o sexo fragil

O Sexo Frágil

o sexo fragilO Sexo Frágil

Amados, que me perdoem os pregadores, atentos observadores da homilética, mas peço licença para usar um texto bíblico não para pregar exatamente nele, mas para usá-lo como uma espécie de  pano de fundo para a reflexão de hoje. Ao final, você vai entender.

Vejamos, então, o texto de 1Coríntios 11.11-12 – “Todavia, no Senhor, nem a mulher é independente do homem, nem o homem é independente da mulher. Pois, assim como a mulher veio do homem, assim também o homem nasce da mulher, mas tudo vem de Deus”.

   O sexo masculino é chamado de “sexo forte” por causa da força física. Como tem mais massa muscular e força física, o homem estruturou a sociedade em função da força, tornando-se dominador. Ficou com o físico e o racional. À mulher, o homem legou o intuitivo e o emocional. Ao longo da história, as relações entre homem e mulher ficaram nestes termos: ele dominou e a mulher foi dominada.

   Isto se tornou uma faca de dois gumes. Assim fazendo, o homem privou-se da intuição e das emoções. Alardeou a força e reprimiu as emoções. Uma expressão muito ouvida, desde que se é menino, é esta: “homem não chora”. Não sei quem foi o pateta que criou esta frase, mas ela se tornou uma regra. O homem é instruído, desde cedo, a reprimir o intuitivo e o emocional.

   Assim, a mulher é rotulada como emocional e o homem é rotulado como racional.

   Mas os tempos atuais são tempos de prevalência da voz das emoções e da intuição. A própria razão, que se tornou uma arma masculina contribuiu para isto: a razão nos mostra que deve haver igualdade de direitos, entre os sexos. Por exemplo, o direito ao voto, a espaço no trabalho, etc.

    Voltando à questão de aludida fragilidade feminina, ideia criada pela sociedade dominada pelos homens, vejamos algumas frases muito comuns, ouvidas entre nós. Vamos ouvir um homem tipicamente machista, desses que acham que mulher é inferior, um ser de cabelos compridos e ideias curtas: “Mulher chora a toa e fala demais”. “Qualquer coisa que acontece com uma mulher, ela desaba, fala, fala, reclama muito, esperneia e chora” .”Se você está no trabalho, e lá tem uma mulher e ela leva uma bronca qualquer… ou alguém a trata como não gostaria, um cliente por exemplo.. qual é a atitude que ela normalmente tem… chora… entra em crise…é… a mulher é frágil…

Com os homens é diferente. A gente aguenta tudo…suporta tudo…enfrenta qualquer situação… damos bronca quando precisa.. seguramos as pontas… convivemos todos os dias, com a grande responsabilidade de manter nossas famílias… não somos iguais as mulheres…falamos bem menos… ah ,não vou ficar expondo meus sentimentos… vão pensar que sou frouxo…eu sou homem… tenho que me garantir… chorar?.. só escondido…”

   Este homem é um sério candidato a morrer, em média, doze anos antes da sua mulher. Por que isto acontece?

   A mulher, pela sua própria natureza, externaliza as suas emoções. Ela não se envergonha em demonstrar o que sente, nem tem a necessidade de provar que é forte. Sua sensibilidade, normalmente, está à flor da pele. O homem não foi educado a externalizar sua sensibilidade. Pelo contrário, foi ensinado a reprimi-la. Ela ri mais, emociona-se mais com os fatos, presta mais atenção a detalhes. Em outras palavras, está mais pronta para a vida, por ser mais receptível às mudanças do que o homem. Sua grande força, que normalmente os homens chamam de fragilidade, está, justamente, em geralmente por para fora a sua fragilidade.  

   Amados, por assumir sua fragilidade é que a mulher é forte. Por não saber lidar com suas fragilidades, então, ao contrário, o homem se fragiliza ainda mais, se torna mais fraco.

   Todo conteúdo emocional que não for bem vivenciado ou entendido fica em nossa mente cobrando uma solução. Como este conteúdo fica dentro do homem sem ser entendido ou elaborado, geralmente, explodimos em atitudes machistas e fechadas, como mecanismos de defesa, para não sermos tocados.

A explosão emocional ou a ira são barreiras para impedir o extravasamento da sensibilidade. O homem “não pode ser sensível”.

   Este é o primeiro aspecto da fragilidade masculina: ter medo de externar as emoções.

   O segundo aspecto é a dependência psicológica no relacionamento com o outro sexo. Psicologicamente, o homem é mais dependente da mulher que ela é dele. Isto é diferente de dependência econômica.

Um artigo de um psicólogo, Dr. Irineu Deliberalli, intitulado “O bebezâo”, aborda aspectos do anteriormente mostrado num livro, “Síndrome de Peter Pan”, que trata de homens que se recusam a crescer. Ele menciona, no artigo, o caso de homens que não conseguem se ajustar no casamento.

Na verdade, esses procuram uma segunda mãe. Ser cuidado pela esposa é bom. Mas procurar uma segunda mãe é problemático.

   Li, na Internet, um artigo sobre um filme intitulado “Viciado em sexo”. Devo dizer que me interessei pelo artigo, primeiro, pelo título: eu arrebentei com meu primeiro casamento por causa deste vício. E, segundo, o comentário era muito interessante, por apresentar um outro aspecto que me interessava: o psicológico.

   Um homem maduro, já na casa dos sessenta anos, bem casado, tendo uma mulher bonita, atraente, bem mais jovem, se envolvia com várias outras ao mesmo tempo. Em alguns momentos ia com duas para um motel.

Algumas delas eram, o que se chama popularmente, de tribufus. Uma das prostitutas que ele arranjou era feia como guerra de foice no escuro. Enquanto ele se esgotava no ato sexual, ela se preocupava em fumar seu cachimbo de crack.

Não havia nenhuma comunicação emocional entre os dois. Isto se constitui numa aberração porque o ato sexual é a mais profunda forma de comunicação entre duas pessoas (por isso que a prostituição é um absurdo psicológico). Ele apenas extravasava seus impulsos pondo em funcionamento um mecanismo de defesa para agredir a figura feminina, porque praticava sexo violento, inclusive com agressão.

Ele não queria prazer. Sexo, para ele, não se ligava a ternura, mas a agressão. Ele queria agredir para não aceitar sua fragilidade em relação à figura feminina.

Várias cenas dele com a mãe eram intercaladas, ao longo do filme. Havia uma profunda indiferença dela para com ele. Tornava-se óbvio, para o conhecedor dos mecanismos psicológicos, quão arrasador isto fora para ele.

Ele procurava seduzir as mulheres porque teve um relacionamento deficiente com uma: a própria mãe. Também ele queria mostrar que era capaz de subjugar a figura feminina.

   Amados, preste atenção: muitos homens entram no casamento em busca de uma segunda mãe… ou se vingam porque não tiveram uma mãe que achavam que mereciam ter. Deveriam procurar uma mulher para cuidar, mas buscam uma que cuide deles. Isto apenas evidencia que a figura feminina domina o psicológico masculino.

Voltando ao filme: mesmo cometendo tais atos, o personagem tinha uma mulher em casa, porque precisava de um álibi emocional.

Assim, ele mostrava para si que era capaz de ter uma, de amá-la, tentando se justificar. A mulher que ele tinha em casa era a mãe que queria ter. As mulheres que pegava na rua eram uma vingança inconsciente contra a mãe que teve. Ele era dependente da figura feminina. Nós, homens, o somos, em grau maior ou menor.

Podemos não ter uma patologia como este personagem, mas somos dependentes da figura feminina.

   Esta dependência emocional se verifica também na viuvez. Geralmente, a mulher absorve mais a viuvez que o homem. Na estrutura social que construímos, o lar foi destinado às mulheres, e a rua ao homem.

   Ora, não se pode ter um lar na rua ou no bar. A mulher se realiza na casa. E o homem também precisa de uma casa para se realizar. Precisa de uma mulher. A mulher não precisa de uma rua, de um bar. É por isso que o homem precisa se submeter ao domínio da mulher, nesta área.

Porém, nesta área, ela não precisa se submeter ao domínio dele!

   Consideremos algo mais. O lar é algo seguro e definitivo. É onde ficamos. O bar é transitório, um paliativo. É aonde vamos. O homem fica fragilizado sem lar. A mulher não fica fragilizada sem um bar.  Por quê? O transitório não substitui o definitivo.

   A mulher pode ter dificuldades econômicas, se depender de um homem e tiver que, depois, viver sozinha, em caso de viuvez. Mas nós, homens, teremos mais dificuldades emocionais, mesmo que tenhamos segurança econômica, em caso de viuvez. É porque, emocionalmente, o homem depende mais da mulher que ela dele.

   Imagine o sujeito ficar viúvo de uma hora para outra e ter que “se encontrar” dentro de sua casa, sem a presença da mulher que sempre lhe preparou a comida, arrumou suas roupas, lavou a louça…

   O terceiro aspecto a considerar é a fragilidade sexual. Hoje o homem está em desvantagem nesta área. A mulher pode falhar, no ato sexual. O homem, não. Ela pode fingir um orgasmo, mas, pense comigo:  ele não pode “fingir” uma ereção. Percebe? A cobrança sempre é maior para o homem. Outro exemplo:

   A frigidez feminina pode ser atribuída ao desinteresse pelo parceiro, à falta de romance, de gentileza do parceiro. Ou à famosa “dor de cabeça”. “Hoje não, benzinho, estou com dor de cabeça”. O homem não pode alegar dor de cabeça.

A falta de ereção é imediatamente entendida como se a sua masculinidade estivesse se esvaindo. A mulher não deixará de ser feminina por não ter orgasmo. Mas o homem sem ereção terá mais dificuldade em afirmar a masculinidade.

   Dizem que a pior frase para um homem é dizer pela segunda vez: “Isto nunca me aconteceu antes”.

   Se uma mulher não tem orgasmo, a culpa é do homem. Não soube dar um à mulher. Mas, se ele não tem ereção, a culpa é dele. Há, também, um ditado que diz que “não há mulher fria, há mulher mal amada”. Mas ninguém diz que “não há homem frio, há homem mal amado”. Se ele é frio, é porque não gosta de mulher. Mais um peso sobre o homem!

   Meus irmãos: estas mudanças trouxeram uma crise de identidade a muitos homens. O aumento do homossexualismo masculino tem muito a ver com a liberação sexual da mulher.

Esta se tornou,  sexualmente, mais agressiva e mais exigente. Muitos homens se recolheram. Alguns não sabem como lidar habilmente com uma mulher, pois só conhecem a linguagem da dominação. Não conhecem o entendimento.

   Na realidade, o homem não é tão forte assim. Tem alguns problemas sérios, mas se recusa a reconhecê-los. Tem vergonha de falar sobre eles, ou nem sabe como fazê-lo.

COMO ENFRENTAR, ENTÃO, A FRAGILIDADE MASCULINA ?

   O que o homem pode fazer, para superar estes aspectos desfavoráveis a ele?

   Primeiro, ele necessita reconhecer que ele tem, também, um lado feminino, que ele tem reprimido. A isso se chama de Bipolaridade. As mulheres, por sua vez, também são bipolares, ou seja, também tem um lado masculino. E bipolaridade, por favor, entendam, é diferente de bissexualidade, que é OUTRA coisa. Estou falando, aqui, de sentimentos, sensibilidades e NÃO de tendências sexuais.

   Nós, varões, precisamos, inicialmente, reconhecer que o homem tem, também, igualzinho as mulheres, aspectos de sua personalidade que, em função da história de machismo em que fomos criados, o homem tem relegado à mulher tais aspectos, como exclusividade dela.

   Mas esses aspectos de sensibilidade emocional são comuns tanto aos homens quanto às mulheres; são aspectos que enriquecem a personalidade e dão um senso de realização pessoal muito grande. Por exemplo, a poesia, a arte em geral, a sensibilidade diante do cotidiano, o admirar uma flor, o observar e emocionar-se diante do sorriso de uma criança, o enternecer-se, o chorar.

   Amados, a estética não tem sexo. E cultivá-la não é ser frágil. É ser humano. Ser sensível não é ser gay. Chorar não faz mal, e pode evitar problemas mais sérios. Homem que é homem chora. Eu, mesmo, vivo chorando e nem por isso me vejo como “menos homem” do que os que não choram.

E acho muito legal chorar, ser sensível, emocionar-me diante de tantas coisas que Deus tem me proporcionado experimentar… Então, meu irmão, este é o primeiro passo. Reconhecer sua bipolaridade e saber externalizar as emoções. Não significa explodir, mas ser bipolar. Assumir emoções que, infelizmente, sempre temos atribuído como reserva de domínio das mulheres. (Entenda: eu falei BIPOLAR e não BISSEXUAL)

   O segundo passo para enfrentar a fragilidade masculina é: nós, homens, reconhecermos e aceitarmos que dependemos da mulher. Queridos, todos nós, homens, nascemos de uma mulher! A palavra mulher deriva da palavra homem, porque ela veio dele, da costela. Ela não existiria sem ele.    

   A mulher não é fonte de pecado, como ensinava Agostinho. A mulher é fonte de vida. Gostamos, os homens, de saber que nossas mulheres dependem de nós. Mas devemos aceitar que dependemos também delas. E devemos nos alegrar com isto.

   Deus fez a mulher por causa do homem, para ser sua AJUDADORA. Então, pense comigo: Se Deus fez a mulher para ser a ajudadora do homem, então o homem PRECISA da mulher! No relato da criação da mulher, em Gênesis, a dependência emocional é bem ressaltada. Sem a mulher, o homem é incompleto.

   Sobre o terceiro aspecto, a fragilidade sexual, posso dizer que os homens têm mais dificuldades em falar sobre uma vida sexual problemática que a mulher. Contar vantagem é fácil, principalmente após a sexta cerveja, no bar, com os amigos.

Isto, alguns homens fazem bem. Mas reconhecer dificuldades e resolvê-las é problemático. Significa assumir que tem perda de virilidade ou não consegue seduzir a própria esposa. Isto é perder sua própria característica de dominador. Não conseguir seduzir a própria esposa é um golpe no ego de muitos homens.

   Sem ser muito freudiano, é forçoso reconhecer que muitos problemas de relacionamentos de homens com mulheres têm origem em questões não resolvidas em relacionamento nos papéis filho e mãe. Algumas mães de hoje estão estragando os futuros maridos de suas futuras noras. Uma mãe dominadora ou indiferente é sinal de um futuro marido com problemas.

Mães, amem seus filhos, mas deem liberdade a eles de crescerem como homens. Não os vejam como os eternos meninos.

   Como a mulher pode ajudar? Reconhecendo que o papel que a sociedade deu ao homem hoje lhe é um fardo. Sendo sábia para ajudar o marido a superar isto. Reconhecendo que ela levanta ou derruba um homem com palavras ou gestos.

Que ele não é tão forte assim, e que, na realidade, a força vem dela, pela sensibilidade, apoio e sabedoria na correção. Na realidade, quem governa o mundo são as mulheres. Como alguém disse, se o homem é a cabeça do lar, a mulher é o pescoço. A cabeça só pode ir para onde o pescoço se move.

   Assim, recapitulando, amado irmão que me ouve neste momento: reconheça que você tem, sim, um lado feminino, que está reprimido dentro de você. Segundo, reconheça e aceite que nós, homens, dependemos da mulher.

E, terceiro, reconheça suas dificuldades e procure resolvê-las com a ajuda de sua esposa, através de um diálogo franco, sincero e aberto, sem receio de que ela possa pensar que você perdeu sua virilidade. E desperte o homem sedutor e conquistador que existe dentro de você. Afinal de contas, um pouco de romantismo não faz mal a  ninguém!

   A melhor maneira de concluir é com o texto de 1Coríntios 11.11-12, com o qual iniciamos esta reflexão,  que é uma excelente recomendação para o critério de relacionamento entre homem e mulher: “Todavia, no Senhor, nem a mulher é independente do homem, nem o homem é independente da mulher. Pois, assim como a mulher veio do homem, assim também o homem nasce da mulher, mas tudo vem de Deus”.

   Afinal, somos ou não somos o “sexo frágil”? Então, amados irmãos, que nossas mulheres nos ajudem a superar nossas limitações e perdoem as nossas falhas.  Em o nome de Jesus! Amém!

(autor desconhecido)

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