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A graça de Deus e Mefibosete

A GRAÇA DE DEUS E MEFIBOSETE

A graça de Deus e MefiboseteA GRAÇA DE DEUS E MEFIBOSETE

“Disse Davi: Resta ainda, porventura, alguém da casa de Saul, para que use eu de bondade para com ele, por amor de Jônatas? Havia um servo na casa de Saul cujo nome era Ziba; chamaram-no que viesse a Davi. Perguntou-lhe o rei: És tu Ziba? Respondeu: Eu mesmo, teu servo. Disse-lhe o rei: Não há ainda alguém da casa de Saul para que use eu da bondade de Deus para com ele? Então, Ziba respondeu ao rei: Ainda há um filho de Jônatas, aleijado de ambos os pés.” II Sm 9:1-3

 Alguém já disse que graça de Deus é presente dado sem que mereçamos.

A graça portuguesa vem do latim Gratus, agradável, amável.
Dentro da teologia cristã, a “graça” vem indicar o favor divino; gratuitamente oferecido, com base na missão de Cristo, recebida através da confiança humana na palavra de Cristo.
O vocábulo: No grego é ‘charis’. A palavra traduzida por “graça” envolve muitos sentidos. Significa:Graciosidade, atrativos, favor, cuidados ou ajuda graciosa, boa vontade, dom gracioso.
Esse texto é um relato de graça e favor imerecido, do Rei Davi para com Mefibosete, filho de Jônatas, homem mui amado de Davi, que tempos atrás havia feito uma aliança com Jônatas de fidelidade e bênção.
É uma história semelhante a que Deus o Rei dos reis (Davi), por causa de seu amor ao filho (Jônatas), abençoa os homens (Mefibosete), apesar de seus pecados.
UM CORAÇÃO TRANSBORDANTE DE GRAÇA
Davi, um vencedor, todas as batalhas foram por ele ganhas, ficou muito rico e abastado.
Uma pergunta graciosa. “ Resta ainda, porventura, alguém da casa de Saul., para que use eu de bondade para com ele, por amor de Jônatas” II Samuel 9:1
Davi havia feito uma aliança de amor e fidelidade perpétua com Jônatas e sua posteridade. I Sm 20:13-17
O termo amor, usado por Davi, vem do hebraico “hesed”, que significa: Misericórdia, bondade, amor permanente, firme, imutável.
Um servo depreciador: Ziba. “ Disse-lhe o rei: Não há ainda alguém da casa de Saul para que use eu de bondade de Deus para com ele? Então Ziba respondeu ao rei: Ainda há um filho de Jônatas, aleijado de ambos os pés.” (II Samuel 9:3)
Davi não estava perguntando as propriedades físicas do indivíduo; se perneta, aleijado, bom, se era rico, pobre, ou merecedor da graça; o que ele queria era oferecer, presentear Mefibosete.
Um aleijado em Lo-debar. Em hebraico significa: um lugar árido; em português, o nome pode significar:terra onde não há pasto. É como se o servo de dissesse que o filho de Jônatas estava vivendo no sítio de completa aridez; aonde não havia colheitas, despovoado, um deserto.
Buscando o aleijado. (II Samuel 9:5) “… mandou o rei Davi trazê-lo de Lo-debar…”
Mefibosete recebeu o convite e aceitou ir a até o Rei. ( Mt 22:1-14)
Palavras consoladoras de Davi para com Mefibosete, um servo desconfiado. “Não temas, porque usarei de bondade para contigo por amor de Jônatas, teu pai…” II Samuel 9:7
Auto-depreciação. “ … Quem é teu servo, para teres olhado para um cão morto tal como eu? II Samuel 9:8
- ‘ Eu, um zé mané; eu vivo na miséria, ninguém liga pra mim; eu não sirvo pra nada, eu sou pobre. Quem sou eu?!? Pobre só serve para sofrer.
Uma dádiva imerecida. De fato, Mefibosete não tinha feito nada que ganhasse este presente. Mas, houve uma promessa entre Davi e Jônatas. Aquele dia era dia de graça, e Mefibosete por ser filho de Jônatas, era o receptor da graça de Davi. “… Por amor de Jônatas..”
O que ele ganhou: Terrenos, casas, servos, riquezas, e o direito de comer na mesa do rei, junto com seus filhos. II Samuel 9:10,11 ( Sl 113:7-9)
AS COMPARAÇÕES DA GRAÇA DE DEUS EM NOSSAS VIDAS
Mefibosete, antes tinha a companhia do Pai. Mefibosete lembra Adão e sua descendência, um dia ele era perfeito, porém caiu em pecado e ficou marcado para toda a vida. Rm. 5:12
Deus  (Davi) por amor de Jesus  (Jônatas), estendeu a sua graça aos homens ( Mefibosete) através da cruz; seu amor foi manifesto. ( Jo 3:16)
Mefibosete, aleijado, nada fez e nada merecia. “ Pela graça sois salvo, mediante a fé e isso não vem de vós, é dom de Deus, não de obras, para que ninguém se glorie.” Ef 2:8
Devemos humildemente receber a graça de Deus através de Jesus Cristo, nosso Salvador.
O rei removeu o aleijado de sua miserável existência, de um lugar árido e desolado para um lugar de comunhão, riqueza e honra.
O Deus nosso pai, faz o mesmo por nós, Ele nos liberta de nosso ‘Lo-debar’ pessoal de miséria e depravação e nos leva para um lugar de bênção, de honra e riqueza; a comunhão com Ele, comendo as iguarias  do rei, e sentando ao lado de seus filhos: os príncipes de Deus.
O ato de coxear, era a marca, a lembrança constante de que Mefibosete, nada valia, e que a graça de Deus, é que foi abundante na sua vida.
“ Porque onde abundou o pecado, superabundou a graça.” Rm 5:15-17
Mefibosete sentou-se à mesa, junto com outros filhos do rei: Salomão, Absalão…;
Somos convidados a sentarmos juntamente com  os filhos de Deus, os heróis: Paulo, Pedro, Tiago, Barnabé, Priscila, Febe, Maria, Lucas, Mártires, reformadores, evangelistas…”.
A vida de Mefibosete, é semelhante a nossa, Deus tem oferecido a humanidade a sua graça, o seu amor e sua misericórdia.
Mefibosete, foi convidado para receber essa graça, aceitou e sentou-se  ao lado de príncipes, filhos do rei.
Jônatas um tipo de Jesus, e Mefibosete, somos nós, com nossas marcas e imperfeições, mas, Deus tem tido misericórdias de nós. Ele nos salvou pela sua infinita graça. “… Pela graça sois salvo…”
Alguns têm rejeitado a graça de Deus. “ Então disse Davi: usarei de bondade para com Hanum, filho de Naas. Como seu Pai usou de misericórdia para comigo…” II Sm 10:2
Os servos enviados como consoladores, saíram envergonhados daquela cidade, por que, o rei e seus súditos, não aceitaram a graça de Davi. Por causa dessa rejeição, sofreram as conseqüências de sua ingratidão.
A graça de Deus tem sido oferecida a todos os homens sem distinção de raça, cor ou nível social, como disse Jesus: “Quem tiver sede venha a mim e beba, quem crer em mim como diz as Escrituras do seu interior fluirão rios de águas vivas”. João 7:37,38
Hoje, é um bom dia para receber a graça de Deus sobre tua vida. Receba e passe a comer a comida de príncipe na mesa do Rei da Glória.
Pr Francisco Nascimento

Fonte: http://pregacoesfn.wordpress.com/

Atenção:
O conteúdo desta página tem objetivo formativo e educacional. OS ARTIGOS AQUI PUBLICADOS SÃO DE INTEIRA RESPONSABILIDADE DE SEUS AUTORES, CITADOS NO FINAL DE CADA ARTIGO. NÃO NECESSARIAMENTE ESTA PRODUÇÃO CONCORDA INTEIRAMENTE COM O ENTENDIMENTO TEOLÓGICO DE CADA AUTOR. TODAVIA, OS PUBLICAMOS COMO FONTE DE CONHECIMENTO E COMO FORMA DE CONTRIBUIR PARA O ALARGAMENTO DO ENTENDIMENTO E A POSSIBILIDADE DE CONHECERMOS VÁRIAS FORMAS DE PENSAR. CABE A CADA LEITOR REFLETIR, À LUZ DA BÍBLIA, SE CONCORDA OU NÃO COM OS POSICIONAMENTOS AQUI EXPRESSADOS. 

1Pe.2.1-5

1Pedro 2.1-5

1Pe.2.1-5
1Pedro 2.1-5

Despojando-vos, portanto, de toda maldade e dolo, de hipocrisias e invejas e de toda sorte de maledicências,
2 desejai ardentemente, como crianças recém-nascidas, o genuíno leite espiritual, para que, por ele, vos seja dado crescimento para salvação,
3 se é que já tendes a experiência de que o Senhor é bondoso.
4  Chegando-vos para ele, a pedra que vive, rejeitada, sim, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa,
5 também vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo.

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1jo.2.7

1João 2.7

1jo.2.71João 2.7

 “Amados, não vos escrevo mandamento novo, senão mandamento antigo, o qual, desde o princípio, tivestes. Esse mandamento antigo é a palavra que ouvistes”.

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1joao.1.1-4

1João 1.1-4

1joao.1.1-41João 1.1-4

“O que era desde o princípio, o que temos ouvido, o que temos visto com os nossos próprios olhos, o que contemplamos, e as nossas mãos apalparam, com respeito ao Verbo da vida
2 (e a vida se manifestou, e nós a temos visto, e dela damos testemunho, e vo-la anunciamos, a vida eterna, a qual estava com o Pai e nos foi manifestada),
3 o que temos visto e ouvido anunciamos também a vós outros, para que vós, igualmente, mantenhais comunhão conosco. Ora, a nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho, Jesus Cristo.
4 Estas coisas, pois, vos escrevemos para que a nossa alegria seja completa”.

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1Coríntios 7 – Instruções sobre casamento

1Coríntios 7 – Instruções sobre casamento

1Coríntios 7 – Instruções sobre casamento1Coríntios 7 – Instruções sobre casamento

Quanto ao que me escrevestes, é bom que o homem não toque em mulher;
2 mas, por causa da impureza, cada um tenha a sua própria esposa, e cada uma, o seu próprio marido.
3 O marido conceda à esposa o que lhe é devido, e também, semelhantemente, a esposa, ao seu marido.
4 A mulher não tem poder sobre o seu próprio corpo, e sim o marido; e também, semelhantemente, o marido não tem poder sobre o seu próprio corpo, e sim a mulher.
5 Não vos priveis um ao outro, salvo talvez por mútuo consentimento, por algum tempo, para vos dedicardes à oração e, novamente, vos ajuntardes, para que Satanás não vos tente por causa da incontinência.
6 E isto vos digo como concessão e não por mandamento.

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1Coríntios 4.10a

1Coríntios 4.10a

1Coríntios 4.10a1Coríntios 4.10a

"Nós somos loucos por causa de Cristo, e vós, sábios em Cristo"

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1CO.1.18

1Coríntios 1.18

1CO.1.181Coríntios 1.18

Certamente, a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus.

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unção

Unção com Óleo – uma reflexão bíblica e histórica

apologética unçãoUnção com Óleo – uma reflexão bíblica e histórica

 

“E vós tendes a unção do Santo, e sabeis tudo” (1Jo 2.20)

“E a unção que vós recebestes dele, fica em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a sua unção vos ensina todas as coisas, e é verdadeira, e não é mentira, como ela vos ensinou, assim nele permanecereis” (1Jo 2.27)

Introdução

Este é um assunto controverso e difícil. E, cabe aqui uma análise teológica sobre as práticas da Igreja quanto a este assunto, levando em conta primeiro e especialmente o que nos informam as Escrituras Sagradas, depois olhando para a história da Igreja, de modo a que possamos ver de que forma este assunto foi tratado no decorrer do tempo, de modo a que possamos avaliar com maior propriedade o que hoje é praticado, e com conhecimento de causa, possamos estabelecer o que deve ser feito quanto à esta importante questão.

A unção nas Escrituras Sagradas

Em vários locais das Escrituras Sagradas encontramos o ato de ungir. Não há como ignorá-lo. Mas, é importante notarmos que invariavelmente o ato de ungir, quando se referindo à área espiritual, sempre teve o objetivo de separar e consagrar.

Há também outros usos para a unção, os quais iremos analisar mais à frente em nosso estudo. Um importante detalhe que pode ser observado nas Escrituras Sagradas é que em momento algum, nenhuma mulher foi ungida para uma tarefa na área espiritual. Não há nenhuma referência a mulheres sendo ungidas seja para o serviço sacerdotal ou para reinar.

Unção de Objetos

Muitos objetos foram separados para serem utilizados no tabernáculo, e como o próprio tabernáculo, eram também ungidos de modo a consagrá-los ao Senhor. A ritualística da unção era usada para se separar e consagrar estes objetos ao uso no culto a Deus.

“E disto farás o azeite da santa unção, o perfume composto segundo a obra do perfumista: este será o azeite da santa unção. (26) E com ele ungirás a tenda da congregação, e a arca do testemunho, (27) E a mesa com todos os seus utensílios, e o candelabro com os seus utensílios, e o altar do incenso. (28) E o altar do holocausto com todos os seus utensílios, e a pia com a sua base. (29) Assim santificarás estas coisas, para que sejam santíssimas; tudo o que tocar nelas será santo.” (Êxodo 30.25-29 ACF)

“Também cada dia prepararás um novilho por sacrifício pelo pecado para as expiações, e purificarás o altar, fazendo expiação sobre ele; e o ungirás para santificá-lo. (37) Sete dias farás expiação pelo altar, e o santificarás; e o altar será santíssimo; tudo o que tocar o altar será santo.” (Êxodo 29.36-37 ACF)

O claro entendimento dos textos acima é que os objetos ungidos se tornavam santos, ou santificados, e também santificadores, pois, tudo o que neles tocasse se tornaria também santo. Hoje temos vários objetos separados para uso específico, durante os cultos a Deus em nossas Igrejas , como púlpitos, mesas, cadeiras, genuflexórios, cálices para a ceia, etc., contudo, não os ungimos para torná-los santos, ou santificadores. Isto se deve à teologia do Novo Testamento, que afirma categoricamente que desde a vinda do Senhor Jesus Cristo, santos são aqueles que são salvos através da redenção pelo Seu sangue derramado na cruz, e pela Sua ressurreição dos mortos:

“Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? (17) Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá; porque o templo de Deus, que sois vós, é santo.” (I Coríntios 3.16-17 ACF)

“Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? (20) Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus.” (I Coríntios 6.19-20 ACF)

O Templo de adoração passou a ser o coração do salvo, não mais um local de tijolos e pedras. O véu do antigo Templo se rasgou no momento em que Jesus Cristo cumpriu sua missão na cruz:

“E eis que o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo; e tremeu a terra, e fenderam-se as pedras;” (Mt 27.51)

Neste momento se estabeleceu uma Nova Aliança: Através de Jesus Cristo passamos a ter acesso direto ao Pai, sem a necessidade de qualquer outra intermediação, sem a necessidade de qualquer sacrifício físico, sem a necessidade de quaisquer obras humanas:

“Porque por ele ambos temos acesso ao Pai em um mesmo Espírito. (19) Assim que já não sois estrangeiros, nem forasteiros, mas concidadãos dos santos, e da família de Deus; (20) Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina; (21) No qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para templo santo no Senhor. (22) No qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus em Espírito.” (Efésios 2.18-22 ACF)

Nenhuma carne é justificada pelas obras da lei. Não cabe, portanto, qualquer ação humana, como a unção de objetos de modo a nos tornarmos santos ou santificados:

“Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo , temos também crido em Jesus Cristo , para sermos justificados pela fé em Cristo, e não pelas obras da lei; porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada.” (Gálatas 2.16 ACF)

Partindo deste princípio, claramente estabelecido pelas Escrituras Sagradas, qualquer objeto que tenha sido feito“santo” através de um processo de unção, ou através de qualquer outro meio ou ação humana, passa a ser objeto de idolatria, e abominação ao Senhor, pois, vilipendia o sacrifício de Jesus Cristo. Sacrifício este feito, de uma vez por todas, na cruz. Ato completo e perfeito na Sua ressurreição, não restando qualquer outra obra a ser feita, não necessitando de qualquer ação adicional.

Deste modo, atribuir-se poder a qualquer objeto inanimado, a qualquer produto ou alimento, é ato de misticismo, sendo deliberado desrespeito para com a divindade do Senhor Jesus, ao qual foi dado todo o poder no céu e na terra:

“E, chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: É-me dado todo o poder no céu e na terra.” (Mateus 28.18 ACF)

Tudo o que desejamos ou precisamos, devemos levar diretamente a Deus, em oração:

“Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças.” (Filipenses 4.6 ACF)

Pedindo sempre em nome de Jesus Cristo, e nunca utilizando fetichismos ou superstições, nada de águas, ou óleos “santos” ou mágicos, ou pedras, ou madeiras, ou qualquer outra coisa criada. Nada deve ser colocado como meio de obtenção de graça, pois o nosso único meio de graça é o Senhor Jesus Cristo:

“Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto em meu nome pedirdes ao Pai ele vo-lo conceda.” (João 15.16 ACF)

Unção de Pessoas

A unção de pessoas era feita, quando com propósitos espirituais, com o objetivo de separar-se esta pessoa para uma tarefa específica, seja enquanto rei, sacerdote ou profeta. É importante também notar que todas estas tarefas eram realizadas em conjunto com o objetivo de guiar o povo de Deus tanto espiritualmente quanto secularmente. Também é importante ver que estas tarefas foram todas assumidas por Jesus Cristo, o ungido de Deus. Assim, Cristo é Sacerdote, Profeta e Rei. Já no Novo Testamento esta ação, a unção de pessoas, foi substituída pela imposição de mãos, a qual outorga autoridade para ministrar, educar e servir, como até hoje é feito na ordenação de pastores e diáconos. Há que se entender, entretanto, que este processo não tem exatamente a mesma significação da unção com óleo de outrora, não há qualquer santificação sendo conferida através deste ato, pois, a santificação ocorre no momento da conversão quando o salvo é selado pelo Espírito de Deus, e não há também qualquer transferência de poder, pois, todo o poder está nas mãos de Jesus Cristo(Mateus 28.18), mas, este ato indica com firmeza que aquele que está sendo ordenado, é reconhecido pela Igreja como tendo sido separado por Deus para esta obra.

Unção de Reis

Os reis eram ungidos como libertadores para o povo de Israel e para governar sobre o povo como seu pastor:

“Amanhã a estas horas te enviarei um homem da terra de Benjamim, o qual ungirás por capitão sobre o meu povo de Israel, e ele livrará o meu povo da mão dos filisteus; porque tenho olhado para o meu povo; porque o seu clamor chegou a mim.” (I Samuel 9.16 ACF)

Unção de Sacerdotes

Deus instruiu Moisés a ungir sacerdotes, de modo a consagrá-los e reconhecê-los como pessoas separadas para servir a Deus através do sacerdócio. Os sacerdotes julgavam sobre as diferenças entre as pessoas do povo, faziam expiação, santificavam o povo perante Deus, ouviam confissões de pecados, faziam sacrifícios de ação de graças e supervisionava os trabalhos no tabernáculo, entre outras tarefas.

“E vestirás a Arão as vestes santas, e o ungirás, e o santificarás, para que me administre o sacerdócio. (14) Também farás chegar a seus filhos, e lhes vestirás as túnicas, (15) E os ungirás como ungiste a seu pai, para que me administrem o sacerdócio, e a sua unção lhes será por sacerdócio perpétuo nas suas gerações.” (Êxodo 40.13-15 ACF)

Unção de profetas

O ofício profético era estabelecido pelo ato da unção:

“O espírito do Senhor DEUS está sobre mim; porque o SENHOR me ungiu, para pregar boas novas aos mansos; enviou-me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos; (2) A apregoar o ano aceitável do SENHOR e o dia da vingança do nosso Deus; a consolar todos os tristes; (3) A ordenar acerca dos tristes de Sião que se lhes dê glória em vez de cinza, óleo de gozo em vez de tristeza, vestes de louvor em vez de espírito angustiado; a fim de que se chamem árvores de justiça, plantações do SENHOR, para que ele seja glorificado.” (Isaías 61.1-3 ACF)

Não há uma descrição clara nas Sagradas Escrituras sobre como, ou qual, seria o ritual para a unção de profetas, mas, este fato está razoavelmente estabelecido através do texto de Isaías acima citado.

Produtos utilizados

Azeite

O azeite de oliva simboliza uma vida útil e vibrante, sendo símbolo de regozijo, saúde e de qualificações de uma pessoa para o serviço do Senhor:

“Porém tu exaltarás o meu poder, como o do boi selvagem. Serei ungido com óleo fresco.” (Salmo 92.10 ACF)

Ungüento

Gordura misturada com perfumes especiais que lhe davam características muito desejáveis.

Era utilizado para ungir os pés dos hóspedes, simbolizando a alegria pela chegada daquele hóspede, e desejando-lhe boas vindas:

“E Maria era aquela que tinha ungido o Senhor com ungüento, e lhe tinha enxugado os pés com os seus cabelos, cujo irmão Lázaro estava enfermo.” (João 11.2 ACF)

Também como era utilizado no cuidado pessoal com o corpo, pois, é um excelente hidratante:

“Naqueles dias eu, Daniel, estive triste por três semanas. (3) Alimento desejável não comi, nem carne nem vinho entraram na minha boca, nem me ungi com ungüento, até que se cumpriram as três semanas.” (Daniel 10:2-3 ACF)

“Lava-te, pois, e unge-te, e veste os teus vestidos, e desce à eira; porém não te dês a conhecer ao homem, até que tenha acabado de comer e beber.” (Rute 3.3 ACF)

Óleos curativos

O óleo tem poderes curativos, permitindo amolecer feridas e purificá-las. O óleo quando misturado a certas ervas, pode proporcionar medicamentos poderosos para vários males. Não é de surpreender que os médicos em Israel tivessem desde tempos antigos conhecimento destas ervas e da forma de utilizá-las no processo curativo de doentes.

“Desde a planta do pé até a cabeça não há nele coisa sã, senão feridas, e inchaços, e chagas podres não espremidas, nem ligadas, nem amolecidas com óleo.” (Isaías 1.6 ACF)

“E, aproximando-se, atou-lhe as feridas, deitando-lhes azeite e vinho; e, pondo-o sobre a sua cavalgadura, levou-o para uma estalagem, e cuidou dele;” (Lucas 10.34 ACF)

Unguento fúnebre

Este ungüento era utilizado na preparação do corpo para o sepultamento, como parte de um processo de embalsamamento:

“Ora, derramando ela este unguento sobre o meu corpo, fê-lo preparando-me para o meu sepultamento.” (Mt 26.12)

“E as mulheres, que tinham vindo com ele da Galiléia, seguiram também e viram o sepulcro, e como foi posto o seu corpo. (56) E, voltando elas, prepararam especiarias e ungüentos; e no sábado repousaram, conforme o mandamento.” (Lucas 23.55-56 ACF)

Modos de aplicação

Na cabeça

O derramamento de óleo sobre a cabeça de um homem indicava que este homem havia sido separado para uma determinada tarefa a serviço do Senhor.

“Então tomou Samuel um vaso de azeite, e lho derramou sobre a cabeça, e beijou-o, e disse: Porventura não te ungiu o SENHOR por capitão sobre a sua herança?” (I Samuel 10:1 ACF)

“Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos, unges a minha cabeça com óleo, o meu cálice transborda.” (Salmo 23.5 ACF)

“Em todo o tempo sejam alvas as tuas roupas, e nunca falte o óleo sobre a tua cabeça.” (Eclesiastes 9:8 ACF)

Também era usado sobre a cabeça com efeitos cosméticos:

“Em todo o tempo sejam alvas as tuas roupas, e nunca falte o óleo sobre a tua cabeça.” (Eclesiastes 9:8 ACF)

No rosto

A unção do óleo no rosto tinha como objetivo a hidratação, e a proteção contra as forças da natureza:

“E o vinho que alegra o coração do homem, e o azeite que faz reluzir o seu rosto, e o pão que fortalece o coração do homem.” (Salmo 104.15 ACF)

Nos pés

Como já foi dito, este ato estava normalmente relacionado com uma recepção digna e alegre de um hóspede bem-vindo:

“E, estando por detrás, aos seus pés, chorando, começou a regar-lhe os pés com lágrimas, e enxugava-lhos com os cabelos da sua cabeça; e beijava-lhe os pés, e ungia-lhos com o unguento.” (Lucas 7.38 ACF)

Sobre as feridas

Neste caso o óleo é utilizado como medicamento, sendo que através de suas propriedades curativas próprias, ou em combinação com ervas ou outros produtos era deitado sobre as feridas. Há muitos relatos deste tipo de procedimento na literatura talmúdica1, e alguns na própria Bíblia Sagrada, os quais já foram anteriormente citados.

“Volta, e dize a Ezequias, capitão do meu povo: Assim diz o SENHOR, o Deus de Davi, teu pai: Ouvi a tua oração, e vi as tuas lágrimas; eis que eu te sararei; ao terceiro dia subirás à casa do SENHOR. (6) E acrescentarei aos teus dias quinze anos, e das mãos do rei da Assíria te livrarei, a ti e a esta cidade; e ampararei esta cidade por amor de mim, e por amor de Davi, meu servo. (7) Disse mais Isaías: Tomai uma pasta de figos. E a tomaram, e a puseram sobre a chaga; e ele sarou.” (II Reis 20.5-7 ACF)

Uso atual

Como vimos, fica, em nossos dias, descartado o uso da unção com óleo para objetos, de modo a torná-los sagrados ou santificados, já que nada mais pode ser considerado objeto sagrado, uma vez que o templo de Deus na Nova Aliança é o corpo daquele que teve seu coração transformado pelo sangue do Cordeiro de Deus. Também não há mais qualquer necessidade de unção para sacerdotes, reis ou profetas. Ocorrendo no caso daqueles que se dispõem a servir como oficiais da Igreja, o ato da imposição de mãos, figura substituta da unção, mas, com significação distinta. Resta então apenas um tipo de unção a ser analisado em termos de uso nos dias atuais: a unção de enfermos com fins medicamentosos. Não restou nenhum tipo de unção, com finalidades espirituais, a ser utilizada pelos crentes em Jesus Cristo após o estabelecimento da Nova Aliança.

Análise Histórica

É interessante que venhamos a analisar a prática da Igreja, desde os seus primórdios até os dias atuais, para que possamos formar também nosso pensamento através do testemunho daqueles que no decorrer do tempo estudaram e buscaram o conhecimento bíblico, bem como daqueles que deturpando o verdadeiro significado dos ensinos bíblicos torcem seu entendimento de acordo com suas conveniências momentâneas.

Os pais apostólicos

Não há praticamente nenhuma referência à unção com óleo de enfermos, entre os escritos de Tiago (± 46-49 d.C), e de Hipólito de Roma (± 200 d.C.). Isto provavelmente se deve ao fato de estarem os Cristãos deste período lutando com tantas e tão variadas formas de heresias, como o gnosticismo, o arianismo, o sebastianismo, o monarquismo, os judaizantes, entre outros tantos, que não deve ter havido tempo para dedicarem-se a este assunto em seus escritos.

Justino de Roma (± 140 d.C.)

Há, contudo a exceção de Justino de Roma, que por volta de 140 d.C. defendia a posição de que todo e qualquer tipo de unção praticada ou ministrada no Velho Testamento aponta para Cristo. E que assim em Cristo todas as unções cessaram, conforme podemos ver pelo trecho de seu trabalho a seguir:

“Tendo Jacó derramado óleo no mesmo lugar, o próprio Deus que lhe aparecera dá testemunho de Ter sido para ele que ungiu ali a pedra. Também já demonstramos, com várias passagens das Escrituras, que Cristo é chamado simbolicamente “pedra” e que também a ele se refere toda unção, seja de azeite, seja de mirra ou qualquer outro composto de bálsamo, pois assim diz a palavra: “Por isso, o teu Deus te ungiu, o teu Deus, com óleo de alegria, de preferência aos teus companheiros”. É assim que dele participaram os reis e ungidos, todos os que são chamados reis e ungidos, da mesma maneira como ele próprio recebeu de seu Pai o fato de ser Rei, Cristo, Sacerdote.”

Hipólito de Roma (± 200 d.C.)

A mais importante obra teológica de Hipólito de Roma é intitulada a “Tradição Apostólica”. É um dos mais antigos documentos com instrução litúrgica que podemos encontrar, tendo sido usado como base, pela igreja católica romana, para consubstanciar sua herética doutrina sacramental da “extrema-unção” e é também a base utilizada pelos neopentecostais para confirmar que a Igreja Cristã pós-apostólica era praticante da “unção de enfermos”. Vamos ao texto de Hipólito:

Se alguém oferecer azeite, consagre-o como se consagrou o pão e o vinho, não com as mesmas palavras, mas com o mesmo Espírito. Dê graças, dizendo: “Assim como por este óleo santificado ungiste reis, sacerdotes e profetas, concede também, ó Deus, a santidade àqueles que com ele são ungidos e aos que o recebem, proporcionando consolo aos que o experimentam e saúde aos que dele necessitam.”

Por estas palavras podemos claramente entender que este ensinamento está muito distante da verdade bíblica. Não há nenhuma instrução na Palavra de Deus no sentido de se consagrar pão e vinho. A Bíblia inclusive não trata o líquido da ceia do Senhor como sendo vinho. Há uma única referência, feita pelo Senhor Jesus registrada em Mateus, referindo-se ao conteúdo do cálice como “fruto da vide”, ou seja “uva”, ou seu suco:

“E digo-vos que, desde agora, não beberei deste fruto da vide, até aquele dia em que o beba novo convosco no reino de meu Pai.” (Mateus 26.29 ACF)

E em nenhum momento há qualquer ritual de consagração. Há sim oração em ação de graças a ser proferida durante o cerimonial da ceia do Senhor, conforme instruções encontradas em Mateus 26.26-30 e em I Coríntios 11.23-30. Se não se consagra o pão e o vinho, também não se consagra azeite. Se não se consagra azeite toda a teologia e toda a instrução litúrgica derivada desta linha de raciocínio é biblicamente inválida e deve ser considerada espúria e anátema. Aprofundando-nos no estudo dos ensinos de Hipólito de Roma podemos encontrar vários tipos de óleos, como o óleo consagrado, o óleo de exorcismo, o óleo de ações de graças, o óleo santo ou santificado, entre outros, como o queijo da caridade e a azeitona consagrada. (Será que as semelhanças com a IURD são meras coincidências?) Assim, quaisquer ensinos provenientes desta fonte, ou de qualquer outra que nela se baseie devem ser considerados espúrios e anátemas.

Orígenes (± 210 d.C.)

Orígenes, apesar de todas as suas tendências alegoristas e metafóricas, de suas heresias e descalabros, ao tratar da questão da unção com óleo, afirma, corretamente, que alguns Cristãos (neste caso Celso) teriam querido curar suas feridas através da ação divina, mas manter sua alma inflamada em seus vícios e pecados, rejeitando os remédios espirituais dessa mesma palavra, a confissão de pecados e o perdão. Querendo usar o azeite, o vinho e outros emolientes, e demais ajudas médicas que aliviam a enfermidade, como alívio para sua alma corrompida, ou ainda usar de supostos poderes mágico-espirituais conferidos aos medicamentos na cura das feridas, sem se apresentarem diante de Deus, para a cura da alma. Hoje em dia a medicina nos apresenta vários novos recursos curativos, além do azeite e do vinho, aos quais podemos recorrer, contudo não podemos em momento algum, nos esquecer da dependência de Deus, através de uma vida de oração. Este é o ensinamento deOrígenes: que muitos querem ser curados, querem ser aliviados, mas não querem deixar seus pecados. Portanto,na teologia de Orígenes não existe espaço para uma unção de enfermos com fins curativos mágicos. O azeite e outros emolientes são importantes do ponto de vista medicamentoso, mas sempre associados à dependência de Deus pela oração, e se for para a Sua glória, Deus restabelecerá o enfermo.

Idade Média

Durante a Idade Média houve grande luta entre o poder secular e o poder da Igreja, trazendo como conseqüência direta uma deturpação ainda mais exacerbada da já caquética e corrompida teologia da igreja de Roma. As interpretações das Escrituras visavam apenas dar respaldo a um misticismo mágico-religioso que dominava as ações da igreja de Roma, e lhe conferia poder sobre as massas ignorantes e crédulas, além de controle sobre seus governantes, rendendo à igreja de Roma grandes frutos financeiros e políticos. Neste período há muito pouca discussão sobre a unção com óleo, pois esta já se havia instituído em sacramento, o sacramento da extrema-unção, para limpar de pecado aquele que estava à beira da morte.

Cesário de Arles (± 503~504)

Ele faz várias referências à unção de enfermos nos seus sermões. No sermão 13 ele escreve:

“Toda vez que sobrevier uma doença, o que a sofre receba o corpo e o sangue de Cristo; peça humildemente e com fé ao sacerdote a unção com o óleo bento a fim de que se cumpra nele o que está escrito”.

No Sermão 184, suplica às mães que não levem seus filhos aos “medicamentos diabólicos”, argumentando:

“Quanto mais justo e razoável seria recorrer à igreja, receber o corpo e o sangue de Cristo, ungir com fé, seja o próprio corpo ou o dos seus, com o óleo bento.”

Aqui vemos já uma completa deturpação do significado da ceia do Senhor, pois é esta um memorial, não conferindo qualquer tipo de bênção, graça ou cura. Pois, não há qualquer suporte nas Sagradas Escrituras para que assim pensemos. E assim da mesma forma também não há um “óleo bento pelos sacerdotes”. Pois, primeiramente, não há na Nova Aliança a figura do sacerdote, não há mais a necessidade de intermediação entre o povo e seu Deus. Cada um que tenha em si o selo da salvação, tem acesso direto ao Pai através de Jesus Cristo, nosso Mediador e Advogado para com o Deus. Não há também, como já vimos, sob a Nova Aliança,nenhum objeto ou material consagrado ou santificado, tornando, deste modo, a existência de um “óleo bento”simplesmente impossível. E se não há bênção nem na ceia, nem no óleo, não há razão para uma unção de enfermos, exceto quando ocorrer com caráter puramente medicamentoso, sem qualquer conotação mística ou espiritual.

Quanto à afirmação no sermão 184, não há qualquer fundamento ou razão para afirmar que medicamentos sejam“diabólicos”, ou de qualquer outra forma “impuros” ou “malévolos”. Há contudo, clara proibição bíblica, quanto a se buscar o auxílio de curandeiros e feiticeiros, mas, em nenhum ponto encontramos recomendação contra a busca por médicos ou por medicamentos em caso de doenças. Ao contrário, quando a mulher que sofria com fluxo de sangue procurou por Jesus, é-nos informado que ela já havia procurado por médicos, pratica esta que não foi recriminada por Jesus, apesar de no caso desta mulher não ter sido de eficácia. (Marcos 5.25-34)

Beda (± 720 d.C.)

Segundo o disposto através da teologia de Beda, podemos ver o andamento da deturpação do significado da unção de enfermos, conforme segue:

1°. Naquela época se pensava que a virtude da Unção estava no óleo consagrado pelo bispo, o óleo bento;

1. 2°. A Unção de Enfermos pertencia à categoria dos sacramentos permanentes, assim como a ceia do Senhor e o batismo;

2. 3°. A igreja de Roma cria que assim como na ceia do Senhor é o próprio ministro, o sacerdote, quem consagra o pão, e como também é o sacerdote quem batiza, é este mesmo quem também consagra o óleo para a unção de enfermos, e estes elementos depois de consagrados pelo ministro são repassados aos presbíteros para ministrá-los. Assim, toda a força da bênção do óleo está no pastor, isto é, no sacerdote;

3. 4°. Assim como o pão consagrado para a ceia do Senhor já tem em si a força do sacramento, também o óleo bento consagrado pelo bispo tem a mesma força e o mesmo poder.

Bonifácio (± 900 d.C.)

A partir da reforma carolíngia, a administração do óleo consagrado, ou bento, ficou reservada exclusivamente aos sacerdotes (bispos e presbíteros). Segundo os Statuta Bonifacii, do começo do século IX, os sacerdotes devem, em suas viagens, levar sempre consigo a eucaristia e o “santo óleo”; e lhes é proibido sob pena de deposição confiar aos leigos o “santo óleo”.

Neste ponto muda a igreja de Roma sua concepção do sacramento:

1°. De unção de enfermos passou a ser unção de moribundos (extrema-unção);

2°. Da consagração do óleo passou a ser a administração da unção;

3°. De sacramento com efeitos corporais passou a ser sacramento com efeitos espirituais;

4°. De sacramento autônomo passou a estar unido à penitência;

5°. A teologia escolástica do século XIII já herdara uma situação de fato: o ministro da unção é o sacerdote, o mesmo da penitência.

Deste panorama, tem-se o que hoje é entendido por unção dos enfermos. Uma ação de transferência de poder do sacerdote para o óleo e deste para o enfermo, “trazendo a cura”. Nada mais que uma ação de misticismo e feitiçaria, completamente destacada do contexto e do entendimento bíblicos, ação esta criada por séries de heresias e deturpações históricas, tanto no que se refere ao papel da igreja, quando no que se refere ao papel do ministro da igreja, o seu pastor.

Os reformadores protestantes

No decorrer da Idade Média, a igreja católica separou esse rito da unção de enfermos e o elevou à categoria de sacramento da extrema-unção, mediante o qual, segundo ensinavam seus teólogos, deveria ser ministrado aos fiéis da igreja que estavam moribundos, ou seja, à espera da morte.

Houve consenso entre os reformadores protestantes que assim apresentada, a unção com óleo, era uma falsa interpretação de Tiago 5.14 e de Marcos 6.13.

Segundo Lutero, em sua exposição do texto de Tiago 5.14, o uso da unção com óleo, já cessou:

“Por isso sou de opinião que essa unção é a mesma da qual se escreve, em Mc 6.13, a respeito dos apóstolos: ‘E ungiam muitos enfermos com óleo, e os curavam.’ Trata-se, pois, de um certo rito da Igreja primitiva, pelo qual faziam milagres entre os enfermos. Já desapareceu há muito.

Calvino de igual modo não aceita a contemporaneidade da prática da unção de enfermos, assegurando que esta prática já cessou na igreja, como também, todas as virtudes e os demais milagres que foram operados pelas mãos dos apóstolos, a razão é que este dom (unção de enfermos) era temporal.

Calvino e Lutero são unânimes em afirmar que o azeite era um ungüento utilizado na Igreja Primitiva com fins medicamentosos que associados à oração dos presbíteros, teria muito efeito.

Porque os reformadores não faziam unção de enfermos?

1. Por que o princípio gerador da cura em Tg 5.14 é a fé do doente e as orações dos líderes da igreja;

2. Por que longe de sustentar a extrema-unção ou o crisma (confirmação), a passagem de Tiago 5.14 trata de presbíteros (e não de sacerdotes) orando pela cura do enfermo; O azeite é então um óleo medicinal, e não um preparado mágico para a morte.

3. Por que a unção Veterotestamentária apontava para o Messias, o Ungido de Deus, cumprindo em Cristo a unção final de sacerdote, profeta e rei;

4. Por que no processo evolutivo da revelação de Deus, o óleo da unção aponta para o ministério do Espírito Santo, Aquele que unge, isto é, separa, capacita, credencia o cristão a fazer a obra de Deus. Os que são ungidos com o Espírito Santo não necessitam de nenhum outro tipo de unção;

“E vós tendes a unção do Santo, e sabeis tudo” (1Jo 2.20)

“E a unção que vós recebestes dele, fica em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a sua unção vos ensina todas as coisas, e é verdadeira, e não é mentira, como ela vos ensinou, assim nele permanecereis” (1Jo 2.27)

Analisando o pensamento de Calvino sobre a unção dos enfermos, especialmente em sua exposição do verso em Tiago 5.14, podemos entender o seguinte:

1. Para Calvino esta prática já cessou na Igreja;

2. A unção aponta para a obra e os dons do Espírito Santo; e se nós vivemos hoje no desenvolvimento ministerial do Espírito Santo, com certeza, não há qualquer sentido na prática da unção de Enfermos ou qualquer outro tipo de unção;

3. A unção não tem o efeito das virtudes espirituais apostólicas;

4. A unção não é canal de bênçãos para o crente; canal de bênção é a doutrina Bíblica, as orações (intercessão dos Santos) e a comunhão;

5. A unção não é privativa do pastor da igreja;

6. A unção não tem qualquer efeito de sacramento;

7. A unção não perdoa pecados;

8. A unção não é sinal de cura;

9. A unção não tem poderes mágico-religiosos;

Considerações atuais sobre a unção com óleo

Como conseqüência da situação pela qual vem passando o povo brasileiro, devido às conjunturas políticas, sociais e econômicas, muitos têm encontrado grande dificuldade de acesso à medicina pública, ou nela não têm confiança, recorrendo a uma medicina popular, principalmente através de curandeiros, benzedeiras, e/ou concepções mágico-religiosas. Alguns líderes carismáticos são muitas vezes solicitados a realizar curas divinas através de rituais, e afirmam estar em contato com o Espírito Santo, com anjos, demônios e com o espírito da própria enfermidade. E através de seus “poderes”, tentam realizar a “cura”, e quando esta não vem, alistam variadas razões, entre elas, e principalmente, o fato de o enfermo, ou seus familiares, terem falta de fé. Assim, todo o procedimento de unção assumiu um papel fundamental dentro do simbolismo religioso que se formou nestes dias, sendo este procedimento utilizado para combater doenças tanto do corpo quanto da alma. E só obtêm a “graça” aqueles que são ungidos com óleo consagrado; para estes haverá saúde, emprego, riqueza, e a cura de diversas moléstias e males demoníacos.

Logo tudo passa a ser ungido, a rosa, o barbante, o sal, as fotos, as roupas, a água, o manto, a madeira, e finalmente a própria pessoa é ungida, e caso esteja possuída por demônios estes se manifestam e podem então ser expulsos, através do óleo do exorcismo e da “oração forte”.

Saindo da confusão

Como pudemos perceber perfeitamente através da exposição da história deste procedimento vale aqui de modo especial o que nos é dito pelo texto do salmo 42: “Um abismo chama outro abismo…”.

E é desta confusão teológica que precisamos sair. E a única forma de fazê-lo é através de uma análise exegética da palavra de Deus, à luz de todo o ensino apresentado pela própria palavra de Deus, conforme já vimos anteriormente neste estudo. Vamos seguir então analisando o verso que é usado por base de toda esta“teologia”.

Mas, tenhamos em mente tudo o que já estudamos, e em especial a conclusão a que chegamos através da análise sincera e dedicada da palavra de Deus:

“Resta então apenas um tipo de unção a ser analisado em termos de uso nos dias atuais: a unção de enfermos com fins medicamentosos. Não restou nenhum tipo de unção, com finalidades espirituais, a ser utilizada pelos crentes em Jesus Cristo após o estabelecimento da Nova Aliança.”

Exposição de Tiago 5.14

Analisemos o texto em si, dentro do seu contexto:

“Está alguém entre vós aflito? Ore. Está alguém contente? Cante louvores. (14) Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e orem sobre ele, ungindo-o com azeite em nome do Senhor; (15) E a oração da fé salvará o doente, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados. (16) Confessai as vossas culpas uns aos outros, e orai uns pelos outros, para que sareis. A oração feita por um justo pode muito em seus efeitos.” (Tiago 5.13-16 ACF – destaque acrescentado)

É fundamental entendermos que o texto nos fala de oração. Tiago está tratando, por praticamente toda a sua carta, deste tema. Não podemos entender que ele tenha criado um novo ritual místico-mágico, ou que tenha sido criada uma nova teologia, o que invalidaria esta carta como texto bíblico. Como exemplo, analisemos o que houve recentemente em uma pequena cidade americana próxima de Los Angeles: - Lá ocorreu uma enorme tragédia, quando um pai, jogou fora a insulina que seu pequeno filho diabético necessitava tomar, após pedir ao pastor que realizasse em seu filho a “unção com óleo” e a “oração forte de poder”. Como resultado desta ação irresponsável, seu filhinho morreu. Devemos entender que nem todos os crentes que ficam doentes, recebem cura! Muitas vezes Deus os quer assim, doentes mesmo, de modo que testemunhem de Sua graça mesmo em meio ao sofrimento, ou então para que seja aprendida alguma lição que Deus queira ensinar. O fato é que se todos os crentes recebessem cura, nenhum morreria, pois, a cada doença se seguiria a cura divina! E a história testemunha que não é assim.

Bom, com isto em mente sigamos analisando o texto. A palavra “ungir” em português significa:

1. untar(-se) ou friccionar(-se) com óleo, ungüento ou qualquer substância gorda; fomentar

2. untar ou friccionar com perfumes ou substâncias aromáticas

3. investir de autoridade por meio de unção ou sagração; sagrar

Em grego os dois primeiros sentidos apresentados da palavra “ungir” são entendidos da palavra “aleifw” (aleipho). Já o terceiro sentido, é entendido pela palavra “xriw” (chrio) da qual se deriva a palavra “xristov” (christos), cristo, de onde temos a designação de Jesus como “O Ungido de Deus”, “O Cristo”.

Neste sentido, a primeira (aleipho) é uma palavra que denota uma ação corriqueira e desprovida de qualquer conotação religiosa ou espiritual. Enquanto a segunda (chrio) indica uma ação espiritual, uma consagração divina. E neste verso encontramos a palavra [aleipho] e não a palavra [chrio]!

Considerando, portanto, o significado da palavra e do texto em seu contexto, entendemos que somente o que pode operar qualquer cura é o poder do Senhor, muitas vezes em resposta à oração de um justo.O uso do azeite neste texto se refere então à sua aplicação com vistas a uma ação medicamentosa. Dando-nos instrução que não devemos, como fez aquele infeliz pai americano, deixar de aplicar o medicamento pelo fato de estarmos em oração pela cura, mas, inversamente, devemos aplicar o medicamento e orar confiantemente ao Senhor, clamando pela cura, tanto física, quanto espiritual, em caso de haver pecado envolvido. E o Senhor dentro dos Seus propósitos, irá agir. O poder é do Senhor, e não de uma mandinga qualquer ou de qualquer objeto que supostamente tenha quaisquer poderes curativos.

Conclusão

Diante de tudo o que foi exposto, podemos então afirmar:

1°. A unção de enfermos não é um sacramento, já que não há nenhum sacramento, pois para tal exigir-se-ia um sacerdote para intermediar sua aplicação. E na Nova Aliança, cada crente em Jesus Cristo tem acesso direto ao Pai através Dele, sendo portanto, seu próprio sacerdote, dispensando qualquer tipo de intermediação humana. Além deste fato, não há como se complementar a obra do Senhor Jesus Cristo, ou tomar-se qualquer ação que resulte em graça. A obra de Cristo é completa e perfeita, e a obtenção de graça se dá através do poder do Senhor mediante oração e fé.

2°. Os pais da Igreja não praticaram a unção com fins espirituais na Igreja, entendendo que esta ação não deveria ocorrer no cerne da Nova Aliança.

3°. A instituição da unção dos enfermos durante a Idade Média, (que veio posteriormente a se tornar a extrema-unção católica, e que após o concílio Vaticano II voltou a ser, para os católicos romanos, a unção de enfermos) foi obra de “cristãos” que não tinham uma teologia séria, embasada na Palavra de Deus, mas, ao contrário, desejavam apenas mais um meio de controle sobre as massas.

4°. Conforme pudemos ver da exposição de Tiago 5.14, o óleo não tem em si nenhum poder curativo sobrenatural, além de seu próprio poder como medicamento. O verdadeiro poder está no Senhor, e pode vir a ser derramado sobre o enfermo, em atendimento às orações de verdadeiros crentes no Senhor Jesus Cristo, aqueles que foram justificados pelo Seu sangue.

5°. O azeite em Tiago 5.14, não é expressão do Espírito Santo, nem de Sua ação, pois, este fato viria de encontro a todas as doutrinas apostólicas. A unção que se relaciona com o Espírito Santo é obtida na conversão, quando o crente é Nele batizado e selado para o dia da redenção.

6°. Qualquer pensamento quanto a um valor semimágico da unção com óleo, fere os princípios do Novo Testamento, especialmente no que diz respeito ao objeto da fé, que não pode em nenhuma hipótese ser algo material sob pena de idolatria e paganismo:

“E, chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: É-me dado todo o poder no céu e na terra.” (Mateus 28.18)

Em nada devemos por a nossa fé, a não ser naquele que verdadeiramente nos pode salvar!

7°. No processo evolutivo da revelação de Deus, o óleo da unção apontava para o vindouro ministério do Espírito Santo, que é Aquele que unge, ou seja, Aquele que separa, capacita, credencia o Cristão a fazer a obra de Deus. Os que são ungidos com o Espírito Santo não necessitam de nenhum outro tipo de unção espiritual, em nenhum outro momento de suas vidas!

E que Deus nos abençoe e nos permita permanecer sendo fiéis à Sua palavra e à Sua vontade em cada momento de nossas vidas, deixando e abandonando tudo quanto não provém de Deus! Amém!

Bibliografia Consultada

A BÍBLIA SAGRADA, Versão Revista e Corrigida Fiel ao Texto Original, Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil, São Paulo, 1995.

ARLES, Cesário de – Sermones Sancti Caesarii Arelatensis – Pars Prima, studio D. Germani Morin O.S.B., ed. altera, Turnholti, Brepols, 1953.

CNBB, Observações sobre o Ministro da Unção dos Enfermos. 35ª Assembléia Geral da CNBB.

COELHO FILHO, Isaltino Gomes – Tiago Nosso Contemporâneo: Um Estudo Contextualizado da Epístola de Tiago, 2ª edição, Rio de Janeiro, JUERP, 1990.

ECCLESIA, Patrística e Fontes Cristãs Primitivas: Tradição Apostólica de Hipólito de Roma.

FALCÃO Sobrinho, João – A Túnica Inconsútil: Um estudo sobre a doutrina da igreja, 2a edição revisada, Rio de Janeiro, JUERP, 2002.

HOUAISS, Antonio – Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, versão eletrônica.

LAUAND, Jean – Um Sermão de S. Cesário de Arles.

RÉDUA, Ashbell Simonton – Unção com óleo *com especial gratidão por tão excelente trabalho!

Autor: Walter Andrade Campelo

Fonte: http://www.cacp.org.br/uncao-com-oleo-uma-reflexao-biblica-e-historica/

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AS MALVADEZAS DE UM FRADE INCENDIÁRIO

AS MALVADEZAS DE UM FRADE INCENDIÁRIO

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“Livra-me, Senhor, do homem perverso, guarda-me do homem violento, cujo coração maquina iniquidades e vive forjando contendas” (Salmo 140:1-2).

     Ânimo, brava gente brasileira! Infelizmente o Frei Damião vai mesmo tornar-se santo.
Estão tentando modificar os fatos históricos ou me deixar desmemoriado, mas peço a Deus que não consigam nenhuma das duas coisas. Não, não faço uso de drogas alucinógenas e nem sou portador do Mal de Alzheimer (pelo menos, ainda não). A culpa é do neo ilusionismo praticado pela igreja católica.
É, parece que tudo está perdido! A igreja do papado fez uma releitura positiva de um italiano que viveu no Nordeste brasileiro no século passado e o seu processo de beatificação, que antecede o da canonização, anda a passos largos. Para transformar um agressor em vítima, um incendiário em bombeiro, um raivoso encharcado de ódio em amoroso e pacífico, um reprovável em santo, somente entrando em cena a turma de ilusionistas da igreja católica romana.
Estou me referindo ao quase concluído processo de beatificação do Frei Damião de Bozzano, que precipitará o início do processo de sua canonização. Imagine, o iracundo Frei Damião será canonizado!

Quem foi o Frei Damião de Bozzano?
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     Seu nome de batismo é Pio Giannotti, e ele nasceu em 5 de novembro de 1898, em Bozzano, no Norte da Itália, filho dos camponeses Félix Giannotti e Maria Giannotti.
Começou sua formação religiosa aos 12 anos, quando foi estudar em um colégio de padres. Aos 19 anos foi convocado para o exército italiano e participou da Primeira Guerra Mundial. Em 25 de agosto de 1923 foi ordenado sacerdote, na Igreja de São Lourenço de Brindisi, em Roma. Aos 27 anos diplomou-se em teologia pela Universidade Gregoriana em Roma e foi docente do Convento de Vila Basélica e do Convento de Massa.
Em 1931, deixou a Itália, vindo diretamente para o Convento de São Félix de Cantalice (conhecido como o Convento dos Capuchinhos) no Recife. Dos 33 anos até a sua morte, aos 98 anos, residiu nesse convento.
Sua primeira missa em solo brasileiro foi rezada na Capela de São Miguel, no Sítio do Mel, do lado de fora da cidade de Gravatá, em Pernambuco, no dia 29 de setembro de 1931.

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     Frei Damião ocupou-se em disseminar “as santas missões” pelo interior do Nordeste. “As santas missões” eram um tipo de cruzadas missionárias, de alguns dias de duração, pelas cidades nordestinas. Nessas ocasiões, era armado um palanque ao ar-livre com vários alto-falantes onde o frade transmitia o seu discurso conservador e contra os protestantes.
Frei Damião conseguia arrastar multidões para ouvir suas palestras e tornou-se um fenômeno de popularidade religiosa no Nordeste, só comparável ao “Padim Ciço”, de Juazeiro do Norte. A propósito, Frei Damião é aclamado pelos católicos locais como o legítimo sucessor do Padre Cícero Romão Batista .

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     Quando perguntado sobre os objetivos de suas “santas missões” aos sertanejos, o frei respondia que um dos objetivos era “livrá-los do Demônio, que queria afastá-los da Igreja e fazê-los abraçar outro credo […]”.(1) O que o frade queria dizer por “Demônio”? Provavelmente, os protestantes.
Na ocasião de sua morte, em 31 de maio de 1997, o governo de Pernambuco e a prefeitura de Recife decretaram luto oficial de três dias. Seu corpo foi embalsamado, velado durante três dias na Basílica da Penha e no estádio de futebol do Arruda, em Recife. Várias autoridades compareceram ao seu velório, entre as quais o ex-presidente Fernando Collor de Mello, o vice-presidente Marco Maciel e o governador Miguel Arraes.(2)
Em 31 de maio de 2003, seis anos após sua morte, foi aberto o processo de beatificação e, posteriormente, de canonização de Frei Damião. Esse frade é apenas mais um, entre outros líderes religiosos católicos que viveram no Brasil, a ser candidato a santo.

     Rastros de sangue deixados pelo Frei Damião na Paraíba

E quando vi, lá estávamos nós novamente: Marcos Nunes, um piedoso irmão em Cristo, e eu dirigindo por mais de mil e quinhentos quilômetros de estradas asfaltadas e de barro pelo interior do estado da Paraíba, um buraco aqui, uma lombada não sinalizada acolá, um desarranjo intestinal efêmero, uma bolha na região plantar, um rápido entorse de tornozelo, quase vinte entrevistas com testemunhas oculares e pastores, centenas de fotografias, sem falar em algumas filmagens.
Tudo isso em prol de pesquisarmos in loco a passagem pelo solo nordestino de um frade que ficou conhecido como o maior perseguidor dos protestantes nordestinos.
Gostaria de aproveitar a oportunidade para reinventar o turismo pelo interior paraibano. Até porque, para um pesquisador evangélico, há passeio melhor por aquelas bandas do que tirar dois fins de semanas para conhecer algumas das igrejas evangélicas em que o Frei Damião e/ou outras autoridades católicas mandaram tocar fogo, destruir ou apedrejar e que, mesmo após tamanha agressão, conseguiram se reerguer?
Houve perseguições religiosas em dezenas de cidades nordestinas. Porém, neste artigo vamos nos deter a analisar, em ordem cronológica, a perseguição exercida pela igreja romana contra os protestantes em apenas quatro cidades paraibanas.

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 Em Guarabira, PB: um memorial oco ao Frei agressivo

 

     Mais uma mega estátua de um líder católico no alto de um morro: o Memorial Frei Damião, construído com dinheiro público e inaugurado em 19 de dezembro de 2004, em Guarabira, Paraíba, é algo fenomenal. Totalmente desproporcional em relação à simplicidade e à pobreza do povo ao seu redor.

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      É uma estrutura majestosa. Só o pedestal tem 12 metros de altura, e a estátua mais 22 metros de altura. Ultrapassou em altura e em largura o monumento ao Padre Cícero, em Juazeiro, no Ceará. No Brasil, só é mais baixa do que o Cristo Redentor.
O pedestal do monumento é composto de térreo e mais dois pavimentos, onde está localizado um museu do frade. O visitante circula andando em um corredor, observando fotos, notícias e histórias acerca do frei. O meio da estátua é vazado e quando se olha para cima se vê que a estátua é de concreto oco. É um “santo oco”, e essa é uma verdade que o povo protestante conhece muito bem.
Cerca de dois quilômetros morro abaixo está a Igreja Evangélica Congregacional de Guarabira. “Ela hoje tem suas portas de vidro, pois não temos medo de sermos apedrejados novamente pelos fiéis do Frei Damião”, ensinou-nos o atual pastor, Sandro Fernandes Paiva.

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         A agressão ocorreu no início da noite de inauguração do templo, no dia 21 de abril de 1937, na gestão do pastor Artur Pereira Barros. A ata da igreja descreve: “[…] um grande auditório cuja bancada estava repleta de famílias, inclusive crianças. Foram estes atacados de improviso por fanáticos do Frei Damião […]. Esse cerco durou mais ou menos três horas, tornando-se mais perigoso quando indivíduos previamente preparados lançavam pedras nos fios desligando a energia elétrica. Nesta ocasião a maior parte do povo arriscando a vida começou a saltar por cima dos muros, permanecendo no templo os pastores e alguns membros […]”.
Muitos dos agressores gritavam insultos aos crentes, que na época eram chamados de “bodes” pelos católicos.      Alguns usavam aquelas túnicas marrom escuras, típicas dos capuchinhos e exaltavam o Frei Damião. No dia seguinte, a quantidade de pedras e paus jogados sobre os crentes totalizava mil e quinhentos quilos, detalha a ata. Alguns evangélicos saíram feridos e a fachada da frente da igreja ficou marcada com centenas de buracos causados pelas agressões.
Será que aqueles que construíram a estátua monumental do frade, há cerca de dois quilômetros de distância dessa igreja congregacional, sabem que o “santo oco” foi o responsável por inflamar e atiçar a multidão de católicos contra os evangélicos?

Em Catolé do Rocha, PB: onde o Frei fez escola

Entrevistamos vários moradores, hoje crentes no Senhor Jesus, que à época das “santas missões” do frade eram católicos roxos. Algumas das muitas frases proferidas pelo Frei Damião e ouvidas por esses irmãos, foram: “Não é pecado perseguir os protestantes pois eles são inimigos da Santa Igreja Católica”; “não ficará nesta cidade nem rastro de protestantes” ; “casamento civil é só na Igreja Católica, na protestante não tem nenhum valor, é igual ao ajuntamento de um gato com uma gata”…
“Havia um incentivo dos políticos e da igreja católica para maltratar os crentes”, sentencia Pedro Nunes Neto (um ex-católico que hoje, aos 76 anos de idade, é evangélico).

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     Párocos e multidões de católicos foram instigados pelo amargurado Frei Damião que jorrava ódio pelos protestantes. Em Catolé do Rocha, o frade perseguidor perpetuou uma escola já existente de discípulos cruéis.
Ainda hoje, na calçada em frente à Igreja Matriz, existe um busto do Frei Damião de Bozzano, onde alguns devotos fazem seus pedidos.
Antes mesmo do raivoso Frei pisar nestas terras, o Monsenhor Constantino ensinava ao povo de Catolé do Rocha: “Aos protestantes, nós católicos não damos morada, não compramos, nem vendemos coisa alguma, muito menos entregamos correspondência e nem mesmo permitiremos a eles o fornecimento de água”.

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     Naquele tempo, havia uma fonte pública na cidade, conhecida como “O Poço do Vigário”. Dela e de alguns outros poços d’água, em algumas casas de pessoas importantes, o povo em geral tirava água para o consumo em suas casas. No entanto, os evangélicos não podiam mais pegar água. E agora? O que fazer? Onde buscar água para continuar vivendo? Mulheres e crianças protestantes choravam com fome e sede, homens evangélicos angustiados tentavam sair da cidade e o Monsenhor Constantino aproveitava a situação para convocar os crentes a regressarem ao seio da igreja romana. Estou narrando fatos ocorridos no sertão paraibano há cerca de setenta anos.
Mas, o nosso Deus é maravilhoso e tocou no coração de um casal católico (o senhor Hercílio Maia e dona Eleonora) que tinha um poço na sua residência. Eles ficaram sensibilizados com o sofrimento do povo de Deus e liberaram o seu poço para todos os evangélicos. O Monsenhor tentou impedi-los, mas não conseguiu. Então, amaldiçoou o casal, saiu irado e nunca mais os cumprimentou.
Miguel Guedes Bezerra era um católico praticante, mas hoje, com 96 anos, é salvo pelo sangue do Senhor Jesus e bastante lúcido. Bezerra me contou que havia emboscadas dentro do mato para apedrejarem, maltratarem e saquearem os “bodes” que viajassem de Catolé do Rocha para qualquer outro povoado satélite. Porém, mesmo assim a igreja de Cristo crescia.
O quebra-quebra dentro da Igreja Evangélica Congregacional em Catolé do Rocha aconteceu em uma noite de sábado, no mês de junho de 1938, com a autorização do perverso padre Joaquim de Assis. Foi na gestão do pastor Lidônio Fragoso de Almeida. Naquela ocasião estava sendo realizada uma série de conferências sobre o tema “idolatria”, ministrada pelo Rev. Josué Alves de Oliveira, um ex-pastor daquela comunidade.freidamiao11

     Dona Maria do Carmo de Paiva Maia, que à época tinha 19 anos, é casada com Miguel Guedes Bezerra, já citado anteriormente. Maria do Carmo, hoje com 87 anos, lembra-se de muito detalhes daquela noite: “Eu era solteira e estava dentro da igreja, momentos antes do culto iniciar. Já tinha observado que um grupo de homens e rapazes começava a se ajuntar do lado de fora da porta da igreja. Por duas vezes, eles se movimentaram como se fossem entrar na igreja, mas não entraram. Na terceira vez, entraram mesmo, gritando insultos. Eles foram até o primeiro banco da igreja, o levantaram bem alto e sacudiram no chão, espatifando- o. Os intrusos fizeram a mesma coisa com o segundo banco. Saí correndo da igreja com medo e o pastor Josué Alves de Oliveira escapou pulando a janela. A algazarra só acabou quando a polícia chegou. Além de quebrarem alguns bancos, portas e a mesa, destruíram também a serafina (uma espécie de órgão antigo)”.

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     Aquela noite marcou para sempre a vida do então católico Miguel Guedes Bezerra (o esposo de Maria do Carmo). Miguel Bezerra nos relatou: “A multidão enfurecida, sendo contida pelos policiais, saiu em caminhões em direção ao povoado de Brejo dos Cavalos (hoje, Brejo dos Santos). Esses homens gritavam: ‘vamos para o Brejo, destruir a igreja dos bodes lá também!’, e partiram em direção àquele povoado. Eu já estava meio tocado com o testemunho de minha irmã, uma nova-convertida ao evangelho, e quando vi aquela cena infame, disse alto e em bom tom: ‘Vocês pensam que vão destruir os protestantes destruindo seus templos, mas não vão mesmo, pois a partir de hoje eu sou mais um deles!’ Me tornei crente no Senhor Jesus naquela noite!”

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     Marcos Nunes e eu fomos, então, até Brejo dos Cavalos conferir o que aconteceu por lá naquela noite. De “Brejo dos Cavalos” a “Brejo dos Santos”: “Pode esperar bando de bodes!”

     O templo da Igreja Congregacional em Brejo dos Cavalos foi destruído duas vezes.
Elizário Luiz da Costa era quase um sacristão da igreja católica de Brejo e entregava quem era evangélico aos padres. Ele já vinha aterrorizando os protestantes nos dias anteriores à primeira destruição do templo. Passava andando pela frente das residências dos evangélicos e gritava: “Bando de bodes, pode esperar, à noite vai chegar o que é bom para vocês. Vai ser pimenta do seu c…, bé, béé, bééé!”, relatam os irmãos João Alves da Silva e Ricardina Alves da Silva.
Dona Ricardina Alves da Silva, era a filha da zeladora da igreja evangélica e na época tinha 13 anos. Ela nos descreveu os acontecimentos daquela noite: “Era tarde da noite de um sábado, em junho de 1938. Naquela tarde tinha feito com mamãe uma faxina na igreja e deixado tudo pronto para o culto de domingo. Já estava dormindo, quando ouvi os gritos de homens enfurecidos e meu irmão saiu correndo comigo para dentro do mato. No dia seguinte, a igreja estava destruída, bancos e portas quebrados, teto e paredes furados e parcialmente derrubadas. Encontrei a Bíblia e a campainha que ficavam em cima da mesa jogadas dentro de um tanque atrás da igreja”.

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     Os fiéis, agora sem templo, passaram a se reunir dentro do mato com medo das represálias dos católicos. Após algum tempo, passaram a se reunir nas suas casas e, finalmente, decidiram reconstruir o templo em regime de mutirão. Antes do templo reconstruído ser inaugurado, veio a nova rebordosa da segunda derrubada.
Era o começo de uma noite chuvosa, de um sábado de dezembro de 1939, um ano e seis meses após a primeira destruição, quando o barulho começou: “Se preparem bando de bodes, hoje vamos matar tudinho”, gritavam os católicos enraivecidos e iniciaram o quebra-quebra.
Ricardina da Silva nos contou: “Dessa vez as paredes da igreja estavam reforçadas e bem mais grossas, espessas. Então eles fizeram uns buracos nas paredes que pareciam umas covas e nomearam cada um dos buracos – essa é a cova do bode fulano, essa é a cova do bode cicrano, e assim por diante. Meu pai foi até lá, ordenou que parassem, mas levou uma surra, foi arrastado até um barreiro, onde o jogaram. Meu irmão, ao ver que papai iria morrer, pegou uma espingarda, e deu um tiro para cima. Os agressores deixaram meu pai lá, fugiram e meu irmão o salvou”. Dessa vez a destruição da igreja foi quase total.
Naquela noite, os crentes apavorados fugiram para dentro do mato, algumas crianças pequenas se perderam na escuridão e só foram encontradas na manhã seguinte.
O medo tomou conta dos evangélicos que decidiram, alguns dias após esse incidente, fugir num caminhão. Partiram para a cidade de Boa Viagem, no Ceará. Durante a viagem, ao descerem uma ladeira, o motorista do caminhão pulou para fora e deixou o veículo descer à deriva. O pau de arara tombou, bateu na ribanceira, mas ninguém ficou ferido. Os homens protestantes correram atrás do motorista desertor, o pegaram e perguntaram porque tinha feito aquilo. O motorista confessou: “O padre me pagou para que pulasse para fora do carro em uma ladeira e deixasse que todos vocês fossem mortos”.
Os evangélicos finalmente chegaram a Boa Viagem, onde abriram novas frentes de trabalhos evangelísticos que existem até hoje.
Com os evangélicos dispersos, o prefeito e o padre do vilarejo de Brejo dos Cavalos decidiram mudar o nome do povoado. Afirmaram: “Já que os cavalos e os bodes (uma alusão aos evangélicos) se foram, só ficaram aqui os santos. De hoje em diante o nome desta cidade passa a ser Brejo dos Santos”.
Meu querido leitor, não pense que a igreja evangélica em Brejo foi pro brejo. Pois não foi, não.
Alguns anos mais tarde, os evangélicos decidiram retornar ao Brejo dos Santos, reconstruíram o templo no mesmo local dos anteriores e reorganizaram a igreja no dia 10 de maio de 1942. Hoje os evangélicos se emocionam em dizer que aqui é Brejo dos Santos, mesmo!
 

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      Pastor Edinaldo Alves da Silva conclui: “Atualmente, nossa igreja reconstruída tem mais quatro congregações, um ponto de pregação, cerca de 20% do povoado é crente no Senhor Jesus e isso nos torna a cidade com maior número percentual de evangélicos no sertão da Paraíba”. Aleluia!


Em Patos, PB: A igreja virou fogueira em noite de São Pedro


Era a semana de festas juninas, entre o “São João” e o “São Pedro”, e o Frei Damião estava em Patos com suas “santas missões”.
O repórter Euricles Cavalcante Macedo, do Jornal Brasil Presbiteriano, em um artigo intitulado “Frei Damião transforma templo presbiteriano em fogueira de São Pedro”, relata: “Frei Damião foi, ao contrário de santo, um implacável perseguidor de evangélicos, um terrorista intolerante, comandante-chefe de uma milícia de fanáticos”.(3)
As igrejas sertanejas, tanto as católicas como as evangélicas, tinham nos seus tetos alto-falantes (que, por essas bandas, chamam de difusoras). Assim, as pessoas do lado de fora das igrejas podiam ouvir as músicas, anúncios e até toda a missa ou culto.

Euclides Cavalcante Macedo, descreve:
Almir da Rocha conta que naquele dia “a Igreja Presbiteriana de Patos – pastoreada pelo reverendo Jônatas Barros de Oliveira, falecido em 96 – estava com o serviço de som externo ligado e tocando, como sempre fazia, músicas evangélicas”. Foi então que o padre Manoel Dutra, pároco local, dirigiu-se ao templo presbiteriano “acompanhado de grande multidão e entrou na igreja dos crentes, determinando que o som fosse desligado e que somente voltasse a funcionar depois que frei Damião deixasse a cidade”. O técnico do serviço de som desligou o aparelho e dirigiu-se à Delegacia de Polícia, onde registrou queixa ao capitão Severino Dias, que autorizou a execução das músicas sacras.
Quando o padre, que executou as ordens do frei Damião, ouviu soarem novamente as músicas evangélicas, “reuniu um novo grupo de fanáticos e dirigiu-se à Igreja Presbiteriana. Mas o capitão Severino desaprovou a atitude do religioso e ordenou-lhes que voltassem para sua igreja”.
No dia seguinte, 28 de junho, o capitão Severino Dias estava exonerado do cargo de delegado de polícia de Patos. O frei Damião, agora, estava livre para agir. Naquele clima de tensão, os crentes ficaram totalmente inseguros.
Eram vinte e duas horas, véspera de São Pedro. O clima de terror já estava instalado na pacata cidade de Patos. Através do serviço de som, anunciava-se que “não ficará nesta cidade nem rastro de protestante”. (4)
Era noite do dia 28 de junho de 1958 e estava tudo pronto para a missa começar do lado de fora da Igreja de Santo Antônio. A presença do Frei Damião arrastou multidões para o local onde o frade, dentro de alguns momentos, falaria de cima de um palanque improvisado.
O povo, anteriormente já instigado e inflamado pela liderança católica contra os evangélicos, partiu em direção à Igreja Presbiteriana em Patos, que ficava a cerca de quinhentos metros de distância, e a destruiu.
Enedina Xavier Inojosa, que na época tinha 30 anos e residia a poucos quarteirões da Igreja Presbiteriana, nos relatou: “Estava dormindo à noite e ouvi algumas explosões – eram mais fortes do que as bombas de São João –, acordei e os vizinhos falavam que tocaram fogo na igreja dos crentes”. Enedina só foi à igreja na manhã seguinte e a encontrou “queimada, suja e quase totalmente destruída”. Perguntei se ela sabia quem tinha mandado os católicos fazerem aquilo e a irmã foi bastante cautelosa: “o povo dizia que foi o Frei Damião e o padre que mandaram, mas eu não posso afirmar isso, pois não vi e nem ouvi, e só fui à igreja no dia seguinte”.

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O fotógrafo profissional Adgerson de Morais Porto, que à época tinha 28 anos, gravou espontaneamente uma entrevista conosco. Ele não perde a oportunidade para afirmar que era “o fotógrafo oficial” dos eventos paraibanos, que fotografou várias inaugurações, inclusive as passagens do então presidente Getúlio Vargas pela Paraíba.
Depois que a turba enfurecida partiu da Igreja Presbiteriana, Adgerson Porto pegou sua câmara fotográfica e foi por conta própria fotografar a bagaceira.
“Era de dar dó. Uma coisa muito triste. A igreja estava toda queimada, por dentro e por fora, o teto tinha vários rombos, nas paredes estavam escritos palavrões e desaforos aos crentes. Toda a bancada, o púlpito, a mesa, as portas e as janelas foram jogadas para fora da igreja e consumidas pelas chamas. Fotografei tudinho e entreguei algumas fotos ao pastor Jônatas Barros de Oliveira e não tenho mais os negativos”.
Arnaldo Ferreira do Nascimento, que na época morava na rua 18, em Patos, participou do motim levando um motor para atiçar fogo na madeira que estava sendo retirada do templo. Arnaldo, algum tempo depois, se converteu e hoje é pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, no estado de São Paulo. Glória a Deus!
Após destruírem a Igreja Presbiteriana em Patos, a multidão partiu para destruir a Primeira Igreja Batista em Patos, mas o prefeito José Cavalcante e a polícia chegaram a tempo, impedindo que houvesse uma agressão semelhante. Alguém na multidão ainda jogou umas pedras contra a Igreja Batista, mas logo ouviu-se um disparo de uma arma de fogo, a multidão recuou, decidindo deixar a Igreja Batista intacta, retornando em procissão para “as santas missões” do Frei Damião.

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O pastor Jônatas Barros de Oliveira foi ameaçado de morte e fugiu de trem para a cidade de Pombal. O irmão em Cristo José de Sá lembra-se daquele dia: “Fui eu que apanhei o pastor Jônatas, em fuga, na cidade de Pombal e o transportei de jumento até um sítio. O pastor continuou pregando pelos povoados próximos, sempre levando nas mãos uma latinha com as cinzas da Igreja Presbiteriana em Patos. Ele mostrava as cinzas e dizia: destruíram o templo, mas não a igreja”.
Apenas tornando uma longa história curta, alguns anos mais tarde, o templo foi reconstruído no mesmo local do anterior e hoje a Igreja Presbiteriana em Patos conta com quatro congregações, um ponto de pregação, além de uma escola.

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Igual à Igreja Primitiva


Incrível! Onde houve perseguição ferrenha da igreja católica aos protestantes, o evangelho não apenas sobreviveu, mas cresceu com bravura.
Foram dezenas de cidades em Pernambuco e na Paraíba onde os crentes foram perseguidos pelos católicos. Em todas elas, sem exceção, o evangelho triunfou e cresceu. As igrejas destruídas foram reedificadas no mesmo local e delas saíram dezenas de outras igrejas, congregações, pontos de pregações, institutos bíblicos e colégios evangélicos.
Várias vezes, durante as pesquisas por estas plagas do sertão paraibano, Marcos Nunes e eu não conseguimos deixar de associar tudo o que vimos com a perseguição sofrida pela igreja primitiva, após a morte de Estevão, e descrita em Atos 8:1 e 4-8: “Naquele dia, levantou-se grande perseguição contra a igreja em Jerusalém; e todos, exceto os apóstolos, foram dispersos pelas regiões da Judéia e Samaria. […] Entrementes, os que foram dispersos iam por toda parte pregando a palavra. Filipe, descendo à cidade de Samaria, anunciava-lhes a Cristo. As multidões atendiam, unânimes, às coisas que Filipe dizia, ouvindo-as e vendo os sinais que ele operava. Pois os espíritos imundos de muitos possessos saíam gritando em alta voz; e muitos paralíticos e coxos foram curados. E houve grande alegria naquela cidade”.
Hoje, presenciamos o inverso. Atualmente, a igreja romana, como um lobo em pele de ovelhinha, quer se aproximar dos evangélicos, e mostrar sutilmente que somos muito mais semelhantes do que diferentes. Esse é um perigo enorme, tão assustador quanto uma perseguição! Oh, Deus! Manda-nos de volta outra perseguição! Que caiam as máscaras!

Os dinossauros e o “Troglodita”
A cidade de Sousa, localizada a quatrocentos e quarenta e quatro quilômetros da capital João Pessoa, no alto sertão da Paraíba, é conhecida nacional e internacionalmente como a “Capital Mundial das Pegadas dos Dinossauros”.
Toda aquela região faz parte do conhecido “Vale dos Dinossauros”. Acredita-se que tenha mais de trezentas trilhas de suas pegadas. Respeitáveis paleontologistas da Europa e dos Estados Unidos estão sempre por lá.
O lugar mais conhecido é o Sítio Ilha, localizado a seis quilômetros de Sousa. Lá, com dinheiro do exterior, está sendo montada uma infraestrutura de Primeiro Mundo: já foi construído até um canal que desviou o curso do Rio do Peixe e expôs no seu leito sedimentado alguns dos mais longos rastros de pegadas dos dinossauros do mundo. A grande atração são cinquenta e duas pegadas de um iguanodonte ao longo de cerca de cinquenta metros. Há também várias trilhas menores de pegadas de velociraptor. Vale a pena conhecer os rastros de animais que marcaram nossa terra.

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O curioso é que do outro lado da estrada, a cerca de três quilômetros das pegadas dos dinossauros, foi erguida em um monte uma estátua de Frei Damião. Não pude deixar de fazer uma associação: de um lado da estrada os rastros de dinossauros e do outro os de um homem que agia como um troglodita brutal.
O Dicionário Aurélio diz que troglodita é aquele “que vive debaixo da terra ou em cavernas. Pessoa que vive sob a terra”. O Frei Damião de Bozzano era assim, no quesito de agressão aos evangélicos: instigava as massas, mas ficava nas sombras, agia no subterrâneo. É aquele tipo de pessoa que manda matar e quando é pego diz que não tinha nada a ver com o crime.
Minha tese defendida neste artigo é uma só: apesar do Frei Damião de Bozzano nunca ter sido pego apedrejando uma igreja ou surrando um evangélico, com o seu discurso inflamava não apenas os jovens capuchinhos, mas a multidão de católicos para cometerem atrocidades contra nós. Os indícios são fortes de que o frade ficava na moita com o seu sorriso de hiena, instinto de chacais e seus dentes sujos de sangue de protestantes. Em decorrência disso, é minha proposta que a igreja católica suspenda imediatamente o seu processo de beatificação. Uma provável canonização pode comprometer mais ainda a imagem da igreja romana perante os seus fiéis.

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Frei Damião de Bozzano pediu votos para Fernando Collor

 

“Nas eleições presidenciais de 1989, o então candidato Fernando Collor de Mello fez comício ao seu lado em Juazeiro do Norte e distribuiu calendários eleitorais com a figura do frade”.(5)
O Frei aceitou o convite do então presidente Collor de Mello e posou sorridente, em pé entre o presidente e a então primeira-dama, no gabinete no Palácio do Planalto.
“O velho capuchinho chegou a caminhar ao lado do casal Collor numa das cerimônias de descida da rampa do Palácio do Planalto”.(6)
No entanto, vamos esquecer que esse frade era cabo eleitoral de Fernando Collor, pois isso pode denegrir mais ainda sua imagem. Vamos apelar para uma amnésia intelectual, assim como fez recentemente o agora senador Fernando Collor de Mello, ao posar de injustiçado pelo seu impeachment. Como relatou Roberto Pompeu de Toledo, ensaísta da revista Veja: Vamos esquecer “as denúncias do irmão de Collor, os feitos de PC Farias, as extorsões, o caixa dois, a Operação Uruguai, as mentiras, como se tudo não passasse de uma alucinação coletiva do povo brasileiro”.( 7)
É melhor também esquecermos a amizade do Frei Damião com Collor de Mello; pode pegar mal tanto para Collor quanto para o frade.
Então, vamos também retirar das nossas mentes as perseguições exercidas pelo capuchinho contra os evangélicos; pois isso pode dificultar sua canonização. Vamos dizer que é uma farsa, uma ilusão coletiva dos protestantes; uma paranóia dos evangélicos. Enfim, teremos um frei incendiário repaginado, um malvado bandido santificado e ninguém envergonhado, pois para a liderança católica é melhor assim.

Conclusão: O perigo do tempo nos fazer esquecer


“Não te associes com o iracundo, nem andes com o homem colérico, para que não aprendas as suas veredas e, assim, enlaces a tua alma” (Provérbios 22:24-25).
A igreja do papado está desinformada ou ela própria sofrendo de hipomnésia! Quer santificar o papa Pio XII, o padre jesuíta José de Anchieta, a freira Anna Katharina Emmerick e o iracundo Frei Damião, entre outras figuras.
O caso da santificação do Frei Damião de Bozzano é dos mais espantosos deste espantoso Vaticano. Para proclamar a sua canonização, a igreja católica terá de colocar muito verniz em madeira ruim. Espero que em vez de mandar matar o mensageiro das más notícias, a igreja do papado clame por Jesus e se purifique.
Faz tanto tempo que as igrejas evangélicas foram invadidas, os telhados caíram e as bancadas foram incendiadas que ninguém se lembra mais. O tempo da igreja católica, cedo ou tarde, sempre a inocenta.
Instituições arcaicas tendem a cultuar o banditismo. Foi assim com a igreja católica à época da Inquisição, com suas histórias de vomitar: homens, crianças, velhinhos e velhinhas, por qualquer motivo, eram vítimas de torturas, sangue e fogueira. Às vezes, me parece que a igreja católica romana ainda está estacionada nessa fase. Ou existe algum outro motivo para a santificação de um mandante de crimes?
Oro muito ao nosso Deus, pois sei que o assunto aqui colocado é grave e horroroso e não termina em um simples artigo. Oro para que esta matéria seja apenas um rascunho do que acho que deva ser profundamente estudado pelos evangélicos e católicos, antes da canonização do Frei de Bozzano.
O Frei Damião de Bozzano. “Santo” para os católicos e “terrorista” para os evangélicos.

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Coragem, da pátria filhos! Há uma esperança ainda para a nossa nação. A esperança é Jesus, o Santo de Israel (Isaías 41:14). Não há santo como o Senhor (I Samuel 2:2) e é este santo Senhor que nos santifica (Levítico 22:32b) e não uma instituição religiosa, como o Vaticano, e muito menos uma pessoa.
A Bíblia nos ensina que somos cidadãos celestiais e embaixadores de Deus no planeta Terra (I Pedro 2:11-12). Os heróis da fé do Velho Testamento aspiravam uma pátria superior (Hebreus 11:13-16) e deram a própria vida por amor ao Senhor.
Que privilégio Deus nos deu de sermos sal da terra onde estamos, sermos luz do planeta e um bálsamo no açoite deste mundo. Os neo-ilusionistas da liderança católica querem nos fazer esquecer de fatos verídicos e queimar das nossas mentes os arquivos contrários à igreja do papado.
Peço a Deus, que a exemplo daqueles que sofreram perseguições no sertão nordestino, não venhamos a nos esquecer da nossa missão de sermos “sais”, “luzes” e “bálsamos” em uma terra tão idólatra. Peguemos, pois, o bastão dos nossos antepassados e corramos com paciência a carreira que nos está proposta, anunciando Jesus como o único Salvador e a única solução para os problemas mais íntimos das nossas almas. “Santo, Santo, Santo é o Senhor”, e isso o tempo do Vaticano jamais conseguirá apagar da minha mente. Amém!

Bibliografia:
Pernambuco de A/Z. Biografia do Frei Damião. 
http://www.pe- az.com.br/ biografias/ frei–damiao. htm.
Id.
Artigo: “Frei Damião transforma templo presbiteriano em fogueira de São Pedro”, por Euricles Cavalcante Macedo, Jornal Brasil Presbiteriano. Órgão oficial da Igreja Presbiteriana do Brasil. São Paulo, SP, Agosto de 1997, página 16.
Id.
Artigo: “Longa Agonia. Frei Damião tem morte cerebral aos 98 anos”, Istoé datas, 4 de junho de 1997. 
http://www.terra. com.br/istoe/ datas/144405. htm.
Id.
Artigo: “Dois encontros, um só sentimento”, por Roberto Pompeu de Toledo, revista Veja. Editora Abril, São Paulo, SP, edição 2001, ano 40, número 12, 28 de março de 2007, página 126.
Fonte(excelente!) – http://noticiascristas.blogspot.com/2008/04/as-malvadezas-de-um-frade-incendirio.html
Atenção:
O conteúdo desta página tem objetivo formativo e educacional.OS ARTIGOS AQUI PUBLICADOS SÃO DE INTEIRA RESPONSABILIDADE DE SEUS AUTORES, CITADOS NO FINAL DE CADA ARTIGO. NÃO NECESSARIAMENTE ESTA PRODUÇÃO CONCORDA INTEIRAMENTE COM O ENTENDIMENTO TEOLÓGICO DE CADA AUTOR. TODAVIA, OS PUBLICAMOS COMO FONTE DE CONHECIMENTO E COMO FORMA DE CONTRIBUIR PARA O ALARGAMENTO DO ENTENDIMENTO E A POSSIBILIDADE DE CONHECERMOS VÁRIAS FORMAS DE PENSAR. CABE A CADA LEITOR REFLETIR, À LUZ DA BÍBLIA, SE CONCORDA OU NÃO COM OS POSICIONAMENTOS AQUI EXPRESSADOS. 

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UMA ANÁLISE DA EXPRESSÃO “DESCEU AO HADES” NO CRISTIANISMO HISTÓRICO

apologética desceu hadesDESCENDIT AD INFERNA”:
UMA ANÁLISE DA EXPRESSÃO “DESCEU AO HADES”
NO CRISTIANISMO HISTÓRICO

Heber Carlos de Campos* 

 

A expressão “desceu ao Hades,” com referência a Cristo, não é encontrada em nenhum lugar das Escrituras. Afirma-se que o Redentor “desceu às regiões inferiores, à terra” (Ef 4.9),1 mas não que ele desceu a um lugar chamado Hades depois de sua morte e sepultamento. Todavia, essa expressão apareceu em dois credos da igreja cristã antiga, ainda que com palavras diferentes. A primeira ocorrência está no Credo Apostólico, que tem a expressão latina “descendit ad inferna” (desceu aos infernos/Hades), e a outra encontra-se no Credo de Atanásio, com a expressão latina “descendit ad inferos” (desceu às regiões inferiores).

O estudo dessa matéria será desenvolvido abaixo, primeiro historicamente, depois teologicamente e então biblicamente.

I. Análise Histórica da “Descida ao Hades”

A expressão “desceu ao Hades,” que aparece no Credo Apostólico, não faz parte das suas formas mais antigas. Ele sofreu alterações posteriores, uma das quais foi a expressão acima. Witsius afirma:

É digno de nota que, antigamente, aqueles credos que possuíam o artigo sobre a descida de Cristo ao inferno, não continham o artigo relativo ao seu sepultamento, e aqueles nos quais o artigo com respeito à descida ao inferno foi omitido, de fato continham o artigo relativo ao sepultamento.

Rufino, o bispo da igreja de Aquiléia, fez alguns comentários sobre o Credo Apostólico em sua Expositio Symboli Apostolici, por volta do final do século IV, dizendo que essa cláusula nunca foi encontrada nas edições romanas (ou ocidentais) do credo. Rufinus acrescenta que a intenção da alteração do Credo em Aquiléia não foi a de acrescer uma nova doutrina, mas a de explicar uma antiga e, portanto, o credo de Aquiléia omitiu a cláusula “foi crucificado, morto e sepultado” e a substituiu por uma nova cláusula, “descendit ad inferna.”

Portanto, originalmente a expressão descendit ad inferna não fazia parte do Credo Apostólico. No tempo de Rufino, ela apareceu inserida no Credo, mas não como um acréscimo ao que já havia, sendo apenas uma expressão substitutiva de “crucificado, morto e sepultado.” O Credo de Atanásio(escrito por volta do século V ou VI) segue mais ou menos a mesma idéia do Credo de Aquiléia, onde a expressão “desceu ao Hades” substitui a expressão “sepultado,” não sendo um acréscimo a ela. Até então, não havia nenhuma modificação significativa na doutrina cristã com respeito à situação da pessoa do Redentor ao morrer, pelo menos nas traduções mais conhecidas do Credo.

Enquanto houve a omissão da cláusula “sepultado” e o aparecimento da cláusula substituta “desceu ao Hades,” ou vice-versa, não surgiu nenhum problema teológico novo. Este apareceu quando as duas expressões acima apareceram no mesmo Credo, uma após a outra. Por volta do século VII, a cláusula descendit ad inferna apareceu em outros credos, mas como um acréscimo a “crucificado, morto e sepultado,” e não como expressão substitutiva dessas coisas acontecidas a Cristo. A partir de então, uma nova doutrina começou a aparecer dentro da igreja cristã, ou seja, a descida de Cristo a um local chamado Hades, após o seu sepultamento. Daí as várias traduções do Credo Apostólico aparecerem assim: “Padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado. Desceu ao Hades. Ao terceiro dia, ressurgiu dos mortos.”

De onde surgiu essa inserção? É difícil identificar a sua trajetória, mas há alguns indícios. Witsius menciona que, por volta de 359, “encontraram-se em Constantinopla cerca de cinqüenta pessoas, e lá compilaram um Credo, no qual professavam que criam em Cristo, que foi morto e sepultado e que ‘penetrou as regiões subterrâneas, nas quais até mesmo o Hades foi golpeado com terror’,”o que dá a entender um sentido diferente e que vai além de um sepultamento, contrastando com o entendimento de Rufino. J. N. D. Kelly também menciona que na doxologia da Didascalia siríaca, que parecia uma formulação credal, havia a seguinte expressão: “Que foi crucificado sob Pôncio Pilatos e partiu em paz, a fim de pregar a Abraão, Isaque e Jacó e a todos os santos a respeito do fim do mundo e da ressurreição dos mortos.”

O descensus (“descida”), como uma atividade de Cristo em um mundo inferior entre a sua morte e a sua ressurreição, não apareceu, a princípio, nas formulações credais da igreja ocidental. Porém, sob a influência do pensamento da igreja oriental desde tempos bem antigos,veio a aparecer posteriormente até mesmo nas formulações ocidentais. Kelly afirma: “Deveria ser observado que após Santo Agostinho é que prevaleceu o hábito ocidental de explicar 1 Pedro 3.19 como um testemunho da missão de Cristo aos contemporâneos de Noé muito antes de sua encarnação.”

A doutrina, que usualmente é chamada de “Descida ao Hades,” desenvolveu-se de forma efetiva na igreja cristã com o passar dos séculos, numa tentativa de reviver a doutrina pagã do Hades. Dentro do pensamento grego havia um lugar para onde iam todos os mortos — o Hades. Este era dividido em dois setores: o Elísio (para onde iam todos os bons) e o Tártaro (para onde iam todos os maus). Essa idéia greco-pagã é razoavelmente coerente, pois pelo menos os maus iam para o lugar chamado inferno, que é uma das traduções de Tártaro, e os bons iam para o paraíso, que é a tradução de Elísio.

Alguns cristãos, com base numa análise equivocada do texto de 1 Pedro 3.18-20e com o apoio da expressão “desceu ao Hades” inserida no Credo Apostólico, tomando a idéia de Hades do conceito pagão, acabaram criando um Hades inconsistente, também com duas divisões: os bons vão para o Paraíso e os maus para o Hades. Isto quer dizer que, se alguém perguntar a esses cristãos qual é a composição do Hades, a resposta será: Paraíso e Hades. A visão pagã dessa matéria é muito mais consistente que a dos cristãos, influenciados pelo conceito pagão de Hades. Do século VII em diante, apareceu uma nova doutrina sobre a atividade de Jesus Cristo após a sua morte e sepultamento num outro lugar que não o céu.

Portanto, durante a história da igreja o pêndulo vai oscilar entre a descida de Cristo ao Hades enquanto esteve entre nós (especialmente ao ser crucificado e sepultado) e uma descida a um local chamado Hades, entre a sua morte e ressurreição. Neste último caso, o grande problema é definir o que ele foi fazer lá. É disso que trataremos com mais detalhes neste ensaio.

II. Análise Teológica de várias tradições sobre
a Descida ao Hades

As várias tradições teológicas mencionadas abaixo, refletindo os seus pressupostos teológicos, deram as suas próprias explicações à expressão “desceu ao Hades” na história da igreja. Houve várias divergências entre os herdeiros da Reforma, que serão analisadas ligeiramente adiante.

A. Visão da Tradição Católica

O entendimento católico é o de que Cristo, após a sua morte, foi ao limbus patrum.10 Na teologia católica, esse lugar é para onde vão os mortos que não são salvos pela graça, mas que não podem ser classificados como pagãos ou mesmo como pecadores réprobos. Esse lugar fica nas bordas do inferno e do purgatório; todavia, não deve ser confundido com eles. O limbus patrum, segundo a teologia católica, não é um lugar de tormentos. É o “seio de Abraão,” ao qual Cristo se refere na parábola do rico e Lázaro. O inferno é o lugar de condenação eterna enquanto que o purgatório é um lugar temporário de punição purgativa reservada para os cristãos que morrem com as manchas dos pecados veniais ou que morrem sem a devida penitência pelos seus pecados.

No limbus patrum, os santos do Antigo Testamento esperavam a sua redenção ser consumada por Jesus Cristo, o que se deu em seu descensus ao Hades. Ali Jesus concedeu às almas dos santos do Antigo Testamento que haviam morrido os benefícios do seu sacrifício expiatório, pois eles estavam esperando o anúncio final da sua salvação. Essa idéia católica desenvolveu-se principalmente na Idade Média, quando se tornou popular.

Os teólogos escolásticos também ensinaram que, ao mesmo tempo em que uma descida temporal e espacial ocorreu somente no limbus patrum, outros efeitos dessa descida estenderam-se a outras regiões do Hades, tais como a manifestação da glória de Cristo sobre o diabo e os condenados e o cumprimento da esperança para os do purgatório.11 

Portanto, se essa explicação é correta, Jesus Cristo teria descido especificamente a um dos compartimentos do Hades, que é o lugar dos bons, anunciando-lhes a salvação consumada. Ele não foi efetivamente ao lugar dos ímpios.

B. Visão da Tradição Anglicana

Por volta de 1537, a teologia anglicana, em uma formulação semi-protestante elaborada no tempo de Henrique VIII, sustentava uma doutrina sobre a descida de Cristo ao Hades semelhante à noção católica, mas com alguns aspectos distintos: a alma de Cristo desceu ao inferno para conquistar a morte e o demônio e para libertar as almas “daqueles homens justos e bons, que desde a queda de Adão morreram por causa de Deus e na fé e na crença deste nosso Salvador Jesus Cristo, que estava para vir.” Sua conquista do demônio destruiu qualquer reivindicação que o diabo tinha sobre os homens, e a descida foi parte do “resgate” pago por Cristo.12 

No período do rei Eduardo VI (1547-1553), houve algumas variações no conceito da descida ao Hades. Thomas Becon elaborou um catecismo,13 onde pergunta: “Cristo sofreu dores também no inferno?” Então, ele responde:

De modo algum. Pois quaisquer que tenham sido as dores que tivesse que sofrer por nossos pecados e impiedades, ele as sofreu todas em seu bendito corpo sobre o altar da cruz.14 

Embora esteja absolutamente certo nisso, Becon também acrescenta que “ele não desceu ao inferno como uma pessoa culpada para sofrer, mas como um príncipe valente para conquistar…”15 

Essa concepção trouxe modificações ao pensamento católico, sendo um pouco mais imaginativa que a tradição anterior. No seu catecismo, Becon deixou transparecer não somente uma teologia de pagamento de penalidade no Hades, mas também uma espécie de teologia do triunfo,16 mesmo estando Jesus Cristo no estado de humilhação, evidenciando uma ligeira semelhança ao pensamento do luteranismo influenciado por Melanchton, que estudaremos adiante.

C. Visão da Tradição da Reforma Radical

Em linhas gerais, há três correntes dentro da reforma radical17 com respeito ao descensus. Por essa razão, a exposição dessa corrente será um pouco mais longa:

1. O Descensus como um Ato divino

Kaspar Schwenckfeld (1489-1561)18 sustentou que um Jesus divino havia descido ao inferno e esse foi um ato unicamente de seu próprio ser divino. Nada de sua natureza humana foi ao Hades. O “espírito vivificado” é o Espírito Santo através do qual a natureza divina foi e pregou no Hades. A idéia é a de um Jesus celestial descendo ao inferno, estabelecendo um púlpito para pregar aos mortos do mesmo modo como o fez enquanto pregou aos vivos: “[Cristo] desceu à prisão [do inferno] e pregou através do Espírito, proclamando-lhes a salvação e o evangelho da graça pelo qual eles haviam estado esperando com grande expectativa.”19 Jesus veio do céu e “tirou todas as suas almas da masmorra da prisão, e as conduziu consigo para o seu reino celestial e ao lugar preparado, e deixou vazia a corte exterior do inferno.”20 Esta última afirmação de Schwenckfeld é espantosa! O inferno esvaziou-se com a obra de pregação do Jesus celestial! Não ficou ninguém na condenação. É uma outra maneira de ensinar um universalismo salvador. Além disso, não há nada de humano naquilo que Jesus teria feito no inferno. Era típico do movimento da reforma radical uma espécie de docetismo, um movimento teológico na história da igreja que negou a plena encarnação e humanidade de Jesus Cristo. Além disso, não foi o Jesus divino que pregou, mas a Terceira Pessoa da Trindade, o Espírito Santo.

2. O Descensus como um Ato Humano

Agora é a vez dos anabatistas Johannes Schlaffer e Johannes Spittelmaier, que ensinaram uma idéia totalmente oposta à anterior. Quem desceu ao inferno foi um Jesus totalmente humano. A descida ao Hades foi uma função da natureza humana do Redentor e é um ritual pelo qual somente o homem deve passar. “Além disso, foi o Jesus mortal que desceu e o Pai divino quem o libertou de lá.”21 

O descensus foi realizado por um Jesus humano, que carece da ajuda do Pai para ser resgatado, antes que por um ser divino. Todavia, o sentido importante do descensus não foi a encarnação, mas a cruz. Este pensamento é bem diferente do primeiro porque torna o descensus algo que aconteceu neste mundo, não num mundo inferior, localizado fora de nosso mundo. O colega de Schlaffer, Spittelmaier, identificou “o inferno deste mundo” de Schlaffer com o inferno de perseguição nas mãos dos cristãos ortodoxos.22 

Portanto, na concepção desses anabatistas, todos os cristãos que sofrem neste mundo por causa de Cristo compartilham dos mesmos tormentos que Jesus suportou. Esses sofredores são libertados dos sofrimentos infernais do futuro porque já experimentaram os sofrimentos semelhantes aos de Cristo.23 Nesse caso, os sofrimentos de Cristo sobre a cruz foram mais um exemplo para os seus,24 e não sofrimentos penais, diminuindo-se, assim, o valor substitutivo e penal dos sofrimentos de Cristo.

3. O Descensus como um Ato do Ser Divino e dos Seres Celestiais e Humanos

Uma outra variação do descensus entre os simpatizantes da reforma radical foi a de Miguel Serveto (1511-1553),25 que Friedman denomina de bizarra.26 À semelhança de Schwenckfeld, ele cria que o corpo de Cristo era composto de material celestial, sendo acentuadamente divino.27 Todavia, Cristo não poderia ficar despojado de sua humanidade ao ser confrontado com Satanás no inferno. A humanidade de Cristo está vinculada ao seu pacto pessoal com o crente, dentro de quem todo mal e o pecado residem. Embora crendo na divindade de Cristo, Serveto “acrescentou uma dimensão totalmente nova à teoria do descensus, porque viu esse evento como um capítulo adicional da batalha cósmica e eterna entre Deus e Satanás, que eventualmente culmina no Apocalipse.”28 A fim de se entender como Deus falhou na batalha contra Satanás e como o Filho tentou descer ao inferno mas também deixou de alcançar a vitória, é necessário conhecer a teoria do mal esposada por Serveto.29 Desde a Queda, Satanás tomou posse da terra, ocasionando a retirada de Deus do ser humano e a entrada da serpente no mesmo. Quando Jesus desceu aos infernos “para resgatar os santos do Antigo Testamento, ele não pode destruir o poder de Satanás dentro de sua própria cidadela.” Escrevendo a Calvino, “Serveto observou que Cristo não desceu à sepultura ou ao lugar onde os corpos dos mortos são colocados, mas na corte mais interior do inferno, onde as almas são tornadas cativas.”30 Todavia, os esforços divinos foram frustrados porque Satanás encarnou-se neste mundo como o papa, que fala pela igreja de Cristo. Os crentes do Antigo Testamento foram libertos, mas a igreja cristã está sob as garras de Satanás encarnado. A doutrina cristológica e trinitária da igreja desde Nicéia é o ensino pervertido de Satanás.31 

Como Deus havia falhado no Éden e Cristo falhou em seu descensus, Deus providenciou outro descensus com manifestação divina, o qual, no entender de Serveto, haveria de ocorrer em 1585, com a descida do arcanjo Miguel. “Após a glorificação do Anticristo (a forma papal de reinado) uma nova glorificação de Cristo é necessária.”32 Além dessa manifestação do arcanjo Miguel, os cristãos também participam dessa luta contra Satanás. Segundo o pensamento de Serveto, todos devem descer ao inferno e expor suas almas à morte sangrenta na luta contra o Anticristo.33 Para Serveto, um Jesus divino desceu ao inferno para libertar os crentes do Antigo Testamento e todos os cristãos devem reproduzir em suas próprias vidas a batalha de Cristo contra Satanás. O cumprimento do descensus se daria somente em 1585, quando o arcanjo Miguel haveria de descer para destruir a Satanás.34 

D. Visão da Tradição Luterana

A interpretação luterana é bem diferente da interpretação das tradições anteriores. Embora Jesus Cristo tenha ido literalmente ao Hades entre a sua morte e ressurreição, o propósito foi o de proclamar a sua vitória sobre Satanás. Lutero vê nesse descensus a conjunção do triunfo de Cristo sobre Satanás com a idéia de levar cativo o cativeiro.

A grande dificuldade dessa interpretação é que ainda não tinha havido nenhuma manifestação de vitória de Cristo, pois a ressurreição ainda estava por acontecer. O resultado do pensamento de Lutero é que, na tradição luterana, a descida ao Hades é o primeiro estágio da exaltação de Cristo.

Na teologia luterana, o descensus ao Hades é tomado com muita seriedade por causa da importância da expressão para essa tradição da Reforma. Todavia, os luteranos não se aventuram a explicar o descensus em seus detalhes, pois deve ser aceito somente pela fé.35 Não é fácil reconciliar as diferentes afirmações de Lutero a respeito da descida de Cristo ao Hades,36 pois ora ele falava da mesma em termos metafóricos, quando Cristo conquistou Satanás, ora em termos literais.37 Todavia, parece-nos que foi Melanchton quem mais influenciou o luteranismo posterior, porque afirmou uma descida real e espacial de Jesus ao Hades e, acima de tudo, tornou esse ato de Jesus uma parte do seu triunfo.38 

O ensino do luteranismo confessional aparece em dois lugares da Fórmula de Concórdia, que é um dos símbolos de fé luteranos. A Fórmula de Concórdia tem duas partes: a Epítome e a Declaração Sólida. Na Epítome está escrito: “Porque é suficiente que saibamos que Cristo desceu ao inferno, destruiu o inferno para todos os crentes e redimiu-os do poder da morte, do diabo e da condenação eterna das mandíbulas infernais.”39 Na Declaração Sólida, há a seguinte afirmação: “Nós simplesmente cremos que a pessoa total, Deus e homem, após o sepultamento desceu ao inferno, conquistou o diabo, destruiu o poder do inferno e tirou do diabo o seu poder.”40 

Lutero cria que Jesus Cristo, em sua natureza humana e divina, desceu ao inferno literalmente. Na única vez em que mencionou o assunto, ele disse: “Eu creio no Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus, que morreu, foi sepultado e desceu ao inferno.”41 Portanto, para o pensamento luterano, a ida ao inferno foi posterior ao sepultamento.

E. Visão da Tradição Arminiana

É comum entre muitas pessoas a idéia de que a morte não coloca um fim no período em que Deus opera com a sua graça para salvar pecadores. Elas sempre tentam arranjar novas oportunidades para os ímpios serem salvos, mesmo que seja após a sua morte. Esse é o caso de vários estudiosos de orientação arminiana, como veremos adiante.

Essa tendência da tradição arminiana evidencia-se naqueles que sustentam a noção mais comum desde os tempos antigos, de que Cristo teria descido ao Hades para pregar o evangelho não somente “a todos os piedosos falecidos na antiga dispensação que creram nele e compartilharam da salvação cristã,”42 mas também aos mortos em geral que não ouviram a pregação enquanto viveram neste mundo.

 A evangelização no Hades também tem como finalidade pregar aos ímpios mortos para dar-lhes uma outra oportunidade de salvação. A doutrina da segunda oportunidade é bastante comum em círculos arminianos. Essas idéias baseiam-se numa interpretação equivocada de 1 Pedro 3.18-20. Eles afirmam que Jesus Cristo foi e pregou o evangelho de salvação aos espíritos em prisão no Hades.

A grande dificuldade da primeira idéia acima é que os santos do Antigo Testamento já haviam crido no Messias e, por isso, estavam justificados (Rm 4.3; Gl 3.6-9), o que torna desnecessária essa evangelização.

F. Visão da Tradição Reformada

Na teologia reformada, a expressão “desceu ao Hades” é muitas vezes omitida inteiramente do Credo dos Apóstolos. Quando, todavia, a expressão aparece, ela substitui “sepultado,” sendo a palavra Hades entendida como uma referência ao “sheol,”43 a região dos mortos, ou como uma referência ao estado de morte.44 Outras vezes, como pensa Calvino, o Hades significa o sofrimento e morte de Jesus como expressão do recebimento da justiça divina.

Calvino sustentava que a descida ao Hades foi a experiência das dores do inferno na alma de Jesus, enquanto o seu corpo ainda estava pendurado na cruz, especialmente a experiência da ira divina contra o pecado que ele suportou no lugar dos seres humanos, que se evidencia numa dor espiritual resultante do abandono de Deus. Ali na cruz, Cristo tomou sobre si as dores da punição que eram devidas a todo o seu povo.45 

Estas idéias de Calvino foram transmitidas a alguns segmentos da Igreja da Inglaterra, no período do rei Eduardo VI, através dos ensinos do bispo anglicano John Hooper, que assim comentou a cláusula descendit ad inferna do Credo Apostólico, por volta de 1549:

Eu creio também que enquanto ele estava sobre a dita cruz, morrendo e entregando o seu espírito a Deus seu Pai, ele desceu ao inferno; isto quer dizer que provou verdadeiramente e sentiu a grande aflição e peso da morte, e igualmente as dores e tormentos do inferno, o que quer dizer a grande ira de Deus e o seu severo julgamento sobre si, até ter sido totalmente esquecido por Deus… Este é simplesmente o meu entendimento de Cristo em sua descida ao inferno.46 

Toda a tradição reformada sustenta, em alguma medida, o que foi dito acima, com algumas pequenas variações, mas sem qualquer prejuízo do entendimento geral de que a descida de Cristo ao Hades deve ser entendida como algo que aconteceu enquanto ele estava sob a ira de Deus no Calvário ou, no máximo, quando foi sepultado.

III. Análise Bíblica da “Descida ao Hades” nas principais
tradições da reforma

Existe base bíblica para afirmar que Jesus Cristo experimentou o Hades — se por Hades entendemos a manifestação do juízo divino — mas não há fundamento bíblico para afirmar que ele desceu localmente ao Hades, após a sua morte e sepultamento. Todavia, é importante que façamos uma análise da interpretação bíblica das principais tradições da Reforma, a fim de que não ignoremos como pensam esses companheiros cristãos.

Dentre os vários textos utilizados pelas diversas correntes teológicas, o de 1 Pedro 3.18-20 é o mais usado e o mais abusado. Vejamos, portanto, a sua interpretação em algumas tradições teológicas.       

A. Interpretação da Tradição Arminiana

Na tradição arminiana não existe uma interpretação única do texto de 1 Pedro 3.20, mas várias que sustentam a doutrina do evangelho da segunda oportunidade. Obviamente, a questão da pregação do evangelho no Hades, dentro do arminianismo, é matéria pertinente à extensão da morte de Cristo, que sem dúvida atinge a todos os seres humanos sem exceção. Os defensores dessa concepção não conseguem aceitar que tantas pessoas tenham perecido sem salvação. Esse pensamento certamente norteia a ideia da pregação evangelística da segunda oportunidade no Hades.

Geralmente, para provar que a pregação no Hades foi de caráter evangelístico, os seus defensores tentam associar o texto de 1 Pedro 3.19 com o de 1 Pedro 4.6, já que o primeiro texto recebe objeção, pois é visto como sendo um texto que não fala de evangelização.

Portanto, a probabilidade de que o significado de khru/ssein (“pregar”) em 1 Pedro 3.19 tenha essa conexão deve ser considerada como irresistivelmente forte contra qualquer outro sentido que não o da pregação do evangelho. A probabilidade é fortalecida pelo uso do verbo eu)hggeli/sqh (“foi pregado o evangelho”) em 1 Pedro 4.6, entendendo que devemos considerar este verso como tendo íntima relação com 3.19.47 

Fica bastante difícil para os defensores do evangelho do Hades provarem a sua tese sem mencionar o texto de 1 Pedro 4.6, mas mesmo assim ela fica enfraquecida porque esse texto não favorece a ligação com 1 Pedro 3.19. Isso veremos mais tarde.

Uma das interpretações mais curiosas é aquela dada no comentário do arminiano De Wette:

Os antediluvianos não haviam tido nenhum redentor e nenhum guia para a vida do Espírito. Portanto, Deus devia (se é que podemos usar essa expressão) suprir-lhes essa deficiência e, assim, por fim, o Senhor ressuscitado lhes trouxe salvação no Hades.48 

O grande erro dessa interpretação é que a Escritura não lhe dá apoio e, além disso, Noé foi o pregador de Deus àquela geração antediluviana, como veremos adiante. Eles não ficaram sem testemunho de Deus. Portanto, não precisavam dessa pregação no Hades.

Outros arminianos admitem que o evangelho já havia sido pregado à geração de Noé, e que essa pregação foi rejeitada, mas não foi uma rejeição definitiva. Por isso, a descida de Jesus ao Hades, conforme o seu entendimento de 1 Pedro 3.20, teria o caráter de uma segunda oportunidade. Um escritor dessa linha de pensamento afirma que “muitos não foram endurecidos irrecuperavelmente.”49  Outro deles ainda afirma: “Esses homens que Pedro pensa que haviam perecido no grande julgamento de Deus, parece que em seu destino terrível não tinham se endurecido irrevogavelmente contra Deus.”50  A rejeição dos homens do passado não foi uma rejeição final do evangelho. “Não é possível que naquelas palavras ‘os quais nos outros tempos foram desobedientes’ possa haver uma sugestão de que essa sua desobediência não tenha sido um ‘pecado eterno,’ que… é o terrível destino daqueles que nunca têm perdão?” Essa interpretação é encontrada em um dos comentários bíblicos mais populares entre os pastores, The Pulpit Commentary.51

Uma outra interpretação curiosa é a de que a pregação do evangelho no Hades foi dirigida àqueles que haviam se arrependido enquanto viveram aqui na terra, mas não tiveram tempo de confessar os seus pecados enquanto eram engolfados pelas águas do Dilúvio. Um desses defensores do evangelho do Hades, o bispo Horsley, tem dificuldade em crer que “os milhões que morreram no Dilúvio tenham morrido impenitentes,” e afirma ainda que “a proclamação benéfica do evangelho foi limitada àqueles que se arrependeram antes da morte.”52 Esse tipo de pensamento baseia-se em mera e fantasiosa suposição. Portanto, o fundamento para esse evangelho do Hades são simples hipóteses. Veja-se a citação a seguir:

Certamente não há nada que nos proíba supor que os antediluvianos aqui referidos (embora tivessem sido, por muito tempo, desobedientes e tivessem resistido à luta do Espírito de Deus mediante a pregação de Noé, enquanto a Arca estava sendo preparada) foram levados ao arrependimento e buscaram misericórdia, quando o dilúvio realmente veio.53 

Não há qualquer fundamento bíblico para essa idéia. Ela reflete uma pura especulação, certamente governada por pressupostos arminianos sobre a extensão da expiação.

Outro defensor do evangelho do Hades afirma que a pregação no Hades é um ministério que Deus confiou a Paulo e a outros apóstolos, com base numa análise falaciosa do texto de 2 Timóteo 1.12, que diz “estou bem certo de que ele é poderoso para guardar o meu depósito até aquele dia.” Segundo essa idéia, Paulo está no Hades, como os outros apóstolos, exercendo o seu ministério evangelístico, esperando receber o prêmio dessa tarefa no dia final.

O gérmen desse pensamento encontra-se nas idéias de Clemente de Alexandria, “que assevera como ensino direto das Escrituras que nosso Senhor pregou o evangelho aos mortos, mas pensa que as almas dos apóstolos devem ter assumido a mesma tarefa quando eles morreram.”54 Luckock também endossa a afirmação acima. Ele diz que “os apóstolos, seguindo o exemplo de nosso Senhor, pregaram o evangelho àqueles que estavam no Hades.”55 Engelder diz que até mesmo os seguidores de Edward Irving56 creram nisso, isto é, “que os apóstolos que morreram continuam a obra da pregação que Cristo começou em sua descida ao Hades.”57 Isto significa que a pregação do evangelho ainda continua a existir no Hades.

Ziethe, um dos defensores dessa posição, diz o seguinte:

Cremos que aquela grande obra de salvação, que o Filho de Deus começou com sua descida ao inferno, será levava a efeito continuamente até o fim dos tempos. Cremos que, no tempo presente, o evangelho também é pregado aos espíritos em prisão, a fim de que eles possam decidir a favor ou contra Cristo, para a sua salvação ou sua condenação.58 

Dificilmente encontraremos capacidade tão imaginativa para justificar o evangelho da segunda oportunidade no Hades. Em nome dos pressupostos arminianos, praticam-se grandes excentricidades exegéticas. É possível que ainda hoje vejamos alguns pregadores se aventurarem a afirmar que desceram aos infernos para pregar aos mortos. Não é de se espantar que ouçamos tais desvios teológicos em nome do amor às almas perdidas, sem levar em conta o ensino genuíno das Escrituras.

Ora, as excentricidades não param por aí. Não somente os apóstolos, mas os santos em geral também são considerados como pregadores dos infernos. O tão celebrado Pulpit Commentary, comentando o texto de Pedro, afirma: “Os santos que partiram espalham as alegres novas do evangelho entre os reinos dos mortos” (p. 145). De maneira convicta, mas equivocada, diz Luckock:

Nós exerceremos na outra vida, no mundo dos espíritos, sob condições espirituais, ministérios especiais e graças peculiares que marcaram nosso trabalho e vida neste mundo terreno… Os espíritos dos justos estão lá, e podemos muito bem imaginar os seus labores em favor dos outros, trazendo-lhes o conhecimento de Deus.59 

Essas idéias também são puramente especulativas e altamente imaginosas. Essa imaginação vai ao ponto de tentar entender o plano de Deus ao retirar as vidas jovens deste mundo. Veja-se o que J. Paterson-Smith diz em seu livro The Gospel of the Hereafter:

Pense como ele (o evangelho do Hades) ajuda nas perplexidades a respeito de Deus quando retira desta vida os jovens e as pessoas úteis. Eu disse a um homem que perguntou “Por que Deus tira um vida nobre como essa e deixa tantas vidas tolas e inúteis neste mundo?” que talvez Deus não quisesse somente as pessoas inúteis e tolas… Os eleitos de Deus na vida futura são ainda eleitos de Deus para o serviço em favor dos outros.60 

A morte prematura desses jovens é considerada como o início de um novo ministério no além túmulo. Ainda lá, para esses defensores do evangelho do Hades, é maravilhoso ver as pessoas evangelizando!

 Essas pessoas revelam o desejo de querer ver o mundo dos espíritos sendo salvo, na sua totalidade, pela pregação da segunda oportunidade. Perguntamos: Até quando as almas dos apóstolos e dos crentes em geral permanecerão no Hades esperando que sejam recebidas no céu? Certamente esse ensino não passa de um romantismo teológico, destituído de qualquer fundamento escriturístico.

B. Textos Usados pelos Defensores do Evangelho do Hades

Além dos textos de 1 Pedro 3.18-20 e 4.6, outros textos são usados pelos defensores do evangelho do Hades.

1 João 3.8 – “Aquele que pratica o pecado procede do diabo, porque o diabo vive pecando desde o princípio. Para isto se manifestou o Filho de Deus, para destruir as obras do diabo.”

Na visão dos defensores do evangelho do Hades, é algo extremamente pernicioso pensar que a grande maioria dos pecadores ficou perdida, pois isso indicaria a derrota e não a vitória de Jesus Cristo. Um de seus proponentes disse: “Certamente se 8/9 dos homens e mulheres nascidos neste mundo perecem eternamente, então Satanás terá triunfado; Cristo terá fracassado em destruir as suas obras.”61 Jesus veio para destruir as obras do diabo, inclusive vencendo a oposição dos homens no inferno. Cristo foi aos infernos inclusive para buscar os perdidos que lá estavam. Se ele veio destruir as obras do diabo, então é necessário admitir que ele esteve no inferno para aniquilar as obras do diabo naquele lugar.

Essa é uma espécie de universalismo disfarçado de amor pelas almas perdidas, com o grave erro de se crer que o inferno é uma criação do diabo e um lugar das atividades atormentadoras do mesmo.

Mateus 5.26 – “Em verdade te digo que não sairás dali, enquanto não pagares o último centavo.”

O comentarista F. W. Farrar, pressupondo o evangelho do Hades, diz:

Se o destino daqueles pecadores (1 Pe 3.19; 4.6) não é irrevogavelmente fixado pela morte, então deve ficar claro e óbvio ao mais simples entendimento que nem necessariamente é o nosso … Que os prisioneiros ali podem ser “prisioneiros da esperança,” decorre de Mt 5.26, onde a mesma palavra fulakh/n (“prisão”- v. 25) é usada.62 

A esperança dos prisioneiros do Hades está no fato de o evangelho ser ali pregado. Mas a idéia de a pessoa ter que ser libertada gratuitamente pelo evangelho, quando tem que pagar até o último centavo, é absurda e contraditória. Se é o evangelho da graça, não há lugar para um pagamento feito pelo próprio homem. É impossível saldar qualquer débito no inferno. Quando objetado sobre esse assunto, Farrar responde com a Escritura: “O que é impossível para os homens, é possível para Deus (Mt 19.26).” Esse texto é uma grande saída, mas está citado totalmente fora de contexto. Não há qualquer autorização para esse tipo de interpretação. É impressionante que tal interpretação tenha sido dada por alguém que escreveu tanto sobre hermenêutica. Ele próprio não aplicou no seu comentário a boa hermenêutica tão propalada em sua obra.63 

Mateus 12.31-32 – “Por isso vos declaro: Todo pecado e blasfêmia serão perdoados aos homens; mas a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada. Se alguém proferir alguma palavra contra o Filho do homem ser-lhe-á isso perdoado; mas se alguém falar contra o Espírito Santo, não lhe será isso perdoado, nem neste mundo nem no porvir.”

A sentença em itálico parece indicar para alguns defensores do evangelho do Hades que há uma possibilidade de perdão de pecados no inferno, exceto para o pecado da blasfêmia. Obviamente, os seus pressupostos arminianos devem conduzir a essa conclusão. Muitos intérpretes desatentos ao ensino geral das Escrituras poderão ter a mesma inclinação. Contudo, o texto está dizendo que o pecado contra o Espírito Santo especificamente não será perdoado em hipótese alguma, mesmo na eternidade (não no estado intermediário, no Hades). É a impossibilidade do perdão desse pecado que está explícita, não o perdão dos outros pecados no Hades, implicitamente.

Mateus 11.20-23 – “Passou, então, Jesus a increpar as cidades nas quais ele operara numerosos milagres, pelo fato de não se terem arrependido. Ai de ti, Corazim! Ai de ti, Betsaida! Porque se em Tiro e em Sidom se tivessem operado os milagres que em vós se fizeram, há muito que elas se teriam arrependido com pano de saco e cinza. E contudo vos digo: No dia do juízo haverá menos rigor para Tiro e Sidom, do que para vós outros. Tu, Cafarnaum, elevar-te-ás, porventura, até o céu? Descerás até ao inferno; porque se em Sodoma se tivessem operado os milagres que em ti se fizeram, teria ela permanecido até ao dia de hoje.”

Esta passagem é clássica para os defensores do evangelho do Hades. Para estes, ela indica que haverá a possibilidade, para aqueles que não tiveram a oportunidade de ouvir o evangelho neste mundo, de o ouvirem no outro mundo. Comentando essa passagem, Traub

mostra que entre a população pagã de Tiro e Sidom, e a de Sodoma, houve aqueles que, se a salvação de Cristo se lhes tivesse sido anunciada, teriam aceito a salvação pela fé. Estas palavras de Jesus Cristo podem ser aplicadas de um modo genérico. Elas provam que, entre aqueles a quem o Evangelho não alcançou nesta vida, há alguns que o teriam aceito caso lhes tivesse sido pregado. Segue-se que a pregação que não os alcançou nesta vida, de algum modo lhes será suprida posteriormente, na vida além.64 

Trata-se de um raciocínio de certa forma lógico, mas destituído do fundamento geral das Escrituras, porque entra simplesmente no terreno das hipóteses, que não pode e não deve ser levado em conta. O que o texto diz não é que tais pessoas terão a oportunidade de salvação no Hades, mas que receberão menor rigor no dia do julgamento. Com menor rigor a punição virá sobre eles, mas não a salvação.

Em resumo, chamei essas idéias de arminianas, não porque todos os arminianos as possuam, mas porque elas são próprias daqueles que ensinam uma espécie de universalismo de redenção e uma universalidade da decisão de Deus de salvar pecadores. Isso é próprio de arminianos que, em nome do amor pelos pecadores, distorcem algumas passagens da Escritura para mostrar que haverá oportunidade de salvação até no Hades. Por essa razão, todos os defensores do evangelho do Hades sempre citam as passagens bíblicas usadas pelos arminianos para mostrarem o propósito universal da salvação de Deus. Afinal de contas, Farrar diz:

Esta minha crença (de que Aquele que é Senhor de ambos, vivos e mortos, pode salvar almas pecaminosas mesmo após a morte do corpo) é fundada, não como tem sido afirmado, nos dois textos de Pedro, mas no que me parece ser o teor geral da totalidade das Escrituras, como uma revelação do amor de Deus em Cristo… É, portanto, uma doutrina que não somente se harmoniza melhor com a crença instintiva do homem sobre a justiça e misericórdia de Deus, mas também é muito mais escriturística e muito mais católica do que outras…65 

Aí está! Farrar, mesmo afirmando o contrário, invalida as Escrituras pelos seus pressupostos (que ele chama de “escriturísticos”) de um amor salvador de Deus que teria caráter absolutamente universal. É exatamente isto que muitos arminianos, propositadamente ou não, costumam fazer.

C. Interpretação da Tradição Luterana

Para os luteranos, o texto de 1 Pedro 3.18-20 “é a passagem mais clara do Novo Testamento sobre a descida ao inferno.”66 Vamos analisar apenas algumas expressões-chave em que a teologia luterana se distingue das outras.

Verso 18 – observe a expressão “vivificado em espírito.” A exegese feita por alguns luteranos indica que Jesus Cristo, quando morreu, e antes de ser ressuscitado, teve o seu espírito restituído ao seu corpo e, com a totalidade da sua natureza humana, foi ao inferno, o que é altamente estranho. Nesse caso, a idéia de morte fica totalmente prejudicada, pois morte é separação. Se a pessoa total de Jesus Cristo foi ao Hades, então a morte deixa de existir em Cristo.

Tratando da expressão “vivificado em espírito” (v. 18)67 — que é diferente da ressurreição para os luteranos —, Scharlemann diz: “Quando nosso Senhor morreu na cruz, lemos que ele entregou o seu espírito nas mãos do Pai (Lc 23.46). O dativo de referência em nosso texto poderia, entretanto, sugerir que Jesus foi trazido à vida no sentido de que o seu espírito retornou ao seu corpo.”68 

A base dessa interpretação é apoiada curiosamente pelo fato de o retorno da filha de Jairo à vida ser descrito em termos de seu espírito estar retornando ao seu corpo (Lc 8.55).69 Portanto, “o espírito” mencionado no verso é o da natureza humana de Jesus Cristo, que estava com o Pai no período entre a morte e a ressurreição, e veio a juntar-se ao corpo novamente, a fim de que o Cristo total fosse ao inferno, mas sem haver ressurreição.

Verso 19 – vimos que, para Scharlemann, a “vivificação” é a situação em que o espírito de Cristo voltou ao seu corpo entre a morte e a ressurreição. Nesse processo,

particularmente quando Cristo estava sendo trazido à vida (“vivificação”), no momento antes de manifestar-se como o Senhor ressuscitado, ele foi e fez a proclamação aos espíritos em prisão. Essa interpretação distingue, portanto, entre o ser trazido à vida e a ressurreição, e sugere que o Deus-homem em seu estado glorificado foi e fez a proclamação em prisão antes de apresentar-se a si mesmo na tumba aberta.70 

A citação acima mostra, portanto, que a descida ao Hades é o primeiro estágio da exaltação de Cristo, porque ele foi trazido à vida. O problema é definir o que vida significa aqui. Por causa dessa interpretação, é possível, para a teologia luterana, que o estado de exaltação comece com a proclamação de Cristo no inferno, pois aí ele já está vivificado.

1. Qual é o conteúdo da proclamação?

Em si mesma, a palavra “pregou” não define o seu conteúdo, segundo o entendimento da teologia luterana. Certamente, a palavra nada tem a ver com evangelização. Dentro do conceito luterano, a proclamação não tem nada a ver com a segunda chance da pregação do evangelho feita no inferno. A argumentação para essa negativa é que há diferença entre khru/ssw (proclamar) e eu)anggeli/zomai (evangelizar). Quando Cristo quis falar de evangelização ele usou o segundo verbo, ou, quando usou khru/ssw, ele acrescentou que “pregou o evangelho” (Mc 1.14).

Também se diz que Cristo “foi” e pregou. Segundo o entendimento luterano, não é possível espiritualizar essa “ida” ao inferno, como costumam fazer os calvinistas, dizendo que “quando Cristo morreu na cruz, os efeitos de sua morte foram sentidos no reino dos mortos… Como não temos nenhum direito de espiritualizar a ascensão, assim há pouca justificação para retirar daqui o sentido mais importante do verbo ou ignorá-lo. Cristo “foi e pregou aos espíritos em prisão.”71  Existe, portanto, a ideia de movimento de um local para outro, e não simplesmente a espiritualização da ideia.

2. A quem se fez essa proclamação?

Essa pergunta tem a ver com os “espíritos em prisão.” Quem eram eles? As respostas não são absolutamente unânimes entre os luteranos.

Lutero, no seu comentário do livro de Oséias, na edição de 1545, refere-se ao texto de 1 Pedro 3.18, dizendo:

Aqui Pedro diz claramente que Cristo apareceu não somente aos pais e patriarcas mortos, a quem ele em sua ressurreição levantou consigo mesmo para a vida eterna, mas que ele pregou a alguns que, nos tempos de Noé, não creram, mas confiaram na paciência de Deus, isto é, esperaram que Deus não tratasse tão severamente toda a carne, a fim de que eles pudessem saber que seus pecados foram perdoados através do sacrifício de Cristo.72 

Portanto, a idéia de Lutero é que a pregação de Cristo visou confirmar a salvação daqueles que haviam vivido nos tempos antigos, confiaram na paciência de Deus e agora estavam em prisão no Hades. Em outras palavras, Deus salvou alguns que confiaram não na pregação de Deus, mas na sua paciência. A esses Jesus confirmou a sua redenção.

Obviamente, essa idéia de Lutero não é bem-vinda entre os luteranos de modo geral. Scharlemann diz que “seria difícil concordar com a última parte dessa afirmação, mas a primeira parte indica que nos últimos anos de sua vida Lutero viu o descensus à luz de 1 Pedro.”73 Melanchton confirma que posteriormente Lutero mudou a sua posição nesse assunto. Ele ficou “disposto a pensar sobre a pregação de Cristo no Hades, referida em 1 Pedro, como tendo possivelmente efetuado também a salvação de pagãos mais nobres como Scipio e Fabius.”74 

A visão luterana oficial é a sustentada pelos seus símbolos de fé já citados, que assimilam o pensamento cristão do século IV, segundo o qual o descensus ocorreu para conquistar a morte e o inferno, sem contudo comprometer-se na matéria da libertação dos santos do Antigo Testamento.75 

Respondendo a pergunta acima, podemos dizer que, de acordo com o pensamento luterano, a proclamação de vitória é feita aos que no tempo de Noé recusaram-se a crer e agora estavam em prisão. O texto de Pedro “ensina claramente que Cristo desceu à região dos condenados, àqueles que deliberadamente rejeitaram a graça de Deus no tempo de Noé, a fim de fazer-lhes a proclamação.”76 

Mas qual é o sentido de fulakh/ (“prisão”)?

A resposta a essa pergunta define quem eram os “espíritos.” Os luteranos rejeitam a idéia de que o Hades é o lugar para onde vão todos os mortos, mas a “prisão” é o lugar onde ambos estão sob guarda, os anjos caídos e os espíritos dos incrédulos. “Prisão” para eles é mais ou menos sinônimo de “abismo” (Ap 9.1,2,11; 11.17; etc.), que é o lugar onde estão os espíritos dos demônios.

Em contraste com o conceito pagão e com o conceito pagão-cristão, o Hades, para os luteranos, é apenas o lugar para onde vão os espíritos caídos e os espíritos dos incrédulos, e não o lugar para onde vão todos os mortos, sejam eles crentes ou incrédulos. “Prisão” é o oposto de “seio de Abraão,” para a qual vão os santos após a sua morte, conforme Lucas 16.22-25.

Resumindo a interpretação luterana sobre o texto de 1 Pedro 3.18-20, podemos dizer que “Cristo, segundo o seu corpo glorificado, desceu ao inferno para lá fazer proclamação de si mesmo como o Messias. Esse foi o primeiro estágio de sua exaltação.”77 

D. Interpretação da Tradição Reformada

O texto de 1 Pedro 3.18-20 deve ser interpretado à luz de outros textos da Escritura que ajudam a esclarecê-lo. O apelo dos teólogos reformados deve ser às informações bíblicas e não às informações do Credo Apostólico (com o acréscimo do descendit ad inferna). Estes são pontos fundamentais que não podem ser esquecidos.

Lembremo-nos de que a controvérsia sobre o Hades recrudesceu quando da inserção no Credo, por volta do sétimo século, da frase “descendit ad inferna” após a cláusula “crucificado, morto e sepultado.” Antes disso, pouca coisa havia na igreja sobre essa matéria. Portanto, o foco desse assunto deve ser o ensino geral das Escrituras, não a afirmação credal.

1. Rejeição do Conceito Cristão-Pagão de Hades

A fé reformada, em sua constante busca de consistência bíblica e teológica, rejeita tanto a formulação pagã como a cristão-pagã a respeito do Hades, exemplificadas acima. Não há um lugar para onde vão todos os mortos igualmente, um lugar específico de espera até que chegue o dia da ressurreição. Não há dois compartimentos separados no mesmo Hades: um lugar para os bons e outro para os maus, como é ensinado em algumas teologias. A fé reformada crê inequivocamente que, quando morrem, os homens vão para lugares diferentes. Os ímpios que morrem sem o conhecimento salvador de Jesus Cristo vão para a condenação, o que a Escritura chama de inferno, aguardando o juízo final. Os que morrem no Senhor, isto é, os genuínos cristãos, vão estar com Cristo imediatamente, até o dia final. Por isso é que Paulo diz: “… prefiro morrer e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor” (Fp 1.23). Não há como abrir mão dessas verdades.

2. Interpretação de 1 Pedro 3.18-20

Esse é o texto crucial com o qual todas as correntes se defrontam. Já vimos algumas interpretações. Doravante, a análise será de acordo com o ensino geral das Escrituras, como entendem os pensadores de linha calvinista, também chamados de reformados.

a. Qual é o sentido de “carne” e “espírito vivificado”?

Neste texto, essas duas palavras não devem ser tidas como referências antitéticas à mesma natureza humana do Redentor, isto é, referindo-se ao corpo e à alma de Jesus Cristo, pois esse não é o propósito do texto. Há lugares em que esse tipo de interpretação é possível,78  mas não aqui. Neste texto, Pedro está contrastando dois estados diferentes de existência de nosso Redentor: um está na esfera da limitação em que viveu enquanto conosco, com respeito à sua natureza humana, no seu estado de humilhação; o outro é uma esfera de poder e de não-limitação, que ele teve antes de encarnar-se e que veio a possuir depois de exaltado.

Essa mesma ideia, com outras palavras, aparece em Romanos 1.3-4, onde Paulo contrasta as duas existências do Filho encarnado, chamando-as de existência “segundo a carne” (existência humana, vinda da descendência de Davi) e existência “segundo o espírito de santidade,” revelando o seu estado vitorioso de não limitação. Em 1 Timóteo 3.16 esses dois estados de existência do Redentor também são apresentados: “manifestado na carne e justificado em espírito.” O próprio Pedro apresenta a mesma ideia em 4.6, referindo-se aos mortos que, segundo os homens, haviam sido “julgados na carne” (terminaram a sua existência humana de fraqueza) e agora “viviam no espírito,” segundo Deus (uma existência em poder e vitória, sem as limitações da existência em fraqueza).79 O texto de 1 Pedro 3.18 também dá essas duas conotações ao Redentor:

1. O estado de limitação e fraqueza do Filho de Deus:

A palavra aqui usada para “carne” é a mesma palavra grega (sa/rc) encontrada em outros lugares da Escritura, não significando, contudo, a parte material do homem ou a sua natureza pecaminosa, mas certamente a sua vida humana neste presente estado, a existência humana como ela é agora. Segundo o entendimento de Pedro, estar “morto na carne” refere-se simplesmente à humanidade de Cristo no estado de fraqueza (não de pecaminosidade) a que estava exposto. Quando ele morreu na carne, ele saiu desse estado de fraqueza e fragilidade. Neste sentido, portanto, é que devemos entender a expressão “morto na carne.” Todavia, não foi nesse estado que ele “pregou aos espíritos em prisão.”

2. O estado de não limitação e força do Filho de Deus

Às vezes, a palavra pneu=ma (“espírito”) usada no verso 18 tem sido traduzida com letra maiúscula, como uma referência ao Espírito Santo, mas parece-nos que não há porque interpretá-la assim. Se assim fosse, ela não teria nenhuma referência a Cristo, mas à terceira pessoa da Trindade, o Espírito. A nossa questão aqui é a respeito do Filho.

O pensamento do verso 18 não é que o corpo de Jesus morreu e que o seu espírito reviveu. Essas coisas não fazem sentido para Jesus Cristo e nem para qualquer outro ser humano comum, pois quem morre é o homem e quem ressuscita é o homem, não o corpo ou o espírito.

A expressão “vivificado em espírito,” que possui similares em outros textos da Escritura, diz respeito à vitória de Cristo na ressurreição, combinando-se com o que Paulo diz em 1 Timóteo 3.16. Todavia, neste texto específico de 1 Pedro 3.19, o espírito vivificado ou vivificador pode ter mais significado se o entendermos como a natureza divina do Redentor, antes de ele encarnar-se. Ele vivia nesse estado de poder e não limitação que contrasta com o estado de fraqueza em que esteve nos dias de sua carne, e foi nesse tempo de não limitação que ele foi e pregou aos espíritos em prisão, quando eles viviam no tempo de Noé.

b. Qual é o sentido de “no qual” (v. 19)?

Quando o texto de Pedro diz “vivificado em espírito, no qual também foi,” não está se referindo ao lugar aonde ele foi depois da morte, mas onde ele estava quando havia desobedientes nos tempos de Noé. Foi nesse espírito de vivificação que ele pregou através dos profetas nos tempos antigos, como veremos adiante.

A palavra “também” (do verso 19) desvia o assunto para esse mesmo estado de não limitação de Cristo, que o levou a estar presente na vida dos pregadores no tempo da desobediência dos contemporâneos de Noé. Ele não poderia ter feito isso nos dias da sua carne, isto é, da sua existência terrena. Ele foi antes de ser o Verbo encarnado, quando de sua existência absolutamente ilimitada.

c. Para onde foi o Filho de Deus?

Cristo não foi literalmente ao inferno entre a morte e a ressurreição para pregar aos aprisionados que lá estavam, porque a Escritura mostra claramente o lugar para onde ele foi depois que morreu e foi sepultado. Certamente ele também não foi ao inferno após a sua ressurreição.

Quando Jesus Cristo foi “morto na carne,” ele foi estar com seu Pai, pois a Escritura afirma que, antes de expirar, ele disse: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito” (Lc 23.46).

Quando Jesus Cristo foi “morto na carne,” ele foi para o céu, com seu Pai. No mesmo contexto da cruz, quando interpelado pelo ladrão à sua direita, que lhe suplicava “Lembra-te de mim, quando entrares no teu reino,” ele replicou: “Hoje mesmo estarás comigo no paraíso” (Lc 23.43). Se formos buscar na própria Escritura o sentido de Paraíso, verificamos que é sinônimo de céu (o “terceiro céu,” o lugar em que Deus habita de modo especial).80 Essa foi a idéia que Paulo deu a respeito de sua subida ao terceiro céu, que ele equipara ao paraíso (ver 2 Co 12.2-4). Portanto, o lugar em que Jesus Cristo permaneceu após a sua morte e até a ressurreição, não foi o Hades, mas o céu (ou o Paraíso),81 o lugar de santa bem-aventurança e gozo!

Além disso, quando Jesus Cristo estava para morrer, ele disse que todo o seu sofrimento pela redenção do pecador estava no final. Jesus exclamou: “Está consumado” (Jo 19.30). Ele não teria que descer ao Hades para fazer qualquer pagamento, nem terminar sua obra de evangelização ou mesmo proclamar a sua vitória. Toda a obra de redenção e de proclamação pessoal do Redentor havia cessado.

d. Quando ele pregou?

A preocupação do texto de 1 Pedro 3.18-20 não é o que Cristo fez entre a morte e a ressurreição, mas o que ele fez no seu estado pré-encarnado (de poder e de não-limitação) no reino espiritual, no tempo de Noé.82 

O texto diz que ele, “vivificado em espírito,” isto é, em espírito poderoso (não em fraqueza e humilhação, como foi o caso da sua vida entre nós), “também foi e pregou aos espíritos em prisão.” Foi nesse mesmo espírito de poder ou de existência poderosa e ilimitada que ele pregou. A palavra “também” (do verso 19) define uma outra época, não após a morte e antes da ressurreição. Esse Redentor foi e pregou aos contemporâneos de Noé. Nesse espírito, isto é, nesse estado de poder é que ele também foi e pregou aos espíritos em prisão, que viviam escravizados no tempo em que Noé pregou. Isto está comprovado pelo fato de, nessa mesma carta, Pedro dizer que o espírito de Cristo, que é a sua natureza divina ilimitada e cheia de poder, estava presente nos pregadores, ou profetas, dos tempos antigos (1 Pe 1.11).

e. O que ele pregou?

Pode ser perfeitamente deduzido do contexto dessa Epístola de Pedro que Jesus Cristo pregou o evangelho aos contemporâneos de Noé. Espiritualmente, Cristo estava presente em Noé quando este era o “pregoeiro da justiça,” pois o mesmo Pedro menciona a salvação da qual os profetas falaram, “investigando atentamente qual a ocasião ou quais as circunstâncias oportunas, indicadas pelo Espírito de Cristo, que neles estava, ao dar de antemão testemunho sobre os sofrimentos de Cristo, e sobre as glórias que os seguiriam” (1 Pe 1.11). Esse verso indica que Pedro admite que Noé era um profeta, ou seja, um “pregador da justiça” (2 Pe 2.5), em quem e através de quem Jesus Cristo pregou. O conteúdo da mensagem não foi de condenação final. Portanto, podemos afirmar com certeza que o conteúdo da pregação do “espírito vivificado,” através de Noé, era de salvação do juízo de Deus que haveria de vir sobre o mundo ímpio. Noé certamente pregou aos seus contemporâneos para que se arrependessem e cressem na libertação divina através da arca, pela qual apenas oito pessoas foram salvas (v. 20).83 

f. Quem são os espíritos aprisionados?

A frase “espíritos em prisão” sozinha não define a matéria, mas quando a examinamos à luz das frases que vem a seguir, podemos ter uma noção clara do que Pedro está falando.

De acordo com o texto de 1 Pedro 3.18-20 e seu contexto, não há nenhuma possibilidade razoável de que a expressão “espíritos em prisão” não se refira aos desobedientes do tempo de Noé. O texto não fala de justos que foram para o Hades, nem de anjos aprisionados, como querem alguns, mas de pessoas que, noutro tempo, rejeitaram a pregação de Noé, e que eram consideradas “espíritos em prisão,” incapazes de fazerem quaisquer coisas por si mesmas para a sua própria salvação. Se cremos que Cristo pregou através do seu espírito ilimitado, e creio que o fez, as únicas pessoas mencionadas são essas: os contemporâneos de Noé. Ninguém mais. Obviamente que, nesse sentido, Cristo não foi ao inferno. Os espíritos em prisão são unicamente indivíduos que viveram nos tempos de Noé, que não foram salvos e que, por causa de seu cativeiro em cegueira espiritual, permaneceram incrédulos quanto à mensagem de Noé. Embora possamos crer que estavam em prisão (sob condenação) quando Pedro escreveu a carta, todavia, já eram prisioneiros de sua cegueira espiritual quando a mensagem de Noé lhes chegou aos ouvidos, porque eram escravos da desobediência. Foi a esses que Cristo pregou através de Noé.

Portanto, a passagem de 1 Pedro 3.18-20 não fala de uma viagem de final-de-semana de Jesus Cristo ao inferno, mas refere-se a uma pregação feita pelo espírito de Cristo, que é o espírito vivificado, através de Noé (1 Pe 1.11), aos seus contemporâneos (2 Pe 2.5), que eram homens desobedientes e, portanto, aprisionados à sua natureza pecaminosa. Além disso, eles agora estavam presos no inferno, sob condenação (pelo fato de terem sido desobedientes no tempo de Noé) quando Pedro escreveu essas palavras.84 

3. A Doutrina do Hades nos Símbolos de Fé Reformados

a. O que a fé reformada rejeita

A fé reformada rejeita qualquer noção de descida literal de Jesus ao Hades após a sua morte e antes da sua ressurreição. Embora estivesse sob “o estado de morte”85 até a sua ressurreição, ele não passou um fim-de-semana num lugar chamado Hades.

A fé reformada rejeita qualquer possibilidade da pregação de uma segunda oportunidade de salvação feita por Jesus, pelos apóstolos ou por outros santos quaisquer no Hades, depois de sua morte. A morte de todos os apóstolos e crentes é a abertura para a sua entrada no céu, é o descanso das suas fadigas desta vida, e não o trabalho penoso de evangelizar no inferno. De modo contrário, a morte de todos os ímpios é o selo do seu destino eterno. Não há mais qualquer oportunidade de redenção após a morte.

A fé reformada rejeita a idéia luterana de que Jesus Cristo teria descido ao Hades para proclamar a sua vitória (sendo esse o primeiro estágio de sua exaltação), porque de acordo com as Escrituras e os seus símbolos de fé, a exaltação de Jesus Cristo começa com a sua ressurreição, que é a sua vitória sobre a morte!

A fé reformada rejeita qualquer noção de que os crentes do Antigo Testamento estivessem cativos no Hades, e de que Jesus Cristo lá desceu para libertá-los, usando-se Efésios 4.8-9 como texto-prova para justificar tal posição. A Escritura ensina que os crentes do Antigo Testamento não foram para o Hades após a sua morte, mas foram estar com Deus (Sl 73.23-24), como é também o ensino do Novo Testamento. As Escrituras afirmam que aqueles que morrem têm os seus corpos sepultados e seus espíritos voltam para Deus, que os deu (Ec 12.6-7). Elas também afirmam que Elias, Enoque e Moisés estão no céu com Deus, e não no Hades (Gn 5.24; 2 Rs 2.11; Lc 9.29-32).

A fé reformada rejeita que Satanás possuía as “chaves” da morte, do inferno e da sepultura, e que Jesus desceu ao Hades para tomá-las dele. Não há qualquer sugestão nas Escrituras de que essas coisas pertençam a Satanás. Falando sobre Jesus Cristo (conforme a interpretação joanina no Apocalipse), Isaías diz que a chave do senhorio do universo pertence a Jesus Cristo (Is 22.21-22 e Ap 3.7). Há somente outros dois versos da Escritura que mencionam as chaves, e Satanás nunca é associado a elas. O primeiro texto diz que a “chave do reino dos céus” foi entregue por Jesus aos apóstolos (Mt 16.19) e o segundo afirma que as chaves da “morte e do inferno” pertencem a Jesus Cristo (Ap 1.18). Somente o Senhor possui as chaves da morte e do inferno. Ninguém mais!

b. O que a fé reformada aceita

A fé reformada também aceita o Credo Apostólico como expressão da fé genuína dos pais da igreja. Contudo, o entendimento dos reformados com respeito ao Hades é diferente do de muitos cristãos evangélicos. Os símbolos de fé reformados explicam o sentido da expressão “desceu ao Hades,” inserida no Credo de Aquiléia no quarto século, como uma expressão substitutiva para descrever o que aconteceu a Jesus Cristo, como nosso representante, na cruz.

Observe-se a resposta à pergunta 44 do Catecismo de Heidelberg:

P. Por que se acrescentou: “Ele desceu ao Hades”?

R. Para que em minhas maiores tribulações eu possa estar seguro de que Cristo, meu Senhor, através de indizíveis terrores, dores e angústias que sofreu em sua alma na cruz e antes dela, redimiu-me da angústia e dos tormentos do inferno.

Veja-se a resposta do Catecismo Maior de Westminster à pergunta 50:

P. Em que consistiu a humilhação de Cristo depois da sua morte?

R. A humilhação de Cristo, depois da sua morte, consistiu em ser ele sepultado, em continuar no estado dos mortos e sob o poder da morte até ao terceiro dia, o que, aliás, tem sido expresso nestas palavras: Ele desceu ao inferno (Hades).

De maneira diferente do Catecismo de Heidelberg, o Catecismo de Westminster interpreta o Hades como sendo sepultura ou, ainda melhor, o estado de morte.

Contudo, entre os escritores reformados prevalece a idéia dos símbolos combinados. A significação de Hades, no Credo Apostólico, é a de que Jesus Cristo experimentou a condenação divina que se evidencia na humilhação de morrer e ser sepultado, ficando sob o poder da morte, mas tais escritores incluem, sobretudo, os seus sofrimentos agonizantes antes e durante o tempo que passou na cruz. Experimentar o inferno é experimentar o doloroso abandono da presença confortadora de Deus. Foi exatamente isso que Cristo experimentou. A ira de Deus desceu sobre o Filho encarnado e se manifestou não somente nas dores infernais do seu corpo, mas também nas angústias infernais que se apoderaram de sua alma. Portanto, Jesus nunca desceu ao Hades literal e espacialmente, mas experimentou intensivamente todas as coisas que o Hades representa, descritas acima. Ele experimentou o inferno antes da morte e na própria morte, mas nunca depois dela, numa viagem de final-de-semana a um lugar chamado Hades.

Por causa da experiência infernal que Cristo teve em face do juízo divino, aqueles por quem ele morreu são libertos para sempre da condenação do inferno. É esse o sentido que os reformados dão para a frase descendit ad inferna. Nessa obra libertadora de Jesus Cristo nos regozijamos e por ela a Deus bendizemos!

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*    O autor é ministro presbiteriano e professor. Obteve o seu doutorado (Th.D.) na área de Teologia Sistemática no Concordia Theological Seminary, em Saint Louis, Missouri, Estados Unidos.

1      Essa tradução opcional está no rodapé do texto de Almeida, Versão Revista e Atualizada, e tem o apoio de alguns estudiosos recentes, como é o caso de Wayne Grudem em seu artigo “He Did not Descend Into Hell: A Plea for Following Scripture Instead of the Apostle’s Creed,” Journal of the Evangelical Theological Society 34/1 (Março 1991), 108.

2      Herman Witsius, Dissertations on The Apostle’s Creed, vol. II, reimpressão (Presbyterian and Reformed Publishing Company, 1993), 140.

3      Citado por W. G. T. Shedd, Dogmatic Theology, vol. II (Nova York: Charles Scribner’s Sons, 1889), 604.

4      Desde o século IX, o Credo Atanasiano tem sido atribuído a Atanásio (297-373), o bispo de Alexandria e o principal defensor da divindade de Cristo e da doutrina ortodoxa da trindade. Todavia, desde o século XVII, abandonou-se entre católicos e protestantes a idéia de Atanásio como o seu autor. A origem desse credo remonta à igreja latina da escola de Agostinho, provavelmente na Gália ou norte da África (ver Philip Schaff, The Creeds of Christendom [Grand Rapids: Baker:1990], Vol. I, 35-36).

5      Witsius, Dissertations, 141.

6      J. N. D. Kelly, Early Christian Creeds (Essex, England: Longman House, 1986), 379.

7      Ver ibid., 379.

8      Ibid., 380.

9      Neste artigo, não examino as interpretações recentes de grupos neo-pentecostais ou carismáticos. Se o leitor quiser alguma informação a respeito, pode consultar o capítulo “Redemption in Hell” do livro de Hank Hanegraaff Christianity in Crisis (Eugene, Oregon: Harvest House Publishers, 1993), 163-167.

10     Richard A. Muller, Dictionary of Latin and Greek Theological Terms (Grand Rapids: Baker, 1986), 178, 253.

11     Dewey D. Wallace, Jr. “Puritan and Anglican: The Interpretation of Christ’s Descent Into Hell in Elizabethan Theology,” Archiv Für Reformationsgeschichte 69 (1978), 250-51.

12     Wallace, Jr., “Puritan and Anglican,” 256.

13     John Ayre, ed., The Catechism of Thomas Becon…With Other Pieces by Him in the Reign of King Edward the Sixth, Parker Society nº 3 (Cambridge: Cambridge University Press, 1844), 33.

14     Ibid., 258, nota 48.

15     Ibid. Ver John Ayre, ed., Prayers and Other Pieces of Thomas Becon, Parker Society nº 4 (Cambridge: Cambridge University Press, 1844), 139.

16     Wallace, Jr., “Puritan and Anglican,” 257.

17     Eram os partidários da Reforma que desejavam uma mudança mais drástica com respeito aos costumes e práticas da religião católica do que havia acontecido nos termos de Lutero, Zuínglio e Calvino.

18     Um diplomata aristocrático alemão e teólogo leigo que teve conflitos teológicos com Lutero, Calvino e Zuínglio a respeito de disciplina eclesiástica, cristologia e Santa Ceia (ver J. D. Douglas, ed., The New International Dictionary of the Christian Church [Grand Rapids: Zondervan, 1978], 888).

 19     Kaspar Schwenckfeld, Corpus Schwenckfeldianorum, vol. 10 (Leipzig, 1907-1961), 364 (citado por Jerome Friedman, “Christ’s Descent into Hell and Redemption Through Evil: A Radical Reformation Perspective,” Archiv für Reformationsgeschichte 76 [1985], 220).

20     Ibid. (citado por Jerome Friedman. “Christ’s Descent Into Hell,” 220).

21     Friedman, “Christ’s Descent Into Hell,” 222.

22     Ibid., 222.

23     Ibid.

24     “O descensus foi realizado por um Jesus humano, antes que por um ser divino, e foi dirigido… como um exemplo para toda a raça humana, para despertar a devoção a Cristo e como condição para se ressuscitar com Jesus” (Ibid., 222).

25     Brilhante médico espanhol. Interessado em teologia, escreveu sobre a Trindade e sobre cristologia. Foi acusado de heresia por católicos e protestantes, sendo morto em Genebra em 27-10-1553, após ter sido condenado pelo Conselho da cidade.

26     Friedman, “Christ’s Descent Into Hell,” 222.

27     “O corpo de Cristo é em si mesmo o corpo da divindade, e sua carne é divina, a carne de Deus, o sangue de Deus. A carne de Cristo foi gerada da substância celestial de Deus” (Ibid., 222-23).

28     Ibid., 226.

29     Ibid., ver pp. 227-229.

30     Essas informações sobre Serveto são encontradas em sua obra Christianismi Restitutio (Vienne, 1553), 621-622 (citada por Friedman, Ibid., 227-228).

31     Friedman, “Christ’s Descent Into Hell,” 228.

32     Ibid., 228.

33     Ibid.

34     Ibid., 229.

35     The Book of Concord, ed. Theodore G. Tappert (Filadélfia: Fortress Press, 1988), 492.2.

36     “Algumas vezes ele fala de maneira muito livre e em termos mitológicos de Cristo indo ao inferno, dominando e despojando Satanás; mas ele próprio reconhecia o caráter metafórico de tal linguagem e em outro lugar discutiu a descida como sendo primariamente uma experiência espiritual mais interior da alma de Cristo (sem negar, contudo, que houve uma descida literal).” (Wallace, Jr., “Puritan and Anglican,” 252). Ver também Friedrich Loofs, “Descent to Hades,” Encyclopedia of Religion and Ethics, ed. James Hastings (Nova York: Charles Scribner’s, 1924), IV, 656-657.

37     Wallace, Jr., “Puritan and Anglican,” 252.

38     Ibid., 253.

39     The Book of Concord, 492.4.

40     Ibid., 610.2.

41     Em seu sermão no Castelo de Torgau, em 1533. Ver a “Fórmula de Concórdia,” no Livro de Concórdia, 610.1.

42     Citado por Gotthilf Doehler, “The Descent into Hell,” The Springfielder 39 (Junho 1975), 16.

43     Martin Bucer, o reformador de Estrasburgo, e Leo Jud, um colega de Zuínglio, disseram que o descensus significava que Cristo estava verdadeiramente morto, tendo descido à sepultura (Wallace, Jr., “Puritan and Anglican,” 253, 254 [nota 24]).

44     Isto foi sustentado por Jerônimo Zanchi, que trabalhou em Estrasburgo e Heidelberg (Ibid., 254, nota 25). Assim também afirma o Catecismo Maior de Westminster, pergunta 50.

45     João Calvino, Institutas, 2.16.8-12.

46     Later Writings of Bishop Hooper, Together with his Letters and Other Pieces, ed. Charles Nevinson, Parker Society nº 21 (Cambridge: Cambridge University Press, 1852), 30 ([citado por Wallace, Jr., “Puritan and Anglican,” 258]).

 47 Citado por Theodore Engelder, “The Argument in Support of the Hades Gospel,” Concordia Theological Monthly 16 (1945), 380.

48     Citado por Engelder, Ibid., 382.

49     Edward H. Plumptre, The Spirits in Prison and Other Studies on the Life After Death (Londres: Isbister, 1898), 111, 114. Citado por Engelder, “Argument in Support of the Hades Gospel,” 382.

50     J. Paterson-Smith, The Gospel of the Hereafter (Nova York: Fleming H. Revell, 1910), 66.

51     The Pulpit Commentary, eds. H. D. M. Spence e Joseph S. Exell (Nova York: Funk & Wagnalls,1890), 135.

52     Ver Plumptre, The Spirits in Prison, 98 (citado por Engelder, “The Argument in Support of Hades Gospel,” 383, nota 5).

53     Luckock, The Intermediate State, 144 (citado por Engelder, 383, nota 5).

54     Informação do The Expositor’s Greek Testament, ed. W. Robertson Nicoll (Nova York: George H. Doran, 1897), 59.

55     Luckock, The Intermediate State, 101 (citado por Engelder, 385).

56     Edward Irving (1792-1834), um escocês, foi pregador assistente de Thomas Chalmers em Glasgow. Tornou-se profético e apocalíptico em sua pregação. Cria que a natureza humana de Jesus era pecadora, mas Cristo não pecou por causa da habitação do Espírito Santo. Por causa de suas idéias heterodoxas, foi privado de pregar pelo Presbitério de Annan. Cria que os dons sobrenaturais apostólicos haviam sido restaurados no seu tempo. Foi uma espécie de precursor do movimento carismático (ver New Dictionary of Theology, ed. Sinclair Ferguson [Downers Grove, Illinois: Intervarsity Press, 1989], 342).

57     Popular Symbolica, 326 (citado por Engelder, 385-86).

58     W. Ziethe, Das Lamm Gottes, 729 (citado por Engelder, 385).

59     Luckock, The Intermediate State, 101, 186 (citado por Engelder, 386-87).

60     Paterson-Smith, The Gospel of the Hereafter, 153, 155.

61     Citado por Engelder, “Argument in Support of the Hades Gospel,” 388.

62     Citado por Robert F. Horton em sua obra Revelation and the Bible: An Attempt at Reconstruction, 2ª ed. (Nova York : Macmillan, 1893), 87.

63     F. W. Farrar é autor de um dos livros clássicos sobre a história da interpretação da Bíblia. Ver History of Interpretation, reimpressão(Grand Rapids: Baker, 1961).

64     Citado por Engelder, “Argument in Support of the Hades Gospel,” 389-90.

65     Ibid., 393-94.

66     Martin Scharlemann, “He Descended into Hell,” Concordia Theological Monthly 27 (1956), 84.

67     Na interpretação luterana, a palavra grega zwopoihqei\j (traduzida como “vivificado”) não é equivalente à ressurreição, mas “aponta para algo que foi feito a Jesus. Ela refere-se inconfundivelmente a um ato específico de Deus pelo qual o Senhor foi trazido à vida… Nem todos os eruditos concordam que essa ação deva ser entendida com referência à ressurreição no seu sentido estrito. Há aqueles que restringem a palavra nesse ponto à vivificação, que é distinta da ressurreição no sentido de que a ressurreição foi uma exibição pública do fato de ele ter voltado à vida. Em muitas passagens do Novo Testamento, esta distinção pode ser feita. Contudo, em Efésios 2.5-6 o apóstolo aponta para a diferença entre despertar e ressuscitar. Tal distinção nos conduziria a crer que nós poderíamos propriamente, com base no Novo Testamento, separar a vivificação da ressurreição para o propósito de cronologia e clarificação daquilo que aconteceu na manhã do dia de páscoa” (Ibid., 87-88).

68     Ibid., 88.

69     Ibid., 88. Contudo, essa interpretação dada por Scharlemann tropeça no fato de que o retornar à vida da filha de Jairo é igual à ressurreição, o que não aconteceu com Jesus Cristo.

70     Ibid., 89.

71     Ibid., 90.

72     Citado por John T. Mueller no Concordia Theological Monthly 18 (1947), 615.

73     Martin Scharlemann, “He Descended into Hell – An Interpretation of 1 Peter 3.18-20,” Concordia Theological Monthly 27 (1956), 91.

74     Ibid.

75     Ibid.

76     Ibid., 92.

77     Ibid., 93.

78     Como, por exemplo, em 2 Coríntios 7.1.

79     Uma interpretação alternativa seria entender a expressão “morto na carne” como uma referência à morte física e traduzir a expressão zwopoihqei£/j… pneu/mati por “vivificado pelo Espírito,” ao invés de“vivificado no espírito.” A construção gramatical é possível, visto que pneumati pode ser tanto locativo como instrumental. Assim, o pneumati aqui referido é o Espírito Santo, e a vivificação, uma referência à ressurreição de Cristo pelo Espírito Santo. E foi pelo Espírito Santo e através de Noé que o Cristo pré-encarnado pregou aos desobedientes nos dias daquele patriarca (1 Pe 1.11).

80     Esse é o mais alto dos céus, que equivale ao lugar da plena companhia divina, como era no paraíso original. Paulo, numa experiência ímpar, viu esse lugar glorioso da presença de Deus, para onde vão os remidos em Cristo Jesus (ver Charles Hodge, A Commentary on 1 & 2 Corinthians (Edimburgo: Banner of Truth, 1978), 658.

81     Ver At 3.21.

82     Ver Wayne Grudem, “He Did Not Descend Into Hell,” 110.

83     Ver o comentário de Wayne Grudem, 1 Peter, Tyndale New Testament Commentaries (Grand Rapids: Eerdmans, 1990), 160.

84     Para um tratamento mais amplo dessa matéria, ver o comentário de Wayne Grudem, I Peter, 203-239.

85    É importante observar que Pedro fala em seu discurso de Atos 2 que Jesus Cristo esteve no Hades, mas Hades aqui tem um sentido muito diferente. Citando o Salmo 16.8-11, referindo-se ao seu estado após a morte, Pedro coloca na boca de Redentor as seguintes palavras: “… porque não deixarás a minha alma na morte, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção” (At 2.27). A palavra “morte” no grego é Hades. E Hades aqui significa estado de morte, não somente sepultura. Ela é a tradução do salmo onde o escritor usa a palavra hebraica equivalente, sheol. Durante esse estado de morte (Hades), isto é, durante o tempo em que o seu corpo ficou separado de sua alma, o corpo de Jesus estava na sepultura e sua alma estava com seu Pai no paraíso ou céu.

Fonte:http://www.thirdmill.org/files/portuguese/13874~9_19_01_10-42-34_AM~heber1.htm

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Noel-Child

O NATAL VEIO DO PAGANISMO

apologética Noel-ChildO NATAL VEIO DO PAGANISMO

- PROVAS NA HISTÓRIA E NA BÍBLIA -

 

Enciclopédia Católica (edição de 1911): “A festa do Natal não estava incluída entre as primeiras festividades da Igreja… os primeiros indícios dela são provenientes do Egito… os costumes pagãos relacionados com o princípio do ano se concentravam na festa do Natal“.

Orígenes, um dos chamados pais da Igreja (ver mesma enciclopédia acima): “… não vemos nas Escrituras ninguém que haja celebrado uma festa ou celebrado um grande banquete no dia do seu natalício. Somente os pecadores (como Faraó e Herodes) celebraram com grande regozijo o dia em que nasceram neste mundo“.

Autoridades históricas demonstram que, durante os primeiros 3 séculos da nossa era, os cristãos não celebraram o Natal. Esta festa só começou a ser introduzida após o início da formação daquele sistema que hoje é conhecido como Igreja Romana (isto é, no século 4o). Somente no século 5o foi oficialmente ordenado que o Natal fosse observado para sempre, como festa cristã, no mesmo dia da secular festividade romana em honra ao nascimento do deus Sol, já que não se conhecia a data exata do nascimento de Cristo.

Se fosse da vontade de Deus que guardássemos e celebrássemos o aniversário do NASCIMENTO de Jesus Cristo, Ele não haveria ocultado sua data exata, nem nos deixaria sem nenhuma menção a esta comemoração, em toda a Bíblia. Ao invés de envolvermo-nos numa festa de origem não encontrada na Bíblia mas somente no paganismo, somos ordenados a adorar Deus, a relembrar biblicamente a MORTE do nosso Salvador, e a biblicamente pregar esta MORTE e seu significado, a vitoriosa RESSURREIÇÃO do nosso Salvador, Sua próxima VINDA gloriosa, sua mensagem de SALVAÇÃO para os que creem verdadeiramente e PERDIÇÃO para os não crentes verdadeiros.

1. JESUS NÃO NASCEU EM 25 DE DEZEMBRO

Quando Ele nasceu “… havia naquela mesma comarca pastores que estavam no campo, e guardavam, durante as vigílias da noite, o seu rebanho.”  (Lucas 2:8). Isto jamais pôde acontecer na Judéia durante o mês de dezembro: os pastores tiravam seus rebanhos dos campos em meados de outubro e [ainda mais à noite] os abrigavam para protegê-los do inverno que se aproximava, tempo frio e de muitas chuvas (Adam Clark Commentary, vol. 5, página 370). A Bíblia mesmo prova, em Cant 2:1 e Esd 10:9,13, que o inverno era época de chuvas, o que tornava impossível a permanência dos pastores com seus rebanhos durante as frígidas noite, no campo. É também pouco provável que um recenseamento fosse convocado para a época de chuvas e frio (Lucas 2:1).

2. COMO ESTA FESTA SE INTRODUZIU NAS IGREJAS?

 The New Schaff-Herzog Encyclopedia of Religious Knowledge (A Nova Enciclopédia de Conhecimento Religioso, de Schaff-Herzog) explica claramente em seu artigo sobre o Natal:

“Não se pode determinar com precisão até que ponto a data desta festividade teve origem na pagã Brumália (25 de dezembro), que seguia a Saturnália (17 a 24 de dezembro) e comemorava o nascimento do deus sol, no dia mais curto do ano.

As festividades pagãs de Saturnália e Brumália estavam demasiadamente arraigadas nos costumes populares para serem suprimidos pela influência cristã. Essas festas agradavam tanto que os cristãos viram com simpatia uma desculpa para continuar celebrando-as sem maiores mudanças no espírito e na forma de sua observância. Pregadores cristãos do ocidente e do oriente próximo protestaram contra a frivolidade indecorosa com que se celebrava o nascimento de Cristo, enquanto os cristãos da Mesopotâmia acusavam a seus irmãos ocidentais de idolatria e de culto ao sol por aceitar como cristã essa festividade pagã.

Recordemos que o mundo romano havia sido pagão. Antes do século 4o os cristãos eram poucos, embora estivessem aumentando em número, e eram perseguidos pelo governo e pelos pagãos. Porém, com a vinda do imperador Constantino (no século 4o) que se declarou cristão, elevando o cristianismo a um nível de igualdade com o paganismo, o mundo romano começou a aceitar este cristianismo popularizado e os novos adeptos somaram a centenas de milhares.

Tenhamos em conta que esta gente havia sido educada nos costumes pagãos, sendo o principal aquela festa idólatra de 25 de dezembro. Era uma festa de alegria [carnal] muito especial. Agradava ao povo! Não queriam suprimi-la.”

O artigo já citado da “The New Schaff-Herzog Encyclopedia of Religious Knowledge” revela como Constantino e a influência do maniqueísmo (que identificava o Filho de Deus com o sol) levaram aqueles pagãos do século 4o (que tinham [pseudamente] se “convertido em massa” ao [pseudo] “cristianismo”) a adaptarem a sua festa do dia 25 de dezembro (dia do nascimento do deus sol), dando-lhe o título de dia do natal do Filho de Deus.

Assim foi como o Natal se introduziu em nosso mundo ocidental! Ainda que tenha outro nome, continua sendo, em espírito, a festa pagã de culto ao sol. Apenas mudou o nome. Podemos chamar de leão a uma lebre, mas por isto ela não deixará de ser lebre.

A Enciclopédia Britânica diz:

“A partir do ano 354 alguns latinos puderam mudar de 6 de janeiro para 25 de dezembro a festa que até então era chamada de Mitraica, o aniversário do invencível sol… os sírios e os armênios idólatras e adoradores do sol, apegando-se à data de 6 de janeiro, acusavam os romanos, sustentando que a festa de 25 de dezembro havia sido inventada pelos discípulos de Cerinto.”

3. A VERDADEIRA ORIGEM DO NATAL

O Natal é uma das principais tradições do sistema corrupto chamado Babilônia, fundado por Nimrode, neto de Cam, filho de Noé. O nome Nimrode se deriva da palavra “marad”, que significa “rebelar”. Nimrode foi poderoso caçador CONTRA Deus (Gn 10:9). Para combater a ordem de espalhar-se:

- criou a instituição de ajuntamentos (cidades);
– construiu a torre de Babel (a Babilônia original) como um quádruplo desafio a Deus (ajuntamento, tocar aos céus, fama eterna, adoração aos astros);
– fundou Nínive e muitas outras cidades;
– organizou o primeiro reino deste mundo.

A Babilônia é um sistema organizado de impérios e governos humanos, de explorações econômicas, e de todos os matizes de idolatria e ocultismo.

Nimrode era tão pervertido que, segundo escritos, casou-se com sua própria mãe, cujo nome era Semiramis. Depois de prematuramente morto, sua mãe-esposa propagou a perversa doutrina da reencarnação de Nimrode em seu filho Tamuz. Ela declarou que, em cada aniversário de seu natal (nascimento), Nimrode desejaria presentes em umaárvore. A data de seu nascimento era 25 de dezembro. Aqui está a verdadeira origem da árvore de Natal.

Semiramis se converteu na “rainha do céu” e Nimrode, sob diversos nomes, se tornou o “divino filho do céu”. Depois de várias gerações desta adoração idólatra, Nimrode também se tornou um falso messias, filho de Baal, o deus-sol. Neste falso sistema babilônico, a mãe e o filho (Semiramis e Nimrode encarnado em seu filho Tamuz) se converteram nos principais objetos de adoração. Esta veneração de “a Madona e Seu Filho” (o par “mãe influente + filho poderoso e obediente à mãe”) se estendeu por todo o mundo, com variação de nomes segundo os países e línguas. Por surpreendentemente que pareça, encontramos o equivalente da “Madona”, da Mariolatria, muito antes do nascimento de Jesus Cristo!

Nos séculos 4o e 5o os pagãos do mundo romano se “converteram” em massa ao “cristianismo”, levando consigo suas antigas crenças e costumes pagãos, dissimulando-os sob nome cristãos. Foi quando se popularizou também a ideia de “a Madona e Seu Filho”, especialmente na época do Natal. Os cartões de Natal, as decorações e as cenas do presépio refletem este mesmo tema.

A verdadeira origem do Natal está na antiga Babilônia. Está envolvida na apostasia organizada que tem mantido o mundo no engano desde há muitos séculos! No Egito sempre se creu que o filho de Ísis (nome egípcio da “rainha do céu”) nasceu em 25 de dezembro. Os pagãos em todo o mundo conhecido já celebravam esta data séculos antes do nascimento de Cristo.

Jesus, o verdadeiro Messias, não nasceu em 25 de dezembro. Os apóstolos e a igreja primitiva jamais celebraram o natalício de Cristo. Nem nessa data nem em nenhuma outra. Não existe na Bíblia ordem nem instrução alguma para fazê-lo. Porém, existe, sim, a ordem de atentarmos bem e lembrarmos sempre a Sua MORTE (1Co 11:24-26; Joã 13:14-17).

4. OUTROS COSTUMES PAGÃOS, NO NATAL: GUIRLANDA, VELAS, PAPAI NOEL

guirlanda velas

 A GUIRLANDA (coroa verde adornada com fitas e bolas coloridas) que enfeita as portas de tantos lares é de origem pagã. Dela disse Frederick J. Haskins em seu livro “Answer to Questions” (Respostas a Algumas Perguntas):”[A guirlanda] remonta aos costumes pagãos de adornar edifícios e lugares de adoração para a festividade que se celebrava ao mesmo tempo do [atual] Natal. A árvore de Natal vem do Egito e sua origem é anterior à era Cristã.”

Também as VELAS, símbolo tradicional do Natal, são uma velha tradição pagã, pois se acendiam ao ocaso para reanimar ao deus sol, quando este se extinguia para dar lugar à  noite.

PAPAI NOEL é lenda baseada em Nicolau, bispo católico do século 5o. A Enciclopédia Britânica, 11ª edição, vol. 19, páginas 648-649, diz: “São Nicolau, o bispo de Mira, santo venerado pelos gregos e latinos em 6 de dezembro… conta-se uma lenda segundo a qual presenteava ocultamente a três filhas de um homem pobre… deu origem ao costume de dar em secreto na véspera do dia de São Nicolau (6 de dezembro), data que depois foi transferida para o dia de Natal. Daí a associação do Natal com São Nicolau…”

Os pais castigam a seus filhos por dizerem mentiras. Porém, ao chegar o Natal, eles mesmos se encarregam de contar-lhes a mentira de “Papai-Noel”, dos “Reis Magos” e do “Menino Deus”! Por isso não é de se estranhar que, ao chegarem à idade adulta, também creiam que Deus é um mero mito.      –      Certo menino, sentindo-se tristemente desiludido ao conhecer a verdade acerca de Papai Noel, comentou a um amiguinho: “Sim, também vou me informar acerca do tal Jesus Cristo!”      –     É cristão ensinar às crianças mitos e mentiras? Deus disse: “… nem mentireis, nem usareis de falsidade cada um  com o seu próximo;”  (Lev 19:11). Ainda que à mente humana pareça bem e justificado, Deus, porém, disse: “Há um caminho que parece direito ao homem, mas o seu fim são os caminhos da morte.”  (Prov 16:25).

Estudados os fatos, vemos com assombro que o costume de celebrar o Natal, em realidade, não é costume cristão mas, sim, pagão. Ele constitui um dos caminhos da Babilônia no qual o mundo tem caído!

5. O QUE A BÍBLIA DIZ SOBRE A ÁRVORE DE NATAL?

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As falsas religiões sempre utilizaram a madeira, bem como as árvores, com fins de idolatria:

“Sacrificam sobre os cumes dos montes, e queimam incenso sobre os outeiros, debaixo do carvalho, e do álamo, e do olmeiro, porque é boa a sua sombra; por isso vossas filhas se prostituem, e as vossas noras adulteram.”  (Os 4:13)

“Não plantarás nenhuma árvore junto ao altar do SENHOR teu Deus, que fizeres para ti.”  (Deut 16:21)

Essas árvores ou pedaços de madeira serviam para adoração e culto doméstico. O pinheiro – símbolo natalino – possui a mesma conotação.

6. É BÍBLICA A TROCA DE PRESENTES?

presentes

Biblioteca Sacra, vol. 12, páginas 153-155: “A troca de presentes entre amigos é característico tanto do Natal como da Saturnália, e os cristãos seguramente a copiaram dos pagãos, como o demonstra com clareza o conselho de Tertuliano”.

O costume de trocar presentes com amigos e parentes durante a época natalina não tem absolutamente nada a ver com o cristianismo! Ele não celebra o nascimento de Jesus Cristo nem O honra! (Suponhamos que alguma pessoa que você estima está aniversariando. Você a honraria comprando presentes para os seus próprios amigos??… Omitiria a pessoa a quem deveria honrar??… Não parece absurdo deste ponto de vista?!…)

Contudo, isto é precisamente o que as pessoas fazem em todo o mundo. Observam um dia em que Cristo não nasceu, gastando muito dinheiro em presentes para parentes e amigos. Porém, anos de experiência nos ensinam que os cristãos confessos se esquecem de dar o que deviam, a Cristo e a Sua obra, no mês de dezembro. Este é o mês em que mais sofre a obra de Deus. Aparentemente as pessoas estão tão ocupadas trocando presentes natalinos que não se lembram de Cristo nem de Sua obra. Depois, durante janeiro a fevereiro, tratam de recuperar tudo o que gastaram no Natal, de modo que muitos, no que se refere ao apoio que dão a Cristo e Sua obra, não voltam à normalidade até março.

Vejamos o que diz a Bíblia em Mateus 2:1,11 com respeito aos presentes que levaram os magos quando Jesus nasceu:

“E, tendo nascido Jesus em Belém de Judéia, no tempo do rei Herodes, eis que uns magos vieram do oriente a Jerusalém, … E, entrando na CASA, acharam o menino com Maria sua mãe e, prostrando-se, O adoraram; e abrindo os seus tesouros, ofertaram-LHE dádivas: ouro, incenso e mirra.”

7. POR QUE OS MAGOS LEVARAM PRESENTES A CRISTO?

Por ser o dia de seu nascimento? De maneira nenhuma! Pois eles chegaram muitas semanas ou meses depois do seu nascimento (Mt 2:16). Ao contrário do que mostram os presépios, Jesus já estava numa casa, não numa estrebaria.

Então, os magos deram presentes uns aos outros para deixar-nos exemplo a ser imitado? Não! Eles não trocaram nenhum presente com seus amigos e familiares, nem entre si mesmos, mas sim presentearam unicamente a CRISTO.

Por que? O mencionado comentário bíblico de Adan Clarke, vol. 5, pg.46, diz: “Versículo 11 (“ofereceram-lhe presentes”). No Oriente não se costuma entrar na presença de reis ou pessoas importantes com as mãos vazias. Este costume ocorre com freqüência no Velho Testamento e ainda persiste no Oriente e em algumas ilhas do Pacífico Sul.”

Aí está! Os magos não estavam instituindo um novo costume cristão de troca-troca de presentes para honrar o nascimento de Jesus Cristo! Procederam de acordo com um antigo costume Oriental que consistia em levar presentes ao rei ao apresentarem-se a ele. Eles foram pessoalmente à presença do Rei dos Judeus. Portanto, levaram oferendas, da mesma maneira que a rainha de Sabá levou a Salomão, e assim como levam aqueles que hoje visitam um chefe de estado.

O costume de trocas de presentes de Natal nada tem a ver com o nascimento do Cristo de Deus, é apenas a continuação de um costume pagão.

8. UM “NATAL CORRIGIDAMENTE CRISTÃO”  PODERIA REALMENTE HONRAR A CRISTO?

Há pessoas que insistem em que, apesar das raízes do Natal estarem no paganismo, agora elas não observam o Natal para honrarem um falso deus, o deus sol, senão para honrarem a Jesus Cristo. Mas diz Deus:

“Guarda-te, que não te enlaces seguindo-as, …; e que não perguntes acerca dos seus deuses, dizendo: ‘Assim como serviram estas nações os seus deuses, do mesmo modo também farei eu.’    Assim não farás ao SENHOR teu Deus; porque tudo o que é abominável ao SENHOR, e que Ele odeia, fizeram eles a seus deuses; …”.  (Deut 12:30-31)

“Assim diz o SENHOR: ‘Não aprendais o caminho dos gentios, …    Porque os costumes dos povos são vaidade; …'”(Jr 10:2-3).

Deus disse-nos claramente que não aceitará este tipo de adoração: ainda que tenha hoje a intenção de honrá-Lo, teve origem pagã e, como tal, é abominável e honra não a Ele mas sim aos falsos deuses pagãos.

Deus não quer que O honremos “como nos orienta a nossa própria consciência”:

“Deus é Espírito; e importa que os que O adoram O adorem em espírito e em verdade”. (João 4.24).

O que é a verdade? Jesus disse que a Sua palavra, a Bíblia, é a verdade (João 17:17).  E a Bíblia diz que Deus não aceitará o culto de pessoas que, querendo honrar a Cristo, adotem um costume pagão:

“Mas em vão me adoram, ensinando doutrina que são preceitos dos homens.” (Mt 15:9).

A comemoração do Natal é um mandamento (uma tradição) de homens e isto não agrada a Deus.

“E assim invalidastes, pela vossa tradição, o mandamento de Deus” (Mat 15:6).
“Assim não farás ao SENHOR teu Deus; porque tudo o que é abominável ao SENHOR, e que ele odeia, fizeram eles a seus deuses…”  (Deut 12:31)

Não podemos honrar e agradar a Deus com elementos de celebrações pagãs!

9. ESTAMOS NA BABILÔNIA, SEM O SABERMOS

Nem precisamos elaborar: quem pode deixar de ver nauseabundos comercialismo, idolatria, e contemporização, por trás do “Natal”?… E que diz Deus? Devemos “adaptar e corrigir o erro”? Ou devemos praticar “tolerância zero, separação total”?

“Sai dela, povo meu, para que não sejas participante dos seus pecados, e para que não incorras nas suas pragas.”(Ap 18:4)

10. AFINAL, A BÍBLIA MOSTRA QUANDO NASCEU JESUS?

Jesus Cristo nasceu na festa dos Tabernáculos, a qual acontecia a cada ano, no final do 7º mês (Iterem) do calendário judaico, que corresponde ao mês de setembro do nosso calendário. A festa dos Tabernáculos (ou das Cabanas) significava Deus habitando com o Seu povo. Foi instituída por Deus como memorial, para que o povo de Israel se lembrasse dos dias de peregrinação pelo deserto, dias em que o Senhor habitou no Tabernáculo no meio de Seu povo (Lev 23:39-44; Nee 8:13-18 ).

Em João 1:14 (“E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.”) vemos que o Verbo (Cristo) habitou entre nós. Esta palavra no grego é skenoo = tabernáculo. Devemos ler “E o Verbo se fez carne, e TABERNACULOU entre nós, e…”. A festa dos Tabernáculos cumpriu-se em Jesus Cristo, o Emanuel (Isa 7:14)  que significa “Deus conosco”. Em Cristo se cumpriu não apenas a festa dos Tabernáculos, mas também a festa da Páscoa, na Sua morte  (Mat. 26:2; 1Cor 5:7), e a festa do Pentecostes, quando Cristo imergiu dentro do Espírito Santo a todos os que haveriam de ser salvos na dispensação da igreja (Atos 2:1).

Vejamos nas Escrituras alguns detalhes que nos ajudarão a situar cronologicamente o nascimento de Jesus:

·        Os levitas eram divididos em 24 turnos e cada turno ministrava por 15 dias;  1Cr 24:1-19 (24  x 15 dias = 360 dias = 1 ano)

·        O oitavo turno pertencia a Abias (1Cr 24:10)

·        O primeiro turno iniciava-se com o primeiro mês do ano judaico – mês de Abibe Êxo 12:1-2; 13:4; Deut 16:1.

Temos a seguinte correspondência:

Mês (número) Mês (nome, em Hebraico) Turnos Referências
1 Abibe ou Nisã = março 1 e 2 Êxo 13:4 Ester 3:7
2 Zive = abril 3 e 4 1Re 6:13
3 Sivã = maio 5 e 6 Est 8:9
4 Tamuz = junho 7 e 8 (Abias) Jer 39:2; Zac 8:19
5 Abe = julho 9 e 10 Núm 33:38
6 Elul: agosto 11 e 12 Nee 6:15
7 Etenim ou Tisri = setembro 13 e 14 1Rs 8:2
8 Bul = outubro 15 e 16 1Rs 6:38
9 Chisleu = novembro 17 e 18 Esd 10:9; Zac 7:
10 Tebete = dezembro 19 e 20 Est 2:16
11 Sebate = janeiro 21 e 22 Zac 1:7
12 Adar = fevereiro 23 e 24 Est 3:7

                                                                 

Zacarias, pai de João Batista, era sacerdote e ministrava no templo durante o “turno de Abias” (Tamuz, i.é, junho) (Luc 1:5,8,9). Terminado o seu turno voltou para casa e (conforme a promessa que Deus lhe fez) sua esposa Isabel, que era estéril, concebeu João Batista (Luc 1:23-24) no final do mês Tamus (junho) ou início do mês Abe (julho). Jesus foi concebido 6 meses depois (Luc 1:24-38), no fim de Tebete (dezembro) ou início de Sebate (janeiro). Nove meses depois, no final de Etenim (setembro), mês em que os judeus comemoravam a Festa dos Tabernáculos, Deus veio habitar, veio tabernacular conosco. Nasceu Jesus, o Emanuel (“Deus conosco”).


Fonte: Sola Scriptura

Atenção:
O conteúdo desta página tem objetivo formativo e educacional.OS ARTIGOS AQUI PUBLICADOS SÃO DE INTEIRA RESPONSABILIDADE DE SEUS AUTORES, CITADOS NO FINAL DE CADA ARTIGO. NÃO NECESSARIAMENTE ESTA PRODUÇÃO CONCORDA INTEIRAMENTE COM O ENTENDIMENTO TEOLÓGICO DE CADA AUTOR. TODAVIA, OS PUBLICAMOS COMO FONTE DE CONHECIMENTO E COMO FORMA DE CONTRIBUIR PARA O ALARGAMENTO DO ENTENDIMENTO E A POSSIBILIDADE DE CONHECERMOS VÁRIAS FORMAS DE PENSAR. CABE A CADA LEITOR REFLETIR, À LUZ DA BÍBLIA, SE CONCORDA OU NÃO COM OS POSICIONAMENTOS AQUI EXPRESSADOS. 

 

G12_TRANSP1024

G-12 – O FRUTO DO ENGANO NO CORPO DE CRISTO


apologética
G12_TRANSP1024G-12 – O FRUTO DO ENGANO NO CORPO DE CRISTO

Autor: Márcio Argachof
Revisores Teológicos: Pr. Alexandros D. Meimaridis e Pr. Magno Paganelli

Fonte: www.jesussite.com.br

Versículos chave:

Surgirão ventos de doutrinas (Ef. 4.14, Hb. 13.9, 2 Tm. 4.3-4);

Surgirão falsos cristos e falsos profetas (Mt. 24.24);

Devemos ter cuidado com os falsos profetas (Mt. 7.15);

Haverá apostasia (2 Ts. 2.3);

Alguns apostatarão da fé (1Tm. 4.1-2);

Não devemos mudar nosso entendimento (2 Ts. 2.2);

Devemos ficar firmes e guardar as tradições (2 Ts. 2.15);

Devemos permanecer naquilo que aprendemos (2 Tm. 3.14);

Devemos reter a Palavra, que é igual à doutrina (Tt 1.9);

Quem não permanecer na doutrina não é de Deus (2 Jo 9).

 Sobre as versões da Bíblia usadas, em geral, utilizei a ARA – Almeida Revista e Atualizada. Para efeito prático, sempre que não for a ARA, haverá uma indicação de qual versão foi usada, dentre as seguintes versões:

ARC – Almeida Revista e Corrigida
ECA – Edição Contemporânea de Almeida
ACF – Almeida Corrigida Fiel
NVI – Nova Versão Internacional
NTLH – Nova Tradução na Linguagem de Hoje

   Índice:

Introdução 3
Uma palavra sobre a fé 4
A necessidade de se examinar algumas teorias 4
Objetivo 5
Expressões, “visões” e doutrinas precisam ser examinadas 6
O crente espiritual é exortado a “julgar todas as coisas” 6
“Espíritos” não são testados 7
Aos Pastores 8
O engano na vida do crente 9
Um Corpo esquartejado 9
Os frutos identificando a árvore 11
As pressões da liderança 11
O “treinamento” dos líderes 14
Todos devem ser líderes de células 14
Cobertura espiritual 15
Inversão de valores 16
O perigo da mistura 17
A Colheita será feita por Jesus e seus anjos, e não pelos homens e seus “métodos” 18
As Origens do Movimento 20
1º Ingrediente: O Governo de 12 20
2º Ingrediente: Células e visões 22
Paul (David) Yonggi Cho 24
Word-Faith Movement 24
3º Ingrediente: Pragmatismo com propósitos 25
Igreja dirigida por propósitos 28
Igreja do novo paradigma 28
Quem financia a igreja do novo paradigma 29
Conclusão sobre os ingredientes 30
Sobre o livro “Sonha e ganharás o mundo” 31
Alterando ou distorcendo a Palavra 31
Heresia: Abraão era pagão e adorava outros deuses 31
Heresia: Deus foi pai e mãe ao de Abraão 32
Castellanos divulga doutrina do Gnosticismo 32
Distorção: Raposinhas põem a perder colheitas 33
Heresia: Jeremias diz que a palavra de Deus é uma afronta 33
Heresia: Salomão disse “Sem visão meu povo perece” ? 34
Alteração: Mateus 22:37 34
Líderes enganados 35
A expressão “obedecer ao espírito” é realmente bíblica? 35
Dialogando com demônios 36
Experiências de falta de controle sobre o “espírito” 36
Castellanos relata ter saído do corpo 37
A exaltação dos sonhos 38
Técnicas de regressão usadas no “Encontro com Deus” 39
O Encontro é necessário para o verdadeiro arrependimento 40
Claudia Castellanos, a política e o Brasil 40
O rebatismo de Cláudia Castellanos 41
Uma voz estranha 42
Profecias sem base bíblica 42
Prosperidade para a igreja de Castellanos 42
Castellanos libera misericórdia de Deus aos EUA 43
Índia sem idolatria ?! 46
Pontos Positivos do Movimento 47
1) Reuniões nas casas dos crentes, ou células 47
2) A busca de santidade 47
3) Oração intensa por um propósito 47
4) Trabalho sistemático de evangelização 48
Doutrinas estranhas à Palavra de Deus 49
A inclusão do Encontro em Marcos 16:16 49
A exigência da participação no Encontro e de santificação para o Batismo 49
O crente deve perdoar a Deus 51
Aqueles que se autodenominam profetas e apóstolos 51
O Espírito Santo é um hóspede para Castellanos 52
É proibido discordar 53
Discípulos de Jesus ou de homens? 54
A Diminuição da cruz diante da valorização do Encontro 57
Confissão de pecados a líderes 58
Teologia da Prosperidade 59
Logos e Rhema 60
Práticas judaizantes 61
Diminuindo o valor do pastor 62
O que importa é quantidade e não a qualidade dos crentes 62
Jejuns criativos 63
A administração da igreja no G12 63
Foco somente em evangelismo: Uma igreja em desequilíbrio 65
Caráter de Cristo 65
Não há investimento em missões 66
A justificativa dos “12” 66
O modelo celular será único no futuro (= IGREJA VERDADEIRA) 66
O pseudo-avivamento gedozista 67
Atos Proféticos, Pedras, “Unção” de Sal e Bíblias enterradas 68
A busca ostensiva pelo “falar em línguas” 70
Qualquer tradição é taxada como algo velho e ruim 71
Mudam o sentido da parábola do Vinho Novo em odres velhos 72
Parábola do vestido velho e dos odres velhos 72
Células homogêneas (separadas por sexo e faixa etária) 73
Dízimos e ofertas na célula 74
Alguns conceitos errados 74
Progressão geométrica na “cobertura espiritual” e aparentemente na arrecadação 75
Conclusão 77

Introdução:

Aos amados irmãos,
Que a Graça e a Paz que somente Jesus pode dar, estejam convosco agora e sempre!

Em primeiro lugar, gostaria de registrar aqui que amo aos irmãos da minha igreja. E se tomei a iniciativa de escrever este trabalho, foi movido por uma grande preocupação com os rumos que a Igreja como um todo tem tomado. Tenho visto nos últimos meses, irmãos valiosos e queridos se afastando da igreja. Alguns foram para outras igrejas Cristãs, mas alguns, simplesmente sumiram. Não é possível permanecer calado vendo a Palavra de Deus sendo ignorada, deturpada ou simplesmente deixada de lado. Vamos, em nome de Jesus, e da preservação de nossa fé na sã doutrina, buscar confirmação de tudo pela Palavra, como bons bereanos:

“Ora, estes de Beréia eram mais nobres que os de Tessalônica; pois receberam a palavra com toda a avidez, examinando as Escrituras todos os dias para ver se as coisas eram, de fato, assim” Atos 17:11

Antes eu conhecia o G12 de ouvir falar, mas após quase dois anos conhecendo-o pessoalmente, e também após ter lido o livro de Castellanos “Sonha e ganharás o mundo”, espécie de cartilha do movimento, aceita como verdade de Deus pelos gedozistas, senti aumentar a urgência em elaborar um estudo mais profundo sobre o que vem acontecendo nas igrejas que abraçaram a “visão”.

MOVIMENTOS CLONE:
A “visão” em questão assumiu várias formas e nomenclaturas, principalmente desde o final de março de 2005, quando Castellanos revelou aos seus seguidores, que a partir daquele momento ia querer receber um determinado valor das igrejas que usassem a marca G12. Por isto é comum hoje encontrarmos igrejas que não mais usam o termo “G12”, mas continuam aplicando os mesmos ensinamentos, ou melhor, distorções doutrinárias aprendidas enquanto seguiam Castellanos. Portanto, caso ouçam falar em “Movimento dos 12”, “M-12”, “Visão Celular”, “Igreja em Células”, ou algo parecido, certamente estarão diante dos mesmos ensinamentos originais do G12 com uma nova roupagem para que não seja necessário pagar nenhum royaltie ao “profeta” original César Castellanos.

É bem verdade que nem todas as igrejas adotaram a visão do G12 na íntegra, e por isto podem não apresentar todas as características aqui abordadas, mas como os métodos do G12 seguem muitas vezes caminhos perigosos, procurei mostrar os pontos críticos do movimento à luz da Palavra. Ressalto que não pretendo esgotar o assunto, mas sim lançar luz sobre um tema que tem sido motivo de muita dúvida no meio Cristão. Também ressalto que não possuo formação teológica, e por isto me preocupei em fazer uma ampla pesquisa na Bíblia em suas várias versões, diversos livros, sites, dicionários e enciclopédia teológica, além de pedir a irmãos valorosos, formados em teologia que analisassem este trabalho.

Por isto, caso algum irmão, perceba algum erro neste estudo, afinal estamos todos sujeitos a errar, entre em contato para que eu providencie a devida correção pelo e-mail marcio_argachof@hotmail.com.

Quero deixar claro que todos os irmãos envolvidos em igrejas que adotaram a “visão G12”, ou uma de suas variações, são irmãos valorosos, tanto para mim como para Deus. Portanto, não é meu intuito menosprezar nenhum destes irmãos, pois sei que se Deus permitiu que eu mesmo frequentasse uma igreja dentro da “visão”, Ele tinha um propósito perfeito, como certamente tem para os irmãos gedozistas, e Glória a Deus por isto. Entendo que Deus tem trabalhado na vida destes irmãos, e que no tempo Dele as verdades aparecerão, para que no final desta “ventania”, certamente muitos tenham crescido na Palavra, lutando um bom combate, e guardando a fé, conforme Paulo nos ensinou.

Mesmo discordando destes irmãos, registro aqui meu profundo respeito por suas opiniões, e pelo seu livre arbítrio. Tal diversidade de opiniões é um importante exercício para todo o povo de Deus, pois certamente o Senhor alegrar-se-á em nos ver unidos diante das tribulações e principalmente conservando nossa fé nas Escrituras.

É importante destacar que este material não foi escrito com a pretensão de fomentar nenhum tipo de discórdia ou divisão no Corpo de Cristo. Pelo contrário, o fortalecimento do Corpo de Cristo é o real objetivo, e para tanto a busca das verdades bíblicas e da sã doutrina são, em primeira e última análise, o melhor caminho.

Um agradecimento especial a minha esposa Miriam, que tanto contribuiu neste trabalho, com suas orações e abençoadas reflexões sobre cada tópico aqui abordado, e também agradeço ao meu grande amigo Pr. Alex, por sua imensa paciência em analisar este trabalho e me ensinar os mais profundos caminhos da Palavra.

Enfim, toda a honra e glória sejam dadas a Deus!

Boa leitura, e que Deus seja convosco!
Márcio Argachof

Uma palavra sobre a fé

A fé na são doutrina é o que procuramos preservar com este trabalho, mas antes de começar, gostaria de citar George Muller, um verdadeiro homem de fé:

“Ora, a fé é a certeza das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se vêem. Foi por ela que os antigos alcançaram bom testemunho. Pela fé entendemos que os mundos foram criados pela palavra de Deus, de maneira que o visível não foi feito do que se vê.” Hb. 11:1-3

“Que é fé? Na maneira mais simples de que eu sou capaz de expressar, respondo: Fé a segurança de que as coisas que Deus tem dito em sua Palavra são verdade e que Ele age de acordo com sua Palavra. Esta segurança, esta confiança na Palavra de Deus, é fé.

Podemos dizer que fé não é questão de impressões, nem de probabilidades, nem de aparências. As impressões vêm da razão humana, que, na melhor das hipóteses, não é digna de confiança. A fé, por outro lado, baseia-se na invencível Palavra de Deus; não são as impressões, fortes ou fracas, que farão qualquer diferença. Temos de agir com base na Palavra escrita. Temos de confiar na Palavra escrita, e não em nós mesmos ou em nossas impressões.

As probabilidades não devem ser levadas em consideração. Muitas pessoas estão dispostas a crer, relativamente, nas coisas que lhes parecem prováveis. Fé não tem nada a ver com probabilidade. A fé começa onde cessas as probabilidades, e a visão e o senso falham.

Muitos filhos de Deus estão desanimados e lamentam sua falta de fé. Muitos têm-me escrito e dito que não têm impressões nem percepções, que não vêem nenhuma probabilidade de que aquilo que desejam se realize (Lc 18:27). As aparências não devem confundir nossa fé. A questão, certamente, é esta: Deus falou deste assunto em sua Palavra? Se falou, essa é a base da fé. Por causa de tantas impressões, probabilidades, aparências e problemas sem importância relacionados à fé é que temos tão poucas bênçãos entre nós.”

(George Muller, Homem de Fé, Edições Vida Nova, pgs.28 e 29)

A necessidade de se examinar algumas teorias

À luz das obras dos espíritos enganadores e seus métodos de engano, fica claro que devemos analisar minuciosamente as teorias, conceitos e expressões do século XX a respeito das coisas de Deus e de Sua obra no homem, pois somente a verdade de Deus, e não as “visões” da verdade, terá alguma utilidade na proteção ou nesse conflito com os espíritos malignos nos lugares celestiais.

Tudo o que é, em qualquer grau, resultado da mente do homem natural (1Co 2.14) se mostrará apenas como “armas de palha” nessa grande batalha. Se nos apoiarmos nas “visões da verdade” de outros ou em nossas próprias idéias humanas sobre a verdade, Satanás usará exatamente essas coisas para nos enganar e, até, nos fará crescer e aprofundar-nos nessas teorias e visões a fim de que, encoberto por elas, possa atingir seus objetivos.

Não podemos, portanto, nesse tempo, superestimar a importância de os crentes terem mente aberta para “examinar todas as coisas” que já pensaram ou ensinaram em relação às coisas de Deus e ao mundo espiritual: todas as “verdades” que eles têm sustentado, todas as frases e expressões que usaram em seus “ensinamentos sobre santidade” e todos os “ensinamentos” que absorveram por meio de outros. Pois qualquer interpretação errônea da verdade, quaisquer teorias e frases que são concebidas pelo homem e podem se aprofundar cada vez mais em direção ao erro terão conseqüências perigosas para nós mesmos e para outros no conflito que a Igreja e o crente individual estão agora enfrentando. Já que nos “últimos dias” os espíritos malignos virão a eles com enganos de forma doutrinária, os crentes têm de examinar com cuidado o que aceitam como “doutrina”, para provar se, na verdade, elas não são dos emissários do enganador.

(Jessie Penn Lewis, GUERRA CONTRA OS SANTOS, Tomo 1, Editora dos Clássicos)

Objetivo:

As igrejas que adotaram a “visão” do modelo de governo dos 12, ou G12, apresentam diversos posicionamentos não bíblicos. São irmãos que amo, mas que tomados por uma espécie de “paixão cega” por uma “visão” que pensam ser de um pastor colombiano chamado César Castellanos Domínguez, fundador da MCI – Missão Carismática Internacional em Bogotá na Colômbia, nem sequer se puseram a investigar as reais origens deste movimento, bem como adotam uma postura pragmática, ou seja, uma postura pela qual não importam os meios para se chegar ao objetivo de evangelizar, multiplicar membros, e formar mega-igrejas.

A MCI de Castellanos, tem planos bem pouco modestos de expansão, haja visto que sua doutrina tem alcançado muitos países das Américas do Sul e do Norte, e Europa onde atualmente existem igrejas que adotaram a “visão”, aliás foi nesta “visão” que Castellanos teve a “revelação” que iria conquistar as nações (estudaremos isto adiante). Mas, amados irmãos, lembremos que tudo o que é de Deus, está em harmonia com as leis de operação de Deus descritas nas Escrituras; por exemplo, “movimentos de alcance mundial” pelos quais multidões serão ganhas não estão de acordo com as leis de crescimento da Igreja de Cristo mostradas na parábola do grão de trigo (Jo 12.24), na lei da cruz de Cristo (Is 53:10), na experiência pela qual Cristo passou, na experiência de Paulo (1Co 4:9-13), no “pequenino rebanho” de Lucas 12:32 e no fim da dispensação profetizado em 1Tm 4:1-3 e 6:20.

Esses movimentos, dentre eles o G12, rejeitam as formas bíblicas de evangelismo através dos testemunhos pessoais dos crentes que tendo suas vidas renovadas por Cristo, manifestam a “olhos vistos”, a presença dos frutos do Espírito Santo. Para o G12 a quantidade de pessoas na igreja é o objetivo maior, não investindo em amadurecimento através de ensino teológico sólido. Na prática isto tem gerado centenas de “adesões” e não conversões verdadeiras, levando as igrejas gedozistas por um caminho perigoso e auto destrutivo.

Sinto-me bem à vontade para analisar este movimento, pois quis o Senhor Deus que eu e minha família estivéssemos numa igreja, a princípio Batista, mas que abraçou a “visão” e com isto acabaram por romper com a Convenção Batista, e mais ainda, tem se empenhado sistematicamente em repudiar qualquer ato ou pessoas que lembrem o modo de agir das igrejas tradicionais. Neste caso, uma peculiaridade é que os gedozistas rotulam de tradicional, toda e qualquer igreja Cristã que não seja em células e sob o “governo dos 12”.

Portanto, o objetivo deste estudo é apresentar aos irmãos que porventura estejam tendo contato com o G12, os pontos desta doutrina que são contrários a Palavra de Deus. Logicamente existem várias posições assumidas pelos gedozistas que são positivas, no entanto, tais atitudes positivas em meio a doutrinas e atividades heréticas, acabam por ter o efeito contrário, provocando em muitos casos divisões nas igrejas, com a saída de muitos membros por não concordarem com os métodos adotados. Tais divisões nem sempre são nítidas, pois à primeira vista vemos uma igreja repleta de pessoas, mas aos olhos atentos é difícil deixar de constatar que tais pessoas são novas na fé, ou ainda estão somente de passagem para conhecer, tornando a ilustração da “porta dos fundos maior que a da frente” mais real do que nunca.

E após a análise cuidadosa de cada ponto aqui apresentado sob a luz da Palavra, conclamo aos irmãos, que entrem em jejum e oração, pedindo nada mais do que seja feita a vontade do Pai, que é verdadeira por definição e também pedindo que os espíritos enganadores em ação hoje na igreja gedozista, sejam expulsos em nome do poderoso nome de Jesus. A ação de tais espíritos das trevas foi prevista por Paulo em sua Segunda Carta aos Tessalonicenses (2Ts 2:4), onde ele fala da manifestação daquele que enganará a tal ponto os cristãos que conseguirá entrar no santuário de Deus, ostentando-se como se fosse o próprio Deus”, sendo sua presença parecida com a de Deus; no entanto, isso é:

segundo a eficácia de Satanás, com todo poder, e sinais de prodígios da mentira, e com todo engano” (2Ts 2:9-10).

Expressões, “visões” e doutrinas precisam ser examinadas

De acordo com essas direções da Palavra de Deus e em vista do tempo crítico pelo qual a Igreja de Cristo está passando, toda expressão, “visão”, ou teoria que temos em relação às coisas em geral deve ser examinada cuidadosamente e levada à prova, com um desejo aberto e honesto de conhecer a pura verdade de Deus, bem como toda declaração que ouvimos da experiência de outros que possa trazer luz ao nosso próprio caminho. Cada crítica, justa ou injusta, deve ser recebida com humildade e examinada para se descobrir sua base legal, se é aparente ou real. Da mesma forma, fatos a respeito de verdades espirituais de todas as partes da Igreja de Deus devem ser analisados, independente do prazer ou da dor que nos tragam pessoalmente, tanto para nosso próprio esclarecimento como para nos preparar para o serviço de Deus. Pois o conhecimento da verdade é a primeira coisa essencial na guerra contra os espíritos mentirosos de Satanás, e a verdade deve ser ardentemente buscada e encarada com desejo sincero de conhecê-la e de a ela obedecer à luz de Deus: verdade sobre nós mesmos, discernida por investigação imparcial; verdade das Escrituras, sem colorido extra, distorções, mutilações, diluições; verdade ao encarar os fatos da experiência de todos os membros do Corpo de Cristo e não de uma parte do Corpo apenas.

(Gerra contra os Santos, Tomo1, por Jesse Pen Lewis – Irlandesa que participou do Avivamento no país de Gales no Século XIX)

O crente espiritual é exortado a “julgar todas as coisas”

O dever de examinar as coisas espirituais é fortemente recomendado pelo apóstolo Paulo repetidas vezes. “O homem espiritual julga (examina, ou como está no grego, investiga e decide) todas as coisas” (1Co  2.15). O crente espiritual deve usar seu julgamento, que é uma faculdade renovada se ele é um homem espiritual. Esse exame ou julgamento espiritual é mencionado em relação às “coisas do Espírito de Deus” (v. 14), o que nos mostra como o próprio Deus honra a personalidade inteligente do homem que Ele recriou em Cristo, convidando-o a julgar e a examinar as obras de Seu próprio Espírito, de modo que até mesmo as “coisas do Espírito” não devem ser recebidas como provenientes Dele sem serem examinadas e espiritualmente discernidas como sendo de Deus.

Quando, no entanto, se diz, a respeito das manifestações sobrenaturais e anormais que vemos hoje em dia, que não é necessário nem mesmo da vontade de Deus que os crentes entendam ou expliquem todas as obras de Deus, isso não está de acordo com a declaração do apóstolo de que “o homem espiritual julga todas as coisas” e, conseqüentemente, deve rejeitar tudo o que o seu julgamento espiritual for incapaz de aceitar, até que venha um tempo em que seja capaz de discernir com clareza o que é realmente de Deus e o que não é.

Além disso, o crente não deve apenas discernir ou julgar as coisas do espírito – ou seja, todas as coisas no mundo espiritual -, mas deve também julgar a si mesmo. Pois “se nos julgássemos a nós mesmos” (a palavra grega traduzida como julgar significa uma investigação completa), não deveríamos necessitar da disciplina do Senhor para trazer à luz as coisas em nós mesmos que não fizemos passar por essa investigação completa (1Co 11.31).

“Irmãos, não sejais meninos no juízo; na malícia, sim, sede crianças; quanto ao juízo, sede homens amadurecidos” (1Co 14.20), escreveu o apóstolo novamente aos coríntios, quando lhes explicava sobre a obra do Espírito entre eles. O crente deve ser amadurecido no juízo, isto é, ser capaz de examinar, “de trazer à prova” (grego: provar, demonstrar, examinar (2Tm 4.2)), e “provar todas as coisas” (1Ts 5.21). O crente deve ter conhecimento abundante e “todo discernimento” para “aprovar as coisas excelentes”, para que possa ser “sincero e inculpável” até o dia de Cristo (Fp 1.10).
(Gerra contra os Santos, Tomo1, por Jesse Pen Lewis – Irlandesa que participou do Avivamento no país de Gales no Século XIX)

“Espíritos” não são testados

Infelizmente, Castellanos não tem como hábito testar os espíritos, conforme 1Jo 4:1: “Amados, não creiais em todo espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo.”. Veja as palavras de Castellanos em seu livro Sonha e ganharás o mundo:

“Quando Deus fala a seu coração, não pense duas vezes, dê o passo! Dando o passo, vem o revestimento do Senhor, e algo acontece no mundo espiritual” [pg.141]

Bem, de fato algo acontece no mundo espiritual sim, e certamente não é nada tão bom como acredita o fundador da MCI e do G12.

Em 1 Tessalonicenses 5.21 a Bíblia ordena que todas as coisas precisam ser analisadas criticamente, por isto, o objetivo deste estudo é falar sobre a Verdade, não verdades humanas, mas sim aquela que liberta e provém do Reino do Senhor. Alertar aos irmãos sobre algo que é errado é também uma obrigação do membro do Corpo de Cristo, pois o objetivo é o fortalecimento deste Corpo. Veja Ezequiel 33:3 – “e, vendo ele que a espada vem sobre a terra, tocar a trombeta e avisar o povo;” E como fortalecemos o Corpo? Justamente não cedendo aos objetivos demoníacos e rejeitando qualquer espécie de divisão ou ainda de rebelião. Falar em rebelião sugere que devamos ser obedientes aos nossos pastores, e isto é verdade, mas somente até o ponto que não nos faça pecar, pois nossa total e plena obediência deve ser com Deus, e Suas verdades Bíblicas reveladas por Deus Pai e seu filho Jesus.

Purificando a vossa alma na obediência à verdade, para caridade fraternal, não fingida, amai-vos ardentemente uns aos outros, com um coração puro;” 1Pe 1:22

Aliás, o versículo acima resume o propósito deste estudo que é de manter-se fiel e obediente à verdade Bíblica, mas com amor sincero pelos irmãos que ainda encontram-se enganados, de modo a fazer com que cada um ouça o que o Espírito Santo tem a dizer sobre o G12, e que possam ver com os olhos do Espírito Santo de Deus e não mais com olhos obcecados por uma “visão” humana, que nem sequer passa pelo teste bíblico da “confirmação pela Palavra”.

Veremos mais adiante alguns trechos dos relatos acerca da “visão” de Castellanos e provaremos o quanto tais pensamentos estão distantes da Bíblia. Tudo isto para honra e glória do nosso Deus, que em sua infinita misericórdia deixou-nos um tesouro para servir-nos de bússola em meio às tempestades presentes e futuras.

Aos Pastores:

A todos os pastores que pela graça de Deus, lerem este material, o façam com amor e tendo a certeza de que quando elaborei este trabalho, o fiz única e exclusivamente movido por um sentimento de profunda  preocupação com o Corpo de Cristo. Peço-lhes com todo amor, que leiam atentamente cada parágrafo deste texto e que confiram em sua Bíblia todas as citações.

Digo isto, pois o meu único compromisso é com a verdade Bíblica, e não tenho o propósito de defender nenhuma denominação, bem como não almejo ser detentor de toda a verdade. As linhas que agora chegam a suas mãos foram redigidas, com o propósito de fortalecer o Corpo de Cristo do qual fazemos parte, cujo cabeça é o Senhor Jesus.

Certamente algumas pessoas num primeiro momento pensarão que este material é uma afronta e que Deus jamais permitiria que você fosse enganado, pois em sua misericórdia não permitiria a um Pastor ou um Cristão atuante estar enganado, mas na verdade a Palavra de Deus nos alerta que o engano pode ocorrer sim, e os Cristãos não estão livres disto. Veja:

”Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos;”

2Tm 4:3

 

“Ora, o aparecimento do iníquo é segundo a eficácia de Satanás, com todo poder, e sinais, e prodígios da mentira, e com todo engano de injustiça aos que perecem, porque não acolheram o amor da verdade para serem salvos. É por este motivo, pois, que Deus lhes manda a operação do erro, para darem crédito à mentira, a fim de serem julgados todos quantos não deram crédito à verdade; antes, pelo contrário, deleitaram-se com a injustiça. Entretanto, devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados pelo Senhor, porque Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação, pela santificação do Espírito e fé na verdade, para o que também vos chamou mediante o nosso evangelho, para alcançardes a glória de nosso Senhor Jesus Cristo. Assim, pois, irmãos, permanecei firmes e guardai as tradições que vos foram ensinadas, seja por palavra, seja por epístola nossa. Ora, nosso Senhor Jesus Cristo mesmo e Deus, o nosso Pai, que nos amou e nos deu eterna consolação e boa esperança, pela graça, consolem o vosso coração e vos confirmem em toda boa obra e boa palavra.”

2Ts 2:9-17

O engano na vida do crente

Gostaria de colocar aqui algumas palavras sobre o engano que tão sutilmente tem se infiltrado em nossas igrejas com conseqüências trágicas para o Corpo de Cristo. Antes um comentário sobre a dura realidade que o Corpo de Cristo tem assistido nestes dias:

Um Corpo esquartejado

Pode parecer exagero o uso da palavra “esquartejado”, mas infelizmente isto tem ocorrido com assustadora freqüência no meio Cristão. Divisões têm sido uma constante desde muito tempo, mas o que quero enfocar não são as divisões de igrejas, onde um pastor descontente resolve abrir outra igreja levando consigo um bloco de pessoas simpatizantes. O foco da questão neste estudo é o G12, e por isto gostaria de analisar algumas brechas pelas qual o movimento tem plantado mais joio do que trigo.

Tenho notado nestes últimos quatro anos, com tristeza no coração, que o Corpo de Cristo tem sido sistematicamente atacado. Pessoas movidas pelos seus próprios egos e ambições têm levado uma quantidade incrível de cristãos a enfrentarem verdadeiras tormentas em suas vidas na igreja e em suas casas.

A pastora Valnice Milhomens, influente líder do movimento no Brasil, além de outros líderes do G12, tem declarado que a igreja em células será a única a sobreviver no final dos tempos, e que todas as outras, que no linguajar deles, são tradicionais, irão acabar, restando apenas as igrejas em células do G12. (Valnice Milhomens, Plano Estratégico para a Redenção da Nação)

Isto é uma afronta a Palavra de Deus, onde Jesus diz a Pedro que o inferno não prevalecerá sobre Sua igreja:

“Pois também eu te digo que tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.” Mt 16:18

Este “clima de guerra” embutido no pensamento gedozista de ser a “única igreja que sobreviverá” é em última análise o mesmo tipo de pensamento sectário do mormonismo e de várias outras seitas que se consideram as “únicas igrejas verdadeiras”. Afinal se somente sobrarem as igrejas em células, somente elas poderiam se intitular “verdadeiras”. Isto tem provocado um verdadeiro “clima de guerra” em meio às denominações cristãs, pois as igrejas gedozistas tem declarado que somente elas existirão no futuro. Além disto julgar um método como o único perfeito, é claramente um ataque ao Corpo de Cristo, pois nunca o crente deve perder de vista que fazemos parte de um Corpo cujo cabeça é Cristo. Portanto, não é lógico, um membro deste Corpo, julgar-se melhor que os outros membros, visto que cada um, por mais humilde que seja, tem sua função no perfeito CORPO DE CRISTO. Aqui uma observação importante: Não confunda “posição” com “função”, pois nossa posição deve ser EM CRISTO, que é a única posição que Deus espera de nós, já nossas funções são variadas.

Infelizmente César Castellanos, em seu livro “Sonha e ganharás o mundo”, confirma esse mesmo pensamento a respeito do fim das igrejas convencionais, ou seja, que não sejam em células em G12:

“A frutificação neste milênio será tão incalculável, que a colheita só poderá ser alcançada por aquelas igrejas que tenham entrado na visão celular. Não há alternativa: a igreja celular é a igreja do Século XXI” (Castellanos Domínguez, Sonha e Ganharás o Mundo, pg.143.)

Esta linha de pensamento doutrinaria de Castellanos e seus discípulos, têm provocado uma situação de contenda entre as denominações evangélicas, pois é nitidamente arrogante e prepotente, além de ser contrária ao que diz a Bíblia. Outro comportamento dos seguidores do G12 que agrava ainda mais esse clima de contenda é o hábito antiético da liderança gedozista de pescar em aquário alheio, que com argumentos duvidosos, convidam crentes para suas reuniões de células, dizendo que é apenas uma “reunião sem compromisso”.

Além disto, os pastores e líderes têm se empenhado em “conquistar a cidade para a visão” e faz parte dessa estratégia buscar outros “templos do Espírito Santo” que estão por aí, ou seja, em outras palavras a liderança incentiva a pescar em aquários alheios.

Isto tem provocado o afastamento destes irmãos de suas igrejas de origem, para aventurar-se na doutrina gedozista. A Bíblia nos alerta em vários versículos a respeito de perigo de provocar contendas:

“O que ama a contenda ama a transgressão; o que alça a sua porta busca a ruína.” Pv 17:1

“Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo.” Fp 2:3

“E disse Abrão a Ló: Ora, não haja contenda entre mim e ti e entre os meus pastores e os teus pastores, porque irmãos somos.” Gn 13:8

“O profeta que profetizar paz, somente quando se cumprir a palavra desse profeta é que será conhecido como aquele a quem o SENHOR, na verdade, enviou.” Jr 28:9

Na igreja que frequentei, e que começou a implantar o G12 em 2001, fui testemunha ocular do afastamento de irmãos queridos, cuja vida Cristã sempre foi exemplar. Famílias inteiras, com sua fé firmada na rocha, com conhecimento da Palavra, se afastaram por não agüentarem as pressões da liderança e nem os métodos adotados. Tenho conhecimento de vários deles que saíram com dor no coração, mas o compromisso firme com a verdade e com a saúde espiritual de suas famílias os levaram a procurar pastos mais seguros e bíblicos. Não consigo criticar estes irmãos, pois não saíram sem antes lutar pela manutenção das verdades bíblicas, mas o fato é que alguns soldados devem ficar no campo de batalha enquanto outros recuam estrategicamente, visando o fortalecimento do exército de Deus e a vitória. As trincheiras são duras, mas o fato é que esta “guerra” tem resultado no amadurecimento ainda maior de todos os envolvidos que conseguiram em meio à tempestade agarrar-se a bóia salvadora que é Jesus.

Com isto temos atualmente um quadro onde o Corpo de Cristo está esquartejado por vários motivos:

1.      Pelo “clima de guerra” declarado pela liderança ao dizer que as igrejas sem células irão acabar

2.      A indignação de vários irmãos com os desvios doutrinários do G12

3.      Pela falta de interesse dos pastores em cuidar das ovelhas diretamente, deixando isto a cargo dos respectivos líderes de células.

4.      Ou ainda com as pressões da liderança por multiplicação de suas células, o que nem sempre ocorre com facilidade, fazendo com que a pessoa seja tachada como infrutífera e problemática.

Tudo isto tem feito com que muitos irmãos, cristãos verdadeiros, e fiéis ao Senhor, deixem seus respectivos apriscos em busca de outros mais seguros. O Cristão firmado na rocha é afeito ao alimento sólido, pois sem este alimento o crente não amadurece, o que é fundamental, pois somente crentes amadurecidos, através de seu testemunho de vida, conseguem alcançar mais e mais pessoas para Cristo de forma duradoura. É fato comprovado que os grandes evangelistas, firmados na palavra de Deus, com forte base familiar, conseguiram levar a conversão verdadeira a Jesus, um enorme volume de pessoas.

O amadurecimento na fé, tem como conseqüência o presente divino dos dons espirituais, mas sempre conforme a vontade do Pai e a necessidade do Corpo de Cristo. O cristão maduro sabe que o Pai somente concederá os dons que Ele julgar necessários ao Corpo. Na verdade após a conversão o crente transforma-se em HABITAÇÃO do Espírito Santo, e então começam a ocorrer mudanças:

  • A abertura do entendimento: Jo 14:26 e 16:8-15
  • O aperfeiçoamento do caráter pelo fruto do Espírito: Gl 5:22-23
  • O aperfeiçoamento do caráter pelo amor: 1Co 12:27 e 13:13
  • A vontade e o desejo intenso de manutenção da Paz de Cristo, e do poder e da alegria no Espírito.

 

Os frutos identificando a árvore

Uma árvore boa produz frutos bons, e uma árvore má produz frutos ruins. Esta é a verdade de Deus revelada pelas Escrituras:

“Assim, toda árvore boa produz bons frutos, porém a árvore má produz frutos maus.” Mt 7:17

A Palavra de Deus nos ensina no versículo acima que através dos frutos conheceremos a árvore. E no G12, que tipo de fruto temos? Frutos ruins provenientes da divisão e do afastamento dos irmãos para outros pastos ou até para longe de qualquer igreja, e alguns frutos relativamente “bons” devido ao forte empenho evangelístico, ainda que com objetivos multiplicativos e empresariais.

Este fato merece uma grande reflexão. Será que esses frutos “bons” são bons de verdade? Será que essas pessoas que aceitaram a Cristo no G12 vão permanecer no aprisco e amadurecer na fé? Ou vão titubear em sua fé ao menor sinal de tribulação? Entendo que quem nos escolheu foi Deus e, portanto a obra é Dele, e a ele compete determinar as direções a seguir.

“Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo conceda.” Jo 15:16

Tenho ouvido uma justificativa gedozista alegando que a árvore do conhecimento do livro de Gênesis possuía dois frutos, um bom e outro ruim, razão pela qual temos algumas igrejas que se dividiram devido ao G12. Foi o preço a pagar em prol do sucesso da “visão”. Eles lamentam que tais pessoas não tenham aceitado a visão, ou melhor, as julgam como influenciadas por demônios. Essa atitude é conhecida na psicologia como projeção, onde a pessoa problemática enxerga nos outros, o que de pior existe em si mesmo. E assim, com atitudes sectárias, autoritárias e prepotentes, a divisão vem sendo semeada no Corpo de Cristo.

Na verdade, a árvore do conhecimento do bem e do mal, tinha apenas um tipo de fruto, que era o CONHECIMENTO, que por ser amplo, engloba o bem e o mal. Desfazendo com isto a defesa gedozista em favor da árvore com dois tipos de frutos.

“E ordenou o SENHOR Deus ao homem, dizendo: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore da ciência do bem e do mal, dela não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás.” Gn 2:16-17

Portanto o G12 é uma árvore enganosa, que produz frutos doces e amargos ao mesmo tempo, sendo que a médio e longo prazo, mesmo os frutos doces tendem a “azedar”, mediante a ação de espíritos enganadores contra o Corpo de Cristo.

As pressões da liderança

Antes de analisar tais pressões da liderança gedozista em busca dos resultados quantitativos na igreja, gostaria de lembrar uma passagem do livro de 1Pedro que reflete exemplarmente o modo como um pastor deve tratar suas ovelhas:

“Aos anciãos, pois, que há entre vós, rogo eu, que sou ancião com eles e testemunha dos sofrimentos de Cristo, e participante da glória que se há de revelar: Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, não por força, mas espontaneamente segundo a vontade de Deus; nem por torpe ganância, mas de boa vontade; nem como dominadores sobre os que vos foram confiados, mas servindo de exemplo ao rebanho. E, quando se manifestar o sumo Pastor, recebereis a imarcescível (que não murcha ou imperecível) coroa da glória. Semelhantemente vós, os mais moços, sede sujeitos aos mais velhos. E cingi-vos todos de humildade uns para com os outros, porque Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes.” 1Pe 5:1-5

Recebemos através do JesusSite (www.jesussite.com.br) muitas mensagens e pedidos de oração do Brasil e de muitos países do mundo. Tais mensagens são redigidas por pessoas das mais variadas denominações, sendo um grande número delas de não cristãos, que graças ao Senhor tem encontrado mensagens edificantes e muitas delas se converteram ao Senhor devido a isto. Bem, mas nem tudo são flores, pois recebemos numa proporção muito maior, reclamações e pedidos desesperados de orações, de crentes que tem se sentido totalmente incomodados em suas igrejas desde que elas aderiram a “visão” gedozista de Castellanos.

São muitas as reclamações, e praticamente todas refletem um comportamento muito semelhante da liderança destas igrejas. Ao que parece os gedozistas tem seguido a risca sua cartilha, e pode-se notar nas muitas igrejas que de fato abraçaram a “visão” colombiana, um clima de competição entre os líderes, cada qual querendo galgar o posto mais alto na pirâmide do G12. A vaidade continua sendo um dos pecados que mais facilmente derruba os cristãos, e no G12 não é diferente. Todo líder sente-se cobrado, querendo ou não, amando a “visão” ou não, o fato é que a cobrança existe para todos, mas aqueles que conseguem o maior número de membros em suas células são exaltados diante dos outros líderes e diante de toda a igreja.

Tentam dizer que os métodos foram adaptados a cada igreja, mas é fácil comprovar, visitando-se os sites destas igrejas a inquestionável semelhança tanto no linguajar como nas apostilas usadas.

Um fato triste na relação entre líder e discípulo no gedozismo, tem sido a intromissão dos líderes na vida do seu discípulo, usando informações pessoais como forma de pressão na busca pela santificação forçada, e para isto têm feito com que as pessoas confessem seus pecados aos líderes de forma verbal ou ainda usando pequenos cadernos ou devocionais como eles gostam de chamar, onde na verdade as pessoas acabam por revelar seus pecados a líderes de células que sem nenhum conhecimento ou formação teológica se põem a aconselhar ou melhor a pressionar seus liderados usando conhecimentos íntimos a ele confiados.

O aconselhamento cristão é uma prática onde se pressupõe a figura de um aconselhador preparado e conhecedor da Palavra para que oriente de forma bíblica seu aconselhado. Veja o que Gary R Collins comenta a respeito do aconselhamento:

Assim como os profissionais leigos, os cristãos (aconselhadores) procuram ajudar os aconselhandos a alterarem seus comportamentos, atitudes, valores e/ou percepções. Tentamos ensinar habilidades (inclusive habilidades sociais), encorajar o reconhecimento e a expressão das emoções, dar apoio em momentos de necessidade, incutir senso de responsabilidade, orientar a tomada de decisão, ajudar a mobilizar recursos internos e externos em períodos de crise, ensinar técnicas de resolução de problemas e aumentar a competência e o senso de “auto-realização” do aconselhando.

Entretanto, o conselheiro cristão vai mais longe. Ele procura estimular o crescimento espiritual do aconselhando e encorajar a confissão dos pecados para recebimento do perdão divino. Além disso, ajuda a moldar padrões, atitudes, valores e estilo de vida cristãos, apresenta a mensagem do evangelho, encoraja o aconselhando a entregar sua vida a Jesus Cristo e estimula-­o a desenvolver valores e padrões de conduta baseados nos ensinos da Bíblia, em vez de viver de acordo com as regras relativistas do humanismo.

Alguns criticam essa atitude, dizendo que isso é “misturar religião com aconselhamento”. Entretanto, ignorar questões teológicas é adotar as bases da religião do naturalismo humanista, sufocar nossa própria fé e dividir nossa vida em dois segmentos: um santo e outro profano. Nenhum conselheiro que se preze, seja ele cristão ou não, tenta impor suas crenças aos aconselhandos. Temos a obrigação de tratar as pessoas com respeito, dando-lhes total liberdade de tomar suas próprias decisões. Porém, um conselheiro honesto e autêntico não sufoca suas crenças, nem finge ser algo que não é.

(Gary R. Collins, ACONSELHAMENTO CRISTÃO Ed. Século 21, pg. 18, Ed. Vida Nova)

Os crentes que tem ouvido o Espírito Santo, tem se sentido incomodados com atitudes da liderança das igrejas gedozistas, onde tem sido sistematicamente forçados a participarem dos tais “Encontros” e de se tornarem lideres de células, pois todos devem ser lideres na doutrina gedozista. E o objetivo obsessivo de multiplicação das células tem feito com que “células” que não conseguem se multiplicar a ter seus líderes afastados para a nomeação de outra pessoa mais produtiva como líder. Não importa se os freqüentadores da célula e seu líder estejam sendo edificados paulatinamente, pois importa apenas multiplicar e multiplicar, e para tanto o foco quase que completo do movimento é no evangelismo.

Não um evangelismo onde o Espírito Santo toca a pessoa para que ela se converta, mas um evangelismo “por atacado” onde um não-cristão é levado à frente do pastor durante o apelo, que ocorre a todo culto, reunião ou evento, num momento em que a emoção é maior que a razão, e de convencimento, a pessoa é levada a aceitar Jesus. Esse ímpeto evangelístico é produtivo desde que haja um investimento no amadurecimento do recém convertido.

Uma igreja centrada em somente evangelismo ou somente em estudo da palavra, ou somente em oração, ou somente em curas, na verdade é uma igreja sem equilíbrio. Tal equilíbrio é demonstrado na Bíblia pela igreja primitiva, onde a igreja se REUNIA para aprender e amadurecer na Palavra, e se ESPALHAVA para evangelizar, orando pelos oprimidos e curando pelo nome de Jesus. Portanto, concluímos que uma igreja reunida deve ansiar por alimento sólido como Paulo demonstrou amplamente em suas cartas. (Hb 5:12-14)

Já no G12 esse processo de amadurecimento resume-se a freqüentar uma célula e logo em seguida fazer o curso de líderes. Este sistema tem feito com que pessoas se tornem líderes de células muito prematuramente, agindo como conselheiros da Palavra de Deus sem um amadurecimento na fé, o qual convenhamos, é praticamente impossível de ocorrer a curto prazo.

Vejamos o exemplo de Timóteo, que passou por um período longo de aprendizado até se tornar um pregador da Palavra de Deus:

“Paulo conheceu Timóteo no começo de sua segunda viagem missionária, conforme narrado em Atos 16.1: “Chegou também a Derbe e a Listra. Havia a ali um discípulo chamado Timóteo, filho de uma judia crente, mas de pai grego”. Naquela época (por volta de 50 AD) Timóteo já era um discípulo e uniu-se a Paulo e Silas na viagem. É de se presumir, portanto que ele já era um jovem. A primeira epístola a Timóteo foi escrita, pelo menos 13 anos mais tarde, por volta de 63 AD, assim, nessa época Timóteo já teria pelo menos 33 anos. Não era tão jovem assim.”
(Igreja Metodista, www.metodistavalinhos.com.br em 16/10/2004)

O “treinamento” dos líderes

O líder tem como principal objetivo identificar, treinar e discipular outro líder de modo a atingir as metas em progressão geométrica da doutrina gedozista, que determina que uma célula quando atingir 12 pessoas, já deve ter identificado um outro líder em potencial, para que se dividindo num processo sem fim, alcance o total de 12 liderados. Aí então esses 12 liderados repetem o processo, buscando seus próprios 12 líderes, para então o primeiro da pirâmide atingir seus 144 lideres e assim sucessivamente, até alcançar seus 1728, 20736, etc.

Mas como são preparados estes líderes? Recebendo um treinamento em cursos de seis meses onde aprendem métodos para conseguirem se tornar líderes de sucesso. Neste caso, sucesso é um líder que multiplica sua célula no menor espaço de tempo. Para isto o trabalho é árduo e a agenda torna-se cada vez mais carregada, relegando a planos inferiores o trabalho e principalmente a família. Expressões comuns neste meio, as “células infrutíferas” são sistematicamente devassadas de modo a identificar o motivo de não estar atingindo as metas multiplicativas.

O próprio Castellanos assume em seu livro na página 84, que após sua experiência em manter um Instituto Bíblico na MCI, chegou a conclusão que este processo era muito lento, e que teve a revelação de criar a escola de lideres onde o discípulo aprende o essencial: doutrina básica (salvação) e sobre a “visão G12”.

É muito triste vermos o que irmãos têm passado em suas congregações transformadas em empresas, e como tais, buscando obsessivamente melhores resultados traduzidos em quantidade de membros. Aliás, não podem ser chamados de membros, pois o G12 não tem membros, somente discípulos. Mudam-se nomes e rótulos, mas o fato é que doutrinas não bíblicas tem sido mescladas com ensinamentos bíblicos, transformando os cursos e cultos em verdadeiros campos minados, aonde a verdade vem entremeada de engano.

Vemos então que o líder de “sucesso” dentro do G12 é aquele que consegue fazer crescer sua célula, mas na verdade o sucesso na vida Cristã é medido de outra forma, sendo diretamente proporcional a nossa fidelidade a Deus, sendo que o maior posto a ser atingido é o de servo.

“Que os homens nos considerem como ministros de Cristo e despenseiros dos mistérios de Deus. Além disso, requer-se nos despenseiros que cada um se ache fiel.” 1Co 4:1-2

“Mas Jesus, chamando-os a si, disse-lhes: Sabeis que os que julgam ser príncipes das gentes delas se assenhoreiam, e os seus grandes usam de autoridade sobre elas; mas aentre vós não será assim; antes, qualquer que, entre vós, quiser ser grande será vosso serviçal. E qualquer que, dentre vós, quiser ser o primeiro será servo de todos. Porque o Filho do Homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos.” Mc 10:43-45

Todos devem ser líderes de células

O Corpo de Cristo é formado por uma grande diversidade de dons, e um conceito como este, onde todos são líderes é o mesmo que dizer que todos são “cabeças”, e aí então teríamos um monstro e não uma igreja. Por líder de célula, entende-se a pessoa que tem várias funções normalmente atribuídas a um pastor, ou seja, podemos dizer que o líder de célula é o pastor de seu mini-rebanho, visto que é o responsável pelo aconselhamento e até pela cobertura espiritual – conceito este estranho à Bíblia.

É fato sabido, que uns nasceram para ser líderes e outros para serem liderados, mesmo porque se numa guerra todos forem generais, quem irá lutar de fato? Numa empresa alguns têm cargos de chefia, pois são capazes disto, ou seja, tem em maior ou menor grau facilidade em liderar grupos de pessoas. Já diversas pessoas desempenham funções brilhantes numa empresa e são de certa forma, insubstituíveis, mas não são chefes de ninguém, fato que não diminui seu valor em hipótese alguma. Aliás, pessoas assim são fundamentais numa empresa qualquer.

A Bíblia fala a respeito dos dons em diversos livros, vejamos então o exemplo de 1Co 12, onde o capítulo inteiro deixa bem nítido que os dons são diversos e dados a nós para que desempenhemos funções diferentes na igreja para que o corpo de Cristo possa crescer. Cada função tem sua importância, no entanto o que vemos no G12 é a supervalorização dos líderes, constituindo uma espécie de nata da cristandade. Passa-se a impressão de que se você não é líder é um crente inferior e até inútil. Isto tudo é totalmente anti-bíblico.

Cobertura espiritual

Como disse acima o termo cobertura espiritual, não encontra respaldo na Bíblia. Na verdade a palavra cobertura aparece somente 4 vezes na Bíblia:

·         Gn 8:13 – Cobertura da arca

·         Nm 16:38 – Cobertura do altar

·         Nm 16:39 – Cobertura do altar

·         1Re 7:3 – Cobertura da casa

Portanto, onde a Bíblia se cala, ensina a boa teologia, não devemos inventar, pois o risco de desvios doutrinários é imenso quando baseado em teorias humanas.

O que vemos é um abuso espiritual praticado pela liderança do G12 e seus movimentos clones, pois usam esse conceito de cobertura espiritual, para manter as pessoas cativas debaixo de seus ministérios, ensinando teorias que beiram a metafísica, onde as bênçãos ou a unção de líderes que ocupam posições superiores na pirâmide da visão fluem numa corrente que não pode ser interrompida desde o alto até o pé da pirâmide que são as pessoas que frequentam alguma célula.

Para os seguidores deste movimento a unção de um líder importante pode ser transferida em forma de proteção para os que se encontram debaixo dessa cobertura. E este raciocínio não-bíblico tem servido de trunfo aos gedozistas, que não tem escrúpulos em usar este argumento para evitar que alguém ouse se afastar da tal cobertura espiritual, usando ilustrações de pessoas que se afastaram e que passaram a ter problemas de saúde ou qualquer outro problema, para amedrontar qualquer um que esteja descontente ou que pretenda questionar a estrutura do movimento celular.

A Palavra de Deus em Jo 16:33 nos ensina que neste mundo teríamos aflições, mas para termos ânimo em superá-las, pois Cristo venceu o mundo. Nós como cristãos também teremos problemas, pois o mundo jaz no maligno (1Jo 5:19), mas a forma como encaramos e superamos estes problemas mudou radicalmente desde o momento de nossa conversão onde tomamos posse da vitória de Cristo na cruz.

Também não devemos esquecer que o Senhor é nosso Pastor, ou seja, todo aquele que crê em Jesus e sua obra na cruz, tem como pastor o próprio Senhor. Vemos na Palavra:

Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem, assim como o Pai me conhece e eu conheço o Pai; e dou a minha vida pelas ovelhas. Tenho ainda outras ovelhas que não são deste aprisco; a essas também me importa conduzir, e elas ouvirão a minha voz; e haverá um rebanho e um pastor.” João 10:14-16

Ainda sobre a cobertura espiritual, os pastores gedozistas, argumentam que no G12 a cobertura espiritual é uma necessidade crucial para o crente que é plenamente atendida somente no G12 (ver Movimentos Clones no início deste estudo), visto que a ovelha está “coberta” pelo seu líder de célula, que por sua vez está “coberto” pelo seu líder imediatamente acima, até chegar na cobertura do pastor da igreja, que por sua vez está “coberto” pelos seus líderes superiores (ligados a Castellanos, como René Terranova*, Valnice Milhomens, e outros), e estes estão também cobertos num sistema piramidal de cobertura espiritual que tem no topo de sua pirâmide o pastor César Castellanos.

* René Terranova se desligou do G12 em final de março de 2005, quando rompeu com Castellanos adotando para si uma nova nomenclatura chamada Visão Celular (Movimento Celular, M12), que infelizmente apresenta a mesma metodologia do G12 de Castellanos, sendo na prática apenas outra pirâmide com ele no topo ao invés de Castellanos.

Portanto, o criador do G12 colombiano, mantém ligação espiritual com os pastores e líderes do movimento em todos os países que têm atuado. Essa ligação, movida a royalties e ofertas aos líderes superiores, tem tornado a igreja de Castellanos e algumas outras que adotaram o modelo G12 ou seus respectivos clones, muito ricas. Nota-se, tanto pelos congressos organizados, como pelos sites e pelos investimentos em revistas e marketing nas Américas e no continente Europeu.

Caso queira conhecer um pouco mais, visite os sites abaixo:

http://www.g12harvest.org (G12 na Europa)

http://www.visiong12.com/ (A Visão do G12)

http://www.mci12.com (MCI de Castellanos)

http://www.mir.org.br (MIR de René Terranova)

Inversão de valores

Castellanos em seu livro, diz ter ouvido do “espírito”:

“Isto e mais te darei se andares na Minha perfeita vontade. De agora em diante, tuas prioridades serão assim: (1º) Eu devo ser o número um em tua vida, (2º) tua vida é importante, (3º) tua família, (4º) o trabalho em Minha obra e, por último, (5º) o trabalho secular” [pg. 128] (os números entre parênteses foram acrescentados)

A Bíblia não ensina uma ordem exata para estes valores, mas particularmente considero a inversão dos valores nítida, pois Deus ama a ordem e a justiça, e quer que seus filhos obedeçam às leis dos homens assim como a Lei de Deus. Ainda segundo os ensinamentos da Palavra, o homem deve cuidar dos seus – de sua família, e também nos exorta a zelarmos pelos nossos filhos. Ora, por este raciocínio, vemos que o Sr. Castellanos teve uma “revelação” falsa, pois nela vemos uma raiz egoísta no fato de a importância da própria pessoa ficar acima de sua família, e uma raiz de irresponsabilidade, pois coloca o trabalho do homem (e da mulher) em último na escala de importância!

Ora, qualquer cristão lúcido sabe que é através de seu trabalho que pode manter a dignidade de sua família, assim como poderá dizimar e ofertar em suas igrejas, podendo assim desfrutar das bênçãos reservadas aqueles que contribuem para o crescimento da igreja de Cristo. Exceção aos pastores que devem se sustentar do pastorado, não há razão para essa inversão de valores dada em forma de “revelação” pelos espíritos enganadores presentes no G12.

Vale lembrar que Paulo no capítulo 7 de Coríntios descreve os deveres do marido e da mulher no casamento, e também no livro de Efésios lemos que Paulo tinha uma grande preocupação em expressar ao povo como deve agir um homem perante sua família: Sendo o cabeça.

“MARIDO… CABEÇA. Deus estabeleceu a família como a unidade básica da sociedade. Toda família necessita de um dirigente. Por isso, Deus atribuiu ao marido a responsabilidade de ser cabeça da esposa e família (Ef. 5:23-33; 6:4). Sua chefia deve ser exercida com amor, mansidão e consideração pela esposa e família (Ef. 5:25-30; e 6:4). A responsabilidade do marido, divinamente ordenada, de ser “cabeça da mulher” (Ef. 5:23) inclui:

1) provisão para as necessidades espirituais e domésticas da família (Ef. 23,24; Gn 3.16-19; 1Tm 5.8);

2) o amor, a proteção, a segurança e o interesse pelo bem-estar dela, da mesma maneira que Cristo ama a Igreja (vv. 25-33);

3) honra, compreensão, apreço e consideração pela esposa (Cl 3.19; 1Pe 3.7);

4) lealdade e fidelidade totais na vivência conjugal (Ef. 5:31; Mt 5.27,28).”

(BEP Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD)

As prioridades que uma chefe de família devem ter são descritas com muita sabedoria por Paulo nos quatro itens acima. Na minha opinião a ordem correta de prioridades na vida do crente deve ser:

1º Deus, pois: “Mas buscai primeiro o Reino de Deus, e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas.” Mt 6:33

2º Família, pois: “Mas, se alguém não tem cuidado dos seus e principalmente dos da sua família, negou a fé e é pior do que o infiel.” 1Tm 5:8

3º Trabalho secular, pois dependemos dele para a dignidade de nossa família, provendo toda e qualquer necessidade doméstica e de sustento: “Pois comerás do trabalho das tuas mãos, feliz serás, e te irá bem.” Sl 128:2

4º Atividades na Igreja e entre os irmãos, pois: “porque, se alguém não sabe governar a sua própria casa, terá cuidado da igreja de Deus?” 1Tm 3:5 – Por “governar sua própria casa”, subentende-se claramente o sustento através do trabalho secular.

Ainda com relação 1Tm 5:8, Paulo diz que quem não cuida da sua família negou sua fé, veja este comentário:

“Todo crente deve cuidar das necessidades dos seus parentes, e sobretudo dos membros de sua família. Se não faz isto, nega praticamente a fé que professa com a boca. E procede pior que os pagãos incrédulos, visto como estes reconhecem seu dever em tais circunstâncias”
(Novo Comentário Bíblico, Edições Vida Nova)

Inverter estes valores pode ser muito perigoso, mas a doutrina de Castellanos deixa seus seguidores confusos, principalmente se levarmos em conta as pressões que a liderança acaba por fazer naqueles que não concordam com estes conceitos. No livro que inspirou o movimento, logo no prólogo vemos uma frase que semeia esse tipo inversão de valores:

“… se os seus sonhos não vão mais além do que terminar os estudos, pagar suas contas ou criar seus filhos, então sua visão não provém de Deus,…”
(Castellanos, Sonha e ganharás o mundo, prólogo, pg. vii)

O perigo da mistura

A mistura de doutrinas bíblicas com ensinamentos não-bíblicos é de fato perigosíssima. Tal mistura tem por objetivo o enfraquecimento da Igreja como Corpo. Veja o que diz Watchman Nee em seu livro “O Corpo de Cristo” da Editora dos Clássicos: (meu grifo)

De fato, Satanás em seus intentos de desintegrar-nos como Corpo, não necessita incitar opiniões e dissensões entre nós; basta-lhe conseguir implantar alguma impureza em nós ou outra coisa que ocupe o lugar de Deus. Vamos ilustrar isso. Você já viu como se mistura o cimento? Se existe barro mesclado com a areia, o cimento não solidificará totalmente. Do mesmo modo, para que Satanás destrua nossa unidade no Corpo, ele necessita apenas derramar um pouco de lodo – isto é, algo que seja incompatível com a vida de Deus em nós – e nós, como Corpo, iremos nos desintegrar. Nem as opiniões nem as dissensões são necessárias, pois basta o espalhar de um pouco de lodo entre nós. Continuamos partindo o pão e bebendo do cálice, porém, ainda assim, podemos estar divididos.

O Corpo de Cristo não é basicamente uma doutrina, tampouco uma espécie de arranjo de coisas e pessoas, mas é essencialmente a vida. O que é a Igreja? A Igreja não é somente uma doutrina de acordo com as Escrituras, tampouco é somente um método segundo a Bíblia, mas é basicamente uma vida, a saber, a manifestação da vida de Cristo.

A unidade não se baseia em nada mais do que a vida. Satanás só necessita misturar algumas impurezas em nós e nos outros secretamente, de modo que, ainda que entre nós não exista a mínima discordância de opiniões nem a menor indicação de dissensão, entretanto, sem saber, o Corpo está no processo de desintegração. Que o Senhor tenha misericórdia de nós e filtre (santifique) de nós toda impureza! “Ó Senhor, pela cruz e pelo Espírito Santo, filtra-nos! (santifica-nos!)”

Quanto todos necessitamos investigar o lugar que nossos próprios desejos e inclinações têm em nós. Que lugar nosso próprio objetivo tem em nós? Que lugar nossa própria obra tem em nós? Ou será que deixamos que a vida de Cristo ocupe o lugar absoluto em nós? Quanto necessitamos voltar a Deus! Não necessitamos de um avivamento exterior. Temos apenas uma necessidade: voltar-nos interiormente a Deus e deixar que Ele nos limpe e purifique com a cruz e o Espírito Santo. Por sermos filtrados pela cruz e pelo Espírito Santo, oramos e esperamos por ser limpos de todas as impurezas que Satanás tem misturado entre nós. Que o Senhor tenha misericórdia de nós para que não coloquemos nossa confiança em nós mesmos, porque até mesmo o sentimento de termos razão pode ser utilizado por Satanás para realizar sua obra de desintegração! Necessitamos aprender a ir a Deus para obter iluminação, necessitamos aprender a ir aos irmãos e irmãs para correção. Precisamos estar dispostos a pagar qualquer preço e aceitar o tratamento da cruz a fim de poder manifestar verdadeiramente nossas funções como membros da Igreja.

Não dizemos continuamente que amamos o Senhor? Não dizemos que nos consagramos a Ele? Então não temos de nos preservar, tampouco temer pagar o preço, mas temos de permitir ao Senhor que nos limpe de todas as impurezas, que são incompatíveis com a expressão da vida de Cristo por meio de nós e como manifestarmos em nossa vida nossas variadas funções como membros do Corpo, bem como viver o testemunho do Corpo de Cristo.

Portanto, o engano, proveniente da mistura entre o santo e o profano, ou seja, da mistura entre o bíblico e o não-bíblico, provoca mais cedo ou mais tarde a divisão, que pode ocorrer dentro da igreja, ou na vida do crente em sua família ou em seu trabalho.

Deus abençoa pessoa e não métodos. Deus não precisa de métodos, sistemas ou estratégias humanas para gerir a humanidade. Ele é Deus absoluto, onisciente, onipresente e onipotente. Por isto podemos afirmar que se “métodos” fossem essenciais para a Salvação dos homens, ele certamente teria revelado isto a tempo de constar na Bíblia, tal e qual a conhecemos hoje. Afinal não seria justo (e Ele é justo), deixar de informar aos seus filhos algo tão vital.

 

A Colheita será feita por Jesus e seus anjos, e não pelos homens e seus “métodos”

A Palavra declara que a colheita ocorrerá no fim dos tempos e será feita pelos anjos do Senhor. Ou seja os anjos serão os ceifeiros designados pelo próprio Jesus para a tarefa de colher todo o trigo, deixando o joio para trás. Devemos sim, buscar a santificação pessoal, pois somente assim conseguiremos nos concentrar em fazer a vontade do Senhor nestes tempos. Veja o que a Palavra decreta a respeito da colheita:

Explicação da parábola do joio: “Então, tendo despedido a multidão, foi Jesus para casa. E chegaram ao pé dele os seus discípulos, dizendo: Explica-nos a parábola do joio do campo. E ele, respondendo, disse-lhes: O que semeia a boa semente é o Filho do Homem, o campo é o mundo, a boa semente são os filhos do Reino, e o joio são os filhos do Maligno. O inimigo que o semeou é o diabo; e a ceifa é o fim do mundo; e os ceifeiros são os anjos. Assim como o joio é colhido e queimado no fogo, assim será na consumação deste mundo. Mandará o Filho do Homem os seus anjos, e eles colherão do seu Reino tudo o que causa escândalo e os que cometem iniqüidade. E lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali, haverá pranto e ranger de dentes. Então, os justos resplandecerão como o sol, no Reino de seu Pai. Quem tem ouvidos para ouvir, que ouça.”
Mt 13:36-43

Vejamos com atenção: A ceifa, ou colheita, será no fim dos tempos, ou seja, o fim do mundo; e os ceifeiros, ou seja, os que irão colher, serão os anjos enviados por Jesus. A Bíblia é clara e conclusiva neste ponto: A COLHEITA NÃO SERÁ FEITA POR HOMENS.

Já o Pr. Castellanos pensa muito diferente, pois acredita que seu método empresarial será a salvação da colheita. Veja nesta primeira passagem onde ele declara suas convicções e na segunda passagem onde ele alega ter ouvido Deus lhe falar:

“A frutificação neste milênio será tão incalculável, que a colheita só poderá ser alcançada por aquelas igrejas que tenham entrado na visão celular. Não há alternativa: a igreja celular é a igreja do Século XXI (…) Deus me falou claro: Preocupa-te em servir-Me que Eu Me ocuparei de tuas necessidades. Acaso haverá um Senhor melhor do que Eu e uma empresa melhor do a Minha? Tudo o que necessitas Eu te darei!” (Castellanos, Sonha e ganharás o mundo, pg.143)

No livro de Apocalipse temos uma confirmação a respeito de quem de fato fará a colheita:

“E olhei, e eis uma nuvem branca, e assentado sobre a nuvem um semelhante a filho de homem, que tinha sobre a cabeça uma coroa de ouro, e na mão uma foice afiada. E outro anjo saiu do santuário, clamando com grande voz ao que estava assentado sobre a nuvem: Lança a tua foice e ceifa, porque é chegada a hora de ceifar, porque já a seara da terra está madura. Então aquele que estava assentado sobre a nuvem meteu a sua foice à terra, e a terra foi ceifada. Ainda outro anjo saiu do santuário que está no céu, o qual também tinha uma foice afiada. E saiu do altar outro anjo, que tinha poder sobre o fogo, e clamou com grande voz ao que tinha a foice afiada, dizendo: Lança a tua foice afiada, e vindima os cachos da vinha da terra, porque já as suas uvas estão maduras. E o anjo meteu a sua foice à terra, e vindimou as uvas da vinha da terra, e lançou-as no grande lagar da ira de Deus.” Ap.14:14-19

O Novo Comentário da Edições Vida Nova diz a respeito do versículo acima:

O QUARTO ANJO (Ap 14.14-16) – É comum considerar estes versículos como descrevendo o arrebatamento da Igreja por Cristo na sua vinda, e os vers. 18-20 como o ajuntamento do mundo incrédulo para o juízo; é possível que seja esta a verdadeira interpretação da passagem, especialmente em vista do uso da frase um semelhante ao Filho do homem no vers. 14 (cfr. Ap 1.13). Contudo, parece estranho que Cristo fosse orientado por um anjo para levar a efeito a sua obra salvadora. À sua descrição, também, falta o resplendor das visões do Senhor em Ap 1.12 e Ap 19.11. Parece melhor, por conseguinte, considerar a forma parecida a homem como um anjo, compartilhando algo da glória de Cristo como o “anjo forte” de Ap 10.1. A colheita do trigo e das uvas então representa um ato todo-inclusivo de juízo, como em Jl 3.13, em que se baseiam estas duas visões, Para a colheita da terra por instrumentalidade angélica, comparar Mt 13.41-42.

As Origens do Movimento

Todos os gedozistas acreditam que o G12 começou com a “visão” de Castellanos, no entanto iremos mostrar aqui alguns acontecimentos históricos, que comprovam a verdadeira origem do movimento. O que de fato Castellanos fez foi construir sua igreja, ou ainda usando as próprias palavras de Castellanos, sua “santa doutrina” usando três ingredientes:

1º Ingrediente: O Governo de 12 – Os Cursilhos da Cristandade foi um sistema criado em 1928, pelo padre espanhol Josemaria Escrivá (beatificado em 1992 e canonizado em 2002), eram uma espécie de retiro espiritual muito semelhante ao “Encontro com Deus” do G12. Estes Cursilhos alcançaram tanto sucesso, que chamaram a atenção do movimento católico “Opus Dei” (Obra de Deus) que passou a controlar os Cursilhos, os quais no Brasil ficaram conhecidos entre os católicos como “O Caminho”. Uma notícia atual sobre a Opus Dei e sua influência:

A congregação católica ultraconservadora Opus Dei expressou nesta terça-feira satisfação pela eleição do cardeal Joseph Ratzinger como papa Bento XVI. “Em meu nome, e certo de expressar os sentimentos dos homens e mulheres que compõem a prelazia do Opus Dei, asseguro a Bento XVI a plena adesão à sua pessoa e profunda comunhão às suas doutrinas”, afirmou o responsável pela instituição, Javier Echevarría.
(http://www11.estadao.com.br/internacional/noticias/2005/abr/19/172.htm)

Joseph Ratzinger, agora papa Bento XVI, não é apenas o principal representante das alas mais conservadoras do catolicismo. Esteve no comando durante 24 anos da Congregação para a Doutrina da Fé (versão moderna do Tribunal do Santo Ofício, ou seja, da Inquisição). Ratzinger foi responsável direto pela crescente “linha dura” nas questões doutrinárias da Igreja Católica e pelo modo como silenciou todo e qualquer que questionasse suas posições.

Sabemos que Satanás quer a destruição da igreja de Cristo, e ao usarmos modelos eclesiásticos criados pelo nosso maior inimigo, estamos na verdade nos expondo a um risco enorme de destruição. Vale destacar que o OPUS DEI “desembarcou” nas Américas por volta de 1940, justamente na Colômbia, fato pelo qual Castellanos deve ter tido muita facilidade em implantar a “visão”, visto que todo o povo colombiano, quase que inteiramente idólatra, já estava acostumado desde o tempo de seus avós com os métodos gedozistas de encontros e administrativos.

A origem modelo de governo com doze líderes e a utilização dos Cursilhos (extremamente parecidos com os “Encontros com Deus” do G12) é em parte do catolicismo romano, encabeçado pelo padre Josemaria Escrivá. Foi por volta de 1940 que a Opus Dei decidiu vir para a América Latina, escolhendo justamente a Colômbia, país totalmente fragilizado pela idolatria de sua população de maioria católica. Veja a seguir como era o modo de atuar dos Cursilhos na Opus Dei:

O G12 romano trata o pesquisador dos fatos emergentes, o indagador das realidades sociais e o garimpeiro das verdades doutrinárias de mexeriqueiro, bisbilhoteiro, intriguista, metediço, enxerido e linguarudo. Nada de indagação, nada de curiosidade. O cursilhista é condicionado à passividade, a tornar-se como um cadáver nas mãos dos superiores eclesiásticos. Assim, fecham-se as bocas e abrem-se os ouvidos; anula-se a mente e dilata-se a memória; esvazia-se a cabeça de todas as interrogações e enche-a de afirmações dogmáticas “indiscutíveis” e “inquestionáveis”; e então o “gedozista” sai do “tríduo” remodelado, verdadeira “caricatura” de crente, imagem e semelhança de seus modelos, mas fanaticamente convicto de ter tido real “encontro com Cristo”.

Sigilo, arma da Opus Dei e alma do Cursilho. Todo o empenho de eliminar o “espírito crítico” do cursilhando visa criar nele as condições mentais e psíquicas à submissão “consciente” aos seus “guias espirituais” e predispô-lo à aceitação dos ensinos e ordenanças constantes do esquema programático do tríduo de Escrivá. Atentem bem para o Artigo 58(Conforme o Livro de Anselmo Chaves: “Os Cursilhistas”, de onde extraímos os artigos de “Caminho” de Escrivá): “Olha, meu filho. Sê um pouco menos ingênuo (ainda que sejas muito criança, e mesmo por o seres diante de Deus) e não “ponhas na berlinda, diante de estranhos, os teus irmãos.” Pegar os negativos dos cursilhantes e dos cursilhados, revela-los e expô-los ao juízo público, colocá-los na “berlinda” para que não atuem na clandestinidade ou sob disfarce é, na opinião do pai da Opus Dei, “ingenuidade”, “meninice”. Para ele, maturidade é a capacidade de ocultar-se e ocultar intenções e propósitos, ou seja, ser hipócrita. Quanto mais secreto o Cursilho, mais livremente atuante, menos oposição dos contrários. Não se opõe ao que se desconhece.”
(O G12 Evangélico – de Escrivá a Castellanos, Rev. Onezio Figueiredo)

A metodologia dos pré-encontros, encontros e pós-encontros, adotadas pelo G12, foi inspirada no Movimento de Cursilhos de Cristandade da Igreja Católica. Pode-se constatar este fato ao ler o livro “A Mensagem do Movimento de Cursilhos de Cristandade do Brasil” escrito pelo Pe. José Gilberto Beraldo e “Os Cursilhos de Cristandade por Dentro” escrito pelo ex-padre Dr. Aníbal Pereira dos Reis. Transcrevemos alguns trechos dos referidos livros para se verificar as semelhanças:

O Movimento de Cursilhos ou a “obra dos cursilhos” teve seu início na década de 40 (Janeiro de 1949), na Ilha de Mallorca – Espanha (p.15) O método característico do movimento surgiu do seu cunho vivencial, testemunhal, simples, honesto e transparente, ainda que o entusiasmo daí resultante pudesse tocar, de preferência, na emotividade das pessoas(…) Em Mallorca , os Cursilhos, postos sob suspeita, foram praticamente suspensos até fins de 1957, quando voltaram a ser reorganizados (p.16). Tratava-se de uma tentativa de fazer com que o mundo, “de costas para Deus” se transformasse em “cristão, pela ação de uma “cristandade” nos moldes das pequenas comunidades primitivas(p.17). A primeira parte tratará da preparação para a semeadura. É tempo do Pré-Cursilho. (…) A Segunda parte será dedicada ao tempo da semeadura. É o tempo do Cursilho (…) A terceira parte tratará da continuidade, da manutenção e do desenvolvimento da semeadura, preparando a colheita do Reino de Deus. É o tempo do Pós-Cursilho (p.22). 

Depois são indicadas algumas qualidades para o candidato: devem ser líderes reais ou potenciais, capazes de influenciar seus ambientes com suas decisões, suas posturas, seu testemunho de vida; insatisfeitos com as circunstâncias em cujo contexto estão vivendo(p.63). No contexto da grande MENSAGEM, esta é uma mensagem de calor humano, de recepção fraterna e de acolhida caridosa. Feita a recepção fraterna e as saudações iniciais, o coordenador faz as comunicações de praxe. E já procura colocar os candidatos num clima de reflexão anunciando que “o Reino de Deus está próximo”, que é preciso abrir os olhos e apurar os ouvidos para poder percebê-lo(p.102). Apresentação dos que ali estão para auxiliar no bom andamento do encontro: pessoal da cozinha, proclamadores da mensagem ou “mensageiros, encarregados de zelar pelo bem estar de todos,etc. (p.103).

Falando sobre atitudes que favorecem ou dificultam a participação nos encontros, o autor menciona : Atitudes Prejudiciais: falta de personalidade, de capacidade para decisões; imaturidade ou incapacidade de levar as coisas a sério; covardia e medo de conhecer-se em profundidade e enfrentar a realidade e de assumir compromissos. Pessimismo, derrotismo, auto-suficiência, ser dono da verdade. Atitudes Positivas: não opinar antes do tempo, confiar nos amigos que os acompanham; respeito pela liberdade de cada um; afastar preconceitos; evitar comparações com outros movimentos de Igreja dos quais eventualmente alguns dos aqui presentes, participam; atitude sadia de aprendizado, de sermos todos discípulos, aprendizes de cristãos. Importante não é o que as pessoas falam, mas o que Deus quer falar, através delas, à vida, ao coração, à consciência de cada um, ao mundo de hoje, através dos discípulos. Motivação do retiro e convite ao silêncio: O silêncio que se sugere facilita a reflexão inicial destes dias. É um “clima” que se busca criar para que se possa ouvir, mais claramente, a voz de Deus. (p104, 105). (Citações do Livro “A Mensagem do Movimento de Cursilhos de Cristandade do Brasil” do Pe José Gilberto Beraldo; São Paulo: 1994).

2º Ingrediente: Células e Visões – O místico pastor coreano Paul (David) Yonggi Cho, autor do livro “A Quarta Dimensão”, livro com forte influência da Confissão Positiva, Teologia da Prosperidade, e Gnosticismo, contribuiu com o modelo de reuniões nas casas dos crentes nas chamadas “células”, e também com toda uma teoria a respeito da importância da palavra falada e dos sonhos e visões como caminho para conhecer a Deus. Para tanto Castellanos esteve por duas vezes pessoalmente na Coréia, sendo a primeira em 1992, (coincidentemente o ano da beatificação de Escrivá pelo Papa João Paulo 2º), para aprender como o pastor coreano havia conseguido um igreja tão grande.

Vale destacar que as reuniões nas casas dos crentes, as chamadas células ou grupos familiares, têm origem bíblica, visto que naqueles tempos os apóstolos não tinham liberdade junto à liderança judaica da época para poderem falar de Jesus, e por força da necessidade o faziam de casa em casa. Veja:

“E, perseverando unânimes todos os dias no templo e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e caindo na graça de todo o povo. E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar.” At. 2:46-47

Tal origem bíblica para as “células” é aproveitada por várias denominações atualmente sem, no entanto aderirem ao G12. O próprio Castellanos copiou esse modelo de reuniões e o nome “células” do Pr. Cho, homem que lidera hoje uma igreja imensa com cerca de um milhão de membros, segundo informações (aparentemente exageradas) do próprio Pr.Cho.

Esse pastor coreano acredita tanto no poder da “palavra falada” assim como em sonhos e visões, que suas pregações e orações são recheadas de esquisitices e termos como incubação, quarta dimensão, e outras falacias. Numa ocasião no início de sua igreja, quando estava numa situação financeira ruim, Castellanos relata com admiração a atitude mentirosa do Pr. Paul (David) Yonggi Cho da Coréia, quando testemunhou em sua igreja a respeito de uma benção alcançada, sem de fato nada ter ocorrido – pura mentira.

“‘- Irmãos, pela benção de Deus já tenho uma escrivaninha de mogno das Filipinas, uma linda cadeira de aço com rodinhas, e uma bicicleta com marchas de fabricação norte-americana. Louvado seja o Senhor! Já recebi todas estas coisas!” Em seguida sua confissão:

“- Pastor, queremos ver suas coisas. (disseram alguns jovens da igreja) Fiquei aterrado porque não tinha contado com a possibilidade de ter de mostrar minhas coisas. Todos os membros da igreja moravam em um dos bairros mais pobres e se percebessem que seu pastor lhes havia mentido, meu ministério ali estaria terminado.”

(Paul Yonggi Cho, A QUARTA DIMENSÃO, Editora Vida, pgs. 18 a 24)

Esse tipo de doutrina, do sonhar ou falar e acontecer, é bem a linha de atuação dos “Atos proféticos” (leia mais adiante sobre isto) realizados pelos gedozistas, com diversos propósitos, sendo alguns bem estranhos.

Veja o que o Pr. Augustus Nicodemus Gomes Lopes comenta a respeito da Confissão Positiva:

“Outra coisa que tem nos preocupado é a influência doutrinária da “Confissão Positiva”, nas práticas  do movimento. O movimento de  “Confissão Positiva” começou com o pastor Essek William Kenyon, dos Estados Unidos. Ele pegou a idéia de filósofos sobre o poder da palavra; – “a palavra cria” – e  trouxe isso para dentro da Igreja, criando a idéia de que pela palavra o crente consegue criar realidades ao seu redor. Um dos discípulos de Kenyon é Paul Young Cho, com aquele famoso livro, que fez muito mal ao Brasil, chamado “A Quarta Dimensão”, onde se lê que você visualiza, mentaliza e pela palavra você cria resposta à sua oração, exatamente do jeito que você queria. Outro discípulo é Benny Hinn, cuja literatura está espalhada pelo Brasil. Sua  idéia é basicamente esta: Assim como Deus no começo criou todas as coisas pela palavra do seu poder, nós, porque somos deuses, podemos igualmente criar, podemos criar circunstâncias através da palavra.”
(http://geocities.yahoo.com.br/momentoscomjesuscifras/textos/batalha.htm em 20/10/2004.)

O Pastor Eronides DaSilva da ABU – Aliança Bíblica Universitária, comenta a respeito do pastor coreano:

“… Quantos não têm lido o best seller do pastor Paul Yonggi Cho (que mudou seu nome para David, dizendo que assim o Espírito Santo o orientara), A Quarta Dimensão? Fantástico, não? Eu, fui um dos que o leu! Lendo-o, como outro livro de igual conteúdo, o leitor se atém, em primeira estância, na venda do produto: “o segredo da vida de êxito mediante a fé”! E o conhecidíssimo doutor Schuller acrescenta o último ingrediente para prender o leitor: “Não tente compreendê-lo. Simplesmente comece a desfrutá-lo! É verdadeiro; funciona; testei-o.” Sim, não tente compreendê-lo, como que os crentes pentecostais não fossem dirigidos pelo Espírito Santo; que as Escrituras Sagradas não fossem sua regra de fé e prática; e que ele mesmo inspirou a Paulo a escrever: “Não extingais o Espírito. Não desprezeis as profecias.

Examinai tudo. Retende o bem…” I Ts 5.18-19

Infelizmente, e à guiza de uma pretensa desculpa eclesial, alguns têm afirmado: “os sinais não são para ser teologicamente explicados, mas piamente aceitos. ‘O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabe de onde vem nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito‘, justificando assim, que certos escritos ou manifestações devem ser inibidos de verificação à luz das Escrituras ou da teologia! O pastor Paul abordou, de forma infeliz e comprometedora, este assunto de muito brilho científico, reduzindo a Divindade à dimensão da matéria – Deus é imanente*, e nós, transcendentes! O Hinduísmo ensina esta heresia! Penso, logo existo, foi a semente diabólica lançada no campo para germinar certos ensinos e práticas extra-bíblicos!

Ora, todo estudante de ciência sabe que tanto a massa, como o tempo, o espaço e aceleração, são físicos na sua própria dimensão transiente. A prova inequívoca e científica é que não podemos pensar em duas coisas ao mesmo tempo; e se jogarmos um relógio atômico de uma altura de 100 metros ele vai adiantar um décimo em catorze avos de segundos. Afirma Cho e os promotores da confissão positiva, na defesa da materialização das coisas divinas, que basta assumir a cor da bicicleta que deseja, a quantia do dinheiro que o projeto necessita, o tipo do noivo que sonha, e tudo Deus porá à sua porta! Mas o que dizer da afirmação de Jesus: “porque em verdade vos digo que, se tiverdes fé como uma grão de mostarda, direis a este monte…”! Sim, se tivermos fé! A fé “é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêm”, e não apenas uma afirmação platônica ou mental! Por favor, a Divindade está acima de tudo e de todos! Ele é eterno: “Porque assim diz o alto e o sublime que habita na eternidade, e cujo nome é santo” (Is 57.15)! Criar uma metonímia de um assunto tão relevante seria tentar reduzir um Deus transcendente a um invólucro imanente*! Deus tenha misericórdia de todos nós!

* IMANENTE: diz-se do conhecimento de Deus que resulta mais de vivência religiosa do que de assimilação de doutrina que é constante, permanente, perdurável (Dic. Houaiss)

Já o site Apologeticsindex.org, conhecido site em língua inglesa especialista no estudo de seitas e heresias, classifica o movimento “Fé Mundial” de Paul (David) Yong Cho como heresia. Veja:

Paul (David) Yonggi Cho

Pastor of the world’s largest church (South Korea). Word-Faith teacher. Teaches “Christianized” versions of occult principles.

In the February 1995 edition of Alpha, in an article entitled, “God as servant, Man as God,” Charles Strohmer criticised David Yonggi Cho’s “faith incubation” process, along with similar techniques of other “Faith Movement”proponents such as Kenneth Hagin, Agnes Sanford, Kenneth Copeland and Maurice Cerullo, as a clear departure from the true gospel.

Michael Horton, writing in Power Religion, castigates Robert Schuller’s forward to Yonggi Cho’s Fourth Dimension arguing that it is a blend of “psychology, magic and religion” (p.327). John MacArthur, is equally forthright. In Charismatic Chaos, he asserts that Cho’s ideas are “rooted in Buddhist and occult teachings”(p.149).

From Chapter 6 of “The Toronto Blessing” – an examination of its theological roots

Said to have prophesied that the “last great move of the Spirit” will originate in Canada. Also said to have prophesied that there would be revival in Pensacola, Florida The latter is called into question by a former member of the Brownsville Assembly of God:

“It is interesting how a claim regarding a prophecy attributed to Korean Pastor Cho changed three times, each time becoming more specific until it identified Pensacola as the city where a “great end-time revival” would break out and spread throughout the world. Actually, I had heard of that prophecy years before when we lived in Kentucky, and there was speculation that Evangel Tabernacle would be the church where it was to start. The prophecy didn’t change… the telling of it did.”
Dr. Herb Babcock,
“That’s How They Do It In Toronto!”

(http://www.apologeticsindex.org/c17.html em 21/10/2004)

Word-Faith Movement

Also known as “Name-in-Claim-it,” “Health and Wealth Gospel,” “Positive Confession,” “Word of Faith,” etc.

Word-Faith teachers owe their ancestry to groups like Christian Science, Swedenborgianism, Theosophy, Science of Mind, and New Thought–not to classical Pentecostalism. It reveals that at their very core, Word-Faith teachings are corrupt. Their undeniable derivation is cultish, not Christian. The sad truth is that the gospel proclaimed by the Word-Faith movement is not the gospel of the New Testament. Word-Faith doctrine is a mongrel system, a blend of mysticism, dualism, and gnosticism that borrows generously from the teachings of the metaphysical cults. The Word-Faith movement may be the most dangerous false system that has grown out of the charismatic movement so far, because so many charismatics are unsure of the finality of Scripture
John MacArthur, Charismatic Chaos, p. 290

There are many perculiar ideas and practices in the Faith theology, but what merits it the label of heresy are the following: 1) its deistic view of God, who must dance to men’s attempts to manipulate the spiritual laws of the universe; 2) its demonic view of Christ, who was filled with “the Satanic nature” and must be “born again in hell; 3) its gnostic view of revelation, which demands denial of the physical senses and classifies Christians by their willingness to do so; and 4) its metaphysical view of salvation, which deifies man and spiritualizes the atonement, locating it in hell rather than on the cross, thereby subverting the crucial biblical belief that it is Christ’s physical death and shed blood, which alone atone for sin. All four of these heresies may be accounted for by Kenyon‘s syncretism of methaphysical thought with traditional biblical doctrine
D.R. McConnell,
A Different Gospel

(http://www.apologeticsindex.org/w00.html#wordf em 21/10/2004)

3º Ingrediente: Pragmatismo com propósitos – O pragmatismo no Cristianismo moderno tem como defensores, os autores americanos Rick Warren, Robert Schüller, Kenneth Hagin, Kenneth Copeland, Benny Hinn, Bill Hybels dentre outros, que nos últimos tempos cunharam a expressão “igreja do novo paradigma”, que nada mais é do que um modo empresarial de dirigir, onde o que mais importa é obter resultados (no caso membros), não importando se os métodos usados para atingir este objetivo são ensinados pela Bíblia ou pelo homem.

Esses autores sofreram influência de Edward Demming e Peter Drucker e da TGS – Teoria Geral dos Sistemas. Mac Dominick (The Cutting Edge Ministries) elaborou um trabalho sobre pragmatismo na igreja muito esclarecedor. Segue um trecho:

Como a Educação Progressiva e a Religião Orientada Para Resultados compartilham aquilo que parece ser um número desproporcional de similaridades, é preciso questionar a origem desses princípios e buscar uma fonte comum para essas similaridades, ou então consigná-las à mera coincidência. Entretanto, não existem coincidências, porque a fonte desses pontos em comum pode ser prontamente descoberta e a busca inicia olhando-se para as vidas de dois homens, Edward Demming e Peter Drucker. Demming (já falecido) e Drucker (com aproximadamente 95 anos) estão entronizados como especialistas renomados internacionalmente na administração empresarial e como gurus da metodologia da administração. Esses dois indivíduos estavam entre os membros principais de um grupo seleto de americanos (embora Drucker seja um cidadão americano, ele na verdade nasceu na Áustria) que são louvados como parte do esforço quase sobre-humano que desenvolveu filosofias de administração baseada em sistemas que começaram a ganhar reconhecimento público no Japão após a Segunda Guerra Mundial. A história popular é que americanos desenvolveram uma metodologia empresarial avançada que foi rejeitada pelas empresas ocidentais mas que foi avidamente adotada pelos japoneses. Quando essas filosofias foram postas em prática no Japão, o país derrotado se ergueu como a mitológica fênix de sua morte, devastação, desmoralização e destruição para se tornar um gigante industrial em pouco mais de uma década.

Embora essa história seja parcialmente verdadeira, a realidade é que a abordagem de Demming está baseada principalmente em “processo” e “melhoria contínua do processo”, e a “Administração Por Objetivos”, de Peter Drucker, é inteiramente baseada em resultados. Entretanto, embora a abordagem dessas metodologias originem-se de um ponto-fonte diferente, as filosofias orientadas para resultados de Drucker podem se mapeadas com os mesmos princípios de processos incorporados por Demming. Por exemplo, o tema de Drucker de “construir comunidades” com “trabalhadores do conhecimento” é precisamente equivalente à busca de Demming para implementar um “espírito de equipe” de modo a “cultivar a lealdade corporativa e uma identidade compartilhada”. (5) Essencialmente, Demming é menos baseado em resultados, mas Drucker incorpora processos que imitam ou são idênticos àqueles propostos por Demming para alcançar o resultado predeterminado. Portanto, a busca precisa continuar para uma origem comum desses métodos, pois os pontos filosóficos em comum são óbvios demais para serem apenas uma coincidência. Essa busca, entretanto, levará a pessoa para o lado mais tenebroso da administração empresarial.

A “Administração por Objetivos” de Peter Drucker não foi uma idéia original, mas emanou de dentro das fileiras da filosofia esotérica alemã do século XIX. Os conceitos sistêmicos e orientados para resultados podem ser rastreados diretamente aos ensinos de Hegel, Marx, Nietzsche, Wellhausen, Blavatsky, e outros que foram fortemente influenciados pelo paganismo alemão. Por sua vez, esses mesmos princípios foram depois adotados pelos socialistas fabianos no início do século XX e facilmente comunicados a tipos como John Dewey, o “Pai da Educação Progressiva” (daí a origem do termo Educação Baseada em Resultados). (6) De forma muito preocupante, um exame mais profundo dos dogmas básicos desse sistema revela influências esotéricas e muito tenebrosas. Isto não é segredo nem mesmo para as fontes seculares da administração, que têm a coragem de fazer uma avaliação honesta do sistema. Por exemplo, em um artigo publicado pelo The Journal of Organizational Change Management, David M. Boje e Robert D. Winsor tratam do Gerenciamento da Qualidade Total (TQM, do acrônimo em inglês) – o ímã da metodologia de Demming / Drucker:

“A tese deste artigo é que como um fenômeno econômico, a Administração da Qualidade Total tem sido posicionada como um conjunto cuidadosamente criado de modificações dos processos tecnológicos que objetivam levar a níveis avançados de qualidade do produto ou a custos menores e, dessa forma, fornecem a capacidade de alcançar e sustentar uma vantagem competitiva global. Entretanto, para alcançar esses objetivos, TQM direta e encobertamente altera os valores, a cultura e as mentalidades dentro de uma organização. Como resultado, e em paralelo com essas modificações tecnológicas, TQM estabelece um programa cuidadosamente integrado de engenharia social e psicológica que é crítico para sua implementação “bem-sucedida” e que tem um impacto significativo no comportamento e na consciência dos gerentes e dos funcionários.” (7)

Observe a frase que inicia no meio da citação, “… TQM direta e encobertamente altera os valores, a cultura e a mentalidade … um programa integrado de engenharia social e psicológica…”. Esse mesmo artigo diz, “TQM busca aperfeiçoar os sistemas de controle que produzem e impõem a uniformidade dentro dos produtos, componentes, trabalhadores, fornecedores e todo o sistema geral de produção. O problema é que uma maioria desse controle, em linha com os princípios de Taylor (1911), está direcionado aos corpos, almas e espíritos dos trabalhadores.” (8) Compare essa observação de mudança sistêmica com o diagrama mostrado no início deste capítulo e que retrata a Educação Progressiva Tranformacional. Esse aspecto da metodologia de Drucker / Demming busca os mesmos resultados – uma mudança de paradigma – uma mudança da mente do velho para o novo, do passado para o futuro, do individualismo para a dinâmica de grupo, e do nacionalismo para o globalismo. Em seu livro de 1959, Landmarks of Tomorrow, Drucker estende-se longamente para descrever o que ele via com uma “mudança do sistema cartesiano linear de causa e efeito”. (9) Ele não chama isso de “mudança de paradigma”, pois Kuhn somente cunhou essa expressão em 1962. Entretanto, o dogma básico desse mesmo conceito é engenhosa e deliberadamente expresso nas filosofias de Drucker pré-1962. Por outro lado, o aspecto esotérico desta questão vem à frente quando começa-se a dirigir os princípios da administração para o corpo, alma e espírito. Essa metodologia cruza o limiar do secular para o religioso; e uma vez que a pessoa mergulhe em arenas religiosas com metodologias humanistas, a situação transiciona-se rapidamente do mundano para os níveis esotéricos.

(Nos anos 50, o público americano não estava exatamente entusiasmado em adotar o “druckerismo” ou o “demmingismo”. Na verdade, as bases esotéricas mencionadas anteriormente foram componentes críticos para a rejeição dos métodos de Drucker pelos magnatas da indústria americana. Entretanto, os mistérios esotéricos estavam no centro das religiões orientais, de modo que esses aspectos foram mais um incentivo do que um obstáculo para a mentalidade japonesa. Portanto, Demming tornou-se o pai de um novo paradigma empresarial que floresceu no Japão vinte anos antes de dar grandes passos no ocidente, mas a sorte estava lançada para trazer o ocidente a bordo também. Com o sucesso de TQM e da “Administração Por Objetivos” no oriente, a General Motors abriu suas portas para Peter Drucker e a implementação de seu plano. Uma vez que as primeiras portas se abriram, as comportas foram abertas em seguida. Hoje, a pouca base industrial que resta nos EUA luta sob a maldição das filosofias de Drucker / Demming, e essas mesmas filosofias contribuíram grandemente para o êxodo maciço dos empregos industriais americanos para os polos de mão de obra barata nos países do Terceiro Mundo e do sudeste asiático.)

Na realidade, existe uma explicação muito lógica para a natureza esotérica da metodologia de Drucker / Demming. Esses indivíduos basearam suas metodologia na “Teoria Geral dos Sistemas” (TGS). A TGS foi originalmente proposta pelo biólogo húngaro Ludwig von Bertalanffy, em 1928. Ele propôs que “um sistema é caracterizado pelas interações de seus componentes e a não-linearidade dessas interações.” (10) Kuhn, o criador da expressão “mudança de paradigma” aplicou a TGS à cultura e à sociedade, e via as culturas como sub-sistemas de interligação de uma sociedade planetária mais ampla. (11) Em 1980, o cosmólogo Stephen Hawking então expandiu o pensamento sistêmico para a plataforma global introduzindo a “Teoria do Caos” (12), que afirma a “interconectividade de todas as coisas” – (isto é, a batida das asas de uma borboleta na Ásia pode afetar o curso dos furacões no Atlântico). Como resultado, a Teoria Geral dos Sistemas tornou-se muito esotérica quando levada às suas conclusões lógicas:

·         TGS é sintomática de uma mudança na nossa cosmovisão. Não vemos mais o mundo em um jogo cego de átomos, mas ao invés disso, como uma grande organização.” (13)

·         De acordo com a TGS, nada pode ser compreendido em isolamento, mas precisa ser visto como parte de um sistema.” (14)

·         Se a pessoa aceitar a teoria que o mundo é um sistema holístico interconectado e interdependente (e dentro desse sistema há uma infraestrutura que é análoga de um sistema para outro), deverá logicamente concluir que a Hipótese de Gaia é verdadeira.

·         “A Hipótese de Gaia, de James Lovelock, apareceu em 1979 e evoluiu para se tornar um livro – Gaia: A New Look at Life on Earth, publicado pela Oxford Press em 1982. A Hipótese de Gaia defende a posição que a própria Terra é um organismo vivo, a fonte de toda a vida, que tem a capacidade de regular-se, ou curar a si mesma sob condições “naturais”. A posição de Lovelock é que a espécie humana desenvolveu a tecnologia para sobrepujar a capacidade de Gaia de “curar” a si mesma, e está, portanto, condenada à destruição, a não ser que a espécie humana interrompa esse assalto tecnológico.” (15)

·         Essencialmente, a Hipótese de Gaia não é nada mais do que a antiga adoração da deusa Mãe-Terra do paganismo antigo e da feitiçaria moderna.

Com base em tudo o que foi dito acima, pode-se concluir que a Teoria Geral dos Sistemas é um sistema de crenças esotérico baseado em uma fusão de darwinismo e do misticismo oriental – muito similar ao que agora é chamado de “Nova Era”. A TGS afirma que o homem está se movendo para o próximo nível de evolução, mas para alcançar esse patamar mais elevado, a humanidade precisa adotar uma consciência universal e comum, ou sistema de crenças (“as velhas crenças” precisam fazer a transição para “novas crenças”). Peter Drucker confirmou sua adesão a esse conceito por meio do desenvolvimento do modelo do “banquinho de três pernas”. As pernas representam o sistema empresarial, o estado e o “setor privado”. O assento do banquinho representa o alcance daquilo que ele chama de “comunidade”, ou consenso, desses três setores separados (ou sub-sistemas) da sociedade. Drucker gastou a última metade de sua vida concentrando-se nesse “setor privado” (igrejas e organizações não-lucrativas) porque esse segmento oferece a plataforma para o consenso dialético para unir toda a humanidade para produzir o “fenômeno do salto” (16) para o próximo nível de “evolução social”. De acordo com a Teoria Geral dos Sistemas e a Hipótese de Gaia, o “antigo sistema” precisa ser quebrado para que o “novo sistema” possa irromper.

Referências:

5. Boje, David M. &Windsor, Robert D. “The Resurrection of Taylorism: Total Quality Management’s Hidden Agenda”, The Journal of Organizational Change Management, Vol 6, 1993, pg 62.

6. Blumenfeld, Samuel L., NEA,Trojan Horse in American Education, The Paradigm Company, Boise, Idaho, 1984, pg 44-47.

7. Boje, pg 57.

8. Ibidem, pg 59.

9. Drucker, Peter. Landmarks of Tomorrow, Dimensions Publishing, 1959.

10. Walonick, pg 1.

11. Ibidem.

12. Ibidem, pg 6.

13. Ferguson, pg 157.

14. Ibidem, pg 52.

15. Lamb, Henry, “Rise of the Global Green Religion”, Eco-Logic magazine, 2/12/98.

16. Houston, Jean, “Whole System Transition and the Rise of the Planetary Society”, audio tape, Association of Curriculum Management and Development, 1989.

 

Mas o que seria pragmatismo ou ainda o que seria a igreja do novo paradigma? Veja a seguir a explicação de Mac Dominick (The Cutting Edge Ministries) em seu livro “Pragmatismo na Igreja: Uma Religião Orientada Para Resultados e Que Abre a Porta Para o Anticristo”:

Igreja dirigida por propósitos – Este termo foi inventado pelo pastor Rick Warren, da Igreja da Comunidade de Saddleback, no sul de Los Angeles. A idéia é que uma igreja deve colocar sua visão nos seus propósitos finais e estruturar sua metodologia de modo a alcançar esses propósitos. O termo “dirigida por propósito” é sinônimo de “orientada para resultados”. Em seu livro “Uma Igreja com Propósitos”, Rick Warren relaciona o processo de se tornar “dirigida por propósitos“. Para os objetivos desta análise, a palavra “resultado” foi substituída por “propósitos“. O significado é o mesmo. O plano dele é como segue:

o   Defina o resultado

o   Exija o resultado

o   Baseie as atividades de modo a alcançar o resultado

o   Inicie o programa para alcançar o resultado

O resultado nesse caso é o crescimento exponencial da igreja.

 

Igreja do novo paradigma – Novamente, o pastor Rick Warren, em seu livro inovador, “Uma Igreja com Propósitos“, diz que o escreveu para oferecer um “novo paradigma”.  A definição básica do novo paradigma relaciona-se com um “novo modo de pensar”. Nesse caso, um novo modo de pensar sobre como “fazer igreja”. A razão determina que se esse é um novo modo de pensar no ministério, o modo antigo deve estar seriamente errado. Isso precisa então levar a pessoa a avaliar o “modo antigo” conforme criticado pelo pastor Warren em seu livro. O “velho modo de pensar”, de acordo com Warren, é caracterizado em sua maior parte, por aqueles que continuam a tentar comunicar o evangelho para a cultura moderna em um “estilo fora de moda”. A filosofia de Warren exibe a superioridade do estilo sobre o conteúdo, o que é contrário ao ensino bíblico. A Bíblia diz que o homem deve “procurar apresentar-se aprovado… que maneja bem a Palavra da Verdade…”  (…)

Entretanto, quando alguém defende o estilo sobre a substância no caso de uma igreja, está basicamente dizendo que o processo usado para fazer a igreja crescer é mais importante que o ensino doutrinário da igreja. O pastor Warren rejeita qualquer problema com essa metodologia perigosa declarando, “… o estilo de adorar que você tem diz mais sobre sua origem cultural do que sobre sua teologia.” Se isso fosse verdade e se a cultura determinasse um estilo de adoração utilizando música Rock Acid, drogas e orgias – isso não implicaria em uma teologia furada? Essa ilustração pode ser absolutamente risível, mas claramente exibe os extremos que podem ser derivados da assim chamada abordagem “do novo paradigma” para o ministério.

Em segundo lugar, a igreja do novo paradigma está intencionalmente projetada para rápido crescimento, pois o crescimento da igreja é o resultado desejado da Religião Orientada Para Resultados. Para alcançar esse objetivo, o projeto desse tipo de igreja baseia-se nos princípios da Administração de Empresas e nas pesquisas de mercado do Marketing. O problema que surge com essa metodologia é visto na revelação bíblica, “A palavra da cruz é loucura para os que perecem.” [1Co ríntios 1:18] A Bíblia também ensina que o próprio Jesus Cristo é “uma pedra de tropeço e rocha de escândalo” [1Pedro 2:8] Com base nessa aparente contradição, a pergunta precisa então ser feita, “Como então você coloca no mercado um produto que é tão ofensivo e louco?” A resposta é simples. Você precisa modificar o “apelo” do produto para distrair a percepção das pessoas de sua ofensa e loucura, de modo a atrair o público-alvo. Essas mudanças necessárias inevitavelmente resultam em um afastamento da Palavra de Deus e uma apostasia sorrateira que no final apagará o último traço de verdade em um período muito curto de tempo.

Um aspecto final e muito preocupante do rótulo “novo paradigma” é o fato que o termo “paradigma” foi popularizado no fim dos anos 70 e início dos anos 80 por Marilyn Ferguson em seu livro “A Conspiração de Aquário”. Esse livro foi outra obra de referência que caracterizou o trabalho interno do Movimento de Nova Era com o termo “Mudança de Paradigmas”. A autora Ferguson afirmava que a nova espiritualidade produzida pelas filosofias de Nova Era eventualmente levaria a uma “massa crítica” na consciência humana para provocar uma grande Mudança de Paradigmas que iniciaria um novo nível de evolução do homo sapiens para o homo noeticus, o homem-deus. Equiparar Rick Warren com Marilyn Ferguson pode não parecer justo, mas algumas perguntas simples devem ser feitas: Por que um pastor batista utilizaria terminologia de Nova Era para descrever sua nova metodologia de crescimento de igreja? Deve qualquer cristão que crê na Bíblia utilizar qualquer tipo de terminologia que o equipare (justa ou injustamente) com aqueles que estão envolvidos com as práticas ocultistas? O senso comum não diria que tais comparações seriam feitas com a utilização dessa terminologia? Aqueles que estão envolvidos nas práticas ocultistas não veriam essa terminologia como um sinal que as coisas não são como realmente parecem no Movimento de Crescimento de Igrejas? Embora todas essas perguntas possam ser respondidas de uma maneira positiva, o simples uso dessa terminologia é no mínimo, desconcertante.”

(Mac Dominick – The Cutting Edge Ministries, “Pragmatismo na Igreja: Uma Religião Orientada Para Resultados e Que Abre a Porta Para o Anticristo”)

Quem financia a igreja do novo paradigma

O Dr. Warren tem doutorado em Ministério pelo Seminário Teológico Fuller, que está ligado em rede à linha de financiamento de Fuller, que inclui a Fundação Rockefeller e a Luce Fundation. (Henry Luce foi um maçom de grau muito elevado), o Lilly Endowment (a Lilly é um grande laboratório fabricante de medicamentos para doenças mentais e fabricante do Prozac). Essas fundações patrocinam a Associação das Escolas Teológicas dos Estados Unidos. E essa associação está diretamente envolvida com a formação de milhares de pastores atualmente nos Estados Unidos.

A questão crucial é: O que uma fundação profundamente ligada à maçonaria, e outra de um fabricante de remédios para depressão e doenças mentais, os quais causam forte dependência, pretendem ao financiar a formação de pastores? Será que o objetivo é levar pessoas para Cristo? Ou será que satanás está usando estas pessoas com seus métodos para minar a Palavra de Deus atacando a igreja na sua raiz? Militares sabem que quando tem que destruir um inimigo, devem primeiramente enfraquecê-lo. O G12 e quaisquer doutrinas que preguem um Novo Paradigma, Nova Dimensão, Nova Unção, Novo Mover, Fé Mundial, etc., na verdade têm enfraquecido a igreja como um todo, levando muitos a se apostatarem da fé. A Bíblia diz que muitos apostatariam sim, mas não diz para ficarmos calados e impassíveis diante disto.

Precisamos mais do que nunca, perseverar na fé e na sã doutrina. É urgente que abandonemos os métodos mundanos e nos fizemos apenas em Deus e em seus ensinamentos. É vital que doutrinas, sonhos, revelações, profecias, etc., sejam analisados sob a luz da Palavra de Deus.

Conclusão sobre os ingredientes

Portanto a “visão” de governo dos 12, ou G12, iniciada pelo Pr. Castellanos é apenas uma estratégia montada para gerir as igrejas baseando em suas ambições vaidosas de crescimento, usando para isto os modernos métodos do pragmatismo americano, a secular Opus Dei católica com seus Cursilhos da Cristandade, e as células da igreja coreana, numa receita de aparente sucesso e abrangência mundial. O problema é que suas doutrinas fogem da Bíblia em diversos pontos, e por este motivo é de importância crucial, permanecermos alertas e bem atentos, como a própria Palavra de Deus nos exorta nos versículos e contextos abaixo:

Gálatas 1:8 “Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos pregasse outro evangelho além do que já vos pregamos, seja anátema.

Mateus 24:24 “porque hão de surgir falsos cristos e falsos profetas, e farão grandes sinais e prodígios; de modo que, se possível fora, enganariam até os escolhidos.

2Tessalonicenses 2:9 “a esse iníquo cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás com todo o poder e sinais e prodígios de mentira,

1 João 4:1 “Amados, não creiais a todo espírito, mas provai se os espíritos vêm de Deus; porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo.

1 Tessalonicenses 5:21 “mas ponde tudo à prova…

1Coríntios 2:13 “…comparando coisas espirituais com espirituais.

Atos 17:11 “Ora, estes eram mais nobres do que os de Tessalônica, porque receberam a palavra com toda avidez, examinando diariamente as Escrituras para ver se estas coisas eram assim.” (Bereanos)

Tito 1:9 “retendo firme a palavra fiel, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para exortar na sã doutrina como para convencer os contradizentes.”

Provérbios 19:2 “Não é bom agir sem refletir; e o que se apressa com seus pés erra o caminho

Paulo nos adverte em 2Tm 4:1-5 “Conjuro-te diante de Deus e de Cristo Jesus, que há de julgar os vivos e os mortos, pela sua vinda e pelo seu reino. Prega a palavra, insta a tempo e fora de tempo, admoesta, repreende, exorta, com toda longanimidade e ensino. Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo grande desejo de ouvir coisas agradáveis, ajuntarão para si mestres segundo os seus próprios desejos, e não só desviarão os ouvidos da verdade, mas se voltarão às fábulas. Tu, porém, sê sóbrio em tudo, sofre as aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre o teu ministério.”

Sobre o livro “Sonha e ganharás o mundo”

“Tenho ouvido o que dizem aqueles profetas, profetizando mentiras em meu nome, dizendo: Sonhei, sonhei.” Jr 23:25

Após um exame detalhado do livro chave do movimento G12 “Sonha e ganharás o mundo” escrito em 1997 e publicado no Brasil pela editora Palavra da Fé Produções, (impresso na Centrais Impressoras Brasileiras Ltda. em São Paulo) chegamos a conclusão que o modelo de igreja idealizado pelo Sr. Castellanos, é repleto de heresias, onde a mistura do santo com o profano é evidente em muitos trechos de sua obra, que serve de base para todo o movimento G12, principalmente daqueles que adotaram a “visão” na integra. Muitos pastores, infelizmente têm acreditado nos sonhos de Castellanos, pois de modo geral nenhuma das pseudo-revelações do “espírito” recebidas por ele, possuem confirmação na Palavra de Deus, o que transforma tais visões e ou revelações em falsas profecias.

É digno de nota o fato de este livro de Castellanos não ser facilmente encontrado nas livrarias tradicionais e muito menos nas livrarias Cristãs. Um busca pela internet pelo Google – www.google.com não revelou nenhuma livraria que oferecesse o livro. Foi numa livraria ligada a uma igreja gedozista que encontramos o livro, que tem servido como uma espécie de cartilha aos que abraçaram a doutrina criada por Castellanos, e dita como “santa doutrina” por ele mesmo. Impossível deixar de lembrar que o livro de mórmon, assim como o de Castellanos, somente é encontrado dentro da seita mórmon.

Alterando ou distorcendo a Palavra

Uma das faltas graves contra a Palavra de Deus, que Castellanos comete, é a citação de trechos da Bíblia, sem dar a referência, e quase que invariavelmente, nestes casos, o trecho citado foi alterado ou distorcido de modo a atender os malabarismos eis-exegéticos do autor. Também há ocorrências de citação de passagens que simplesmente não existem. Em Apocalipse, lemos o alerta a todos que se julgarem autorizados a editar ou acrescentar algo à palavra de Deus, no entanto tal advertência é ignorada solenemente.

“Eu alguma coisa, Deus lhe acrescentará as pragas que estão escritas neste livro; e se alguém tirar qualquer coisa das palavras do livro desta profecia, Deus lhe tirará a sua parte da árvore da vida, e da cidade santa, que estão descritas neste livro.testifico a todo aquele que ouvir as palavras da profecia deste livro: Se alguém lhes acrescentar” Ap. 22:18-19

Veja alguns exemplos de desvio da Palavra:

- – – – – – – > Heresia:
Abraão era pagão e adorava outros deuses

No livro de Castellanos lemos:
“A Bíblia diz que Jeová apareceu a Abrasão e lhe disse: “Eu sou o Deus Todo Poderoso, anda em Minha presença e sê perfeito. E porei a Minha aliança entre Mim e ti, e te multiplicarei grandissimamente. Então caiu Abrão sobre o seu rosto, e falou Deus com ele, dizendo: Quanto a Mim, eis a minha aliança contigo: serás o pai de muitas nações” (Gênesis 17:1-4). Aqui Deus se revelou a um homem pagão, que adorava ídolos e reverenciava imagens, de um modo que nunca se havia revelado a nenhum outro.” [pg.88]

Refutação: Abraão nunca foi pagão e nunca adorou ídolos. Isto é uma heresia, e uma afronta ao homem que é tido no meio Cristão como o “Pai na Fé”. Não há na Bíblia nenhuma menção sobre Abraão ter sido pagão. Somente seus pais haviam sido, mas Abraão não.

“Disse mais Deus a Abraão: Tu, porém, guardarás o meu concerto, tu e a tua semente depois de ti, nas suas gerações.” Gn 17:9

A Lei do Silêncio das Escrituras declara que não se deve argüir nada nem contra nem a favor, e com relação à passagem acima Abraão não era pagão.

- – – – – – – > Heresia:
Deus foi pai e mãe ao mesmo tempo de Abraão

No livro de Castellanos lemos:
O original em hebraico destaca que o Senhor lhe disse: “Eu sou o El Shadai”, palavra que significa “mama”, ou seja, Deus lhe estava dizendo: “Eu sou o que dá a mama, o que amamenta, o que nutre, o que sustenta.” Ainda que Abraão contasse com 99 anos de idade neste ocasião, tinha feridas que não haviam sido tratadas nem confrontadas; o Senhor viu que dessa maneira não Lhe podia servir e Se apresentou, não só como pai, mas também como mãe. Só depois de entrar no processo de cura de suas feridas, Abraão estava pronto para ser “pai de multidão de nações” [pg.88]

Refutação: Lendo este trecho do livro de Castellanos, não temos alternativa a não ser tachá-lo como FALSO PROFETA. Muito astuto, tenta alterar a Palavra de Deus alterando o significado de “El Shadai” que sabidamente significa DEUS TODO PODEROSO, por “mama” ou “seio de mulher”. Castellanos não é somente um falso profeta, é também um herege. De onde ele tirou a idéia que Abraão tinha feridas interiores? Da Bíblia é que não foi.

IMPORTANTE: Dizer que Deus é homem e mulher ao mesmo tempo reflete o pensamento antigo e atual do GNOSTICISMO. Castellanos, portanto revela grande simpatia pelas doutrinas gnósticas.

Castellanos divulga doutrina do Gnosticismo
Sobre o Gnosticismo veja este comentário esclarecedor: (Onde sublinhamos nota-se extrema semelhança com o G12)

A palavra gnóstico origina-se do grego gnosis, que significa “conhecimento”. A palavra é utilizada, mais exatamente com o sentido de conhecimentos ocultos acessíveis somente aos iluminados. Os gnósticos acreditavam compartilhar de experiências espirituais secretas que lhes punham em posição privilegiada para interpretar a religiosidade do mundo. Sua versão do cristianismo era, dentre outras coisas, feminista. Deus é às vezes descrito como um ser andrógino, ou seja, com características tanto masculinas quanto femininas. Alguns desses textos descrevem ritos sexuais, outros fazem referências confusas a ensinamentos sobre Jesus e seus discípulos. Naturalmente, esses textos são usados na literatura feminista na tentativa de redefinir o cristianismo, revelando a “verdadeira história” por trás de suas origens.

“Dezenas de textos cristãos já foram considerados sagrados, depois, heréticos e, por fim, esquecidos. Por que estamos voltando a procurá-los?” Essa dúvida foi apresentada na revista Time, cuja matéria de capa tratava desses evangelhos. Lemos ali que esses evangelhos “preenchem uma necessidade evidente de visões alternativas da história cristã, tanto por parte de prosélitos da Nova Era como por parte de fiéis heterodoxos incomodados com algumas restrições teológicas em sua fé”. O artigo afirma que alguns grupos de estudo de igrejas estão lendo esses evangelhos alternativos e descobrindo que estão em harmonia com o atual espírito de tolerância, endossando a religião do tipo “faça você mesmo.”

(Pr. Erwin Lutzer, A FRAUDE DO CÓDIGO DA VINCI, Editora Vida, 2004.)

O G12 faz questão de bater sempre na mesma tecla: Todos devem renovar suas mentes deixando para trás o que é velho, ou melhor desprezando a revelação que faz do Cristianismo a melhor doutrina deste mundo.

“Há um poder tremendo na inovação, na renovação da mente,…”
(Castellanos, Sonha e ganharás o mundo, pg.50)

“Tudo quanto temos alcançado até o momento, tem sua origem num propósito divino, associado a renovação de nossas mentes, uma mente decidida sempre a sonhar, inovando no atuar.” (Castellanos, Sonha e ganharás o mundo, pg.52)

Os cultos e reuniões do G12 são marcados por pregações que colocam a renovação da mente como uma obrigação ao crente. Ter uma mente aberta às doutrinas gedozistas e visionárias de Castellanos e seus discípulos é aparentemente mais valioso do que ter os frutos do Espírito Santo manifestos na vida do crente. Tais frutos são desprezados sistematicamente pela liderança que usando de técnicas de marketing, e manipulações da Palavra, pretende encalacrar a “visão” em todos, a qualquer custo, doa a quem doer.

 

- – – – – – – > Distorção:
Raposinhas põem a perder colheitas

“A Bíblia diz: as pequenas raposinhas colocam a perder as grandes colheitas” [pg.71]

Refutação: A Bíblia NÃO DIZ ISTO! Na verdade lemos:

“Apanhai-me as raposas, as raposinhas, que fazem mal às vinhas, porque as nossas vinhas estão em flor.” Ct 2:15

Infelizmente é muito comum no movimento de Castellanos, o uso da Palavra de modo distorcido de modo a cobrir suas falhas doutrinárias. No caso acima, o autor tenta argumentar que nada pode atrapalhar a multiplicação das células, e exorta aos gedozistas para que tomem cuidado com aqueles que são contra o movimento ou aqueles que não “multiplicam”.

Veja o que a Bíblia de Estudo Shedd diz a respeito de Ct 2:15:

Raposas… raposinhas. Os filhos de Deus também pedem que Cristo proteja a sua vinha contra devastadores, isso é, falsos profetas a serviço do diabo (At 20:29-30 e 1Pe 5:8).

- – – – – – – > Heresia:
Jeremias diz que a palavra de Deus é uma afronta

“Jeremias foi posto no cárcere e seus pés no cepo, depois que Deus o enviou com uma palavra específica ao rei: inclusive, Jeremias esteve em angústia e aflição, dizendo a Deus: “Senhor, Tua palavra me tem sido por afronta, a tal ponto que disse: calarei e não voltarei a profetizar” porque todos estavam contra ele.” [pg.134]

Refutação: A Bíblia não diz isto! Jeremias nunca disse a Deus que Ele o estava afrontando com suas palavras, e nunca Jeremias disse a Deus que não profetizaria mais! Pelo contrário, Jeremias sempre se mostrou fiel a Deus e a suas ordens, e mesmo sofrendo afrontas, sempre levou as mensagens de Deus. Vale destacar que quem afrontava Jeremias eram os reis ou governantes e não Deus. Veja:

“Tu, ó SENHOR, o sabes; lembra-te de mim, e visita-me, e vinga-me dos meus perseguidores; não me arrebates, por tua longanimidade; sabe que, por amor de ti, tenho sofrido afronta.” Jr 15:15

Castellanos tenta com esta distorção, ou acréscimo à Palavra de Deus, confirmar a sua tese na importância das profecias, pois algumas páginas adiante ele escreve sobre a profecia que alega ter recebido do Senhor, sobre Ele ter escolhido um colombiano para curar os Estados Unidos.

- – – – – – – > Heresia:
Salomão disse: “Sem visão meu povo perece” ?

“Quantas igrejas mantém a mesma membresia de várias décadas, sem se preocupar em multiplicar os talentos que Deus lhes tem dado? As perguntas com relação a falta de metas definidas transbordam. O sábio Salomão disse: “Sem visão, o povo perece” ”
(Castellanos, Sonha e ganharás o mundo, pg.149)

De fato a influência do pastor coreano Paul Yonggi Cho sobre Castellanos é enorme, tanto que percebemos exatamente as mesmas distorções do texto bíblico. Veja esta passagem do livro de Cho:

“É por esse motivo que o Espírito Santo vem a fim de cooperar conosco:; para criar, ajudando os jovens a ter visões e os velhos a sonhar sonhos (sic). Por meio de sonhos e visões saltamos rapidamente as barreiras de nossas limitações e nos esticamos até alcançar o universo. É por isso que a Palavra de Deus diz: Onde não há visão o povo perece.”
(Paul Yonggi Cho, A QUARTA DIMENSÃO, Editora Vida, pg. 45)

Refutação: Não existe essa frase na Bíblia, nem nenhuma outra que possua este sentido. Castellanos (e Cho) mais uma vez acrescentou algo a Palavra de modo a atender sua linha de raciocínio, que nesta parte de seu livro, tenta de modo confuso, explicar o porque uma igreja deve aceitar “visões”, pois caso não aceite, ficará sempre com poucos membros, fria e morta espiritualmente, conforme os manuais do G12 gostam de definir as igrejas que não abraçaram a “visão do G12”.

Jesus deixou claro que sem compreensão (ou conhecimento) das Escrituras, seu povo erra:

“-Respondeu-lhes Jesus: Porventura não errais vós em razão de não compreenderdes as Escrituras nem o poder de Deus?” Mc 12:24

Não há na Palavra, nenhuma menção a necessidade da igreja ter uma visão além daquelas contidas na Palavra de Deus, que em sua perfeita sabedoria e benignidade, não teria deixado de nos informar sobre algo tão importante. Ainda que Salomão tivesse dito isto (o que não disse), é obvio que Jesus Cristo veio para Ser Aquele no qual devemos manter nossos olhos e nossa visão. Olhemos para Jesus, pois Ele é o único caminho pelo qual devemos seguir.

“Portanto, nós também, pois estamos rodeados de tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com perseverança a carreira que nos está proposta, fitando os olhos em Jesus, autor e consumador da nossa fé, o qual, pelo gozo que lhe está proposto, suportou a cruz, desprezando a ignomínia, e está assentado à direita do trono de Deus. Considerai, pois aquele que suportou tal contradição dos pecadores contra si mesmo, para que não vos canseis, desfalecendo em vossas almas. Ainda não resististes até o sangue, combatendo contra o pecado;” Hb 12:1-4

“Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” 2Co 5:17

- – – – – – – > Alteração:
Mateus 22:37

“Amarás ao Senhor teu Deus com toda a tua mente, com toda a tua alma, e com todas tuas forças, com todo teu ser” [Castellanos, Sonha e ganharás o mundo, pg.129]

Refutação: O correto é: (grifos acrescentados)

ARA: “Respondeu-lhe Jesus: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento.”

ARC: “E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento.”

NTLH: “Jesus respondeu: – Ame o Senhor, seu Deus, com todo o coração, com toda a alma e com toda a mente.”

NVI: “Respondeu Jesus: ” ‘Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento’”

Reina Y Valera (Espanhol): “Y Jesús le dijo: Amarás al Señor tu Dios de todo tu corazón, y de toda tu alma, y de toda tu mente.”

Portanto, podemos perceber que há uma sutil tentativa de adequar a Palavra de Deus a filosofia do G12 de renovação da mente, pois a palavra “coração” foi substituída por “mente”.

Líderes enganados

O próprio Castellanos na contra capa do livro e em diversos pontos do texto, diz que jamais duvidou do que o “espírito” lhe disse, às vezes claramente em seu ouvido. Jamais ele teve o cuidado e zelo que a Bíblia nos cobra. Veja abaixo uma lista dos comportamentos que Deus espera que tenhamos e os versículos referentes:

·         Prove os espíritos: 1João 4:1

·         Julgue as profecias: 1Co 14:29

·         Coloque a prova os que a si mesmo se dizem apóstolos: Ap 2:2

·         Examine tudo a luz da Palavra como um bom bereano: At 17:11

·         Livre-se dos sutis enganos espirituais: 2Co 2:11

Já Castellanos disse:

“Quando Deus fala a seu coração, não pense duas vezes, dê o passo! Dando o passo, vem o revestimento do Senhor, e algo acontece no mundo espiritual” [pg.141]

Nesta frase vemos uma extrema ingenuidade, ou algo pior, no entanto, este mau conselho, somente pode ser proveniente de um líder cego. Jesus no seu tempo, também enfrentou lideres cegos, na época eram os fariseus, veja:

“Este povo honra-me com os seus lábios, mas o seu coração está longe de mim. Mas em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos dos homens.” Mt 15:8-9

“Deixai-os; são condutores cegos; ora, se um cego guiar outro cego, ambos cairão na cova.” Mt 15:14

Ainda sobre obediência cega a espíritos:

A expressão “obedecer ao espírito” é realmente bíblica?

“O Espírito Santo, que Deus outorgou aos que Lhe obedecem” (At 5.32) é a principal frase que fez surgir a expressão “obedecer ao Espírito”. Ela foi usada por Pedro diante do Concílio de Jerusalém, mas não aparece em qualquer outro lugar nas Escrituras. A passagem completa precisa ser lida com cuidado para se chegar a uma conclusão clara: “Importa obedecer a Deus” (vs. 29), Pedro disse ao Sinédrio, pois “somos testemunhas (…) e bem assim o Espírito Santo, que Deus outorgou aos que Lhe obedecem”. Será que o apóstolo quis dizer “obedecer ao Espírito” ou “obedecer a Deus”, de acordo com as primeiras palavras da passagem? A distinção é importante e a colocação das palavras somente pode ser corretamente entendida pelo ensino de outras partes das Escrituras: o Deus Triúno nos céus deve ser obedecido por meio do poder do Espírito de Deus que habita nos que crêem. Pois colocar o Espírito Santo como o objeto da obediência, em vez de o ser Deus, o Pai, por meio do Filho, pelo Espírito Santo, cria o perigo de levar o crente a confiar em um “Espírito” dentro ou a redor dele e a Ele obedecer em lugar de confiar no Deus (Pai, Filho e Espírito Santo) no trono dos céus e a Ele obedecer, Àquele que deve ser obedecido pelo filho de Deus que foi unido ao Seu Filho; ou seja, o Espírito Santo é o meio pelo qual Deus é adorado e obedecido.

(Jessie Penn Lewis, Guerra contra os Santos – Tomo1)

Dialogando com demônios

Na página 113 de seu livro, Castellanos demonstra plena ignorância a respeito do mundo das trevas:

“A mulher caiu ao chão e os demônios começaram a falar-me. Lembrei a passagem na qual o Senhor perguntou ao demônio como se chamava, assim que procedi de igual modo: ‘Em nome de Jesus, diz-me como te chamas!’ Para minha surpresa, começou a responder: ‘Chamo-me Marta, Maria, Nídia’. Digo que, para minha surpresa, pois até esse momento imaginava que todos os demônios se chamavam Belzebu ou Satanás.” (Castellanos, Sonha e ganharás o mundo, pg.113)

Texto base: Gn 3.1-5
O inimigo não tinha permissão para destruir o homem, mas tentou fazê-lo destruir a si mesmo. Como não havia ser humano em pecado para ser usado, Satanás usou a serpente. Seu assunto inicial foi a própria Palavra de Deus: “Foi assim que Deus disse?”

1- O Diabo usa a Palavra de Deus, alterando seu conteúdo ou seu objetivo (Mt. 4.5-6). Assim, surgem as heresias e falsas religiões (1Tm. 4.1-5). Muitos usam a Bíblia com propósitos malignos, inclusive em defesa do pecado.

2- Não converse com o Diabo. Não dialogue com pessoas endemoninhadas. Apenas expulse o demônio. Não peça informações aos espíritos malignos. Não busque água em fontes sujas. Cuidado com o conselho dos ímpios (Sl. 1; 1Co. 15.33).

3- Precisamos conhecer muito bem a Palavra de Deus para resistirmos à heresia e à tentação. Precisamos saber exatamente “o que Deus disse”.

Adão e Eva pecaram dentre outras coisas, por seguirem uma palavra distorcida, ou uma sugestão do inimigo. A verdadeira Palavra de Deus é aquela que nos conduz à santificação, aquela que nos alerta e ensina contra o pecado.

Experiências de falta de controle sobre o “espírito”

Nos dois trechos abaixo, vemos a descrição de Castellanos e de sua esposa de experiências estranhíssimas, onde os fatos por ele descritos assemelham-se muito mais a experiências onde o demônio agiu em suas vidas de modo a mantê-los endemoniados. No caso da primeira descrição o fato de Castellanos alegar ter perdido o controle de sua alma, é um indício de possessão conforme farta literatura a respeito. (Guerra Contra os Santos de Jessie Pen Lewis, O poder latente da Alma de Watchman Nee, e Enciclopédia de História e Teologia Cristã). Já os relatos que ele faz de ter visto um túnel de luz, numa experiência de “saída de seu corpo” são muito mais característicos do gnosticismo, da Nova Era, ou do espiritismo.

Castellanos relata ter saído do corpo

“Compartilhava numa tarde com um amigo de infância, em uma cafeteria, acerca da morte de Katherine Kulhman, algo realmente incrível em meu conceito, atrevendo-me a comentar: irmão, não creio que ela tenha morrido; é neste tempo tão difícil que Deus mais necessita de Seus servos; talvez os que morrem são os que não podem resistir as provas que virão antes da grande tribulação. Quando terminei de falar, senti um forte golpe em minha cabeça, e vi que cairia daquele terceiro andar da cafeteria, sem que ninguém pudesse impedi-lo. Ladrilhos, telhas e janelas vinham abaixo estrepitosamente, sepultando-nos debaixo de fim mar de escombros. Experimentei meu espírito se desprendendo do corpo. Lutei, porém uma força invisível controlava minha alma. De repente, veio à minha mente a prova do mês anterior e recordei-me das palavras: “Não é hora!” Apropriei-me delas e disse: “Senhor, não é possível que Tu permitas esta morte, não é hora, Tu precisas de mim na terra: dá-me forças apara regressar ao corpo e poder levantá-lo em Teu nome. Ao terminar esta oração, entrei no corpo como quem põe um vestido inteiriço, tratei de movê-lo, mas o corpo não respondeu, pelo que disse: “Senhor Jesus Cristo, em Teu nome… !” Bastou pronunciar, o nome de Jesus, para que a parte espiritual se ligasse com a física e pude remover os escombros.”
(Castellanos, Sonha e ganharás o mundo, pg.24 e 25)

Neste relato, os trechos em negrito saltam aos olhos, tanto devido ao tipo de experiência pelas quais passou Castellanos, como pela oração egocêntrica que ele foi capaz de fazer num momento, supostamente tão difícil. É impressionante alguém ter a audácia de dizer a Deus, que Ele precisa de um mortal qualquer.

Em diversos trechos, o autor demonstra se entregar de forma completa ao “espírito”. Ora, sabemos que o Espírito Santo de Deus jamais passaria por cima de nossa vontade, o que de fato nunca faz, pois qualquer pessoa, mesmo nos momentos de completo envolvimento com o Espírito Santo, nem por um momento sequer perde o controle sobre sua vontade, seu corpo ou sua mente. O Espírito Santo opera em nós, de modo amoroso e respeitando nosso querer e nossa vontade. Alguns podem até “cair no Espírito”, mas sempre por vontade própria e com absoluto controle de suas faculdades mentais.

Cláudia Castellanos (sua esposa) relata ter caído durante a oração de outro pastor e ter visto demônios:

“Deus havia desejado, desde o princípio, abençoar nossa família, trazendo-nos a Seus pés e dar-nos muita prosperidade, mas havia gigantes que primeiro tinham que ser destruídos. Em uma ocasião uma irmã, que era usada em libertação, convidou minha esposa à sua casa e ali lhe manifestou o seu desejo de orar por ela. Ao impor suas mãos sobre Cláudia, esta caiu ao chão e se iniciou um processo de libertação de sua família, especialmente e seu pai; Cláudia recorda que, com suas próprias palavras, pronunciava os nomes dos espíritos que estavam governando seus familiares. Nunca havíamos experimentado algo assim ao longo da vida cristã, pelo que, minha esposa não entendia com clareza o que se passava, mas a libertação começava a concretizar-se.” (Castellanos, Sonha e ganharás o mundo, pg.95)

A exaltação dos sonhos

César Castellanos ensina (na verdade plagia o coreano Paul Yonggi Cho) que, pela utilização de sonhos, todos nós podemos provocar transformações no mundo real, trazendo à realidade aquilo que incubamos em nossas mentes. Ao afirmar que o “mundo é dos sonhadores”, ele  coloca como condição para que recebamos tudo de Deus:  atrever-nos a sonhar. (César Castellanos, Sonha e Ganharás o Mundo, 22)

Esta afirmação contrasta com a Bíblia que diz:

 “E esta é a confiança que temos nele, que, se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve” 1Jo 5:14

“E qualquer coisa que lhe pedirmos, dele a receberemos, porque guardamos os seus mandamentos, e fazemos o que é agradável à sua vista” 1Jo 3:22

Esta tentativa de sugerir que Deus cria, utilizando-se de sonhos ou visualizações, ou qualquer outra técnica, ao mesmo tempo que tenta limitar o poder de Deus, endeusa o homem. Leiamos alguns trechos do capítulo 37 do livro de Jó:

Com sua voz troveja Deus maravilhosamente; faz grandes coisas, que nós não podemos compreender. “, “A isto, ó Jó, inclina os teus ouvidos; para, e considera as maravilhas de Deus. Porventura sabes tu como Deus as opera, e faz resplandecer a luz da sua nuvem?”, “Ao Todo-Poderoso não podemos alcançar; grande é em poder; “  Jó 37:5,14-15,23

Na visão do trono de Deus em Apocalipse 4, o apóstolo João nos relata que os vinte e quatro anciãos adoravam o Senhor dizendo:

“Digno és, Senhor, de receber glória, e honra, e poder; porque tu criaste todas as coisas, e por tua vontade são e foram criadas” (Ap 4:11).

É importante não perder de vista que apesar desta idéia de produzir a realidade através de sonhos incubados (ou visualizados) na mente, estar ausente nas Escrituras, ela está presente em toda a literatura ocultista, sendo um dos seus recursos fundamentais.

Este engano sutil tem levado muitos cristãos sinceros a substituir a verdade por sonhos e imagens. Não são os nossos sonhos, nem a formação de imagens mentais, que irão produzir ou determinar isso ou aquilo, mas a Soberana Vontade de Deus, a qual, a despeito de nossa vontade, irá produzir a gloriosa manifestação de Deus na vida do crente.  

Castellanos procura avalizar esta crença citando trechos da Bíblia onde torce sua interpretação. Conta, por exemplo, que Neemias “agasalhou” dentro de si um sonho: restaurar Jerusalém, deixando-se “engravidar”  por isso, “visualizando” assim, Jerusalém reconstruída. Escreve o autor:

Neemias era um profeta que estava cativo na Babilônia, quando recebeu a notícia de que seu povo se encontrava em dificuldades e os muros de sua cidade destruídos. Quando ouviu isto, sentiu uma dor profunda em seu coração, porém ao mesmo tempo começou a agasalhar dentro de si mesmo um sonho (…) porém o profeta teve a visão de restaurá-la e se deixou engravidar por isto (…) (César Castellanos, Sonha e Ganharás o Mundo, 19)

Mais adiante ele relata um suposto diálogo com Deus, onde o Senhor lhe ordena:

“Sonha, sonha com uma Igreja muito grande, porque os Sonhos são a linguagem de meu Espírito. Porque a igreja que hás de pastorear será tão numerosa como as estrelas do céu e como a areia do mar, que de multidão não se poderá contar.” (César Castellanos, Sonha e Ganharás o Mundo, 20 e 21)

Essa linha de pensamento é muito mais ligada ao Positivismo do que com a Palavra de Deus, e faz parte da filosofia da Nova Era, e como tal não têm fundamento bíblico. Dave Hunt escreve em “A Sedução do Cristianismo”, o seguinte:

Os crentes estão caindo involuntariamente numa velha prática ocultista ao tentarem criar a realidade e até mesmo manipular a Deus por meio da formação de imagens mentais vívidas. (Dave Hunt, A Sedução do Cristianismo, 153)

Sendo assim, vejamos o que diz a Bíblia:

“E sucedeu que, ouvindo eu estas palavras, assentei-me e chorei, e lamentei por alguns dias; e estive jejuando e orando perante o Deus dos céus”, “E o rei me disse: Que me pedes agora? Então orei ao Deus dos céus,” Ne 1:4 e 2:4

Ficou claro, então, que a atitude de Neemias foi CHORAR, LAMENTAR, JEJUAR, e ORAR à Deus. Esta é a verdadeira linguagem que encontramos na Bíblia.

Nada indica que Neemias tenha sonhado, ou feito projeções imaginativas, ou tenha incubado, ou até mesmo ficado “grávido” de algo. Neemias era um servo de Deus e, como todo servo temente a Deus, O buscava em oração, na expectativa de ouvir a Sua voz, e obedecer a Sua palavra. Por isso, Deus colocou em seu coração o desejo de ir a Jerusalém para reedificá-la. Leiamos o texto bíblico:

“…e não declarei a ninguém o que meu Deus me pôs no coração para fazer em Jerusalém”
 Ne 2:12

Não existe absolutamente passagem alguma na Bíblia que se possa usar para endossar a afirmação de que os sonhos são a linguagem do Espírito de Deus. Há uma gritante diferença entre receber visões e sonhos de Deus e desenvolver os seus próprios, pois como diz a Palavra:

“Porque, como na multidão dos sonhos há vaidades, assim também nas muitas palavras; mas tu teme a Deus.” Ec 5:7

Técnicas de regressão usadas no “Encontro com Deus”

Infelizmente, durante o Encontro, na hora em que está sendo aplicada a “cura interior”, os encontristas são levados a repetir uma oração, onde o pastor diz que Deus nos escolheu desde o ventre da nossa mãe, e então pede a todos que se imaginem desde o instante da concepção, passando pela vida uterina, como Deus o tratou com amor, até o seu nascimento, etc., etc.. Tais técnicas de regressão são usadas pela psiquiatria, sob supervisão médica e somente em casos específicos, pois existem riscos no processo devido à pessoa ter que reviver traumas passados.

No entanto, o G12 usa desta técnica durante o Encontro, acreditando que isto não tem maiores conseqüências, e que agindo desta forma estarão levando a pessoa a uma cura interior. Infelizmente isto não é sempre uma verdade, pois temos relatos de pessoas que precisaram ser até internadas em clínicas de recuperação psicológica após terem participado do encontro, e outras que entraram em depressão profunda após o “Encontro com Deus”, chegando a fazer uso de medicação antidepressiva.

Vejamos este comentário do irmão Manoel Basílio:

É incrível o relato que o Pastor César faz na página 113, onde ele afirma que para libertar uma mulher possuída pelo espírito de lesbianismo, teve que orar por ela desde que se encontrava no ventre de sua mãe. Fez uma regressão em toda a vida passada, a partir da concepção. Isto baseado, segundo ele, em Efésios 1.4

Ora! Ficamos abismados com essa narrativa! E nos perguntamos: o que tem a ver a libertação da endemoniada com a passagem bíblica citada? Senão vejamos o que a Bíblia nos diz no versículo citado: “como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele em amor;”

Onde o Pastor César Castellanos aprendeu essa prática? Baseada na Bíblia, certamente, não! Não há um só versículo que nos dê margem para “regressão”. Essa prática faz parte de sua visão pessoal, fundamentada em técnicas psicoterápicas e espíritas. A palavra de Deus nos mostra bem claro como o crente deve proceder nesses casos: Mateus 17.21 (oração e jejum) e Marcos 16.17 (em nome de Jesus). Esta, sim, é a maneira correta e bíblica de expulsarmos os demônios, e não fazendo levantamento da vida passada da pessoa endemoniada. Simplesmente ele distorce a Palavra de Deus. (www.conscienciacrista.org.br)

Não é necessário voltarmos para trás, ou regredir, para resolvermos traumas passados, pois somos de Cristo!!! Ele nos resgatou e nos salvou, naquele momento em que foi crucificado por nossos pecados. Jesus quer que abandonemos o passado e olhemos para frente, ou seja, para Ele.

“Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam e avançando para as que estão diante de mim, prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.” Fp 3:13-14

“E Jesus lhe disse: Ninguém que lança mão do arado e olha para trás é apto para o Reino de Deus.” Lc 9:62

O Encontro é necessário para o verdadeiro arrependimento

No G12 explicam que o “verdadeiro arrependimento”, é quando o crente declara detalhadamente os seus pecados, chora, sente dor por ter ofendido a Deus (Pág. 118 do Plano Estratégico). Dizem que o verdadeiro arrependimento só acontece quando o novo convertido participa do Encontro.

Refutação – Quanta aberração existe! Quer dizer que o crente não foi perdoado por Deus no dia em que aceitou a Cristo? Jesus nos disse que quem ouve a Sua Palavra e crê naquEle (Deus) que O enviou tem a vida eterna (Jo 5.24). Assim, cremos que a salvação é instantânea, não há a necessidade de marcar um “Encontro” para termos que nos arrepender de novo.

Se o genuíno arrependimento só se dá nesse “Encontro”, conforme a “Visão” do G-12, como ficaria a situação da pessoa que morresse antes de participar desse “ritual”? Não, não cremos assim! O ladrão na cruz, o mordomo da Etiópia, Zaqueu, Cornélio, dentre muitos outros exemplos bíblicos, todos foram salvos na hora em que se encontraram com Cristo. Compare Cl 2.14, Hb 8.12 e 10.17-18, Tt 3.4-7, etc.

Em Atos 2.38-43 vemos quase 3.000 pessoas sendo salvas por Cristo e o foram quando o Espírito Santo as convenceu através do pronunciamento do Apóstolo Pedro. Foi um arrependimento verdadeiro e sincero. Nada de ‘encontro’ nos moldes promovidos pelo Grupo dos Doze. O mesmo aconteceu comigo e com os crentes em geral, salvos pela graça de Deus. Fomos salvos no momento em que ouvimos a Palavra de Deus, nos convencemos de que éramos pecadores e por isso nos arrependemos e passamos a ser novas criaturas. Não precisamos participar de “Encontros” para nos tornarmos salvos, graças a Deus. (www.conscienciacrista.org.br)

Claudia Castellanos, a política e o Brasil

É público o interesse pela política por parte do casal Castellanos. Cláudia Castellanos, já foi candidata a vereadora e até a presidente da Colômbia, mas foi como senadora que foi eleita. Em seu livro, vemos na pg. 46 uma descrição dos motivos pelos quais Claudia decidiu entrar na política:

“Em 1989, a Colômbia estava vivendo uma de suas etapas mais difíceis e o Espírito Santo me guiou a tomar outra das decisões transcendentais: ingressar na política. (…) Experimentei uma profunda dor pelo que ocorria e, no espírito, pude ver a violência, o dano causado pelo narcotráfico e os milhares de famílias em desolação e separadas de Deus. Senti compaixão, um dos frutos do Espírito que tinha que ser desenvolvido pela Colômbia: O amor.”

No entanto em um congresso recente, a própria Cláudia Castellanos aparentemente decidiu deixar seu amado país para trás:

“Este ano numa visita a Bogotá encontrei-me com o presidente da Colômbia. A conversa estava num tom um tanto quanto informal. Para “quebrar o gelo” fiz uma brincadeirinha. “Já nos conhecemos há tanto tempo, presidente, e o senhor nunca me ofereceu uma embaixada…”. O presidente então me respondeu: escolha a embaixada que você quer e eu lhe darei. Senti que naquele momento não estava ouvindo a voz daquela autoridade e sim a do Espírito Santo. Falei, então, sem ao menos consultar meu marido, Ap. César Castellanos, o Brasil. Pois aquela é a nação do avivamento! Assim, no dia 1 de agosto/04 voltarei à Brasília para a minha cerimônia de posse como Embaixadora da Colômbia no Brasil. Esse episódio da minha vida me trouxe importantes reflexões. Uma delas diz respeito ao sobrenatural de Deus e que Seus pensamentos são infinitamente maiores que os nossos. O futuro do Brasil é de bênçãos. Aleluia! O povo brasileiro paga um valioso preço pela redenção do seu país. São expectadores do Espírito Santo. O que se seguirá daqui para frente é uma herança de prosperidade e de construção de uma nação para Deus. O Brasil será conhecido por ser uma potência, não só no mundo cristão como também no mundo político. Em breve todos andarão em torno do Brasil. Tornar-me Embaixadora no Brasil foi o maior presente que Deus me deu. E creio que a conquista desse posto foi uma forma de Deus ampliar o meu ministério.” (http://www.mir.org.br/acontec/ac36/abert2.htm)

O rebatismo de Cláudia Castellanos

É impressionante saber que uma pastora, ouvindo uma voz de um espírito, tomou a decisão de desprezar seu batismo original feito 21 anos antes, batizando-se novamente pelas mãos de um estranho e suspeito missionário mexicano, que fez questão de declarar a ela que possuía o ministério de João Batista (palavras entregues por uma profetiza não identificada). Vemos aqui, claramente a ação de espíritos enganadores:

“Foi numa viagem a Israel, à qual quase me neguei a ir, quando, caminhando pelas ruas de Jerusalém, escutei pela primeira vez a voz do Espírito Santo, dizendo-me: “Filha, tenho te trazido a esta terra porque desde agora escutarás Minha voz. Tudo o que tens vivido até hoje tem sido simples preparação. Daqui em diante começa teu ministério!” Creio que não entendi no primeiro momento. Já tinha vinte e um anos de vida cristã, era pastora, havia desenvolvido uma liderança e feito muitas coisas que poderiam considerar-se características de uma pessoa que tinha tudo definido, mas ó Senhor me indicava que tudo isso era parte do processo no qual, quem vai ser usado por Ele tem que entrar. Um processo doloroso, que não é fácil suportar humanamente, no qual se tem que morrer, auto negar-se, pois, do contrário, não se dá fruto. Nessa ocasião fui sensível à voz de Deus, quando me disse que fosse ao Jordão para ser batizada novamente e, inclusive, me mostrou quem havia de fazê-lo, um missionário mexicano que logo me compartilhou que, quando sua mãe estava grávida dele, um profeta orou mostrando: “Este menino que vai nascer, terá o ministério de João o Batista!.

O batismo no rio Jordão de fato está na moda, tanto que o padre Marcelo (conhecido padre católico) e o apresentador de televisão Gugu Liberato fizeram questão de cumprir esse ritual, que para eles nada mais é do que uma cerimônia mística onde almejam alcançar alguma espécie de proteção pessoal mais elevada, afinal é o rio Jordão! Fico tentando imaginar o que Deus pensa destas pessoas…

Uma voz estranha

Quando saí das águas do Jordão, senti literalmente no espírito que os céus se abriram e que Deus enviava Seu Espírito Santo. Foi quando minha vida mudou. Orei profundamente, sentindo o verdadeiro quebrantamento. Terminado o evento que nos havia conduzido até Israel, o pastor que dirigia me pediu que pregasse no lugar onde Jesus compartilhou o Sermão da Montanha. Eu não estava incluída no programa, mas sabia que esta proposta vinha do Senhor e, quando abri meus lábios, fui mudada em outra mulher. Recordo-me que falava com uma voz tão potente que me assombrava a mim mesma; sem dúvidas o Espírito Santo estava atuando através de minha vida. Daí em diante tenho seguido escutando a voz de Deus, dirigindo todos os meus passos. Meu tempo devocional foi transformado, dando-me intercessão profética e interpretação de línguas, além da capacidade de observar os corações de nosso povo para conhecer suas necessidades espirituais.” (Castellanos, Sonha e ganharás o mundo, pg.56)

Mais um detalhe preocupante revelado por Claudia, foi o fato de ela falar com uma voz tão potente que assombrava a ela mesma! Isto é no mínimo algo bem estranho.

Profecias sem base bíblica

Numa das várias mensagens de espíritos enganadores recebidas por Castellanos, temos na página 137 de seu livro, uma de suas mais tenebrosas “profecias”, onde os Estados Unidos, envoltos num imenso conflito dependerão do modelo gedozista para livrarem-se dos terríveis acontecimentos que os esperam. Veja a seguir o trecho em questão (e alguns outros) e as refutações em seguida:

Prosperidade para a igreja de Castellanos
Em 1989, como o próprio Castellanos afirma, Deus iria confirmar mais uma vez seu propósito para com ele, através de uma profecia entregue por Randy McMillan, ministro radicado na Colômbia:

“Esta igreja tem encontrado graça diante dos Meus olhos. Tenho uma grande visão para vocês. Quanto à área financeira, lenvatá-los-ei com sinais da Minha glória. (…) Vou abençoá-los sobrenatural e economicamente como igreja para que alcancem coisas que os outros não tem alcançado…Sou um Deus de bênção e prosperidade total em teu espírito, tua alma e teu corpo; em todas as coisas materiais…Por fé em Deus e em Cristo Jesus, vocês tem direito a ser abençoados em todas as coisas, ainda que materiais, disse o Senhor. Os ministérios dessa igreja vão prosperar… Busquem-Me, diz o Senhor, entrem em aliança Comigo e verão suas finanças prósperas, Minha igreja próspera e Minha obra expandida (…) Ao pastor, o Espírito diz: Tenho muitos projetos para ti, estás entrando na primeira etapa, não descanses, não desmaies pelo caminho, porque tudo tem seu tempo (…) Meu Espírito tem gozo pela liberdade e liderança desta igreja, e assim quero prosperar-vos grandemente…Verão Minha glória e os levarei de glória em glória, diz o Senhor.” (Castellanos, Sonha e ganharás o mundo, pg.38)

Refutação Bíblica:
A profecia apresentada como sendo de Deus traz um conteúdo que não encontra precedentes nem respaldo nas Escrituras. Não encontramos em nenhum lugar das Escrituras Deus fazendo alianças financeiras com pessoa alguma. Pelo contrário, a Bíblia nos apresenta uma Aliança Eterna, inaugurada pelo sangue do Cordeiro: A Nova Aliança. Ela satisfaz plenamente as nossas necessidades. Não é preciso adicionar-lhe coisa alguma, nem existe a possibilidade de subtrair dela alguma coisa. O que Deus fez é de todo perfeito. É-nos dito pela Palavra :

“Porque esta é a aliança que depois daqueles dias farei com a casa de Israel, diz o Senhor; porei as minhas leis no seu entendimento, e em seu coração as escreverei; eu lhes serei por Deus, e eles me serão por povo; e não ensinará cada um a seu próximo, nem cada um ao seu irmão, dizendo: Conhece o Senhor; porque todos me conhecerão, desde o menor deles até ao maior.Porque serei misericordioso para com suas iniquidades, e de seus pecados e de suas prevaricações não me lembrarei mais.” Hb 8:10-12

A Bíblia também fala das riquezas inescrutáveis da Graça de Deus, “que é Cristo em vós, esperança da glória;” (Cl 1:27). Conhecer a Cristo é a verdadeira riqueza que devemos buscar ansiosamente. Profecias como esta supra mencionada, mais do que qualquer outra coisa, fazem alusão ao Evangelho da Prosperidade, com suas malfadadas promessas de riqueza e prosperidade material, baseadas em entendimentos distorcidos do texto bíblico. Além de prometer prosperidade financeira, ainda ensina, erroneamente, que temos direitos a serem observados e satisfeitos, obrigatoriamente, por Deus, não levando em conta Sua Soberana vontade.

Deus promete prosperidade àqueles que o servem, mas essa prosperidade significa única e exclusivamente NÃO TER FALTA DE NADA, ou seja, ser próspero biblicamente falando, é ter todas as suas necessidades supridas por Deus. Erwin Lutzer comenta:

“Esse evangelho não poderia ter sido pregado na Roma antiga, assim como não funcionaria nos dias de hoje em lugares como o Haiti, a Bielo-Rúsia ou Angola. Seria realmente difícil convencer os mártires da igreja de que eles tinham um direito dado por Deus de serem ricos e prósperos, pois se contentariam com a pobreza, caso fossem libertos da boca dos leões e da espada dos assassinos.

Não o “Deus da minha saúde e da minha riqueza” é o deus do ocidente, o deus do capitalismo, o deus do consumismo. Quando corretamente interpretada, a Bíblia pode ser proclamada em todas as culturas. O que dizemos sobre Deus deve ser a mais pura verdade nos tempos de guerra ou de paz, na pobreza e na riqueza, na via e na morte. Pode até parecer que o “Deus da minha saúde e da minha riqueza” foi retirado da Bíblia, mas essa é uma interpretação distorcida que deixa milhares de pessoas desiludidas em seu rastro.

Como podemos acreditar nesse deus sendo que Jesus disse: “As raposas têm suas tocas e as aves do céu têm seus ninhos, mas o Filho do homem não tem onde repousar sua cabeça” Mt 8:20? Ou então, olhando para Paulo que, da prisão, escreveu: “… aprendi a adaptar-me a toda e qualquer circunstância” Fp 4:11”

(Erwin Lutzer, 10 Mentiras sobre Deus, Ed.Vida)

Essa profecia é exclusivista ao afirmar de maneira presunçosa que Deus tem tratado o MCI (Ministério Carismático Internacional) de maneira especialmente diferenciada, o que vem de encontro à palavra de Deus, que diz: “Porque, para com Deus não há acepção de pessoas” (Romanos 2:11). Será que existe algum motivo especial para isso? Deus chama Sua Igreja de Corpo de Cristo. A Bíblia diz: “e sujeitou todas as coisas a seus pés, e sobre todas as coisas o constituiu como cabeça da igreja, que é o seu corpo, a plenitude daquele que cumpre tudo em todos.” (Ef 1:22-23). No contexto bíblico, esta Igreja não é uma denominação particular, mas um grupo de pessoas redimidas pelo precioso sangue de Cristo, regeneradas pelo Espírito Santo, as quais se colocaram nas mãos de Deus, alegremente aceitando a Sua vontade, alegremente fazendo a Sua vontade, e alegremente permanecendo na terra do lado dEle, para manter o Seu testemunho. E as promessas de Deus são para esta Igreja, não sendo, portanto, exclusividade do MCI, ou de quem abraçou a “visão dos doze”.

Castellanos libera misericórdia de Deus aos Estados Unidos – página 137
Finalmente, em 1997, através dos lábios de Bill Hammond e Cindy Jacobs, Deus fala novamente com ele:

“…Vou usar a Colômbia para ensinar a igreja americana, a igreja dos Estados Unidos, como guerrear nos lugares celestiais..E o Senhor diz a seu filho César: Haveis sido chamado em um tempo como este para os Estados Unidos da América, e ensinarás a mensagem que Eu te tenho ensinado a ti (…)…Abrirei as portas dos mais gigantescos estádios e estarão cheios de gente faminta…O Senhor diz: Vou trocar a maldição e usarei um colombiano para curar os perseguidores; utilizarei um colombiano para liberar a misericórdia de Deus (…)…E o Senhor te diz: Filho, Eu te tenho enviado para cura dos Estados Unidos. Filho Meu, poderia haver falado a outra pessoa para fazer isto, mas te peço a ti, te peço a ti, amarás as minhas ovelhas?…Porque há muitos crentes nos Estados Unidos que amam a Deus, e as trevas que virão contra esta nação causarão terror e fogo, incêndios, e cidades arderão em fogo: mas há tempo, diz o Senhor, e para isso Eu te unjo como José, para ir ao Egito e sarar a nação…O Senhor diz: Filho Meu, não temas porque o diabo já tem jogado o que ele tem de pior, tem tratado de destruir-te, mas Eu tenho declarado nos céus: diabo, já não poderás tocar neste homem, porque ele está no curso do Meu destino, Eu o tenho levantado para Meus próprios propósitos e estou nomeando anjos guerreiros à frente e detrás dele (…) Nenhuma arma forjada contra ti prosperará, e toda língua acusadora que se levante contra em ti em juízo, Eu a condenarei, diz o Senhor…Meus olhos tem estado buscando em toda a terra um homem como tu (…)…Desde este dia em diante falarás com autoridade apostólica, com unção fresca…Nações se levantarão e cairão com a palavra profética que saíra de teus lábios; estou levantando a Meus profetas e a Meus apóstolos para que sejam Minha voz em toda a terra…Libero uma dupla porção sobre ti e sobre tua esposa e os demais, disse o Senhor…”(Castellanos, Sonha e ganharás o mundo, pg.137)

Refutação Bíblica:

É de fato uma ousadia insana, achar que Deus precisa de alguém para “liberar” sua misericórdia. Deus é soberano, e Sua misericórdia nos alcança sempre que Ele assim desejar. Se precisássemos de alguém deste mundo para alcançarmos a misericórdia divina, jamais alcançaríamos. Deus é soberano, misericordioso e justo, e jamais passaria sua responsabilidade para o homem. A Palavra nos mostra em Lm 3, que a misericórdia de Deus se manifesta sem instrumentalidade humana.

Esta profecia faz preocupantes afirmações quanto ao futuro dos Estados Unidos, ao falar sobre “fogo, incêndios, e cidades que arderão em fogo”. Vale ressaltar que esta predição não se encontra presente na Bíblia.

Ela afirma, ainda, categoricamente que Castellanos é o canal escolhido para que a misericórdia de Deus possa ser liberada. Estranho e sem fundamento, pois a Bíblia nos ensina que somos alcançados pela misericórdia de Deus através de Cristo Jesus. Diz ainda em Hebreus 4:16 que basta que “Cheguemo-nos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno.”. Sabendo ainda que Jesus disse dEle mesmo: “Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim” (João 14:6).

Quando a profecia se refere alegoricamente a José, na verdade está buscando respaldo para a linguagem de sonhos. Embora esqueça que os sonhos de José (leiam Gênesis 37) nada têm a ver com imaginação criativa, poder mental, visualização, ou qualquer outra falácia oriunda do ocultismo e da feitiçaria.

A profecia comunica ordens dadas por Deus nas regiões celestiais, para que o diabo não mais toque em Castellanos,  e ainda nomeia anjos guerreiros para guardá-lo. Não têm a mesma sorte os demais cristãos, assim como também não a teve o Apóstolo Paulo, segundo o relato bíblico, em II Coríntios 12:7 que diz: “E, para que me não exaltasse pela excelência das revelações, foi-me dado um espinho na carne, a saber, um mensageiro de Satanás para me esbofetear, a fim de não me exaltar.”.  Apesar de orar  a Deus três vezes para que isso se desviasse dele, o Senhor disse a ele: “A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza.” (II Coríntios 12:9a). Então o Apóstolo Paulo responde de tal maneira que evidencia o profundo amor e temor que tem pelo Senhor: “De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo” (II Coríntios 12:9b).

A despeito da afirmativa de Castellanos, e se fosse realmente verdadeira essa profecia, restar-nos-ia apenas clamar pela misericórdia de Deus, consolando-nos com a sua Palavra Fiel, que diz em I João 5:18: “Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não peca; mas o que de Deus é gerado conserva-se a si mesmo, e o maligno não lhe toca”, e também em João 10:27-29: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem; E dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão. Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos; e ninguém pode arrebatá-las da mão de meu Pai”.

Contudo, Deus não nos isenta de batalhar contra as forças espirituais do mal: “No demais, irmãos meus, fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder.Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo.” (Efésios 6:10-11), pois de outro modo, como disse o Apóstolo Paulo, poderíamos nos exaltar. Tenhamos pois plena confiança em Deus, “porque mais são os que estão conosco do que os que estão com eles” (II Reis 6:16).

Por último, a profecia coloca Castellanos como o “escolhido” por Deus para esta hora, o que lhe outorga o título de Apóstolo, com poderes inclusive para sobrepujar nações através de suas palavras. Fala dele e para ele como o único encontrado digno na face da terra, enquanto a Bíblia diz: “Não há um justo, nem um sequer” (Romanos 3:10). Procura com isso dar a Castellanos uma exclusividade que não encontra respaldo na Bíblia. A Palavra diz que Deus procura os seus fiéis: “Os meus olhos estarão sobre os fiéis da terra, para que se assentem comigo; o que anda num caminho reto, esse me servirá.” (Salmos 101:6)

A Bíblia nos diz, também, que o único que possui autoridade para subjugar reinos e nações é Jesus Cristo:

“Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz. Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome; para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai” (Filipenses 2:9-11).

Nada, nem ninguém, pode igualar-se a Cristo, o qual está sentado à direita de Deus Pai, O Todo-Poderoso. Cristo é o Sumo Pastor, “Rei dos reis e Senhor dos senhores” (Apocalipse 19:16). A sua grandeza é exclusiva. Em Colossenses 2,  o Apóstolo Paulo mostra que todos os tesouros de sabedoria e de conhecimento estão em Cristo (Colossenses 2:3). Não há nenhuma verdade ou entendimento fora dele. A plenitude da divindade está em Cristo (Colossenses 2:9). Não existe parte alguma da natureza e da Pessoa de Deus que não esteja expressamente revelada em Jesus. Achamos nossa perfeição em Cristo (Colossenses 2:10). Nele está a circuncisão espiritual, o perdão e a nova vida (Colossenses 2:11-13). Quando morreu, Jesus tirou o poder das forças satânicas, ganhando sobre elas uma decisiva vitória (Colossenses 2:14-15). Jesus é a realidade para a qual todas as leis, festas e símbolos do Velho Testamento apontavam (Colossenses 2:16-17). Todo o crescimento do corpo depende de Cristo, que é a cabeça (Colossenses 2:19). Qualquer busca da verdade, do entendimento, ou do crescimento espiritual, fora de Cristo, com certeza vai falhar.
(
www.solascriptura-tt.org)

  Índia sem idolatria ?!

Confuso, extremamente mal informado ou mal intencionado, são algumas das conclusões a que podemos chegar a respeito de uma pessoa que tem coragem de escrever em seu livro, na página 65, onde comenta a respeito do missionário Guilherme Carey, quando de sua visita a Índia, havia conseguido abolir as práticas pagãs daquela nação.

Castellanos argumenta que a Índia teve suas práticas pagãs abolidas para apoiar suas teorias, pois escreve em seguida que este “homem era um visionário que desde o principio soube o que queria, e isto o levou a projetar-se para o êxito.”

Infelizmente, a Índia continua mergulhada profundamente na idolatria…

 Pontos Positivos do Movimento

Demonstrar os pontos positivos aqui, tem o objetivo de mostrar porque este modelo passa uma aparente sensação de sucesso e de comunhão com Deus. São diversas atitudes que deveriam fazer parte de todas as igrejas Cristãs, e em alguns casos de fato ocorrem em muitas igrejas não gedozistas.

No entanto, tais pontos não podem servir de justificativa para a aprovação deste movimento, visto que há uma grave mistura do sagrado com o profano, atendendo certamente aos objetivos do reino das trevas, pois Deus é a antítese do engano e da divisão, mas sim a Verdade, o Amor, a Justiça, etc. etc.

Todos os movimentos sectários (Mormonismo, Catolicismo, Testemunhas de Jeová, etc.), também apresentam comportamentos louváveis em alguns pontos, no entanto, um olhar mais atento, revelará sérias distorções das verdades Bíblicas, muitas vezes apresentadas aos membros da igreja de forma tão sutil e singela que praticamente todos as aceitam como uma verdade de Deus.

Algumas práticas do G12 são bíblicas e devem ser incentivadas em todas as igrejas. São elas:

1) Reuniões nas casas dos crentes, ou células

Facilitam o atendimento personalizado das necessidades de cada participante, a evangelização mesmo dos que se recusam a ir às igrejas, bem como a comunhão e a edificação mútua entre os cristãos. As células quando utilizadas segundo princípios bíblicos são valorosas.

No entanto não é bíblica a estratégia de separar homens de mulheres, mesmo os casados. As tais “células homogêneas” conforme a doutrina gedozista ensina não deveriam nunca ser aplicadas aos casais e outros, pois o único caso compreensível deste tipo de atitude seria no caso dos jovens não casados.  Vale lembrar que na igreja primitiva as reuniões nas casas dos crentes aconteciam devido a repressão dos judeus e dos governantes ao trabalho dos Apóstolos, e nenhuma passagem da Bíblia diz que tais reuniões, ou as “células primitivas”, eram formadas por pessoas do mesmo sexo ou faixa etária. Pelo contrário a Bíblia mostra que as reuniões eram feitas na presença de famílias inteiras.

Isto é na prática uma divisão da família, que tem valores e experiências profundas para passar aos freqüentadores das reuniões. Tais exemplos práticos de vida cristã jamais deveriam ser desperdiçados, visto que o homem e a mulher após o casamento são uma só carne (Gn 2:24). Além disto, em virtude da agenda extensa da igreja o marido acaba por se afastar demais da esposa durante a semana inteira, diminuindo a comunhão a cada dia que passa. Isto na prática é uma divisão dentro dos lares e atinge em cheio a união do casamento.

2) A busca de santidade (1Pe 1.14-16; Hb 12.14)

A permanência na Palavra e manifestação do fruto do Espírito Santo, que reproduz o caráter de Cristo na vida de cada crente (Jo 17.17; Gl 5.16-26), é uma atitude que todo cristão deveria ter. Contudo, devemos estar atentos ao fato de que materiais e métodos do G12 estão permeados de doutrinas estranhas à Palavra de Deus, de modo que é necessário sempre avaliá-los à luz da Palavra antes de aplicá-los.

Atitudes de autopunição como o uso de roupas rasgadas ou do avesso, cabelos raspados, jejuns declarados em público, mudança para pior em hábitos de higiene, etc., são atitudes às vezes provindas de espíritos enganadores, visto que prestam apenas para ridicularizar o cristão e não possuem respaldo na Palavra.

3) Oração intensa por um propósito

Tanto no dia-a-dia como em preparação a eventos especiais (1Ts 5.18; Cl 4.2). Precisamos resgatar em nossa vida o ensino bíblico sobre práticas espirituais como oração, jejum e vigília, lembrando, contudo, que recebemos não só a salvação como também a santificação e todas as bênçãos de Deus pela graça, mediante a fé (Mt 17.19-20; Mc 11.19-23; Gl 3.3, 5; Cl 2.6-7).

4) Trabalho sistemático de evangelização

Nos incentiva a também realizar a obra do Senhor de modo mais planejado. Devemos por todos os meios lutar para que, no menor espaço de tempo, todas as pessoas tenham a oportunidade de ouvir, compreender e receber o evangelho genuíno. Lembramos, porém, que as estruturas da igreja, tanto as novas como as tradicionais, existem por causa das pessoas, e não as pessoas por causa das estruturas, e não cabe a nós determinar quando uma pessoa deve se converter.

Desenvolver um estilo de vida marcado pelo ardor evangelístico, desde que com equilíbrio, que se manifesta em atitudes concretas como a de até mudar a rotina diária a fim de ganhar as pessoas para Cristo (1Co 9.19-23), ou ainda realizar eventos com este propósito. Mas aqui cabe uma observação importante: Nem todos os cristãos têm a mesma facilidade para evangelizar, pois cada membro do corpo de Cristo recebe do Senhor dons diferentes para diferentes ministérios (1Co 12.4-11, 27-31); todos, porém, devem ser testemunhas de Jesus Cristo, vivendo o evangelho do Reino no poder do Espírito Santo, em qualquer lugar em que estiver (At 1.8; Mt 5.13-16).

Doutrinas estranhas à Palavra de Deus

Seguem abaixo diversos pontos que pude analisar e por experiência própria acompanhar como de fato aconteceram e quais as repercussões para o Corpo de Cristo. Não pretendo ser o dono da palavra final nestes tópicos, no entanto, é nítida a influência de espíritos enganadores no G12, pois a conseqüência destas práticas a médio e longo prazo tem resultado em muitas divisões e em muitos casos membros antigos, com sólida base bíblica, e exemplos de vida Cristã, tem se afastado das igrejas gedozistas.

Não recomendo e nem acho que seja uma solução abandonarmos uma igreja por estes motivos, pois entendo que devemos servir como atalaias (Ezequiel 33), pois quem sai perdendo é o Corpo de Cristo.

Entendo que o mais adequado é reunir os pastores e lhe mostrar biblicamente, porque discorda e caso não haja um retorno às Escrituras, o crente teria até o direito de exercer sua liberdade em Cristo, indo congregar em outra parte do Corpo de Cristo. Mas isto somente em casos extremos, e não deixando de demonstrar que possui os frutos do Espírito, agindo com mansidão e ordem, ao comunicar seu pastor de sua decisão.

O crente nessa situação pode ainda permanecer na igreja, orando e clamando pela misericórdia de Deus. Mas neste caso sempre haverá o perigo da mistura de ensinamentos a que terá contato, como temos demonstrado neste estudo. Também não podemos deixar de considerar que Deus talvez queira que determinada igreja permaneça no erro e no engano, pois pode estar sendo testada por Deus, de tal modo que sejam identificados aqueles que preferiram acreditar em falácias humanas às verdades bíblicas.

Paulo falando aos crentes de Tessalônica, nos mostra que Deus às vezes nos testa:

“E por isso Deus lhes envia a operação do erro, para que creiam na mentira; para que sejam julgados todos os que não creram na verdade, antes tiveram prazer na injustiça.” 2Ts 2:11

A inclusão do Encontro em Marcos 16:16

Marcos, 16:16 – “Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado.”

A Bíblia nos ensina que quem crer e for batizado será salvo. Já no G12, todos têm que primeiramente crer, e em segundo lugar participar do Encontro com Deus para somente depois disto ser batizado. É claro que tal procedimento não é bíblico.

Os gedozistas acreditam que somente após o Encontro a pessoa está verdadeiramente arrependida, pois durante os três dias do retiro, todos são renovados, e aí então estão aptos para o batismo. Só não é explicado porque algumas pessoas participam do Encontro várias vezes. Será porque não se arrependeram o suficiente? Mas quanto é o suficiente? Acredito que o “suficiente” seja exatamente o ponto onde haja concordância com os métodos gedozistas.

Ainda sobre o batismo é notório o uso do Batismo como uma estratégia de marketing para divulgação do G12, pois durante o culto, são colocadas músicas triunfantes para a entrada daqueles que vão se batizar em suas túnicas brancas. Dentro da piscina de batismo entram além do pastor e do batizando, seu líder de célula, que não é pastor, mas que participa no ato do batismo.

A exigência da participação no Encontro e de santificação para o Batismo

Em nenhum ponto a Bíblia diz que deveríamos passar por um retiro espiritual de alguns dias, ou qualquer coisa semelhante. Na prática o que ocorre é que no G12 o fato da pessoa ter aceitado Jesus como seu Salvador, e o fato dos frutos do Espírito serem presentes na vida do novo crente não são suficientes para que este novo Cristão cumpra o mandamento de Jesus e se batize.

Quanto a santificação exigida por alguns líderes gedozistas para o batismo também não encontra respaldo bíblico visto que o batismo é um mandamento de Jesus. Logicamente a busca da santificação é algo permanente na vida do crente, mas exigir isto para o batismo é impedir o acesso ao batismo, visto que na prática todos somos e continuaremos sendo pecadores.

Além disto, vale destacar que o novo convertido, deverá participar do “Encontro” e para isto terá que pagar uma taxa referente às despesas de alimentação e acomodação. O valor não é excessivo, mas o problema é o fato de ser obrigatório, o que faz com que a pessoa sinta-se compelida a pagar ou em muitos casos, a pedir um empréstimo, ou ainda depender da caridade de seu líder que poderá “semear na vida dele” pagando as despesas do Encontro. O que torna tudo bem mais humilhante ao novo convertido.

As pessoas que eventualmente tenham vindo de outra denominação e desejem se tornar membros da igreja gedozista, será obrigado também a passar pelo Encontro e a freqüentar uma célula, pois somente assim poderá participar dos cursos oferecidos para os líderes.

Tais cursos visam basicamente ensinar os métodos de evangelismo e de multiplicação celular da doutrina gedozista sem um aprofundamento teológico. Esta forma de curso faz parte da doutrina de Castellanos como ele mesmo diz em seu livro:

“Deus seguiu sendo fiel e nos revelou a capacitação rápida com um programa piloto que chamamos de Escola de Líderes, dando um treinamento ágil no qual se combina a preparação bíblica com a prática, sem tomar temas muito profundos, compartilhando o fundamental: doutrina básica e a visão da igreja” (Sonha e ganharás o mundo, de César Castellanos, pg.84)

E após este curso de 6 meses, o líder está preparado para liderar sua célula, sempre buscando a multiplicação procurando identificar um líder em potencial dentre os freqüentadores de sua célula. Também se torna apto a aconselhar seus liderados.

O aconselhamento cristão deve ou deveria ser feito apenas por quem de fato estará firmado na Palavra antes, durante e após o aconselhamento. Existe de fato um risco e uma responsabilidade muito grande em aconselhar alguém. Dependendo do que for dito pelo aconselhador, o aconselhado poderá tomar atitudes que o conduzirão por águas tranqüilas ou por verdadeiros maremotos.

Ainda sobre aconselhamento cristão, vale citar Gary R. Collins, quando comenta sobre os objetivos singulares do aconselhamento:

Assim como os profissionais leigos, os cristãos procuram ajudar os aconselhandos a alterarem seus comportamentos, atitudes, valores e/ou percepções. Tentamos ensinar habilidades (inclusive habilidades sociais), encorajar o reconhecimento e a expressão das emoções, dar apoio em momentos de necessidade, incutir senso de responsabilidade, orientar a tomada de decisão, ajudar a mobilizar recursos internos e externos em períodos de crise, ensinar técnicas de resolução de problemas e aumentar a competência e o senso de “auto-realização” do aconselhando.

Entretanto, o conselheiro cristão vai mais longe. Ele procura estimular o crescimento espiritual do aconselhando e encorajar a confissão dos pecados para recebimento do perdão divino. Além disso, ajuda a moldar padrões, atitudes, valores e estilo de vida cristãos, apresenta a mensagem do evangelho, encoraja o aconselhando a entregar sua vida a Jesus Cristo e estimula-­o a desenvolver valores e padrões de conduta baseados nos ensinos da Bíblia, em vez de viver de acordo com as regras relativistas do humanismo.

Alguns criticam essa atitude, dizendo que isso é “misturar religião com aconselhamento”. Entretanto, ignorar questões teológicas é adotar as bases da religião do naturalismo humanista, sufocar nossa própria fé e dividir nossa vida em dois segmentos: um santo e outro profano. Nenhum conselheiro que se preze, seja ele cristão ou não, tenta impor suas crenças aos aconselhandos. Temos a obrigação de tratar as pessoas com respeito, dando-lhes total liberdade de tomar suas próprias decisões. Porém, um conselheiro honesto e autêntico não sufoca suas crenças, nem finge ser algo que não é.
(Gary R. Collins, Aconselhamento Cristão – Edição Século XXI, Edições Vida Nova)

No aconselhamento mal feito, há um perigo enorme, ou tremendo, como eles gostam de dizer: Como uma pessoa recém convertida, que aprendeu apenas os princípios básicos da Bíblia, poderá aconselhar qualquer pessoa? É fato sabido que aconselhamento é uma das atividades pastorais de mais responsabilidade, e que exige amplo conhecimento da palavra e discernimento.

O crente deve perdoar a Deus

Heresia!!! Não há como classificar de forma diferente este ato praticado durante os “Encontros com Deus”, em meio a uma oração realizada pelos líderes, onde o encontrista é exortado a liberar o perdão a todos que possam ter lhe provocado alguma mal em sua vida, inclusive a Deus, caso a pessoa tenha alguma mágoa na qual tenha culpado Deus. Isto chega às raias da insanidade.

Deus é, sempre foi e será eternamente perfeito. Não é possível que Deus cometesse qualquer erro que tornasse possível a nós, simples mortais, perdoá-Lo. Tal procedimento não existiu em nenhum ritual pagão antigo ou moderno, nem nas civilizações antigas, nem no Egito, nem na Babilônia, e muito menos na Bíblia, pois tal comportamento é uma aberração! Como pode o homem julgar-se na posição de perdoar a Deus de algo? Isto revela um completo afastamento das Escrituras por parte dos gedozistas, e por si só já seria motivo suficiente para condenar todo o movimento gedozista.

“As técnicas psicológicas ensinadas no “Manual de Realização do Encontro”, por sua vez, são de arrepiar qualquer cristão: pelas regras do G12, para que um indivíduo alcance a devida libertação dos traumas do passado (técnica de cura interior), é necessário que este tente visualizar o “encontro do espermatozóide do seu pai com o óvulo de sua mãe”. Depois da visualização de cada etapa de vida – no útero, durante a gestação, na infância até a idade adulta –, a pessoa deve perdoar àqueles que eventualmente tenham lhe causado sofrimento, sem esquecer ninguém – nem mesmo Deus. “Eles precisam liberar perdão às pessoas envolvidas em cada fase e até mesmo a Deus”, diz um trecho do manual.” (http://www.geocities.com/Athens/Marathon/5256/g12.html)

Aqueles que se autodenominam profetas e apóstolos

Recomendo ao leitor que medite neste versículo:

“Escreve ao anjo da igreja que está em Éfeso: Isto diz aquele que tem na sua destra as sete estrelas, que anda no meio dos sete castiçais de ouro: Eu sei as tuas obras, e o teu trabalho, e a tua paciência, e que não podes sofrer os maus; e puseste à prova os que dizem ser apóstolos e o não são e tu os achaste mentirosos;” Ap 2:1-2

Também me solidarizo com as opiniões de Wander de Lara Proença e do CACP Centro Apologético Cristão de Pesquisas.

“…Nele devem estar colocados os nossos olhos e a Ele, exclusivamente, devem ser direcionadas toda a glória e adoração!

Mas, hoje, infelizmente, muitos ainda continuam insistindo na construção de altares (tendas) para homenagear as “celebridades” que costumam se denominar “profetas” e “apóstolos” e acabam, muitas vezes, atribuindo-lhes a glória que é devida somente a Cristo. Há uma atração estética e um grande fascínio que é exercido pelos líderes religiosos no atual contexto evangélico brasileiro. Assim como no cristianismo medieval, em que o misticismo da espiritualidade popular fez com que apóstolos e mártires passassem a ser vistos como media­dores, com especial acesso à presença de Deus, hoje, também, a fasci­nação e o misticismo que envolvem determinados líderes evangélicos comprometem o chamado sacerdócio universal de todos os cristãos, pois se passa a acreditar que a oração de tais “celebridades” evangélicas, com dia e hora marcados, é que tem o poder de operar os milagres ou intermediar as bênçãos aos fiéis, como se o Espírito Santo se lhes estivesse sob controle ou monopólio.

Cria-se, com isso, uma dimensão de culto ao personalismo envol­vendo tais líderes, que passam a atrair para si mesmos os holofotes que deveriam estar apontados para Cristo. A projeção de sua imagem pessoal, que se dá, por exemplo, através dos títulos que procuram ostentar, como o de profetas e apóstolos, torna-se um eficiente mecanismo semiótico de iconização, conferindo-lhes um status em relação ao público para o qual dirigem sua mensagem, aproximando-os mais eficazmente do sagrado, pois tais termos carregam um apelo de intimidade com o divino que o termo pastor normalmente não consegue alcançar.

Desta forma, estabelece-se uma distinção representacional do líder em relação aos demais membros da igreja, fazendo com que se crie uma dependência dos fiéis em relação à sua pessoa. Tal aspecto acaba comprometendo o sacerdócio universal de todos os cristãos, pois, sutilmente, nega o livre acesso de todos à presença de Deus por intermédio de Jesus Cristo, além de não promover o exercício dos diferentes dons e ministérios concedidos pelo Espírito Santo, indistin­tamente e como lhe apraz, a todos os membros do corpo de Cristo.”

(Wander de Lara Proença , Respostas evangélicas a religiosidade brasileira, Edições Vida Nova, pg.176)

“Há mais de 180 anos o mormonismo vem pregando uma “restauração” da igreja primitiva composta por Profetas, Apóstolos, etc. Nesses últimos tempos uma doutrina parecida tem sido divulgada no Brasil por igrejas evangélicas em especial as adeptas do G12. Vale lembrar, que há séculos a Igreja Romana prega a doutrina da sucessão apostólica, tendo o Papa como sucessor de Pedro. O texto base de tais igrejas, normalmente é Ef. 4:11, tirado de seu contexto. Jesus escolheu doze apóstolos, dos quais Judas Iscariotes se suicidou, ficando 11. Depois Matias foi acolhido apóstolo para ser junto com os onze testemunha da ressurreição do Senhor (At 1:21-26), posteriormente Paulo, foi chamado pelo próprio Senhor para ser apóstolo e mesmo assim se considerava um abortivo, como nascido fora de tempo por ter sido o ultimo a ver o Senhor (1Co 15:7-9).

Se a instituição de apóstolos na igreja fosse algo necessário até a vinda do Senhor, Paulo não teria razão para fazer tal afirmação. Depois que morreu o ultimo apóstolo, nunca mais ninguém na igreja primitiva foi reconhecido ou ordenado Apóstolo. O dom de profecia é para a exortação edificação  e consolação, não para dirigir a vida de ninguém ou para transmitir ordenanças a igreja, e muito menos para dar “autoridade” sobre quem quer que seja (cf.1Co14.3).”
(CACP – www.cacp.org.br)

O Espírito Santo é um hóspede para Castellanos

“Ele é o mesmo Deus e sente, quando alguém peca; entristece-se quando um crente sofre; sofre com ele; quando alguém se aparta de Deus, Ele se retira dessa pessoa.”

(Castellanos, Sonha e ganharás o mundo, pg.110)

Vemos aqui mais um ensinamento contrário às Escrituras, que são claras quanto ao Espírito Santo fazer morada em nós a partir do momento em que aceitamos verdadeiramente Jesus como nosso único e suficiente Salvador, vindo após isto a manifestação dos frutos do Espírito e conforme a vontade do Pai a concessão de dons. A Bíblia declara:

“no qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus no Espírito.” Efésios 2:22

“Jesus respondeu e disse-lhe: Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada.” João 14:23

É proibido discordar

Quem for contra a “visão” está sob influência da Rainha dos Céus (ou endemoniado).

Sempre que alguém se levanta contra, ou critica o movimento do G12 e seus idealizadores, está endemoniado. Ou seja, qualquer discordância, é imediatamente apontada como fruto de obra maligna, sem importar de fato os pontos que estão sendo questionados. Ou seja, não é feita uma contestação puramente bíblica para apoiar o G12. Em diversos momentos é impossível ao gedozista argumentar sem usar a tal visão.

A atribuição de todos os males na vida do crente a ação do Diabo, é diminuir a responsabilidade que o cristão tem de se santificar a cada dia, ou seja, sempre que pecamos, geramos conseqüências, e iremos colher tais conseqüências. Portanto devemos assumir nossos erros e não creditar tudo a ação do inimigo de modo a nos absolver da responsabilidade que nos cabe.

Outra heresia apregoada pela liderança gedozista. Não existe nenhum versículo na Bíblia dizendo que para sermos abençoados ou salvos devemos crer em visões. Pelo contrário a Palavra nos alerta para ficarmos atentos e não crermos em visões e profecias que não encontrarem respaldo bíblico.

Crentes firmados na rocha, que conheçam a Palavra de Deus, não aceitarão nenhuma “visão” sem antes testá-la a exaustão. Como pode uma visão de Deus provocar tanta divisão e afastamento de membros das igrejas que se converteram ao G12? A resposta é: Se fosse de Deus não provocaria divisão de nenhuma espécie, pois pelo fruto conhecemos a arvore, e neste caso o fruto tem sido amargo e maligno. Temos conhecido centenas de pessoas que saíram de suas igrejas devido ao G12 e sua tradicional intolerância aos que discordam.

Vejamos o que o próprio Castellanos diz a respeito em seu livro nas pgs. 60-61, quando comenta a respeito de um pastor da liderança de sua igreja (MCI), logo no início:

“Mas o Senhor nos foi dando sabedoria para manejar a situação, mostrando-nos exatamente o que havia em seu coração e, pouco a pouco, fui-lhe tirando a autoridade até que, um ano depois, o enviei a dirigir uma sede que nunca avançou, enquanto estava sob sua responsabilidade. Chegou o momento preparado por Deus para que este homem saísse definitivamente da igreja e, junto com ele, se foram outros que, aparentemente eram nossos amigos”

É impressionante como Castellanos agiu neste caso. Ele planejou uma forma de afastar aquele homem que foi contra a “visão”, mas de uma forma desleal, pelas costas, enfim, não foi uma atitude de um Cristão. Este procedimento revela o verdadeiro caráter deste líder, que não mediu esforços para se livrar do que ele chama de “Pedras” de seu caminho. Ou seja, todo aquele que se manifestar contra é uma “pedra” enviada por satanás com o objetivo de destruir a “visão”.

Alguns versículos pertinentes:

“E disse Abrão a Ló: Ora, não haja contenda entre mim e ti e entre os meus pastores e os teus pastores, porque irmãos somos.” Gn 13:8

“Da soberba só provém a contenda, mas com os que se aconselham se acha a sabedoria”
Pv 13:10

“O homem perverso levanta a contenda, e o difamador separa os maiores amigos.” Pv 16:28

“Ai dos pastores que destroem e dispersam as ovelhas do meu pasto, diz o SENHOR.” Jr 23:1

Castellanos ensina seus discípulos a serem isolacionistas e a verem o G12 como vítima de satanás que usa as pessoas fazendo com que fiquem contra a “visão” e suas doutrinas.

Castellanos segue a mesma receita sectária do mormonismo, ao dizer que “quando há ataques, é sinal de que avançamos.” (Castellanos, Sonha e ganharás o mundo, pg.102)

Pensamento exatamente igual a maioria das seitas, como o mormonismo que vê José Smith, seu fundador, como um dos maiores perseguidos, e todos os mórmons da mesma forma. E sabe como o mormonismo supera essas “perseguições”? Simplesmente as ignoram, afastando-se e repudiando todas as pessoas que forem contra a “visão de José Smith” e sua conversa com Deus, Jesus, João Batista, que “apareceram” a José Smith, há quase dois séculos atrás. Alegam que são perseguidos por serem a única igreja verdadeira deixada pelo próprio Jesus numa “visão” complexa e anti-bíblica, onde por acaso também fazia parte um governo de 12 “profetas”, os quais existem até hoje. E esses “profetas” têm poder absoluto sobre seus fiéis, sendo que o que falam imediatamente é registrado em livros ou comunicados, pois os tais falam em nome de Deus… Quanta heresia, e quanta semelhança com o G12!

 

Discípulos de Jesus ou de homens?

O G12 tem como objetivo fazer discípulos para que posteriormente se transformem em líderes de células e que obrigatoriamente terão que se multiplicar, afinal a “visão gedozista” não sobrevive sem a multiplicação em progressões geométricas.

Ocorre que em meio ao frenesi da “Escola de líderes” e dos “Encontros com Deus”, o que percebemos é que determinados líderes acabam por acreditar que devem fazer discípulos para si próprios. Fui testemunha disto, quando vi líderes no retorno do “Encontro”, dizerem em pleno altar: “Estou muito feliz com MEUS discípulos!”.

A Bíblia fala que devemos fazer discípulos sim, mas não impõe nenhum método empresarial para isto, nem para os discipulados, nem para os discipuladores. Tal desvio da Palavra de Deus é compreensível visto que a liderança do G12 no Brasil (Igreja MIR do “Apóstolo” Renê Terranova) tem pregado justamente isto, e pior, tenta convencer-nos disto usando a Bíblia. Veja o que Terranova diz em seu site:

 “De quem são os discípulos que estou gerando?
Texto: Mt 9:14 “Então vieram ter com ele os discípulos de João…”

João continuava à beira do rio Jordão esperando pessoas para batizar. Se Jesus ainda não havia morrido, por que João estava batizando e fazendo discípulos? No dia em que João revelou o caráter messiânico de Jesus, restava-lhe apenas algo a fazer: cumpre-se hoje o meu ministério, tornar-me-ei discípulo de Jesus; e todos os outros discípulos de João viriam até Jesus. Mas, João nunca foi discípulo de Jesus. Ninguém mais que João sabia que Jesus era o Messias. Ele recebeu a revelação. Sua missão específica era proclamar este testemunho. Mas, esse homem continuou fazendo discípulos para si e não para Jesus. Assim também, podemos fazer discípulos à parte. Todo o homem de Deus que sai do propósito, que se insurge contra a liderança, perde o pescoço. Judas e João perderam o pescoço.” (http://www.mir.org.br/g12/eg050404.htm em 08/10/2004)

René Terranova rompeu de forma tempestiva com Castellanos em final de março de 2005, numa situação muito mal explicada até hoje. Tal rompimento infelizmente não significou um retorno às escrituras, pois Terranova continuou e continua até hoje usando os mesmos métodos do G12, tomando o cuidado apenas de não usar a expressão G12 pois esta sigla foi registrada pelo Castellanos, e hoje quem usá-la deverá de alguma forma pagar os devidos royalties à igreja de César Castellanos.

Terranova então, movido pelo espírito, segundo ele, rebatizou o método como Visão Celular, mas também faz uso de expressões como Movimento dos Doze ou M12.

Refutação bíblica:

João Batista foi um exemplo de cristão e não alguém que tenha se insurgido contra Deus, como Terranova insinua em seu texto. Veja o que Jesus disse:

“Em verdade vos digo que, entre os nascidos de mulher, não surgiu outro maior do que João, o Batista; mas aquele que é o menor no reino dos céus é maior do que ele.” Mt 11:11

E mais:

“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez. A vida estava nele e a vida era a luz dos homens. A luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela. Este veio como testemunha para que testificasse a respeito da luz, a fim de todos virem a crer por intermédio dele. Ele não era a luz, mas veio para que testificasse da luz, a saber, a verdadeira luz, que, vinda ao mundo, ilumina a todo homem.” Jo 1:1-9

Em Mateus 9:14, Jesus ensina a respeito do jejum: “Os discípulos de João Batista jejuavam como um sinal de pesar pelo pecado e para prepararem-se para a vinda do Messias. Os discípulos de Jesus não precisavam jejuar porque estavam com o Messias! Jesus não condenou o jejum; Ele mesmo jejuou (Mt 4:2). O Senhor Jesus Cristo enfatizou que o jejum deve ser feito pelas razões corretas.” [BEAP]

Sobre Judas e João terem “perdido o pescoço”, vemos uma manipulação da Palavra, pois de fato Judas se enforcou após ter delatado Jesus, mas João Batista nunca se “insurgiu” contra Jesus. Na verdade João Batista alertou ao rei Herodes que ele estava em pecado ao querer possuir Herodias, esposa de seu irmão Filipe. E então Herodias também se irou contra João e aproveitou a primeira oportunidade para pedir sua cabeça ao rei Herodes. E assim João de fato perdeu sua cabeça, mas em nenhum momento João Batista ficou contra Deus ou Jesus, e sim contra o rei Herodes porque ele estava pecando.

Vejamos a questão dos discípulos de João Batista com mais atenção:

“Depois disto foi Jesus com seus discípulos para a terra da Judéia, onde se demorou com eles e batizava. Ora, João também estava batizando em Enom, perto de Salim, porque havia ali muitas águas; e o povo ia e se batizava. Pois João ainda não fora lançado no cárcere. Surgiu então uma contenda entre os discípulos de João e um judeu acerca da purificação. E foram ter com João e disseram-lhe: Rabi, aquele que estava contigo além do Jordão, do qual tens dado testemunho, eis que está batizando, e todos vão ter com ele. Respondeu João: O homem não pode receber coisa alguma, se não lhe for dada do céu. Vós mesmos me sois testemunhas de que eu disse: Não sou o Cristo, mas sou enviado adiante dele. Aquele que tem a noiva é o noivo; mas o amigo do noivo, que está presente e o ouve, regozija-se muito com a voz do noivo. Assim, pois, este meu gozo está completo. É necessário que ele cresça e que eu diminua. Aquele que vem de cima é sobre todos; aquele que vem da terra é da terra, e fala da terra. Aquele que vem do céu é sobre todos. Aquilo que ele tem visto e ouvido, isso testifica; e ninguém aceita o seu testemunho. Mas o que aceitar o seu testemunho, esse confirma que Deus é verdadeiro.” Jo 3:22-33 (grifos acrescentados)

O testemunho final de João Batista (3.22-4.3)

Estes versos apresentam a realização de certos batismos que, aparentemente, não se entrosam com a tradição, nem a apresentação nos Evangelhos sinóticos das respectivas missões de Jesus e João Batista. Uma solução deste problema é aquela que considera a narrativa como interpolação apologética, acrescentada por um redator que queria demonstrar a superioridade do batismo cristão ao rito legalista de purificação. Entretanto, não há razão para duvidar da historicidade da narrativa. «Acreditamos que neste ponto a obra de Jesus e de seu precursor se entrosam perfeitamente» (Westcott). Os discípulos batizavam na Judéia, enquanto João batizava em Enom (23).

João ainda não tinha sido lançado na prisão (24). A oportunidade para o testemunho final do Batista a respeito de Jesus surge da disputa entre os discípulos de João e outro judeu (25). A disputa girava em torno de purificação. Os discípulos de João estavam enciumados, devido à popularidade de Jesus (26). João atribui, magnanimamente, tais sucessos aos favores de Deus (27), e relembra aos seus seguidores a natureza preparatória da sua própria missão, e sua subordinação a Jesus (28). João ilustra sua relação com Jesus, tirando uma Ilustração do Velho Testamento, que fala da relação de Deus com o «sua noiva Israel» (Is 54.2-10). João é apenas o amigo do noivo, a quem compete procurar a noiva para o noivo, e preparar todas as coisas necessárias para o casamento.

A responsabilidade inclui a preparação do contrato de casamento e, mais ainda, obriga-o a permanecer diante da câmara nupcial até ouvir a voz do noivo. Foi motivo de alegria para João que o povo se uniu em torno de Jesus, pois isto constituiu o selo do seu próprio ministério (29). «A alegria do precursor na cena evangélica não é diminuída pelo fato de a obra de Jesus ser culminada num ato de sacrifício» (Jo 1:29). (Hoskyns, The Fourth Gospel). Convém que ele cresça e que eu diminua (30). A estrela da manhã entra em ocaso quando nasce o sol na sua glória. E assim que o porta-voz João cede lugar para o Cristo. Nos vers. 31-36, o pensamento torna-se mais abstrato. Com toda probabilidade, estes versos representam as meditações do escritor. O Messias é de origem divina, portanto, único e supremo. O evangelista compara o caráter da obra messiânica com a do Batista, «quem vem da terra» (31). Os ensinos de Cristo dão relevo à Sua origem celestial. Jesus Cristo testificava o que havia visto e ouvido do Pai, e nenhum homem destituído da iluminação divina pode receber este testemunho (32). O homem nascido do Espírito põe à prova a Palavra de Deus, autenticando-a na sua própria experiência (33). Cristo é embaixador de Deus aos homens; portanto, confiar nEle é certificar-se da verdade de Deus.

(Novo Comentário Bíblico, Edições Vida Nova, 2003)

João não manteve discípulos para si após ter batizado Jesus, pelo contrário, os exortou a seguirem Jesus, o que fica claro neste versículo de João:

“Este é aquele que vem após mim, que foi antes de mim, do qual eu não sou digno de desatar as correias das sandálias.” João 1:27

“É necessário que ele cresça e que eu diminua.” Jo 3:30

“Aquele que crê no Filho tem a vida eterna, mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece.” Jo 3:36

Tornar-se discípulo de Jesus deve ser o objetivo do crente, no entanto nunca foi tarefa simples:

“Se alguém vier a mim e não aborrecer a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs, e ainda também a sua própria vida, não pode ser meu discípulo.” Lc 14:2

“E qualquer que não levar a sua cruz e não vier após mim não pode ser meu discípulo.” Lc 14:2

Mas, Isaías descreve com perfeição de quem devemos ser discípulos:

“E todos os teus filhos serão discípulos do SENHOR; e a paz de teus filhos será abundante.”  Is 54:13

A diminuição da cruz diante da valorização do Encontro

A salvação do crente ocorre quando ele aceita Jesus e o milagre da cruz, pois Jesus se fez maldito por nós, nos salvando do pecado e nos dando a vida eterna. Logicamente a vida do crente deve ser uma luta diária pela santificação, visto que vivemos no mundo governado pelo inimigo que fará de tudo para nos desviar de um caminho de vitória. No entanto a salvação é conquistada quando cremos na cruz e seu significado. A mensagem que o G12 passa é que somente após o Encontro o Cristão estará preparado para o batismo, ou para a vida cristã, visto que no Encontro é feita uma limpeza espiritual onde os pecados antigos são queimados em uma “fogueira santa”, num ritual muito semelhante aqueles encontrados no paganismo.

Na verdade o Encontro é desnecessário para a Salvação e em nenhum momento deveria ser obrigatório para o batismo, pois não faz parte dos ensinamentos da sã doutrina. Qualquer cristão tem acesso ao Pai, que é fiel e justo para nos perdoar, e isto sem necessidade de ir a nenhum encontro realizado por homens, pois o único a quem devemos encontrar é Deus, que e manifesta através de sua Palavra.

“Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.” 1Jo 1: 9

A salvação transforma o caráter em definitivo sem necessidade de “Encontros”. Para obtermos o perdão de Deus, basta pedir perdão a Ele, munido de um arrependimento sincero e verdadeiro, e sempre olhando para a cruz onde Deus através de Seu filho em sua infinita graça e misericórdia, decidiu salvar a todos aqueles que crerem em Jesus.

“Pelo que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.” 2Co 5:17

“Mas todas as coisas provêm de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Cristo, e nos confiou o ministério da reconciliação;  pois que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões; e nos encarregou da palavra da reconciliação.” 2Co 5:18-19

“Justificados, pois, pela fé, tenhamos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo, por quem obtivemos também nosso acesso pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e gloriemo-nos na esperança da glória de Deus. E não somente isso, mas também gloriemo-nos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a perseverança, e a perseverança a experiência, e a experiência a esperança; e a esperança não desaponta, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.” Rm 5:1-5

“Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus. Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte. Porquanto o que era impossível à lei, visto que se achava fraca pela carne, Deus enviando o seu próprio Filho em semelhança da carne do pecado, e por causa do pecado, na carne condenou o pecado. para que a justa exigência da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito. Pois os que são segundo a carne inclinam-se para as coisas da carne; mas os que são segundo o Espírito para as coisas do Espírito. Porque a inclinação da carne é morte; mas a inclinação do Espírito é vida e paz. Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem em verdade o pode ser; e os que estão na carne não podem agradar a Deus. Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele. Ora, se Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o espírito vive por causa da justiça. E, se o Espírito daquele que dos mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele que dos mortos ressuscitou a Cristo Jesus há de vivificar também os vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que em vós habita. Portanto, irmãos, somos devedores, não à carne para vivermos segundo a carne; porque se viverdes segundo a carne, haveis de morrer; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis. Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus. Porque não recebestes o espírito de escravidão, para outra vez estardes com temor, mas recebestes o espírito de adoção, pelo qual clamamos: Aba, Pai! O Espírito mesmo testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus; e, se filhos, também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo; se é certo que com ele padecemos, para que também com ele sejamos glorificados.” Rm 8:1-17

“Eis que foi para minha paz que eu estive em grande amargura; tu, porém, amando a minha alma, a livraste da cova da corrupção; porque lançaste para trás das tuas costas todos os meus pecados.” Is 38:17

“E não ensinarão mais cada um a seu próximo, nem cada um a seu irmão, dizendo: Conhecei ao Senhor; porque todos me conhecerão, desde o menor deles até o maior, diz o Senhor; pois lhes perdoarei a sua iniqüidade, e não me lembrarei mais dos seus pecados.” Jr 31:34

“Porque serei misericordioso para com suas iniquidades, e de seus pecados não me lembrarei mais.” Hb 8:12

“Quem é Deus semelhante a ti, que perdoas a iniqüidade, e que te esqueces da transgressão do resto da tua herança? O Senhor não retém a sua ira para sempre, porque ele se deleita na benignidade. Tornará a apiedar-se de nós; pisará aos pés as nossas iniqüidades. Tu lançarás todos os nossos pecados nas profundezas do mar.” Mq 7:18-19

Confissão de pecados a líderes

Nem sempre é uma prática ostensiva, pois a implantação tende a ocorrer na medida do “amadurecimento” do liderado. Para tanto pedem que os liderados escrevam em um caderninho uma espécie de devocional, ou suas orações, e após isto entreguem os caderninhos aos seus líderes.

“Confessai, pois, os vossos pecados uns aos outros e orai uns pelos outros, para serdes curados. Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo.” Tg 5:16

Esse texto tem sido usado para tentar provar que, temos que confessar nossos pecados para sermos de alguma forma, libertos. Certa vez ouvi um dos integrantes de uma banda gospel, vinculada a uma comunidade que pratica o G12, dizer que quem não confessar seus pecados aos seus pastores ou lideres, para que eles liberassem a “benção do perdão”, sofreriam ações diabólicas. Isso parece a  doutrina católico romana da confissão auricular. O Texto Bíblico acima se refere ao ensino de Jesus, sobre perdoar o irmão que pecar contra nós. Tiago está exortando a igreja à reconciliação e ao perdão mutuo. Veja, que antes dele falar em cura, ele fala em oração: “orai uns pelos outros para serem curados” é a ação divina em resposta a oração que cura e restaura, física e espiritualmente e não a confissão auricular. Somente a Deus devemos confessar nossos pecados. (CACP)

Talvez por acreditar na necessidade de confessar pecados a homens e não a Deus, Castellanos diga em seu livro que a oração do pecador não tem eficácia:

“A oração é como um projétil teledirigido que sempre atinge o alvo. Mas este projétil espiritual é efetivo na medida em que não está viciado pelo pecado, nem por nenhuma contaminação pessoal.” (Castellanos, Sonha e ganharás o mundo, pg.114)

Afora a linguagem de guerrilha, vemos aqui um sinal claro de que os gedozistas acreditam que são santos, pois se a oração do pecador não é eficaz, mas a deles é, nada mais lógico do que supor que são santos. (impressionante!) Mais uma vez vemos aqui um sinal típico da arrogância sectária de se acharem os únicos corretos.

Dizer que nossa oração está contaminada pelo pecado e por isto não seria eficaz, é uma MENTIRA. Se isto fosse verdade ninguém neste mundo estaria capacitado para orar, pois não há um justo sequer (Rm 3:10). A oração do crente é eficaz SIM. Graças a Deus temos o Espírito Santo que intercede por nós, pois somos fracos e muitas vezes nem sabemos orar:

“Do mesmo modo também o Espírito nos ajuda na fraqueza; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o Espírito mesmo intercede por nós com gemidos inexprimíveis.” Rm 8:26

Teologia da Prosperidade

Durante os cultos são pregadas mensagens enfocando a prosperidade financeira, quando a verdadeira prosperidade resume-se a ser feliz sem passar nenhum tipo de necessidade. Mensagens do tipo: Dízimo é para abençoar o que chega em suas mãos e oferta é para sua prosperidade, são típicas da “teologia da prosperidade”. Tais ensinamentos não são bíblicos e não encontram respaldo na Palavra de Deus.

A ênfase nas pregações sobre dízimos e ofertas, bem como sobre mordomia Cristã, é uma característica das igrejas do novo paradigma, pois grande parte destas igrejas estão envolvidas em obras de ampliação da igreja, nem sempre por necessidade, mas sim para atender ao “comando do espírito santo” que diz que devem primeiro construir e depois encher. Se por um lado a “visão” é empresarial, peca por não agir como um empresário responsável, que jamais gasta além do que pode. Vejamos o que diz o Pr. João Flávio do CENTRO APOLOGÉTICO CRISTÃO DE PESQUISAS:

Trata-se de uma substituição do Evangelho da Graça, pelo  “evangelho” da ganância. Oral Roberts, um dos principais pregadores dessa heresia, chegou a escrever um livro intitulado “How I learned Jesus Was Not Poor” (Como aprendi que Jesus Não foi Pobre) É comum ouvimos da boca  dos pregadores da prosperidade coisas do tipo: “ Você é filho do Rei, não tem por que levar uma vida derrotada.” A principio uma frase dessas pode até pode parecer ortodoxa. Mas, o que muitos talvez não saibam, é que para esses pregadores, “vida derrotada”=ser pobre, ter dificuldades financeiras, ficar doente etc.. T.L Osborn, ensina em seu livro Curai Enfermos e Expulsai Demônios , que Paulo jamais esteve doente contradizendo o seguinte texto:

“E vós sabeis que vos preguei o evangelho a primeira vez por causa de uma enfermidade física. E, posto que a minha enfermidade na carne vos foi uma tentação, contudo, não me revelastes desprezo nem desgosto; antes, me recebestes como anjo de Deus, como o próprio Cristo Jesus”.(Gal.4.13,14). É interessante saber que Osborn no começo de seu ministério se apoiou em líderes heréticos como William Marrion Branham.

T. L. Osborn, no folheto intitulado Um Homem Chamado William Branham, escreveu o seguinte: “Esta geração está incumbida: uma geração na qual Deus tem caminhado em carne humana na forma de um Profeta. Deus tem visitado seu povo. Porque Um grande Profeta Tem-se Levantado entre Nós” Osborn trata a pessoa de Branham como se fosse o próprio Deus. Em outro lugar no mesmo folheto, diz: “Deus tem enviado o irmão Branham no século 20 e tem feito a mesma coisa. Deus em carne, novamente passando por nossos caminhos, e muitos não o conheceram. Eles tampouco o teriam conhecido se tivessem vivido no tempo em que Deus cruzou seus caminhos no corpo chamado Jesus, o Cristo.”

A teologia da prosperidade une o fútil ao desagradável, ou seja, é uma mistura de ganância e comodismo. Os adeptos da teologia da prosperidade acham que nós temos direito de reivindicarmos o que quisermos de Deus, esquecendo da soberania divina. Cito abaixo alguns textos bíblicos, que refutam esse evangelho falso, que promete ao homem uma vida de prosperidade material, atiçando-lhe a ganância:

“Não ajunteis para vós tesouros na terra; onde a traça e a ferrugem os consomem, e onde os ladrões minam e roubam; mas ajuntai para vós tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem os consumem, e onde os ladrões não minam nem roubam.” Mt 6:19-20

“Se alguém ensina alguma doutrina diversa, e não se conforma com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo, e com a doutrina que é segundo a piedade, é soberbo, e nada sabe, mas delira acerca de questões e contendas de palavras, das quais nascem invejas, porfias, injúrias, suspeitas maliciosas, disputas de homens corruptos de entendimento, e privados da verdade, cuidando que a piedade é fonte de lucro; e, de fato, é grande fonte de lucro a piedade com o contentamento. Porque nada trouxe para este mundo, e nada podemos daqui levar; tendo, porém, alimento e vestuário, estaremos com isso contentes. Mas os que querem tornar-se ricos caem em tentação e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, as quais submergem os homens na ruína e na perdição. Porque o amor ao dinheiro é raiz de todos os males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores. Mas tu, ó homem de Deus, foge destas coisas, e segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a constância, a mansidão.,” 1Tm 6:3-11

Logos e Rhema

Todos que frequentam alguma igreja gedozista ou qualquer um dos movimentos clones do G12, já deve ter ouvido seu pastor fazer uma enorme diferenciação entre logos e rhema, para justificar o porque de alguns não aceitarem a visão ou do motivo de haverem tantos que discordam deste movimento.

Na verdade essa doutrina que diferencia tão enfaticamente a palavra logos da rhema não é bíblica. Fico com as palavras do pastor Eronildes DaSilva, quando comenta a sobre esse tema:

Os apologistas da confissão positiva fazem um “cavalo de batalha” sobre os termos gregos logos e rhema que significam palavra, dizendo que há uma distinção entre eles no sentido de que logos é a Palavra escrita, revelada de Deus, e que rhema é a palavra dita, expressa de Deus, que faz com que as coisas sejam realizadas. Desta forma, eles afirmam que podemos usar a palavra rhema para realizarmos no mundo espiritual e físico aquilo que desejamos.

Entretanto, na Palavra de Deus não há sequer uma distinção teológica entre estes dois termos. Todo estudante da teologia sabe que os nomes sempre aparecem na Bíblia para designar uma função ou estado de um ser ou objeto. Por exemplo: o nome Jeová é o designativo da Divindade quando foi manifestada no tempo para a redenção de Israel; e El-Shadai para suprir a necessidade do povo a fim de que a promessa feita a Abraão fosse cumprida na sua totalidade (Êxodo 6.3). E quanto à ênfase dada por Jesus, “em meu nome expulsarão os demônios”, nunca quis ele dizer que seria no poder do nome em si, mas na autoridade da pessoa que o nome se refere ­ Jesus Cristo! A ênfase de Pedro (refiro-me à defesa feita por mim quanto à fórmula do batismo nas águas na Teologia dos Três Batismos), no capítulo dois, e versículo 38 de Atos dos Apóstolos:“e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo”, não contradiz o mandamento do Senhor,“batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”. Na Bíblia Sagrada, nome é o símbolo de autoridade. A sentença grega epi to onomati Iesou Christou “em nome de Jesus Cristo”, explicita que o batismo deve ser feito na autoridade do nome de Jesus. A preposição grega epi – em nome, de Atos 8.38; a en – no nome, de Atos 10.48 e eis – pelo nome, implica autoridade proprietária e direta legada à uma pessoa! Portanto, acrescentar valores superbos aos nomes mais do que às pessoas que eles representam, seria fabricar uma doutrina panteísta!

O Dr. Russel Shedd afirmou que Pedro não fez distinção sobre estes termos em sua primeira carta, capítulo 1.23-25: “Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra (logos) de Deus, viva que permanece para sempre. Porque toda a carne é como a erva, e toda a glória do homem como a flor da erva. Secou-se a erva, e caiu a sua flor; Mas a palavra (rhema) do Senhor permanece para sempre; e esta é a palavra (rhema) que entre vós foi evangelizada”. Como podemos ver, na mente do apóstolo não havia distinção entre estas palavras. Sendo assim fica desfeita a pretensão daqueles que querem forçar uma interpretação e aplicação errônea destes termos.  

(Rev. Eronides DaSilva, ABU – Aliança Bíblica Universitária, Sepoangol World Ministries)

Práticas judaizantes

No G12 existe uma forte simpatia pelo judaísmo. Nas igrejas que usam os métodos da igreja em células ou movimento celular ou G12, é muito comum verem-se bandeiras de Israel, pessoas tocando shofares para “chamar” o Espírito Santo, como se isto fosse preciso, ou como se o Espírito não habitasse em nós.

Devemos amar o povo judeu, mas isto não significa que devamos imitá-lo, pois como todos sabemos os judeus não reconhecem Jesus Cristo como Messias (exceto os judeus cristianizados). Além disto práticas como a guarda do sábado, realização de festas judaicas tradicionais, utilização de várias músicas judaicas, etc., não encontram respaldo na Nova Aliança revelada no Novo Testamento por Jesus.

Veja o que o Pr. João Flávio diz sobre isto:

Valnice Milhomens, em entrevista à revista Vinde (atual Eclésia) declarou:
“Meu contato com Israel me mostrou várias coisas, como os dias proféticos, as alianças: seis dias trabalharás e ao sétimo descansarás. Êxodo 31 declara que o sábado é o sinal de uma aliança perpétua e da volta de Cristo.”

A Sra.Milhomens, contradiz frontalmente o ensino neotestamentario do fim da Lei mosaica em Cristo Jesus ( Rom.14.5, Col 2.16, Ef.2.15, Gal.3.23-25). Da mesma forma a circuncisão era uma aliança perpétua e nem por isso ela a instituiu em sua igreja (Gn 17:10-14). Esta Sra, já chegou declarar que Jesus vai vir em um Sábado de 2007, sendo que o próprio Senhor Jesus, declarou que o dia e a hora de sua vinda ninguém sabe. (Mt 24:36,43,50, Mt 25:13)

MIR:
As festas bíblicas são ordens sagradas do Senhor. Elas não são apenas judaicas; são, antes de mais nada, do Senhor, declaradas como estatuto eterno (Lv. 23:1-44). (www.mir.org.br)   

O Encontro de Levitas é um Encontro voltado para o resgate do Ministério Levítico dentro da Visão Celular no Governo dos 12. Esse encontro traz princípios e conceitos  sobre os levitas, todo o histórico desde o seus surgimento até os nossos dias. (www.mir.org.br)

Com respeito a celebrar a festa dos tabernáculos veremos como era observada:

“Fala aos filhos de Israel, dizendo: Aos quinze dias deste mês sétimo, será a Festa dos Tabernáculos ao SENHOR, por sete dias. Ao primeiro dia, haverá santa convocação; nenhuma obra servil fareis. Sete dias oferecereis ofertas queimadas ao SENHOR; ao dia oitavo, tereis santa convocação e oferecereis ofertas queimadas ao SENHOR; é reunião solene, nenhuma obra servil fareis. São estas as festas fixas do SENHOR, que proclamareis para santas convocações, para oferecer ao SENHOR oferta queimada, holocausto e oferta de manjares, sacrifício e libações, cada qual em seu dia próprio,” Lv 23:34-37

Resta saber se  eles  realmente observam a Festa dos Tabernáculos como está prescrito na Lei. Se eles não observam dessa forma, não estão observando o preceito. Se observam, estão anulando o sacrifício de Cristo, oferecendo holocaustos e sacrifícios. Isso mostra o grau de apostasia em que a MIR está envolvida. O Apóstolo Paulo deixa bem claro que não precisamos observar os dias santos e cerimônias judaicas (Cl 2:16, Gl 4:9-11).

Levitas? Que absurdo! Não existe mais ministério levítico nos dias atuais. O ministério levítico como o próprio nome já diz se refere aos integrantes da tribo de Levi. Portanto é heresia grosseira querer instituir esse ministério na igreja. O Novo Testamento ensina que o ministério  levítico cumpriu sua função e foi substituído pelo ministério de Cristo. Hb 7:5-28

(do CACP – www.cacp.org.br)

Diminuindo o valor do pastor

Para ele o “Pastor da Igreja é o Espírito Santo”, enquanto que ele (o Pastor Castellanos) “é apenas o colaborador” (Sonha e ganharás o mundo, pg. 107-108).

Mas que inversão de valores! A Bíblia Sagrada nos afirma que o Pastor é o “apascentador do rebanho de Deus” (At 20:28) e responsável pela “pregação e doutrina da Igreja” (2 Tm 4:1-4), enquanto que o Espírito Santo é o que habita em todo crente salvo (Jo 14:16-17 e 1Co 3:16) e adverte a Igreja contra a apostasia (1Tm 4:1-2), além de outros atributos.

Em lugar algum das sagradas escrituras, encontramos Jesus, os apóstolos, ou o próprio Deus dizendo que quem pastoreia a Sua igreja seja o Espírito Santo. São homens, sim, escolhidos por Ele (Deus) para tomar conta do rebanho dEle, apascentar os salvos por seu Filho Jesus (Ef 4:11-12). Esse pastor gosta de inverter as coisas. E como gosta! [www.conscienciacrista.org.br]

O que importa é quantidade e não a qualidade dos crentes

O apóstolo Paulo deixou bem claro a importância de amadurecermos na fé, e isto significa nos aprofundarmos no conhecimento da Palavra, de tal modo que deixemos de ser crianças na fé, que se alimentam de leite espiritual, e sim que passemos aos alimentos sólidos do conhecimento do reino de Deus. Por outro lado a qualidade do crente, ou sua maturidade, é a mola que impulsionará essa pessoa a semear a Palavra na vida de outras pessoas de tal modo a leva-las a uma conversão verdadeira e eterna.

“Mas o mantimento sólido é para os perfeitos, os quais, em razão do costume, têm os sentidos exercitados para discernir tanto o bem como o mal.” Hebreus 5:14

Já o fundador da MCI, pensa bem diferente:

“Todo aquele que quer avaliar o êxito de um ministério, necessariamente terá que se remeter ao seu crescimento na área espiritual e a sua multiplicação numérica. Só aqueles que se movem guiados por um espírito de conformismo argumentarão que é mais importante a qualidade do crente que a sua quantidade em uma igreja”. (Castellanos, Sonha e ganharás o mundo, pg.68)

Infelizmente, a baixa qualidade das pregações e ensinamentos, é um fato no meio gedozista, pois se o foco central é a multiplicação das células e para isto o evangelismo assume um caráter vital, os ensinamentos não passam do leite espiritual perigosamente envenenado por doutrinas estranhas à sã doutrina.

Jejuns criativos

O ato de jejuar e de orar de fato devem fazer parte da vida do crente, no entanto, alguns jejuns chamam a atenção pela originalidade, como por exemplo o jejum de fermento (baseado em Ex.12:15), onde não se pode comer nada que contenha fermento, de forma muito semelhante ao jejum dos pães asmos do judaísmo.

Outro jejum que chama a atenção é o “Jejum das Delícias”, onde a pessoa deve escolher alguns alimentos deliciosos de sua preferência e abdicar deles por um período de tempo. Este jejum, particularmente me chama a atenção em função da passagem abaixo do livro de Timóteo, que nos fala sobre a apostasia nos últimos tempos:

“Mas o Espírito expressamente diz que, nos últimos tempos, apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios, pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência, proibindo o casamento e ordenando a abstinência dos manjares que Deus criou para os fiéis e para os que conhecem a verdade, a fim de usarem deles com ações de graças; porque toda criatura de Deus é boa, e não há nada que rejeitar, sendo recebido com ações de graças, porque, pela palavra de Deus e pela oração, é santificada.” 1Tm 4:1-5

A administração da igreja no G12

A igreja segue as ordens de um pastor, que possui um grupo de 12 líderes de células, os quais têm por trás de si uma rede de células sempre baseadas preferencialmente no formato de 12 pessoas, pois quando uma célula atinge número maior de membros torna-se madura e divide-se de modo a atender as metas de multiplicação. Todo líder tem por objetivo multiplicar evangelizando pessoas novas, e é cobrado nesse sentido visto que se sua célula não multiplicar num determinado tempo pode perder a liderança da célula. Surge então um sistema empresarial onde há uma hierarquia a ser obedecida e cobranças quanto a produtividade. A vida do líder passa então a uma constante busca de um outro líder dentre os freqüentadores de sua célula, e os textos pregados dentro da célula fazem parte de uma apostila, não devendo de um modo geral, fugir do roteiro pré-fixado. Tal roteiro foca a evangelização, o que é louvável, mas sem o amadurecimento na palavra, fica impossível o cristão se firmar na rocha, e ficar vacinado contra seitas e heresias.

Todos os líderes são submetidos a cursos onde aprendem as técnicas para gerir sua célula e como identificar seus futuros líderes, pois a evangelização terá fim num certo ponto, onde esse líder passará a liderar seu grupo de sub-líderes e assim por diante numa progressão geométrica.

A multiplicação é fundamental, e em torno disto gira todo o esquema do G12. Esquecendo-se que é Deus quem nos escolhe, e querendo fazer a obra do Espírito Santo, o movimento passa sua mensagem de modo a deixar o crente com a consciência pesada, caso não consiga multiplicar.

“Quem não se reproduz, está afetando a possibilidade de conversão de milhares de vidas.” (Castellanos, Sonha e ganharás o mundo, pg.80)

Esse modelo administrativo eclesiástico da igreja é uma formula que mantém os membros da igreja afastados dos pastores titulares da igreja, pois os fiéis terão que se aconselhar quando precisarem com seus respectivos líderes de células que por sua vez se aconselharão com seus próprios líderes imediatamente acima. Resumindo a figura do pastor de igreja é pulverizada, aumentando sobremaneira o risco de falsos pastores dentro do corpo de Cristo. Além disto, os pastores titulares passam seu tempo cuidando basicamente do material dos cursos e dos 12 líderes principais participando apenas dos processos administrativos e da pregação dominical. Tais pregações invariavelmente são evangelísticas, entretanto a falta de alimento sólido tornará a igreja imatura a médio e longo prazo.

A liderança de célula tem como pré-requisito, possuir o caráter de Cristo, que embora seja inatingível, deveria ser a busca de qualquer Cristão. Já o pastor de ovelhas supõe-se que tenha dom para isto, e um chamado para tal.. Nunca é demais lembrar:

“Aos anciãos, pois, que há entre vós, rogo eu, que sou ancião com eles e testemunha dos sofrimentos de Cristo, e participante da glória que se há de revelar: Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, não por força, mas espontaneamente segundo a vontade de Deus; nem por torpe ganância, mas de boa vontade; nem como dominadores sobre os que vos foram confiados, mas servindo de exemplo ao rebanho. E, quando se manifestar o sumo Pastor, recebereis a imarcescível (incorruptível) coroa da glória. Semelhantemente vós, os mais moços, sede sujeitos aos mais velhos. E cingi-vos todos de humildade uns para com os outros, porque Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes.” 1Pedro 5:1-5

Tal unção não pode ser dividida ou repassada para outros. O pastor deve cumprir suas funções pastorais cuidando amorosamente de cada ovelha do rebanho. O argumento de que quando a igreja fica grande demais não dá para o pastor cuidar não se justifica, pois neste caso deve-se acrescentar mais pastores, formando assim um corpo de pastores. Mas a medida desse crescimento deve ser dada pelo Espírito Santo e não por metas humanas e nem por regras matemáticas de multiplicações e progressões geométricas.

O Treinamento é realizado pela escola de líderes de cada igreja. Aqui são preparados os discipuladores que irão dirigir as células e executar o programa de discipulado. A tendência é de cursos breves de baixa qualidade, visto que não se aprende teologia em 2 ou 3 meses. O objetivo é que cada participante ou seguidor do G12 alcance os seus 144 discípulos. Por fim, ocorre o Envio, quando os líderes treinados assumem a liderança de grupos em células, sempre de 12 pessoas, as quais estarão em treinamento para assumirem a liderança de outros 12 e assim progressivamente.

O autor é de fato ousado, ou melhor, prepotente, pois comenta:

“Não vejo outro modelo que possa ser mais efetivo que este para uma multiplicação em todas as áreas da igreja. Funcionou com Jesus. Vem funcionando com a Missão Carismática Internacional desde 1994,…” (Castellanos, Sonha e ganharás o mundo, pg.81)

Foco somente em evangelismo: Uma igreja em desequilíbrio

No modelo neotestamentário a igreja se reunia para o crescimento espiritual, edificação, adoração e consolação, onde todos buscavam o amadurecimento na Palavra através de estudos profundos (alimento sólido). Terminadas as reuniões a igreja se espalhava para evangelização, quer seja pelo contato direto boca a boca ou pelo testemunho de vida pessoal, sendo tudo feito em amor.

Já no G12 percebemos um grande desequilíbrio, pois as pregações são basicamente evangelísticas em função da preocupação exagerada com a multiplicação dos membros, e conseqüente crescimento da igreja, que ocorre em alguns casos, mas as conversões que acontecem nos apelos constantes são questionáveis, pois na prática se percebe que muitos não tiveram uma real consciência do ato que fizeram, ou seja, querem Jesus como Salvador mas não como Senhor de suas vidas.

Por isto o mais saudável numa igreja são reuniões e cultos onde todos sejam edificados com alimento sólido, crescendo em amor e no conhecimento das coisas de Deus e da Palavra, pois agindo desta forma as conversões ocorrerão naturalmente (quando a igreja se espalhar), de forma muito mais sólida e permanente.

Nos versículos a seguir vemos como Paulo valorizava o conhecimento da Palavra:

“Leite vos dei a beber, não vos dei alimento sólido; porque ainda não podíeis suportá-lo. Nem ainda agora podeis, porque ainda sois carnais.” 1Co 3:2

“Pois, com efeito, quando devíeis ser mestres, atendendo ao tempo decorrido, tendes, novamente, necessidade de alguém que vos ensine, de novo, quais são os princípios elementares dos oráculos de Deus; assim, vos tornastes como necessitados de leite e não de alimento sólido.” Hb 5:12 

“Mas o alimento sólido é para os adultos, para aqueles que, pela prática, têm as suas faculdades exercitadas para discernir não somente o bem, mas também o mal.” Hb 5:14 

Caráter de Cristo

Através da “Escola de Líderes”, o G12 acredita que transformará o caráter dos participantes, e que todos ao final do cursinho terão o caráter de Cristo, e estarão preparados para serem líderes de células. Na prática, o orgulho e a vaidade, são visíveis em alguns líderes de células que vão compondo uma espécie de elite na igreja.

Sobre o caráter de Cristo que o gedozista busca possuir e coloca como característica inerente aos líderes, vale destacar que todos os doze escolhidos por Jesus tiveram um caráter diferente do Senhor Jesus, que foi e sempre será Santo ao passo que no mundo não há um justo sequer. Veja: Judas era um dos doze, mas traiu a Cristo; o apóstolo João era bastante ciumento; Pedro, um homem de pouca fé. Além disso, de acordo com Malaquias 3.6 “Pois eu, o Senhor, não mudo; por isso vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos.”, Hebreus 13.8 “Jesus Cristo é o mesmo, ontem, e hoje, e eternamente.” e Tiago 1.17 “Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação.”, se o Espírito Santo quisesse para os dias de hoje qualquer modelo, Ele teria deixado escrito, porém não o fez.

Na verdade Paulo em 1Co 11:1 nos ensina que devemos ser imitadores de Cristo, mas daí a dizer que possuímos o caráter dEle há uma distancia enorme, afinal Ele é Deus, e nós meros mortais.

A posse do caráter de Cristo é reivindicada por alguns que acreditam ter alcançado uma santificação tamanha, que têm a pretensão de já ter de fato conseguido. Ora, sabemos que a santificação é algo que o cristão deve buscar por toda a vida, mas não é tarefa fácil e principalmente não ocorre da forma como o G12 apregoa.

Mas pense comigo sobre este paradoxo: Quanto mais buscamos a santificação mais nos sentimos pecadores e indignos de merecer seja lá o que for de Deus. O apóstolo Paulo por três vezes faz uma autocrítica, que vai progressivamente ficando mais severa, conforme o tempo passa e ele crescia em santificação. No livro de 1Coríntios (54 a.D.) ele se diz o menor dentre todos os apóstolos, em Efésios (61 a.D.), o menor de todos os santos, e em 1Timóteo (65 a.D.) ele se descreve como o pior dos pecadores.

Imagino que se alguém na época lhe dissesse a Paulo que ele tinha o caráter de Cristo, muito provavelmente ele rasgaria novamente suas roupas gritando: Nós somos humanos! (At 14:8-18)

Portanto, quanto mais nos santificarmos, mais convictos estaremos de nossa real condição de pecadores e consequentemente mais entenderemos o quanto estamos longe de possuir o caráter de Cristo.

Não há investimento em missões

Outro ponto negativo do G12 é a ausência de investimento em missões. Acredito ser desnecessário relatar aqui a importância de alcançarmos todas as criaturas com o evangelho da sã doutrina, pois todos os crentes verdadeiros têm esse sentimento em seu coração. Mesmo que não possam investir em missões reconhecem a importância e tem como objetivo contribuir para isto.

Já Castellanos pensa completamente diferente, pois acredita que ensinando sua “visão” a outros pastores está cumprindo sua missão: Veja o que ele diz:

“O conceito que temos de missões é muito diferente do tradicional. O Senhor nos tem mostrado que devemos permitir a entrada de nativos de outros paises na Colômbia para que estando em nosso país, se lhes faça luz a visão que desenvolvemos” e mais adiante na mesma página: “… Quando estes grupos nos visitam, sua mente é transformada e suas respectivas visões se ampliam, começando a sonhar já não com igrejas de 120 ou 150 pessoas, mas com congregações de milhares e milhares”. (Castellanos, Sonha e ganharás o mundo, pg.171)

A justificativa dos “12”

Alegam os gedozistas que a prova da necessidade do governo de 12 líderes é o fato dos apóstolos terem escolhido um substituto para Judas que havia se enforcado, pois tinham que manter um grupo de 12 apóstolos, não podendo ser 11 nem 13. E na ocasião eles optaram pelo Matias quando havia outro que também se encaixava no perfil desejado.

Mas a grande pergunta é: Qual era o perfil? Qual era exigência para ser apóstolo? A resposta é que o candidato deveria ter sido uma testemunha OCULAR da ressurreição em carne de Jesus (que por dedução e lógica exclui os apóstolos modernos). Além disto, provavelmente havia uma determinada área em aberto, devido à morte de Judas, a qual deveria continuar a ser coberta pelo novo apóstolo.

Em nenhum momento as escrituras dizem que todo apóstolo deveria formar um grupo de 12 pessoas e identificar mais 12 novos líderes que se tornariam apóstolos e assim por diante. Isto definitivamente não é bíblico.

O modelo celular será único no futuro (= IGREJA VERDADEIRA)

“A frutificação neste milênio será tão incalculável, que a colheita só poderá ser alcançada por aquelas igrejas que tenham entrado na visão celular. Não há alternativa: a igreja celular é a igreja do Século XXI” (Castellanos Domínguez, Sonha e Ganharás o Mundo, pg.143.)

Esta afirmação arrogante feita por Castellanos em seu livro, e disseminada pelos gedozistas, demonstra falta de amor pelo corpo de Cristo, além do que funciona como uma profecia negativa às demais igrejas que pregam a sã doutrina e que portanto encaixam-se perfeitamente no que Jesus disse:

“Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela;” Mateus, 16:18

Considerar-se como única forma correta de igreja é característica típica de seitas como os mórmons, testemunhas de Jeová, Igreja da Unificação, etc. Vejamos a prepotência de Castellanos e seus discípulos:

Temos recebido a palavra no sentido de que nos anos vindouros haverá gente faminta por conhecer a mensagem da salvação; milhões e milhões correrão pelas ruas demonstrando seu desejo de saber de Cristo, e a única estrutura que permitirá estar preparados para isto é a igreja em células. (Castellanos Domínguez, Sonha e Ganharás o Mundo, pg.146.)

As congregações do tipo paroquial, nas quais não há mais que 200 pessoas, não estarão no modelo, porque cada igreja será de no mínimo cem mil pessoas. (Castellanos Domínguez, Sonha e Ganharás o Mundo, pg.146.)

Além de Castellanos, outros líderes do movimento e seus discípulos têm a mesma visão profética, a mesma expectativa triunfalista para o próximo século:

Tendo a convicção de que o modelo de Bogotá era a base para o modelo que Deus tem para nós, temos retornado às convenções para beber da fonte. Cremos que Deus deu ao Pr. César Castellanos o modelo dos doze que há de revolucionar a igreja do próximo milênio. (Valnice Milhomens, Plano Estratégico, 12.)

Como filhos que somos de Deus Todo-Poderoso, seremos conhecidos nos céus como a geração das maiores conquistas e das maiores colheitas para o Reino de Deus. (Lisboa, Convergência 2000)

Hoje estamos reformando a eclesiologia… Por isso creio que esse movimento é a complementação da primeira reforma. Creio que ele está varrendo os quatro cantos da terra hoje, numa proporção e numa velocidade muito maior que a reforma protestante do século XVI. (Entrevista de Robert Lay à revista Videira, da Igreja Videira, Ano I, Nº 4)

Fica claro que o movimento se vê como um cumprimento profético, contudo, não das Escrituras, e sim das projeções e previsões feitas por Castellanos e sua equipe, que consideram-se os únicos certos e dentro da visão de Deus.

O peudo-avivamento gedozista

Há uma grande controvérsia sobre este tema não só dentro do G12, como de um modo geral na igreja cristã. Na verdade a palavra “avivamento” nem sequer é encontrada na Bíblia. Mas um avivamento bíblico poderá ocorre no futuro, quando e se for da vontade de Deus.

Os avivamentos ocorridos na história da igreja cristã, foram na maioria dos casos bem controversos, pois em muitos casos, como o do país de Gales por exemplo, transformou-se no centro de várias práticas que não bíblicas, e por fim serviram mais para confundir do que para edificar.

Particularmente acredito que o avivamento maior ainda não ocorreu de fato, mas se for da vontade de Deus irá ocorrer um dia, e quando isto ocorrer, será algo tão fantástico, que milhares de pessoas se converterão ao mesmo tempo e em progressão inacreditável muitos serão curados instantaneamente pelo poder do Espírito Santo de forma incontestável e surpreenderá até os mais céticos e ateus.

Considero este comentário de John Armstrong muito adequado:

A pergunta que fazemos aqui é simples: onde se encontra a promessa de que Deus vai produzir o avivamento se nós fizermos a coisa certa? Onde achamos as garantias de que a pregação sincera, ungida pelo Espírito, dará resultados memoráveis em termos de um grande número de convertidos ao despertar espiritual? Em lugar algum a palavra de Deus ensina que o trabalho de Deus, feito de forma adequada, em fé e obediência, sempre dará frutos em igual proporção. Considere estes fatos: Pedro pregou em Pentecostes e 3000 se converteram imediatamente. Paulo, pregando em Filipos, viu uma mulher se converter. E mais adiante, o que diremos a respeito da missão de Paulo em Atenas? Aqui, apenas um pequeno número de pessoas correspondeu a um testemunho apostólico convincente. A questão é esta: sempre que Cristo for pregado haverá frutos, mas nem sempre na medida e proporção que esperamos ou mesmo que desejamos.

A evidência da história da igreja, que tem sido interpretada de diversas formas, é totalmente clara nessa questão. Precisamos trabalhar, precisamos plantar e precisamos irrigar, mas somente Deus dá o crescimento (v. 1Co 3.5-8). Não devemos jamais “ditar os resultados” de acordo com a maneira que falamos, oramos e principalmente planejamos. A colheita pertence de fato ao Senhor. Precisamos nos prostrar diante dessa realidade. A nossa função é de sermos fiéis à tarefa e também esperar que o Senhor conceda o que ele ordenar. Os seus caminhos não são os nossos.

(John Armstrong, O Verdadeiro Avivamento, Editora Vida, 2001, pg. 63)

Atos Proféticos, Pedras, “Unção” de Sal e Bíblias enterradas

Baseados na crença de  que o cristão faz ou diz, tem repercussão no mundo espiritual, alguns chegam a blasfemar ensinado que assim como Deus, pela sua palavra falada, trouxe todas a coisas a existência, da mesma maneira, nós como sua imagem, podemos trazer coisas a existência pelo poder da palavra falada.

Esse ensino é uma blasfêmia que procura assemelhar o homem a Deus. Esses “atos proféticos” normalmente têm como objetivo, “conquistar” cidades ou nações para o Reino de Deus, ou ainda alcançar objetivos esquisitos. A palavra de Deus nos ensina a ganhar almas para o Reino de Deus através da pregação do evangelho de Jesus Cristo, e não através de “declarações de posse” ou “orações reivindicatórias”  ou ainda de “atos proféticos”.

No Novo Testamento, vemos que o óleo serve apenas para ungir os doentes (Mc 6.3 e Tg 5.14). Mas os gedozistas utilizam o óleo até para impedir que um navio não navegue por caminhos já traçados, como aconteceu por ocasião das comemorações dos quinhentos anos de descobrimento do Brasil. Os adeptos do G12 foram para o alto mar, em Salvador, e derramaram várias latas de “óleo ungido”, a fim de que o navio que o governo brasileiro havia construído, para fazer o percurso da capital baiana até Porto Seguro, não chegasse ao seu destino. Sabemos que realmente a embarcação “quebrou” duas vezes, não tendo feito a viagem programada, mas temos a informação – e a imprensa divulgou para todo o país – que o fracasso deveu-se a falhas ocorridas na construção do barco, e imperícia técnica de seus construtores. Não foi, portanto, pelo ato praticado por eles que a embarcação não chegou ao seu destino. (http://www.assembleiadedeuslondrina.com.br/estudos/SintesedoMovimentoConhecidoPorG-12.htm  21/10/2004)

Infelizmente esses “atos proféticos” têm levado pessoas boas, e até conhecedores da Palavra a cometerem atos que em nada são parecidos ao que Deus sempre ensinou aos seus profetas na Bíblia. A sede pelo sobrenatural chega às raias do absurdo e da cegueira espiritual, pois na prática ninguém tem a preocupação em saber a procedência desse “sobrenatural”, aceitando como de procedência Divina, algo que bem pode ser maligno.

Em uma igreja que conheci, quando por ocasião de mudança para um outro templo maior, devido à vontade da liderança em crescer, realizou-se no novo local um “ato profético”, que mais se assemelha a um ritual pagão. Como o local ainda não pertencia à igreja, um pequeno grupo de 12 pessoas, se reuniu naquele local, antes de começar a ser usado para os cultos e realizaram o tal “ato profético” orando e declarando que aquele local já era da igreja e que lá nasceria uma grande igreja como a cidade nunca tinha conhecido antes, e possivelmente com o intuito de “consagrar” aquele altar, e atendendo ao “novo comando de Deus” (expressão comum no G12), fizeram o seguinte:

·         Enterraram 12 pedras simbolizando o G12 e seus líderes,

·         Aspergiram vinho pelo altar,

·         Jogaram sal por todo o altar numa inovadora, ou seria melhor dizer aterradora “unção de sal”,

·         E pasmem! Enterraram uma Bíblia.

Sobre a palavra “unção” é importante destacar que é uma palavra ligada a óleo. Veja o que diz o dicionário Houaiss: “UNÇÃO: ato ou efeito de ungir, de aplicar óleo consagrado numa pessoa”. Portanto, falar em “unção de sal” é algo sem nenhum sentido, o correto é “salgar”, ou como diz na Palavra: “semear sal”.

Bem, tudo isto aconteceu antes da nova igreja abrir suas portas para os cultos, e a esmagadora maioria dos membros, não souberam do ocorrido. Atos como esse, onde Bíblias são enterradas, acontecem em algumas denominações quando do lançamento da pedra fundamental da igreja, juntando-se às vezes um jornal do dia. Embora isto não seja uma exclusividade do G12, é um engano condenável, visto que a Palavra é viva, eficaz e penetrante, chegando até juntas e medulas, no ponto de dividir alma e espírito. (Hb 4:12). Para que enterrar uma Bíblia? O que Deus pensa a respeito disto? Em que isto edifica?

É impossível encontrar qualquer versículo que dê sustentação a um ato destes. Nem o maior malabarista exegético poderia justificar biblicamente este desatino. Mesmo que tal prática não seja exatamente uma novidade, é um ato deplorável, pois o crente deve amar a Bíblia, defendendo a Palavra a cada momento de sua vida. É definitivamente impossível aceitar o “enterro” da Palavra.

“NOTA: Aconselha-se não por na cavidade também uma Bíblia como alguns têm feito, pois entendemos que a Bíblia, Palavra de Deus, não é para ser enterrada, mas anunciada.  Além disso, é um ato simbólico no início da construção, e quem enterra a Palavra, comete um equívoco, pois a Palavra é viva, e eterna. Enterro significa fim.”
(Manual de Cerimônias e Solenidades, SEMADI Secretaria de Missões da Assembléia de Deus)

Ora, enterra-se algo que está morto, ou que se pretende matar, e infelizmente é o que tem sido feito sistematicamente nas igrejas gedozistas com a Palavra de Deus, onde o alimento sólido tem sido substituído por leite envenenado por uma mistura de doutrinas humanas e pagãs com a doutrina do Senhor de modo a enganar até os escolhidos.

“porque surgirão falsos cristos e falsos profetas e farão tão grandes sinais e prodígios, que, se possível fora, enganariam até os escolhidos.” Mt 24:24

Além disto, causa arrepios saber que essa liderança gedozista semeou sal pelo altar, ignorando a Bíblia Sagrada, onde está escrito que semear sal provoca desolação perpétua, e no caso citado no livro de Juízes, causou a completa desolação do local. Talvez os gedozistas argumentem dizendo que em Levítico as ofertas eram salgadas antes do holocausto (Lv 2:13 e Nm 18:19), no entanto tratava-se de salgar os manjares ofertados em sacrifício, e obviamente qualquer tipo de sacrifício tornou-se desnecessário para todos que aceitam o fato de Jesus ter sido o último cordeiro imolado.

O sal no AT tinha significado ambíguo. Em Lv 2:13 e em Nm 18:19 simbolizava um pacto (ou aliança) com Deus:

“Todas as suas ofertas de cereais temperarás com sal; não deixarás faltar a elas o sal do pacto do teu Deus; em todas as tuas ofertas oferecerás sal.” Lv 2:13

“Todas as ofertas alçadas das coisas sagradas, que os filhos de Israel oferecerem ao Senhor, eu as tenho dado a ti, a teus filhos e a tuas filhas contigo, como porção, para sempre; é um pacto perpétuo de sal perante o Senhor, para ti e para a tua descendência contigo.” Nm 18:19 

Mas em Juízes:

“E Abimeleque pelejou contra a cidade todo aquele dia e tomou a cidade; e matou o povo que nela havia, e assolou a cidade, e a semeou de sal.” Juízes 9:45

A Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal da CPAD, comenta a respeito desta passagem:

“Semear sal sobre uma cidade conquistada era um ritual que simbolizava a perpétua desolação daquela localidade. Ela não seria reconstruída durante 150 anos.”

A Bíblia de Estudo Shedd, comenta a respeito desta passagem:

“Semeou de Sal. Era prática, na antiguidade, que assegurava a desocupação da área por muito tempo, sendo, por este rito, amaldiçoada e tornada improdutiva. Siquém só veio a ser edificada de novo, durante o reinado de Jeroboão, um século e meio mais tarde.”

Mais importante do que tudo isto é que não precisamos recorrer aos pactos e/ou alia nças do AT, pois estaríamos rejeitando a Nova Aliança em JESUS CRISTO. Não precisamos mais de sacrifícios de nenhuma espécie, pois o último sacrifício ocorreu no calvário.

 

A busca ostensiva pelo “falar em línguas”

Antes de examinar essa busca ostensiva, lembremos que falar em línguas é um dos DONS dados por Deus. Portanto Deus concede àqueles que julgar melhor receberem, desde que isto vá contribuir para o Corpo de Cristo. O homem em sua pequenez jamais conseguirá dom algum se não for vontade do Pai.

Os Dons do Espírito são capacidades extraordinárias que Deus dá aos membros do corpo de Cristo:

QUEM CONCEDE OS DONS ESPIRITUAIS? (1Co.12:4-6)
– o Deus Triúno, Pai, Filho, Espírito Santo.
– o critério é a graça, Rm 12:6, Ef 4:7, 1Pe 4:10, não o mérito da pessoa.
– a administração da distribuição é motivada pelo prazer de Deus, 1Co 12:11
– a distribuição individual e diversificada preserva a unidade do corpo (1Co 12:25)
– e evita a arrogância e subserviência, (1Co 12:14-18)

QUEM PODE RECEBER OS DONS DO ESPÍRITO?
– “cada um” que nasce de novo: Rm 12:3,6; 1Co. 12:11; Ef 4:7; 1Pe 4:10;
– não há exceção – nenhum membro de Cristo foi deixado sem dom.

QUAL O PROPÓSITO DOS DONS DO ESPÍRITO?

Paulo fala de:
a) fim proveitoso, 1Co 12:7
b) aperfeiçoamento, Ef 4:12
Pedro fala de “servir uns aos outros”, 1Pe 4:10

Conclui-se que todo e qualquer dom tem por finalidade contribuir para fortalecer os discípulos de Cristo de modo a cumprirem a Grande Comissão e amadurecerem como enquanto Corpo de Cristo. A utilização de um dom espiritual em proveito próprio foge à natureza e ao propósito dos dons espirituais. Veja que a Bíblia ensina a procurar com zelo os dons, principalmente o de profecia:

“Segui o amor; e procurai com zelo os dons espirituais, mas principalmente o de profetizar.” 1Co 14:1

A doutrina gedozista busca a todo o momento fazer com que todos os freqüentadores falem em línguas. No “Encontro com Deus” há momentos cuidadosamente preparados para tanto. Mas, não existe a menor preocupação por parte da liderança em obter dom de interpretação de línguas ou o de discernimento de espíritos. Na verdade aceitam tudo o que é sobrenatural como proveniente de Deus ou do Espírito Santo, ignorando as advertências da Palavra:

Surgirão ventos de doutrinas (Ef. 4.14, Hb. 13.9, 2 Tm. 4.3-4);

Surgirão falsos cristos e falsos profetas (Mt. 24.24);

Devemos ter cuidado com os falsos profetas (Mt. 7.15);

Haverá apostasia (2 Ts. 2.3);

Alguns apostatarão da fé (1Tm. 4.1-2);

Não devemos mudar nosso entendimento (2 Ts. 2.2);

Devemos ficar firmes e guardar as tradições (2 Ts. 2.15);

Devemos permanecer naquilo que aprendemos (2 Tm. 3.14);

Devemos reter a Palavra, que é igual à doutrina (Tt 1.9);

Quem não permanecer na doutrina não é de Deus (2 Jo 9).

Qualquer tradição é taxada como algo velho e ruim

A simples menção de fatos ocorridos no passado, quando a igreja não era em células, desperta na liderança do G12 um sentimento de rejeição. É normal dizerem que devemos nos livrar do que é velho e nos transformar em algo novo sem qualquer tradicionalismo e com a mente renovada. A justificativa da pastora Valnice Milhomens e outros líderes gedozistas é que não devemos colocar vinho novo em odres velhos.

Castellanos também afirma em seu livro na pg. 161, que a inovação deve ser uma característica da igreja de hoje, largando todas as técnicas passadas de como conduzir uma igreja. Contrastando com isto a Bíblia declara:

Assim, pois, irmãos, estai firmes e conservai as tradições que vos foram ensinadas, seja por palavra, seja por epístola nossa.” 2Ts 2:15

Existem muitas tradições religiosas que são heresias, notadamente as do Catolicismo, Budismo, e Hinduísmo. No entanto quando a Bíblia fala em tradições no versículo acima nos ensina que as tradições bíblicas devem ser mantidas, principalmente as do Novo Testamento. Afinal é praticamente impossível não falarmos em tradições quando o Novo Testamento que temos como regra de fé tem praticamente 2000 anos de idade! A Bíblia condena tradições somente quando não forem bíblicas, ou que porventura tenham sido anuladas pela vinda de Cristo, como é ocaso dos sacrifícios no AT.

De modo a reforçar o valor de seus métodos inovadores, Castellanos comenta:

“… o Espírito Santo se encarrega de esclarecer-lhes a importância de romper os moldes do tradicionalismo e pô-los no caminho da igreja do presente e do futuro.”
(Castellanos, Sonha e ganharás o mundo, pg.172)

Se jogarmos fora tudo que é velho, de que valeu a experiência dos pastores antigos que levaram milhares de pessoas a Salvação? Será que isto também deve ser desprezado em troca de visões e revelações de origem duvidosa? Voltemos a Palavra e vejamos como Deus não precisa de mudanças ou novos métodos:

“Jesus Cristo é o mesmo ontem, e hoje, e eternamente.” Hb 13:8

Mudam o sentido da parábola do Vinho Novo em odres velhos

Com o objetivo de dizer que todos precisam ter a “mente renovada” os gedozistas usam essa parábola de Jesus. Qualquer tentativa de mostrar pela Palavra algo errado na doutrina do G12, os remete a dizer que precisamos nos transformar em odres novos.

Na verdade Jesus, nessa parábola, estava se referindo ao povo judeu que não conseguia assimilar Jesus como sendo o Messias e em função disto não davam crédito as Boas Novas. Ou seja, o odre velho representa o judaísmo e todos aqueles que não aceitam Jesus como o Messias, e o vinho novo é o Evangelho de Cristo.

Portanto, dizer a um crente em Jesus, que ele é um odre velho é uma ofensa, pois acreditamos plenamente em Jesus, tanto que não aceitamos nenhum ensino permeado de doutrinas humanas não contidas na Bíblia.

Veja este esclarecedor comentário de Herbert Lockyer:

Parábola do vestido velho e dos odres velhos (Mt 9:16,17)        

Falando com as mesmas pessoas, referindo-se aos mesmos religiosos, com cuja política não simpatizava, Jesus usou as figuras do vestido e dos odres remendados para realçar seu ensino sobre a natureza do reino. “Aos contrários à alegria dos seus discípulos, Jesus respondeu que a verdadeira alegria era inevitável enquanto estivesse com eles; e que todo o sistema que ele estava criando não era algo saturado de coisas velhas, mas totalmente novo.” Ellicott acredita que há íntima relação entre essa parábola ilustrativa e a anterior: “A festa nupcial sugere a idéia das vestes nupciais e do vinho, que pertenciam ao seu regozijo. Podemos ainda ir um passo além e acreditar que mesmo os vestidos dos que se sentaram para comer na casa de Mateus, originários das classes humildes e menos favorecidas, tornam a ilustração mais palpável e vívida. Como poderiam aquelas vestes desgastadas ser adequadas aos convidados do casamento. Seria suficiente costurar pedaços de tecido novo onde o velho vestido estava rasgado? Não é assim, ele responde; não é assim, ele responde de novo, quando implicitamente representa o rei que deu a festa e forneceu a roupa adequada” (Mt 22:2).

Os odres de que Jesus falou eram de pele ou couro de animais, feitos em diversos moldes e utilizados como garrafas. Ninguém pensaria em pôr vinho novo num odre velho que já perdeu a elasticidade. “Esse vinho certamente se fermentaria e arrebentaria qualquer odre, quer novo, quer velho. O vinho não fermentado deve ser posto em odres novos. Quando se completa a fermentação, o vinho pode ser colocado em qualquer odre, novo ou velho, sem danificar o odre ou o conteúdo.” Ressecados pelo tempo e propensos a rupturas, os odres velhos não suportariam a pressão da fermentação do vinho. Desse modo, exigia odres novos.

Não é difícil buscar a interpretação dessa parte da parábola. Cristo praticamente anula a antiga lei levítica e oferece o decreto da nova liberdade. Forçar os seus novos ensinos sobre fórmulas antigas traria decomposição e ruína. Tomar as suas verdades e procurar colocá-las em qualquer outro formato diferente dos seus, seria como estragá-las como um vinho não fermentado. A nova energia e dons do Espírito, dados no dia de Pentecostes, são comparados ao vinho novo (At 2:13). Os antigos fariseus, contudo, persistiam, pois achavam que o velho vinho da lei era melhor (Lc 5:39).

O mesmo princípio se aplica ao costurar tecido novo em vestidos velhos e desgastados. Remendar é algo comum, como toda mãe sabe. Mas aqui não se aplica ao modo normal de consertar uma vestimenta. A velha roupa da nossa vida, pecadora e egoísta, não pode ser remendada. Cristo exclui qualquer obra reparadora. Precisa haver regeneração, ou a produção de uma nova roupa ou criatura. Por “pano novo” devemos entender um pedaço de tecido não encolhido, que não passou por inúmeras lavagens. Refere-se a uma roupa nova, limpa e não amarrotada. Esse pedaço de pano não serve de remendo ao vestido usado, pois, no primeiro esforço, rasgaria o tecido ao redor e resultaria em ruptura ainda pior.

Cristo não ensina que a vida jamais pode ser uma mistura, resultante do seguir a dois princípios opostos? Não ilustrou a singeleza de princípios e motivos que Paulo enfatizou mais tarde quando disse: “Para mim o viver é Cristo”? Devemos ser simples e singelos em todos os nossos motivos. Não podemos servir a dois senhores (ter duas cordas em nosso arco; confiar [para a salvação] em Jesus e em nossas próprias obras; misturar lei e graça; seguir ao mundo e a Cristo ao mesmo tempo). Se o “vinho novo” representa o aspecto interno da vida cristã, então o “pano novo” ilustra a sua vida externa e as conversações. A fé se evidencia pelo comportamento. O vestido velho é a vida comum dos pecadores – o vestido novo é a vida de santidade, usada pelo novo homem em Cristo. Nessa narrativa, o jejum, que os fariseus tanto praticavam, era um vestido velho, para o qual seria inútil um pedaço de pano novo. Todo o sistema que Jesus veio criar não era algo impregnado numa velha ordem, mas algo novo. Ele não poderia, então, colocar numa fórmula desgastada as novas verdades que veio ensinar. Não é uma bênção saber que seu ministério transformador continuará até que passem as coisas velhas, e que tudo se faça novo?

(Herbert Lockyer, Todas as parábolas da Bíblia, Editora Vida)

Células homogêneas (separadas por sexo e faixa etária)

A valorização da família como grupo unido em Cristo deve ser exaltada em qualquer igreja que se intitule Cristã. E como se valoriza a família? Valorizando a união do casal com seus filhos, se houverem, a todo o momento em quaisquer situações. Na Bíblia, em Atos dos Apóstolos, quando se fala das reuniões nas casas para divulgação das boas novas e o partir do pão, não existe nenhuma referência a uma separação entre os homens e as mulheres. Portanto não é bíblico falar em reuniões homogêneas.

Embora seja necessário no caso de pré-adolescentes e de jovens solteiros, não existe razão bíblica para separar os casais, legalmente casados, do convívio em reuniões. As experiências do casal, enquanto casal tem enorme valor, principalmente para o aconselhamento de outros casais que porventura estejam enfrentando problemas de relacionamento, ou quaisquer outros problemas. Além disto, as igrejas do G12 têm a tendência de serem muito ativas, ou seja, possuem uma extensa agenda de cursos, reuniões, etc., que vão aumentando em quantidade conforme a pessoa vai aderindo a “visão”. Na prática, o casal acaba se separando praticamente a semana toda e até nos finais de semana, caso um dos dois tenha que dar aulas na escola de líderes.

Nosso trabalho nos toma a maior parte da semana e nos únicos momentos que temos para desfrutar da vida em família com nossos filhos são tomados pela agenda do G12. Momentos estes de importância crucial na vida de um Cristão e na vida das crianças e adolescentes, pois está provado que a ausência dos pais, é a causa de quase todos os problemas entre os jovens, tais como alcoolismo, drogas, homossexualismo, etc.

Dízimos e ofertas na célula

Na MCI de Castellanos, e em muitas outras igrejas que estão seguindo o modelo do G12, temos uma prática contrária ao ensinamento das Escrituras, pois todos os dízimos e ofertas devem ser levados a casa do tesouro, ou casa de oração, ou IGREJA.

“Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim, diz o SENHOR dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu e não derramar sobre vós uma bênção tal, que dela vos advenha a maior abastança.” Ml 3:10

Tenho notado que uma igreja ao implantar a “visão G12” o faz de forma gradativa, pois se jogarmos uma bacia de milho em meio aos pombos, todos fugirão rapidamente, mas se jogarmos de grão em grão eles ficarão e comerão. É de importância vital para a liderança agir desta forma, pois de outro modo, os crentes mais antigos, que conheçam com alguma profundidade a Palavra, perceberiam que algo está errado e rejeitariam a “visão”.

Tal regra se aplica nesta questão dos dízimos e ofertas, pois em determinado momento durante a implantação da “Visão G12” ou “Visão Celular” ou ainda “Movimento dos Doze”, será pedido aos líderes que cobrem os dízimos e/ou ofertas na célula. Tal prática além de não constar na Bíblia, provocará uma série de problemas administrativos, visto que nem todos os líderes estão preparados para lidar com o dinheiro da igreja, e infelizmente em alguns casos, não seriam merecedores de tal confiança.

Alguns conceitos errados

Outros conceitos errôneos sobre a verdade espiritual centram-se em frases como estas:

1. “Deus pode fazer tudo. Se eu confiar Nele, Ele me guardará”, a qual revela que quem a declara não entende que Deus age de acordo com leis e condições próprias e que aqueles que confiam Nele devem procurar conhecer essas condições sob as quais Ele pode agir em resposta à confiança deles;

2. “Se eu estivesse errado, Deus não me usaria”. Quem diz isso não compreende que se um homem estiver bem no centro de Sua vontade, Deus irá usá-lo na medida mais completa possível, mas ser “usado” por Deus não garante que um homem esteja completamente correto em tudo o que fala ou faz.

3. “Eu não tenho pecado” ou “o pecado foi inteiramente removido de mim”. A pessoa que faz tais afirmações não sabe quão profundamente a vida pecaminosa de Adão está arraigada na criação caída e como a ideia de que o “pecado” foi eliminado de todo o ser permite ao inimigo impedir que a vida natural seja tratada pelo contínuo poder da cruz.

4. Dizer: “Deus, que é amor, não permitirá que eu seja enganado” já é, por si mesmo, um engano, baseado na ignorância em relação às profundezas da queda e no conceito errôneo de que Deus age independente de leis espirituais.

5. Dizer: “Eu não acredito que é possível um cristão ser enganado” é um fechar de olhos a todos os fatos que estão ao nosso redor.

6. “Eu já tenho bastante experiência; não preciso de ensino” ou “Devo ser ensinado diretamente por Deus apenas, pois está escrito: ‘Não é preciso que ninguém vos ensine'”. Quem diz isso usa de forma errada essa passagem das Escrituras, que alguns crentes interpretam como significando que eles devem recusar todo ensino espiritual proveniente de outros crentes. Mas devemos notar que a palavra do apóstolo: “Não tendes necessidade de que alguém vos ensine” (1 Jo 2.27) não exclui o ensinamento de Deus por meio de mestres ungidos, pois “mestre” está incluído na lista de crentes com dons para a Igreja para a “edificação do Corpo de Cristo” pelo “auxílio de toda junta” (Ef 4.11-16). Deus, às vezes, ensina Seus filhos mais rapidamente por meios indiretos – ou seja, por meio de outros – do que diretamente, porque os homens são tão lentos em compreender o ensino direto do Espírito de Deus.

(Jessie Penn Lewis, GUERRA CONTRA OS SANTOS, Tomo 1, Editora dos Clássicos)

Progressão geométrica na “cobertura espiritual” e aparentemente na arrecadação

Creio que o leitor neste ponto já entendeu em grande parte como é o funcionamento das igrejas G12, mas para facilitar o entendimento, fiz um desenho representando a “cobertura espiritual” progressiva apregoada pelos gedozistas, que na prática está intimamente e monetariamente ligada. Primeiramente vejamos a igreja local, com suas “n” células:

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Agora vejamos a igreja local de um ponto de vista mais alto, imaginando os estados, países e continentes ligados a MCI de Castellanos:

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Na verdade o modelo do G12 é muito interessante do ponto de vista financeiro. Desde que comecei a pesquisar sobre o assunto, tive a impressão que havia algo mais em toda essa “visão”, pois tantos pastores sendo arrastados para esse modelo leva-nos a pensar como de fato funciona a administração dos dízimos e ofertas em relação às igrejas regionais do G12.

Não possuo prova conclusiva para afirmar que todas as igrejas gedozistas tem enviado dinheiro direta ou indiretamente a MCI de Castellanos, pois essas informações não são divulgadas nem na internet e nem pelos pastores. Não seria totalmente estranho isto, pois a grande maioria das igrejas evangélicas funciona desta forma, enviando uma parte da arrecadação a matriz de sua denominação. No entanto, de um modo geral, as igrejas Cristãs possuem um conselho diretor, e um presidente nomeado para um determinado período, seguindo assim as normas exigidas pela lei. Já na igreja de Castellanos, não temos conhecimento de nenhuma possibilidade de sucessão, ou seja, aparentemente Castellanos governará sua igreja enquanto viver.

Mas a verdade não permanece oculta por muito tempo. Veja que esclarecedora esta frase tirada de um site de uma importante igreja em células, quando comentava sobre suas projeções de expansão:

“…E de onde virão estes recursos? – Objetivamente falando, da oferta da primícias, do sustento pessoal levantado por cada casal “preparador do caminho” e dos dízimos dos dízimos de cada igreja local, basicamente. Mas, subjetivamente falando – para sermos bem mais específicos -, os recursos virão do bolso daqueles que amam a obra de Deus mais do que a si próprios; daqueles que vão optar por deixar de realizar sonhos ou prazeres pessoais para investir nos sonhos e prazeres de Deus;”
(Igreja Videira, http://www.videira.org.br/noticias/chamadas.php?id=05.53.02.58.00, em 02/11/2004)

Como já vimos neste estudo as igrejas do G12 não investem dinheiro em missões. Aparentemente o valor que seria para missões tem sido destinado ao dízimo da igreja para a igreja líder imediatamente acima na pirâmide do G12, e assim sucessivamente até chegar na MCI de Castellanos.

 Conclusão

Nestes anos de vida Cristã, aprendi que as prioridades de um pai de família devem ser nesta ordem: Em primeiro DEUS, em segundo a FAMÍLIA, em terceiro o TRABALHO e em quarto a IGREJA e os irmãos em Cristo. Portanto, é nesta escala de prioridades em que organizo minha vida Cristã, e é justamente por ter em tão alta conta estes pilares, que orei e pedi a Deus que me orientasse em cada linha deste estudo.

Gostaria de dizer, mais uma vez, que amo a todos os irmãos da minha igreja, inclusive os que abraçaram o G12. São irmãos que aprendi a amar, independentemente de nossas diferenças. A união na diversidade é um princípio Cristão que todo crente deveria ter como regra. Digo que os amo, pois todo crente deve zelar pelo Corpo de Cristo, que somos todos nós, crentes no Senhor Jesus, pois no dia que Ele vier buscar sua noiva, certamente quererá vê-la inteira, completa, plena, saudável, e acima de tudo amando a cada membro de seu Corpo, pois somente assim atenderemos as expectativas de Deus Pai, e de Seu Filho Jesus.

Mas, devido a todas as heresias do G12 que relatei acima, tenho que ser firme neste momento dizendo: NÃO quero a “visão do G12” (ou qualquer movimento semelhante) em minha vida e muito menos na minha família, pois a maioria de suas doutrinas não tem embasamento bíblico, sendo assim mero engano, e não uma visão dada por Deus, visto que contraria sua própria Palavra. Causa-me arrepios a maioria das práticas do G12 que fartamente expus neste material.

Portanto, como um homem que teme a Deus e sua Palavra, confiro ao Senhor a primeira posição em minha vida, e de minha família. Sinto-me, portanto, na obrigação bíblica, de ser atalaia (Ezequiel 33) e avisar a todos quantos forem possíveis sobre os perigos da doutrina de Castellanos. De fato, tal doutrina enfraquece o Corpo de Cristo de forma brutal, mas ao mesmo tempo sutil, ficando nítido que tal movimento atende a um dos maiores objetivos de nosso inimigo, que é justamente a destruição da igreja.

Conclamo aos irmãos a voltarem a sã doutrina, tendo como regra de fé somente a santa Palavra de Deus, contida na Bíblia Sagrada, sendo sempre como bons bereanos, examinando toda e qualquer visão ou revelação, pois no final dos tempos haverá engano enviado pelo inimigo. Mantenhamos-nos fiéis a Palavra, para Honra e Glória do Senhor Jesus! Amém!

Márcio Argachof
Servo do Rei dos reis
e Senhor dos senhores

 

Atenção:
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Adventismo: Falhas, Erros e Contradições nos escritos de Ellen G. White

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Autor: Robson T. Fernandes

O início do século XIX ficou conhecido pelo denominado “Grande Despertamento”.

O grande despertamento foi um movimento que surgiu gerado pela distorção do ensino da volta de Cristo. Essa distorção foi criada por Guilherme Miller, que era pastor batista em Nova Iorque. Este estava convencido de que a profecia de Daniel 8:14 fazia alusão ao retorno de Cristo com a finalidade de “purificar o santuário”. Esse tipo de prática continua comum na atualidade, apesar da reprovação bíblica. Na época, muitas pessoas aderiram aos ensinos de Miller, vendendo suas casas, doando suas terras… Seus ensinos iam difundindo-se, até que o grupo que passou a crer em tais ensinos se aproximava dos cem mil.

Com seus cálculos, em 1818, Miller afirmou que Cristo retornaria no dia 21 de março de 1843. Cristo não voltou! Após essa decepção, Miller refez seus cálculos e afirmou que havia errado nas contas. O ano do retorno de Cristo seria 1844. 21 de março de 1844. Cristo não voltou! Miller refez seus cálculos e remarcou a data para 22 de outubro de 1844. Cristo não voltou!

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               Guilherme Miller confessou publicamente o seu erro.  Essa série de erros e decepções passou para a história como o “Grande Desapontamento”.

                Entre os seguidores de Miller estavam Hiram Edson, Joseph Bates e Ellen G. White.  

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                Hiram Edson afirmou que Miller não havia errado nos cálculos, mas apenas no local da realização da profecia. Afirmou que Cristo entrara no santuário celestial e não no terrestre, para que ali pudesse fazer a “purificação do santuário”, concluindo, assim, a Sua obra iniciada na cruz.

Joseph Bates, por sua vez, defendia a guarda do sábado, como um preceito cristão.

Ellen G. White, ensinava enfaticamente o exercício dos do Espírito.

A partir da união dos três tem início a Igreja Adventista do Sétimo Dia.

A influência e ação de Ellen White concederam-lhe o título de profetisa da igreja adventista. Seus escritos tornaram-se populares e suas doutrinas, nada bíblicas, trouxeram para o seio da igreja a origem de mais uma seita. Seus escritos, ainda hoje, são vistos como inspirados, estando, assim, em pé de igualdade com a Bíblia Sagrada, para o adventismo. Vejamos:

“CREMOS QUE: … “Ellen White foi inspirada pelo Espírito Santo, e seus escritos, o produto dessa inspiração, têm aplicação para os adventistas do sétimo dia.”…
NEGAMOS QUE: A qualidade ou grau de inspiração dos escritos de Ellen White sejam diferentes dos encontrados nas Escrituras Sagradas.”

(Fonte: Revista Adventista, fev. 1984, pág. 37)

 Entre os vários livros de Ellen, podemos citar: A Ciência do Bom Viver, A Igreja Remanescente, A Verdade Sobre os Anjos, Atos dos Apóstolos, Beneficência Social, Caminho a Cristo, Cartas a Jovens Namorados, Conselhos aos Pais Professores e Estudantes, Conselhos Sobre a Escola Sabatina, Conselhos Sobre Educação, Conselhos Sobre Mordomia, Conselhos Sobre o Regime Alimentar, Conselhos Sobre Saúde, Cristo em Seu Santuário, Educação, Evangelismo, Eventos Finais, Fé e Obras, Fundamentos da Educação Cristã, História da Redenção, Medicina e Salvação, Mensagens aos Jovens, Mente, Caráter e Personalidade, No Deserto da Tentação, O Colportor Evangelista, O Desejado de Todas as Nações, O Grande Conflito, O Lar Adventista, O Maior Discurso de Cristo, Obreiros Evangélicos, Orientação da Criança, Parábolas de Jesus, Patriarcas e Profetas, Primeiros Escritos, Profetas e Reis, Reavivamento e seus Resultados, Santificação, Serviço Cristão, Temperança, Testemunhos para Ministros e Obreiros Evangélicos, Testemunhos Seletos, Vida de Jesus, Vida e Ensinos e Vida no Campo.

                Todavia, o livro “O Grande Conflito” é considerado a sua obra prima.

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      O Grande Conflito já foi editado em mais de 65 idiomas e mais de 10.000.000 de exemplares já foram vendidos.

                A literatura da Sra. Ellen G. White está repleta de heresias e contradições, se comparadas com a Escritura Sagrada, como veremos mais adiante.

                No decorrer de sua história, a Igreja Adventista já utilizou vários nomes, como: Igreja Cristã Adventista (1855), Adventistas do Sétimo Dia (1860), União da Vida e Advento (1864), Igreja de Deus Adventista (1866), Igrejas de Deus Jesus Cristo Adventistas (1921), Igreja Adventista Reformada, Igreja Adventista da Promessa, Igreja Adventista do sétimo dia.

                Ainda, gerou originou uma série de outras “filhas”, em que destacamos: Igreja Adventista da Promessa e Igreja Adventista do Pacto.

                Os escritos de Ellen White apresentam várias vezes motivos para contestação, demonstrando, sem muito esforço, a sua aberrante associação com heresias.

Vejamos alguns exemplos, comparados com a Bíblia Sagrada:

“…há uma objeção ao casamento de brancos com negros. Todos devem considerar que não têm o direito de trazer a sua prole aquilo que a coloca em desvantagem; não têm o direito de lhe dar como patrimônio hereditário uma condição que os sujeitaria a uma vida de humilhação. Os filhos desses casamentos mistos têm um sentimento de amargura para com os pais que lhes deram essa herança para toda a vida. Por essa razão, caso não houvesse outras, não deveria haver casamentos entre brancos e negros … quanto à conveniência de casamento entre jovens cristãos brancos e negros, o esclarecimento que me foi dado da parte do Senhor foi que esse passo não devia ser dado; pois não é certo criar discussão e confusão.  Tenho tido sempre o mesmo conselho a dar. Nenhuma animação deve ser dada a casamentos dessa espécie entre nosso povo. Que o irmão negro se case com uma irmã negra que seja digna, que ame a Deus e guarde os Seus mandamentos. Que a irmã branca que pensa em unir-se em casamento a um irmão negro se recuse a dar tal passo, pois o Senhor não está dirigindo nessa direção.

(Fonte: Mensagens Escolhidas, págs. 343 e 344)

“As pessoas de cor não devem pressionar para serem colocados em igualdade com os brancos.”

(Testimonies for the Church. Volume 9, pág. 214)

 “Oportunidades estão sempre aparecendo nos Estados do Sul, e muitos homens de cor são chamados ao trabalho. Mas, por muitas razões, os brancos devem ser escolhidos como líderes. Todos nós somos membros de um corpo que é completo unicamente em Jesus Cristo, que vai elevar seu povo do baixo nível que o pecado degradou e então serão colocados onde devem ser reconhecido nas cortes celestiais como trabalhadores juntos a Deus.”

(Testimonies for the Church. Volume 9, pág. 202)

           Em nenhum momento encontramos tal racismo na Bíblia com relação aos “negros” e os “brancos”. Vejamos: 

“Pois o Senhor vosso Deus é o Deus dos deuses, e o Senhor dos senhores, o Deus grande, poderoso e terrível, que não faz acepção de pessoas, nem aceita recompensas” – (Dt 10:17)

 “Agora, pois, seja o temor do Senhor convosco; guardai-o, e fazei-o; porque não há no Senhor nosso Deus iniqüidade nem acepção de pessoas, nem aceitação de suborno” – (2Cr 19:7)

“Certamente vos repreenderá, se em oculto fizerdes acepção de pessoas” – (Jo 13:10)

“E, abrindo Pedro a boca, disse: Reconheço por verdade que Deus não faz acepção de pessoas” – (At 10:34)

 “Mas, se fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado, e sois redargüidos pela lei como transgressores” – (Tg 2:9)

           Veja mais afirmações de Ellen:

“Satanás, que é o pai da mentira, enganou a Adão de modo semelhante, dizendo-lhe que não precisava obedecer a Deus, que não morreria se transgredisse a lei.”- (Evangelismo, pág. 598)

           Em nenhum momento na Bíblia encontramos o ensino que satanás teria enganado Adão, mas ele enganou Eva. Vejamos: 

“Então disse Adão: A mulher que me deste por companheira, ela me deu da árvore, e comi. E disse o Senhor Deus à mulher: Por que fizeste isto? E disse a mulher: A serpente me enganou, e eu comi.” – (Gn 3:12,13)

 “E Adão não foi enganado, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão.” – (1 Tm 2:14)

“Deus concedeu o desejo deles, lhes dando carne, e os deixando comer até a glutonaria deles produzir uma pestilência.”

(Counsels on Diet and Foods, pág. 148)

          A pestilência, citada pela Sra. White, foi enviada antes das pessoas comerem a carne, ou qualquer outra comida. O motivo pelo qual receberam a pestilência se deu por causa dos seus desejos e não da sua glutonaria, como sugere a profetisa do adventismo. Desejar significa: Ter desejo ou vontade, querer. Glutonaria significa: Qualidade de glutão, voracidade, edacidade, glutonia, comer muito e com avidez, voracidade. Portanto, são duas coisas distintas. Além do mais, no texto de Números 11:33-34 nunca é citada a glutonaria. Vejamos: 

“Quando a carne estava entre os seus dentes, antes que fosse mastigada, se acendeu a ira do Senhor contra o povo, e feriu o Senhor o povo com uma praga mui grande.” – (Nm 11:33)

 “Esses que aceitam o Salvador, ainda que seja sincera a conversão deles, nunca deveriam ser ensinados a dizer ou sentir que eles são salvos”

(Christ’s Object Lessons, p. 155)

          O texto bíblico nos ensina, veementemente, o oposto que a Sra. Ellen White! A Bíblia nos fala acerca da importância de termos a certeza de salvação. O texto bíblico de Efésios 2:8 nos diz: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus”. A forma verbal como aparece o termo “sois”, no grego, é apresentada no tempo perfeito, o que nos mostra a idéia de uma ação completa!

          João escreve para os crentes para que eles soubessem, isto é, tivessem a certeza e a convicção de que eram salvos. Vejamos: 

“Estas coisas vos escrevi a vós, os que credes no nome do Filho de Deus, para que saibais que tendes a vida eterna, e para que creiais no nome do Filho de Deus.” (1 Jo 5:13)

“Não deixe alguns de nossos ministros darem um mau exemplo comendo carne. Deixe-os e as sua famílias viverem à luz da reforma da saúde. Não deixem nossos ministros animalizarem as suas próprias naturezas e a natureza de seus filhos.”

(Spalding e Magan, pág. 211)

“A luz tem vindo a mim por muitos anos em que como carne e não é bom para saúde ou moralidade.”

(Counsels on Diet and Foods, pág. 413)

          Mais uma vez o ensino da Sra. White se apresenta de maneira antagônica ao que a Bíblia ensina, em todos os aspectos. No jantar da Páscoa, Jesus comeu, inclusive, carne de cordeiro com seus discípulos, segundo o que estava estabelecido pela própria Bíblia em Ex 12:8. Em 1 Reis 17:6 o próprio Deus envia carne e pão, para que Elias se alimentasse.

          Entendemos que, segundo o que a Bíblia ensina e não a Sra. White, a Bíblia não estabelece nenhuma relação entre comer carne e moralidade, como a “profetisa” do adventismo faz. Vejamos alguns exemplos:

“E disse-lhes: Desejei muito comer convosco esta páscoa, antes que padeça” – (Lc 22:15)  

“Tudo quanto se move, que é vivente, será para vosso mantimento; tudo vos tenho dado como a erva verde.”- (Gn 9:3)

 “Comei de tudo quanto se vende no açougue, sem perguntar nada, por causa da consciência” – (1Co 10:25)

“O Senhor ama essas pequenas crianças que tentam fazer o certo, e ele prometeu que elas estarão no seu reino. Mas crianças más que Deus não ama.”

(Appeal to Youth, p. 61)

“Deus ama o coração honesto, as crianças verdadeiras, mas não pode amar os que são desonestos.”

(Appeal to Youth, p. 41)

           Como Deus poderia amar os seus inimigos e não amar as crianças, apenas pelo fato de não serem obedientes? O texto bíblico é enfático ao afirmar que Deus é amor. Vejamos alguns exemplos:

 “Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus; Porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos… Sede vós pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus” – (Mt 5:44,45,48)

 “Mas a vós, que isto ouvis, digo: Amai a vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam” – (Lc 6:27)

 “Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor.” – (1Jo 4:8)

“É um pecado estar doente; porque toda doença é o resultado de transgressão”

(Health Reformer, 1º agosto, 1866)

           A Bíblia nos ensina algo muito importante acerca desse assunto: nem sempre a doença é resultado de transgressão. Muitas doenças, mortes e situações adversas nos são enviadas para aumentar nossa fé, e na maioria dos casos para que o nome de Deus seja glorificado.

          Jó, de acordo com o próprio Deus, era um homem que não se assemelhava a nenhum outro, porque era reto, íntegro, temente a Deus e se desviava do mal (Jó 1:1, 8, 2:3). Mesmo assim, enfrentou uma fase terrível e uma doença horrível.

          O apóstolo Paulo, segundo 2 Coríntios 12:7-10, teve um “espinho na carne”, porém isto não aconteceu porque havia cometido uma transgressão, mas porque Deus desejava que o Seu poder fosse aperfeiçoado na vida de Paulo através daquela situação.

          É curiosa a hipocrisia da Sra. White porque ela estava constantemente doente. Ela morreu de uma doença, seu marido morreu de uma doença e dois de seus filhos morreram de uma doença (Herbert morreu poucas semanas depois de nascer e Henry morreu aos 16 anos).

          No site oficial do adventismo acerca de Ellen White, o Centro de Pesquisas Ellen White (www.centrowhite.org.br), está escrito: “Muitíssimo impressionados ficaram os primeiros líderes da obra com a importância da reforma da saúde, devido à morte prematura de Henrique White com dezesseis anos, à grave enfermidade do Pastor Tiago White, que por três anos se afastou do trabalho e aos sofrimentos de vários outros ministros”.

          Vejamos, agora, o que a Bíblia nos diz:

           “E disse o Senhor a Satanás: Observaste o meu servo Jó? Porque ninguém há na terra semelhante a ele, homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desvia do mal, e que ainda retém a sua sinceridade, havendo-me tu incitado contra ele, para o consumir sem causa… Então saiu Satanás da presença do Senhor, e feriu a Jó de úlceras malignas, desde a planta do pé até ao alto da cabeça.” – (Jó 2:3,7)

           “E, para que não me exaltasse pela excelência das revelações, foi-me dado um espinho na carne, a saber, um mensageiro de Satanás para me esbofetear, a fim de não me exaltar. Acerca do qual três vezes orei ao Senhor para que se desviasse de mim. E disse-me: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo. Por isso sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco então sou forte.” – (2 Co 12:7-10)

“Deus está castigando esta nação pelo alto crime de escravidão. Ele tem o destino da nação em suas mãos. Ele castigará o Sul por causa do pecado de escravidão… Na Conferência Roosevelt, quando foram ajuntadas os irmãos e irmãs no dia da separação para humilhação, jejum e oração, no Sábado sagrado, 3 de agosto, o Espírito do Deus descansou em nós, e eu fui tomada em uma visão, e mostrou-me o pecado da escravidão.”

(Review and Herald, 27 agosto, 1861)

          Em nenhuma passagem bíblica nós encontramos a afirmação de que a escravidão é uma prática boa, mas, também não existe nenhuma passagem bíblica que afirme que a escravidão é pecado, como faz a Sra. White.

          É necessário que entendamos a diferença entre uma prática ruim e pecado.

         Em primeiro lugar, para ser classificada como pecado, a escravidão deveria transgredir a Lei, e isto não ocorre.

          Em segundo lugar, Deus permitiu que o próprio Israel praticasse a escravidão (Lv 25:44-46).

          Em terceiro lugar, diante do apresentado, apesar de ser uma prática ruim, a escravidão não é biblicamente classificada como pecado. 

“Se comprares um servo hebreu, seis anos servirá; mas ao sétimo sairá livre, de graça” – (Ex 21:2)

“E quanto a teu escravo ou a tua escrava que tiveres, serão das nações que estão ao redor de vós; deles comprareis escravos e escravas. Também os comprareis dos filhos dos forasteiros que peregrinam entre vós, deles e das suas famílias que estiverem convosco, que tiverem gerado na vossa terra; e vos serão por possessão. E possuí-los-eis por herança para vossos filhos depois de vós, para herdarem a possessão; perpetuamente os fareis servir; mas sobre vossos irmãos, os filhos de Israel, não vos assenhoreareis com rigor, uns sobre os outros.” – (Lv 25:44-46)

“Muitos reclamam que era impossível para CRISTO ser vencido pela tentação. Então Ele não poderia ter sido colocado na posição de Adão… nosso Salvador tomou a humanidade com todas as suas responsabilidades. Ele tomou a natureza de Adão com a possibilidade de ceder à tentação.”

(O Desejado de todas as nações, pág. 117)

“Quando Adão foi assaltado pelo tentador, nenhum dos efeitos do pecado estavam sobre ele. Adão permaneceu na força da perfeita varonilidade, possuindo o pleno vigor de mente e corpo… Não foi assim com JESUS quando entrou no deserto para lutar com Satanás. Por quatro mil anos a raça humana tinha estado decrescendo em força física, em poder mental, em valor moral; e CRISTO tomou sobre Si as enfermidades da humanidade degenerada. Somente assim poderia JESUS resgatar o homem das mais baixas profundezas de sua degradação.”

(O Desejado de todas as nações, pág. 117)

“CRISTO venceu a Satanás na mesma natureza sobre a qual Satanás obteve a vitória sobre o homem. O inimigo foi vencido por CRISTO em Sua natureza humana. O poder da divindade do Salvador foi escondido. Ele venceu na natureza humana, dependendo de DEUS para ter força. Este é o privilégio de todos.”

(The Youth’s Instructor, 25-04-1901)

“Em Sua humanidade CRISTO participou de nossa pecaminosa natureza caída. Se assim não fosse, então, Ele não teria sido feito ‘como Seus irmãos’, não fora ‘em todos os pontos tentado como nós somos,’ não vencera como temos de vencer, e não é, portanto, o completo e perfeito Salvador que o homem precisa e deve ter para ser salvo. A idéia de que CRISTO foi nascido de uma mãe imaculada e sem pecado (os protestantes não reivindicam isto para a virgem Maria, [mas os católicos sim]), que não herdou tendências para o pecado, e que por isto não pecou, remove JESUS do mundo caído, e do próprio lugar onde a ajuda é necessária. Em Seu lado humano, CRISTO herdou exatamente o que todo filho de Adão herda – uma natureza pecaminosa, caída. Do lado divino, desde a Sua própria concepção JESUS foi gerado e nascido do ESPÍRITO. E isto foi feito para colocar a humanidade em posição vantajosa, e para demonstrar que do mesmo modo que todos os que são ‘nascidos do ESPÍRITO’ podem ganhar semelhante vitória sobre o pecado em sua própria carne pecaminosa. Assim cada um deve vencer como CRISTO venceu (Apocalipse 3:21). Sem este nascimento não pode haver vitória sobre a tentação, e nenhuma salvação do pecado (João 3:3-7).”

(Estudos Bíblicos, pág. 21)

Os ensinamentos trazidos pela Sra. White contradizem por completo a doutrina bíblica da divindade de Cristo.

Primeiro, ela afirma que Cristo “tomou a natureza de Adão com a possibilidade de ceder à tentação”.

Segundo, ela afirma que “nenhum dos efeitos do pecado estavam sobre” Adão, porém (mais adiante) afirma que “Não foi assim com JESUS”, ou seja, Cristo estava sob os efeitos do pecado.

Terceiro, ela afirma que o “inimigo foi vencido por CRISTO em Sua natureza humana”.

Quarto, ela afirma que o “poder da divindade do Salvador foi escondido”.

Quinto, ela afirma que Cristo venceu satanás em sua “natureza humana, dependendo de DEUS para ter força”.

Sexto, ela afirma que em “Sua humanidade CRISTO participou de nossa pecaminosa natureza caída”, e que “CRISTO herdou exatamente o que todo filho de Adão herda – uma natureza pecaminosa, caída”

Diante do que foi exposto, podemos afirmar que Ellen White jamais chegou a compreender que é Jesus Cristo de fato e de acordo com a Sagrada Escritura. A série de afirmações que esta senhora fez acerca da pessoa de Cristo nos mostra claramente que seus escritos estão em rota de colisão com a Bíblia Sagrada, afrontando-A diretamente e negando um dos princípios mais fundamentais e básicos que são necessários para se considerar um cristianismo genuíno.

A Bíblia esclarece que Cristo seria chamado de Santo, o que significa “separado do pecado”, portanto livre de uma natureza caída, apesar de ser humana.

A Bíblia esclarece que Cristo desafiou seus inimigos para que lhes mostrassem quais pecados ele havia cometido, porém ficaram calados.

A Bíblia nos mostra que satanás tem uma natureza caiada e pecaminosa, todavia, Cristo não tem nada em comum com ele.

A Bíblia nos mostra claramente que até a natureza humana de Cristo era coberta da plenitude Divina.

A Bíblia nos mostra o quão cheio de erros e de heresias de perdição estão os livros da senhora Ellen White. Vejamos:

 “E, respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus” – Lc 1:35 

“Quem dentre vós me convence de pecado? E se vos digo a verdade, por que não credes?…Responderam, pois, os judeus, e disseram-lhe: Não dizemos nós bem que és samaritano, e que tens demônio?” – Jo 8:46,48 

“Já não falarei muito convosco, porque se aproxima o príncipe deste mundo, e nada tem em mim”- Jo 14:30

 “Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade” – Cl 2:9 

“Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém, um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado” – Hb 4:15 

“Porque nos convinha tal sumo sacerdote, santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores, e feito mais sublime do que os céus” – Hb 7:26 

“A teoria do tormento eterno é uma das falsas doutrinas que constituem o vinho das abominações de Babilônia, do qual ela faz todas as nações beberem. Apocalipse 14:8; 17:2. Que ministros de Cristo hajam aceito esta heresia e a tenham proclamado do púlpito sagrado, é na verdade um mistério. Eles a receberam de Roma”

(O Grande Conflito, pág. 542. 33ª edição)

A senhora Ellen White, em seus escritos nega a doutrina bíblica, e não babilônica, do inferno, ou do tormento eterno, contradizendo frontalmente os ensinos bíblicos.

A doutrina bíblica do tormento eterno é chamada por ela de “heresia”, todavia, entendemos que na contemporaneidade o termo heresia significa “ensino errado”, ou “oposto a Bíblia”.

Com isso, torna-se heresia o ensino adventista da negação de tal doutrina, como podemos ver nas Sagradas Escrituras: 

“E irão estes para o tormento eterno, mas os justos para a vida eterna” – (Mt 25:46)

 “E, se o teu olho te escandalizar, arranca-o, e atira-o para longe de ti; melhor te é entrar na vida com um só olho, do que, tendo dois olhos, seres lançado no fogo do inferno” – (Mt 18:9)

“Ali haverá choro e ranger de dentes, quando virdes Abraão, e Isaque, e Jacó, e todos os profetas no reino de Deus, e vós lançados fora” – (Lc 13:28)

 “E não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei antes aquele que pode fazer perecer no inferno a alma e o corpo” – (Mt 10:28)

 “Serpentes, raça de víboras! Como escapareis da condenação do inferno?”- (Mt 23:33)

 “E o que vivo e fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre. Amém. E tenho as chaves da morte e do inferno” – (Ap 1:18)

 “E a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo. Esta é a segunda morte” – (Ap 20:14)

“O sábado será a pedra de toque da lealdade; pois é o ponto da verdade especialmente controvertido. Quando sobrevier aos homens a prova final, traçar-se-á a linha divisória entre os que servem a Deus e os que não O servem… Ao passo que uma classe, aceitando o sinal de submissão aos poderes terrestres, recebe o sinal da besta, a outra, preferindo o sinal da obediência à autoridade divina, recebe o selo de Deus.”

 (O Grande Conflito, pág. 611, 33ª edição)

 A Sra. Ellen White afirma que o sábado é, ou será (no futuro), o “selo de Deus” na vida do crente, todavia, em nenhuma parte das Sagras Escrituras encontramos tal ensino.

Ora, a Bíblia nos declara que o selo de Deus na vida de alguém não é um dia, mas uma pessoa, e esta pessoa se chama Espírito Santo.

O que a Sra. White fez, nada mais foi do que trocar Deus por um dia!

Em que parte da Escritura nós encontramos respaldo para esse ensino?

Em que parte da Escritura nós encontramos que Deus trocou, ou trocará, o Espírito Santo por um dia?

Em que parte da Escritura nós encontramos respaldo para guardarmos a Lei, se isto foi algo dado para Israel? (Dt 4:1,7-13,44,45, 5:1,6,15; Êx 31:13,16,17,34:27,28; 1 Reis 8:9,21)

Dos dez mandamentos que Deus deu a Moisés, nove são repetidos no Novo Testamento, mas não o sábado. Vejamos:

1. Não adorar outro deus                                 – 1 Co 8:4; At 14:15

2. Não fazer imagens                                        – Gl 5:19-21; Rm 1:22,23

3. Não usar o nome de Deus em vão                 – Tg 5:12

4. Guardar o sábado                                         – Este mandamento não é apresentado no Novo Testamento

5. Honrar os pais                                               – Ef 6:2,3

6. Não assassinar                                              – Rm 13:8-10

7. Não adulterar                                                 – Rm 13:8-10; 1 Co 6:9,10

8. Não furtar                                                      – Rm 13:8-10; Ef 4:28

9. Não dar falso testemunho                             – Ap 21:8; 22:15

10. Não cobiçar                                                  – Rm 13:8-10; Ef 5:8.

 

Porque guardar o sábado hoje, se esse mandamento foi dado apenas para Israel, se não está no Novo Testamento e se nós não somos israelitas?

 Vejamos, agora, o que a verdadeira Palavra de Deus nos ensina: 

“Mas agora, conhecendo a Deus, ou, antes, sendo conhecidos por Deus, como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir? Guardais dias, e meses, e tempos, e anos. Receio de vós tenha eu trabalhado em vão para convosco”Gl 4:9-11

 “Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados, que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo”Cl 2:16-17

 “Eis que dias vêm, diz o Senhor, em que farei uma aliança nova com a casa de Israel e com a casa de Judá. Não conforme a aliança que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito; porque eles invalidaram a minha aliança apesar de eu os haver desposado, diz o Senhor. Mas esta é a aliança que farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei a minha lei no seu interior, e a escreverei no seu coração; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo”Jr 31:31-33

 “Porque isto é o meu sangue, o sangue da nova aliança, que é derramado por muitos, para remissão dos pecados”(Mt 26:28)

 “Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa.”Ef 1:13

 “E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual estais selados para o dia da redenção” Ef 4:30) 

“Todavia o fundamento de Deus fica firme, tendo este selo: O Senhor conhece os que são seus, e qualquer que profere o nome de Cristo aparte-se da iniquidade”2Tm. 2:19

“Moisés passou pela morte, mas Cristo desceu e lhe deu vida antes que seu corpo visse a corrupção. Satanás procurou reter o corpo, pretendendo-o como seu; mas Miguel ressuscitou Moisés e levou-o ao Céu … Satanás maldisse amargamente a Deus, acusando-o de injusto por permitir que sua presa lhe fosse tirada; Cristo, porém, não repreendeu a seu adversário, embora fosse por sua tentação que o servo de Deus houvesse caído. Mansamente remeteu-o a Seu Pai, dizendo: ‘O Senhor te repreenda’”

(Primeiros Escritos, pág. 164, 3ª edição)

A Sra. White apresenta a passagem bíblica na tentativa de identificar Cristo com Miguel.

Miguel é um anjo, porém Cristo não.

Para a Sra. White, ao apresentar Cristo como Miguel traz-se a tona o ensino de que Cristo seria um ser criado, um anjo, e, portanto, não seria Deus. Com isso, encontramos – mais uma vez – a negação da divindade de Cristo, por parte dessa senhora.

Além disso, encontramos uma série de afirmação que não encontram sustentação bíblica. Por exemplo:

                – “Moisés passou pela morte, mas Cristo desceu e lhe deu vida antes que seu corpo visse a corrupção”

* Moisés ressuscitou? Em que local bíblico encontramos tal afirmação, já que a Bíblia nos diz que Deus enterrou o corpo de Moisés (Dt 34:5,6)?

                – “Cristo, porém, não repreendeu a seu adversário”

* Cristo, não repreendeu o adversário? O texto que relata o acontecimento citado é o de Judas 9, porém, a Bíblia nos diz que o personagem celestial que estava presente ali era o arcanjo Miguel, e não Jesus. A senhora White se encarregou, mais uma vez, de acrescentar palavras na Bíblia. Com isso podemos ver: Dt 4:2; Dt 12:32; Pv 30:6 e Ap 22:18-19.

Jesus seria o arcanjo Miguel?

Não! Existem muitas diferenças entre Jesus e os anjos, ainda que este ano seja Miguel.

A Bíblia apresenta muitas diferenças entre Jesus e Miguel:

Jesus é criador (Jo. 1.3 ) enquanto Miguel é criatura (Cl 1.16 ), Jesus é Adorado por Miguel (Hb 1.6) enquanto Miguel não pode ser adorado (Ap. 22.8-9 ), Jesus é o Senhor dos Senhores (Ap. 17.14) enquanto Miguel é príncipe (Dn. 10.13), Jesus é Rei dos Reis enquanto Miguel é príncipe dos Judeus (Dn. 12.1).

                Em várias passagens bíblicas encontramos os mesmo atributos referentes a Deus Pai sendo empregados para Jesus Cristo e também para o Espírito Santo, porém – aqui – nos ateremos a Jesus, observando no texto bíblico os títulos empregados a Ele. Vejamos:

Advogado: 1 Jo 2:1

Alfa e Ômega: Ap 22:13

A Ressurreição e a Vida: Jo 11:25

A verdadeira luz: Jo 1.19

A Porta: Jo 10:9

Água da Vida: Jo 4:10

A Palavra: Jo 1:1

Autor e Consumador de nossa fé: Hb 12:2

Aurora: Lc 1:78

Âncora: Hb 6:19

Brilhante estrela da Manhã: Ap 22:16

Bom Pastor: Jo 10:11

Carpinteiro: Mc 6:3

Cordeiro de Deus: Jo 1:29

Cabeça da Igreja: Ef 5:23

Conselheiro Maravilhoso: Is 9:6

Doador da Vida: Jo 5.21; 1 Sm 2.6

Eu Sou: Jo 8:58

Esposo: Ef 5.28-33; Ap 21.2

Emanuel: Mt 1:23

Filho do Homem: Mt 20:28

Fiel e Verdadeira Testemunha: Ap 3:14

Glória de Deus: Jo 17.5; Is 42.8

Governante: Gn 49:10

Grande pastor: Hb 13.20

Homens de dores: Is 53:3

Imagem do Deus invisível: Cl 1:15

Juiz: Mt 25.31; Jl 3.12; At 10:42

Juiz dos vivos e mortos: 2 Tm 4.1

Leão da Tribo de Judá: Ap 5:5

Luz: Jo 8.12; Sl 27.1

Messias: Dn 9:25

Mestre: Jo 3:2; Mt 8:19

Mediador: 1 Tm 2:5

Noivo: Mt 25.1; Is 62.5; Mt 9:15

O Amado: Ef 1:6

O Caminho, a Verdade e a Vida: Jo 14:6

O Amém: Ap 3:14

Pastor e Bispo das almas: 1 Pe 2:25

Profeta: Mt 21:11

Pai Eterno: Is 9:6

Pão da Vida: Jo 6:35

Primeiro e Último: Ap 1.17; Is 44.6

Pastor: Jo 10.11; Sl 23.1

Perdoador de pecados: At 5.31; Cl 3.13

Pedra Angular: Ef 2:20

Príncipe da Paz: Is 9:6

Ramo: Is 11:1

Rei dos judeus: Mc 15:26

Reis dos reis: 1Tm 6:15

Redentor: Tt 2.13; Ap 5.9; Jó 19:25

Rosa de Sarom: Ct 2:1

Rocha ou pedra: 1 Co 10.4; 1 Pe 2.6-8

Salvador: Jo 4.42; Is 43.11

Supremo pastor: 1 Pe 5.4

Senhor dos senhores: 1 Tm 6:15

Salvador do mundo: Jo 4.42

Servo: Mt 12:18

Sumo Sacerdote: Hb 6:20

Santo de Deus: Mc 1:24

Todo-Poderoso: Ap 1:8

Unigênito: Jo 3:16

Videira Verdadeira: Jo 15:1

                É importante salientarmos a afirmação de Mcdowell e Stewart:

“Buda não reivindicou ser Deus; Moisés nunca disse ser Jeová; Maomé não se identificou como Alá; e em nenhum lugar encontramos Zoroastro reivindicando ser Ahura Mazda. Mas Jesus, o carpinteiro de Nazaré, disse que quem visse a Ele (Jesus) via o Pai (João 14.9)”.

                A Bíblia reivindica para Jesus os atributos Divinos:

Onipresente (Mt 28:20), Onipotente (Mt 28:18, Onisciente (Jo 21:17), Criador (Jo 1:3), Eterno (Ap 22:13), Santo (At 3:14), Santificador (Hb 2:11), Salvador (2Tm 1:10)…

 

                Com tudo isso, só podemos chegar às seguintes conclusões:

- Os livros da Sra. White, jamais poderão ser comparados com a Escritura Sagrada;

- Os livros da Sra. White, estão repletos de distorções doutrinárias, ensinos falsos e heresias;

- Os livros da Sra. White, demonstram de forma clara que aqueles que os aceitam estão em direta rebelião contra a Sagrada Escritura.

                Por último, a questão que precisa ser esclarecida não está no fato dos adventistas colocarem os escritos da Sra. White acima da Bíblia. Eles não fazem isso. O que eles, realmente, fazem é colocar os escritos da referida senhora em pé de igualdade com a Bíblia:

“CREMOS QUE: … “Ellen White foi inspirada pelo Espírito Santo, e seus escritos, o produto dessa inspiração, têm aplicação para os adventistas do sétimo dia.”…
NEGAMOS QUE: A qualidade ou grau de inspiração dos escritos de Ellen White sejam diferentes dos encontrados nas Escrituras Sagradas.”

(Fonte: Revista Adventista, fev. 1984, pág. 37) 

                A Sra. Ellen Gould Harmon White, nascida na cidade de Gorham, no dia 26 de novembro de 1827 e falecida em Santa Helena, na Califórnia, no dia 16 de julho de 1915, filha de Robert e Eunice Harmon e irmã gêmea de Elizabeth, nunca foi uma profetisa, já que seus escritos demonstram a qualidade de suas supostas profecias e ensinos. Nunca foi inspirada por Deus, já que o termo “inspiração” só é utilizado para a Escritura Sagrada, e os escritos dessa senhora estão em constante “rota de colisão” com a Bíblia, além do fato dela se fazer utilizar de plágios, constantemente.

                Na wikipédia (http://pt.wikipedia.org/wiki/Ellen_G._White) podemos encontrar um trecho que comprova a afirmação de plágio, por parta da referida senhora. Ainda, está disponibilizado um link para o site da Igreja Adventista do Sétimo Dia, nos EUA, em que se encontram os documentos oficiais da pesquisa solicitada pela própria igreja e que prova tal fato.

(http://www.adventistarchives.org/documents.asp?CatID=13&SortBy=1&ShowDateOrder=True).

“A direção da Igreja Adventista do Sétimo Dia solicitou a um de seus eruditos, o Dr. Fred Veltman, então chefe do departamento de religião do Pacific Union College [Colégio União do Pacífico], que analisasse as acusações de plágio atribuídas a Ellen White por Walter Rea, autor do livro The White Lie [A mentira White], e outros. Após dedicar oito anos ao estudo da matéria, a revista oficial da denominação para seus ministros, Ministry Magazine, publicou um relatório oficial contendo um resumo do resultado da investigação do Dr. Veltman, especialmente no que se refere a O Desejado de Todas as Nações, sempre considerada a “obra prima”, ou o mais primoroso dentre os escritos da Sra. Ellen G. White.

Embora, indubitavelmente, o tema seja do maior interesse de toda a comunidade ASD, o resultado da investigação de Veltman restringiu-se a essa publicação, nunca tendo alcançado a membresia adventista norte-americana e, muito menos, mundial. Atualmente, o relatório completo de 2.561 páginas está disponível no website dos Arquivos da Associação Geral no item “Life of Christ Research Project” dentro de “Categories” http://archives.gc.adventist.org/ast/archives”

(http://pt.wikipedia.org/wiki/Ellen_G._White)

                Gostaria de citar alguns trechos do relatório que foi elaborado após oito anos de pesquisa pelo Dr. Fred Veltman:

“É de suma importância notar que foi Ellen White mesma, não seus assistentes literários, quem compôs o conteúdo básico do texto do livro O Desejado de Todas as Nações. Ao fazer isto foi ela quem tomou expressões literárias das obras de outros autores sem lhes dar crédito como suas fontes. Segundo, deve-se reconhecer que Ellen White utilizou os escritos de outras pessoas consciente e intencionalmente. . . . Implícita ou explicitamente, Ellen White, e outros que falaram em nome dela, não admitiram, e até negaram, a dependência literária da parte dela”. (Pág. 11).

“A maior parte do conteúdo do comentário de Ellen White sobre a vida e o ministério de Cristo, O Desejado de Todas as Nações, é derivado, antes que original. . . . Em termos práticos, esta conclusão declara que não se pode reconhecer nos escritos de Ellen White sobre a vida de Cristo nenhuma categoria geral de conteúdo ou catálogo de idéias que sejam somente dela”. (Pág. 12).

“Devo admitir desde o começo que, na minha opinião, este é o problema mais sério a ser deparado com relação à dependência literária de Ellen White. Isto assesta um golpe ao coração de sua honradez, sua integridade, e, portanto, sua confiabilidade”. (Pág. 14) 

                Espero, sinceramente, que o leitor possa pesquisar com afinco e dedicação. Tomando decisões e posições respaldadas pelo apoio Escriturístico, e não por emocionalismos ou tradições repassadas de geração em geração, permeadas pelo erro e pelo engano.

“Para sempre, ó Senhor, a tua palavra permanece no céu” – (Sl 119:89)

“O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar” – (Mt 24:35)

“O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento” – (Os 4:6a)

“Mas rejeita as fábulas profanas de velhas caducas. Exercita-te pessoalmente na piedade” – (1Tm 4:7)

robsontfernandesRobson Tavares Fernandes é bacharel em Teologia pelo STEC (Seminário Teológico Evangélico Congregacional). Tem se dedicado desde 1998 ao ensino e pesquisa bíblica na área de Apologética, sendo autor de vários artigos já publicados. Atuação como professor: Curso de Teologia da Igreja Batista da Palmeira, CBA (Curso Básico de Apologética) e ITESMI (Instituto Teológico Superior de Missões). Atuação como pesquisador: VINACC (Visão Nacional para a Consciência Cristã). Atuação como palestrante: Encontro para a Consciência Cristã, Simpósio Criacionista da Paraíba, Seminário Criacionista da Alagoas. Tem ministrado, ainda, palestras em igrejas, escolas e universidades.

Contato:  cristovira@bol.com.br  rtf75@bol.com.br

Atenção:
O conteúdo desta página tem objetivo formativo e educacional.OS ARTIGOS AQUI PUBLICADOS SÃO DE INTEIRA RESPONSABILIDADE DE SEUS AUTORES, CITADOS NO FINAL DE CADA ARTIGO. NÃO NECESSARIAMENTE ESTA PRODUÇÃO CONCORDA INTEIRAMENTE COM O ENTENDIMENTO TEOLÓGICO DE CADA AUTOR. TODAVIA, OS PUBLICAMOS COMO FONTE DE CONHECIMENTO E COMO FORMA DE CONTRIBUIR PARA O ALARGAMENTO DO ENTENDIMENTO E A POSSIBILIDADE DE CONHECERMOS VÁRIAS FORMAS DE PENSAR. CABE A CADA LEITOR REFLETIR, À LUZ DA BÍBLIA, SE CONCORDA OU NÃO COM OS POSICIONAMENTOS AQUI EXPRESSADOS. 

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COMO POSSO TER CERTEZA DE QUE A BÍBLIA ESTÁ FALANDO A VERDADE?

apologética biblia_falaCOMO POSSO TER CERTEZA DE QUE A BÍBLIA

ESTÁ FALANDO A VERDADE?

Centenas de livros já foram escritos sobre as evidências da inspiração divina da Bíblia. Estas evidências são muitas e variadas. Infelizmente, esses livros não são tão lidos atualmente o quanto seria desejável. Na verdade, a maioria das pessoas que questionam a veracidade da Bíblia nunca a leram! Estas pessoas tendem a aceitar a crença popular de que a Bíblia está cheia de erros e que não é mais importante em nosso mundo moderno.

Entretanto, os escritores da Bíblia afirmam repetidas vezes que eles estavam transmitindo a própria Palavra de Deus: infalível e tendo autoridade em si própria no mais alto grau possível. Este é uma afirmação muito forte para um escritor e se os cerca de quarenta homens que escreveram as Escrituras estavam errados em fazê-la, então eles estavam ou mentindo, ou eram loucos, ou as duas coisas.

Mas, por outro lado, se o maior e mais influente livro de todas as épocas – um livro que contém a mais bela literatura e o mais perfeito código moral já imaginado – foi escrito por um bando de fanáticos, então há alguma esperança de encontrar sentido e propósito neste mundo?

Se alguém investigar seriamente as evidências bíblicas, esta pessoa irá descobrir que a afirmação de ser divinamente inspirada (declarada cerca de 3000 vezes na Bíblia de diversas formas) é amplamente justificada.

Profecias cumpridas

Uma das mais incríveis evidências para a inspiração divina da Bíblia são as profecias que se cumpriram. Centenas de profecias feitas na Bíblia vieram a se cumprir até o último detalhe. E a maioria delas foi cumprida quando o seu escritor já havia morrido.

Por exemplo: Em cerca de 538 AC (Daniel 9:24-27), Daniel, o profeta, predisse que Jesus viria como o Salvador e Príncipe prometido para Israel exatamente 483 anos depois que o imperador persa desse aos judeus permissão para reconstruir a cidade de Jerusalém que estava em ruínas nesta época. Essa profecia foi clara e definitivamente cumprida no tempo exato.

A Bíblia também contém uma grande quantidade de profecias tratando de nações e cidades específicas ao longo da história, todas as quais foram literalmente cumpridas. Mais de 300 profecias foram cumpridas pelo próprio Jesus Cristo durante a sua primeira vinda.

Outras profecias lidam a difusão do Cristianismo pelo mundo, falsas religiões e muitos outros assuntos.
Não há outro livro, antigo ou moderno, como a Bíblia. As profecias

vagas e geralmente errôneas, feitas por pessoas como Jeanne Dixon, Nostradamus, Edgar Cayce e outros como eles, não podem, nem de longe, serem colocadas na mesma categoria das profecias bíblicas.

Nem outros livros religiosos como o Alcorão, os escritos de Confúcio e literatura religiosa similar. Somente a Bíblia manifesta esta evidência profética e ela a faz em uma escala tão gigantesca que torna absurda qualquer outra explicação que não a sua inspiração divina.

Uma acurácia histórica única

A acurácia histórica das Escrituras é também uma classe de evidências por si só, infinitamente superior aos registros escritos deixados pelo Egito, Assíria e outras nações antigas. As confirmações arqueológicas do registro bíblico são quase inumeráveis. O Dr. Nelson Glueck, a maior autoridade em arqueologia israelita, disse:
“Nenhuma descoberta arqueológica jamais contradisse qualquer referência bíblica.

Dezenas de achados arqueológicos foram feitos que confirmam em exato detalhe as declarações históricas feitas pela Bíblia. E, da mesma maneira, uma avaliação própria de descrições bíblicas tem geralmente levado a fascinantes descobertas no campo da arqueologia moderna.”

Acurácia científica

Uma outra espantosa evidência da inspiração divina da Bíblia é o fato de que muitos princípios da ciência moderna foram registrados como fatos da natureza na Bíblia muito antes que qualquer cientista os confirmasse experimentalmente. Uma amostra destes fatos inclui:

A redondeza da terra (Isaías 40:22)
A quase infinita extensão do universo (Isaías 55:9)
A lei da conservação de massa e energia (II Pedro 3:7)
O ciclo hidrológico (Eclesiastes 1:7)
O vasto número de estrelas (Jeremias 33:22)
A lei do aumento da entropia (Salmo 102:25-27)
A suma importância do sangue para a vida (Levítico 17:11)
A circulação atmosférica (Eclesiastes 1:6)
O campo gravitacional (Jó 26:7)
…e muitos outros.

Estes fatos obviamente não são declarados no jargão da ciência moderna, mas em termos da experiência básica no homem no dia-a-dia. Ainda assim, eles estão completamente de acordo com o fatos modernos da ciência.

É significativo também que nenhum erro jamais foi demonstrado na Bíblia, seja em ciência, história ou qualquer outro assunto. Muitos erros foram de fato declarados, mas eruditos bíblicos conservadores sempre foram capazes de encontrar soluções para esses problemas.

Estrutura única

A incrível estrutura da Bíblia deve ser colocada em perspectiva também. Embora ela seja uma coleção de 66 livros, escritos por cerca de quarenta homens ao longo de um período de cerca de 2000 anos, a Bíblia ainda assim é um só Livro, em perfeita unidade e consistência.

Os escritores individuais, na época em que escreviam, não tinha ideia de que, eventualmente, seus escritos seria incorporados em um só livro. Entretanto, cada um desses escritos individuais preenche perfeitamente o seu lugar e serve a um único propósito. Qualquer pessoa que estude diligentemente a Bíblia irá encontrar padrões estruturais e matemáticos cuidadosamente bordados em seu tecido com uma intrincácia e simetria que não são passíveis de explicação através do acaso ou coincidência.

E o tema que a Bíblia desenvolve consistente e grandiosamente de Gênesis ao Apocalipse é o majestoso trabalho de Deus na criação do universo e a redenção de todas as coisas através de seu único filho, o Senhor Jesus Cristo.

O efeito único da Bíblia

A Bíblia também é única em seu efeito sobre homens em individual e sobre a história das nações. Ela é o livro mais vendido de todas as épocas, tocando corações e mentes, amada por pelo menos uma pessoa em qualquer raça, nação ou tribo para a qual foi levada.

Ricos ou pobres, educados ou simples, reis ou plebeus, homens de qualquer origem ou modo de vida já forma atingidos por esse livro. Nenhum outro livro jamais teve tal apelo universal ou produziu efeitos tão duradouros.

Uma evidência final de que a Bíblia é verdadeira é o testemunho dos que acreditaram nela. Multidões de pessoas, no passado e no presente, descobriram por experiência própria que suas promessas são verdadeiras, seu conselho é confiável, seus comandos e restrições são sábios e que sua maravilhosa mensagem de salvação vai ao encontro de qualquer necessidade para todo o tempo e eternidade.

Autores: Henry Morris e Martin Clark, adaptado do livro dos mesmos “A Bíblia tem
a resposta”, publicado por Master Books.
http://www.christiananswers.net/portuguese/q-eden/edn-t003.html

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Como identificar um falso profeta


apologética falsos-profetasComo identificar um falso profeta

Autor: Robson T. Fernandes

“Mas o Espírito expressamente diz que, nos últimos tempos, apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios” 1 Timóteo 4:1

             Infelizmente tem se tornado cada vez maior o número de pessoas que dizem seguir a Cristo esquecendo-se de fazê-lo de acordo com a Sagrada Escritura. Observamos que toda sorte de misticismo, emocionalismo e deturpação doutrinária tem penetrado no seio da igreja.

            Os falsos profetas têm iludido milhares, ou talvez milhões, de pessoas através de suas práticas e costumes já revelados pela Bíblia Sagrada.

            O que mais me chama a atenção é o fato dessas pessoas possuírem Bíblias e não atentarem para as Suas advertências. O texto Bíblico é claro acerca da necessidade de se atentar para o ensino Escriturístico, procurando não cair nas garras do erro.

 “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade.” (2 Timóteo 2:15)

 “O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento; porque tu rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; e, visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos.” (Oséias 4:6)

“Jesus, porém, respondendo, disse-lhes: Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus.” (Mateus 22:29)

             John Ankerberg e John Weldon resumiram essa falha, ao afirmarem:

 “Muitos cristãos têm hoje a infeliz noção de que não necessitam estudar a Bíblia por si mesmos. Essa ideia é espiritualmente prejudicial, pois impede os cristãos de amadurecerem na fé e os torna suscetíveis a falsos ensinamentos e estilos de vida mundanos. Não obstante, a Bíblia está repleta de admoestações para os crentes estudarem as verdades da sua fé.”

(ANKERBERG, John & WELDON, John. Os Fatos sobre o Movimento da Fé. Chamada da Meia-Noite, 1996. p. 21)

            É preciso, todavia, entendermos que muitas pessoas o têm feito por inexperiência ou por uma orientação deturpada de seu líder. Esse é o caso dos neófitos, os novos convertidos. Hank Hanegraaff explica da seguinte maneira:

 “Tenho encontrado pessoalmente diversas pessoas queridas que se enquadram nessa categoria. Não questiono sua fé nem sua devoção a Cristo. Eles integram aquele segmento do Movimento da Fé que, por alguma razão, não compreenderam nem internalizaram os ensinamentos heréticos apresentados pela liderança de seus respectivos grupos. Em muitas instâncias, são novos convertidos ao cristianismo que ainda não se firmaram bem na fé. Mas nem sempre é esse o caso.”

(HANEGRAAFF, Hank. Cristianismo em Crise. CPAD, 1996. p.43)

             A Sagrada Escritura nos fala acerca das pessoas que apresentam falsos ensinos, denominando-as de ‘falsos profetas’. A definição apresentada pela Wikipédia é que:

 “Falso profeta é a rotulação dada a uma pessoa que ilegitimamente se proclama detentora de dons do Espírito Santo. Tal rotulação pode tanto decorrer de um falso dom carismático, como do uso do mesmo para fins demagógicos ou demoníacos.”

(Fonte: Wikipédia)

             Tais pessoas têm suas práticas em comum com outros em outras partes do globo e em outros períodos da história. Por isso, podemos ver falsos profetas com práticas semelhantes em locais e (ou) períodos de tempo distintos.

            A Bíblia nos apresenta sete (7) maneiras pelas quais podemos identificar um falso profeta. O que veremos adiante. Ainda, é importante observar que para ser classificado como falso profeta não é preciso estar enquadrado nas sete características, mas em apenas uma delas.

 1. O que eles falam pode se cumprir, porém, eles conduzem o povo a práticas não bíblicas.

 “Quando profeta ou sonhador de sonhos se levantar no meio de ti, e te der um sinal ou prodígio, E suceder o tal sinal ou prodígio, de que te houver falado, dizendo: Vamos após OUTROS deuses, que não conheceste, e sirvamo-los; Não ouvirás as palavras daquele profeta ou sonhador de sonhos; porquanto o SENHOR vosso Deus vos prova, para saber se amais o SENHOR vosso Deus com todo o vosso coração, e com toda a vossa alma.” (Deuteronômio 13:1-3)

 a)       Irá cumprir-se o que eles falarem, porém levarão as pessoas a práticas não bíblicas;

b)      Quebrarão princípios bíblicos.

 Esse é um dado importante, pois a primeira impressão que temos é a de que um falso profeta é alguém que traz uma predição, todavia esta não acontece. Isto não é verdade. O falso profeta pode trazer uma suposta ‘profecia’ e a mesma acontecer.

O que precisa ser observado acima de tudo é o conteúdo da mensagem, e não apenas o seu cumprimento. Daí, a necessidade de se conhecer bem a Escritura, para que se possa julgar retamente a mensagem que é trazida.

A Bíblia nos diz que devemos estar vigilantes e atentos para o conteúdo.

 “Amados, não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo.” (1João 4:1)

             Muitas pessoas têm sido conduzidas ao erro pela simples ingenuidade de observar apenas o cumprimento da mensagem e não o seu conteúdo. Devemos ser como os crentes de Beréia, que estavam sempre atentos à Escritura para ver se os fatos apresentados ocorriam de acordo com Ela.

 2. Acrescentarão ensinos à Palavra de Deus, trazendo novos ensinos, novas práticas.

 “Porém o profeta que tiver a presunção de falar alguma palavra em meu nome, que eu não lhe tenha mandado falar, ou o que falar em nome de outros deuses, esse profeta morrerá.” (Deuteronômio 18:20)

 a)       Falarão além do que foi revelado por Deus.

 Uma prática bastante comum nos dias de hoje é a adulteração da Palavra de Deus. Essa adulteração pode ser verbal ou escrita.

A adulteração verbal ocorre, muito comumente, quando algumas pessoas têm a presunçosa ousadia de dizer que o SENHOR está falando através delas sem que isto esteja realmente acontecendo.

A adulteração escrita ocorre quando há a modificação do texto bíblico de maneira escrita, como o próprio título sugere. A exemplo dos Russelitas que modificaram a Sagrada Escritura, e outros grupos mais.

No Movimento da Fé, tão forte atualmente, existe uma série de pregadores que se encaixam perfeitamente na classificação de falsos profetas, a exemplo de: Kenneth Hagin, Valnice Milhomens, R. R. Soares, Edir Macedo e Companhia, Benny Hinn, René Terranova entre outros, como veremos na segunda parte desse estudo.

 3. Não se cumprirão as suas profecias, ou ensinos.

 “Quando o profeta falar em nome do SENHOR, e essa palavra não se cumprir, nem suceder assim; esta é palavra que o SENHOR não falou; com soberba a falou aquele profeta; não tenhas temor dele.” (Deuteronômio 18:22)

 a)       Não se cumprirá o que eles falarem.

 Essa característica, eu creio, é a mais conhecida. Entretanto, apesar desse ensino ser claro e bem conhecido, muitas pessoas escolhem não lhe dar atenção para continuarem envolvidos com o engano e a fraude.

            Podemos citar como exemplo as falsas profecias de Benny Hinn, que afirmou no ano de 1990 que os Estado Unidos seriam assolados por terremotos e outros eventos destruidores, e que um colapso econômico destruiria a economia dos EUA. Apesar de nada disso ter ocorrido, seus seguidores continuam crescendo em número.

            Podemos citar o exemplo de Valnice Milhomens, que profetizou a volta de Jesus Cristo para um dia de sábado no ano de 2007. (ROMEIRO, Paulo. Supercrentes. Mundo Cristão, página 24). Apesar disso, seus seguidores têm crescido em número.

            Podemos citar o exemplo de Kenneth Hagin, que disse: “E você sabe o que vai acontecer agora? Vou contar-lhe um segredo. Alguém vai me dar US$ 50.000,00. Porque você pode ter aquilo que diz” (Fé que move montanhas, p. 21). Apesar do fato não ter ocorrido, o número de seus seguidores continua crescendo.

 4. Possuirão uma aparência de ovelha

 “Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores… Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade.” (Mateus 7: 15,22-23)

 a)       Terão aparência de ovelha, mas suas práticas serão egoístas e visarão interesses pessoais.

 Muitas pessoas estão enganadas porque têm olhado para as supostas profecias que são trazidas, mas esquecem de olhar se a ‘árvore’ está dando bons frutos segundo a Sagrada Palavra de Deus.

Mais uma vez voltamos para o conteúdo da mensagem.

O falso evangelho da prosperidade, que deveria ser denominado de evangelho da ganância, é fruto incontestável de tais práticas antibíblicas.

Vivemos uma onda de supostos milagres e maravilhas na atualidade, mas esquecemos que a verdadeira profecia Bíblica já nos dizia que isto iria acontecer, todavia, esta seria uma das ferramentas mais poderosas que o arquiinimigo usaria. Vejamos atentamente:

 “Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos.” (Mt 24:24)

 “A esse cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás, com todo o poder, e sinais e prodígios de mentira” (2Ts 2:9)

             Eu julgo importante o fato que devemos estar atentos a esses detalhes para não sermos enganados, porém, não podemos esquecer do texto citado, Mateus 7:22-23, que nos diz algo importantíssimo:

 “…não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade”

             Ora, o texto bíblico nos mostra que muitas pessoas se apresentarão diante do SENHOR tentando realizar uma autojustificação. Usando para isso o fato delas terem profetizado, expulsado demônios e feito milagres.

            Observe que apesar dessas pessoas terem feito tais coisas Cristo lhes disse: “Nunca vos conheci”. É importante destacar que Jesus Cristo não disse que conhecia aquelas pessoas e depois lhes esqueceu. Não! Cristo disse que NUNCA as havia conhecido. Isso nos mostra que tais pessoas nunca foram salvas.

            É importante, ainda, observar que aquelas pessoas realmente fizeram aquilo que elas disseram, porque Cristo não lhes disse que estavam mentindo. E mais, elas tanto fizeram aqueles feitos como quiseram usá-los como uma justificativa diante do SENHOR.

            Por fim, o fato é que tais fenômenos acontecem, mas isso não significa que seja Deus agindo e muito menos que as pessoas que realizam tais atos sejam salvas. Observe a maneira como Cristo descreve os fenômenos citados por tais pessoas: “iniquidade”. Cristo disse que aquelas pessoas estavam praticando a iniquidade.

            Sabemos que Deus pode fazer milagres, se assim Ele o desejar, porém as ondas “milagreiras” que estão ocorrendo na atualidade, acompanhadas dos ensinos e das práticas que temos visto não se encaixam na Escritura como tendo uma origem Divina.

            Esse fenômeno é algo tão forte que causa aquecidos debates, todavia, se houvesse uma pausa para estudar a Bíblia calmamente, atentando para seu ensino o resultado seria um verdadeiro avivamento. E diga-se de forma bastante clara que todo verdadeiro avivamento trouxe o povo genuinamente para a Bíblia, e não para longe Dela.

5. Procurarão fazer as mesmas coisas que Cristo, como se possuíssem a mesma condição e posição

 “E Jesus, respondendo, disse-lhes: Acautelai-vos, que ninguém vos engane; Porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; e enganarão a muitos… Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos.” (Mt 24:4,5,24)

 a)       Dirão ser o próprio Cristo, ou serem deuses. Pessoas com a mesma capacidade de Cristo.

 Há algumas décadas atrás, se alguém dissesse que poderia fazer as mesmas coisas que Cristo seria chamado de herege, porém, nos dias de hoje quem proclama tal ensino é identificado como sendo um homem de Deus.

Benny Hinn disse que: “Cristãos são pequenos messias, são pequenos deuses” (Benny Hinn, Praise-a-thon (TBN), Novembro 1990).

 Há algumas décadas atrás, se alguém dissesse que Jesus parecia com Satanás seria chamado de herege, porém, nos dias atuais quem proclama tal ensino é tido como um professor de Bíblia.

Benny Hinn disse que: “Jesus na sua morte se tornou um com satanás” (Benny Hinn, transmissão de Benny Hinn, 15/12/90).

Kenneth Hagin disse que: “A morte espiritual significa ter a natureza de Satanás” (O Nome de Jesus, p. 26), e depois falou que: “Jesus provou a morte – a morte espiritual – por todos os homens” (O Nome de Jesus, p. 27), concluindo que Jesus tem a mesma natureza que Satanás, e ainda foi o líder de um fraudulento e herético curso bíblico denominado Centro de Treinamento Bíblico Rhema, onde é identificado da seguinte maneira: “Kenneth E.Hagin é um baluarte divino para o amadurecimento da igreja moderna”. (Manassés Guerra – Professor do Rhema Brasil).

 Há algumas décadas atrás, se alguém dissesse que poderia saber o que iria acontecer mais adiante seria chamado de adivinhador e herege, porém, nos dias atuais quem proclama tal ensino é consagrado apóstolo.

Renê Terranova falou que: “um dos problemas de ser profeta é porque nada nos apanha de surpresa” (Renê Terranova em sua consagração ao apostolado, na Igreja Batista da Lagoinha).

 6. Usarão “sinais” que servirão de engodo para arrebanhar o povo

 “Ninguém de maneira alguma vos engane; porque não será assim sem que antes venha a apostasia, e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição … A esse cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás, com todo o poder, e sinais e prodígios de mentira” (2 Ts 2:3,9)

a)       Farão sinais e prodígios, porém impulsionarão à apostasia, que é a deserção da fé, mudar de convicção bíblica.

 Os falsos profetas têm como característica o uso de sinais e maravilhas para dar autoridade ao seu suposto ministério, o que irá fazer com que muitos venham a acreditar em seus ensinos. Entretanto, os seus seguidores estarão sendo conduzidos a apostasia, mudando os ensinos bíblicos e adotando práticas místicas, que há muito foram reprovadas pelos próprios apóstolos.

O resultado final será uma miscigenação de mentira, misticismo e deserção da fé bíblica.

 7. Não confessarão que Cristo veio em carne, isto é, fisicamente.

 “Filhinhos, é já a última hora; e, como ouvistes que vem o anticristo, também agora muitos se têm feito anticristos, por onde conhecemos que é já a última hora. Saíram de nós, mas não eram de nós; porque, se fossem de nós, ficariam conosco; mas isto é para que se manifestasse que não são todos de nós … E todo o espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne não é de Deus; mas este é o espírito do anticristo, do qual já ouvistes que há de vir, e eis que já está no mundo … Porque já muitos enganadores entraram no mundo, os quais não confessam que Jesus Cristo veio em carne. Este tal é o enganador e o anticristo.” (1 Jo 2:18-19, 4:3; 2 Jo 7)

 a)       Sairão do nosso meio. Não confessarão a Jesus (com palavras e atitudes);

b)      Negarão a vinda de Cristo em carne.

Em primeiro lugar é preciso entender que boa parte das seitas existentes e heresias apresentadas são dirigidas por pessoas que mantiveram algum contato com o Evangelho em algum período da vida. Contudo, o próprio texto bíblico esclarece que “saíram de nós, mas não eram de nós; porque, se fossem de nós, ficariam conosco”.

Podemos realizar uma rápida busca para comprovar se isto é um fato ou não. Vejamos:

 Grupo (Seita)                             Fundador (a)               Influência Evangélica

 Ciência Cristã                            Mary Baker               Igreja Congregacional

Fonte de Pesquisa: Ciência e Saúde Com a Chave das Escrituras. Mary Baker Eddy. The First Church of Christ, Scientist, in Boston, 1973. pág 351

Igreja apostólica “Vó Rosa”      Eurico Matos Coutinho   Igreja Presbiteriana

Fonte de Pesquisa: Série Apologética. ICP Editora. 2001. pág91

 Adventismo                    Guilherme Miller                  Igreja Batista

                                                   Hiram Edson                          Igreja Metodista

                                                 Joseph Bates                          Igreja Anglicana

                                                 Ellen G. White                     Igreja Episcopal Metodista

Fontes de Pesquisa (respectivamente):  www.carm.org. Acessado em 10/10/07

      en.wikipedia.org. Acessado em 10/10/07

       en.wikipedia.org. Acessado em 10/10/07

        www.ellengwhite.info/ellen_white_life_1a.htm. Acessado em 10/10/07

 Meninos de Deus             David Berg                        Christian and Missionary Alliance

Fonte de Pesquisa: en.wikipedia.org. Acessado em 10/10/07

Testemunhas de Jeová
Charles Taze Russel     Igreja Presbiteriana

Fonte de Pesquisa: encyclopedia.thefreedictionary.com. Acessado em 10/10/07

Tabernáculo da Fé          Willian Marrion Branham       Igreja Batista

Fonte de Pesquisa: en.wikipedia.org. Acessado em 10/10/07

             Em segundo lugar, é preciso saber que o falso profeta, e seu ensinos, negarão a vinda de Cristo em carne, isto é, fisicamente.

            Podemos efetuar outra busca rápida para identificarmos alguns desses falsos profetas e algumas doutrinas por eles defendidas:

 NOVA ERA

“A luz não poderia se unir às trevas. Ela apenas assumiu a aparência de um corpo humano e tomou o nome de Cristo no Messias, apenas para se acomodar à linguagem dos judeus. A Luz fez sua obra, tirando os judeus da adoração do Princípio Mau e os pagãos da adoração aos demônios. No entanto, o Chefe do Império das Trevas fez com que ele fosse crucificado pelos judeus. Todavia, ele sofreu apenas na aparência…”

(PIKE, Albert. Morals and Dogma. pg 567)

             Observe a mensagem da Nova Era que diz que “assumiu a APARÊNCIA de um corpo humano”. Na verdade, a Nova Era que tem como expoente Helena P. Blavatsky ensina que Cristo não veio com um corpo físico, mas espiritual que possuía a aparência humana.

 GNOSTICISMO

“Segundo algumas linhas gnósticas, Cristo não veio em carne e nunca assumiu um corpo físico”

(http://pt.wikipedia.org. Acessado em: 10/10/07)

 J.I Packer apresenta o ensino bíblico correto em contraposição com o docetismo:

 “Jesus foi um homem que convenceu os que estavam próximo dele de que Ele era também Deus; portanto, sua condição humana não está em dúvida. A condenação de João daqueles que negavam que “Jesus Cristo veio em carne” (1 Jo 4.2,3; 2 Jo 7) visava aos docetas(*), que substituíram a Encarnação pela ideia de que Jesus foi um visitante sobrenatural (não Deus), que parcialmente humano, mas era realmente  uma espécie de fantasma, um mestre que, na realidade, não morre pelos pecados.”

* Partidários do docetismo, doutrina gnóstica do segundo século desta era.

(PACKER, J. I. Teologia Concisa,Cultura Cristã. pg. 102)

 DOCETISMO

“O docetismo foi o termo usado para designar uma seita que surgiu dentre o gnosticismo. O apóstolo João escreveu sua epístola advertindo a igreja contra aqueles que negavam que “Jesus Cristo” veio em carne (1Jo 4.2)”

(MARTINEZ, João Flavio. www.cacp.org.br. Acessado em: 10/10/07)

 APOLINARIANISMO

“…o Apolinarianismo ia contra o ensino que Cristo possui a natureza humana, alegando que Cristo era apenas Deus, indo contra a doutrina da encarnação, onde o Verbo se fez carne e habitou entre nós, que está muito evidente no capítulo 1 do Evangelho de João.”

(WERONKA, João R. www.irmaos.com/almanaque/?id=1523. Acessado em 10/10/07)

             Todos esses ensinos apresentados estão de alguma forma negando a Doutrina Bíblica. E mais chocante é o fato que tais heresias têm sido apresentadas por pessoas que um dia já estiveram no meio da igreja, como joio ou lobo em meio ao rebanho.

            Mais uma vez se cumpre a Escritura, ao dizer que não há nada oculto que não venha a ser revelado (Lucas 12:2).

 “E adoraram-na todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo.” Apocalipse 13:8

robsontfernandesRobson Tavares Fernandes é bacharel em Teologia pelo STEC (Seminário Teológico Evangélico Congregacional). Tem se dedicado desde 1998 ao ensino e pesquisa bíblica na área de Apologética, sendo autor de vários artigos já publicados. Atuação como professor: Curso de Teologia da Igreja Batista da Palmeira, CBA (Curso Básico de Apologética) e ITESMI (Instituto Teológico Superior de Missões). Atuação como pesquisador: VINACC (Visão Nacional para a Consciência Cristã). Atuação como palestrante: Encontro para a Consciência Cristã, Simpósio Criacionista da Paraíba, Seminário Criacionista da Alagoas. Tem ministrado, ainda, palestras em igrejas, escolas e universidades.

Contato:  cristovira@bol.com.br  rtf75@bol.com.br

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