Arquivo de etiquetas: Estudos Bíblicos

A graça de Deus e Mefibosete

A GRAÇA DE DEUS E MEFIBOSETE

A graça de Deus e MefiboseteA GRAÇA DE DEUS E MEFIBOSETE

“Disse Davi: Resta ainda, porventura, alguém da casa de Saul, para que use eu de bondade para com ele, por amor de Jônatas? Havia um servo na casa de Saul cujo nome era Ziba; chamaram-no que viesse a Davi. Perguntou-lhe o rei: És tu Ziba? Respondeu: Eu mesmo, teu servo. Disse-lhe o rei: Não há ainda alguém da casa de Saul para que use eu da bondade de Deus para com ele? Então, Ziba respondeu ao rei: Ainda há um filho de Jônatas, aleijado de ambos os pés.” II Sm 9:1-3

 Alguém já disse que graça de Deus é presente dado sem que mereçamos.

A graça portuguesa vem do latim Gratus, agradável, amável.
Dentro da teologia cristã, a “graça” vem indicar o favor divino; gratuitamente oferecido, com base na missão de Cristo, recebida através da confiança humana na palavra de Cristo.
O vocábulo: No grego é ‘charis’. A palavra traduzida por “graça” envolve muitos sentidos. Significa:Graciosidade, atrativos, favor, cuidados ou ajuda graciosa, boa vontade, dom gracioso.
Esse texto é um relato de graça e favor imerecido, do Rei Davi para com Mefibosete, filho de Jônatas, homem mui amado de Davi, que tempos atrás havia feito uma aliança com Jônatas de fidelidade e bênção.
É uma história semelhante a que Deus o Rei dos reis (Davi), por causa de seu amor ao filho (Jônatas), abençoa os homens (Mefibosete), apesar de seus pecados.
UM CORAÇÃO TRANSBORDANTE DE GRAÇA
Davi, um vencedor, todas as batalhas foram por ele ganhas, ficou muito rico e abastado.
Uma pergunta graciosa. “ Resta ainda, porventura, alguém da casa de Saul., para que use eu de bondade para com ele, por amor de Jônatas” II Samuel 9:1
Davi havia feito uma aliança de amor e fidelidade perpétua com Jônatas e sua posteridade. I Sm 20:13-17
O termo amor, usado por Davi, vem do hebraico “hesed”, que significa: Misericórdia, bondade, amor permanente, firme, imutável.
Um servo depreciador: Ziba. “ Disse-lhe o rei: Não há ainda alguém da casa de Saul para que use eu de bondade de Deus para com ele? Então Ziba respondeu ao rei: Ainda há um filho de Jônatas, aleijado de ambos os pés.” (II Samuel 9:3)
Davi não estava perguntando as propriedades físicas do indivíduo; se perneta, aleijado, bom, se era rico, pobre, ou merecedor da graça; o que ele queria era oferecer, presentear Mefibosete.
Um aleijado em Lo-debar. Em hebraico significa: um lugar árido; em português, o nome pode significar:terra onde não há pasto. É como se o servo de dissesse que o filho de Jônatas estava vivendo no sítio de completa aridez; aonde não havia colheitas, despovoado, um deserto.
Buscando o aleijado. (II Samuel 9:5) “… mandou o rei Davi trazê-lo de Lo-debar…”
Mefibosete recebeu o convite e aceitou ir a até o Rei. ( Mt 22:1-14)
Palavras consoladoras de Davi para com Mefibosete, um servo desconfiado. “Não temas, porque usarei de bondade para contigo por amor de Jônatas, teu pai…” II Samuel 9:7
Auto-depreciação. “ … Quem é teu servo, para teres olhado para um cão morto tal como eu? II Samuel 9:8
- ‘ Eu, um zé mané; eu vivo na miséria, ninguém liga pra mim; eu não sirvo pra nada, eu sou pobre. Quem sou eu?!? Pobre só serve para sofrer.
Uma dádiva imerecida. De fato, Mefibosete não tinha feito nada que ganhasse este presente. Mas, houve uma promessa entre Davi e Jônatas. Aquele dia era dia de graça, e Mefibosete por ser filho de Jônatas, era o receptor da graça de Davi. “… Por amor de Jônatas..”
O que ele ganhou: Terrenos, casas, servos, riquezas, e o direito de comer na mesa do rei, junto com seus filhos. II Samuel 9:10,11 ( Sl 113:7-9)
AS COMPARAÇÕES DA GRAÇA DE DEUS EM NOSSAS VIDAS
Mefibosete, antes tinha a companhia do Pai. Mefibosete lembra Adão e sua descendência, um dia ele era perfeito, porém caiu em pecado e ficou marcado para toda a vida. Rm. 5:12
Deus  (Davi) por amor de Jesus  (Jônatas), estendeu a sua graça aos homens ( Mefibosete) através da cruz; seu amor foi manifesto. ( Jo 3:16)
Mefibosete, aleijado, nada fez e nada merecia. “ Pela graça sois salvo, mediante a fé e isso não vem de vós, é dom de Deus, não de obras, para que ninguém se glorie.” Ef 2:8
Devemos humildemente receber a graça de Deus através de Jesus Cristo, nosso Salvador.
O rei removeu o aleijado de sua miserável existência, de um lugar árido e desolado para um lugar de comunhão, riqueza e honra.
O Deus nosso pai, faz o mesmo por nós, Ele nos liberta de nosso ‘Lo-debar’ pessoal de miséria e depravação e nos leva para um lugar de bênção, de honra e riqueza; a comunhão com Ele, comendo as iguarias  do rei, e sentando ao lado de seus filhos: os príncipes de Deus.
O ato de coxear, era a marca, a lembrança constante de que Mefibosete, nada valia, e que a graça de Deus, é que foi abundante na sua vida.
“ Porque onde abundou o pecado, superabundou a graça.” Rm 5:15-17
Mefibosete sentou-se à mesa, junto com outros filhos do rei: Salomão, Absalão…;
Somos convidados a sentarmos juntamente com  os filhos de Deus, os heróis: Paulo, Pedro, Tiago, Barnabé, Priscila, Febe, Maria, Lucas, Mártires, reformadores, evangelistas…”.
A vida de Mefibosete, é semelhante a nossa, Deus tem oferecido a humanidade a sua graça, o seu amor e sua misericórdia.
Mefibosete, foi convidado para receber essa graça, aceitou e sentou-se  ao lado de príncipes, filhos do rei.
Jônatas um tipo de Jesus, e Mefibosete, somos nós, com nossas marcas e imperfeições, mas, Deus tem tido misericórdias de nós. Ele nos salvou pela sua infinita graça. “… Pela graça sois salvo…”
Alguns têm rejeitado a graça de Deus. “ Então disse Davi: usarei de bondade para com Hanum, filho de Naas. Como seu Pai usou de misericórdia para comigo…” II Sm 10:2
Os servos enviados como consoladores, saíram envergonhados daquela cidade, por que, o rei e seus súditos, não aceitaram a graça de Davi. Por causa dessa rejeição, sofreram as conseqüências de sua ingratidão.
A graça de Deus tem sido oferecida a todos os homens sem distinção de raça, cor ou nível social, como disse Jesus: “Quem tiver sede venha a mim e beba, quem crer em mim como diz as Escrituras do seu interior fluirão rios de águas vivas”. João 7:37,38
Hoje, é um bom dia para receber a graça de Deus sobre tua vida. Receba e passe a comer a comida de príncipe na mesa do Rei da Glória.
Pr Francisco Nascimento

Fonte: http://pregacoesfn.wordpress.com/

Atenção:
O conteúdo desta página tem objetivo formativo e educacional. OS ARTIGOS AQUI PUBLICADOS SÃO DE INTEIRA RESPONSABILIDADE DE SEUS AUTORES, CITADOS NO FINAL DE CADA ARTIGO. NÃO NECESSARIAMENTE ESTA PRODUÇÃO CONCORDA INTEIRAMENTE COM O ENTENDIMENTO TEOLÓGICO DE CADA AUTOR. TODAVIA, OS PUBLICAMOS COMO FONTE DE CONHECIMENTO E COMO FORMA DE CONTRIBUIR PARA O ALARGAMENTO DO ENTENDIMENTO E A POSSIBILIDADE DE CONHECERMOS VÁRIAS FORMAS DE PENSAR. CABE A CADA LEITOR REFLETIR, À LUZ DA BÍBLIA, SE CONCORDA OU NÃO COM OS POSICIONAMENTOS AQUI EXPRESSADOS. 

1Pe.2.1-5

1Pedro 2.1-5

1Pe.2.1-5
1Pedro 2.1-5

Despojando-vos, portanto, de toda maldade e dolo, de hipocrisias e invejas e de toda sorte de maledicências,
2 desejai ardentemente, como crianças recém-nascidas, o genuíno leite espiritual, para que, por ele, vos seja dado crescimento para salvação,
3 se é que já tendes a experiência de que o Senhor é bondoso.
4  Chegando-vos para ele, a pedra que vive, rejeitada, sim, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa,
5 também vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo.

download estudos radio

1jo.2.7

1João 2.7

1jo.2.71João 2.7

 “Amados, não vos escrevo mandamento novo, senão mandamento antigo, o qual, desde o princípio, tivestes. Esse mandamento antigo é a palavra que ouvistes”.

download estudos radio

1joao.1.1-4

1João 1.1-4

1joao.1.1-41João 1.1-4

“O que era desde o princípio, o que temos ouvido, o que temos visto com os nossos próprios olhos, o que contemplamos, e as nossas mãos apalparam, com respeito ao Verbo da vida
2 (e a vida se manifestou, e nós a temos visto, e dela damos testemunho, e vo-la anunciamos, a vida eterna, a qual estava com o Pai e nos foi manifestada),
3 o que temos visto e ouvido anunciamos também a vós outros, para que vós, igualmente, mantenhais comunhão conosco. Ora, a nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho, Jesus Cristo.
4 Estas coisas, pois, vos escrevemos para que a nossa alegria seja completa”.

download estudos radio

1Coríntios 7 – Instruções sobre casamento

1Coríntios 7 – Instruções sobre casamento

1Coríntios 7 – Instruções sobre casamento1Coríntios 7 – Instruções sobre casamento

Quanto ao que me escrevestes, é bom que o homem não toque em mulher;
2 mas, por causa da impureza, cada um tenha a sua própria esposa, e cada uma, o seu próprio marido.
3 O marido conceda à esposa o que lhe é devido, e também, semelhantemente, a esposa, ao seu marido.
4 A mulher não tem poder sobre o seu próprio corpo, e sim o marido; e também, semelhantemente, o marido não tem poder sobre o seu próprio corpo, e sim a mulher.
5 Não vos priveis um ao outro, salvo talvez por mútuo consentimento, por algum tempo, para vos dedicardes à oração e, novamente, vos ajuntardes, para que Satanás não vos tente por causa da incontinência.
6 E isto vos digo como concessão e não por mandamento.

download estudos radio

1Coríntios 4.10a

1Coríntios 4.10a

1Coríntios 4.10a1Coríntios 4.10a

"Nós somos loucos por causa de Cristo, e vós, sábios em Cristo"

download estudos radio

1CO.1.18

1Coríntios 1.18

1CO.1.181Coríntios 1.18

Certamente, a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus.

download estudos radio

 

unção

Unção com Óleo – uma reflexão bíblica e histórica

apologética unçãoUnção com Óleo – uma reflexão bíblica e histórica

 

“E vós tendes a unção do Santo, e sabeis tudo” (1Jo 2.20)

“E a unção que vós recebestes dele, fica em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a sua unção vos ensina todas as coisas, e é verdadeira, e não é mentira, como ela vos ensinou, assim nele permanecereis” (1Jo 2.27)

Introdução

Este é um assunto controverso e difícil. E, cabe aqui uma análise teológica sobre as práticas da Igreja quanto a este assunto, levando em conta primeiro e especialmente o que nos informam as Escrituras Sagradas, depois olhando para a história da Igreja, de modo a que possamos ver de que forma este assunto foi tratado no decorrer do tempo, de modo a que possamos avaliar com maior propriedade o que hoje é praticado, e com conhecimento de causa, possamos estabelecer o que deve ser feito quanto à esta importante questão.

A unção nas Escrituras Sagradas

Em vários locais das Escrituras Sagradas encontramos o ato de ungir. Não há como ignorá-lo. Mas, é importante notarmos que invariavelmente o ato de ungir, quando se referindo à área espiritual, sempre teve o objetivo de separar e consagrar.

Há também outros usos para a unção, os quais iremos analisar mais à frente em nosso estudo. Um importante detalhe que pode ser observado nas Escrituras Sagradas é que em momento algum, nenhuma mulher foi ungida para uma tarefa na área espiritual. Não há nenhuma referência a mulheres sendo ungidas seja para o serviço sacerdotal ou para reinar.

Unção de Objetos

Muitos objetos foram separados para serem utilizados no tabernáculo, e como o próprio tabernáculo, eram também ungidos de modo a consagrá-los ao Senhor. A ritualística da unção era usada para se separar e consagrar estes objetos ao uso no culto a Deus.

“E disto farás o azeite da santa unção, o perfume composto segundo a obra do perfumista: este será o azeite da santa unção. (26) E com ele ungirás a tenda da congregação, e a arca do testemunho, (27) E a mesa com todos os seus utensílios, e o candelabro com os seus utensílios, e o altar do incenso. (28) E o altar do holocausto com todos os seus utensílios, e a pia com a sua base. (29) Assim santificarás estas coisas, para que sejam santíssimas; tudo o que tocar nelas será santo.” (Êxodo 30.25-29 ACF)

“Também cada dia prepararás um novilho por sacrifício pelo pecado para as expiações, e purificarás o altar, fazendo expiação sobre ele; e o ungirás para santificá-lo. (37) Sete dias farás expiação pelo altar, e o santificarás; e o altar será santíssimo; tudo o que tocar o altar será santo.” (Êxodo 29.36-37 ACF)

O claro entendimento dos textos acima é que os objetos ungidos se tornavam santos, ou santificados, e também santificadores, pois, tudo o que neles tocasse se tornaria também santo. Hoje temos vários objetos separados para uso específico, durante os cultos a Deus em nossas Igrejas , como púlpitos, mesas, cadeiras, genuflexórios, cálices para a ceia, etc., contudo, não os ungimos para torná-los santos, ou santificadores. Isto se deve à teologia do Novo Testamento, que afirma categoricamente que desde a vinda do Senhor Jesus Cristo, santos são aqueles que são salvos através da redenção pelo Seu sangue derramado na cruz, e pela Sua ressurreição dos mortos:

“Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? (17) Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá; porque o templo de Deus, que sois vós, é santo.” (I Coríntios 3.16-17 ACF)

“Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? (20) Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus.” (I Coríntios 6.19-20 ACF)

O Templo de adoração passou a ser o coração do salvo, não mais um local de tijolos e pedras. O véu do antigo Templo se rasgou no momento em que Jesus Cristo cumpriu sua missão na cruz:

“E eis que o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo; e tremeu a terra, e fenderam-se as pedras;” (Mt 27.51)

Neste momento se estabeleceu uma Nova Aliança: Através de Jesus Cristo passamos a ter acesso direto ao Pai, sem a necessidade de qualquer outra intermediação, sem a necessidade de qualquer sacrifício físico, sem a necessidade de quaisquer obras humanas:

“Porque por ele ambos temos acesso ao Pai em um mesmo Espírito. (19) Assim que já não sois estrangeiros, nem forasteiros, mas concidadãos dos santos, e da família de Deus; (20) Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina; (21) No qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para templo santo no Senhor. (22) No qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus em Espírito.” (Efésios 2.18-22 ACF)

Nenhuma carne é justificada pelas obras da lei. Não cabe, portanto, qualquer ação humana, como a unção de objetos de modo a nos tornarmos santos ou santificados:

“Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo , temos também crido em Jesus Cristo , para sermos justificados pela fé em Cristo, e não pelas obras da lei; porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada.” (Gálatas 2.16 ACF)

Partindo deste princípio, claramente estabelecido pelas Escrituras Sagradas, qualquer objeto que tenha sido feito“santo” através de um processo de unção, ou através de qualquer outro meio ou ação humana, passa a ser objeto de idolatria, e abominação ao Senhor, pois, vilipendia o sacrifício de Jesus Cristo. Sacrifício este feito, de uma vez por todas, na cruz. Ato completo e perfeito na Sua ressurreição, não restando qualquer outra obra a ser feita, não necessitando de qualquer ação adicional.

Deste modo, atribuir-se poder a qualquer objeto inanimado, a qualquer produto ou alimento, é ato de misticismo, sendo deliberado desrespeito para com a divindade do Senhor Jesus, ao qual foi dado todo o poder no céu e na terra:

“E, chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: É-me dado todo o poder no céu e na terra.” (Mateus 28.18 ACF)

Tudo o que desejamos ou precisamos, devemos levar diretamente a Deus, em oração:

“Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças.” (Filipenses 4.6 ACF)

Pedindo sempre em nome de Jesus Cristo, e nunca utilizando fetichismos ou superstições, nada de águas, ou óleos “santos” ou mágicos, ou pedras, ou madeiras, ou qualquer outra coisa criada. Nada deve ser colocado como meio de obtenção de graça, pois o nosso único meio de graça é o Senhor Jesus Cristo:

“Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto em meu nome pedirdes ao Pai ele vo-lo conceda.” (João 15.16 ACF)

Unção de Pessoas

A unção de pessoas era feita, quando com propósitos espirituais, com o objetivo de separar-se esta pessoa para uma tarefa específica, seja enquanto rei, sacerdote ou profeta. É importante também notar que todas estas tarefas eram realizadas em conjunto com o objetivo de guiar o povo de Deus tanto espiritualmente quanto secularmente. Também é importante ver que estas tarefas foram todas assumidas por Jesus Cristo, o ungido de Deus. Assim, Cristo é Sacerdote, Profeta e Rei. Já no Novo Testamento esta ação, a unção de pessoas, foi substituída pela imposição de mãos, a qual outorga autoridade para ministrar, educar e servir, como até hoje é feito na ordenação de pastores e diáconos. Há que se entender, entretanto, que este processo não tem exatamente a mesma significação da unção com óleo de outrora, não há qualquer santificação sendo conferida através deste ato, pois, a santificação ocorre no momento da conversão quando o salvo é selado pelo Espírito de Deus, e não há também qualquer transferência de poder, pois, todo o poder está nas mãos de Jesus Cristo(Mateus 28.18), mas, este ato indica com firmeza que aquele que está sendo ordenado, é reconhecido pela Igreja como tendo sido separado por Deus para esta obra.

Unção de Reis

Os reis eram ungidos como libertadores para o povo de Israel e para governar sobre o povo como seu pastor:

“Amanhã a estas horas te enviarei um homem da terra de Benjamim, o qual ungirás por capitão sobre o meu povo de Israel, e ele livrará o meu povo da mão dos filisteus; porque tenho olhado para o meu povo; porque o seu clamor chegou a mim.” (I Samuel 9.16 ACF)

Unção de Sacerdotes

Deus instruiu Moisés a ungir sacerdotes, de modo a consagrá-los e reconhecê-los como pessoas separadas para servir a Deus através do sacerdócio. Os sacerdotes julgavam sobre as diferenças entre as pessoas do povo, faziam expiação, santificavam o povo perante Deus, ouviam confissões de pecados, faziam sacrifícios de ação de graças e supervisionava os trabalhos no tabernáculo, entre outras tarefas.

“E vestirás a Arão as vestes santas, e o ungirás, e o santificarás, para que me administre o sacerdócio. (14) Também farás chegar a seus filhos, e lhes vestirás as túnicas, (15) E os ungirás como ungiste a seu pai, para que me administrem o sacerdócio, e a sua unção lhes será por sacerdócio perpétuo nas suas gerações.” (Êxodo 40.13-15 ACF)

Unção de profetas

O ofício profético era estabelecido pelo ato da unção:

“O espírito do Senhor DEUS está sobre mim; porque o SENHOR me ungiu, para pregar boas novas aos mansos; enviou-me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos; (2) A apregoar o ano aceitável do SENHOR e o dia da vingança do nosso Deus; a consolar todos os tristes; (3) A ordenar acerca dos tristes de Sião que se lhes dê glória em vez de cinza, óleo de gozo em vez de tristeza, vestes de louvor em vez de espírito angustiado; a fim de que se chamem árvores de justiça, plantações do SENHOR, para que ele seja glorificado.” (Isaías 61.1-3 ACF)

Não há uma descrição clara nas Sagradas Escrituras sobre como, ou qual, seria o ritual para a unção de profetas, mas, este fato está razoavelmente estabelecido através do texto de Isaías acima citado.

Produtos utilizados

Azeite

O azeite de oliva simboliza uma vida útil e vibrante, sendo símbolo de regozijo, saúde e de qualificações de uma pessoa para o serviço do Senhor:

“Porém tu exaltarás o meu poder, como o do boi selvagem. Serei ungido com óleo fresco.” (Salmo 92.10 ACF)

Ungüento

Gordura misturada com perfumes especiais que lhe davam características muito desejáveis.

Era utilizado para ungir os pés dos hóspedes, simbolizando a alegria pela chegada daquele hóspede, e desejando-lhe boas vindas:

“E Maria era aquela que tinha ungido o Senhor com ungüento, e lhe tinha enxugado os pés com os seus cabelos, cujo irmão Lázaro estava enfermo.” (João 11.2 ACF)

Também como era utilizado no cuidado pessoal com o corpo, pois, é um excelente hidratante:

“Naqueles dias eu, Daniel, estive triste por três semanas. (3) Alimento desejável não comi, nem carne nem vinho entraram na minha boca, nem me ungi com ungüento, até que se cumpriram as três semanas.” (Daniel 10:2-3 ACF)

“Lava-te, pois, e unge-te, e veste os teus vestidos, e desce à eira; porém não te dês a conhecer ao homem, até que tenha acabado de comer e beber.” (Rute 3.3 ACF)

Óleos curativos

O óleo tem poderes curativos, permitindo amolecer feridas e purificá-las. O óleo quando misturado a certas ervas, pode proporcionar medicamentos poderosos para vários males. Não é de surpreender que os médicos em Israel tivessem desde tempos antigos conhecimento destas ervas e da forma de utilizá-las no processo curativo de doentes.

“Desde a planta do pé até a cabeça não há nele coisa sã, senão feridas, e inchaços, e chagas podres não espremidas, nem ligadas, nem amolecidas com óleo.” (Isaías 1.6 ACF)

“E, aproximando-se, atou-lhe as feridas, deitando-lhes azeite e vinho; e, pondo-o sobre a sua cavalgadura, levou-o para uma estalagem, e cuidou dele;” (Lucas 10.34 ACF)

Unguento fúnebre

Este ungüento era utilizado na preparação do corpo para o sepultamento, como parte de um processo de embalsamamento:

“Ora, derramando ela este unguento sobre o meu corpo, fê-lo preparando-me para o meu sepultamento.” (Mt 26.12)

“E as mulheres, que tinham vindo com ele da Galiléia, seguiram também e viram o sepulcro, e como foi posto o seu corpo. (56) E, voltando elas, prepararam especiarias e ungüentos; e no sábado repousaram, conforme o mandamento.” (Lucas 23.55-56 ACF)

Modos de aplicação

Na cabeça

O derramamento de óleo sobre a cabeça de um homem indicava que este homem havia sido separado para uma determinada tarefa a serviço do Senhor.

“Então tomou Samuel um vaso de azeite, e lho derramou sobre a cabeça, e beijou-o, e disse: Porventura não te ungiu o SENHOR por capitão sobre a sua herança?” (I Samuel 10:1 ACF)

“Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos, unges a minha cabeça com óleo, o meu cálice transborda.” (Salmo 23.5 ACF)

“Em todo o tempo sejam alvas as tuas roupas, e nunca falte o óleo sobre a tua cabeça.” (Eclesiastes 9:8 ACF)

Também era usado sobre a cabeça com efeitos cosméticos:

“Em todo o tempo sejam alvas as tuas roupas, e nunca falte o óleo sobre a tua cabeça.” (Eclesiastes 9:8 ACF)

No rosto

A unção do óleo no rosto tinha como objetivo a hidratação, e a proteção contra as forças da natureza:

“E o vinho que alegra o coração do homem, e o azeite que faz reluzir o seu rosto, e o pão que fortalece o coração do homem.” (Salmo 104.15 ACF)

Nos pés

Como já foi dito, este ato estava normalmente relacionado com uma recepção digna e alegre de um hóspede bem-vindo:

“E, estando por detrás, aos seus pés, chorando, começou a regar-lhe os pés com lágrimas, e enxugava-lhos com os cabelos da sua cabeça; e beijava-lhe os pés, e ungia-lhos com o unguento.” (Lucas 7.38 ACF)

Sobre as feridas

Neste caso o óleo é utilizado como medicamento, sendo que através de suas propriedades curativas próprias, ou em combinação com ervas ou outros produtos era deitado sobre as feridas. Há muitos relatos deste tipo de procedimento na literatura talmúdica1, e alguns na própria Bíblia Sagrada, os quais já foram anteriormente citados.

“Volta, e dize a Ezequias, capitão do meu povo: Assim diz o SENHOR, o Deus de Davi, teu pai: Ouvi a tua oração, e vi as tuas lágrimas; eis que eu te sararei; ao terceiro dia subirás à casa do SENHOR. (6) E acrescentarei aos teus dias quinze anos, e das mãos do rei da Assíria te livrarei, a ti e a esta cidade; e ampararei esta cidade por amor de mim, e por amor de Davi, meu servo. (7) Disse mais Isaías: Tomai uma pasta de figos. E a tomaram, e a puseram sobre a chaga; e ele sarou.” (II Reis 20.5-7 ACF)

Uso atual

Como vimos, fica, em nossos dias, descartado o uso da unção com óleo para objetos, de modo a torná-los sagrados ou santificados, já que nada mais pode ser considerado objeto sagrado, uma vez que o templo de Deus na Nova Aliança é o corpo daquele que teve seu coração transformado pelo sangue do Cordeiro de Deus. Também não há mais qualquer necessidade de unção para sacerdotes, reis ou profetas. Ocorrendo no caso daqueles que se dispõem a servir como oficiais da Igreja, o ato da imposição de mãos, figura substituta da unção, mas, com significação distinta. Resta então apenas um tipo de unção a ser analisado em termos de uso nos dias atuais: a unção de enfermos com fins medicamentosos. Não restou nenhum tipo de unção, com finalidades espirituais, a ser utilizada pelos crentes em Jesus Cristo após o estabelecimento da Nova Aliança.

Análise Histórica

É interessante que venhamos a analisar a prática da Igreja, desde os seus primórdios até os dias atuais, para que possamos formar também nosso pensamento através do testemunho daqueles que no decorrer do tempo estudaram e buscaram o conhecimento bíblico, bem como daqueles que deturpando o verdadeiro significado dos ensinos bíblicos torcem seu entendimento de acordo com suas conveniências momentâneas.

Os pais apostólicos

Não há praticamente nenhuma referência à unção com óleo de enfermos, entre os escritos de Tiago (± 46-49 d.C), e de Hipólito de Roma (± 200 d.C.). Isto provavelmente se deve ao fato de estarem os Cristãos deste período lutando com tantas e tão variadas formas de heresias, como o gnosticismo, o arianismo, o sebastianismo, o monarquismo, os judaizantes, entre outros tantos, que não deve ter havido tempo para dedicarem-se a este assunto em seus escritos.

Justino de Roma (± 140 d.C.)

Há, contudo a exceção de Justino de Roma, que por volta de 140 d.C. defendia a posição de que todo e qualquer tipo de unção praticada ou ministrada no Velho Testamento aponta para Cristo. E que assim em Cristo todas as unções cessaram, conforme podemos ver pelo trecho de seu trabalho a seguir:

“Tendo Jacó derramado óleo no mesmo lugar, o próprio Deus que lhe aparecera dá testemunho de Ter sido para ele que ungiu ali a pedra. Também já demonstramos, com várias passagens das Escrituras, que Cristo é chamado simbolicamente “pedra” e que também a ele se refere toda unção, seja de azeite, seja de mirra ou qualquer outro composto de bálsamo, pois assim diz a palavra: “Por isso, o teu Deus te ungiu, o teu Deus, com óleo de alegria, de preferência aos teus companheiros”. É assim que dele participaram os reis e ungidos, todos os que são chamados reis e ungidos, da mesma maneira como ele próprio recebeu de seu Pai o fato de ser Rei, Cristo, Sacerdote.”

Hipólito de Roma (± 200 d.C.)

A mais importante obra teológica de Hipólito de Roma é intitulada a “Tradição Apostólica”. É um dos mais antigos documentos com instrução litúrgica que podemos encontrar, tendo sido usado como base, pela igreja católica romana, para consubstanciar sua herética doutrina sacramental da “extrema-unção” e é também a base utilizada pelos neopentecostais para confirmar que a Igreja Cristã pós-apostólica era praticante da “unção de enfermos”. Vamos ao texto de Hipólito:

Se alguém oferecer azeite, consagre-o como se consagrou o pão e o vinho, não com as mesmas palavras, mas com o mesmo Espírito. Dê graças, dizendo: “Assim como por este óleo santificado ungiste reis, sacerdotes e profetas, concede também, ó Deus, a santidade àqueles que com ele são ungidos e aos que o recebem, proporcionando consolo aos que o experimentam e saúde aos que dele necessitam.”

Por estas palavras podemos claramente entender que este ensinamento está muito distante da verdade bíblica. Não há nenhuma instrução na Palavra de Deus no sentido de se consagrar pão e vinho. A Bíblia inclusive não trata o líquido da ceia do Senhor como sendo vinho. Há uma única referência, feita pelo Senhor Jesus registrada em Mateus, referindo-se ao conteúdo do cálice como “fruto da vide”, ou seja “uva”, ou seu suco:

“E digo-vos que, desde agora, não beberei deste fruto da vide, até aquele dia em que o beba novo convosco no reino de meu Pai.” (Mateus 26.29 ACF)

E em nenhum momento há qualquer ritual de consagração. Há sim oração em ação de graças a ser proferida durante o cerimonial da ceia do Senhor, conforme instruções encontradas em Mateus 26.26-30 e em I Coríntios 11.23-30. Se não se consagra o pão e o vinho, também não se consagra azeite. Se não se consagra azeite toda a teologia e toda a instrução litúrgica derivada desta linha de raciocínio é biblicamente inválida e deve ser considerada espúria e anátema. Aprofundando-nos no estudo dos ensinos de Hipólito de Roma podemos encontrar vários tipos de óleos, como o óleo consagrado, o óleo de exorcismo, o óleo de ações de graças, o óleo santo ou santificado, entre outros, como o queijo da caridade e a azeitona consagrada. (Será que as semelhanças com a IURD são meras coincidências?) Assim, quaisquer ensinos provenientes desta fonte, ou de qualquer outra que nela se baseie devem ser considerados espúrios e anátemas.

Orígenes (± 210 d.C.)

Orígenes, apesar de todas as suas tendências alegoristas e metafóricas, de suas heresias e descalabros, ao tratar da questão da unção com óleo, afirma, corretamente, que alguns Cristãos (neste caso Celso) teriam querido curar suas feridas através da ação divina, mas manter sua alma inflamada em seus vícios e pecados, rejeitando os remédios espirituais dessa mesma palavra, a confissão de pecados e o perdão. Querendo usar o azeite, o vinho e outros emolientes, e demais ajudas médicas que aliviam a enfermidade, como alívio para sua alma corrompida, ou ainda usar de supostos poderes mágico-espirituais conferidos aos medicamentos na cura das feridas, sem se apresentarem diante de Deus, para a cura da alma. Hoje em dia a medicina nos apresenta vários novos recursos curativos, além do azeite e do vinho, aos quais podemos recorrer, contudo não podemos em momento algum, nos esquecer da dependência de Deus, através de uma vida de oração. Este é o ensinamento deOrígenes: que muitos querem ser curados, querem ser aliviados, mas não querem deixar seus pecados. Portanto,na teologia de Orígenes não existe espaço para uma unção de enfermos com fins curativos mágicos. O azeite e outros emolientes são importantes do ponto de vista medicamentoso, mas sempre associados à dependência de Deus pela oração, e se for para a Sua glória, Deus restabelecerá o enfermo.

Idade Média

Durante a Idade Média houve grande luta entre o poder secular e o poder da Igreja, trazendo como conseqüência direta uma deturpação ainda mais exacerbada da já caquética e corrompida teologia da igreja de Roma. As interpretações das Escrituras visavam apenas dar respaldo a um misticismo mágico-religioso que dominava as ações da igreja de Roma, e lhe conferia poder sobre as massas ignorantes e crédulas, além de controle sobre seus governantes, rendendo à igreja de Roma grandes frutos financeiros e políticos. Neste período há muito pouca discussão sobre a unção com óleo, pois esta já se havia instituído em sacramento, o sacramento da extrema-unção, para limpar de pecado aquele que estava à beira da morte.

Cesário de Arles (± 503~504)

Ele faz várias referências à unção de enfermos nos seus sermões. No sermão 13 ele escreve:

“Toda vez que sobrevier uma doença, o que a sofre receba o corpo e o sangue de Cristo; peça humildemente e com fé ao sacerdote a unção com o óleo bento a fim de que se cumpra nele o que está escrito”.

No Sermão 184, suplica às mães que não levem seus filhos aos “medicamentos diabólicos”, argumentando:

“Quanto mais justo e razoável seria recorrer à igreja, receber o corpo e o sangue de Cristo, ungir com fé, seja o próprio corpo ou o dos seus, com o óleo bento.”

Aqui vemos já uma completa deturpação do significado da ceia do Senhor, pois é esta um memorial, não conferindo qualquer tipo de bênção, graça ou cura. Pois, não há qualquer suporte nas Sagradas Escrituras para que assim pensemos. E assim da mesma forma também não há um “óleo bento pelos sacerdotes”. Pois, primeiramente, não há na Nova Aliança a figura do sacerdote, não há mais a necessidade de intermediação entre o povo e seu Deus. Cada um que tenha em si o selo da salvação, tem acesso direto ao Pai através de Jesus Cristo, nosso Mediador e Advogado para com o Deus. Não há também, como já vimos, sob a Nova Aliança,nenhum objeto ou material consagrado ou santificado, tornando, deste modo, a existência de um “óleo bento”simplesmente impossível. E se não há bênção nem na ceia, nem no óleo, não há razão para uma unção de enfermos, exceto quando ocorrer com caráter puramente medicamentoso, sem qualquer conotação mística ou espiritual.

Quanto à afirmação no sermão 184, não há qualquer fundamento ou razão para afirmar que medicamentos sejam“diabólicos”, ou de qualquer outra forma “impuros” ou “malévolos”. Há contudo, clara proibição bíblica, quanto a se buscar o auxílio de curandeiros e feiticeiros, mas, em nenhum ponto encontramos recomendação contra a busca por médicos ou por medicamentos em caso de doenças. Ao contrário, quando a mulher que sofria com fluxo de sangue procurou por Jesus, é-nos informado que ela já havia procurado por médicos, pratica esta que não foi recriminada por Jesus, apesar de no caso desta mulher não ter sido de eficácia. (Marcos 5.25-34)

Beda (± 720 d.C.)

Segundo o disposto através da teologia de Beda, podemos ver o andamento da deturpação do significado da unção de enfermos, conforme segue:

1°. Naquela época se pensava que a virtude da Unção estava no óleo consagrado pelo bispo, o óleo bento;

1. 2°. A Unção de Enfermos pertencia à categoria dos sacramentos permanentes, assim como a ceia do Senhor e o batismo;

2. 3°. A igreja de Roma cria que assim como na ceia do Senhor é o próprio ministro, o sacerdote, quem consagra o pão, e como também é o sacerdote quem batiza, é este mesmo quem também consagra o óleo para a unção de enfermos, e estes elementos depois de consagrados pelo ministro são repassados aos presbíteros para ministrá-los. Assim, toda a força da bênção do óleo está no pastor, isto é, no sacerdote;

3. 4°. Assim como o pão consagrado para a ceia do Senhor já tem em si a força do sacramento, também o óleo bento consagrado pelo bispo tem a mesma força e o mesmo poder.

Bonifácio (± 900 d.C.)

A partir da reforma carolíngia, a administração do óleo consagrado, ou bento, ficou reservada exclusivamente aos sacerdotes (bispos e presbíteros). Segundo os Statuta Bonifacii, do começo do século IX, os sacerdotes devem, em suas viagens, levar sempre consigo a eucaristia e o “santo óleo”; e lhes é proibido sob pena de deposição confiar aos leigos o “santo óleo”.

Neste ponto muda a igreja de Roma sua concepção do sacramento:

1°. De unção de enfermos passou a ser unção de moribundos (extrema-unção);

2°. Da consagração do óleo passou a ser a administração da unção;

3°. De sacramento com efeitos corporais passou a ser sacramento com efeitos espirituais;

4°. De sacramento autônomo passou a estar unido à penitência;

5°. A teologia escolástica do século XIII já herdara uma situação de fato: o ministro da unção é o sacerdote, o mesmo da penitência.

Deste panorama, tem-se o que hoje é entendido por unção dos enfermos. Uma ação de transferência de poder do sacerdote para o óleo e deste para o enfermo, “trazendo a cura”. Nada mais que uma ação de misticismo e feitiçaria, completamente destacada do contexto e do entendimento bíblicos, ação esta criada por séries de heresias e deturpações históricas, tanto no que se refere ao papel da igreja, quando no que se refere ao papel do ministro da igreja, o seu pastor.

Os reformadores protestantes

No decorrer da Idade Média, a igreja católica separou esse rito da unção de enfermos e o elevou à categoria de sacramento da extrema-unção, mediante o qual, segundo ensinavam seus teólogos, deveria ser ministrado aos fiéis da igreja que estavam moribundos, ou seja, à espera da morte.

Houve consenso entre os reformadores protestantes que assim apresentada, a unção com óleo, era uma falsa interpretação de Tiago 5.14 e de Marcos 6.13.

Segundo Lutero, em sua exposição do texto de Tiago 5.14, o uso da unção com óleo, já cessou:

“Por isso sou de opinião que essa unção é a mesma da qual se escreve, em Mc 6.13, a respeito dos apóstolos: ‘E ungiam muitos enfermos com óleo, e os curavam.’ Trata-se, pois, de um certo rito da Igreja primitiva, pelo qual faziam milagres entre os enfermos. Já desapareceu há muito.

Calvino de igual modo não aceita a contemporaneidade da prática da unção de enfermos, assegurando que esta prática já cessou na igreja, como também, todas as virtudes e os demais milagres que foram operados pelas mãos dos apóstolos, a razão é que este dom (unção de enfermos) era temporal.

Calvino e Lutero são unânimes em afirmar que o azeite era um ungüento utilizado na Igreja Primitiva com fins medicamentosos que associados à oração dos presbíteros, teria muito efeito.

Porque os reformadores não faziam unção de enfermos?

1. Por que o princípio gerador da cura em Tg 5.14 é a fé do doente e as orações dos líderes da igreja;

2. Por que longe de sustentar a extrema-unção ou o crisma (confirmação), a passagem de Tiago 5.14 trata de presbíteros (e não de sacerdotes) orando pela cura do enfermo; O azeite é então um óleo medicinal, e não um preparado mágico para a morte.

3. Por que a unção Veterotestamentária apontava para o Messias, o Ungido de Deus, cumprindo em Cristo a unção final de sacerdote, profeta e rei;

4. Por que no processo evolutivo da revelação de Deus, o óleo da unção aponta para o ministério do Espírito Santo, Aquele que unge, isto é, separa, capacita, credencia o cristão a fazer a obra de Deus. Os que são ungidos com o Espírito Santo não necessitam de nenhum outro tipo de unção;

“E vós tendes a unção do Santo, e sabeis tudo” (1Jo 2.20)

“E a unção que vós recebestes dele, fica em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a sua unção vos ensina todas as coisas, e é verdadeira, e não é mentira, como ela vos ensinou, assim nele permanecereis” (1Jo 2.27)

Analisando o pensamento de Calvino sobre a unção dos enfermos, especialmente em sua exposição do verso em Tiago 5.14, podemos entender o seguinte:

1. Para Calvino esta prática já cessou na Igreja;

2. A unção aponta para a obra e os dons do Espírito Santo; e se nós vivemos hoje no desenvolvimento ministerial do Espírito Santo, com certeza, não há qualquer sentido na prática da unção de Enfermos ou qualquer outro tipo de unção;

3. A unção não tem o efeito das virtudes espirituais apostólicas;

4. A unção não é canal de bênçãos para o crente; canal de bênção é a doutrina Bíblica, as orações (intercessão dos Santos) e a comunhão;

5. A unção não é privativa do pastor da igreja;

6. A unção não tem qualquer efeito de sacramento;

7. A unção não perdoa pecados;

8. A unção não é sinal de cura;

9. A unção não tem poderes mágico-religiosos;

Considerações atuais sobre a unção com óleo

Como conseqüência da situação pela qual vem passando o povo brasileiro, devido às conjunturas políticas, sociais e econômicas, muitos têm encontrado grande dificuldade de acesso à medicina pública, ou nela não têm confiança, recorrendo a uma medicina popular, principalmente através de curandeiros, benzedeiras, e/ou concepções mágico-religiosas. Alguns líderes carismáticos são muitas vezes solicitados a realizar curas divinas através de rituais, e afirmam estar em contato com o Espírito Santo, com anjos, demônios e com o espírito da própria enfermidade. E através de seus “poderes”, tentam realizar a “cura”, e quando esta não vem, alistam variadas razões, entre elas, e principalmente, o fato de o enfermo, ou seus familiares, terem falta de fé. Assim, todo o procedimento de unção assumiu um papel fundamental dentro do simbolismo religioso que se formou nestes dias, sendo este procedimento utilizado para combater doenças tanto do corpo quanto da alma. E só obtêm a “graça” aqueles que são ungidos com óleo consagrado; para estes haverá saúde, emprego, riqueza, e a cura de diversas moléstias e males demoníacos.

Logo tudo passa a ser ungido, a rosa, o barbante, o sal, as fotos, as roupas, a água, o manto, a madeira, e finalmente a própria pessoa é ungida, e caso esteja possuída por demônios estes se manifestam e podem então ser expulsos, através do óleo do exorcismo e da “oração forte”.

Saindo da confusão

Como pudemos perceber perfeitamente através da exposição da história deste procedimento vale aqui de modo especial o que nos é dito pelo texto do salmo 42: “Um abismo chama outro abismo…”.

E é desta confusão teológica que precisamos sair. E a única forma de fazê-lo é através de uma análise exegética da palavra de Deus, à luz de todo o ensino apresentado pela própria palavra de Deus, conforme já vimos anteriormente neste estudo. Vamos seguir então analisando o verso que é usado por base de toda esta“teologia”.

Mas, tenhamos em mente tudo o que já estudamos, e em especial a conclusão a que chegamos através da análise sincera e dedicada da palavra de Deus:

“Resta então apenas um tipo de unção a ser analisado em termos de uso nos dias atuais: a unção de enfermos com fins medicamentosos. Não restou nenhum tipo de unção, com finalidades espirituais, a ser utilizada pelos crentes em Jesus Cristo após o estabelecimento da Nova Aliança.”

Exposição de Tiago 5.14

Analisemos o texto em si, dentro do seu contexto:

“Está alguém entre vós aflito? Ore. Está alguém contente? Cante louvores. (14) Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e orem sobre ele, ungindo-o com azeite em nome do Senhor; (15) E a oração da fé salvará o doente, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados. (16) Confessai as vossas culpas uns aos outros, e orai uns pelos outros, para que sareis. A oração feita por um justo pode muito em seus efeitos.” (Tiago 5.13-16 ACF – destaque acrescentado)

É fundamental entendermos que o texto nos fala de oração. Tiago está tratando, por praticamente toda a sua carta, deste tema. Não podemos entender que ele tenha criado um novo ritual místico-mágico, ou que tenha sido criada uma nova teologia, o que invalidaria esta carta como texto bíblico. Como exemplo, analisemos o que houve recentemente em uma pequena cidade americana próxima de Los Angeles: - Lá ocorreu uma enorme tragédia, quando um pai, jogou fora a insulina que seu pequeno filho diabético necessitava tomar, após pedir ao pastor que realizasse em seu filho a “unção com óleo” e a “oração forte de poder”. Como resultado desta ação irresponsável, seu filhinho morreu. Devemos entender que nem todos os crentes que ficam doentes, recebem cura! Muitas vezes Deus os quer assim, doentes mesmo, de modo que testemunhem de Sua graça mesmo em meio ao sofrimento, ou então para que seja aprendida alguma lição que Deus queira ensinar. O fato é que se todos os crentes recebessem cura, nenhum morreria, pois, a cada doença se seguiria a cura divina! E a história testemunha que não é assim.

Bom, com isto em mente sigamos analisando o texto. A palavra “ungir” em português significa:

1. untar(-se) ou friccionar(-se) com óleo, ungüento ou qualquer substância gorda; fomentar

2. untar ou friccionar com perfumes ou substâncias aromáticas

3. investir de autoridade por meio de unção ou sagração; sagrar

Em grego os dois primeiros sentidos apresentados da palavra “ungir” são entendidos da palavra “aleifw” (aleipho). Já o terceiro sentido, é entendido pela palavra “xriw” (chrio) da qual se deriva a palavra “xristov” (christos), cristo, de onde temos a designação de Jesus como “O Ungido de Deus”, “O Cristo”.

Neste sentido, a primeira (aleipho) é uma palavra que denota uma ação corriqueira e desprovida de qualquer conotação religiosa ou espiritual. Enquanto a segunda (chrio) indica uma ação espiritual, uma consagração divina. E neste verso encontramos a palavra [aleipho] e não a palavra [chrio]!

Considerando, portanto, o significado da palavra e do texto em seu contexto, entendemos que somente o que pode operar qualquer cura é o poder do Senhor, muitas vezes em resposta à oração de um justo.O uso do azeite neste texto se refere então à sua aplicação com vistas a uma ação medicamentosa. Dando-nos instrução que não devemos, como fez aquele infeliz pai americano, deixar de aplicar o medicamento pelo fato de estarmos em oração pela cura, mas, inversamente, devemos aplicar o medicamento e orar confiantemente ao Senhor, clamando pela cura, tanto física, quanto espiritual, em caso de haver pecado envolvido. E o Senhor dentro dos Seus propósitos, irá agir. O poder é do Senhor, e não de uma mandinga qualquer ou de qualquer objeto que supostamente tenha quaisquer poderes curativos.

Conclusão

Diante de tudo o que foi exposto, podemos então afirmar:

1°. A unção de enfermos não é um sacramento, já que não há nenhum sacramento, pois para tal exigir-se-ia um sacerdote para intermediar sua aplicação. E na Nova Aliança, cada crente em Jesus Cristo tem acesso direto ao Pai através Dele, sendo portanto, seu próprio sacerdote, dispensando qualquer tipo de intermediação humana. Além deste fato, não há como se complementar a obra do Senhor Jesus Cristo, ou tomar-se qualquer ação que resulte em graça. A obra de Cristo é completa e perfeita, e a obtenção de graça se dá através do poder do Senhor mediante oração e fé.

2°. Os pais da Igreja não praticaram a unção com fins espirituais na Igreja, entendendo que esta ação não deveria ocorrer no cerne da Nova Aliança.

3°. A instituição da unção dos enfermos durante a Idade Média, (que veio posteriormente a se tornar a extrema-unção católica, e que após o concílio Vaticano II voltou a ser, para os católicos romanos, a unção de enfermos) foi obra de “cristãos” que não tinham uma teologia séria, embasada na Palavra de Deus, mas, ao contrário, desejavam apenas mais um meio de controle sobre as massas.

4°. Conforme pudemos ver da exposição de Tiago 5.14, o óleo não tem em si nenhum poder curativo sobrenatural, além de seu próprio poder como medicamento. O verdadeiro poder está no Senhor, e pode vir a ser derramado sobre o enfermo, em atendimento às orações de verdadeiros crentes no Senhor Jesus Cristo, aqueles que foram justificados pelo Seu sangue.

5°. O azeite em Tiago 5.14, não é expressão do Espírito Santo, nem de Sua ação, pois, este fato viria de encontro a todas as doutrinas apostólicas. A unção que se relaciona com o Espírito Santo é obtida na conversão, quando o crente é Nele batizado e selado para o dia da redenção.

6°. Qualquer pensamento quanto a um valor semimágico da unção com óleo, fere os princípios do Novo Testamento, especialmente no que diz respeito ao objeto da fé, que não pode em nenhuma hipótese ser algo material sob pena de idolatria e paganismo:

“E, chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: É-me dado todo o poder no céu e na terra.” (Mateus 28.18)

Em nada devemos por a nossa fé, a não ser naquele que verdadeiramente nos pode salvar!

7°. No processo evolutivo da revelação de Deus, o óleo da unção apontava para o vindouro ministério do Espírito Santo, que é Aquele que unge, ou seja, Aquele que separa, capacita, credencia o Cristão a fazer a obra de Deus. Os que são ungidos com o Espírito Santo não necessitam de nenhum outro tipo de unção espiritual, em nenhum outro momento de suas vidas!

E que Deus nos abençoe e nos permita permanecer sendo fiéis à Sua palavra e à Sua vontade em cada momento de nossas vidas, deixando e abandonando tudo quanto não provém de Deus! Amém!

Bibliografia Consultada

A BÍBLIA SAGRADA, Versão Revista e Corrigida Fiel ao Texto Original, Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil, São Paulo, 1995.

ARLES, Cesário de – Sermones Sancti Caesarii Arelatensis – Pars Prima, studio D. Germani Morin O.S.B., ed. altera, Turnholti, Brepols, 1953.

CNBB, Observações sobre o Ministro da Unção dos Enfermos. 35ª Assembléia Geral da CNBB.

COELHO FILHO, Isaltino Gomes – Tiago Nosso Contemporâneo: Um Estudo Contextualizado da Epístola de Tiago, 2ª edição, Rio de Janeiro, JUERP, 1990.

ECCLESIA, Patrística e Fontes Cristãs Primitivas: Tradição Apostólica de Hipólito de Roma.

FALCÃO Sobrinho, João – A Túnica Inconsútil: Um estudo sobre a doutrina da igreja, 2a edição revisada, Rio de Janeiro, JUERP, 2002.

HOUAISS, Antonio – Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, versão eletrônica.

LAUAND, Jean – Um Sermão de S. Cesário de Arles.

RÉDUA, Ashbell Simonton – Unção com óleo *com especial gratidão por tão excelente trabalho!

Autor: Walter Andrade Campelo

Fonte: http://www.cacp.org.br/uncao-com-oleo-uma-reflexao-biblica-e-historica/

Atenção:
O conteúdo desta página tem objetivo formativo e educacional. OS ARTIGOS AQUI PUBLICADOS SÃO DE INTEIRA RESPONSABILIDADE DE SEUS AUTORES, CITADOS NO FINAL DE CADA ARTIGO. NÃO NECESSARIAMENTE ESTA PRODUÇÃO CONCORDA INTEIRAMENTE COM O ENTENDIMENTO TEOLÓGICO DE CADA AUTOR. TODAVIA, OS PUBLICAMOS COMO FONTE DE CONHECIMENTO E COMO FORMA DE CONTRIBUIR PARA O ALARGAMENTO DO ENTENDIMENTO E A POSSIBILIDADE DE CONHECERMOS VÁRIAS FORMAS DE PENSAR. CABE A CADA LEITOR REFLETIR, À LUZ DA BÍBLIA, SE CONCORDA OU NÃO COM OS POSICIONAMENTOS AQUI EXPRESSADOS. 

Noel-Child

O NATAL VEIO DO PAGANISMO

apologética Noel-ChildO NATAL VEIO DO PAGANISMO

- PROVAS NA HISTÓRIA E NA BÍBLIA -

 

Enciclopédia Católica (edição de 1911): “A festa do Natal não estava incluída entre as primeiras festividades da Igreja… os primeiros indícios dela são provenientes do Egito… os costumes pagãos relacionados com o princípio do ano se concentravam na festa do Natal“.

Orígenes, um dos chamados pais da Igreja (ver mesma enciclopédia acima): “… não vemos nas Escrituras ninguém que haja celebrado uma festa ou celebrado um grande banquete no dia do seu natalício. Somente os pecadores (como Faraó e Herodes) celebraram com grande regozijo o dia em que nasceram neste mundo“.

Autoridades históricas demonstram que, durante os primeiros 3 séculos da nossa era, os cristãos não celebraram o Natal. Esta festa só começou a ser introduzida após o início da formação daquele sistema que hoje é conhecido como Igreja Romana (isto é, no século 4o). Somente no século 5o foi oficialmente ordenado que o Natal fosse observado para sempre, como festa cristã, no mesmo dia da secular festividade romana em honra ao nascimento do deus Sol, já que não se conhecia a data exata do nascimento de Cristo.

Se fosse da vontade de Deus que guardássemos e celebrássemos o aniversário do NASCIMENTO de Jesus Cristo, Ele não haveria ocultado sua data exata, nem nos deixaria sem nenhuma menção a esta comemoração, em toda a Bíblia. Ao invés de envolvermo-nos numa festa de origem não encontrada na Bíblia mas somente no paganismo, somos ordenados a adorar Deus, a relembrar biblicamente a MORTE do nosso Salvador, e a biblicamente pregar esta MORTE e seu significado, a vitoriosa RESSURREIÇÃO do nosso Salvador, Sua próxima VINDA gloriosa, sua mensagem de SALVAÇÃO para os que creem verdadeiramente e PERDIÇÃO para os não crentes verdadeiros.

1. JESUS NÃO NASCEU EM 25 DE DEZEMBRO

Quando Ele nasceu “… havia naquela mesma comarca pastores que estavam no campo, e guardavam, durante as vigílias da noite, o seu rebanho.”  (Lucas 2:8). Isto jamais pôde acontecer na Judéia durante o mês de dezembro: os pastores tiravam seus rebanhos dos campos em meados de outubro e [ainda mais à noite] os abrigavam para protegê-los do inverno que se aproximava, tempo frio e de muitas chuvas (Adam Clark Commentary, vol. 5, página 370). A Bíblia mesmo prova, em Cant 2:1 e Esd 10:9,13, que o inverno era época de chuvas, o que tornava impossível a permanência dos pastores com seus rebanhos durante as frígidas noite, no campo. É também pouco provável que um recenseamento fosse convocado para a época de chuvas e frio (Lucas 2:1).

2. COMO ESTA FESTA SE INTRODUZIU NAS IGREJAS?

 The New Schaff-Herzog Encyclopedia of Religious Knowledge (A Nova Enciclopédia de Conhecimento Religioso, de Schaff-Herzog) explica claramente em seu artigo sobre o Natal:

“Não se pode determinar com precisão até que ponto a data desta festividade teve origem na pagã Brumália (25 de dezembro), que seguia a Saturnália (17 a 24 de dezembro) e comemorava o nascimento do deus sol, no dia mais curto do ano.

As festividades pagãs de Saturnália e Brumália estavam demasiadamente arraigadas nos costumes populares para serem suprimidos pela influência cristã. Essas festas agradavam tanto que os cristãos viram com simpatia uma desculpa para continuar celebrando-as sem maiores mudanças no espírito e na forma de sua observância. Pregadores cristãos do ocidente e do oriente próximo protestaram contra a frivolidade indecorosa com que se celebrava o nascimento de Cristo, enquanto os cristãos da Mesopotâmia acusavam a seus irmãos ocidentais de idolatria e de culto ao sol por aceitar como cristã essa festividade pagã.

Recordemos que o mundo romano havia sido pagão. Antes do século 4o os cristãos eram poucos, embora estivessem aumentando em número, e eram perseguidos pelo governo e pelos pagãos. Porém, com a vinda do imperador Constantino (no século 4o) que se declarou cristão, elevando o cristianismo a um nível de igualdade com o paganismo, o mundo romano começou a aceitar este cristianismo popularizado e os novos adeptos somaram a centenas de milhares.

Tenhamos em conta que esta gente havia sido educada nos costumes pagãos, sendo o principal aquela festa idólatra de 25 de dezembro. Era uma festa de alegria [carnal] muito especial. Agradava ao povo! Não queriam suprimi-la.”

O artigo já citado da “The New Schaff-Herzog Encyclopedia of Religious Knowledge” revela como Constantino e a influência do maniqueísmo (que identificava o Filho de Deus com o sol) levaram aqueles pagãos do século 4o (que tinham [pseudamente] se “convertido em massa” ao [pseudo] “cristianismo”) a adaptarem a sua festa do dia 25 de dezembro (dia do nascimento do deus sol), dando-lhe o título de dia do natal do Filho de Deus.

Assim foi como o Natal se introduziu em nosso mundo ocidental! Ainda que tenha outro nome, continua sendo, em espírito, a festa pagã de culto ao sol. Apenas mudou o nome. Podemos chamar de leão a uma lebre, mas por isto ela não deixará de ser lebre.

A Enciclopédia Britânica diz:

“A partir do ano 354 alguns latinos puderam mudar de 6 de janeiro para 25 de dezembro a festa que até então era chamada de Mitraica, o aniversário do invencível sol… os sírios e os armênios idólatras e adoradores do sol, apegando-se à data de 6 de janeiro, acusavam os romanos, sustentando que a festa de 25 de dezembro havia sido inventada pelos discípulos de Cerinto.”

3. A VERDADEIRA ORIGEM DO NATAL

O Natal é uma das principais tradições do sistema corrupto chamado Babilônia, fundado por Nimrode, neto de Cam, filho de Noé. O nome Nimrode se deriva da palavra “marad”, que significa “rebelar”. Nimrode foi poderoso caçador CONTRA Deus (Gn 10:9). Para combater a ordem de espalhar-se:

- criou a instituição de ajuntamentos (cidades);
– construiu a torre de Babel (a Babilônia original) como um quádruplo desafio a Deus (ajuntamento, tocar aos céus, fama eterna, adoração aos astros);
– fundou Nínive e muitas outras cidades;
– organizou o primeiro reino deste mundo.

A Babilônia é um sistema organizado de impérios e governos humanos, de explorações econômicas, e de todos os matizes de idolatria e ocultismo.

Nimrode era tão pervertido que, segundo escritos, casou-se com sua própria mãe, cujo nome era Semiramis. Depois de prematuramente morto, sua mãe-esposa propagou a perversa doutrina da reencarnação de Nimrode em seu filho Tamuz. Ela declarou que, em cada aniversário de seu natal (nascimento), Nimrode desejaria presentes em umaárvore. A data de seu nascimento era 25 de dezembro. Aqui está a verdadeira origem da árvore de Natal.

Semiramis se converteu na “rainha do céu” e Nimrode, sob diversos nomes, se tornou o “divino filho do céu”. Depois de várias gerações desta adoração idólatra, Nimrode também se tornou um falso messias, filho de Baal, o deus-sol. Neste falso sistema babilônico, a mãe e o filho (Semiramis e Nimrode encarnado em seu filho Tamuz) se converteram nos principais objetos de adoração. Esta veneração de “a Madona e Seu Filho” (o par “mãe influente + filho poderoso e obediente à mãe”) se estendeu por todo o mundo, com variação de nomes segundo os países e línguas. Por surpreendentemente que pareça, encontramos o equivalente da “Madona”, da Mariolatria, muito antes do nascimento de Jesus Cristo!

Nos séculos 4o e 5o os pagãos do mundo romano se “converteram” em massa ao “cristianismo”, levando consigo suas antigas crenças e costumes pagãos, dissimulando-os sob nome cristãos. Foi quando se popularizou também a ideia de “a Madona e Seu Filho”, especialmente na época do Natal. Os cartões de Natal, as decorações e as cenas do presépio refletem este mesmo tema.

A verdadeira origem do Natal está na antiga Babilônia. Está envolvida na apostasia organizada que tem mantido o mundo no engano desde há muitos séculos! No Egito sempre se creu que o filho de Ísis (nome egípcio da “rainha do céu”) nasceu em 25 de dezembro. Os pagãos em todo o mundo conhecido já celebravam esta data séculos antes do nascimento de Cristo.

Jesus, o verdadeiro Messias, não nasceu em 25 de dezembro. Os apóstolos e a igreja primitiva jamais celebraram o natalício de Cristo. Nem nessa data nem em nenhuma outra. Não existe na Bíblia ordem nem instrução alguma para fazê-lo. Porém, existe, sim, a ordem de atentarmos bem e lembrarmos sempre a Sua MORTE (1Co 11:24-26; Joã 13:14-17).

4. OUTROS COSTUMES PAGÃOS, NO NATAL: GUIRLANDA, VELAS, PAPAI NOEL

guirlanda velas

 A GUIRLANDA (coroa verde adornada com fitas e bolas coloridas) que enfeita as portas de tantos lares é de origem pagã. Dela disse Frederick J. Haskins em seu livro “Answer to Questions” (Respostas a Algumas Perguntas):”[A guirlanda] remonta aos costumes pagãos de adornar edifícios e lugares de adoração para a festividade que se celebrava ao mesmo tempo do [atual] Natal. A árvore de Natal vem do Egito e sua origem é anterior à era Cristã.”

Também as VELAS, símbolo tradicional do Natal, são uma velha tradição pagã, pois se acendiam ao ocaso para reanimar ao deus sol, quando este se extinguia para dar lugar à  noite.

PAPAI NOEL é lenda baseada em Nicolau, bispo católico do século 5o. A Enciclopédia Britânica, 11ª edição, vol. 19, páginas 648-649, diz: “São Nicolau, o bispo de Mira, santo venerado pelos gregos e latinos em 6 de dezembro… conta-se uma lenda segundo a qual presenteava ocultamente a três filhas de um homem pobre… deu origem ao costume de dar em secreto na véspera do dia de São Nicolau (6 de dezembro), data que depois foi transferida para o dia de Natal. Daí a associação do Natal com São Nicolau…”

Os pais castigam a seus filhos por dizerem mentiras. Porém, ao chegar o Natal, eles mesmos se encarregam de contar-lhes a mentira de “Papai-Noel”, dos “Reis Magos” e do “Menino Deus”! Por isso não é de se estranhar que, ao chegarem à idade adulta, também creiam que Deus é um mero mito.      –      Certo menino, sentindo-se tristemente desiludido ao conhecer a verdade acerca de Papai Noel, comentou a um amiguinho: “Sim, também vou me informar acerca do tal Jesus Cristo!”      –     É cristão ensinar às crianças mitos e mentiras? Deus disse: “… nem mentireis, nem usareis de falsidade cada um  com o seu próximo;”  (Lev 19:11). Ainda que à mente humana pareça bem e justificado, Deus, porém, disse: “Há um caminho que parece direito ao homem, mas o seu fim são os caminhos da morte.”  (Prov 16:25).

Estudados os fatos, vemos com assombro que o costume de celebrar o Natal, em realidade, não é costume cristão mas, sim, pagão. Ele constitui um dos caminhos da Babilônia no qual o mundo tem caído!

5. O QUE A BÍBLIA DIZ SOBRE A ÁRVORE DE NATAL?

img_como_guardar_uma_arvore_de_natal_artificial_4467_orig

As falsas religiões sempre utilizaram a madeira, bem como as árvores, com fins de idolatria:

“Sacrificam sobre os cumes dos montes, e queimam incenso sobre os outeiros, debaixo do carvalho, e do álamo, e do olmeiro, porque é boa a sua sombra; por isso vossas filhas se prostituem, e as vossas noras adulteram.”  (Os 4:13)

“Não plantarás nenhuma árvore junto ao altar do SENHOR teu Deus, que fizeres para ti.”  (Deut 16:21)

Essas árvores ou pedaços de madeira serviam para adoração e culto doméstico. O pinheiro – símbolo natalino – possui a mesma conotação.

6. É BÍBLICA A TROCA DE PRESENTES?

presentes

Biblioteca Sacra, vol. 12, páginas 153-155: “A troca de presentes entre amigos é característico tanto do Natal como da Saturnália, e os cristãos seguramente a copiaram dos pagãos, como o demonstra com clareza o conselho de Tertuliano”.

O costume de trocar presentes com amigos e parentes durante a época natalina não tem absolutamente nada a ver com o cristianismo! Ele não celebra o nascimento de Jesus Cristo nem O honra! (Suponhamos que alguma pessoa que você estima está aniversariando. Você a honraria comprando presentes para os seus próprios amigos??… Omitiria a pessoa a quem deveria honrar??… Não parece absurdo deste ponto de vista?!…)

Contudo, isto é precisamente o que as pessoas fazem em todo o mundo. Observam um dia em que Cristo não nasceu, gastando muito dinheiro em presentes para parentes e amigos. Porém, anos de experiência nos ensinam que os cristãos confessos se esquecem de dar o que deviam, a Cristo e a Sua obra, no mês de dezembro. Este é o mês em que mais sofre a obra de Deus. Aparentemente as pessoas estão tão ocupadas trocando presentes natalinos que não se lembram de Cristo nem de Sua obra. Depois, durante janeiro a fevereiro, tratam de recuperar tudo o que gastaram no Natal, de modo que muitos, no que se refere ao apoio que dão a Cristo e Sua obra, não voltam à normalidade até março.

Vejamos o que diz a Bíblia em Mateus 2:1,11 com respeito aos presentes que levaram os magos quando Jesus nasceu:

“E, tendo nascido Jesus em Belém de Judéia, no tempo do rei Herodes, eis que uns magos vieram do oriente a Jerusalém, … E, entrando na CASA, acharam o menino com Maria sua mãe e, prostrando-se, O adoraram; e abrindo os seus tesouros, ofertaram-LHE dádivas: ouro, incenso e mirra.”

7. POR QUE OS MAGOS LEVARAM PRESENTES A CRISTO?

Por ser o dia de seu nascimento? De maneira nenhuma! Pois eles chegaram muitas semanas ou meses depois do seu nascimento (Mt 2:16). Ao contrário do que mostram os presépios, Jesus já estava numa casa, não numa estrebaria.

Então, os magos deram presentes uns aos outros para deixar-nos exemplo a ser imitado? Não! Eles não trocaram nenhum presente com seus amigos e familiares, nem entre si mesmos, mas sim presentearam unicamente a CRISTO.

Por que? O mencionado comentário bíblico de Adan Clarke, vol. 5, pg.46, diz: “Versículo 11 (“ofereceram-lhe presentes”). No Oriente não se costuma entrar na presença de reis ou pessoas importantes com as mãos vazias. Este costume ocorre com freqüência no Velho Testamento e ainda persiste no Oriente e em algumas ilhas do Pacífico Sul.”

Aí está! Os magos não estavam instituindo um novo costume cristão de troca-troca de presentes para honrar o nascimento de Jesus Cristo! Procederam de acordo com um antigo costume Oriental que consistia em levar presentes ao rei ao apresentarem-se a ele. Eles foram pessoalmente à presença do Rei dos Judeus. Portanto, levaram oferendas, da mesma maneira que a rainha de Sabá levou a Salomão, e assim como levam aqueles que hoje visitam um chefe de estado.

O costume de trocas de presentes de Natal nada tem a ver com o nascimento do Cristo de Deus, é apenas a continuação de um costume pagão.

8. UM “NATAL CORRIGIDAMENTE CRISTÃO”  PODERIA REALMENTE HONRAR A CRISTO?

Há pessoas que insistem em que, apesar das raízes do Natal estarem no paganismo, agora elas não observam o Natal para honrarem um falso deus, o deus sol, senão para honrarem a Jesus Cristo. Mas diz Deus:

“Guarda-te, que não te enlaces seguindo-as, …; e que não perguntes acerca dos seus deuses, dizendo: ‘Assim como serviram estas nações os seus deuses, do mesmo modo também farei eu.’    Assim não farás ao SENHOR teu Deus; porque tudo o que é abominável ao SENHOR, e que Ele odeia, fizeram eles a seus deuses; …”.  (Deut 12:30-31)

“Assim diz o SENHOR: ‘Não aprendais o caminho dos gentios, …    Porque os costumes dos povos são vaidade; …'”(Jr 10:2-3).

Deus disse-nos claramente que não aceitará este tipo de adoração: ainda que tenha hoje a intenção de honrá-Lo, teve origem pagã e, como tal, é abominável e honra não a Ele mas sim aos falsos deuses pagãos.

Deus não quer que O honremos “como nos orienta a nossa própria consciência”:

“Deus é Espírito; e importa que os que O adoram O adorem em espírito e em verdade”. (João 4.24).

O que é a verdade? Jesus disse que a Sua palavra, a Bíblia, é a verdade (João 17:17).  E a Bíblia diz que Deus não aceitará o culto de pessoas que, querendo honrar a Cristo, adotem um costume pagão:

“Mas em vão me adoram, ensinando doutrina que são preceitos dos homens.” (Mt 15:9).

A comemoração do Natal é um mandamento (uma tradição) de homens e isto não agrada a Deus.

“E assim invalidastes, pela vossa tradição, o mandamento de Deus” (Mat 15:6).
“Assim não farás ao SENHOR teu Deus; porque tudo o que é abominável ao SENHOR, e que ele odeia, fizeram eles a seus deuses…”  (Deut 12:31)

Não podemos honrar e agradar a Deus com elementos de celebrações pagãs!

9. ESTAMOS NA BABILÔNIA, SEM O SABERMOS

Nem precisamos elaborar: quem pode deixar de ver nauseabundos comercialismo, idolatria, e contemporização, por trás do “Natal”?… E que diz Deus? Devemos “adaptar e corrigir o erro”? Ou devemos praticar “tolerância zero, separação total”?

“Sai dela, povo meu, para que não sejas participante dos seus pecados, e para que não incorras nas suas pragas.”(Ap 18:4)

10. AFINAL, A BÍBLIA MOSTRA QUANDO NASCEU JESUS?

Jesus Cristo nasceu na festa dos Tabernáculos, a qual acontecia a cada ano, no final do 7º mês (Iterem) do calendário judaico, que corresponde ao mês de setembro do nosso calendário. A festa dos Tabernáculos (ou das Cabanas) significava Deus habitando com o Seu povo. Foi instituída por Deus como memorial, para que o povo de Israel se lembrasse dos dias de peregrinação pelo deserto, dias em que o Senhor habitou no Tabernáculo no meio de Seu povo (Lev 23:39-44; Nee 8:13-18 ).

Em João 1:14 (“E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.”) vemos que o Verbo (Cristo) habitou entre nós. Esta palavra no grego é skenoo = tabernáculo. Devemos ler “E o Verbo se fez carne, e TABERNACULOU entre nós, e…”. A festa dos Tabernáculos cumpriu-se em Jesus Cristo, o Emanuel (Isa 7:14)  que significa “Deus conosco”. Em Cristo se cumpriu não apenas a festa dos Tabernáculos, mas também a festa da Páscoa, na Sua morte  (Mat. 26:2; 1Cor 5:7), e a festa do Pentecostes, quando Cristo imergiu dentro do Espírito Santo a todos os que haveriam de ser salvos na dispensação da igreja (Atos 2:1).

Vejamos nas Escrituras alguns detalhes que nos ajudarão a situar cronologicamente o nascimento de Jesus:

·        Os levitas eram divididos em 24 turnos e cada turno ministrava por 15 dias;  1Cr 24:1-19 (24  x 15 dias = 360 dias = 1 ano)

·        O oitavo turno pertencia a Abias (1Cr 24:10)

·        O primeiro turno iniciava-se com o primeiro mês do ano judaico – mês de Abibe Êxo 12:1-2; 13:4; Deut 16:1.

Temos a seguinte correspondência:

Mês (número) Mês (nome, em Hebraico) Turnos Referências
1 Abibe ou Nisã = março 1 e 2 Êxo 13:4 Ester 3:7
2 Zive = abril 3 e 4 1Re 6:13
3 Sivã = maio 5 e 6 Est 8:9
4 Tamuz = junho 7 e 8 (Abias) Jer 39:2; Zac 8:19
5 Abe = julho 9 e 10 Núm 33:38
6 Elul: agosto 11 e 12 Nee 6:15
7 Etenim ou Tisri = setembro 13 e 14 1Rs 8:2
8 Bul = outubro 15 e 16 1Rs 6:38
9 Chisleu = novembro 17 e 18 Esd 10:9; Zac 7:
10 Tebete = dezembro 19 e 20 Est 2:16
11 Sebate = janeiro 21 e 22 Zac 1:7
12 Adar = fevereiro 23 e 24 Est 3:7

                                                                 

Zacarias, pai de João Batista, era sacerdote e ministrava no templo durante o “turno de Abias” (Tamuz, i.é, junho) (Luc 1:5,8,9). Terminado o seu turno voltou para casa e (conforme a promessa que Deus lhe fez) sua esposa Isabel, que era estéril, concebeu João Batista (Luc 1:23-24) no final do mês Tamus (junho) ou início do mês Abe (julho). Jesus foi concebido 6 meses depois (Luc 1:24-38), no fim de Tebete (dezembro) ou início de Sebate (janeiro). Nove meses depois, no final de Etenim (setembro), mês em que os judeus comemoravam a Festa dos Tabernáculos, Deus veio habitar, veio tabernacular conosco. Nasceu Jesus, o Emanuel (“Deus conosco”).


Fonte: Sola Scriptura

Atenção:
O conteúdo desta página tem objetivo formativo e educacional.OS ARTIGOS AQUI PUBLICADOS SÃO DE INTEIRA RESPONSABILIDADE DE SEUS AUTORES, CITADOS NO FINAL DE CADA ARTIGO. NÃO NECESSARIAMENTE ESTA PRODUÇÃO CONCORDA INTEIRAMENTE COM O ENTENDIMENTO TEOLÓGICO DE CADA AUTOR. TODAVIA, OS PUBLICAMOS COMO FONTE DE CONHECIMENTO E COMO FORMA DE CONTRIBUIR PARA O ALARGAMENTO DO ENTENDIMENTO E A POSSIBILIDADE DE CONHECERMOS VÁRIAS FORMAS DE PENSAR. CABE A CADA LEITOR REFLETIR, À LUZ DA BÍBLIA, SE CONCORDA OU NÃO COM OS POSICIONAMENTOS AQUI EXPRESSADOS. 

 

criacionismo

Alguns benefícios do Criacionismo para a Ciência e a Sociedade

       apologética criacionismoAlguns benefícios do Criacionismo para a Ciência e a Sociedade

Autor: Robson T. Fernandes

  Muito tem se falado sobre os reais benefícios do Criacionismo na história da humanidade, como se não houvesse nenhum e por isso fosse uma teoria inútil. Na verdade, esse argumento utilizado por evolucionistas vem sendo apresentado como prova de suas convicções, todavia, não corresponde a verdade dos fatos, mas é apenas uma falácia fraudulenta típica do evolucionismo historicamente alicerçado na impostura.

O Dr. Ben Clausen [1] do Geoscience Research Institute publicou um artigo [2] sobre fé e ciência que eu achei bastante interessante, no qual cita uma matéria publicada na revista Nature, de 3 de Abril de 1997, cujo título era “Scientists are still keeping the faith”, cuja matéria afirmava que 40% dos cientistas nos Estados Unidos criam em um Deus pessoal. Ora, uma afirmação desse tipo, em uma revista notadamente evolucionista, pode ser considerado como algo extraordinário.

            Clausen continua, ao apresentar uma lista singela de 5 nomes conceituados na atualidade nos EUA que são criacionistas. São eles: Walter Bradley (do Departamento de Engenharia Mecânica do Texas A&M), Paul Chien (Biólogo na Universidade de São Francisco), Michael Behe (Bioquímico e muito conhecido por causa de seu livro: A Caixa Preta de Darwin), Owen Gingerich (Astrônomo no Smithsonian e em Harvard), Fritz Schaefer (Químico Quântico na Universidade de Geórgia e várias vezes indicado ao Prêmio Nobel em Química), e Phil Johnson (Professor de Direito na Universidade da Califórnia, Berkeley que embora não seja cientista é autor do livro Darwin on Trial).

            Curiosamente, na atualidade, temos encontrado uma enorme diversidade de cientistas que tem abandonado suas crenças filosóficas e fictícias no evolucionismo e cedido as descobertas verdadeiramente cientificas que apoiam o criacionismo. Boa parte de tais cientistas são membros integrantes de instituições de renome internacional, como o Smithsonian, Harvard, Universidade de Berkeley (uma das universidades responsáveis por fornecer grande parte dos ganhadores do prêmio Nobel) entre outras.

            Clausen continua afirmando que em Fevereiro de 1998 a Scientific American descreve o responsável pelo projeto Genoma nos EUA, Francis S. Collins, como sendo um crente. A mesma revista traz uma matéria intitulada “Creationism’s Geologic Time Scale”.

            Mais duas coisas me chamaram a atenção:

            Primeiro, quando Clausen afirma que os Historiadores da Ciência estão sugerindo que o ambiente judaico-cristão na Europa Ocidental juntamente com a convicção em um Deus monoteísta sejam os responsáveis pelo desenvolvimento da ciência moderna naquela cultura [3].

            Segundo, quando ele começa a citar alguns dos principais cientistas na história que eram cristãos e criacionistas. Como:

            – Isaac Newton, que desenvolveu as teorias da luz e gravitação universal, e juntamente com Leibniz inventou o Cálculo.

            – Blaise Pascal, um matemático brilhante que se converte aos 31 anos de idade.

            – Robert Boyle, que foi o fundador da Royal Society de Londres, e que algumas vezes é chamado de pai da química moderna. Em seu testamento ele deixa uma cláusula na qual se prevê um fundo para combater o ateísmo.

            – Louis Pasteur, que realizou avanços na Biologia e demonstrou que a Geração Espontânea não pode ocorrer.

            – William Buckland, que foi professor de Geologia em Oxford, onde ficou conhecido pelo seu Estudo Sistemático da Estrutura Geológica, tornando-se presidente da Geological Society.

            – Lord Kelvin, que desenvolveu a 2ª Lei da termodinâmica, que fala sobre a dissipação universal da energia. Kelvin baseou sua lei no fato de que as leis naturais foram criadas e governadas por um poder Divino. Ele baseou sua Lei no Salmo 102:26, um texto Bíblico.

            – Carolus Linnaeus, que é considerado o pai da taxonomia, e instituiu a nomenclatura binomial usada na atualidade, para definir gênero e espécie. Ele desenvolveu esse sistema de nomenclatura se baseando nos seres “distintos” que foram criados e que são mencionados no livro de Gênesis.

            – Johannes Kepler, que pensou que a doutrina da Trindade é sugerida nas três partes do sistema heliocêntrico, estrelas fixas e o espaço entre eles.

              Algumas bibliografias utilizadas pelo Dr. Ben Clausen foram:

Albritton, Claude C., Jr. 1980. The Abyss of Time: Changing Conceptions of the Earth’s Antiquity after the Sixteenth Century (Freeman, Cooper & Co.).

Beardsley, Tim. 1998. “Where Science and Religion Meet,” Scientific American 278(February):28-29.

Begley, Sharon. 1998. “Science Finds God,” Newsweek (July 20):46-51.

Behe, Michael J. 1996. Darwin’s Black Box (Free Press).

Bradley, Walter. 1994. “Scientific Evidence for the Existence of God,” The Real Issue 13(September/October):3-6,14.

            Outro dos grandes benefícios que criacionistas deixaram para a humanidade incluem a criação de museus, universidades e centros de pesquisas. Podemos citar, por exemplo, a Royal Society de Londres, que teve como um dos principais fundadores o crente e criacionista Robert Boyle, que destinou parte de sua herança para combater o ateísmo. Ou a Linnean Society of London, que também teve como um dos fundadores o crente e criacionista Carl Linnaeus, cuja entidade recebe o seu nome.

O Dr. Dominique Tassot, responsável pelo Centre d’Etude et de Prospectives sur la Science, fundado em 1997 e composto, atualmente, por 700 pesquisadores, tem se destacado nas pesquisas científicas que dão apoio ao criacionismo. O Centro de Estudo e Prospectiva na Ciência não é composto apenas por crentes, mas por membros de diversas religiões, que incluem católicos, adventistas, evangélicos etc. Portanto, não se trata de teólogos ou religiosos, mas cientistas.

            Um dos membros que mais se destacam entre os cientistas do Centre d’Etude et de Prospectives sur la Science é o Dr. Guy Berthault, que possui artigos publicados em fontes acadêmicas fidedignas, e que estão espalhados ao redor do mundo e têm derrubando cientificamente o atual ensino evolucionista sobre a idade da Terra.

            Para o Dr. Dominique Tassot, o evolucionismo é cientificamente insano. Em uma entrevista [4] concedida à John L. Allen Jr., o Dr. Tassot disse:

           “Mas depois eu li um livro escrito por dois cientistas franceses durante a Segunda Guerra Mundial no qual eles questionaram a evolução em bases científicas. Minhas dúvidas começaram naquele momento … Originalmente, era o argumento de probabilidade, significando a extrema improbabilidade de mutação positiva no sentido que a teoria evolucionista sugere. Depois, é claro, eu fui persuadido também pela refutação de Berthault da cronologia geológica. No final, a verdade teológica, filosófica e científica deve estar de acordo. Toda a verdade tem que funcionar junta. Assim se a evolução não tiver uma base científica sã, não é necessário desperdiçar tempo discutindo se é compatível com a teologia cristã.”

            Vários outros cientistas tem dado provas científicas da consistência e veracidade do criacionismo, como o Dr. Hans Zilmer, que é paleontólogo e membro da Academia de Ciências de Nova York e o Dr. Guy Berthault, membro da Academia Nacional de Ciência da França.

Por fim, podemos afirmar que a antiga argumentação utilizada por evolucionistas está caindo, pois afirmavam que a comunidade científica era evolucionista, todavia, estamos vendo o quadro mudar mais uma vez, pois desde o surgimento da maior mentira de todos os tempos – evolucionismo – todas as suas afirmações, proposições e argumentações têm sido desmanchadas, e essa não poderia ser diferente.

            “A evolução acabou de receber o seu golpe mortal. Após ler o livro Origins of Life [Origem da Vida] com a minha formação em química e física, é claro que a evolução [biológica] não poderia ter ocorrido”.

Richard Smalley, Ph.D., prêmio Nobel em Química de 1996

  

REFERÊNCIAS:

1. Benjamin L. Clausen (Ph.D., Universidade do Colorado, Boulder) trabalha com o Geoscience Research Institute da Califórnia. Ele fez pesquisas em física nuclear no Laboratório Nacional de Los Alamos e no Instituto de Tecnologia de Massachussets, bem como em aceleradores em Amsterdam e em Dubna, Rússia. Seu endereço: Geoscience Research Institute; Loma Linda University; Loma Linda, CA 92350; E.U.A.   E-mail: ben@orion.lasierra.edu

2. http://dialogue.adventist.org/articles/07_3_clausen_p.htm

3. (Jaki, Stanley L. 1978. The Road of Science and the Ways to God (Univ. of Chicago Press). Lindberg, David C. and Ronald L. Numbers, eds. 1986. God and Nature (Univ. of Calif. Press). Lindberg, David C. 1992. The Beginnings of Western Science: the European Scientific Tradition in Philosophical, Religious, and Institutional Context, 600 B.C. to A.D. 1450 (Univ. of Chicago Press)).

4.http://ncronline.org/mainpage/specialdocuments/tassot_interview.pdf.

 

robsontfernandesRobson Tavares Fernandes é bacharel em Teologia pelo STEC (Seminário Teológico Evangélico Congregacional). Tem se dedicado desde 1998 ao ensino e pesquisa bíblica na área de Apologética, sendo autor de vários artigos já publicados. Atuação como professor: Curso de Teologia da Igreja Batista da Palmeira, CBA (Curso Básico de Apologética) e ITESMI (Instituto Teológico Superior de Missões). Atuação como pesquisador: VINACC (Visão Nacional para a Consciência Cristã). Atuação como palestrante: Encontro para a Consciência Cristã, Simpósio Criacionista da Paraíba, Seminário Criacionista da Alagoas. Tem ministrado, ainda, palestras em igrejas, escolas e universidades.

Contato:  cristovira@bol.com.br  rtf75@bol.com.br

Atenção:
O conteúdo desta página tem objetivo formativo e educacional. OS ARTIGOS AQUI PUBLICADOS SÃO DE INTEIRA RESPONSABILIDADE DE SEUS AUTORES, CITADOS NO FINAL DE CADA ARTIGO. NÃO NECESSARIAMENTE ESTA PRODUÇÃO CONCORDA INTEIRAMENTE COM O ENTENDIMENTO TEOLÓGICO DE CADA AUTOR. TODAVIA, OS PUBLICAMOS COMO FONTE DE CONHECIMENTO E COMO FORMA DE CONTRIBUIR PARA O ALARGAMENTO DO ENTENDIMENTO E A POSSIBILIDADE DE CONHECERMOS VÁRIAS FORMAS DE PENSAR. CABE A CADA LEITOR REFLETIR, À LUZ DA BÍBLIA, SE CONCORDA OU NÃO COM OS POSICIONAMENTOS AQUI EXPRESSADOS. 

a_here7

A Heresia da morte espiritual de Jesus segundo o Movimento da Fé

 apologéticaa_here7

A Heresia da morte espiritual de Jesus segundo o Movimento da Fé

Autor: Robson T. Fernandes

  “Pois também Cristo sofreu pelos pecados de uma vez por todas, o justo pelos injustos, para conduzir-nos a Deus. Ele foi morto no corpo, mas vivificado pelo Espírito” (1 Pe 3:18 – NVI)

 “Porque também Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus; mortificado, na verdade, na carne, mas vivificado pelo Espírito” (1 Pe 3:18 – RC)

 ὅτικαὶΧριστὸςἅπαξπερὶἁμαρτιῶνἔπαθενδίκαιοςὑπὲρἀδίκωνἵναἡμᾶςπροσαγάγῃτῷθεῷθανατωθεὶςμὲνσαρκὶζῳοποιηθεὶςδὲτῷπνεύματι·

                O texto de 1Pe 3:18, no final, apresenta a expressão τῷπνεύματι (tô pneumati), que é traduzida como “pelo Espírito”. Todavia, é importante destacar o termo “τῷ” (tô) que aparece junto a Deus, τῷθεῷ (tô Theô – a Deus), e junto a Espírito, τῷπνεύματι. (tô pneumati – pelo Espírito). O artigo “tô” está no caso dativo [1]. Isso significa que além de definir também serve para indicar a pessoa a quem algo é dado, e (ou) para indicar a coisa com o qual se faz algo. Dessa forma, entende-se que se está indicando que fomos dados a Deus pelo sacrifício de Cristo, e que o agente vivificador de Sua ressurreição foi o Espírito.

                Diante dessa informação podemos entender que na ação da ressurreição de Cristo o Espírito Santo estava ativo e atuante.

                Outro fato importante a ser observado é que, na parte final do texto, o termo σαρκὶ(sarki) é destacado, significando, segundo o Strong’s Hebrew and Greek Dictionaries [2]: carne, corpo, natureza humana. Ainda, segundo o mesmo Dicionário, o termo significa estritamente o corpo, e não a alma e espírito, mas apenas o corpo físico.

                Assim sendo, podemos concluir com base no texto bíblico que a informação correta é que tanto o sofrimento de Cristo, bem como a nossa condução até a presença de Deus se dá por causa da morte física de Cristo. Nada encontramos, por menor que seja, que dê respaldo para a afirmação que Cristo morreu espiritualmente.

                            “A morte física não removeria os nossos pecados. Provou a morte por todo homem – a morte espiritual. Jesus é a primeira pessoa que já nasceu de novo. Por que o Seu espírito precisava nascer de novo? Porque ficou alienado de Deus.”

Kenneth E. Hagin [3]

                A afirmação do Sr. Kenneth Hagin de que a morte física de Cristo não seria suficiente para remover os nossos pecados constitui-se como uma verdadeira afronta ao verdadeiro ensino bíblico, demonstrando o grau de desconhecimento existente não só da sua parte, mas da parte de todos os que adotam tal heresia, colocando-os como alienados de Deus e da Sagrada Escritura.

                A veracidade da mensagem bíblica deixa claro que foi exatamente a morte física de Cristo que removeu os nossos pecados. Vejamos alguns exemplos do que a Escritura nos diz a respeito:

 “Nele também fostes circuncidados, não por intermédio de mãos, mas no despojamento do corpo da carne, que é a circuncisão de Cristo” (Cl 2:11)

                 Ao escrever para a igreja de Colosso, o apóstolo Paulo afirma que fomos “circuncidados, não por intermédio de mãos, mas no despojamento do corpo da carne”.

                Para entendermos tal expressão precisamos compreender o significado da circuncisão.

                M. H. Woudstra [4] nos fala acerca do significado da circuncisão no Antigo Testamento e a complementação do ensino e de seu sentido no Novo Testamento:

                “Como sinal da aliança com Abraão (Gn 17.11), participa das características dessa aliança. Parece passível de um aprofundamento progressivo em seu significado, e ensina verdades éticas e espirituais. O rito externo, cuja observância é rigorosamente exigida (Gn 17.12ss.; Ex 4.24ss.; Js 5.2ss.), deve ser o sinal de uma mudança interna, efetuada por Deus (Dt 10.16; 30.6). Os incircuncisos, bem como os impuros, estão excluídos da “Cidade Santa” (Is 52.1; cf. Ez 44.7, 9). A humildade e aceitação do castigo divino devem tomar o lugar do coração incircunciso, antes de Deus restaurar a Sua aliança (Lv 26.41).

O NT reflete este ensino e o completa. Sendo que a circuncisão é um sinal da justiça pela fé (Rm 4.10-11) e já que ela perdeu a sua relevância para a justificação, porque Cristo já veio (GI 5.6), nenhum crente neotestamentário pode ser obrigado a submeter-se a ela (At 15.3-21; cf. GI 2.3). À luz deste cumprimento no NT, a circuncisão agora se aplica igualmente aos cristãos judeus e gentios (Fp 3.3) visto que na “circuncisão de Cristo” todos os que são batizados despojaram-se do corpo da carne (CI 2.11-12).”

O que entendemos do significado da circuncisão pode ser resumido na afirmação de que é um ato físico que traz uma mudança interna, ou seja, uma mudança espiritual.

Entendemos que tal circuncisão veterotestamentária simbolizava o corpo de Cristo que seria dilacerado, assim como o apóstolo Paulo afirma: “não por intermédio de mãos, mas no despojamento do corpo da carne, que é a circuncisão de Cristo”. Portanto, essa mudança espiritual, que é chamada de avivamento espiritual foi permitida graças ao sacrifício físico de Cristo, e nada tem haver com uma suposta morte espiritual. Essa vivificação espiritual é realizada pelo Espírito Santo, graças ao despojamento do corpo físico de Cristo.

Se faz necessário entender que o termo no original que é empregado para se referir ao corpo de Cristo que é “circuncidado” é σαρκός (sarkós), do grego σαρκὶ(sarki).

Ainda, segundo o Strong’s Hebrew and Greek Dictionaries [5] o termo significa: carne, corpo, natureza humana. Sendo empregado estritamente ao corpo físico, e não a alma e espírito, mas apenas ao corpo físico. Portanto, Cristo não morreu espiritualmente nem ressuscitou espiritualmente, para nos proporcionar uma “vivificação ou ressurreição espiritual”. Sua morte e ressurreição foram físicas, como deixa bastante claro o texto citado.

 “Nessa vontade é que temos sido santificados, mediante a oferta do corpo de Jesus Cristo, uma vez por todas” (Hb 10:10)

                 Hebreus 10:10 é bastante claro, ainda, ao afirmar que fomos santificados pela oferta do corpo físico de Jesus Cristo.

                Essa santificação é chamada de ἡγιασμένοι (hegiasmenoi), cuja raiz é ἁγιάζω [6] (hagiazō), significando: fazer santo, purificar, consagrar e ser santificado.

                Portanto, foi o sacrifício físico de Jesus Cristo que nos trouxe benefícios espirituais a exemplo da santificação. Esse tipo de santificação não possui nenhuma ligação com uma hipotética e ilusória suposta morte espiritual ou ressurreição espiritual.

                A forma como o termo “santificados” é apresentado nesse texto, ἡγιασμένοι (hegiasmenoi), é traduzido literalmente com o sentido que não somos santos por buscar essa santificação, mas porque essa santificação nos foi proporcionada por outro alguém, nós fomos santificados, alguém nos fez isso, alguém nos imputou essa santificação. Portanto, essa não é uma santificação diária que todo crente deve buscar ao afastar-se do pecado e aproximar-se de Deus (santificação progressiva), mas é uma santificação posicional. Jesus Cristo, através de seu sacrifício físico, nos colocou nessa posição diante do Pai celestial.

                Essa explicação é comprovada pela presença do caso genitivo [7] no grego através da presença do termo τοῦ (tu).

τοῦσώματοςτοῦἸησοῦΧριστοῦἐφάπαξ

(tu sômatos tu Iêsu Christu efápaks)

do corpo de Jesus Cristo, uma vez por todas

                 O termo τοῦ, no caso genitivo, é utilizado para destacar que uma coisa está intimamente ligada com outra. Nesse caso, a santificação está intimamente ligada com a obra de Cristo, e esta obra está intimamente ligada com a oferta de seu corpo. Por conseguinte, o termo corpo refere-se ao corpo físico, como já vimos anteriormente.

                Esses benefícios nos foram proporcionados por causa do grande amor do Pai que deu seu Filho unigênito para se entregar fisicamente por nós, e cuja operação de tais maravilhas em nossas vidas é efetuada mediante a ação do Espírito Santo. Nada tem haver com uma morte espiritual anti-bíblica.

A afirmação de que Cristo teria supostamente morrido espiritualmente repousa na defesa de que sua divindade não existia durante o período em que andou na Terra, após nascer como homem.

 “Nas tuas mãos encomendo o meu espírito; tu me redimiste, Senhor Deus da verdade” (Sl 31:5)

 “E, clamando Jesus com grande voz, disse: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito. E, havendo dito isto, expirou” (Lc 23:46) 

“Por isto o Pai me ama, porque dou a minha vida para tornar a tomá-la. Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou; tenho poder para a dar, e poder para tornar a tomá-la. Este mandamento recebi de meu Pai.” (Jo 10:17-18)

                 Por várias vezes tentaram assassinar Jesus. Porém, tais investidas terminaram no insucesso. Quando estava prestes a nascer Herodes tentou mata-Lo (Mt 2:13); quando afirmou ser o Messias, tentaram joga-Lo de um precipício, mas Ele saiu andando pelo meio da multidão (Lc 4:21-30); quiseram apedreja-Lo dentro do templo, mas Ele saiu sem que ninguém o visse (Jo 8:59)… Arquitetaram, maquinaram e planejaram mata-Lo por diversas vezes (Mc 3:6; Mc 11:18; Jo 8:40; Jo 11:53).

                Enfaticamente Jesus disse acerca de Sua própria vida: “Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou”. E na cruz do Calvário Ele provou a veracidade de Suas palavras, pois morreu no momento que bem desejou: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito. E, havendo dito isto, expirou”.

 “Se Jesus não tivesse entregue a si mesmo, ninguém o teria entregue” (Santo Agostinho)

         Para o Movimento da Fé, Jesus teria morrido espiritualmente, todavia, para isso seria necessário abrir mão temporariamente de Sua divindade. Entretanto, isso constitui-se um grande problema para quem afirma crer na Bíblia, pois Ela nunca firma que tenha acontecido tal fato.

           Ora, Jesus foi capaz de cumprir o que havia predito acerca de sua morte: “Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou”. Ele morreu no momento que desejou e isso constitui-se como um verdadeiro milagre. Agora, se Ele foi capaz de morrer no momento desejado por que não seria capaz de ressuscitar da mesma forma? É ilógico pensar que Cristo teria capacidade de cumprir apenas a metade do que afirmou ser capaz.

          Jesus morreu cumprindo as Suas próprias palavras e Sua morte foi física e não espiritual.

______________________________________

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 [1] DOBSON, James. Aprenda o Grego do Novo Testamento. CPAD, 1994. págs. 317-319.

[2] STRONG, James.  Strong’s Hebrew and Greek Dictionaries, 1997.

[3] HAGIN, Kenneth E. O Nome de Jesus. Graça editorial, 1988. pág. 24.

[4] ELWELL, Walter A. Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã. Vida Nova, 1993, Vol I. pág.281.

[5] STRONG, James.  Strong’s Hebrew and Greek Dictionaries, 1997.

[6] STRONG, James.  Strong’s Hebrew and Greek Dictionaries, 1997.

[7] DOBSON, James. Aprenda o Grego do Novo Testamento. CPAD, 1994. pág.293

robsontfernandesRobson Tavares Fernandes é bacharel em Teologia pelo STEC (Seminário Teológico Evangélico Congregacional). Tem se dedicado desde 1998 ao ensino e pesquisa bíblica na área de Apologética, sendo autor de vários artigos já publicados. Atuação como professor: Curso de Teologia da Igreja Batista da Palmeira, CBA (Curso Básico de Apologética) e ITESMI (Instituto Teológico Superior de Missões). Atuação como pesquisador: VINACC (Visão Nacional para a Consciência Cristã). Atuação como palestrante: Encontro para a Consciência Cristã, Simpósio Criacionista da Paraíba, Seminário Criacionista da Alagoas. Tem ministrado, ainda, palestras em igrejas, escolas e universidades.

Contato:  cristovira@bol.com.br  rtf75@bol.com.br

Atenção:
O conteúdo desta página tem objetivo formativo e educacional. As fontes só não são citadas quando desconhecidas.  OS ARTIGOS AQUI PUBLICADOS SÃO DE INTEIRA RESPONSABILIDADE DE SEUS AUTORES, CITADOS NO FINAL DE CADA ARTIGO. NÃO NECESSARIAMENTE ESTA PRODUÇÃO CONCORDA INTEIRAMENTE COM O ENTENDIMENTO TEOLÓGICO DE CADA AUTOR. TODAVIA, OS PUBLICAMOS COMO FONTE DE CONHECIMENTO E COMO FORMA DE CONTRIBUIR PARA O ALARGAMENTO DO ENTENDIMENTO E A POSSIBILIDADE DE CONHECERMOS VÁRIAS FORMAS DE PENSAR. CABE A CADA LEITOR REFLETIR, À LUZ DA BÍBLIA, SE CONCORDA OU NÃO COM OS POSICIONAMENTOS AQUI EXPRESSADOS. 

As Sete Cartas – TIATIRA

As sete cartas - TiatiraAs Sete Cartas – TIATIRA

Ao anjo da igreja em Tiatira escreve: Estas coisas diz o Filho de Deus, que tem os olhos como chama de fogo e os pés semelhantes ao bronze polido:
19 Conheço as tuas obras, o teu amor, a tua fé, o teu serviço, a tua perseverança e as tuas últimas obras, mais numerosas do que as primeiras.
20 Tenho, porém, contra ti o tolerares que essa mulher, Jezabel, que a si mesma se declara profetisa, não somente ensine, mas ainda seduza os meus servos a praticarem a prostituição e a comerem coisas sacrificadas aos ídolos.
21 Dei-lhe tempo para que se arrependesse; ela, todavia, não quer arrepender-se da sua prostituição.
22 Eis que a prostro de cama, bem como em grande tribulação os que com ela adulteram, caso não se arrependam das obras que ela incita.
23 Matarei os seus filhos, e todas as igrejas conhecerão que eu sou aquele que sonda mentes e corações, e vos darei a cada um segundo as vossas obras.
24 Digo, todavia, a vós outros, os demais de Tiatira, a tantos quantos não têm essa doutrina e que não conheceram, como eles dizem, as coisas profundas de Satanás: Outra carga não jogarei sobre vós;
25 tão-somente conservai o que tendes, até que eu venha.
26 Ao vencedor, que guardar até ao fim as minhas obras, eu lhe darei autoridade sobre as nações,
27 e com cetro de ferro as regerá e as reduzirá a pedaços como se fossem objetos de barro;
28 assim como também eu recebi de meu Pai, dar-lhe-ei ainda a estrela da manhã.
29 Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.

Gravado pelo Pr. Edson Poujeaux, no quadro “Vamos Aprender Juntos?”, durante o Programa Momentos com Jesus.

download estudos radio

As Sete Cartas – Sardes

As sete cartas - SardesAs Sete Cartas – Sardes

Apocalipse 3.1-6 – “Ao anjo da igreja em Sardes escreve: Estas coisas diz aquele que tem os sete Espíritos de Deus e as sete estrelas: Conheço as tuas obras, que tens nome de que vives e estás morto.
2 Sê vigilante e consolida o resto que estava para morrer, porque não tenho achado íntegras as tuas obras na presença do meu Deus.
3 Lembra-te, pois, do que tens recebido e ouvido, guarda-o e arrepende-te. Porquanto, se não vigiares, virei como ladrão, e não conhecerás de modo algum em que hora virei contra ti.
4 Tens, contudo, em Sardes, umas poucas pessoas que não contaminaram as suas vestiduras e andarão de branco junto comigo, pois são dignas.
5 O vencedor será assim vestido de vestiduras brancas, e de modo nenhum apagarei o seu nome do Livro da Vida; pelo contrário, confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos.
6 Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas”.

Gravado pelo Pr. Edson Poujeaux, no quadro “Vamos Aprender Juntos?”, durante o Programa Momentos com Jesus.

download estudos radio

As Sete Cartas – Pérgamo

As sete cartas - PergamoAs Sete Cartas – Pérgamo

Ao anjo da igreja em Pérgamo escreve: Estas coisas diz aquele que tem a espada afiada de dois gumes:
13 Conheço o lugar em que habitas, onde está o trono de Satanás, e que conservas o meu nome e não negaste a minha fé, ainda nos dias de Antipas, minha testemunha, meu fiel, o qual foi morto entre vós, onde Satanás habita.
14 Tenho, todavia, contra ti algumas coisas, pois que tens aí os que sustentam a doutrina de Balaão, o qual ensinava a Balaque a armar ciladas diante dos filhos de Israel para comerem coisas sacrificadas aos ídolos e praticarem a prostituição.
15 Outrossim, também tu tens os que da mesma forma sustentam a doutrina dos nicolaítas.
16 Portanto, arrepende-te; e, se não, venho a ti sem demora e contra eles pelejarei com a espada da minha boca.
17 Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao vencedor, dar-lhe-ei do maná escondido, bem como lhe darei uma pedrinha branca, e sobre essa pedrinha escrito um nome novo, o qual ninguém conhece, exceto aquele que o recebe.

Gravado pelo Pr. Edson Poujeaux, no quadro “Vamos Aprender Juntos?”, durante o Programa Momentos com Jesus.

download estudos radio

As Sete Cartas – Laodiceia

As sete cartas - LaodiceiaAs Sete Cartas – Laodiceia

Apocalipse 3.14-22 – “Ao anjo da igreja em Laodiceia escreve: Estas coisas diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus:
15 Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem dera fosses frio ou quente!
16 Assim, porque és morno e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca;
17 pois dizes: Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu.
18 Aconselho-te que de mim compres ouro refinado pelo fogo para te enriqueceres, vestiduras brancas para te vestires, a fim de que não seja manifesta a vergonha da tua nudez, e colírio para ungires os olhos, a fim de que vejas.
19 Eu repreendo e disciplino a quantos amo. Sê, pois, zeloso e arrepende-te.
20 Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo.
21 Ao vencedor, dar-lhe-ei sentar-se comigo no meu trono, assim como também eu venci e me sentei com meu Pai no seu trono.
22 Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas”.

Gravado pelo Pr. Edson Poujeaux, no quadro “Vamos Aprender Juntos?”, durante o Programa Momentos com Jesus.

download estudos radio