Arquivo de etiquetas: Apologética – Em defesa da FÉ Cristã

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Pastor diz que a teologia da prosperidade é heresia pregada por falsos profetas

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A teologia da prosperidade é uma das vertentes mais influentes no neopentecostalismo e uma das linhas de pensamento mais criticadas pelos cristãos do protestantismo tradicional, por mudar o foco da mensagem do Evangelho, que propõe mudança de caráter, para uma mudança de vida ligada à aquisição de bens materiais.

O pastor e apologista Justin Peters afirmou que a teologia da prosperidade é pregada por falsos profetas: “Benny Hinn, Kenneth Copeland, Joel Osteen, Myles Munroe, Joyce Meyer e outros são todos falsos profetas. O que eles ensinam não é o Evangelho pregado por nosso Senhor Jesus Cristo, mas um ensino que não tem nenhuma base bíblica”, afirmou, elencando os mais conhecidos norte-americanos adeptos dessa vertente.

A declaração de Justin foi feita durante o 2º Encontro Apologético Internacional da Paraíba, realizado pela VINACC, na 17ª Consciência Cristã, tendo por local o templo da Igreja Assembleia de Deus Ministério Missão em Campina Grande. No Brasil, os principais nomes pregadores da teologia da prosperidade são o bispo Edir Macedo, o pastor Silas Malafaia, os apóstolos Valdemiro Santiago, Renê Terra Nova e Estevam Hernandes.

De acordo com informações do site Gospel Prime, Justin Peters também exibiu um vídeo com trechos de pregações em que os principais pregadores da teologia da prosperidade referem-se aos humanos como seres divinos.

Fonte: Gospel +.

QUAL O FUTURO DA IGREJA EVANGÉLICA NO BRASIL

QUAL O FUTURO DA IGREJA EVANGÉLICA NO BRASIL?

apologéticaQUAL O FUTURO DA IGREJA EVANGÉLICA NO BRASILQUAL O FUTURO DA IGREJA EVANGÉLICA NO BRASIL?

Rev. Augustus Nicodemus Lopes

Quando olho o atual cenário da igreja evangélica brasileira – estou usando o termo “evangélica” de maneira ampla – confesso que me sinto incapaz de prever o que vem pela frente. Há muitas e diferentes forças em operação em nosso meio hoje, boa parte delas conflitantes e opostas. Olho para frente e não consigo perceber um padrão, uma indicação que seja, do futuro da igreja.

Há, em primeiro lugar, o crescimento das seitas neopentecostais. Embora estatísticas recentes tenham apontado para uma queda na membresia de seitas como a Universal do Reino do Deus – que ressurge das cinzas com o “templo de Salomão” – , outras estão surgindo no lugar, como na lenda grega da Hidra de Lerna, monstro de sete cabeças que se regeneravam quando cortadas. A enorme quantidade de adeptos destes movimentos que pregam prosperidade, cura, libertação e solução imediata para os problemas pessoais acaba moldando a imagem pública dos evangélicos e a percepção que o restante do Brasil tem de nós.

Na África do Sul conheci uma seita que mistura pontos da fé cristã com pontos das religiões africanas, um sincretismo que acaba por tornar irreconhecível qualquer traço de cristianismo restante.

Temo que a continuar o crescimento das seitas neopentecostais e seus desvios cada vez maiores do cristianismo histórico, poderemos ter uma nova religião sincrética no Brasil, uma seita que mistura traços de cristianismo com elementos de religiões afro-brasileiras, teologia da prosperidade e batalha espiritual em pouquíssimo tempo.

Depois há o movimento “gospel”, que mostrou sua popularidade ao ter o festival “Promessas” veiculado pela emissora de maior audiência do país.

Não me preocupa tanto o fato de que a Rede Globo exibiu o show, mas a mensagem que foi passada ali. A teologia gospel confunde “adoração” com pregação, exalta o louvor como o principal elemento do culto público, anuncia um evangelho que não chama pecadores e crentes ao arrependimento e mudança de vida, que promete vitórias mediante o louvor e a declaração de frases de efeito e que ignora boa parte do que a Bíblia ensina sobre humildade, modéstia, sobriedade e separação do mundo.

Para muitos jovens, os shows gospel viraram a única forma de culto que conhecem, com pouca Bíblia e quase nenhum discipulado. O impacto negativo da superficialidade deste movimento se fará sentir nesta próxima geração, especialmente na incapacidade de impedir a entrada de falsos ensinamentos e doutrinas erradas.

Notemos ainda o crescimento do interesse pela fé reformada, não nas igrejas históricas, mas fora delas, no meio pentecostal. Não são poucos os pentecostais que têm descoberto a teologia reformada – particularmente as doutrinas da graça, os cinco slogans (“solas”) e os chamados cinco pontos do calvinismo. Boa parte destes tem tentado preservar algumas ideias e práticas características do pentecostalismo, como a contemporaneidade dos dons de línguas, profecia e milagres, além de uma escatologia dispensacionalista.

Outros têm entendido – corretamente – que a teologia reformada inevitavelmente cobra pedágio também nestas áreas e já passaram para a reforma completa. Mas o tipo de movimento, igrejas ou denominações resultantes desta surpreendente integração ainda não é previsível.

O impacto das mídias sociais também não pode ser ignorado. E há também o número crescente de desigrejados, que aumenta na mesma proporção da apropriação das mídias sociais pelos evangélicos.

Com a possibilidade de se ouvir sermões, fazer estudos e cursos de teologia online, além de bate-papo e discipulado pela internet, aumenta o número de pessoas que se dizem evangélicas mas que não se congregam em uma igreja local. São cristãos virtuais que “frequentam” igrejas virtuais e têm comunhão virtual com pessoas que nunca realmente chegam a conhecer.

Admito o benefício da tecnologia em favor do Reino. Eu mesmo sou professor há quinze anos de um curso de teologia online e sei a benção que pode ser. Mas, não há substituto para a igreja local, para a comunhão real com os santos, para a celebração da Ceia e do batismo, para a oração conjunta, para a leitura em uníssono das Escrituras e para a recitação em conjunto da oração do Pai Nosso, dos Dez Mandamentos. Isto não dá para fazer pela internet. Uma igreja virtual composta de desigrejados não será forte o suficiente em tempos de perseguição.

Eu poderia ainda mencionar a influência do liberalismo teológico, que tem aberto picadas nas igrejas históricas e pentecostais e a falta de maior rapidez e eficiência das igrejas históricas em retomar o crescimento numérico, aproveitando o momento extremamente oportuno no país. Afinal, o cristianismo tem experimentado um crescimento fenomenal no chamado Sul Global, do qual o Brasil faz parte.

Algumas coisas me ocorrem diante deste quadro, quando tento organizar minha cabeça e entender o que se passa.

1 – Historicamente, as igrejas cristãs em todos os lugares aqui neste mundo atravessaram períodos de grande confusão, aridez e decadência espiritual. Depois, ergueram-se e experimentaram períodos de grande efervescência e eficácia espiritual, chegando a mudar países. Pode ser que estejamos a caminho do fundo do poço, mas não perderemos a esperança. A promessa de Jesus quanto à Sua Igreja (Mateus 16:18) e a história dos avivamentos espirituais nos dão confiança.

2 – Apesar de toda a mistura de erro e verdade que testemunhamos na sincretização cada vez maior das igrejas, é inegável que Deus tem agido salvadoramente e não são poucos os que têm sido chamados das trevas para a luz, regenerados e justificados mediante a fé em Cristo Jesus, apesar das ênfases erradas, das distorções doutrinárias e da negligência das grandes doutrinas da graça.

Ainda assim, parece que o Espírito Santo se compraz em usar o mínimo de verdade que encontra, mesmo em igrejas com pouca luz, na salvação dos eleitos. Não digo isto para justificar o erro. É apenas uma constatação da misericórdia de Deus e da nossa corrupção. Se a salvação fosse pela precisão doutrinária em todos os pontos da teologia cristã, nenhum de nós seria salvo.

3 – Deus sempre surpreende o Seu povo. É totalmente impossível antecipar as guinadas na história da Igreja. Muito menos, fazer com que aconteçam. Há fatores em operação que estão muito acima dos poderes humanos.

Resta-nos ser fiéis à Palavra de Deus, pregar o Evangelho completo – expositivamente, de preferência – viver uma vida reta e santa, usar de todos os recursos lícitos para propagar o Reino e plantar igrejas bíblicas e orar para que nosso Deus seja misericordioso com os seus eleitos, com a Sua igreja, com aqueles que Ele predestinou antes da fundação do mundo e soberanamente chamou pela Sua graça, pela pregação do Evangelho.

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MAIS UMA PROFECIA BÍBLICA SE CUMPRE – PRODUÇÃO DE PEIXE NO DESERTO: SÓ EM ISRAEL!

peixe no deserto2MAIS UMA PROFECIA BÍBLICA SE CUMPRE:

PRODUÇÃO DE PEIXE NO DESERTO

SÓ EM ISRAEL!

O deserto de Arava, no sul de Israel, só recebe 30 mm de chuva por ano, mas produz 60% de todas as exportações de vegetais frescos de Israel, 10% de todas as exportações de flores frescas e agora tem também uma florescente indústria de produção de peixes ornamentais!
peixe no deserto
“O deserto é seco e toda a água que temos aqui é em primeiro lugar água que conseguimos captar aqui mesmo, no deserto de Arava. Não estamos conectados ao sistema nacional de abastecimento de água” – explica Alon Gadiel, diretor do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Arava. 
Mesmo assim, Israel está entre os primeiros seis países na exportação de peixes de aquário, existindo agora 18 produções de peixe de aquário no deserto de Arava. Três delas reproduzem o peixe-palhaço, melhor conhecido por “Nemos”, por causa do filme “À procura de Nemo”.
peixe no deserto1
“Um negócio como o da aquicultura é um excelente negócio, porque não é necessária muita terra, e também não é necessária muita água. É preciso é ter muito conhecimento” – diz Gadiel, acrescentando: “Nós reproduzimos peixe que originalmente cresce no mar e vendemo-lo desde o cativeiro, conservando dessa forma o ecossistema.” 

Esta notícia é mais uma prova de como a Palavra profética do Eterno Deus se cumpre! Há mais de 2.500 anos, o profeta Isaías escrevia acerca do que aconteceria ao deserto de Israel nestes “últimos dias”: 

“E a terra seca se transformará em tanques, e a terra sedenta, em mananciais de águas…” (Isaías 35:1,2,7). 

Shalom, Israel!

Fonte: http://shalom-israel-shalom.blogspot.com.br/

Logo-VERBO-da-vida

Igreja Presbiteriana compara Igreja Verbo da Vida com a Universal e a classifica como seita em nota oficial; Entenda

Logo-VERBO-da-vidaIgreja Presbiteriana compara Igreja Verbo da Vida com a Universal e a classifica como seita em nota oficial

A Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB) adotou uma postura drástica em relação a uma denominação pentecostal e emitiu um comunicado oficial dizendo considerá-la como “herética”.

O alvo do pronunciamento da direção dos presbiterianos foi a Igreja Verbo da Vida, que possui estreita ligação com o pastor Kenneth Hagi, considerado um dos fundadores do movimento Palavra de fé, onde os princípios de confissão positiva e a teologia da prosperidade são pregados como elementos da doutrina cristã.

No comunicado, a Igreja Presbiteriana diz que enxerga nas práticas da denominação “muitos elementos característicos de seita” e orienta seus pastores a se absterem “de relações intereclesiásticas”.

O documento aponta ainda que a Verbo da Vida “apresenta práticas muitos similares das que são praticadas na IURD – Igreja Universal do Reino de Deus”, denominação que desde 2010 é considerada seita pela Igreja Presbiteriana, assim como a Igreja Mundial do Poder de Deus.

Confira abaixo a íntegra do documento do Supremo Concílio (SC) da Igreja Presbiteriana do Brasil sobre a Igreja Verbo da Vida:

Posicionamento oficial da Igreja Presbiteriana do Brasil quanto a Igreja Verbo da Vida. Considerando:
1) Que a Igreja Verbo da Vida é ligada ao Kenneth Hagin Ministries;
2) Que a Igreja é defensora e praticante do “evangelho da saúde e da prosperidade” também conhecido como “Teologia da Prosperidade”, “Confissão Positiva”, “Palavra da fé” e “Movimento da Fé”;
3) Que a igreja verbo da vida foi implantada no Brasil pelo “apóstolo” Bud Wright, e em seu blog existem afirmações que apontam as convicções e ensino da referida igreja;
4) Que a Igreja em seus encontros apresenta práticas muitos similares das que são praticadas na IURD – Igreja Universal do Reino de Deus – fato facilmente constatado nos vídeos espalhados na internet;
O SC/IPB 2014 resolve:
1. Reconhecer que a Igreja Verbo da vida apresenta uma orientação teológica neo-pentecostal e com muitos elementos característicos de seita;
2. Determinar aos concílios inferiores que se abstenham de relações intereclesiásticas com a Igreja Verbo da Vida e só recebam por batismo e profissão de fé;
3. Responder ao concílio consulente que a Igreja verbo da vida não pode ser tratada como igreja co-irmã.

print-presbiteriana-verbo-da-vida-e1406296769614Fonte: Gospel+

culto dancante

Culto “dançante”

acontece

Culto “dançante”

culto dancante

 Comentários de responsabilidade do Pr. Edson Poujeaux.

   Quando a gente pensa que já viu de tudo infiltrado em “igrejas evangélicas”, sempre aparece mais uma de fazer cair o queixo… 

   Francamente, nunca imaginei viver para ver uma coisa dessas acontecendo em nosso “meio (Deus me livre!). 

   Todavia, a Bíblia nos diz em Mateus 18:7  – “Ai do mundo, por causa dos escândalos; porque é inevitável que venham escândalos, mas ai do homem pelo qual vem o escândalo!”

 Mateus 21:13 – “E disse-lhes: Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração!”

CULTO DANÇANTE! 

   No altar, o “pastor” dança alegremente com a “pastora”. No salão do templo, os irmãos – cada um com seu par – dançam animadamente ao som da música “Meu Barquinho”, gravada pela cantora Giseli Cristina… 

   Dá para imaginar? Até onde vai a “criatividade” desse pessoal?  

    Duvida? Veja o vídeo: 

kardecismo

Refutação aos ensinos Kardecistas

apologética kardecismoRefutação aos ensinos Kardecistas

a) Negam a existência do Céu como lugar de felicidadeA felicidade dos espíritos bem-aventurados não consiste na ociosidade contemplativa, que seria, como temos dito muitas vezes, uma eterna e fastidiosa inutilidade (“O Céu e o Inferno”, p. 722. Editora Opus Ltda., 2ª edição especial, 1985).Em que se deve entender a palavra céu? Achais que seja um lugar, como aglomerados, sem outra preocupação que a de gozar, pela eternidade toda, de uma felicidade passiva? Não; é o espaço universal; são os planetas, as estrelas (“ O Livro dos Espíritos”, p. 250. Editora Opus Ltda., 2ª edição especial, 1985).

Resposta Apologética:

Os espíritas zombam da ideia do céu como lugar de felicidade eterna. Costumam citar João 14.2: Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar. E dizem: A casa de meu Pai é o Universo; as diversas moradas são os mundos que circulam no espaço infinito e oferecem estâncias adequadas ao seu adiantamento (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, p. 556. Editora Opus Ltda., 2ª edição especial, 1985).

O texto citado de João 14.2 conclui da seguinte forma: vou preparar-vos lugar; e no versículo 3 afirma: para que onde eu estiver estejais vós também.

Ora, daí se nota que, primeiro, o céu é um lugar e, segundo, os que pertencem a Jesus estarão no mesmo lugar onde Jesus foi. E sabemos que Ele foi para o céu e sentou-se à direita de Deus (Mc 16.19; Hb 8.1; Ap 3.21). Jesus prometeu mais que os seus estariam onde Ele estivesse (Jo 17.24). Paulo falou da sua esperança celestial (Fp 3.20-21); o mesmo falou Pedro (1 Pe 1.3).

b) Negam o inferno como lugar de tormento eterno e consciente

(Jesus) Limitou-se a falar vagamente da vida bem-aventurada, dos castigos reservados aos culpados, sem referir-se jamais nos seus ensinos a castigos corporais, que constituíram para os cristãos um artigo de fé (“O Céu e o Inferno”, p. 726. Editora Opus Ltda., 2ª edição especial, 1985).

Resposta Apologética:

Jesus não falou vagamente sobre os castigos reservados aos culpados. Falou claramente em Mateus 25.41, 46 sobre o sofrimento eterno dos injustos. Neste último versículo, Jesus declarou que a duração da felicidade dos justos é igual à duração do castigo dos injustos: E irão estes para o tormento eterno, mas os justos para a vida eterna. Outros textos onde Jesus empregou palavras que indicam duração sem fim do castigo reservado aos ímpios (Mateus 5.22-29; 10.28; 13.42, 49-50; Mc 9.43-46; Lc 6.24; 10.13-15; 12.4-5; 16.19-31). Nos textos citados aparecem as expressões tais como:

a) suplício eterno;

b) fogo eterno;

c) fogo inextinguível;

d) onde o bicho não morre e o fogo não se apaga;

e) trevas exteriores;

f) choro e ranger de dentes.

c) Negam a existência do diabo e demônios como pessoas reais espirituais

Satã, segundo o espiritismo e a opinião de muitos filósofos cristãos, não é um ser real; é a personificação do mal, como nos tempos antigos Saturno personificava o tempo (“O Que é o Espiritismo”, p. 297. Editora Opus Ltda., 2ª edição especial, 1985).

Há demônios, no sentido que se dá a essa palavra? Se houvesse demônios, seria obra de Deus. E Deus seria justo e bom, criando seres, eternamente voltados ao mal? (“O Livro dos Espíritos”, pp. 72-74. Editora Opus Ltda., 2ª edição especial, 1985).

A propósito de Satanás, é evidente que se trata da personificação do mal sob uma forma alegórica (“O Livro dos Espíritos”, p. 74. Editora Opus Ltda., 2ª edição especial, 1985).

Resposta Apologética:

Deus não criou um ser maligno, mas um anjo de luz que se transviou (Is 14.12-14; Ez 28.14-16); Jesus disse que ele não permaneceu na verdade (Jo 8. 44). Trata-se de uma personalidade real, pois:

a) É mencionado entre pessoas espirituais (Jó 1.6);

b) Conversou com Jesus no monte, tentando-o (Mt 4. 1-10);

c) É uma pessoa inteligente, que faz planos para ludibriar os outros (Jo 8.44; 1 Pe 5.8);

d) Está condenado ao fogo eterno (Ap 20.10).

d) Negam a ressurreição do corpo

Em que se torna o Espírito depois de sua última encarnação?

Em puro Espírito (“O Livro dos Espíritos”, p. 84. Editora Opus Ltda., 2ª edição especial, 1985).

Resposta Apologética:

A ressurreição do corpo é uma doutrina enfatizada na Bíblia. Isaías que viveu cerca de 600 anos antes de Jesus, já afirmava no seu livro (26.19): Os teus mortos e também o meu cadáver viverão e ressuscitarão; despertai e exultai, os que habitais no pó, porque o teu orvalho será como o orvalho das ervas, e a terra lançará de si os mortos.

Ainda no Antigo Testamento encontramos exemplos de ressurreição realizados por Elias e Eliseu (1 Rs 17.17-24; 2 Rs 4.32-37). Jesus falou da ressurreição futura de todos os mortos em João 5.28-29. Quando Lázaro morreu, sua irmã Marta revelou crer na ressurreição. Ao ouvir que Jesus se aproximava: Disse, pois, Marta a Jesus: Senhor, se tu estivesses aqui, meu irmão não teria morrido. Mas também agora sei que tudo quanto pedires a Deus, Deus to concederá. Disse-lhe Jesus: Teu irmão há de ressuscitar. Disse-lhe Marta: Eu sei que há de ressuscitar na ressurreição do último dia (João 11.21-24). O mesmo fez Paulo em Atos 24.15: Tendo esperança em Deus, como estes mesmos também esperam, de que há de haver ressurreição de mortos, assim dos justos como dos injustos.

No Juízo Final, diante do trono branco, todos irão ressuscitar, até mesmo os mortos nos mares, para prestar contas a Deus de seus atos praticados no corpo: E vi os mortos, grandes e pequenos, que estavam diante de Deus, e abriram-se os livros… E os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras. E deu o mar os mortos que nele havia… (Ap 20.11-15).

e) Negam a inspiração divina da Bíblia

A Bíblia contém evidentemente fatos que a razão, desenvolvida pela ciência, não pode aceitar, e outros que parecem singulares e que repugnam, por se ligarem a costumes que não são mais os nossos… A ciência, levando as suas investigações desde as entranhas da terra até as profundezas do céu, demonstrou, portanto, inquestionavelmente os erros da Gênese mosaica… Incontestavelmente, Deus que é a pura verdade, não podia conduzir os homens ao erro, consciente, nem inconscientemente, do contrário não seria Deus. Se, portanto, os fatos contradizem as palavras atribuídas a Deus, é preciso concluir logicamente que Ele as não pronunciou ou que foram tomadas em sentido contrário.(“A Gênese”, p. 936. Opus Ltda; 2ª edição especial, 1985).

Resposta Apologética:

O espiritismo nega a criação do homem conforme descrita no livro de Gênesis 1.26-27 e 2.7. Acredita no evolucionismo. Por isto, admite que o registro bíblico não deve ser tomado literalmente, mas apenas em sentido figurado. Jesus reiterou a criação dos seres humanos, descrita em Gênesis 1.26-27, ao dizer: Não tendes lido que aquele que os fez no princípio macho e fêmea os fez (Mt 19.4). Em Hebreus 11.3, lemos que: Pela fé entendemos que os mundos pela Palavra de Deus foram criados; de maneira que aquilo que se vê não foi feito do que é aparente. E, assim, outros textos confirmam a descrição do Gênesis (Sl 19.1; 24.1). Posto isto, aceitamos as declarações de 2 Timóteo 3.16-17 que toda a Bíblia é inspirada e é a inerrante Palavra de Deus (1 Ts 2.13). A ciência, na qual se baseia o espiritismo, está mudando de opinião freqüentemente, de modo que não pode ser levada a sério, pois não tem a última palavra.

f) Negam a doutrina da Trindade

Examinemos os principais dogmas e mistérios, cujo conjunto constitui o ensino das igrejas cristãs. Encontramos a sua exposição em todos os catecismos ortodoxos. Começa com essa estranha concepção do Ser divino, que se resolve no mistério da Trindade, um só Deus em três pessoas, o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Essa concepção trinitária tão obscura, incompreensível… (“Cristianismo e Espiritismo”, 7a edição 1978, p. 86).

Resposta Apologética:

Definindo a doutrina da Trindade apontamos a existência de um só Deus eternamente subsistente em três pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Estas três pessoas constituem um só Deus, o mesmo em natureza, sendo as pessoas iguais em poder e glória.

Tal definição pode ser explanada e biblicamente provada seguindo três fatos:

a) Existe um só Deus (Dt 6.4; Is 43.10; 45.5-6). Trata-se de unidade composta como se lê em Gn 2.24 (serão dois uma só carne).

b) Esse único Deus é constituído de uma pluralidade de pessoas (Gn 1.26; 3.22; 11.7; Is 6.1-3,8), textos que empregam o verbo façamos, o pronome nossa e nós.

Isto pode ser visto ainda pela seguinte comparação entre as seguintes passagens:

1. Em Isaías 6.1-3, quando Isaías disse que viu o Senhor;

2. Em Jo 12.37-41, João disse que Isaías viu Jesus, quando viu o Senhor;

3. Em Is 6.8-9, se lê que o Senhor falou a Isaías. Ainda no versículo 8 se lê: A quem enviarei e quem irá por nós?

4. Em At 28.25, Paulo declara que quem falou a Isaías foi o Espírito Santo.

a) Há três Pessoas na Bíblia que são chamadas de Deus e que são eternas por natureza:

1. O Pai (2 Pe 1.17);

2. O Filho (Jo 1.1; 20.28; Rm 9.5; Hb 1.8)

3. O Espírito Santo (At 5.3-4).

O vocábulo Trindade foi usado pela primeira vez por Teófilo de Antioquia em 189 a.D. (no livro “Epístola a Autolycus” 2.15).

g) Negam os Milagres de Jesus

Convém, pois riscar os milagres do rol das provas em que pretendem basear a divindade do Cristo (“Obras Póstumas”, 1172. Editora Opus Ltda., 2ª edição especial, 1985).

Resposta Apologética:

Os espíritas negam a deidade absoluta de Jesus. Conseqüentemente, negam também os milagres arrolados na Bíblia. Para os espíritas, Jesus é apenas um médium.

Com isso Allan Kardec procura explicar os milagres atribuídos a Jesus, da forma como se fora um médium, que exibe poderes extra-sensoriais. Descreve e explica os milagres de Jesus.

h) Pesca Maravilhosa – Lucas 5.1-7

A pesca qualificada de miraculosa explica-se igualmente pela dupla vista, Jesus de modo algum produziu espontaneamente peixes onde os não havia; mas viu, como um vidente lúcido acordado, pela vista da alma, o lugar onde se achavam os peixes, e pôde dizer com segurança aos pescadores que lançassem ali as suas redes (“A Gênese”, p. 1036. Editora Opus Ltda., 2ª edição especial, 1985).

Resposta Apologética:

Ora, quando Jesus pediu a Pedro que lançasse as redes ao mar, Pedro muito naturalmente respondeu como pescador: Mestre, havendo trabalhado toda a noite, nada apanhamos; mas, sobre a tua palavra, lançarei a rede (Lc 5.5). Não havia peixe. Foi sobre a autoridade da palavra de Jesus que a rede foi lançada. E, então, o milagre foi realizado. Jesus era onisciente, e não um vidente lúcido acordado, que pela vista da alma, pudesse ver o lugar onde se achavam os peixes. Ele viu Natanael debaixo da videira (Jo 1.48-51). Jesus não precisava receber referências sobre as pessoas. Conhecia-as todas (Jo 2.24-25).

i) A cura da mulher que sofria de fluxo de sangue – Marcos 5.25-34

Estas palavras – conhecendo ele próprio a virtude que saíra de si – são significativas; elas exprimem o movimento fluídico que se operara de Jesus para com a mulher doente; ambos sentiram a ação que se acabava de produzir. É notável que o efeito não fosse provocado por ato algum da vontade de Jesus; não houve magnetização, nem imposição de mãos. A irradiação fluídica normal foi suficiente para operar a cura (“A Gênese”, p. 1036. Editora Opus Ltda., 2ª edição especial, 1985).

Resposta Apologética:

A mulher, depois de curada, confessou que havia gastado todos os seus bens com os médicos, indo de mal a pior (Mc 5.26). Confessa sua cura radical pelo poder divino de Jesus e não por irradiação fluídica normal. Quase todos, senão todos, os fenômenos espíritas estão cercados de dolo. Se houvesse essa possibilidade aventada por Allan Kardec, já a mulher poderia ter sido curada muito antes porque, admite-se, devia haver outros homens nos dias de Jesus com essa ridícula irradiação fluídica normal. Doze anos de sofrimento e depois a cura milagrosa realizada imediatamente por Jesus e não por um médium que precisa de ocasião preparatória para exibir esse tipo de irradiação fluídica.

j) A cura do cego de nascença – João 9. 1-7

Aqui, o efeito magnético é evidente; a cura não foi instantânea, mas gradual e seguida de ação sustentada e reiterada, apesar de ser mais rápida do que na magnetização ordinária (“A Gênese”, p. 1037. Editora Opus Ltda., 2ª edição especial, 1985).

Resposta Apologética:

Por que esse efeito magnético evidente não se manifesta espontaneamente entre os médiuns espíritas nos dias atuais?

k)A ressurreição do filho da viúva de Naim – Lucas 7.11-17 e a ressurreição da filha de Jairo – Marcos 5.21-43

O fato da volta à vida corporal de um indivíduo, realmente morto, seria contrário às leis da natureza, e, por conseguinte, miraculoso. Ora, não é necessário recorrer a esta ordem de fatos para explicar as ressurreições operadas por Cristo…

Há, pois, toda a probabilidade de que, nos dois exemplos acima, só se dera uma síncope ou uma letargia. O próprio Jesus o diz positivamente sobre a filha de Jairo: Esta menina, diz ele, não está morta, apenas dorme (“A Gênese”, p. 1045. Editora Opus Ltda., 2ª edição especial, 1985).

Resposta Apologética:

Kardec prefere admitir probabilidade de que só se dera uma síncope ou uma letargia a crer nos milagres de Jesus, embora a descrição bíblica deva merecer crédito. Por que a tristeza tão grande manifestada pelos pais dos filhos mortos, tanto no caso da filha de Jairo como no caso do filho da viúva de Naim, se eles estivessem simplesmente acometidos de uma síncope ou letargia? O fato é que o filho morto da viúva de Naim estava sendo conduzido ao cemitério para sepultamento. Sepultar um vivo acometido de síncope? Que descuido fatal cometido por uma mãe chorosa! Para Kardec, isso é mais fácil de explicar do que crer no milagre operado por Jesus.

l) A ressurreição de Lázaro – João 11.1

A ressurreição de Lázaro, digam o que quiserem, não invalida de forma alguma esse princípio. Ele estava, diziam, havia quatro dias no sepulcro; mas sabe-se que há letargias que duram oito dias ou mais (“A Gênese”, p. 1045. Editora Opus Ltda., 2ª edição especial, 1985).

Resposta Apologética:

Quando Allan Kardec explica que Lázaro não estava morto, mas apenas desacordado, negando francamente o texto bíblico que registra as palavras de Jesus, Lázaro está morto (Jo 11.14), já se nota sua pretensão de invalidar o texto bíblico. Prefere explicar o milagre como se fora Lázaro acometido de uma doença conhecida como letargia ou síncope e que tal doença podia durar até oito dias. Se a própria irmã de Lázaro declarou que o corpo do seu irmão morto já cheirava mal: Senhor, já cheira mal, porque é já de quatro dias (Jo 11.39) como ousa Kardec invalidar o texto e lançar uma hipótese contra a explicação dada por alguém presente da própria família do morto? Já se vê que sua intenção é negar a qualquer custo a deidade de Jesus. Julgando absurdo seu argumento, se antecipa e declara: digam o que quiserem… Essa sua explicação é aceita pelos seus adeptos.

m) O milagre da transformação da água em vinho – João 2.1-11

Ele deveria ter feito durante o jantar uma alusão ao vinho e à água, para tirar daí alguma instrução (“A Gênese”, p. 1047, Editora Opus Ltda., 2ª edição especial, 1985).

Resposta Apologética:

Ressalta a incoerência de Kardec em admitir apenas uma alusão ao vinho e à água para daí tirar alguma instrução. Como explicar a admiração do mestre-sala diante do milagre operado por Jesus ao dizer: Todo o homem põe primeiro o vinho bom e, quando já tem bebido bem, então o inferior; mas tu guardaste até agora o bom vinho (Jo 2.10). É certo que bebera literalmente do vinho transformado da água.

n) A multiplicação dos pães – Mateus 14.13-21

A multiplicação dos pães tem intrigado os comentadores e alimentado, ao mesmo tempo, a exaltação dos incrédulos. Estes últimos, sem se darem ao trabalho de sondar o sentimento alegórico, consideram-no um conto pueril; mas a maior parte das pessoas sérias o considera, embora sob forma diferente da vulgar, uma parábola comparando a nutrição espiritual da alma com a nutrição do corpo (“A Gênese”, p. 1047. Editora Opus Ltda., 2ª edição especial, 1985).

Resposta Apologética:

Kardec nada disse dos 12 cestos de pedaços de pão que sobraram depois de todos comerem sobejamente. Eram cinco pães e dois peixes. E comeram todos, e saciaram-se; e levantaram, doze alcofas cheias. E os que comeram foram quase cinco mil homens, além das mulheres e crianças (Mt 14.20-21).

O JESUS ESPÍRITA É UM MÉDIUM

Allan Kardec declara que: Segundo definição dada por um Espírito, ele era o médium de Deus (“A Gênese”, p. 1034. Editora Opus Ltda., 2ª edição especial, 1985).

Resposta Apologética:

A propósito, João admoesta a que não creiamos a todo o espírito, porque existem espíritos que não são de Deus:

Amados, não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo (1 Jo 4.1).

Ora, a interpretação dos textos apontados parece ser muito simples, e o próprio Allan Kardec é um deles. Não seria ele por isso incluído entre os possíveis falsos profetas? Sim, ele poderia ser incluído, pois nega a veracidade de João 1.1. No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Diz Allan Kardec que essas palavras eram apenas a opinião do escritor e não podem ser tidas como prova da deidade de Jesus. Com isso, está negando a inspiração da Bíblia. Portanto, João está apontando em 1 João 4.1 que o espírito que não confessa Jesus como Deus, que veio em carne (Jo 1.14) é um falso mestre religioso. Kardec, para reforçar sua posição contra a deidade de Jesus, vai ao extremo de negar os próprios milagres de Jesus. Aproveita-se da Bíblia para dar consistência à sua doutrina espírita, mas quando a Bíblia enfatiza a deidade de Jesus, ele não só nega a declaração de João 1.1, como também nega os milagres de Jesus, como descritos na Bíblia, para provar sua condição de Deus conosco, Jesus (Mt 1.21-23; Jo 10.30, 37-38).

a) Apontava para seus milagres como prova da veracidade de suas palavras e doutrinas (Mt 11.2-6; Lc 5.24; Jo 5.36; 15.22; 20.30-31);

b) Aceitava adoração como Deus, sem lhes corrigir essa interpretação (Jo 20.28).

Atenção:
O conteúdo desta página tem objetivo formativo e educacional. OS ARTIGOS AQUI PUBLICADOS SÃO DE INTEIRA RESPONSABILIDADE DE SEUS AUTORES, CITADOS NO FINAL DE CADA ARTIGO. NÃO NECESSARIAMENTE ESTA PRODUÇÃO CONCORDA INTEIRAMENTE COM O ENTENDIMENTO TEOLÓGICO DE CADA AUTOR. TODAVIA, OS PUBLICAMOS COMO FONTE DE CONHECIMENTO E COMO FORMA DE CONTRIBUIR PARA O ALARGAMENTO DO ENTENDIMENTO E A POSSIBILIDADE DE CONHECERMOS VÁRIAS FORMAS DE PENSAR. CABE A CADA LEITOR REFLETIR, À LUZ DA BÍBLIA, SE CONCORDA OU NÃO COM OS POSICIONAMENTOS AQUI EXPRESSADOS. 

unção

Unção com Óleo – uma reflexão bíblica e histórica

apologética unçãoUnção com Óleo – uma reflexão bíblica e histórica

 

“E vós tendes a unção do Santo, e sabeis tudo” (1Jo 2.20)

“E a unção que vós recebestes dele, fica em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a sua unção vos ensina todas as coisas, e é verdadeira, e não é mentira, como ela vos ensinou, assim nele permanecereis” (1Jo 2.27)

Introdução

Este é um assunto controverso e difícil. E, cabe aqui uma análise teológica sobre as práticas da Igreja quanto a este assunto, levando em conta primeiro e especialmente o que nos informam as Escrituras Sagradas, depois olhando para a história da Igreja, de modo a que possamos ver de que forma este assunto foi tratado no decorrer do tempo, de modo a que possamos avaliar com maior propriedade o que hoje é praticado, e com conhecimento de causa, possamos estabelecer o que deve ser feito quanto à esta importante questão.

A unção nas Escrituras Sagradas

Em vários locais das Escrituras Sagradas encontramos o ato de ungir. Não há como ignorá-lo. Mas, é importante notarmos que invariavelmente o ato de ungir, quando se referindo à área espiritual, sempre teve o objetivo de separar e consagrar.

Há também outros usos para a unção, os quais iremos analisar mais à frente em nosso estudo. Um importante detalhe que pode ser observado nas Escrituras Sagradas é que em momento algum, nenhuma mulher foi ungida para uma tarefa na área espiritual. Não há nenhuma referência a mulheres sendo ungidas seja para o serviço sacerdotal ou para reinar.

Unção de Objetos

Muitos objetos foram separados para serem utilizados no tabernáculo, e como o próprio tabernáculo, eram também ungidos de modo a consagrá-los ao Senhor. A ritualística da unção era usada para se separar e consagrar estes objetos ao uso no culto a Deus.

“E disto farás o azeite da santa unção, o perfume composto segundo a obra do perfumista: este será o azeite da santa unção. (26) E com ele ungirás a tenda da congregação, e a arca do testemunho, (27) E a mesa com todos os seus utensílios, e o candelabro com os seus utensílios, e o altar do incenso. (28) E o altar do holocausto com todos os seus utensílios, e a pia com a sua base. (29) Assim santificarás estas coisas, para que sejam santíssimas; tudo o que tocar nelas será santo.” (Êxodo 30.25-29 ACF)

“Também cada dia prepararás um novilho por sacrifício pelo pecado para as expiações, e purificarás o altar, fazendo expiação sobre ele; e o ungirás para santificá-lo. (37) Sete dias farás expiação pelo altar, e o santificarás; e o altar será santíssimo; tudo o que tocar o altar será santo.” (Êxodo 29.36-37 ACF)

O claro entendimento dos textos acima é que os objetos ungidos se tornavam santos, ou santificados, e também santificadores, pois, tudo o que neles tocasse se tornaria também santo. Hoje temos vários objetos separados para uso específico, durante os cultos a Deus em nossas Igrejas , como púlpitos, mesas, cadeiras, genuflexórios, cálices para a ceia, etc., contudo, não os ungimos para torná-los santos, ou santificadores. Isto se deve à teologia do Novo Testamento, que afirma categoricamente que desde a vinda do Senhor Jesus Cristo, santos são aqueles que são salvos através da redenção pelo Seu sangue derramado na cruz, e pela Sua ressurreição dos mortos:

“Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? (17) Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá; porque o templo de Deus, que sois vós, é santo.” (I Coríntios 3.16-17 ACF)

“Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? (20) Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus.” (I Coríntios 6.19-20 ACF)

O Templo de adoração passou a ser o coração do salvo, não mais um local de tijolos e pedras. O véu do antigo Templo se rasgou no momento em que Jesus Cristo cumpriu sua missão na cruz:

“E eis que o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo; e tremeu a terra, e fenderam-se as pedras;” (Mt 27.51)

Neste momento se estabeleceu uma Nova Aliança: Através de Jesus Cristo passamos a ter acesso direto ao Pai, sem a necessidade de qualquer outra intermediação, sem a necessidade de qualquer sacrifício físico, sem a necessidade de quaisquer obras humanas:

“Porque por ele ambos temos acesso ao Pai em um mesmo Espírito. (19) Assim que já não sois estrangeiros, nem forasteiros, mas concidadãos dos santos, e da família de Deus; (20) Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina; (21) No qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para templo santo no Senhor. (22) No qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus em Espírito.” (Efésios 2.18-22 ACF)

Nenhuma carne é justificada pelas obras da lei. Não cabe, portanto, qualquer ação humana, como a unção de objetos de modo a nos tornarmos santos ou santificados:

“Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo , temos também crido em Jesus Cristo , para sermos justificados pela fé em Cristo, e não pelas obras da lei; porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada.” (Gálatas 2.16 ACF)

Partindo deste princípio, claramente estabelecido pelas Escrituras Sagradas, qualquer objeto que tenha sido feito“santo” através de um processo de unção, ou através de qualquer outro meio ou ação humana, passa a ser objeto de idolatria, e abominação ao Senhor, pois, vilipendia o sacrifício de Jesus Cristo. Sacrifício este feito, de uma vez por todas, na cruz. Ato completo e perfeito na Sua ressurreição, não restando qualquer outra obra a ser feita, não necessitando de qualquer ação adicional.

Deste modo, atribuir-se poder a qualquer objeto inanimado, a qualquer produto ou alimento, é ato de misticismo, sendo deliberado desrespeito para com a divindade do Senhor Jesus, ao qual foi dado todo o poder no céu e na terra:

“E, chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: É-me dado todo o poder no céu e na terra.” (Mateus 28.18 ACF)

Tudo o que desejamos ou precisamos, devemos levar diretamente a Deus, em oração:

“Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças.” (Filipenses 4.6 ACF)

Pedindo sempre em nome de Jesus Cristo, e nunca utilizando fetichismos ou superstições, nada de águas, ou óleos “santos” ou mágicos, ou pedras, ou madeiras, ou qualquer outra coisa criada. Nada deve ser colocado como meio de obtenção de graça, pois o nosso único meio de graça é o Senhor Jesus Cristo:

“Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto em meu nome pedirdes ao Pai ele vo-lo conceda.” (João 15.16 ACF)

Unção de Pessoas

A unção de pessoas era feita, quando com propósitos espirituais, com o objetivo de separar-se esta pessoa para uma tarefa específica, seja enquanto rei, sacerdote ou profeta. É importante também notar que todas estas tarefas eram realizadas em conjunto com o objetivo de guiar o povo de Deus tanto espiritualmente quanto secularmente. Também é importante ver que estas tarefas foram todas assumidas por Jesus Cristo, o ungido de Deus. Assim, Cristo é Sacerdote, Profeta e Rei. Já no Novo Testamento esta ação, a unção de pessoas, foi substituída pela imposição de mãos, a qual outorga autoridade para ministrar, educar e servir, como até hoje é feito na ordenação de pastores e diáconos. Há que se entender, entretanto, que este processo não tem exatamente a mesma significação da unção com óleo de outrora, não há qualquer santificação sendo conferida através deste ato, pois, a santificação ocorre no momento da conversão quando o salvo é selado pelo Espírito de Deus, e não há também qualquer transferência de poder, pois, todo o poder está nas mãos de Jesus Cristo(Mateus 28.18), mas, este ato indica com firmeza que aquele que está sendo ordenado, é reconhecido pela Igreja como tendo sido separado por Deus para esta obra.

Unção de Reis

Os reis eram ungidos como libertadores para o povo de Israel e para governar sobre o povo como seu pastor:

“Amanhã a estas horas te enviarei um homem da terra de Benjamim, o qual ungirás por capitão sobre o meu povo de Israel, e ele livrará o meu povo da mão dos filisteus; porque tenho olhado para o meu povo; porque o seu clamor chegou a mim.” (I Samuel 9.16 ACF)

Unção de Sacerdotes

Deus instruiu Moisés a ungir sacerdotes, de modo a consagrá-los e reconhecê-los como pessoas separadas para servir a Deus através do sacerdócio. Os sacerdotes julgavam sobre as diferenças entre as pessoas do povo, faziam expiação, santificavam o povo perante Deus, ouviam confissões de pecados, faziam sacrifícios de ação de graças e supervisionava os trabalhos no tabernáculo, entre outras tarefas.

“E vestirás a Arão as vestes santas, e o ungirás, e o santificarás, para que me administre o sacerdócio. (14) Também farás chegar a seus filhos, e lhes vestirás as túnicas, (15) E os ungirás como ungiste a seu pai, para que me administrem o sacerdócio, e a sua unção lhes será por sacerdócio perpétuo nas suas gerações.” (Êxodo 40.13-15 ACF)

Unção de profetas

O ofício profético era estabelecido pelo ato da unção:

“O espírito do Senhor DEUS está sobre mim; porque o SENHOR me ungiu, para pregar boas novas aos mansos; enviou-me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos; (2) A apregoar o ano aceitável do SENHOR e o dia da vingança do nosso Deus; a consolar todos os tristes; (3) A ordenar acerca dos tristes de Sião que se lhes dê glória em vez de cinza, óleo de gozo em vez de tristeza, vestes de louvor em vez de espírito angustiado; a fim de que se chamem árvores de justiça, plantações do SENHOR, para que ele seja glorificado.” (Isaías 61.1-3 ACF)

Não há uma descrição clara nas Sagradas Escrituras sobre como, ou qual, seria o ritual para a unção de profetas, mas, este fato está razoavelmente estabelecido através do texto de Isaías acima citado.

Produtos utilizados

Azeite

O azeite de oliva simboliza uma vida útil e vibrante, sendo símbolo de regozijo, saúde e de qualificações de uma pessoa para o serviço do Senhor:

“Porém tu exaltarás o meu poder, como o do boi selvagem. Serei ungido com óleo fresco.” (Salmo 92.10 ACF)

Ungüento

Gordura misturada com perfumes especiais que lhe davam características muito desejáveis.

Era utilizado para ungir os pés dos hóspedes, simbolizando a alegria pela chegada daquele hóspede, e desejando-lhe boas vindas:

“E Maria era aquela que tinha ungido o Senhor com ungüento, e lhe tinha enxugado os pés com os seus cabelos, cujo irmão Lázaro estava enfermo.” (João 11.2 ACF)

Também como era utilizado no cuidado pessoal com o corpo, pois, é um excelente hidratante:

“Naqueles dias eu, Daniel, estive triste por três semanas. (3) Alimento desejável não comi, nem carne nem vinho entraram na minha boca, nem me ungi com ungüento, até que se cumpriram as três semanas.” (Daniel 10:2-3 ACF)

“Lava-te, pois, e unge-te, e veste os teus vestidos, e desce à eira; porém não te dês a conhecer ao homem, até que tenha acabado de comer e beber.” (Rute 3.3 ACF)

Óleos curativos

O óleo tem poderes curativos, permitindo amolecer feridas e purificá-las. O óleo quando misturado a certas ervas, pode proporcionar medicamentos poderosos para vários males. Não é de surpreender que os médicos em Israel tivessem desde tempos antigos conhecimento destas ervas e da forma de utilizá-las no processo curativo de doentes.

“Desde a planta do pé até a cabeça não há nele coisa sã, senão feridas, e inchaços, e chagas podres não espremidas, nem ligadas, nem amolecidas com óleo.” (Isaías 1.6 ACF)

“E, aproximando-se, atou-lhe as feridas, deitando-lhes azeite e vinho; e, pondo-o sobre a sua cavalgadura, levou-o para uma estalagem, e cuidou dele;” (Lucas 10.34 ACF)

Unguento fúnebre

Este ungüento era utilizado na preparação do corpo para o sepultamento, como parte de um processo de embalsamamento:

“Ora, derramando ela este unguento sobre o meu corpo, fê-lo preparando-me para o meu sepultamento.” (Mt 26.12)

“E as mulheres, que tinham vindo com ele da Galiléia, seguiram também e viram o sepulcro, e como foi posto o seu corpo. (56) E, voltando elas, prepararam especiarias e ungüentos; e no sábado repousaram, conforme o mandamento.” (Lucas 23.55-56 ACF)

Modos de aplicação

Na cabeça

O derramamento de óleo sobre a cabeça de um homem indicava que este homem havia sido separado para uma determinada tarefa a serviço do Senhor.

“Então tomou Samuel um vaso de azeite, e lho derramou sobre a cabeça, e beijou-o, e disse: Porventura não te ungiu o SENHOR por capitão sobre a sua herança?” (I Samuel 10:1 ACF)

“Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos, unges a minha cabeça com óleo, o meu cálice transborda.” (Salmo 23.5 ACF)

“Em todo o tempo sejam alvas as tuas roupas, e nunca falte o óleo sobre a tua cabeça.” (Eclesiastes 9:8 ACF)

Também era usado sobre a cabeça com efeitos cosméticos:

“Em todo o tempo sejam alvas as tuas roupas, e nunca falte o óleo sobre a tua cabeça.” (Eclesiastes 9:8 ACF)

No rosto

A unção do óleo no rosto tinha como objetivo a hidratação, e a proteção contra as forças da natureza:

“E o vinho que alegra o coração do homem, e o azeite que faz reluzir o seu rosto, e o pão que fortalece o coração do homem.” (Salmo 104.15 ACF)

Nos pés

Como já foi dito, este ato estava normalmente relacionado com uma recepção digna e alegre de um hóspede bem-vindo:

“E, estando por detrás, aos seus pés, chorando, começou a regar-lhe os pés com lágrimas, e enxugava-lhos com os cabelos da sua cabeça; e beijava-lhe os pés, e ungia-lhos com o unguento.” (Lucas 7.38 ACF)

Sobre as feridas

Neste caso o óleo é utilizado como medicamento, sendo que através de suas propriedades curativas próprias, ou em combinação com ervas ou outros produtos era deitado sobre as feridas. Há muitos relatos deste tipo de procedimento na literatura talmúdica1, e alguns na própria Bíblia Sagrada, os quais já foram anteriormente citados.

“Volta, e dize a Ezequias, capitão do meu povo: Assim diz o SENHOR, o Deus de Davi, teu pai: Ouvi a tua oração, e vi as tuas lágrimas; eis que eu te sararei; ao terceiro dia subirás à casa do SENHOR. (6) E acrescentarei aos teus dias quinze anos, e das mãos do rei da Assíria te livrarei, a ti e a esta cidade; e ampararei esta cidade por amor de mim, e por amor de Davi, meu servo. (7) Disse mais Isaías: Tomai uma pasta de figos. E a tomaram, e a puseram sobre a chaga; e ele sarou.” (II Reis 20.5-7 ACF)

Uso atual

Como vimos, fica, em nossos dias, descartado o uso da unção com óleo para objetos, de modo a torná-los sagrados ou santificados, já que nada mais pode ser considerado objeto sagrado, uma vez que o templo de Deus na Nova Aliança é o corpo daquele que teve seu coração transformado pelo sangue do Cordeiro de Deus. Também não há mais qualquer necessidade de unção para sacerdotes, reis ou profetas. Ocorrendo no caso daqueles que se dispõem a servir como oficiais da Igreja, o ato da imposição de mãos, figura substituta da unção, mas, com significação distinta. Resta então apenas um tipo de unção a ser analisado em termos de uso nos dias atuais: a unção de enfermos com fins medicamentosos. Não restou nenhum tipo de unção, com finalidades espirituais, a ser utilizada pelos crentes em Jesus Cristo após o estabelecimento da Nova Aliança.

Análise Histórica

É interessante que venhamos a analisar a prática da Igreja, desde os seus primórdios até os dias atuais, para que possamos formar também nosso pensamento através do testemunho daqueles que no decorrer do tempo estudaram e buscaram o conhecimento bíblico, bem como daqueles que deturpando o verdadeiro significado dos ensinos bíblicos torcem seu entendimento de acordo com suas conveniências momentâneas.

Os pais apostólicos

Não há praticamente nenhuma referência à unção com óleo de enfermos, entre os escritos de Tiago (± 46-49 d.C), e de Hipólito de Roma (± 200 d.C.). Isto provavelmente se deve ao fato de estarem os Cristãos deste período lutando com tantas e tão variadas formas de heresias, como o gnosticismo, o arianismo, o sebastianismo, o monarquismo, os judaizantes, entre outros tantos, que não deve ter havido tempo para dedicarem-se a este assunto em seus escritos.

Justino de Roma (± 140 d.C.)

Há, contudo a exceção de Justino de Roma, que por volta de 140 d.C. defendia a posição de que todo e qualquer tipo de unção praticada ou ministrada no Velho Testamento aponta para Cristo. E que assim em Cristo todas as unções cessaram, conforme podemos ver pelo trecho de seu trabalho a seguir:

“Tendo Jacó derramado óleo no mesmo lugar, o próprio Deus que lhe aparecera dá testemunho de Ter sido para ele que ungiu ali a pedra. Também já demonstramos, com várias passagens das Escrituras, que Cristo é chamado simbolicamente “pedra” e que também a ele se refere toda unção, seja de azeite, seja de mirra ou qualquer outro composto de bálsamo, pois assim diz a palavra: “Por isso, o teu Deus te ungiu, o teu Deus, com óleo de alegria, de preferência aos teus companheiros”. É assim que dele participaram os reis e ungidos, todos os que são chamados reis e ungidos, da mesma maneira como ele próprio recebeu de seu Pai o fato de ser Rei, Cristo, Sacerdote.”

Hipólito de Roma (± 200 d.C.)

A mais importante obra teológica de Hipólito de Roma é intitulada a “Tradição Apostólica”. É um dos mais antigos documentos com instrução litúrgica que podemos encontrar, tendo sido usado como base, pela igreja católica romana, para consubstanciar sua herética doutrina sacramental da “extrema-unção” e é também a base utilizada pelos neopentecostais para confirmar que a Igreja Cristã pós-apostólica era praticante da “unção de enfermos”. Vamos ao texto de Hipólito:

Se alguém oferecer azeite, consagre-o como se consagrou o pão e o vinho, não com as mesmas palavras, mas com o mesmo Espírito. Dê graças, dizendo: “Assim como por este óleo santificado ungiste reis, sacerdotes e profetas, concede também, ó Deus, a santidade àqueles que com ele são ungidos e aos que o recebem, proporcionando consolo aos que o experimentam e saúde aos que dele necessitam.”

Por estas palavras podemos claramente entender que este ensinamento está muito distante da verdade bíblica. Não há nenhuma instrução na Palavra de Deus no sentido de se consagrar pão e vinho. A Bíblia inclusive não trata o líquido da ceia do Senhor como sendo vinho. Há uma única referência, feita pelo Senhor Jesus registrada em Mateus, referindo-se ao conteúdo do cálice como “fruto da vide”, ou seja “uva”, ou seu suco:

“E digo-vos que, desde agora, não beberei deste fruto da vide, até aquele dia em que o beba novo convosco no reino de meu Pai.” (Mateus 26.29 ACF)

E em nenhum momento há qualquer ritual de consagração. Há sim oração em ação de graças a ser proferida durante o cerimonial da ceia do Senhor, conforme instruções encontradas em Mateus 26.26-30 e em I Coríntios 11.23-30. Se não se consagra o pão e o vinho, também não se consagra azeite. Se não se consagra azeite toda a teologia e toda a instrução litúrgica derivada desta linha de raciocínio é biblicamente inválida e deve ser considerada espúria e anátema. Aprofundando-nos no estudo dos ensinos de Hipólito de Roma podemos encontrar vários tipos de óleos, como o óleo consagrado, o óleo de exorcismo, o óleo de ações de graças, o óleo santo ou santificado, entre outros, como o queijo da caridade e a azeitona consagrada. (Será que as semelhanças com a IURD são meras coincidências?) Assim, quaisquer ensinos provenientes desta fonte, ou de qualquer outra que nela se baseie devem ser considerados espúrios e anátemas.

Orígenes (± 210 d.C.)

Orígenes, apesar de todas as suas tendências alegoristas e metafóricas, de suas heresias e descalabros, ao tratar da questão da unção com óleo, afirma, corretamente, que alguns Cristãos (neste caso Celso) teriam querido curar suas feridas através da ação divina, mas manter sua alma inflamada em seus vícios e pecados, rejeitando os remédios espirituais dessa mesma palavra, a confissão de pecados e o perdão. Querendo usar o azeite, o vinho e outros emolientes, e demais ajudas médicas que aliviam a enfermidade, como alívio para sua alma corrompida, ou ainda usar de supostos poderes mágico-espirituais conferidos aos medicamentos na cura das feridas, sem se apresentarem diante de Deus, para a cura da alma. Hoje em dia a medicina nos apresenta vários novos recursos curativos, além do azeite e do vinho, aos quais podemos recorrer, contudo não podemos em momento algum, nos esquecer da dependência de Deus, através de uma vida de oração. Este é o ensinamento deOrígenes: que muitos querem ser curados, querem ser aliviados, mas não querem deixar seus pecados. Portanto,na teologia de Orígenes não existe espaço para uma unção de enfermos com fins curativos mágicos. O azeite e outros emolientes são importantes do ponto de vista medicamentoso, mas sempre associados à dependência de Deus pela oração, e se for para a Sua glória, Deus restabelecerá o enfermo.

Idade Média

Durante a Idade Média houve grande luta entre o poder secular e o poder da Igreja, trazendo como conseqüência direta uma deturpação ainda mais exacerbada da já caquética e corrompida teologia da igreja de Roma. As interpretações das Escrituras visavam apenas dar respaldo a um misticismo mágico-religioso que dominava as ações da igreja de Roma, e lhe conferia poder sobre as massas ignorantes e crédulas, além de controle sobre seus governantes, rendendo à igreja de Roma grandes frutos financeiros e políticos. Neste período há muito pouca discussão sobre a unção com óleo, pois esta já se havia instituído em sacramento, o sacramento da extrema-unção, para limpar de pecado aquele que estava à beira da morte.

Cesário de Arles (± 503~504)

Ele faz várias referências à unção de enfermos nos seus sermões. No sermão 13 ele escreve:

“Toda vez que sobrevier uma doença, o que a sofre receba o corpo e o sangue de Cristo; peça humildemente e com fé ao sacerdote a unção com o óleo bento a fim de que se cumpra nele o que está escrito”.

No Sermão 184, suplica às mães que não levem seus filhos aos “medicamentos diabólicos”, argumentando:

“Quanto mais justo e razoável seria recorrer à igreja, receber o corpo e o sangue de Cristo, ungir com fé, seja o próprio corpo ou o dos seus, com o óleo bento.”

Aqui vemos já uma completa deturpação do significado da ceia do Senhor, pois é esta um memorial, não conferindo qualquer tipo de bênção, graça ou cura. Pois, não há qualquer suporte nas Sagradas Escrituras para que assim pensemos. E assim da mesma forma também não há um “óleo bento pelos sacerdotes”. Pois, primeiramente, não há na Nova Aliança a figura do sacerdote, não há mais a necessidade de intermediação entre o povo e seu Deus. Cada um que tenha em si o selo da salvação, tem acesso direto ao Pai através de Jesus Cristo, nosso Mediador e Advogado para com o Deus. Não há também, como já vimos, sob a Nova Aliança,nenhum objeto ou material consagrado ou santificado, tornando, deste modo, a existência de um “óleo bento”simplesmente impossível. E se não há bênção nem na ceia, nem no óleo, não há razão para uma unção de enfermos, exceto quando ocorrer com caráter puramente medicamentoso, sem qualquer conotação mística ou espiritual.

Quanto à afirmação no sermão 184, não há qualquer fundamento ou razão para afirmar que medicamentos sejam“diabólicos”, ou de qualquer outra forma “impuros” ou “malévolos”. Há contudo, clara proibição bíblica, quanto a se buscar o auxílio de curandeiros e feiticeiros, mas, em nenhum ponto encontramos recomendação contra a busca por médicos ou por medicamentos em caso de doenças. Ao contrário, quando a mulher que sofria com fluxo de sangue procurou por Jesus, é-nos informado que ela já havia procurado por médicos, pratica esta que não foi recriminada por Jesus, apesar de no caso desta mulher não ter sido de eficácia. (Marcos 5.25-34)

Beda (± 720 d.C.)

Segundo o disposto através da teologia de Beda, podemos ver o andamento da deturpação do significado da unção de enfermos, conforme segue:

1°. Naquela época se pensava que a virtude da Unção estava no óleo consagrado pelo bispo, o óleo bento;

1. 2°. A Unção de Enfermos pertencia à categoria dos sacramentos permanentes, assim como a ceia do Senhor e o batismo;

2. 3°. A igreja de Roma cria que assim como na ceia do Senhor é o próprio ministro, o sacerdote, quem consagra o pão, e como também é o sacerdote quem batiza, é este mesmo quem também consagra o óleo para a unção de enfermos, e estes elementos depois de consagrados pelo ministro são repassados aos presbíteros para ministrá-los. Assim, toda a força da bênção do óleo está no pastor, isto é, no sacerdote;

3. 4°. Assim como o pão consagrado para a ceia do Senhor já tem em si a força do sacramento, também o óleo bento consagrado pelo bispo tem a mesma força e o mesmo poder.

Bonifácio (± 900 d.C.)

A partir da reforma carolíngia, a administração do óleo consagrado, ou bento, ficou reservada exclusivamente aos sacerdotes (bispos e presbíteros). Segundo os Statuta Bonifacii, do começo do século IX, os sacerdotes devem, em suas viagens, levar sempre consigo a eucaristia e o “santo óleo”; e lhes é proibido sob pena de deposição confiar aos leigos o “santo óleo”.

Neste ponto muda a igreja de Roma sua concepção do sacramento:

1°. De unção de enfermos passou a ser unção de moribundos (extrema-unção);

2°. Da consagração do óleo passou a ser a administração da unção;

3°. De sacramento com efeitos corporais passou a ser sacramento com efeitos espirituais;

4°. De sacramento autônomo passou a estar unido à penitência;

5°. A teologia escolástica do século XIII já herdara uma situação de fato: o ministro da unção é o sacerdote, o mesmo da penitência.

Deste panorama, tem-se o que hoje é entendido por unção dos enfermos. Uma ação de transferência de poder do sacerdote para o óleo e deste para o enfermo, “trazendo a cura”. Nada mais que uma ação de misticismo e feitiçaria, completamente destacada do contexto e do entendimento bíblicos, ação esta criada por séries de heresias e deturpações históricas, tanto no que se refere ao papel da igreja, quando no que se refere ao papel do ministro da igreja, o seu pastor.

Os reformadores protestantes

No decorrer da Idade Média, a igreja católica separou esse rito da unção de enfermos e o elevou à categoria de sacramento da extrema-unção, mediante o qual, segundo ensinavam seus teólogos, deveria ser ministrado aos fiéis da igreja que estavam moribundos, ou seja, à espera da morte.

Houve consenso entre os reformadores protestantes que assim apresentada, a unção com óleo, era uma falsa interpretação de Tiago 5.14 e de Marcos 6.13.

Segundo Lutero, em sua exposição do texto de Tiago 5.14, o uso da unção com óleo, já cessou:

“Por isso sou de opinião que essa unção é a mesma da qual se escreve, em Mc 6.13, a respeito dos apóstolos: ‘E ungiam muitos enfermos com óleo, e os curavam.’ Trata-se, pois, de um certo rito da Igreja primitiva, pelo qual faziam milagres entre os enfermos. Já desapareceu há muito.

Calvino de igual modo não aceita a contemporaneidade da prática da unção de enfermos, assegurando que esta prática já cessou na igreja, como também, todas as virtudes e os demais milagres que foram operados pelas mãos dos apóstolos, a razão é que este dom (unção de enfermos) era temporal.

Calvino e Lutero são unânimes em afirmar que o azeite era um ungüento utilizado na Igreja Primitiva com fins medicamentosos que associados à oração dos presbíteros, teria muito efeito.

Porque os reformadores não faziam unção de enfermos?

1. Por que o princípio gerador da cura em Tg 5.14 é a fé do doente e as orações dos líderes da igreja;

2. Por que longe de sustentar a extrema-unção ou o crisma (confirmação), a passagem de Tiago 5.14 trata de presbíteros (e não de sacerdotes) orando pela cura do enfermo; O azeite é então um óleo medicinal, e não um preparado mágico para a morte.

3. Por que a unção Veterotestamentária apontava para o Messias, o Ungido de Deus, cumprindo em Cristo a unção final de sacerdote, profeta e rei;

4. Por que no processo evolutivo da revelação de Deus, o óleo da unção aponta para o ministério do Espírito Santo, Aquele que unge, isto é, separa, capacita, credencia o cristão a fazer a obra de Deus. Os que são ungidos com o Espírito Santo não necessitam de nenhum outro tipo de unção;

“E vós tendes a unção do Santo, e sabeis tudo” (1Jo 2.20)

“E a unção que vós recebestes dele, fica em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a sua unção vos ensina todas as coisas, e é verdadeira, e não é mentira, como ela vos ensinou, assim nele permanecereis” (1Jo 2.27)

Analisando o pensamento de Calvino sobre a unção dos enfermos, especialmente em sua exposição do verso em Tiago 5.14, podemos entender o seguinte:

1. Para Calvino esta prática já cessou na Igreja;

2. A unção aponta para a obra e os dons do Espírito Santo; e se nós vivemos hoje no desenvolvimento ministerial do Espírito Santo, com certeza, não há qualquer sentido na prática da unção de Enfermos ou qualquer outro tipo de unção;

3. A unção não tem o efeito das virtudes espirituais apostólicas;

4. A unção não é canal de bênçãos para o crente; canal de bênção é a doutrina Bíblica, as orações (intercessão dos Santos) e a comunhão;

5. A unção não é privativa do pastor da igreja;

6. A unção não tem qualquer efeito de sacramento;

7. A unção não perdoa pecados;

8. A unção não é sinal de cura;

9. A unção não tem poderes mágico-religiosos;

Considerações atuais sobre a unção com óleo

Como conseqüência da situação pela qual vem passando o povo brasileiro, devido às conjunturas políticas, sociais e econômicas, muitos têm encontrado grande dificuldade de acesso à medicina pública, ou nela não têm confiança, recorrendo a uma medicina popular, principalmente através de curandeiros, benzedeiras, e/ou concepções mágico-religiosas. Alguns líderes carismáticos são muitas vezes solicitados a realizar curas divinas através de rituais, e afirmam estar em contato com o Espírito Santo, com anjos, demônios e com o espírito da própria enfermidade. E através de seus “poderes”, tentam realizar a “cura”, e quando esta não vem, alistam variadas razões, entre elas, e principalmente, o fato de o enfermo, ou seus familiares, terem falta de fé. Assim, todo o procedimento de unção assumiu um papel fundamental dentro do simbolismo religioso que se formou nestes dias, sendo este procedimento utilizado para combater doenças tanto do corpo quanto da alma. E só obtêm a “graça” aqueles que são ungidos com óleo consagrado; para estes haverá saúde, emprego, riqueza, e a cura de diversas moléstias e males demoníacos.

Logo tudo passa a ser ungido, a rosa, o barbante, o sal, as fotos, as roupas, a água, o manto, a madeira, e finalmente a própria pessoa é ungida, e caso esteja possuída por demônios estes se manifestam e podem então ser expulsos, através do óleo do exorcismo e da “oração forte”.

Saindo da confusão

Como pudemos perceber perfeitamente através da exposição da história deste procedimento vale aqui de modo especial o que nos é dito pelo texto do salmo 42: “Um abismo chama outro abismo…”.

E é desta confusão teológica que precisamos sair. E a única forma de fazê-lo é através de uma análise exegética da palavra de Deus, à luz de todo o ensino apresentado pela própria palavra de Deus, conforme já vimos anteriormente neste estudo. Vamos seguir então analisando o verso que é usado por base de toda esta“teologia”.

Mas, tenhamos em mente tudo o que já estudamos, e em especial a conclusão a que chegamos através da análise sincera e dedicada da palavra de Deus:

“Resta então apenas um tipo de unção a ser analisado em termos de uso nos dias atuais: a unção de enfermos com fins medicamentosos. Não restou nenhum tipo de unção, com finalidades espirituais, a ser utilizada pelos crentes em Jesus Cristo após o estabelecimento da Nova Aliança.”

Exposição de Tiago 5.14

Analisemos o texto em si, dentro do seu contexto:

“Está alguém entre vós aflito? Ore. Está alguém contente? Cante louvores. (14) Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e orem sobre ele, ungindo-o com azeite em nome do Senhor; (15) E a oração da fé salvará o doente, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados. (16) Confessai as vossas culpas uns aos outros, e orai uns pelos outros, para que sareis. A oração feita por um justo pode muito em seus efeitos.” (Tiago 5.13-16 ACF – destaque acrescentado)

É fundamental entendermos que o texto nos fala de oração. Tiago está tratando, por praticamente toda a sua carta, deste tema. Não podemos entender que ele tenha criado um novo ritual místico-mágico, ou que tenha sido criada uma nova teologia, o que invalidaria esta carta como texto bíblico. Como exemplo, analisemos o que houve recentemente em uma pequena cidade americana próxima de Los Angeles: - Lá ocorreu uma enorme tragédia, quando um pai, jogou fora a insulina que seu pequeno filho diabético necessitava tomar, após pedir ao pastor que realizasse em seu filho a “unção com óleo” e a “oração forte de poder”. Como resultado desta ação irresponsável, seu filhinho morreu. Devemos entender que nem todos os crentes que ficam doentes, recebem cura! Muitas vezes Deus os quer assim, doentes mesmo, de modo que testemunhem de Sua graça mesmo em meio ao sofrimento, ou então para que seja aprendida alguma lição que Deus queira ensinar. O fato é que se todos os crentes recebessem cura, nenhum morreria, pois, a cada doença se seguiria a cura divina! E a história testemunha que não é assim.

Bom, com isto em mente sigamos analisando o texto. A palavra “ungir” em português significa:

1. untar(-se) ou friccionar(-se) com óleo, ungüento ou qualquer substância gorda; fomentar

2. untar ou friccionar com perfumes ou substâncias aromáticas

3. investir de autoridade por meio de unção ou sagração; sagrar

Em grego os dois primeiros sentidos apresentados da palavra “ungir” são entendidos da palavra “aleifw” (aleipho). Já o terceiro sentido, é entendido pela palavra “xriw” (chrio) da qual se deriva a palavra “xristov” (christos), cristo, de onde temos a designação de Jesus como “O Ungido de Deus”, “O Cristo”.

Neste sentido, a primeira (aleipho) é uma palavra que denota uma ação corriqueira e desprovida de qualquer conotação religiosa ou espiritual. Enquanto a segunda (chrio) indica uma ação espiritual, uma consagração divina. E neste verso encontramos a palavra [aleipho] e não a palavra [chrio]!

Considerando, portanto, o significado da palavra e do texto em seu contexto, entendemos que somente o que pode operar qualquer cura é o poder do Senhor, muitas vezes em resposta à oração de um justo.O uso do azeite neste texto se refere então à sua aplicação com vistas a uma ação medicamentosa. Dando-nos instrução que não devemos, como fez aquele infeliz pai americano, deixar de aplicar o medicamento pelo fato de estarmos em oração pela cura, mas, inversamente, devemos aplicar o medicamento e orar confiantemente ao Senhor, clamando pela cura, tanto física, quanto espiritual, em caso de haver pecado envolvido. E o Senhor dentro dos Seus propósitos, irá agir. O poder é do Senhor, e não de uma mandinga qualquer ou de qualquer objeto que supostamente tenha quaisquer poderes curativos.

Conclusão

Diante de tudo o que foi exposto, podemos então afirmar:

1°. A unção de enfermos não é um sacramento, já que não há nenhum sacramento, pois para tal exigir-se-ia um sacerdote para intermediar sua aplicação. E na Nova Aliança, cada crente em Jesus Cristo tem acesso direto ao Pai através Dele, sendo portanto, seu próprio sacerdote, dispensando qualquer tipo de intermediação humana. Além deste fato, não há como se complementar a obra do Senhor Jesus Cristo, ou tomar-se qualquer ação que resulte em graça. A obra de Cristo é completa e perfeita, e a obtenção de graça se dá através do poder do Senhor mediante oração e fé.

2°. Os pais da Igreja não praticaram a unção com fins espirituais na Igreja, entendendo que esta ação não deveria ocorrer no cerne da Nova Aliança.

3°. A instituição da unção dos enfermos durante a Idade Média, (que veio posteriormente a se tornar a extrema-unção católica, e que após o concílio Vaticano II voltou a ser, para os católicos romanos, a unção de enfermos) foi obra de “cristãos” que não tinham uma teologia séria, embasada na Palavra de Deus, mas, ao contrário, desejavam apenas mais um meio de controle sobre as massas.

4°. Conforme pudemos ver da exposição de Tiago 5.14, o óleo não tem em si nenhum poder curativo sobrenatural, além de seu próprio poder como medicamento. O verdadeiro poder está no Senhor, e pode vir a ser derramado sobre o enfermo, em atendimento às orações de verdadeiros crentes no Senhor Jesus Cristo, aqueles que foram justificados pelo Seu sangue.

5°. O azeite em Tiago 5.14, não é expressão do Espírito Santo, nem de Sua ação, pois, este fato viria de encontro a todas as doutrinas apostólicas. A unção que se relaciona com o Espírito Santo é obtida na conversão, quando o crente é Nele batizado e selado para o dia da redenção.

6°. Qualquer pensamento quanto a um valor semimágico da unção com óleo, fere os princípios do Novo Testamento, especialmente no que diz respeito ao objeto da fé, que não pode em nenhuma hipótese ser algo material sob pena de idolatria e paganismo:

“E, chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: É-me dado todo o poder no céu e na terra.” (Mateus 28.18)

Em nada devemos por a nossa fé, a não ser naquele que verdadeiramente nos pode salvar!

7°. No processo evolutivo da revelação de Deus, o óleo da unção apontava para o vindouro ministério do Espírito Santo, que é Aquele que unge, ou seja, Aquele que separa, capacita, credencia o Cristão a fazer a obra de Deus. Os que são ungidos com o Espírito Santo não necessitam de nenhum outro tipo de unção espiritual, em nenhum outro momento de suas vidas!

E que Deus nos abençoe e nos permita permanecer sendo fiéis à Sua palavra e à Sua vontade em cada momento de nossas vidas, deixando e abandonando tudo quanto não provém de Deus! Amém!

Bibliografia Consultada

A BÍBLIA SAGRADA, Versão Revista e Corrigida Fiel ao Texto Original, Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil, São Paulo, 1995.

ARLES, Cesário de – Sermones Sancti Caesarii Arelatensis – Pars Prima, studio D. Germani Morin O.S.B., ed. altera, Turnholti, Brepols, 1953.

CNBB, Observações sobre o Ministro da Unção dos Enfermos. 35ª Assembléia Geral da CNBB.

COELHO FILHO, Isaltino Gomes – Tiago Nosso Contemporâneo: Um Estudo Contextualizado da Epístola de Tiago, 2ª edição, Rio de Janeiro, JUERP, 1990.

ECCLESIA, Patrística e Fontes Cristãs Primitivas: Tradição Apostólica de Hipólito de Roma.

FALCÃO Sobrinho, João – A Túnica Inconsútil: Um estudo sobre a doutrina da igreja, 2a edição revisada, Rio de Janeiro, JUERP, 2002.

HOUAISS, Antonio – Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, versão eletrônica.

LAUAND, Jean – Um Sermão de S. Cesário de Arles.

RÉDUA, Ashbell Simonton – Unção com óleo *com especial gratidão por tão excelente trabalho!

Autor: Walter Andrade Campelo

Fonte: http://www.cacp.org.br/uncao-com-oleo-uma-reflexao-biblica-e-historica/

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Bispo Macedo critica o primeiro milagre feito por Jesus

apologética

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Bispo Macedo critica o primeiro milagre feito por Jesus

Jesus tem que voltar logo

A coisa anda tão complicada que nem Jesus serve mais! Infelizmente o evangelho pregado por alguns é tão humanista que fica difícil eles acreditarem num Deus soberano.

O Bispo primaz da IURD, Igreja Universal do Reino de Deus, senhor Edir Macedo afirmou com todas as letras que o Senhor Jesus cometeu o equivoco de transformar água em vinho, (veja o vídeo abaixo) quando deveria prioritariamente ter transformado as vidas das pessoas. Macedo também diz que ele não viu propósito no primeiro milagre de Jesus e que no seu ponto de vista o Senhor não deveria tê-lo feito.

Caro leitor, eu tenho uma posição firmada quanto a Igreja Universal do Reino de Deus e conforme já escrevi anteriormente não acredito que esta seja uma igreja genuinamente evangélica.

A afirmação do Bispo Macedo não me surpreende em nada, até porque, seus ensinamentos, doutrinas e pregação em muito se contrapõe as verdades defendidas pelas Escrituras.

Ora, quem somos nós para questionarmos as ações do Senhor? Quem somos nós para questionarmos a justiça de Deus? Quem somos nós para não aceitarmos a vontade soberana de Deus? Pois é, o problema é que  a IURD e suas parceiras de fé  pregam um evangelho diferente dos evangelhos e a consequência direta disso é a multiplicação de desvios doutrinários.

Prezado amigo, nós protestantes cremos que o nosso Deus é Soberano e que majestosamente reina e governa sobre tudo. Além disso, cremos na Bíblia como palavra inerrante de Deus e que tudo que nela está Escrito é Palavra infalível do Senhor.

Isto posto, sou obrigado a concordar que as doutrinas de Edir Macedo não são cristãs e que afrontam de forma veemente tudo aquilo que os apóstolos e reformadores ensinaram. Resta-nos portanto rogar ao Senhor que tenha misericórdia do povo brasileiro livrando-os dos enganos ensinados pela universal do Reino de Deus.

Com lágrimas nos olhos…

Fonte: http://www.cacp.org.br/bispo-macedo-critica-o-primeiro-milagre-feito-por-jesus/

Nota: Veja o vídeo:

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AS MALVADEZAS DE UM FRADE INCENDIÁRIO

AS MALVADEZAS DE UM FRADE INCENDIÁRIO

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“Livra-me, Senhor, do homem perverso, guarda-me do homem violento, cujo coração maquina iniquidades e vive forjando contendas” (Salmo 140:1-2).

     Ânimo, brava gente brasileira! Infelizmente o Frei Damião vai mesmo tornar-se santo.
Estão tentando modificar os fatos históricos ou me deixar desmemoriado, mas peço a Deus que não consigam nenhuma das duas coisas. Não, não faço uso de drogas alucinógenas e nem sou portador do Mal de Alzheimer (pelo menos, ainda não). A culpa é do neo ilusionismo praticado pela igreja católica.
É, parece que tudo está perdido! A igreja do papado fez uma releitura positiva de um italiano que viveu no Nordeste brasileiro no século passado e o seu processo de beatificação, que antecede o da canonização, anda a passos largos. Para transformar um agressor em vítima, um incendiário em bombeiro, um raivoso encharcado de ódio em amoroso e pacífico, um reprovável em santo, somente entrando em cena a turma de ilusionistas da igreja católica romana.
Estou me referindo ao quase concluído processo de beatificação do Frei Damião de Bozzano, que precipitará o início do processo de sua canonização. Imagine, o iracundo Frei Damião será canonizado!

Quem foi o Frei Damião de Bozzano?
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     Seu nome de batismo é Pio Giannotti, e ele nasceu em 5 de novembro de 1898, em Bozzano, no Norte da Itália, filho dos camponeses Félix Giannotti e Maria Giannotti.
Começou sua formação religiosa aos 12 anos, quando foi estudar em um colégio de padres. Aos 19 anos foi convocado para o exército italiano e participou da Primeira Guerra Mundial. Em 25 de agosto de 1923 foi ordenado sacerdote, na Igreja de São Lourenço de Brindisi, em Roma. Aos 27 anos diplomou-se em teologia pela Universidade Gregoriana em Roma e foi docente do Convento de Vila Basélica e do Convento de Massa.
Em 1931, deixou a Itália, vindo diretamente para o Convento de São Félix de Cantalice (conhecido como o Convento dos Capuchinhos) no Recife. Dos 33 anos até a sua morte, aos 98 anos, residiu nesse convento.
Sua primeira missa em solo brasileiro foi rezada na Capela de São Miguel, no Sítio do Mel, do lado de fora da cidade de Gravatá, em Pernambuco, no dia 29 de setembro de 1931.

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     Frei Damião ocupou-se em disseminar “as santas missões” pelo interior do Nordeste. “As santas missões” eram um tipo de cruzadas missionárias, de alguns dias de duração, pelas cidades nordestinas. Nessas ocasiões, era armado um palanque ao ar-livre com vários alto-falantes onde o frade transmitia o seu discurso conservador e contra os protestantes.
Frei Damião conseguia arrastar multidões para ouvir suas palestras e tornou-se um fenômeno de popularidade religiosa no Nordeste, só comparável ao “Padim Ciço”, de Juazeiro do Norte. A propósito, Frei Damião é aclamado pelos católicos locais como o legítimo sucessor do Padre Cícero Romão Batista .

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     Quando perguntado sobre os objetivos de suas “santas missões” aos sertanejos, o frei respondia que um dos objetivos era “livrá-los do Demônio, que queria afastá-los da Igreja e fazê-los abraçar outro credo […]”.(1) O que o frade queria dizer por “Demônio”? Provavelmente, os protestantes.
Na ocasião de sua morte, em 31 de maio de 1997, o governo de Pernambuco e a prefeitura de Recife decretaram luto oficial de três dias. Seu corpo foi embalsamado, velado durante três dias na Basílica da Penha e no estádio de futebol do Arruda, em Recife. Várias autoridades compareceram ao seu velório, entre as quais o ex-presidente Fernando Collor de Mello, o vice-presidente Marco Maciel e o governador Miguel Arraes.(2)
Em 31 de maio de 2003, seis anos após sua morte, foi aberto o processo de beatificação e, posteriormente, de canonização de Frei Damião. Esse frade é apenas mais um, entre outros líderes religiosos católicos que viveram no Brasil, a ser candidato a santo.

     Rastros de sangue deixados pelo Frei Damião na Paraíba

E quando vi, lá estávamos nós novamente: Marcos Nunes, um piedoso irmão em Cristo, e eu dirigindo por mais de mil e quinhentos quilômetros de estradas asfaltadas e de barro pelo interior do estado da Paraíba, um buraco aqui, uma lombada não sinalizada acolá, um desarranjo intestinal efêmero, uma bolha na região plantar, um rápido entorse de tornozelo, quase vinte entrevistas com testemunhas oculares e pastores, centenas de fotografias, sem falar em algumas filmagens.
Tudo isso em prol de pesquisarmos in loco a passagem pelo solo nordestino de um frade que ficou conhecido como o maior perseguidor dos protestantes nordestinos.
Gostaria de aproveitar a oportunidade para reinventar o turismo pelo interior paraibano. Até porque, para um pesquisador evangélico, há passeio melhor por aquelas bandas do que tirar dois fins de semanas para conhecer algumas das igrejas evangélicas em que o Frei Damião e/ou outras autoridades católicas mandaram tocar fogo, destruir ou apedrejar e que, mesmo após tamanha agressão, conseguiram se reerguer?
Houve perseguições religiosas em dezenas de cidades nordestinas. Porém, neste artigo vamos nos deter a analisar, em ordem cronológica, a perseguição exercida pela igreja romana contra os protestantes em apenas quatro cidades paraibanas.

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 Em Guarabira, PB: um memorial oco ao Frei agressivo

 

     Mais uma mega estátua de um líder católico no alto de um morro: o Memorial Frei Damião, construído com dinheiro público e inaugurado em 19 de dezembro de 2004, em Guarabira, Paraíba, é algo fenomenal. Totalmente desproporcional em relação à simplicidade e à pobreza do povo ao seu redor.

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      É uma estrutura majestosa. Só o pedestal tem 12 metros de altura, e a estátua mais 22 metros de altura. Ultrapassou em altura e em largura o monumento ao Padre Cícero, em Juazeiro, no Ceará. No Brasil, só é mais baixa do que o Cristo Redentor.
O pedestal do monumento é composto de térreo e mais dois pavimentos, onde está localizado um museu do frade. O visitante circula andando em um corredor, observando fotos, notícias e histórias acerca do frei. O meio da estátua é vazado e quando se olha para cima se vê que a estátua é de concreto oco. É um “santo oco”, e essa é uma verdade que o povo protestante conhece muito bem.
Cerca de dois quilômetros morro abaixo está a Igreja Evangélica Congregacional de Guarabira. “Ela hoje tem suas portas de vidro, pois não temos medo de sermos apedrejados novamente pelos fiéis do Frei Damião”, ensinou-nos o atual pastor, Sandro Fernandes Paiva.

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         A agressão ocorreu no início da noite de inauguração do templo, no dia 21 de abril de 1937, na gestão do pastor Artur Pereira Barros. A ata da igreja descreve: “[…] um grande auditório cuja bancada estava repleta de famílias, inclusive crianças. Foram estes atacados de improviso por fanáticos do Frei Damião […]. Esse cerco durou mais ou menos três horas, tornando-se mais perigoso quando indivíduos previamente preparados lançavam pedras nos fios desligando a energia elétrica. Nesta ocasião a maior parte do povo arriscando a vida começou a saltar por cima dos muros, permanecendo no templo os pastores e alguns membros […]”.
Muitos dos agressores gritavam insultos aos crentes, que na época eram chamados de “bodes” pelos católicos.      Alguns usavam aquelas túnicas marrom escuras, típicas dos capuchinhos e exaltavam o Frei Damião. No dia seguinte, a quantidade de pedras e paus jogados sobre os crentes totalizava mil e quinhentos quilos, detalha a ata. Alguns evangélicos saíram feridos e a fachada da frente da igreja ficou marcada com centenas de buracos causados pelas agressões.
Será que aqueles que construíram a estátua monumental do frade, há cerca de dois quilômetros de distância dessa igreja congregacional, sabem que o “santo oco” foi o responsável por inflamar e atiçar a multidão de católicos contra os evangélicos?

Em Catolé do Rocha, PB: onde o Frei fez escola

Entrevistamos vários moradores, hoje crentes no Senhor Jesus, que à época das “santas missões” do frade eram católicos roxos. Algumas das muitas frases proferidas pelo Frei Damião e ouvidas por esses irmãos, foram: “Não é pecado perseguir os protestantes pois eles são inimigos da Santa Igreja Católica”; “não ficará nesta cidade nem rastro de protestantes” ; “casamento civil é só na Igreja Católica, na protestante não tem nenhum valor, é igual ao ajuntamento de um gato com uma gata”…
“Havia um incentivo dos políticos e da igreja católica para maltratar os crentes”, sentencia Pedro Nunes Neto (um ex-católico que hoje, aos 76 anos de idade, é evangélico).

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     Párocos e multidões de católicos foram instigados pelo amargurado Frei Damião que jorrava ódio pelos protestantes. Em Catolé do Rocha, o frade perseguidor perpetuou uma escola já existente de discípulos cruéis.
Ainda hoje, na calçada em frente à Igreja Matriz, existe um busto do Frei Damião de Bozzano, onde alguns devotos fazem seus pedidos.
Antes mesmo do raivoso Frei pisar nestas terras, o Monsenhor Constantino ensinava ao povo de Catolé do Rocha: “Aos protestantes, nós católicos não damos morada, não compramos, nem vendemos coisa alguma, muito menos entregamos correspondência e nem mesmo permitiremos a eles o fornecimento de água”.

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     Naquele tempo, havia uma fonte pública na cidade, conhecida como “O Poço do Vigário”. Dela e de alguns outros poços d’água, em algumas casas de pessoas importantes, o povo em geral tirava água para o consumo em suas casas. No entanto, os evangélicos não podiam mais pegar água. E agora? O que fazer? Onde buscar água para continuar vivendo? Mulheres e crianças protestantes choravam com fome e sede, homens evangélicos angustiados tentavam sair da cidade e o Monsenhor Constantino aproveitava a situação para convocar os crentes a regressarem ao seio da igreja romana. Estou narrando fatos ocorridos no sertão paraibano há cerca de setenta anos.
Mas, o nosso Deus é maravilhoso e tocou no coração de um casal católico (o senhor Hercílio Maia e dona Eleonora) que tinha um poço na sua residência. Eles ficaram sensibilizados com o sofrimento do povo de Deus e liberaram o seu poço para todos os evangélicos. O Monsenhor tentou impedi-los, mas não conseguiu. Então, amaldiçoou o casal, saiu irado e nunca mais os cumprimentou.
Miguel Guedes Bezerra era um católico praticante, mas hoje, com 96 anos, é salvo pelo sangue do Senhor Jesus e bastante lúcido. Bezerra me contou que havia emboscadas dentro do mato para apedrejarem, maltratarem e saquearem os “bodes” que viajassem de Catolé do Rocha para qualquer outro povoado satélite. Porém, mesmo assim a igreja de Cristo crescia.
O quebra-quebra dentro da Igreja Evangélica Congregacional em Catolé do Rocha aconteceu em uma noite de sábado, no mês de junho de 1938, com a autorização do perverso padre Joaquim de Assis. Foi na gestão do pastor Lidônio Fragoso de Almeida. Naquela ocasião estava sendo realizada uma série de conferências sobre o tema “idolatria”, ministrada pelo Rev. Josué Alves de Oliveira, um ex-pastor daquela comunidade.freidamiao11

     Dona Maria do Carmo de Paiva Maia, que à época tinha 19 anos, é casada com Miguel Guedes Bezerra, já citado anteriormente. Maria do Carmo, hoje com 87 anos, lembra-se de muito detalhes daquela noite: “Eu era solteira e estava dentro da igreja, momentos antes do culto iniciar. Já tinha observado que um grupo de homens e rapazes começava a se ajuntar do lado de fora da porta da igreja. Por duas vezes, eles se movimentaram como se fossem entrar na igreja, mas não entraram. Na terceira vez, entraram mesmo, gritando insultos. Eles foram até o primeiro banco da igreja, o levantaram bem alto e sacudiram no chão, espatifando- o. Os intrusos fizeram a mesma coisa com o segundo banco. Saí correndo da igreja com medo e o pastor Josué Alves de Oliveira escapou pulando a janela. A algazarra só acabou quando a polícia chegou. Além de quebrarem alguns bancos, portas e a mesa, destruíram também a serafina (uma espécie de órgão antigo)”.

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     Aquela noite marcou para sempre a vida do então católico Miguel Guedes Bezerra (o esposo de Maria do Carmo). Miguel Bezerra nos relatou: “A multidão enfurecida, sendo contida pelos policiais, saiu em caminhões em direção ao povoado de Brejo dos Cavalos (hoje, Brejo dos Santos). Esses homens gritavam: ‘vamos para o Brejo, destruir a igreja dos bodes lá também!’, e partiram em direção àquele povoado. Eu já estava meio tocado com o testemunho de minha irmã, uma nova-convertida ao evangelho, e quando vi aquela cena infame, disse alto e em bom tom: ‘Vocês pensam que vão destruir os protestantes destruindo seus templos, mas não vão mesmo, pois a partir de hoje eu sou mais um deles!’ Me tornei crente no Senhor Jesus naquela noite!”

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     Marcos Nunes e eu fomos, então, até Brejo dos Cavalos conferir o que aconteceu por lá naquela noite. De “Brejo dos Cavalos” a “Brejo dos Santos”: “Pode esperar bando de bodes!”

     O templo da Igreja Congregacional em Brejo dos Cavalos foi destruído duas vezes.
Elizário Luiz da Costa era quase um sacristão da igreja católica de Brejo e entregava quem era evangélico aos padres. Ele já vinha aterrorizando os protestantes nos dias anteriores à primeira destruição do templo. Passava andando pela frente das residências dos evangélicos e gritava: “Bando de bodes, pode esperar, à noite vai chegar o que é bom para vocês. Vai ser pimenta do seu c…, bé, béé, bééé!”, relatam os irmãos João Alves da Silva e Ricardina Alves da Silva.
Dona Ricardina Alves da Silva, era a filha da zeladora da igreja evangélica e na época tinha 13 anos. Ela nos descreveu os acontecimentos daquela noite: “Era tarde da noite de um sábado, em junho de 1938. Naquela tarde tinha feito com mamãe uma faxina na igreja e deixado tudo pronto para o culto de domingo. Já estava dormindo, quando ouvi os gritos de homens enfurecidos e meu irmão saiu correndo comigo para dentro do mato. No dia seguinte, a igreja estava destruída, bancos e portas quebrados, teto e paredes furados e parcialmente derrubadas. Encontrei a Bíblia e a campainha que ficavam em cima da mesa jogadas dentro de um tanque atrás da igreja”.

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     Os fiéis, agora sem templo, passaram a se reunir dentro do mato com medo das represálias dos católicos. Após algum tempo, passaram a se reunir nas suas casas e, finalmente, decidiram reconstruir o templo em regime de mutirão. Antes do templo reconstruído ser inaugurado, veio a nova rebordosa da segunda derrubada.
Era o começo de uma noite chuvosa, de um sábado de dezembro de 1939, um ano e seis meses após a primeira destruição, quando o barulho começou: “Se preparem bando de bodes, hoje vamos matar tudinho”, gritavam os católicos enraivecidos e iniciaram o quebra-quebra.
Ricardina da Silva nos contou: “Dessa vez as paredes da igreja estavam reforçadas e bem mais grossas, espessas. Então eles fizeram uns buracos nas paredes que pareciam umas covas e nomearam cada um dos buracos – essa é a cova do bode fulano, essa é a cova do bode cicrano, e assim por diante. Meu pai foi até lá, ordenou que parassem, mas levou uma surra, foi arrastado até um barreiro, onde o jogaram. Meu irmão, ao ver que papai iria morrer, pegou uma espingarda, e deu um tiro para cima. Os agressores deixaram meu pai lá, fugiram e meu irmão o salvou”. Dessa vez a destruição da igreja foi quase total.
Naquela noite, os crentes apavorados fugiram para dentro do mato, algumas crianças pequenas se perderam na escuridão e só foram encontradas na manhã seguinte.
O medo tomou conta dos evangélicos que decidiram, alguns dias após esse incidente, fugir num caminhão. Partiram para a cidade de Boa Viagem, no Ceará. Durante a viagem, ao descerem uma ladeira, o motorista do caminhão pulou para fora e deixou o veículo descer à deriva. O pau de arara tombou, bateu na ribanceira, mas ninguém ficou ferido. Os homens protestantes correram atrás do motorista desertor, o pegaram e perguntaram porque tinha feito aquilo. O motorista confessou: “O padre me pagou para que pulasse para fora do carro em uma ladeira e deixasse que todos vocês fossem mortos”.
Os evangélicos finalmente chegaram a Boa Viagem, onde abriram novas frentes de trabalhos evangelísticos que existem até hoje.
Com os evangélicos dispersos, o prefeito e o padre do vilarejo de Brejo dos Cavalos decidiram mudar o nome do povoado. Afirmaram: “Já que os cavalos e os bodes (uma alusão aos evangélicos) se foram, só ficaram aqui os santos. De hoje em diante o nome desta cidade passa a ser Brejo dos Santos”.
Meu querido leitor, não pense que a igreja evangélica em Brejo foi pro brejo. Pois não foi, não.
Alguns anos mais tarde, os evangélicos decidiram retornar ao Brejo dos Santos, reconstruíram o templo no mesmo local dos anteriores e reorganizaram a igreja no dia 10 de maio de 1942. Hoje os evangélicos se emocionam em dizer que aqui é Brejo dos Santos, mesmo!
 

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      Pastor Edinaldo Alves da Silva conclui: “Atualmente, nossa igreja reconstruída tem mais quatro congregações, um ponto de pregação, cerca de 20% do povoado é crente no Senhor Jesus e isso nos torna a cidade com maior número percentual de evangélicos no sertão da Paraíba”. Aleluia!


Em Patos, PB: A igreja virou fogueira em noite de São Pedro


Era a semana de festas juninas, entre o “São João” e o “São Pedro”, e o Frei Damião estava em Patos com suas “santas missões”.
O repórter Euricles Cavalcante Macedo, do Jornal Brasil Presbiteriano, em um artigo intitulado “Frei Damião transforma templo presbiteriano em fogueira de São Pedro”, relata: “Frei Damião foi, ao contrário de santo, um implacável perseguidor de evangélicos, um terrorista intolerante, comandante-chefe de uma milícia de fanáticos”.(3)
As igrejas sertanejas, tanto as católicas como as evangélicas, tinham nos seus tetos alto-falantes (que, por essas bandas, chamam de difusoras). Assim, as pessoas do lado de fora das igrejas podiam ouvir as músicas, anúncios e até toda a missa ou culto.

Euclides Cavalcante Macedo, descreve:
Almir da Rocha conta que naquele dia “a Igreja Presbiteriana de Patos – pastoreada pelo reverendo Jônatas Barros de Oliveira, falecido em 96 – estava com o serviço de som externo ligado e tocando, como sempre fazia, músicas evangélicas”. Foi então que o padre Manoel Dutra, pároco local, dirigiu-se ao templo presbiteriano “acompanhado de grande multidão e entrou na igreja dos crentes, determinando que o som fosse desligado e que somente voltasse a funcionar depois que frei Damião deixasse a cidade”. O técnico do serviço de som desligou o aparelho e dirigiu-se à Delegacia de Polícia, onde registrou queixa ao capitão Severino Dias, que autorizou a execução das músicas sacras.
Quando o padre, que executou as ordens do frei Damião, ouviu soarem novamente as músicas evangélicas, “reuniu um novo grupo de fanáticos e dirigiu-se à Igreja Presbiteriana. Mas o capitão Severino desaprovou a atitude do religioso e ordenou-lhes que voltassem para sua igreja”.
No dia seguinte, 28 de junho, o capitão Severino Dias estava exonerado do cargo de delegado de polícia de Patos. O frei Damião, agora, estava livre para agir. Naquele clima de tensão, os crentes ficaram totalmente inseguros.
Eram vinte e duas horas, véspera de São Pedro. O clima de terror já estava instalado na pacata cidade de Patos. Através do serviço de som, anunciava-se que “não ficará nesta cidade nem rastro de protestante”. (4)
Era noite do dia 28 de junho de 1958 e estava tudo pronto para a missa começar do lado de fora da Igreja de Santo Antônio. A presença do Frei Damião arrastou multidões para o local onde o frade, dentro de alguns momentos, falaria de cima de um palanque improvisado.
O povo, anteriormente já instigado e inflamado pela liderança católica contra os evangélicos, partiu em direção à Igreja Presbiteriana em Patos, que ficava a cerca de quinhentos metros de distância, e a destruiu.
Enedina Xavier Inojosa, que na época tinha 30 anos e residia a poucos quarteirões da Igreja Presbiteriana, nos relatou: “Estava dormindo à noite e ouvi algumas explosões – eram mais fortes do que as bombas de São João –, acordei e os vizinhos falavam que tocaram fogo na igreja dos crentes”. Enedina só foi à igreja na manhã seguinte e a encontrou “queimada, suja e quase totalmente destruída”. Perguntei se ela sabia quem tinha mandado os católicos fazerem aquilo e a irmã foi bastante cautelosa: “o povo dizia que foi o Frei Damião e o padre que mandaram, mas eu não posso afirmar isso, pois não vi e nem ouvi, e só fui à igreja no dia seguinte”.

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O fotógrafo profissional Adgerson de Morais Porto, que à época tinha 28 anos, gravou espontaneamente uma entrevista conosco. Ele não perde a oportunidade para afirmar que era “o fotógrafo oficial” dos eventos paraibanos, que fotografou várias inaugurações, inclusive as passagens do então presidente Getúlio Vargas pela Paraíba.
Depois que a turba enfurecida partiu da Igreja Presbiteriana, Adgerson Porto pegou sua câmara fotográfica e foi por conta própria fotografar a bagaceira.
“Era de dar dó. Uma coisa muito triste. A igreja estava toda queimada, por dentro e por fora, o teto tinha vários rombos, nas paredes estavam escritos palavrões e desaforos aos crentes. Toda a bancada, o púlpito, a mesa, as portas e as janelas foram jogadas para fora da igreja e consumidas pelas chamas. Fotografei tudinho e entreguei algumas fotos ao pastor Jônatas Barros de Oliveira e não tenho mais os negativos”.
Arnaldo Ferreira do Nascimento, que na época morava na rua 18, em Patos, participou do motim levando um motor para atiçar fogo na madeira que estava sendo retirada do templo. Arnaldo, algum tempo depois, se converteu e hoje é pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, no estado de São Paulo. Glória a Deus!
Após destruírem a Igreja Presbiteriana em Patos, a multidão partiu para destruir a Primeira Igreja Batista em Patos, mas o prefeito José Cavalcante e a polícia chegaram a tempo, impedindo que houvesse uma agressão semelhante. Alguém na multidão ainda jogou umas pedras contra a Igreja Batista, mas logo ouviu-se um disparo de uma arma de fogo, a multidão recuou, decidindo deixar a Igreja Batista intacta, retornando em procissão para “as santas missões” do Frei Damião.

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O pastor Jônatas Barros de Oliveira foi ameaçado de morte e fugiu de trem para a cidade de Pombal. O irmão em Cristo José de Sá lembra-se daquele dia: “Fui eu que apanhei o pastor Jônatas, em fuga, na cidade de Pombal e o transportei de jumento até um sítio. O pastor continuou pregando pelos povoados próximos, sempre levando nas mãos uma latinha com as cinzas da Igreja Presbiteriana em Patos. Ele mostrava as cinzas e dizia: destruíram o templo, mas não a igreja”.
Apenas tornando uma longa história curta, alguns anos mais tarde, o templo foi reconstruído no mesmo local do anterior e hoje a Igreja Presbiteriana em Patos conta com quatro congregações, um ponto de pregação, além de uma escola.

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Igual à Igreja Primitiva


Incrível! Onde houve perseguição ferrenha da igreja católica aos protestantes, o evangelho não apenas sobreviveu, mas cresceu com bravura.
Foram dezenas de cidades em Pernambuco e na Paraíba onde os crentes foram perseguidos pelos católicos. Em todas elas, sem exceção, o evangelho triunfou e cresceu. As igrejas destruídas foram reedificadas no mesmo local e delas saíram dezenas de outras igrejas, congregações, pontos de pregações, institutos bíblicos e colégios evangélicos.
Várias vezes, durante as pesquisas por estas plagas do sertão paraibano, Marcos Nunes e eu não conseguimos deixar de associar tudo o que vimos com a perseguição sofrida pela igreja primitiva, após a morte de Estevão, e descrita em Atos 8:1 e 4-8: “Naquele dia, levantou-se grande perseguição contra a igreja em Jerusalém; e todos, exceto os apóstolos, foram dispersos pelas regiões da Judéia e Samaria. […] Entrementes, os que foram dispersos iam por toda parte pregando a palavra. Filipe, descendo à cidade de Samaria, anunciava-lhes a Cristo. As multidões atendiam, unânimes, às coisas que Filipe dizia, ouvindo-as e vendo os sinais que ele operava. Pois os espíritos imundos de muitos possessos saíam gritando em alta voz; e muitos paralíticos e coxos foram curados. E houve grande alegria naquela cidade”.
Hoje, presenciamos o inverso. Atualmente, a igreja romana, como um lobo em pele de ovelhinha, quer se aproximar dos evangélicos, e mostrar sutilmente que somos muito mais semelhantes do que diferentes. Esse é um perigo enorme, tão assustador quanto uma perseguição! Oh, Deus! Manda-nos de volta outra perseguição! Que caiam as máscaras!

Os dinossauros e o “Troglodita”
A cidade de Sousa, localizada a quatrocentos e quarenta e quatro quilômetros da capital João Pessoa, no alto sertão da Paraíba, é conhecida nacional e internacionalmente como a “Capital Mundial das Pegadas dos Dinossauros”.
Toda aquela região faz parte do conhecido “Vale dos Dinossauros”. Acredita-se que tenha mais de trezentas trilhas de suas pegadas. Respeitáveis paleontologistas da Europa e dos Estados Unidos estão sempre por lá.
O lugar mais conhecido é o Sítio Ilha, localizado a seis quilômetros de Sousa. Lá, com dinheiro do exterior, está sendo montada uma infraestrutura de Primeiro Mundo: já foi construído até um canal que desviou o curso do Rio do Peixe e expôs no seu leito sedimentado alguns dos mais longos rastros de pegadas dos dinossauros do mundo. A grande atração são cinquenta e duas pegadas de um iguanodonte ao longo de cerca de cinquenta metros. Há também várias trilhas menores de pegadas de velociraptor. Vale a pena conhecer os rastros de animais que marcaram nossa terra.

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O curioso é que do outro lado da estrada, a cerca de três quilômetros das pegadas dos dinossauros, foi erguida em um monte uma estátua de Frei Damião. Não pude deixar de fazer uma associação: de um lado da estrada os rastros de dinossauros e do outro os de um homem que agia como um troglodita brutal.
O Dicionário Aurélio diz que troglodita é aquele “que vive debaixo da terra ou em cavernas. Pessoa que vive sob a terra”. O Frei Damião de Bozzano era assim, no quesito de agressão aos evangélicos: instigava as massas, mas ficava nas sombras, agia no subterrâneo. É aquele tipo de pessoa que manda matar e quando é pego diz que não tinha nada a ver com o crime.
Minha tese defendida neste artigo é uma só: apesar do Frei Damião de Bozzano nunca ter sido pego apedrejando uma igreja ou surrando um evangélico, com o seu discurso inflamava não apenas os jovens capuchinhos, mas a multidão de católicos para cometerem atrocidades contra nós. Os indícios são fortes de que o frade ficava na moita com o seu sorriso de hiena, instinto de chacais e seus dentes sujos de sangue de protestantes. Em decorrência disso, é minha proposta que a igreja católica suspenda imediatamente o seu processo de beatificação. Uma provável canonização pode comprometer mais ainda a imagem da igreja romana perante os seus fiéis.

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Frei Damião de Bozzano pediu votos para Fernando Collor

 

“Nas eleições presidenciais de 1989, o então candidato Fernando Collor de Mello fez comício ao seu lado em Juazeiro do Norte e distribuiu calendários eleitorais com a figura do frade”.(5)
O Frei aceitou o convite do então presidente Collor de Mello e posou sorridente, em pé entre o presidente e a então primeira-dama, no gabinete no Palácio do Planalto.
“O velho capuchinho chegou a caminhar ao lado do casal Collor numa das cerimônias de descida da rampa do Palácio do Planalto”.(6)
No entanto, vamos esquecer que esse frade era cabo eleitoral de Fernando Collor, pois isso pode denegrir mais ainda sua imagem. Vamos apelar para uma amnésia intelectual, assim como fez recentemente o agora senador Fernando Collor de Mello, ao posar de injustiçado pelo seu impeachment. Como relatou Roberto Pompeu de Toledo, ensaísta da revista Veja: Vamos esquecer “as denúncias do irmão de Collor, os feitos de PC Farias, as extorsões, o caixa dois, a Operação Uruguai, as mentiras, como se tudo não passasse de uma alucinação coletiva do povo brasileiro”.( 7)
É melhor também esquecermos a amizade do Frei Damião com Collor de Mello; pode pegar mal tanto para Collor quanto para o frade.
Então, vamos também retirar das nossas mentes as perseguições exercidas pelo capuchinho contra os evangélicos; pois isso pode dificultar sua canonização. Vamos dizer que é uma farsa, uma ilusão coletiva dos protestantes; uma paranóia dos evangélicos. Enfim, teremos um frei incendiário repaginado, um malvado bandido santificado e ninguém envergonhado, pois para a liderança católica é melhor assim.

Conclusão: O perigo do tempo nos fazer esquecer


“Não te associes com o iracundo, nem andes com o homem colérico, para que não aprendas as suas veredas e, assim, enlaces a tua alma” (Provérbios 22:24-25).
A igreja do papado está desinformada ou ela própria sofrendo de hipomnésia! Quer santificar o papa Pio XII, o padre jesuíta José de Anchieta, a freira Anna Katharina Emmerick e o iracundo Frei Damião, entre outras figuras.
O caso da santificação do Frei Damião de Bozzano é dos mais espantosos deste espantoso Vaticano. Para proclamar a sua canonização, a igreja católica terá de colocar muito verniz em madeira ruim. Espero que em vez de mandar matar o mensageiro das más notícias, a igreja do papado clame por Jesus e se purifique.
Faz tanto tempo que as igrejas evangélicas foram invadidas, os telhados caíram e as bancadas foram incendiadas que ninguém se lembra mais. O tempo da igreja católica, cedo ou tarde, sempre a inocenta.
Instituições arcaicas tendem a cultuar o banditismo. Foi assim com a igreja católica à época da Inquisição, com suas histórias de vomitar: homens, crianças, velhinhos e velhinhas, por qualquer motivo, eram vítimas de torturas, sangue e fogueira. Às vezes, me parece que a igreja católica romana ainda está estacionada nessa fase. Ou existe algum outro motivo para a santificação de um mandante de crimes?
Oro muito ao nosso Deus, pois sei que o assunto aqui colocado é grave e horroroso e não termina em um simples artigo. Oro para que esta matéria seja apenas um rascunho do que acho que deva ser profundamente estudado pelos evangélicos e católicos, antes da canonização do Frei de Bozzano.
O Frei Damião de Bozzano. “Santo” para os católicos e “terrorista” para os evangélicos.

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Coragem, da pátria filhos! Há uma esperança ainda para a nossa nação. A esperança é Jesus, o Santo de Israel (Isaías 41:14). Não há santo como o Senhor (I Samuel 2:2) e é este santo Senhor que nos santifica (Levítico 22:32b) e não uma instituição religiosa, como o Vaticano, e muito menos uma pessoa.
A Bíblia nos ensina que somos cidadãos celestiais e embaixadores de Deus no planeta Terra (I Pedro 2:11-12). Os heróis da fé do Velho Testamento aspiravam uma pátria superior (Hebreus 11:13-16) e deram a própria vida por amor ao Senhor.
Que privilégio Deus nos deu de sermos sal da terra onde estamos, sermos luz do planeta e um bálsamo no açoite deste mundo. Os neo-ilusionistas da liderança católica querem nos fazer esquecer de fatos verídicos e queimar das nossas mentes os arquivos contrários à igreja do papado.
Peço a Deus, que a exemplo daqueles que sofreram perseguições no sertão nordestino, não venhamos a nos esquecer da nossa missão de sermos “sais”, “luzes” e “bálsamos” em uma terra tão idólatra. Peguemos, pois, o bastão dos nossos antepassados e corramos com paciência a carreira que nos está proposta, anunciando Jesus como o único Salvador e a única solução para os problemas mais íntimos das nossas almas. “Santo, Santo, Santo é o Senhor”, e isso o tempo do Vaticano jamais conseguirá apagar da minha mente. Amém!

Bibliografia:
Pernambuco de A/Z. Biografia do Frei Damião. 
http://www.pe- az.com.br/ biografias/ frei–damiao. htm.
Id.
Artigo: “Frei Damião transforma templo presbiteriano em fogueira de São Pedro”, por Euricles Cavalcante Macedo, Jornal Brasil Presbiteriano. Órgão oficial da Igreja Presbiteriana do Brasil. São Paulo, SP, Agosto de 1997, página 16.
Id.
Artigo: “Longa Agonia. Frei Damião tem morte cerebral aos 98 anos”, Istoé datas, 4 de junho de 1997. 
http://www.terra. com.br/istoe/ datas/144405. htm.
Id.
Artigo: “Dois encontros, um só sentimento”, por Roberto Pompeu de Toledo, revista Veja. Editora Abril, São Paulo, SP, edição 2001, ano 40, número 12, 28 de março de 2007, página 126.
Fonte(excelente!) – http://noticiascristas.blogspot.com/2008/04/as-malvadezas-de-um-frade-incendirio.html
Atenção:
O conteúdo desta página tem objetivo formativo e educacional.OS ARTIGOS AQUI PUBLICADOS SÃO DE INTEIRA RESPONSABILIDADE DE SEUS AUTORES, CITADOS NO FINAL DE CADA ARTIGO. NÃO NECESSARIAMENTE ESTA PRODUÇÃO CONCORDA INTEIRAMENTE COM O ENTENDIMENTO TEOLÓGICO DE CADA AUTOR. TODAVIA, OS PUBLICAMOS COMO FONTE DE CONHECIMENTO E COMO FORMA DE CONTRIBUIR PARA O ALARGAMENTO DO ENTENDIMENTO E A POSSIBILIDADE DE CONHECERMOS VÁRIAS FORMAS DE PENSAR. CABE A CADA LEITOR REFLETIR, À LUZ DA BÍBLIA, SE CONCORDA OU NÃO COM OS POSICIONAMENTOS AQUI EXPRESSADOS. 

macumbaria

Macumba Evangélica

apologética macumbariaMACUMBA EVANGÉLICA
Pastor Wagner Antonio de Araújo
Palestra apresentada em 18 de junho de 2008 – No culto inter semanal da Igreja Batista Boas Novas de Osasco SP


INTRODUÇÃO

Ao anunciar esta palestra em rede de comunicação virtual (internet), centenas de irmãos em Cristo, obreiros e pastores das mais variadas denominações e estados brasileiros (e também da América do Norte e Europa) solicitaram que lhes fosse concedida uma cópia do texto, áudio e vídeo, uma vez que não poderiam estar pessoalmente nesta noite, participando da apresentação. 

Tal explosão de solicitações vem demonstrar, de forma contundente, que o problema que abordaremos não se restringe a uma denominação, uma região geográfica ou uma opinião isolada. A magia evangélica invadiu igrejas, comunidades, denominações, congressos, vigílias, lares, programas de rádio, televisão, jornais, e hoje a confusão que reina faz estarrecer até o mais cético dos escatologistas. 

Parece-nos que o tão proclamado “reavivamento mundial”, “nova unção”, “despertamento da noiva” e tantos outros títulos que apontavam para uma generalizada conversão maciça da população nacional e mundial, deu lugar ao que é chamado de “A Grande Apostasia do Fim dos Tempos”, prenunciada por Paulo em suas epístolas pastorais.

Quero estabelecer alguns limites importantes a esta palestra. 

Ela é apenas uma palestra, e não um tratado, uma tese, um livro, um artigo doutrinário ou um curso. Pode ser que no futuro venhamos a concentrar esforços no sentido de recolher material e efetuar análises exaustivas, preparando algo que cubra um tratado, uma tese ou um livro. Esta palestra não pretende ser mais que uma palestra de um pastor de igreja batista tradicional local, com uma linguagem simples, de cunho pastoral, visando alertar o rebanho de Deus a ele confiado quanto as modernas manifestações estranhas no dito “mundo evangélico”.

Há um farto material referencial, espalhado em centenas de links pela internet, dos mais variados teólogos e articulistas cristãos ou seculares, cujo conteúdo deve ser criteriosamente lido e analisado, e não pretendemos, com esta palestra, servir de material exaustivo sobre a matéria, senão uma breve análise elementar dos fenômenos neopentecostais modernos, a sua relação e semelhança sincrética com as religiões afro-brasileiras e também com a feitiçaria mundial, apontando referenciais bíblicos na sólida direção da autêntica vontade de Deus e do culto racional, espiritual e bíblico.

Também não é o nosso propósito acusar uma denominação evangélica em particular, uma vez que o fenômeno acontece em muitas denominações por toda a parte, sendo injusta qualquer atribuição de culpa a esta ou aquela denominação. 

É importante dizer que, conquanto não acusemos grupos, nossa tese parte da absoluta rejeição do que se conhece hoje por “neopentecostalismo”, um sistema moderno de perversão da igreja cristã, que relê a bíblia sob a ótica da prosperidade como fundamento para a fé e que luta com os demônios como causa única de toda pobreza, doença e problemas humanos. O neopentecostalismo tem sido rejeitado de forma ampla pelas denominações cristãs de cunho protestante tradicional, e atualmente também tem sido alvo de críticas dos pentecostais clássicos. O neopentecostalismo tornou-se algo estranho ao evangelho e ao protestantismo.

Nosso propósito é pinçar atos e fatos em cultos de algumas igrejas, filmados e disponibilizados através da internet, que demonstram que, ainda que falem o “evangeliquês”, estão longe de serem de fato, evangélicos. É papel da igreja e dos ministros do Evangelho protegerem o rebanho de Deus das investidas de Satanás, que, não raras vezes, traveste-se de Anjo de Luz, faz sinais e maravilhas, opera milagres e, se possível fora, enganaria aos escolhidos de Cristo. Graças, porém, a Deus, que ainda há quem clame pela verdade original da Palavra de Deus.

Essa é a nossa tentativa, e esse é o nosso esforço.

I – CONCEITOS E DIVISÕES CRISTÃS

Há muitas classificações do atual “mundo evangélico” pelos analistas de história da igreja e professores de teologia. A cada dia surgem ramificações em grupos pré-existentes e, não raras vezes, desatualizam nossas tabelas.

Proponho uma tabela que atualiza em um quadro o mundo cristão evangélico e o mundo carismático. Classificaríamos as denominações e grupos da seguinte maneira:

· FUNDAMENTALISTAS – São aqueles que interpretam a Bíblia de forma literal e não aceitam quaisquer outras alternativas. São inimigos de todas as outras ramificações cristãs. Consideram-se a continuidade da Reforma Protestante. Sem nos atermos em sua formação histórica, são críticos das versões modernas da tradução da bíblia e do uso de determinados textos gregos mais populares. São anti-pentecostais, anti-cooperativos, anti-ecumênicos, individualistas e absolutamente rigorosos e independentes. Esse grupo possui nomes, mas também co-existe em igrejas denominacionais separatistas.

· PROTESTANTES (EVANGÉLICOS) TRADICIONAIS – São os “crentes” das denominações evangélicas históricas mais antigas, surgidas na Reforma Protestante ou no tempo dela. São as denominações que deram origem às Missões Modernas e que trouxeram o evangelho ao Brasil. Possuem uma pneumatologia conservadora, não crêem na experiência pentecostal (batismo no Espírito Santo após a conversão, com manifestações visíveis e audíveis de sinais e dons). São estruturados, possuem uma longa história e representam o início de toda igreja cristã evangélica no mundo.

· PENTECOSTAIS – São as denominações evangélicas surgidas após o início do fenômeno Pentecostal, iniciado nos Estados Unidos, em 1906, na famosa Rua Azuza, onde pela primeira vez na história moderna da igreja foram manifestados os modernos “dons de línguas” como provas de batismo com o Espírito Santo. Esse fenômeno atraiu a atenção de crentes ávidos pelo poder de Deus, que, ao presenciarem e admitirem a experiência, originaram novas denominações, seja do zero, seja como facção das antigas. Sua teologia é tradicional, protestante, elaborada, com muita convergência, exceto no que tange à “glossolalia” e ao arminianismo extremado (em alguns casos). Sua liturgia é animada, entusiasmada, e seus cultos são ruidosos, onde todos oram ao mesmo tempo. Estão no Brasil desde 1911, com o início da Assembléia de Deus, em Belém do Pará. São muitas as denominações pentecostais.

· NEOPENTECOSTAIS – Teologia moderna, surgida do pentecostalismo, que, unindo-se à filosofia do “poder da mente”, passou a explorar a prosperidade como sinal de bênção divina e, em decorrência da fé, a cura de todas as enfermidades. Eles consideram que os demônios estão em toda parte e devem ser expulsos, através de rituais que misturam elementos bíblicos localizados (exemplo: o novelo de lã de Gideão ou os sete mergulhos de Naamã). Eles crêem em rituais especiais para realizar coisas especiais: quebra de maldições, determinar pela fé, desafios para prosperidade financeira, oração em montanhas de Israel, amuletos para trazer sorte, etc. Seu objetivo é criar mega-denominações e tornar seus líderes autênticos semideuses, com poderes extremos, que decretam anos especiais, curas especiais, revelações especiais. Sua teologia é confusa, mística, sem consistência. Parecem-se pentecostais, pois também falam em línguas estranhas e usam elementos pentecostais, mas fogem à ética cristã pentecostal, não são orientados á conversão, mas a terem em Cristo um poderoso realizador de milagres e doador de bênçãos. Raramente se comportam como autênticos crentes, criando, assim, novos caminhos para a salvação, mediante seus líderes e igrejas. São os maiores “evangélicos” do mundo, crescendo a uma proporção fantástica. Suas denominações geralmente são dirigidas por líderes que se auto-intitulam bispos, missionários, apóstolos, etc. Atualmente estão infiltrados em várias denominações tradicionais e pentecostais, que adotam suas práticas esdrúxulas (noite dos empresários, sessão de descarrego, louvor extravagante, nova unção, etc)

· NEOAPOSTÓLICOS – Não satisfeitos com o que tinham, os neopentecostais evoluíram a um passo mais ambicioso ainda: criaram o chamado “mover apostólico”, “poder apostólico”, “evangélico apostólico”. Trata-se de ressuscitar o dom de apóstolo, equiparando a autoridade de seu líder ao da canonicidade de Paulo, João ou Pedro, tornando a palavra deles como inspirada pelo Espírito Santo. São ambiciosos, desejam dominar o país, possuem poder político e estão influenciando grande parte dos neopentecostais declarados e dos infiltrados neopentecostais das demais denominações, que já estão a consagrar também os seus “apóstolos”. Também lutam uns contra outros, buscando dominar um rebanho maior e realizar um apostolado mais poderoso, mais completo.

· CARISMÁTICOS – São os chamados “católicos carismáticos”. Até então um grupo separado dos evangélicos. Contudo, com o império do neopentecostalismo e do neoapostolismo, os carismáticos estão se misturando a eles, com a experiência similar de glossolalia, com canções copiadas dos evangélicos, com uma liturgia praticamente idêntica, mantendo, contudo, o credo católico (dulia, hiperdulia e latria). Crêem em santos, em Santa Maria, na Eucaristia, no Purgatório, mas lêem a bíblia, fazem orações, pregam parecido com os evangélicos e falam em línguas estranhas. A Igreja Católica os mantém sob controle. Canção Nova é a maior expressão atual dos carismáticos. Atualmente os neoapostólicos estão realizando “louvor extravagante” e “horas de louvor e adoração” (Casa de Davi, Mike Shea, Marcos Witt) juntos, e grupos musicais neopentecostais (Diante do Trono) comungam e profetizam vitórias e unidade sem mudanças doutrinárias.

Essa é uma classificação pessoal, que varia de professor a professor, de historiador e sociólogo para outro. Contudo, tem servido de referencial para classificar e auto-classificar a nossa posição dentro do evangelicalismo brasileiro e mundial.

II – NÃO HÁ CRÍTICA AO PENTECOSTALISMO

Nossa posição doutrinária batista, tradicional e cessacionista (posição particular deste pastor) não objetiva nem de longe analisar, criticar ou combater a ramificação pentecostal da Igreja Cristã. Além de não haver tempo hábil, não há motivo para faze-lo, pois, quando há respeito de ambas as partes, pode haver um convívio pacífico, sem que se abra mão de princípios, sem que se negue as diferenças, comungando da convergência e mantendo a separação no que é divergente.

O pentecostalismo é o berço do neopentecostalismo, do neoapostolismo ou apostolicismo, assim como o tradicionalismo é o berço do pentecostalismo. Portanto, não nos cabe analisar aqui o berço e as causas do surgimento. Cabe-nos avaliar o resultado.

Ambos, tradicionais e pentecostais, quando lúcidos e não contaminados com o neopentecostalismo, são unânimes em declarar que tal movimento é falso, é grotesco, é estranho ao evangelho, é engano e engodo de pessoas que querem enriquecer às custas do povo, e seus fenômenos ou são mentirosos, ou produto de treinamento mental, ou ação direta de demônios.

III – O SINAL DE ALERTA

Dias atrás um abalo císmico foi sentido em São Paulo, vindo de São Vicente, a primeira cidade do Brasil. Algo raro, mas um abalo sísmico apenas. Foi quando uma notícia “evangélica” acendeu o sinal de alerta:

Profecia lançada, profecia cumprida!

Mídia brasileira anuncia tremores de terra 24 horas após liberação de decreto profético estabelecido pelo Apóstolo Renê Terra Nova no útero da Nação

Lilian Bartira

No dia 21 de abril, em Santa Cruz de Cabrália, Apóstolo Renê Terra Nova e congressistas se uniram para reconsagrar o território de Porto Seguro ao Senhor Jesus, entendendo que a partir do solo materno todo o Brasil será atingido com essa demarcação espiritual.

Cinco escunas conduziram cerca de 800 profetas no percurso que foi marcado com intercessões e liberação de palavras proféticas. Pão, óleo e vinho foram lançados nas águas porto-segurenses como sinal de tomada completa do território brasileiro.

Em Cabrália, outras 500 pessoas já os aguardavam para o segundo momento do ato profético. A fim de estabelecer um memorial eterno de demarcação e posse de um novo Brasil, o Apóstolo Renê Terra Nova fincou uma estaca na primeira faixa de terrra brasileira avistada pelos portugueses. 

Contendo óleo de Jerusalém em sua parte interna e a profecia de um outro Brasil em 2008 e rendido aos pés do Senhor em 2010, a estaca foi fincada naquele local ao som de um clamor e de expressões de adoração dos cristãos apaixonados e ansiosos pelo mover de um Brasil diferente.

Pastores de vários estados e representantes da Comunidade Pataxó, dentre eles o Cacique Aruanã testemunharam e se aliaram ao Apóstolo Renê Terra Nova que selou o momento com a palavra de que todo ato profético lançado no mundo espiritual é seguido de um sinal no reino físico num prazo de 24 horas.

No dia seguinte, no púlpito do 9° Congresso de Resgate da Nação, o Apóstolo anunciou o fenômeno císmico que atingiu 5,2 graus na escala Richter e refletido em dezenas de cidades paulistas e em pelo menos quatro outros estados – Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná e Santa Catarina. 

O abalo císmico ocorreu a 215 km de São Vicente-SP. A diferença entre o tremor de terça (22/04) e os que ocorrem comumente é de que ele teve uma proporção pouco comum para o território nacional. 

O decreto determinado pelo Apóstolo Terra Nova, debaixo dos céus proféticos do útero do Brasil, foi respaldado por Deus e anunciado aos quatro cantos da nação brasileira. Muitos desconhecem a causa do tremor, mas para os congressistas presentes no evento, apenas a resposta de um ato profético.

Pauta para toda a mídia nacional, o terremoto constituiu-se como emblema de um sinal que estabeleceu o “sim” de Deus para um Brasil que se moverá nos dons do Espírito e levará para todas as nações da Terra um avivamento sem precedentes em toda a história. A prova real e concreta de que nasceu em 2008 um novo Brasil.

(Fonte: site do MIR)

O comportamento desse “apóstolo”, seguido por esses “profetas”, mostra algo incomum entre o culto evangélico-cristão: elementos como DECRETO, ATO PROFÉTICO, ESCUNAS, ÓLEO, PÃO E VINHO DERRAMADOS NAS ÁGUAS, ÓLEO DE JERUSALÉM, ESTACA FINCADA NA PRIMEIRA FAIXA DE TERRA, PRAZO DE 24 HORAS PARA O EFEITO.

Esses elementos todos, juntos e misturados, demonstram terem sido emprestados não do cristianismo, mas das religiões afro-brasileiras, conhecidas como Candomblé, Umbanda, Quimbanda, e dos trabalhos polularmente apelidados de macumbas. 

Toda pessoa é livre para exercer sua religião de espiritismo, mistério, misticismo e feitiços. Mas trazer sincreticamente aquelas religiões e aqueles elementos para o ato de culto a Deus, para selar compromissos e pactos com Deus, fazer coisas similares aos trabalhos de macumba e consagrações para orixás, foi realmente estarrecedor.

Gerou então uma garimpagem pelo extenso mundo visual da internet, aliado às múltiplas informações recebidas de amigos, colegas, irmãos, amigos, e inimigos, através de contatos pessoais, através de correspondências, etc.

Limitar-nos-emos à comparação entre o culto do candomblé, da umbanda e da quimbanda, e a similaridade com esse movimento sincretista esparramado, que não apenas faz esses decretos, como desenvolve atividades de exploração espiritual, apelidado jocosamente de RETETÉ. “Vigília do reteté”, “fogo da unção do reteté”, “restauração espiritual”, etc.

IV – OS VÍDEOS

Todos os vídeos selecionados, sejam do Candomblé ou da Umbanda, ou neopentecostais, são de absoluto domínio público, postados em links no site YOUTUBE, à disposição de quem quiser assisti-los. Como esses vídeos não ficam muito tempo no ar, armazenamos seus arquivos em DVD e os numeramos, comentando-os à seguir:

1ª. Série

01 Gira de Umbanda

02 Gira Africano

03 Vigília da Obra de Restauração em Itaquara, Jacarepaguá

04 Vigília Igreja Pentecostal Paz com Deus em Bonsucesso

05 Vigília da Obra da Restauração em Santa Maria

Lista de links onde atualmente estão os vídeos que usei na palestra:
http://www.youtube.com/watch?v=dUnxR_K_uh4&feature=related http://www.youtube.com/watch?v=7_I_FjxFI90&feature=related  http://www.youtube.com/watch?v=pAihnyApeTs&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=6AMg11mfqiY
http://www.youtube.com/watch?v=F_TJm6ebMSk&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=J9isEoF2VFA&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=D1rSrApukfQ&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=zI4F5N6YT1Y&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=6AKpolc8T54
http://br.youtube.com/watch?v=ShndmrYHvRc&feature=userhttp://br.youtube.com/watch?v=a3ramsCu5Ms&feature=relatedhttp://br.youtube.com/watch?v=Kr3nUf4TMPg&feature=relatedhttp://br.youtube.com/watch?v=3WBujEMWnp4&feature=relatedhttp://br.youtube.com/watch?v=krBG_fdZw38&feature=related  http://br.youtube.com/watch?v=q3OaovjquVE&feature=relatedhttp://br.youtube.com/watch?v=Ywrf17VIPCQ&feature=relatedhttp://br.youtube.com/watch?v=YlZpyAAKiOI&feature=relatedhttp://br.youtube.com/watch?v=Irke2HI1V9g&feature=relatedhttp://br.youtube.com/watch?v=iO1bcCFUJZY&feature=relatedhttp://br.youtube.com/watch?v=T93HhPU-8FU&feature=relatedhttp://br.youtube.com/watch?v=sveevxvAQm4http://br.youtube.com/watch?v=HqysHJezAT4
http://br.youtube.com/watch?v=DrwDFSqE41Q&feature=relatedhttp://br.youtube.com/watch?v=kBM7UuLZWA8&feature=related

Comentários: 

Os vídeos 01 e 02 são cenas de rituais de Umbanda, não são brasileiros, mas seus rituais são similares aos realizados no Brasil.

Os vídeos 03,04 e 05 retratam as chamadas “vigílias do reteté”. Essas vigílias são conhecidas por serem realizadas geralmente às sextas-feiras, com início à meia-noite. São muito populares entre as camadas mais pobres e periféricas das grandes cidades. Geralmente acontecem sem qualquer limite de comportamento, e às vezes coisas estranhas são vistas, como fenômenos paranormais.

Se notarmos com cuidado, a prática do GIRA, que vemos na Umbanda, motivada por demônios e oferecidas a eles, é similar à prática do GIRA nas vigílias filmadas, onde irmãos emocionadamente e descontroladamente rodam, rodam, rodam, até caírem, ou até onde aguentarem.

Nota-se também que há mulheres com vestimentas similares às roupas da Umbanda, roupas que não são do uso contínuo, especiais, para o ritual do reteté. 

Perguntas para reflexão:

    1. Para que girar?
    1. Será que o Espírito Santo tornaria a pessoa possessa dEle, como se fosse um demônio possuindo miserável perdido?
    1. Não há como dominar esse fenômeno do rodopio?
    1. Por que os passos que os irmãos dão, juntamente com as irmãs, são similares aos da Umbanda, e também do Carnaval?
    1. Por que o cantor canta e faz voz de quem está a ser esganado?
    1. Onde está na Palavra de Deus que o Criador se manifesta girando os cultuantes?
    1. Que tipo de culto é esse, onde o povo canta, gira, grita e transpira sem parar?
    1. Não seria esse tipo de culto um entretenimento substitutivo aos bailes-funk, aos pagodes e ao próprio Candomblé? Seria isso o tipo de motivação para uma vigília e um culto?
    1. Se alguns ficam tomados “pelo Espírito” e se esse espírito não é Deus, quem seria? Um espírito de anjo? Um demônio?

2ª. Série 

06 Gira de Umbanda – Festa da Coroa de Mãe Jandira

07 Culto na Assembléia de Deus em Santa Cruz

08 Vigília do Reteté na Assembléia de Deus

09 Apóstolo Carlos Ribas – Avivamento na Bahia

Perguntas para reflexão:

    1. Por que o salão de cultos tem um guerreiro com espada na mão, pintado na parede?
    1. Por que o cantor está vestido de Pai-de-Santo ou de enfermeiro?
    1. Por que as pessoas giram como se estivessem em transe, sentindo choques e calafrios, e com movimentos idênticos ao da Umbanda?
    1. Por que a vigília do reteté parece uma gira de umbanda, e bem malfeita? Por que aquelas mulheres fazem postura como se estivessem a receber os mesmos espíritos da umbanda?
    1. Por que o Apóstolo Ribas grita tanto? Por que aquelas mulheres estão em histeria? Por que o povo que chacoalha e se contorce, e cai, é considerado “reavivado”, sendo que, no terreiro seria considerado possuído pelo “santo”, e na Bíblia seria considerado endemoninhado? Por que o povo cultiva a loucura generalizada no auditório?
    1. Por que o Apóstolo tem prazer em ir e sugestionar às pessoas que elas devem cair para se levantar espiritualmente? Onde está isso na Bíblia?
    1. Por que esses cultos são tão sincréticos, cheios de espiritismo, rituais, emocionalismo e desajuste emocional?

3ª. Série

10 Umbanda – Umoloco

11 Batismo no Candomblé

12 Série de cenas chocantes, de gente “possuída pelo Espírito Santo”, a manifestar a “unção de animais”, “unção da alegria/unção do riso/nova unção”, “unção da striptease”.

13 Campanha Pega no Tapete de Fogo de Quintino

14 continuação da Campanha Pega no Tapete de Fogo de Quintino

15 idem

Perguntas para reflexão:

    1. Por que o rapaz cai descontrolado, imitando um macaco, e o pastor, ao invés de providenciar socorro, ou expulsar o demônio, realimenta o gracejo e o povo faz dele um palhaço, e ainda consideram tudo como “unção do Espírito Santo”?
    1. Por que o Espírito Santo levaria as pessoas à demência, como aconteceu com esse rapaz?
    1. Por que aquela mulher tira a roupa e grita como uma possuída de espírito imundo ou age pior do que um espírito de Umbanda ou de Candomblé?
    1. Por que a vigília se chama Pegar no Tapete de Fogo? Teria Deus inventado um tapete mágico? Seria um espírito isso?
    1. Por que as pessoas estão vestidas com roupas como um ritual de Candomblé, e rodopiam como no Candomblé?
    1. Por que a mulher grita até perder o fôlego?
    1. Por que as pessoas caem e não são libertadas, mas conduzidas a acalentar essas emoções e espíritos?
    1. Por que uma mulher, no penúltimo vídeo, dança a dança dos orixás?
    1. Por que se tem a impressão de que tornou-se na mesma coisa, uma cerimônia afro-espírita? Por que a letra da música é tão ridícula e sem qualquer significado para ninguém?
    1. Não seria tudo isso uma imitação muito mal feita do batismo do Candomblé?

V – O QUE DIZ A BÍBLIA

Tudo o que vimos foi o resultado do sincretismo religioso, isto é, da mistura entre o sacro e o profano, entre o cristão e o pagão. O fenômeno não é novo, mas o formato e a linguagem sim.

O fenômeno foi combatido por séculos, mediante profetas que instavam com Jerusalém e com Samaria, para que não se misturassem com as nações que o Senhor desarraigava de diante deles. Eles deveriam destruir tudo, e sequer mencionar os seus deuses, não aprender a sua cultura, nem vivenciar a comunhão e intercâmbio de elementos.

Israel falhou. Samaria, a capital do Reino do Norte, foi sitiada e o país desapareceu. Jerusalém falhou. Foi cativa para a Babilônia, voltou para a Palestina e novamente foi destruída. 

A Igreja é chamada de Geração Eleita, Israel de Deus, Povo de Propriedade Exclusiva de Deus. A Igreja é o povo que Deus escolheu. E, nessa escolha, escolheu também a sua conduta diante do mundo e do sincretismo religioso:

    1. Deus não é cultuado através de rituais, em locais geográficos ou pela beleza estética. Deus só aceita um culto que seja feito “em espírito e em verdade” (“Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem.Deus é Espírito, e é necessário que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade.”, João 4.23-24). Note que Jesus diz: É NECESSÁRIO (importa). Não é necessária roupa especial. Não são necessários adornos. Não precisa de coreografias e rodopios. Esses rituais são pagãos. A adoração do Pai deve ser espiritual, no íntimo, sem giras ou celebrações delirantes. (“Mas faça-se tudo decentemente e com ordem”, I Coríntios 14.40).
    1. Deus é santo e importa que os seus adoradores também sejam santos, isto é, separados do mundo (do presente século, do pensamento dominante e do culto sincrético-cultural do lugar). Diz a Palavra: “porquanto está escrito: Sereis santos, porque eu sou santo.” (I Pedro 1.16). Também diz:”E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.”, Romanos 12.2. Afirmou Deus a Israel algo que plenamente se aplica à Igreja: ” Sucederá, porém, que, se de qualquer maneira te esqueceres de Senhor teu Deus, e se seguires após outros deuses, e os servires, e te encurvares perante eles, testifico hoje contra ti que certamente perecerás. Como as nações que o Senhor vem destruindo diante de vós, assim vós perecereis, por não quererdes ouvir a voz do Senhor vosso Deus.” (Deuteronômio 8.19-20)
    1. Fomos chamados para salgar, não para sermos salgados; iluminar, e não sermos iluminados; conduzir, e não sermos conduzidos; influenciar, e não sermos influenciados. Assim, ao invés de tomar a forma do mundo e cultuar como as religiões pagãs, deveríamos seguir o ensino da Palavra de Deus e cultuar a Deus sem essas magias, feitiçarias e macumbarias.
    1. O culto a Deus é composto de proclamação da palavra, explicação da mesma, louvores ao Senhor, orações e intercessões e comunhão. Não há lugar para palhaçada e feitiçaria na igreja. Atos como esses não passam de sensualidade e libertinagem, vasão à carne e oportunidade ao pecado, criancice espiritual e brechas para Satanás agir e roubar a atenção, mal testemunho e confusão.
    1. E não andeis nos costumes das nações que eu expulso de diante de vós, porque fizeram todas estas coisas; portanto fui enfadado deles. (Lv 20:23)
    1. Se, pois, toda a igreja se congregar num lugar, e todos falarem em línguas, e entrarem indoutos ou infiéis, não dirão porventura que estais loucos? (1Co 14:23)
    1. Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. (Gl 5:22)
    1. Que fareis, pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação. (1Co 14:26)
    1. E faz grandes sinais, de maneira que até fogo faz descer do céu à terra, à vista dos homens. (Ap 13:13)
    1. Quem dentre vós é sábio e entendido? Mostre pelo seu bom trato as suas obras em mansidão de sabedoria. (Tg 3:13)
    1. A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando ao Senhor com graça em vosso coração. (Cl 3:16)
    1. Porém Nadabe e Abiú morreram quando trouxeram fogo estranho perante o Senhor. (Nm 26:61)

CONCLUSÃO

As práticas sincréticas dos neopentecostais, esparramadas pelas diversas denominações cristãs, motivadoras de decretos com implantação e distribuição de objetos e líquidos, a celebração de rituais similares aos das religiões pagãs de quaisquer espécies, as manifestações de possessão espiritual, os descontroles emocionais e a exploração desse misticismo por parte dos cultuantes se chama PECADO, é abominação ao Senhor e deve ser não apenas banido de cultos cristãos, como abominado pela nossa consciência e inteligência.

Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem (1Tm 4:16)

Wagner Antonio de Araújo

OBSERVAÇÕES

Não há tempo hábil, numa palestra e num culto, para o desenvolvimento de tema tão amplo e tão profundo. Sugiro aos que leem e veem essa palestra, que procurem aprofundar-se e contribuir para o enriquecimento dos esclarecimentos e que alertem as suas comunidades, para que não vivam sendo presas do Maligno.

Enquanto preparava essa conferência, Satanás se opôs o quanto pôde, buscando-me dissuadir de terminá-la. Recebi um sem-número de e-mails, de pessoas a criticarem a minha atitude, isto é, procurando desmoralizar a minha iniciativa, afirmando que eu estava a trabalhar para Satanás. Pessoas das mais diversas procedências ofenderam-me na minha moral e agrediram-me publicamente. A internet que uso, (AJATO), em dois anos de funcionamento, nunca me dera problema, mas, quando precisei das comunicações finais hoje, para pesquisa e complementação, ela simplesmente parou, e a justificativa no atendimento público era: “decidimos fazer a manutenção no seu bairro até às 20 horas”.

Às cinco horas da manhã, depois de passar toda a madrugada a trabalhar no texto e nos vídeos (e há uma seqüência de outros quatro, que não consegui desenvolver o comentário), TODOS OS AZULEJOS da cozinha da minha casa começaram a estralar, ameaçando sair da parede com força e violência. Não estranharia o fato deles caírem, pois são antigos, mas por que TODOS fizeram um barulho generalizado por meia hora, ameaçando cair, e NENHUM caiu, e agora estão todos normais? 

Não tenho dúvidas. Satanás está sendo desmascarado, e não ignoro os seus ardis. Seu propósito foi impedir a realização desta palestra. Assim, se você estiver lendo esse texto, é porque a palestra aconteceu e Cristo Jesus me protegeu, e o Espírito Santo deu poder de resistência.

A Deus seja toda a honra, toda a glória, toda a sabedoria, todo o louvor, desde agora e para todo o sempre.

Amém.

 http://opbcb.org/abaclass/tag/pastor-wagner-antonio-de-araujo/
Atenção:
O conteúdo desta página tem objetivo formativo e educacional.OS ARTIGOS AQUI PUBLICADOS SÃO DE INTEIRA RESPONSABILIDADE DE SEUS AUTORES, CITADOS NO FINAL DE CADA ARTIGO. NÃO NECESSARIAMENTE ESTA PRODUÇÃO CONCORDA INTEIRAMENTE COM O ENTENDIMENTO TEOLÓGICO DE CADA AUTOR. TODAVIA, OS PUBLICAMOS COMO FONTE DE CONHECIMENTO E COMO FORMA DE CONTRIBUIR PARA O ALARGAMENTO DO ENTENDIMENTO E A POSSIBILIDADE DE CONHECERMOS VÁRIAS FORMAS DE PENSAR. CABE A CADA LEITOR REFLETIR, À LUZ DA BÍBLIA, SE CONCORDA OU NÃO COM OS POSICIONAMENTOS AQUI EXPRESSADOS. 

uncao_riso

A UNÇÃO DO RISO

apologética uncao_risoA UNÇÃO DO RISO

(Esboço baseado no livro El avivamiento de la risa. Caos teológico en la iglesia contemporáneade Jorge Erdely. Cidade do México: MBR, 1996O texto integral pode ser lido aqui)

I -INTRODUÇÃO

     Atualmente há em todo o planeta distintos “avivamentos”. Um dos mais notórios é o das religiões orientais, particularmente do hinduísmo. O mundo ocidental está vendo nestes últimos dias uma invasão de gurus, lamas tibetanos, mestres iluminados, e uma infinidade de técnicas de meditação, yoga e cursos para alcançar “graus elevados de consciência”.

     Em meio a tudo isto temos uma ala do movimento carismático (também chamado de neopentecostal) que decidiu ter sua própria versão comercial do misticismo oriental para não ficar atrás na conquista das massas. Este novo fenômeno religioso se chama “O Avivamento do Riso”, “A Unção do Riso”, “A Bebedeira Espiritual”, “A Bênção deIsaque” e “A Bênção de Toronto”.

 Devem ser bem poucos os cristãos que no Brasil a esta altura ainda não ouviram falar da “Experiência de Toronto”. Até o programa Fantástico, da Rede Globo, apresentou reportagem especial sobre a “Bênção de Toronto”. Uma onda de manifestações físicas, incluindo prostrações, estremeções e especialmente riso tem assolado, e ainda assola, as igrejas em várias partes do mundo.

II – O FENÔMENO DE TORONTO E SUAS RAÍZES

A. A expressão:

O nome “Benção de Toronto”, ou “Unção do Riso”, como prefiro chamá-la, tem sido aplicado a estes fenômenos porque a mais importante erupção destas manifestações ocorreu na Igreja Vineyard do Aeroporto de Toronto. Na verdade, não há nada que seja novo nestes fenômenos.

B. Suas Raízes:

Rodney Howard-Browne, segundo todos os estudos que existem a respeito do fenômeno, a figura mais respeitada atrás do controvertido fenômeno. Ele é considerado o “bartender (garçom de bar) de Deus”.

C. Principais Promotores

Nos Estados Unidos a maioria dos pregadores da prosperidade, como por exemplo Oral e Richard Roberts, PatRobertson, Paul Crouch, Kenneth Copeland, Francis e Charles Hunter, Benny Hinn. Temos ainda na InglaterraColin Day (que já esteve várias vezes no Brasil), Breed Flooker (que também já esteve no Brasil). São muitos os pregadores no Brasil que foram influenciados por esta nova onda, a ponto de hoje termos várias empresas de turismo fazendo vôos turísticos para Toronto levando vários pastores brasileiros para visitar a Igreja Vineyarddo Aeroporto de Toronto.

III – DIVINO OU DEMONÍACO?

     A comunidade evangélica em todo mundo está dividida a este respeito. Uns consideram esta experiência um sinal divino ainda que reconheçam que não tem respaldo bíblico, nem na história do cristianismo. Outros embora a considerem demoníaco, reconhecem que algo acontece (algo sobrenatural), porém, descartam totalmente a possibilidade que seja de origem do Espírito Santo; mas que se trata, creem, de algo parecido com uma manifestação de terreiro de candomblé, umbanda ou até um transe como acontece nas reuniões dos gurus da Nova Era. Veja I Co 14:29; I Ts 5:21; I Jo 4:1ss.

 IV – BEM VINDOS AO CIRCO DA ALEGRIA

     Os cultos promovidos pelos pregadores são de aparência igual a qualquer culto numa igreja carismática ou pentecostal. Muito louvor e na hora da mensagem começam a falar que algo novo vai acontecer na vida das pessoas que ali estão, e que elas serão cheias de alegria naquela noite. Em meio às pregações começam a ouvir aqui ou ali pessoas rindo de uma forma incontrolável, algumas pessoas começam a dar gargalhadas a ponto de caírem no chão, incontroláveis.

     A chamada Igreja Vineyard do Aeroporto de Toronto é uma comunidade carismática que enfatiza as experiências místicas mais do que a Palavra de Deus e os valores cristãos objetivos. Eles têm sido um dos centros de atenção mundial ao que o “Avivamnento do Riso” se refere. O que acontece nos cultos do pastor Randy Clark é bastante similar ao que acontece em todo mundo, apesar de existirem traços distintivos. Além das gargalhadas, os participantes emitem sons de vários animais como “prova” de estarem possuídos por Deus. Mulheres rugem como leoas, homens bufam como touros, e uivam como lobos, gritam como aves. Em muitos destes cultos há uma participação muito grande de padres e freiras católicas que também recebem esse “poder”.

V – NEGANDO A BÍBLIA, A HISTÓRIA E A RAZÃO

     É quase impossível que pessoas razoáveis e em são juízo se deixem levar por este fenômeno. Ainda que seja normal o fato do ser humano rir ao ouvir algo engraçado, se uma pessoa o fizer sem causa alguma isso muitas vezes pode ser considerado como um sintoma de demência. Ainda mais se isto acontece por um período prolongado. Minha experiência ao visitar vários manicômios e hospitais psiquiátricos, é que a maioria dos seus internos chegou ali com estes sintomas.

VI – TORCENDO OS FATOS

     Se é praticamente impossível que uma pessoa em sua sã consciência participe do Avivamento do Riso, o mesmo podemos dizer de qualquer cristão que conhece a Palavra de Deus e a história dos avivamentos cristãos. Sinceramente, o fenômeno da “Gargalhada Santa” não tem precedente algum, nem na Bíblia nem na História. Não só isso: é totalmente contrário e incompatível com os princípios que ensinou nosso Senhor Jesus Cristo. Convencê-los do erro é outro assunto.

VII – OS FENÔMENOS DOS AVIVAMENTOS HISTÓRICOS

     Os defensores dos fenômenos atuais astutamente lembram aos seus leitores que ocorreram fenômenos extraordinários nos avivamentos históricos. Isso é verdade; no entanto, o mais estranho é que nenhum historiador de religião ou erudito de avivamento o tenha percebido em centenas de anos. Uma leitura atenta das evidências mostra que esses fenômenos eram significativamente diferentes do que se vê hoje no movimento do “riso”.

A. América do Norte

O nome que estão procurando associar hoje, na tentativa de defender o que está acontecendo, é JonathanEdwards.  

B. As Ilhas Britânicas

Um quadro similar emerge aqui, pois nos avivamentos todos os tipos de fenômenos se manifestaram. Todavia, mais uma vez, os líderes dos avivamentos geralmente procuravam distinguir a obra de Deus da de Satanás, e desencorajar ou proibir as manifestações que pareciam se originar em Satanás.

VIII – FENÔMENOS ACONTECENDO EM OUTRAS RELIGIÕES

     O problema da unção do riso tem afetado não apenas o meio evangélico, mas também a outros movimentos religiosos, como por exemplo: Hinduísmo, Meditação Transcendental, seitas da Nova Era, etc. O fenômeno também é usado em técnicas de hipnose. 

IX – REFUTAÇÃO BÍBLICA

Os que favorecem a “Experiência de Toronto” freqüentemente citam certos textos ou incidentes bíblicos em apoio à sua causa. (Salmo 23:2)

A. Velho Testamento

  1.       Abraão caiu num sono profundo (Gn 15:12)
  2.       Saulo (I Sm 19)
  3.       II Cr 5:13,14
  4.       Daniel caiu amedrontado com o rosto em terra (Dn 8:17) 

B. Novo Testamento

  1.       Caiam em adoração (Mt 2:11) ou para rogar-lhe socorro (Mc 1:40)
  2.       Caiam de medo (Mt 17:6; Mt 28:4)
  3.       A experiência de Pedro (At 10:10)
  4.       A experiência de João (Ap 1:7) 

X – O PERIGO DO ENGANO

     Um dos mais sérios perigos que defrontam o avivamento é a incapacidade demonstrada por líderes e liderados de discernir entre a obra de Deus nas almas dos homens e a obra do diabo no contra-avivamento.  

A. A Necessidade de Discernimento

Há pelo menos meia dúzia de passagens no Novo Testamento que falam da astúcia e das manhas do maligno. (II Co 11:13, 14 e Ef 6:11).

 B. O Mandado para Julgar
Não se deve confundir realidade com legitimidade. Numa época de experiências religiosas sem conteúdo, a atração exercida por fenômenos espirituais poderosos é muito maior do que a da sua legitimidade.

XI – DISCERNIMENTO E MENTE SÃ
     Um dos aspectos mais estarrecedores dos pregadores é a seguinte exortação: “Não tente usar a sua mente para entender isto. Apenas o receba”. Isso é completamente contrário ao ensino do Novo Testamento. O apóstolo Pedro, ao instar com seus leitores, e conosco, a que nos preparemos para servir a Deus, escreve: “Cingi os lombos do vosso entendimento” (I Pe 1:13 (RA), cf. 4:7; 5:8).

 XII – CONCLUSÃO: CRISES E VALORES TEOLÓGICOS EM CAOS
     A existência e popularidade do fenômeno conhecido como Avivamento do Riso deve preocupar qualquer pessoa sensata, mesmo que seja remota a possibilidade de que se deixe enganar por ele. Deve ser motivo de reflexão tanto para o pastor como para as ovelhas ver milhões de pessoas caindo na gargalhada santa ou latindo como cachorros, rugindo como animais e agindo como verdadeiros beberrões num show onde usam o nome de Deus. Infelizmente muitas pessoas deixam sua razão em troca de experiências místicas que as levam a um profundo caos teológico e intelectual; essas mesmas pessoas podem levar vidas aparentemente normais fora desses cultos religiosos.

     O perigo não tem limite e legitima a pergunta: Uma vez que uma seita pode induzir seus seguidores a praticarem o suicídio coletivo (como aconteceu recentemente com 39 pessoas nos Estados Unidos), ou outras vezes induzir seus seguidores a entregarem grande quantia de dinheiro, a latir, a babar como um louco sem motivo algum, o que acontecerá depois? Qual será a próxima experiência que nos oferecerão? Já que têm sido removidos os limites de sã teologia e do sentido comum, a resposta é: Qualquer coisa. Nós estamos à mercê disto e outros mil tipos distintos de gurus carismáticos sem escrúpulos que têm acesso direto a consciência de seus seguidores.

     Jim Jones, em Guiana, Mangayonon Butog, nas Filipinas, Park Soon Ja, na Coréia do Sul, David Koresh, em Texas,Luc Jouret, em Cantão de Friburgo e Marshall Appelewhite, no Rancho Santa Fé sobreenfatizaram as experiências subjetivas, anularam a razão dos seus respectivos adeptos e logo sobreveio a tragédia. Com o movimento Avivamento do Riso, as portas estão abertas a todo tipo de abuso.

     Haverá no século XXI uma religião mundial única que imponha as experiências subjetivas sobre a razão, a sã teologia e a verdade objetiva? Será substituído o cristianismo por técnicas metafísicas da Nova Era para induzir a estados alterados de consciência? Continuará enfatizando estranhas revelações em vez da Palavra de Deus? Continuará a presente tendência a utilizar a religiosidade como simples escalão para obter prazer através das experiências esotéricas? Seremos perseguidos pelos poderosos impérios desses gurus ao negarmos a reconhecer as tais experiências como divinas? A resposta é clara a todos aqueles que ainda têm raciocínio, famílias, e valores cristãos a defender. Façamos algo para impedi-lo. Promovamos ativamente o genuíno cristianismo, o estudo sério da Bíblia e denunciemos claramente os perigos e erros das falsas doutrinas e experiências.

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A UNÇÃO DOS QUATRO SERES

apologética uncao_4_seresA UNÇÃO DOS QUATRO SERES

 Imagine uma igreja onde um grita histericamente, o outro pula desordenadamente, outro rodopia, alguns imitam animais e outros “falam em línguas” o mais alto que podem em clara desobediência a Bíblia. Isto é ou não é confusão (ICo 14.33)? Pois isso é o famoso movimento herético da “adoração extravagante” (e bota extravagante nisto!) que tem trazido a cena a tal “unção dos quatro seres” que por si só já escandaliza crentes e incrédulos.

   Confesso que nestes meus 28 anos de caminhada cristã, presenciando tantas “bizarrices” e “esquisitices” tais como unção do riso; unção apostólica; crentes de 2ª classe; troca de anjo da guarda; arrebatamento ao 3º céu seguido por “novas revelações”; festa dos sinais; baladas gospel; sal grosso para espantar mal olhado; maldições hereditárias; encostos; óleo ungido; sessões do descarrego; ministrar louvores de costas; pulseiras proféticas; Levitas (este já cumpriu sua função e foi substituído pelo ministério de Cristo Hb 7:5-28); caçadores de deus (misericórdia!!); etc., achava que nada mais me surpreenderia, no entanto, sou obrigado a admitir que fiquei enojado quando me deparei com este mais novo tipo de “unção”.

Esta tal “unção” é a mais nova moda entre a juventude “evangélica” brasileira, mas o que isso seria exatamente?

   Felizmente meu curso no CETEO é de teologia mas receio que deveria ter cursado “zoologia” a fim de entender esta nova bizarrice. Em primeiro lugar, o termo “unção dos quatros seres” não aparece em nenhum lugar das Escrituras e em toda a historia do cristianismo não existe qualquer referência a tal unção. Baseando-se em Ap 4.7, que descreve quatro seres viventes, um semelhante ao leão, outro semelhante a águia, outro semelhante ao novilho e outro semelhante ao homem, os adeptos desta “zooteologia” herética acreditam que pessoas – em um estado completamente alterado de consciência – recebem a tal “unção dos seres viventes” e começam a imitar os bichos descritos, rugindo e andando de gatinho como um leão, batendo os braços como se fosse uma águia, imitando um novilho, ou, o que supostamente teria a “unção do homem”, chorando descontroladamente. Não há nenhuma referencia Bíblica que algum servo de Deus tenha recebido tal “unção” e, além do mais, a Bíblia informa que os seres dizem: Santo, Santo, Santo, em vez de rugir, chorar, andar de quatro ou coisa parecida. Nem no Antigo Testamento, nem no Novo, nem na Igreja Primitiva e nem na Igreja da Reforma houve manifestações de pessoas recebendo a tal “unção”. Não vejo na Bíblia ninguém “ungido” imitando animais. O que vejo é algo que beira o inverso disto.

   Vejo uma jumenta falando (cf. Nm 22.28), mas não vejo nenhum personagem bíblico “ungido” zurrando feito um jumento – apesar de já ter presenciado um monte de “jumento” falando asneiras pelos púlpitos, rádios e TVs deste Brasil afora. Aliás, o único fato que conheço de alguém que se tornou tal qual um animal foi Nabucodonosor, mas foi devido a um castigo – e não a uma “unção” de Deus. A “imitação” imposta a ele foi tão perfeita que acabou comendo capim no relento como um boi, durante sete tempos (cf. Dn 4.31-34).

   Não preciso ser nenhum mestre para saber que esta tal “unção” é uma falácia doutrinária. Alguns ainda têm a “cara de pau” de tentar respaldar na Bíblia esta atrocidade. Onde encontramos a palavra “unção” no texto de Ap 4.7 e quando foi que Jesus ou os Apóstolos ensinaram que receberíamos essa tal “unção dos quatro seres”? Para começo de conversa, quem disse que os quatro seres eram respectivamente leão, novilho, homem, águia? Será que os adeptos desta heresia estão tão cegos que não conseguem nem mais ler direito? O texto diz “semelhante” ao leão, semelhante ao novilho, semelhante ao homem e semelhante à águia. Qualquer pessoa pode ver que se trata de uma visão e não de uma unção, mas a “escola de interpretação alegórica” permite aos tais dar ao texto o sentido que sirva a seus interesses megalomaníacos. Não vejo o menor propósito em sair andando de quatro como um leão, saltitando como um bezerro, batendo os braços imitando uma águia ou chorando descontroladamente como um tolo. Aliás, a águia está voando e eu queria vê-los sair voando por ai. João, simplesmente por não conseguir identificar o que eram aqueles seres, comparou-os a elementos terrenos, apenas isso!

   O Pastor Derek Prince em seu livro “Proteção contra o Engano” falando sobre esse assunto, cita manifestações que presenciou em cultos pagãos na África, onde as pessoas em transe recebiam “espíritos de animais” e começavam a agir como tais, rugindo como leão, dando cabeçadas em arvores igual aos elefantes e por ai vai. Não é preciso ir tão longe para presenciar esse tipo de coisa. Em terreiros de cultos afro-brasileiros também são comuns esses tipos de manifestações.

   A verdade é que esta prática carece totalmente de apoio bíblico. Não há em toda a Bíblia uma única menção a tal “unção” ou “adoração extravagante”. Ela é, na verdade, fruto da mente fértil de alguns líderes ávidos por notoriedade e dinheiro. Isso não é coisa de Deus e sim dos que a si mesmo se intitulam apóstolos, paipóstolos e sei lá mais o que! É incrível a capacidade inventiva destas pessoas. São ondas e mais ondas de novidades e quando pensamos que a capacidade criativa deles chegou ao fim, eis que surge uma outra novidade! De minha parte me contento com o louvor bíblico que nos manda adorar a Deus em Espírito e em verdade! (Jo 4.23,24)

Falsos mestres que têm propagado este besteirol nas igrejas

A Bíblia nos alerta sobre o surgimento de falsos mestres, com sinais e prodígios de mentira que enganariam, se possível, até os escolhidos (Mc 13.22). Entre muitos, gostaria de citar aqui, pela ligação com o nosso assunto e a notoriedade na mídia, dois destes falsos profetas:

1. Davi Silva (Ministério Casa de Davi)

A herética “unção dos quatro seres” foi divulgada por Davi Silva e pela “equipe de louvor” Casa se Davi (um dos integrantes é Mike Shea, famoso por ministrar louvores de costas) que inclusive compôs a música “a unção dos quatro seres” a qual incentiva os incautos a “adorar a deus” como os animais em questão. Este “ministério” é famoso pela música “digno é o cordeiro” – onde muitos desavisados cantam a todo pulmão “anjos e querubins estão no seu trono”. Isto é totalmente antibíblico e satânico! Apenas um querubim quis estar no trono de Deus: foi Lúcifer (Is 14.13-15). Aliás, a ênfase dada por estes falsos profetas aos seres angelicais chega ao extremo da idiotice. Eles afirmam que anjos tocam bateria, além de cutucar os pregadores impedindo-os de conduzir o culto com racionalidade (interessante notar que a Bíblia ensina que devemos prestar um culto racional a Deus, cf. Rm 12.1). Em uma conferência realizada por este “ministério”, uma pessoa ficou rindo durante pelo menos 30 minutos no chão pois disse que um anjo fazia cócegas nela. Isto seria cômico se não fosse trágico! Além da “unção dos quatro seres”, esse ministério prega uma igreja judaizante, uso de pulseiras proféticas (parecidas com as usadas no candomblé), atos proféticos e muitas outras modas heréticas e bizarras.

2. Ana Paula Valadão (Diante do Trono – Igreja “Batista”(?!) da Lagoinha)

O famoso grupo “Diante do Trono” [até hoje me pergunto de qual trono?] através da sua protagonista, a Ana Paula Valadão – que se diz “batista” mas não é -, nos proporcionou uma das cenas mais ridículas da qual tive a infeliz oportunidade de ver. Num show a cantora em questão ficou andando de quatro no palco como “um leão”, enquanto outros agiam e rolavam como bichos. O mais inacreditável é que ela ainda quis justificar seus atos citando textos do Antigo Testamento e cometendo os mais absurdos erros de hermenêutica! Senão bastasse isto, a tal “pastora” (outra heresia) Ana Paula presenteou seu pai com um leão esculpido em madeira, simbolizando a “unção” que ela recebeu. Veja o que ela declarou em seu blog pessoal: “Mamãe chorou tanto! Eu disse que ela e o papai são os leões grandes, e que nós somos os filhotes – pois compramos um leão pequeno para a nossa casa! É lindo! Forte! Ministra só de olhar!” Que absurdo é este? Isto é idolatria (cf. Ex 20.4)! Aos fãs e discípulos desta “pastora” cabem os dizeres de Ap 2:20: “Mas tenho contra ti o tolerares que Jezabel, mulher que se diz profetisa, ensine e engane os meus servos, para que se prostituam e comam dos sacrifícios da idolatria“.

 Não devemos tolerar falsos profetas em nosso meio ensinado heresias. Vamos banir de nossa igreja todos os modismos heréticos que estão invadindo as igrejas e provocando alienações e apostasias.

Confesso que não sei aonde vamos parar. Ao ler e ver aberrações como as narradas acima, sinto-me profundamente desanimado com os rumos da igreja brasileira.

Esta tal “unção” não passa de mais uma invencionice de quem quer manter preso a si as mentes incautas e totalmente desprovidas do menor senso crítico. Estas pessoas são como os meninos, citados por Paulo, que são levados de um lado para o outro por todo vento de doutrina (Ef 4:14). Para onde o vento do modismo gospel soprar, lá vão eles sem ao menos questionarem! E neste zoológico gospel lá estão eles, caçando deus, andando de 4, batendo os braços e saltitando como bezerros.

São assim por serem analfabetos de Bíblia e adoradores do extraordinário. Cultuam as “maravilhas” e por isso não se contentam com o modelo bíblico de adoração. Precisam estar sempre inventando uma novidade para massagear seus próprios egos e lhes dar destaque entre os incautos que gostam de tais “manifestações” esdrúxulas. Tais manifestações não têm nada a ver com o Espírito Santo de Deus. Ao invés de enaltecer o Evangelho de Cristo, tais atitudes tem servido para ridicularizá-lo. Devemos adorar a Deus da forma que Ele quer e exige e não do modo que queremos ou achamos que é o correto!

O que me chama a atenção é que a igreja evangélica brasileira diante de tanta tolice ainda advoga a causa de que estamos vivendo momentos de um genuíno avivamento. Eu lhe pergunto: Que avivamento é esse, que não produz frutos de arrependimento? Que avivamento é esse que não muda o comportamento do crente? Que avivamento é esse que não converte o coração do marido a esposa e vice-versa? Que avivamento é esse que rasga a relação entre pais e filhos? Que avivamento é esse que relativiza a ética? Faltam-nos lágrimas, choro e arrependimento diante de tantas aberrações. Falta-nos decência, leitura da Bíblia e compromisso com o Deus da Palavra e a Palavra de Deus! O culto deve ser uma solenidade racional para louvar a Deus, e não um entretenimento puramente emocional para satisfação pessoal.

Quanta bobagem, quanto besteirol sem nenhum respaldo Bíblico ou Histórico! Aquele que ensina ou faz uso de práticas que a Bíblia não ordenou é mentiroso, e como tal é filho do Diabo! Que Pastores, lideres e membros estejam vigilantes, para que ventos de doutrinas não invadam suas igrejas, causando divisão e confusão em seu meio. Fica aqui um alerta: Antes de convidar alguém para pregar ou cantar em suas igrejas, acampamentos, retiros etc., procure se informar bem sobre a linha doutrinária seguida por essa pessoa, para evitar futuros problemas. A Igreja de Cristo não deve aceitar nada que não esteja respaldado na Bíblia!

E antes que alguém venha me atacar dizendo que não posso julgar, já vou dizendo que não só posso como devo. O julgamento que a Bíblia proíbe é o julgamento temerário (sem fundamento, sem base). Os bereanos julgaram as pregações do apóstolo Paulo e, em lugar de serem criticados por isso, foram chamados de nobres (cf. At 17.11). João, o apóstolo do amor, nos diz: “Amados, não deis crédito a qualquer espírito; antes, provai os espíritos se procedem de Deus” (1 Jo 4.1). Paulo também nos exorta: “julgai todas as coisas, retende o que é bom;” (1 Ts 5.21).

Louvor extravagante? Caçadores de deus? Anjos e querubins no trono de Deus? Levitas? Unção dos quatro seres? Eu estou fora! Estou satisfeito com o dom das Escrituras que me dão instrução abundante para tudo que eu preciso saber!

(DAJ – compilado)

Fonte:http://obereano.blogspot.com/2008/08/uno-dos-quatro-seres-que-misria-essa.html

UNÇÃO DOS QUATRO SERES A LUZ DA BÍBLIA

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Introdução

Está se tornando cada vez mais comum entre a juventude evangélica brasileira se falar na tal “unção dos quatro seres”. O que isso seria exatamente? Baseando-se em Ap.4:6-8 que descreve quatro seres viventes, um semelhante ao leão, outro semelhante a águia, outro semelhante ao novilho e outro semelhante ao homem, alguns ministérios estão tolerando e incentivando que pessoas em estados alterados de consciência imitem os seres descritos. Um ruge como leão, outro bate os braços como se fosse uma águia, outro imita um novilho, e o que supostamente teria a “unção do homem” começa a chorar.

Em primeiro lugar o termo “unção dos quatros seres” não aparece em nenhum lugar das Escrituras. Em toda a historia do cristianismo, não existe qualquer referência à referida unção. Além do mais, os seres dizem: Santo, Santo, Santo, em vez de rugir, chorar ou coisa parecida.
O Pastor Derek Prince em seu livro “Proteção contra o Engano” falando sobre esse assunto, cita manifestações que presenciou em cultos pagãos na África, onde as pessoas em transe recebiam “espíritos de animais” e começavam a agir como tais, rugindo como leão, dando cabeçadas em arvores igual aos elefantes e por ai vai. Não é preciso ir tão longe para presenciar esse tipo de coisa. Em terreiros de cultos afro-brasileiros também são comuns esse tipo de manifestações. Quem tem experiência em lidar com pessoas possessas sabe que não é raro os demônios manifestados agirem como animais.

Falsos Mestres na Igreja

A Bíblia nos alerta sobre o surgimento de apóstatas, falsos mestres, falsos profetas, sinais e prodígios da mentira que enganariam até os escolhidos.

Mateus 7:15 Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores.
Mateus 24:11 E surgirão muitos falsos profetas e enganarão a muitos.
Marcos 13:22 Porque se levantarão falsos cristos e falsos profetas e farão sinais e prodígios, para enganarem, se for possível, até os escolhidos.
2 Pedro 2:1 E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição.
1 João 4:1 Amados, não creiais em todo espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo.

É natural que alguém questione: “Como seria possível alguém que começou seu ministério fazendo a obra de Deus se torne um falso profeta propagador de heresias?”
A Bíblia predisse que isso aconteceria:
1 Timóteo 4:1 Mas o Espírito expressamente diz que, nos últimos tempos, apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios

Aqui o verbo grego traduzido como apostatar, é afisthmi (aphistemi) que significa literalmente: abandonar, deixar, afastar-se. Portanto, o texto se refere a pessoas que estão na verdadeira fé e se afastam dela, sendo seduzidos por ensinos demoníacos. Portanto não é nenhum absurdo pensar que certos ministérios que começaram bem, tenham sido seduzidos por heresias perniciosas.
Jesus disse que os falsos profetas operariam sinais e prodígios, por tanto o fato de alguém operar milagres não indica aprovação divina. Deus é soberano, o fato de Deus curar alguém durante a pregação de um divulgador de heresias não prova que ele está compactuando com as mentiras que estão sendo pregadas ou com a extorsão financeira feita por certos pregadores. Jesus disse que muitos operariam sinais em seu nome mais ele lhes dirá abertamente que nunca os conheceu.

Quando o culto se torna um “surto”.

1 Coríntios 14:33 Porque Deus não é Deus de confusão, senão de paz, como em todas as igrejas dos santos.

Imaginem uma igreja onde um grita histericamente, o outro pula desordenadamente, outro rodopia, alguns imitam animais, outros falam em línguas o mais alto que podem em clara desobediência a 1 Coríntios 14:28. Isso é ou não é confusão? Pois isso é o famoso movimento de adoração extravagante que tem trazido a cena a tal “unção dos quatro seres” que por si só escandaliza crentes e incrédulos.
Como desculpa para justificar práticas estranhas nas Escrituras gostam de citar

Isaías 43:19 Eis que farei uma coisa nova, e, agora, sairá à luz; porventura, não a sabereis? Eis que porei um caminho no deserto e rios, no ermo.

Texto sem contexto é pretexto! Essa passagem é escatológica e se refere ao Milênio e não a manifestações na igreja. Um vez alguém disse que Deus iria escandalizar a Igreja nesses dias. Referindo-se a certas manifestações. Mas que utilidade teria para Deus, escandalizar seu povo? A Bíblia diz:

Mateus 13:41 Mandará o Filho do Homem os seus anjos, e eles colherão do seu Reino tudo o que causa escândalo e os que cometem iniquidade.
1Coríntios 10:32 Portai-vos de modo que não deis escândalo nem aos judeus, nem aos gregos, nem à igreja de Deus.
2 Coríntios 6:3 não dando nós escândalo em coisa alguma, para que o nosso ministério não seja censurado

Por tanto carece de bases Bíblicas essa tal “unção dos quatro seres”, a qual tem trazido confusão assim como outras praticas semelhantes. Lembremos da advertência de Jesus a igreja de Tiatira.

Apocalipse 2:20 Mas tenho contra ti o tolerares que Jezabel, mulher que se diz profetisa, ensine e engane os meus servos, para que se prostituam e comam dos sacrifícios da idolatria.

Não devemos tolerar falsos profetas em nosso meio ensinado heresias. Vamos banir de nosso meio, modismos heréticos, que estão invadindo as igrejas e provocando alienação e apostasia.

 

Extraído do site do Centro Apologético Cristão de Pesquisa

 

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desceu hades

UMA ANÁLISE DA EXPRESSÃO “DESCEU AO HADES” NO CRISTIANISMO HISTÓRICO

apologética desceu hadesDESCENDIT AD INFERNA”:
UMA ANÁLISE DA EXPRESSÃO “DESCEU AO HADES”
NO CRISTIANISMO HISTÓRICO

Heber Carlos de Campos* 

 

A expressão “desceu ao Hades,” com referência a Cristo, não é encontrada em nenhum lugar das Escrituras. Afirma-se que o Redentor “desceu às regiões inferiores, à terra” (Ef 4.9),1 mas não que ele desceu a um lugar chamado Hades depois de sua morte e sepultamento. Todavia, essa expressão apareceu em dois credos da igreja cristã antiga, ainda que com palavras diferentes. A primeira ocorrência está no Credo Apostólico, que tem a expressão latina “descendit ad inferna” (desceu aos infernos/Hades), e a outra encontra-se no Credo de Atanásio, com a expressão latina “descendit ad inferos” (desceu às regiões inferiores).

O estudo dessa matéria será desenvolvido abaixo, primeiro historicamente, depois teologicamente e então biblicamente.

I. Análise Histórica da “Descida ao Hades”

A expressão “desceu ao Hades,” que aparece no Credo Apostólico, não faz parte das suas formas mais antigas. Ele sofreu alterações posteriores, uma das quais foi a expressão acima. Witsius afirma:

É digno de nota que, antigamente, aqueles credos que possuíam o artigo sobre a descida de Cristo ao inferno, não continham o artigo relativo ao seu sepultamento, e aqueles nos quais o artigo com respeito à descida ao inferno foi omitido, de fato continham o artigo relativo ao sepultamento.

Rufino, o bispo da igreja de Aquiléia, fez alguns comentários sobre o Credo Apostólico em sua Expositio Symboli Apostolici, por volta do final do século IV, dizendo que essa cláusula nunca foi encontrada nas edições romanas (ou ocidentais) do credo. Rufinus acrescenta que a intenção da alteração do Credo em Aquiléia não foi a de acrescer uma nova doutrina, mas a de explicar uma antiga e, portanto, o credo de Aquiléia omitiu a cláusula “foi crucificado, morto e sepultado” e a substituiu por uma nova cláusula, “descendit ad inferna.”

Portanto, originalmente a expressão descendit ad inferna não fazia parte do Credo Apostólico. No tempo de Rufino, ela apareceu inserida no Credo, mas não como um acréscimo ao que já havia, sendo apenas uma expressão substitutiva de “crucificado, morto e sepultado.” O Credo de Atanásio(escrito por volta do século V ou VI) segue mais ou menos a mesma idéia do Credo de Aquiléia, onde a expressão “desceu ao Hades” substitui a expressão “sepultado,” não sendo um acréscimo a ela. Até então, não havia nenhuma modificação significativa na doutrina cristã com respeito à situação da pessoa do Redentor ao morrer, pelo menos nas traduções mais conhecidas do Credo.

Enquanto houve a omissão da cláusula “sepultado” e o aparecimento da cláusula substituta “desceu ao Hades,” ou vice-versa, não surgiu nenhum problema teológico novo. Este apareceu quando as duas expressões acima apareceram no mesmo Credo, uma após a outra. Por volta do século VII, a cláusula descendit ad inferna apareceu em outros credos, mas como um acréscimo a “crucificado, morto e sepultado,” e não como expressão substitutiva dessas coisas acontecidas a Cristo. A partir de então, uma nova doutrina começou a aparecer dentro da igreja cristã, ou seja, a descida de Cristo a um local chamado Hades, após o seu sepultamento. Daí as várias traduções do Credo Apostólico aparecerem assim: “Padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado. Desceu ao Hades. Ao terceiro dia, ressurgiu dos mortos.”

De onde surgiu essa inserção? É difícil identificar a sua trajetória, mas há alguns indícios. Witsius menciona que, por volta de 359, “encontraram-se em Constantinopla cerca de cinqüenta pessoas, e lá compilaram um Credo, no qual professavam que criam em Cristo, que foi morto e sepultado e que ‘penetrou as regiões subterrâneas, nas quais até mesmo o Hades foi golpeado com terror’,”o que dá a entender um sentido diferente e que vai além de um sepultamento, contrastando com o entendimento de Rufino. J. N. D. Kelly também menciona que na doxologia da Didascalia siríaca, que parecia uma formulação credal, havia a seguinte expressão: “Que foi crucificado sob Pôncio Pilatos e partiu em paz, a fim de pregar a Abraão, Isaque e Jacó e a todos os santos a respeito do fim do mundo e da ressurreição dos mortos.”

O descensus (“descida”), como uma atividade de Cristo em um mundo inferior entre a sua morte e a sua ressurreição, não apareceu, a princípio, nas formulações credais da igreja ocidental. Porém, sob a influência do pensamento da igreja oriental desde tempos bem antigos,veio a aparecer posteriormente até mesmo nas formulações ocidentais. Kelly afirma: “Deveria ser observado que após Santo Agostinho é que prevaleceu o hábito ocidental de explicar 1 Pedro 3.19 como um testemunho da missão de Cristo aos contemporâneos de Noé muito antes de sua encarnação.”

A doutrina, que usualmente é chamada de “Descida ao Hades,” desenvolveu-se de forma efetiva na igreja cristã com o passar dos séculos, numa tentativa de reviver a doutrina pagã do Hades. Dentro do pensamento grego havia um lugar para onde iam todos os mortos — o Hades. Este era dividido em dois setores: o Elísio (para onde iam todos os bons) e o Tártaro (para onde iam todos os maus). Essa idéia greco-pagã é razoavelmente coerente, pois pelo menos os maus iam para o lugar chamado inferno, que é uma das traduções de Tártaro, e os bons iam para o paraíso, que é a tradução de Elísio.

Alguns cristãos, com base numa análise equivocada do texto de 1 Pedro 3.18-20e com o apoio da expressão “desceu ao Hades” inserida no Credo Apostólico, tomando a idéia de Hades do conceito pagão, acabaram criando um Hades inconsistente, também com duas divisões: os bons vão para o Paraíso e os maus para o Hades. Isto quer dizer que, se alguém perguntar a esses cristãos qual é a composição do Hades, a resposta será: Paraíso e Hades. A visão pagã dessa matéria é muito mais consistente que a dos cristãos, influenciados pelo conceito pagão de Hades. Do século VII em diante, apareceu uma nova doutrina sobre a atividade de Jesus Cristo após a sua morte e sepultamento num outro lugar que não o céu.

Portanto, durante a história da igreja o pêndulo vai oscilar entre a descida de Cristo ao Hades enquanto esteve entre nós (especialmente ao ser crucificado e sepultado) e uma descida a um local chamado Hades, entre a sua morte e ressurreição. Neste último caso, o grande problema é definir o que ele foi fazer lá. É disso que trataremos com mais detalhes neste ensaio.

II. Análise Teológica de várias tradições sobre
a Descida ao Hades

As várias tradições teológicas mencionadas abaixo, refletindo os seus pressupostos teológicos, deram as suas próprias explicações à expressão “desceu ao Hades” na história da igreja. Houve várias divergências entre os herdeiros da Reforma, que serão analisadas ligeiramente adiante.

A. Visão da Tradição Católica

O entendimento católico é o de que Cristo, após a sua morte, foi ao limbus patrum.10 Na teologia católica, esse lugar é para onde vão os mortos que não são salvos pela graça, mas que não podem ser classificados como pagãos ou mesmo como pecadores réprobos. Esse lugar fica nas bordas do inferno e do purgatório; todavia, não deve ser confundido com eles. O limbus patrum, segundo a teologia católica, não é um lugar de tormentos. É o “seio de Abraão,” ao qual Cristo se refere na parábola do rico e Lázaro. O inferno é o lugar de condenação eterna enquanto que o purgatório é um lugar temporário de punição purgativa reservada para os cristãos que morrem com as manchas dos pecados veniais ou que morrem sem a devida penitência pelos seus pecados.

No limbus patrum, os santos do Antigo Testamento esperavam a sua redenção ser consumada por Jesus Cristo, o que se deu em seu descensus ao Hades. Ali Jesus concedeu às almas dos santos do Antigo Testamento que haviam morrido os benefícios do seu sacrifício expiatório, pois eles estavam esperando o anúncio final da sua salvação. Essa idéia católica desenvolveu-se principalmente na Idade Média, quando se tornou popular.

Os teólogos escolásticos também ensinaram que, ao mesmo tempo em que uma descida temporal e espacial ocorreu somente no limbus patrum, outros efeitos dessa descida estenderam-se a outras regiões do Hades, tais como a manifestação da glória de Cristo sobre o diabo e os condenados e o cumprimento da esperança para os do purgatório.11 

Portanto, se essa explicação é correta, Jesus Cristo teria descido especificamente a um dos compartimentos do Hades, que é o lugar dos bons, anunciando-lhes a salvação consumada. Ele não foi efetivamente ao lugar dos ímpios.

B. Visão da Tradição Anglicana

Por volta de 1537, a teologia anglicana, em uma formulação semi-protestante elaborada no tempo de Henrique VIII, sustentava uma doutrina sobre a descida de Cristo ao Hades semelhante à noção católica, mas com alguns aspectos distintos: a alma de Cristo desceu ao inferno para conquistar a morte e o demônio e para libertar as almas “daqueles homens justos e bons, que desde a queda de Adão morreram por causa de Deus e na fé e na crença deste nosso Salvador Jesus Cristo, que estava para vir.” Sua conquista do demônio destruiu qualquer reivindicação que o diabo tinha sobre os homens, e a descida foi parte do “resgate” pago por Cristo.12 

No período do rei Eduardo VI (1547-1553), houve algumas variações no conceito da descida ao Hades. Thomas Becon elaborou um catecismo,13 onde pergunta: “Cristo sofreu dores também no inferno?” Então, ele responde:

De modo algum. Pois quaisquer que tenham sido as dores que tivesse que sofrer por nossos pecados e impiedades, ele as sofreu todas em seu bendito corpo sobre o altar da cruz.14 

Embora esteja absolutamente certo nisso, Becon também acrescenta que “ele não desceu ao inferno como uma pessoa culpada para sofrer, mas como um príncipe valente para conquistar…”15 

Essa concepção trouxe modificações ao pensamento católico, sendo um pouco mais imaginativa que a tradição anterior. No seu catecismo, Becon deixou transparecer não somente uma teologia de pagamento de penalidade no Hades, mas também uma espécie de teologia do triunfo,16 mesmo estando Jesus Cristo no estado de humilhação, evidenciando uma ligeira semelhança ao pensamento do luteranismo influenciado por Melanchton, que estudaremos adiante.

C. Visão da Tradição da Reforma Radical

Em linhas gerais, há três correntes dentro da reforma radical17 com respeito ao descensus. Por essa razão, a exposição dessa corrente será um pouco mais longa:

1. O Descensus como um Ato divino

Kaspar Schwenckfeld (1489-1561)18 sustentou que um Jesus divino havia descido ao inferno e esse foi um ato unicamente de seu próprio ser divino. Nada de sua natureza humana foi ao Hades. O “espírito vivificado” é o Espírito Santo através do qual a natureza divina foi e pregou no Hades. A idéia é a de um Jesus celestial descendo ao inferno, estabelecendo um púlpito para pregar aos mortos do mesmo modo como o fez enquanto pregou aos vivos: “[Cristo] desceu à prisão [do inferno] e pregou através do Espírito, proclamando-lhes a salvação e o evangelho da graça pelo qual eles haviam estado esperando com grande expectativa.”19 Jesus veio do céu e “tirou todas as suas almas da masmorra da prisão, e as conduziu consigo para o seu reino celestial e ao lugar preparado, e deixou vazia a corte exterior do inferno.”20 Esta última afirmação de Schwenckfeld é espantosa! O inferno esvaziou-se com a obra de pregação do Jesus celestial! Não ficou ninguém na condenação. É uma outra maneira de ensinar um universalismo salvador. Além disso, não há nada de humano naquilo que Jesus teria feito no inferno. Era típico do movimento da reforma radical uma espécie de docetismo, um movimento teológico na história da igreja que negou a plena encarnação e humanidade de Jesus Cristo. Além disso, não foi o Jesus divino que pregou, mas a Terceira Pessoa da Trindade, o Espírito Santo.

2. O Descensus como um Ato Humano

Agora é a vez dos anabatistas Johannes Schlaffer e Johannes Spittelmaier, que ensinaram uma idéia totalmente oposta à anterior. Quem desceu ao inferno foi um Jesus totalmente humano. A descida ao Hades foi uma função da natureza humana do Redentor e é um ritual pelo qual somente o homem deve passar. “Além disso, foi o Jesus mortal que desceu e o Pai divino quem o libertou de lá.”21 

O descensus foi realizado por um Jesus humano, que carece da ajuda do Pai para ser resgatado, antes que por um ser divino. Todavia, o sentido importante do descensus não foi a encarnação, mas a cruz. Este pensamento é bem diferente do primeiro porque torna o descensus algo que aconteceu neste mundo, não num mundo inferior, localizado fora de nosso mundo. O colega de Schlaffer, Spittelmaier, identificou “o inferno deste mundo” de Schlaffer com o inferno de perseguição nas mãos dos cristãos ortodoxos.22 

Portanto, na concepção desses anabatistas, todos os cristãos que sofrem neste mundo por causa de Cristo compartilham dos mesmos tormentos que Jesus suportou. Esses sofredores são libertados dos sofrimentos infernais do futuro porque já experimentaram os sofrimentos semelhantes aos de Cristo.23 Nesse caso, os sofrimentos de Cristo sobre a cruz foram mais um exemplo para os seus,24 e não sofrimentos penais, diminuindo-se, assim, o valor substitutivo e penal dos sofrimentos de Cristo.

3. O Descensus como um Ato do Ser Divino e dos Seres Celestiais e Humanos

Uma outra variação do descensus entre os simpatizantes da reforma radical foi a de Miguel Serveto (1511-1553),25 que Friedman denomina de bizarra.26 À semelhança de Schwenckfeld, ele cria que o corpo de Cristo era composto de material celestial, sendo acentuadamente divino.27 Todavia, Cristo não poderia ficar despojado de sua humanidade ao ser confrontado com Satanás no inferno. A humanidade de Cristo está vinculada ao seu pacto pessoal com o crente, dentro de quem todo mal e o pecado residem. Embora crendo na divindade de Cristo, Serveto “acrescentou uma dimensão totalmente nova à teoria do descensus, porque viu esse evento como um capítulo adicional da batalha cósmica e eterna entre Deus e Satanás, que eventualmente culmina no Apocalipse.”28 A fim de se entender como Deus falhou na batalha contra Satanás e como o Filho tentou descer ao inferno mas também deixou de alcançar a vitória, é necessário conhecer a teoria do mal esposada por Serveto.29 Desde a Queda, Satanás tomou posse da terra, ocasionando a retirada de Deus do ser humano e a entrada da serpente no mesmo. Quando Jesus desceu aos infernos “para resgatar os santos do Antigo Testamento, ele não pode destruir o poder de Satanás dentro de sua própria cidadela.” Escrevendo a Calvino, “Serveto observou que Cristo não desceu à sepultura ou ao lugar onde os corpos dos mortos são colocados, mas na corte mais interior do inferno, onde as almas são tornadas cativas.”30 Todavia, os esforços divinos foram frustrados porque Satanás encarnou-se neste mundo como o papa, que fala pela igreja de Cristo. Os crentes do Antigo Testamento foram libertos, mas a igreja cristã está sob as garras de Satanás encarnado. A doutrina cristológica e trinitária da igreja desde Nicéia é o ensino pervertido de Satanás.31 

Como Deus havia falhado no Éden e Cristo falhou em seu descensus, Deus providenciou outro descensus com manifestação divina, o qual, no entender de Serveto, haveria de ocorrer em 1585, com a descida do arcanjo Miguel. “Após a glorificação do Anticristo (a forma papal de reinado) uma nova glorificação de Cristo é necessária.”32 Além dessa manifestação do arcanjo Miguel, os cristãos também participam dessa luta contra Satanás. Segundo o pensamento de Serveto, todos devem descer ao inferno e expor suas almas à morte sangrenta na luta contra o Anticristo.33 Para Serveto, um Jesus divino desceu ao inferno para libertar os crentes do Antigo Testamento e todos os cristãos devem reproduzir em suas próprias vidas a batalha de Cristo contra Satanás. O cumprimento do descensus se daria somente em 1585, quando o arcanjo Miguel haveria de descer para destruir a Satanás.34 

D. Visão da Tradição Luterana

A interpretação luterana é bem diferente da interpretação das tradições anteriores. Embora Jesus Cristo tenha ido literalmente ao Hades entre a sua morte e ressurreição, o propósito foi o de proclamar a sua vitória sobre Satanás. Lutero vê nesse descensus a conjunção do triunfo de Cristo sobre Satanás com a idéia de levar cativo o cativeiro.

A grande dificuldade dessa interpretação é que ainda não tinha havido nenhuma manifestação de vitória de Cristo, pois a ressurreição ainda estava por acontecer. O resultado do pensamento de Lutero é que, na tradição luterana, a descida ao Hades é o primeiro estágio da exaltação de Cristo.

Na teologia luterana, o descensus ao Hades é tomado com muita seriedade por causa da importância da expressão para essa tradição da Reforma. Todavia, os luteranos não se aventuram a explicar o descensus em seus detalhes, pois deve ser aceito somente pela fé.35 Não é fácil reconciliar as diferentes afirmações de Lutero a respeito da descida de Cristo ao Hades,36 pois ora ele falava da mesma em termos metafóricos, quando Cristo conquistou Satanás, ora em termos literais.37 Todavia, parece-nos que foi Melanchton quem mais influenciou o luteranismo posterior, porque afirmou uma descida real e espacial de Jesus ao Hades e, acima de tudo, tornou esse ato de Jesus uma parte do seu triunfo.38 

O ensino do luteranismo confessional aparece em dois lugares da Fórmula de Concórdia, que é um dos símbolos de fé luteranos. A Fórmula de Concórdia tem duas partes: a Epítome e a Declaração Sólida. Na Epítome está escrito: “Porque é suficiente que saibamos que Cristo desceu ao inferno, destruiu o inferno para todos os crentes e redimiu-os do poder da morte, do diabo e da condenação eterna das mandíbulas infernais.”39 Na Declaração Sólida, há a seguinte afirmação: “Nós simplesmente cremos que a pessoa total, Deus e homem, após o sepultamento desceu ao inferno, conquistou o diabo, destruiu o poder do inferno e tirou do diabo o seu poder.”40 

Lutero cria que Jesus Cristo, em sua natureza humana e divina, desceu ao inferno literalmente. Na única vez em que mencionou o assunto, ele disse: “Eu creio no Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus, que morreu, foi sepultado e desceu ao inferno.”41 Portanto, para o pensamento luterano, a ida ao inferno foi posterior ao sepultamento.

E. Visão da Tradição Arminiana

É comum entre muitas pessoas a idéia de que a morte não coloca um fim no período em que Deus opera com a sua graça para salvar pecadores. Elas sempre tentam arranjar novas oportunidades para os ímpios serem salvos, mesmo que seja após a sua morte. Esse é o caso de vários estudiosos de orientação arminiana, como veremos adiante.

Essa tendência da tradição arminiana evidencia-se naqueles que sustentam a noção mais comum desde os tempos antigos, de que Cristo teria descido ao Hades para pregar o evangelho não somente “a todos os piedosos falecidos na antiga dispensação que creram nele e compartilharam da salvação cristã,”42 mas também aos mortos em geral que não ouviram a pregação enquanto viveram neste mundo.

 A evangelização no Hades também tem como finalidade pregar aos ímpios mortos para dar-lhes uma outra oportunidade de salvação. A doutrina da segunda oportunidade é bastante comum em círculos arminianos. Essas idéias baseiam-se numa interpretação equivocada de 1 Pedro 3.18-20. Eles afirmam que Jesus Cristo foi e pregou o evangelho de salvação aos espíritos em prisão no Hades.

A grande dificuldade da primeira idéia acima é que os santos do Antigo Testamento já haviam crido no Messias e, por isso, estavam justificados (Rm 4.3; Gl 3.6-9), o que torna desnecessária essa evangelização.

F. Visão da Tradição Reformada

Na teologia reformada, a expressão “desceu ao Hades” é muitas vezes omitida inteiramente do Credo dos Apóstolos. Quando, todavia, a expressão aparece, ela substitui “sepultado,” sendo a palavra Hades entendida como uma referência ao “sheol,”43 a região dos mortos, ou como uma referência ao estado de morte.44 Outras vezes, como pensa Calvino, o Hades significa o sofrimento e morte de Jesus como expressão do recebimento da justiça divina.

Calvino sustentava que a descida ao Hades foi a experiência das dores do inferno na alma de Jesus, enquanto o seu corpo ainda estava pendurado na cruz, especialmente a experiência da ira divina contra o pecado que ele suportou no lugar dos seres humanos, que se evidencia numa dor espiritual resultante do abandono de Deus. Ali na cruz, Cristo tomou sobre si as dores da punição que eram devidas a todo o seu povo.45 

Estas idéias de Calvino foram transmitidas a alguns segmentos da Igreja da Inglaterra, no período do rei Eduardo VI, através dos ensinos do bispo anglicano John Hooper, que assim comentou a cláusula descendit ad inferna do Credo Apostólico, por volta de 1549:

Eu creio também que enquanto ele estava sobre a dita cruz, morrendo e entregando o seu espírito a Deus seu Pai, ele desceu ao inferno; isto quer dizer que provou verdadeiramente e sentiu a grande aflição e peso da morte, e igualmente as dores e tormentos do inferno, o que quer dizer a grande ira de Deus e o seu severo julgamento sobre si, até ter sido totalmente esquecido por Deus… Este é simplesmente o meu entendimento de Cristo em sua descida ao inferno.46 

Toda a tradição reformada sustenta, em alguma medida, o que foi dito acima, com algumas pequenas variações, mas sem qualquer prejuízo do entendimento geral de que a descida de Cristo ao Hades deve ser entendida como algo que aconteceu enquanto ele estava sob a ira de Deus no Calvário ou, no máximo, quando foi sepultado.

III. Análise Bíblica da “Descida ao Hades” nas principais
tradições da reforma

Existe base bíblica para afirmar que Jesus Cristo experimentou o Hades — se por Hades entendemos a manifestação do juízo divino — mas não há fundamento bíblico para afirmar que ele desceu localmente ao Hades, após a sua morte e sepultamento. Todavia, é importante que façamos uma análise da interpretação bíblica das principais tradições da Reforma, a fim de que não ignoremos como pensam esses companheiros cristãos.

Dentre os vários textos utilizados pelas diversas correntes teológicas, o de 1 Pedro 3.18-20 é o mais usado e o mais abusado. Vejamos, portanto, a sua interpretação em algumas tradições teológicas.       

A. Interpretação da Tradição Arminiana

Na tradição arminiana não existe uma interpretação única do texto de 1 Pedro 3.20, mas várias que sustentam a doutrina do evangelho da segunda oportunidade. Obviamente, a questão da pregação do evangelho no Hades, dentro do arminianismo, é matéria pertinente à extensão da morte de Cristo, que sem dúvida atinge a todos os seres humanos sem exceção. Os defensores dessa concepção não conseguem aceitar que tantas pessoas tenham perecido sem salvação. Esse pensamento certamente norteia a ideia da pregação evangelística da segunda oportunidade no Hades.

Geralmente, para provar que a pregação no Hades foi de caráter evangelístico, os seus defensores tentam associar o texto de 1 Pedro 3.19 com o de 1 Pedro 4.6, já que o primeiro texto recebe objeção, pois é visto como sendo um texto que não fala de evangelização.

Portanto, a probabilidade de que o significado de khru/ssein (“pregar”) em 1 Pedro 3.19 tenha essa conexão deve ser considerada como irresistivelmente forte contra qualquer outro sentido que não o da pregação do evangelho. A probabilidade é fortalecida pelo uso do verbo eu)hggeli/sqh (“foi pregado o evangelho”) em 1 Pedro 4.6, entendendo que devemos considerar este verso como tendo íntima relação com 3.19.47 

Fica bastante difícil para os defensores do evangelho do Hades provarem a sua tese sem mencionar o texto de 1 Pedro 4.6, mas mesmo assim ela fica enfraquecida porque esse texto não favorece a ligação com 1 Pedro 3.19. Isso veremos mais tarde.

Uma das interpretações mais curiosas é aquela dada no comentário do arminiano De Wette:

Os antediluvianos não haviam tido nenhum redentor e nenhum guia para a vida do Espírito. Portanto, Deus devia (se é que podemos usar essa expressão) suprir-lhes essa deficiência e, assim, por fim, o Senhor ressuscitado lhes trouxe salvação no Hades.48 

O grande erro dessa interpretação é que a Escritura não lhe dá apoio e, além disso, Noé foi o pregador de Deus àquela geração antediluviana, como veremos adiante. Eles não ficaram sem testemunho de Deus. Portanto, não precisavam dessa pregação no Hades.

Outros arminianos admitem que o evangelho já havia sido pregado à geração de Noé, e que essa pregação foi rejeitada, mas não foi uma rejeição definitiva. Por isso, a descida de Jesus ao Hades, conforme o seu entendimento de 1 Pedro 3.20, teria o caráter de uma segunda oportunidade. Um escritor dessa linha de pensamento afirma que “muitos não foram endurecidos irrecuperavelmente.”49  Outro deles ainda afirma: “Esses homens que Pedro pensa que haviam perecido no grande julgamento de Deus, parece que em seu destino terrível não tinham se endurecido irrevogavelmente contra Deus.”50  A rejeição dos homens do passado não foi uma rejeição final do evangelho. “Não é possível que naquelas palavras ‘os quais nos outros tempos foram desobedientes’ possa haver uma sugestão de que essa sua desobediência não tenha sido um ‘pecado eterno,’ que… é o terrível destino daqueles que nunca têm perdão?” Essa interpretação é encontrada em um dos comentários bíblicos mais populares entre os pastores, The Pulpit Commentary.51

Uma outra interpretação curiosa é a de que a pregação do evangelho no Hades foi dirigida àqueles que haviam se arrependido enquanto viveram aqui na terra, mas não tiveram tempo de confessar os seus pecados enquanto eram engolfados pelas águas do Dilúvio. Um desses defensores do evangelho do Hades, o bispo Horsley, tem dificuldade em crer que “os milhões que morreram no Dilúvio tenham morrido impenitentes,” e afirma ainda que “a proclamação benéfica do evangelho foi limitada àqueles que se arrependeram antes da morte.”52 Esse tipo de pensamento baseia-se em mera e fantasiosa suposição. Portanto, o fundamento para esse evangelho do Hades são simples hipóteses. Veja-se a citação a seguir:

Certamente não há nada que nos proíba supor que os antediluvianos aqui referidos (embora tivessem sido, por muito tempo, desobedientes e tivessem resistido à luta do Espírito de Deus mediante a pregação de Noé, enquanto a Arca estava sendo preparada) foram levados ao arrependimento e buscaram misericórdia, quando o dilúvio realmente veio.53 

Não há qualquer fundamento bíblico para essa idéia. Ela reflete uma pura especulação, certamente governada por pressupostos arminianos sobre a extensão da expiação.

Outro defensor do evangelho do Hades afirma que a pregação no Hades é um ministério que Deus confiou a Paulo e a outros apóstolos, com base numa análise falaciosa do texto de 2 Timóteo 1.12, que diz “estou bem certo de que ele é poderoso para guardar o meu depósito até aquele dia.” Segundo essa idéia, Paulo está no Hades, como os outros apóstolos, exercendo o seu ministério evangelístico, esperando receber o prêmio dessa tarefa no dia final.

O gérmen desse pensamento encontra-se nas idéias de Clemente de Alexandria, “que assevera como ensino direto das Escrituras que nosso Senhor pregou o evangelho aos mortos, mas pensa que as almas dos apóstolos devem ter assumido a mesma tarefa quando eles morreram.”54 Luckock também endossa a afirmação acima. Ele diz que “os apóstolos, seguindo o exemplo de nosso Senhor, pregaram o evangelho àqueles que estavam no Hades.”55 Engelder diz que até mesmo os seguidores de Edward Irving56 creram nisso, isto é, “que os apóstolos que morreram continuam a obra da pregação que Cristo começou em sua descida ao Hades.”57 Isto significa que a pregação do evangelho ainda continua a existir no Hades.

Ziethe, um dos defensores dessa posição, diz o seguinte:

Cremos que aquela grande obra de salvação, que o Filho de Deus começou com sua descida ao inferno, será levava a efeito continuamente até o fim dos tempos. Cremos que, no tempo presente, o evangelho também é pregado aos espíritos em prisão, a fim de que eles possam decidir a favor ou contra Cristo, para a sua salvação ou sua condenação.58 

Dificilmente encontraremos capacidade tão imaginativa para justificar o evangelho da segunda oportunidade no Hades. Em nome dos pressupostos arminianos, praticam-se grandes excentricidades exegéticas. É possível que ainda hoje vejamos alguns pregadores se aventurarem a afirmar que desceram aos infernos para pregar aos mortos. Não é de se espantar que ouçamos tais desvios teológicos em nome do amor às almas perdidas, sem levar em conta o ensino genuíno das Escrituras.

Ora, as excentricidades não param por aí. Não somente os apóstolos, mas os santos em geral também são considerados como pregadores dos infernos. O tão celebrado Pulpit Commentary, comentando o texto de Pedro, afirma: “Os santos que partiram espalham as alegres novas do evangelho entre os reinos dos mortos” (p. 145). De maneira convicta, mas equivocada, diz Luckock:

Nós exerceremos na outra vida, no mundo dos espíritos, sob condições espirituais, ministérios especiais e graças peculiares que marcaram nosso trabalho e vida neste mundo terreno… Os espíritos dos justos estão lá, e podemos muito bem imaginar os seus labores em favor dos outros, trazendo-lhes o conhecimento de Deus.59 

Essas idéias também são puramente especulativas e altamente imaginosas. Essa imaginação vai ao ponto de tentar entender o plano de Deus ao retirar as vidas jovens deste mundo. Veja-se o que J. Paterson-Smith diz em seu livro The Gospel of the Hereafter:

Pense como ele (o evangelho do Hades) ajuda nas perplexidades a respeito de Deus quando retira desta vida os jovens e as pessoas úteis. Eu disse a um homem que perguntou “Por que Deus tira um vida nobre como essa e deixa tantas vidas tolas e inúteis neste mundo?” que talvez Deus não quisesse somente as pessoas inúteis e tolas… Os eleitos de Deus na vida futura são ainda eleitos de Deus para o serviço em favor dos outros.60 

A morte prematura desses jovens é considerada como o início de um novo ministério no além túmulo. Ainda lá, para esses defensores do evangelho do Hades, é maravilhoso ver as pessoas evangelizando!

 Essas pessoas revelam o desejo de querer ver o mundo dos espíritos sendo salvo, na sua totalidade, pela pregação da segunda oportunidade. Perguntamos: Até quando as almas dos apóstolos e dos crentes em geral permanecerão no Hades esperando que sejam recebidas no céu? Certamente esse ensino não passa de um romantismo teológico, destituído de qualquer fundamento escriturístico.

B. Textos Usados pelos Defensores do Evangelho do Hades

Além dos textos de 1 Pedro 3.18-20 e 4.6, outros textos são usados pelos defensores do evangelho do Hades.

1 João 3.8 – “Aquele que pratica o pecado procede do diabo, porque o diabo vive pecando desde o princípio. Para isto se manifestou o Filho de Deus, para destruir as obras do diabo.”

Na visão dos defensores do evangelho do Hades, é algo extremamente pernicioso pensar que a grande maioria dos pecadores ficou perdida, pois isso indicaria a derrota e não a vitória de Jesus Cristo. Um de seus proponentes disse: “Certamente se 8/9 dos homens e mulheres nascidos neste mundo perecem eternamente, então Satanás terá triunfado; Cristo terá fracassado em destruir as suas obras.”61 Jesus veio para destruir as obras do diabo, inclusive vencendo a oposição dos homens no inferno. Cristo foi aos infernos inclusive para buscar os perdidos que lá estavam. Se ele veio destruir as obras do diabo, então é necessário admitir que ele esteve no inferno para aniquilar as obras do diabo naquele lugar.

Essa é uma espécie de universalismo disfarçado de amor pelas almas perdidas, com o grave erro de se crer que o inferno é uma criação do diabo e um lugar das atividades atormentadoras do mesmo.

Mateus 5.26 – “Em verdade te digo que não sairás dali, enquanto não pagares o último centavo.”

O comentarista F. W. Farrar, pressupondo o evangelho do Hades, diz:

Se o destino daqueles pecadores (1 Pe 3.19; 4.6) não é irrevogavelmente fixado pela morte, então deve ficar claro e óbvio ao mais simples entendimento que nem necessariamente é o nosso … Que os prisioneiros ali podem ser “prisioneiros da esperança,” decorre de Mt 5.26, onde a mesma palavra fulakh/n (“prisão”- v. 25) é usada.62 

A esperança dos prisioneiros do Hades está no fato de o evangelho ser ali pregado. Mas a idéia de a pessoa ter que ser libertada gratuitamente pelo evangelho, quando tem que pagar até o último centavo, é absurda e contraditória. Se é o evangelho da graça, não há lugar para um pagamento feito pelo próprio homem. É impossível saldar qualquer débito no inferno. Quando objetado sobre esse assunto, Farrar responde com a Escritura: “O que é impossível para os homens, é possível para Deus (Mt 19.26).” Esse texto é uma grande saída, mas está citado totalmente fora de contexto. Não há qualquer autorização para esse tipo de interpretação. É impressionante que tal interpretação tenha sido dada por alguém que escreveu tanto sobre hermenêutica. Ele próprio não aplicou no seu comentário a boa hermenêutica tão propalada em sua obra.63 

Mateus 12.31-32 – “Por isso vos declaro: Todo pecado e blasfêmia serão perdoados aos homens; mas a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada. Se alguém proferir alguma palavra contra o Filho do homem ser-lhe-á isso perdoado; mas se alguém falar contra o Espírito Santo, não lhe será isso perdoado, nem neste mundo nem no porvir.”

A sentença em itálico parece indicar para alguns defensores do evangelho do Hades que há uma possibilidade de perdão de pecados no inferno, exceto para o pecado da blasfêmia. Obviamente, os seus pressupostos arminianos devem conduzir a essa conclusão. Muitos intérpretes desatentos ao ensino geral das Escrituras poderão ter a mesma inclinação. Contudo, o texto está dizendo que o pecado contra o Espírito Santo especificamente não será perdoado em hipótese alguma, mesmo na eternidade (não no estado intermediário, no Hades). É a impossibilidade do perdão desse pecado que está explícita, não o perdão dos outros pecados no Hades, implicitamente.

Mateus 11.20-23 – “Passou, então, Jesus a increpar as cidades nas quais ele operara numerosos milagres, pelo fato de não se terem arrependido. Ai de ti, Corazim! Ai de ti, Betsaida! Porque se em Tiro e em Sidom se tivessem operado os milagres que em vós se fizeram, há muito que elas se teriam arrependido com pano de saco e cinza. E contudo vos digo: No dia do juízo haverá menos rigor para Tiro e Sidom, do que para vós outros. Tu, Cafarnaum, elevar-te-ás, porventura, até o céu? Descerás até ao inferno; porque se em Sodoma se tivessem operado os milagres que em ti se fizeram, teria ela permanecido até ao dia de hoje.”

Esta passagem é clássica para os defensores do evangelho do Hades. Para estes, ela indica que haverá a possibilidade, para aqueles que não tiveram a oportunidade de ouvir o evangelho neste mundo, de o ouvirem no outro mundo. Comentando essa passagem, Traub

mostra que entre a população pagã de Tiro e Sidom, e a de Sodoma, houve aqueles que, se a salvação de Cristo se lhes tivesse sido anunciada, teriam aceito a salvação pela fé. Estas palavras de Jesus Cristo podem ser aplicadas de um modo genérico. Elas provam que, entre aqueles a quem o Evangelho não alcançou nesta vida, há alguns que o teriam aceito caso lhes tivesse sido pregado. Segue-se que a pregação que não os alcançou nesta vida, de algum modo lhes será suprida posteriormente, na vida além.64 

Trata-se de um raciocínio de certa forma lógico, mas destituído do fundamento geral das Escrituras, porque entra simplesmente no terreno das hipóteses, que não pode e não deve ser levado em conta. O que o texto diz não é que tais pessoas terão a oportunidade de salvação no Hades, mas que receberão menor rigor no dia do julgamento. Com menor rigor a punição virá sobre eles, mas não a salvação.

Em resumo, chamei essas idéias de arminianas, não porque todos os arminianos as possuam, mas porque elas são próprias daqueles que ensinam uma espécie de universalismo de redenção e uma universalidade da decisão de Deus de salvar pecadores. Isso é próprio de arminianos que, em nome do amor pelos pecadores, distorcem algumas passagens da Escritura para mostrar que haverá oportunidade de salvação até no Hades. Por essa razão, todos os defensores do evangelho do Hades sempre citam as passagens bíblicas usadas pelos arminianos para mostrarem o propósito universal da salvação de Deus. Afinal de contas, Farrar diz:

Esta minha crença (de que Aquele que é Senhor de ambos, vivos e mortos, pode salvar almas pecaminosas mesmo após a morte do corpo) é fundada, não como tem sido afirmado, nos dois textos de Pedro, mas no que me parece ser o teor geral da totalidade das Escrituras, como uma revelação do amor de Deus em Cristo… É, portanto, uma doutrina que não somente se harmoniza melhor com a crença instintiva do homem sobre a justiça e misericórdia de Deus, mas também é muito mais escriturística e muito mais católica do que outras…65 

Aí está! Farrar, mesmo afirmando o contrário, invalida as Escrituras pelos seus pressupostos (que ele chama de “escriturísticos”) de um amor salvador de Deus que teria caráter absolutamente universal. É exatamente isto que muitos arminianos, propositadamente ou não, costumam fazer.

C. Interpretação da Tradição Luterana

Para os luteranos, o texto de 1 Pedro 3.18-20 “é a passagem mais clara do Novo Testamento sobre a descida ao inferno.”66 Vamos analisar apenas algumas expressões-chave em que a teologia luterana se distingue das outras.

Verso 18 – observe a expressão “vivificado em espírito.” A exegese feita por alguns luteranos indica que Jesus Cristo, quando morreu, e antes de ser ressuscitado, teve o seu espírito restituído ao seu corpo e, com a totalidade da sua natureza humana, foi ao inferno, o que é altamente estranho. Nesse caso, a idéia de morte fica totalmente prejudicada, pois morte é separação. Se a pessoa total de Jesus Cristo foi ao Hades, então a morte deixa de existir em Cristo.

Tratando da expressão “vivificado em espírito” (v. 18)67 — que é diferente da ressurreição para os luteranos —, Scharlemann diz: “Quando nosso Senhor morreu na cruz, lemos que ele entregou o seu espírito nas mãos do Pai (Lc 23.46). O dativo de referência em nosso texto poderia, entretanto, sugerir que Jesus foi trazido à vida no sentido de que o seu espírito retornou ao seu corpo.”68 

A base dessa interpretação é apoiada curiosamente pelo fato de o retorno da filha de Jairo à vida ser descrito em termos de seu espírito estar retornando ao seu corpo (Lc 8.55).69 Portanto, “o espírito” mencionado no verso é o da natureza humana de Jesus Cristo, que estava com o Pai no período entre a morte e a ressurreição, e veio a juntar-se ao corpo novamente, a fim de que o Cristo total fosse ao inferno, mas sem haver ressurreição.

Verso 19 – vimos que, para Scharlemann, a “vivificação” é a situação em que o espírito de Cristo voltou ao seu corpo entre a morte e a ressurreição. Nesse processo,

particularmente quando Cristo estava sendo trazido à vida (“vivificação”), no momento antes de manifestar-se como o Senhor ressuscitado, ele foi e fez a proclamação aos espíritos em prisão. Essa interpretação distingue, portanto, entre o ser trazido à vida e a ressurreição, e sugere que o Deus-homem em seu estado glorificado foi e fez a proclamação em prisão antes de apresentar-se a si mesmo na tumba aberta.70 

A citação acima mostra, portanto, que a descida ao Hades é o primeiro estágio da exaltação de Cristo, porque ele foi trazido à vida. O problema é definir o que vida significa aqui. Por causa dessa interpretação, é possível, para a teologia luterana, que o estado de exaltação comece com a proclamação de Cristo no inferno, pois aí ele já está vivificado.

1. Qual é o conteúdo da proclamação?

Em si mesma, a palavra “pregou” não define o seu conteúdo, segundo o entendimento da teologia luterana. Certamente, a palavra nada tem a ver com evangelização. Dentro do conceito luterano, a proclamação não tem nada a ver com a segunda chance da pregação do evangelho feita no inferno. A argumentação para essa negativa é que há diferença entre khru/ssw (proclamar) e eu)anggeli/zomai (evangelizar). Quando Cristo quis falar de evangelização ele usou o segundo verbo, ou, quando usou khru/ssw, ele acrescentou que “pregou o evangelho” (Mc 1.14).

Também se diz que Cristo “foi” e pregou. Segundo o entendimento luterano, não é possível espiritualizar essa “ida” ao inferno, como costumam fazer os calvinistas, dizendo que “quando Cristo morreu na cruz, os efeitos de sua morte foram sentidos no reino dos mortos… Como não temos nenhum direito de espiritualizar a ascensão, assim há pouca justificação para retirar daqui o sentido mais importante do verbo ou ignorá-lo. Cristo “foi e pregou aos espíritos em prisão.”71  Existe, portanto, a ideia de movimento de um local para outro, e não simplesmente a espiritualização da ideia.

2. A quem se fez essa proclamação?

Essa pergunta tem a ver com os “espíritos em prisão.” Quem eram eles? As respostas não são absolutamente unânimes entre os luteranos.

Lutero, no seu comentário do livro de Oséias, na edição de 1545, refere-se ao texto de 1 Pedro 3.18, dizendo:

Aqui Pedro diz claramente que Cristo apareceu não somente aos pais e patriarcas mortos, a quem ele em sua ressurreição levantou consigo mesmo para a vida eterna, mas que ele pregou a alguns que, nos tempos de Noé, não creram, mas confiaram na paciência de Deus, isto é, esperaram que Deus não tratasse tão severamente toda a carne, a fim de que eles pudessem saber que seus pecados foram perdoados através do sacrifício de Cristo.72 

Portanto, a idéia de Lutero é que a pregação de Cristo visou confirmar a salvação daqueles que haviam vivido nos tempos antigos, confiaram na paciência de Deus e agora estavam em prisão no Hades. Em outras palavras, Deus salvou alguns que confiaram não na pregação de Deus, mas na sua paciência. A esses Jesus confirmou a sua redenção.

Obviamente, essa idéia de Lutero não é bem-vinda entre os luteranos de modo geral. Scharlemann diz que “seria difícil concordar com a última parte dessa afirmação, mas a primeira parte indica que nos últimos anos de sua vida Lutero viu o descensus à luz de 1 Pedro.”73 Melanchton confirma que posteriormente Lutero mudou a sua posição nesse assunto. Ele ficou “disposto a pensar sobre a pregação de Cristo no Hades, referida em 1 Pedro, como tendo possivelmente efetuado também a salvação de pagãos mais nobres como Scipio e Fabius.”74 

A visão luterana oficial é a sustentada pelos seus símbolos de fé já citados, que assimilam o pensamento cristão do século IV, segundo o qual o descensus ocorreu para conquistar a morte e o inferno, sem contudo comprometer-se na matéria da libertação dos santos do Antigo Testamento.75 

Respondendo a pergunta acima, podemos dizer que, de acordo com o pensamento luterano, a proclamação de vitória é feita aos que no tempo de Noé recusaram-se a crer e agora estavam em prisão. O texto de Pedro “ensina claramente que Cristo desceu à região dos condenados, àqueles que deliberadamente rejeitaram a graça de Deus no tempo de Noé, a fim de fazer-lhes a proclamação.”76 

Mas qual é o sentido de fulakh/ (“prisão”)?

A resposta a essa pergunta define quem eram os “espíritos.” Os luteranos rejeitam a idéia de que o Hades é o lugar para onde vão todos os mortos, mas a “prisão” é o lugar onde ambos estão sob guarda, os anjos caídos e os espíritos dos incrédulos. “Prisão” para eles é mais ou menos sinônimo de “abismo” (Ap 9.1,2,11; 11.17; etc.), que é o lugar onde estão os espíritos dos demônios.

Em contraste com o conceito pagão e com o conceito pagão-cristão, o Hades, para os luteranos, é apenas o lugar para onde vão os espíritos caídos e os espíritos dos incrédulos, e não o lugar para onde vão todos os mortos, sejam eles crentes ou incrédulos. “Prisão” é o oposto de “seio de Abraão,” para a qual vão os santos após a sua morte, conforme Lucas 16.22-25.

Resumindo a interpretação luterana sobre o texto de 1 Pedro 3.18-20, podemos dizer que “Cristo, segundo o seu corpo glorificado, desceu ao inferno para lá fazer proclamação de si mesmo como o Messias. Esse foi o primeiro estágio de sua exaltação.”77 

D. Interpretação da Tradição Reformada

O texto de 1 Pedro 3.18-20 deve ser interpretado à luz de outros textos da Escritura que ajudam a esclarecê-lo. O apelo dos teólogos reformados deve ser às informações bíblicas e não às informações do Credo Apostólico (com o acréscimo do descendit ad inferna). Estes são pontos fundamentais que não podem ser esquecidos.

Lembremo-nos de que a controvérsia sobre o Hades recrudesceu quando da inserção no Credo, por volta do sétimo século, da frase “descendit ad inferna” após a cláusula “crucificado, morto e sepultado.” Antes disso, pouca coisa havia na igreja sobre essa matéria. Portanto, o foco desse assunto deve ser o ensino geral das Escrituras, não a afirmação credal.

1. Rejeição do Conceito Cristão-Pagão de Hades

A fé reformada, em sua constante busca de consistência bíblica e teológica, rejeita tanto a formulação pagã como a cristão-pagã a respeito do Hades, exemplificadas acima. Não há um lugar para onde vão todos os mortos igualmente, um lugar específico de espera até que chegue o dia da ressurreição. Não há dois compartimentos separados no mesmo Hades: um lugar para os bons e outro para os maus, como é ensinado em algumas teologias. A fé reformada crê inequivocamente que, quando morrem, os homens vão para lugares diferentes. Os ímpios que morrem sem o conhecimento salvador de Jesus Cristo vão para a condenação, o que a Escritura chama de inferno, aguardando o juízo final. Os que morrem no Senhor, isto é, os genuínos cristãos, vão estar com Cristo imediatamente, até o dia final. Por isso é que Paulo diz: “… prefiro morrer e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor” (Fp 1.23). Não há como abrir mão dessas verdades.

2. Interpretação de 1 Pedro 3.18-20

Esse é o texto crucial com o qual todas as correntes se defrontam. Já vimos algumas interpretações. Doravante, a análise será de acordo com o ensino geral das Escrituras, como entendem os pensadores de linha calvinista, também chamados de reformados.

a. Qual é o sentido de “carne” e “espírito vivificado”?

Neste texto, essas duas palavras não devem ser tidas como referências antitéticas à mesma natureza humana do Redentor, isto é, referindo-se ao corpo e à alma de Jesus Cristo, pois esse não é o propósito do texto. Há lugares em que esse tipo de interpretação é possível,78  mas não aqui. Neste texto, Pedro está contrastando dois estados diferentes de existência de nosso Redentor: um está na esfera da limitação em que viveu enquanto conosco, com respeito à sua natureza humana, no seu estado de humilhação; o outro é uma esfera de poder e de não-limitação, que ele teve antes de encarnar-se e que veio a possuir depois de exaltado.

Essa mesma ideia, com outras palavras, aparece em Romanos 1.3-4, onde Paulo contrasta as duas existências do Filho encarnado, chamando-as de existência “segundo a carne” (existência humana, vinda da descendência de Davi) e existência “segundo o espírito de santidade,” revelando o seu estado vitorioso de não limitação. Em 1 Timóteo 3.16 esses dois estados de existência do Redentor também são apresentados: “manifestado na carne e justificado em espírito.” O próprio Pedro apresenta a mesma ideia em 4.6, referindo-se aos mortos que, segundo os homens, haviam sido “julgados na carne” (terminaram a sua existência humana de fraqueza) e agora “viviam no espírito,” segundo Deus (uma existência em poder e vitória, sem as limitações da existência em fraqueza).79 O texto de 1 Pedro 3.18 também dá essas duas conotações ao Redentor:

1. O estado de limitação e fraqueza do Filho de Deus:

A palavra aqui usada para “carne” é a mesma palavra grega (sa/rc) encontrada em outros lugares da Escritura, não significando, contudo, a parte material do homem ou a sua natureza pecaminosa, mas certamente a sua vida humana neste presente estado, a existência humana como ela é agora. Segundo o entendimento de Pedro, estar “morto na carne” refere-se simplesmente à humanidade de Cristo no estado de fraqueza (não de pecaminosidade) a que estava exposto. Quando ele morreu na carne, ele saiu desse estado de fraqueza e fragilidade. Neste sentido, portanto, é que devemos entender a expressão “morto na carne.” Todavia, não foi nesse estado que ele “pregou aos espíritos em prisão.”

2. O estado de não limitação e força do Filho de Deus

Às vezes, a palavra pneu=ma (“espírito”) usada no verso 18 tem sido traduzida com letra maiúscula, como uma referência ao Espírito Santo, mas parece-nos que não há porque interpretá-la assim. Se assim fosse, ela não teria nenhuma referência a Cristo, mas à terceira pessoa da Trindade, o Espírito. A nossa questão aqui é a respeito do Filho.

O pensamento do verso 18 não é que o corpo de Jesus morreu e que o seu espírito reviveu. Essas coisas não fazem sentido para Jesus Cristo e nem para qualquer outro ser humano comum, pois quem morre é o homem e quem ressuscita é o homem, não o corpo ou o espírito.

A expressão “vivificado em espírito,” que possui similares em outros textos da Escritura, diz respeito à vitória de Cristo na ressurreição, combinando-se com o que Paulo diz em 1 Timóteo 3.16. Todavia, neste texto específico de 1 Pedro 3.19, o espírito vivificado ou vivificador pode ter mais significado se o entendermos como a natureza divina do Redentor, antes de ele encarnar-se. Ele vivia nesse estado de poder e não limitação que contrasta com o estado de fraqueza em que esteve nos dias de sua carne, e foi nesse tempo de não limitação que ele foi e pregou aos espíritos em prisão, quando eles viviam no tempo de Noé.

b. Qual é o sentido de “no qual” (v. 19)?

Quando o texto de Pedro diz “vivificado em espírito, no qual também foi,” não está se referindo ao lugar aonde ele foi depois da morte, mas onde ele estava quando havia desobedientes nos tempos de Noé. Foi nesse espírito de vivificação que ele pregou através dos profetas nos tempos antigos, como veremos adiante.

A palavra “também” (do verso 19) desvia o assunto para esse mesmo estado de não limitação de Cristo, que o levou a estar presente na vida dos pregadores no tempo da desobediência dos contemporâneos de Noé. Ele não poderia ter feito isso nos dias da sua carne, isto é, da sua existência terrena. Ele foi antes de ser o Verbo encarnado, quando de sua existência absolutamente ilimitada.

c. Para onde foi o Filho de Deus?

Cristo não foi literalmente ao inferno entre a morte e a ressurreição para pregar aos aprisionados que lá estavam, porque a Escritura mostra claramente o lugar para onde ele foi depois que morreu e foi sepultado. Certamente ele também não foi ao inferno após a sua ressurreição.

Quando Jesus Cristo foi “morto na carne,” ele foi estar com seu Pai, pois a Escritura afirma que, antes de expirar, ele disse: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito” (Lc 23.46).

Quando Jesus Cristo foi “morto na carne,” ele foi para o céu, com seu Pai. No mesmo contexto da cruz, quando interpelado pelo ladrão à sua direita, que lhe suplicava “Lembra-te de mim, quando entrares no teu reino,” ele replicou: “Hoje mesmo estarás comigo no paraíso” (Lc 23.43). Se formos buscar na própria Escritura o sentido de Paraíso, verificamos que é sinônimo de céu (o “terceiro céu,” o lugar em que Deus habita de modo especial).80 Essa foi a idéia que Paulo deu a respeito de sua subida ao terceiro céu, que ele equipara ao paraíso (ver 2 Co 12.2-4). Portanto, o lugar em que Jesus Cristo permaneceu após a sua morte e até a ressurreição, não foi o Hades, mas o céu (ou o Paraíso),81 o lugar de santa bem-aventurança e gozo!

Além disso, quando Jesus Cristo estava para morrer, ele disse que todo o seu sofrimento pela redenção do pecador estava no final. Jesus exclamou: “Está consumado” (Jo 19.30). Ele não teria que descer ao Hades para fazer qualquer pagamento, nem terminar sua obra de evangelização ou mesmo proclamar a sua vitória. Toda a obra de redenção e de proclamação pessoal do Redentor havia cessado.

d. Quando ele pregou?

A preocupação do texto de 1 Pedro 3.18-20 não é o que Cristo fez entre a morte e a ressurreição, mas o que ele fez no seu estado pré-encarnado (de poder e de não-limitação) no reino espiritual, no tempo de Noé.82 

O texto diz que ele, “vivificado em espírito,” isto é, em espírito poderoso (não em fraqueza e humilhação, como foi o caso da sua vida entre nós), “também foi e pregou aos espíritos em prisão.” Foi nesse mesmo espírito de poder ou de existência poderosa e ilimitada que ele pregou. A palavra “também” (do verso 19) define uma outra época, não após a morte e antes da ressurreição. Esse Redentor foi e pregou aos contemporâneos de Noé. Nesse espírito, isto é, nesse estado de poder é que ele também foi e pregou aos espíritos em prisão, que viviam escravizados no tempo em que Noé pregou. Isto está comprovado pelo fato de, nessa mesma carta, Pedro dizer que o espírito de Cristo, que é a sua natureza divina ilimitada e cheia de poder, estava presente nos pregadores, ou profetas, dos tempos antigos (1 Pe 1.11).

e. O que ele pregou?

Pode ser perfeitamente deduzido do contexto dessa Epístola de Pedro que Jesus Cristo pregou o evangelho aos contemporâneos de Noé. Espiritualmente, Cristo estava presente em Noé quando este era o “pregoeiro da justiça,” pois o mesmo Pedro menciona a salvação da qual os profetas falaram, “investigando atentamente qual a ocasião ou quais as circunstâncias oportunas, indicadas pelo Espírito de Cristo, que neles estava, ao dar de antemão testemunho sobre os sofrimentos de Cristo, e sobre as glórias que os seguiriam” (1 Pe 1.11). Esse verso indica que Pedro admite que Noé era um profeta, ou seja, um “pregador da justiça” (2 Pe 2.5), em quem e através de quem Jesus Cristo pregou. O conteúdo da mensagem não foi de condenação final. Portanto, podemos afirmar com certeza que o conteúdo da pregação do “espírito vivificado,” através de Noé, era de salvação do juízo de Deus que haveria de vir sobre o mundo ímpio. Noé certamente pregou aos seus contemporâneos para que se arrependessem e cressem na libertação divina através da arca, pela qual apenas oito pessoas foram salvas (v. 20).83 

f. Quem são os espíritos aprisionados?

A frase “espíritos em prisão” sozinha não define a matéria, mas quando a examinamos à luz das frases que vem a seguir, podemos ter uma noção clara do que Pedro está falando.

De acordo com o texto de 1 Pedro 3.18-20 e seu contexto, não há nenhuma possibilidade razoável de que a expressão “espíritos em prisão” não se refira aos desobedientes do tempo de Noé. O texto não fala de justos que foram para o Hades, nem de anjos aprisionados, como querem alguns, mas de pessoas que, noutro tempo, rejeitaram a pregação de Noé, e que eram consideradas “espíritos em prisão,” incapazes de fazerem quaisquer coisas por si mesmas para a sua própria salvação. Se cremos que Cristo pregou através do seu espírito ilimitado, e creio que o fez, as únicas pessoas mencionadas são essas: os contemporâneos de Noé. Ninguém mais. Obviamente que, nesse sentido, Cristo não foi ao inferno. Os espíritos em prisão são unicamente indivíduos que viveram nos tempos de Noé, que não foram salvos e que, por causa de seu cativeiro em cegueira espiritual, permaneceram incrédulos quanto à mensagem de Noé. Embora possamos crer que estavam em prisão (sob condenação) quando Pedro escreveu a carta, todavia, já eram prisioneiros de sua cegueira espiritual quando a mensagem de Noé lhes chegou aos ouvidos, porque eram escravos da desobediência. Foi a esses que Cristo pregou através de Noé.

Portanto, a passagem de 1 Pedro 3.18-20 não fala de uma viagem de final-de-semana de Jesus Cristo ao inferno, mas refere-se a uma pregação feita pelo espírito de Cristo, que é o espírito vivificado, através de Noé (1 Pe 1.11), aos seus contemporâneos (2 Pe 2.5), que eram homens desobedientes e, portanto, aprisionados à sua natureza pecaminosa. Além disso, eles agora estavam presos no inferno, sob condenação (pelo fato de terem sido desobedientes no tempo de Noé) quando Pedro escreveu essas palavras.84 

3. A Doutrina do Hades nos Símbolos de Fé Reformados

a. O que a fé reformada rejeita

A fé reformada rejeita qualquer noção de descida literal de Jesus ao Hades após a sua morte e antes da sua ressurreição. Embora estivesse sob “o estado de morte”85 até a sua ressurreição, ele não passou um fim-de-semana num lugar chamado Hades.

A fé reformada rejeita qualquer possibilidade da pregação de uma segunda oportunidade de salvação feita por Jesus, pelos apóstolos ou por outros santos quaisquer no Hades, depois de sua morte. A morte de todos os apóstolos e crentes é a abertura para a sua entrada no céu, é o descanso das suas fadigas desta vida, e não o trabalho penoso de evangelizar no inferno. De modo contrário, a morte de todos os ímpios é o selo do seu destino eterno. Não há mais qualquer oportunidade de redenção após a morte.

A fé reformada rejeita a idéia luterana de que Jesus Cristo teria descido ao Hades para proclamar a sua vitória (sendo esse o primeiro estágio de sua exaltação), porque de acordo com as Escrituras e os seus símbolos de fé, a exaltação de Jesus Cristo começa com a sua ressurreição, que é a sua vitória sobre a morte!

A fé reformada rejeita qualquer noção de que os crentes do Antigo Testamento estivessem cativos no Hades, e de que Jesus Cristo lá desceu para libertá-los, usando-se Efésios 4.8-9 como texto-prova para justificar tal posição. A Escritura ensina que os crentes do Antigo Testamento não foram para o Hades após a sua morte, mas foram estar com Deus (Sl 73.23-24), como é também o ensino do Novo Testamento. As Escrituras afirmam que aqueles que morrem têm os seus corpos sepultados e seus espíritos voltam para Deus, que os deu (Ec 12.6-7). Elas também afirmam que Elias, Enoque e Moisés estão no céu com Deus, e não no Hades (Gn 5.24; 2 Rs 2.11; Lc 9.29-32).

A fé reformada rejeita que Satanás possuía as “chaves” da morte, do inferno e da sepultura, e que Jesus desceu ao Hades para tomá-las dele. Não há qualquer sugestão nas Escrituras de que essas coisas pertençam a Satanás. Falando sobre Jesus Cristo (conforme a interpretação joanina no Apocalipse), Isaías diz que a chave do senhorio do universo pertence a Jesus Cristo (Is 22.21-22 e Ap 3.7). Há somente outros dois versos da Escritura que mencionam as chaves, e Satanás nunca é associado a elas. O primeiro texto diz que a “chave do reino dos céus” foi entregue por Jesus aos apóstolos (Mt 16.19) e o segundo afirma que as chaves da “morte e do inferno” pertencem a Jesus Cristo (Ap 1.18). Somente o Senhor possui as chaves da morte e do inferno. Ninguém mais!

b. O que a fé reformada aceita

A fé reformada também aceita o Credo Apostólico como expressão da fé genuína dos pais da igreja. Contudo, o entendimento dos reformados com respeito ao Hades é diferente do de muitos cristãos evangélicos. Os símbolos de fé reformados explicam o sentido da expressão “desceu ao Hades,” inserida no Credo de Aquiléia no quarto século, como uma expressão substitutiva para descrever o que aconteceu a Jesus Cristo, como nosso representante, na cruz.

Observe-se a resposta à pergunta 44 do Catecismo de Heidelberg:

P. Por que se acrescentou: “Ele desceu ao Hades”?

R. Para que em minhas maiores tribulações eu possa estar seguro de que Cristo, meu Senhor, através de indizíveis terrores, dores e angústias que sofreu em sua alma na cruz e antes dela, redimiu-me da angústia e dos tormentos do inferno.

Veja-se a resposta do Catecismo Maior de Westminster à pergunta 50:

P. Em que consistiu a humilhação de Cristo depois da sua morte?

R. A humilhação de Cristo, depois da sua morte, consistiu em ser ele sepultado, em continuar no estado dos mortos e sob o poder da morte até ao terceiro dia, o que, aliás, tem sido expresso nestas palavras: Ele desceu ao inferno (Hades).

De maneira diferente do Catecismo de Heidelberg, o Catecismo de Westminster interpreta o Hades como sendo sepultura ou, ainda melhor, o estado de morte.

Contudo, entre os escritores reformados prevalece a idéia dos símbolos combinados. A significação de Hades, no Credo Apostólico, é a de que Jesus Cristo experimentou a condenação divina que se evidencia na humilhação de morrer e ser sepultado, ficando sob o poder da morte, mas tais escritores incluem, sobretudo, os seus sofrimentos agonizantes antes e durante o tempo que passou na cruz. Experimentar o inferno é experimentar o doloroso abandono da presença confortadora de Deus. Foi exatamente isso que Cristo experimentou. A ira de Deus desceu sobre o Filho encarnado e se manifestou não somente nas dores infernais do seu corpo, mas também nas angústias infernais que se apoderaram de sua alma. Portanto, Jesus nunca desceu ao Hades literal e espacialmente, mas experimentou intensivamente todas as coisas que o Hades representa, descritas acima. Ele experimentou o inferno antes da morte e na própria morte, mas nunca depois dela, numa viagem de final-de-semana a um lugar chamado Hades.

Por causa da experiência infernal que Cristo teve em face do juízo divino, aqueles por quem ele morreu são libertos para sempre da condenação do inferno. É esse o sentido que os reformados dão para a frase descendit ad inferna. Nessa obra libertadora de Jesus Cristo nos regozijamos e por ela a Deus bendizemos!

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*    O autor é ministro presbiteriano e professor. Obteve o seu doutorado (Th.D.) na área de Teologia Sistemática no Concordia Theological Seminary, em Saint Louis, Missouri, Estados Unidos.

1      Essa tradução opcional está no rodapé do texto de Almeida, Versão Revista e Atualizada, e tem o apoio de alguns estudiosos recentes, como é o caso de Wayne Grudem em seu artigo “He Did not Descend Into Hell: A Plea for Following Scripture Instead of the Apostle’s Creed,” Journal of the Evangelical Theological Society 34/1 (Março 1991), 108.

2      Herman Witsius, Dissertations on The Apostle’s Creed, vol. II, reimpressão (Presbyterian and Reformed Publishing Company, 1993), 140.

3      Citado por W. G. T. Shedd, Dogmatic Theology, vol. II (Nova York: Charles Scribner’s Sons, 1889), 604.

4      Desde o século IX, o Credo Atanasiano tem sido atribuído a Atanásio (297-373), o bispo de Alexandria e o principal defensor da divindade de Cristo e da doutrina ortodoxa da trindade. Todavia, desde o século XVII, abandonou-se entre católicos e protestantes a idéia de Atanásio como o seu autor. A origem desse credo remonta à igreja latina da escola de Agostinho, provavelmente na Gália ou norte da África (ver Philip Schaff, The Creeds of Christendom [Grand Rapids: Baker:1990], Vol. I, 35-36).

5      Witsius, Dissertations, 141.

6      J. N. D. Kelly, Early Christian Creeds (Essex, England: Longman House, 1986), 379.

7      Ver ibid., 379.

8      Ibid., 380.

9      Neste artigo, não examino as interpretações recentes de grupos neo-pentecostais ou carismáticos. Se o leitor quiser alguma informação a respeito, pode consultar o capítulo “Redemption in Hell” do livro de Hank Hanegraaff Christianity in Crisis (Eugene, Oregon: Harvest House Publishers, 1993), 163-167.

10     Richard A. Muller, Dictionary of Latin and Greek Theological Terms (Grand Rapids: Baker, 1986), 178, 253.

11     Dewey D. Wallace, Jr. “Puritan and Anglican: The Interpretation of Christ’s Descent Into Hell in Elizabethan Theology,” Archiv Für Reformationsgeschichte 69 (1978), 250-51.

12     Wallace, Jr., “Puritan and Anglican,” 256.

13     John Ayre, ed., The Catechism of Thomas Becon…With Other Pieces by Him in the Reign of King Edward the Sixth, Parker Society nº 3 (Cambridge: Cambridge University Press, 1844), 33.

14     Ibid., 258, nota 48.

15     Ibid. Ver John Ayre, ed., Prayers and Other Pieces of Thomas Becon, Parker Society nº 4 (Cambridge: Cambridge University Press, 1844), 139.

16     Wallace, Jr., “Puritan and Anglican,” 257.

17     Eram os partidários da Reforma que desejavam uma mudança mais drástica com respeito aos costumes e práticas da religião católica do que havia acontecido nos termos de Lutero, Zuínglio e Calvino.

18     Um diplomata aristocrático alemão e teólogo leigo que teve conflitos teológicos com Lutero, Calvino e Zuínglio a respeito de disciplina eclesiástica, cristologia e Santa Ceia (ver J. D. Douglas, ed., The New International Dictionary of the Christian Church [Grand Rapids: Zondervan, 1978], 888).

 19     Kaspar Schwenckfeld, Corpus Schwenckfeldianorum, vol. 10 (Leipzig, 1907-1961), 364 (citado por Jerome Friedman, “Christ’s Descent into Hell and Redemption Through Evil: A Radical Reformation Perspective,” Archiv für Reformationsgeschichte 76 [1985], 220).

20     Ibid. (citado por Jerome Friedman. “Christ’s Descent Into Hell,” 220).

21     Friedman, “Christ’s Descent Into Hell,” 222.

22     Ibid., 222.

23     Ibid.

24     “O descensus foi realizado por um Jesus humano, antes que por um ser divino, e foi dirigido… como um exemplo para toda a raça humana, para despertar a devoção a Cristo e como condição para se ressuscitar com Jesus” (Ibid., 222).

25     Brilhante médico espanhol. Interessado em teologia, escreveu sobre a Trindade e sobre cristologia. Foi acusado de heresia por católicos e protestantes, sendo morto em Genebra em 27-10-1553, após ter sido condenado pelo Conselho da cidade.

26     Friedman, “Christ’s Descent Into Hell,” 222.

27     “O corpo de Cristo é em si mesmo o corpo da divindade, e sua carne é divina, a carne de Deus, o sangue de Deus. A carne de Cristo foi gerada da substância celestial de Deus” (Ibid., 222-23).

28     Ibid., 226.

29     Ibid., ver pp. 227-229.

30     Essas informações sobre Serveto são encontradas em sua obra Christianismi Restitutio (Vienne, 1553), 621-622 (citada por Friedman, Ibid., 227-228).

31     Friedman, “Christ’s Descent Into Hell,” 228.

32     Ibid., 228.

33     Ibid.

34     Ibid., 229.

35     The Book of Concord, ed. Theodore G. Tappert (Filadélfia: Fortress Press, 1988), 492.2.

36     “Algumas vezes ele fala de maneira muito livre e em termos mitológicos de Cristo indo ao inferno, dominando e despojando Satanás; mas ele próprio reconhecia o caráter metafórico de tal linguagem e em outro lugar discutiu a descida como sendo primariamente uma experiência espiritual mais interior da alma de Cristo (sem negar, contudo, que houve uma descida literal).” (Wallace, Jr., “Puritan and Anglican,” 252). Ver também Friedrich Loofs, “Descent to Hades,” Encyclopedia of Religion and Ethics, ed. James Hastings (Nova York: Charles Scribner’s, 1924), IV, 656-657.

37     Wallace, Jr., “Puritan and Anglican,” 252.

38     Ibid., 253.

39     The Book of Concord, 492.4.

40     Ibid., 610.2.

41     Em seu sermão no Castelo de Torgau, em 1533. Ver a “Fórmula de Concórdia,” no Livro de Concórdia, 610.1.

42     Citado por Gotthilf Doehler, “The Descent into Hell,” The Springfielder 39 (Junho 1975), 16.

43     Martin Bucer, o reformador de Estrasburgo, e Leo Jud, um colega de Zuínglio, disseram que o descensus significava que Cristo estava verdadeiramente morto, tendo descido à sepultura (Wallace, Jr., “Puritan and Anglican,” 253, 254 [nota 24]).

44     Isto foi sustentado por Jerônimo Zanchi, que trabalhou em Estrasburgo e Heidelberg (Ibid., 254, nota 25). Assim também afirma o Catecismo Maior de Westminster, pergunta 50.

45     João Calvino, Institutas, 2.16.8-12.

46     Later Writings of Bishop Hooper, Together with his Letters and Other Pieces, ed. Charles Nevinson, Parker Society nº 21 (Cambridge: Cambridge University Press, 1852), 30 ([citado por Wallace, Jr., “Puritan and Anglican,” 258]).

 47 Citado por Theodore Engelder, “The Argument in Support of the Hades Gospel,” Concordia Theological Monthly 16 (1945), 380.

48     Citado por Engelder, Ibid., 382.

49     Edward H. Plumptre, The Spirits in Prison and Other Studies on the Life After Death (Londres: Isbister, 1898), 111, 114. Citado por Engelder, “Argument in Support of the Hades Gospel,” 382.

50     J. Paterson-Smith, The Gospel of the Hereafter (Nova York: Fleming H. Revell, 1910), 66.

51     The Pulpit Commentary, eds. H. D. M. Spence e Joseph S. Exell (Nova York: Funk & Wagnalls,1890), 135.

52     Ver Plumptre, The Spirits in Prison, 98 (citado por Engelder, “The Argument in Support of Hades Gospel,” 383, nota 5).

53     Luckock, The Intermediate State, 144 (citado por Engelder, 383, nota 5).

54     Informação do The Expositor’s Greek Testament, ed. W. Robertson Nicoll (Nova York: George H. Doran, 1897), 59.

55     Luckock, The Intermediate State, 101 (citado por Engelder, 385).

56     Edward Irving (1792-1834), um escocês, foi pregador assistente de Thomas Chalmers em Glasgow. Tornou-se profético e apocalíptico em sua pregação. Cria que a natureza humana de Jesus era pecadora, mas Cristo não pecou por causa da habitação do Espírito Santo. Por causa de suas idéias heterodoxas, foi privado de pregar pelo Presbitério de Annan. Cria que os dons sobrenaturais apostólicos haviam sido restaurados no seu tempo. Foi uma espécie de precursor do movimento carismático (ver New Dictionary of Theology, ed. Sinclair Ferguson [Downers Grove, Illinois: Intervarsity Press, 1989], 342).

57     Popular Symbolica, 326 (citado por Engelder, 385-86).

58     W. Ziethe, Das Lamm Gottes, 729 (citado por Engelder, 385).

59     Luckock, The Intermediate State, 101, 186 (citado por Engelder, 386-87).

60     Paterson-Smith, The Gospel of the Hereafter, 153, 155.

61     Citado por Engelder, “Argument in Support of the Hades Gospel,” 388.

62     Citado por Robert F. Horton em sua obra Revelation and the Bible: An Attempt at Reconstruction, 2ª ed. (Nova York : Macmillan, 1893), 87.

63     F. W. Farrar é autor de um dos livros clássicos sobre a história da interpretação da Bíblia. Ver History of Interpretation, reimpressão(Grand Rapids: Baker, 1961).

64     Citado por Engelder, “Argument in Support of the Hades Gospel,” 389-90.

65     Ibid., 393-94.

66     Martin Scharlemann, “He Descended into Hell,” Concordia Theological Monthly 27 (1956), 84.

67     Na interpretação luterana, a palavra grega zwopoihqei\j (traduzida como “vivificado”) não é equivalente à ressurreição, mas “aponta para algo que foi feito a Jesus. Ela refere-se inconfundivelmente a um ato específico de Deus pelo qual o Senhor foi trazido à vida… Nem todos os eruditos concordam que essa ação deva ser entendida com referência à ressurreição no seu sentido estrito. Há aqueles que restringem a palavra nesse ponto à vivificação, que é distinta da ressurreição no sentido de que a ressurreição foi uma exibição pública do fato de ele ter voltado à vida. Em muitas passagens do Novo Testamento, esta distinção pode ser feita. Contudo, em Efésios 2.5-6 o apóstolo aponta para a diferença entre despertar e ressuscitar. Tal distinção nos conduziria a crer que nós poderíamos propriamente, com base no Novo Testamento, separar a vivificação da ressurreição para o propósito de cronologia e clarificação daquilo que aconteceu na manhã do dia de páscoa” (Ibid., 87-88).

68     Ibid., 88.

69     Ibid., 88. Contudo, essa interpretação dada por Scharlemann tropeça no fato de que o retornar à vida da filha de Jairo é igual à ressurreição, o que não aconteceu com Jesus Cristo.

70     Ibid., 89.

71     Ibid., 90.

72     Citado por John T. Mueller no Concordia Theological Monthly 18 (1947), 615.

73     Martin Scharlemann, “He Descended into Hell – An Interpretation of 1 Peter 3.18-20,” Concordia Theological Monthly 27 (1956), 91.

74     Ibid.

75     Ibid.

76     Ibid., 92.

77     Ibid., 93.

78     Como, por exemplo, em 2 Coríntios 7.1.

79     Uma interpretação alternativa seria entender a expressão “morto na carne” como uma referência à morte física e traduzir a expressão zwopoihqei£/j… pneu/mati por “vivificado pelo Espírito,” ao invés de“vivificado no espírito.” A construção gramatical é possível, visto que pneumati pode ser tanto locativo como instrumental. Assim, o pneumati aqui referido é o Espírito Santo, e a vivificação, uma referência à ressurreição de Cristo pelo Espírito Santo. E foi pelo Espírito Santo e através de Noé que o Cristo pré-encarnado pregou aos desobedientes nos dias daquele patriarca (1 Pe 1.11).

80     Esse é o mais alto dos céus, que equivale ao lugar da plena companhia divina, como era no paraíso original. Paulo, numa experiência ímpar, viu esse lugar glorioso da presença de Deus, para onde vão os remidos em Cristo Jesus (ver Charles Hodge, A Commentary on 1 & 2 Corinthians (Edimburgo: Banner of Truth, 1978), 658.

81     Ver At 3.21.

82     Ver Wayne Grudem, “He Did Not Descend Into Hell,” 110.

83     Ver o comentário de Wayne Grudem, 1 Peter, Tyndale New Testament Commentaries (Grand Rapids: Eerdmans, 1990), 160.

84     Para um tratamento mais amplo dessa matéria, ver o comentário de Wayne Grudem, I Peter, 203-239.

85    É importante observar que Pedro fala em seu discurso de Atos 2 que Jesus Cristo esteve no Hades, mas Hades aqui tem um sentido muito diferente. Citando o Salmo 16.8-11, referindo-se ao seu estado após a morte, Pedro coloca na boca de Redentor as seguintes palavras: “… porque não deixarás a minha alma na morte, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção” (At 2.27). A palavra “morte” no grego é Hades. E Hades aqui significa estado de morte, não somente sepultura. Ela é a tradução do salmo onde o escritor usa a palavra hebraica equivalente, sheol. Durante esse estado de morte (Hades), isto é, durante o tempo em que o seu corpo ficou separado de sua alma, o corpo de Jesus estava na sepultura e sua alma estava com seu Pai no paraíso ou céu.

Fonte:http://www.thirdmill.org/files/portuguese/13874~9_19_01_10-42-34_AM~heber1.htm

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sangue no altar7

A última moda da Universal é fazer sacrifício no altar com direito a sangue e tudo!

apologéticaA última moda da Universal é fazer sacrifício no altar com direito a sangue e tudo!

sangue no altar

Irmãos,O que vocês vão ver agora causa profunda revolta. Principalmente, por ocorrer num local onde há o nome de nosso Senhor e Salvador na porta. Eu não consegui terminar de escrever este texto sem chorar.A simbologia por trás deste ritual é uma mistureba completa. Faz uma simulação de passagem nos átrios do templo, da via crucis – ou via dolorosa -, passa por idolatria despropositada de água e óleos e culmina na mais descabida heresia da simulação de um sacrifício em um altar (na verdade, uma coluna para sacrifício, como a de Jacó) com direito a sangue falso e tudo.

Qualquer pessoa que tenha entendimento o bastante para ter aceitado Jesus Cristo como seu Salvador, há de ter compreendido ao confessá-Lo como Senhor que:Cristo, o nosso Sumo Sacerdote, é “santo, inculpável, sem mácula, separado dos pecadores. Que não tem necessidade, como os sumos sacerdotes, de oferecer todos os dias sacrifícios, primeiro, por seus próprios pecados, depois, pelos do povo; porque fez isto uma vez por todas, quando a si mesmo se ofereceu” (Hebreus 7:26-27). Cristo, por meio de seu sangue, entrou no lugar santo do céu, tendo obtido para nós a redenção eterna e agora apresenta-se a nosso favor diante da face de Deus (Hebreus 9:12, 24). O resultado da expiação é nossa redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados” (Efésios 1:7). Na verdade, ele “nos ama, e, pelo seu sangue, nos libertou dos nossos pecados” (Apocalipse 1:5). Onde há remissão de pecados, “já não há oferta pelo pecado” (Hebreus 10:18), porque Cristo é a propiciação pelos nossos pecados, o meio pelo qual Deus se reconcilia ao homem pecador (1 João 2:2).

Também há de perceber que o simulacro de sacrifício visto nestas cenas – e não estranhe se em breve cordeiros forem sacrificados neste mesmo altar – constitui extrema ofensa!

Que o Senhor tenha piedade dos que são incapazes de entender isto, e que venha a Sua ira a fulminar esta cambada de sacerdotes estelionatários da IURD!

O esquema passo a passo


As luzes se apagam e a música emocionante toca!

sangue no altar1
O povo se junta na entrada dos átrios . O berrante de crente toca e a turma anda

 

sangue no altar2

Cada átrio tem um nome de uma causa impossível (emprego, casa própria, marido corno, espinhela caída… São 30 átrios…
sangue no altar3

O último é SUCESSO! (do bispo, claro!)

sangue no altar4

Agora deixa a grana ai…

sangue no altar5

Aqui faz igual na igreja católica. Molha o dedinho na água. Não! Igual não! São 7 tipos de água – do rio, do mar, da chuva, da cachoeira, do lago, do filtro, da fonte e da chuva …

sangue no altar6

No palco, fazendo a fila andar – para o gasofilácio, claro – estes dois camaradas vestidos de sacerdotes saduceus

curral do macedão7Para finalmente, chegarmos ao ápice desta atrocidade. O sacrifício: Para cada clamor do povo é simulado um sacrifício, com direito a derramar sangue cenográfico e tudo em cima da coluna de sacrifício.

Repare ainda o “bater cabeça” que é outro ritual do candomblé e do satanismo em geral…
sangue no altar7

Vós sois do diabo, que é vosso pai, e quereis satisfazer-lhe os desejos. Ele foi homicida desde o princípio e jamais se firmou na verdade, porque nele não há verdade. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira.” João 8:44

Que o Espirito de Deus nos conforte,

Maranata!

Danilo Fernandes para o Genizah

 

Fonte: http://www.genizahvirtual.com/2009/11/ultima-moda-da-universal-e-fazer.html

 

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Chegada da Arca da Aliança No Carro de Bombeiros em Belo Horizonte-MG

apologética arca em bhChegada da Arca da Aliança No Carro de Bombeiros em Belo Horizonte-MG

Mais uma da Igreja do Evangelho Quadrangular!

Foi batido o recorde: A maior blasfêmia da igreja evangélica brasileira

Porque há muitos desordenados, faladores, vãos e enganadores,principalmente os da circuncisão, aos quais convém tapar a boca; homens que transtornam casas inteiras ensinando o que não convém, por torpe ganância. - Tito 1:10-11

A esse cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás, com todo o poder, e sinais e prodígios de mentira,E com todo o engano da injustiça para os que perecem, porque não receberam o amor da verdade para se salvarem.E por isso Deus lhes enviará a operação do erro, para que creiam a mentira;Para que sejam julgados todos os que não creram a verdade, antes tiveram prazer na iniquidade.Mas devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados do Senhor, por vos ter Deus elegido desde o princípio para a salvação, em santificação do Espírito, e fé da verdade;
Para o que pelo nosso evangelho vos chamou, para alcançardes a glória de nosso Senhor Jesus Cristo.
Então, irmãos, estai firmes e retende as tradições que vos foram ensinadas, seja por palavra, seja por epístola nossa.

2 Tessalonicenses 2:9-15

Este é um feito de escarnecimento do sacrifício salvífico de nosso Senhor apenas comparável a este outro disparate aqui: 

- A última moda da Universal é fazer sacrifício no altar com direito a sangue e tudo!  

O templo dos Anjos, em Belo Horizonte, ou a comunidade da prosperidade, como também se identificam é o Aceldama do evangelicalismo brasileiro. O campo do sangue. O preço de Judas Iscariotes.

Na minha modesta opinião, pisar naquele lugar é maldição na vida de qualquer pessoa. É retornar ao vômito. É se abraçar apertado com o diabo. Eu preferia entrar em um meretrício de endemoniadas a passar na vizinhança daquele lugar maldito. Seja anátema!

Em tempo: O uso de um caminhão do Corpo de Bombeiros em uma manifestação de estelionato religioso deveria ser investigado pelo poder público. Rogo aos homens de Deus de Minas Gerais investidos de qualquer recurso nesta seara que entrem com denuncia junto ao ministério público para a apuração deste que perece ser o uso indevido do patrimônio público, um indicio claro de corrupção. É preciso deixar claro que os evangélicos são gente de bem e repudiam este tipo de comportamento.

Danilo Fernandes para o Genizah

Fonte: http://www.genizahvirtual.com/2014/01/foi-batido-o-recorde-maior-blasfemia-da.html

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