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LUCAS E O POLICIAL

lucasLUCAS E O POLICIAL

Num hospital repleto de doentes devido a uma epidemia de gripe, um policial gravemente queimado foi levado a uma cama ao lado de um menino de uns sete anos de idade. Este dormia e quando acordou, perguntou à enfermeira: — Quem é?

É um policial—, respondeu ela acrescentando sorrindo: — Portanto, porta-te bem, senão. – –

— Assustado, o menino disse: — É um verdadeiro polícia?

— Sim, mas está muito doente. Por isso deves estar caladinho.

O pequeno teria preferido não ficar ao lado de tão temível homem, vendo que este estivesse sofrendo muito. Quando chegou o médico, o doente despertou e, com amargura e mau humor, ouviu que teria de ficar ainda um mês no hospital. Voltou a cabeça, enfastiado, e viu um par de olhos cuja sinceridade e simpatia o comoveu.

— Uma voz murmurou: — Sente-se melhor, senhor policial?

— Melhor! Ainda é cedo para falar nisso. Mas que se passa contigo e como te chamas —, perguntou por sua vez o policial.

— Chamo-me Lucas. Tenho as pernas paralisadas e os meus pés me doem muito, mas ficarei tranquilo, porque a enfermeira disse-me que o senhor é um policial.

Apesar das dores que sentia, o homem não pôde deixar de sorrir e o pequeno ganhou ânimo. «Pois», pensava ele, um policial que se ri não pode ser mau.

Ao anoitecer, o policia ouviu o que o pequeno dizia à enfermeira: — Tenho estado a observá-lo, mas não creio que ele ore. Penso que tem demasiado sofrimento para o fazer; quando me doem os pés eu também não posso orar. Quer saber? A partir de agora, quando orar por mim mesmo orarei também pelo policial até que ele fique bom para fazê-lo por si mesmo.

Lucas juntou as suas mãos e orou em alta voz para ser ouvido pelo policial: — Senhor Jesus, hoje devo orar duas vezes, uma vez pelo policial e outra por mim. Esta vez é por ele. Amado e fiel Pastor, queres cuidar do teu cordeirinho?

Lucas deteve-se e confuso murmurou: «Ele não é um cordeirinho; é demasiado grande e velho. Que devo dizer? Será ovelha?»

Começou de novo: — «Amado e fiel Pastor, queres cuidar esta noite da tua ovelha e velar por ela até amanhã? Fica com ela, Amem,. Em seguida adormeceu.

Porém, o polícia não pôde reconciliar o sono; se lho impediam as dores; bem; mas agora afligia-o mais a oração do menino. Poderia ser ouvida? Estaria Jesus verdadeiramente perto dele? Impossível! Deus estava muito longe. Sem dúvida, o pequeno havia pedido: «Fica com ela e havia falado do Pastor e da Sua ovelha. Isto era um erro; Antonio não era Sua ovelha. Que tinha aprendido havia muitos anos na escola dominical? Não diz a Bíblia em João 10:27: «As minhas ovelhas ouvem a minha voz.. e me seguem?». Porém, ah! Ele não havia escutado essa voz e nunca O tinha seguido!

Grandes lágrimas que lhe trouxeram algum alívio, correram sobre as faces de Antonio. O Bom Pastor não lhe parecia tão longe agora. Com as palavras: «Senhor Jesus, fica comigo» adormeceu por fim.

Alguns dias mais tarde, ao sentir-se melhor, pediu uma Bíblia. Começou a ler, porém, não encontrava consolação. Pelo contrário. O peso dos seus pecados afastava-o cada vez mais. Uma tarde, chegou em sua leitura ao versículo de Isaías 53:6, e murmurou: «A estas ovelhas pertenço eu. Também sou uma ovelha que se afastou pelo seu próprio caminho».

Quando um homem reconhece que pertence às ovelhas perdidas, que grande passo tem dado! Aquela noite, o policial pediu a Lucas que orasse especialmente por ele.

Pouco a pouco. Antonio recuperou a saúde, e depois de dias de dúvidas e lutas, a luz foi-lhe revelada. O Espírito fez-lhe compreender que o Senhor havia carregado os seus pecados e que tinha dado a Sua vida por ele. Deus estava perto, ou melhor, era ele que havia estado longe; Mas agora aproximava-se de Deus e reconciliava-se com Ele por meio da cruz. Recebeu a completa segurança da salvação;

Enquanto a sua saúde melhorava, a de Lucas declinava visivelmente. Seus dias estavam contados. Uma tarde, ao ver a cama do polícial vazia, o pequeno chamou-o: — Onde está senhor policial?—Este, que estava conversando com a enfermeira, acercou-se do pequeno, que lhe disse: — Queria tanto que você se sentasse a meu lado e tomasse a minha mão até que o Senhor venha e me leve, porque a enfermeira disse-me que o Salvador em breve virá buscar-me.

Antonio não pôde reter as lágrimas.

— Porque chora senhor policial? Tem pena que eu parta? — Não obtendo resposta, prosseguiu: — Gostaria de vir também? Eu direi ao Senhor Jesus quando O vir.

— Sim, Lucas, diz-Lhe agora que eu também quisera ir.

O pequeno uniu as suas mãos e, respirando com dificuldade, murmurou: — Fiel Pastor, o teu cordeirinho vem a Ti… porém, também… a ovelha, o policial quer estar Contigo.

Um último suspiro… e o Bom Pastor levou o Seu cordeirinho, que Ele havia usado para ensinar o caminho da salvação a um pecador perdido.

«A oração dos retos é o gozo do Senhor» (Pv. 15:8)

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