a promover a paz (2ª Co.13:11; Rm.12:18; Jr.29:7).

Conforme o ensino de Jesus no SERMÃO da MONTANHA, todo cristão é chamado a ser um pacificador (Mt.5:9,39-41)  Na carta aos Romanos aprendemos que o Reino de Deus é justiça e alegria no Espírito Santo (Rm.14:17-19). No mesmo texto somos exortados a promover a paz.

Muitas vezes, o lar e a igreja se tornam cenários de confusão e inimizade. Evidentemente, não podemos de forma alguma conviver com esta incoerência na vida cristã, pois conforme o ensino bíblico de Tiago em sua carta, “é em paz que s semeia o fruto da justiça, para os que promovem a paz” (Tg.3:18)

Assumindo esta conduta, podemos então cumprir a missão proposta pelo compositor sacro: “Num mundo que sufoca, evoca, canta, toca e sai, vai e anuncia a paz. Aos homens que carentes, descrentes do amor maior, vai e anuncia a paz”.

O compromisso tem a experiência da paz. Unindo ao Senhor Jesus, o Príncipe da paz, através de uma vida de consagração e fidelidade, o cristão é envolvido pela paz. E esta experiência o impulsiona a promover esta condição de vida que é uma das marcas principais do REINO de DEUS.

“A paz que consiste em relacionamento certos não detém de modo fácil ou automático, mas quando a desejamos de todo o coração e buscamos com toda a nossa mente, usando todas as nossas faculdades para achá-la, Deus abre a sua mão e dá abundantemente”.

(William Barcaly)

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